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18 de novembro de 2016

Orica-BikeExchange. O ano da confirmação que esta é uma equipa para todas as frentes

(Fotografia: Facebook Orica-BikeExchange)
Quando surgiu em 2012, a equipa australiana tinha como principais objectivos vitórias de etapas ou em provas de um dia. E desde logo começou a somar, com mais de 40 por época. Porém, nos últimos dois anos foi notório que a Orica queria mais. Queria evoluir. No ano passado ficaram as primeiras mostras, principalmente com Johan Esteban Chaves, que as coisas estavam a mudar. 2016 foi o ano da confirmação e da glória. Não só a Orica mostrou que quer vencer uma grande volta como conquistou dois monumentos no mesmo ano.

Começando precisamente por aí. Mathew Hayman surpreendeu tudo e todos – se calhar, principalmente ele próprio – ao vencer o Paris-Roubaix, numa fase em que já começava a pensar no final da carreira. Chaves fechou um 2016 sensacional para o colombiano ao conquistar a Lombardia. E esta vitória veio depois do terceiro lugar na Vuelta e o segundo no Giro. Este pequeno e simpático colombiano é apenas um dos homens fortes da equipa para as grandes voltas. Os irmãos Yates também estão prontos. Simon teve o "percalço" ao ter acusado positivo num teste anti-doping por uma substância relacionada com um medicamento para a asma. O médico da equipa admitiu a culpa de não ter alertado as entidades responsáveis, mas quem acabou suspenso e com a reputação manchada foi o ciclista. Ainda assim, Simon recuperou bem psicologicamente e venceu uma etapa na Vuelta, terminando em sexto na geral. Quanto a Adam Yates teve o seu momento na Volta a França, ficando em quarto lugar, com o pódio apenas a 21 segundos de distância.

  • 5º lugar no ranking World Tour com 909 pontos
  • 29 vitórias (16 no World Tour, incluindo dois monumentos e seis em grandes voltas – uma no Giro, outra no Tour e quatro na Vuelta)
  • Caleb Ewan foi o ciclista com mais triunfos: 5


Entretanto Caleb Ewan fez mais um ano de evolução. Pode ainda não estar ao nível de um Marcel Kittel, Mark Cavendish ou André Greipel, mas a Orica sabe que tem um sprinter de futuro, algo importante tendo em conta que outro dos homens rápidos com uma boa temporada prepara-se para rumar à Sunweb-Giant: Michael Matthews.

A equipa sobreviveu ainda ao susto do anúncio que a GreenEdge – que até antes da Volta a França era o segundo patrocinador – iria deixar a formação, ainda que daria tempo para que fosse encontrado um substituto. Foi bem mais rápido do que se esperava. Surgiu a BikeExchange, mudaram-se um pouco os equipamentos, mas os resultados continuaram a ser vitórias. Outra das alterações a meio do ano foi a contratação de Carlos Verona. Mais um ciclista com características de voltista e que deixou Patrick Lefevere furioso por o ver sair da Etixx-QuickStep, depois de ter feito a formação na equipa belga.

A Orica-BikeExchange é um dos conjuntos que está a gerar grande curiosidade para o próximo ano, precisamente porque a evolução dos seus jovens ciclistas já os deixou no ponto de começarem a ser candidatos a um triunfo numa grande volta.



17 de novembro de 2016

Katusha. Uma estranha despedida de Joaquim Rodríguez e uma certeza chamada Ilnur Zakarin

(Fotografia: Facebook Katusha)
Quando se faz as contas e se vê que Alexander Kristoff soma 13 vitórias poderá ser estranho dizer que o norueguês foi uma desilusão para a Katusha. O ciclista tem sido uma das grandes estrelas, no entanto, este ano passou ao lado de todas as grandes corridas, sendo constantemente batido pelos rivais. Os triunfos aconteceram em provas de nível inferior e algumas com uma concorrência fraca. Mas a Katusha não perde confiança no seu sprinter e homem para as clássicas e reforçou a que tem no russo Ilnur Zakarin, com Matvey Mamykin a dar mostras que pode ser trabalhado para se tornar num bom voltista

A equipa, que conta com José Azevedo como director desportivo, apostou forte no Giro com Zakarin, mas uma queda na antepenúltima etapa deixou o russo KO, numa altura em que era quinto e ainda não tinha desistido do pódio. Zakarin recuperou para o Tour, venceu uma etapa e foi apenas 25º, pois Joaquim Rodríguez era o líder. E o espanhol acabaria por marcar a época da Katusha ao anunciar que ia terminar a carreira. Já nem à Vuelta foi, colocando um ponto final com o quinto lugar nos Jogos Olímpicos. Ou assim queria ele.

  • 6º lugar no ranking World Tour com 789 pontos
  • 25 vitórias (5 no World Tour, uma em cada uma das grandes voltas)
  • Alexander Kristoff foi o ciclista com mais vitórias: 13


Há sete anos na Katusha, a equipa não gostou que o espanhol deixasse a competição ainda com uma parte do ano por cumprir. Ainda mais quando o agente veio a público dizer que se calhar não seria o fim da carreira para Rodríguez, surgindo os primeiros rumores do interesse da nova Bahrain-Merida. A Katusha obrigou Rodríguez a voltar a competir em três corridas de um dia em Itália, terminando então na Lombardia, prova que venceu duas vezes. O espanhol não abandonou em todas e disse que ia mesmo deixar o ciclismo após a Lombardia… Acabou a assinar pela Bahrain-Merida.

Se o final de relação entre Rodríguez e Katusha não foi o esperado, já Zakarin pode estar no início de uma de sucesso. O russo evoluiu bastante, sendo cada vez mais competitivo nas subidas e defendendo-se cada vez melhor no contra-relógio. Sem dúvida que será uma aposta muito forte para 2017, assim como Kristoff, com a Katusha a reforçar-se a pensar em rodear os seus líderes de ciclistas fortes. Um deles será o português José Gonçalves e outro o alemão campeão do mundo de contra-relógio, Tony Martin.

Quanto a Tiago Machado, o ciclista português cumpriu à risca a tarefa que lhe cabe na equipa. É um homem de confiança, mas infelizmente tem pouca liberdade para tentar também ele uma vitória. Na Vuelta ainda apareceu em fugas e viu-se um pouco daquele Tiago Machado que tanto se gosta: ao ataque. O ciclista renovou por mais um ano, comprovando que a Katusha – que em 2017 será suíça e com o nome Katusha-Alpecin – tem plena noção da importância que o português tem como homem de trabalho.

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»»Trek-Segafredo. Tudo por Fabian Cancellara e pensar em 2017««

16 de novembro de 2016

Etixx-QuickStep. O ano em que se tornou uma equipa para todas as competições

(Fotografia: Facebook Etixx-QuickStep)
Os tempos dos sprints dominadores e das apostas quase obcecadas nas clássicas da Primavera não ficaram completamente para trás, mas esta Etixx-QuickStep tornou-se numa das poucas equipas do World Tour que tem excelentes ciclistas para vencer em todas as frentes e isto quer dizer que da forma como a formação belga está a trabalhar, poderá não demorar muito tempo até termos um dos seus corredores a lutar por uma grande volta.

Foi buscar o que muitos consideram o melhor sprinter da actualidade, Marcel Kittel, que rendeu no início da temporada, mas depois da Volta a Itália a época foi de altos e baixos. Tem outro que claramente se vai tornar numa referência, o colombiano Fernando Gaviria. Nas clássicas Tom Boonen continua a ser o rei e aquele segundo lugar no Paris-Roubaix foi certamente um dos resultados mais frustrantes da temporada. Com o belga a preparar-se para uma última época de clássicas em 2017 - irá abandonar o ciclismo após o Paris-Roubaix -, Zdenek Stybar demonstrou que está mais do que preparado para se tornar na estrela das clássicas. Porém, esta fase do ano, sempre muito importante para a Etixx-QuickStep, acabou por ser uma desilusão, não tendo ganho nenhuma clássica, algo que Patrick Lefevere, sabe que não poderá repetir em 2017.

Mas o director desportivo acabou por trabalhar os seus ciclistas para garantir que a restante da temporada fosse espectacular. Quando se esperava que fosse Marcel Kittel o principal ciclista a ter de vencer umas corridas para continuar com a senda de vitórias anuais, que costuma rondar as 60, não foi o que aconteceu. A Volta a Itália acabaria por ser um ponto de viragem da equipa. Kittel cumpriu, é certo, mas apareceu Gianluca Brambilla e Bob Jungels. Os três ciclistas vestiram a camisola rosa a certa altura da prova e Jungels comprovou que pode ser aposta no futuro para tentar algo mais do que um top dez.

  • 7º lugar no ranking World Tour com 775 pontos
  • 56 vitórias (18 no World Tour, incluindo quatro no Giro, uma no Tour e três na Vuelta)
  • Marcel Kittel foi o ciclista com mais vitórias: 12, incluindo três no Giro e uma no Tour


A Volta a França ficou para Daniel Martin – uma excelente contratação – e o irlandês terminou na nona posição enquanto Marcel Kittel venceu uma etapa (pouco para o que se esperava do alemão). Em Espanha, a Etixx-QuickStep revelaria David de la Cruz, o único espanhol a vencer uma etapa na Vuelta e também vestiu a camisola da liderança. Gianluca Brambilla voltou a aparecer.

E claro que pelo meio houve Julian Alaphillipe. Conquistou a sua primeira corrida de etapas – a Volta a Califórnia – realizou boas prestações noutras competições, inclusivamente em provas de um dia (foi segundo na Flèche Wallone, por exemplo) e também se mostrou no Tour, tentando lutar pela classificação da juventude, na qual terminou em sexto. Foi quarto nos Jogos Olímpicos e segundo nos Campeonatos Europeus, batido pelo inevitável Peter Sagan. A grande dúvida sobre o talentoso francês de 24 anos é se irá evoluir para um voltista ou se irá preferir manter-se em algumas provas de um dia e de uma semana, que já demonstrou ser fortíssimo. Talvez em 2017 se consiga perceber melhor que rumo terá a carreira de Alaphillipe.

Apesar de ser uma das equipas mais vencedoras do pelotão e com um longo historial no ciclismo, a formação belga vive tempos de incerteza. Patrick Lefevere chegou ao ponto de não saber se haveria patrocínio além de 2017, prejudicando as contratações. Sabe-se que a QuickStep voltará a ser o patrocinador principal, mas permanecem algumas dúvidas para o ano seguinte.

Porém, 2016 acabou de forma perfeita: a Etixx-QuickStep recuperou o título de campeã mundial de contra-relógio, numa prova polémica, mas que lá se realizou com algumas das melhores formações na especialidade e que faz da equipa belga a primeira a conquistar três triunfos.



15 de novembro de 2016

Cannondale-Drapac. Pedia-se e exigia-se muito mais. 2016 foi uma desilusão

(Fotografia: Facebook Cannondale-Drapac)
A equipa norte-americana queria que 2016 fosse o ano em que finalmente se confirmava como uma das mais fortes do pelotão. Ciclistas tem, os resultados é que não. De recordar que esta equipa surge da fusão entre a Liquigás e a Garmin, ficando entretanto a marca de bicicletas como o principal patrocinador, com a Drapac a aparecer já no decorrer da temporada. Dinheiro parece não ser um problema. Já resultados são um enorme problema. Andrew Talansky salvou um pouco a temporada com o quinto lugar na Volta a Espanha, mas a equipa não conseguiu uma única vitória numa prova World Tour e se vencer duas etapas na Volta à Califórnia é importante a nível local, é tão pouco que a Cannondale-Drapac sabe que não pode repetir um ano como este.

A maior das desilusões foi Pierre Rolland. O francês foi contratado com o objectivo de ser o líder na Volta a França. A esperança que o ciclista demonstrasse todo o potencial que lhe é reconhecido era grande e Rolland até apresentou-se bem no Tour. O top dez parecia estar ao alcance, mas uma queda arruinou a competição do francês e ficou a determinação pois, mesmo muito mal tratado, foi até final e terminou na 16ª posição. Porém, Rolland é um dos ciclistas que terá de subir a parada em 2017, tal como Rigoberto Uran.

  • 8º lugar no ranking World Tour com 616 pontos
  • 10 vitórias (nenhuma em provas do World Tour)
  • Jack Bauer foi o ciclista com mais vitórias: 2


O colombiano até teve uma época mais positiva comparativamente com o ano passado. Sétimo no Giro, terceiro no último monumento do ano, na Lombardia, com 29 anos Uran anda sempre perto de uma grande vitória, mas não a consegue. Um pouco mais de apoio da equipa poderá ser bastante importante, pois fica a sensação que mal quebre a “malapata”, Uran poderá finalmente tornar-se num ciclista vencedor, um pouco à imagem de Greg van Avermaet (BMC), por exemplo, ainda que sejam corredores de características diferentes. O belga demorou, mas quando tomou-lhe o gosto, não mais parou de somar triunfos.

Olhando para o plantel da equipa a exigência que já era grande, vai ser enorme em 2017. Joe Dombrowski, Nathan Brown, Lawson Craddock, Tom Skujins e Tom-Jelte Slagter foram ciclistas que se mostraram este ano, mas a Cannondale-Drapac quer mais do que tempo de antena. Para este projecto, ou chegam as vitórias ou o futuro da equipa poderá complicar-se.



14 de novembro de 2016

Trek-Segafredo. Tudo por Fabian Cancellara e pensar em 2017

(Fotografia: Facebook Trek-Segafredo)
A entrada da Segafredo como patrocinador foi um suspirar de alívio para Trek que sabia que ia perder o seu principal ciclista e precisava urgentemente de uma injecção de dinheiro para enfrentar o futuro. Porém, não havia grandes dúvidas, depois da carreira de Fabian Cancellara e da importância do suíço na equipa que representou nos últimos seis anos, a forma de retribuir era fazer tudo para que o “Spartacus” tivesse um ano de despedida memorável.

Apesar de um início de temporada forte, com vitórias no contra-relógio da Volta ao Algarve e na Strade Bianchi, Cancellara não conseguiu concretizar o desejo de conquistar pelo menos uma das suas corridas fetiches: a Volta a Flandres e o Paris-Roubaix. Uma gastroenterite também acabou com sonho de conquistar a camisola rosa na primeira etapa do Giro. Cancellara teria o grande momento que procurava ao sagrar-se campeão olímpico de contra-relógio, colocando um ponto final na carreira – nem foi aos Mundiais –, ainda que tenha ido até ao Japão, mas já com um claro sentimento de ex-ciclista. A festa de despedida realizou-se no sábado (12 de Novembro), com várias figuras do ciclismo a marcarem presença.

  • 9º lugar no ranking World Tour com 565 pontos
  • 22 vitórias (4 no World Tour)
  • Fabian Cancellara e Giacomo Nizzolo foram os ciclistas com mais vitórias, com sete cada um


Porém, a Trek-Segafredo foi também preparando o futuro tendo em atenção a evolução de Jasper Stuyven e Edward Theuns, cuja época acabou abruptamente na 13ª etapa da Volta a França. E no Tour, a equipa norte-americana viu um Bauke Mollema aparecer ao seu melhor. O holandês chegou a estar na luta pelo pódio, mas quebrou na última semana e até ficou de fora do top dez (11º). Já a contratação de Ryder Hesjedal foi um flop. O canadiano queria mudar de ares, mas acabou por anunciar o final da carreira sem se mostrar na nova equipa. E por falar em despedidas, também Frank Schleck percebeu que chegou o momento de arrumar a bicicleta. Depois de cumprir o castigo por doping, o luxemburguês nunca se encontrou com a melhor forma.

Destaque ainda para o sprinter Giacomo Nizzolo. Somou sete vitórias, mas faltou uma numa grande prova. Até venceu no Giro, mas foi desclassificado, ficando, ainda assim, com a camisola dos pontos. Será um dos ciclistas que a Trek-Segafredo irá certamente exigir mais em 2017, num ano em que terá Alberto Contador no seu plantel, numa clara aposta de conquistar uma grande volta ou com o espanhol ou com Mollema.



13 de novembro de 2016

Astana. Mesmo com a rivalidade interna a equipa venceu e preparou um futuro ambicioso

(Fotografia: Facebook Astana)
A rivalidade Vincenzo Nibali/Fabio Aru ameaçava ser o centro das atenções na Astana. Com o veterano italiano a cair para segundo nas preferências da equipa em detrimento da estrela em ascensão, restava dúvida como iria a formação gerir os dois seus principais ciclistas. Mantê-los em provas separadas parecia ser o mais sensato, mas ambos foram à Volta à França, com Aru como líder e Nibali como gregário e, surpreendentemente, a coisa não funcionou assim tão mal (comparando quando Lance Armstrong e Alberto Contador foram colegas... foi quase perfeita!). Mas há que recuar uns meses, pois o momento do ano pertence a Nibali que realizou um autêntico milagre ao vencer uma Volta a Itália que parecia irremediavelmente perdida a poucos dias do fim e acabou por se tornar numa daquelas recuperações que fica para história.

Com Nibali a cumprir, a exigência recaia em Aru no Tour. O jovem ciclista ainda tentou, mas demonstrou que ainda não está preparado para a exigência de uma Volta a França não só pelo domínio da Sky, mas também pelo nível de competitividade muito mais elevado do que nas outras duas grandes voltas (com a diferença a ser cada vez menor, é certo). Fabio Aru ficou fora do top dez (13º) e nem foi à Vuelta tentar repetir o triunfo de 2015. O ponto alto da temporada do italiano acabou por ser uma brilhante vitória na terceira etapa do Criterium du Dauphiné, numa fuga inesperada, num terreno que nem lhe era favorável. Mas aquele Aru lutador apareceu e quando o faz dá espectáculo. Talvez percebendo que Aru ainda tenha de evoluir, a Astana irá em 2017 apostar no ciclista no Giro e na Vuelta, sabendo que já não contará com Nibali que irá para a nova Bahrain-Merida, colocando um ponto final numa relação que se tornou tumultuosa nos últimos dois anos com o director desportivo Alexander Vinokourov.

  • 10º lugar no ranking World Tour com 539 pontos
  • 34 vitórias (7 no World Tour – incluindo uma etapa no Giro e a geral e a vitória na Volta à Suíça)
  • Miguel Angél López e Tanel Kangert foram os ciclistas com mais vitórias, com cinco cada um


A Astana assistiu também ao nascer do mais que provável novo voltista: Miguel Ángel Lopez. Mais um colombiano a aparecer e aos 22 nos tem um potencial “assustador”. Venceu a Volta a Suíça com autoridade e teve a sua oportunidade de liderar a equipa na Volta a Espanha, mas aí uma queda (menos uns dentes) e o melhor foi ir para casa à sexta jornada. No entanto, só para garantir que realmente podem contar com ele López venceu a clássica Milano-Torino.

O colombiano teve uma queda no início da preparação para 2017 e partiu a tíbia. Serão quatro meses de paragem e uma dor de cabeça para Alexander Vinokourov que claramente quer apostar em vencer pelo menos duas grandes voltas e ter López a disputar também etapas e corridas de um dia com algumas dificuldades, pois demonstrou que também se adapta a elas. E tudo indica que estará no Tour.

Esta Astana sempre teve um lado controverso, ainda mais com a presença de Vinokourov, um homem que não escapa à suspeita de doping, dado o seu passado como ciclista. No entanto, a equipa cazaque tem ano após ano demonstrado que contem com ela para disputar as grandes voltas, sabendo renovar as suas principais figuras, produzindo novas estrelas do ciclismo. 2016 não foi diferente.



12 de novembro de 2016

FDJ. O ano em que se tornou uma equipa de contra-relógio, com a época a desmoronar-se na Volta a França. Mas houve monumento

(Fotografia: Facebook FDJ)
A FDJ a ganhar contra-relógios por equipas? Thibaut Pinot a ganhar contra-relógios e até ser campeão nacional da especialidade? Estaremos a ver bem? Sim, era razão para questionar se realmente estaríamos a ver bem os resultados. Já em 2015 tinha sido notório o trabalho que a equipa estava a fazer, principalmente com Pinot, que tinha demonstrado já não ter tanto medo a descer, mas este ano deu um passo mais além. Um passo de gigante, diga-se. O francês tornou-se num contra-relogista, algo que há um ano parecia impossível. Esperava-se que evoluísse o suficiente para se defender contra os melhores, algo obrigatório se realmente quer ser candidato a vencer a Volta a França. Porém, o fantástico início de temporada de Pinot, com vitórias a pensar na preparação para o Tour, de nada valeu. Quando chegou o momento da verdade, Thibaut Pinot falhou completamente.

Tanta esperança que rapidamente se desvaneceu. Mal o terreno começou a inclinar, e foi logo nas primeiras etapas, Pinot começou a perder tempo. Resolveu tentar a classificação da montanha, mas na 13ª etapa, já nem apareceu para partir para o contra-relógio. De época de sonho a pesadelo e Pinot terminou a temporada bastante cedo para preparar 2017.

  • 11º lugar no ranking World Tour com 516 pontos
  • 22 vitórias (5 no World Tour – uma na Vuelta por Alexandre Geniez, um monumento, Milano-Sanremo, por Arnaud Démare)
  • Thibaut Pinot e Arnaud Démare somaram seis vitórias cada um


E o ano da FDJ ficou marcado por alegrias iniciais, seguido por desilusões. Outro dos responsáveis pelos esses sentimentos mistos foi Arnaud Démare. Venceu a Milano-Sanremo, o primeiro monumento do ano. Não se livrou da polémica, pois foi acusado ter sido ajudado por um carro pouco antes da subida que antecede os quilómetros finais e que lhe permitiu estar na discussão da corrida. O caso arrastou-se por uns meses, mas nada foi provado e o triunfo manteve-se. A FDJ pensou que finalmente o seu sprinter ia corresponder à confiança que a equipa lhe deu ao ficar com ele, deixando sair Nacer Bouhanni, já que era impossível ter os dois juntos, visto serem mais rivais do que colegas.

O problema é que Démare cada vez mais demonstra não ter capacidade para disputar sprints com os melhores. Visto que Pinot seria a aposta para a Volta a França, a FDJ deu a liderança a Démare no Giro. Tentou, mas não consegue bater Kittel ou Greipel quando estes estão no seu melhor. Lá venceu uma etapa na Route du Sud e a Binche-Chimay-Binche, mas com 25 anos, ou Démare começa a somar mais triunfos importantes, ou pode esgotar-se a paciência da FDJ. O crédito que a Milano-Sanremo lhe deu acabou por ser gasto numa temporada, só salva por essa vitória.



11 de novembro de 2016

Lotto-Jumbo. O regresso à ribalta e com ciclistas de futuro

(Fotografia: Facebook Lotto-Jumbo)
Esteve ali tão perto uma vitória na Volta a Itália... A Lotto-Jumbo parece ter finalmente encontrado um rumo e não apenas em conseguir triunfos, pois os 19 deste ano ainda assim estão longe do sucesso de outras épocas – bem melhor com os seis em 2015 -, mas por ter novamente ciclistas de potencial e que demonstraram que estão prontos para se tornarem referências no ciclismo. E claro, aquela Volta a Itália será sempre a grande frustração da equipa holandesa. De repente teve-se de aprender a dizer e escrever Steven Kruijswijk. Não havia dúvidas quem era o mais forte no Giro, mas aquela queda na descida após ter sobrevivido a uma gélida ascensão ao Coll dell Agnello estragou tudo.

Kruijswijk só precisava de ultrapassar mais aquela etapa e dificilmente perderia a camisola rosa, mas acabou por “mergulhar” na neve. Furioso, desesperado, desiludido, ferido… o holandês nem no pódio conseguiria acabar. Mas a Lotto-Jumbo teve a certeza que tinha mais um voltista. Já na Volta a Espanha, um poste num local perigoso provocou mais uma queda a Kruijswijk, que desta vez foi logo para casa.

  • 12º lugar no ranking World Tour com 506 pontos
  • 19 vitórias (3 no World Tour – uma no Giro e outra na Vuelta)
  • Dylan Groenewegen foi o ciclista com mais vitórias: 11 (1 no World Tour, no Eneco Tour)


Apareceu Kruijswijk e confirmou-se Dylan Groenewegen. Aos 23 anos já é um sprinter que mete respeito e ninguém dúvida que não demorará a fazer frente a Kittel, Cavendish, Greipel e à restante elite do sprint. Foram 11 vitórias, mas a mais saborosa foi ter sagrado-se campeão nacional. Groenewegen exibe aquele equipamento com um orgulho notório. Depois houve Primoz Roglic, o esloveno que também apareceu no Giro. Quase venceu a primeira etapa (centésimos de segundo deram a vitória a Tom Dumoulin), mas acabaria por conquistar o contra-relógio mais longo. E ainda mais importante, Roglic (que foi quinto na Volta ao Algarve) demonstrou o quanto pode ser importante na ajuda ao líder, ou seja, a Lotto-Jumbo conseguiu este ano formar uma equipa mais coesa e que pode em 2017 render grandes vitórias.

Ficou alguma frustração nas clássicas, com Sep Vanmarcke a ficar perto, mas teve de contentar-se com o quarto lugar no Paris-Roubaix e terceiro na Volta a Flandres. E para o ano a Lotto-Jumbo não contará com o seu homem das corridas de um dia, que assinou pela Cannondale-Drapac.

Mas houve quem desiludisse por completo. Wilco Kelderman esteve muito aquém do esperado. Com o problema físico de Robert Gesink, o holandês teve a oportunidade que tanto desejava: liderar a equipa na Volta a França. Acusou a responsabilidade? Não estava bem fisicamente? O 32º lugar a 1:24 horas do vencedor Chris Froome não era o resultado que a equipa esperava. Aos 25 anos, Kelderman ainda tem muito a evoluir, mas vai fazê-lo na Sunweb-Giant.

Porém, a Lotto-Jumbo não estará a lamentar-se em demasia, pois mesmo já com 30 anos, Robert Gesink finalmente venceu uma etapa numa grande volta (Vuelta) e a equipa acredita que poderá ser este o mote para que o holandês confirme de uma vez por todas o potencial que se sabe que tem para estar entre os melhores. Em condições normais Gesink irá à Volta a França e 2017 terá de ser um ano em que confirma as eternas expectativas, para não se ver ultrapassado no estatuto de líder pelos jovens talentos que estão a surgir.

2017 teve o condão de criar elevadas expectativas não só para Gesink, mas para toda a equipa que, apesar de algumas saídas relevantes, sabe que está na altura de começar a tirar dividendos do trabalho que realizou com jovens ciclistas, que agora deram as primeiras demonstrações que estão prontos para ir à luta.



10 de novembro de 2016

AG2R La Mondiale. Menos mal que houve Romain Bardet

(Fotografia: Facebook AG2R)
No que diz respeito a vitórias, a equipa francesa teve uma das suas piores temporadas. No entanto, quando coloca um ciclista no segundo lugar da Volta a França, apenas atrás de um impressionante Chris Froome (e a sua Sky), não se pode falar de uma época fracassada. Aliás, a AG2R estará certamente motivada para 2017, tendo em conta que Romain Bardet demonstrou que é mesmo um candidato a vencer o Tour, havendo esperança que possa ser ele a terminar com o longo jejum francês na prova, que dura desde 1985, quando Bernand Hinault venceu. Bardet nem era nascido (1990), mas aos 25 anos, o talento já se sabia que tinha, agora demonstrou que está pronto para lutar, mas irá precisar de mais ajuda da sua equipa.

Além da vitória de etapa e do segundo lugar de Bardet no Tour, a AG2R teve também a confirmação que Pierre Latour é um ciclista de futuro, pois o jovem de 23 anos venceu uma das mais difíceis etapas da Volta a Espanha. Jan Bakelants teve um ano aquém do desejado, pois apesar de algumas boas classificações, somou apenas um vitória logo no início do ano na La Méditerranéenne. Porém, a grande desilusão voltou a ser Domenico Pozzovivo. O pequeno italiano demora em mostrar-se na equipa francesa e por uns tempos a sua continuidade parecia em risco, mas acabou por renovar.

  • 13º lugar no ranking World Tour com 482 pontos
  • 8 vitórias (2 no World Tour, na Volta a França e Espanha)
  • Samuel Dumoulin foi o ciclista com mais vitórias: 4


Jean-Christophe Peraud (39 anos) queria uma despedida em grande. Passou o testemunho do Tour para Romain Bardet e foi tentar a sua sorte no Giro. Mas não teve nenhuma. Na terceira etapa teve uma queda muito aparatosa que o obrigou a abandonar. Foi depois à Vuelta, terminando na 13ª posição. Para a história ficará as duas vitórias no Critérium International e o segundo lugar no Tour em 2014.

Mas houve um veterano que rendeu. Samuel Dumoulin tem 36 anos e somou quatro vitórias, em provas secundárias, é certo, mas que lhe valeu o triunfo na Taça de França, competição importante para os franceses.

Ainda assim, uma temporada que soube a pouco. Mesmo que seja uma equipa concentrada em ganhar a Volta a França, oito vitórias num ano não é particularmente entusiasmante, ainda que Bardet, principalmente, tenha estado na luta em algumas das principais competições. Contudo, certamente que a equipa irá exigir mais de alguns dos seus ciclistas no próximo ano.



9 de novembro de 2016

Surpresa! Mais uma prova para o calendário World Tour. Pelotão vai regressar à China

A Volta a Pequim nunca convenceu as equipas do World Tour
(Fotografia: Team Sky)
A UCI parece não estar nada preocupada com o facto de ter a Associação Internacional de Equipas de Ciclismo Profissionais ameaçar recorrer à justiça contra as reformas do organismo, ou de ir de facto enfrentar um processo por parte da Liga Nacional Francesa - liderada pelo director desportivo da FDJ, Marc Madiot, que afirma que o extenso calendário do World Tour prejudica a presença das principais formações gaulesas nas provas internas -, ou que as equipas do World Tour não tenham ficado nada satisfeitas pelo calendário ter aumentado exponencialmente. Eram 10 as novas provas, agora deverão passar a ser 11, ou seja, 38 no total.

É uma espécie de surpresa numa altura em que se começa a preparar 2017: o pelotão vai voltar à China. Depois do fracasso que foi a Volta a Pequim (entre 2011 e 2014) – que deixava as equipas possessas por no final de temporada terem de fazer uma viagem tão longa e dispendiosa, além de parecer os Mundiais em Doha, ou seja, público na estrada, nem vê-lo – agora o calendário terá a Volta a Guangxi.

A confirmar-se será a corrida que fechará o ano (ainda não tem data definida), durará seis dias e terá uma prova feminina. Guangxi fica a sul do país, perto da fronteira com Hanoi, no Vietname. Segundo o site Cycling News, a UCI irá permitir que nos dois ou três primeiros anos as equipas World Tour não sejam obrigadas a ir, à imagem do que deverá acontecer com as restante novas competições, como a Volta à Califórnia, Volta à Turquia ou Strade Bianche.

A notícia apanhou todos desprevenidos, ainda mais depois da Volta a Pequim não ter convencido ninguém no ciclismo. Será uma segunda tentativa de levar o ciclismo à China, num ano em que o país terá a sua primeira equipa no principal escalão, a TJ Sport (antiga Lampre-Merida), que conta com o português Rui Costa.

Sendo a última prova do calendário, Guangxi também deverá organizar a habitual gala de final do ano, talvez sendo uma maneira de tentar levar mais ciclistas importantes, numa fase da temporada em que muitos já entraram de férias e estão a pensar no ano seguinte e não terão grande vontade de viajar tantos quilómetros, com aconteceu com a prova de Pequim.

Confirmadas 18 equipas no World Tour em 2017

A notícia sai no dia em que a UCI confirmou que no próximo ano irão ser atribuídas 18 licenças, caso as 18 equipas que se candidataram preencham os requisitos. Uma das reformas que a UCI queria implementar era a redução para 17 equipas no próximo ano, sendo depois o número diminuído para 16. No entanto, e perante a pressão criada pela possibilidade da Dimension Data ficar de fora por ter ficado em último lugar do ranking e a Bahrain-Merida e Bora-Hansgrohe, as novas equipas, terem contratado ciclistas com mais pontos do que os da formação sul-africana somaram, a UCI acabou por recuar na decisão.

Claro que houve o aval da Amaury Sports Organisation (ASO) - que organiza a Volta a França e outras provas importantes - que era quem mais queria a redução de equipas. O facto da Dimension Data ter um acordo de dois milhões de euros para fornecer dados ao vivo do que acontece no Tour foi uma grande ajuda para o futuro da equipa.

Quanto à participação das novas provas do World Tour não serão para já obrigatórias, como já foi dito, e o sistema de promoção e despromoção de equipas também não entrará em vigor pelo menos até 2018.

Os detalhes finais da temporada de 2017 deverão ser anunciados no congresso anual da UCI que se realiza a 6 de Dezembro, em Maiorca, Espanha.

Lotto Soudal. Entre o muito bom, o fraco e a tragédia

Ciclista utilizaram uma pulseira com a frase Fight for Stig (Lutar pelo Stig)
(Fotografia: Facebook Lotto Soudal)
Época de sentimentos mistos para a Lotto Soudal. Tão rápido estão a celebrar uma fantástica Volta a Itália, como entram numa crise de resultados e vêem um dos seus ciclistas a lutar pela vida em mais um acidente com motos durante uma corrida. E é impossível não começar por aí. O acidente de Stig Broeckx marcou a temporada da equipa. Em Maio, durante a Volta à Bélgica, o jovem de 26 anos foi um dos envolvidos num choque com duas motas da organização. Era a segunda vez este ano que o belga se via numa situação com motos, mas desta feita foi muito grave. Broeckx está em coma desde então, apesar de recentemente a equipa ter anunciado que o ciclista começava a apresentar melhoras.

O acidente marcou profundamente a Lotto Soudal, que até tinha recebido a boa notícia do regresso de Kris Boeckmans, depois da queda na Volta à Espanha em 2015 e que o deixou em coma induzido durante uma semana. Stig Broeckx era uma das apostas da equipa, principalmente para as provas de um dia, sendo um ciclista que estava a revelar uma evolução muito interessante.

  • 14º lugar no ranking World Tour com 463 pontos
  • 21 vitórias (10 no World Tour – 4 no Giro, 2 no Tour e a conquista da Volta à Polónia por Tim Wellens)
  • André Greipel foi o ciclista com mais vitórias: 10 (3 no Giro e uma no Tour)


Até então a equipa belga estava a realizar o que prometia ser mais uma grande temporada, principalmente depois do brilharete na Volta a Itália. Foram quatro vitórias de etapa, três por intermédio de André Greipel e outra por Tim Wellens. O Tour também não correu mal até porque a Lotto Soudal conquistou apenas duas etapas, mas foram duas das mais importantes. Thomas de Gendt venceu num dia memorável no Mont Ventoux e não apenas pela corrida a pé de Chris Froome. De Gendt esteve na fuga, atacou, ficou para trás e de repente apareceu para vencer uma etapa que infelizmente não terminou no topo do Mont Ventoux devido às fortes rajadas de vento, mas que ainda assim produziu um bom espectáculo (algo raro no Tour). Depois André Greipel cumpriu nos Campos Elísios e ganhou a derradeira etapa do Tour, a mais desejada pelos sprinters.

No entanto, entre o Giro e o Tour e depois desta grande volta, a Lotto Soudal eclipsou-se no que diz respeito a grandes resultados. Esta foi a pior temporada desde 2010. A formação somou 21 vitórias. Por norma aproxima-se das 30, sendo que no ano passado foram 40.

Talvez também não tenha ajudado a incerteza que chegou a abanar a estrutura de uma das equipas mais antigas do pelotão internacional. O principal patrocinador ameaçou retirar-se devido à crise. O que não ajudou de certeza foi o sub-rendimento de ciclistas como Tony Gallopin e Jurgen Roelandts.



8 de novembro de 2016

Lampre-Merida. Quando ser uma equipa é algo secundário...

(Fotografia: Facebook Lampre-Merida)
Já vista como uma das equipas mais fracas do pelotão internacional, a Lampre-Merida limitou-se a confirmar isso mesmo em 2016. Não significa que não tenha bons ciclistas. Muito pelo contrário. Afinal conta com o campeão do mundo de 2013, Rui Costa, um excelente corredor como Diego Ulissi, um trepador de grande futuro como Louis Meintjes, ou a jovem promessa Valerio Conti, assim como os sprinters Davide Cimolai (que vai para a FDJ) e Sacha Modolo. O problema da formação italiana foi que raramente funcionou como equipa e no dia em que Rui Costa, o líder, teve de ir ao carro buscar o seu próprio abastecimento… fica quase tudo dito.

E os resultados acabam por demonstrar precisamente essa falta de espírito de equipa. Foram 19 vitórias (cinco a nível World Tour), a maioria conquistadas precisamente por actos solitários dos ciclistas. Rui Costa este ano alterou os planos e em vez de atacar o top dez da geral no Tour, procurou uma etapa, enquanto Meintjes se preocupou mais com a geral e a luta pela camisola da juventude. Rui Costa esteve perto (foi segundo numa etapa e quinto noutra), mas apesar de não ter conquistado qualquer triunfo durante o ano, a temporada voltou a ser marcada por grande regularidade - mesmo sem grande apoio dos colegas -, como revelam os top dez no Paris-Nice, Volta ao País Basco, Volta à Romandia, Volta à Suíça, na Flèche Wallone e o terceiro lugar na Liège-Bastogne-Liège.

  • 15ª no ranking World Tour com 442 pontos
  • 19 vitórias (5 no World Tour - 3 em grandes voltas)
  • Diego Ulissi foi o ciclista com mais vitórias: 6 (duas no Giro)


Diego Ulissi acabou por conseguir as desejadas vitórias importantes com duas etapas no Giro, enquanto Valerio Conti alcançou um triunfo fantástico na Vuelta. Sacha Modolo foi a grande desilusão e era cada vez mais óbvio que esta Lampre-Merida precisava de uma profunda remodelação. Rui Costa estava em final de contrato e a sua saída parecia mais do que lógica. No entanto, a época da formação italiana acabou por ficar marcada pela compra da TJ Sport, uma empresa chinesa que irá assim ser a primeira equipa daquele país no World Tour. O português e Ulissi serão dois dos líderes, enquanto Ben Swift e John Darwin Atapuma são para já as grandes contratações.

Porém, depois das exibições de individualismo a que se assistiu este ano (e nas épocas mais recentes), mais do que um novo patrocinador espera-se que a equipa perceba o significado da necessidade de trabalhar como tal para assim tirar partido dos ciclistas que tem.

De referir ainda, que a nova vida da formação para 2017 fará com que Itália deixe de ter equipas no World Tour. Aliás, a própria Lampre poderá abandonar o ciclismo. A empresa que trabalha com aço entrou no ciclismo em 1992, não esteve entre 1996 e 1998, mas desde 1999 que se tornou numa das principais equipas, com um longo historial no principal escalão. Porém, a família Galbusera ainda não decidiu se continuará como co-patrocinador, segundo explicou Guiseppe Saronni, director da formação, à Gazzetta dello Sport.



7 de novembro de 2016

Giant-Alpecin. Um atropelamento arruinou uma temporada que Tom Dumoulin tentou salvar

(Fotografia: Wouter Roosenboom/Team Giant-Alpecin)
A Giant-Alpecin preparava-se para uma nova era sem a sua grande estrela Marcel Kittel, que quebrou contrato e mudou-se para a Etixx-QuickStep. John Degenkolb seria o líder ao lado de Tom Dumoulin, com o alemão desejoso de tentar repetir o sucesso de 2015, no qual conquistou dois monumentos: Milano-Sanremo e Paris-Roubaix. No entanto, o estágio em Janeiro em Alicante, Espanha, limitaria toda uma temporada para a equipa. Seis ciclistas foram atropelados por uma mulher britânica que conduzia em contra-mão. Degenkolb foi dos que ficou pior a par de Chad Haga. O alemão quase perdeu um dedo e só em Maio conseguiu voltar à competição, perdendo a desejada época de clássicas. A Giant-Alpecin ficou assim dependente de Tom Dumoulin e Warren Barguil e que desespero foi aquela primeira fase de temporada.

Só a 6 de Maio a equipa conseguiu finalmente a sua primeira vitória. Tom Dumoulin venceu a primeira etapa da Volta a Itália (um contra-relógio) e foi o respirar de alívio. Nikias Arndt conseguiu um segundo triunfo para a equipa também no Giro, enquanto Dumoulin reapareceu no Tour com duas vitórias. John Degenkolb só em Agosto regressou aos triunfos na Artic Race, Noruega, mas só somaria mais um na corrida de um dia alemã Sparkassen Münsterland. Warren Barguil foi uma desilusão, a imagem de um ano terrível para a equipa que quer recomeçar em 2018 uma nova fase, já sem Degenkolb, mas com ideia de apostar tudo em Tom Dumoulin e Barguil e numa grande volta.

  • 16ª no ranking World Tour com 435 pontos
  • 15 vitórias (4 no World Tour - 2 no Giro e 2 no Tour)
  • Max Walscheid foi o ciclista com mais vitórias: 5 (todas na Volta a Hainan)


Entre 2011 e 2013 a Giant conquistou 30 vitórias por ano. Em 2014, foram 41, muitas devido a Marcel Kittel que dominou os sprints nesse ano. Em 2015, um vírus afectou o alemão e o registo diminuiu para 18, mas com dois monumentos, a Giant ainda assim estava satisfeita com a temporada. Aquele acidente em Janeiro acabaria por marcar não só o ano, mas claramente o futuro da equipa.

Mas se o ano começou mal, acabou um pouco melhor com o aparecimento de Max Walscheid que recuperou a sua melhor forma e aos 23 anos quer afirmar-se como o sprinter da equipa depois de ter dominado a Volta a Hainan, com cinco vitórias, as primeiras como profissional. A concorrência pode não ter sido muita, mas foi uma excelente motivação para 2017. Tom Dumoulin foi assim ultrapassado, pois acabou o ano com quatro vitórias, ainda que bem mais importantes. De salientar que para o ano a equipa será a Sunweb-Giant.


6 de novembro de 2016

IAM. O anúncio de final de equipa que resultou no melhor ano da formação suíça

(Fotografia: Facebook IAM Cycling)
Em termos gerais o projecto da IAM acabou por ser um fracasso. A equipa nunca conseguiu se impor entre as grandes formações do World Tour e as poucas vitórias que ia alcançando eram de menor importância para deixar entusiasmados os patrocinadores. Apesar de financeiramente ser um projecto estável, a verdade é que sem resultados de nota foi inevitável que o fim fosse anunciado. Estávamos em plena Volta a Itália e a notícia abalava o ciclismo, pois seria a segunda equipa a abandonar o pelotão no final do ano, depois da Tinkoff ter também os dias contados. Porém, não houve tempo para lamentos. Os ciclistas reagiram quase como se fosse uma motivação e a IAM teve o seu melhor ano de sempre.

Talvez o facto de precisarem de se mostrar para garantir uma equipa para 2018 tenha ajudado a essa motivação, mas para a história ficam as 19 vitórias, incluindo uma no Giro (Roger Kluge), outra no Tour (Jarlinson Pantano - uma das revelações do ano) e duas na Vuelta (Jonas van Genechten e Mathias Frank). De notar que a IAM nunca tinha vencido numa grande volta.

  • 17º lugar no ranking World Tour com 418 pontos
  • 19 vitórias (5 no World Tour - uma no Giro, uma no Tour, duas na Vuelta)
  • Dries Devenyn foi o ciclista com mais vitórias: 5

A IAM acaba por ser um estranho caso de insucesso. Havia dinheiro, nada de balúrdios ao nível da Sky ou Katusha, mas o suficiente para dar estabilidade e contratar ciclistas de qualidade. E realmente a formação tinha bons atletas, mas sempre sofreu para formar um conjunto coeso que pudesse dar mais apoio a ciclistas como Mathias Frank e Matthias Brändle. O sprinter Matteo Pelucchi bem se pode queixar, pois normalmente estava por sua conta na discussões da etapa. O facto de ir para a Bora-Hansgrohe demonstra que potencial não lhe falta.

Não vai ser uma equipa que seja recordada no futuro, mas talvez a responsabilidade do fracasso seja de quem a dirigia, pois terá faltado alguma ambição, maior organização e talvez uma maior exigência aos próprios ciclistas. Com as condições que dispunha, pedia-se mais à IAM, pelo que é natural que o patrocinador tenha optado por sair. Ficará talvez alguma frustração, pois a sensação é que a equipa poderia ter feito mais durante estes quatro anos de existência, como aliás as vitórias deste ano acabaram por demonstrar… ou talvez a ameaça do desemprego tenha sido a motivação que faltava.

»»Dimension Data. A estreia no World Tour que parecia brilhante e que acabou com um grande susto««

5 de novembro de 2016

Dimension Data. A estreia no World Tour que parecia brilhante e que acabou com um grande susto

2016 ficará para a história do ciclismo como o ano em que uma equipa africana chegou ao principal escalão da modalidade. O projecto Qhubeka arrancou em 2008 com o objectivo de dar espaço aos ciclistas africanos e também com um lado social de extrema importância que ainda hoje mantém. A formação sul-africana tem activamente procurado fazer chegar bicicletas a muitas crianças e jovens em zonas marcadas por pobreza extrema. Entretanto, na competição, foi subindo de escalão e como Profissional Continental, a então MTN-Qhubeka, demonstrou que era muito mais que um projecto africano. Queria ser um projecto a nível mundial. Pediu a licença World Tour para 2016, surpreendeu ao contratar um dos melhores sprinters, Mark Cavendish, e manteve ciclistas que entretanto já tinha garantido um ano antes, como Edvald Boasson Hagen e Stephen Cummings. Mark Renshaw, Igor Anton, Tyler Farrar são apenas alguns dos ciclistas de qualidade que participaram na transformação desta equipa. E claro, apesar de uma aposta em atletas mais internacionais, manteve no plantel africanos, com destaque para Daniel Teklehaimanot, Natnael Berhane e Merhawi Kudus.

Mark Cavendish era, naturalmente, a grande estrela da equipa e do britânico esperava-se muito. Mas mesmo muito, dado o esforço financeiro que a agora Dimension Data fez para o contratar, numa altura em que a Etixx-QuickStep o tinha “trocado” por Marcel Kittel. Cavendish até começou bem na Volta ao Qatar ao vencer uma etapa e a geral, mas depois foi uma longa espera com muitas dúvidas a surgirem sobre se o sprinter ainda tinha algo para dar. As críticas subiam de tom com a obsessão do britânico em dividir a época de estrada com a pista, na tentativa de estar nos Jogos Olímpicos. Foi preciso esperar por Abril até que Cavendish finalmente voltasse a vencer, desta feita uma etapa na Volta à Croácia.

  • 18º lugar no ranking World Tour com 290 pontos
  • 33 vitórias (7 no World Tour - 5 na Volta a França)
  • Mark Cavendish foi o ciclista com mais vitórias: 10 (4 na Volta a França)

Acabado aos 31 anos? Estaria a concorrência simplesmente a deixá-lo para trás? A resposta veio na Volta a França. Chris Froome ganhou, Peter Sagan foi a estrela do costume, mas Mark Cavendish foi uma das grandes figuras. Quatro vitórias de etapa, vestiu a camisola amarela que sempre tinha sido um dos objectivos da carreira e principalmente deixou a mensagem a Kittel, Greipel e aos restantes rivais: “Estou de volta!” Dez vitórias na temporada, o problema para a equipa é que apenas as da Volta a França davam pontos para o ranking World Tour. Com Stephen Cummings a também conquistar uma etapa na prova e com Boasson Hagen em destaque em corridas como o Critérium du Dauphiné, a Dimension Data pensava que estaria a ter um primeiro ano de World Tour muito positivo até que surge a mudança de regras para 2018.

A UCI anunciou que no próximo ano apenas daria licenças World Tour a 17 equipas. A Tinkoff e a IAM Cycling já tinham anunciado a despedida, o problema inesperado para a formação sul-africana é que a Bora-Hansgrohe (actual Bora-Argon 18) e a Bahrain-Merida estavam a fazer grandes contratações e a nível pontual ultrapassavam a Dimension Data que estava em último no ranking e com poucas possibilidades de sair dessa posição. Se cumprissem todos os requisitos, quem ficaria de foram seria a formação africana. A alteração das regras do jogo tão tarde na temporada deixou a Dimension Data sem tempo para recuperar. Somou 33 vitórias na temporada. Em qualquer circunstância seria considerada uma boa época, mas apenas oito dos triunfos foram em provas World Tour e com os ciclistas mais propensos em procurar vitórias do que em bons resultados nas classificações gerais, a equipa percebeu que estava com um problema grave.

Surgiram as críticas, as últimas de Mark Cavendish que disse não compreender como um 12º lugar na geral do Tour poderia valer o mesmo que as vitórias que a equipa tinha obtido nas etapas. A Associação Internacional de Equipas de Ciclismo Profissionais entrou em guerra com a UCI, a Dimension Data ameaçou levar o caso para a justiça, a Bahrain-Merida e a Bora-Hangrohe também, isto porque os regulamentos são dúbios e permitem diferentes interpretações. A Dimension Data considerava que com a desistência de duas equipas o seu lugar seria o 16º e não 18º, enquanto as novas candidatas defendiam que o que valia eram os pontos.

A UCI lá voltou a falar com a ASO (que organiza provas como o Tour e o Paris-Roubaix e que tem pressionado para mudanças, tendo dito que retiraria as suas corridas do World Tour se a UCI não fizesse alterações) e terá chegado a acordo para que as 18 equipas que pediram licença para o próximo ano a obtenham, se cumprirem todos os requisitos, independentemente dos pontos que tenham somado.

Um respirar de alívio para a Dimension Data que poderá assim continuar o seu crescimento sustentado e que tem permitido a equipa tornar-se numa referência, sendo um projecto que gera curiosidade para perceber até onde realmente os seus directores querem chegar.