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14 de junho de 2018

UCI aprova calendário World Tour para 2019 com algumas mudanças

Ainda há muito por acontecer neste ano, mas 2019 já está a ser preparado e foi aprovado o calendário World Tour para a próxima época. Se tudo se mantém igual no arranque, com a Austrália à espera do pelotão no Tour Down Under e na Cadel Evans Great Ocean Race, há depois algumas alterações, a começar pela introdução da UAE Tour. O Giro irá ter uma alteração na data, enquanto o final da temporada não será na China, mas sim na Europa.

A UAE Tour, ou Volta aos Emirados Árabes Unidos, será o resultado da fusão entre o Dubai Tour (de categoria 2.HC) e a Volta a Abu Dhabi, essa já do World Tour. A corrida irá realizar-se entre 25 de Fevereiro e 2 de Março. A Volta a Itália avança uma semana e irá acabar em Junho, no dia 2, começando no dia 11 de Maio. Isto significa que o Tour irá manter-se nas datas deste ano. Devido ao Campeonato do Mundo de futebol, o início foi adiado uma semana para não haver um excesso de sobreposição entre as provas, mas a data vai continuar. A Volta a França será então entre 6 e 28 de Julho.

A Volta à Turquia, que não tem tido vida fácil desde que passou a ser da principal categoria, irá encerrar a temporada World Tour, em vez da prova chinesa em Guangxi. A corrida turca passará para o final de Outubro, de 22 a 27.

Pormenores sobre os calendários das restantes categorias serão conhecidos só em Setembro.

Aqui ficam as datas apresentadas pela UCI.

15 a 20 de Janeiro: Santos Tour Down Under (Austrália)
27 de Janeiro: Cadel Evans Great Ocean Race (Austrália)
25 de Fevereiro a 2 de Março: UAE Tour (Emirados Árabes Unidos)
2 de Março: Omloop Het Nieuwsblad Elite (Bélgica)
9 de Março: Strade Bianche (Itália)
10 a 17 de Março: Paris-Nice (França)
13 a 19 de Março: Tirreno-Adriatico (Itália)
23 de Março: Milano-Sanremo (Itália)
25 a 31 de Março: Volta à Catalunha (Espanha)
29 de Março: E3 Harelbeke (Bélgica)
31 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
3 de Abril: Através da Flandres (Bélgica)
7 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
8 a 13 de Abril: Volta ao País Basco (Espanha)
14 de Abril: Paris-Roubaix (França)
21 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
24 de Abril: Flèche Wallonne (Bélgica)
28 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
30 de Abril a 5 de Maio: Volta à Romândia (Suíça)
1 de Maio: Eschborn-Frankfurt (Alemanha)
11 de Maio a 2 de Junho: Volta a Itália
12 a 18 de Maio: Volta à Califórnia (Estados Unidos)
9 a 16 de Junho: Critérium du Dauphiné (França)
15 a 23 de Junho: Volta à Suíça
6 a 28 de Julho: Volta a França
3 de Agosto: Clássica de San Sebastian (Espanha)
3 a 9 de Agosto: Volta à Polónia
4 de Agosto: Prudential RideLondon-Surrey (Grã-Bretanha)
12 a 18 de Agosto: BinckBank Tour (Bélgica e Holanda)
24 de Agosto a 15 de Setembro: Volta a Espanha
25 de Agosto: Clássica de Hamburgo (Alemanha)
1 de Setembro: Bretagne Classic-Ouest-France (França)
13 de Setembro: Grande Prémio do Quebeque (Canadá)
15 de Setembro: Grande Prémio de Montreal (Canadá)
12 de Outubro: Il Lombardia (Itália)
15 a 20 de Outubro: Volta a Guangxi (China)
22 a 27 de Outubro: Volta à Turquia


28 de setembro de 2017

Descida de categoria da Volta à Turquia parece ser inevitável

(Fotografia: Facebook Volta à Turquia)
Será este um fim anunciado de uma curta aventura no World Tour? A organização da Volta a Turquia já não poderá usar as clássicas de Abril como desculpa para a falta de interesse das principais equipas em estar na corrida que este ano subiu à categoria mais elevada. Em Fevereiro pediu à UCI para adiar a data, pois só uma estaria inscrita. O organismo acedeu e agendou para 10 a 15 de Outubro, em vez de 18 a 23 de Abril. O resultado é que mais três formações do principal escalão se inscreveram, mas se de facto apenas quatro aparecerem, a prova poderá estar condenada à descida, eventualmente já em 2018.

Com a reformulação do calendário do World Tour em 2017, a entrada de novas corridas foi acompanhada por algumas regras especiais. Em primeiro lugar as equipas do escalão não estariam obrigadas em participar, ao contrário do que acontece com as restantes competições que já pertenciam ao calendário. As novas provas tem de garantir que pelo menos dez das formações estejam presentes. Se em dois anos consecutivos tal não acontecer, a competição volta a descer de categoria.

Bora-Hansgrohe, Trek-Segafredo, UAE Team Emirates e Astana são as únicas equipas do World Tour que estarão inscritas, segundo o Cycling News. Na Quick-Step Floors, por exemplo, nenhum ciclista quer viajar para a Turquia. Foi o próprio director Patrick Lefevere quem o admitiu em Fevereiro. A corrida até fazia parte do calendário da formação belga, mas nenhum corredor quis participar.

Agora já não há forma de tentar disfarçar o que realmente está em causa. A insegurança e instabilidade política que se vive na Turquia não transmitem confiança a ninguém. Os ataques terroristas assustam, mas a tentativa de golpe de Estado e a forma como politicamente o presidente Erdogan tem liderado o país, causam ainda mais nervosismo a quem tem de viajar para a Turquia. Um dos responsáveis da Lotto Soudal, Marc Sergeant, deu precisamente esses dois exemplos para justificar a ausência da equipa, em Abril, e parece que não há intenção de mudar de ideias.

Quando a Volta à Turquia reapareceu no calendário da UCI em 2008, até começou por atrair várias equipas do World Tour. Porém, com o passar dos anos essa presença foi diminuindo, muito devido aos casos de doping que surgiram, inclusivamente num dos vencedores turcos. Apesar do interesse ser mais reduzido, a boa estrutura organizacional acabou por ser uma grande ajuda para que recebesse o estatuto de World Tour em 2017.

Porém, tudo está a correr mal. Até a apresentação das etapas só aconteceu na segunda-feira. Perante a realidade que já não é possível esconder atrás de desculpas como "má altura no calendário", poderá acontecer que a Volta a Turquia em 2018 já não esteja no calendário World Tour. Para já aparece nele, mas se se confirmarem apenas quatro equipas do principal escalão, descer de categoria e não esperar mais um ano, poderá ser uma forma até para salvaguardar a corrida. A nível financeiro o gasto é muito superior quando se está no World Tour. Haverá decisões a tomar depois do dia 15 de Outubro.

De recordar, que o vencedor em 2016 foi o português José Gonçalves. Então na Caja Rural, foi uma vitória que colocou o gémeo na rota de uma grande equipa mundial. Foi a Katusha-Alpecin, de José Azevedo, que o foi buscar. E não estará inscrita este ano, pelo que Gonçalves não estará na Turquia para usar o dorsal número um.

Apesar dos problemas, a Volta à Turquia irá pelo menos realizar-se, o que não aconteceu com a Volta ao Qatar. Era outra das corridas novas no World Tour, mas problemas financeiros levaram ao seu cancelamento.

»»Já é conhecido o calendário do World Tour para 2018««

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15 de fevereiro de 2017

Volta à Turquia adiada por falta de equipas World Tour, fica à espera de nova data

(Fotografia: Facebook Volta à Turquia)
Era inevitável. Perante o desinteresse das equipas do World Tour em participar na Volta à Turquia - só uma das 18 terá confirmado a presença - a organização já havia feito saber que pretendia a mudança da data para mais tarde no ano, de preferência em Outubro. A UCI aceitou o pedido de adiamento, mas a remarcação só será discutida no próximo mês. Esta é uma estreia acidentada da Volta à Turquia na categoria mais alta e a alteração da data não garante que a situação possa ser diferente da actual.

"Em seguimento do pedido e da aprovação do Conselho Profissional de Ciclismo (CPC), a UCI anuncia que a edição de 2017 da Volta à Turquia foi adiada. Uma nova data para o evento do calendário World Tour será considerado no encontro do CPC, agendado para Março", lê-se no curto comunicado divulgado pela UCI.

Inicialmente marcada de 18 a 23 de Abril, a Volta à Turquia coincide com a época das clássicas, com a Liège-Bastogne-Liège, por exemplo, a realizar-se também no dia 23. Para a organização da corrida este é um factor que pesa na decisão das formações do World Tour, mas a questão é bem provável outra. Os directores da Lotto Soudal e da Quick-Step Floors já afirmaram publicamente que a insegurança que se vive no país faz com que prefiram não participar na corrida. Patrick Lefevere, da Quick-Step Floors, disse mesmo que a prova até foi incluída no calendário da equipa para 2017, mas nenhum dos ciclistas quis ir.

A Volta a Turquia - que em 2016 foi ganha pelo português José Gonçalves - já foi uma das corridas que as equipas do World Tour apostavam. No entanto, nos últimos anos, o crescente clima de insegurança tem vindo a afastar as formações, pelo que a alteração da data poderá apenas significar o adiar de um provável cancelamento. Mesmo que se realize, se não conseguir o mínimo exigido de dez equipas do principal escalão, o futuro da corrida na categoria máxima está condenado.

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»»Primeira nova competição do World Tour recebeu quase todas as principais equipas««

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10 de fevereiro de 2017

Orçamentos muito mais altos, falta de garantias e insegurança. Organizadores das novas corridas do World Tour questionam benefícios da subida de categoria

(Fotografia: Facebook Prudential RideLondon)
O acréscimo de dez corridas no calendário World Tour continua a não ser pacífico. Primeiro foram as equipas que não ficaram agradadas com tantas competições e a UCI cedeu, tornando as presenças facultativas. Por outro lado, os organizadores estão obrigados a garantirem pelo menos dez equipas do principal escalão caso queiram manter-se na categoria mais alta. Além disso, os custos aumentaram substancialmente e há quem comece a pensar se realmente compensa a presença no calendário World Tour. E ainda há o problema específico da Volta à Turquia, pois a insegurança que se vive no país afastou as grandes equipas.

A Volta ao Qatar foi a primeira "vítima". A falta de patrocinadores fez com que fosse cancelada, ainda que a federação queira recuperar a competição em 2018. A Turquia começa a ameaçar também não ter condições para ficar no principal calendário. Na apresentação da Omloop Het Nieuwsblad - corrida que abre a 25 de Fevereiro a época das clássicas - foi revelado o orçamento: 180 mil euros. Três vezes mais do que nos anos anteriores.

Segundo  explicou o director das Clássicas da Flandres, Wim Van Herreweghe, ao jornal belga Het Nieuwsblad, do valor total, 40 mil euros foram direitinhos para as passagens aéreas e os hotéis das equipas. O aumento de custos e das preocupações estão a levantar questões sobre se a decisão de mudar a categoria foi a mais acertada.

Mick Bennet, director da Prudential RideLondon, afirmou: "Os custos de ser uma corrida World Tour são incríveis e os benefícios são escassos." A prova londrina terá um orçamento de cem mil euros. Maurizio Evangelista, do Giro del Trentino (agora Volta aos Alpes) já havia questionado se ter um orçamento de 120 mil euros compensaria o risco. "Não há garantias", realçou ao Cycling News

Omloop Het Nieuwsblad "só" terá mesmo de se preocupar em ter o dinheiro necessário, pois já atraía algumas das grandes equipas e este ano tem 15 inscritas (só faltam a UAE Abu Dhabi, Movistar e a Dimension Data), mais três que no ano passado. A clássica conta com vencedores como Greg van Avermaet (em 2016), Ian Stannard, Luca Paolini, Sep Vanmarcke, Juan Antonio Flecha, Thor Hushvod, Philippe Gilbert e, recuando um pouco mais no tempo, o inevitável Eddy Merckx.

Ninguém quer ir à Volta à Turquia, mesmo que a data seja alterada

Durante alguns anos a Turquia foi um destino preferencial de grandes equipas. Porém, o ano em que subiu de categoria está também marcado pela insegurança que se tem vivido no país. Os atentados são uma assustadora realidade que os ciclistas não conseguem ignorar. A precisar de dez equipas para garantir a continuidade, só uma equipa World Tour confirmou a presença. Os organizadores querem alterar a data de Abril para Outubro, para assim evitar a coincidência com a época das clássicas, mas mesmo que a UCI venha a aceitar o pedido, o resultado poderá ser o mesmo.

Patrick Levefere, director desportivo da Quick-Step Floors, admitiu ao Het Nieuwsblad que em Outubro, quando preparava a temporada de 2017, a Volta a Turquia estava no seu calendário. Porém, no estágio de Dezembro, acabou por retirá-la. "Perguntámos aos ciclistas e ninguém, mesmo ninguém, queria ir", referiu.

A Lotto Soudal esteve na corrida turca em 2016, sendo uma das duas equipas World Tour presentes, juntamente com a Lampre-Merida. Porém, o responsável da formação belga, Marc Sergeant, confessou que o receio acompanhou os ciclistas e restantes membros da equipa durante toda a competição. "Não houve incidentes no ano passado e houve muita atenção à segurança. A cada cem metros via-se um agente [da polícia]. No entanto, desde então muito aconteceu: novos ataques, uma tentativa de golpe de Estado... Li que cem mil pessoas foram presas. Por todas estas razões decidimos não ir este ano", explicou ao Het Nieuwsblad.



3 de fevereiro de 2017

Volta à Turquia pode ser cancelada por falta de equipas do World Tour

(Fotografia: Facebook Volta à Turquia)
O aumento do calendário World Tour em mais 11 corridas poderá começar a revelar-se uma aposta falhada por parte da UCI. Primeiro foi a Volta ao Qatar a ser cancelada por falta de patrocinadores e agora é a Volta à Turquia que poderá seguir o mesmo caminho, mas por falta de equipas do World Tour. Apesar de este ano pertencer à principal categoria, a UCI determinou que as formações podem escolher em quais das novas competições querem participar. E a Turquia não está a ser nada atractiva e só terá confirmada uma equipa do World Tour.

A federação de ciclismo turca quer evitar o cancelamento e, segundo o site Cycling News, terá enviado um representante aos Mundiais de Ciclocrosse, que se realizaram no passado fim-de-semana no Luxemburgo, para apelar à UCI uma mudança de data. O objectivo é que a corrida se realize em Outubro ou Novembro e não em Abril, como está agendada.

A UCI ainda não se pronunciou sobre esta questão, mas será muito improvável que adie a corrida. Novembro estará fora de questão, pois seria estender em demasia o calendário e em Outubro será complicado, ainda que não impossível.

Mas o problema da Turquia vai muito mais além de questões de datas. A instabilidade política no país - ainda no ano passado sofreu uma tentativa de golpe de Estado - e os problemas de insegurança provocados pelos vários atentados terroristas que a Turquia tem sido alvo nos últimos tempos, são também razões que afastam as equipas de uma corrida que chegou a seduzir alguns nomes importantes do pelotão internacional.

No ano passado apenas participaram duas equipas do World Tour, quando no ano anterior tinham lá estado seis. A subida de categoria era algo há muito desejado pelos organizadores da corrida, mas acabou por chegar numa altura muito difícil para o país.

De recordar que José Gonçalves conquistou a edição de 2016, ao serviço da Caja Rural.

Terceira corrida francesa cancelada este ano

Confirmado está o cancelamento da Cholet-Pays de Loire. A corrida de um dia deveria ter a sua 40ª edição em Março, mas a organização e os responsáveis políticos da região não chegaram a acordo, nem depois da intervenção de Marc Madiot, director da FDJ e presidente da liga nacional francesa de ciclismo, segundo avançou o DirectVelo. No entanto, desconhece-se as razões do desentendimento.

O cancelamento da Cholet-Pays de Loire segue-se ao fim do Critérium International e da La Méditerranéenne. A Taça de França fica assim a contar com 15 corridas, em vez de 16.

A questão de sobrevivência de algumas corridas, principalmente na Europa, já chegou a Itália. O responsável pela organização da GP Costa degli Etruschi, Adriano Amici, afirmou ao VeloNews que o número crescente de competições na Austrália e no Médio Oriente está a afastar as grandes equipas da Europa neste início de temporada. Amici recorda que a competição transalpina já contou com grandes nomes no passado, tendo vencedores como Mario Cipollini, Alessandro Petacchi, Elia Viviani e Michele Scarponi. Porém, este ano apenas está inscrita uma equipa do World Tour, a UAE Abu Dhabi (antiga Lampre), que estará presente com uma formação 100% italiana, liderada por Diego Ulissi.

É também referido que ainda há dez anos muitas das principais equipas escolhiam aquela região de Itália para realizar estágios. Porém, agora refugiam-se mais no sul de Espanha, optando depois por rumar à Austrália ou Médio Oriente para começarem as temporadas.



31 de dezembro de 2016

José Gonçalves, o melhor ciclista português em 2016 para os leitores do Volta ao Ciclismo

José Gonçalves conquistou a Volta à Turquia (Fotografia: Twitter: @CajaRural_RGA)
Foi um ano positivo para vários ciclistas portugueses. Cinco destacaram-se e foram a votação no blog Volta ao Ciclismo. José Gonçalves (Caja Rural) foi o vencedor, recebendo 26% dos votos, seguindo-se por Rui Costa (Lampre-Merida), com 20%. O terceiro mais votado foi Nelson Oliveira (Movistar), com 18% da preferência dos leitores e o vencedor do ranking nacional, Rafael Reis (W52-FC Porto), e o colega de equipa que conquistou a Volta a Portugal, Rui Vinhas, ficaram empatados com 16% dos votos.

Até à Volta a Portugal, o ciclista de Barcelos estava a realizar mais uma excelente temporada. José Gonçalves (27 anos) conquistou a sua primeira grande vitória numa corrida por etapas, ao vencer a Volta à Turquia. Venceu também uma etapa na Volta a Portugal - terminou na 23ª posição - e outra no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Foi ainda quarto nos Campeonatos Nacionais, somando várias boas exibições noutras competições pela equipa espanhola. Também ganhou o Campeonato Nacional de Rampa, em Palmela.

No entanto, o final de época é para esquecer: desistiu da Volta a Espanha devido a fadiga muscular, o mesmo problema afectou nos Europeus (foi 68º) e uma queda acabou com a sua participação nos Mundiais. Porém, a boa temporada e, claro, a qualidade já reconhecida há algum tempo, valeu-lhe um contrato com uma equipa World Tour. Irá representar a Katusha-Alpecin em 2017, na companhia de Tiago Machado e será orientado por José Azevedo.

»»A nova vida da Katusha««

1 de maio de 2016

José Gonçalves a caminho do World Tour

(Fotografia: Twitter @CajaRural_RGA)
José Gonçalves é um daqueles ciclistas que é quase impossível não se gostar. Uma competição em que participe certamente que não será aborrecida. O seu estilo atacante, sempre à procura de uma vitória, dá garantias de animação e bom ciclismo. Jogar à defesa não é o seu estilo, o que tem sido muito bom para a sua carreira... e para quem gosta da modalidade. Este domingo, o ciclista português juntou ao seu estilo entusiasmante um triunfo muito importante: a Volta à Turquia.

A gestão de carreira por parte de José Gonçalves tem sido inteligente. O português, de 27 anos, tem sabido aproveitar as oportunidades certas. Em 2013 deixou Portugal para rumar à equipa francesa da La Pomme Marseille, na qual ficou dois anos. Desde cedo começou a mostrar que era um ciclista destinado a outro tipo de calendários do que as provas secundárias e de mediatismo quase nulo nas quais maioritariamente a equipa competia. Pode não ter vencido nenhuma competição, mas conseguiu entrar no radar do ciclismo internacional. A Caja Rural contratou-o em 2014 e a união dificilmente podia ter sido mais perfeita.

A equipa espanhola tem dado quase sempre liberdade a José Gonçalves de tentar um bom resultado, mesmo quando não é o líder. E o português tem respondido da melhor forma. No ano passado venceu uma etapa na Volta a Portugal, mas o melhor estava guardado para a Volta a Espanha. Um palco mundial que colocaria definitivamente José Gonçalves na rota das atenções do World Tour: sétimo no contra-relógio inicial, dois quintos lugares, um terceiro e um segundo. E muitos ataques pelo meio que o tornaram num dos ciclistas mais combativos da competição. Um triunfo teria sido mais do que merecido, pelo que deverá ser seguro dizer que Gonçalves vai este ano ser novamente um dos animadores da Vuelta.

Mas até lá o que poderá fazer? Perante as palavras após a vitória na Volta à Turquia, o português não vai ficar por aqui. E sim, o objectivo está mais do que assumido publicamente: "Esta é uma vitória importante para a minha carreira visto que quero ir para uma equipa World Tour."

Mais uma vez foi o seu estilo atacante que lhe valeu o triunfo, ainda que não tenha vencido nenhuma etapa. Outra prova de inteligência. Quando foi preciso gerir, fê-lo, mas sempre à procura de estar na frente. A seu lado teve a preciosa ajuda de Ricardo Vilela, com o irmão gémeo, Domingos Gonçalves, também a marcar presença.

Porém, voltas à Turquia começam a não ser suficientes para a ambição de Gonçalves e a desilusão por não estar na Volta a Itália demonstra isso mesmo: "Estou um pouco frustrado por não levar a forma que apresento neste momento ao Giro, mas a nossa equipa não foi convidada. No entanto, o próximo grande objectivo é a Volta a Espanha, onde espero partilhar a liderança com Pello Bilbao. Quero capitalizar esta vitória na Turquia e mostrar o meu potencial."

José Gonçalves sente que chegou o momento de entrar na elite e se mantiver o nível exibicional, a mudança para o World Tour poderá ser uma inevitabilidade.

28 de abril de 2016

O renascer de Kris Boeckmans

Quando Kris Boeckmans cortou a meta em terceiro lugar, na quarta-feira na Volta à Turquia, quase que parecia inacreditável que há oito meses o belga tenha sofrido uma queda que fez temer o pior. Pode ainda não estar no seu melhor, mas Boeckmans tornou-se em mais um exemplo da incrível capacidade de recuperação de um ser humano.

Na oitava etapa da Volta a Espanha, Boeckmans não viu um buraco quando estava a beber e foi projectado da bicicleta. Sofreu uma concussão, três costelas partidas, um pneumotórax, nariz partido e o queixo ficou de tal forma que foi necessário ser operado, uma cirurgia que demorou oito horas. A gravidade dos ferimentos fez com que estivesse em coma induzido durante mais de uma semana. Correu risco de vida.

O director desportivo da Lotto Soudal, Mario Aerts, recordou que durante algum tempo não sabia se o seu ciclista sobreviveria, quanto mais se alguma vez voltaria a ser o mesmo atleta e, principalmente o mesmo homem. Boeckmans deu a resposta nos meses que se seguiram e regressou à competição antes do previsto. "O Kris tem muito carácter, resiliência e coragem. Ele possui muita força para regressar como ser humano e como ciclista e quer regressar ao mais alto nível no desporto", salientou Aerts ao site Velonews.

Aos 29 anos, Boeckmans tenta agora recuperar o tempo perdido. Em 2015 estava a realizar a sua melhor temporada de sempre: seis vitórias em etapas ou corridas de um dia, mais dois triunfos em classificações gerais. Oito vitórias das 11 que contabiliza como profissional. Regressou na clássica de Handzame, desistiu na primeira etapa da Volta à Catalunha, esteve na corrida de Scheldeprijs, mas foi na Volta a Turquia que o belga regressou aos bons resultados. Todo o sacrifício de uma penosa e longa recuperação começam a valer a pena.

"Passaram-se quase nove meses e eu sinto-me como se tivesse renascido. Demorei o tempo necessário para recuperar. Nunca forcei nada, mas também nunca tirei um dia de folga, nem um", contou ao Velonews.

A terceira etapa da Volta à Turquia foi atípica, é certo. O vento provocou um corte no pelotão e a equipa da Lotto Soudal acabou com seis ciclistas no top dez. Mas a importância o terceiro lugar de Boeckmans é melhor compreendido quando André Greipel admite que teria cedido a sua vitória para que o colega fosse o vencedor. "O Kris Boeckmans merecia-a, sem dúvida, pois é impressionante que ele tenha feito parte do grupo da frente. Teria sido muito emocionante se tivesse ganho", referiu o sprinter alemão, que acrescentou que a equipa manteve-se fiel ao plano, que tinha Greipel como a primeira aposta.

Ainda não se fazem prognósticos do que Boeckmans poderá vir a ser no ciclismo. O próprio admite que terminada a Volta à Turquia vai voltar ao trabalho com o treinador e o fisioterapeuta (não tem, para já, mais nenhuma corrida agendada). Motivação não parece faltar e o belga parece já ter alcançado a grande vitória que desejava: "Estou a desfrutar tanto do ciclismo como o fazia antes da queda e penso que isso é um feito tendo em conta o que passei."

E Boeckmans salientou ainda: "Para mim a melhor parte desta viagem é estar aqui a pedalar com os melhores companheiros de equipa do mundo. É de loucos que eu esteja aqui."