2 de julho de 2017

Fim de carreira para Valverde?

Estava a ser um ano sensacional. 11 vitórias aos 37 anos, entre elas as suas queridas clássicas, La Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège. Alejandro Valverde ia agora assumir o papel de gregário de luxo de Nairo Quintana nos Tour, antes de apostar volta na Volta a Espanha e nos Mundiais. O espanhol esperava estar na luta pelo título que lhe falta no currículo, mas tudo ficou adiado por mais um ano, ou assim se quer acreditar. A queda no contra-relógio inaugural da Volta a França foi grave. A Movistar não só perdeu aquele que seria o homem de confiança do líder, como ficou sem o ciclista que apostaria para garantir mais alguns triunfos importantes em 2017, com o monumento Il Lombardia na agenda, por exemplo. Porém, levanta-se a assustadora questão: estaremos perante o final da carreira do "Bala"?

Valverde chocou com violência contra as grades na berma da estrada em Düsseldorf. O ciclista colocou de imediato as mãos na cabeça e tinha razão para tal. A Movistar adiantou que o espanhol fracturou a rótula e o tálus (zona do pé) na perna esquerda. No site da equipa é explicado que os médicos optaram por realizar uma intervenção cirúrgica durante a noite à rótula, o que fará com que Valverde fique para já na Alemanha, onde este ano começou o Tour.

A Movistar não fala do final de carreira da sua grande estrela. No entanto, as palavras de Nairo Quintana demonstram como é algo que está no pensamento de todos. "É muito difícil. É uma pessoa muito importante e um grande companheiro. Espero que não seja grave. Seria triste que a sua carreira terminasse assim", afirmou o colombiano, que sabe que perdeu um apoio que poderá a fazer-lhe muita falta nesta Volta a França.

Eram 14 quilómetros e aos sete tudo terminou para Valverde. O piso molhado fez com que o ciclista fosse a primeira vítima do azar neste Tour, seguido logo por Ion Izagirre, antigo companheiro e agora na Bahrain-Merida, que caiu na mesma curva e também abandonou.

Confirmada a gravidade da lesão, certo é que a temporada chegou a um fim abrupto o que irá obrigar a Movistar a fazer alterações nas suas escolhas para a segunda metade da temporada. Para já, a preocupação será o Tour, mas o director desportivo Eusebio Unzué terá de analisar como será a Volta a Espanha, sempre um objectivo para a equipa daquele país. Quintana fez o Giro e agora está no Tour. Se não houverem imprevistos na corrida francesa, Quintana dificilmente fará uma terceira grande volta num só ano. Mas claro, será difícil a preocupação não ser maior, pois a Movistar não estava preparada para perder já a sua grande figura. A prova estava na renovação no ano passado que "prendeu" o ciclista até 2019, com Valverde a ter todas as intenções de cumprir o vínculo. Vontade certamente que não lhe deve continuar a faltar apesar do que lhe está a acontecer, falta saber se o corpo irá acompanhar a mente.

Resta-nos esperar e desejar que o ciclismo não perca já Alejandro Valverde, ainda mais desta forma.

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1 de julho de 2017

Como ficar com uma Volta a França ameaçada logo na primeira etapa

Geraint Thomas é o primeiro líder da Volta a França
(Fotografia: A.S.O./Pauline Ballet)
Eusebio Unzué deve ter levado as mãos à cabeça. Começar o Tour da pior maneira só se perdesse Alejandro Valverde e Nairo Quintana. Porém, ver o espanhol cair no contra-relógio inaugural de apenas 14 quilómetros e ficar de fora... Deve ter sentido um aperto no coração. A Movistar tem a vida dificultada ainda longe das primeiras grandes dificuldades.

O mau tempo que tanto costuma marcar o Giro deu este ano tréguas em Itália, mas atacou o Tour fazendo vítimas. Além de Valverde, a Bahrain-Merida perdeu o seu líder, Ion Izagirre, curiosamente ex-Movistar. Um pouco de chuva e a ver vamos se as contas não vão mesmo a começar a ser feitas logo com a influência na primeira etapa. Sem Valverde a Movistar fica debilitada. Isso é um facto que vai obrigar a mudar a forma de actuar da equipa e poderá fazer tremer Quintana, que muito confiava na ajuda do espanhol que tem estado numa super forma em 2017.

A chuva fez com que muitos ciclistas tivessem mais cuidado, o que também se traduziu em diferenças maiores do que o esperado e um vencedor que não se pode dizer que tenha sido uma surpresa, mas dá uma demonstração que poderá estar numa melhor forma do que o próprio quis deixar entender antes do arranque em Düsseldorf.

A versão de Thomas que era para lutar pelo Giro

Geraint Thomas não escondeu o espanto por ter ganho o contra-relógio, que permite que vista a camisola amarela. E é mesmo caso para dizer, o Tour mal começou e a Sky já veste a cor que tanto gosta e está habituada. Depois de um Giro estragado por uma queda provocada por uma péssima paragem de uma moto da polícia, o britânico ainda foi ao contra-relógio fazer segundo atrás de Tom Dumoulin e eventual vencedor da Volta a Itália. Desistiu depois e agora recebe a recebe a recompensa que não chegou no momento em que desejava. "Não tenho tido sorte este ano. É espectacular alcançar esta vitória", afirmou.

Passou uma parte do tempo a pensar que este ou aquele ciclista acabaria por o tirar da liderança. Não aconteceu e Thomas parte para as primeiras etapas em linha com cinco segundos de vantagem sobre Stefan Küng (BMC) e sete sobre o colega Vasil Kiryienka, campeão do mundo da especialidade em 2015. Tony Martin (Katusha-Alpecin), que tinha a tirada de Düsseldorf como principal objectivo da temporada, foi quarto, com mais oito segundos.

A outra conquista da Sky

A chuva não afectou a formação britânica, que além da amarela viu aquele que quer que esteja com a camisola em Paris daqui a três semanas ganhar tempo à concorrência. E a distância já é de respeito. Já são mais de 30 segundos o que separa Chris Froome dos principais adversários. Alberto Contador ficou a 42 do britânico e a Trek-Segafredo certamente que ficou algo desconfortável com a prestação do espanhol.

Com um contra-relógio a abrir, mesmo sendo curto, é normal que se façam algumas diferenças. Mas este Tour teve um início atípico, ainda que com algo bem típico: a Sky está em grande e a corrida só tem 14 quilómetros!

Será que se pode arriscar que isto promete? É melhor esperar mais um pouco para evitar uma desilusão!

Veja aqui a classificação da primeira etapa.

A vez dos sprinters


Conhecido o primeiro camisola amarela, este domingo é a vez dos sprinters começarem a sua corrida. A grande dúvida é se Mark Cavendish estará em condições de medir forças com Marcel Kittel, André Greipel, Peter Sagan e restantes adversários. O britânico sofre de uma mononucleose e nem ele sabe bem como se irá apresentar. Não pensa bater o recorde de Eddy Merckx e uma vitória de etapa saberá a uma enorme conquista.

A etapa de 203,5 quilómetros, que levará o pelotão da Alemanha até à Bélgica, terá duas subidas de quarta categoria que servirão para determinar quem veste a camisola da montanha. Outro final que não seja ao sprint será uma surpresa.

Além dos nomes já referidos, de destacar ainda o embate que os franceses vão estar muito atentos. Nacer Bouhanni e Arnaud Démare vão estar novamente em confronto no Tour. Nenhum conta com vitórias de etapas na corrida apesar de nos últimos anos serem as referências do sprint gaulês. O primeiro foi preterido pela FDJ quando a equipa teve de escolher entre os dois. Bouhanni foi para a Cofidis e entretanto Démare ganhou menos vezes, mas tem um monumento, Milano-Sanremo, e é o campeão francês em título.


Summary - Stage 1 - Tour de France 2017 por tourdefrance_en


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»»"Espero que no dia em que tiver alguma liberdade no Tour possa fazer alguma coisa bonita"««