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5 de abril de 2017

Novas regras para os últimos quilómetros incluem vídeos detalhados de eventuais zonas perigosas

(Fotografia: Facebook Tour Down Under)
O anúncio de novas regras para os últimos quilómetros das corridas está a ser encarado como mais uma vitória por parte dos corredores e dos seus representantes de duas associações. Depois da implementação do protocolo do tempo extremo e das alterações quanto aos veículos que acompanham o pelotão, é agora a vez de profundas alterações nas regras de segurança nos últimos quilómetros das provas.

Começando pelo mais simples, as barreiras passarão a ser colocadas a 300 metros da meta em corridas/etapas de montanha e a 500 nas que terminem em terreno mais plano. Os organizadores terão de elaborar relatórios que refiram detalhadamente potenciais riscos nos últimos três quilómetros e esses documentos serão entregues aos comissários da UCI. Esta medida serve, por exemplo, para identificar postes, obras ou outros elementos que possam colocar em causa a segurança dos ciclistas.

Mas não serão apenas relatórios que terão de ser feitos. Os organizadores ficarão obrigados a fazer vídeos dos últimos três a cinco quilómetros que demonstrem todo o percurso, com principal foco em potenciais zonas perigosas. Esses vídeos serão depois entregues às equipas presentes na competição, para que possam estudá-los e assim conhecer detalhadamente o final das corridas/etapas.

Uma outra medida prevê que passem a existir responsáveis por fazer o percurso entre cinco a 30 minutos antes da passagem do pelotão, ou dos ciclistas que estejam na frente caso haja uma fuga, de forma a garantir que não exista nenhum perigo imprevisto. Estas novas regras vão apenas ser aplicadas nas corridas do World Tour, mas o próximo objectivo é que sejam estendidas a todas as corridas.

"Quero agradecer especialmente aos organizadores que mesmo perante os tempos difíceis a nível económico, colocaram a segurança dos atletas primeiro" salientou Gianni Bugno, da Associação de Ciclistas Profissionais (ACP). O italiano explicou ainda, citado pelo site Cycling News, que após os incidentes do último ano - como a morte de Antoine Demoitié ou o acidente que deixou Stig Broeckx em coma durante várias semanas (ambas as situações envolveram motos), entre outros -, a associação e os seus membros trabalharam na recolha de informação de forma a sugerir alterações às regras para aumentar a segurança. "Isto marca um grande progresso na segurança dos ciclistas", disse Michael Carcaise, da Associação de Ciclistas Profissionais da América do Norte.

Nos últimos anos os ciclistas têm exigido mudanças em várias regras para garantir a sua segurança. Fabian Cancellara era uma das vozes mais fortes e foi ele quem chegou a parar uma etapa na Volta a Omã devido às elevadas temperaturas que chegaram a provocar o rebentamento de pneus. Não demorou muito até que o protocolo para o tempo extremo começasse a ser aplicado. Tom Boonen é outra das vozes respeitada, tendo feito algumas declarações para que fossem tomadas medidas urgentes quanto aos veículos que acompanham o pelotão.

Uma das actuais "batalhas" tem sido os travões de disco. No entanto, neste ponto há alguma discórdia entre os ciclistas que consideram que devem ser definitivamente implementados ou proibidos de vez.


28 de março de 2017

Mais dois casos de suspeita de doping na Funvic que arrisca nova suspensão

Funvic esteve na Volta à Catalunha, mas só um ciclista terminou
Em menos de um ano são já cinco os casos de doping de ciclistas com ligações à Funvic, equipa brasileira que este ano conta com o português Daniel Silva. Depois de ter cumprido 55 dias de suspensão, a Funvic arrisca agora um novo afastamento da competição, o que pode ir de 15 dias a 12 meses. A UCI já está a analisar estas novas situações, mas não adiantou quando irá anunciar a decisão.

Em causa estão irregularidades com o passaporte biológico de Alex Correia Diniz e com uma alegada manipulação após um teste anti-doping de Otavio Bulgarelli. Este último caso foi denunciado ao organismo internacional pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem. Nenhum dos ciclistas está actualmente com a Funvic. Bulgarelli, de 32 anos, (campeão brasileiro em 2012) competiu pela última vez na Volta a Portugal, tendo abandonado na terceira etapa. Diniz, 31, não está em acção desde a Volta ao Lago Taihu, na China, em Novembro. Este ciclista já cumpriu dois anos de suspensão depois de ter testado positivo pelo uso de EPO em 2009.

Em Dezembro a equipa foi suspensa por 55 dias, depois de se conhecer que Wilson Ramiro Diaz e João Gaspar deram positivo em testes realizados na Volta a Portugal. O colombiano foi o vencedor da classificação da montanha. Estes testes positivos juntaram-se ao de Kleber Ramos que realizou um antes dos Jogos Olímpicos, mas o resultado só foi conhecido depois. Perante os casos de doping, a Funvic viveu dias de incerteza quanto à atribuição da licença Profissional Continental. A confirmação só chegou depois de dois adiamentos para analisar a candidatura. Nessa altura, o director desportivo, Benedito Tadeu Azevedo, comprometeu-se a implementar mudanças para tentar garantir a credibilidade da equipa. "Haverá mudanças, como mais controlos internos e conversas com psicólogos desportivos sobre o tema do doping. Nunca mais se poderão repetir [os casos]", afirmou na altura.

Ao ser informado das duas novas suspeitas, a Funvic emitiu um comunicado, destacando que nenhum do ciclistas foi "flagrado com substâncias proibidas" e que os dois já não fazem parte da equipa. "Reiteramos que seguimos trabalhando com seriedade e desejamos êxito aos dois ex-ciclistas da equipa na busca pela verdade", lê-se na nota. A formação brasileira refere ainda que desde que recebeu uma licença Profissional Continental em 2016 que todos os seus ciclistas passaram a ter o passaporte biológico. Este ano a equipa juntou-se ao Movimento por um Ciclismo Credível, que tem regras mais rígidas do que a Agência Mundial de Antidoping.

A Funvic regressou à competição na Volta à Catalunha, beneficiando do facto de ter um catalão na equipa, Jordi Simón. Apesar de Murilo Affonso ter chegado a liderar a classificação da montanha numa fase inicial da corrida, a prestação da equipa foi fraca e só Simón terminou a prova, sendo 39º a 35:44 minutos do vencedor, Alejandro Valverde (Movistar).

O plantel da Funvic é constituído maioritariamente por brasileiros. Daniel Silva - terceiro na Volta a Portugal em 2016, ao serviço da Rádio Popular-Boavista -, Jordi Simón e o argentino Francisco Chamorro são os estrangeiros que completam a equipa.



15 de fevereiro de 2017

Volta à Turquia adiada por falta de equipas World Tour, fica à espera de nova data

(Fotografia: Facebook Volta à Turquia)
Era inevitável. Perante o desinteresse das equipas do World Tour em participar na Volta à Turquia - só uma das 18 terá confirmado a presença - a organização já havia feito saber que pretendia a mudança da data para mais tarde no ano, de preferência em Outubro. A UCI aceitou o pedido de adiamento, mas a remarcação só será discutida no próximo mês. Esta é uma estreia acidentada da Volta à Turquia na categoria mais alta e a alteração da data não garante que a situação possa ser diferente da actual.

"Em seguimento do pedido e da aprovação do Conselho Profissional de Ciclismo (CPC), a UCI anuncia que a edição de 2017 da Volta à Turquia foi adiada. Uma nova data para o evento do calendário World Tour será considerado no encontro do CPC, agendado para Março", lê-se no curto comunicado divulgado pela UCI.

Inicialmente marcada de 18 a 23 de Abril, a Volta à Turquia coincide com a época das clássicas, com a Liège-Bastogne-Liège, por exemplo, a realizar-se também no dia 23. Para a organização da corrida este é um factor que pesa na decisão das formações do World Tour, mas a questão é bem provável outra. Os directores da Lotto Soudal e da Quick-Step Floors já afirmaram publicamente que a insegurança que se vive no país faz com que prefiram não participar na corrida. Patrick Lefevere, da Quick-Step Floors, disse mesmo que a prova até foi incluída no calendário da equipa para 2017, mas nenhum dos ciclistas quis ir.

A Volta a Turquia - que em 2016 foi ganha pelo português José Gonçalves - já foi uma das corridas que as equipas do World Tour apostavam. No entanto, nos últimos anos, o crescente clima de insegurança tem vindo a afastar as formações, pelo que a alteração da data poderá apenas significar o adiar de um provável cancelamento. Mesmo que se realize, se não conseguir o mínimo exigido de dez equipas do principal escalão, o futuro da corrida na categoria máxima está condenado.

»»Orçamentos muito mais altos, falta de garantias e insegurança. Organizadores das novas corridas do World Tour questionam benefícios da subida de categoria««

»»Primeira nova competição do World Tour recebeu quase todas as principais equipas««

»»Federação compromete-se a organizar a Volta ao Qatar em 2018««

10 de fevereiro de 2017

Orçamentos muito mais altos, falta de garantias e insegurança. Organizadores das novas corridas do World Tour questionam benefícios da subida de categoria

(Fotografia: Facebook Prudential RideLondon)
O acréscimo de dez corridas no calendário World Tour continua a não ser pacífico. Primeiro foram as equipas que não ficaram agradadas com tantas competições e a UCI cedeu, tornando as presenças facultativas. Por outro lado, os organizadores estão obrigados a garantirem pelo menos dez equipas do principal escalão caso queiram manter-se na categoria mais alta. Além disso, os custos aumentaram substancialmente e há quem comece a pensar se realmente compensa a presença no calendário World Tour. E ainda há o problema específico da Volta à Turquia, pois a insegurança que se vive no país afastou as grandes equipas.

A Volta ao Qatar foi a primeira "vítima". A falta de patrocinadores fez com que fosse cancelada, ainda que a federação queira recuperar a competição em 2018. A Turquia começa a ameaçar também não ter condições para ficar no principal calendário. Na apresentação da Omloop Het Nieuwsblad - corrida que abre a 25 de Fevereiro a época das clássicas - foi revelado o orçamento: 180 mil euros. Três vezes mais do que nos anos anteriores.

Segundo  explicou o director das Clássicas da Flandres, Wim Van Herreweghe, ao jornal belga Het Nieuwsblad, do valor total, 40 mil euros foram direitinhos para as passagens aéreas e os hotéis das equipas. O aumento de custos e das preocupações estão a levantar questões sobre se a decisão de mudar a categoria foi a mais acertada.

Mick Bennet, director da Prudential RideLondon, afirmou: "Os custos de ser uma corrida World Tour são incríveis e os benefícios são escassos." A prova londrina terá um orçamento de cem mil euros. Maurizio Evangelista, do Giro del Trentino (agora Volta aos Alpes) já havia questionado se ter um orçamento de 120 mil euros compensaria o risco. "Não há garantias", realçou ao Cycling News

Omloop Het Nieuwsblad "só" terá mesmo de se preocupar em ter o dinheiro necessário, pois já atraía algumas das grandes equipas e este ano tem 15 inscritas (só faltam a UAE Abu Dhabi, Movistar e a Dimension Data), mais três que no ano passado. A clássica conta com vencedores como Greg van Avermaet (em 2016), Ian Stannard, Luca Paolini, Sep Vanmarcke, Juan Antonio Flecha, Thor Hushvod, Philippe Gilbert e, recuando um pouco mais no tempo, o inevitável Eddy Merckx.

Ninguém quer ir à Volta à Turquia, mesmo que a data seja alterada

Durante alguns anos a Turquia foi um destino preferencial de grandes equipas. Porém, o ano em que subiu de categoria está também marcado pela insegurança que se tem vivido no país. Os atentados são uma assustadora realidade que os ciclistas não conseguem ignorar. A precisar de dez equipas para garantir a continuidade, só uma equipa World Tour confirmou a presença. Os organizadores querem alterar a data de Abril para Outubro, para assim evitar a coincidência com a época das clássicas, mas mesmo que a UCI venha a aceitar o pedido, o resultado poderá ser o mesmo.

Patrick Levefere, director desportivo da Quick-Step Floors, admitiu ao Het Nieuwsblad que em Outubro, quando preparava a temporada de 2017, a Volta a Turquia estava no seu calendário. Porém, no estágio de Dezembro, acabou por retirá-la. "Perguntámos aos ciclistas e ninguém, mesmo ninguém, queria ir", referiu.

A Lotto Soudal esteve na corrida turca em 2016, sendo uma das duas equipas World Tour presentes, juntamente com a Lampre-Merida. Porém, o responsável da formação belga, Marc Sergeant, confessou que o receio acompanhou os ciclistas e restantes membros da equipa durante toda a competição. "Não houve incidentes no ano passado e houve muita atenção à segurança. A cada cem metros via-se um agente [da polícia]. No entanto, desde então muito aconteceu: novos ataques, uma tentativa de golpe de Estado... Li que cem mil pessoas foram presas. Por todas estas razões decidimos não ir este ano", explicou ao Het Nieuwsblad.



8 de fevereiro de 2017

Novas regras para carros e motos a pensar na segurança dos ciclistas

São 38 páginas publicadas pela UCI. Um documento há muito aguardado e que contou com a participação de federações e organizações que representam os ciclistas e equipas. O objectivo é simples: garantir a segurança dos corredores durante as competições e evitar os incidentes que nos últimos anos têm provocado acidentes, alguns graves, devido a choques entre carros ou motos contra os ciclistas. O objectivo pode ser simples, encontrar uma solução tem sido exactamente o contrário. 2016 acabou por ser um ano negro com, por exemplo, Stig Broeckx (Lotto Soudal) a ser duas vezes abalroado por uma moto. Da segunda vez ficou em coma durante vários meses. Já está a recuperar, mas o pior aconteceu a Antoine Demoitié (Wanty-Groupe Gobert) que morreu após uma moto o ter atingido, quando ficou envolvido numa queda colectiva. Tinha 25 anos.

A estes casos juntam-se muitos outros que valeram ferimentos e muitos pontos a vários ciclistas, como a Peter Sagan e Sérgio Paulinho na Vuelta de 2015 ou Johnny Hoogerland e Juan Antonio Flecha no Tour de 2011, entre outros exemplos. Em 2013, a UCI começou a realizar cursos de formação para os condutores, seja de carros ou motos. No entanto, foi claramente insuficiente dado o elevado número de incidentes que se foram acumulando nos últimos anos. Ciclistas e directores desportivos exigiam mudanças, pois estavam a correr elevados riscos de serem abalroados por veículos, fossem de apoio, dos meios de comunicação social ou até de transporte de convidados.

Entre as medidas agora anunciadas está a proibição dos veículos em ultrapassar os ciclistas nos cinco quilómetros antes de um sprint intermédio, ou dois quilómetros antes do final de uma subida ou zona de alimentação e também em zonas consideradas perigosas, que serão anunciadas pela Rádio Tour.

Nos carros não será permitido existir televisões na parte da frente do veículo (os carros das equipa terão de ter alguém no banco de trás a ver as imagens, caso queiram recorrer a este método) e os condutores, seja de carros ou motos, não podem utilizar o telemóvel, nem através de kits de mãos livres. Os níveis de álcool têm de estar a zero e também não podem utilizar qualquer tipo de droga.

Um dos pontos que certamente chama a atenção é a proibição de motos que transportem convidados. Tem sido uma das críticas mais apontadas, com muitas pessoas que não pertencem a corrida a passarem pelos ciclistas. Agora só nos carros. Mas também haverá um limite - e a regra é para todos -, pois cada carro só pode levar quatro pessoas, incluindo o condutor.

E numa instrução a pensar no trabalho dos repórteres de imagem e fotografia - e claro em garantir que os patrocinadores tem a exposição desejada - os veículos que estão na frente da corrida têm de acelerar no último quilómetro de forma a passar a meta e a zona dos profissionais de comunicação pelo menos 15 segundos antes do primeiro ciclista. O objectivo é evitar que tapem a captação de imagens ou fiquem nas fotografias.

Alguns dos pontos referidos no documento têm demonstrações gráficas de como os carros e motos se devem posicionar em determinadas fases da corrida (imagem ao lado).

O incumprimento das regras pode valer a expulsão imediata da competição e poderá mesmo resultar numa suspensão até um ano e uma multa entre 200 e mil francos suíços (cerca de 188 a 940 euros).

Só o tempo e a colocação em prática dirá se as novas regras terão o efeito desejado. Porém, depois de tanto tempo de espera e com a gravidade de vários acidentes, não há margem para erros, nem para se andar a fazer experiências.

3 de fevereiro de 2017

Volta à Turquia pode ser cancelada por falta de equipas do World Tour

(Fotografia: Facebook Volta à Turquia)
O aumento do calendário World Tour em mais 11 corridas poderá começar a revelar-se uma aposta falhada por parte da UCI. Primeiro foi a Volta ao Qatar a ser cancelada por falta de patrocinadores e agora é a Volta à Turquia que poderá seguir o mesmo caminho, mas por falta de equipas do World Tour. Apesar de este ano pertencer à principal categoria, a UCI determinou que as formações podem escolher em quais das novas competições querem participar. E a Turquia não está a ser nada atractiva e só terá confirmada uma equipa do World Tour.

A federação de ciclismo turca quer evitar o cancelamento e, segundo o site Cycling News, terá enviado um representante aos Mundiais de Ciclocrosse, que se realizaram no passado fim-de-semana no Luxemburgo, para apelar à UCI uma mudança de data. O objectivo é que a corrida se realize em Outubro ou Novembro e não em Abril, como está agendada.

A UCI ainda não se pronunciou sobre esta questão, mas será muito improvável que adie a corrida. Novembro estará fora de questão, pois seria estender em demasia o calendário e em Outubro será complicado, ainda que não impossível.

Mas o problema da Turquia vai muito mais além de questões de datas. A instabilidade política no país - ainda no ano passado sofreu uma tentativa de golpe de Estado - e os problemas de insegurança provocados pelos vários atentados terroristas que a Turquia tem sido alvo nos últimos tempos, são também razões que afastam as equipas de uma corrida que chegou a seduzir alguns nomes importantes do pelotão internacional.

No ano passado apenas participaram duas equipas do World Tour, quando no ano anterior tinham lá estado seis. A subida de categoria era algo há muito desejado pelos organizadores da corrida, mas acabou por chegar numa altura muito difícil para o país.

De recordar que José Gonçalves conquistou a edição de 2016, ao serviço da Caja Rural.

Terceira corrida francesa cancelada este ano

Confirmado está o cancelamento da Cholet-Pays de Loire. A corrida de um dia deveria ter a sua 40ª edição em Março, mas a organização e os responsáveis políticos da região não chegaram a acordo, nem depois da intervenção de Marc Madiot, director da FDJ e presidente da liga nacional francesa de ciclismo, segundo avançou o DirectVelo. No entanto, desconhece-se as razões do desentendimento.

O cancelamento da Cholet-Pays de Loire segue-se ao fim do Critérium International e da La Méditerranéenne. A Taça de França fica assim a contar com 15 corridas, em vez de 16.

A questão de sobrevivência de algumas corridas, principalmente na Europa, já chegou a Itália. O responsável pela organização da GP Costa degli Etruschi, Adriano Amici, afirmou ao VeloNews que o número crescente de competições na Austrália e no Médio Oriente está a afastar as grandes equipas da Europa neste início de temporada. Amici recorda que a competição transalpina já contou com grandes nomes no passado, tendo vencedores como Mario Cipollini, Alessandro Petacchi, Elia Viviani e Michele Scarponi. Porém, este ano apenas está inscrita uma equipa do World Tour, a UAE Abu Dhabi (antiga Lampre), que estará presente com uma formação 100% italiana, liderada por Diego Ulissi.

É também referido que ainda há dez anos muitas das principais equipas escolhiam aquela região de Itália para realizar estágios. Porém, agora refugiam-se mais no sul de Espanha, optando depois por rumar à Austrália ou Médio Oriente para começarem as temporadas.



30 de janeiro de 2017

12 ciclistas terão utilizado motores na Volta a França de 2015. Sky sob suspeita

(Fotografia: UCI)
O muito aguardado programa "60 minutes", da CBS, sobre a utilização de motores no ciclismo foi transmitido este domingo nos EUA. Surgiram novas alegações, reforçaram-se as já conhecidas, mas não foram avançados nomes, apenas lançadas mais suspeitas. As principais recaem na Volta a França de 2015, durante a qual 12 ciclistas terão utilizado motores nas suas bicicletas. Quem o disse foi Jean-Pierre Verdy, antigo director da agência anti-doping francesa, que, no entanto, não divulgou qualquer nome. Também a Sky ficou sob suspeita, pois na pesagem das bicicletas de contra-relógio, estas eram 800 gramas mais pesadas do que as das outras equipas. E é precisamente 800 gramas que o peso de uma bicicleta pode aumentar caso esta tenha uma roda traseira munida com tecnologia de ponta que permite aumentar a velocidade, ou seja, uma forma de doping mecânico.

Suspeitas prontamente desmentidas pela Sky, que em 2015 conquistou o Tour por intermédio de Chris Froome.  A CBS cita fontes que garantiram que a UCI não permitiu que investigadores franceses pesar as rodas das bicicletas da equipa britânica separadamente. A reportagem volta a levantar a questão sobre a utilização de motores no ciclismo profissional, com o antigo ciclista Greg Lemond, um dos entrevistados, a dizer que não irá confiar em nenhuma vitória no Tour "até encontrarem forma de tirar o motor" das bicicletas.

'Stefano' Varjas, o pai do doping mecânico, voltou a ser entrevistado. Varjas já demonstrou várias vezes como podem funcionar os motores, estejam instalados nos quadros ou nas rodas, que é um sistema mais recente. Varjas continua a não dizer a quem vendeu vários motores, explicando que lhe deram dois milhões de dólares pela exclusividade do sistema durante 10 anos, o que considerou ser uma proposta irrecusável. 

Varjas continua a defender que as rodas devem ser pesadas e que assim poderão descobrir quem anda a utilizar a tecnologia. É o que diz Kathy LeMond, mulher do antigo ciclista, que trabalhou em segredo com a polícia francesa e que pediu a Varjas para colaborar na investigação.

Jean-Pierre Verdy referiu ter ficado perturbado ao ver as velocidades que se atingem nas etapas de montanha na Volta a França e que em 2014 lhe foi dito que estavam a ser utilizados motores. Através de informações que recolheu junto de pessoas envolvidas no ciclismo, inclusivamente directores de equipas e ciclistas, Verdy chegou então à conclusão que 12 corredores recorreram a motores no Tour de 2015. "Estão a prejudicar o desporto deles. Porém, a natureza humana é assim. O Homem sempre tenta encontrar uma poção mágica", afirmou Verdy.

As suspeitas da utilização de motores nas bicicletas começaram há alguns anos e ganharam força em 2010. Fabian Cancellara foi acusado de ter recorrido ao doping mecânico no Paris-Roubaix. O suíço sempre desmentiu tais alegações e nunca nada foi provado. E a palavra suspeita era a mais utilizada até há um ano, quando pela primeira vez foi descoberto um motor. Aconteceu nos mundiais de ciclocrosse, com a a belga Femke Van den Driessche, de 19 anos, a ser apanhada numa inspecção. Cerca de três meses depois, um programa de televisão francês, "Stade 2", e o jornal italiano Corriere della Sera, divulgaram que através de um detector de calor foi possível verificar que foram utilizados motores em duas provas, uma delas a Strade Bianchi. Não foram adiantados nomes, apenas imagens dos alegados motores nas bicicletas.

A UCI tem melhorado a tecnologia de detecção de possíveis infractores. No entanto, a própria não se livra de suspeitas (de novo esta palavra) de estar a proteger algumas equipas ou determinados ciclistas. O presidente da UCI, Brian Cookson, afirmou, ainda antes da transmissão do programa da CBS, que o organismo está ciente que a tecnologia existe, garantindo que tem formas como lidar com o chamado doping mecânico, que a UCI prefere apelidar de fraude tecnológica.

No ano passado, a inspecção a bicicletas foi reforçada em praticamente todas as grandes corridas e sempre amplamente divulgada. O receio que se possa estar a lidar com uma nova bomba relógio no ciclismo é bem real. A modalidade ainda se está a refazer das ondas de choque do caso Armstrong, e esta nova forma de doping tem estado no centro das preocupações. Porém, Femke Van den Driessche é o único caso confirmado, o que não invalida que o ciclismo esteja a tentar viver com mais uma suspeição, muito alimentada, mas pouco confirmada.

23 de janeiro de 2017

Federação compromete-se a organizar a Volta ao Qatar em 2018

(Fotografia: Facebook Volta ao Qatar)
Depois de 15 edições a Volta ao Qatar ia estrear-se na categoria World Tour, meses depois do país ter recebido uns Mundiais marcados pela polémica, tanto pelo calor e pela ausência de público, além da distância que foi preciso viajar, as despesas que as equipas e federações tiveram e a mudança da data para mais tarde devido às altas temperaturas. No final do ano a UCI informou que a corrida tinha sido cancelada, mas as explicações foram escassas. "Parece que a decisão acontece na sequência de dificuldades em atrair um patrocinador para apoiar financeiramente", foi a única informação fornecida. No entanto, poderá não ter sido o fim da história da prova, também conhecida por corrida do deserto.

"A federação irá organizar novamente provas internacionais no próximo ano e a mais importante será a Volta ao Qatar", assegurou o novo presidente da federação de ciclismo e triatlo do Qatar. Mohamed Al Kuwari explicou ainda à agência de notícias do Qatar que o organismo irá nos, próximos tempos, organizar várias competições locais para descobrir talentos que possam representar as selecções do país.

Eddy Merckx e Dirk De Pauw tinham tido papéis importantes na realização da Volta ao Qatar, com a ajuda logística da ASO, empresa que organiza a Volta a França. No entanto, tudo indica que depois do passo atrás dado com o inesperado cancelamento da corrida no ano que deveria ter sido da sua consagração, a federação parece disposta a acarretar com toda a responsabilidade.

A Volta ao Qatar era um destino que agradava principalmente aos sprinters, que a incluiam no seu calendário de início de temporada. Este ano deveria ter feito parte de um quarteto de corridas na zona do Golfo Pérsico, começando no Dubai, depois o Qatar, seguindo-se Omã e Abu Dhabi, esta última também subiu este ano à principal categoria da UCI.


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»»Volta ao Qatar foi cancelada««

13 de janeiro de 2017

Alteração de regras ameaça as novas corridas do calendário World Tour

A Volta à Califórnia é uma das novas provas no calendário World Tour. Tem seduzido
algumas equipas do principal escalão, mas agora terá de garantir pelo menos dez
(Fotografia: Facebook Volta à Califórnia)
A inclusão de 11 novas provas no calendário World Tour foi motivo de orgulho para a UCI, uma dor de cabeça para as equipas e agora poderá tornar-se num inferno para os organizadores dessas corridas. A União Ciclista Internacional revelou um conjunto de regras que certamente deixou muitos surpreendidos e a fazer contas, pois algumas das competições estão já com um futuro incerto e poderão não durar mais do que dois anos no principal calendário.

Após o anúncio do aumento brutal do número de corridas World Tour, as equipas do principal escalão não gostaram, o que levou a UCI a tornar opcional a presença nas novas competições. Esta regra mantém-se, mas os organizadores vão ter de fazer tudo por tudo para seduzir as formações. É que a partir de agora se uma das novas provas não tiver no mínimo dez equipas World Tour em dois anos consecutivos, imediatamente deixará de fazer parte do calendário, baixando de nível.

Em causa estão as corridas Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália), Volta a Abu Dhabi, Omloop Het Nieuwsblad (Bélgica), Strade Bianche (Itália), Dwars Door Vlaanderen / A travers la Flandre (Bélgica), Volta à Turquia, Eschborn-Frankfurt (Alemanha), Volta à Califórna, RideLondon-Surrey Classic (Grã-Bretanha) e Volta a Guangxi (China). A Volta ao Qatar foi entretanto cancelada por falta de patrocinadores.

A maioria das competições na Europa não deverão ter grandes problemas, com a provável excepção da Volta à Turquia. Em 2016 a corrida de uma semana - ganha pelo português José Gonçalves - contou apenas com duas equipas do World Tour: a Lampre-Merida e a Lotto Soudal. Em 2015 tinham sido seis e no ano antes oito. Os problemas de segurança que se vive no país certamente pesam na decisão das equipas, até porque a Volta à Turquia foi uma das competições muito elogiada nos últimos anos, mas claramente não inspirou confiança no ano passado.

Já a Volta a Guangxi marca o regresso da China ao calendário World Tour depois de uma passagem sem sucesso da Volta a Pequim. Foram quatro edições sempre criticadas por obrigar as equipas a ter de fazer uma longa viagem na fase final da temporada, além de ter aquele desolador cenário de não haver público a assistir às etapas. Em Pequim, a presença era obrigatória, em Guangxi não será e também está colocada no final da época.

Cadel Evans Great Ocean Road Race também poderia ter problemas pelo facto de ser na Austrália. Mas a corrida, com o nome do ciclista que venceu a Volta a França em 2011 (feito inédito e até agora único para um australiano), beneficia por estar no início da temporada e logo a seguir ao Tour Down Under, onde a presença das equipas World Tour é obrigatória.

A Volta a Abu Dhabi e a Volta a Califórnia não deverão ter grandes preocupações. Apesar das deslocações, têm nos últimos anos atraído algumas equipas World Tour. Agora é garantir que conseguem pelo menos dez.

As organizações das novas corridas são obrigadas a convidar todas as equipas do World Tour e só depois de saberem as respostas é que podem preencher as vagas que ficarem livres pela não presença de uma formação do principal escalão.

Relativamente à Volta a Califórnia, estava a ser feita alguma pressão de equipas americanas do escalão Continental para que formações deste nível pudessem participar em provas World Tour. Um dos objectivos era precisamente ter a possibilidade de estar naquela que é neste momento a corrida mais popular nos EUA. No entanto, a UCI não irá mexer nessa regra.

Quanto ao polémico sistema de descidas e subidas de escalão, a UCI anunciou que as actuais equipas do World Tour serão as mesmas em 2017 (esta parte já se sabia) e as que se candidatarem em 2018 também deverão todas ser aceitas, desde que respeitem os parâmetros exigidos. No entanto, em 2019 começará o corte acordado entre a UCI e a ASO, empresa organizadora de corridas como a Volta a França e o Paris-Roubaix. O objectivo é que existam 16 equipas. Caso apenas se candidatem 16, então não haverá problemas. Serão essas a receber as licenças, mais uma vez, se respeitarem as exigências. Se houver mais de 16, as piores classificadas no ranking ficam de fora.

A partir de 2018, uma equipa que queira entrar pela primeira vez no principal escalão terá a vida muito mais complicada. É que a nível de pontuação dos ciclistas, só serão contabilizados os cinco melhores.

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28 de dezembro de 2016

Volta ao Qatar foi cancelada

(Fotografia: Facebook Volta ao Qatar)
Era a corrida do Médio Oriente mais antiga. Realizava-se desde 2002, com o Qatar a apostar no ciclismo para promover a região. Com uma ajuda dos petrodólares, a organização foi aos poucos convencendo equipas do World Tour a participarem e por isso conta com vencedores como Tom Boonen e Mark Cavendish no palmarés da prova. Em 2017 chegaria finalmente ao nível World Tour, depois de este ano o Qatar ter realizado uns Mundiais de muita polémica. As paisagens marcadas pelo deserto, não só de areia, mas também da ausência de público tornaram-se uma imagem de marca. Naturalmente nada atractiva. Quando parecia que o Qatar queria definitivamente afirmar-se na modalidade, afinal acabou por ser o fim de uma história... sem grande história.

Para fugir ao Inverno europeu, sprinters e ciclistas que tinham como objectivo as clássicas, aproveitavam o sol e os percursos planos do Qatar para começarem as temporadas. O interesse das corridas não era entusiasmante, mas lá aparecia o vento que provocava cortes no pelotão. Ainda assim, o mais normal era ter de esperar pelo sprint final para acontecer algo emocionante. Com a Amaury Sport Organisation (responsável pela Volta a França) a ajudar na organização e com Eddy Merckx a ser uma espécie de padrinho, a Volta ao Qatar foi conquistando o seu lugar no calendário e em 2017 seria uma das novas provas do World Tour, com Tom Boonen a já ter confirmado que iria lá estar.

Num curto (mesmo muito curto) comunicado, a UCI limitou-se a escrever: "Parece que a decisão acontece na sequência de dificuldades em atrair um patrocinador para apoiar financeiramente." Problemas de dinheiro é algo estranho quando se fala do Qatar, mas, se calhar, em causa estará mesmo a falta de interesse mediático na competição e as polémicas do Mundial poderão ter contribuído para afastar potenciais patrocinadores.

Em Fevereiro o intenso calor não é um problema tão grande como foi em Outubro durante os Mundiais. No entanto, a polémica que poderá ter sido decisiva foi a falta de público. Foram uns Mundiais com um cenário desolador. Na zona da meta lá apareceram algumas pessoas, uns holandeses e até foi fotografado um francês. A organização tentava publicar fotografias nas redes sociais com pessoas a apoiar, mas não enganavam ninguém. Os ciclistas sentiram a falta de ambiente e expressaram a sua desilusão por competirem sem ter ninguém a apoiá-los na estrada, numa das competições mais importantes do ano.

Se na Volta ao Qatar tal nunca foi um problema durante tantos anos, agora que seria uma corrida World Tour, a atenção seria outra. Não basta organizar uma competição de forma a mostrar a região ao mundo, através da transmissão televisiva. O ciclismo sem público passa uma imagem desoladora.

A UCI fica agora com um problema de datas em provas World Tour. A entrada de competições permitiu compor o calendário, mas com a saída do Qatar - que se deveria realizar entre 6 e 10 de Fevereiro -, ficará quase um mês sem uma corrida do nível World Tour. Também as senhoras perdem uma das suas competições, pois foram canceladas a prova masculina e feminina.


22 de dezembro de 2016

Funvic com licença Profissional Continental confirmada. Director desportivo promete mudanças para evitar novos casos de doping

Três casos de doping em menos de um ano, uma suspensão de 55 dias, saída de patrocinadores. O futuro daquela que é a primeira equipa brasileira no escalão Profissional Continental parecia estar cada vez mais incerto. Porém, parece que não há nada que abale a confiança do director desportivo Benedito Tadeu Azevedo Júnior em manter vivo o projecto, que em 2017 contará com o português Daniel Silva, ciclista da Rádio Popular-Boavista que terminou no terceiro lugar na Volta a Portugal.

A suspensão da UCI termina a 12 de Fevereiro e o responsável, conhecido como Kid, só pensa em preparar a equipa para a temporada, ainda mais quando a UCI confirmou que a formação brasileira irá continuar a competir no escalão Profissional Continental, depois de dois adiamentos para reanalisar o pedido. Porém, em declarações ao site Ciclismo Internacional, Kid salientou que vão verificar-se várias mudanças, a começar nos patrocinadores e a acabar com o controlo interno para evitar novos casos de doping.

"Podemos passar a ter o nome de Soul Brasil Pro Cycling", afirmou o director desportivo, mostrando-se satisfeito por ter garantido a continuidade de um dos seus ciclistas mais importantes, Francisco Chamorro. Porém, apesar da perda de alguns patrocinadores, a maior preocupação é mesmo com o doping: "Haverá mudanças, como mais controlos internos e conversas com psicólogos desportivos sobre o tema do doping. Nunca mais se poderão repetir [casos]."

Em causa estão os três casos positivos no espaço de 12 meses e que poderia ter valido à equipa brasileira uma suspensão até um ano. A UCI definiu 55 dias. Em causa estão os casos de Kleber Ramos - realizou um teste antes dos Jogos Olímpicos, mas o resultado só foi conhecido depois - e de Wilson Ramiro Diaz e João Gaspar, ambos apanhados em testes feitos durante a Volta a Portugal. Diaz venceu a classificação da montanha da prova portuguesa. Os três ciclistas acusaram CERA, um estimulante que aumenta a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue.

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»»Doping. Vencedor da montanha na Volta a Portugal acusa positivo. Funvic, que contratou o português Daniel Silva, pode ser suspensa até um ano««

»»Brasileiro que competiu nos Jogos Olímpicos apanhado com doping. Sucessão de casos preocupa Brasil««

UCI muda sistema de pontuação para "melhorar o espectáculo e beneficiar as equipas no ranking"

A União Ciclista Internacional (UCI) alterou o sistema de pontuação do ranking World Tour. A partir de 2017 os 60 primeiros ciclistas irão receber pontos, ao contrário dos 20 do sistema actual. Outra alteração importante é que os corredores que somarem pontos, verão todos contarem para o ranking da equipa. Até agora as formações só recebiam os pontos dos seus cinco melhores ciclistas.

"Um maior número de ciclistas poderá somar pontos o que irá melhorar o espectáculo, beneficiar as equipas no ranking e premiar os ciclistas que antes não recebiam pontos se terminassem abaixo do 20º lugar", lê-se no comunicado revelado esta quinta-feira. Estas alterações fazem com que o sistema de pontuação do ranking do World Tour se torne idêntico ao que estabelece a classificação do ranking Mundial, que começou este ano. Deixará de existir um ranking de nações do World Tour.

A Volta a França continua a ser a corrida que atribui mais pontos. O vencedor soma mil, enquanto quem ganhar o Giro ou a Vuelta recebe 850. A vitória num monumento vale 500 pontos. Pode confirmar o sistema de pontuação neste link do documento da UCI (a partir da página seis).

Pela primeira vez, os vencedores das classificações da montanha e dos pontos nas grandes voltas, também serão recompensados. O ciclista que vestir a camisola da liderança receberá igualmente pontos.

O ranking World Tour é definido pelas classificações nas corridas World Tour, que em 2017 serão 38, mais 11 que este ano. Já o ranking Mundial inclui todas as provas de estrada organizadas pela UCI.


20 de dezembro de 2016

UAE Abu Dhabi, a equipa de Rui Costa e com licença World Tour

Rui Costa e companheiros podem finalmente sorrir
(Fotografia: Facebook de Rui Costa tirada durante a apresentação do Tour)
É o fim da incerteza. Ainda se mantém o mistério de quem é o investidor (ou investidores) que salvou o projecto que era suposto ser o primeiro chinês do World Tour e que acabou por ser o segundo do Médio Oriente a este nível. A confirmação da licença foi dada esta terça-feira pela UCI, o que deixou ciclistas e staff, ou seja, cerca de 60 pessoas, a respirar de alívio e a puderem finalmente concentrarem-se em pleno na preparação de uma temporada que está quase a começar.

No comunicado hoje divulgado, a UCI anunciou a licença World Tour por dois anos, depois de a 25 de Novembro ter confirmado 17 dos 18 pedidos, tendo o da então TJ Sport ficado para ser reanalisado, com a equipa a explicar que tinha pedido um adiamento para entregar os documentos necessários. O prazo para essa entrega terminou na quinta-feira, 15 de Dezembro.  Da pouca informação que foi divulgada, sabe-se que o director desportivo Giuseppe Saronni e Mauro Gianetti desdobraram-se em contactos para garantir os apoios necessários para dar continuidade à equipa que este ano foi a Lampre-Merida. A Colnago, que vai fornecer as bicicletas, terá tido um papel determinante nas negociações.

O World Tour terá assim 18 equipas, com a redução que deveria ter acontecido este ano para 17 a ficar adiada para 2019, sendo que no ano seguinte serão 16 formações no World Tour. Com a UAE Abu Dhabi a cumprir os requisitos desportivos, financeiros, administrativos e éticos, o Médio Oriente terá assim duas equipas no nível mais alto do ciclismo mundial, depois da Bahrain-Merida se ter tornado na primeira formação a conseguir a licença World Tour. Já Itália, fica sem qualquer equipa no principal escalão.

O projecto que prometia ser algo grandioso no ciclismo, com o objectivo de ter também um lado social na divulgação da modalidade na China e tentar promover um estilo de vida mais saudável, terminou em fracasso. A TJ Sport disse que comprava a licença da Lampre-Merida e que tinha muitos interessados em juntar-se ao projecto, de tal forma que o nome da equipa seria conhecido mais tarde. Nunca se soube quem eram esses "interessados" e a demora em apresentá-los foram os primeiros sinais que algo se passava.

Ainda assim, a TJ Sport garantiu a renovação de Rui Costa, Diego Ulissi e Sacha Modolo, contratando depois Ben Swift (Sky), John Darwin Atapuma (BMC), Andrea Guardini (Astana), Vegard Stake Laengen (IAM) e Marco Marcato (Wanty-Groupe Gobert). Além disso manteve os contratos em vigor de ciclistas como os jovens Louis Meintjes e Valerio Conti, entre outros.

Porém, a 25 de Novembro tornou-se público que as promessas da TJ Sport teriam caído em saco roto. A UCI disse que o pedido de licença World Tour ia ser reanalisado. A equipa explicou que tinha pedido um adiamento e foi noticiado que Saronni teria ido à China perceber o que se passava e, mais tarde, soube-se que estaria à procura de novos investidores. Uma das informações divulgada foi que o líder do projecto, Li Zhiqiang, teria adoecido, sofrendo de cancro do pâncreas. A empresa desmentiu esta situação. Uma das causas provável avançada para os problemas de financiamento foram as próprias leis da China. A movimentação de grandes quantias de dinheiro para o estrangeiro não pode ser feita livremente, segundo explicou o VeloNews. Em Dezembro, o estágio que estava agendado foi cancelado. Já não havia forma de esconder que havia um grande problema e uma enorme incerteza.

Oficialmente ainda não foi explicado o que aconteceu. Aliás, mesmo com o anúncio da UCI, a equipa mantém-se em silêncio. Já Ben Swift, um dos reforços reagiu no Twitter.

O Cycling News noticiou há uns dias que apesar de ter conseguido obter o investimento necessário para garantir a licença World Tour, ainda assim a equipa deverá ter o orçamento mais baixo do escalão. Deverão ser entre oito a nove milhões de euros, que cobrirão os gastos necessários, mas não haverá grande margem de manobra para estágios, por exemplo.

No entanto, para ciclistas e staff o mais importante será certamente saber que a equipa irá mesmo continuar em 2017, sendo uma prenda de Natal antecipada. O ciclista português, campeão do mundo em 2013, Rui Costa, irá começar a temporada na Argentina na Volta a San Juan (de 23 a 29 de Janeiro), mas a UAE Abu Dhabi irá estrear-se no World Tour no Tour Down Under, na Austrália (de 17 a 22 de Janeiro).

Entre 23 e 26 de Fevereiro viver-se-á um momento muito especial naquele Emirado. É que agora, além de pela primeira vez ter uma corrida World Tour, irá também apresentar uma equipa no principal escalão.

As 18 equipas World Tour para 2017 e 2018 são: AG2R La Mondiale, Astana, Bahrain-Merida, BMC, Bora-Hansgrohe, Cannondale-Drapac, Dimension Data, Quick-Step Floors, FDJ, Katusha-Alpecin, LottoNL-Jumbo, Lotto Soudal, Movistar, Orica-Scott, Team Sky, Team Sunweb (antiga Giant-Alpecin), Trek-Segafredo e UAE Abu Dhabi (antiga Lampre-Merida).

Quanto a ciclistas portugueses no World Tour, além de Rui Costa, será o ano de estreia de José Mendes (Bora-Hansgrohe), de José Gonçalves (Katusha-Alpecin) - que terá como colega Tiago Machado - e de Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), que estará ao lado de André Cardoso que deixou a Cannondale-Drapac. Nelson Oliveira cumprirá o segundo ano na Movistar.

Duas dúvidas persistem no escalão Profissional Continental

A UCI confirmou ainda 21 equipas no segundo escalão, mas voltou a adiar a decisão sobre a Funvic e a Polish Activejet. Estas eram duas das três equipas que a 25 de Novembro viram os processos ficarem para ser reanalisados. Na sexta-feira, a italiana Androni Giocattoli recebeu a licença. As razões da Funvic prendem-se com os três casos de doping que levaram à suspensão da equipa brasileira - que contratou o português Daniel Silva - até 12 de Fevereiro, mas desconhece-se o que está a adiar a decisão sobre a formação polaca, que poderá ser "atirada" para o escalão Continental.

De destacar a estreia de uma equipa da Irlanda e de outra de Israel neste nível do ciclismo mundial, ou seja, da Aqua Blue Sport e da Israel Cycling Academy. Quanto a portugueses, Rafael Reis irá representar a equipa espanhola da Caja Rural, enquanto Ricardo Vilela assinou pela colombiana Manzana Postobón.

Equipas que farão parte do escalão Profissional Continental: Androni Giocattoli, Aqua Blue Sport, Bardiani CSF, Caja Rural-Seguros RGA, CCC Sprandi Polkowice, Cofidis Solutions Credits, Delko Marseille Provence KTM, Direct Energie, Fortuneo-Vital Concept, Gazprom-Rusvelo, Israel Cycling Academy, Manzana Postobón, Nippo-Vini Fantini, Roompot-Nederlandse Loterij, Sport Vlaanderen-Baloise, Team Novo Nordisk, Unitedhealthcare Profession Cycling Team, Veranda´s Willems Crelan, Wanty-Groupe Gobert, WB Veranclassic Aqua Protect e Wilier Triestina.

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19 de dezembro de 2016

Doping. Futura equipa de Daniel Silva suspensa até Fevereiro

(Fotografia: Facebook Funvic)
A brasileira Funvic Soul Cycles-Carrefour está impedida de participar em qualquer competição internacional até 12 de Fevereiro. Em causa estão os três casos de doping detectados num espaço de um ano, dois dos quais na Volta a Portugal. Wilson Ramiro Diaz, vencedor da classificação da montanha, acusou CERA num controlo anti-doping realizado durante a Volta, tal como o colega João Marcelo Pereira Gaspar. O primeiro caso aconteceu com um teste feito antes dos Jogos Olímpicos. Kleber Ramos ainda participou na corrida no Rio2016, pois o resultado só foi conhecido depois. Acusou também a substância proibida CERA.

"A Comissão Disciplinar decidiu suspender a equipa Profissional Continental Funvic Soul Cyclis-Carrefour por um período de 55 dias, de 19 de Dezembro de 2016 a 12 de Fevereiro de 2017 de acordo com o artigo 7.12.3 das Regras Anti-doping da UCI", lê-se no comunicado divulgado pela UCI. O artigo refere-se à suspensão, que poderia ter chegar a um ano, se foram verificados três casos de doping em 12 meses.

A UCI escreve "três potenciais casos de violação das regras anti-doping", pois ainda falta conhecer os resultados das contra-análises. Apesar desta decisão do organismo que tutela o ciclismo mundial, a UCI não explica se a formação brasileira irá manter a licença Profissional Continental, já que o pedido estava a ser reanalisado devido aos casos de doping.

A Funvic contratou o português Daniel Silva (31 anos), que terminou em terceiro lugar na Volta a Portugal. O ciclista da Rádio Popular-Boavista espera assim ter a possibilidade de competir num escalão superior, mas este não era certamente o início que esperaria.

Quanto à equipa, não houve até ao momento nenhuma reacção. Aliás, cerca de uma hora antes do anúncio da UCI, a Funvic confirmou a contratação de mais quatro jovens: Victor Ranghetti, Rafael Pires, Breno Morais e Lincoln Silva. A preparação para a próxima temporada parece assim prosseguir apesar de alguma incerteza.

Depois de serem conhecidos os testes positivos de Wilson Ramiro Diaz e João Marcelo Pereira Gaspar, a Shimano e a Soul Cycles colocaram um ponto final na parceria com a Funvic. A equipa também cancelou os contratos com os dois ciclistas.

CERA, a substância em causa nos três casos detectados, é um estimulante que aumenta a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue e foi uma substância detectada pela primeira vez em 1998, sendo considerada a terceira geração de drogas derivadas de eritropoietina (EPO).