24 de janeiro de 2017

Volta ao Algarve. Degenkolb, Vanmarcke; Ruben Guerreiro e Ricardo Vilela no ataque à geral...

Degenkolb é mais um grande nome confirmado
(Fotografia: Trek-Segafredo)
O pelotão da Volta ao Algarve vai ganhando forma com nomes que certamente começam a entusiasmar os adeptos. A lista de inscritos das equipas vão chegando e a mais recente informação da Federação Portuguesa de Ciclismo aponta para a presença de mais uns grandes ciclistas, como é o caso de John Degenkolb e também o português Ruben Guerreiro que poderá muito bem ser a aposta da Trek-Segafredo para a geral. Mas outro português também estará na corrida, pois Ricardo Vilela vai ao Algarve com a sua nova equipa, a colombiana Manzana Postobón.

Degenkolb (26 anos) torna-se desde já um dos principais nomes da 43ª edição da prova, que este ano subiu de nível, para o segundo mais alto da UCI (2.HC). O alemão estará na Volta ao Algarve a preparar a época das clássicas. Depois de um 2015 inesquecível, com vitórias em dois monumentos (a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix), Degenkolb começou 2016 a ser atropelado durante um treino em Alicante. Quase perdeu um dedo e a recuperação levou vários meses. O ciclista, então na Giant-Alpecin, nunca conseguiu atingir a melhor forma. Resolveu mudar de ares e procura na Trek-Segafredo reencontrar-se com as grandes vitórias, enquanto a equipa americana espera que Degenkolb possa preencher a vaga de sucesso deixada pela retirada de Fabian Cancellara.

O director desportivo da Trek-Segafredo - equipa que se inscreveu à última hora, após o cancelamento da Volta ao Qatar -, Dirk Demol, escolheu para acompanhar Degenkolb outro talentoso ciclista para as clássicas, Jasper Stuyven, os homens de trabalho Marco Coledan, Koen de Kort, Mads Pedersen e Gregory Rast e também o sprinter Giacomo Nizzolo. No entanto, o campeão italiano sofre de uma tendinite que o afastou da Volta a San Juan, também já cancelou a sua presença na Volta ao Dubai e o próprio admite que está em risco a participação na corrida portuguesa. "Os médicos avisaram-me para continuar com a terapia. É o que estou a fazer e penso que estou lentamente a melhorar", explicou Nizzolo, citado pelo Velonews. Esta terça-feira, o italiano ia ser avaliado pelo médico e tinha esperança de voltar à bicicleta já na quarta-feira. Se tal acontecer, então ainda é possível que Nizzolo comece a temporada no Algarve.

Mas o destaque da Trek-Segafredo vai também para Ruben Guerreiro. O português de 22 anos teve uma excelente estreia no Tour Down Under: liderou a classificação da juventude, andou pelo top 10, terminando na 18ª posição, naquela que foi a primeira corrida a nível do World Tour. Ruben Guerreiro poderá muito bem ter a oportunidade de lutar pela geral na Algarvia.

Dos Estados Unidos vem também a Cannondale-Drapac com a sua grande contratação: Sep Vanmarcke. O belga, de 28 anos, também está a preparar as fase das clássicas. Em 2016 foi o autor de um dos actos de maior fairplay do ano quando na Volta a Flandres não sprintou com Fabian Cancellara, deixando o suíço ficar em segundo (Peter Sagan já tinha cortado a meta), numa demonstração de respeito para um ciclista que havia vencido aquela corrida três vezes e a estava a fazer pela última vez. Ao trocar a Lotto-Jumbo pela Cannondale-Drapac, Vanmarcke espera mudar o estigma que o tem acompanhado: vai ficando perto de vencer um monumento, mas fica sempre a faltar um bocadinho.

Taylor Phinney é outro dos reforços da equipa e o americano quer relançar a sua carreira. Wouter Wippert, Ryan Muller, Alberto Bettiol, Sebastian Langeveld, Dylan Vanbaarle e Davide Villella completam a formação que estará no Algarve.

A Manzana Postobón, do escalão Profissional Continental, deseja que Colômbia volte a ter uma equipa de respeito. Naturalmente que pretende ser uma porta para os ciclistas colombianos, mas apostou também em ciclistas com experiência na Europa, pois quer competir com regularidade no Velho Continente. O português Ricardo Vilela e o holandês Jetse Bol foram escolhidos para liderar na Algarvia. O primeiro é aposta para o Alto da Fóia e Malhão e o segundo para as etapas planas. O espanhol Antonio Piedra completa o trio de europeus que será acompanhado pelos colombianos Aldemar Reyes, Hernán Aguirre, Juan Molano, Hernando Bohórquez e Juan Osorio.

De recordar que já estavam confirmados ciclistas como Thibaut Pinot, Tony Martin, Luis León Sánchez e os portugueses da Katusha-Alpecin Tiago Machado e José Gonçalves.

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 Caliço Park Algarve

Nibali concentrado este ano no Giro, mas a pensar na Volta a França em 2018

(Fotografia: Facebook Vincenzo Nibali)
Quando em 2014 Vincenzo Nibali conquistou a Volta a França, entrando para o restrito grupo de ciclistas que conquistou as três grandes voltas, o italiano não se livrou da fama que só o fez porque Alberto Contador e Chris Froome desistiram devido a quedas. Nesse ano, a então estrela em ascensão, Nairo Quintana - tinha feito e vencido do Giro - ficou de fora do Tour para que Alejandro Valverde tivesse uma última oportunidade de tentar ganhar a corrida. Nibali acabou por vencer com quase oito minutos de vantagem para o segundo classificado Jean-Christophe Peraud. No ano seguinte e já com a concorrência a manter-se em prova, o italiano ficou em quarto e em 2016 foi 30º, sendo o número dois da Astana, pois o líder foi Fabio Aru.

Nibali não teve um final de 2015 e um 2016 fácil. Mesmo ganhando o Giro, a relação entre o italiano e o director da Astana, Alexandr Vinokourov, tinha azedado há muito e Nibali já pensava na mudança para a Bahrain-Merida, uma equipa que seria construída em seu redor. Com o Giro a celebrar a 100ª edição, Nibali tem como objectivo principal vencer a competição, naquela que poderá ser a terceira conquista da camisola rosa. Porém, admitiu: "Vou certamente voltar ao Tour no próximo ano e tentar vencê-lo. Não será fácil, mas é essa a minha ideia."

Apesar de ter a responsabilidade de liderar uma equipa construída a pensar em apoiá-lo, Nibali diz não sentir mais pressão do que o normal, elogiando os ciclistas que foram contratados, considerando, citado pela Marca, que a Bahrain-Merida tem qualidade para se debater bem nas provas por etapas.

O ciclista italiano está na Volta a San Juan, a iniciar a sua preparação para uma Volta a Itália muito difícil. Em 2016, Nibali foi o autor de uma recuperação espectacular para ganhar o Giro - com uma ajuda da queda de Steven Kruijswijk -, mas este ano a concorrência ameaça ser bem maior, a começar por Nairo Quintana. "Quintana será um dos pontos de referência. O Giro e o Tour são muito duros este ano e como tem esse objectivo duplo, é difícil saber em que condição chegará ao Giro e como irá geri-la, pois o tempo entre as duas corridas é curto para provas tão exigentes. Poderá estar bem numa e não na outra", referiu Nibali.

Aos 32 anos, Nibali tenta na Bahrain-Merida comprovar que é um ciclista para os grandes momentos, frente aos grandes nomes da modalidade, tentando afastar algumas críticas que o apontam como um corredor que ganha quando a concorrência é mais fraca. Claro que não ajudou ao seu prestígio quando em 2015 foi expulso da Volta a Espanha por ter sido ostensivamente "puxado" por um carro da sua equipa para reentrar no grupo principal. Nunca esteve em causa a qualidade de Nibali, mas o italiano tem dificuldades em ver reconhecido o mérito das suas vitórias, apesar de ser um dos ciclistas com uma fiel legião de fãs, principalmente no seu país. Porém, Nibali garante que se mantém motivado e com vontade de conquistar mais uns grandes triunfos.