2 de janeiro de 2020

O recomeço de Ivo Oliveira

(© João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Não era a história que Ivo Oliveira gostaria de contar sobre o seu primeiro ano no World Tour. De dedicar-se à sua adaptação e afirmação ao mais alto nível, o ciclista português viveu uma incerteza que foi além de eventualmente a sua carreira terminar precocemente. Ivo contou como correu o risco de nem sequer voltar a andar depois da queda que sofreu durante um treino. Porém, das palavras dos médicos e feita que está a recuperação - até já se sagrou campeão nacional de omnium em Dezembro -, há que realçar esta afirmação: "Dizem-me que posso sonhar com anos melhores do que já tive."

Aos 22, já muito se escreveu sobre as conquistas de um corredor que, ao lado do irmão, cresceu na pista, algo que não era habitual no ciclismo em Portugal, sempre mais dedicado à vertente de estrada. Ivo conquistou várias medalhas, incluindo de ouro, em juniores e sub-23 e como elite foi vice-campeão mundial de perseguição individual, a sua especialidade, que faz dele um potencial contra-relogista de sucesso, quando se fala da vertente de estrada. Já tinha sofrido algumas quedas, mas nada comparado com a de Abril de 2019.

Na UAE Team Emirates, Ivo e o irmão gémeo Rui iniciaram a mais do que esperada carreira no World Tour. Enquanto Rui realizou uma boa temporada, mostrando evolução, a história de Ivo é outra. Na queda em Abril, perto de casa, fracturou o côndilo occipital esquerdo, um osso na base do crânio. "Nos primeiros dois meses não foi fácil mentalmente, pois faltava saber se seria operado. A fractura não estava a consolidar durante esse tempo. Sabia que, se fosse operado, tinha de deixar a profissão. Já não podia andar mais de bicicleta e havia a possibilidade de nunca mais andar. Em casa, foi duro: tive pessoas a dar-me banho, enfermeiros a cuidar de mim, a minha namorada também", contou o ciclista de Gaia ao jornal O Jogo.

Ivo Oliveira confessou que passou a dar mais valor às pequenas coisas da vida e o ciclismo também é agora visto de outra forma. Dois meses depois do acidente, Ivo revelou fotografias que mostravam que ainda usava um colar cervical. Na altura, nas redes sociais, explicou que tinha sofrido uma queda, mas não revelou muitos pormenores sobre a incerteza que vivia. Não surpreende que Ivo considere o dia em que recebeu a notícia que não seria operado e que não corria o risco de ficar numa cadeira de rodas, um dos melhores da sua vida. Tinham passado três meses e um mais tarde, o ciclista tirou o colar cervical e iniciou a fisioterapia, que poderá ter de fazer para o resto da sua vida.

Estes são daqueles momentos que muitas vezes demonstram o carácter de um atleta fora da competição. Ivo Oliveira dedicou-se à sua recuperação, que foi mais rápida do que a esperada. No início de Outubro, seis meses depois da queda, regressou às corridas. Não houve pressão de resultados, o objectivo foi iniciar o processo de retomar a sua carreira. Fez quatro clássicas, não terminou três e chegou fora do tempo limite em Gran Piemonte, mas completou as seis etapas da Volta a Guangxi, na China, derradeira corrida do calendário World Tour. As indicações começavam a ser boas. No Velódromo de Sangalhos, quase uma segunda casa para Ivo Oliveira, o corredor conquistou um título nacional que certamente lhe dará uma motivação extra para o que será um recomeço, um tentar continuar a sua evolução que foi interrompida em Abril.

Os responsáveis da UAE Team Emirates olham para os gémeos Oliveira como parte do futuro de uma equipa a reforçar-se cada vez mais com jovens talentos. Mas o regresso de Ivo à boa forma é também uma boa notícia para a Equipa Portugal, que continua dedicada em garantir uma qualificação inédita para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Nunca o país teve representado na pista e procura uma vaga nas disciplinas de omnium e madison.

Esta não era a história que Ivo quereria contar no seu primeiro ano de World Tour, mas o ciclista tornou-se em mais um exemplo de superação e agora só pensa em tornar realidade o que os médicos lhe disseram: viver os seus melhores anos no ciclismo.


1 de janeiro de 2020

Principais transferências e calendário nacional de 2020

(© João Fonseca Photographer)
Ano novo, equipamentos novos! É tempo dos ciclistas que mudaram de equipas mostrarem as novas cores. Algumas das formações que ainda não tinham apresentado as escolhas de camisola e calções para 2020, revelaram como se vão apresentar e até houve a confirmação de como se chamará a equipa de Mathieu van der Poel: Alpecin-Fenix (ex-Corendon-Circus). Nas redes sociais sucederam-se neste primeiro dia de 2020 as fotografias de muitas das figuras internacionais que vão começar uma nova fase na carreira, mas por cá, o ritmo é diferente. Com a época a arrancar a 16 de Fevereiro, durante este mês ficar-se-á a conhecer mais pormenores sobre equipamentos e bicicletas das nove equipas portuguesas Continentais e alguma eventual contratação de última hora.

Só a Kelly-InOutBuild-UDO (UD Oliveirense-InOutBuild em 2019) já avançou com o novo nome e a camisola a usar em 2020. Porém, já se conhecem as muitas mexidas no pelotão, com alguns dos principais ciclistas a competirem por cá a serem protagonistas de transferências, algumas que até surpreenderam um pouco. E claro que há o regresso de um ciclista muito apreciado pelos adeptos. Amaro Antunes está de volta à W52-FC Porto, dois anos depois de ter partido para a CCC, com 2019 a ter sido ano de presença no World Tour.

A equipa que tem dominado a Volta a Portugal e grande parte da temporada nacional, contratou ainda o campeão nacional José Mendes. Porém, o destaque deste defeso vai para a rival Efapel. E é isso mesmo que a equipa de Rúben Pereira quer ser: uma rival à altura da W52-FC Porto. Até foi buscar dois ciclistas aos azuis e brancos: António Carvalho e César Fonte.

O primeiro não deixou de ser uma surpresa. Era um dos esteios da equipa de Nuno Ribeiro, um elemento essencial nas conquistas das últimas Voltas, além de alcançar também vitórias pessoais, como no Grande Prémio Jornal de Notícias. Procura ter mais liberdade, mas na Efapel terá Joni Brandão à frente na hierarquia. A Efapel contratou ainda Tiago Machado (ex-Sporting-Tavira) e o sempre muito lutador Luís Mendonça (ex-Rádio Popular-Boavista). Outro destaque é o jovem Tiago Antunes (SEG Racing).

Estas contratações fazem perspectivar uma época mais equilibrada entre estas duas equipas e a expectativa de uma luta ainda mais feroz na Volta a Portugal. Ambas estão a fazer-se valer de financeiramente serem claramente as que de melhor saúde gozam em Portugal e assim garantir muitos dos melhores ciclistas que competem no pelotão nacional.

Com a descida ao escalão Continental, a W52-FC Porto reduziu um pouco o plantel e ficou sem ciclistas como Joaquim Silva e Rafael Reis, mas a preocupação está mesmo se Raúl Alarcón vai ou não ser suspenso, depois da análise positiva divulgado pela UCI num teste anti-doping. O espanhol está suspenso provisoriamente, garante que está inocente, mas é para já baixa na equipa. Contudo, com João Rodrigues e Amaro Antunes a liderança está assegurada e alguns dos principais gregários vão continuar. Continua a ser uma equipa muito forte.

Se a Efapel quer equiparar-se à W52-FC Porto, as restantes equipas podem não ter os mesmos argumentos, mas não significa que não possam ter boas temporadas. A Aviludo-Louletano, por exemplo, contratou dois bons ciclistas. João Matias será homem do sprint, enquanto Jesus del Pino irá reforçar o bloco de apoio a Vicente García de Mateos. Ambos deixaram a Vito-Feirense-PNB. Sergey Shilov (Gazprom-RusVelo) apresenta-se, para já, como uma incógnita sobre o que poderá acrescentar à equipa, ainda que já tenha vencido uma etapa na Volta em 2014.  No entanto, a equipa algarvia perdeu uma das figuras dos últimas duas temporadas. Luís Fernandes será um reforço importante para a Rádio Popular-Boavista.

Gonçalo Carvalho (UC Mónaco) também será aposta do director José Santos, um dos jovens a seguir em 2020 juntamente com Miguel Salgueiro, que depois de dois anos na Sicasal-Constantinos, chega à elite na LA Alumínios-LA Sport. Dois atletas de enorme de qualidade.

Mas quanto aos mais experientes, Henrique Casimiro troca a Efapel pela Kelly-InOutBuild, que irá contar também com Luís Gomes (ex-Rádio Popular-Boavista), vencedor de uma etapa na Volta a Portugal em 2019. Casimiro venceu o Troféu Joaquim Agostinho. Bruno Silva, outro homem da Efapel, irá dar experiência à LA Alumínios-LA Sport, enquanto Joaquim Silva regressa à equipa que representou como sub-23, a Miranda-Mortágua, e Rafael Reis será o líder de um Feirense recheado de ciclistas muito jovens. Ambos procuram reavivar as carreiras.

O Tavira, agora sem Sporting, foi a equipa mais discreta, sendo apenas conhecido um reforço, o jovem Marcelo Salvador (ex-Sicasal-Constantinos).

Pode confirmar neste link os plantéis para 2020 das nove equipas Continentais portuguesas.

Quanto ao calendário, mais uma vez a época arranca com a Prova de Abertura Região de Aveiro, a 16 de Fevereiro, seguindo-se depois a prova mais importante a nível de categoria internacional que se realiza no país: a Volta ao Algarve.

A principal novidade é a mudança do Grande Prémio Jornal de Notícias. Depois da Volta (de 29 de Julho a 9 de Agosto, com a última etapa marcada para Lisboa), a época entrava numa fase de descompressão, com os habituais circuitos a seguirem-se ao Grande Prémio de Mortágua. Porém, uma das corridas que desperta maior interesse entre as formações lusas, irá realizar-se apenas entre 24 a 30 de Agosto, ou seja, já na recta final da temporada, em vez de ser no mês de Junho. Para terminar 2020, o pelotão terá a segunda edição da clássica Rota da Filigrana, a 12 de Setembro.

Confira o calendário de elite publicado pela Federação Portuguesa de Ciclismo:

16 de Fevereiro: Prova de Abertura Região de Aveiro
19 a 23 de Fevereiro: Volta ao Algarve
8 de Março: Clássica da Primavera
15 de Março: Clássica da Arrábida
18 a 22 de Março: Volta ao Alentejo
5 de Abril: Clássica Aldeias do Xisto
17 a 19 de Abril: Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela
17 de Maio: Volta a Albergaria
24 de Maio: Memorial Bruno Neves
28 a 31 de Maio: Grande Prémio O Jogo
10 e 14 de Junho: Grande Prémio Abimota
19 a 21 de Junho: Campeonatos Nacionais, em Paredes (elite e sub-23)
5 de Julho: Grande Prémio Anicolor
16 a 19 de Julho: Grande Prémio de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho
29 de Julho a 9 de Agosto: Volta a Portugal
15 de Agosto: Grande Prémio de Mortágua
16 de Agosto: Circuito da Malveira
20 de Agosto: Circuito de Alcobaça
24 a 30 de Agosto: Grande Prémio Jornal de Notícias
31 de Agosto: Circuito de Nafarros
31 de Agosto: Circuito da Moita