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21 de fevereiro de 2017

Equipa de Rui Costa com novo patrocinador de peso

Apresentação do novo patrocinador, com pequena alteração no equipamento
(Fotografia: Facebook Rui Costa)
A estrutura da UAE Abu Dhabi pode respirar um pouco melhor. Depois de uma autêntica novela desde a apresentação de um projecto chinês que caiu por terra, à chegada de um investidor de Abu Dabhi que salvou a antiga Lampre-Merida, a equipa de Rui Costa pode agora ficar um pouco mais descansada quanto ao futuro, pois um novo patrocinador juntou-se à formação e é um nome de peso e com dinheiro. A Fly Emirates já tem uma forte presença no futebol, mas faz agora uma incursão pelo ciclismo. Rui Costa e restantes colegas agradecem certamente, pois desta forma a formação volta a ter uma maior segurança financeira.

Não foram revelados valores, mas a companhia aérea entra para o nome da equipa, que a partir de agora será UAE Team Emirates. Sendo que era uma formação com o orçamento mais baixo do World Tour - entre oito a nove milhões de euros - esta entrada é um reforço bem-vindo, pois a aposta de última hora de Matar Suhail Al Yabhouni Al Dhaheri parecia funcionar como uma espécie de experiência. Ou seja, investiu o necessário para salvar o conjunto, mas não em demasia, preferindo primeiro perceber o que poderia render. A verdade é que a equipa começou a temporada a mostrar-se desde o primeiro minuto, fosse em fugas, ou em vitórias: a primeira foi Rui Costa, na Volta a San Juan, e depois de Diego Ulissi, no Grande Prémio Costa degli Etruschi. O ciclista português está mesmo a ter um início de ano espectacular, tendo sido segundo na geral na Volta a Omã.

Este tipo de negociações não acontecem de um dia para o outro, mas o arranque em força das principais figuras da equipa poderá ter ajudado a convencer a Fly Emirates. "Para nós é uma oportunidade. A Emirates sempre esteve envolvida no desporto e nos últimos dois anos o ciclismo teve um crescimento tremendo em termos de fãs e de pessoas a assistir. Aqui nos Emirados Árabes Unidos, penso que quase todas as casas têm uma bicicleta. Sempre escolhemos os melhores e senti-mos que esta é a melhor equipa para nos associar-mos", afirmou o xeque Majid Al Mualla, vice-presidente das operações comerciais da companhia aérea.

A Fly Emirates tem uma forte presença no golfe, corridas de cavalos e no futebol, patrocinando equipas como o Real Madrid, Arsenal, Paris Saint-Germain, AC Milan e Benfica, por exemplo. Com a Volta a Abu Dhabi preparada para se estrear no calendário World Tour na quinta-feira (até domingo), foi apresentado o novo equipamento, que perdeu a mesquita para incluir o novo nome.

A parceria parece até ter dado mais motivação ao próprio dono da equipa. Matar Suhail Al Yabhouni Al Dhaheri afirmou que quer a formação como uma das melhores nos próximos três anos, querendo já para 2017 um top dez no ranking. "Estou confiante que com a minha orientação e com os ciclistas vamos atingir [o objectivo] em três anos", afirmou.

O discurso deixa indicações que a pressão para alcançar bons resultados não vai diminuir. Os tempos da Lampre-Merida - marcados por uma equipa algo desunida -, com os líderes muito sós na luta pelos objectivos, parecem estar a ficar para trás. Rui Costa já começou a mostrar serviço, tal como Diego Ulissi. Mas quem ainda conta com ciclistas como Ben Swift (ex-Sky) e Louis Meintjes, vai querer mais, com Sacha Modolo a estar sobre forte análise, pois não poderá repetir uma época tão fraca como a de 2016, na qual conquistou apenas três vitórias: duas na Volta à Turquia e uma na Volta à República Checa. Se pretender garantir uma renovação de contrato, o sprinter terá de vencer mais, ou, pelo menos, conquistar uma grande vitória.

Mas para já o grande objectivo é estar em foco na corrida em casa, ainda mais quando a Volta a Abu Dhabi pertence este ano à categoria World Tour. Por isso mesmo, foram chamados quatro dos principais ciclistas: Rui Costa, Louis Meintjes, Ben Swift e Diego Ulissi, que terão a ajuda de Andrea Guardini, Simone Consonni, Kristijan Durasek e Manuele Mori.

A Volta a Abu Dhabi terá transmissão televisiva no Eurosport.


27 de janeiro de 2017

A longa espera terminou. Rui Costa voltou às vitórias e bem ao seu estilo

Um momento que Rui Costa tanto procurava: voltou a levantar os braços
para celebrar uma vitória (Fotografia: Facebook Rui Costa)
579 dias depois Rui Costa voltou a celebrar uma vitória. A ambição renovada para este ano comprovou-se logo na primeira corrida que está a fazer em 2017. Venceu a quinta etapa - a rainha - da Volta a San Juan. Mas mais do que um triunfo, esta conquista poderá muito bem ser o mote que o ciclista português procurava para se reencontrar com os melhores momentos. E há algo que já ninguém lhe tira: na história da UAE Abu Dhabi, Rui Costa ficará como o primeiro a vencer pela equipa do Médio Oriente.

Triunfou com um daqueles arranques que já o vimos fazer muitas vezes, mas que há mais de um ano não surtia o efeito desejado. Rui Costa enfrentou a altitude (mais de 2500 metros) do Alto El Colorado, nos Andes, enfrentou o vento de frente e de lado, enfrentou os constantes ataques numa daquelas etapas em que ninguém consegue pode estar desatento por um segundo que seja.

"Estou tão feliz... não imaginam o quanto é maravilhoso voltar a levantar os braços. Já tinha saudades", lê-se no diário que Rui Costa publica no seu blogue. O ciclista português admite que não teve as "melhores sensações" no início da etapa. Mas soube gerir o esforço, acompanhado pelos colegas de equipa. "Na subida derradeira estive sempre à espreita mas sem desgastar demasiado pois sabia o quanto longa e dura seria aquela montanha até ao risco final. O trabalho dos meus colegas foi fundamental e agradeço-lhes todo o apoio. Esta equipa começa da melhor maneira e a união do grupo é um ponto a nosso favor", referiu.




Rui Costa subiu à quinta posição da Volta a San Juan e está a 26 segundos do novo líder Bauke Mollema, quando faltam duas etapas para terminar a corrida. O holandês está a mostrar credenciais para a Volta a Itália, tal como o português, que vai estrear-se no Giro. A última vitória de Rui Costa havia sido nos Nacionais de Braga em 2015. Mas se o discurso desde que vestiu pela primeira vez a camisola da UAE Abu Dhabi já demonstrava um ciclista com uma motivação diferente da dos últimos dois anos na Lampre-Merida, esta vitória demonstra que Rui Costa está preparado para voltar aos grandes dias, que já lhe valeram três etapas no Tour e um Mundial, entre outros triunfos. 

Todas aquelas semanas de indecisão quanto ao futuro da equipa, com o patrocinador chinês a falhar e a ser necessário encontrar uma alternativa, estão claramente ultrapassadas e Rui Costa está apenas focado em competir. E a Liège-Bastogne-Liège, o seu monumento preferido, será certamente um dos grandes objectivos em 2017.

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22 de janeiro de 2017

Volta a San Juan e o início de um Rui Costa de ambição renovada

Rui Costa e a sua equipa em San Juan (Fotografia: Twitter UAE Abu Dhabi)
Em 2013 Rui Costa chegou ao topo. Sagrou-se campeão do mundo. Nunca um português o havia feito. Reivindicou o direito de ser líder de uma equipa World Tour, com o grande objectivo de ir mais longe na Volta a França, onde somava três etapas, duas nesse ano. Trocou a Movistar pela Lampre-Merida, mas não alcançou o sucesso desejado. Em 2014 conquistou a sua terceira Volta a Suíça, no ano seguinte foi campeão nacional, mas em 2016 bem lutou, mas não somou qualquer vitória. Aos 30 anos e agora na UAE Abu Dhabi - sucessora da Lampre - Rui Costa aparece em 2017 com ambição renovada e com novos objectivos, a começar pela estreia na Volta a Itália.

Rui Costa sempre foi um lutador. Mesmo numa Lampre que nunca lhe deu a equipa que precisava para alcançar o ambicionado top dez no Tour, o ciclista português nunca virou a cara a um desafio, fosse na Volta a França, fosse noutra prova que pretendesse ganhar, mesmo sem o apoio necessário de alguns colegas. Na UAE Abu Dhabi a responsabilidade continua a ser grande. Afinal é um dos líderes. Porém, com o sul-africano Louis Meintjes a afirmar-se como a principal aposta para o Tour, Rui Costa inicia uma nova fase na carreira e começar por um país onde nunca competiu. "Não conheço a Argentina, nem a Volta a San Juan, no entanto, temos uma equipa para lutar pela vitória. Não fiz muitos treinos, mas vou dar tudo [na corrida]", afirmou o ciclista português.

Ainda não se sabe se a mudança de calendário poderá ser tão radical ao ponto de não ir ao Tour. Porém, em 2017 fará a estreia no Giro do centenário. Será que também irá à Volta à Espanha? Confirmadas estão a corridas que fará até ao Giro d'Italia: depois de San Juan irá para Omã, Abu Dhabi - paragem obrigatória dada a equipa em que está -, o Tirreno-Adriatico antecede a fase das Ardenas, com Amstel Gold Race, Flèche Wallonne e o monumento Liège-Bastogne-Liège, clássica em que ficou em terceiro no ano passado. Em San Juan, Rui Costa terá a companhia de John Darwin Atapuma, Filippo Ganna, Andrea Guardini, Oliviero Troia e Przemyslaw Niemiec.

Grandes nomes num inesperado ano de crescimento

Com o cancelamento da Volta a San Luis, que nos últimos anos tinha sido destino de alguns ciclistas para começar a temporada - casos de Nairo Quintana e Alberto Contador, por exemplo -, em San Juan aproveitou-se para dar mais relevância a uma corrida com 34 anos de história muito local. Conhecida como sendo uma corrida do povo dado o intenso apoio do público argentino de San Juan, em 2017 a corrida subiu de escalão, com a UCI a atribuir a categoria de 2.1. Em mais de 30 anos, só por uma vez um ciclista argentino não ganhou. O chileno Víctor Caro conquistou a segunda edição. Desde então tem sido o domínio dos corredores da casa.

No entanto, tudo poderá estar a mudar na Volta a San Juan (de 23 a 29 de Janeiro). Sobe de escalão, logo de importância, chama a atenção de quatro equipas do World Tour - Bahrain-Merida, Trek-Segafredo, Quick-Step Floors e UAE Abu Dhabi -, de dois campeões do mundo - além de Rui Costa, estará também Tom Boonen -, de um ciclista que já venceu as três grandes voltas - Vincenzo Nibali -  e de outros grandes nomes como Elia Viviani, Damiano Cunego e Bauke Mollema (veja aqui a lista de inscritos).

Quanto a portugueses, além de Rui Costa, a Volta a San Juan contará com Rafael Reis, que fará a sua estreia pela Caja Rural e logo com a ambição de se mostrar no contra-relógio da terceira etapa.

Serão sete dias, 889 quilómetros em San Juan, numa corrida que permite algo pouco visto. As equipas podem ficar no mesmo hotel durante toda a competição. A etapa que poderá decidir a geral realiza-se sexta-feira, com a chegada ao Alto Colorado, a 2565 metros de altitude. Será uma corrida com bonificações de dez, seis e quatro segundos para os primeiros classificados de cada etapa.


4 de janeiro de 2017

Rui Costa mostra novo equipamento e vai estrear-se na Volta a Itália

(Fotografia: Facebook Rui Costa)
A carreira no World Tour de Rui Costa tem sido marcada pela sua preferência em apostar na Volta a França. Porém, aos 30 anos e quando é um dos líderes da nova equipa do Médio Oriente, a UAE Abu Dhabi, o ciclista português irá fazer uma grande mudança no seu habitual calendário. Vai estar pela primeira vez na Volta a Itália, sendo mais um grande nome a garantir a presença na 100ª edição da prova. "Como capitão tenho uma grande responsabilidade. O meu objectivo é estar bem no Giro d'Italia", afirmou Rui Costa durante a apresentação da equipa.

(Fotografia: Facebook Rui Costa)
Depois de tanta incerteza quanto ao futuro da formação - a antiga Lampre passou de um projecto chinês para uma equipa de Abu Dhabi -, finalmente os ciclistas puderem apresentar os novos equipamentos, ainda que só alguns tenham estado presentes, pois outros já estão a caminho da Austrália, onde começarão a época no Tour Down Under. Rui Costa, Louis Meintjes (que juntamente com Diego Ulissi serão os líderes da equipa), Filippo Ganna, Matej Moric, Andrea Guardini e o ciclista da casa Youssef Mirza estiveram em Abu Dhabi, juntamente com o novo dono, Matar Suhail Al Yabhouni Al Dhaheri.

"Já estive no Dubai e Omã, mas ao acordar esta manhã em Abu Dhabi, apaixonei-me por este local", salientou Rui Costa durante a cerimónia. Já na sua página de Facebook, o ciclista português deixou mais uma mensagem: "Estou fascinado com a recepção que tivemos. Daqui a pouco vou sair de bicicleta com o príncipe. Que honra!"

(Fotografia: Facebook Rui Costa)
Al Dhaheri também falou durante a apresentação, afirmando estar "muito satisfeito por ser o principal patrocinador de uma equipa tão talentosa e histórica". Salientou que espera que pela frente estejam muitos anos de trabalho, com vitórias e também com "uma nova geração de ciclistas nos Emirados Árabes Unidos".

Perante toda a incerteza do futuro da equipa, que só ficou resolvido em Dezembro, só agora foi apresentado o equipamento e também só nesta altura começa a ser conhecido o calendário dos ciclistas. Giuseppe Saronni chegou a garantir que a UAE Abu Dhabi queria começar o ano de forma muito forte e que as principais figuras estariam todas no Tour Down Under, inclusivamente Rui Costa, que antes estava a ser dado com um dos ciclistas do World Tour a estar presente em San Juan, na Argentina.

Porém, Rui Costa acabou por não ser um dos eleitos para arrancar a temporada na Austrália, onde estará uma das contratações, Ben Swift (ex-Sky). Quanto ao português, campeão do mundo em 2013, falta agora conhecer qual será a sua preparação para a Volta a Itália, sendo que será mais do que provável que o voltemos a ver na Liège-Bastogne-Liège, o seu monumento de eleição e que muito quer ganhar. Fica também a curiosidade em saber se Rui Costa fará na mesma a Volta a França ou se poderá optar pela Vuelta.

De recordar que o ciclista português venceu três etapas no Tour (uma em 2011 e duas em 2013) quando representava a Movistar. Assinou pela Lampre-Merida com a ambição de ser líder na Volta a França, mas a prova correu sempre mal a Rui Costa que em 2016 mudou o objectivo de terminar no top 10 para procurar nova vitória de etapa. E esteve perto de consegui-la. No Giro, Rui Costa deverá partilhar a liderança da equipa com Diego Ulissi. O italiano já conta com seis triunfos em etapas na Volta a Itália. No Tour, o jovem sul-africano Louis Meintjes será a aposta para geral, depois de ter sido oitavo em 2016.


22 de dezembro de 2016

Como uma corrida de Fórmula 1 ajudou a definir o futuro da equipa de Rui Costa

Foi no circuito onde se decidiu o título de campeão de Fórmula 1 - e por onde
também passa o pelotão na Volta ao Abu Dhabi - que se começou a definir o novo
projecto da equipa do português Rui Costa (Fotografia: Facebook Abu Dhabi Tour)
Foram dez dias alucinantes para Giuseppe Saronni e Mauro Gianetti e tudo começou no Grande Prémio de Fórmula 1 em Abu Dhabi. Enquanto na pista se decidia o título mundial, nos bastidores negociava-se a salvação da equipa do português Rui Costa. Depois de tanta incerteza e algum secretismo, Saronni revelou os pormenores que levaram aquele que era suposto ser um mega projecto chinês, o primeiro no World Tour, a tornar-se no segundo do Médio Oriente, no mesmo ano em que chega ao principal escalão do ciclismo a Bahrain-Merida.

A amizade entre Mauro Gianetti e o presidente de uma empresa de construção civil e imobiliária e a paixão pelo ciclismo deste empresário, acabaram por ser a chave para salvar a até agora Lampre-Merida. Matar Suhail Al Yabhouni Al Dhaheri é o nome do investidor mistério (até esta quinta-feira) que avançou com o dinheiro que permitiu à equipa receber a licença World Tour e estar na estrada em 2017. "Gianetti e Matar conversaram muitas vezes sobre projectos de ciclismo. Havia um desejo antigo de criar uma equipa profissional em Abu Dhabi e quando a opção chinesa desapareceu, Gianetti retomou o rumo em Abu Dhabi", explicou Saronni à Gazzetta dello Sport, mas não referiu se é verdade que o orçamento será entre os oito a nove milhões, o mais baixo entre as equipas do mesmo escalão.

Dois dias depois da UCI ter anunciado as licenças e de ter revelado que o pedido da TJ Sport ia ser reanalisado, Mauro Gianetti estava em Abu Dabhi à procura do plano B. "O Mauro foi convidado para assistir ao último grande prémio [do ano] de Fórmula 1, no dia 27 de Novembro, e apresentou o nosso projecto ao senhor Matar. Em dez dias ficou tudo definido", salientou Saronni. Os responsáveis lutavam contra o tempo e não hesitaram em fechar o acordo com o empresário.

Numa altura em que todos (e a equipa conta com cerca de 60 pessoas) podem respirar de alívio, Giuseppe Saronni já começou a fazer o seu papel de "vender" o nome que estará nas camisolas, que, ao contrário do que normalmente acontece, não será a empresa de Al Dhaheri, será o do Emirado. "A equipa chama-se UAE Abu Dhabi. É uma equipa de uma nação. É um grande orgulho para todos e estamos motivados por vestir uma camisola que pela primeira vez não terá um nome de um patrocinador, mas de uma nação. Passamos de uma família na Lampre para uma equipa de uma nação e a camisola terá as cores dos Emirados Árabes Unidos: branco, verde, preto e vermelho", referiu.

Aos 59 anos, Saronni admite que é "um novo mundo para ele". "Nunca pensei que aos 60 anos [que completa em Setembro de 2017] estaria num projecto tão grande e importante", confessou. Abu Dhabi e Dubai são os Emirados que mais turismo atraem. Tem sido feita uma forte aposta no desporto, com o ciclismo cada vez mais no centro das atenções. O financiamento a uma equipa do principal escalão coincide com o ano em que a Volta a Abu Dhabi também se tornará uma prova World Tour.

Mas afinal o que aconteceu à TJ Sport?

"Infelizmente o presidente Li Zhiqiang teve graves problemas de saúde e ele estava no centro de tudo e isso bloqueou o projecto", explicou Saronni ao jornal italiano. Sem tempo para esperar que a situação se resolvesse, o responsável começou a procurar outra solução para salvar a equipa. No entanto, realçou que o projecto chinês "continua a ser válido". "Tenho a certeza que da China virá algo importante", disse.

Mas agora é tempo para se concentrar a 100% na UAE Abu Dhabi. Com uma pré-temporada inexistente - o estágio agendado para Dezembro foi cancelado devido à incerteza do futuro da equipa -, Saronni quer ainda assim começar 2017 de forma muito forte. Por isso mesmo, vai apostar nas suas principais armas logo na primeira prova World Tour do ano. Na Austrália, no Tour Down Under - de 17 a 22 de Janeiro -, vão estar Diego Ulissi, Louis Meintjes, Ben Swift (uma das contratações da equipa) e Rui Costa. O português era falado como uma das figuras a marcar presença na Volta a San Juan, na Argentina, mas parece que afinal será em terras australianas que arrancará a sua temporada.

Giuseppe Saronni salientou ainda que quer que a equipa esteja no seu melhor quando começar a 100ª edição da Volta a Itália. Apesar de estar registada como uma formação dos Emirados Árabes Unidos, a UAE Abu Dabhi terá o seu "quartel-general" em Itália. O país pode ter perdido a equipa que restava no World Tour, mas esta continua a ter muitos parceiros italianos. Começa com as bicicletas, com a Colnago a juntar-se em 2017 à equipa, a que se junta a Selle Italia, os pneus Vittoria e os capacetes Met. E claro, o conjunto continuará a contar com um forte contingente de ciclistas transalpinos.


20 de dezembro de 2016

UAE Abu Dhabi, a equipa de Rui Costa e com licença World Tour

Rui Costa e companheiros podem finalmente sorrir
(Fotografia: Facebook de Rui Costa tirada durante a apresentação do Tour)
É o fim da incerteza. Ainda se mantém o mistério de quem é o investidor (ou investidores) que salvou o projecto que era suposto ser o primeiro chinês do World Tour e que acabou por ser o segundo do Médio Oriente a este nível. A confirmação da licença foi dada esta terça-feira pela UCI, o que deixou ciclistas e staff, ou seja, cerca de 60 pessoas, a respirar de alívio e a puderem finalmente concentrarem-se em pleno na preparação de uma temporada que está quase a começar.

No comunicado hoje divulgado, a UCI anunciou a licença World Tour por dois anos, depois de a 25 de Novembro ter confirmado 17 dos 18 pedidos, tendo o da então TJ Sport ficado para ser reanalisado, com a equipa a explicar que tinha pedido um adiamento para entregar os documentos necessários. O prazo para essa entrega terminou na quinta-feira, 15 de Dezembro.  Da pouca informação que foi divulgada, sabe-se que o director desportivo Giuseppe Saronni e Mauro Gianetti desdobraram-se em contactos para garantir os apoios necessários para dar continuidade à equipa que este ano foi a Lampre-Merida. A Colnago, que vai fornecer as bicicletas, terá tido um papel determinante nas negociações.

O World Tour terá assim 18 equipas, com a redução que deveria ter acontecido este ano para 17 a ficar adiada para 2019, sendo que no ano seguinte serão 16 formações no World Tour. Com a UAE Abu Dhabi a cumprir os requisitos desportivos, financeiros, administrativos e éticos, o Médio Oriente terá assim duas equipas no nível mais alto do ciclismo mundial, depois da Bahrain-Merida se ter tornado na primeira formação a conseguir a licença World Tour. Já Itália, fica sem qualquer equipa no principal escalão.

O projecto que prometia ser algo grandioso no ciclismo, com o objectivo de ter também um lado social na divulgação da modalidade na China e tentar promover um estilo de vida mais saudável, terminou em fracasso. A TJ Sport disse que comprava a licença da Lampre-Merida e que tinha muitos interessados em juntar-se ao projecto, de tal forma que o nome da equipa seria conhecido mais tarde. Nunca se soube quem eram esses "interessados" e a demora em apresentá-los foram os primeiros sinais que algo se passava.

Ainda assim, a TJ Sport garantiu a renovação de Rui Costa, Diego Ulissi e Sacha Modolo, contratando depois Ben Swift (Sky), John Darwin Atapuma (BMC), Andrea Guardini (Astana), Vegard Stake Laengen (IAM) e Marco Marcato (Wanty-Groupe Gobert). Além disso manteve os contratos em vigor de ciclistas como os jovens Louis Meintjes e Valerio Conti, entre outros.

Porém, a 25 de Novembro tornou-se público que as promessas da TJ Sport teriam caído em saco roto. A UCI disse que o pedido de licença World Tour ia ser reanalisado. A equipa explicou que tinha pedido um adiamento e foi noticiado que Saronni teria ido à China perceber o que se passava e, mais tarde, soube-se que estaria à procura de novos investidores. Uma das informações divulgada foi que o líder do projecto, Li Zhiqiang, teria adoecido, sofrendo de cancro do pâncreas. A empresa desmentiu esta situação. Uma das causas provável avançada para os problemas de financiamento foram as próprias leis da China. A movimentação de grandes quantias de dinheiro para o estrangeiro não pode ser feita livremente, segundo explicou o VeloNews. Em Dezembro, o estágio que estava agendado foi cancelado. Já não havia forma de esconder que havia um grande problema e uma enorme incerteza.

Oficialmente ainda não foi explicado o que aconteceu. Aliás, mesmo com o anúncio da UCI, a equipa mantém-se em silêncio. Já Ben Swift, um dos reforços reagiu no Twitter.

O Cycling News noticiou há uns dias que apesar de ter conseguido obter o investimento necessário para garantir a licença World Tour, ainda assim a equipa deverá ter o orçamento mais baixo do escalão. Deverão ser entre oito a nove milhões de euros, que cobrirão os gastos necessários, mas não haverá grande margem de manobra para estágios, por exemplo.

No entanto, para ciclistas e staff o mais importante será certamente saber que a equipa irá mesmo continuar em 2017, sendo uma prenda de Natal antecipada. O ciclista português, campeão do mundo em 2013, Rui Costa, irá começar a temporada na Argentina na Volta a San Juan (de 23 a 29 de Janeiro), mas a UAE Abu Dhabi irá estrear-se no World Tour no Tour Down Under, na Austrália (de 17 a 22 de Janeiro).

Entre 23 e 26 de Fevereiro viver-se-á um momento muito especial naquele Emirado. É que agora, além de pela primeira vez ter uma corrida World Tour, irá também apresentar uma equipa no principal escalão.

As 18 equipas World Tour para 2017 e 2018 são: AG2R La Mondiale, Astana, Bahrain-Merida, BMC, Bora-Hansgrohe, Cannondale-Drapac, Dimension Data, Quick-Step Floors, FDJ, Katusha-Alpecin, LottoNL-Jumbo, Lotto Soudal, Movistar, Orica-Scott, Team Sky, Team Sunweb (antiga Giant-Alpecin), Trek-Segafredo e UAE Abu Dhabi (antiga Lampre-Merida).

Quanto a ciclistas portugueses no World Tour, além de Rui Costa, será o ano de estreia de José Mendes (Bora-Hansgrohe), de José Gonçalves (Katusha-Alpecin) - que terá como colega Tiago Machado - e de Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), que estará ao lado de André Cardoso que deixou a Cannondale-Drapac. Nelson Oliveira cumprirá o segundo ano na Movistar.

Duas dúvidas persistem no escalão Profissional Continental

A UCI confirmou ainda 21 equipas no segundo escalão, mas voltou a adiar a decisão sobre a Funvic e a Polish Activejet. Estas eram duas das três equipas que a 25 de Novembro viram os processos ficarem para ser reanalisados. Na sexta-feira, a italiana Androni Giocattoli recebeu a licença. As razões da Funvic prendem-se com os três casos de doping que levaram à suspensão da equipa brasileira - que contratou o português Daniel Silva - até 12 de Fevereiro, mas desconhece-se o que está a adiar a decisão sobre a formação polaca, que poderá ser "atirada" para o escalão Continental.

De destacar a estreia de uma equipa da Irlanda e de outra de Israel neste nível do ciclismo mundial, ou seja, da Aqua Blue Sport e da Israel Cycling Academy. Quanto a portugueses, Rafael Reis irá representar a equipa espanhola da Caja Rural, enquanto Ricardo Vilela assinou pela colombiana Manzana Postobón.

Equipas que farão parte do escalão Profissional Continental: Androni Giocattoli, Aqua Blue Sport, Bardiani CSF, Caja Rural-Seguros RGA, CCC Sprandi Polkowice, Cofidis Solutions Credits, Delko Marseille Provence KTM, Direct Energie, Fortuneo-Vital Concept, Gazprom-Rusvelo, Israel Cycling Academy, Manzana Postobón, Nippo-Vini Fantini, Roompot-Nederlandse Loterij, Sport Vlaanderen-Baloise, Team Novo Nordisk, Unitedhealthcare Profession Cycling Team, Veranda´s Willems Crelan, Wanty-Groupe Gobert, WB Veranclassic Aqua Protect e Wilier Triestina.

»»Ben Swift preparou plano B caso equipa acabe««

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