22 de novembro de 2018

Um Edgar Pinto livre de azares e um João Matias cada vez mais líder

Há um ponto que se tem de destacar de imediato na temporada da Vito-Feirense-BlackJack: Edgar Pinto teve finalmente uma época sem incidentes . Isto é, sem quedas, sem furos, sem os azares que pareciam persegui-lo. O que é que isso significou? Vitórias! E também disputar a Volta a Portugal, ou pelo menos, discutir o pódio. Depois houve um João Matias cada vez mais confiante, cada vez mais forte e cada vez mais com perfil de líder. Numa época em que houve mais um recomeçar da estrutura, Joaquim Andrade conseguiu que a sua equipa tivesse os seus momentos, tendo ido a Madrid conquistar o maior dos feitos da temporada.

2018 marcou o regresso do Feirense ao ciclismo, para assim festejar o centenário do clube. Muito se recordou a vitória na Volta de Fernando Carvalho, mas a equipa que viu Joaquim Andrade assumir a responsabilidade de a liderar, quis mais do que pensar na Volta. Neste recomeço da estrutura - que foi em parte a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack em 2017 - o antigo ciclista juntou alguns jovens corredores do Sport Ciclismo S. João de Ver aos mais experientes, para assim dar continuidade à formação feita no clube.

Porém, a responsabilidade de alcançar resultados estava com as principais figuras, com Leonel Coutinho a ser o mais infeliz. Regressou a Portugal depois de uma passagem por Espanha (G.D. Supermercados Froiz), mas não teve uma época fácil, prejudicada por problemas físicos desde Junho. João Matias foi quem assumiu desde a primeira corrida o objectivo de tentar garantir vitórias para dar a maior tranquilidade possível à equipa e aos novos patrocinadores.

Depois de um 2017 durante o qual demonstrou ter dado um salto de qualidade no seu ciclismo, Joaquim Andrade deu-lhe um papel de maior destaque e João Matias não teve problemas em assumi-lo. Discutiu várias corridas, ainda que o triunfo só tenha chegado em Julho, na quinta etapa do Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Mas a sua atitude, a forma como disputa cada quilómetro faz dele um ciclista que o director desportivo confia e Matias não desiludiu.

Talvez tenha ficado um pouco desiludido por não ter conseguido uma tão desejada vitória de etapa na Volta a Portugal, depois de há um ano ter sido uma das revelações, ainda que num terreno que não é a sua especialidade. Esteve muito tempo vestido de azul, como líder da montanha, numa estreia na corrida inesquecível. Não ganhou este ano, mas entrou nas discussões ao sprint e foi muito importante no trabalho colectivo.



Ranking: 6º (1330 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo a Volta à Comunidade de Madrid)
Ciclista com mais triunfos: Edgar Pinto (3)

E quando se fala do colectivo, Ricardo Vale e Luís Afonso desempenharam o seus papéis, com Vale a recuperar o bom caminho da sua carreira, depois de um 2017 complicado na Rádio Popular-Boavista, devido a lesão. E o veterano Hugo Sancho não pode ser esquecido.

Mesmo sem ter uma equipa que pudesse ombrear com a W52-FC Porto ou o Sporting-Tavira, por exemplo, a Vito-Feirense-BlackJack conseguiu ter o melhor de Edgar Pinto. Ganhar na Volta ao Alentejo foi o primeiro sinal que o ciclista, de 33 anos, estava recuperado da terrível queda na Grandíssima em 2017, em mais um dos azares que o afectaram quando estava em boa forma.

O ponto alto chegou em Espanha. Edgar Pinto venceu a primeira etapa da Volta à Comunidade de Madrid e acabaria por conquistar a geral, numa prova muito disputada, em que os 18 primeiros acabaram com o mesmo tempo. O corredor levou para casa um enorme troféu e uma confiança reforçada para a Volta a Portugal. Tentou o pódio, mas faltou-lhe estar melhor no contra-relógio e acabou por ficar muito só - esperava-se mais do marroquino Soufiane Haddi na ajuda ao líder -, quando as etapas de montanha foram atacadas, ainda que tenha estado quase sempre na frente. Foi uma Volta muito positiva para Edgar Pinto: em 11 etapas, terminou oito no top dez, tendo sido segundo na Senhora da Graça.

Errazkin teve um sabor agridoce para a Vito-Feirense-BlackJack. Ganhou a classificação da juventude na Volta, mas o resultado anómalo da substância terbutalina, detectado numa amostra recolhida durante Grande Prémio Abimota, não foi a melhor das notícias para terminar a temporada. O jovem espanhol, de 22 anos, realizou uma segunda parte de época muito forte e, por isso, Joaquim Andrade mantém a confiança em Errazkin, que irá manter-se no plantel para 2019. De salientar que a substância não está entre as que dão origem a uma suspensão provisória enquanto o processo decorre.

A Vito-Feirense-BlackJack teve assim uma temporada em que seria difícil pedir mais. A vitória em Madrid até foi mais do que seria de esperar e foi importante para garantir que o projecto possa continuar, procurando uma estabilidade que permita que 2019 possa ser ainda melhor.

Porém, a equipa perderá Edgar Pinto, que irá para a W52-FC Porto, mas Joaquim Andrade foi contratar ciclistas interessantes, a começar por Oscar Pelegrí, que apesar da boa temporada na Rádio Popular-Boavista - ganhou o Grande Prémio Abimota, por exemplo -, não viu o seu contrato ser renovado. Outro espanhol, Jesus del Pino, é um excelente ciclista de equipa e que também tem capacidade para entrar em fugas e disputar bons resultados. Nos últimos dois anos foi um dos homens de confiança na Efapel.

Da formação Aviludo-Louletano-Uli chega Rui Rodrigues, que poderá procurar um pouco mais de liberdade. A maior surpresa foi o alemão de 30 anos, Bjorn Thurau (Holdsworth Pro Racing). É um corredor que representou equipas como a Europcar (actual Direct Energie) ou a Bora-Argon 18 (então Profissional Continental, sendo agora a Bora-Hansgrohe). Experiência não lhe falta.

Juntam-se ao plantel os juniores Pedro Andrade e António Ferreira, com João Barbosa a chegar da Maia. Permanecem João Matias - que com a saída de Edgar Pinto, assumirá ainda mais o papel de líder -, Xuban Errazkin, Luís Afonso, João Santos, Bernardo Saavedra.

Para terminar: Filipe Cardoso. É uma das principais transferências em Portugal, não fosse ele um dos ciclistas mais populares do pelotão. Depois de duas épocas na Rádio Popular-Boavista, o corredor aceitou um novo desafio e aos 34 anos não se espera outra coisa que não seja ser igual a si mesmo.

Sempre disponível para ajudar, está ainda mais disponível para animar corridas, dar espectáculo e ser um autêntico relações públicas em cima da bicicleta das equipas que representa. Tal como Matias, tem um espírito que contagia, numa equipa que terá mais ciclistas com capacidade de ganhar, ainda que não tenha um claro substituto para Edgar Pinto. Cardoso completa um conjunto com ciclistas quase todos com características de lutadores, daqueles que não baixam os braços nem por nada.

Veja aqui todos os resultados da Vito-Feirense-BlackJack em 2018 e das restantes equipas nacionais.

21 de novembro de 2018

Volta ao Algarve mantém percurso de sucesso

O percurso da Volta ao Algarve mantém-se fiel ao que transformou esta corrida numa das preferidas de várias equipas de topo mundial. O Malhão voltará a ser o palco das decisões, com o duro contra-relógio de Lagoa a começar a testar os especialistas no arranque de temporada. Fóia é chegada obrigatória, com os sprinters a terem à sua espera duas chegadas bem conhecidas, onde já se assistiu a vitórias de alguns dos melhores.

Duas etapas para sprinters, duas de montanha e um contra-relógio, permite ter uma corrida equilibrada que atrai vários tipos de ciclistas que em Fevereiro estão a preparar os seus principais objectivos. Depois há a meteorologia. O Algarve tem oferecido condições amenas, comparativamente com países europeus que "sofrem" Invernos bem rigorosos. Não há ciclista que não aprecie esse factor e, claro, o equilíbrio do percurso. Não surpreende portanto que se mantenha uma receita de sucesso, que traz ao sul de Portugal um pelotão de luxo, mesmo que nas mesmas datas se realize a Ruta del Sol, na Andaluzia.

Como era conhecido, a grande novidade acaba mesmo por ser a partida em Portimão, com Albufeira a manter-se no percurso, mas passa para a quarta etapa. Apesar de ser um local que recebe o pelotão há vários anos, desde 2012 que não era uma das cidades de partida ou chegada. A última vez foi o palco do contra-relógio final. Bradley Wiggins ganhou a etapa, mas foi o colega da Sky, Richie Porte, quem conquistou essa edição.

E para começar em grande a 45ª, nada como a etapa mais longa. Serão 199,1 quilómetros entre Portimão e Lagos, que recentemente teve duas das grandes referências do sprint a vencer: Fernando Gaviria e Dylan Groenewegen.

No segundo dia o pelotão partirá do Baixo Alentejo, com Almodôvar a ser mais uma vez a escolha para uma etapa que será dura. O Alto da Fóia, concelho de Monchique, fará a primeira selecção daqueles que querem discutir a geral. Serão 3600 metros de acumulado, nos 187,4 quilómetros, com os últimos oito na subida até à Fóia, com uma pendente média de 6,3%.

O contra-relógio será igual ao de 2017. Em Lagoa, os 20,3 quilómetros tem fases técnicas e de subida. Geraint Thomas venceu este ano. Do top dez, nove são dos maiores especialistas: Victor Campanaerts (vice-campeão europeu), Stefan Küng, Michal Kwiatkowski, Nélson Oliveira, Tony Martin (quatro vezes campeão do mundo), Tejay van Garderen, Bob Jungels e Vasil Kiryenka (campeão do mundo em 2015).

Sábado será novamente dia para os sprinters se mostrarem, em mais uma etapa longa. Serão 198,3 quilómetros entre Albufeira e Tavira, num sprint que Dylan Groenewegen conquistou em Fevereiro, sucedendo a vencedores como André Greipel e Marcel Kittel.

Quem não cedeu na Fóia e pelo menos defendeu-se no contra-relógio, poderá estar na decisão no Alto do Malhão. São apenas 2,5 quilómetros, mas com uma pendente de 9,9%. Amaro Antunes viveu um grande momento em 2017 quando lá venceu, com Ruben Guerreiro a quase seguir o exemplo este ano, mas Michal Kwiatkowski aguentou a vantagem, ganhando a etapa e a geral. Este último dia terá início em Faro (173,5 quilómetros).

Entre 20 a 24 de Fevereiro realiza-se então a corrida com a categoria mais importante em Portugal: 2.HC (apenas abaixo das provas World Tour). Quais são as equipas? Este ano a Algarvia teve um recorde de 13 das 18 equipas do principal escalão e as primeiras novidades não deverão demorar muito a ser conhecidas.

Michal Kwiatkowski, Geraint Thomas, Primoz Roglic Tony Martin, Richie Porte e Alberto Contador foram os vencedores mais recentes da Algarvia, que conta com uma lista de luxo de vencedores. O último português no pódio foi Tiago Machado, em 2015 (terceiro), com João Cabreira a ser o último a conquistar a vitória na geral, em 2006.

»»Volta ao Algarve já tem ponto de partida««

»»Quatro segundos separaram Ruben Guerreiro de mais um grande momento português no Malhão««