1 de agosto de 2018

"Eu tentava e as coisas não resultavam. Agora estão a começar a melhorar"

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
E tudo mudou em dois prólogos! Rafael Reis voltou a sorrir. Foram semanas e semanas em que nada parecia sair bem. O ciclista português nem parecia o mesmo. Mas as sensações foram melhorando e na melhor altura da época, eis que surgem as vitórias. Se no Troféu Joaquim Agostinho já tinha sido importante, vencer na Volta a Portugal, vestir mais uma vez a camisola amarela e, ainda mais, perto de casa (é de Palmela)... dizer que tem um sentimento especial é pouco.

Com a Vuelta a 25 dias de distância, regressar aos triunfos nesta altura poderia ser decisivo no momento de ser escolhida a equipa que estará na última grande volta do ano, mas o ciclista não faz parte da pré-selecção. Manter a amarela torna-se agora num objectivo, ainda que o ciclista saiba que acabará por ter de pensar noutros planos e quem sabe passará por ajudar o compatriota e colega Joaquim Silva. "A Caja Rural não está aqui para passear" garantiu. "Temos uma equipa forte, com muitos trepadores. Só eu e o [Josu] Zabala é que somos piores na montanha. Estamos aqui para fazer um bom resultado", acrescentou ao Volta ao Ciclismo.

Confrontado com aquele ciclista mais triste que se viu durante algum tempo, Rafael Reis desabafou: "É normal. Se as coisas não correm bem, não podemos andar bem. Eu tentava e as coisas não resultavam. Havia qualquer coisa que eu não estava a fazer bem. Agora estão a começar a melhorar. Acho que estou no caminho certo. Já me estava a sentir melhor [antes do Troféu Joaquim Agostinho]. Já ali tinha ganho [no Turcifal]. Foi um alívio bastante grande." Considera importante realizar uma boa prestação na Volta a Portugal, pelo que podem contar com Rafael Reis para lutar até onde puder pela manutenção da amarela.

Em 2016, foi em Oliveira de Azeméis que alcançou o mesmo feito, então ao serviço da W52-FC Porto. É um especialista em prólogos e a Vuelta abre com um contra-relógio de oito quilómetros em Málaga... Mas agora há que pensar numa corrida que já conhece, tal como acontece com Joaquim Silva, mas ri-se quando se refere que também conhece bem a equipa que tem dominado a competição nos últimos cinco anos, a W52-FC Porto. Se haverá uma vantagem nesse factor ou não, os próximos dias o dirão, mas a motivação está em alta.

Sobre a temporada o ciclista explicou como "a preparação foi bastante diferente." "No ano passado fiz altitude e não me acertei muito bem. Este ano, [a treinar] em casa tenho estado melhor, mesmo na montanha", contou.

A quase surpresa que quer ser a concorrência de Rafael Reis

O prólogo de apenas 1,8 quilómetros em Setúbal potenciava outro tipo de ciclistas, além dos especialistas em contra-relógio. César Martingil mostrou isso mesmo. Esteve muito tempo sentado na cadeira de líder, com a Liberty Seguros-Carglass a ter ficado a apenas dois segundos de uma vitória que teria sido histórica. É o primeiro ano da equipa como Continental, ainda que seja sub-25. É uma formação muito jovem e um triunfo e a camisola amarela teria sido um início de sonho. Rafael Reis não deixou, mas o discurso de Martingil foi que iria tentar a amarela já esta quinta-feira, na chegada a Albufeira.

Daniel Mestre (Efapel, ficou a três segundos), Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista, a quatro) ou João Matias (Vito-Feirense-BlackJack, a quatro) serão outros três ciclistas com a mesma ambição, antes da montanha mais difícil começar a aparecer a partir de sábado.

O vencedor de 2017, Raúl Alarcón (W52-FC Porto), ficou a nove segundos de Rafael Reis, com a maioria dos candidatos à geral a ficarem dentro da margem de 10 segundos. O ciclista da Caja Rural cumpriu a distância em 2:18, minutos, com uma média de 47 quilómetros/hora.

Esta quinta-feira é tempo de pedalar para o Algarve pela primeira vez na Volta em 10 anos. Albufeira irá receber o final da segunda etapa mais longa da corrida, 191,8 quilómetros, que começam em Alcácer do Sal às 12:45. A chegada está prevista para cerca das 17:30, com as temperaturas a poderem ultrapassar os 40 graus em certas zonas do sul do país.

Pode ver aqui as classificações completas do prólogo.


Nota: O texto foi corrigido para incluir a notícia que Rafael Reis não está na lista de pré-seleccionados da Caja Rural para a Vuelta. Aquando da entrevista ainda não era conhecida.

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"O nível da Volta a Portugal continua muito alto"

É um rosto conhecido, ainda que se mantenha longe dos holofotes. Já lá vão alguns anos, mas David Bernabéu mantém uma ligação a Portugal depois de por cá ter conquistado duas das grandes vitórias da sua carreira. Em 2004 venceu o Troféu Joaquim Agostinho e a Volta a Portugal. Agora prepara-se para vestir os vencedores da corrida que não hesita em considerar que é mesmo a Grandíssima. O espanhol é o representante da marca GSport, que nesta edição irá equipar aqueles que vestirem as camisolas de líderes das diferentes classificações.

A marca surgiu no país na Volta ao Alentejo e a aposta no mercado português tem agora a corrida de maior projecção no país. "É uma forma muito boa entrar no mercado, mas é necessário ir passo passo", referiu o antigo ciclista, que quer nos próximos dias que todos fiquem satisfeitos com os equipamentos.

O ciclismo profissional há muito que ficou para trás e agora limita-se a alguns passeios de bicicleta ao fim-de-semana. Vai seguindo o que se passa em Portugal, ainda que não com a atenção de outrora. Porém, salienta como "o nível da Volta continua muito alto". Bernabéu vestia as cores da Milaneza-Maia no ano em que a conquistou. Era uma equipa com ciclistas que marcaram uma era no ciclismo nacional, casos de Rui Sousa e Hugo Sabido. Vítor Gamito era a principal figura, havendo ainda um jovem chamado Bruno Pires, que viria a competir no World Tour.

Bernabéu considera que apesar de naquela altura até poderem existir mais equipas, o ciclismo português sempre foi demonstrando que tinha qualidade a vários níveis. "Vemos como nas grandes formações há ciclistas ou membros no staff que são portugueses. Para um país tão pequeno, há muita qualidade e muita tradição nesta modalidade", realçou.

Mas falemos da Volta, pois atrás de Bernabéu estavam as camisolas que vão estar em disputa. "As protagonistas vão ser as equipas portuguesas, como sempre, sejam com ciclistas portugueses ou espanhóis", afirmou ao Volta ao Ciclismo. No entanto, considera que a W52-FC Porto possa não estar tão forte como em edições anteriores, ainda que continue a ser a principal referência e candidata a mais uma vitória.

Apesar de considerar que ganhar um ciclista "da casa" é sempre mais interessante para as formações nacionais, recordou que como espanhol a correr cá, sentiu-se "meio português", algo que acredita que continua a acontecer. E esta forte presença espanhola nas equipas nacionais que faz com que no país vizinho, haja um grande interesse na Volta a Portugal. "É pena que as televisões não sigam mais. Há muitos espanhóis aqui e por isso há muito interesse. Os ciclistas conhecem muito bem a Volta. Quando corri aqui não era bem assim", contou.

Aos 43 anos ri-se quando questionado se voltaria a competir, como Vítor Gamito fez há quatro anos, sensivelmente com a mesma idade que agora Bernabéu tem. "Gosto de andar de bicicleta para passear!" O tempo é outro, de preparar as camisolas e garantir que a marca que agora representa possa ganhar força em Portugal. "Não há melhor montra possível do que a Volta", garantiu.

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