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29 de novembro de 2019

Projecto EPowers Factory termina antes de começar e deixa Rebellin sem equipa

A ambição era enorme e revelou ser um pouco exagerada para uma equipa que afinal não chegou a ser. A EPowers Factory queria uma licença Profissional Continental e ir à Volta a Itália já em 2020. Contratou vários ciclistas, com o destaque a ir inevitavelmente para o veteraníssimo Davide Rebellin, mas também para Darwin Atapuma, que este ano representou a Cofidis. Porém, sem grande surpresa, o projecto não se concretizou, com a agravante de ter deixado sem trabalho mais de 30 pessoas.

Um dos responsáveis pela estrutura enviou um e-mail a todos os que já havia contratado, alertando que afinal a formação não irá para a estrada em 2020. "Informamos que as negociações entre os patrocinadores e a equipa Epowers Factory ainda não terminaram. Por esta razão, a equipa não cumpriu o prazo estabelecido para obter a licença UCI. Esta infeliz situação levou à inevitável conclusão do processo de autorização para a licença Profissional Continental por parte da UCI", lê-se no comunicado a que o jornal Marca teve acesso. Tamás Pcze confirma que os contratos dos ciclistas e membros do staff serão terminados, o que, numa altura tão tardia em 2019, poderá causar problemas a muitos ciclistas e não só para encontrar uma equipa.

"Este ano trabalhei tanto, o sonho estava ali e, em vez disso, enganaram-nos e desperdiçaram o nosso tempo. Muitos dos miúdos já desistiram. E parar assim é humilhante. Eles lixaram-nos", afirmou Gregorio Ferri ao CicloWeb, um dos jovens que se preparava para a estreia como profissional na EPowers Factory. Entre os corredores contratados estava Nicola Toffali, que nas últimas duas temporadas representou o Sporting-Tavira, e Riccardo Stacchiotti, que em 2018 venceu duas etapas na Volta a Portugal ao serviço da MsTina-Focus.

Aos 48 anos, Davide Rebellin poderá estar mesmo a caminho de terminar uma longa carreira. Já o havia anunciado este ano, com os Nacionais a serem estabelecidos como a última corrida. No entanto, resolveu adiar a despedida para competir pela EPowers Factory, que teria uma licença húngara - com apoio estatal - e cujos responsáveis prometeram aos ciclistas que o objectivo era estar na Volta a Itália em 2020, através de um convite, precisamente uma edição que vai começar naquele país.

O italiano ainda não anunciou oficialmente a sua retirada e tendo em conta que os anos vão passando, mas vai sempre encontrando espaço em equipas para continuar a competir, falta saber se 2019 marcará de facto o adeus de um ciclista que se estreou como profissional em 1993. Fez a tripla das Ardenas em 2004, ganhando a Flèche Wallonne em mais duas ocasiões e tendo entre as suas vitórias um Tirreno-Adriatico (2001) e um Paris Nice (2008). Mas é uma carreira manchada pelo doping, com o recurso a EPO a custar-lhe a medalha de prata que havia ganho nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim. Regressou em 2011, mas nunca mais foi contratado por uma equipa do principal escalão.

Quanto à EPowers, deverá apostar no seu segmento, que são as bicicletas eléctricas, com uma equipa amadora para competir nas corridas desta vertente.


19 de outubro de 2019

Rebellin afinal não se vai retirar e até sonha em regressar à Volta a Itália aos 48 anos

Anunciou que terminaria a longa carreira após os Nacionais e que iria tentar despedir-se como campeão. Porém, Davide Rebellin não consegue parar, nem aos 48 anos. Ainda antes da corrida de Compiano, no final de Junho, o italiano deu o dito por não dito e afirmou que gostaria de continuar e que tinha capacidade para o fazer. Entretanto, a sua ambição cresceu e de que maneira: sonha em estar novamente na Volta a Itália. É improvável, para não dizer impossível, mas o plano está em marcha e Rebellin acredita que não só poderá estar presente, como poderá terminar o Giro. A sua última participação remonta a 2008. Abandonou, tal como nas cinco edições anteriores, somando 12 presenças no total. Venceu uma etapa em 1996, quando foi sexto na geral, a sua melhor classificação.

O plano está então delineado e passa pela Hungria. Rebellin vai assinar pela equipa húngara Epowers Factory Team, que está a preparar a subida ao escalão Profissional Continental e assim tentar um convite para o Giro, que começa precisamente naquele país. Serão três etapas. "É uma sorte poder continuar a andar de bicicleta num projecto ajudado por patrocinadores da Hungria. Regressar ao Giro na minha idade seria motivo de orgulho e estou convencido que, enfrentando-o da maneira certa, poderei terminá-lo", afirmou o italiano à Marca.

Segundo o jornal espanhol, os responsáveis da equipa explicaram que esta receberá apoio do governo húngaro e da marca de bicicletas do país Epowers. A presença na Volta a Itália seria vista como um passo para desenvolver o ciclismo na Hungria, através da construção de velódromos e da criação de escolas da modalidade.

O antigo ciclista Sandro Lerici será um dos directores e explicou que a equipa está a ser formada. A licença Profissional Continental poderá ser confirmada em Novembro, já que na primeira lista divulgada, o nome da estrutura húngara não estava incluída.

Além de Rebellin, Darwin Atapuma será outra das contratações. O colombiano nunca conseguiu confirmar as expectativas criadas ainda muito novo, nem na BMC, muito menos na UAE Team Emirates e quase passou despercebido em 2019 ao serviço da Cofidis. Giuliano Kamberaj, Michele Corradini, Filippo Rocchetti, Paolo Baccio, Riccardo Stacchiotti, Manuel Allori, Andrea Cacciotti, Daniel Dina, Jalel Duranti, Gregorio Ferri, Viktor Filutas, Filippo Magli, János Pelikán, Bálazs Rózsa, Gergely Szarka, Andrea Toniatti, Nicola Toffali e Federico Zurlo estão a ser adiantados como os eleitos pela Epowers Factory Team.

Os dois últimos nomes poderão chamar também um pouco a atenção. Zurlo tem experiência World Tour. Esteve na Lampre-Merida e fez a passagem para a UAE Team Emirates (2016 e 2017), antes de se mudar para a MsTina-Focus, equipa que representou na Volta a Portugal no ano passado. Quanto a Toffali tem uma ligação ao nosso país mais directa, pois nas duas últimas temporadas representou o Sporting-Tavira. Há vários nomes italianos no plantel, o que será mais um argumento para tentar ir ao Giro. Realce ainda para Riccardo Stacchiotti, outro ciclista que esteve na MsTina-Focus em 2018 e venceu duas etapas da Volta a Portugal nesse ano.

"A nossa ideia é estar na partida do Giro [9 de Maio], mas isso também depende da RCS [organizadora da corrida] e de questões políticas. Nós estamos a trabalhar para poder estar lá e estamos a terminar a formação de uma grande equipa", salientou à Marca o director, Sandro Lerici.

Mesmo que reúna as condições para ser Profissional Continental, a Epowers Factory Team terá de aguardar por um convite da organização para cumprir o objectivo. Em 2018, a Israel Cycling Academy recebeu um que não surpreendeu, já que o arranque da Volta a Itália era precisamente em Israel. Porém, a situação era diferente. A estrutura ia no seu segundo ano como Profissional Continental, com ciclistas com algum peso - Ben Hermans, Rubén Plaza e Kristian Sbaragli - e também uma maior influência e apoio nos bastidores. A sua presença no Giro, há muito que era falada e preparada.

Depois haverão apenas dois convites disponíveis e não quatro como até 2019. Em Itália, a mudança de regras da UCI está a abanar com as estruturas Profissionais Continentais. A Nippo Vini Fantini Faizanè já não irá para a estrada em 2020. Sem equipas no World Tour desde que a Lampre-Merida foi vendida a UAE Team Emirates, dar um convite a uma equipa húngara recém-formada e deixar de fora equipas italianas Profissionais Continentais há muito estabelecidas no ciclismo transalpino e que tanto precisam do Giro para expor os patrocinadores, não seria uma notícia nada bem recebida. São três e uma ficará sempre de fora se não houver nenhuma alteração no regulamento, o que já preocupa bastante qualquer dos responsáveis, que nem querem imaginar perder um convite para a Hungria.

Rebellin foi uma referência do ciclismo italiano. Fez a tripla das Ardenas, ganhou o Paris-Nice, o Tirreno-Adriatico, até ganhou a prata nos Jogos Olímpicos de Pequim. Porém, foi apanhado nas malhas do doping e tornou-se no primeiro italiano a perder uma medalha olímpica por essa razão. Após a suspensão, nunca mais conseguiu entrar numa equipa de topo. A polaca CCC, então Profissional Continental, foi a melhor formação que lhe deu uma oportunidade. Rebellin tem sido um sobrevivente, participando em projectos da Argélia ao Kuwait e este ano esteve na Croácia. Mas em Itália há quem não esqueça a fase negra da sua carreira.

Independentemente de ir ou não ao Giro, Rebellin quer continuar a competir e se o projecto for para a frente - a apresentação oficial deverá decorrer em Dezembro -, começa-se a questionar se o italiano vai tentar prolongar a carreira até aos 50 anos.


29 de abril de 2019

Aos 47 anos decidiu terminar a carreira mas quer despedir-se como campeão nacional

Quando se fala de longevidade no ciclismo, já não é estranho ver ciclistas próximos dos 40 anos a continuarem a competir e a ganhar e até já depois dos 40 vai aumentando o número daqueles que prolongam as carreiras. Porém, há um que não está longe dos 50, mas anunciou que 47 será a idade da reforma como atleta profissional. Davide Rebellin é um nome que marcou a modalidade pelas melhores e piores razões. Até assinou por uma nova equipa que começará a representar em Maio, mas será apenas por dois meses, para preparar um último grande objectivo: despedir-se como campeão nacional.

Rebellin considera que chegou o momento de se retirar e a data está então marcada para 30 de Junho, nos Nacionais de Itália, a pouco mais de um mês de celebrar 48 anos (9 de Agosto). É vestido com a camisola tricolor que o ciclista quer sair de cena, ele que foi uma das referências da modalidade no seu país, tendo como um dos seus grandes feitos a tripla das Ardenas. Isto é, ganhou no mesmo ano, 2004, a Amstel Gold Race, a Flèche Wallonne e a Liège-Bastogne-Liège. Venceu novamente a segunda corrida em 2007 e 2009. Entre as mais de 50 vitórias na sua longa carreira (27 anos), Rebellin conquistou também um Tirreno-Adriatico (2001) e um Paris-Nice, em 2008.

Esse acabaria por ser um ano marcante na sua carreira negativamente. O italiano conquistou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pequim, mas deu positivo por CERA, uma forma de EPO, sendo suspenso por dois anos. Rebellin não mais conseguiu regressar a uma equipa do principal escalão, mas esteve quatro anos na polaca CCC, que apostou no veterano ciclista.

Depois de representar a Kuwait-Cartucho.es em 2017 - tendo estado na Volta a Portugal - Rebellin estava na equipa argelina Sovac. "Houve alguns problemas e decidimos terminar o contrato por mútuo acordo. Mas eu quero ser candidato à tricolor [camisola de campeão nacional], por isso cheguei a acordo com a Meridiana Kamen, uma equipa com licença croata e que tem um projecto interessante", explicou o ciclista à Gazzetta dello Sport. Rebellin admitiu mesmo que poderá continuar nesta formação Continental da Croácia com um outro papel depois de terminar a carreira como atleta. É uma estrutura que conhece bem, pois já por lá tinha passado em 2012.

Para agora vai apontar à Volta à Albânia para começar a preparar a participação nos Campeonatos Nacionais. A última vitória de Rebellin foi quase há um ano, a 6 de Maio, numa etapa da corrida argelina, Wilaya d'Oran. A concorrência nos Nacionais será bem diferente. O melhor que conseguiu foram dois terceiros lugares, um em 2007, com Giovanni Visconti a ser o campeão. Repetiu a posição em 2013, quando foi batido por Ivan Santaromita, o vencedor, e Michele Scarponi.

Rebellin estreou-se como profissional em 1992, na equipa italiana GB-MG Maglificio, onde também estava aquele que se tornaria num dos melhores sprinters: Mario Cipollini. Polti, La Française des Jeux, Liquigas e Gerolsteiner foram das principais equipas que representou, atravessando gerações.

"O ciclismo é a minha vida, [move-me] o amor por este desporto, que me dá muita satisfação. Enquanto as pernas me disserem para continuar, vou continuar", disse Rebellin numa entrevista ao Volta ao Ciclismo em 2017. As pernas estão a dizer-lhe para parar, mas o amor pela modalidade faz com que não tenha intenção de se afastar por completo.

30 de setembro de 2017

De estrela com recepção real ao anonimato no ciclismo europeu

Salah Eddine Mraouni tem o sonho de tantos ciclistas: chegar ao mais alto nível e competir na Volta a França. Admira Alejandro Valverde - "é muito forte e inteligente", diz - e este ano deu o passo de deixar o conforto de um país onde era uma autêntica estrela, até com direito a ser recebido pelo rei. Tem apenas 24 anos, mas na curta carreira conheceu vários sucessos, tanto em África como na Ásia. Venceu a UCI Africa Tour em 2015, mas chegou o momento em que quis mais. Foi na Kuwait-Cartucho.es que encontrou o passaporte para entrar em corridas com outro tipo de competitividade. Adaptar-se a outra realidade é sempre um desafio, mas para Mraouni o maior tem sido ser um ciclista "normal".

Na Europa é mais um entre os muitos que trabalham para chamar a atenção das grandes equipas. Não tem sido fácil a adaptação, pois de ser conhecido em todo o lado, é agora apenas mais um. No entanto, mesmo tendo de lidar com o anonimato da realidade que agora vive, Mraouni mantém-se fiel aos seus sonhos. "Eu quero continuar no ciclismo e daqui a dois anos subir", explicou ao Volta ao Ciclismo. O marroquino quer estar noutro nível rapidamente, contudo, sabe que tem ainda muito a aprender e é por isso que vê a equipa Kuwait-Cartucho.es como ideal para este processo de evolução, ainda mais quando tem como companheiros os experientes Davide Rebellin e Stefan Schumacher.

Mraouni destacou-se desde cedo em Marrocos, sendo visto como um ciclista para todo o terreno, que em grupos reduzidos fazia-se valer da boa velocidade final para conquistar bons resultados. Agradecido por ter a oportunidade para experimentar outras competições, foi em África que alcançou os três triunfos em 2017 (dois na Volta aos Camarões e um na Volta a Marrocos). Já andou por França, Espanha, até na China, mas em Portugal encontrou o país que gostou, até porque encontrou o tempo quente que gosta, além de ter elogiado os portugueses. "Ando melhor com o calor. Estou mais habituado", admitiu. Ainda assim, não escondeu que subir à Torre na Volta a Portugal "foi um dia difícil".

E foi precisamente nessa corrida por cá que Mraouni teve um teste importante, apesar de ter terminado num discreto 104º lugar, a quase três horas do vencedor, Raúl Alarcón. Foi uma prova por etapas a um ritmo diferente ao que está habituado e o marroquino salientou que foi melhorando com o passar dos dias, o que o motiva para as próximas corridas que tiver de enfrentar com competitividade idêntica. Porém, não conseguiu mostrar-se no palco mais importante do ano para si: abandonou nos Mundiais de Bergen.

Quem conhece Mraouni diz que este ano não parece a mesma pessoa, pois deixou os holofotes da fama local para trás. Não são momentos fáceis para um jovem que se habituou a ser uma estrela, mas vem de um continente que aos poucos vai começando a ver os seus ciclistas aparecerem e a serem respeitados e procurados por grandes equipas, muito devido ao trabalho da formação da Dimension Data. Mraouni segue o seu caminho, no anonimato, mas sem abandonar o sonho de um dia falarem dele ao mais alto nível.

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8 de agosto de 2017

Rebellin a viver um dia de cada vez e à espera que as pernas lhe digam para parar

Davide Rebellin celebra 46 anos esta quarta-feira. Vai festejar o aniversário na estrada, na quinta etapa da Volta a Portugal, corrida que participa não só para rodar, pois está a tentar um top dez ou pelo menos uma etapa. Assim tinha dito o italiano que o ia fazer e está a cumprir. Experiência não lhe falta, e também a notoriedade de ser o ciclista com o currículo mais importante na corrida portuguesa. O melhor há muito que ficou para trás, tal como o pior. Rebellin continua a competir por paixão ao ciclismo e não tem planos para se retirar até que as pernas lhe digam que já chega.

"Eu decido de ano para ano se vou continuar, se fico nesta ou noutra equipa. Vou procurando a melhor solução para mim", explicou o veterano ciclista ao Volta ao Ciclismo. Este ano escolheu a Kuwait-Cartucho.es, equipa que pretende ajudar a desenvolver a modalidade naquela zona do globo e que escolheu experientes corredores para contribuírem com os seus conhecimentos. Nesta formação há muita juventude. Alguns deles eram praticamente recém-nascidos quando Rebellin dava as primeiras pedaladas como profissional. "Às vezes vêem-me como um pai, mas acima de tudo há amizade. Gosto muito de os ajudar", referiu o italiano.

Um monumento do ciclismo (Liège-Bastogne-Liège), três Flèche Wallonne, uma Amstel Gold Race - em 2004 fez o pleno nas Semana das Ardenas -, Rebellin consagrou-se como um dos melhores homens de clássicas no início do século, ainda que também tenha conquistado o Tirreno-Adriatico. Em 2009 caiu nas malhas do doping, quando foi divulgado um positivo por CERA, numa análise referente aos Jogos Olímpicos do ano anterior, em Pequim. Acabou suspenso por dois anos.

Já não era um jovem, pelo que se pensava que acabava assim a carreira, mas não. Regressou em 2011 para uma equipa Continental e no ano seguinte a polaca CCC (Profissional Continental) confiou na sua veterania e por lá ficou quatro temporadas. Ao finalizar o contrato, voltou-se a pensar que era o fim. Não. Rebellin é duro de roer. "O ciclismo é a minha vida, [move-me] o amor por este desporto, que me dá muita satisfação. Enquanto as pernas me disserem para continuar, vou continuar", salientou.

Não esconde que gostaria de regressar às suas queridas clássicas, sendo que para tal precisa de estar numa equipa de escalão superior. No entanto, destacou como se sente bem na Kuwait-Cartucho.es. "É uma equipa pequena, mas faz um bom calendário e tem corredores com experiência como eu e o Stefan Schumacher. Há muita coisa a melhorar, mas creio que é um projecto com futuro", frisou Rebellin.

Apesar de ser de uma geração diferente, a verdade é que muitos são os jovens que ainda gostam de o ver competir: "Tenho muitos seguidores e muitos dizem-me que estão contentes por eu continuar, os mais velhos, mas também os mais novos. Isso é muito bom."

Miguel Ángel Hurtado, director desportivo da formação do Kuwait, realçou ao Volta ao Ciclismo como a veterania de Rebelin está a ser importante para ajudar os corredores mais jovens da equipa, mas também o italiano está a tirar dividendos desta sua escolha: "Ele está a viver uma segunda juventude. Está muito bem [fisicamente] e nós estamos muito felizes com ele."

Os primeiros dias de Davide Rebellin demonstram a vontade da Kuwait-Cartucho.es em ser competitiva e não ser uma equipa que vem passear à Volta a Portugal, ainda que na Senhora da Graça Rebellin tenha saído do top dez, estando agora a 2:40 minutos do líder Raúl Alarcón. "Queremos ganhar [a Volta]!", brincou Hurtado, muito bem disposto. "Temos uma equipa humilde, mas vamos tentar ganhar uma etapa. Estamos aqui para nos mostrarmos. Queremos pelo menos uma etapa e de ser protagonistas", assegurou, desta feita, muito a sério.

Hurtado falou ainda sobre a realidade da modalidade no Kuwait: "Lá o ciclismo é minoritário. Há pouco público, mas querem apostar na modalidade e nós estamos a dar uma ajuda passando-lhes o nosso conhecimento." O objectivo da equipa passa por evoluir os jovens do Kuwait, a pensar numa eventual presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio2020, para que assim possam surgir com um ritmo e experiência diferente. "Eles estão a crescer", garantiu.

»»Alarcón ou Amaro? A W52-FC Porto só teve de escolher««

»»"Não se ganha a Volta na Senhora da Graça, mas com um dia mau pode-se ficar fora da decisão"««

31 de maio de 2017

GP Beiras e Serra da Estrela com duas equipas do Kuwait, uma da Malásia e com um dos ciclistas mais veteranos do pelotão

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quando há um ano a corrida foi para a estrada pela primeira vez, rapidamente se percebeu que se estava perante mais uma competição de qualidade em Portugal. O Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela tem a categoria 2.1 da UCI, mas a sua colocação no calendário poderá não ser a melhor para chamar mais equipas do escalão Profissional Continental. Pelo menos para já. Ainda assim conta uma forte presença de formações estrangeiras, inclusivamente duas do Kuwait e uma da Malásia. De Espanha virá a Caja Rural, que pertence ao segundo escalão, uma presença habitual por cá e que trará Sergio Pardilla - segundo classificado em 2016 - e uma das estrelas em ascensão do ciclismo espanhol, Jaime Rosón. Inevitavelmente as atenções também se irão centrar na presença de um ciclistas já longe da sua melhor forma, mas quem ganha três Flèche Wallonne e uma Liège-Bastogne-Liège, mesmo aos 45 anos continua a ser uma estrela: Davide Rebellin.

As equipas portuguesas irão apostar forte nesta corrida, que inclui a subida à Torre, um dos locais mais emblemáticos da modalidade em Portugal. Há um ano o vencedor foi Joni Brandão, então ao serviço da Efapel. Agora no Sporting-Tavira, o ciclista continua à procura da sua melhor forma, mas com a Volta a Portugal a dois meses do arranque (de 4 a 15 de Agosto), as principais figuras do pelotão nacional - algumas têm estado algo discretas durante o ano - deverão começar a aparecer e provavelmente já no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela.

A prova terá 554 quilómetros com dez contagens de montanha durante três dias, de sexta-feira a domingo. A primeira etapa ligará Penamacor a Celorico da Beira (199 quilómetros) e apesar das três subidas de terceira categoria, as previsões apontam para uma possível discussão ao sprint.

No sábado tudo começará em Fornos de Algodres, com a meta colocada em Trancoso. Os 192 quilómetros terão uma subida de terceira e outra de segunda categoria. O terceiro dia será o mais aguardado. 163 quilómetros entre Belmonte e Manteigas, com a subida ao alto da Torre, a partir de Seia. A passagem no ponto mais alto de Portugal Continental acontece a 25 quilómetros da chegada.

Quanto às equipas, as da elite portuguesa estarão todas presentes: W52-FC Porto, Efapel, Sporting-Tavira, Louletano-Hospital de Loulé, Rádio Popular-Boavista e LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. De Espanha, além da Caja Rural, estarão ainda a Burgos BH e Euskadi Basque Country-Murias, equipa que no próximo ano pretende ascender ao escalão Profissional Continental. A Equipo Bolivia não podia falhar, sendo das formações estrangeiras que mais vezes tem competido por cá este ano. Da Grã-Bretanha vem a JLT Condor, da Alemanha estará a Bike Aid e da Rússia a Lokosphinx.

Do Kuwait virá então a Kuwait-Cartucho.es, equipa que tem no seu plantel o veteraníssimo Davide Rebellin. Além das vitórias já referidas, destacam-se ainda uma Amstel Gold Race e um Tirreno-Adriatico. Todas estas conquistas ocorrem na primeira década do milénio. No entanto, a carreira também fica marcada pelo caso de doping que lhe custou a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. E acabou também por lhe custar bons contratos, pois nunca mais conseguiu um com uma equipa do World Tour. 

Daquela zona do Golfo Pérsico virá ainda a Massi-Kuwait Cycling Project e para fechar a lista, da Malásia está inscrita a Sapura Cycling.


7 de janeiro de 2017

Velhos? Rebellin (45 anos) encontrou equipa, Pellizotti (38) regressa ao World Tour

(Fotografias: Facebook de Rebellin e da Androni-Giocattoli)
Duas transferências marcaram o mercado no final do ano, numa altura em que estava a resfriar um pouco tendo em conta que as equipas já estavam praticamente fechadas. Em comum estes dois ciclistas têm o facto de serem italianos, mas principalmente têm uma idade que para muitos seriam considerados velhos para estas andanças. Enquanto um até desceu de escalão, mas com 45 anos lá arranjou colocação, o outro vai regressar ao World Tour aos 38, depois de cinco de ausência. O primeiro é Davide Rebellin que irá representar a Kuwait-Cartuch.es, o segundo é Franco Pellizotti, homem de confiança de Vincenzo Nibali até ser apanhado no doping, mas que agora vai voltar a estar ao lado do compatriota na Bahrain-Merida.

Há uma década, ciclistas com estas idades seriam vistos como velhos (e bem velhos) para o ciclismo. Porém, a evolução da modalidade tem permitido aos seus atletas durarem cada vez mais mais tempo aos mais alto nível e em alguns casos começa-se a perceber que as melhores fases das carreiras ocorrem já depois dos 30. E claro que em 2013 se deu o caso mais extremo, quando Chris Horner venceu a Volta a Espanha aos 41 (quase 42) e apesar de nunca mais ter aparecido em tão boa forma, este ano ainda competiu no escalão Continental, mas está sem equipa para 2017. Ofereceu-se à Bahrain-Merida, mas ouviu um não.

Começando por Pellizotti. Durante cinco temporadas o italiano era uma das referências da então Liquigas. Porém, em 2011, irregularidades nos valores sanguíneos do seu passaporte biológico valeram-lhe uma suspensão de dois anos. Pellizotti recorreu e em 2012 voltou à competição e logo para conquistar o título de campeão italiano. Porém, não mais conseguiu regressar ao principal escalão, ficando na Androni Giocattoli. A situação do doping ainda lhe custou a camisola do rei da montanha do Tour de 2009 e o terceiro lugar do Giro desse mesmo ano. Além disso, pagou uma multa de 115 mil euros.

Curiosamente, ao ser apresentado como o mais recente reforço da recém-criada Bahrain-Merida, foram referidos, no comunicado, precisamente as duas conquistas que Pellizotti acabou por perder. Aos 38 anos (completa 39 a 15 de Janeiro), já se falava da possível retirada, mas eis que a carreira de Pellizotti dá uma volta que nem o próprio esperaria nesta altura: está de regresso ao World Tour e deverá integrar o grupo que estará a apoiar Nibali, algo que deixa o veterano ciclista muito satisfeito.

"Estou muito feliz por mais do que uma razão. Vou competir mais um ano e ainda mais na Bahrain-Merida, regressando ao World Tour. Isto signfica que vou pedalar com os melhores ciclistas do mundo, como o Nibali. O que me entusiasma ainda mais é a ideia de pertencer a uma nova equipa e partilhar o entusiasmo com os meus colegas. É o mesmo sentimento que tive em 2005 na Liquigas, quando conheci o Vincenzo e o Gasparotto e outras pessoas que estão agora no staff da Bahrain-Merida", salientou Pellizotti, citado pelo Cycling News.

Apenas como curiosidade, Franco Pellizotti foi uma das principais figuras presentes na Volta a Portugal. Terminou no 17º lugar, mas deu que falar quando admitiu que se riu quando lhe falaram das dificuldades da competição portuguesa, percebendo depois que afinal o percurso era bastante complicado e que os avisos tinham razão de ser.

Davide Rebellin é um caso de estudo de longevidade no ciclismo. Afinal são 45 anos (feitos em Agosto) que não assustaram a equipa do Kuwait que o contratou também numa perspectiva de ajudar na evolução de ciclistas mais jovens. Rebellin não consegue fugir a essa função, mas também não se deve incomodar muito, afinal já deve ter perdido a contas das vezes que lhe perguntaram se era desta que se ia retirar.

Rebellin teve uma carreira marcada por vitórias importantes, mas tal como Pellizotti foi apanhado mas malhas do doping. Testou positivo por CERA e cumpriu dois anos de suspensão, perdendo a medalha de prata que tinha conquistado nos Jogos Olímpicos de Pequim. Regressou em 2011, mas nunca mais encontrou o caminho do World Tour.

Estamos a falar de um ciclista que na sua época áurea venceu uma Liège-Bastogne-Liège (2004), três Flèche Wallonne (2004, 2007 e 2009), uma Amstel Gold Race (2004), um Paris-Nice (2008) e um Tirreno-Adriatico (2001).

Rebellin começou em 1992 e depois da sanção por doping já não se esperava que regressasse à estrada. Mas os 40 anos não o assustaram. Esteve dois anos no escalão Continental, primeiro numa equipa italiana e depois numa croata, encontrando estabilidade na polaca CCC, do nível Profissional Continental. Foram quatro anos com resultados interessantes, principalmente para um quarentão. Com o final do seu contrato, parecia que era mesmo desta que Rebellin seria forçado a retirar-se. Afinal tem pelo menos mais um ano pela frente a competir.

Qual é a idade ideal para um ciclista se retirar? Cada vez mais o final da carreira tem sido decidido mais por razões psicológicas ou por falta de equipa, do que propriamente físicas. A idade já tem um papel menor. Vejamos o caso de Matthew Goss. Aos 24 anos o australiano era uma das grandes promessas do sprint e para as clássicas (ganhou uma Milano-Sanremo em 2011). Aos 30 anunciou o abandono da carreira porque simplesmente perdeu a motivação. Nem o facto de procurar refúgio na One Pro Cycling para fugir um pouco à pressão o ajudou. Goss fartou-se da competição.

Temos ainda Fabian Cancellara. Anunciou que 2016 seria o seu último ano e realizou uma temporada muito positiva, coroada com a medalha de ouro olímpica no contra-relógio. Aos 35 anos ficou claramente a ideia que ainda tinha capacidade para mais um ou dois anos em grande nível, mas o suíço meteu na cabeça que estava na altura de se retirar. Queria sair em grande e assim foi.

Depois há o exemplo de Matteo Tosatto. Aos 42 anos queria continuar, preferencialmente no World Tour. Com o final da Tinkoff, o italiano bem tentou encontrar uma equipa. Deu entrevistas a dar conta que gostaria de prosseguir a carreira, garantindo que tinha condições físicas para ser útil. No entanto, foi disse logo que não iria pedinchar um contrato e se tivesse de optar pelo abandono que o faria. E fê-lo.

Portugal teve dois exemplos idênticos: Hugo Sabido (37 anos) e Bruno Pires (35) acabaram por colocar um ponto final nas carreiras depois de não terem consigo encontrar equipa, apesar de claramente terem capacidade para serem mais valias caso tivessem recebido um contrato.

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