Mostrar mensagens com a etiqueta Joxean Fernández Matxin. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Joxean Fernández Matxin. Mostrar todas as mensagens

27 de novembro de 2019

Um fenomenal Pogacar leva UAE Team Emirates a um nível mais alto

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Se na Ineos se diz que nasceu uma das próximas grandes figuras do ciclismo mundial, na UAE Team Emirates surgiu outra. O colombiano Egan Bernal, da equipa britânica, já tem a sua Volta à França, apenas no seu segundo ano no World Tour, mas também sabe que há uma potencial rivalidade pronta para assumir destaque na modalidade com um esloveno. Tadej Pogacar é puro talento e não perdeu tempo na sua época de estreia ao mais alto nível a conquistar grandes vitórias. E a primeira que não se esquece, foi na Volta ao Algarve.

Numa época em que a UAE Team Emirates investiu muito na contratação de Fernando Gaviria, que inclusivamente quebrou contrato com a Deceuninck-QuickStep para seguir o projecto e o dinheiro que lhe foi oferecido, acabou por ser um jovem ciclista acabinho de chegar a "roubar" quase toda a luz da ribalta, enquanto Gaviria se foi apagando entre os sprints muito aquém e uma lesão que o manteve afastado muito tempo, inclusivamente do Tour.

Esta é uma equipa que está em plena fase de mudança de mentalidade. Depois de tomar conta da antiga Lampre-Merida no final de 2016, a estrutura, agora do Médio Oriente, apostou mais em nomes já com provas dadas, aproveitando Rui Costa, que já estava na equipa, e contratando ciclistas como Daniel Martin, Alexander Kristoff e Fabio Aru. Porém, não foi alcançado o esperado a nível de triunfos e o director espanhol Joxean Fernández Matxin fez com que a equipa, enquanto tentava tirar o melhor deste trio e de Rui Costa, olhá-se para uma nova geração.

2019 foi a primeira amostra de como o trabalho está a ser feito e com Tadej Pogacar a ser simplesmente fenomenal, mas sem esquecer um Jasper Philipsen, um "licenciado" da Hagens Berman Axeon, que também esteve em destaque, além dos bons sinais dados pelo português Rui Oliveira. O irmão, Ivo, ficou com a afirmação adiada devido a uma queda gravíssima num treino, que o manteve afastado cerca de seis meses.

Daniel Martin - que está de saída para a Israel Cycling Academy - lutou contra a pressão que colocou em si próprio e que o afastou de melhores exibições; Aru foi operado à artéria ilíaca na perna - problema que levou Nuno Bico a acabar a carreira - e apesar de se ter comprometido a aparecer a bom nível na Vuelta, nem a terminou; Kristoff foi ganhando, mas são notórias as crescentes dificuldades em disputar sprints com as principais figuras. Mas houve um Tadej Pogacar, tímido e discreto fora da bicicleta, mas de enorme irreverência nas corridas.
Ranking: 4º (11765,33 pontos) 
Vitórias: 29 (incluindo três etapas na Vuelta e uma no Giro, a Volta ao Algarve, Volta à Califórnia, Volta à Noruega e Volta à Eslovénia) 
Ciclista com mais triunfos: Tadej Pogacar (8)
Com Gaviria a abandonar o Giro - venceu uma etapa, após a desclassificação de Elia Viviani - devido à lesão no joelho que o limitaria praticamente toda a temporada, foi no outro jovem, o estreante, que a UAE Team Emirates encontrou a fonte para uma boa época e o início da afirmação desejada entre as melhores equipas do mundo. O objectivo de estar entre as cinco melhores está cumprido, agora vai olhar para o top três e claro, com vontade de destronar a Ineos.

Mas para concretizar essa vontade, o necessário é elevar Pogacar ao próximo nível. O esloveno, de apenas 21 anos, deixou de ser uma promessa logo na Volta ao Algarve quando ganhou categoricamente no Alto da Fóia, segurando a geral até final. Depois foi mostrar toda a sua classe na Volta à Califórnia, tendo antes ganho a juventude na Volta ao País Basco. Porém, foi depois do que fez na Vuelta que Pogacar se transformou num ciclista que ninguém menosprezará em 2020.

Venceu três etapas, a juventude e ainda foi terceiro na geral. Além dos números, as exibições foram entusiasmantes. E nem era suposto estrear-se em grandes voltas em 2019! Não tem medo de atacar de longe, não tem receio de enfrentar sem inibições ciclistas de maior experiência. É inteligente tacticamente, completo tecnicamente, pois além de ser um excelente trepador, defende-se muito bem no contra-relógio. É impossível não pensar de como será ver um frente-a-frente entre Egan Bernal e Tadej Pogacar.

Pode parecer redutor falar da época da UAE Team Emirates quase exclusivamente na perspectiva de Pogacar, mas os seus resultados fizeram muito a diferença, enquanto ciclistas de maior estatuto estiveram abaixo das expectativas. Aru, por exemplo, vai ter um ano fulcral se quiser não só manter estatuto, como se procurar manter-se na equipa.

Mas refira-se como Jan Polanc andou de camisola rosa na Volta a Itália e de como Diego Ulissi - outra das figuras que estava na Lampre-Merida, tal como Rui Costa - continua a deixar sempre uma pequena frustração por tanto conseguir ser um ciclista capaz de discutir grandes corridas, como um que desaparece no extenso pelotão internacional.

Quanto aos portugueses, Rui Costa teve alguns bons momentos, como foi o caso na Volta à Romandia (segundo na geral) e, como tem sido normal, no final de temporada, com um 10º lugar nos Mundiais de Yorkshire. No entanto, não restam dúvidas de como está a perder estatuto e apesar de nova renovação de contrato, o seu papel será cada vez mais de apoio às figuras emergentes como Tadej Pogacar, sendo que a experiência do poveiro será essencial num grupo cada vez mais jovem desta UAE Team Emirates.

A estreia de Rui Oliveira no World Tour, outro "licenciado" da Hagens Berman Axeon, foi muito positiva, estando a transformar-se num ciclista de trabalho de muita qualidade. Ao lado de Jasper Philipsen, por exemplo, foi importante em alguns dos bons resultados deste sprinter belga, também com talento para as clássicas.

Já Ivo iniciou o seu regresso à competição na recta final da temporada e agora é aguardar que possa recuperar a sua melhor forma, tanto para se poder afirmar na estrada ao mais alto nível, como a pensar no apuramento de Portugal para os Jogos Olímpicos na vertente de pista, sendo os gémeos Oliveira elementos importantes para garantir este feito inédito.

E por falar de jovens na UAE Team Emirates, vão chegar mais uns muito prometedores: Brandon McNulty (21 anos, trepador da Rally UHC Cycling) e Mikel Bjerg (21, tricampeão mundial de contra-relógio de sub-23), com o italiano Alessandro Covi (21, Colpack) e o colombiano Andrés Ardila (20, EPM Scott) a serem mais dois ciclistas com qualidades de trepadores, com Covi a também se adaptar bem a algumas clássicas.

David Formolo (Bora-Hansgrohe), David de la Cruz (Ineos) e Joe Dombrowski (EF Education First) são contratações para equilibrar com a muita juventude, sem esquecer o veterano de 36 anos Max Richeze (Deceuninck-QuickStep), que se espera que venha a ser o líder do comboio que Gaviria deseja, sendo um reencontro depois de terem sido uma dupla de sucesso na equipa belga.

»»Versão avassaladora da Astana desaparece nas grandes voltas««

»»Reinado da Ineos continua, muda o rei««

9 de outubro de 2019

Vai nascer a UAE Team Colombia

(Fotografia: © Federação Colombiana de Ciclismo)
A Colômbia vai ter um novo projecto de sub-23 que receberá o importante apoio da UAE Team Emirates. Com os ciclistas colombianos a serem cada vez mais cobiçados pelas grandes equipas, ainda assim, os problemas na modalidade no país continuam a ser um travão a um maior desenvolvimento, principalmente devido às questões relacionadas com o doping. Por isso mesmo, apesar da equipa UAE Team Colombia, como se chamará, ser independente da dos Emirados, irá receber a essencial ajuda da formação do World Tour no departamento médico e no controlo anti-doping.

A notícia foi muito bem recebida na Colômbia e no El Espectador lê-se que "nasceu uma nova esperança para o ciclismo colombiano". Este ano, a Manzana Postobón fechou portas depois de ciclistas seus terem dado positivo por doping, terminando assim um projecto Profissional Continental que queria servir de ponte para os colombianos chegarem ao World Tour. Sergio Higuita (EF Education First) é um dos casos de sucesso, tal como Juan Sebastián Molano, sprinter que é um dos colombianos que já está na UAE Team Emirates.

Há dois anos a Movistar deixou de patrocinar uma equipa naquele país e em 2015 a Team Colombia - que antes foi a Colombia-Coldeportes - também terminou. Apesar das dificuldades em manter estruturas que ajudem à evolução do ciclismo naquele país, nos últimos anos têm sido vários os ciclistas contratados por formações europeias, com muitos a chegarem ao World Tour. Egan Bernal (Ineos) é o maior dos exemplos, tendo este ano tornado-se no primeiro colombiano a vencer a Volta a França. Iván Ramiro Sosa (Ineos), o referido Higuita e Daniel Martínez são outros exemplos, sem esquecer Fernando Gaviria.

Estes ciclistas seguiram as pisadas de Rigoberto Uran e Nairo Quintana - para referir os corredores mais recentes - e a Colômbia está cada vez mais na moda, que não parece ser passageira dada a qualidade dos atletas. Só a UAE Team Emirates conta com Sergio Henao, Gaviria, Molano e Cristian Muñoz e contratou para 2020 o vencedor da Volta a Itália de sub-23, Andrés Camilo Ardilla.

"Este projecto está em andamento há mais de um ano, desde que temos trabalhado para que investidores estrangeiros pudessem apoiar o ciclismo colombiano. Felizmente tivemos uma resposta positiva para formar uma equipa, na qual os nossos ciclistas tenham uma grande oportunidade a nível nacional", explicou o director da estrutura 
Juan Darío Uribe, que ajudou a formar uma das referências da modalidade na Colômbia: Santiago Botero (terminou a carreira em 2008).

Algo que é bem vincado, é que a UAE Team Colombia não será uma filial da UAE Team Emirates. Terá uma estrutura independente, com base em Medellín e com as decisões a serem tomadas pelos responsáveis da equipa. Gabriel Jaime Vélez será o director técnico. É igualmente salientado como a estrutura será a primeira no país a contar com um apoio no controlo anti-doping "de primeiro nível".

Quanto ao plantel, este só será anunciado a 1 de Janeiro de 2020, com Uribe a querer juntar alguns dos maiores talentos sub-23 e prepará-los e ajudá-los na evolução, de forma a que possam ambicionar chegar ao mais alto nível. E estes jovens saberão que estarão a ser seguidos por um dos responsáveis da chegada de alguns dos grandes talentos ao World Tour: Joxean Fernández Matxin.


4 de outubro de 2019

Rui Costa renova e dará experiência a uma equipa que aposta forte na juventude

(Fotografia: © Bettiniphoto/UAE Team Emirates)
"A minha filosofia é acreditar nos atletas antes de eles se tornarem campeões. É assim que se fazem campeões." As palavras são de Joxean Fernández Matxin, um dos mais prestigiados directores desportivos e que durante três anos foi um olheiro de luxo para a Quick-Step. Na UAE Team Emirates, a sua apetência para descobrir e desenvolver jovens talentos começou a ser mais visível no o plantel desta temporada e vai continuar em 2020. Porém, manter ciclistas experientes é essencial para o equilíbrio de uma equipa que quer estar entre as melhores em pouco tempo. Rui Costa vai continuar por mais duas temporadas, num anúncio que contou ainda com a contratação de mais um jovem: o italiano Alessandro Covi (21 anos, Colpack).

Brandon McNulty (21, Rally UHC Cycling), Mikkel Bjerg (20, Hagens Berman Axeon) e Andres Camilo Ardila (20, EPM Scott) vão juntar-se ao grupo de jovens que chegou em 2019: Tadej Pogacar, Jasper Philipsen, Cristian Camilo Muñoz e os gémeos portugueses Ivo e Rui Oliveira. Isto sem esquecer que Juan Sebastián Molano (24), Fernando Gaviria (25) e Tom Bohli (25) não são exactamente velhos.

Quando Matxin chegou à UAE Team Emirates para regressar ao papel de director em Outubro de 2017, depois de ser um olheiro de muito sucesso, a aposta da equipa estava a ser em contratar para 2018 ciclistas com experiência e visibilidade, na tentativa de obter resultados rapidamente. Daniel Martin, Fabio Aru e Alexander Kristoff são exemplo disso mesmo, ainda que não com os resultados desejados. O bielorrusso Alexandr Riabushenko (Team Palazzago) foi o único sub-23 a então assinar contrato, com Matxin a não deixar escapar o ciclista depois de estagiar com a equipa na fase final da temporada.

"O talento não pode ser ensinado, não pode ser adquirido, é genético. Há ciclistas com dados psicológicos muito bons, mas que nunca ganham nada. Ficar no topo toda a carreira requer verdadeiro talento, carácter e classe. Há outro factores que influenciam, como a escolha onde se vai desenvolver [o talento]. Isso poderá ser, talvez, mais importante do que o próprio talento. Uma equipa ou uma escolha errada pode marcar a carreira de muitos ciclistas", escreveu Matxin num texto publicado no site De Velo, em Fevereiro.


Depois do que Pogacar fez este ano (venceu a Volta ao Algarve, à Califórnia e foi terceiro na Vuelta, além de conquistar três etapas), dos resultados de Philipsen, da evolução de Rui Oliveira, a UAE Team Emirates está a tornar-se numa equipa World Tour com enorme potencial de transformar o talento de um ciclista em sucesso. Bjerg (tricampeão do mundo de contra-relógio em sub-23), McNulty e companhia poderão ser mais uma prova disso mesmo em 2020.


Rui Costa pode estar a perder protagonismo no aspecto de liderança, o que não significa que não tenha as suas oportunidades de lutar por vitórias. Porém, aos 33 anos (que celebra este sábado, 5 de Outubro), a UAE Team Emirates também quererá que tenha um papel importante na ajuda à afirmação de tantos jovens que a equipa quer apostar no World Tour. Há um ano renovou apenas por uma temporada, mas desta feita a confiança é até 2021. "Uma das minhas prioridades era que queria ter continuidade no meu futuro como ciclista e agradeço à UAE Team Emirates por me dar a oportunidade e permitir que continue a trabalhar rumo aos meus objectivos", afirmou o poveiro, que não escondeu a felicidade por poder continuar neste projecto dos Emirados Árabes Unidos.

Com a saída de Daniel Martin - vai para a Israel Cycling Academy - Rui Costa será dos ciclistas mais velhos da equipa, que contratou um dos mais experientes do pelotão para tentar recuperar a melhor versão de Fernando Gaviria, que não foi nada feliz neste primeiro ano na UAE Team Emirates. Maximiliano Richeze (36 anos) deixa a Deceuninck-QuickStep para ser novamente o lançador do sprinter colombiano.

Davide Formolo (26, Bora-Hansgrohe) irá reforçar o bloco das clássicas e Joe Dombroski (28, EF Education First) continua sem atingir o potencial que se esperava quando era sub-23, mas vai ter mais uma oportunidade. David de la Cruz pode já ter 30 anos, mas Matxin acredita que este espanhol poderá ainda ser uma peça importante nas corridas por etapas, depois de uma passagem pela Ineos que deixou poucas boas recordações.

A Lampre-Merida, como se chamava antes da equipa, até já parece fazer parte de um passado muito distante. Agora é a UAE Team Emirates que ao apostar nos jovens quer chegar ao topo do ciclismo mundial e pelas amostras recentes, o futuro é promissor.

Plantel de 2020: Andres Camilo Ardila (Col), Fabio Aru (Ita), Mikkel Bjerg (Din), Tom Bohli (Sui), Sven Erik Bystrøm (Nor), Valerio Conti (Ita),  Rui Costa (Por), Alessandro Covi (Ita), David De La Cruz (Esp), Joe Dombrowski (EUA), Davide Formolo (Ita), Fernando Gaviria (Col), Sergio Henao (Col), Alexander Kristoff (Nor), Vegard Stake Laengen (Nor), Marco Marcato (Ita), Brandon McNulty (EUA), Yousif Mirza (EAU), Sebastian Molano (Col), Cristian Muñoz (Col), Ivo Oliveira (Por), Rui Oliveira (Por), Jasper Philipsen (Bel), Tadej Pogacar (Esl), Jan Polanc (Eslv), Edward Ravasi (Ita), Aleksandr Riabushenko (Bie), Maximiliano Richeze (Arg), Oliviero Troia (Ita), Diego Ulissi (Ita).

»»Nuno Bico termina carreira aos 25 anos««

»»José Gonçalves regressa a equipa francesa««