1 de abril de 2017

Segurança reforçada na Volta a Flandres

Espera-se que meio milhão de pessoas assistam in loco à Volta a Flandres
(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/Stiehl Photography)

Há um ano, após os atentados em Bruxelas, a possibilidade das clássicas na Bélgica serem canceladas foi bem real. Reforçou-se (e muito) a segurança e todas as corridas realizaram-se sem qualquer problema. No entanto, o ciclismo não passa ao lado do terrorismo que tem marcado os últimos anos a Europa e com o aglomerado de pessoas em algumas zonas das corridas a chegar aos milhares, as medidas de segurança este ano foram ainda mais reforçadas. A Volta a Flandres, pela popularidade que tem e sendo uma das provas mais importantes do ano, terá especial atenção, mas algumas das medidas tem vindo a ser aplicadas desde que arrancou a fase das clássicas na Bélgica em 2017.

Mochilas e as habituais lancheiras passaram a ser proibidas, principalmente em zonas onde se juntem mais pessoas. A polícia tem procedido a revistas em locais públicos junto das estradas ou troços de pavé por onde têm passado as corridas. Blocos de cimento têm sido colocados em locais estratégicos para evitar a utilização de veículos como forma de atingir as pessoas, como aconteceu em Nice, Berlim ou, mais recentemente, em Londres. Na Volta a Flandres, à polícia irão juntar-se os stewards, normalmente mais utilizados em jogos de futebol, mas não foram avançados quantos serão chamados. As revistas serão intensificadas, pelo que já foi feito o apelo que ninguém leve mochilas ou lancheiras para as facilitar.

A estimativa é que ao longo dos 260 quilómetros da corrida estejam cerca de meio milhão de pessoas a assistir. A organização e as forças de segurança sabem que é quase impossível controlar todos os locais, mas na partida e chegada, assim como alguns dos troços mais populares de pavé e outros locais que normalmente são escolhidos para ver o pelotão passar, serão alvo das estritas medidas de segurança. Os blocos de cimento, por exemplo, serão colocados em ruas que dêem acesso à estrada onde passarão os ciclistas, o que implicará muitos mais quilómetros fechados ao trânsito.

Wim Van Herreweghe, da Flanders Classics - organizadora da Volta a Flandres - explicou que a segurança foi preparada em colaboração com as autarquias locais de forma a que não ficasse nada ao acaso e tendo em conta o nível de alerta no país ser de três (o máximo é de cinco). Além das revistas às pessoas, serão feitas também em edifícios ou locais que possam levantar suspeitas, de forma a evitar a colocação de engenhos explosivos. Estas medidas já foram hoje colocadas em prática, pois a corrida amadora realizou-se esta tarde e juntou cerca de 16 mil ciclistas.

Também os drones estão proibidos, ainda que esta medida não se prenda tanto com o terrorismo, mas sim com o tráfego aéreo. Com os helicópteros a fazerem parte da corrida, até para assegurar a transmissão televisiva, a presença de drones poderia ser perigosa, ainda mais porque os pilotos podem não conseguir vê-los.

De recordar que em 2015 a polícia francesa disparou sobre um carro que tentou furar o bloqueio de estrada nos Campos Elísios, durante a última etapa do Tour. Antes, em Maio, a corrida de um dia alemã, a Eschborn-Frankfurt, foi cancelada depois de ter sido descoberto material utilizado para o fabrico de bombas numa casa situada próximo do percurso da prova.



Foi quase, Rui! "O teu momento há-de chegar"

(Fotografia: Catherine Fegan-Kim/Axeon Hagens Berman)
Passando os olhos pelas redes sociais durante a manhã, uma mensagem chamou a atenção: "O teu momento há-de chegar." A frase acompanhava a fotografia aqui publicada. Rui Oliveira de mãos na cabeça depois de ter estado a centímetros da sua primeira vitória numa competição de estrada da UCI, a segunda etapa da Joe Martin Stage Race, nos EUA. Se tivesse acontecido teria sido um feito sempre importante na carreira de um talentoso jovem ciclista. Porém, mesmo o segundo lugar é de extrema relevância, pois estamos a falar de um corredor que em 2016 partiu uma perna, a primeira intervenção cirúrgica não foi bem feita e teve de voltar a ser operado, situação que lhe arruinou grande parte da temporada. Ainda assim e tendo em conta o que já tinha alcançado na pista, Axel Merckx confiou em Rui Oliveira e levou-o, juntamente com o irmão gémeo (Ivo), para a Axeon Hagens Berman.

O ciclista não escondeu os sentimentos mistos que o segundo lugar lhe proporcionou, mas certamente que se sentiu bem melhor quando leu a mensagem de Axel Merckx no Twitter: "Este miúdo partiu o fémur o ano passado foi operado em Dezembro para tirar a placa e já está ali! Respeito."
O director desportivo que está a acompanhar a equipa nesta competição também salientou de imediato o feito "tremendo" do jovem português. "É sempre de partir o coração quando se fica tão perto [da vitória]. Mas ao mesmo tempo, o Rui nem sequer estava a andar ainda há pouco tempo. Por isso, dar a volta desta maneira e estar no pódio de uma corrida da UCI é um grande passo em frente", afirmou Jeff Louder.

As declarações dos dois responsáveis demonstram não só o contentamento com Rui Oliveira, mas também comprovam como confiam no ciclista e como lhe estão a dar liberdade para recuperar a sua melhor forma ao seu ritmo e prosseguir a sua evolução depois do que aconteceu em 2016.

"Por um lado estou feliz por ter estado na discussão da vitória. Significa que estou em boa condição [física]. Por outro lado, perder por centímetros é muito frustrante. Estive tão perto de conseguir a minha primeira vitória UCI", desabafou Rui Oliveira, citado pela equipa, Axeon Hagens Berman. O ciclista português perdeu para um ciclista bem mais experiente. O argentino Lucas Sebastián Haedo (UnitedHealthcare) tem 33 anos, experiência a nível do World Tour e alguns resultados interessantes. Rui Oliveira tem 20 anos, está pela primeira vez numa equipa estrangeira e ainda na fase de adaptação à estrada depois de ter dado a Portugal os primeiros grandes resultados na pista com o irmão gémeo.

Ainda faltam outras duas etapas na Joe Martin Stage Race e Rui Oliveira é 14º a 24 segundos do líder Adam de Vos (Rally Cycling).

A 28 de Maio o ciclista sofreu a queda no Tour de Gironde, em França, que marcou o início dos problemas que condicionaram a época e depois o arranque da actual. Mas aí está ele. Rui Oliveira já luta por vitórias e aquela frase no Twitter tem muita razão de ser dado o talento deste ciclista: "O teu momento há-de chegar."