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12 de dezembro de 2017

UCI pede a federação polaca para colaborar na investigação sobre alegadas violações

É mais um caso que está a abanar uma estrutura no ciclismo, agora na Polónia. Em 2016, foi na Grã-Bretanha que acusações de discriminação sexual por parte de algumas ciclistas levaram à demissão do director técnico. Na federação polaca as suspeitas são de violações, inclusivamente a menores. As denúncias foram feitas por um antigo presidente e a UCI já apelou que o organismo colabore na investigação em curso, salientado que estará atenta e dedicada "na defesa dos ciclistas contra qualquer forma e nível de abusos".

No final do mês de Novembro, Piotr Kosmala deu uma entrevista ao site polaco Sportowe Fakty, na qual acusou um membro da direcção da federação polaca de violação e de outros comportamentos sexuais impróprios. A utilização de drogas é também referida. Foi anda mais longe, revelando que algumas das vítimas eram menores de idade. A mesma pessoa teria obrigado os ciclistas a pagar comissões "por baixo da mesa" sobre o dinheiro que ganhavam nas competições. Como forma de intimidação, ameaçaria os ciclistas de lhes destruir a carreira.

Apesar da federação ter negado as acusações, um dos patrocinadores já terá ameaçado cortar o apoio. O ministério do Desporto e Turismo quis que as alegações fossem investigadas, o que está a ser feito pelas autoridades locais. "A UCI encoraja veementemente a Federação de Ciclismo Polaca a cooperar (...) para assegurar que as medidas apropriadas são implementadas para restaurar a boa governação e credibilidade da federação", lê-se no comunicado.

A Polónia tem sido um país que tem ganho cada vez mais destaque no ciclismo mundial. Se na pista apresenta ciclistas fortes, na estrada há também uma geração de enorme potencial, com destaque para Michal Kwiatkowski, que já conta com um título mundial e um monumento (Milano-Sanremo) e tem apenas 27 anos. Rafal Majka tem 28 e é um corredor com potencial para discutir grandes voltas. No país também se fala há vários meses do interesse em receber o início de uma Volta a Itália.

O ministro do Desporto e Turismo, Witold Banka, pediu para que a direcção se demitisse de forma a começar assim a limpar a imagem do organismo. O financiamento foi também suspenso até que o caso seja esclarecido. Uma nova direcção poderá ser nomeada até ao fim do ano.

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11 de dezembro de 2017

UCI confirma licenças. Seis novas equipas Profissionais Continentais e uma que fica em suspenso

Estão confirmadas as equipas que vão competir no escalão World Tour e Profissional Continental. Se no principal não há novidades, já no segundo haverá seis equipas novas, duas das quais espanholas, três americanas e uma francesa. A única dúvida é a Aqua Blue Sport. O pedido de licença da formação irlandesa ainda está a ser analisado. Para já são 26 as que vão para a estrada em 2018, neste segundo escalão.

A questão da Aqua Blue Sport não foi esclarecida. A equipa divulgou um comunicado, no qual explica que "continua a trabalhar com a Comissão de Licenças para assegurar que todos os critérios para atribuição [da licença] são cumpridos de acordo com os regulamentos da UCI". Salienta que não fará mais comentários até o caso estar resolvido, partilhando o discurso da UCI. Garante apenas que os ciclistas vão continuar concentrados em preparar a próxima temporada. As equipas têm de corresponder aos critérios ético, financeiro, administrativo e organizacional para obterem as licenças que solicitam.

A equipa irlandesa estreou-se em 2017 e conseguiu um convite para estar na Volta a Espanha. Sofreu um enorme percalço quando o autocarro foi vandalizado e parte ardeu. No imediato as equipas presentes ajudaram no que foi preciso, mas foi de Portugal que chegou o autocarro "suplente", cedido pela LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. A Aqua Blue Sport acabou por ter um grande momento quando Stefan Denifl ganhou uma etapa. Ao todo a equipa somou quatro vitórias, a primeira na Volta a Suíça, por Larry Warbasse. A estrela da equipa é o sprinter britânico Adam Blythe, campeão nacional em 2016, que representou equipas como a Tinkoff, Orica e BMC.

Quanto às novas equipas Profissionais Continentais, já era conhecida a Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, que este ano contou com os gémeos Oliveira e em 2018 tem já confirmado João Almeida. Junta-se a Rally Cycling - presença habitual nas provas de início de temporada em Portugal - e a Holowesko-Citadel powered by Arapahoe Resources, também dos Estados Unidos. Em Espanha confirma-se a subida de duas formações também bem conhecidas por cá: a Euskadi Basque Country-Murias e a Burgos-BH, que reforçou-se com o português José Mendes. O novo projecto francês, Vital Concept, será uma equipa que irá receber certamente atenção, pois conta com o sprinter Bryan Coquard.

De referir ainda a Caja Rural que terá na sua equipa pelo segundo ano Rafael Reis, enquanto Joaquim Silva deixa a W52-FC Porto para agarrar um novo desafio na formação espanhola. Amaro Antunes estará na polaca CCC Sprandi Polkowice e Ricardo Vilela na colombiana Manzana Postobón. Portugal continua sem representantes a nível de equipas, mas quem sabe em 2019 a história seja outra...

No World Tour mantém-se as 18 equipas que competiram em 2017. Porém, apesar de na lista divulgada só aparecer um dos novos nomes, a EF Education-Drapac powereb by Cannondale, haverá outras duas alterações: a FDJ passará a ser a Groupama-FDJ, enquanto a Orica-Scott será a partir de 1 de Janeiro a Mitchelton-Scott.

Licenças atribuídas pela UCI

World Tour: AG2R La Mondiale (FRA), Astana (CAZ), BMC (EUA), Bora-Hansgrohe (ALE), Dimension Data (RSA),  EF Education First-Drapac powered by Cannondale (EUA), Francaise des Jeux (FRA), Movistar (ESP), Mitchelton Scott (AUS), Bahrain Merida (BAH), Katusha-Alpecin (SUI), Lotto-Jumbo (HOL), Lotto Soudal (BEL), Quick Step Floors (BEL), Sky (GB), Sunweb (ALE), Trek-Segafredo (EUA), UAE Team Emirates (EAU).

Profissionais Continentais: Androni Giocattoli (ITA), Aqua Protect Veranclassic (BEL), Bardiani CSF (ITA), Burgos-BH (ESP), Caja Rural- Seguros RGA (ESP), CCC Sprandi Polkowice (POL), Cofidis (FRA), Cycling Breizh (Fortuneo Oscaro) (FRA), Delko Marseille (FRA), Direct Energie (FRA), Euskadi Murias (ESP), Gazprom-Rusvelo (RUS), Hagens Berman Axeon (EUA), Holowesko Citadel (EUA),Israel Cycling Academy (ISR), Manzana Postobon (COL), Nippo-Vini Fantini (ITA), Rally Cycling (EUA), Roompot (HOL), Sport Vlaandaren-Baloise (BEL), Novo Nordisk (EUA), Unitedhealthcare (EUA), Veranda's Willems Crelan (BEL), Wanty (BEL), Wilier Triestina-Selle Italia (ITA), Vital Concept (FRA).

Em análise: Aqua Blue Sport.

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10 de novembro de 2017

Uma frase num livro e o alegado motor de Cancellara volta a ser assunto do dia

(Fotografia: Roxanne King/Flickr)
É caso para dizer, lá vamos nós outra vez. Quando Fabian Cancellara terminou a carreira, há um ano, ficou claro que perante um currículo tão brilhante, aquele arranque na Volta a Flandres em 2010 - que deixou Tom Boonen a parecer que estava parado -, nunca deixaria de levantar suspeita sobre um alegado motor na bicicleta. Nem o facto de estar retirado terminou com a desconfiança. E porquê que se volta agora a falar disso? Por causa desta frase escrita num livro: "Quando se vêem as imagens, as acelerações dele não são nada naturais. É como se tivesse problemas em manter os pés nos pedais. Aquele cabrão provavelmente tinha um motor."

Houve direito a ofensa e tudo... O autor é Phil Gaimon, que também colocou um ponto final na carreira em 2016, aos 30 anos. Ao contrário de Cancellara, o seu currículo não o coloca entre os ciclistas mais memoráveis, apesar de algumas classificações interessantes. A sua última equipa foi a Cannondale-Drapac. Gaimon resolveu escrever um livro - o título em inglês é Draft Animals: Living the Pro Cycling Dream (Once in a While) - e não lhe falta publicidade depois de terem sido divulgadas algumas frases, nomeadamente aquela sobre Fabian Cancellara. As suspeitas do americano são sobre a Volta a Flandres e o Paris-Roubaix.

As reacções não se fizeram esperar. Gaimon está a ser alvo de muitas mensagens pouco simpáticas nas redes sociais, segundo o próprio revelou, enquanto a UCI rapidamente veio a público dizer que vai investigar as alegações. O novo presidente, David Lappartient, tem disparado em várias direcções e o doping mecânico não é excepção. O dirigente salientou que, como todos, conhece os rumores e que agora, perante as declarações de Phil Gaimon, há que perceber o que está por detrás delas.

Quanto ao ex-ciclista, já veio a público dizer que não se percebeu onde queria chegar com a afirmação. "Acredito que tenha acontecido algumas vezes naquele ano, mas mal alguém reparou e se tornou numa história [mediática], ninguém o fez novamente", realçou ao Cycling News. Gaimon diz mesmo que ninguém no ciclismo acredita que de facto se vai chegar a alguma conclusão, mesmo com a determinação de Lappartient.

Fabian Cancellara mantém-se em silêncio. Já repetiu tantas vezes que não usou nenhum motor, que desta vez não disse nada publicamente. O suíço sempre se defendeu afirmando que o seu único motor eram as pernas. Já o mecânico que acompanhou Cancellara durante a fase das clássicas em 2010, então na Saxo Bank, considera que era impossível alguém recorrer a tal forma para ganhar vantagem.

"Se houvesse um motor na bicicleta eu teria visto. Não seria possível esconder. As bicicletas do Fabian eram tratadas como todas as outras, por isso era impossível que algo pudesse lá estar escondido", garantiu Rune Kristensen. O mecânico, actualmente ao serviço da Quick-Step Floors, assegura assim também que não havia um tratamento especial para a bicicleta de Cancellara, que, segundo algumas alegações, ficaria à parte das dos colegas de equipa.

Entretanto, o combate ao doping mecânico terá um novo líder: Jean-Christophe Peraud. O antigo ciclista, mais um que acabou a carreira em 2016, irá substituir Mark Barfield, o homem que havia sido escolhido pelo antigo presidente da UCI, Brian Cookson. Apesar das muitas vistorias, nunca nenhum ciclista do pelotão profissional de estrada foi apanhado com um motor. O primeiro caso surgiu nos Mundiais de ciclocross em 2016, na bicicleta da belga Femke Van den Driessche. A ciclista foi suspensa por seis anos, mas optou por terminar a carreira. Desde então, só no ciclismo amador têm surgido alguns casos.

Algumas reportagens têm colocado em causa a forma como a UCI lidera estas vistorias às bicicletas, surgindo alegações que o sistema utilizado, através de um tablet, não é eficaz, ainda mais quando já não se fala apenas de um motor escondido no quadro da bicicleta, mas também com o doping mecânico a já ter chegado às rodas.

Jean-Christophe Peraud, ciclista que representou a AG2R e que foi segundo na Volta a França de 2014, ganha por Vincenzo Nibali, terá muito trabalho pela frente para não só garantir que este doping mecânico não é utilizado no ciclismo, mas também para credibilizar o sistema utilizado na detecção de motores.

»»A nova vida de um Cancellara universitário, triatleta e empresário««

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2 de novembro de 2017

Equipas estão a diminuir os plantéis. UCI quer cortar ainda mais nos ciclistas por corrida

No próximo Giro já não haverá nove ciclistas na apresentação.
Movistar é a mais recente equipa a confirmar um plantel mais curto
(Fotografia: Giro d'Italia)
Irá a segurança aumentar? Irá ser mais difícil para uma equipa controlar uma corrida? Teremos de esperar por 2018 para saber as respostas a estas perguntas. Porém, a diminuição do número de ciclistas por competição tem um efeito imediato: as equipas de todos os escalões estão a diminuir os seus plantéis. Há um ano, Patrick Levefere tinha avisado que menos ciclistas nas corridas iria significar o desemprego para 100 corredores. Ainda não é possível saber se a conta do director desportivo da Quick-Step Floors está correcta, visto que nem todas as formações deram por fechada as contratações e renovações, contudo, começa a parecer que a previsão do belga poderá não estar muito longe da verdade.

A alteração do número de ciclistas nas corridas já era falado há algum tempo, principalmente com a questão da segurança a ser muito discutida com os incidentes, muitos deles graves, que têm acontecido nos extensos pelotões. Reduzir o número de corredores foi uma opção vista por alguns como positiva neste aspecto, mas não convenceu todos os responsáveis da modalidade. Quando os organizadores de algumas das principais provas - ASO, RCS Sport e Flanders Classics - tentaram por conta própria implementar a regra, Levefere avisou desde logo que em vez de 30 ciclistas, bastariam 25 nos plantéis, havendo também um corte nos elementos do staff.

Para Lefevere seria mais importante ter um maior cuidado na escolha de estradas e percursos, em vez de diminuir os ciclistas. A UCI acabou por anunciar a nova regra para 2018 e o resultado foi a BMC passar de 29 ciclistas para 24 corredores, a Sunweb deverá também ficar-se pelos 24 (eram 27), tal como a Quick-Step Floors. A Movistar confirmou os eleitos para a próxima temporada, com Dayer Quintana a ser a derradeira renovação: 25 ciclistas, mais dez para a equipa feminina que fará a estreia em Janeiro. De recordar que dois portugueses fazem parte desta estrutura: Nelson Oliveira e Nuno Bico. Dos ciclistas que este ano representaram a formação espanhola, a maior vítima é o veterano de 36 anos, Daniel Moreno. Enquanto outros ciclistas acabaram por assinar por outras equipas (não tanto por não terem lugar na Movistar, mas por opção própria), já Moreno terá agora de repensar o seu futuro.

Apesar desta evidência, o novo presidente da UCI não está satisfeito e quer ir mais longe. Isto é, quer que o número seja reduzido para seis! Nas grandes voltas eram nove e passarão a ser oito, nas restantes corridas diminuí de oito para sete. "A certa altura eram dez ciclistas por equipa e conseguimos reduzir para nove, mas eu quero ir mais longe e seis corredores por equipa seria o melhor", afirmou David Lappartient à rádio francesa RMC, em mais uma proposta do recém-eleito dirigente que não deverá ser recebida de forma pacífica pelas principais formações.

Além da segurança, temos então o "problema" que muito preocupa certos organizadores: haver equipas que controlam quase por completo uma corrida. É caso para dizer que a "culpa" é da Sky! O domínio da formação britânica nos últimos anos, principalmente na Volta a França, tornou-se uma dor de cabeça para a ASO, uma das grandes defensoras para que o número de ciclistas fosse reduzido.

Este domínio nem foi tão ostensivo em 2017 como em anos anteriores, contudo, Chris Froome ganhou outra vez. Pela quarta vez em cinco anos, ao que se junta a vitória de Bradley Wiggins que iniciou o ciclo, apenas interrompido por Vincenzo Nibali em 2014 (Froome caiu e abandonou). A Sky terá menos um ciclista para ajudar a controlar, mas os rivais também terão menos um para tentar fazer frente à Sky. Teremos mesmo de esperar por 2018 para perceber se a teoria que menos ciclistas, menos possibilidade de controlo se confirma. Para já, há algum cepticismo.

De referir que em Portugal a redução de plantéis também se irá fazer notar, ainda que sendo equipas que já são mais pequenas, será menos notório. Porém, não deixa de ser menos espaço para os ciclistas conseguirem um lugar entre a elite nacional, num pelotão que apenas tem seis formações profissionais.


24 de outubro de 2017

UCI receia que rádios possam ajudar apostas ilegais. Novo presidente quer proibi-los em algumas corridas

(Fotografia: Federação Francesa de Ciclismo/Wikimedia Commons)
No que diz respeito a palavras, o novo presidente da UCI, David Lappartient não se está a poupar. Quer mudar regras e até quer que o chamado doping mecânico seja mesmo considerado um crime. Desde que foi eleito durante nos últimos Mundiais, em Setembro, Lappartient tem estado activo em revelar as suas intenções e agora relança um velho debate: o uso de rádios. De quando em vez lá regressa a discussão sobre a utilização desta tecnologia, mas desta agora vai muito mais além de uma disputa entre aqueles que defendem um ciclismo mais puro, digamos assim, e os que apoiam a evolução tecnológica que acompanha qualquer modalidade. O dirigente avisa que há o perigo da utilização dos rádios puderem facilitar apostas ilegais na internet.

"Pode-se comunicar directamente com o ciclista durante a corrida. Oficialmente a ligação parte do carro da equipa para o corredor, mas tecnologicamente não há nada que previna que eu ou você ouça quem veste a camisola amarela no Tour, certo?" A expressão levou a que fosse de imediato questionado se David Lappartient estava a sugerir que um ciclista como Chris Froome, por exemplo, poderia ir mais rápido ou devagar porque alguém teria feito uma aposta. Para o responsável não há dúvidas que a resposta é sim.

"As apostas desportivas são como um iceberg. 90% são ilegais e acontecem por baixo da linha de água. É assim no futebol, ténis ou andebol", referiu Lappartient em entrevista ao jornal belga Het Laatste Nieuws. Considerando que pode-se tornar um problema grave, o dirigente quer agir: "Não quero chegar ao dia em que o ciclismo, quando tiver saído do buraco do doping e de ter com sucesso combatido a fraude mecânica, estar dominado pela corrupção e escândalos de apostas. A UCI não tem um único artigo nos seus regulamentos."

Lappartient frisou que não quer que pensem que o organismo é débil no combate à fraude tecnológica, pelo que a utilização dos rádios entra desde já na sua agenda e nos próximos Mundiais, em Innsbruck, na Áustria, poderão ser proibidos. "Os ciclistas não precisam de tanta informação", defendeu, acrescentando que também irá aplicar a mesma medida noutras competições. Não há dúvidas, o debate está mesmo relançado e é de esperar reacções.

Mal foi eleito, o novo presidente disse logo em plenos Mundiais que queria acabar com o contra-relógio por equipas nesta competição, mas essa é apenas pequena decisão comparada com outras. Lappartient quer acabar com o uso de corticóides e do medicamento Tramadol (ajuda a aliviar as dores). O dirigente considera que é necessário "agir urgentemente contra o mau uso de cortisona", dizendo que a WADA (agência mundial anti-doping) não lhe consegue informar se os ciclistas que a usam estão a ter uma performance mais baixa. "Se estivessem, não a usariam", afirmou. Lappartient alerta que em causa está a saúde do ciclista, mas a UCI apenas poderá tentar convencer a WADA a integrar as substâncias em causa na lista de produtos proibidos, não podendo ela própria os banir.

Em mais uma luta, Lappartient quer ter a certeza que ninguém está a decorrer ao doping mecânico no pelotão. Com notícias recentes a darem conta que as actuais formas de detecção podem não ser eficazes, Lappartient não só quer garantir que quem tente enganar seja apanhado, como quer que seja julgado como um criminoso. "Está a fazer batota contra aqueles que jogam de forma limpa. O dinheiro que ganha assim é à custa dos ganhos dos outros. Isso é um roubo", defendeu.

O mandato ainda agora começou, depois de ter derrotado nas eleições o então presidente Brian Cookson, pelo que há que esperar para ver quando Lappartient passa das palavras aos actos.

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26 de setembro de 2017

Sanção mais pesada para quem beneficiar de "boleia" dos carros de apoio

(Imagem: print screen)
A partir de 1 de Janeiro de 2018, quem for apanhado a ser levado por um carro de apoio não irá apenas enfrentar a desqualificação da corrida e uma multa de 200 francos suíços (cerca de 175 euros). Gianni Moscon foi o caso mais recente, nos Mundiais de Bergen, mas este ano já Romain Bardet tinha sido desqualificado - e consequentemente expulso - do Paris-Nice pela mesma razão. A UCI quer persuadir que situações destas continuem a acontecer e a nova sanção prevê uma possível suspensão de um mês e a multa sobe para cinco mil francos suíços (cerca de 4400 euros).

Não é invulgar ver os ciclistas tentarem aproveitar a deslocação dos carros para recolar ao pelotão, colocando-se atrás destes ou até agarrarem-se para o mecânico realizar algum trabalho, por exemplo. Desde que não exagerem, por norma não há problema. A questão está mesmo em agarrarem-se e o veículo acelerar, recuperando assim vários metros. Moscon, por exemplo, caiu a 35 quilómetros da meta e depois foi buscar um bidão ao carro. As imagens captam como naquele momento houve uma aceleração, sendo demasiado óbvio já que Sergio Henao, que também tinha caído, ficou rapidamente para trás. O ciclista italiano até chegou a estar numa fuga nos quilómetros finais, foi 29º, mas acabou desqualificado. Outro exemplo muito popular foi o de Vincenzo Nibali na Volta a Espanha de 2015. Tanto ele como o condutor do veículo, membro da equipa da Astana, foram mandados para casa.

Quanto ao caso de Moscon, um dos responsáveis da selecção italiana, Davide Cassani, assumiu publicamente a responsabilidade do que aconteceu. "A culpa foi minha. Eu dei-lhe o bidão e disse-lhe para se agarrar. Sei que não o deveria ter feito e peço desculpa porque toda a Itália fica mal vista. No entanto, o que aconteceu não deverá afectar a imagem do Gianni. Ele não merece ser afectado por isto. Ele é uma boa pessoa e honesta", salientou Cassani, à Gazzetta dello Sport.

Outra mudança nas sanções que será implementada pela UCI em 2018 é relativa a quem atravessa passagens de níveis quando a cancela vai fechar ou já estiver fechada, como aconteceu no Paris-Roubaix, em 2015. Até agora o ciclista seria ou desqualificado ou ainda durante a corrida poderia ser obrigado a abandonar. Agora o infractor enfrentará também uma pena de um mês de suspensão mais a multa de cinco mil francos suíços.

Estas alterações chegam quando David Lappartient foi eleito o novo presidente da UCI, na quinta-feira. No entanto, ainda foram acordadas durante o mandato do antecessor Brian Cookson, tal como a redução do número de ciclistas nas corridas: de nove para oito nas grandes voltas e de oito para sete nas restantes competições.

21 de setembro de 2017

Portugal com 19 corridas internacionais em 2018 e datas definidas

A Volta ao Algarve irá ser novamente a competição
mais importante a realizar-se em Portugal na vertente de estrada
A UCI confirmou o calendário para 2018 e Portugal contará com 19 corridas internacionais entre provas de estrada e BTT. A Volta ao Algarve será novamente a de categoria mais elevada, na vertente de estrada, pertencendo ao segundo escalão e vai realizar-se entre 14 e 18 Fevereiro. As principais novidades acabam por ser em algumas datas, com a Volta ao Alentejo e o Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela a mudarem de mês. Serão sete as corridas de estrada internacionais que se vão realizar em 2018, enquanto no BTT serão 12.

A corrida portuguesa que se tornou uma referência no estrangeiro, a Volta ao Algarve, continua o seu caminho rumo à consolidação como uma das mais importantes no calendário, com a classificação de 2.HC, estando apenas abaixo das do World Tour. A expectativa é que em 2018 se repita a presença de várias equipas do principal escalão e com algumas das grandes figuras do pelotão a disputarem as etapas e a geral. O esloveno Primoz Roglic (Lotto-Jumbo) foi o vencedor em 2016, com Amaro Antunes (W52-FC Porto) a ganhar a etapa no Malhão.

No próximo ano será abandonado o plano de ter a Volta ao Alentejo logo a seguir à prova algarvia, naquela que era uma tentativa de manter no país algumas das grandes equipas. Em 2017, do World Tour, só cá ficou a Movistar. A Alentejana (de categoria 2.1) vai para a estrada entre 14 e 18 de Março. Já o Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela troca o mês de Junho por Abril (12 a 15).

De referir que a Volta a Portugal do Futuro passará a ser de estatuto nacional, enquanto a Volta a Portugal irá começar uns dias mais cedo: de 1 a 12 de Agosto.

Quanto ao BTT, verifica-se a continuidade na aposta na internacionalização das Taças de Portugal de Downhill e de Cross Country Olímpico, com quatro e cinco competições, respectivamente. Destaque ainda para os dois eventos da World Marathon Series.

Aqui ficam todas as provas internacionais que se realizarão em Portugal no próximo ano.

Estrada
  • 14 a 18 de Fevereiro: Volta ao Algarve, 2.HC 
  • 11 de Março: Clássica da Arrábida, 1.2 
  • 14 a 18 de Março: Volta ao Alentejo, 2.1 
  • 25 de Março: Clássica Aldeias do Xisto, 1.2 
  • 12 a 15 de Abril: Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, 2.1 
  • 12 a 15 de Julho: Grande Prémio Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho, 2.2 
  • 1 a 12 de Agosto: Volta a Portugal Santander Totta, 2.1 
BTT 
  • 25 de Fevereiro: Taça de Portugal de DHI, Tarouca, Classe 1 
  • 4 de Março: Taça de Portugal de XCO, Viana do Castelo, Classe 2 
  • 18 de Março, Taça de Portugal de DHI, S. Brás de Alportel, Classe 1 
  • 25 de Março: Taça de Portugal de DHI, Lousã, Classe 1 
  • 8 de Abril: Taça de Portugal de XCO, Jamor, Oeiras, Classe 2 
  • 29 de Abril: Taça de Portugal de DHI, Ribeira de Pena, Classe 2 
  • 1 a 6 de Maio: Portugal MTB, Classe 1 
  • 13 de Maio, Taça de Portugal de XCO, Fundão, Classe 2 
  • 20 de Maio, Mêda100 – World Marathon Series, Mêda, Classe 3 
  • 17 de Junho: Taça de Portugal de XCO, Valongo, Classe 2 
  • 16 de Setembro: Taça de Portugal de XCO, Avis, Classe 2 
  • 7 de Outubro: Azores MTB Marathon – World Marathon Series, Classe 3
»»Já é conhecido o calendário do World Tour para 2018««

Já é conhecido o calendário do World Tour para 2018

Em dia de descanso nos Mundiais - que regressam esta sexta-feira com as provas em linha -, não significa que não houvesse pontos de interesse. Houve eleições na UCI, que terá um novo presidente e até já se conhece uma medida: acabar com o contra-relógio por equipas nos Campeonatos do Mundo. Foi também divulgado o calendário World Tour, no qual não há grandes mudanças, apenas a confirmação que a Volta ao Qatar foi mesmo riscada, depois de este ano ter subido ao principal escalão, para depois ser cancelada devido a problemas financeiros. Algumas corridas serão em datas ligeiramente diferentes. Já no Women's World Tour há três novas competições.

No calendário masculino, a Dwars Door Vlaanderen vai realizar-se depois da Gent-Wevelgem, enquanto a RideLondon-Surrey Classic irá ter lugar no mesmo dia que o final da Volta a França, seguindo-se depois a Volta à Polónia e a Clássica de San Sebastian. Uma alteração na ordem destas corridas. Quanto às três grandes voltas, o Giro será de 5 a 27 de Maio, o Tour de 7 a 29 de Julho e a Vuelta de 25 de Agosto a 16 de Setembro. Os monumentos: Milano-Sanremo, 17 de Março; Volta a Flandres, 1 de Abril; Paris-Roubaix, 8 de Abril; Liège-Bastogne-Liège, 22 de Abril; Il Lombardia, 13 de Outubro.

Quanto às eleições na UCI, David Lappartient bateu o até agora presidente Brian Cookson. O francês conseguiu 37 votos contra oito e destacou como isso significou que recebeu votos de todas as confederações. Apesar de se esperar uma eleição mais renhida, a vitória de Lappartient não é uma surpresa, já que era conhecido que recolhia o apoio na Europa, com Cookson mais popular na Ásia, África e Oceânia. Não chegou e pela primeira vez um presidente só cumprirá um mandato.

Há quatro anos, Cookson foi uma espécie de voto de revolta contra a liderança de Pat McQuaid, que atravessou momentos muito conturbados no ciclismo. Cookson assumiu como bandeira do mandato a luta contra o doping e o desenvolvimento da modalidade para as mulheres.

Há alguma expectativa para ver Lappartient à frente da UCI, depois de ter liderado a União Europeia de Ciclismo. Para já, avisou que a partir de 2020 irá acabar com o contra-relógio por equipas nos Mundiais, justificando que as equipas não estão interessadas. Esta decisão surge depois de um contra-relógio colectivo que até demonstrou como estão a aparecer mais formações com o objectivo de ganhar, casos da Sunweb (a nova campeã) e a Sky. Porém, a participação reduzida (apenas 11 das 18 equipas do World Tour estiveram presentes e somente uma Profissional Continental) sustentam a opinião de Lappartient., não se esquecendo como em Doha2016 se correu o risco de ninguém participar devido aos elevados custos da deslocação. Mas esta será apenas uma decisão no muito trabalho que espera ao francês num desporto movido por muitos interesses.

Artur Lopes, presidente da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Ciclismo, foi eleito para o Comité Director da UCI, sendo o candidato mais votado.

Aqui fica o calendário completo do World Tour masculino e feminino. As três novas competições das senhoras são a Driedaagse De Panne-Koksijde (Bélgica), WWT Emakumeen XXXI. Bira (Espanha) e a Volta a Guangxi (China).

World Tour:

  • 16 a 21 de Janeiro: Santos Tour Down Under (Austrália)
  • 28 de Janeiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
  • 21 a 25 de Fevereiro: Abu Dhabi Tour (Emirados Árabes Unidos)
  • 24 de Fevereiro: Omloop Het Nieuwsblad Elite (Bélgica)
  • 3 de Março: Strade Bianche (Itália)
  • 4 a 11 de Março: Paris-Nice (França)
  • 7 a 13 de Março: Tirreno-Adriatico (Itália)
  • 17 de Março, Milano-San Remo (Itália)
  • 19 a 25 de Março: Volta à Catalunha (Espanha)
  • 23 de Março: E3 Harelbeke (Bélgica)
  • 25 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
  • 28 de Março: Dwars door Vlaanderen (Bélgica)
  • 1 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
  • 2 a 7 de Abril: Volta ao País Basco (Espanha)
  • 8 de Abril: Paris-Roubaix (França)
  • 15 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
  • 18 de Abril: Flèche Wallonne (Bélgica)
  • 22 de Abril Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
  • 24 a 29 de Abril: Volta à Romandia (Suíça)
  • 1 de Maio: Eschborn-Frankfurt – Rund um den Finanzplatz (Alemanha)
  • 5 a 27 de Maio: Volta a Itália
  • 13 a 19 de Maio: Volta à Califórnia (EUA)
  • 3 a 10 de Junho: Critérium du Dauphiné (França)
  • 9 a 17 de Junho: Volta à Suíça
  • 7 a 29 de Julho: Volta a França
  • 29 de Julho: Prudential RideLondon-Surrey Classic (Grã-Bretanha)
  • 4 a 10 de Agosto: Volta à Polónia
  • 4 de Agosto: Clássica de San Sebastian (Espanha)
  • 13 a 19 de Agosto: Binck Bank Tour (Holanda/Bélgica)
  • 19 de Agosto: Clássica de Hamburgo (Alemanha)
  • 25 de Agosto a 16 de Setembro: Volta a Espanha
  • 26 de Agosto: Bretagne Classic-Ouest-France (França)
  • 7 de Setembro: Grande Prémio do Québec (Canadá)
  • 9 de Setembro: Grande Prémio de Montreal (Canadá)
  • 9 a 14 de Outubro: Volta à Turquia
  • 13 de Outubro: Il Lombardia (Itália)
  • 16 a 21 de Outubro: Volta a Guangxi (China)

Women's World Tour:

  • 3 de Março: Strade Bianche (Itália)
  • 11 de Março: Ronde van Drenthe (Holanda)
  • 18 de Março: Trofeo Alfredo Binda-Comune di Cittiglio (Itália)
  • 22 de Março: Driedaagse De Panne-Koksijde (Bélgica)
  • 25 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
  • 1 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
  • 15 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
  • 18 de Abril: Flèche Wallonne (Bélgica)
  • 22 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
  • 26 a 28 de Abril: Volta à Ilha Chongming (China)
  • 10 a 13 de Maio: Amgen Breakaway from Heart Disease Women’s Race (EUA)
  • 19 a 22 de Maio: WWT Emakumeen XXXI. Bira (Espanha)
  • 13 a 17 de Junho: OVO Energy Women’s Tour (Grã-Bretanha)
  • 6 a 15 de Julho: Volta a Itália
  • 17 de Julho: La Course by Le Tour de France (França)
  • 28 de Julho: Prudential RideLondon Classique (Grã-Bretanha)
  • 10 de Agosto: Crescent Vårgårda (contra-relógio colectivo) (Suécia)
  • 12 de Agosto: Crescent Vårgårda (Suécia)
  • 16 a 19 de Agosto: Volta à Noruega
  • 25 de Agosto: GP de Plouay-Lorient Agglomération (França)
  • 28  de Aug a 2 de Setembro, Boels Ladies Tour (Holanda)
  • 16 de Setembro: Madrid Challenge by La Vuelta (Espanha)
  • 21 de Outubro: Volta a Guangxi (China)

27 de junho de 2017

André Cardoso acusa EPO. Foi suspenso e diz adeus à Volta a França

André Cardoso preparava-se para viver um sonho que há muito ambicionava realizar: estar na Volta a França. Seria a sua estreia, sendo que teria o papel de estar ao lado de Alberto Contador. Porém, a UCI divulgou hoje que o ciclista português testou positivo a substância Eritropoetina, mas conhecida por EPO. Foi suspenso, numa decisão já confirmada pela sua equipa, Trek-Segafredo.

Segundo o comunicado da União Ciclista Internacional (UCI), a amostra em causa foi recolhida fora da competição, a 18 de Junho, uma semana depois de André Cardoso ter terminado na 19ª posição o Critérium du Dauphiné. Nessa corrida, o gondomarense mostrou que poderia ser um ciclista importante na ajuda a Alberto Contador na Volta a França, que começa no sábado.

O ciclista já pediu a contra-análise, mas irá ficar suspenso até ser conhecido o resultado. Se se confirmar o positivo, André Cardoso arrisca uma pena pesada. Recentemente, a UCI suspendeu Giampaolo Caruso por dois anos. O italiano também testou positivo por EPO, num caso que acabou por se arrastar durante cinco anos.

"É com um profunda desilusão que acabámos de ser informados que o nosso ciclista, André Cardoso, testou positivo uma substância proibida. De acordo com a nossa política de tolerância zero, ele foi imediatamente suspenso", lê-se no comunicado da Trek-Segafredo. A equipa escreve ainda que irá agir de acordo com os detalhes que receber. Se a contra-análise for positiva, o mais provável é que André Cardoso veja o seu contrato ser terminado, como normalmente acontece nestas situações.

Depois de quatro anos na estrutura da actual Cannondale-Drapac, André Cardoso (32 anos) mudou-se para a outra formação americana. Na Trek-Segafredo, o português teve sempre a ambição de conseguir ser um dos homens de confiança de Alberto Contador no Tour. Na antiga equipa participou em sete grandes voltas, quatro Vueltas e três Giros. Apesar de ser sempre um ciclista de trabalho, o pior resultado de Cardoso na geral foi o 25º lugar na Vuelta de 2015. O melhor foi o 14º na Volta a Itália do ano passado. Em 2011, ao serviço do Tavira, André Cardoso venceu uma etapa na Volta a Portugal, na chegada à Torre. No domingo, o ciclista esteve na sua terra a competir nos Nacionais. Foi ele quem desenhou o percurso da prova de estrada em Gondomar. Acabou por abandonar, pois ao perder contacto com a frente da corrida começou a pensar em poupar forças para o Tour. O vencedor foi o seu colega de equipa, Ruben Guerreiro.

A Trek-Segafredo chamou o veterano espanhol Haimar Zubeldia (40 anos) para substituir o André Cardoso na equipa para o Tour.

Eritropoetina (EPO) ajuda a aumentar a produção de glóbulos vermelhos no sangue. Tal permite que mais oxigénio chegue aos músculos, o que contribui para uma melhor performance desportiva. Esta substância tem sido a mais falada em casos de doping no ciclismo nas décadas de 80 e 90 e também no início do século.

André Cardoso pede que não o julguem demasiado rápido

Entretanto, o ciclista português já reagiu à informação da UCI. Numa mensagem escrita em inglês na sua página de Facebook, André Cardoso nega ter recorrido à EPO e pediu que a contra-análise seja feita o mais rapidamente possível.

"Estava ansioso para dar o meu melhor pela equipa e por mim no Tour. Acredito num desporto limpo e sempre agi como um atleta limpo, mas tenho a noção que as notícias colocam uma nuvem negra não só sobre mim, mas também no desporto e na equipa, colegas e staff", lê-se no texto que publicou.

Cardoso afirma ainda estar consciente que será visto como culpado, realçando que está devastado pela notícia. "Nunca tomei substâncias ilegais", frisou. Acrescentou: "Espero que aqueles que me conhecem, que confiem em mim quando digo que estou inocente e que os meus colegas e fãs não me julguem demasiado rápido nesta altura tão difícil."

Leia em baixo a mensagem completa.


(Texto actualizado às 23:00 com a declaração de André Cardoso no Facebook.)

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22 de junho de 2017

Surpresa! UCI altera número de ciclistas por equipa

Depois de rapidamente ter feito frente a uma decisão dos organizadores do Giro, Tour e Volta a Flandres, a UCI cedeu e alterou a regra do número de ciclistas permitidos por equipas nas corridas. A partir de 2018, as formações serão constituídas por oito corredores nas três grandes voltas e sete nas restantes provas. Em Novembro do ano passado, a ASO (que organiza o Tour), a RCS Sport (Giro) e a Flanders Classics (Volta a Flandres) decidiram que iriam diminuir o número de ciclistas nas suas corridas já em 2017. A intenção foi travada pela UCI, que recordou que qualquer alteração desse tipo de regra teria de ser aprovada pelo Conselho de Ciclismo Profissional (PCC, sigla em inglês). A intenção caiu por terra, mas afinal não foi esquecida. Na mais recente reunião do PCC foi decidido que, por razões de segurança, a redução de ciclistas deveria tornar-se uma realidade.

É mais uma vitória principalmente para a ASO que tanto tem lutado com a UCI por alterações no ciclismo, de tal forma que chegou a ameaçar tirar a Volta a França e outras corrida que organiza do calendário do organismo e criar um à parte, num braço-de-ferro resolvido durante 2016. A UCI vai aos poucos cedendo e acaba mais uma vez por o fazer, ainda que o faça a seu tempo e não quando os organizadores querem. Não deixa de ser uma surpresa esta mudança, apesar de já há algum tempo ser reivindicada por muitos ciclistas. O extenso pelotão nas grandes voltas (e não só) é dado como causa para incidentes graves como as quedas colectivas que tanto acontecem principalmente no Tour. Num pormenor à parte, há também quem defenda que com menos ciclistas também será difícil certas equipas controlarem tanto as corridas - leia-se nas entrelinhas, a Sky na Volta a França -, e dentro de um ano vamos saber se esta teoria se confirma.

Quanto à segurança, é uma medida que deverá agradar a muitos. A partir de agora, seja nas grandes voltas, seja em outras corridas, independentemente da categoria, passam a ser permitidos no máximo 176 ciclistas. No comunicado publicado no site da UCI, lê-se que a nova regra terá ainda de ser aprovada, mas tal não deverá ser um impedimento para que entre em vigor em Janeiro.

No mesmo texto a UCI anuncia que o calendário World Tour irá manter-se basicamente igual ao de 2017. A Volta ao Qatar não fará parte. De recordar que a corrida subiu este ano à principal categoria, mas problemas financeiros levaram ao seu cancelamento. Já a Volta ao Turquia, que foi adiada para Outubro, mantém-se para 2018 também na fase final da época.

Porém, se as corridas serão sensivelmente as mesmas - o calendário oficial só será revelado em Setembro -, haverá algumas mexidas nas datas. A UCI decidiu evitar que a Volta a França se realizasse (os primeiros dias) ao mesmo tempo do Campeonato do Mundo de Futebol, na Rússia, e a competição será adiada uma semana. Esta alteração irá levar a mudanças nas corridas, de diversas categorias que se seguem ao Tour. A ver vamos se poderá afectar a Volta a Portugal.


2 de maio de 2017

Sky suspende Moscon seis semanas e obriga ciclista a frequentar curso de consciencialização

Momento da discussão entre Reza e Moscon que foi captada em vídeo
apesar de não ser perceptível o que terá dito o italiano
Adiou a decisão para o final da Volta à Romandia, mas não demorou a divulgar a sanção imposta a Gianni Moscon. A Sky diz querer demonstrar como não tolera casos como o protagonizado pelo ciclista italiano, que admitiu ter proferido comentários racistas contra Kevin Reza, durante uma discussão com o corredor da FDJ. Porém, depois de não ter agido no imediato, agora anunciou uma suspensão de seis semanas e a obrigatoriedade do ciclista em frequentar um curso de consciencialização da diversidade.

Num curto comunicado, a Sky revelou que Moscon (23 anos) recebeu uma repreensão por escrito, além da suspensão e do referido curso. Lê-se ainda que "Gianni reconhece que o seu comportamento foi errado", realçando o que já se sabia: que foi feito um pedido de desculpa, aceite por Reza e pela FDJ. O aviso mais sério acaba por estar no final do comunicado: "O Gianni sabe que não há desculpas para o comportamento que teve e que se repetir, tal irá resultar no fim imediato do seu contrato."

Não se sabe ao certo que que disse Moscon a Reza, nem o que provocou a discussão. O caso foi denunciado por Sébastien Reichenbach, colega de Kevin Reza, através de uma mensagem no Twitter, na qual referiu estar chocado por haver "imbecis que ainda utilizam insultos racistas no pelotão profissional". O caso aconteceu após a terceira etapa da Volta à Romandia - ganha pelo colega de Moscon, Elia Viviani -, na sexta-feira. No sábado soube-se que Moscon e a Sky já tinham pedido desculpa ao ciclista visado e à FDJ. A equipa francesa colocou de imediato um ponto final no assunto.

A Sky adiou a sanção ao seu ciclista, mantendo Moscon em prova nos dois dias que restaram da corrida. A suspensão será cumprida numa fase da temporada em que o ciclista também não ia ter um calendário muito preenchido, não sendo explicado se a suspensão acarreta também uma sanção monetária.

Moscon ainda não se livrou de eventualmente ter um castigo mais pesado. A UCI já anunciou que está a investigar o sucedido e caso considere que o ciclista desrespeitou o código de conduta e de ética, Moscon incorre numa suspensão que poderá ir de um a seis meses. No entanto, num caso idêntico, em 2015, o bielorrusso Branislau Samoilau (CCC Sprandi Polkowice) proferiu comentários racistas contra Natnael Berhane (Dimension Data). Nessa altura, a UCI decidiu não sancionar Samoilau, justificando que o pedido de desculpa e a doação de um ordenado à fundação da equipa sul-africana era algo que tinha deixado todos satisfeitos.


30 de abril de 2017

Comentários racistas podem valer a Moscon seis meses de suspensão. Sky preferiu adiar possível sanção interna

(Fotografia: Facebook Gianni Moscon)
A UCI vai investigar o que aconteceu no final da terceira etapa da Volta à Romandia (na sexta-feira) entre Gianni Moscon e Kevin Reza. Os dois ciclistas envolveram-se numa acesa discussão e o italiano da Sky proferiu comentários racistas contra o ciclista da FDJ. As palavras foram admitidas pelo próprio e pela equipa britânica. No entanto, a Sky adiou para depois da corrida uma eventual sanção ao corredor, que competiu assim mais dois dias. Foi feito um pedido de desculpas, aceite por Reza e pela FDJ.

Por parte da equipa francesa compreende-se que tenha preferido colocar rapidamente um ponto final no assunto. Porém, a opção da Sky de empurrar para mais tarde uma decisão mais exemplar é questionável. Casos como estes são graves, ainda que devam ser rapidamente controlados e tratados. Não há necessidade de arrastar polémicas, é certo. Um pedido de desculpa é o mínimo exigível, mas a Sky deveria ter agido de forma mais veemente. Moscon (23 anos) ainda poderá ser sancionado pela equipa, pois o director desportivo, Nicolas Portal, garantiu que o caso não seria esquecido, mas já será tarde para ter um efeito provavelmente mais dissuasor.

Portal referiu que houve uma conversa com Moscon a explicar-lhe como tinha agido mal e que o ciclista tinha compreendido a gravidade das suas palavras. O caminho pedagógico é louvável, mas escasso. O afastamento da equipa pelo menos da corrida em causa teria sido um acto mais correcto, numa perspectiva de passar a mensagem forte que este tipo de situações não são toleradas.

"A UCI espera que todos neste desporto respeitem os mais altos níveis de ética e de conduta. Abuso racial não tem lugar no ciclismo, nem noutro desporto e qualquer queixa será investigada e sancionada se confirmada", referiu a UCI, ao Cycling News.

A utilização de linguagem abusiva tem uma sanção prevista entre um a seis meses nos regulamentos da UCI. Num caso idêntico que aconteceu em 2015, o bielorrusso Branislau Samoilau (CCC Sprandi Polkowice) proferiu comentários racistas contra Natnael Berhane (Dimension Data). Então a UCI decidiu não sancionar Samoilau, justificando que o pedido de desculpa e a doação de um ordenado à fundação da equipa sul-africana era algo que tinha deixado todos satisfeitos.

Agora é esperar para ver o que acontecerá com Moscon, não só por parte da UCI, mas também para ver se a Sky realmente avança com algum tipo de sanção (a Volta à Romandia terminou este domingo). Independentemente do que venha a acontecer, espera-se que Moscon tente resfriar os ânimos da próxima vez que possa ver-se envolvido numa discussão, por exemplo. Compreende-se que no "quente" do momento possa por vezes possa ser difícil ter cuidado com o que se diz, mas é também nessas situações que um ciclista mostra o seu carácter.

Naquele mesmo dia, Chris Froome teve uma demonstração de companheirismo que mostrou, mais uma vez, o carácter deste britânico (ver link em baixo). Moscon bem pode aprender um pouco mais com o seu líder.

»»Chris Froome mostra porque é um grande líder na vitória de Elia Viviani««

6 de abril de 2017

As imagens das protecções para os travões de disco que estão a ser testadas

(Fotografia: Associação de Ciclistas Profissionais)
Um dia depois de terem sido anunciadas novas medidas de segurança para os últimos quilómetros das corridas, a Associação de Ciclistas Profissionais (ACP) revelou imagens que poderão indicar que se caminha para um entendimento quanto a um dos temas de maior discórdia entre UCI e ciclistas: os travões de disco. As fotografias mostram as capas de protecção que estarão a ser testadas pela comissão responsável pela situação, da UCI, e que podem ser a resposta ao pedido de uma parte do pelotão.

A utilização dos travões de disco não tem sido pacífica. O primeiro teste foi suspenso depois de Fran Ventoso, então na Movistar, ter alegado que foi um travão de disco que lhe provocou graves ferimentos numa perna após uma queda no Paris-Roubaix em 2016. Este ano a UCI recuperou o período de experiência, com a regra que os discos tinham de ser redondos, para evitar cortes.

Equipas como a Quick-Step Floors, Cannondale-Drapac e Bahrain-Merida já vão utilizando o sistema em algumas competições. Tom Boonen tornou-se no primeiro ciclista a vencer uma corrida - a segunda etapa da Volta a San Juan - tendo na sua bicicleta os travões de disco.  Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) também chegou a mostrar uma bicicleta equipada com os travões de disco, mas tem utilizado uma com o sistema normal de travagem. A polémica nunca desapareceu, mas voltou a subir de tom durante a Volta a Abu Dhabi, quando Owain Doull (Sky) defendeu que foi os discos da bicicleta de Marcel Kittel que lhe cortaram o sapato após os dois ciclistas se terem envolvido numa queda.

(Fotografia: Associação de Ciclistas Profissionais)
As imagens das capas de protecção foram partilhadas pela ACP na sua conta do Google + e estavam acompanhadas pela frase: "A comissão deu uma passo em frente para ir de encontro às exigências da ACP e dos ciclistas quanto aos travões de disco: o início de uma investigação quanto à segurança. Estamos num bom caminho, obrigado por ouvirem."

Uma sondagem feita recentemente pela ACP deu conta que 42% dos ciclistas no pelotão internacional apoiam a utilização dos travões de disco, desde que estes estejam devidamente protegidos. Vai parecendo cada vez mais inevitável que este sistema de travagem acabe mais cedo ou mais tarde por entrar definitivamente no ciclismo, mas perante a continuidade das dúvidas sobre à sua segurança, a UCI trabalha para que os perigos sejam minimizados.

A capa que se vê nas fotografias tapa praticamente todo o disco o que, na teoria (já que não se conhece resultados de eventuais testes práticos, se é que já foram sequer feitos), evitará cortes e também queimaduras, pois é preciso não esquecer que os discos aquecem durante a sua utilização.