2 de novembro de 2017

Equipas estão a diminuir os plantéis. UCI quer cortar ainda mais nos ciclistas por corrida

No próximo Giro já não haverá nove ciclistas na apresentação.
Movistar é a mais recente equipa a confirmar um plantel mais curto
(Fotografia: Giro d'Italia)
Irá a segurança aumentar? Irá ser mais difícil para uma equipa controlar uma corrida? Teremos de esperar por 2018 para saber as respostas a estas perguntas. Porém, a diminuição do número de ciclistas por competição tem um efeito imediato: as equipas de todos os escalões estão a diminuir os seus plantéis. Há um ano, Patrick Levefere tinha avisado que menos ciclistas nas corridas iria significar o desemprego para 100 corredores. Ainda não é possível saber se a conta do director desportivo da Quick-Step Floors está correcta, visto que nem todas as formações deram por fechada as contratações e renovações, contudo, começa a parecer que a previsão do belga poderá não estar muito longe da verdade.

A alteração do número de ciclistas nas corridas já era falado há algum tempo, principalmente com a questão da segurança a ser muito discutida com os incidentes, muitos deles graves, que têm acontecido nos extensos pelotões. Reduzir o número de corredores foi uma opção vista por alguns como positiva neste aspecto, mas não convenceu todos os responsáveis da modalidade. Quando os organizadores de algumas das principais provas - ASO, RCS Sport e Flanders Classics - tentaram por conta própria implementar a regra, Levefere avisou desde logo que em vez de 30 ciclistas, bastariam 25 nos plantéis, havendo também um corte nos elementos do staff.

Para Lefevere seria mais importante ter um maior cuidado na escolha de estradas e percursos, em vez de diminuir os ciclistas. A UCI acabou por anunciar a nova regra para 2018 e o resultado foi a BMC passar de 29 ciclistas para 24 corredores, a Sunweb deverá também ficar-se pelos 24 (eram 27), tal como a Quick-Step Floors. A Movistar confirmou os eleitos para a próxima temporada, com Dayer Quintana a ser a derradeira renovação: 25 ciclistas, mais dez para a equipa feminina que fará a estreia em Janeiro. De recordar que dois portugueses fazem parte desta estrutura: Nelson Oliveira e Nuno Bico. Dos ciclistas que este ano representaram a formação espanhola, a maior vítima é o veterano de 36 anos, Daniel Moreno. Enquanto outros ciclistas acabaram por assinar por outras equipas (não tanto por não terem lugar na Movistar, mas por opção própria), já Moreno terá agora de repensar o seu futuro.

Apesar desta evidência, o novo presidente da UCI não está satisfeito e quer ir mais longe. Isto é, quer que o número seja reduzido para seis! Nas grandes voltas eram nove e passarão a ser oito, nas restantes corridas diminuí de oito para sete. "A certa altura eram dez ciclistas por equipa e conseguimos reduzir para nove, mas eu quero ir mais longe e seis corredores por equipa seria o melhor", afirmou David Lappartient à rádio francesa RMC, em mais uma proposta do recém-eleito dirigente que não deverá ser recebida de forma pacífica pelas principais formações.

Além da segurança, temos então o "problema" que muito preocupa certos organizadores: haver equipas que controlam quase por completo uma corrida. É caso para dizer que a "culpa" é da Sky! O domínio da formação britânica nos últimos anos, principalmente na Volta a França, tornou-se uma dor de cabeça para a ASO, uma das grandes defensoras para que o número de ciclistas fosse reduzido.

Este domínio nem foi tão ostensivo em 2017 como em anos anteriores, contudo, Chris Froome ganhou outra vez. Pela quarta vez em cinco anos, ao que se junta a vitória de Bradley Wiggins que iniciou o ciclo, apenas interrompido por Vincenzo Nibali em 2014 (Froome caiu e abandonou). A Sky terá menos um ciclista para ajudar a controlar, mas os rivais também terão menos um para tentar fazer frente à Sky. Teremos mesmo de esperar por 2018 para perceber se a teoria que menos ciclistas, menos possibilidade de controlo se confirma. Para já, há algum cepticismo.

De referir que em Portugal a redução de plantéis também se irá fazer notar, ainda que sendo equipas que já são mais pequenas, será menos notório. Porém, não deixa de ser menos espaço para os ciclistas conseguirem um lugar entre a elite nacional, num pelotão que apenas tem seis formações profissionais.


1 de novembro de 2017

Talansky começa com uma vitória a sua nova carreira

(Fotografia: Instagram Andrew Talansky)
Regressou às origens e até quase que passou despercebido o vencedor do triatlo Marin County. Num jornal local o nome Andrew Talansky surge juntamente com o de Claudia Thompson, a mais rápida entre as mulheres. Não há qualquer menção ao passado do americano, que aos 28 anos surpreendeu ao anunciar o fim da carreira de ciclista. Talansky - que representava a Cannondale-Drapac - nem se deve importar, afinal, ele próprio referiu que foi o regresso às origens no início de uma nova carreira. Há 11 anos foi numa corrida local que aquele que viria a ser considerado uma das grandes esperanças do ciclismo dos Estados Unidos começou a competir. Pode nunca ter sido aquele grande corredor que tanto se esperava no país, mas volta a a criar expectativas na sua nova carreira: um triatlo, uma vitória. E Talansky está ansioso pela próxima prova.

"Não me sentia tão nervoso antes de uma corrida desde, talvez, a minha primeira Volta a França em 2013", escreveu o antigo ciclista no Instagram, mostrando feliz por ter conhecido "boas pessoas". O agora triatleta salientou como este tipo de eventos locais demonstram o que é o desporto. A corrida em Marin County tinha a distância olímpica: 1500 metros a nadar, 40 quilómetros de ciclismo e 10 a correr. Surpresa das surpresas... Talansky foi o mais rápido na bicicleta, sendo o único atleta a completar a distância em menos de uma hora (57:25 minutos). Foi nessa altura que passou para a liderança. Fez 20:57 na natação e 39:30 na corrida, num total de 2:00.14 horas. Apenas como referência, o campeão olímpico, Alistair Brownlee ganhou nos Jogos do Rio de Janeiro, há um ano, com o tempo de 1:45.01, mas claro que estamos a falar de um triatleta experiente, enquanto Talansky está a dar os primeiros passos, ainda que enquanto jovem tenha praticado natação e corrida.

Se os Jogos Olímpicos de Tóquio2020 estão no horizonte do americano, não se sabe, pois Talansky tem um objectivo já para 2018: quer estar no famoso Ironman do Havai: 3,8 quilómetros de natação, 180 de ciclismo e para terminar, uma maratona de 42,195 quilómetros.

Não é invulgar ver um ciclista abraçar o triatlo. Fabian Cancellara, por exemplo, também já começou a fazer algumas competições, mais de sprint (a distância mais curta) ainda que admita que não o faz para perseguir vitórias. Talansky tem como exemplo o compatriota Steve Larsen, ciclista na década de 90 e que em 2001 venceu um Ironman. Um nome bem mais popular, Laurent Jalabert também participou em algumas destas duras competições. A suíça Karin Thurig conciliou as duas modalidades no início do século, vencendo cinco Ironman e foi duas vezes campeã mundial de contra-relógio.

Andrew Talansky já terá conseguido reunir um grupo de patrocinadores para trabalhar neste seu novo objectivo. A vitória no Critérium du Dauphiné, os top dez na Vuelta e outros bons resultados fazem agora parte do passado. Talansky vai à conquista daquela que diz ser a sua nova paixão.