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2 de agosto de 2018

"Podemos ganhar à W52-FC Porto"

Aleskandr Grigorev foi um daqueles nomes que fez levantar o sobrolho quando o Sporting-Tavira o anunciou como reforço. Um desconhecido que Vidal Fitas foi buscar a uma equipa russa Continental, os Russian Helicopters. Porém, rapidamente se percebeu que se estava perante um ciclista de muita qualidade. Com o passar da temporada foi demonstrando ser um excelente reforço e um dos melhores ciclistas que este ano se estrearam no pelotão nacional. Ganhou lugar entre as primeiras escolhas do director desportivo e na Volta a Portugal será um elemento importante para ajudar a equipa algarvia a medir forças com a W52-FC Porto.

O ciclista russo, de 26 anos, é uma das razões que faz com que se olhe para o Sporting-Tavira como um dos colectivos mais fortes de 2018. Soma seis vitórias, uma delas precisamente por intermédio de Grigorev (no conta-relógio do Grande Prémio Jornal de Notícias) e tem estado em crescendo com o passar dos meses. O objectivo é claro: levar Joni Brandão à vitória na Volta a Portugal, ainda que Alejandro Marque seja também uma hipótese e depois do que fez há um ano, Rinaldo Nocentini não deve ser menosprezado.

"Podemos ganhar à W52-FC Porto", assegurou ao Volta ao Ciclismo. Não esconde a ambição de poder um dia estar na luta por mais vitórias, mas nos próximos dias este será um Grigorev a pensar apenas no colectivo: "Quero trabalhar para os líderes, quero fazer as coisas bem para termos uma grande vitória." Só tem elogios para toda a equipa, destacando como ao longo do ano o Sporting-Tavira participa em boas corridas, algo que o deixa ainda mais satisfeito por ter aceite o desafio de vir correr em Portugal.

A sua integração foi tão célere que quase parece que há muito que corre na formação algarvia. Riu-se perante a afirmação e frisou: "Ainda estou a aprender." Mas lá confirma: "Está a correr bem. Tenho vontade de ganhar e quero vitórias no futuro. Agora estou a fazer a estreia na Volta a Portugal e será uma experiência muito boa."

O calor foi um assunto incontornável. Grigorev mostrou-se absolutamente calmo, recordando que vive no sul de Espanha e que, por isso, até está habituado ao tempo quente, ainda que ao ver que iria enfrentar 45 graus fê-lo perceber que não seria um dia fácil. Ainda assim, mantém sempre um discurso de enorme tranquilidade. Nem o calor, nem o estar numa equipa com responsabilidade de disputar a corrida mais importante para as formações portuguesas, nada parece perturbar Grigorev. "Sou uma pessoa tranquila. Há muitas corridas, para quê andar preocupado? A experiência está a correr bem. Mas claro que me preocupa estar bem para a ajudar a equipa", afirmou.

Grigorev começou a Volta a perder apenas nove segundos para Rafael Reis (Caja Rural) no prólogo de Setúbal, tendo esta quinta-feira chegado a Albufeira integrado no pelotão. É um ciclista de trabalho, sem dúvida, e certamente que Vidal Fitas e os líderes da equipa depositam muita confiança nele. E se for preciso assumir algo mais, Grigorev está a mostrar características que cada vez mais tendem a destacá-lo no pelotão nacional.


"Perdi alguma confiança, mas comecei a acreditar novamente em mim"

Fredrik Ludvigsson (à direita) está feliz na equipa norueguesa
 e admite não saber o que esperar da Volta a Portugal
De jovem promessa a apelar a um contrato no Twitter, depois de um acidente que lhe deixou marcas. 2016 será um ano Fredrik Ludvigsson não esquecerá. Foi um dos ciclistas da então Giant-Alpecin (actual Sunweb) que foi atropelado durante o estágio, antes do arranque de temporada, o mesmo que também deixou um John Degenkolb longe do ciclista que era antes do acidente. A época acabaria por não correr de feição para o sueco e aos 22 anos viu as portas do World Tour fecharem-se. Sem contrato, fez um pedido através da rede social, deixando o seu mail para ser contactado por eventuais interessados. Conseguiu continuar a carreira, mas Ludvigsson ainda não recuperou a confiança. Confessou como chegou a sentir receio de andar de bicicleta. Tem sido uma luta, mas não desiste e espera que a sua sorte possa mudar. Talvez na Volta a Portugal.

Tem agora 24 anos e para trás ficou a rápida ascensão ao topo mundial. Esteve na equipa de desenvolvimento da Giant-Alpecin em 2014, sendo chamado à principal na temporada seguinte. Não conseguiu comprovar as expectativas e aquele acidente não ajudou em nada (uma condutora estava em contra-mão quando atropelou vários ciclistas da equipa). Tem um irmão, Tobias, três anos mais velho, que está agora na Groupama-FDJ. Continuam a treinar juntos e tem sido um apoio importante nesta luta pessoal que Ludvigsson admitiu estar a viver nos últimos três anos. "Tinha medo de andar no pelotão. Perdi alguma confiança, mas comecei a acreditar novamente em mim. Procurei ajuda e espero que possa começar a ter mais sorte", afirmou ao Volta ao Ciclismo. Garantiu que não desiste, apesar de todos os azares que parecem persegui-lo: "Têm sido uns anos muito difíceis. Quedas, acidentes... mas continuo a lutar. Preciso de um pouco de sorte e espero que chegue em breve."

Quem sabe possa ser na Volta a Portugal. Apesar de ser um sueco, habituado a temperaturas mais amenas, demonstrou boa disposição perante as previsões de muito calor, recordando que no seu país até teve de enfrentar 31 graus na semana passada, algo pouco habitual no norte da Europa. Não serviu de estágio, pelo que Ludvigsson não sabe o que esperar de Volta, nem para ele, nem para os companheiros da Coop, equipa norueguesa do escalão Continental. "Ouço coisas doidas sobre esta corrida! Vamos tentar fazer algo bom. Mas não sei... Sabemos que será difícil, mas vamos lutar", assegurou. Um top dez ou top 20, ou então uma etapa. Ludvigsson afirmou que a equipa tem ciclistas de qualidade que podem alcançar resultados positivos.

A conversa decorreu antes de ter de enfrentar o calor intenso do sul do país. Ludvissong só esperava "não ser muito de doidos". Talvez tenha sido, pois no Twitter escreveu que bebeu 25 garrafas. Uma "loucura", disse.

Quando ficou sem contrato na Giant-Alpecin, foi a dinamarquesa Christina Jewelry-Kuma powered by Officine Mattio que lhe deu a oportunidade de prosseguir a sua carreira. Agora está na Coop e não perde a esperança de um dia regressar ao mais alto nível. "Sei que vai ser difícil, mas vou tentar."

Apesar de não saber o que esperar da Volta a Portugal, está contente por ter mais este desafio, referindo que vai enfrentar uns ciclistas portugueses que disse saber "que são muito rápidos nesta corrida". Ludvigsson terminou a primeira etapa integrado no pelotão, depois de ter perdido 12 segundos no prólogo para o camisola amarela, Rafael Reis (Caja Rural). E apesar de não puxar o protagonismo para si, poderá ser um dos ciclistas fortes da equipa para a geral. O sueco tem características para estar nessa luta, esperando então, que a sua sorte finalmente mude.

»»Ciclista do World Tour procura equipa para 2017 e faz apelo (quase desesperado) no Twitter««

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Calor roubou as atenções e fez a primeira vítima na Volta a Portugal

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Calor! Muito calor! Durante os últimos dias ouviram-se vezes sem conta as recomendações para as temperaturas altas que estão a afectar o país, depois de um Verão que estava a ser tão tímido, mas tão bom para o ciclismo. Uma dessas recomendações é de não fazer actividade física na rua. Ora, a Volta a Portugal não pára. Não pelo calor. Não é uma situação inédita em 80 edições e ao falar-se com vários dos ciclistas que se preparavam para partir para a primeira etapa, era quase desconcertante ver como todos falavam com naturalidade no que os esperavam. Desconcertante para quem vê de fora e que procura todas as sombras para atenuar os efeitos de um sol a ferver, pois para estes ciclistas de barba rija, foi apenas mais um dia de trabalho.

Foi preciso atravessar todo o Alentejo, desde Alcácer do Sal, até à meta em Albufeira, naquele que foi o regresso do Algarve à Volta, dez anos depois. O que vale é que a praia não estava longe no final da etapa! Com um dia assim, era quase difícil pensar apenas no ciclismo, pois a maior preocupação foi sempre com o estado de saúde dos 131 atletas. Um não resistiu e logo um candidato: Joaquim Silva, da Caja Rural.

Mesmo com o termómetro a variar apenas entre 40 graus e 40 e qualquer coisa, ainda assim, a etapa cumpriu os habituais requisitos. Houve uma fuga, o pelotão tentou andar um pouco mais descansado enquanto foi possível, até que foi necessário acelerar, apanhar um trio atrevido e confirmar as previsões de chegada ao sprint. Mas tem de se voltar ao calor. Joaquim Silva foi vítima disso mesmo. A equipa falou em desidratação, o colega, Rafael Reis, explicou que terá sofrido ainda uma paragem de digestão. Sofreu de problemas gástricos, não conseguia alimentar-se e de nada valeu a ajuda daquele que até vestia (e vai continuar a vestir) a camisola amarela, mas que não deixou o companheiro até este meter o pé no chão.

Joaquim Silva não resistiu. Abandonou. Perde a Caja Rural que ficou sem o seu líder para a geral, mas perde também a Volta a Portugal. Joaquim Silva tinha tudo para ser um dos animadores nas etapas de montanha. Agora há que recuperar e pensar na Vuelta. Os restantes ciclistas resistiram como puderam. O alemão Mario Vogt assumiu o protagonismo quando ficou sozinho na fuga. Até teve mais de cinco minutos de vantagem. O ciclista da Sapura Cycling lá foi ficando na frente à espera que o pelotão chegasse, aproveitando o protagonismo televisivo e para ser o líder da classificação da montanha.

Foi, sem surpresa, apanhado. Foi então que Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli), Pierpaolo Ficara (Amore & Vita-Prodir) e Jesse Ewart (Sapura Cycling) conseguiram isolar-se na frente, depois de várias tentativas de ciclistas para ganhar vantagem ao pelotão. O trio preocupou o suficiente para fazer a W52-FC Porto tirar a Caja Rural da perseguição, com a Efapel a ficar atenta.

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Nos últimos dez quilómetros dos 191,8, uma queda que afectou vários ciclistas, incluindo o regressado Joni Brandão (Sporting-Tavira). O sprint teve um João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) a arrancar cedo de mais. Que susto apanhou quando quase caiu a grande velocidade! Outros portugueses tentaram a vitória. Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) não escondeu a frustração de ter ficado tão perto, com César Martingil (Liberty Seguros-Carglass) a ser desta feita terceiro, depois do segundo lugar no prólogo. O vencedor foi o italiano Riccardo Stacchiotti, da equipa romena MSTina Focus. Foi claramente o mais forte e vestiu a camisola verde dos pontos. É a segunda vitória de Stacchiotti em Portugal, pois tinha ganho uma etapa no Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Martingil manteve a liderança na juventude e Rafael Reis chegou no pelotão, mantendo assim amarela, uma vez que nesta edição da Volta a Portugal não há bonificações.

Pode ver aqui as classificações completas.

Segunda etapa: Beja-Portalegre, 203,6 quilómetros

Espera-se que seja uma etapa um pouco à imagem da desta quinta-feira. Será a mais longa da Volta e sim, o calor promete roubar novamente parte das atenções.



1 de agosto de 2018

"Eu tentava e as coisas não resultavam. Agora estão a começar a melhorar"

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
E tudo mudou em dois prólogos! Rafael Reis voltou a sorrir. Foram semanas e semanas em que nada parecia sair bem. O ciclista português nem parecia o mesmo. Mas as sensações foram melhorando e na melhor altura da época, eis que surgem as vitórias. Se no Troféu Joaquim Agostinho já tinha sido importante, vencer na Volta a Portugal, vestir mais uma vez a camisola amarela e, ainda mais, perto de casa (é de Palmela)... dizer que tem um sentimento especial é pouco.

Com a Vuelta a 25 dias de distância, regressar aos triunfos nesta altura poderia ser decisivo no momento de ser escolhida a equipa que estará na última grande volta do ano, mas o ciclista não faz parte da pré-selecção. Manter a amarela torna-se agora num objectivo, ainda que o ciclista saiba que acabará por ter de pensar noutros planos e quem sabe passará por ajudar o compatriota e colega Joaquim Silva. "A Caja Rural não está aqui para passear" garantiu. "Temos uma equipa forte, com muitos trepadores. Só eu e o [Josu] Zabala é que somos piores na montanha. Estamos aqui para fazer um bom resultado", acrescentou ao Volta ao Ciclismo.

Confrontado com aquele ciclista mais triste que se viu durante algum tempo, Rafael Reis desabafou: "É normal. Se as coisas não correm bem, não podemos andar bem. Eu tentava e as coisas não resultavam. Havia qualquer coisa que eu não estava a fazer bem. Agora estão a começar a melhorar. Acho que estou no caminho certo. Já me estava a sentir melhor [antes do Troféu Joaquim Agostinho]. Já ali tinha ganho [no Turcifal]. Foi um alívio bastante grande." Considera importante realizar uma boa prestação na Volta a Portugal, pelo que podem contar com Rafael Reis para lutar até onde puder pela manutenção da amarela.

Em 2016, foi em Oliveira de Azeméis que alcançou o mesmo feito, então ao serviço da W52-FC Porto. É um especialista em prólogos e a Vuelta abre com um contra-relógio de oito quilómetros em Málaga... Mas agora há que pensar numa corrida que já conhece, tal como acontece com Joaquim Silva, mas ri-se quando se refere que também conhece bem a equipa que tem dominado a competição nos últimos cinco anos, a W52-FC Porto. Se haverá uma vantagem nesse factor ou não, os próximos dias o dirão, mas a motivação está em alta.

Sobre a temporada o ciclista explicou como "a preparação foi bastante diferente." "No ano passado fiz altitude e não me acertei muito bem. Este ano, [a treinar] em casa tenho estado melhor, mesmo na montanha", contou.

A quase surpresa que quer ser a concorrência de Rafael Reis

O prólogo de apenas 1,8 quilómetros em Setúbal potenciava outro tipo de ciclistas, além dos especialistas em contra-relógio. César Martingil mostrou isso mesmo. Esteve muito tempo sentado na cadeira de líder, com a Liberty Seguros-Carglass a ter ficado a apenas dois segundos de uma vitória que teria sido histórica. É o primeiro ano da equipa como Continental, ainda que seja sub-25. É uma formação muito jovem e um triunfo e a camisola amarela teria sido um início de sonho. Rafael Reis não deixou, mas o discurso de Martingil foi que iria tentar a amarela já esta quinta-feira, na chegada a Albufeira.

Daniel Mestre (Efapel, ficou a três segundos), Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista, a quatro) ou João Matias (Vito-Feirense-BlackJack, a quatro) serão outros três ciclistas com a mesma ambição, antes da montanha mais difícil começar a aparecer a partir de sábado.

O vencedor de 2017, Raúl Alarcón (W52-FC Porto), ficou a nove segundos de Rafael Reis, com a maioria dos candidatos à geral a ficarem dentro da margem de 10 segundos. O ciclista da Caja Rural cumpriu a distância em 2:18, minutos, com uma média de 47 quilómetros/hora.

Esta quinta-feira é tempo de pedalar para o Algarve pela primeira vez na Volta em 10 anos. Albufeira irá receber o final da segunda etapa mais longa da corrida, 191,8 quilómetros, que começam em Alcácer do Sal às 12:45. A chegada está prevista para cerca das 17:30, com as temperaturas a poderem ultrapassar os 40 graus em certas zonas do sul do país.

Pode ver aqui as classificações completas do prólogo.


Nota: O texto foi corrigido para incluir a notícia que Rafael Reis não está na lista de pré-seleccionados da Caja Rural para a Vuelta. Aquando da entrevista ainda não era conhecida.

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"O nível da Volta a Portugal continua muito alto"

É um rosto conhecido, ainda que se mantenha longe dos holofotes. Já lá vão alguns anos, mas David Bernabéu mantém uma ligação a Portugal depois de por cá ter conquistado duas das grandes vitórias da sua carreira. Em 2004 venceu o Troféu Joaquim Agostinho e a Volta a Portugal. Agora prepara-se para vestir os vencedores da corrida que não hesita em considerar que é mesmo a Grandíssima. O espanhol é o representante da marca GSport, que nesta edição irá equipar aqueles que vestirem as camisolas de líderes das diferentes classificações.

A marca surgiu no país na Volta ao Alentejo e a aposta no mercado português tem agora a corrida de maior projecção no país. "É uma forma muito boa entrar no mercado, mas é necessário ir passo passo", referiu o antigo ciclista, que quer nos próximos dias que todos fiquem satisfeitos com os equipamentos.

O ciclismo profissional há muito que ficou para trás e agora limita-se a alguns passeios de bicicleta ao fim-de-semana. Vai seguindo o que se passa em Portugal, ainda que não com a atenção de outrora. Porém, salienta como "o nível da Volta continua muito alto". Bernabéu vestia as cores da Milaneza-Maia no ano em que a conquistou. Era uma equipa com ciclistas que marcaram uma era no ciclismo nacional, casos de Rui Sousa e Hugo Sabido. Vítor Gamito era a principal figura, havendo ainda um jovem chamado Bruno Pires, que viria a competir no World Tour.

Bernabéu considera que apesar de naquela altura até poderem existir mais equipas, o ciclismo português sempre foi demonstrando que tinha qualidade a vários níveis. "Vemos como nas grandes formações há ciclistas ou membros no staff que são portugueses. Para um país tão pequeno, há muita qualidade e muita tradição nesta modalidade", realçou.

Mas falemos da Volta, pois atrás de Bernabéu estavam as camisolas que vão estar em disputa. "As protagonistas vão ser as equipas portuguesas, como sempre, sejam com ciclistas portugueses ou espanhóis", afirmou ao Volta ao Ciclismo. No entanto, considera que a W52-FC Porto possa não estar tão forte como em edições anteriores, ainda que continue a ser a principal referência e candidata a mais uma vitória.

Apesar de considerar que ganhar um ciclista "da casa" é sempre mais interessante para as formações nacionais, recordou que como espanhol a correr cá, sentiu-se "meio português", algo que acredita que continua a acontecer. E esta forte presença espanhola nas equipas nacionais que faz com que no país vizinho, haja um grande interesse na Volta a Portugal. "É pena que as televisões não sigam mais. Há muitos espanhóis aqui e por isso há muito interesse. Os ciclistas conhecem muito bem a Volta. Quando corri aqui não era bem assim", contou.

Aos 43 anos ri-se quando questionado se voltaria a competir, como Vítor Gamito fez há quatro anos, sensivelmente com a mesma idade que agora Bernabéu tem. "Gosto de andar de bicicleta para passear!" O tempo é outro, de preparar as camisolas e garantir que a marca que agora representa possa ganhar força em Portugal. "Não há melhor montra possível do que a Volta", garantiu.

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31 de julho de 2018

Ambição e convicção. Adversários querem fazer a W52-FC Porto suar

(Fotografia: © PODIUM/Paulo Maria)
O calor não quis faltar à Volta a Portugal, mas a W52-FC Porto vai suar também pela concorrência que irá enfrentar. Pelo menos é isso que alguns dos adversários pretendem fazer e assim ameaçar um domínio que dura há cinco anos e cujas expectativas até apontam para que continue. Não há dúvidas que Nuno Ribeiro tem um plantel que permite poder substituir alguém sem perder rendimento, mas o Sporting-Tavira surge este ano mais forte, ainda que não esteja só no desafio de tentar acabar com uma hegemonia que parece intocável.

A sensação que seja qual for a acção nas etapas, no final ganha a W52-FC Porto é enorme. Apesar de quase todas as equipas nacionais já terem celebrado vitórias, é a do Sobrado que tem uma lista impressionante de troféus. São dez triunfos, só para referir etapas ou classificações gerais. Se juntarmos os restantes prémios em disputa, então o número sobe para 27 (pode ver aqui as vitórias das equipas Continentais portuguesas). E só para que ninguém tivesse dúvidas do poderio antes da Volta, a W52-FC Porto ganhou em Julho o Troféu Joaquim Agostinho (por José Neves, que não foi chamado para a Volta) e o Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Neste último foi Raúl Alarcón a passar uma mensagem importante.

O espanhol vem de um ano complicado, com uma queda em Abril a limitar-lhe uma fase da época na qual esteve muito forte em 2017. Parte como o natural favorito, afinal é o campeão em título. Porém, a grande questão não deixa de ser com quem é que a W52-FC Porto irá atacar a corrida. Gustavo Veloso ainda procura aquele ambicionado terceiro triunfo, enquanto António Carvalho está à espreita de uma oportunidade. Ricardo Mestre e Rui Vinhas podem ser vistos mais como gregários, mas sabem o que é ganhar a Volta e César Fonte está a ter uma época de grande nível. João Rodrigues é o nome que para já não surge como possível ameaça. Mas Rui Vinhas também não o era em 2016!

Um pormenor a ter em conta é que haverá menos um ciclista por equipa. Serão sete e não oito. Viu-se como nas grandes voltas, reduzir de nove para oito pouco ou nada incomodou a Sky. Respeitando as devidas diferenças, a ver vamos se menos um ciclista poderá fazer alguma diferença na Volta a Portugal. Será mais difícil de controlar? É esse um dos aspectos que um Sporting-Tavira ou Aviludo-Louletano-Uli poderão explorar.

Joni Brandão está de regresso depois de um problema de saúde o ter afastado da última edição. Pode-se mesmo dizer que é um reforço de luxo. Na formação de Loulé, a situação de Vicente Garcia de Mateos parece que não fez tremer a confiança. O espanhol esteve suspenso devido a questões com o passaporte biológico, mas o Tribunal Arbitral do Desporto levantou-lhe a sanção. Mateos foi terceiro há um ano e quer agora ganhar. Ao seu lado terá um Luís Mendonça que tem sido uma das sensações de 2018. Venceu a Volta ao Alentejo e chega à "Grandíssima" com uma enorme vontade de se mostrar, depois de há um ano ter sido afastado ao ser agredido por um condutor, durante um treino.

Daniel Silva regressou à Rádio Popular-Boavista para se juntar a João Benta. Ambos olharão para a geral, enquanto o campeão nacional de contra-relógio e estrada, Domingos Gonçalves, vai à caça de etapas. A Efapel também joga com duas cartas: Sérgio Paulinho e Henrique Casimiro, enquanto pode-se esperar muito trabalho para ajudar Daniel Mestre a ganhar uma etapa que lhe escapou em 2017. Quanto à Vito-Feirense-BlackJack, Edgar Pinto espera que os azares o tenham deixado de vez e João Matias quer uma etapa, depois de há um ano ter sido uma revelação. Andou vários dias de camisola azul, ainda que a montanha não seja a sua especialidade.

E irá alguém fazer abanar a W52-FC Porto? A ambição está lá e a qualidade de muitos ciclistas também. Há quem não esconda alguma convicção que tal poderá mesmo acontecer. Ficaremos à espera, pois todo o espectáculo é bem-vindo.

Não vamos esquecer as três equipas Continentais sub-25, que têm muitos jovens estreantes e que vão ter um papel importante na corrida. Será um teste de fogo para todos, pelo que o principal objectivo é que ganhem experiência e, se possível, colocar alguém na luta pela classificação da juventude, Claro que entrar em fugas estará na mira, pois nunca se sabe se uma etapa poderá entrar nos planos. A Liberty Seguros-Carglass, Miranda-Mortágua e LA Alumínios trazem à Volta a Portugal algo que escasseou em 2017: jovens talentos portugueses. Faziam falta mais e aí estão eles, numa corrida que certamente não esquecerão.

O mundo em Portugal

Verificou-se algumas alterações quanto às equipas estrangeiras inicialmente previstas aquando da apresentação do percurso, há um mês. A espanhola Burgos-BH de José Mendes, a australiana St George e a belga Tarteletto Isorex não estarão presentes, mas temos a inclusão de uma formação malaia, a Sapura Cycling. Do escalão Profissional Continental teremos a Caja Rural, com Joaquim Silva (atenção a este antigo ciclista da W52-FC Porto) e Rafael Reis (também ele ex-azul e branco), que irá apostar forte no contra-relógio desta quarta-feira em Setúbal, não estivesse ele praticamente a correr em casa (é de Palmela). Juntam-se ainda a Israel Cycling Academy - que não trouxe o vencedor da juventude de 2017, o letão Krists Neilands -, a belga WB Aqua Protec Veranclassic e a espanhola Euskadi Basque Country Murias.

Do escalão Continental, além da equipa da Sapura Cycling, teremos da Albânia a Amore & Vita-Prodir, a Team Ecuador (não terá certamente problemas com o calor previsto para os próximos dias), a norueguesa Team Coop - que conta com um ciclista que já passou pela então Giant-Alpecin, Fredrik Ludvigsson -, a romena MSTina Focus - que tem Frederico Zurlo, antigo companheiro de Rui Costa na UAE Team Emirates - e a luxemburguesa Differdange Losch.

E para começar...

Para decidir o primeiro camisola amarela, os 131 ciclistas terão de cumprir 1,8 quilómetros em Setúbal. Vai saber a pouco, mas não faltam quilómetros para percorrer nos dias seguintes. É a estreia da cidade sadina a receber o início da Volta e além de Rafael Reis, Domingos Gonçalves estará desejoso de vestir uma camisola que há um ano o francês Damien Gaudin lhe tirou por apenas dois segundos. Porém, este é um contra-relógio que não é só para os especialistas. É muito explosivo, nada técnico, pelo que poderá haver alguma surpresa no primeiro vencedor.

Na quinta-feira teremos a segunda etapa mais longa: 191,8 quilómetros entre Alcácer do Sal e Albufeira, no regresso do Algarve à Grandíssima. Depois segue-se a mais longa: 195,3 entre Beja e Portalegre. E domingo é dia de subir à Torre e depois ainda ter de enfrentar a subida das Penhas da Saúde, que de fácil nada tem. Grande etapa em perspectiva.

Gonçalo Leaça (LA Alumínios) será o primeiro a sair para o contra-relógio às 15:18 e Raúl Alarcón fechará o prólogo ao partir às 17:28.


27 de julho de 2018

Joni Brandão empata com Domingos Gonçalves antes do arranque da Volta a Portugal

Com a corrida por que todas as equipas portuguesas mais esperam a poucos dias de começar, Joni Brandão tem no ranking nacional mais uma prova de como a sua regularidade em 2018 o coloca como um dos candidatos a lutar pela Volta a Portugal. O difícil 2017 está definitivamente no passado e o ciclista do Sporting-Tavira aproveitou um mês de descanso por parte de Domingos Gonçalves para apanhar o corredor da Rádio Popular-Boavista no topo do ranking nacional.

Está a ser uma temporada muito positiva para a equipa algarvia de Vidal Fitas. Sem os problemas de saúde de Joni Brandão e também com as lesões a não afectarem tanto o Sporting-Tavira, a formação está muito mais competitiva e com enorme ambição para rivalizar com a W52-FC Porto. Apesar de um mês em que conquistou o Troféu Joaquim Agostinho (José Neves) e o Grande Prémio de Portugal Nacional 2 (Raúl Alarcón), ainda assim não conseguiu ultrapassar o Sporting-Tavira, com apenas 51 pontos a separá-las.

Quanto a Joni Brandão, está em igualdade pontual com o campeão nacional de estrada e contra-relógio (597), mas com as vitórias a permitirem Domingos Gonçalves ser o primeiro classificado. Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) é terceiro, sendo mais um dos ciclistas em destaque esta temporada, principalmente com a excelente vitória na Volta ao Alentejo.

Quanto aos sub-23, o critério de desempate permite ao espanhol Xuban Errazquin (Vito-Feirense-BlackJack) ser o líder, mas Francisco Campos (Miranda-Mortágua) está em igualdade pontual (81).

A Volta a Portugal tem um enorme peso no ranking nacional elaborado pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais. A corrida começa em Setúbal na próxima quarta-feira, com Fafe a receber o grande final no dia 12 (domingo).

Ranking individual

1º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 597 pontos
2º Joni Brandão (Sporting-Tavira), 597
3º Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), 444
4º César Fonte (W52-FC Porto), 376
5º Daniel Mestre (Efapel), 355
6º Óscar Hernandez (Aviludo-Louletano-Uli), 335
7º Mario Gonzalez (Sporting-Tavira), 323
8º Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), 321
9º Henrique Casimiro (Efapel), 311
10º José Neves (W52-FC Porto), 291

Ranking equipas

1ª Sporting-Tavira, 1474 pontos
2ª W52-FC Porto, 1423
3ª Rádio Popular-Boavista, 1150
4ª Efapel, 1108
5ª Aviludo-Louletano-Uli, 1106
6ª Vito-Feirense-BlackJack, 638
7ª Miranda-Mortágua, 235
8ª Liberty Seguros-Carglass, 129
9ª Fortunna-Maia, 35
10ª Jorbi-Team José Maria Nicolau, 7

Pode ver aqui os resultados das equipas de elite portuguesas e o ranking nacional mais pormenorizado.


29 de junho de 2018

"Esta Volta a Portugal promete"

Se lhe chamam de Grandíssima, então que assim seja. A Volta a Portugal de 2018 terá um percurso de maior dureza, comparativamente com edições recentes, tanto nas etapas de montanha, como naquelas mais planas. Tendo em conta que estas incluem uma viagem ao sul do país, o calor poderá deixar logo as suas marcas nos ciclistas nos primeiros quilómetros de uma corrida que celebrará os 40 anos desde que a Senhora da Graça recebeu pela primeira vez o final de uma etapa da Volta. Por isso, O Monte Farinha surgirá no penúltimo dia da corrida, ou seja, num sábado, num regresso ao fim-de-semana, depois de há um ano ter sido uma tirada durante a semana. "Usamos sempre a velha máxima que quem faz a dureza dos percursos são os corredores. No entanto, perante o que nos é apresentado, a Volta é realmente dura. Acho que é mais difícil do que as últimas edições", salientou Marco Chagas.

O arranque da contagem decrescente, por assim dizer, começou um pouco acidentado. A apresentação acabou por não se realizar devido a um problema eléctrico no Teatro Thalia, em Lisboa. Mas nem por isso se deixou de saber os pormenores que faltavam da Volta a Portugal, que irá disputar-se de 1 a 12 de Agosto.

Marco Chagas é uma figura incontornável do ciclismo nacional. Além de saber o que é ganhar a Volta, tornou-se numa das vozes da corrida através dos comentários na RTP. Ao Volta ao Ciclismo deixou alguns destaques sobre o percurso e também sobre as equipas.

Para o antigo ciclista, se o calor de Agosto aparecer em todo o seu esplendor, as primeiras etapas "vão deixar muita gente, principalmente os estrangeiros, 'amassados'". Quando o pelotão começar a rumar a norte, a dureza da montanha vai fazer-se sentir: "Este ano tem ainda a particularidade da dureza ir até ao fim porque na véspera do contra-relógio final, pelo que me é dado saber, há uma subida que nem conheço e são subidas muitas duras, todas concentradas naquele dia, com a Senhora da Graça a acabar. O contra-relógio final também não é nada fácil. Em Fafe, plano não será com certeza!"

Serão 155,2 quilómetros de grande dificuldade na nona etapa. Se as três contagens de montanha de primeira categoria "só" aparecem na segunda metade da tirada, os primeiros quilómetros serão logo marcados por muito sobe e desce antes da ascensão ao Alto da Barra. Um dos destaque vai para a referida nova subida, que ligará a aldeia de Ermelo à aldeia de Barreiro, antes da descida que irá levar até à sempre muito aguardada subida do Monte Farinha. Se a Senhora da Graça já é das etapas que mais pessoas leva à rua para apoiar o pelotão, sendo um dia que pode ser determinante para a geral, o ambiente deverá ser de arrepiar!



A Senhora da Graça e as dificuldades até lá chegar na véspera do contra-relógio de Fafe serão uma enorme contribuição para aumentar o espectáculo da corrida. Porém, Marco Chagas considera que o regresso das Penhas da Saúde também é para ter em conta, mesmo que se continue sem um final na Torre. "Durante muitos anos não houve chegada à Torre. Fiz 14 Voltas e nunca houve chegada à Torre. As Penhas da Saúde são um lugar que em termos de beleza é melhor do que a Torre, que não deixa de ser um mítica, até por ser o ponto mais alto. Subindo pela Covilhã... vai ser um final de etapa muito duro", garantiu.

Se poderá haver tentação de chamar etapa rainha à da Senhora da Graça, esse estatuto pertence à quarta tirada, precisamente aquela que terminará nas Penhas da Saúde, no domingo, 5 de Agosto. É fácil perceber porquê. Tanto a última ascensão, como a passagem pela Torre serão de categoria especial. E claro, estamos em Portugal. A aproximação à Torre poderá provocar muitos problemas, ainda mais se alguma equipa apostar num ritmo alto.



Já eram conhecidos os locais de partida inaugural e da chegada decisiva da Volta a Portugal, com Setúbal e Fafe a serem estreantes nesse estatuto. Também Sernancelhe irá ser uma estreia, mas neste caso como fazendo parte da corrida, na sexta etapa. Antes, na terceira, os 175,9 quilómetros que ligarão Sertã a Oliveira do Hospital serão uma forma de não deixar esquecer o que aconteceu naquela zona do país, tão afectada pelos trágicos incêndios de 2017. A "Etapa Vida" terá a presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na caravana. Serão cinco contagens - duas de quatro, duas de terceira e uma de segunda - num dia em que uma desatenção ou alguma fraqueza poderá custar tempo a algum candidato. Nas duas primeiras etapas haverá então uma viagem para sul, com Alcácer do Sal e Albufeira (o regresso do Algarve à Volta dez anos depois) e Beja-Portalegre a receberem o pelotão.

O dia de descanso será a 7 de Agosto (terça-feira) e atenção que o regresso é na referida etapa de Sernancelhe. Nos 165,4 quilómetros até Boticas haverá três contagens de montanha de terceira categoria, antes de uma primeira em Torneiros. Pelo meio, haverá mais subidas que não estão categorizadas.

"Esta Volta a Portugal promete", considera Marco Chagas e analisando o perfil é difícil discordar. Agora falta saber se uma maior dureza do percurso, significará um maior equilíbrio na luta pela vitória.

"Sporting e Porto, bem à maneira do futebol serão os grandes adversários"


(Fotografia: João Fonseca)
A W52-FC Porto soma cinco vitórias consecutivas (nem sempre com este nome), com quatro ciclistas diferentes: Alejandro Marque, Gustavo Veloso (duas vezes), Rui Vinhas e Raúl Alarcón. Para Marco Chagas não parece haver grandes dúvidas que a discussão será entre as equipas portuguesas, apesar de estarem previstas cinco do escalão Profissional Continental, com uma forte presença espanhola, além de formações Continentais da Austrália, Albânia, Equador e até da Roménia, por exemplo.

"A discussão será novamente entre as nossas. Talvez haja mais equilíbrio. O Sporting-Tavira tendo o Joni Brandão é uma equipa mais consistente. A W52-FC Porto continua a ser muito boa, se calhar a principal favorita, com mais do que um candidato. A Aviludo-Louletano-Uli tem apresentado bons resultados. O Luís Mendonça evoluiu e ganhou a Volta ao Alentejo, mas não sei se resistirá à dureza [do percurso]. No entanto, Vicente Garcia de Mateos [terceiro classificado em 2017] já está num patamar que se pode considerar que é um favorito para ganhar a Volta", explicou Marco Chagas.

Elogiou ainda a qualidade da Rádio Popular-Boavista do professor José Santos, assim como a capacidade de Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), desde que consiga escapar a mais azares. Quanto à Efapel, o antigo ciclista vê difícil uma possível vitória na Volta: "O David Arroyo poderá ser uma ajuda fundamental nas etapas de montanha, mas não sei até que ponto irá permitir [à equipa] ganhar a Volta a Portugal. A Efapel vai certamente discutir muitas etapas, fazer coisas bonitas, mas será complicado."

Não querendo excluir nenhuma possibilidade de alguém disputar a Volta, Marco Chagas acredita, ainda assim, que a principal luta poderá muito bem ser entre Sporting e Porto. "Bem à maneira do futebol serão os grandes adversários", afirmou.

A nova experiência de muitos jovens

A subida da Liberty-Seguros, Miranda-Mortágua e LA Alumínios ao escalão Continental (ainda que sendo sub-25) irá permitir que este ano estejam mais portugueses na luta pela classificação da juventude. Será certamente um dos objectivos. "Esse é uma aspecto a ter em conta. Uma nova fase do ciclismo. Mesmo que tenhamos gente a passar mal - acredito que haverá muitos abandonos -, a perder muito tempo, haverá ciclistas com qualidade superior que, mesmo com a dureza da Volta, vão estar lá", realçou Marco Chagas. E acrescentou: "Os mais novos, vão ter uma nova experiência. Para quem inicia a carreira, mesmo tendo muita qualidade, pode ser um choque [dada a dificuldade do percurso]. Normalmente os corredores que ali estão, têm já uma boa experiência, mas não na Volta a Portugal."

Agora é esperar pelo arranque da corrida que as equipas portuguesas mais ambicionam todo o ano e ver se Raúl Alarcón repete o triunfo ou se haverá um sucessor. A Volta a Portugal de fácil nunca tem nada, mas a 80ª edição tem desde logo ingredientes no percurso para proporcionar um bom espectáculo de ciclismo. Além das nove equipas portuguesas, estão previstas 12 estrangeiras. Do escalão Profissional Continental: WB Aqua Protec Veranclassic (Bélgica), Israel Cycling Academy (Israel), Euskadi Basque Country-Murias (Espanha), Caja Rural-Seguros RGA (Espanha) - conta com os portugueses Rafael Reis e Joaquim Silva - e Burgos-BH, com José Mendes. As Continentais são: St George (Austrália), Movistar Ecuador (Equador), COOP (Noruega), Tarteletto Isorex (Bélgica), Differdange-Losch (Luxemburgo), Amore & Vita-Prodir (Albânia) e MSTina Focus (Roménia).

Relativamente às do segundo escalão, será o regresso da Israel Cycling Academy, que no ano passado venceu a classificação da juventude com Krists Neilands e que este ano esteve na Volta a Itália. As espanholas são presença habitual, ainda que a Euskadi Basque Country-Murias e a Burgos-BH eram até ao ano passado do nível Continental. Já a belga WB Aqua Protec Veranclassic é uma equipa que se vê muito na primeira fase da temporada, durante as clássicas.

Aqui ficam as etapas da 80ª edição, que pode ver neste link ao pormenor.

➠ Prólogo (1 de Agosto): Setúbal-Setúbal (contra-relógio), 1,8 quilómetros
➠ Etapa 1 (2 de Agosto): Alcácer do Sal-Albufeira, 191,8 quilómetros
➠ Etapa 2 (3 de Agosto): Beja-Portalegre, 195,3 quilómetros
➠ Etapa 3 (4 de Agosto): Sertão-Oliveira do Hospital, 175,9 quilómetros
➠ Etapa 4 (5 de Agosto): Guarda- Covilhã (Penhas da Saúde), 171,4 quilómetros
➠ Etapa 5 (6 de Agosto): Sabugal-Viseu, 191,7 quilómetros
➠ Etapa 6 (8 de Agosto): Sernancelhe-Boticas, 165,4 quilómetros
➠ Etapa 7 (9 de Agosto): Montalegre-Viana do Castelo (Santa Luzia), 165,5 quilómetros
➠ Etapa 8 (10 de Agosto): Barcelos-Braga, 147,6 quilómetros
➠ Etapa 9 (11 de Agosto): Felgueiras-Mondim de Basto (Senhora da Graça), 155,2 quilómetros
➠ Etapa 10 (12 de Agosto): Fafe-Face (contra-relógio), 17,3 quilómetros

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6 de junho de 2018

Volta a Portugal faz jus ao nome

O Algarve está de regresso à Volta a Portugal. Foi preciso esperar dez anos, mas o sul do país fará parte do percurso da 80ª edição, com o Alentejo como ponto de partida, mais precisamente Alcácer do Sal, e com Albufeira à espera do pelotão para o final da primeira etapa, no dia 2 de Agosto. A logística irá obrigar a um trabalho extra, visto que se estará em plena época alta, com Albufeira a ser dos locais mais procurados nessa altura do ano, tanto por portugueses, como estrangeiros. No entanto, há muito tempo (demasiado) que a Volta estava "presa" ao centro e norte do país, pelo que este regresso não só é bem-vindo, como ainda agora se confirmou e já se fala do desejo de repetir noutras edições.

É preciso recuar a 2008 para ver o Algarve na principal corrida para o pelotão nacional. Então, Portimão recebeu o prólogo e o arranque da primeira etapa. Durante este hiato, a região viu a sua própria corrida consolidar-se como uma de referência internacional. A Volta ao Algarve é a prova portuguesa com categoria mais alta na UCI (2.HC) e chama muitas das grandes figuras do pelotão mundial. A Volta a Portugal (2.1) continua a ser a "Grandíssima" e aquela que todas as equipas lusas apontam a temporada.

Joaquim Gomes, director da corrida, admitiu que esta ausência do Algarve foi "manifestamente longa", ainda mais tendo em conta que duas das equipas de elite nacionais são daquela zona do país: Sporting-Tavira e Aviludo-Louletano-Uli. "Com algum esforço e grande disponibilidade das autarquias, encontrámos uma solução muito interessante, que faz com que a Volta de 2018 seja, dos últimos anos, aquela com a maior mancha de cobertura no território nacional", afirmou o responsável.

Carlos Silva e Sousa foi um dos precursores deste regresso. O presidente da Câmara Municipal de Albufeira - que esteve também muito ligado à presença da Volta ao Algarve na sua terra -, morreu em Fevereiro, mas o seu sucessor, José Carlos Rolo, manteve vivo o projecto, agora concretizado.

Aquando da atribuição à Podium para continuar a organizar a Volta a Portugal - houve um concurso no ano passado, na qual a empresa foi a única a apresentar uma proposta e ficará com a prova até 2025 -, um dos objectivos da Federação Portuguesa de Ciclismo era que a corrida visitasse mais regularmente todas as regiões do país, de norte a sul, este a oeste. O presidente, Delmino Pereira, referiu isso mesmo durante a apresentação da primeira etapa que decorreu esta quarta-feira, precisamente em Albufeira: "Não sendo possível a Volta a Portugal cobrir todo o território em cada edição é vital que a esta competição visite todas as regiões de forma regular."

Com passagens em Grândola, Santiago do Cacém e Odemira, a presença do Alentejo fica reforçada, sendo também uma região que conta com uma das principais corridas, este ano ganha por Luís Mendonça, da Aviludo-Louletano-Uli. No dia seguinte, o pelotão arrancará de Beja.

A primeira etapa da "Grandíssima" terá 191,8 quilómetros e três contagens de montanha de quarta categoria.


Para o Algarve e para a própria Volta, que se quer que seja de todo o Portugal (Continental, pelo menos), terminar uma etapa em Albufeira, na Avenida dos Descobrimentos, é uma vitória para a região. José Carlos Rolo espera que não seja uma situação passageira e que o sul não fique novamente fora do percurso nos próximos anos. O autarca desafiou outros municípios a mostrarem a ambição de receber a corrida. O investimento de Albufeira será de cerca de 75 mil euros, com o retorno mediático esperado a rondar os 90 mil nos concelhos por onde a prova passar.

Seria bem interessante o Malhão ou a Fóia fazerem um dia parte da Volta... Mas, para já, será uma etapa mais plana, dentro do possível em Portugal. Será a segunda vez que Albufeira marca presença na Volta. A primeira foi em 2003, quando foi local de partida para a primeira tirada, que terminou em Tavira e teve Cândido Barbosa como vencedor.

Relativamente à logística, será acautelada a questão das dormidas e também do encerramento das estradas para passar o pelotão e caravana da Volta. Joaquim Gomes explicou que apenas os funcionários que terão de montar as estruturas necessárias irão pernoitar na zona. No dia seguinte a etapa começa em Beja, pelo que a escolha de hotéis será mais a meio caminho ou mesmo perto da cidade alentejana. As estradas escolhidas não incluem a Nacional 125, evitando assim sobrecarregar ainda mais um trânsito sempre muito intenso e ainda mais em Agosto.

Aos poucos vai-se abrindo o livro sobre o percurso da 80ª edição da Volta a Portugal. O regresso do Algarve foi uma boa notícia, tal como o inédito final em Fafe, uma região que chama sempre multidões, seja para o ciclismo, seja para o automobilismo! Setúbal estará no mapa para a partida da corrida, com o prólogo. A terceira tirada também já é conhecida. Será a Etapa Vida. Os 175,9 quilómetros entre Sertã e Oliveira do Hospital, contarão com passagens em Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra, Lousã, Góis e Tábua, todas zonas muito afectadas pelos incêndios de 2017. Neste dia, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa estará presente na caravana.

A Volta a Portugal realiza-se de 1 a 12 de Agosto.

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27 de maio de 2018

"Se estiver nas condições do ano passado, acredito que posso vencer uma etapa e até a Volta"

É difícil imaginar que um ciclista que esteve tão bem na Volta a Portugal, no ano passado, tinha pensado várias vezes durante a época em desistir. Aconteceu com António Carvalho, um dos principais corredores portugueses no pelotão nacional e que mostrou que até poderia ter condições para discutir a corrida se assim se tivesse proporcionado. Um ano depois tudo está diferente. O ciclista da W52-FC Porto está feliz e motivado. Nem os consecutivos azares que o têm perseguido em 2018 o desmoralizam. Recusa em assumir-se como líder da equipa na Volta, mas não esconde que está preparado para o fazer se assim se proporcionar. Vencer? Porque não!

Numa altura em que vai arrancar uma fase com algumas das corridas mais importantes para as equipas portuguesas, António Carvalho espera que a sua sorte mude: "É uma questão que tenho abordado com as pessoas que me são mais chegadas e colegas de equipa. Tenho tido muito azar. Já foram mais de dez vezes este ano!" O ciclista de 28 anos brinca dizendo que se tiverem de acontecer azares - e os furos não o largam -, então que seja agora, para que possa chegar à Volta a Portugal sem surpresas que lhe estraguem a prova. Por isso, com tantos azares, a época tem sido discreta, mas a sua voz exalta a confiança de quem reencontrou o prazer de ser ciclista. "Foi o ano que me apliquei mais no Inverno. Por norma deixo-me engordar 12, 14, 16 quilos e este ano só engordei seis quilos", contou ao Volta ao Ciclismo. Outra das razões que o levam a não ter resultados de nota nesta altura da época é porque a preparação foi apontada mais para o que aí vem no calendário.

A questão do peso leva-o a admitir que em 2017 estava a perder a vontade de continuar uma carreira que se augura que venha a contar com muitas grandes vitórias. "Para ser sincero, as coisas não me estavam a correr bem e eu quando algo não me corre bem viro-me muito para o comer. Um dos meus maiores prazeres é cozinhar e principalmente pastelaria. Gosto muito de fazer bolos. Cheguei a um ponto que só me apetecia fazer bolos. Não me apetecia treinar, só me apetecia comer bolos", confessou. Recuperou a forma física a tempo de ser uma importante figura na vitória de Raúl Alarcón, terminando na sexta posição. Até poderia ter sido melhor, mas manteve-se leal a Gustavo Veloso quando este sofreu na Serra da Estrela.

"[A minha mulher] fez-me ver que se me aplicasse poderia andar melhor durante o ano e os resultados poderiam acontecer. Foi logo a partir da Volta que o meu chip mudou"

"Este ano estou bem mais magro do que nos últimos anos. Os watts têm aparecido, sei que tenho treinado bem e que estou numa boa condição física. Chega a hora da verdade e as coisas não têm saído, mas o mais importante é saber que o trabalho está a ser feito, os valores a nível de treino estão lá e sei que mais cedo ou mais tarde vai dar os seus frutos", assegurou. E é mesmo caso para dizer que por trás de um grande homem está uma grande mulher, pois foi a esposa de António Carvalho que o ajudou a "mudar o chip", como explicou: "Fez-me ver as coisas de outra forma, principalmente no ano passado, depois da Volta. Fez-me ver que se me aplicasse poderia andar melhor durante o ano e os resultados poderiam acontecer. Foi logo a partir da Volta que o meu chip mudou. Não me deixei engordar tanto." Carvalho conta como quando vivia com os pais, por cima do supermercado que têm, não resistia quando via a carrinha dos donuts chegar: "Vou ser sincero e isto é muito mau para um atleta, mas chegava a comer seis ou oito donuts ao pequeno-almoço. Sou muito doceiro!" Agora já consegue controlar melhor este seu gosto por doces.

Não hesita em dizer que encontrou a sua motivação e que a mudança psicológica foi importante. "Com o aproximar da Volta não terei de fazer tantos sacrifícios como no ano passado. Agora é encarar o resto da época e vêm aí corridas muito importantes para a equipa e para mim", disse. Uma dessas competições, é o Grande Prémio Jornal de Notícias - que já venceu - e que começa esta segunda-feira em Viseu. "Tenho sempre grande ambição [nesta prova]. Não quer dizer que seja para mim. Temos de ver que tem dois contra-relógios. Irei tentar defender-me. Irá passar um pouco pela táctica da equipa. Não podemos ser aquela W52-FC Porto a levar toda a gente às costas, pois na parte final podemos pagar a factura", referiu.

António Carvalho fará o que o director desportivo, Nuno Ribeiro, lhe pedir, quer seja o líder ou não, mas realça como a corrida também dita as suas condições e como na equipa todos estão dispostos a sacrificar-se pelo colega que esteja em melhores condições para vencer. Será assim no Grande Prémio Jornal de Notícias, já foi assim na Volta a Portugal - com a vitória de Rui Vinhas em 2017 como o melhor exemplo - e poderá ser também na próxima edição da Grandíssima.

Era inevitável perguntar se o ciclista se vê a lutar pela vitória em Agosto. "Se estiver nas condições [físicas] do ano passado, acredito que posso vencer uma etapa e até a Volta, mas depende muito da estratégia", respondeu. Porém, é peremptório em afirmar que não se coloca como líder da equipa que tem dominado a Volta nos últimos anos: "É bom realçar que isto não quer dizer que serei chefe-de-fila ou o quer que seja na Volta a Portugal. No ciclismo todos sabem que existem quatro vencedores da Volta nesta equipa, por isso, não significa que seja chefe-de-fila. Não me quero pôr aqui em bicos de pés. Nem o director, Nuno Ribeiro, me permite, nem os meus colegas merecem isso."

"Ficou-me atravessado! Se tivesse sido tacticamente um Rui Costa - para mim é dos melhores a nível mundial a ler corridas - poderia ter vencido os Nacionais"

Recordando como os adeptos lusos olham para António Carvalho como um potencial vencedor, sabendo-se como por cá se gosta de ver um ciclista português ganhar, o corredor mostrou-se satisfeito como os atletas nacionais são apoiados, dando novamente como exemplo a vitória de Rui Vinhas. "A partir do momento em que vestiu a camisola amarela, o público todo, por ser português, esteve de volta dele e isso é de louvar. Também me lembro no ano em que o Cândido Barbosa pediu aos portugueses para colocarem as bandeiras cá fora. Toda a gente aderiu e acho que os portugueses preferem sempre que ganhe um português, independentemente da equipa. Eu sou apenas mais um português na W52-FC Porto e terei de trabalhar nas alturas que terei de trabalhar. Caso isso não aconteça e se tiver de assumir a equipa, irei assumir", realçou. E acrescentou: "Se chegar à Volta e andar o que andei no ano passado, assino já por baixo e já dava a Volta como realizada." Mas claro que se puder fazer melhor, pelo menos vencendo uma etapa, então ainda melhor.

Não se cansa de repetir o quanto está a desfrutar mais do ciclismo este ano, não perdendo a oportunidade para realçar que na W52-FC Porto o importante é a equipa e que esta saia vitoriosa nas corridas, independentemente do ciclista que vença. Nem ao recordar os momentos difíceis que passou devido ao excesso de peso perde o sorriso ou a confiança. Porém, quando se fala dos Campeonatos Nacionais, há um suspiro mais profundo. "Ficou-me atravessado! Se tivesse sido tacticamente um Rui Costa - para mim é dos melhores a nível mundial a ler corridas - poderia ter vencido os Nacionais", frisou, ao lembrar-se da edição do ano passado, em Gondomar. "Foi das corridas que mais me revoltou. Apesar de ter feito sexto, senti que poderia ter vencido. O Ruben Guerreiro venceu, mas sei que poderia ter estado na discussão."

Elogia de imediato o actual campeão nacional, afirmando que se está perante um dos melhores jovens ciclistas e que já está numa equipa do World Tour, a Trek-Segafredo. Contudo, recorda como quem estivesse a ver na televisão tudo o que aconteceu naquela corrida: "Eu ainda ataquei com o Tiago Machado e com o César Fonte. Tínhamos 3:30 de atraso e conseguimos chegar à frente, quando já era impensável. Mal chegámos à frente da corrida, torna-se a partir e eu fiquei no grupo de trás e eu fui sozinho a recuperar para cinco ciclistas, com quatro deles no World Tour. Ainda consegui chegar à frente, mas já ia vazio." Considera que Ruben Guerreiro "foi felino" pela forma como o atacou e venceu os Nacionais, mas irá para Belmonte com uma enorme vontade de finalmente vestir a camisola de campeão português. "Já fiz segundo, fui batido pelo Manuel Cardoso a 25 metros da meta. Vou sempre com o objectivo tentar vencer. Não me passa pela cabeça ir para os Nacionais para fazer segundo ou terceiro", salientou.

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