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1 de outubro de 2018

Volta ao Algarve "lidera" corridas portuguesas no calendário internacional

O pano vai caindo sobre a temporada de 2018. A próxima está a ser preparada a grande ritmo, tanto pelas equipas - que estão a preparar os seus plantéis -, como pelas organizações, para colocar na estrada as esperadas corridas. Neste último aspecto, já são conhecidas quais as provas portuguesas que farão parte do calendário internacional UCI, com a Volta ao Algarve a ser novamente aquela que terá a categoria mais alta: 2.HC, ou seja, pertence ao segundo escalão, só abaixo das competições do World Tour.

A Algarvia tem estado a crescer de ano para ano. Irá para a sua terceira edição como 2.HC e espera-se por mais um elevado número de equipas do escalão principal a marcarem presença. Em 2018, 13 das 18 estiveram no sul do país, um recorde para a Volta ao Algarve. Até ao final do ano haverá novidades sobre a 45ª edição da corrida que traz o World Tour a Portugal.

Em Março haverá mais duas corridas categorizadas internacionalmente. A Clássica da Arrábida continua na estrada como 1.2. Uma prova com o espectáculo do sterrato, ou, sem estrangeirismos, terra batida. A organização quer fazer crescer esta prova, que marca pela diferença por cá, sendo que por agora vai consolidando o seu lugar.  Realiza-se no domingo dia 17, seguindo-se na quarta-feira a Volta ao Alentejo (de 20 a 24). É uma corrida 2.2.

No mês seguinte, o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela irá manter a categoria de 2.1, estando agendado entre 12 e 14. Em dia de feriado, 1 de Maio, teremos a Clássica Aldeias do Xisto, da classe 1.2. E numa altura em que a Volta a Portugal começará a estar no pensamento das equipas nacionais, teremos o tradicional Grande Prémio Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho. Será uma corrida 2.2, realizando-se entre 11 e 14 de Julho.

Para terminar haverá a Grandíssima. A Volta a Portugal irá começar a 31 de Julho, com o vencedor a ser consagrado a 11 de Agosto. A corrida será 2.1.

Por definir está o Grande Prémio Estrada Nacional 2, que este ano foi para a estrada pela primeira vez. O vencedor foi Raúl Alarcón (W52-FC Porto), antes de conquistar pela segunda vez a Volta a Portugal. Esta corrida por etapas ,que percorre a mítica estrada que liga o norte ao sul do país, ainda não tem data. Contudo, a Federação Portuguesa de Ciclismo (não é a organizadora desta prova), que revelou as datas e categorias aqui mencionadas, refere que se espera que seja incluída no calendário internacional da UCI.

A temporada de 2019 começa a ganhar forma, faltando agora conhecer as provas que irão completar o calendário nacional.

14 de setembro de 2018

"A Efapel, pelo percurso que tem tido, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura"

Avaliar o presente, pensar no futuro próximo e começar a preparar o mais além. A Efapel pode não ter alcançado os objectivos a nível de resultados na Volta a Portugal, mas o seu director desportivo, Américo Silva, não deixa de realçar que quanto ao empenho dos seus ciclistas, nada tem a apontar. Porém, mesmo não sendo possível fugir a má Volta na falta de concretização do que se pretendia alcançar, a equipa continua a receber um forte apoio de quem a patrocina e que quer agora vê-la chegar ao escalão Profissional Continental.

O sonho é que em 2021 seja possível subir ao segundo nível do ciclismo e assim aspirar a outro tipo corridas, piscando o olho a um possível convite para uma Volta a Espanha. Numa primeira fase é necessário fazer crescer a estrutura actual de uma forma sustentável, pois Américo Silva salienta que é um projecto que quer permanecer nesse escalão e não rapidamente dar um passo atrás. "Temos muita tendência depois da Volta a Portugal em se falar de novas equipas, muitos projectos e que maioritariamente, a curto prazo, nunca são realizáveis. Por isso, para se falar num projecto destes deve-se pensar mais nesta forma, mais a longo prazo, com as coisas um pouco mais sustentadas e só assim se pode sonhar em realizar-se este tipo de planos. Todos aqueles que no calor da Volta começam a projectar coisas muito altas, normalmente não são para se ligar nenhuma, não chegam a lado nenhum", referiu ao Volta ao Ciclismo.

"Tem de ser algo pensado e sustentado, no mínimo a três anos. Não faz sentido estar num escalão que pode dar acesso a estar numa Volta a Espanha e depois haver um retrocesso", acrescentou. Américo Silva confirmou assim o desejo anunciado durante a Volta a Portugal pelo presidente da equipa, Carlos Pereira. O facto de o prazo ter sido estabelecido em 2021 é para Américo Silva uma demonstração de credibilidade do plano, que irá então ser preparado durante as próximas duas temporadas.

"As corridas contabilizam-se não propriamente pelo rendimento e empenho de cada um, mas sim pelos resultados e logicamente, nesse campo, foi uma má Volta a Portugal"

"A Efapel, pelo percurso que tem tido ao longo dos anos, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura", considerou o director desportivo. A empresa iniciou o seu patrocínio em 2011, como secundário, mas no ano seguinte já era o principal e desde 2015 que a Efapel é o único nome da equipa.

Em 2012 a Efapel ganhou a sua única Volta por intermédio do espanhol David Blanco, mas desde então que a estrutura da actual W52-FC Porto tem dominado na principal prova para as equipas nacionais. Sérgio Paulinho foi a grande aposta em 2017 e 2018, com Henrique Casimiro a ter um papel de co-líder. Porém, a vitória na Volta nunca esteve perto de acontecer e nem o pódio foi alcançado. Este ano até a conquista de uma etapa não foi alcançada, apesar da Efapel muito ter trabalhado e muito procurado colocar ciclistas na frente.

A pergunta foi então directa. Foi uma má Volta para a Efapel? "Em termos de resultado sim. Em termos de entrega da equipa e de tudo aquilo que conseguimos fazer durante a Volta não", respondeu Américo Silva. "As corridas contabilizam-se não propriamente pelo rendimento e empenho de cada um, mas sim pelos resultados e logicamente, nesse campo, foi uma má Volta a Portugal porque dos dois objectivos, nenhum foi conseguido: tentar chegar ao pódio e vencer uma etapa", acrescentou.

Sérgio Paulinho cedo ficou fora da discussão e Henrique Casimiro acabou por ir perdendo tempo. Contudo, Américo Silva não quis falar apenas do que os seus ciclistas fizeram: "Em termos da geral temos de dar mérito aos adversários. O Sérgio na etapa da Serra da Estrela não esteve ao seu melhor nível e na Volta a Portugal ter um dia em que não se esteja bem, já não se consegue fazer depois a diferença. Não é como no Tour que um dia não se está bem, mas noutro recupera-se. Aqui é necessário regularidade todos os dias. O Henrique esteve ao nível dele. Os adversários é que estiveram bastante melhor."

Daniel Mestre foi dos que viu a vitória de etapa escapar, mas não é de falta de sorte que Américo Silva se queixa. "Este ano as coisas não aconteceram. Vendo agora com à distância, se formos avaliar etapa a etapa, tal como não ganhámos, poderíamos ter ganho duas. Falhou não termos conseguido, mas não nos podemos recriminar por nada do que fizemos na Volta a Portugal. Temos a consciência que tudo fizemos para conseguir. O que falhou foram as circunstâncias da corrida, o ter faltado um bocadinho mais de força, ou o quer que seja, mas não recorremos à parte da sorte", salientou.

"Não nos podemos recriminar por nada do que fizemos na Volta a Portugal. Temos a consciência que tudo fizemos para conseguir"

Os ciclista da Efapel acreditaram até ao fim que poderiam pelo menos vencer a etapa, mas esta não chegou, pelo que o melhor resultado acabou por ser o 10º lugar de Henrique Casimiro, a 6:49 do vencedor, Raúl Alarcón (W52-FC Porto).

O peso da Volta nas contas finais da equipas portuguesas é enorme, mas Américo Silva destacou como a nível de temporada geral a Efapel esteve bem. A primeira vitória só chegou no final de Março, na Clássica Aldeias do Xisto, por intermédio de Daniel Mestre, mas entretanto já são nove, além de oito classificações "secundárias". Rafael Silva ainda trouxe uma medalha de bronze para Portugal nos Jogos do Mediterrâneo. O último triunfo foi num dos circuitos de Verão, com Mestre a impor-se em Nafarros.

Mas ainda há mais uma conquista na mira antes de Américo Silva se concentrar a 100% na preparação para 2019, sendo que só então se começará a perceber que equipa e que papéis dentro da estrutura terão os ciclistas que a representarem. O espanhol Marcos Jurado está na disputa pela Taça de Portugal, com apenas 28 pontos a separá-lo de David Rodrigues, da Rádio Popular-Boavista. Porém, a luta irá incluir mais ciclistas, como por exemplo, o colega de Rodrigues, Luís Gomes, António Barbio e Francisco Campos, do Miranda-Mortágua, e Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano-Uli), por exemplo. Frederico Figueiredo também está bem colocado, mas o ciclista do Sporting-Tavira está na Volta a China, que acaba este sábado.

Francisco Campos está ainda na luta pela vitória em sub-23, estando em igualdade pontual com André Carvalho, com vantagem para o ciclista da Liberty Seguros-Carglass. Hugo Nunes, também do Miranda-Mortágua, tem dez pontos de desvantagem para o duo.

A época irá terminar onde começou, na região de Aveiro. À espera do pelotão estão os últimos 151,6 quilómetros de estrada do ano, numa corrida que se inicia na Câmara Municipal de Anadia, às 11:30 de domingo, terminando cerca das 15:00, no Parque Municipal de Murtosa. Haverá duas contagens de montanha para se tentar fazer diferenças, em Talhadas e em Sever do Vouga.

É uma antecipação do final de temporada, depois do cancelamento da corrida de Tavira, que estava agendada para 6 de Outubro e que definiria o vencedor da Taça de Portugal, que será então conhecido já este domingo. O Festival de Pista de Tavira será assim novamente o local de despedida da temporada de 2018, a 5 de Outubro.


28 de agosto de 2018

"Ao longo da época todas as corridas foram cursos intensivos"

Não apontou a vitórias, nem a conquistas de camisolas que eram missões praticamente impossíveis. Porém, tal não significa que não houvessem objectivos e que a LA Alumínios não pudesse ter o seu papel de relevo dentro de uma Volta a Portugal. Com uma equipa sub-25 100% portuguesa, com apenas Nuno Almeida a saber o que é competir a este nível, os jovens ciclistas da equipa de Hernâni Brôco mostraram-se na corrida, aparecendo em muitas fugas. Os objectivos foram cumpridos, desde o de ganhar experiência, superar as dificuldades que encontraram e a mostrar a camisola, sempre importante na competição na qual há um maior mediatismo em todos os meios de comunicação social em Portugal.

Brôco é por isso um director desportivo satisfeito com o que foi alcançado tanto na Volta, como em geral na temporada de estreia deste projecto, numa altura em que já se está a preparar 2019. "Vamos continuar como sub-25. Em termos de preparar novos desafios, novos reforços, o Luís Almeida [responsável máximo da estrutura] quer apostar na juventude e numa equipa portuguesa. Eu respeito e compreendo. E a mim também me dá um prazer enorme trabalhar com jovens. Por isso aceito o desafio", salientou ao Volta ao Ciclismo. "Sem dúvida que para uma estrutura que partiu do zero, a experiência deste ano foi importante para limar algumas arestas da equipa, do staff, da entreajuda, para que todos se conhecessem melhor", acrescentou.

Como equipa Continental, ainda que sub-25, os ciclistas que há um ano estavam todos, menos Nuno Almeida, em estruturas sub-23, tiveram a oportunidade de competir em corridas mais importantes, como a Volta ao Algarve e a Volta a Portugal. Se a primeira lhes proporcionou a emoção de competir ao lado de alguns dos melhores do mundo, a segunda foi o cumprir de um sonho para muitos, que cresceram a ver a prova na televisão. Questionado se perante as naturais dificuldades da Volta a Portugal, ao que acresceu as temperaturas acima dos 40 graus, os seus corredores tiveram um curso intensivo de um nível mais elevado de ciclismo, Brôco foi peremptório na resposta: "Ao longo da época todas as corridas foram cursos intensivos. Acho que eles aprenderam muito com os erros que foram cometendo."


"É de louvar que, se calhar, fomos a equipa que fez mais estágios. O Luís Almeida sempre apostou em trabalho de equipa, estágios, treinos em conjunto durante a semana e penso que isso também se reflectiu na Volta"

Dos sete ciclistas que começaram a Volta em Setúbal, só Paulo Silva não chegou a Fafe, abandonado na penúltima etapa, da Senhora da Graça. Contudo, principalmente os primeiros dias não foram nada fáceis. "O calor foi um dos factores difíceis de superar, sem dúvida. Os carros chegaram a marcar 48 graus, houve médias de 46, temperaturas atípicas mesmo para a Volta a Portugal. Há sempre muito calor, mas estamos a falar de 37 graus de média! No entanto, o staff soube aconselhá-lhos na hidratação antes, durante e depois. Não tivemos baixas por esse factor. Com experiência do staff, os jovens conseguiram superar as dificuldades. Talvez por esse factor, ao longo da Volta, tenha feito diferença. Houve equipas que pagaram esse factor e nós conseguimos salvar-nos", explicou Hernâni Brôco.

Quanto ao abandono de Paulo Silva, o responsável considera que se tivesse mais experiência, talvez tivesse superado os problemas de saúde que o afectaram. "Passou um pouco mal a noite, com vómitos... Pagou o esforço de andar muitos dias em fuga. Todos sabiam que iam ter dias difíceis. O Paulo teve esse menos bom e não conseguiu superar, mas talvez se fosse um ciclista mais maduro, superava com certeza." Brôco falou da importância da parte psicológica dos atletas, que é também trabalhada com a experiência que vão adquirindo.

É por isso que salientou como foi importante todas as condições que foram proporcionada aos corredores durante a temporada. "É de louvar que, se calhar, fomos a equipa que fez mais estágios. Começámos a preparar a época muito cedo. O Luís Almeida sempre apostou em trabalho de equipa, estágios, treinos em conjunto durante a semana e penso que isso também se reflectiu na Volta. Evoluíram muito. E nos circuitos também se vê isso, pois acompanham os melhores. Para eles é importante evoluírem em termos psicológicos, para acreditarem no valor deles", realçou.

Em Fafe a equipa teve direito a celebração com champanhe, pois mesmo sem vitórias, os objectivos foram cumpridos, apesar das muitas dúvidas que as três equipas portuguesas Continentais sub-25 têm levantado. Hugo Nunes, ciclista do Miranda-Mortágua, considerou que a prestação na Volta tanto da sua formação, como da Liberty Seguros-Carglass e da LA Alumínios foi "uma chapada de luva branca a toda a gente, mesmo às equipas profissionais". Brôco considera a expressão "forte, mas compreensível". "No início da época criticaram estas estruturas de sub-25. Eu estando numa, não percebia muito bem as críticas", afirmou. Reforçou que a LA Alumínios cumpre todos os requisitos legais e que nas corridas cumpriu com a sua função.

"Fomos um projecto um pouco diferente dos outros de sub-25, pois não tínhamos o objectivo de lutar por vitórias. Fomos crescendo ao longo do ano porque somos uma equipa muito jovem e com uma qualidade e experiência abaixo das outras. Mas fomos crescendo e chegámos à Volta e estivemos ao nível das outras estruturas de sub-25. Quanto aos restantes objectivos traçados para o resto da época, também estamos bastante satisfeitos", frisou o responsável.

Reitera que foi um desafio difícil dirigir a equipa, mas considera que os seus ciclistas "estavam muito bem preparados" para a Volta a Portugal. "Foi um ano complicado. Levar estes jovens a evoluir... assumo que foi um desafio difícil, mas foi enriquecedor para mim e para eles. Criámos um bom grupo. Além de ver que evoluíam fisicamente, conseguimos criar um grupo de trabalho muito importante e constituir praticamente uma família. Acho que isso é muito importante." E disse ainda: "Tentei transmiti-lhes os conhecimentos que tenho de ciclismo e da vida e penso que consegui."


"Foi uma experiência enriquecedora, mas também cansativa. O desgaste não é físico, mas é psicológico. Exige muito de nós, para que nada falte a eles. Foi um desafio interessante"

Foi o segundo ano fora da bicicleta e depois da passagem pela Sicasal-Constantinos-Delta Café - de onde vieram alguns dos ciclistas que estão na LA Alumínios -, aceitou o convite para liderar o novo projecto de um patrocinador há muito ligado ao ciclismo em Portugal. Foi a sua estreia na Volta como director desportivo e Hernâni Brôco falou de um "momento especial". "Todos os primeiros momentos são especiais e este marcou-me muito e fiquei e estou feliz por estar nestas novas funções", salientou.

Mas como foi estar na Volta a Portugal, dentro de um carro e não na bicicleta? "Foi uma experiência enriquecedora, mas também cansativa. O desgaste não é físico, mas é psicológico. Exige muito de nós, para que nada falte a eles. Foi um desafio interessante. Em termos pessoais, muitos perguntaram-me se tinha saudades. Não escondo que o prólogo deixou-me com aquela sensação de começar e de já estar na estrada", referiu.

Recordou que ao ver todos os seus ciclistas na estrada da Volta a Portugal, sentiu que o trabalho tinha sido feito para os levar até àquela importante e mais esperada fase do ano. Foi a Senhora da Graça que mais mexeu com ele, afinal sabe o que é vencer na mítica subida. Foi em 2011, precisamente com as cores da LA, então LA-Antarte. "Se calhar posso dizer que foi o momento mais feliz da minha carreira. Quando vi a Senhora da Graça... Claro que há sempre algo nervoso miudinho e a subida até ao alto mexe sempre comigo. Nos outros dias já estava preparado para o que ia acontecer, mas há sempre momentos especiais que nos fazem recordar os bons momentos da vida e do ciclismo."

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23 de agosto de 2018

"Foi uma desilusão abandonar, mas sabia que o trabalho estava feito"

Manuel Correia com o ciclista que quase ganhou uma etapa para a sua equipa
e ficou perto de vestir a camisola amarela na Volta a Portugal
César Martingil foi uma das figuras da Volta a Portugal. Quando se questionava como iriam comportar-se as equipas sub-25, o jovem esteve perto de dar à Liberty Seguros-Carglass uma estreia de sonho na competição mais apetecível para as equipas nacionais. Vestir a camisola amarela não foi algo que tivesse pensado, mas por momentos, chegou a acreditar ser possível, quando durante cerca de uma hora esteve sentado no "trono" do prólogo de Setúbal. Passou a acreditar de tal forma que foi atrás dela no sprint do dia seguinte. Uma queda estragou a sua primeira Volta, mas saiu com a sensação de dever cumprido e só espera poder estar novamente na corrida em 2019.

Aos 23 anos, Martingil tem divido a sua carreira entre a estrada e a pista. Com a subida da equipa ao escalão Continental, como sub-25, Martingil chegou ao desejado profissionalismo e logo na equipa na qual tem evoluído nos últimos anos. É um ciclista que faz por criar e agarrar oportunidades e não gosta nada de competir apenas para cumprir calendário. Não se atemoriza e foi esse Martingil que se viu na Volta.

O ciclista não irá esquecer aquele prólogo: "No início não [acreditava na vitória]. Havia dez corredores que sabia que podiam bater o meu tempo. Mas eles iam chegando e não batiam. Estar ali uma hora sentado... para o fim comecei a pensar que a amarela poderia chegar, mas sabia que faltava o Reis e ele é uma das maiores referências." Rafael Reis acabou por ser um "desmancha prazeres" para Martingil e para a Liberty Seguros-Carglass. Dois segundos separaram o ciclista e equipa de uma estreia inimaginável.

"Os patrocinadores não estavam interessados, mas agora já falaram com o chefe para o ano"

Em Albufeira foi terceiro no sprint e já envergava a camisola branca da juventude. Essa sim, uma que sabia que poderia ter, pelo menos nos primeiros dias. Na segunda etapa veio a queda que lhe ditaria um abandono precoce. "No início tinham dito que eram uns arranhões, mas há noite as dores começaram a agravar-se. Comecei a ter mais dores na mão e no outro dia foi um sofrimento terminar a etapa. Na da Serra da Estrela... fazer o paralelo com uma mão... Descolava em qualquer ponto do paralelo", recordou ao Volta ao Ciclismo. Optou por abandonar, até porque a temporada ainda está longe de terminar: "Era o melhor. Poderia cair e agravar a situação e não correr o resto da época."

A queda estragou-lhe a Volta, mas não tornou a sua presença negativa. Foi curta, mas muito positiva. "Foi uma desilusão abandonar, mas sabia que o trabalho estava feito, apesar de haver mais uma ou outra etapa para mim", salientou, demonstrando como estava determinado em entrar na discussão das etapas ao sprint. E numa altura da época em que se começa a fazer o balanço até para também pensar em 2019, a exibição de Martingil e da Liberty Seguros-Carglass, principalmente naqueles primeiros dias, podem ter sido determinantes para garantir a continuidade do projecto.

Com a indefinição quanto à continuidade do apoio da companhia de seguros, os responsáveis da equipa têm tentado procurar soluções. Martingil não esconde que as prestações da equipa na Volta podem ter sido muito importantes. "Os patrocinadores não estavam interessados, mas agora já falaram com o chefe [Manuel Correia] para o ano", referiu o ciclista, realçando como o futuro da estrutura tem estado tremido.

Para Martingil, e sobre a participação das equipas sub-25 na Volta, além de Rafael Reis e da Caja Rural, que foi o líder da Volta nos primeiros dias, a Liberty Seguros-Carglass foi a segunda melhor equipa no arranque da corrida. O ciclista acrescentou, referindo-se à juventude das três formações nesta situação (além da sua equipa, a LA Alumínios e o Miranda-Mortágua): "Somos mais novos, mas não é por aí. A capacidade é igual."

A Volta a Portugal foi mais um passo na evolução do ciclista, como o próprio destacou, mas agora está concentrado em terminar bem a temporada. Venceu o Circuito do Bombarral e admitindo que gosta destas corridas de final de Verão, vai participar em mais, antes de se virar para a pista, onde irá concluir a época, esperando ser chamado para alguma Taça do Mundo.


17 de agosto de 2018

"Demos uma chapada de luva branca a toda a gente, mesmo às equipas profissionais"

Hugo Nunes foi um dos vários jovens que se estreou na Volta a Portugal, muito devido às equipas sub-25 que este ano têm a licença Continental. Para o ciclista foi o concretizar de um sonho, mas é rápido em pensar antes no futuro, como esta experiência o influenciou, como ainda tem objectivos para conquistar em 2018, com os olhos postos no prémio maior: chegar ao mais alto nível do ciclismo mundial.

Com corredores jovens e a maioria inexperiente numa compeitção tão exigente como a Volta a Portugal, havia dúvidas sobre como iriam aguentar o desafio que lhes era apresentado. No final, Hugo Nunes não hesitou em dizer: "Demos uma chapada de luva branca a toda a gente, mesmo às equipas profissionais. As equipas chamadas sub-25 mostraram que merecem estar no nível em que já estão, no profissionalismo." O corredor, de 21 anos, reforçou a ideia: "Alcançámos bons resultados. O Miranda-Mortágua, tal como a Liberty Seguros-Carglass e a LA Alumínios, estivemos sempre presentes e muito activos e mostrámos que merecemos estar cá, no profissionalismo. As estruturas das equipas sub-25 estão ao nível ou melhor do que as estruturas profissionais em Portugal."

Satisfeito com a sua prestação e do Miranda-Mortágua, Hugo Nunes garantiu que os objectivos foram cumpridos, mesmo quando tiveram de mudar um pouco os planos com o abandono precoce de António Barbio. "Foi um momento menos bom. Era o nosso líder, mas passou um bocado mal. No entanto, demos a volta por cima", afirmou ao Volta ao Ciclismo. A equipa perdeu ainda na terceira etapa Pedro Teixeira, mas o restante quinteto foi até ao fim, tentando surgir em fugas, com Francisco Campos a lutar nos sprints e com Gonçalo Carvalho a fechar em terceiro na classificação da juventude.

"Foi uma experiência incrível, muito motivadora, mas também muito dura"

Hugo Nunes foi oitavo, a 34:16 minutos de Xuban Errazkin (Vito-Feirense-BlackJack) nesta luta dos mais jovens, terminando em 41º na geral, a 44:09 minutos de Raúl Alarcón (W52-FC Porto). "Evolui bastante a nível físico e psicológico como ciclista nesta Volta. Para as próximas corridas terei muito mais experiência para alcançar outros objectivos. Estou com mais maturidade", explicou, em forma de balanço sobre a sua Volta a Portugal. Realçou que não partiu com expectativas elevadas: "Não ia discutir uma Volta! Mas cumpri com os objectivos da equipa e ajudei os meus colegas a alcançar os deles. Estou satisfeito com a minha prestação."

Ao partir em Setúbal para a sua primeira Volta a Portugal, Hugo Nunes cumpriu um dos seus sonhos. "Houve muitas emoções. Para mim era tudo novo. O público foi incrível! O que já via na televisão era incrível, por dentro é ainda mais", contou. "Foi uma experiência incrível, muito motivadora, mas também muito dura. Era um sonho fazer uma Volta a Portugal. Espero fazer muitas mais e conseguir o melhor resultado possível nas próximas vezes", acrescentou.

Mas não haverá tempo para descanso depois de um ponto alto da época. O Miranda-Mortágua tem ainda objectivos a cumprir até final da temporada. António Barbio lidera a Taça de Portugal e este sábado a equipa corre em casa, na terceira de cinco etapas desta competição, o Grande Prémio de Mortágua. "É preciso estar muito bem e ganhar em casa será muito bom para todos os patrocinadores e para a família Mortágua", realçou. Hugo Nunes é segundo na Taça de sub-23 e Francisco Campos, terceiro, ambos com 125 pontos, a cinco do líder André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass). Porém, Nunes considera que o mais importante é garantir a vitória em elites: "Se tiver de ajudar o Barbio, farei tudo por ele. Se vier a de sub-23, ainda melhor."

"É o meu último ano de sub-23 e quero evoluir ao máximo e quem sabe ir para outro nível do ciclismo"

O jovem ciclista não esconde onde mais ambiciona agora estar na luta por uma vitória: na Volta a Portugal do Futuro, que se realiza entre 5 e 9 de Setembro. "A nível pessoal é o objectivo principal. É o meu último ano de sub-23 e quero evoluir ao máximo e quem sabe ir para outro nível do ciclismo", referiu, concluindo com o desabafo de querer chegar onde todo ciclista deseja: "É o sonho de qualquer um chegar longe, ao World Tour."

Hugo Nunes tem aparecido regularmente entre os melhores jovens nas corridas em que participa, tanto em Portugal, como no estrangeiro, sendo também um dos atletas que o seleccionador José Poeira tem chamado. Além da qualidade como desportista, este trepador por excelência, demonstra uma forte mentalidade para concretizar os seus sonhos, que não deixou dúvidas que passam por continuar a subir de nível, depois de este ano ter tido a oportunidade de ascender ao escalão Continental com o Miranda-Mortágua. Teve acesso a corridas como a Volta ao Algarve e a Volta a Portugal e foi a Madrid ser segundo na juventude. Agora quer ainda mais e melhor.

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15 de agosto de 2018

Xuban Errazkin com resultado anómalo de substância para a asma

Errazkin foi o vencedor da classificação da juventude da Volta a Portugal
(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Uma das figuras da Volta a Portugal deu positivo duas vezes por uma substância para a asma. Os resultados são de amostras recolhidas a Xuban Errazkin durante o Grande Prémio Abimota, segundo o jornal Record, com os testes a detectarem a presença de terbutalina, algo idêntico ao salbutamol, do caso Chris Froome. O ciclista afirmou que enviou toda a documentação necessária para provar que nada fez contra os regulamentos, salientando ainda que há muito tempo que está a receber tratamento para a asma e que nunca teve qualquer problema.

As análises feitas pela Agência de Antidopagem de Portugal (ADoP) foram a amostras recolhidas na competição que decorreu entre 13 e 17 de Junho, muito antes da Volta a Portugal. Errazkin venceu a quarta etapa do Grande Prémio Abimota, além da classificação da juventude. A terbutalina é uma substância utilizada para o tratamento da asma e, tal como o salbutamol, não acarreta suspensão imediata, pelo que o espanhol da Vito-Feirense-BlackJack poderá continuar a competir até que seja anunciada a resolução do caso. Errazkin ficou de fora da equipa espanhola que estará no Tour de l'Avenir, corrida também conhecida por Volta a França do Futuro, mas o seleccionador nega que a decisão esteja relacionada com este caso.

Pascual Momparler explicou ao site Ciclo21 que queria que os pré-seleccionados fizessem uma preparação tranquila, para chegarem a França a 100%. "[Errazkin] correu em várias provas que me disse que não ia competir e disputou a Volta a Portugal a top", salientou.

A exclusão de Errazkin tinha provocado algum espanto em Espanha e a notícia deste resultado anómalo está a ter grande repercussão, pois o ciclista é visto como um dos jovens talentos a despontar no ciclismo daquele país. "Tanto eu como a minha equipa decidimos enviar toda a documentação necessária antes de inclusivamente ter sido notificado pessoalmente do positivo. Além disso, há vários anos que estou a ser receber tratamento para a asma e nunca tive nenhum problema similar", afirmou Errazkin, citado pelo site Sprint Final.

Errazkin completa 22 anos no próximo dia 25 e tem estado a realizar uma época muito positiva. Além dos resultados no Abimota, já tinha vencido também a classificação da juventude na Volta à Comunidade de Madrid, ganha pelo companheiro da Vito-Feirense-BlackJack, Edgar Pinto. O jovem espanhol esteve na época passada na Rádio Popular-Boavista, depois de estagiar na então Wilier-Southeast, equipa italiana Profissional Continental. Foi uma das surpresas da Volta a Portugal ao aparecer ao lado do seu líder, precisamente Edgar Pinto, nas etapas de montanha, tendo acabado por entrar na disputa pela camisola branca, que vestiu nas Penhas da Saúde, para não mais a tirar.

O site Ciclo21 escreve que o processo irá agora ser analisado pela agência antidopagem espanhola, para ser decidida a sanção ao ciclista, ou então ilibar Errazkin.


13 de agosto de 2018

"O que fiz nesta Volta foi reconhecido pela W52-FC Porto"

A festa ainda estava a começar, numa fase também de total de descompressão depois de semana e meia intensa e dedicada à Volta a Portugal. César Fonte foi uma das novas caras nestas celebrações da W52-FC Porto. Era um ciclista orgulhoso pelo que foi alcançado e agora que conhece como é estar na equipa que tem dominado o ciclismo nacional, contou quais os segredos que tornam esta estrutura tão poderosa e porque é que depois de tanto se dizer que a formação estaria mais fraca este ano, acabou a Volta a demonstrar um domínio total.

"É verdade. Foi-se falando que a nossa equipa, comparada com as de outros anos, não se encontrava tão forte. Pessoalmente não acho. O grupo estava unido e muito forte. Se calhar tivemos contratempos que as pessoas que estão mais por fora não vêem", referiu. "A nossa equipa sabia que a parte final da Volta era muito dura e fomos poupando forças noutras etapas. Eu fui perdendo tempo em etapas que podia ter chegado mais na frente. Mas fomos pensando sempre mais à frente. Sabíamos que a Senhora da Graça seria uma etapa muito importante e ali mostrámos que éramos a equipa mais forte", acrescentou ao Volta ao Ciclismo.

Questionado se este ano não havia um plano B, como aconteceu em 2017 com Amaro Antunes, por exemplo, César Fonte disse que a W52-FC Porto partiu com dois líderes e ainda uma terceira hipótese. "Nós tínhamos plano B. Tínhamos o Raúl [Alarcóm] e o Gustavo [Veloso] como líderes. O Toni também estava um pouco guardado se fosse necessário estar na discussão. Mas com o decorrer da Volta foi-se vendo que haviam ciclistas que não estavam tão bem fisicamente como se estava à espera. E a partir do momento em que o Raúl mostrou que era o mais forte tanto na equipa, como na competição, apostámos tudo nele", explicou. Alarcón vestiu a camisola amarela ao quarto dia e a partir daí todos se uniram em redor do espanhol, para que conseguisse vencer a corrida pelo segundo ano consecutivo, o sexto desta equipa.

A forma como a W52-FC Porto controlou a etapa da Senhora da Graça, a última de montanha, e depois colocou cinco ciclistas no top dez do contra-relógio, com João Rodrigues e Ricardo Mestre a terminar também entre os dez melhores da Volta, fez com que no final a classificação por equipas ficasse novamente com a formação azul e branca, além da camisola da montanha de Alarcón e as três etapas ganhas pelo espanhol. Para César Fonte, os resultados dizem tudo sobre a qualidade da equipa nesta Volta a Portugal.

"Estava confiante que ia fazer uma boa corrida. Mas tive uma queda no prólogo e acabou por me afectar nos primeiros dias"

Pessoalmente, não esconde que espera sempre mais, principalmente quando se está na Volta a Portugal e porque a época está a correr-lhe bastante bem. Tem estado na discussão de vitórias e já conta com triunfos em etapas no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela e no Grande Prémio Jornal de Notícias. "Estava num bom momento antes da Volta e estava confiante que ia fazer uma boa corrida. Mas tive uma queda no prólogo e acabou por me afectar nos primeiros dias. Senti algumas dores no joelho e no ombro esquerdo. Fui recuperando e fui fazendo o que me era pedido e isso deixa-me satisfeito. Às vezes não é fazer um bom lugar na etapa ou na geral que é tudo. Estou realizado com o que fiz em prol do Raúl. O que fiz nesta Volta foi reconhecido pela W52-FC Porto", salientou.

Os segredos do sucesso

Passou pela Efapel e Rádio Popular-Boavista, tendo estado em 2017 na LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Agora conhece a vivência por dentro da equipa que não tem dado qualquer hipótese à concorrência, principalmente na Volta a Portugal, a competição que todos mais querem ganhar. Afinal quais são os segredos do sucesso? "Tem um segredo que é o grupo ser bem gerido. Depois temos um grupo maior do que outras equipas, o que dá para gerir o esforço de todos. Os ciclistas podem fazer um pico de forma e descansar a pensar na Volta. Noutras equipas não dá para fazer tanto isto. E isso acaba por ser importante para todos estarem bem fisicamente ou perto disso", explicou. Mas há mais: "Claro que o poder económico faz com que a equipa possa contratar quase todos os ciclistas do pelotão nacional. E depois é este staff que temos, que acaba por criar uma união muito grande."

E para terminar, o que marca ainda a diferença da W52-FC Porto para o restante pelotão: "O segredo é também ter o Nuno Ribeiro [como director desportivo] que ainda há pouco tempo era ciclista. Eu fui companheiro dele e já na altura era muito inteligente tacticamente e como director acaba por estar acima de todos os outros. Tacticamente é muito bom, sabe gerir o grupo ao longo do ano, sabe ler a corrida e trabalhar os ciclistas para quando chegar o momento decisivo, a equipa estar forte. E isso viu-se nestes dois dias [na Senhora da Graça de contra-relógio final de Fafe]."

César Fonte está feliz nesta estrutura e, em princípio, irá ficar pelo menos mais um ano. Quando a época passada estava a terminar, o ciclista, de 31 anos, sabia bem o que queria e encontrou o que procurava na W52-FC Porto. "Meti na cabeça que tinha de ir para uma equipa competitiva, com o objectivo de vencer corridas. Nos primeiros anos como profissional estive na Efapel e era um pouco como o que encontrei agora na W52-FC Porto. É ir para as competições com o objectivo para vencer. Era o que procurava nesta altura da minha carreira e estou muito satisfeito", admitiu.

Um exemplo chamado Rui Vinhas

Raúl Alarcón foi o primeiro a partilhar o seu troféu de vencedor com o amigo Rui Vinhas. Mas toda a equipa rendeu-se a um ciclista que se sacrificou muito além dos limites para ajudar a W52-FC Porto e Alarcón a ganhar mais uma Volta a Portugal. César Fonte recordou aquele dia antes do descanso, a caminho de Viseu. "Eu quando o vi na etapa, quase nem tive reacção para lhe dar uma palavra de apoio. Vieram-me as lágrimas aos olhos. Ele estava mesmo muito mal tratado", contou. Vinhas, que ganhou a Volta em 2016, chocou contra um carro de outra equipa, que parou para dar apoio a um ciclista. Ficou com ferimentos em quase todo o corpo. "Custou-me muito vê-lo assim. Fiquei um pouco em estado de choque. Só uns quilómetros depois consegui ir dar-lhe força", confessou.

"Foi uma loucura. Perguntámos o que aconteceu e ele nem sabia. Foi acima do profissionalismo"

César Fonte realçou como foi Rui Vinhas quem lhe deu o maior apoio inicialmente, quando chegou à equipa. "Sinto uma grande amizade por ele." Vinhas estava já na maca, na ambulância, para ser transportado para o hospital, quando decidiu continuar a corrida, mesmo não se lembrando do que aconteceu. "Ele demonstrou uma força maior. Se calhar 80% dos ciclistas na corrida teriam desistido. Ele mostrou a força que tem em dar tudo em prol dos colegas, neste caso do Raúl. O país inteiro acabou por ficar comovido por fazer isto no estado em que estava."

O que Rui Vinhas fez é um misto de profissionalismo e loucura na opinião de César Fonte: "É um bocado de profissionalismo porque quando caímos temos tendência a pegar na bicicleta e continuar. Mas foi uma loucura. Perguntámos o que aconteceu e ele nem sabia. Foi acima do profissionalismo. Todos reconheceram o esforço dele, ainda mais nós que vimos o que ele fez nestes dias. Na Senhora da Graça puxou 60/70 quilómetros! Ele meteu na cabeça que queria chegar ao fim e ajudar a equipa e assim fez."

Agora é altura de descansar um pouco. Porém, este ano o calendário de final de temporada já não se resume aos tradicionais circuitos. A Taça de Portugal continua em disputa, com três corridas por realizar, a primeira já no sábado, o Grande Prémio de Mortágua. A W52-FC Porto cumpriu a missão principal, mas não significa que não tenha mais pretensões. "Como temos um plantel maior, dá para quem esteve na Volta fazer uma ou outra corrida sem grande pressão para estar no seu melhor e quem não esteve, irá estar bem para tentar fazer resultados e dignificar a equipa", afirmou.

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12 de agosto de 2018

W52-FC Porto e Aviludo-Louletano-Uli com razões para celebrar. Efapel falha objectivos

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
W52-FC Porto e Aviludo-Louletano-Uli são as duas equipas portuguesas que mais felizes saem da 80ª edição da Volta a Portugal. O Sporting-Tavira acabou por ficar com um pódio, que é sempre positivo, mas faltou uma vitória de etapa e ainda perdeu a classificação colectiva para a grande rival. A Efapel foi das formações de elite que pior esteve, falhando em todas as frentes. Entre as sub-25, a Liberty Seguros-Carglass esteve tão perto de um início de sonho, enquanto a LA Alumínios foi muito activa em mostrar-se. Entre as estrangeiras, houve equipas que nem se viram, houve uma Caja Rural que apostou forte, mas o calor pregou-lhe uma partida, enquanto da Roménia veio um sprinter italiano que bisou. A ordem das equipas em baixo é a da classificação colectiva.

W52-FC Porto: Partiu como super favorita e confirmou esse estatuto. Na terceira etapa Raúl Alarcón vestiu a camisola amarela e desde então que pouco se duvidou que a iria perder. Este ano o espanhol acabou por ser a única aposta para a vitória e sempre que foi chamado a resolver a questão depois do trabalho da equipa, Alarcón não falhou e foi claramente o homem mais forte da Volta a Portugal. Muito se falou que a W52-FC Porto estaria mais fraca, mas só o rendimento mais baixo de António Carvalho acabou por surpreender. Foi um trabalho diferente, de desgaste de todos para preparar o caminho para Alarcón, sem que houvesse um plano B que se mantivesse também perto do topo, como aconteceu com Amaro Antunes em 2017. A equipa chegou e sobrou para os adversários, mesmo com um Rui Vinhas em esforço depois de ter chocado contra um carro de outra formação. Foi um dos heróis da Volta pela dedicação à equipa e ao seu amigo Alarcón. Já João Rodrigues foi uma das revelações, ou talvez se possa dizer que foi uma confirmação de toda a sua qualidade. 23 anos, segunda Volta, e um excelente trabalho em prol do líder. Alarcón ganhou ainda a classificação da montanha e a W52-FC Porto tem mais uma vitória colectiva para juntar ao currículo.

Sporting-Tavira: Foi das equipas que mais tentou fazer frente à W52-FC Porto. Joni Brandão - que há um ano falhou a Volta por motivos de saúde - esteve bem, mas não conseguiu equiparar-se a Alarcón. Merece o reconhecimento por na Serra da Estrela ter sido o único a colocar o líder em sentido. Já na Senhora da Graça não conseguiu estar ao nível necessário para aspirar a algo mais do que o segundo lugar. Perder Mario Gonzalez muito cedo foi um rude golpe, mas também o subrendimento de Rinaldo Nocentini não ajudou. É uma equipa que está mais forte do que em 2017, mas ainda não consegue debater-se com a principal rival. O segundo lugar é positivo, mas não houve vitória de etapa, a classificação colectiva, escapou no último dia (só numa etapa não tinha liderado até este domingo) e Brandão ficou sem a camisola da montanha. Foi uma Volta agridoce para o Sporting-Tavira. Uma palavra para Frederico Figueiredo. O senhor regularidade realizou outra boa Volta, com mais um top dez a demonstrar isso mesmo (foi quinto, a 4:09).

Rádio Popular-Boavista: Daniel Silva havia avisado que poderia não ter o ritmo competitivo necessário para estar sempre com os primeiros e foi João Benta (sexto, a 4:19) quem ficou com a responsabilidade de lutar não só pelo top dez, mas tentar um pódio. Não conseguiu, mas a equipa de José Santos tem razões para se sentir muito satisfeita com a sua Volta. Domingos Gonçalves tentou e tentou e em Boticas conseguiu vencer vestido à campeão nacional e fechou no nono lugar, a 6:36. A formação foi sempre muito activa nas fugas e a de David Rodrigues de 70 quilómetros na etapa da Senhora da Graça, merecia mais do que terminar a 250 metros da meta.

Aviludo-Louletano-Uli: Chegou à Volta com uma enorme ambição e pode não ter estado na luta pela vitória como pretendia, mas Vicente García de Mateos confirmou tudo o que tinha mostrado há um ano. Foi novamente terceiro e ficou outra vez com a camisola verde dos pontos. Juntou três vitórias de etapas. Por estes resultados, a equipa algarvia pode dizer que foi a segunda com mais sucesso nesta Volta a Portugal. Luís Fernandes esteve bem no apoio a Mateos, mas de Oscar Hernandez e David de la Fuente esperava-se um pouco mais. Na montanha Mateos os seus ataques foram muitas vezes de pólvora seca, mas depois de a incerteza sobre a sua presença devido a irregularidades no passaporte biológico, o espanhol demonstrou que não ficou afectado por uma suspensão levantada já perto do início da Volta.

Vito-Feirense-BlackJack: Edgar Pinto ficou à porta do pódio, o que deve provocar alguma frustração. Ainda assim, esteve na disputa por um lugar cimeiro, algo que há um ano uma queda grave logo no início da Volta lhe tirou a oportunidade. A vitória de etapa também não chegou, nem por Pinto, nem por João Matias, que este ano esteve mais discreto (mas sempre importante no trabalho colectivo) porque apostou mais na sua especialidade. Porém, os sprints estiveram por conta de um italiano de uma equipa romena. Mas a formação de Joaquim Andrade tem razões para sorrir, pois Xuban Errazkin tem compensado a aposta nele com bons resultados e terminou como vencedor da juventude. Além disso, foi durante a primeira metade da Volta um ciclista importante no apoio a Edgar Pinto. Quebrou no final, mas nada que manchasse a sua grande exibição no geral.

Efapel: Falhou em todos os objectivos. Sérgio Paulinho começou a perder tempo muito cedo e Henrique Casimiro não conseguiu estar com os melhores. O 10º lugar, a 6:69 minutos é pouco. Segurar o top dez tornou-se num dos planos, com a vitória de etapa a ser o objectivo principal. A equipa apareceu muitas vezes na frente para anular fugas e noutros dias colocou homens nelas. Daniel Mestre era o principal corredor designado para conquistar um triunfo que lhe insistiu em escapar apesar do muito trabalho realizado por ele e pelos companheiros. A Volta foi uma desilusão para a Efapel.

Israel Cycling Academy: Há um ano Krists Neilands foi uma das figuras da Volta, ao conquistar a classificação da juventude. A equipa israelita limitou-se desta vez a tentar colocar um ou outro ciclista em fugas, com o australiano Nathan Earle a procurar um bom lugar na geral (foi 15º), mas não se viu tanto como se desejaria de uma formação do segundo escalão mundial - esteve no Giro, com Guy Niv a lá estar nas cinco primeiras etapas -, que aproveitou a Volta para dar alguma rodagem aos seus corredores.

Euskadi Basque Country-Murias: Sem pretensão à geral e a pensar que tem uma Vuelta para enfrentar, a equipa que este ano é Profissional Continental, esteve muito idêntica ao que já fez por cá. A vitória de etapa chegou por Enrique Sanz e Oscar Rodriguez chegou a ser líder da juventude. Foi uma equipa q.b..

Caja Rural: Começou em grande com a vitória de Rafael Reis no prólogo e com a camisola amarela que vestiu nos três dias seguintes. Porém, logo na primeira etapa perdeu Joaquim Silva, que estava na Volta com grandes ambições. O calor atirou o português para fora da prova e a Caja Rural não teve outra solução se não ir apostando em fugas, mas sem sucesso.


Differdange-Losch: Exibição muito discreta da equipa luxemburguesa, que pouco ou nada se mostrou. Os ciclistas aproveitaram para ganhar outro tipo de experiência.

Team Coop: Apesar de ser formada por ciclistas nórdicos, resistiu ao calor e tentou mostrar-se na corrida. Entrou em fugas e o norueguês Krister Hagen não escondeu a frustração quando em Boticas foi segundo, atrás de um Domingos Gonçalves que tinha ganho vantagem na última subida. Sem encantar, tentou pelo menos mostrar-se competitiva.

LA Alumínios: Muito se viu os seus ciclistas a tentar escapar ao pelotão e a conseguir entrar mesmo em fugas, sempre a tentar mostrar-se na frente e, claro, dar tempo de antena ao patrocinador. Apesar da muita juventude de uma equipa 100% portuguesa, o director desportivo Hernâni Brôco viu os seus ciclistas responderem positivamente a um difícil desafio e só um não terminou a Volta: Paulo Silva.

Liberty Seguros-Carglass: Dois segundos apenas separaram a equipa sub-25 de uma estreia de sonho na Volta a Portugal. César Martingil quase ganhou o prólogo e vestiu a amarela, mas Rafael Reis não deixou. Martingil foi uma das figuras iniciais da corrida, vestindo a camisola da juventude e disputando um dos sprints, até que uma queda lhe estragou a corrida. Acabaria por abandonar. Tal como as outras duas equipas sub-25, o grande objectivo passou por dar uma experiência mais competitiva aos jovens ciclistas, que se estrearam na Volta. Equipa tentou entrar em fugas e estar o mais activa possível. Corrida positiva para a Liberty Seguros-Carglass.

Sapura Cycling: Esteve muito activa na primeira parte da Volta, com Mario Vogt a vestir a camisola da montanha, até que as mais difíceis surgiram no percurso. Presença habitual nas fugas, perdeu fôlego após o dia de descanso, mas foi das equipas estrangeiras que mais se viu na corrida.

Miranda-Mortágua: Outra equipa só com ciclistas portugueses e que sofreu uma grande desilusão quando António Barbio se tornou uma das vítimas do calor intenso. Perdeu também Pedro Teixeira na mesma terceira etapa e com cinco corredores não é fácil estar numa corrida como a Volta a Portugal. Francisco Campos espreitou os sprints, enquanto Gonçalo Carvalho aproveitou para ir confirmando as suas qualidades, com um terceiro lugar na classificação da juventude.

Amore & Vita-Prodir: A presença desta equipa com licença albanesa resume-se a Pierpaolo Ficara que foi dos ciclistas que mais quilómetros acumulou em fugas. Mas nada mais fez e terminou apenas com três corredores.

WB Aqua Protec Veranclassic: A formação belga não escondeu que a presença em Portugal foi a pensar mais em oferecer uma experiência diferente aos seus ciclistas pouco habituados a corridas tão extensas. Por isso, pouco se viu de uma das quatro equipas do escalão Profissional Continental.

Team Ecuador: Deu para esquecer que estava na corrida. Não se viu nada dos seus ciclistas. O equatoriano Cristian Pita era a maior esperança, mas abandonou logo na terceira etapa.

MSTina-Focus: A equipa romena sai de Portugal muito satisfeita. Riccardo Stacchiotti venceu duas etapas, não dando hipótese ao sprint. O mesmo ciclista já tinha ganho uma tirada no Grande Prémio Nacional 2. Pouco mais se viu da MSTina-Focus como demonstra o último lugar na classificação colectiva, mas a missão ficou mais do que cumprida com as exibições do ciclista italiano.

Pode ver aqui as classificações finais. 

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A última afirmação da W52-FC Porto

(Fotografia: © João Fonseca/W52-FC Porto)
Num último grito para mostrar quem manda definitivamente na Volta a Portugal, a W52-FC Porto fez um autêntico assalto à classificação colectiva. Com mais uma vitória na geral, camisola da montanha, três etapas, tudo por Raúl Alarcón e ainda mais todo o controlo que esta equipa realizou durante semana e meia, mais não era preciso para que não restassem dúvidas quem continua no topo do ciclismo nacional. E sem adversário à altura. Mas era quase uma questão de orgulho. Com dois segundos a separar a equipa do Sporting-Tavira, foram cinco os ciclistas azuis e brancos no top dez do contra-relógio de Fafe.

Impressionante! Cinco! Só Joni Brandão lá ficou pela equipa algarvia, com 1:54 a ser a diferença final entre as duas formações. Poder-se-ia dizer que a rivalidade clubística motivou ainda mais esta exibição, mas esta W52-FC Porto gosta de ganhar. E no principal palco, não quer papéis secundários. Teria feito performance idêntica fosse quem fosse que estivesse à sua frente.

A 80ª edição da Volta a Portugal foi azul e branca, com um Vincente García de Mateos a intrometer-se na festa final ao ganhar o contra-relógio de 17,3 quilómetros e empatar em número de vitórias de etapas com Alarcón. O espanhol da Aviludo-Louletano-Uli tentou ainda chegar ao segundo lugar, mas Brandão defendeu-se o suficiente para o manter, por 11 segundos. Mateos repete o terceiro e a camisola dos pontos de 2017.

Para o Sporting-Tavira foi uma derradeira frustração, com o próprio Joni Brandão a salientar como acabaram por ser segundos em quase tudo: na geral, na montanha e por equipas. E nem uma etapa esta equipa conquistou. Xuban Errazquin (Vito-Feirense-BlackJack) confirmou a classificação da juventude.

(Fotografia: © João Fonseca/W52-FC Porto)
Além dos prémios da Volta, a W52-FC Porto fica com outras distinções: a figura da Volta foi inevitavelmente Alarcón, o herói ou super combativo, como existe no Tour, tem de ficar entregue a um Rui Vinhas que estava preparado para ir para o hospital, mas continuou em prova, com ligaduras nos braços e pernas, pontos no rosto e mão... Tudo fez para ajudar o seu amigo a ganhar mais uma Volta a Portugal depois de chocar contra um carro de outra equipa. A revelação, que não deixa de ser uma confirmação de todo o seu talento, vai para João Rodrigues. 23 anos e está a caminho de se tornar num dos melhores gregários e vamos ver para o que mais poderá evoluir, nesta que foi a sua segunda Volta, a primeira pela equipa azul e branca. Foi segundo no contra-relógio, mostrando todo o trabalho que tem feito neste sentido.

Noutra perspectiva, a W52-FC Porto até pode ficar também com uma das desilusões da corrida, com António Carvalho a estar muito abaixo do esperado, depois de há um ano ter sido uma das figuras principais. Mas até terminou muito forte o contra-relógio, no repto para ganhar colectivamente.

Mais um ano de festa no Sobrado após um domínio quase total da W52-FC Porto!

Pode ver aqui as classificações finais.

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11 de agosto de 2018

Uma Volta a Portugal que soube a pouco

Raúl Alarcón fez um V de Vinhas, dedicando a vitória
na Senhora da Graça ao amigo Rui Vinhas
(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Ainda não acabou, mas só uma catástrofe tirará a vitória na Volta a Portugal a Raúl Alarcón. Sempre que foi preciso, o espanhol demonstrou que não só estava forte, mas que era o mais forte. Aquela atitude de ataque de Joni Brandão nas Penhas da Saúde deixou sinais positivos para o líder do Sporting-Tavira, mas Alarcón quase nunca viu um ataque seu ter uma resposta que o ameaçasse. As três vitórias de etapa que tem demonstram isso mesmo. Vai para os 17,3 quilómetros finais da corrida com mais de um minuto de vantagem sobre todos, pois Brandão perdeu nove segundos na Senhora da Graça e ficou a 1:01. Não se fazem festas antecipadas, mas as celebrações no Monte Farina eram mais do que a conquista da mítica subida. O discurso de dedicatória aos colegas de equipa e especialmente a Rui Vinhas, não escondem que já se sente que há mais uma Volta ganha.

Pelo segundo ano consecutivo Alarcón não deu hipóteses na Senhora da Graça. Pelo segundo ano consecutivo Alarcón não deu hipóteses na Volta a Portugal. O percurso da competição este ano apresentava-se mais interessante. O calor fez mossa, naturalmente, mas o cancelamento da subida à Torre deixará sempre algum espaço para a dúvida se algo poderia ter sido um pouco diferente. Talvez não... Por aquilo que o espanhol mostrou durante toda a corrida, por todo o controlo que a W52-FC Porto fez, a Volta a Portugal comprovou a teoria inicial que se estaria perante uma prova para ver se alguém se conseguiria aproximar da equipa que é dona e senhora da corrida há seis anos, se se confirmar a vitória de 2018 no contra-relógio de Fafe, neste domingo. Como a classificação está neste momento, ainda há muito a fazer nas restantes equipas de elite portuguesas para conseguirem disputar a corrida que todos mais querem em Portugal.

O director, Nuno Ribeiro, não resistiu em falar de como se tem apontado como a sua equipa está mais fraca. A resposta foi dada na estrada e Alarcón deixou ainda o aviso que a classificação colectiva estará nos planos, pois apenas dois segundos separam a W52-FC Porto do Sporting-Tavira. A equipa algarvia arrisca-se a ficar sem nada, já que Brandão perdeu a camisola da montanha para Alarcón na Senhora da Graça e não tem qualquer vitória de etapa. Marque será a última esperança no contra-relógio para pelo menos este triunfo e assim juntar a um sempre honroso segundo lugar, se Joni Brandão o conseguir segurar.

Até houve uma tentativa do Sporting-Tavira de se mostrar na frente. Impôs ritmo, mas não quebrou ninguém de importante e as duas subidas de primeira categoria no Alto da Barra e no Barreiro não serviram para arriscar nenhum ataque de longe. Na Senhora da Graça, Alejandro Marque atacou, Frederico Figueiredo contra-atacou, mas ficou-se sem perceber qual a intenção, pois a W52-FC Porto não tremeu e acabou por deixar ambos para trás. Brandão ficou isolado no grupo.

Uma palavra para João Rodrigues. Este jovem ciclista está a realizar um trabalho tremendo, naquela que é a sua segunda Volta a Portugal, com apenas 23 anos. A primeira foi em 2015 com o Tavira. Se é capaz de apoiar Alarcón assim agora, este ciclista tem claramente um futuro muito prometedor. O algarvio está no top dez, em oitavo, a 5:40 do companheiro e é o segundo melhor da equipa.

Esta Volta a Portugal soube a pouco porque se gostaria de ter assistido a maior competitividade e maior indefinição, mas esta W52-FC Porto merece um enorme aplauso de pé porque saem ciclistas de qualidade, mas mais vão surgindo e é isso que tem feito a diferença, numa estrutura que felizmente tem contado com uns patrocinadores que permitem a Nuno Ribeiro poder juntar alguns dos melhores corredores do pelotão nacional. Mais do que isso, sabe tirar o melhor rendimento de todos.

O outro Rodrigues

Quem não terá gostado assim tanto do trabalho de João, foi o outro Rodrigues, o David. Faltavam apenas 250 metros para cortar a meta na Senhora da Graça quando o sonho de vencer terminou. Alarcón tinha aproveitado o grande trabalho da equipa, com João Rodrigues a ser o último a entrar ao serviço, para a cerca de 500 metros arrancar e ganhar a etapa. Depois de cerca de 70 quilómetros em fuga solitária, ver a vitória escapar assim é até algo triste. Mas o ciclismo é assim mesmo e David até reagiu da melhor forma: "Para o ano estamos cá outra vez!"

Para a Rádio Popular-Boavista, que ganhou uma etapa por intermédio de Domingos Gonçalves, em Boticas, fica a certeza que tem mais um ciclista para talvez discutir algo mais nas próximas edições, já que tem 27 anos e a sua evolução é notória.

Se a camisola amarela está presa por um contra-relógio sem incidentes por parte de Alarcón, a azul da montanha é dele - como já foi referido -, tal como a verde dos pontos é de Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano-Uli), que vence a classificação pelo segundo ano consecutivo. Falta segurar o lugar no pódio que está preso por 15 segundos, com Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) a recuperar este sábado dois. Mateos ainda não atira a toalha ao chão pelo menos para o segundo lugar, mas terá de recuperar 47 segundos para Joni Brandão.

Tal como Alarcón, também Xuban Errazkin terá de cumprir sem sustos grandes o contra-relógio para assegurar a camisola branca da juventude. O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack tem 3:35 minutos de vantagem sobre Oscar Rodriguez, da Euskadi Murias.

Para o contra-relógio de Fafe, que pela primeira vez irá receber o final da Volta a Portugal, o romeno Emil Dima (MSTina-Focus) será o primeiro a partir, às 15:02. O top dez vai para a estrada a partir das 16:42, com Domingos Gonçalves, com dois minutos a separá-los. Ou seja, Raúl Alarcón irá para a estrada às 17:00.

Pode ver aqui as classificações completas.



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