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1 de setembro de 2018

As apostas de Contador para a Vuelta

(Fotografia: © Eurosport)
Há um ano, Alberto Contador dizia adeus ao ciclismo nas ruas de Madrid, deixando uma última marca com uma estrondosa vitória no Angliru. Este ano, o ritmo é outro e o próprio estranhou ter ido à praia e relaxado um pouco antes de começar uma grande volta. Não esconde que mexe com ele estar a ver de fora uma corrida que tanto gosta, mas agora assumiu o papel de comentador e deixou as suas apostas para uma Volta a Espanha que neste domingo terá uma das etapas mais esperadas. La Covatilla deverá iniciar a selecção de quem irá estar na luta pela geral.

Começando precisamente pela camisola mais ambicionada, a vermelha. Quem é o favorito a vencer a Vuelta para Contador? "Eu diria o Nairo Quintana. É um ciclista que já sabe o que é ganhar uma grande volta e acho que se preparou muito bem", respondeu em declarações ao Eurosport, canal no qual faz comentários no seu país, mas na Vuelta tem feito curtas análises que são transmitidas noutros países, incluindo Portugal. Se se confirmar a aposta do antigo ciclista, será a segunda vitória do colombiano na Vuelta. Conquistou-a em 2016, dois anos depois de ganhar o Giro.

Mas há que falar de espanhóis e Contador realça dois: "O Alejandro Valverde [Movistar] é um ciclista que pode fazer grandes coisas e tenho a certeza que ele vai dar muita luta. À medida que a corrida evoluir, se ele cometer algum erro, pode vir a ficar sob as ordens da equipa e ter de ajudar o Nairo Quintana. O David de La Cruz [Sky] está especialmente motivado e já sabe o que é ganhar uma etapa, mesmo que partilhe liderança com um companheiro de equipa."

Valverde já venceu duas etapas, lidera a classificação dos pontos e o prémio combinado e está apenas a 37 segundos de Rudy Molard (Groupama-FDJ), sendo um forte candidato a vestir a vermelha já este domingo. Quanto a De la Cruz, perdeu algum tempo no contra-relógio e não escondeu a sua desilusão, tendo deixado escapar mais alguns segundos noutros dias. Contudo, parece estar a melhorar à medida que os dias passam. Tem Michal Kwiatkowski como outra possível aposta dentro da Sky. Foi dos poucos que preparou a temporada a pensar na Vuelta. Está neste momento a 1:34 minutos de Molard.

Para Contador, Valverde é ainda o favorito para ganhar a classificação dos pontos. "Acho que o [Peter] Sagan não vai terminar a Vuelta", disse, referindo-se ao ciclista que no Tour não dá hipóteses nesta luta particular. Na montanha, a aposta vai para Omar Fraile. O espanhola da Astana tem estado discreto, mas terá etapas mais ao seu jeito nas próximas duas semanas. Para já, não soma qualquer ponto, mas essa disputa vai agora começar mais a sério, com Luis Ángel Maté (Cofidis) a controlar até agora, mas os 42 pontos não são garantia de nada nesta fase.

Entre as etapas, Alberto Contador destacou a 15ª (9 de Setembro, domingo): "A etapa de Covadonga é sempre importante e volta a ser decisiva ano após ano. É um ponto de grande importância e geralmente muito difícil de atingir sozinho. É uma das etapas que terá maior influência nos desenvolvimentos da corrida e da classificação geral. Tudo dependerá de como os ciclistas cheguem lá e, acima de tudo, se antes não tiverem problemas mecânicos ou físicos." Claro que a penúltima tirada também não podia ficar de fora do comentário. Serão apenas 97,3 quilómetros sempre a subir e descer, com a meta numa categoria especial. "Faz-te pensar noutras etapas do Tour ou mesmo da Vuelta, como a etapa de Formigal, que também é curta, mas muito dura. Tenho a certeza de que vamos assistir a uma etapa muito bonita", realçou.

Convidado a colocar-se no papel de director da Volta a Espanha, Contador disse que "talvez procurasse ter etapas de montanha mais longas, não sempre tão curtas e explosivas". Porém, gosta do percurso da edição de 2018. "Acho que está muito bem para esta altura do ano." Referiu ainda como nesta corrida não há dias de descanso, o que talvez o levasse a reduzir um pouco as chegadas em alto. "Noutras edições da Vuelta tivemos onze etapas."

Para terminar, como está afinal Contador a viver uma Vuelta como ex-ciclista? "Não sei como é que os fãs imaginam, mas para mim é algo estranho porque antes do início da corrida pude ir de ferias e estar na praia. Vejo a Vuelta com alguma nostalgia porque não estou a competir numa corrida na qual sempre me senti muito bem. Desfrutei de cada momento e a memória do ano passado é inesquecível. Tive a sorte de viver isso. É algo que me vai acompanhar para o resto da vida. Agora já não compito a nível profissional. Posso dizer que é algo complicado de lidar, uma vez que sou uma pessoa muito competitiva e vivi sempre para a bicicleta, mas acho que tomei a decisão certa."

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»»Pelotão furioso com condições da estrada««

Movistar prepara ataque à liderança. Mas com quem?

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Nem sequer estava a pensar em ganhar a etapa. Alejandro Valverde só queria estar bem colocado e evitar perder tempo, no dia que antecedeu o primeiro que irá demonstrar quem está de facto na luta pela camisola vermelha. Pelo rádio, recebeu instruções para que tentasse a segunda vitória de etapa. O staff que tinha chegado mais cedo à meta tinha explicado ao director desportivo que o final era mais difícil do que o esperado e ao jeito do espanhol. E lá foi Valverde. Nem Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) lhe fez frente - foi outra vez segundo -, vendo o veterano ciclista ultrapassá-lo para vencer com autoridade. Duas vitórias de etapa na primeira semana para Valverde e com Nairo Quintana a evitar problemas de maior, a Movistar tem os seus dois líderes preparados para atacar a liderança.

Valverde bonificou 10 segundos e ficou a 37 de Rudy Molard. Quintana está a 1:14, mas a etapa de La Covatilla está marcada na sua agenda desde que foi anunciado que ia à Vuelta. É ao seu jeito e nem o próprio esconde que terá um importante teste pela frente, que tem "de passar com boa nota", como afirmou à rádio COPE. Mas por Espanha olha-se para Valverde. Afinal, é algo natural querer que um "ciclista da casa" vença a corrida. Porém, o Bala, como é conhecido, não se compromete com nada, apenas com um simples "vamos ver". "Amanhã [domingo] se verá o que poderá acontecer no resto da Vuelta. O Nairo encontra-se muito bem e um ou outro - oxalá estejamos os dois - vamos tentar estar ali [na disputa pela vitória]. A partir da Covatilla vamos começar a ver se nos centramos exclusivamente no Nairo ou se sigo por ali", salientou Valverde. E depois de duas vitórias de etapas, o ciclista de 38 anos acrescentou: "Tensão... nenhuma. Estou muito, muito tranquilo."

Esta postura do ciclista da Movistar deixa os espanhóis ainda mais entusiasmados. Valverde mostra-se calmo, confiante e está claramente em boa forma. Questionado porque não estava assim no Tour, Valverde respondeu que a diferença "é a cabeça, que está mais relaxada". É na Vuelta que se sente melhor. Até o actual líder, o francês Rudy Molard (Groupama-FDJ) aposta no espanhol para que na Covatilla apareça novamente ao seu melhor e lhe tire a camisola vermelha. Ainda assim, ficou o aviso de quem está a viver um momento que não esperava: "Vou tentar defendê-la."

Valverde assegurou que a equipa vai trabalhar tanto para ele, como para Quintana. Um tem um instinto matador que poucos se podem gabar no pelotão, o outro é um dos melhores trepadores, mas tem se deixado apagar com uma atitude defensiva, que o levaram a tornar-se num ciclista que se acreditava que venceria várias grandes voltas, em um que se desconfia que possa estar no topo quando a concorrência é forte.

A Covatilla vai colocar os homens da geral no seu lugar. É proibido falhar. A Movistar parte como favorita para ocupar a posição esperada de liderança, perante o forte bloco que tem, mas Simon Yates (Mitchelton-Scott) tem deixado indicações que está ao nível das duas primeiras semanas do Giro, durante as quais foi líder e de longe, o mais forte. Ion Izagirre (Bahrain-Merida) terá a oportunidade de dizer aos espanhóis que não precisam de olhar apenas para Valverde, ainda que a admiração por Bala vá além de querer uma vitória espanhola na Vuelta. Valverde é o ídolo máximo no país, sozinho, agora que Alberto Contador saiu de cena.

Emanuel Buchmann está a ter uma oportunidade de ouro de mostrar à Bora-Hansgrohe que podem contar com ele para as três semanas. Está a 48 segundos de Molard, Yates a 51 e Izagirre a 1:11 minutos. Tony Gallopin (AG2R) disse que queria lutar pela geral depois de vencer uma etapa. São 59 segundos para o compatriota e vamos perceber se está mais forte na alta montanha, que não era a sua especialidade.

O lote de candidatos a menos de dois minutos é grande, mas há um que foi dos azarados dos últimos dias e está a 2:50 minutos. Wilco Kelderman (Sunweb) tem de começar a recuperar tempo se quer chegar pelo menos ao pódio. A Vuelta ainda é longa e com muita montanha, mas há que não desperdiçar dias como o deste domingo.

Nona etapa: Talavera de la Reina - La Covatilla, 200,8 quilómetros


A segunda tirada mais longa da Vuelta tem uma primeira categoria para começar, seguida de uma terceira, uma segunda, depois muito sobe e desce até que o pelotão, provavelmente já algo reduzido nesta fase, chegará aos 9,8 quilómetros finais. La Covatilla (imagem em baixo) fica na província de Salamanca e a pendente média de 7,1% não é mais elevada porque a fase final passa de 11% para terminar abaixo dos 2%. Durante a subida também haverá umas curtas zonas de descanso. A pendente máxima será de 12%, sensivelmente ao segundo quilómetro.



Mas vamos recuar à primeira categoria: Puerto del Pico. É mais extensa, 15,3 quilómetros, mas menos dura, 5,5% de pendente média. No entanto, tem um quilómetro e meio final muito interessante, a 10% e 15%. É nestes momentos que se pensa em Contador e como seria ciclista para tentar um ataque de longe. Talvez sendo ainda tão cedo na Vuelta, mesmo El Pistolero tivesse mais calma, afinal é uma etapa muito longa e mesmo que na segunda-feira seja possível descansar, dificilmente se verão loucuras. Mas na La Covatilla espera-se muita acção.

Relativamente à classificação, tudo na mesma depois da oitava etapa entre Linares e Almadén (195,1 quilómetros). O único destaque foi para o reforço da liderança de Valverde nos pontos e no combinado. Molard (geral), Luis Ángel Maté (montanha) e Astana (equipas) lideraram antes de um dos dias mais esperados na Vuelta.

Entre os portugueses, Tiago Machado esteve na fuga do dia, mas apesar de ter sido aquele mais mais insistiu quando o pelotão se aproximava, o prémio da combatividade foi para um dos companheiros espanhóis de ocasião, Jorge Cubero (Burgos-BH).

O ciclista da Katusha-Alpecin foi apanhado a cerca de cinco quilómetros da meta e imediatamente desligou-se da corrida e iniciou a sua recuperação. Chegou a 6:44 minutos de Valverde. José Mendes (Burgos-BH) perdeu 1:38 minutos, Nelson Oliveira 1:53 - este domingo será um dia de muito trabalho na ajuda a Quintana e Valverde -, enquanto José Gonçalves ficou a 5:25.

Pode ver aqui as classificações completas.

A oitava etapa ficou ainda marcada pelo primeiro abandono. O companheiro de Gonçalves e Machado, o holandês Maurits Lammertink nem partiu devido a dores abdominais que o estavam a afectar há uns dias. A equipa até tentou brincar um pouco com a situação, garantindo que não foi devido ao bolo de aniversário. Lammertink celebrou na sexta-feira 28 anos. Desde 1996 que não se via nas grandes voltas um primeiro abandono acontecer tão tarde.

»»Pelotão furioso com condições da estrada««

»»A tentativa de redenção de Nacer Bouhanni««

31 de agosto de 2018

Pelotão furioso com condições da estrada

Os últimos 20 quilómetros foram muito complicado
com quedas e furos (Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Num dia, o helicóptero voou baixo de mais e provocou a queda de alguns ciclistas já depois da etapa terminar. Escusado será dizer que as críticas vieram de todo o lado. Mas o pior estava por acontecer. Os últimos 20 quilómetros da tirada desta sexta-feira provocaram a ira do pelotão. A estrada em mau estado e muito estreita causou vários incidentes. Michal Kwiatkowski foi dos mais afectados, mas a insatisfação não foi expressa apenas pela Sky.

"Não sei o que os organizadores estavam a pensar ao levarem-nos para estradas como aquela. Condições terríveis. Queriam quedas e tiveram-nas", afirmou Simon Yates (Mitchelton-Scott), um dos mais duros nas palavras. O australiano conseguiu chegar a são e salvo à meta em Pozo Alcón, mas um dos seus colegas, Damien Howson, foi um dos vários ciclistas a cair. "Foi muito perigoso", desabafou Yates, desiludido com a fase final do percurso da sétima etapa.

Sentimento partilhado por Daniel Martin. Além das quedas, os furos também foram um problema. O irlandês foi um dos azarados e perdeu 4:27 minutos. "Teria sido simpático limparem a estrada", disse Martin, referindo-se ao facto de haver muita gravilha, o que só contribuiu para a dificuldade dos ciclistas em manobrarem as bicicletas e para originar problemas mecânicos. "Eram estradas mesmo, mesmo más. Estivemos em boas estradas largas durante todo o dia e depois atiram-nos para isto. Foi o caos", salientou.

Em sete etapas, ainda ninguém abandonou na Vuelta, o que muito se deve ao tipo de estradas por onde o pelotão tem andado. Na sexta etapa houve um primeiro erro, com um obstáculo mal identificado a originar uma queda que envolveu vários ciclistas. Depois da meta em San Javier, Mar Menor houve então o incidente com o helicóptero. Ao voar demasiado baixo, a deslocação de ar que criou fez com que umas barreiras de plástico fossem, para o meio da estrada e houve quem não as conseguisse evitar, chegando mesmo a cair. Julien Duval (AG2R) foi um dos afectados, por exemplo e ficou incrédulo com a situação.

Porém, as condições da estrada da sétima etapa, resultou em mais problemas do que quase todos juntos até a este dia. Daniel Martin não hesitou em colocar o dedo na ferida: "É bonito para a televisão, mas não é bonito pedalar nelas."

Alejandro Valverde juntou-se ao coro de críticas: "O asfalto era mesmo mau. Estávamos avisados que ia ser complicado, mas foi mais difícil do que o esperado." O espanhol da Movistar acabou por beneficiar da queda de Kwiatkowski e com a bonificação do terceiro lugar na etapa, saltou para o segundo lugar, a 47 segundos de Rudy Molard (Groupama-FDJ). Valverde lamentou que o polaco tenha perdido tempo devido a uma queda, ficando , por outro lado, satisfeito que tanto ele como Nairo Quintanha tenham passado incólumes num final tão complicado. Ou quase. O colombiano da Movistar foi dos que furou, mas a rápida intervenção do companheiro Richard Carapaz - cedeu a sua bicicleta -, permitiu que Quintana perde-se pouco tempo e recuperasse posição no grupo principal.

Outro colombiano, Rigoberto Uran (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) limitou-se a dizer que foi "uma zona muito complicada e há que contar com a sorte para não cair". Sorte que Kwiatkowski não teve. Nem ele nem os colegas Tao Geoghegan Hart e Sergio Henao. Os três caíram na mesma curva, com David de la Cruz a escapar. O polaco desceu de segundo para sexto, perdendo 25 segundos para Molard, estado agora a 1:06. Ainda assim, na Sky tenta-se ver o lado positivo. "Podia ter sido pior", disse o director desportivo Gabriel Rasch. "O Kwiato teve de mudar de bicicleta, mas felizmente os rapazes estavam mesmo atrás dele e deram-lhe uma rapidamente. O Sergio fez um trabalho extraordinário e quase conseguiram fechar a distância para o grupo da frente", acrescentou.

Mas não foi só Henao quem ajudou. Quando o colombiano ficou sem força, o próprio Kwiatkowski trabalhou no grupo e teve uma preciosa contribuição de Bauke Mollema (Trek-Segafredo) e Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin). Ambos acabaram também por não durar até ao fim e o holandês chegou mesmo a perder o contacto com este grupo.

Franceses brilham em Espanha

No Tour as coisas não correram muito bem para os ciclistas da casa, com excepção para Julian Alaphilippe (Quick-Step Floors) e Arnaud Démare (Groupama-FDJ), este último lá conseguiu uma etapa. Porém, na Vuelta, em três dias os gauleses viram um seu ciclista vestir a camisola da liderança - Rudy Molard -, depois Nacer Bouhanni (Cofidis) regressou às vitórias em grandes voltas, terminando com um jejum de quatro anos, e agora foi Tony Gallopin que terminou com um hiato igual ao do compatriota. As três equipas francesas na Vuelta já deixaram a sua marca.

Numa fase de ataques e contra-ataques, Gallopin tentou a sua sorte a três quilómetros do fim e foi feliz, frustrando um Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) que ultrapassou as dificuldades, mas para ficar apenas em segundo. Bateu ao sprint Valverde, outro interessado em vencer, que no seu caso teria sido a segunda vitória.

O espanhol não só subiu ao segundo lugar, como ficou com a camisola dos pontos de Kwiatkowski, liderando ainda no combinado. Luis Ángel Maté mantém-se com a da montanha. A Astana é a primeira na classificação colectiva.

Os quatro ciclistas portugueses em prova perderam tempo para o grupo principal (Gallopin cortou a meta com cinco segundos de vantagem). Nos 185,7 quilómetros entre Puerto Lumbreras e Pozo Alcón, José Mendes (Burgos-BH) cortou a meta a 1:48 minutos do francês da AG2R, Tiago Machado (Katusha-Alpecin) a 5:40, Nelson Oliveira a 7:49 e José Gonçalves chegou a 15:11 do vencedor.

Pode ver aqui as classificações completas.

Oitava etapa: Linares - Almadén, 195,1 quilómetros

Vai ser um dia algo nervoso, muito porque se aproxima a primeira etapa que pode ser decisiva na Vuelta. Espera-se um final ao sprint, que tendo os últimos metros em subida, coloca Peter Sagan como favorito, mas a concorrência continuará a ser forte.

Os homens da geral quererão ter um dia o mais tranquilo possível numa Vuelta, pois no domingo terão de enfrentar La Covatilla, uma categoria especial, que chegará depois de uma subida de primeira, outra de terceira e ainda uma de segunda, com muito sobe e desce pelo meio. Serão ainda 200,8 quilómetros, sendo a segunda etapa mais longa da corrida. Mas primeiro há mais um dia para sobreviver.



30 de agosto de 2018

A tentativa de redenção de Nacer Bouhanni

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Qualquer dia é bom para ganhar, mas para Nacer Bouhanni, vencer nesta sexta etapa da Vuelta teria mais significado do que apenas regressar às grandes vitórias depois de uma temporada muito (mas mesmo muito) complicada. Menos de 24 horas antes do sprinter francês ser o mais forte em San Javier, Mar Menor, tinha sido divulgado que o ciclista teria batido no carro da equipa, o que teria resultado numa penalização de 30 segundos. Bouhanni e a equipa desmentiram, mas a melhor reacção viria mesmo na estrada. Há quatro anos que o sprinter não ganhava numa grande volta e há quase ano e meio que não vencia numa corrida World Tour.

"Tinha muita vontade de ganhar hoje depois dos falsos rumores que circularam sobre mim ontem", admitiu Bouhanni. O próprio ciclista referiu de imediato como é especial regressar às vitórias nas grandes voltas, precisamente naquela onde tinha vencido pela última vez, então ainda ao serviço da FDJ.fr. Mas num momento em que não escondeu alguma emoção, Bouhanni recordou como em 2017 uma queda quase lhe acabou com a carreira, com o ciclista até a considerar que poderia ter sido ainda mais grave: "No ano passado tive um acidente muito sério no Tour de Yorkshire. Não se deu muita importância, mas podia ter acabado com a minha vida e tive problemas de visão durante uma boa parte da temporada."

Os relatos de conflitos com os responsáveis da Cofidis não eram novidade, mas desta feita, a equipa assegurou que a penalização de 30 segundos se deveu a uma abastecimento fora do limite estipulado pela organização. Em comunicado garantiu ainda que Bouhanni tem toda a confiança nesta Vuelta.

Bouhanni não quis entrar em euforias, recusando dizer que está de regresso à sua melhor versão. "Foi uma temporada difícil e a pressão afectou-me muito. Senti-me humilhado, mas tinha de me redimir", afirmou, não escondendo a decepção que sofreu ao ficar de fora do Tour, com Christophe Laporte a ser o sprinter escolhido da Cofidis. O francês até disse que chegou a falar com outras equipas, mas o responsável máximo da Cofidis, Thierry Vittu, telefonou-lhe antes da Vuelta para lhe dar todo o seu apoio.

Esta foi a sexta vitória do ano para Bouhanni, mas falta saber se poderá ser aquela que inicie a sua redenção dentro de uma equipa na qual parece ter o seu espaço a diminuir desde que Cédric Vasseur assumiu a liderança. Primeiro o seu comboio foi reduzido, depois perdeu o estatuto de líder indiscutível, falharia o Tour, mesmo depois de ter conseguido algumas vitórias. Não ajudou ter desrespeitado ordens da equipa: deveria ter ajudado Laporte na primeira etapa da Route d'Occitanie, mas acabou por disputá-la e até ganhou, à frente precisamente do colega.

Vinte quilómetros de caos

Se até essa marca estava a cumprir-se quase todas as expectativas, menos a da velocidade, já que o vento de frente não ajudou nada, depois foi um caos. Uma queda abriu as hostilidades que o vento viria a ter um papel decisivo.  O pelotão partiu-se em vários grupos e Wilco Kelderman acabou por ser o mais prejudicado. O holandês da Sunweb perdeu 1:44 minutos, naquele que é um rude golpe nas suas aspirações, que passam por disputar a Vuelta. São 2:50 para Rudy Molard, o que deixa Kelderman numa posição em que não poderá ficar à espera de terceiros para tentar estar novamente na luta por um bom resultado.

Thibaut Pinot também perdeu tempo, cortando a meta no grupo de Kelderman. Tendo em conta que o francês disse que o objectivo principal na Vuelta era ganhar etapas, não se pode dizer que seja uma desilusão. Porém, um dia depois da Groupama-FDJ ver Rudy Molard vestir a camisola vermelha, não deixou de ser um contratempo ver Pinot cair na classificação geral, até porque ficou bem claro que continua a receber toda a protecção. Molard ficou sozinho na frente, com a equipa a tentar socorrer Pinot, sem sucesso.

Rafal Majka perdeu 3:05 minutos, entregando definitivamente a liderança da Bora-Hansgrohe a Emanuel Buchmann. A seu lado estava um Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) que cada vez mais se vai enterrando na classificação geral.

Se o pelotão esperava que os 155,7 quilómetros entre Huércal-Overa e San Javier, Mar Menor pudessem ser mais tranquilos do que nos dias anteriores, mas não houve descanso para ninguém. Esta sexta-feira serão 185,7 quilómetros, com partida em Puerto Lumbreras e meta em Pozo Alcón.

Pode ver aqui as classificações completas. Não se verificaram mudanças nos donos das camisolas. Molard está vermelho, Michal Kwiatkowski (Sky) de verde (pontos), Luis Ángel Maté (Cofidis) regressou às fugas para reforçar a liderança da montanha, Alejandro Valverde (Movistar) tem a camisola do prémio combinado e a Astana é a primeira entre as equipas.



29 de agosto de 2018

Vestiu a camisola vermelha e renovou contrato

(Fotografia: © Photo Gomez Sport/La Vuelta)
Ao contrário das outras etapas, o pelotão pareceu que desta vez estava com alguma pressa de terminar a etapa. Talvez tenha ajudado que a fuga tenha tido inicialmente 25 ciclistas, o que pode ter contribuído para um ritmo mais acelerado (41 quilómetros/hora de média). Porém, isso não significou que a Sky tivesse grande vontade de estar a controlar e muito menos a perseguir. Sem surpresa houve uma mudança no dono da camisola vermelha, num dos raros momentos em que se viu a equipa britânica a não querer estar com a camisola de líder. Rudy Molard, da Groupama-FDJ, subiu a uma posição que vai mudar o panorama das próximas etapas a nível táctico.

Na chegada à Sierra de la Alfaguara, na terça-feira, ficou claro que o bloco da Sky está a anos-luz do normal. Só David de la Cruz ficou no grupo da frente na subida final e nem esteve na ajuda a Michal Kwiatkowski. Antes, a equipa limitou-se a guiar o pelotão, sem nunca se preocupar em perseguir a fuga. Não significa que a equipa não queira lutar pela Vuelta, significa apenas que assume que não está tão forte como normalmente se apresenta e prefere guardar forças para uma fase mais decisiva da corrida. Não tendo de controlar, "só" precisa a partir de agora proteger Kwiatkowski e De la Cruz.

Quem quer apostar nas fugas terá ficado triste, pois com a postura da Sky, era provável que mais triunfassem. Porém, com a Groupama-FDJ tudo será diferente. Thibaut Pinot é o líder, ainda que tenha dito estar em Espanha para ganhar etapas. Mas ter Molard no primeiro lugar e inicialmente com 1:01 de vantagem sobre o polaco da Sky, deixa a equipa francesa numa posição inesperada e com uma oportunidade de ouro. Contudo, essa margem já foi reduzida para 41 segundos. O francês foi sancionado com 20 segundos por ter recebido abastecimento após o limite permitido.

Molard é um dos bons homens de trabalho que a Groupama-FDJ tem. O próprio diz que é um gregário e que estar com a camisola vermelha é um bónus, num dia em que teve liberdade. No entanto, a táctica poderá agora passar por tentar jogar um pouco com duas armas, tendo sempre Pinot pronto a assumir o papel que lhe é habitual. A questão prende-se com a condição física de ambos. Pinot falhou a última etapa do Giro devido a uma pneumonia e acabou por ficar fora do Tour. Será que está a 100%? O francês não tem falado muito sobre como a sua condição, mas está a 1:24 de Molard, ou seja, dentro da margem na qual estão quase todos os que estão pela disputa da geral.

Molard é um bom ciclista em provas por etapas e soma alguns pódios em corridas secundárias. Este ano conquistou a sua vitória mais importante ao vencer uma tirada no Paris-Nice. Está a menos de um mês de cumprir 29 anos e para acabar um dia que marcará a sua carreira, além de vestir a camisola vermelha a equipa anunciou a renovação de contrato por mais dois anos como Molard. Eis uma boa dose de motivação em tons de vermelho e de garantia de continuidade na equipa que representa desde 2017, depois de cinco anos na Cofidis.

Falta agora saber se está preparado para tamanha responsabilidade, como é liderar uma grande volta, quando a alta montanha regressar à Vuelta. Na quarta etapa tinha perdido cerca de três minutos para o grupo de Kwiatkowski. Recuperou-os e agora não será apenas um gregário, pelo menos até domingo, quando a etapa de La Covatilla colocar muito provavelmente no seu lugar quem de facto está na disputa pela Vuelta. Se Molard pode ser um outsider inesperado, ficaremos a saber nesse dia.

A Groupama-FDJ irá controlar as etapas de forma bem diferente da Sky, irá perseguir, irá tentar defender a camisola vermelha. Será o regresso à normalidade no pelotão, numa corrida que ganha outra indefinição não estando a Sky na liderança. Mesmo a postura de outras equipas poderá ser a partir de agora diferente.

A vez da EF Education First-Drapac p/b Cannondale suspirar de alívio

(Fotografia: EF Education First-Drapac p/b Cannondale)
Um dia depois da Dimension Data ter quebrado um enguiço de mais de um ano sem vitórias no World Tour, foi a vez da formação americana fazer o mesmo. Simon Clarke fechou com chave de ouro uma etapa em que a fuga triunfou. O último triunfo em corridas do principal calendário havia sido na Volta a França, quando Rigoberto Uran venceu a nona etapa, no dia 9 de Julho. de 2017.

Foi apenas a quinta vitória da temporada para a EF Education First-Drapac p/b Cannondale, que sofreu uma enorme desilusão quando Rigoberto Uran abandonou o Tour, depois de há um ano ter sido segundo. O colombiano está na Vuelta para ganhar, mas a vitória de Clarke retira alguma pressão de uma equipa a precisar desesperadamente de uma grande conquista. O australiano bateu ao sprint Bauke Mollema (Trek-Segafredo) e Alessandro de Marchi (BMC), um trio que se formou na frente à medida que o grande grupo de fugitivos se foi desfazend. Rudy Molard, o novo líder, cortou a meta oito segundos depois. O pelotão chegou a 4:55 de Clarke.

Para o australiano há um sentimento ainda mais especial por vencer na Vuelta. Foi nesta grande volta que se estreou em corridas de três semanas em 2012 e ganhou uma etapa, então ao serviço da Orica GreenEDGE, actual Mitchelton-Scott. Clarke só pensa agora em regressar à sua função de estar ao lado de Uran, pois se a questão de um triunfo de etapa está resolvido, a equipa quer colocar o seu líder pelo menos no pódio em Madrid.

Nelson Oliveira (Movistar), Tiago Machado e José Gonçalves (Katusha-Alpecin) terminaram np pelotão. José Mendes (Burgos-BH) perdeu 6:11 minutos para Clarke.

Pode ver aqui as classificações completas. Atenção à geral, que no momento em que o texto é publicado ainda não está corrigida. São 41 segundos entre Molard e Kwiatkowski e não 1:01, devido à sanção que o francês sofreu.

Depois de fazer uma sondagem no Twitter se deveria ou não entrar pelo quarto dia consecutivo na fuga, Luis Ángel Maté "descansou", mas o ciclista da Cofidis continua como líder da montanha. Michal Kwiatkowski (Sky) vai vestir a camisola verde dos pontos que estava a "emprestar" a Alejandro Valverde (Movistar) enquanto foi líder da geral. O espanhol vai envergar a  do prémio do combinado e a Astana é primeira por equipas.

O regresso dos sprinters

A etapa entre Granada e Roquetas de Mar (188,7 quilómetros) teve uma segunda categoria já perto do final que retiraria a oportunidade aos sprinters. Porém, a fuga também foi quem triunfou, até porque a Quick-Step Floors a não quis fazer a perseguição sozinha, quando a etapa de hoje é bem melhor para o seu chefe-de-fila. Esta quinta-feira será bem diferente. É uma etapa para os sprinters, que tem duas terceiras categorias para ultrapassar, um terreno pouco plano, mas na Vuelta é assim. A equipa belga terá desta feita a ajuda da Groupama-FDJ para controlar a fuga, com Elia Viviani a espreitar a sua segunda vitória na corrida, mas com Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Nacer Bouhanni (Cofidis) e Giacomo Nizzolo (Trek-Segafredo - foi segundo há dois dias), por exemplo, a querem tentar impor-se ao sprinter que mais ganha este ano.

Serão 155,7 quilómetros entre Huércal-Overa e San Javier, Mar Menor.



28 de agosto de 2018

Cada um por si nesta Vuelta

(Fotografia: © A.S.O.)
Ver uma fuga triunfar na quarta etapa não é habitual numa grande volta. E chegar a ter 10 minutos de vantagem é algo ainda mais inesperado. Mas mais do que ser mais uma prova de como a Vuelta é diferente do Giro e Tour, foi uma demonstração como os blocos das principais equipas estão desgastados, o que poderá muito bem significar que sempre que os momentos de decisão chegarem, será cada um por si entre os chefe-de-fila.

A Sky fez o que lhe competia, tendo em conta que tem a camisola vermelha da liderança. Mas a sua postura foi tão diferente do normal para a equipa britânica, que quase nem parecia a Sky. Esteve na dianteira do pelotão, contudo, não fez uma perseguição, nem sequer um controlo da fuga. A passividade foi tal que Benjamin King até foi líder virtual com mais cerca de quatro minutos de vantagem para Michal Kwiatkowski. No final, houve alguma normalidade, quando mais equipas assumiram a frente do pelotão, principalmente com a intervenção da Lotto-Jumbo, para preparar a subida final. A diferença caiu, mas não o suficiente para tirar a Benjamin King a vitória mais importante da sua carreira.

Houve um bloco de nota. O da Lotto-Jumbo. A equipa holandesa está cada vez mais a querer ter protagonismo nas grandes voltas, com Steven Kruijswijk e George Bennett a terminarem com os restantes favoritos, num claro assumir que estão na Vuelta para lutar por um bom resultado. Perante o que se está a ver, tanto os estes dois ciclistas, como outros, terão no pensamento a vitória. E porque não? Nem a Movistar está a assustar, sendo a equipa que, teoricamente, teria o bloco mais forte. O trabalho da Lotto-Jumbo permitiu a que pelo menos não houvessem surpresas na geral, como ter King de vermelho.

Na derradeira subida de primeira categoria (Sierra de la Alfaguara), a segunda do dia, os ataques só apareceram muito perto do fim dos 12 quilómetros (161,4 no total da tirada que começou em Vélez-Málaga). As boas notícias são que Simon Yates (Mitchelton-Scott) está novamente em boa forma e que a Bora-Hansgrohe tem o alemão Emanuel Buchmann preparado para assumir mais responsabilidade, ainda que Rafal Majka tenha ficado também na frente. Yates e Buchmann ganharam uma distância suficiente para se colocarem nos lugares de  pódio a dez e sete segundos de diferença de Kwiakwoski, respectivamente. Mesmo sem uma Sky forte e sem grande ajuda de um David de la Cruz, talvez a pensar mais em fazer a sua corrida, o polaco manteve a camisola vermelha.

Além de se perceber que os blocos não terão a mesma influência que num Giro e Tour, a quarta etapa serviu para juntar mais alguns ciclistas à lista dos que já estão fora da luta pela geral e dificilmente entrarão sequer no top 10. A Richie Porte (BMC) e Vincenzo (Nibali) acrescenta-se agora Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) - caiu na terceira etapa e os problemas no ombro e joelho fizeram-no perder mais de cinco minutos para os restantes candidatos (mais de oito para King) -, Bauke Mollema (Trek-Segafredo) - cortou a meta quase 12 minutos depois de King, desperdiçando a última oportunidade para manter a confiança da equipa para as três semanas, se é que ainda havia alguma hipótese - e Michael Woods (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) não vai repetir o sétimo lugar de 2017.

O início desta Vuelta está a ser uma prova de eliminação, mas a lista de candidatos continua extensa e interessante. Se nos próximos dias o percurso poderá ser um pouco mais simpático, o muito sobe e desce poderá continuar a fazer as suas vítimas, até que no domingo surja uma das etapas mais esperadas da corrida, com a chegada na La Covatilla, uma categoria especial para talvez fazer uma maior selecção de candidatos.

Se os blocos não melhorarem com o decorrer da Vuelta, será mesmo cada um por si entre os líderes. Mesmo dentro de algumas equipas poderão surgir rivalidades: Michal Kwiatkowski/David de la Cruz (Sky) e Alejandro Valverde/Nairo Quintana (Movistar). A convivência entre Kruijswijk/Bennett e Buchmann/Majka deverá ser mais pacífica, com a corrida a definir quem poderá ser o número um.

Um suspiro de alívio para a Dimension Data

Tem sido mais uma temporada muito complicada para a equipa sul-africana. As vitórias escasseiam, a sua maior estrela dá mostras de já não conseguir ter um novo regresso aos grandes momentos - Mark Cavendish só soma um triunfo em 2018 - e há mais de um ano que a Dimension Data não ganhava numa corrida do World Tour.

O último triunfo tinha sido a 21 de Julho de 2017, então com Edvald Boasson Hagen a conquistar a 19º etapa do Tour. Quando Benjamin King - que venceu a classificação da montanha na Volta ao Algarve - partiu para a fuga do dia, estava longe de pensar que terminaria com uma vitória. Claro que quando um ciclista arrisca ir para a frente da corrida, espera que seja desta que o pelotão não conclua com sucesso a perseguição. Mas nas grandes voltas são poucas as fugas que triunfam, ainda mais nos primeiros dias. Por isso, King admitiu que só no último quilómetro acreditou que poderia mesmo ganhar.

No sprint com o cazaque da Astana, Nikita Stalnov, o americano foi claramente o mais forte. É apenas a sexta vitória da equipa este ano e não salvando a temporada, serve para pelo menos a Dimension Data suspirar um pouco de alívio. É que na luta pela geral há que juntar mais um nome que não está a deixar boas indicações: Louis Meintjes já tem 3:10 minutos de atraso para Kwiatkowski.

Pode ver aqui as classificações completas. Luis Ángel Maté (Cofidis) integrou novamente a fuga e reforçou a liderança na montanha, com Kwiatkowski a ser ainda o líder dos pontos. Já por equipas, a Astana destronou a Sky.

Quanto aos portugueses, todos perderam tempo. José Mendes (Burgos-BH) cortou a meta 7:45 minutos depois de Benjamin King, Tiago Machado (Katusha-Alpecin) 13:12, Nelson Oliveira 17:05 e José Gonçalves (Katusha-Alpecin) 18:35.

Quinta etapa: Granada-Roquetas de Mar, 188,7 quilómetros

Quando se olha para o final pensa-se em Vincenzo Nibali. Com 12:33 de atraso, o italiano da Bahrain-Merida já terá liberdade para algum ataque. O único problema é que não tem estado nada bem quando o terreno inclina para cima e terá de passar uma segunda categoria antes da longa descida até à meta, que será antecedida por cerca de 10 quilómetros em plano.

Se não for Nibali, é dia para quem desce bem procurar a vitória de etapa e talvez fazer alguma diferença na classificação. Noutra perspectiva, Quintana, por exemplo, esperará ter a ajuda de Valverde para não perder tempo. Não há descanso nesta Vuelta.


27 de agosto de 2018

O final de uma equipa que quis ser auto-sustentável

(Fotografia: Karen M. Edwards/Facebook Aqua Blue Sport)
Há um ano a Aqua Blue Sport vivia um momento que parecia confirmar que tinha feito a aposta certa em criar uma equipa que pretendia ser auto-sustentável. A estrutura irlandesa tem como base o site de venda online de artigos de ciclismo. O convite para a Vuelta era por si só o ponto alto na época de estreia, mas a vitória de etapa foi um bónus algo inesperado, mas muito bem-vindo. Doze meses depois, não há razões para sorrir, apenas muitas preocupações. São 16 os ciclistas que ficaram esta segunda-feira a saber que estão sem contrato para 2019, além de todo um staff que inclui um português, o massagista Pedro Claudino, que fica agora sem trabalho.

A equipa justificou a decisão de terminar o projecto com a falta de convites para corridas importantes, o que dificulta a promoção da marca, essencial para uma estrutura que quis subsistir sem patrocínios, mas apenas tendo um negócio online como forma de ganhar dinheiro. "Este ano foi cada vez mais difícil de obter convites para corridas e reconhecimento dos organizadores em como o nosso projecto é único e bem suportado", lê-se no comunicado.

A falta de convite para a Volta a Espanha deste ano acabou por ser a gota de água, despoletando a fúria do director. "No ano passado não tínhamos história e conseguimos alguns convites fantásticos, este ano temos alguma história positiva e temos poucos ou nenhuns convites. Investi milhões neste desporto [...]. Sem corridas significa que não há tráfego no site, o que significa que não há vendas e, logo, não há financiamento para a nossa equipa", disse então Rick Delaney, quando os convites foram anunciados.

Apesar de ser mais do que expectável que a Aqua Blue Sport ficasse de fora dos eleitos para as quatro vagas disponíveis, as exibições de 2017, que contaram com uma vitória do austríaco Stefan Denifl, fizeram com que Delaney mantivesse a esperança. No entanto, com a subida de duas equipas espanholas ao escalão Profissional Continental, esperava-se que a Burgos-BH e a Euskadi-Murias se juntassem à Caja Rural na Vuelta. O quarto convite iria sempre para a Cofidis, que apesar de ser uma equipa francesa, a empresa é um dos grandes patrocinadores de ciclismo em Espanha e conta sempre com espanhóis na equipa.

As memórias da Vuelta de 2017 não foram todas boas. O autocarro foi vandalizado e parte ardeu. De Portugal, a então LA Alumínios-Metalusa-BlackJack enviou o seu para auxiliar a Aqua Blue Sport. Ao todo, o ano de estreia no ciclismo rendeu quatro vitórias, a primeira numa etapa na Volta à Suíça pelo ciclista que mais tarde viria a sagrar-se campeão americano: Larry Warbasse. É agora um dos corredores que se vê obrigado a procurar nova equipa, tal como Adam Blythe, talvez a principal figura da equipa, tendo chegado à estrutura como campeão britânico.

Quase todos os ciclistas terminavam contrato no final do ano, mas a expectativa poderia passar pela continuidade. Agora essa perspectiva deixou de existir. Só o irlandês Eddie Dunbar e o dinamarquês Casper Pedersen tinham contrato para 2019, mas o vínculo ficou agora sem efeito. É quase Setembro e para alguns poderá ser tarde para garantir uma equipa para o próximo ano.

A tentativa de salvação

Os problemas da Aqua Blue Sport já eram bem conhecidos, com Delaney a nunca esconder que a ausência de corridas com maior projecção estavam a prejudicar a equipa, que muito precisava de publicitar o site. A solução passou por tentar uma fusão com outra estrutura. No início de Agosto, a formação irlandesa anunciou que tinha adquirido a empresa Sniper Cycling, que detém a Verandas Willems Crelan. Teria sido uma jogada de mestre, já que isso significaria ficar com um dos ciclistas que mais se destacou nas clássicas do pavé e uma das grandes figuras do ciclocrosse: Wout van Aert.

Porém, não demorou muito a Sniper Cycling desmentir categoricamente a compra e as negociações chegaram ao fim sem sucesso. Sem se referir especificamente à equipa belga, a Aqua Blue Sport escreveu no comunicado de despedida: "Nas últimas semanas formámos a base de um acordo várias vezes, mas, infelizmente, o senso comum não prevaleceu."

No curto historial desta equipa irlandesa ficam então oito vitórias, até ao momento, e a participação numa grande volta. Apesar de anunciar o fim, não significa que ter uma equipa de ciclismo seja algo que seja eliminado dos objectivos futuros da empresa: "Vamos continuar a crescer e desenvolver a nossa plataforma de e-comércio www.aquabluesport.com para permitir que regressemos à estrada, algures no futuro."

Um dos pormenores sobre esta equipa que não será esquecido é a bicicleta. A equipa apostou num modelo, 3T Strada, que gerou alguma desconfiança, pois só tem um prato. Foi algo que levou os próprios ciclistas a precisarem de um período de adaptação.

A Aqua Blue Sport quis inovar, principalmente na forma de se auto-financiar, sem precisar de estar constantemente à procura de patrocinadores. Durou dois anos o desafio que tão rapidamente pareceu estar bem encaminhado, como se tornou num de pouca duração.


Viviani o melhor sprinter? De 2018, certamente

(Fotografia: La Vuelta)
Missão cumprida. Uma oportunidade, uma vitória. Elia Viviani não desperdiçou uma das poucas etapas que os sprinters podem tentar aparecer numa Vuelta maioritariamente montanhosa. Aliás, o italiano e restantes adversários, ainda tiveram de enfrentar dificuldades, incluindo uma primeira categoria logo nos primeiros quilómetros. Foi saber sofrer e recuperar o máximo de forças possível para gastar num sprint em que Viviani foi simplesmente forte de mais para qualquer concorrência. Peter Sagan até pode não estar no seu melhor, mas o que Viviani fez hoje em Alhaurín de la Torre, o domínio que demonstrou, não é novo nesta época. Tem sido um ano fantástico de um sprinter que tinha mesmo muito mais para dar do que a Sky estava a permitir.

Quando a Quick-Step Floors anunciou a contratação do ciclista de 29 anos, o que significou a quebra de contrato com a equipa britânica - só terminava em Dezembro de 2018 -, logo se pensou que o seu papel seria para ser o sprinter nas corridas em que Fernando Gaviria não estaria. Marcel Kittel teve receio de ficar em segundo plano para o argentino e preferiu sair depois de uma época de sucesso (14 vitórias, cinco no Tour), Viviani não se preocupou com estatuto. Segundo plano? Quem não gostaria de estar na posição do italiano nesta fase da temporada: 16 vitórias, 17 se se contar com um contra-relógio por equipas. Fernando Gaviria soma nove!

Na Sky viu-se constantemente relegado a uma luta pelos sprints sem ajuda de companheiros, ou com muito pouca. É um ciclista que até sabe explorar o trabalho de outros para se colocar bem no pelotão, mas ter uma Quick-Step Floors dedicada a ele, fez toda a diferença. A sua melhor temporada tinha sido a de 2017, com 10 vitórias. Mas mais do que os números, este ano ganha muito e em grandes corridas, com destaque para Giro e agora a Vuelta (o Tour ficou para Gaviria - duas etapas). Com o triunfo em Alhaurín de la Torre são cinco etapas em grandes voltas (mais a camisola dos pontos em Itália), com Viviani a fazer a sua estreia a vencer na corrida espanhola, naquela que é a sua segunda participação (a primeira foi em 2012, ao serviço da Liquigas-Cannondale). E há que não esquecer que é o campeão italiano.

"Não sei se sou o melhor sprinter. Não posso ser eu a avaliar isso, mas sou o que mais ganha este ano", afirmou Viviani após a vitória na terceira etapa da Vuelta, 178,2 quilómetros que começaram em Mijas. O italiano não entra em discussões se é ou não um dos melhores do mundo. É certamente um sprinter de enorme qualidade e que este ano está claramente entre os melhores. As vitórias colocam-no mesmo como o melhor. Um sprinter de "segundo plano" de luxo numa equipa na qual os ciclistas têm tendência a mostrar a sua melhor versão e quando saem, muito se debatem para a recuperar (que o diga Kittel).

Fez-se a comparação com o companheiro Gaviria, mas o segundo sprinter que mais ganha este ano é Dylan Groenewegen. O holandês da Lotto-Jumbo soma 12 triunfos (dois no Tour e dois na Volta ao Algarve, por exemplo). Os outros principais sprinters do pelotão têm metade ou menos das vitórias de Viviani: Arnaud Démare (Groupama-FDJ) nove, André Greipel (Lotto-Soudal) seis, Christophe Laporte (Cofidis) seis, Nacer Bouhanni (Cofidis) cinco, Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) cinco, Caleb Ewan (Mitchelton-Scott) três, Marcel Kittel (Katusha-Alpecin) duas, Mark Cavendish (Dimension Data) apenas uma. Peter Sagan pode não ser o chamado sprinter puro, mas não deixa de ser dos melhores da actualidade. Tem oito triunfos, que inclui um monumento, o Paris-Roubaix, e três etapas no Tour.

A contagem de Viviani continua, tal como a da Quick-Step Floors: 58 vitórias e ganhou novamente nas três grandes voltas. Aconteça o que acontecer a Viviani no futuro, mantenha ou não este ritmo impressionante de triunfos, esta sensacional temporada ninguém lhe tira, no ano em que comprovou que podia ser muito mais ao que estava reduzido.

A luta pela geral começa agora

Se uma subida de terceira categoria em Caminito del Rey conseguiu fazer alguns estragos, principalmente eliminando Richie Porte (BMC) e deixando também Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) longe da discussão muito cedo na corrida, então o que poderá fazer uma chegada em alto de primeira categoria na quarta etapa?

Com uma Vuelta com potencial para ser muito aberta, sem um Chris Froome como favorito crónico e com muitos e bons candidatos, então, mesmo sendo tão cedo na corrida, há que aproveitar oportunidades para, pelo menos, começar a testar adversários e potencialmente criar-lhes desde já problemas se não estiverem bem nestes primeiros dias.

Serão 161,4 quilómetros entre Vélez-Málaga e Alfacar, Sierra de la Alfaguara. A primeira dificuldade, também uma primeira categoria, começa aos 51 quilómetros e vai até aos 67, mas a maior acção deverá ficar guardada para os 12 finais. É uma daquelas etapas na qual ninguém ganha uma grande volta. É apenas a quarta. Mas alguém poderá perdê-la. Michal Kwiatkowski (Sky) prometeu que irá defender a sua camisola vermelha de líder, ultrapassada que está a desilusão de dois segundos lugares nas duas primeiras tiradas. Tem 14 segundos de vantagem sobre Alejandro Valverde (Movistar) e 25 sobre Wilco Kelderman (Sunweb). O polaco lidera também nos pontos, com Luis Ángel Maté, espanhol da Cofidis, a vestir a camisola da montanha. A Sky é primeira na classificação por equipas. De recordar que na Vuelta não há uma camisola para o melhor jovem.

Os quatro portugueses em prova, Nelson Oliveira (Movistar), José Mendes (Burgos-BH), Tiago Machado e José Gonçalves (Katusha-Alpecin) terminaram a terceira etapa integrados no pelotão. Pode ver aqui as classificações completas.



26 de agosto de 2018

Lições logo ao segundo dia

(Fotografia: La Vuelta)
A primeira lição é a que Alejandro Valverde deu a Michal Kwiatkowski. Quem sabe, sabe e Valverde tem a escola toda. Aquele final de etapa teve tanto de boa condição física, como de inteligência. O polaco não se intimidou perante o espanhol, mas na última curva viu Valverde passá-lo, deixando-o a olhar para as suas costas. Soube escolher a melhor trajectória e jogar com o vento, deixando o Kwiatkowski mais exposto. Antes assumiu a perseguição a um Laurens de Plus (Quick-Step Floors) sem que sacrificar forças que poderia precisar no sprint. E são 120 vitórias na carreira para o espanhol que, aos 38 anos, tem as pernas de um ciclista no seu auge, beneficiando da mentalidade de quem tem muitos anos de ciclismo.

Recentemente, após os testes médicos na Juventus, foi revelado que Cristiano Ronaldo tem o corpo de um jovem de 23 anos. Menos dez da sua idade real. Seria interessante saber o caso de Valverde... Claro que por Espanha é aguardado com expectativa se esta forma inicial poderá significar que o ciclista vai atrás da sua segunda Vuelta. Venceu em 2009, com esta a ser a sua 10º vitória de etapa. Nairo Quintana pode não ser um líder tão indiscutível como queria na Movistar, apesar de só ter perdido três segundos para o duo da frente, mas são 33 para o novo líder: Kwiatkowski.

Dois segundos lugares podem um pouco frustrantes, mas o polaco já está com a camisola vermelha. Melhor motivação seria impossível para quem pode na Vuelta mostrar que a Sky pode contar com ele como líder para três semanas. Mas se há lição que todos conhecem na modalidade, é que começar bem, ou mesmo muito bem, não é sinónimo de glória no final. Na geral, Valverde está a 14 segundos e Wilco Kelderman (Sunweb) a 25.

Segunda lição do dia: Richie Porte e Vincenzo Nibali não fizeram bluff.

Só foram precisos duas etapas para perceber que Richie Porte não estava a fazer bluff. Era apontado como um dos favoritos, com as casas de aposta até o colocaram como principal candidato. O australiano bem disse que não estava bem e que esperava ir melhorando durante a Vuelta para aparecer mais forte na terceira semana, com os Mundiais em mente, não a geral em Espanha. O ciclista da BMC perdeu só neste domingo 13:31 minutos. Já são mais de 14 para o líder. Porte estava a falar muito a sério sobre a sua condição física, mas não significa que não se o veja pelo menos a lutar por etapas.

Não está tão mal como Porte - que ainda sofreu uma gastroenterite antes do arranque da corrida -, mas Vincenzo Nibali também não fez bluff quando disse que não se sentia a 100% para discutir a Vuelta. Perdeu 4:04 minutos. De recordar que ambos sofreram quedas que os obrigaram a abandonar o Tour.

Adam Yates desiludiu na Volta a França e é mais um ciclista que veio à Vuelta para tentar algo melhor na derradeira corrida de três semanas, para a qual nem estava inicialmente escalado. Está com o irmão e não ficam dúvidas que é Simon o único líder. Adam cortou a meta com Richie Porte e pensará em etapas e em ser o braço-direito do irmão.

E o que dizer de Ilnur Zakarin... Este corredor russo não consegue manter-se afastado de azares. Caiu e o joelho e ombro não ficaram nada bem tratados. A Katusha-Alpecin anunciou que o seu líder foi transportado para o hospital no final da etapa, mas os raios-X não mostraram fracturas. Zakarin aguentou como pôde, mas perdeu 1:01 minutos. A equipa teve pelo menos uma razão para sorrir, mas na Alemanha, com Nils Politt a vencer a última etapa da prova germânica, conquistada por Matej Mohoric (Bahrain-Merida).

Porém, numa altura em que Marcel Kittel vai ser sujeito a exames médicos para tentar perceber porque não consegue estar a um bom nível, ter Zakarin limitado na Vuelta, será mais uma desilusão em 2018 para a equipa. Ainda mais quando há um ano o ciclista fez pódio na Vuelta e parecia estar finalmente preparado para voos mais altos. José Gonçalves, que no Giro foi 14º, está em Espanha com objectivos diferentes. Perdeu 1:18 minutos no contra-relógio e hoje foram mais 6:31, pelo que não será um plano B, mas deverá ter liberdade para entrar em fugas e procurar algum triunfo que a equipa bem precisa.

Quanto aos restantes portugueses, José Mendes (Burgos-BH) terminou no grupo de Richie Porte, enquanto Tiago Machado (Katusha-Alpecin) e Nelson Oliveira (Movistar) estiveram no trabalho para os líderes, cortando a meta juntos a 3:13 minutos.

Lição final para quem talvez conheça menos a Vuelta: esta grande volta é muito diferente do Giro e Tour. Ao segundo dia teve uma etapa que sem dificuldades extremas, deixou muita gente "sufocada" principalmente nos últimos quilómetros. Eram uma segunda categoria e três de terceira, com chegada em alto. O calor teve a sua influência, ainda mais com um constante sobe e desce. A etapa foi tão complicada para alguns ciclistas que Julien Duval (AG2R) e Lars Boom (Lotto-Jumbo) ficaram dentro do tempo limite para terminar a etapa por apenas quatro segundos!

De referir que Rohan Dennis (BMC), o primeiro líder da Vuelta após a vitória no contra-relógio de Málaga, ficou para trás com Porte e não se incomodou nada em perder a camisola vermelha. Kwiatkowski ficou com a liderança na geral e nos pontos, Luis Ángel Maté (Cofidis) aproveitou a fuga para garantir a camisola da montanha, enquanto a Sky é a primeira entre as equipas.

Pode ver aqui as classificações completas, com alguns dos candidatos a ficarem em pequenos cortes nos últimos metros, mas sem que causem grandes dores de cabeça, por enquanto.

Uma primeira categoria numa etapa para sprinters

Se os 163,5 quilómetros entre Marbelha e Caminito del Rey serviram para perceber principalmente que Porte não é candidato e Nibali também só o será com uma grande reviravolta, a etapa de segunda-feira será uma oportunidade para os sprinters. Mas nova lição: nesta Vuelta, os sprinters têm mesmo de ultrapassar bem as montanhas. O dia irá começar com uma primeira categoria!

Termina aos 45 quilómetros dos 178,2 que unem Mijas a Alhaurín de la Torre e pouco depois haverá uma terceira categoria. Tendo em conta que só haverão mais quatro ou cinco oportunidades para este tipo de ciclistas, Sagan, Elia Viviani (Quick-Step Floors) e Nacer Bouhanni (Cofidis) não vão querer desperdiçar, mesmo tendo de começar a etapa a subir. Mas as respectivas equipas bem que terão de trabalhar para anular a fuga e garantir que os seus líderes não ficam demasiado para trás logo no início. Terça-feira haverá chegada em alto de primeira categoria num dia em que os homens da geral serão novamente testados.

Nesta Vuelta não há tempo para ir ganhando ritmo. É preciso começar o melhor possível e conseguir manter o nível alto durante três semanas... numa temporada que já vai longa e com muitos ainda a pensar nos Mundiais e na Lombardia, o último monumento do ano.



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