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19 de novembro de 2019

Contraste de emoções na época da Lotto Soudal

(Fotografia: © Photo News/Lotto Soudal)
No ano pós-Greipel, no que diz respeito aos sprints a Lotto Soudal encontrou um sucessor que não demorou a dar garantias de vitórias e que mostrou que estava mesmo preparado para ir à Volta a França. Caleb Ewan é uma certeza nesta especialidade. Quanto às clássicas, foi uma época aquém, não ajudando que Tiesj Benoot continue a ser regular entre os primeiros, mas não consegue terminar com mais vitórias. Tim Wellens cumpriu e a Lotto Soudal tinha razões para estar satisfeita com a sua temporada, pois também via um dos seus jovens aparecer cada vez melhor. Bjorg Lambrecht estava em fase de afirmação e a sua morte marcou inevitavelmente a equipa.

O acidente aconteceu em Agosto, na Volta à Polónia e deste então que a Lotto Soudal teve de garantir que os seus ciclistas lidassem com uma situação de perda de um jovem de apenas 22 anos, um companheiro de equipa e para alguns também um amigo. Lambrecht estava a evoluir nas provas por etapas e era uma das esperanças belgas para ser uma figura entre a nova geração que está a a despontar no ciclismo. Venceu a classificação da juventude no Critérium du Dauphiné, o que deixou a equipa a pensar que poderia em pouco tempo ter um ciclista que pudesse apostar além de Tim Wellens, com Lambrecht a poder pensar mais nas gerais das grandes voltas do que o que faz o compatriota.

Estes planos foram tragicamente interrompidos, após uma temporada de sucesso para a Lotto Soudal. Porém, a Vuelta traria para a ribalta um ciclista desta equipa. Carl Fredik Hagen foi contratado à Joker Icopal do escalão Continental e, agora com 28 anos, acabou por ser uma das revelações de 2019. Foi fazendo boas exibições durante a temporada, inclusivamente no Critérium du Dauphiné e antes na Volta à Romandia, por exemplo

Talvez por a Lotto Soudal ser uma equipa que tendencialmente aposta na procura por vitórias de etapas, Hagen não foi muito valorizado quando entrou no top dez na 13ª etapa. No entanto, as exibições foram subindo de nível com o passar da Vuelta, terminou na oitava posição e agora vai ser certamente mais valorizado!
Ranking: 9º (8741,94 pontos) 
Vitórias: 23 (incluindo duas etapas no Giro e três no Tour) 
Ciclista com mais triunfos: Caleb Ewan (10)
Hagen poderá ser homem para geral, enquanto Wellens prefere as provas de uma semana e perseguir as etapas nas grandes voltas. Cinco vitórias em 2019 e o belga continua a ser uma garantia de bons resultados. Tal como Thomas de Gendt. Mais uma daquelas vitórias ao estilo como este ciclista tanto gosta. Um ataque no momento certo e uma capacidade enorme de fazer autênticos contra-relógios a manter toda a concorrência longe, é a receita de sucesso deste enorme corredor. Porém, fica a sensação que esta ideia de tentar bater o recorde do companheiro Adam Hansen de participações consecutivas em grandes voltas e sempre a terminar, está a tirar algum fôlego a De Gendt, que chegou esgotado à Vuelta.

No que a Lotto Soudal ficou aquém foi nas clássicas. E sendo uma formação belga, isso simplesmente não pode acontecer. Tiesj Benoot continua a ser um dos melhores no pavé, mas não conseguiu dar continuidade à vitória na Strade Bianche do ano passado. É ainda um ciclista com potencial para as provas por etapas, mas não foi um 2019 tão forte como desejaria. Benoot sentiu que estava na altura de mudar de ares e depois de cinco anos na Lotto Soudal, vai reforçar uma Sunweb à procura de uma figura principal, após a saída de Tom Dumoulin. Mesmo que possa sempre tentar mostrar o seu valor nas grandes voltas, é nas clássicas que o belga quer novamente apostar mais.

A precisar de mais nas corridas de um dia, a Lotto Soudal resolveu recorrer à experiência. Philippe Gilbert vai regressar à equipa na qual conquistou muitas das suas marcantes vitórias. E dele espera-se sempre algo de fenomenal. Já a contratação de John Degenkolb levanta muitas dúvidas. Quando parece que está a regressar ao seu melhor - como quando ganhou a etapa de Roubaix no Tour em 2018 -, o alemão volta a desaparecer no anonimato dos resultados banais. A oportunidade como a que a Lotto Soudal lhe está a dar pode não surgir muito mais vezes.

A equipa não foi tão forte nas clássicas como quer, mas Caleb Ewan compensou a falta de resultados nessas corridas nos sprints. Iria fazer esquecer Greipel? O alemão nunca será esquecido, mas pelo menos Ewan conseguiu que rapidamente se deixasse de falar na partida de Greipel e se falasse da sua chegada triunfal. Foi ao Giro ganhar duas etapas e depois conseguiu finalmente estrear-se no Tour. Na Mitchelton-Scott estava a ser preterido porque a equipa olhava mais para a classificação geral com os gémeos Yates. Foi isso que o fez mudar-se para a Lotto Soudal. Ganhou três etapas e não admira que considere que já deveria ter ido ao Tour mais cedo.

Tem apenas 25 anos e depois de ter assegurado que mais ninguém duvidasse que pode ganhar aos melhores e nos principais palcos - somou ao todo 10 vitórias -, segue-se um 2020 importante para que mostre que saberá lidar com a pressão de ser um dos favoritos.

De referir ainda que a Lotto Soudal apoiou Victor Campenaerts no seu objectivo de se tornar o recordista da hora. Mais uma aposta ganha, com o belga a bater a marca de Bradley Wiggins. Fez 55,089 quilómetros. O belga está de saída para a NTT (novo nome da Dimension Data), depois de uma temporada que, após alcançar o recorde, não decorreu como desejado a nível de resultados.


5 de agosto de 2019

Jovem talento belga morre aos 22 anos

(Fotografia: © Photo News/Lotto Soudal)
Numa altura em que tanto se fala dos talentos emergentes e como se estão a afirmar ao mais alto nível, o pelotão internacional perdeu um dos seus novos valores de forma trágica. Bjorg Lambrecht morreu aos 22 anos devido a uma queda na terceira etapa da Volta à Polónia. A notícia foi recebida com choque, com muitos ciclistas a lamentarem a morte do jovem ciclista, sobre a qual parece ser comum faltarem palavras.

Lambrecht foi assistido no local, tendo sido alvo de manobras de reanimação. Porém, acabou por falecer no hospital. "A maior tragédia possível que poderia acontecer há família, amigos e companheiros de equipa do Bjorg aconteceu... Descansa em paz Bjorg", escreveu a Lotto Soudal.

O belga - um dos ciclistas da cada vez mais famosa geração de 1997 - estava a preparar a Volta a Espanha e havia alguma expectativa perante os resultados alcançados esta época. Estreou-se como profissional na Lotto Soudal em 2018, sendo apelidado no seu país como "o novo Boonen", muito por ainda se estar na "ressaca" da retirada de um ídolo na Bélgica, como era Tom Boonen. Nem eram as clássicas do pavé ou o sprint as principais qualidades de Lambrecht. As provas por etapas e as clássicas das Ardenas eram a sua especialidade e depois de um ano a adaptar-se ao mais alto nível, Lambrecht estava a começar a confirmar em 2019 que era um ciclista a ter em conta para o futuro próximo.

Foi quinto na De Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne, sexto na Amstel Gold Race e ficou à porta do pódio na Flèche Wallonne. Outro excelente resultado foi a vitória na classificação da juventude no Critérium do Dauphiné. Olhava com ambição para a sua segunda participação na Vuelta, grande volta que marcou a sua estreia em provas de três semanas há um ano. Lambrecht teria alguma liberdade para se mostrar, numa equipa que tanto aposta na vitória de etapas. As suas recentes exibições tinham convencido os responsáveis da Lotto Soudal a renovar-lhe o contrato em Junho.

Bjorg Lambrecht surgiu no World Tour com um conjunto de resultados que não poderiam passar despercebidos. Foi segundo no Tour de l'Avenir (Volta a França do Futuro) em 2017, atrás de Egan Bernal, o recente vencedor do Tour pela Ineos. E segundos lugares não lhe faltaram naquele ano: Ronde de l'Isard e Giro Ciclistico della Valle d'Aosta Mont Blanc (provas ganhas por Pavel Sivakov, que também foi para a Ineos) e no Le Tour de Savoie Mont Blanc (batido novamente por Bernal). Mas também somou vitórias como no Grand Prix Priessnitz spa, na República Checa, e na prestigiada clássica Liège-Bastogne-Liège para sub-23.

Como profissional tem uma vitória na terceira etapa do Tour dos Fiordes, na Noruega, no ano passado. Um currículo que infelizmente ficará tão curto dado o valor deste jovem ciclista.

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15 de janeiro de 2018

Estreia adiada do "novo Boonen" devido a alteração no regulamento anti-doping

(Fotografia: Photo News/Lotto Soudal)
Bjorg Lambrecht é um daqueles nomes que surge nas várias listas criadas pelos meios de comunicação social especializados de jovens a seguir, entre aqueles que farão a estreia ao mais alto nível. O belga de 20 anos chega ao World Tour rotulado de "novo Tom Boonen" e dada as exibições em 2017 na equipa de desenvolvimento da Lotto Soudal, a sua chamada à estrutura principal foi antecipada meio ano. A primeira corrida estava marcada para o Tour Down Under e, como se pode calcular, Lambrecht estava muito entusiasmado. Porém, irá começar a época a ter de lidar com uma desilusão. O regulamento anti-doping acabou por adiar a sua estreia, tudo devido ao login tardio no registo sobre o paradeiro do ciclista.

Em causa está uma alteração que não esteve em sintonia com o início da sua aplicação, segundo a explicação da equipa belga. A Lotto Soudal escreveu no comunicado, publicado no Facebook, que até 2017 os chamados neo-pros (ciclistas que passam a profissionais) no World Tour precisavam de ter no seu passaporte biológico três controlos anti-doping antes de começar a nova temporada. Agora, os ciclistas precisam de dar conta do seu paradeiro durante os 42 dias que antecedem a sua primeira corrida na principal categoria.

A Lotto Soudal referiu que a UCI organizou em Dezembro seminários online para explicar aos neo-pros como mexer no sistema. "Porém, o seminário online em inglês [foi organizado ainda em francês e em espanhol] só se realizou a 14 de Dezembro (apenas 33 dias antes do início do Tour Down Under) e o Bjorg recebeu o login a 15 de Dezembro com a mensagem que precisava de preencher o seu paradeiro a partir de 17 de Dezembro (30 dias antes do início da corrida) para poder competir no Tour Down Under", lê-se no comunicado. É ainda destacado que a mensagem enviada ao jovem belga entra em conflito com os regulamentos.

A equipa fez chegar à UCI a sua contestação perante o sucedido, mas sem uma confirmação por escrito que Bjorg Lambrecht pode competir no Tour Down Under, o belga irá ficar a treinar durante a próxima semana, enquanto os companheiros vão estar na primeira corrida do ano do World Tour. A estreia fica assim adiada para a Cadel Evans Great Ocean Race, a 28 de Janeiro.

"É uma enorme desilusão. Viemos para a Austrália há uma semana, sentia-me bem no grupo e estava entusiasmado com a minha primeira época como profissional e depois é uma enorme desilusão quando ouvimos que não podemos começar. Mas não podemos correr nenhum risco", afirmou o ciclista.

A Lotto Soudal não irá substituir Lambrecht, partindo com seis ciclistas, em vez dos sete permitidos. André Greipel, Adam Hansen, Thomas de Gendt, Lars Bak, Marcel Sieberg e Jens Debusschere são os eleitos num Tour Down Under que abre as hostilidades em 2018, depois do habitual "aquecimento" na People's Choice Classic, que Peter Sagan ganhou.

Apesar de ser apelidado de "novo Boonen", Bjorg Lambrecht até se destacou mais nas provas por etapas do que nas de um dia. À cabeça está o segundo lugar no Tour de l'Avenir (Volta a França do Futuro), atrás de Egan Bernal, colombiano que assinou pela Sky. E segundos lugares não lhe faltaram em 2017: Ronde de l'Isard e Giro Ciclistico della Valle d'Aosta Mont Blanc (provas ganhas por Pavel Sivakov, que também foi para a Sky) e Le Tour de Savoie Mont Blanc (batido novamente por Bernal). Mas somou vitórias como no Grand Prix Priessnitz spa, na República Checa, e na clássica Liège-Bastogne-Liège para sub-23, demonstrando que também poderão contar com ele para a semana das Ardenas. Ninguém lhe pede que seja Tom Boonen, contudo, Lambrecht é um dos jovens que poderá ser o futuro (muito próximo) da Bélgica no ciclismo.

Numa nota à parte e sobre o Tour Down Under, que começa na madrugada desta terça-feira e decorre até domingo, de destacar a presença de todos os portugueses que estão em equipas do principal escalão: Rui Costa (UAE Team Emirates), Tiago Machado e José Gonçalves (Katusha-Alpecin), Nelson Oliveira e Nuno Bico (Movistar) e Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo). O campeão nacional estreou-se precisamente há um ano na corrida australiana e esteve na luta pela camisola da juventude.

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