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25 de fevereiro de 2018

Avermaet prefere ter Sagan ao seu lado nas clássicas

(Fotografia: Chris Auld Photography/BMC)
Não há razões para se preocupar, mas o início das clássicas não foi o desejado por Greg van Avermaet. O belga avisou que se sentia melhor e que estava mais em forma do que em 2017, contudo, apesar de se ter mostrado na frente das corridas, acabou com resultados discretos. E é fácil explicar porquê. Avermaet foi o principal alvo das atenções de toda a concorrência, estatuto que normalmente pertence a Peter Sagan. O eslovaco adiou este ano o seu início nesta fase da temporada para o próximo sábado, falhando as duas primeiras corridas este fim-de-semana. Avermaet disse logo que preferia ter o seu grande rival em prova e tinha razão.

Nos últimos dois anos, o belga começou as clássicas deixando Sagan em segundo na Omloop Het Nieuwsblad. Apenas dois exemplos do eslovaco ser sido batido por Avermaet. É já uma das rivalidades que não se esquecerá e a prova como ter ciclistas de elevado nível como adversários, não só traz o melhor de cada um ao de cima, como, no caso de belga, o ajuda mesmo a vencer. "Parece estranho dizer, mas às vezes é mais fácil ter alguém como ele contigo, do que se ser o favorito para que todos olham. Acho que vai ser mais difícil." A frase foi de facto um prenúncio do que se veio a ver tanto na Omloop, no sábado, como este domingo na Kuurne-Bruxelles-Kuurne.

O que Avermaet disse ainda, explica bem o porquê de querer ter Sagan rapidamente ao seu lado: "Para mim não é uma vantagem o Peter não estar. Gosto de correr com o Peter. Ele abre a corrida e pedala a todo o gás." Esta é uma característica que marca de facto o tricampeão mundial e que tanto faz dele um dos melhores ciclistas, como também lhe traz muitos dissabores, pois trabalha tanto, para depois, por vezes, perder no último esforço.

Avermaet soube usar esta característica de Sagan a seu favor e bem sentiu a falta do rival. Depois da Omloop, corrida na qual andou na frente, mas não conseguiu discutir a vitória - foi 50º a 12 segundos de Michael Valgren (Astana) - o belga referiu como houve ataques, mas não houve cooperação no grupo que se formou na frente. Disse como tentou atacar, mas não quis ser apenas ele a puxar, enquanto todos ficavam na sua roda... Faltou-lhe Sagan!

Na Kuurne-Bruxelles-Kuurne ficou na 56ª posição, numa corrida decidida ao sprint. Avermaet ainda se mostrou, mas rapidamente percebeu que dificilmente seria o seu dia. Ele vestiu a pele de Sagan e não foi agradável ver-se no papel de alvo a abater, ou pelo menos de alvo a receber muita (quase toda) a atenção. Na perspectiva dos adversários, os seus ataques eram para ser anulados ou aproveitados para ter uma roda a seguir, não para cooperar numa fuga. E pensamos: sina de Sagan!

Mas, como se começou este texto, não há razões para se preocupar. Até haverá muitas ilações a tirar. É que mesmo quando tiver Sagan a seu lado, Avermaet vai continuar a estar debaixo de olho da concorrência. É o preço de ter começado a ganhar muito e em grande em 2016 e 2017. O campeão olímpico está a apontar as baterias à Volta a Flandres, depois de ter conquistado o seu primeiro monumento no Paris-Roubaix. Quebrou um enguiço que estava difícil, mas é Flandres que mais quer. Ele e Sagan até se aliaram no ano passado para perseguir Philippe Gilbert, mas aquele casaco nas grades traiu os dois. Sagan caiu e levou com ele o belga. Aliás, os dois belgas, pois Oliver Naesen também lá estava.

As boas notícias para Avermaet (e para quem gosta de clássicas) é que Peter Sagan estará de volta no sábado, na Strade Bianche, e andará de "mãos dadas" no calendário com o rival até à Amstel Gold Race. Ou seja, depois da corrida do sterrato virá o Tirreno-Adriatico, Milano-Sanremo, E3 Harelbeke, Gent-Wevelgem, Volta a Flandres, Paris-Roubaix e depois, então, a corrida que abre a semana das Ardenas. Antes de Roubaix, Sagan estará na Scheldeprijs, já Avermaet prefere saltar essa competição.

Foi um estranho início de clássicas sem Peter Sagan. Até Avermaet sentiu a sua falta! Mas a normalidade está prestes a regressar.

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»»Um estranho início das clássicas sem Peter Sagan««

21 de setembro de 2017

Já é conhecido o calendário do World Tour para 2018

Em dia de descanso nos Mundiais - que regressam esta sexta-feira com as provas em linha -, não significa que não houvesse pontos de interesse. Houve eleições na UCI, que terá um novo presidente e até já se conhece uma medida: acabar com o contra-relógio por equipas nos Campeonatos do Mundo. Foi também divulgado o calendário World Tour, no qual não há grandes mudanças, apenas a confirmação que a Volta ao Qatar foi mesmo riscada, depois de este ano ter subido ao principal escalão, para depois ser cancelada devido a problemas financeiros. Algumas corridas serão em datas ligeiramente diferentes. Já no Women's World Tour há três novas competições.

No calendário masculino, a Dwars Door Vlaanderen vai realizar-se depois da Gent-Wevelgem, enquanto a RideLondon-Surrey Classic irá ter lugar no mesmo dia que o final da Volta a França, seguindo-se depois a Volta à Polónia e a Clássica de San Sebastian. Uma alteração na ordem destas corridas. Quanto às três grandes voltas, o Giro será de 5 a 27 de Maio, o Tour de 7 a 29 de Julho e a Vuelta de 25 de Agosto a 16 de Setembro. Os monumentos: Milano-Sanremo, 17 de Março; Volta a Flandres, 1 de Abril; Paris-Roubaix, 8 de Abril; Liège-Bastogne-Liège, 22 de Abril; Il Lombardia, 13 de Outubro.

Quanto às eleições na UCI, David Lappartient bateu o até agora presidente Brian Cookson. O francês conseguiu 37 votos contra oito e destacou como isso significou que recebeu votos de todas as confederações. Apesar de se esperar uma eleição mais renhida, a vitória de Lappartient não é uma surpresa, já que era conhecido que recolhia o apoio na Europa, com Cookson mais popular na Ásia, África e Oceânia. Não chegou e pela primeira vez um presidente só cumprirá um mandato.

Há quatro anos, Cookson foi uma espécie de voto de revolta contra a liderança de Pat McQuaid, que atravessou momentos muito conturbados no ciclismo. Cookson assumiu como bandeira do mandato a luta contra o doping e o desenvolvimento da modalidade para as mulheres.

Há alguma expectativa para ver Lappartient à frente da UCI, depois de ter liderado a União Europeia de Ciclismo. Para já, avisou que a partir de 2020 irá acabar com o contra-relógio por equipas nos Mundiais, justificando que as equipas não estão interessadas. Esta decisão surge depois de um contra-relógio colectivo que até demonstrou como estão a aparecer mais formações com o objectivo de ganhar, casos da Sunweb (a nova campeã) e a Sky. Porém, a participação reduzida (apenas 11 das 18 equipas do World Tour estiveram presentes e somente uma Profissional Continental) sustentam a opinião de Lappartient., não se esquecendo como em Doha2016 se correu o risco de ninguém participar devido aos elevados custos da deslocação. Mas esta será apenas uma decisão no muito trabalho que espera ao francês num desporto movido por muitos interesses.

Artur Lopes, presidente da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Ciclismo, foi eleito para o Comité Director da UCI, sendo o candidato mais votado.

Aqui fica o calendário completo do World Tour masculino e feminino. As três novas competições das senhoras são a Driedaagse De Panne-Koksijde (Bélgica), WWT Emakumeen XXXI. Bira (Espanha) e a Volta a Guangxi (China).

World Tour:

  • 16 a 21 de Janeiro: Santos Tour Down Under (Austrália)
  • 28 de Janeiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
  • 21 a 25 de Fevereiro: Abu Dhabi Tour (Emirados Árabes Unidos)
  • 24 de Fevereiro: Omloop Het Nieuwsblad Elite (Bélgica)
  • 3 de Março: Strade Bianche (Itália)
  • 4 a 11 de Março: Paris-Nice (França)
  • 7 a 13 de Março: Tirreno-Adriatico (Itália)
  • 17 de Março, Milano-San Remo (Itália)
  • 19 a 25 de Março: Volta à Catalunha (Espanha)
  • 23 de Março: E3 Harelbeke (Bélgica)
  • 25 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
  • 28 de Março: Dwars door Vlaanderen (Bélgica)
  • 1 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
  • 2 a 7 de Abril: Volta ao País Basco (Espanha)
  • 8 de Abril: Paris-Roubaix (França)
  • 15 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
  • 18 de Abril: Flèche Wallonne (Bélgica)
  • 22 de Abril Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
  • 24 a 29 de Abril: Volta à Romandia (Suíça)
  • 1 de Maio: Eschborn-Frankfurt – Rund um den Finanzplatz (Alemanha)
  • 5 a 27 de Maio: Volta a Itália
  • 13 a 19 de Maio: Volta à Califórnia (EUA)
  • 3 a 10 de Junho: Critérium du Dauphiné (França)
  • 9 a 17 de Junho: Volta à Suíça
  • 7 a 29 de Julho: Volta a França
  • 29 de Julho: Prudential RideLondon-Surrey Classic (Grã-Bretanha)
  • 4 a 10 de Agosto: Volta à Polónia
  • 4 de Agosto: Clássica de San Sebastian (Espanha)
  • 13 a 19 de Agosto: Binck Bank Tour (Holanda/Bélgica)
  • 19 de Agosto: Clássica de Hamburgo (Alemanha)
  • 25 de Agosto a 16 de Setembro: Volta a Espanha
  • 26 de Agosto: Bretagne Classic-Ouest-France (França)
  • 7 de Setembro: Grande Prémio do Québec (Canadá)
  • 9 de Setembro: Grande Prémio de Montreal (Canadá)
  • 9 a 14 de Outubro: Volta à Turquia
  • 13 de Outubro: Il Lombardia (Itália)
  • 16 a 21 de Outubro: Volta a Guangxi (China)

Women's World Tour:

  • 3 de Março: Strade Bianche (Itália)
  • 11 de Março: Ronde van Drenthe (Holanda)
  • 18 de Março: Trofeo Alfredo Binda-Comune di Cittiglio (Itália)
  • 22 de Março: Driedaagse De Panne-Koksijde (Bélgica)
  • 25 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
  • 1 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
  • 15 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
  • 18 de Abril: Flèche Wallonne (Bélgica)
  • 22 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
  • 26 a 28 de Abril: Volta à Ilha Chongming (China)
  • 10 a 13 de Maio: Amgen Breakaway from Heart Disease Women’s Race (EUA)
  • 19 a 22 de Maio: WWT Emakumeen XXXI. Bira (Espanha)
  • 13 a 17 de Junho: OVO Energy Women’s Tour (Grã-Bretanha)
  • 6 a 15 de Julho: Volta a Itália
  • 17 de Julho: La Course by Le Tour de France (França)
  • 28 de Julho: Prudential RideLondon Classique (Grã-Bretanha)
  • 10 de Agosto: Crescent Vårgårda (contra-relógio colectivo) (Suécia)
  • 12 de Agosto: Crescent Vårgårda (Suécia)
  • 16 a 19 de Agosto: Volta à Noruega
  • 25 de Agosto: GP de Plouay-Lorient Agglomération (França)
  • 28  de Aug a 2 de Setembro, Boels Ladies Tour (Holanda)
  • 16 de Setembro: Madrid Challenge by La Vuelta (Espanha)
  • 21 de Outubro: Volta a Guangxi (China)

8 de abril de 2017

Francisco Campos foi o melhor português na Volta a Flandres dos sub-23

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Foi uma Volta a Flandres acidentada para os sub-23 portugueses. Uma semana depois da elite, foi a vez das jovens esperanças enfrentarem os 18 muros desta mítica clássica, incluindo o Kapelmuur, Kwaremont e Paterberg. Apesar de uma equipa com capacidade para estar entre os melhores, entre furos e quedas foi Francisco Campos quem conseguiu ser o melhor, terminando na 50ª posição, a 4:24 do vencedor. O penafidelense da formação Miranda-Mortágua está a ser um dos destaques deste início de temporada e a próxima corrida, na Holanda - o ZLM Tour -, será mais para as suas características, pois é uma prova que beneficia os ciclistas mais rápidos.

De recordar que Francisco Campos soma já quatro vitórias em 2017, as últimas duas na Volta às Terras de Santa Maria e a primeira foi na prova de abertura Região de Aveiro, onde bateu a elite nacional. Conquistou ainda a classificação de melhor jovem no Troféu Liberty Seguros.

André Carvalho seguia no grupo da frente quando furou. Atrasou-se, tal como Gaspar Gonçalves, que cedeu a roda ao seu companheiro. Mas o maior azar pertenceu a André Crispim. O jovem da Liberty Seguros/Carglass caiu e teve de ser transportado para o hospital, pois tinha "uma ferida muito aberta", segundo a Federação Portuguesa de Ciclismo. Os três ciclistas não terminaram os 168 quilómetros.

Quanto aos outros dois corredores convocados pelo seleccionador José Poeira, Marcelo Salvador foi 61º também a 4:24 minutos do vencedor e César Martingil foi 95º, a 8:57.

A Volta a Flandres é a primeira prova da Taça das Nações que prossegue no próximo sábado na Holanda. Está previsto Rui Oliveira substituir Marcelo Salvador, mas falta agora saber como estará André Crispim após a queda.

O vencedor foi o irlandês Edward Dubnar, colega dos gémeos Oliveira na Axeon Hagens Berman. O belga Jasper Philipsen ficou a 49 segundos, seguido pelo francês Jérémy Lecroq.




7 de abril de 2017

Sub-23 portugueses enfrentam os 18 muros da Volta a Flandres

César Martingil é uma das principais figuras dos sub-23 portugueses
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Uma semana depois do espectáculo dado por Philippe Gilbert será a vez de saber quem é o jovem que consegue conquistar a dureza da Volta a Flandres para o escalão de sub-23. A distância é menor, naturalmente (168,1 quilómetros contra os 260 da elite), mas são também 18 muros que terão pela frente, incluindo os míticos Kapelmuur, Kwaremont e Paterberg. Portugal estará representado por André Crispim, César Martingil e Gaspar Gonçalves da Liberty Seguros/Carglass, André Carvalho (Team Cipollini Iseo Rime), Marcelo Salvador (Sicasal/Constantinos/Delta Cafés) e Francisco Campos (Miranda/Mortágua), ciclista que começou muito bem a temporada, com uma vitória na Prova de Abertura Região de Aveiro - frente à elite -, foi o melhor sub-23 do Troféu Liberty Seguros e mais recentemente ganhou duas etapas na Volta às Terras de Santa Maria.

Será uma dupla jornada que contará para a Taça das Nações. Depois da competição belga deste sábado, a equipa nacional de sub-23 viajará até à Holanda para dia 15 (também um sábado) competir no ZLM Tour. O percurso de 181,3 quilómetros tem por hábito ficar marcado pelo vento e pelo perigo de se produzirem cortes no pelotão, obrigando os ciclistas a uma elevada concentração e a colocação poderá ser decisiva. É uma corrida que normalmente beneficia os mais rápidos. Para a competição holandesa foi chamado Rui Oliveira (Axeon Hagens Berman), que substituirá Marcelo Salvador.

A qualidade dos ciclistas chamados por José Poeira deixa algumas expectativas quanto à possibilidade de um bom resultado nas duas corridas, crença expressa também pelo seleccionador nacional. “São duas provas com muita intensidade e com grande exigência técnica. Por isso são corridas fundamentais para a formação dos corredores com vista ao futuro. Entre os ciclistas convocados temos corredores que já fizeram este tipo de clássicas e que sabemos possuir qualidade para estar junto dos melhores”, salientou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Entre alguns dos recentes vencedores da Volta a Flandres estão ciclistas que ou já estavam em equipas World Tour ou entretanto chegaram lá, como por exemplo: David Per (Bahrain-Merida), Alexander Edmonson (Orica-Scott), Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), Rick Zabel (Katusha-Alpecin) e Salvatore Puccio (Sky).

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5 de abril de 2017

A dolorosa descrição das lesões que afastam Sep Vanmarcke do Paris-Roubaix

Foi neste estado que Sep Vanmarcke ficou após uma aparatosa queda
na Volta a Flandres (Fotografia: Facebook de Sep Vanmarcke)
A decisão não é uma surpresa, apenas a confirmação do que as imagens da Volta a Flandres e as posteriores declarações do director desportivo e irmão do ciclista deixavam antever. Sep Vanmarcke não está em condições de enfrentar o Inferno do Norte. O belga nem está em condições para andar numa bicicleta. Foi o próprio que descreveu as razões que o levam a falhar a última corrida do pavé desta fase das clássicas, o que é naturalmente mais uma grande desilusão para o ciclista, que muito se preparou para quebrar o azar de outros anos e mostrar-se na sua nova equipa, a Cannondale-Drapac, mas afinal voltou a ser perseguido pela má sorte.

Ken Vanmarcke havia referido, na segunda-feira, que o irmão tinha o dedo mindinho da mão direita partido e que faria um teste na bicicleta para ver se aguentava as dores. Tendo em conta que o Paris-Roubaix é tudo menos uma corrida feita apenas em estradas de alcatrão em excelentes condições, já era previsível que Sep Vanmarcke não aguentasse. Porém, o ciclista nem considera o dedo partido o pior do seu estado físico. A descrição de como ficou após a aparatosa queda dói só de ler.

"O dedo mindinho partido na mão direita torna impossível colocar a mão na parte de cima do guiador. Consigo travar utilizando dois dedos, mas sempre que passo por uma lomba ou algo do género, é doloroso. Mas o maior problema é na mão esquerda porque a pele saiu em todos dos dedos. Não consigo travar com essa mão. É demasiado doloroso fazer pressão nela. E depois, o meu joelho direito é ainda um problema... Não fazia sentido estar na partida [para o Paris-Roubaix]. Perdi muita pele", explicou Sep Vanmarcke.

O terceiro lugar na Omloop Het Nieuwsblad, corrida que venceu em 2012, revelava que o belga poderia estar nas condições que desejava para conquistar mais vitórias nas clássicas do pavé este ano e assim confirmar o seu potencial, algo que se espera desde 2010. No entanto, após esse pódio, tudo voltou a ser triste para o belga de 28 anos. "A Omloop correu bem, mas desde a Strade Bianche que começou tudo a correr mal. Uma queda, as costelas, depois tive problemas no estômago, depois esta queda... Portanto, tenho andado a lutar muito e volto sempre", salientou.

E agora vai de facto regressar à luta da recuperação, na tentativa de estar em condições de alinhar na Amstel Gold Race, a 16 de Abril. Ainda assim, Vanmarcke não consegue esconder a tristeza por mais um ano ter passado e não ter conquistado qualquer vitória nas clássicas do pavé. "É uma desilusão. Nunca consegui mostrar o nível em que estava", desabafou o ciclista, que admitiu que a 1 de Novembro começou a preparação para estas corridas, que eram o seu principal objectivo para 2017.

Mas o azar não se fica por Sep Vanmarcke. A Cannondale-Drapac não consegue encontrar o caminho das vitórias e as suas principais figuras não aparecem ao seu melhor. A equipa americana está a fazer uma primeira fase de temporada muito preocupante, somando apenas uma vitória, na segunda etapa da Coppi e Bartali, por intermédio de Toms Skujins. A ausência de Vanmarcke do Paris-Roubaix é um duro golpe para a Cannondale-Drapac, que também não sabe se poderá contar com Taylor Phinney. É outro ciclista perseguido por maus momentos. Desde a queda que quase acabou com a sua carreira nos Nacionais de 2014, que o americano nunca mais se reencontrou com a sua melhor forma. Também ele caiu na Volta a Flandres e sofreu uma concussão. A decisão sobre a sua participação será feita no final da semana.

Dylan van Baarle conseguiu terminar na quarta posição na Volta a Flandres, salvando um pouco a honra da equipa e o holandês poderá ser a principal aposta da Cannondale-Drapac para o Paris-Roubaix.

Mark Cavendish com lesão no tornozelo

O sprinter britânico estava previsto voltar a marcar presença no Paris-Roubaix. É certo que não entrava na lista de candidatos, mas Mark Cavendish é... Mark Cavendish. Onde está chama sempre a atenção. Porém, a temporada do ciclista da Dimension Data também não está a correr como desejada. Apenas venceu uma etapa e a classificação por pontos na Volta a Abu Dhabi e não compete desde 18 de Março quando foi 101º na Milano-Sanremo, não tendo conseguido estar na discussão do monumento como queria.

Mark Cavendish deveria ter regressado à competição esta quarta-feira na clássica belga Scheldeprijs, mas o seu nome não apareceu na lista de ciclistas que se apresentaram pela Dimension Data. O médico da formação sul-africana explicou, num comunicado, que Cavendish lesionou-se no tornozelo direito no Tirreno-Adriatico. Jarrad Van Zuydam referiu que se pensava que o problema estava ultrapassado, mas o ciclista voltou a sentir dores. Vão ser feitos mais exames e tratamentos, se necessário, pelo que não está agendado o regresso do britânico às corridas.

»»Gilbert resiste à tentação e não vai ao Paris-Roubaix««

»»Paris-Roubaix. Corrida seca, rápida, com novas cores e homenagem a Tom Boonen««

4 de abril de 2017

Gilbert resiste à tentação e não vai ao Paris-Roubaix

(Fotografia: Facebook Philippe Gilbert Fan Club)
A tentação foi grande. Muito grande. Depois da exibição épica na Volta a Flandres tanto Philippe Gilbert como o director da Quick-Step Floors ficaram tentados em seguir para o Paris-Roubaix. O plano inicial era o campeão belga começar a pensar na semana das Ardenas, mas uma vitória como a de domingo tornava quase irresistível marcar presença no clássica francesa. De recordar que Gilbert sempre ambicionou ganhar os cinco monumentos e a conquista da Volta a Flandres fez com que fiquem a faltar precisamente o Paris-Roubaix e a Milano-Sanremo, que agora só poderá ser "atacada" em 2018. No entanto, ambos resistiram à tentação e mantiveram o plano inicial: Gilbert irá às Ardenas, enquanto no Paris-Roubaix a equipa estará 100% concentrada em ajudar Tom Boonen a ter uma gloriosa despedida.

"Tenho uma atracção pelo Paris-Roubaix, mas não vou lá estar este ano. Preciso de fazer uma pausa e recuperar, para depois começar a pensar nas Ardenas. Vou fazer parte de uma equipa muito forte, juntamente com o Julian [Alaphilippe] e o Dan [Martin]", explicou Gilbert. O ciclista belga, de 34 anos, acrescentou que só uma vez competiu no Paris-Roubaix, em 2007, e que uma corrida como esta clássica é preciso ter experiência, ainda mais tendo em conta a missão da Quick-Step Floors: "O Tom [Boonen] precisa de todo o apoio para ter a sua última oportunidade [de ganhar]."

Também Patrick Lefevere acabou por explicar publicamente a ausência do vencedor da Volta a Flandres da corrida do próximo domingo. Os homens que apostam nas clássicas do pavé costumam marcar presença nos dois monumentos. "Imediatamente após a esplêndida vitória na Volta a Flandres, a tentação para convocar o Philippe foi muito grande, especialmente porque ele também estava a pensar nisso. Mas ponderámos e decidimos que era melhor para ele descansar um pouco, para depois regressar aos treinos para a campanha das Ardenas, onde a experiência e força dele serão muito úteis", afirmou Lefevere. De salientar que em 2011, Gilbert venceu as três provas da semana das Ardenas.

A Volta a Flandres foi muito importante para a Quick-Step Floors, que além de voltar a conquistar um monumento, demonstrou um enorme poderio a trabalhar como equipa. Sempre foi uma formação que tem as clássicas como a fase mais importante do ano, mas nos últimos anos, esta fase da época era marcada por muitos altos e baixos. No domingo, Gilbert foi fenomenal, mas Boonen e Matteo Trentin foram decisivos no ataque que deixou Peter Sagan e Greg van Avermaet para trás quando faltavam 95 quilómetros.

No Paris-Roubaix não haverá qualquer dúvida. Tom Boonen será o líder e toda a equipa lutará para garantir que o belga acaba a carreira com uma vitória, que será uma inédita quinta no Paris-Roubaix. Trentin estará novamente ao lado de Boonen, que contará ainda com a ajuda de Zdenek Stybar, Yves Lampaert, Iljo Keisse, Davide Martinelli e Niki Terpstra, ele próprio um vencedor do Paris-Roubaix, em 2014. Falta ainda conhecer o oitavo elemento que completará a formação.


3 de abril de 2017

Na "ressaca" da Volta a Flandres: Sagan encontrou o vídeo que explica a sua queda e Vanmarcke poderá falhar o Paris-Roubaix

(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/VeloImages)
Um dia depois de uma das mais memoráveis Volta a Flandres, muito se continua a falar da fenomenal exibição de Philippe Gilbert, mas Peter Sagan lá consegue ser também alvo das atenções. Ganhe ou não ganhe, o eslovaco parece ter um talento especial para ser quase sempre assunto de conversa. Exemplo disso foi no Tirreno-Adriatico, quando no contra-relógio que fazia apenas para cumprir a etapa, acabou por roubar as atenções porque uma mulher resolveu atravessar (na passadeira) com um cão no momento em que Sagan passava. Na Volta a Flandres aconteceu mais um momento estranho, mas mais grave. Peter Sagan foi ao chão, levando consigo Greg van Avermaet e Oliver Naesen. Na altura ficou a ideia que teria tocado nos pés das barreiras. O ciclista viria a dizer que não tinha percebido muito bem como tinha caído e que gostaria de descobrir.

Ora, o que as imagens da transmissão televisiva não conseguiram decifrar, nada como muitas e muitas pessoas "sacarem" dos telemóveis para filmarem o bicampeão do mundo para ajudar a esclarecer a queda. O próprio Peter Sagan partilhou as imagens na sua conta de Twitter, escrevendo algo resignado: "Estas coisas acontecem nas corridas"

Recordando o que se passou. No Kwaremont, Sagan resolveu acelerar a corrida numa última tentativa de apanhar Philippe Gilbert. Levou com ele os ciclistas belgas da BMC e AG2R, mas a escolha da berma para evitar o pavé, tendo em conta que estavam montadas barreiras, revelou ser um risco que não compensou. No vídeo (pode ver em baixo) vê-se que Sagan toca numa camisola que estava pendurada numa barreira. Sagan fala num toque com o braço, mas, não sendo completamente perceptível, parece que até poderá ter tocado no guiador provocando o guinar abrupto. A roda acabou por bater nos pés da barreira e o resto já se sabe: queda e fim da luta pela vitória para Sagan e Naesen. Avermaet conseguiu prosseguir para ser segundo.

Outra queda marcou a Volta a Flandres. O azar continua a perseguir Sep Vanmarcke e o belga que estava a fazer uma belíssima corrida, foi ao chão e desde logo percebeu-se que tinha ficado muito mal tratado. Hoje foi confirmado que partiu o dedo mindinho da mão direita e a participação no Paris-Roubaix está em risco.

"Hoje ainda é segunda-feira e, por isso, é muito cedo para decidir definitivamente se estará ou não na partida para o Paris-Roubaix", salientou Ken Vanmarcke, irmão do ciclista e director desportivo da Cannondale-Drapac. Acrescentou que, para já, a possibilidade de competir no domingo é muito reduzida, mas que esta terça-feira irá treinar para tentar perceber se aguenta fazer a corrida. "Temos de ser realistas. Não é uma lesão que impeça de andar de bicicleta, mas é muito dolorosa. Ainda mais, estamos a falar do Paris-Roubaix e não de uma corrida normal. É simplesmente a corrida mais dura que existe", afirmou o responsável.

Sempre que começa a aparecer em boa forma, acontece algo a Vanmarcke que o impede de confirmar todas as expectativas criadas quando há sete anos começou a aparecer nas clássicas. Em 2012 venceu a Omloop Het Nieuwsblad e no ano seguinte perdeu o Paris-Roubaix ao sprint com Fabian Cancellara. Soma ainda dois quartos lugares. Na Volta a Flandres foi terceiro por duas vezes, mas com 28 anos e numa nova equipa, Vanmarcke vê o tempo passar, o azar a continuar a persegui-lo e as vitórias a não aparecerem. Falhar o Paris-Roubaix será um rude golpe nas aspirações do belga. Mesmo que arrisque fazer com um dedo partido, também não será certamente as condições com que gostaria de se apresentar no terceiro monumento do ano.

»»Épico Gilbert reacende sonho dos cinco monumentos««

»»Segurança reforçada na Volta a Flandres««

2 de abril de 2017

Épico Gilbert reacende sonho dos cinco monumentos

Gilbert venceu na Volta a Flandres com a camisola de campeão da Bélgica
(Fotografia: Facebook Quick-Step Floors)
Há momentos do ciclismo que é preciso ver para crer. É preciso ver para não se lamentar ter perdido algo especial. É preciso ver para não esquecer. Entrar numa fuga quando faltam 95 de 260 quilómetros e a 55 do fim resolver ir sozinho numa Volta a Flandres, uma das corridas de um dia mais exigentes, não está apenas ao alcance dos melhores, é algo apenas possível para ciclistas que escrevem a sua história única numa modalidade que tem tanto de gloriosa como de cruel. Há seis anos parecia que Philippe Gilbert era um dos predestinados a alcançar algo muito especial no ciclismo, mas depois desapareceu numa quase vulgaridade, aqui e ali interrompida por um rasgo daquele Gilbert genial. Em 2017, o belga recupera esses estatuto de génio, que anos recentes só pode ser comparada a um Fabian Cancellara ou Tom Boonen, também autores de fugas que tiveram tanto de loucura, como de espectaculares e épicas.

Com a conquista da Volta a Flandres, Philippe Gilbert reavive um sonho antigo: vencer os cinco monumentos. Ele, um senhor das Ardenas, tinha admito este ano que havia recuperado as boas sensações no pavé, corridas que pareciam estar entregues a um Boonen ou Greg van Avermaet, isto para falar de belgas, que tanta tradição têm neste tipo de corridas. Mas foi muito mais do que boas sensações que foram recuperadas por Gilbert. O grande homem das clássicas recuperou a alegria de competir, a confiança e aos 34 anos dá um sinal inequívoco que ainda tem mais para dar.

Em 2009 e 2010, Gilbert conquistou a Lombardia. 2011 foi a vez  da Liège-Bastogne-Liège. Era uma época em que o belga estava em ascensão, pelo que optou por deixar a Omega Pharma-Lotto (actual Lotto Soudal) e assinar por uma das equipas de maior poderio financeiro, a BMC. Um casamento que parecia ter tudo para dar certo, mas que apenas serviu para que a esperada brilhante carreira do belga se eclipsasse. Ainda ganhou o título mundial em 2012 e dois anos depois conquistaria a sua terceira Amstel Gold Race, mas as grandes vitórias não mais apareceram ao ritmo de outrora. Por outro lado, tinha o compatriota Greg van Avermaet a tentar afirmar-se. Entre os dois cresceu mais uma rivalidade que companheirismo e tendo em conta que Avermaet começou aos poucos a apresentar melhores resultados, o espaço de manobra de Gilbert na equipa americana foi ficando cada vez mais pequeno. Patrick Lefevere estendeu-lhe a mão e levou-o para a Quick-Step Floors. O desejo de mudança era tal que Gilbert nem se importou de assinar apenas por um ano, já que a equipa não tem patrocínio garantido para 2018.

Inicialmente, o plano era dar as clássicas do pavé a Tom Boonen, pois esta lenda belga está em ano de despedida. Nem ano é, já que o adeus acontecerá no Paris-Roubaix do próximo domingo. Gilbert teria depois todas as oportunidades para liderar a Quick-Step Floors noutras corridas, ainda que também estaria ao lado de Boonen em algumas ocasiões. Com o quatro vezes vencedor do Paris-Roubaix e três da Volta a Flandres a não conseguir estar na discussão nas "suas" corridas e com Gilbert aos poucos a aparecer cada vez melhor, Lefevere e o próprio Boonen não tiveram problemas em dar uma liderança a Gilbert no segundo monumento de 2017. Meio partilhada, é certo, pois Boonen apareceu muito bem a atacar na corrida, protegeu o colega, mas ficou a dúvida se até poderia ter tentado algo mais não fosse a dupla avaria mecânica que o deixou a pé. Sim, dupla. Primeiro foi a bicicleta com que começou a corrida, mal recebeu a de substituição, nem se pode dizer que tenha arrancado, pois teve de ir buscar uma terceira. Merecia mais para a sua última Volta a Flandres, que irá continuar sem ter um ciclista que a consiga vencer por quatro vezes.

Como curiosidade, em actividade ficarão agora quatro vencedores. Gilbert, Sagan e Kristoff com uma vitória e Stijn Devolder. O belga tem duas vitórias (2008 e 2009) e apesar de não haver indicações que se vai retirar, em Agosto completará 38 anos e já não é exactamente um candidato a voltar a ganhar o monumento. Compete na Vérandas Willems-Crelan e foi 109º este domingo.

Para a tal história épica que Gilbert escreveu ficará também como Tom Boonen acabou por ser um dos mentores do ataque que deixou para trás a 95 quilómetros da meta os dois grandes nomes do pavé: Peter Sagan e Greg van Avermaet. Porém, em momentos como o que se viu, Boonen bem sabe que o que será e merece ser recordado é a determinação, força de vontade e ambição com que Gilbert acreditou ser possível fazer 55 quilómetros sozinho numa Volta a Flandres.

No início deste texto falou-se em crueldade do ciclismo. Para Gilbert não houve nenhuma, naturalmente. Já para Van Avermaet voltou a "atacá-lo" e desta vez também afectou Peter Sagan. Sep Vanmarcke sabe bem como este desporto é cruel e que queda foi aquela que sofreu. Começando pelo belga da Cannondale-Drapac. Entrou no grupo que fugiu aos 95 quilómetros - de notar que havia haviam ciclistas na frente que foram entretanto apanhados pelo grupo de Gilbert, Boone e Vanmarcke - e tentava encetar a perseguição a Gilbert quando caiu com violência. Fica a ideia que a roda traseira resvalou. Depois do terceiro lugar de 2016, o abandono na Volta a Flandres.

Quanto ao pódio do ano passado, Fabian Cancellara retirou-se e Peter Sagan, o vencedor, teve um dos momentos mais estranhos da sua carreira. Não é inédito cometer erros tácticos, mas deixar-se "apanhar" pelas barreiras quando não tinha necessidade de arriscar daquela forma... Necessidade numa perspectiva de não ir num grupo grande que retirasse espaço num dos muros com caminho estreito. No Kwaremont, Sagan considerou que tinha chegado o tudo ou nada para tentar chegar a Gilbert. Acelerou e procurou a berma menos acidentada comparativamente com o restante empedrado. Atrás dele estavam Oliver Naesen (AG2R) e Greg van Avermaet, dois homens que estavam mais do que dispostos em ajudar o bicampeão do mundo.

Sagan caiu e levou consigo os dois belgas. Momento cruel para um ciclista que mais uma vez prometia animar ainda mais os últimos quilómetros. A última decisão da corrida foi aquela queda. Momento cruel para um Avermaet que em 2016 também caiu, abandonou e falhou o Paris-Roubaix. Desta vez teve uma pontinha de sorte no meio do azar. A sua bicicleta ficou relativamente intacta e o campeão olímpico prosseguiu, juntou-se novamente ao grupo de perseguição, agora apenas com Dylan van Baarle (Cannondale-Drapac) e Niki Terpstra, que em nada ajudou, visto ser companheiro de Gilbert.

Ainda não foi desta que Avermaet conquistou o seu monumento. Lá ficou com mais um segundo lugar na corrida que mais quer ganhar. Terpstra fechou o pódio e premiou uma exibição táctica brilhante da Quick-Step Floors, equipa que finalmente voltou a actuar como a rainha das clássicas que sempre se assumiu, mas que andava longe do trono.

Há que referir ainda Alexander Kristoff e John Degenkolb. O norueguês até entrou na fuga aos 95 quilómetros. Tentou trabalhar, mas sempre pareceu andar no limite e voltou apenas a ganhar o sprint entre o grupo que lutou por nada. Bom, um top dez é sempre importante, mas para quem quer a vitória e já venceu a Volta a Flandres em 2015, um quinto lugar a pouco ou nada sabe. A preocupação deve estar a ganhar proporções assustadoras na Katusha-Alpecin. O seu homem das clássicas simplesmente não consegue atingir os melhores níveis e ameaça passar ao lado das grandes corridas. Outra vez.

John Degenkolb não teve as pernas que mostrou na Gent-Wevelgem. Já não foi apenas um caso de não conseguir estar na frente. O alemão não foi o candidato que se exigia. Mas a culpa não é só sua. Tacticamente a Trek-Segafredo esteve muito mal. Tinha a melhor equipa depois da Quick-Step Floors. Colocou Jasper Stuyven na frente, mas quando o jovem belga cedeu, não se consegue perceber porque razão Fabio Felline voltou a repetir a graça de tentar escapar sozinho - como na Gent Wevelgem - e não trabalhou com os colegas na perseguição. Baarle juntou-se ao italiano e os dois ali ficaram, 10/20 segundos durante muitos quilómetros à frente do grupo que perseguia, mas sem ganhar nada a Gilbert. Para quê? Desgastou-se e quando foi preciso realmente perseguir para tentar apanhar o líder resolveu, tal como na Gent-Wevelgem, não ajudar Sagan, Avermaet e Naesen. E depois não resistiu quando o ritmo aumentou. A Trek-Segafredo tinha a possibilidade de trabalhar em conjunto, mas dividiu-se e perdeu. Degenkolb foi sétimo, mas tal como o quinto lugar de Kristoff, não há razões para festejos.

Ao contrário de Filippo Pozzato (Wilier Triestina), Sylvain Chavanel (Direct Energie) e Sacha Modolo (UAE Team Emirates). Ficaram no top dez demonstrando que a experiência pode ser muito valiosa em provas como a Volta a Flandres. Bons resultados para os três. Já Sonny Colbrelli (Bahrain-Merida), o italiano teve um estranho acidente durante um treino, tendo acabado a ser arrastado pelo carro da equipa. Competiu magoado, mas o décimo lugar comprova a excelente estreia que está a fazer no World Tour.

O texto vai longo e tanto fica por dizer sobre uma corrida que perdurá no tempo como uma das melhores na Volta a Flandres. O Kapelmuur  regressou cinco anos depois. Com uma colocação tão longe da meta não se esperava que tivesse o poder de decisão que o tornou num dos muros míticos do ciclismo. Mas a corrida teve o seu primeiro grande momento de decisão nele, aos 95 quilómetros. Tal como fez na primeira etapa dos Três Dias de Panne, Gilbert usou este muro para começar a construir a vitória. Uma vitória épica.

Para terminar, Nelson Oliveira  merece também ser destacado. Grande corrida do português que terminou na 18ª posição, a 53 segundos do vencedor. Imanol Erviti era o homem da Movistar para a corrida, mas sofreu uma queda e foi Oliveira o melhor da equipa. O companheiro ficou a mais de oito minutos de Gilbert. Já Nuno Bico não terminou a sua primeira Volta a Flandres.

Na próxima semana é a vez do Paris-Roubaix. Mais espectáculo certamente, mas poderá ser sem Philippe Gilbert. Um vencedor da Volta a Flandres não estar em Roubaix será estranho. Porém, para já, só estão escalados sete ciclistas na Quick-Step Floors (as equipas são compostas por oito elementos). Irá resistir Gilbert à tentação de lutar por mais um monumento? Sabe que será o plano B devido ao grande objectivo de Tom Boonen ser despedir-se com uma vitória, mas se for lá, será um fortíssimo candidato. Falta-lhe precisamente o Paris-Roubaix e a Milano-Sanremo para concretizar o seu sonho.

Aqui fica o vídeo com os momentos mais marcantes da Volta a Flandres de 2017.




1 de abril de 2017

"O Super Bowl do ciclismo." As melhores frases de alguns dos pretendentes à vitória na Volta a Flandres

No últimos dias alguns dos candidatos e outros pretendentes à vitória na Volta a Flandres deram as habituais conferências de imprensa ou entrevistas, a perspectivar o segundo monumento do ano, que se realiza este domingo.  Serão 260 quilómetros que começam em Antuérpia e a meta será em Oudenaarde. Aqui ficam algumas das principais frases.

Peter Sagan (Bora-Hansgrohe, vencedor em 2016): "Estarão lá muitos bons ciclistas, não seremos só eu e ele [Greg van Avermaet] no pelotão. Teremos de ter atenção a muita gente, a quem é favorito e como se vai desenrolar a corrida. [A corrida] não é apenas de dois ciclistas. Por isso, de certeza que vamos precisar de muita sorte no domingo."

Alexander Kristoff (Katusha-Alpecin, vencedor em 2015): "Ele [Tony Martin] é mais ofensivo e pode fugir em ataques. Para mim é melhor que o grupo fique todo junto. Ele traz uma nova dimensão à equipa. Ele pode atacar. Nós não temos de tentar sempre juntar os grupos, também podemos escapar. Vamos ver o que acontece e o que nos pode beneficiar. Para mim, normalmente o melhor é que as subidas sejam fáceis, para o Tony é diferente. Temos de descobrir uma forma inteligente de correr para assim ter mais possibilidades de ganhar."

Tom Boonen (Quick-Step Floors, vencedor em 2005, 2006 e 2012): "É especial [última vez que faz a Volta a Flandres], mas neste momento ainda estou a conseguir manter-me calmo. Não sei como será no domingo, ainda mais o início [em Antuérpia] é perto da minha casa. [Sobre a possibilidade de atacar a corrida] Não quero ficar no pelotão na minha última Volta a Flandres."

Greg van Avermaet (BMC): Eu, o Peter [Sagan] e o Philippe [Gilbert] estamos mesmo em boa forma e já mostrámos bons resultados. Há outros [candidatos] que são líderes [das equipas], mas penso que podemos dizer que somos os três favoritos. Penso que pela segunda vez o Kwaremont será onde a discussão final irá começar."

John Degenkolb (Trek-Segafredo): "É óbvio que o Van Avermaet e o Sagan estão muito fortes, contudo, a força da nossa equipa como um todo não esteve muito longe do nível deles e isso dá-nos confiança para as próximas corridas. Temos duas grandes corridas pela frente [Volta a Flandres e Paris-Roubaix] e para mim são as mais importantes da época."

Philippe Gilbert (Quick-Step Floors): "Estou muito bem agora. Trabalhei muito para chegar aqui, por isso, não é só um milagre. Fiz muitos sacrifícios para chegar aqui em boa forma e foi mesmo a tempo [da Volta a Flandres]. Tenho a impressão que posso fazer melhor [na corrida], mas nunca há garantias neste tipo de provas."

Luke Rowe (Sky): "Porque o [Peter] Sagan já demonstrou o quanto é forte e o Greg [van Avermaet] também, as pessoas estão a tentar isolá-los. E quando se tem uma Quick-Step Floors tão forte, os ciclistas tentam atacar cedo e fugir. Estas clássicas [do pavé] são as mais agressivas que já fiz e há que ter isso em conta nas próximas duas corridas [Volta a Flandres e Paris-Roubaix]."

Taylor Phinney (Cannondale-Drapac): "Todos na Bélgica conhecem esta corrida. É o Super Bowl das corridas de ciclismo, até mais do que a Volta a França."

Segurança reforçada na Volta a Flandres

Espera-se que meio milhão de pessoas assistam in loco à Volta a Flandres
(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/Stiehl Photography)

Há um ano, após os atentados em Bruxelas, a possibilidade das clássicas na Bélgica serem canceladas foi bem real. Reforçou-se (e muito) a segurança e todas as corridas realizaram-se sem qualquer problema. No entanto, o ciclismo não passa ao lado do terrorismo que tem marcado os últimos anos a Europa e com o aglomerado de pessoas em algumas zonas das corridas a chegar aos milhares, as medidas de segurança este ano foram ainda mais reforçadas. A Volta a Flandres, pela popularidade que tem e sendo uma das provas mais importantes do ano, terá especial atenção, mas algumas das medidas tem vindo a ser aplicadas desde que arrancou a fase das clássicas na Bélgica em 2017.

Mochilas e as habituais lancheiras passaram a ser proibidas, principalmente em zonas onde se juntem mais pessoas. A polícia tem procedido a revistas em locais públicos junto das estradas ou troços de pavé por onde têm passado as corridas. Blocos de cimento têm sido colocados em locais estratégicos para evitar a utilização de veículos como forma de atingir as pessoas, como aconteceu em Nice, Berlim ou, mais recentemente, em Londres. Na Volta a Flandres, à polícia irão juntar-se os stewards, normalmente mais utilizados em jogos de futebol, mas não foram avançados quantos serão chamados. As revistas serão intensificadas, pelo que já foi feito o apelo que ninguém leve mochilas ou lancheiras para as facilitar.

A estimativa é que ao longo dos 260 quilómetros da corrida estejam cerca de meio milhão de pessoas a assistir. A organização e as forças de segurança sabem que é quase impossível controlar todos os locais, mas na partida e chegada, assim como alguns dos troços mais populares de pavé e outros locais que normalmente são escolhidos para ver o pelotão passar, serão alvo das estritas medidas de segurança. Os blocos de cimento, por exemplo, serão colocados em ruas que dêem acesso à estrada onde passarão os ciclistas, o que implicará muitos mais quilómetros fechados ao trânsito.

Wim Van Herreweghe, da Flanders Classics - organizadora da Volta a Flandres - explicou que a segurança foi preparada em colaboração com as autarquias locais de forma a que não ficasse nada ao acaso e tendo em conta o nível de alerta no país ser de três (o máximo é de cinco). Além das revistas às pessoas, serão feitas também em edifícios ou locais que possam levantar suspeitas, de forma a evitar a colocação de engenhos explosivos. Estas medidas já foram hoje colocadas em prática, pois a corrida amadora realizou-se esta tarde e juntou cerca de 16 mil ciclistas.

Também os drones estão proibidos, ainda que esta medida não se prenda tanto com o terrorismo, mas sim com o tráfego aéreo. Com os helicópteros a fazerem parte da corrida, até para assegurar a transmissão televisiva, a presença de drones poderia ser perigosa, ainda mais porque os pilotos podem não conseguir vê-los.

De recordar que em 2015 a polícia francesa disparou sobre um carro que tentou furar o bloqueio de estrada nos Campos Elísios, durante a última etapa do Tour. Antes, em Maio, a corrida de um dia alemã, a Eschborn-Frankfurt, foi cancelada depois de ter sido descoberto material utilizado para o fabrico de bombas numa casa situada próximo do percurso da prova.



31 de março de 2017

18 muros, o regresso do Kapelmuur e os suspeitos do costume a prometerem muito espectáculo

Sagan procura a segunda vitória e Boonen terá a última oportunidade
para tentar ser o ciclista com mais triunfos na Volta a Flandres
(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/Stiehl Photography)
Peter Sagan, Greg van Avermaet, uma super Quick-Step Floors, Alexander Kristoff... os actores principais não vão faltar à chamada de um dos monumentos mais icónicos do ciclismo: a Volta a Flandres. Este ano regressa o Kapelmuur, cinco anos depois, mas um dos muros mais famosos do ciclismo não terá a influência de outrora, pois aparece muito longe da fase decisiva da corrida. A organização optou por manter os últimos 75 quilómetros praticamente intactos, comparativamente com 2016, quando Peter Sagan venceu o seu primeiro monumento e único, até agora. Corridas aborrecidas não são hábito na Volta a Flandres e este domingo promete novamente muito espectáculo, tendo em conta a ambição dos candidatos.

Com Tom Boonen a uma semana de se retirar, o belga tem novamente o objectivo de se tornar o rei da Volta a Flandres. Em 2016, ele e Fabian Cancellara procuraram essa distinção, ou seja, queriam somar a quarta vitória no monumento, marca que nunca ninguém alcançou. O belga ficou a um minuto de Sagan, que ao arrancar deixou para trás o suíço, que viu depois Sep Vanmarcke ter um acto de enorme respeito, ao não disputar o sprint, oferecendo o segundo lugar ao Spartacus que estava no seu último ano como profissional.

Desta feita é Boonen que está a despedir-se e há muitas dúvidas como o ciclista de 36 anos irá apresentar-se. Até começou bem a temporada com uma vitória numa etapa na Volta a San Juan (tornou-se no primeiro ciclista a ganhar numa bicicleta com travões de disco). Porém, a temporada de clássicas não está a ser nem de perto nem de longe como o esperado, com Boonen a nem conseguir entrar na discussão pelas corridas. É uma ambição assumida acabar com um triunfo no Paris-Roubaix, que a concretizar-se será o quinto. Mas também a Volta a Flandres é um objectivo e Boonen já prometeu que irá dar tudo para se apresentar melhor do que nas clássicas até ao momento.

A Quick-Step Floors oferece ao belga uma equipa fortíssima para ajudar Tom Boonen. Julien Vermote, Iljo Keisse, Niki Terpstra, Zdenek Stybar, Yves Lampaert e Mateo Trentin estarão ao lado do belga, assim como Philippe Gilberto. No entanto, o campeão da Bélgica chega à Volta a Flandres numa forma que há muito que não se via. Venceu os Três Dias de Panne, depois de um segundo lugar na corrida Através da Flandres e na E3 Harelbeke. Sendo um homem que gosta mais da semana das Ardenas, o próprio já admitiu que redescobriu o gosto pelo pavé e se não terá problemas em trabalhar para Boonen, Gilbert será certamente uma segunda opção para a equipa, caso o líder não esteja à altura dos acontecimentos.

Sendo Tom Boonen um senhor nas clássicas, a verdade é que nesta altura as principais estrelas são Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) e Greg van Avermaet (BMC). Inevitavelmente as atenções vão estar centradas nos dois. Sagan venceu em 2016, mas este ano ainda só conquistou uma clássica enquanto o rival está imparável e conquistou a Omloop Het Nieuwsblad, a E3 Harelbeke e a Gent-Wevelgem. Mais do que nunca a confiança está em alta para Avermaet, que sente que chegou o momento de finalmente ter o seu monumento.

Sagan tem andado a tentar passar a mensagem aos adversários que não irá mais andar a "puxar" outros ciclistas, para depois ser batido ao sprint. Praticamente abdicou de lutar em duas clássicas, mas certamente que na Volta a Flandres dará o tudo por tudo para confirmar as expectativas criadas, nomeadamente de se vir a tornar num dos ciclistas com mais vitórias em monumentos. Escapou-lhe a Milano-Sanremo para um fenomenal Michal Kwiatkowski (Sky), mas o bicampeão do mundo quer demonstrar todo o seu poderio na Bélgica e, naturalmente, no Paris-Roubaix. a 9 de Abril.

Aos suspeitos do costume juntam-se... mais suspeitos do costume! Sep Vanmarcke (Cannondale-Drapac) está a viver a fase que Avermaet passou até há dois anos. O belga consegue estar na luta pelas vitórias, tem alguns pódios, mas só um triunfo: na Omloop Het Nieuwsblad em 2012. Já Alexander Kristoff (Katusha-Alpecin) sabe o que é ganhar a Volta a Flandres (2015), mas no ano passado e neste tem passado ao lado das principais corridas. A vitória numa etapa nos Três Dias de Panne foi como um murro na mesa para libertar alguma frustração que estava a acumular, mas não retira pressão ao norueguês que está a ver esta fase das clássicas do pavé acabar e não tem conseguido comprovar sequer o seu estatuto de candidato.

A par da Quick-Step Floors, a Trek-Segafredo leva também ela uma equipa muito forte e com mais do que uma opção para tentar ganhar. A desilusão perante os recentes resultados foi tornada pública pelo director desportivo Dirk Demol. É o tudo por tudo na Volta a Flandres e Paris-Roubaix. John Degenkolb é o líder indiscutível, mas tal como a equipa belga, a Trek-Segafredo tem um plano B, neste caso chamado Jasper Stuyven. Edward Theuns e Fabio Felline também podem fazer mais do que só trabalhar para Degenkolb se for necessário. Gregory Rast, Kiel Reijnen, Boy van Poppel e um dos principais homens de confiança de Degenkolb, Koen de Kort, completam os eleitos da formação americana.

Oliver Naesen (AG2R) é a mais recente estrela belga para as clássicas e há uma grande curiosidade para ver o que poderá fazer depois dos bons resultados nas corridas do pavé que se realizaram até agora.  A outra equipa francesa, a FDJ, aposta em Arnaud Démare, enquanto a Sky irá a jogo a pensar em Ian Stannard e Luke Rowe. A Dimension Data terá um Edvald Boasson Hagen em muito boa forma como principal referência. A Lotto Soudal repete a aposta em Tiesj Bennot e Jurgen Roelandts. Já a Lotto-Jumbo espera que Lars Boom reapareça, pois os anos estão a passar e começa a parecer que aos 31 anos o melhor do ciclista já foi visto.

Estarão dois portugueses em prova, ambos da Movistar. Nelson Oliveira está de regresso às clássicas para apostar nos dois monumentos do pavé, enquanto Nuno Bico continua a ser chamado pela formação espanhola, sendo cada vez mais claro que os responsáveis da Movistar acreditam no português e estão a preparar o ciclista para o futuro dando-lhe experiência em algumas das principais competições do calendário.


Serão 260 quilómetros (mais cinco que em 2016), com 18 muros, uma nova partida - em Antuérpia - e a meta em Oudenaarde. Além do Kapelmuur (chega a ter 20% de inclinação), esta ano teremos ainda o Ten Bosse e o Pottelberg, com Molenberg, Valkenberg e Kaperij a saírem do percurso.

Aviso: ciclista que evitar o pavé será desqualificado

Tem sido uma das questões das últimas semanas no pelotão internacional. Os ciclistas aproveitam qualquer oportunidade para não ter de passar pelo pavé. Bermas menos acidentadas, ciclovias e até passeios têm servido para evitar o empedrado. Mas quando se está a falar de clássicas do pavé, a ideia é que os corredores mostrem as suas qualidades num terreno tão complicado e não as qualidades em tentar evitá-lo. Nos Três Dias de Panne 15 ciclistas foram multados em 200 francos suíços (cerca de 187 euros), entre eles o eventual vencedor Philippe Gilbert.

Logo na primeira clássica, a Omloop Het Nieuwsblad, pediu-se a desqualificação dos três primeiros classificados, pois Greg van Avermaet, Peter Sagan e Sep Vanmarcke aproveitaram os passeios para evitar o pavé. A organização não cedeu ao pedido e manteve o resultado da corrida.

O regulamento da UCI prevê a multa e/ou a desqualificação e, por isso mesmo,  o comissário Didier Simon afirmou ao jornal belga Het Laatste Nieuws que se vir algum ciclista a evitar o pavé na Volta a Flandres, irá exclui-lo da corrida, independentemente da importância ou do currículo que tenha. Alguns directores desportivos estão a defender que sejam colocadas barreiras físicas para evitar que os ciclistas tentam "fugir" ao pavé, oferecendo também uma maior segurança a quem estiver a assistir à prova.

»»Resultados da Trek-Segafredo nas clássicas estão a desiludir e já se sente a falta de Cancellara««