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23 de março de 2017

"Gostava muito de estar na Volta a Espanha. É um dos meus principais objectivos ir aos Europeus e aos Mundiais"

Rafael Reis recebeu em Palmela o troféu de melhor ciclista de 2016
Rafael Reis está de volta à estrada. Uma fractura no rádio (antebraço) afastou-o da competição durante mês e meio, situação um pouco frustrante dado o bom início de ano que estava a realizar na sua nova equipa. No entanto, este ciclista de Palmela não se deixa abater por um contra-tempo e só pensava em reaparecer em boa forma e continuar o trabalho de evolução e confirmação na Caja Rural. O português está na Coppi e Bartali e se não tiver qualquer problema ou dores, o corredor será também um dos eleitos para estar na Volta ao País Basco, uma competição do nível World Tour.

A capacidade de auto-motivação de Rafael Reis é um dos factores que o diferencia de muitos ciclistas. Realista, o próprio admite que só quer estar na Volta ao País Basco se estiver bem, senão prefere ficar de fora e dar lugar a um colega que esteja melhor fisicamente. A época é longa e o ciclista garantiu que a Caja Rural o apoiou durante o tempo em que esteve em recuperação, afastando assim qualquer sentimento de pressão para rapidamente começar a apresentar resultados. "Naturalmente que é difícil. Na Argentina as coisas correram bastante bem e estavam a correr até àquela queda colectiva na Volta à Comunidade Valenciana. Estava a atingir um bom nível. Mas a equipa está tranquila", salientou ao Volta ao Ciclismo.

Rafael Reis referiu ainda que se preparou muito bem durante o Inverno para começar forte o ano na Caja Rural, equipa que já conhecia nos sub-23, mas foi agora contratado para estar na principal, no escalão Profissional Continental. Devido a essa preparação e apesar da paragem forçada, o ciclista espera que o regresso à competição possa ficar marcado com um rápido recuperar de ritmo, admitindo, contudo,  que os primeiros dias podem ser um pouco complicados. "Mas penso que vou voltar bem", afirmou. Num dia dividido por duas etapas, na em linha, o português terminou na 111ª posição a 3:37 do vencedor, o francês Laurent Pinchon, da Fortuneo-Vital Concept. Depois, no contra-relógio colectivo, mas com as equipas a serem divididas em dois blocos, Rafael Reis esteve no mais rápido da Caja Rural, terminando no 15º lugar, a 37 segundos da CCC Sprandi Polkowice.

A integração na equipa foi facilitada pelo facto de já conhecer grande parte do staff. "Há um grande ambiente e é uma equipa muito motivada", frisou. Apesar de agora o importante ser recuperar a forma e garantir que não tem problemas com a lesão que o afastou da competição, Rafael Reis não esconde os principais objectivos que delineou para ele próprio. Um deles é ser escolhido para estar na Vuelta, de 19 de Agosto a 10 de Setembro: "Gostava muito de estar na Volta a Espanha... Como qualquer ciclista da equipa. Mas não vai haver uma guerra por causa disso. Só temos de fazer o que nos pedem. Mas acho se as coisas correrem bem, poderei ir." Se tal acontecer, deverá significar que não se terá o melhor ciclista de 2016, em termos de ranking nacional, na Volta a Portugal. "São apenas quatro dias que separam as duas corridas, quem estiver na Volta a Portugal, não deverá ir à Vuelta", assinalou.


"É um nível muito diferente de uma equipa portuguesa. Vê-se pelas corridas que [a Caja Rural] faz. É uma equipa com condições extremamente boas, não nos falta nada. É mesmo muito boa"

No entanto, aos 24 anos, Rafael Reis quer afirmar-se definitivamente na selecção nacional. Já passaram quase três anos, mas aquele quarto lugar no contra-relógio de sub-23, nos Mundiais de Ponferrada, ainda custa a recordar: "Foram nove segundos para o terceiro classificado e 18 para o primeiro. Acho que me faltou mais experiência naquela distância." Mas aquele resultado positivo, mas ao mesmo tempo amargo, motiva Rafael Reis a querer mais com a camisola de Portugal. "É um dos meus principais objectivos da época ir aos Europeus e aos Mundiais. No contra-relógio e na prova de fundo. Melhorei muito nesta vertente e penso que posso não estar lá para alcançar grande um resultado, mas posso ajudar a fazer uma equipa bastante forte", explicou.

O ciclista sente que o seleccionador José Poeira confia em si e no trabalho que tem vindo a efectuar e sendo um especialista no contra-relógio, pode ainda não estar ao nível de Nelson Oliveira, mas assegurou: "Vou lutar pelo meu lugar." E a presença na Caja Rural poderá ter um papel importante no desenvolvimento das capacidades de Rafael Reis. "É um nível muito diferente de uma equipa portuguesa. Vê-se pelas corridas que faz. É uma equipa com condições extremamente boas, não nos falta nada. É mesmo muito boa."

Na Argentina até faltou o ar

A ambição de Rafael Reis é chegar alto. Muito alto. O ciclista está disposto a trabalhar muito para concretizar os seus sonhos e chegar onde já está o amigo Ruben Guerreiro, que este ano assinou pela Trek-Segafredo, equipa do World Tour. O salto para a Caja Rural, equipa que tanto aposta em portugueses, permitiu ao ciclista de Palmela estar noutro nível do ciclismo, diferença que sentiu logo na sua estreia na Volta a San Juan. "Na última etapa fizemos uma média de 49 quilómetros por hora, com 47 graus! Na primeira hora até faltou o ar", recordou Rafael Reis. Porém, diz que se sentiu bastante bem na corrida e o 15º lugar na geral confirma mesmo isso.


"Vou trabalhar para continuar a evoluir. Motiva-me muito mais estar a este nível. É aqui que quero estar"

O ciclista falou ainda da etapa rainha, ganha por Rui Costa (UAE Team Emirates): "A etapa de montanha [grande suspiro]... A chegada era a 2600 metros e quem não está preparado para essa altitude, como era o caso da maior parte dos ciclistas que ali estava, é difícil. Notava-se a falta de ar." Porém, o ciclista rapidamente acrescenta: "É isto que eu quero. Vou trabalhar para continuar a evoluir. Motiva-me muito mais estar a este nível. É aqui que quero estar."

Após a Volta a San Juan, as expectativas ficaram bem altas, mas infelizmente deu-se a queda e a fractura que impediram o ciclista de participar nas provas portuguesas, como a Volta ao Algarve, Alentejo e a Clássica da Arrábida, que terminou perto da sua casa. Ainda assim subiu ao pódio para receber o troféu de melhor ciclista de 2016, então ao serviço da W52-FC Porto. Foi um momento que o deixou feliz, mas o que Rafael Reis mais quer é regressar aos pódios para celebrar vitórias com a Caja Rural, sempre com a ambição de melhorar e continuar a dar passos rumo ao mais alto nível do ciclismo, como o director desportivo da Caja Rural, Eugenio Goikoetxea, acredita que poderá acontecer.

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Leia aqui mais conversas.

29 de janeiro de 2017

Volta a San Juan. Muita Quick-Step Floors e os sinais positivos de Bauke Mollema, Rui Costa e Rafael Reis

Bauke Mollema começa 2017 com uma vitória moralizadora,
a pensar na Volta a Itália (Fotografia: Twitter Trek-Segafredo)
No ano da internacionalização, ou seja, da subida de categoria UCI para 2.1, a Volta a San Juan só não foi 100% internacional, porque Maximiliano Richeze venceu duas etapas, dando um toque argentino a uma corrida que apenas pela segunda vez nos seus 35 anos de história não teve um vencedor da casa. San Juan sempre viveu com intensidade a sua corrida e a festa foi intensa com a presença de algumas das melhores equipas e também de ciclistas de renome. E como é uma edição para ficar para a história, então é perfeito que tenha sido inscrito na lista de vencedores de etapas dois campeões do mundo - Tom Boonen e Rui Costa -, um dos mais promissores sprinters - Fernando Gaviria - e um vencedor que começa 2017 a mostrar que aos 30 anos está pronto para lutar por uma grande volta: Bauke Mollema.

Para garantir que a Volta a San Juan seja ainda mais falada no futuro, a Bahrain-Merida, a primeira equipa do Médio Oriente no World Tour, venceu pela primeira vez por intermédio de Ramunas Navardauskas. A segunda equipa do Médio Oriente no World Tour, a UAE Abu Dhabi - e o estatuto de primeira e segunda é apenas por uma questão de datas de confirmação da existência das formações, pois fazem as duas a estreia no principal escalão - também já ganha, com Rui Costa a ficar com o feito de ter sido o primeiro.

Quick-Step Floors venceu cinco das sete etapas
(Fotografia: Volta a San Juan)
Mas vamos a algumas conclusões que se podem tirar desta Volta a San Juan. O grande destaque vai para a Quick-Step Floors. A equipa belga dominou a corrida, conquistando cinco das sete etapas. Sem Marcel Kittel, Fernando Gaviria (22 anos) tinha um hipótese de ouro para se mostrar. Duas tiradas foram para ele e o colombiano comprovou que a formação belga tem mais um potencial grande sprinter a despontar. Richeze (33) também aproveitou a oportunidade para vencer outras duas etapas, mas o argentino sabe que lhe está reservado um papel de apoio aos líderes durante grande parte da época. E para começar bem o último ano da carreira, ou melhor, os últimos quatro meses da carreira, Tom Boonen também ganhou, um triunfo motivante para o veterano ciclista (36 anos) que se prepara para se despedir no Paris-Roubaix, a 9 de Abril.


Rui Costa com razões para sorrir
(Fotografia: Volta a San Juan)
Rui Costa regressou às vitórias depois de mais de um ano sem celebrar uma conquista. Um triunfo importante para o ciclista português - e logo na etapa rainha da Volta a San Juan - que surge em 2017 com uma ambição renovada, apostado em experimentar um novo calendário, como comprova a estreia na Volta a Itália, deixando o Tour de ser o momento do ano para Rui Costa. A vitória permiti-lhe também deixar garantias aos responsáveis da UAE Abu Dhabi que podem contar com ele como líder, mesmo depois de três anos frustrantes numa Lampre-Merida que nunca deu a Rui Costa as condições esperadas de apoio a um chefe-de-fila.

Quanto ao outro português em prova, Rafael Reis fez a sua estreia pela Caja Rural. E que estreia! Se o quinto lugar de Rui Costa na geral (a 26 segundos de Mollema) é um resultado expectável para um ciclista do nível do campeão do mundo de 2013, já Rafael Reis alcançou uma classificação que por um lado comprova o seu talento, mas que por outro talvez não fosse esperada tão cedo na temporada. O ciclista de Palmela foi 15º  na geral (a 2:36 do vencedor), e 17º na sua especialidade, o contra-relógio, na terceira etapa. E este resultado pode muito bem ser só o início de uma carreira internacional promissora. Rafael Reis estará na Volta ao Algarve com a equipa espanhola.





Naturalmente que o grande vencedor da corrida argentina é Bauke Mollema. Mas mais do que ter conquistado a Volta a San Juan, o ciclista holandês deixou indicações muito fortes que quer chegar à Volta a Itália em condições de lutar pela maglia rosa. Com a chegada de Alberto Contador à Trek-Segafredo, Mollema sabia que não podia fazer do Tour o seu principal objectivo, mesmo depois de em 2016 ter sonhado com a vitória ao estar na segunda posição durante várias etapas (acabou em 11º).

O holandês mudou os objectivos, contudo, parece aparecer mais motivado que nunca e principalmente terá atingido a maturidade tanto física como psicologicamente. Aos 30 anos poderá começar a confirmar todo o potencial que há muito lhe é reconhecido, para ser um forte candidato nas grandes voltas, depois de em 2011 ter sido quarto na Volta a Espanha.

Veja as classificações da 35ª edição da Volta a San Juan.

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23 de janeiro de 2017

"Rafael Reis pode perfeitamente chegar ao World Tour"

Goikoetxea acredita que Rafael Reis poderá ser um elemento
importante na equipa (Fotografia: Caja Rural)
Rafael Reis é mais um português a passar pela Caja Rural-Seguros RGA e o director desportivo da equipa espanhola acredita que tem o talento necessário para alcançar o mais alto nível do ciclismo, seguindo os passos de ciclistas como José Gonçalves e André Cardoso. "Pode perfeitamente chegar ao World Tour. Nós agora vamos aproveitar o seu potencial e o tempo dirá que futuro o espera", salientou Eugenio Goikoetxea ao Volta ao Ciclismo. O ciclista de Palmela já tinha estado na equipa amadora da Caja Rural durante a sua formação, mas regressou agora, integrando a equipa profissional, com o responsável a acreditar que Rafael Reis pode tornar-se num elemento importante. "Creio que é um bom ciclista e que pode dar bons dias à equipa. É um bom contra-relogista e não tínhamos ciclistas com esse perfil", referiu Goikoetxea.

Com a temporada da Caja Rural a arrancar esta segunda-feira na Volta a San Juan, na Argentina, Eugenio Goikoetxea (47 anos) considera que ainda é cedo para avaliar que tipo de trabalho será necessário fazer o português. No entanto, diz que "em princípio terá um bom calendário pela frente, com a estreia numa corrida de categoria World Tour a estar a ser ponderada para a Volta à Catalunha (de 20 a 26 de Março). Até lá, depois de San Juan, Rafael Reis estará na Volta a Valência e também no Algarve. E será que poderá ser opção para a Volta a Espanha? "Claro que sim. Quando chegarmos a Junho veremos em que grupo o vamos colocar. A temporada é longa e não se pode nesta fase ficar obcecado com a participação na Volta a Espanha", respondeu Goikoetxea.

"Além de ser um bom rolador, creio que pode ser um bom corredor de provas de um dia"

Se participar numa grande volta é normalmente um desejo dos ciclistas, o director desportivo salientou que no caso de Rafael Reis podemos estar perante um "bom corredor de provas de um dia", não esquecendo, naturalmente, a característica que, para já, mais o destaca: o contra-relógio. "Além de ser um bom rolador, creio que pode ser um bom corredor de provas de um dia. A equipa tem um calendário muito internacional e em corridas de um dia. A sua contribuição poderá ser muito importante", explicou.

Aos 24 anos, Rafael Reis concretizou mais um objectivo na carreira ao assinar por uma equipa Profissional Continental e Goikoetxea elegeu-o logo para a primeira corrida da Caja Rural em 2017: "[O Rafael] chega [a San Juan] em boa forma e vamos ver se faz um bom contra-relógio [na terceira etapa] e pode surpreender nalguma fuga ou arrancando perto da meta"

A primeira etapa acabou por ser algo azarada para Rafael Reis, pois juntamente com outros ciclistas, incluindo o colega e líder Sergio Pardilla, seguiu pelo caminho errado no último quilómetro, o que o obrigou a fazer um corta-mato para conseguir chegar à meta (Fernando Gaviria, da QuickStep-Floors, foi o vencedor e deverá ser dado o mesmo tempo a todos os ciclistas).

A equipa espanhola tem um longo historial de contratação de ciclistas portugueses. Os gémeos Gonçalves, Ricardo Vilela, o já referido André Cardoso, Manuel Cardoso, Vítor Rodrigues... É óbvia a atenção com que os responsáveis da Caja Rural seguem os ciclistas lusos. Goikoetxea afirmou que "certamente que haverá" mais talento para explorar em Portugal, mas sendo uma equipa espanhola, não podem contar apenas com ciclistas portugueses.

A Caja Rural conta em 2017, além de Rafael Reis, com 13 espanhóis - com destaque para o veterano David Arroyo (37 anos) e Eduard Prades (29) - dois americanos, um uruguaio, um australiano e uma das mais surpreendentes contratações do ano: o russo Yuri Trofimov, que aos 32 anos apostou numa grande mudança, depois de cinco temporadas na Katusha e a última na Tinkoff.

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19 de janeiro de 2017

Rafael Reis fará estreia pela Caja Rural na Argentina

(Fotografia: Caja Rural)
Rafael Reis deu mais um passo rumo ao seu objectivo de estar entre os melhores. Este ano regressou à Caja Rural, depois de por lá ter passado ainda na fase de formação. Aos 24 anos sabe que é um salto importante, até porque a equipa espanhola tem sido um conjunto por onde passaram para alguns ciclistas que conseguiram ter uma boa carreira. E claro, há o exemplo recente de José Gonçalves, que depois de dois anos na Caja Rural, assinou pela Katusha-Alpecin, entrando assim no World Tour.

Nem tudo tem corrido bem ao ciclista de Palmela, mas na W52-FC Porto, Rafael Reis reapareceu ao melhor nível e logo com oito vitórias (foi o ciclista que mais ganhou em Portugal em 2016), entre elas a vitória no prólogo da Volta a Portugal, que lhe valeu a camisola amarela por um dia. Terminou o ano como número um do ranking nacional e com a ambição de ir para uma equipa de escalão superior, apesar de admitir que a W52-FC Porto foi a equipa ideal para confirmar a sua qualidade.

No entanto, Rafael Reis sempre quis mais e na segunda-feira terá a oportunidade de iniciar uma nova fase da carreira, na qual poderá estar muito mais vezes ao lado de alguns dos melhores ciclistas da actualidade como Vincenzo Nibali, Bauke Mollema, Elia Viviani e Rui Costa, quatro dos grandes nomes que estarão na Volta a San Juan. Será na corrida argentina, que o ciclista português terá a oportunidade para começar a mostrar-se, agora numa equipa Profissional Continental, não sendo de estranhar que o seu objectivo seja desde logo mostrar-se no contra-relógio, na terceira etapa.

"Sinto-me bem. Consegui treinar bem e estou ansioso para tentar [mostrar-me] no contra-relógio. No entanto, não fiz muitas corridas contra equipas do World Tour, por isso, não quero colocar muita pressão em mim. O mais importante é que a equipa esteja bem", referiu Rafael Reis, em declarações ao site da Caja Rural.

Com o ciclista português viajaram Jonathan Lastra, Miguel Ángel Benito, Sergio Pardilla, Antonio Molina e Héctor Sáez. "Vamos à Volta a San Juan com uma equipa muito equilibrada, com ciclistas com características tanto para as etapas planas e montanhosas. Será a primeira corrida do ano para nós e temos de esperar para ver como a corrida irá desenvolver-se, antes de começar a olhar para a classificação geral", salientou Eugenio Goikoetxea, director desportivo da Caja Rural.


17 de outubro de 2016

Quem foi o melhor ciclista português em 2016?

Os Mundiais do Qatar como que encerraram a temporada, ainda que estejam agendadas mais algumas competições secundárias. Em Portugal está mesmo fechada depois do Festival de Pista de Tavira e a maioria dos portugueses que estão em equipas estrangeiras também já estão de férias. Estamos na fase em que muitos ainda estão a resolver o seu futuro para 2017, mas vamos recordar 2016, elegendo que foi o melhor ciclista português. O Volta ao Ciclismo lança o desafio, com cinco finalistas a estarem em votação. Veja quem são e vote na sondagem colocada na coluna da direita do blogue.

José Gonçalves (27 anos, Caja Rural)
Até à Volta a Portugal, o ciclista de Barcelos estava a realizar mais uma excelente temporada. José Gonçalves conquistou a sua primeira grande vitória numa corrida por etapas ao vencer a Volta à Turquia. Venceu também uma etapa na Volta a Portugal - terminou na 23ª posição - e outra no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Foi ainda quarto nos Campeonatos Nacionais, somando várias boas exibições noutras competições pela equipa espanhola. Também ganhou o Campeonato Nacional de Rampa, em Palmela. No entanto, o final de época é para esquecer: desistiu da Volta a Espanha devido a fadiga muscular, o mesmo problema afectou nos Europeus (foi 68º) e uma queda acabou com a sua participação nos Mundiais. No entanto, a boa temporada e, claro, a qualidade já reconhecida há algum tempo, valeu-lhe um contrato com uma equipa World Tour. Irá representar a Katusha em 2017.

Nelson Oliveira (27 anos, Movistar)
O primeiro ano na Movistar foi extremamente positivo. Nelson Oliveira tornou-se num dos homens de confiança de Nairo Quintana e esteve na Volta a França. As coisas não correram bem para o seu líder, mas o português aproveitou a oportunidade para mostrar a sua evolução como contra-relogista, conseguindo o terceiro lugar, atrás de Tom Dumoulin e Chris Froome. Como gregário cumpriu à risca o trabalho que lhe foi pedido. Mas Nelson não se ficou por aqui. Conseguiu um diploma olímpico com o sétimo posto no contra-relógio no Rio de Janeiro e foi quarto nos Europeus, falhando o pódio por 17 segundos. Pelo meio venceu pela quarta-vez o título nacional da especialidade. O único senão da temporada de Nelson Oliveira acabou por ser a queda no Paris-Roubaix, que o obrigou a abandonar e a parar algumas semanas, tendo também desistido na prova em linha dos Mundiais, depois de ter sido 20º no contra-relógio. Este último resultado não foi uma surpresa dado o percurso, ainda assim, o português ficou desiludido.

Rafael Reis (24 anos, W52-FC Porto)
       Foto: Volta a Portugal
O ciclista de Palmela fez de 2016 o seu ano de confirmação. A mudança para a W52-FC Porto não podia ter sido mais acertada, pois encontrou a estabilidade emocional necessária, assim como companheiros importantes para o seu desenvolvimento como atleta. Rafael Reis evoluiu bastante no contra-relógio, uma especialidade que quer continuar a trabalhar, mas também foi importante no domínio da sua equipa na Volta a Portugal e noutras provas ao longo do ano. É o ciclista com mais vitórias em Portugal, oito (entre elas o prólogo da Volta, que lhe permitiu vestir a camisola amarela por um dia), o que lhe valeu o número um do ranking nacional. Foi ainda terceiro no contra-relógio dos Campeonatos Nacionais (atrás de Nelson Oliveira e José Mendes). Aos 24 anos, Rafael Reis ambiciona agora muito mais e é um dos ciclistas ainda com futuro por definir, havendo rumores que poderá deixar a formação do Sobrado para rumar ao estrangeiro, como aliás não esconde ser a sua ambição.

Rui Costa (30 anos, Lampre-Merida)
Uma época consistente, mas sem a muito ambicionada vitória de etapa na Volta a França. Rui Costa mudou este ano os seus objectivos de um top dez no Tour e esteve perto em duas ocasiões de somar a quarta vitória numa tirada, mas acabou em segundo e quinto lugar nesses dias. Foi 49º na geral, mas quinto na classificação da montanha. No entanto, a temporada do campeão do mundo de 2013 não se resume ao Tour. Não venceu, é certo, mas a sua regularidade continua a ser impressionante: quinto na Volta a Omã, 10º no Paris-Nice, sétimo na Volta ao País Basco, 10º na Flèche Wallone, sexto na Volta à Romandia, sétimo na Volta à Suíça, 10º nos Jogos Olímpicos e sexto nos Europeus. E claro, o ponto alto foi o terceiro lugar na Liège-Bastogne-Liège, o monumento preferido e que tanto ambiciona ganhar. Esta consistência de resultados fez com que apesar da Lampre-Merida ter sido comprada por uma empresa chinesa, Rui Costa tenha sido convidado a permanecer na estrutura como um dos líderes da equipa.

Rui Vinhas (29 anos, W52-FC Porto)
Foto: Volta a Portugal
De gregário a vencedor da Volta a Portugal. Rui Vinhas é o autor de uma das histórias que marcará o ciclismo nacional. Preparado para tentar levar Gustavo Veloso ao terceiro triunfo consecutivo na principal prova portuguesa, uma fuga na terceira etapa deixou-o com a camisola amarela e com tempo de vantagem para o fazer sonhar. A sua humildade e lealdade para com Veloso vinha ao de cima sempre que o questionavam sobre quem era o líder. Porém, aguentou-se como líder até ao contra-relógio final, tendo feito nesse dia uma excelente prestação que permitiu confirmar a surpresa. Rui Vinhas venceu ainda um dos circuitos que fecham a temporada e antes da Volta tinha feito algumas boas exibições, que lhe valeram, por exemplo, o nono lugar na classificação da montanha na Volta a Castela e Leão e a vitória nessa mesma classificação no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. A W52-FC Porto não só tem um gregário de elevada qualidade, como ganhou um ciclista motivado para tentar outro tipo de resultados, se a oportunidade surgir.

»»José Gonçalves: "Na Katusha gostaria de ter liberdade numa ou noutra corrida"««

»»Nelson Oliveira: "Vou dar o meu máximo para obter um bom resultado, mas não quero dar esperanças aos portugueses de um top dez ou um top cinco"««

»»Rafael Reis: "A W52-FC Porto foi mesmo uma boa opção para mim"««

»»Primeiro monumento para a Sky... e a vitória ali tão perto para Rui Costa««

»»Rui Vinhas: "Todos os gregários deviam ter um momento de glória como eu tive"««

7 de outubro de 2016

Rafael Reis o melhor do ano. W52-FC Porto confirma domínio

Rafael Reis tem mais uma distinção para premiar a sua excelente temporada. O ciclista de Palmela viu confirmada a sua liderança no ranking nacional neste final de temporada com 732 pontos, os mesmos que Joni Brandão (Efapel). No entanto, o maior número de vitórias, oito, acabou por fazer diferença para Rafael Reis, que chegou este ano à W52-FC Porto e confirmou todo o seu potencial.

Desde o início de 2016 que Rafael Reis foi somando vitórias, algumas na sua especialidade, o contra-relógio. Entre os triunfos destaca-se a Volta à Bairrada, o Grande Prémio Jornal de Notícias e um dos grandes momentos foi a vitória no prólogo da Volta a Portugal que lhe permitiu envergar a camisola amarela por um dia.

Quanto à W52-FC Porto, a liderança no ranking é mais do que natural. A equipa do Sobrado mostrou ser a mais forte, pois além de Rafael Reis, Gustavo Veloso também somou alguns triunfos e, claro, Rui Vinhas venceu a Volta a Portugal, com o galego a ficar na segunda posição. A Efapel foi a equipa que mais se aproximou, ainda assim mais de mil pontos separam as formações.

Ivo Oliveira (Liberty Seguros/Carglass) foi o melhor jovem de 2016, pois entre os sub-23 foi quem ficou melhor classificado no ranking, na 29ª posição.

Confirme os rankings finais:

Individual

1º Rafael Reis (W52-FC Porto), 732 pontos 
2º Joni Brandão (Efapel), 732 
3º Gustavo César Veloso (W52-FC Porto), 726 
4º Raul Alarcón (W52-FC Porto), 666 
5º Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé), 640 
6º Amaro Antunes (LA Alumínios-Antarte), 461 
7º Daniel Mestre (Efapel), 456 
8º Daniel Silva (Rádio Popular-Boavista), 422 
9º Rui Vinhas (W52-FC Porto), 409 
10º Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira), 389

Equipas

1ª W52-FC Porto, 2854 pontos 
2ª Efapel, 1849 
3ª Louletano-Hospital de Loulé, 1125 
4ª Sporting-Tavira, 1032 
5ª LA Alumínios-Antarte, 1032

2 de outubro de 2016

Rampa de Palmela não era para brincadeiras e os eleitos para o Mundial não deram hipótese

José Gonçalves venceu o Campeonato Nacional de Rampa em Palmela
No miradouro ao lado do Castelo de Palmela a paisagem é de tirar a respiração. Ali no topo, junto às muralhas, só as placas dos 100 metros e 50 metros indicavam que algo se ia passar. Sobe-se um pouco mais. Junto à meta montava-se o pódio, afinal era dia de receber o Campeonato Nacional de Rampa. Não há o reboliço de uma Volta a Portugal ou Volta ao Algarve. Muito longe disso. A calma é total entre habitantes e os próprios ciclistas. Bom... talvez os noivos que se preparavam para dar o nó pudessem ser os únicos um pouco nervosos.

Descendo a rua, já com as instruções de como chegar ao centro, onde estarão os ciclistas, começa um percurso grande parte em empedrado. Em certos momentos, cuidado. Sapatos errados e lá vai uma escorregadela. E é melhor nem pensar como será quando chove! Faz-se uma paragem e olha-se para cima. "Quantos pratos de massa terão comido os corredores para subir isto?", questiona-se, mentalmente, meio a brincar, meio a sério. A caminhada no empedrado é cerca de um quilómetro até ao centro, mas a partida ainda está a mais um de distância. Nesta prova é sempre a subir. Não é para todos e claramente foi pouco atractiva para as principais equipas portuguesas, ainda mais no final de uma temporada que já vai longa. Só o Sporting-Tavira apareceu em peso com ciclistas de vários escalões. Entre os nove atletas de elite que se inscreveram, três eram da equipa algarvia.

Neste sábado, até podiam ter levado toda a equipa e mesmo assim o nome que mais se ouviria em Palmela seria o de Rafael Reis (W52-FC Porto). O ciclista da casa, foi cumprimentado por muitos e falado por quase todos. Quando se voltou a fazer a caminhada rampa acima, a pergunta que mais se ouvia era: "Quando parte o Rafael?" Mas houve um bónus nesta prova. E que bónus. Os gémeos Gonçalves apareceram e escusado será dizer se Rafael era o mais aguardado, quando os equipamentos verdes da Caja Rural se viam, os aplausos foram muitos, comprovando a popularidade de José e Domingos. Ninguém arriscava muito tentar dizer um nome, é que lado a lado já não é fácil distingui-los, equipados é quase impossível se não se souber o dorsal!

José desistiu na 11ª etapa da Vuelta e depois só fez os Europeus, pelo que tenta fazer quilómetros a pensar na presença nos Mundiais do Qatar. Domingos acompanha o irmão e também já não compete desde 17 de Setembro, quando não completou o Memorial Marco Pantani. E para Domingos ainda há a questão de estar em final de contrato e sem futuro definido.

Mas em Palmela não se falava em contratos, falava-se... "Para a direita, para a direita, é mais fácil!" iam-se ouvindo os conselhos de quem conhece aquelas ruas como a palma da mão e tentava ajudar indicando onde o empedrado era menos agressivo. Diga-se que, ainda assim, ser menos agressivo era relativo, numa subida que tinha 8,6% de pendente média, mas claramente com zonas a ultrapassar, e bem, os 10%.

Quando os ciclistas entravam naquelas ruas acolhedoras já vinham com mais de um quilómetro em esforço intenso. Podia-se gritar para a direita ou para a esquerda o mais alto que se conseguisse, mas o rosto de muitos não conseguia esconder o sofrimento. Alguns nem pareciam aperceber-se de quem os tentava apoiar.

Junto às portas, nas janelas, numa ou outra esplanada, houve quem saísse à rua para aplaudir. Não foram muitos. Talvez por ter sido a primeira vez. Aproveitava-se aqui e ali para falar de ciclismo que afinal pode não competir com o futebol, mas continua a mover muitas paixões. E a verdade é que esta rampa de Palmela tem um potencial atractivo muito interessante e há que esperar que a competição até possa ser explorada através de melhor marketing para chamar mais adeptos, o que ajudará, naturalmente, se aparecerem mais nomes fortes do pelotão nacional. Tudo a seu a tempo, talvez...

Para quem assistiu foi uma tarde calma, em que pode ver de perto os ciclistas. Poucos, mas dedicados. Para os corredores foi um dia com algum sofrimento, principalmente para os mais novos, pois na elite a descontracção de final de temporada era mais do que notória.

Homens do pódio: José Gonçalves, Luís Mendonça (elite)
e os juniores Daniel Viegas e João Almeida
O homem da casa, Rafael Reis, não faltou à chamada - foi o único da sua equipa - mas não estando a 100% fisicamente, mesmo sendo um especialista no contra-relógio e conhecendo como ninguém aquelas ruas, apenas foi sexto a 26 segundos do vencedor José Gonçalves, que completou os 2,22 quilómetros em 4:29 minutos. Luís Mendonça (Sicasal/Constantinos/UDO) foi segundo a sete segundos - o ciclista participou na Volta a Portugal pela equipa brasileira da Funvic Soul Cycles-Carrefour - e a fechar o pódio esteve um dos homens do Sporting-Tavira, Valter Pereira, a 17 segundos.

Nos sub-23 e nos juniores também se destacaram ciclistas que vão estar nos Mundiais do Qatars. César Martingil ganhou com 4:41 minutos nos sub-23, enquanto nos juniores João Almeida (Bairrada) venceu com 4:48 seguindo-se o colega e também parceiro de viagem até ao Médio Oriente, Daniel Viegas, que ficou a 19 segundos.

O pódio dos campeões em Palmela
A prova era aberta a quem quisesse tentar a sua sorte, distribuídos pela categorias de Masters 30, 40, 50 e 60. Paulo Simões (Viveiros Vítor Lourenço/Sintra) com 5:04 minutos, Alberto Almaral (Batotas/Ponte de Lima) com 4:58,  Vítor Lourenço (Viveiros Vítor Lourenço/Sintra) com 5:31 e Manuel Domingos (Casa do Benfica em Almodôvar) com 6:41 foram os vencedores nas respectivas categorias.

Só as senhoras não tiveram direito a camisolas de campeãs nacionais, pois apenas duas aparecerem. Fátima Vida (ProRebordosa/Garrafeira Gome) completou a distância em 9:14 minutos e ficou com a medalha na elite e Marta Branco (ASC/Focus Team-Vila do Conde) com o tempo 6:36 venceu em juniores.

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8 de setembro de 2016

"A W52-FC Porto foi mesmo uma boa opção para mim"

(Fotografia: Volta a Portugal)
Rafael Reis despontou. Desde o início da temporada que o nome do jovem ciclista tem sido dos mais falados e não é por acaso. Apareceu em grande na W52-FC Porto e soma oito vitórias em 2016. Rafael não esconde a alegria pela temporada que está a realizar: "Tive a felicidade de encontrar o Nuno Ribeiro [director desportivo] e esta equipa que me tem ajudado bastante. Neste momento sou o corredor com mais vitórias em Portugal e isso é um reflexo da ajuda que tenho tido por parte dos meus colegas."

Portanto, Rafael Reis não tem qualquer dúvida: "A W52-FC Porto foi mesmo uma boa opção para mim." Com 24 anos, o ciclista concorda que 2016 foi o ano da sua confirmação, comprovando que a troca do Tavira pela equipa do Sobrado foi a escolha mais acertada para a sua promissora carreira. "Realmente tem sido um ano bastante positivo, felizmente, porque as coisas às vezes não são muito fáceis. Quando estamos bem toda a gente nos ajuda, quando estamos piores... já não nos dão palmadinhas nas costas", afirmou ao Volta ao Ciclismo.

Cada vez mais a afirmar-se como um contra-relogista de futuro, foi um Rafael claramente feliz na W52-FC Porto que somou triunfos, alguns precisamente no esforço individual. Na Volta a Portugal venceu o prólogo e vestiu a camisola amarela. Rafael considera que ser um bom contra-relogista não é um dom, mas é uma característica com a qual "se tem de nascer", apesar de ter de ser muito trabalhada. E mais uma vez, não poupa os elogios: "O Gustavo [Veloso] é um ciclista com muita qualidade e com ele também aprendi muito e a minha evolução deve-se a todos aqui na equipa e principalmente ao Gustavo, ao Nuno... bem, a todos!"

"Desde as camadas jovens tenho conseguido ser campeão nacional. Falta-me em elite. Porém, penso que ainda tenho uns aninhos para conseguir... O Nelson [Oliveira] é um osso duro de roer"

Se o contra-relógio é a sua especialidade, então um dos seus objectivos tinha de passar por conquistar o título de campeão nacional. "Desde as camadas jovens tenho conseguido ser campeão nacional. Falta-me em elite. Porém, penso que ainda tenho uns aninhos para conseguir... O Nelson [Oliveira] é um osso duro de roer", brincou, referindo-se ao facto de nos últimos anos ter sido quase impossível bater o ciclista da Movistar, que foi sétimo nos Jogos Olímpicos. Mas Rafael sabe que está num bom caminho, pois este ano foi terceiro, atrás do inevitável Nelson Oliveira (que já soma quatro títulos) e José Mendes (que viria a sagrar-se campeão nacional da prova de fundo).

A ambição de melhorar e de estar nas grandes clássicas

Rafael Reis não hesita em apontar a sua fraqueza: a montanha. "Acho que tenho melhorado bastante e vou continuar a trabalhar essa parte", frisou. No entanto, diz não se sentir, para já, um voltista, preferindo as corridas de um dia ou de cinco. "Penso que me favorecem e que posso especializar-me nisso", referiu, pensando, naturalmente, num dia competir nas clássicas internacionais. Até lá, dá o exemplo de provas que aprecia, como o Grande Prémio Jornal de Notícias e a Volta à Bairrada, competições que conquistou este ano. "Nunca preparei a Volta a Portugal como preparei uma prova de três/cinco dias. A Volta preparei para trabalhar para a equipa e é muito diferente treinar para isso ou para ganhar", explicou.

"Sempre quis subir para uma equipa que faça corridas internacionais. Se aparecer uma boa oportunidade, não vou negar"

Com a temporada a terminar, Rafael Reis pensa agora em tentar manter o primeiro lugar do ranking nacional (foi apanhado por Joni Brandão após a Volta a Portugal, somando os dois 732 pontos), mas também olha mais além, nomeadamente para 2017. "Sempre quis subir para uma equipa que faça corridas internacionais. Se aparecer uma boa oportunidade, não vou negar", garantiu.

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27 de julho de 2016

Rafael Reis não tem futuro em Portugal

(Fotografia: Volta a Portugal)
Não é algo que se escreva com base em 3,6 quilómetros em Oliveira de Azeméis. Estes últimos quilómetros acabaram por ser mais uma consagração (vestiu a camisola amarela) para um jovem ciclista com um futuro que não poderá passar por Portugal. A evolução dos últimos anos e o potencial que continua por explorar em Rafael Reis, faz com que aos 24 anos o jovem de Palmela tenha certamente à sua espera uma carreira - que muito merece - além fronteiras.

No contra-relógio continua a afirmar-se cada vez mais como um grande talento e em Portugal já é difícil batê-lo. Este ano soma oito vitórias, a maioria precisamente no esforço individual e só nos Campeonatos Nacionais encontrou quem já está noutro nível, ainda que completamente acessível a Rafael Reis daqui a alguns anos: Nelson Oliveira (ciclista da Movistar). José Mendes (Bora-Aragon 18) relegou Rafael para terceiro, mas um título nacional de elite é algo que deverá acontecer com alguma naturalidade nos próximos anos. Não nos podemos esquecer que o cartão de visita de Rafael foi apresentado em 2014, quando foi quarto nos Mundiais de Ponferrada, em sub-23 (já era campeão nacional daquele escalão).

Mas na Volta a Portugal voltou a impor a sua superioridade que só o companheiro e líder da W52-FC Porto parecia ter capacidade de a colocar em causa. No entanto, Gustavo Veloso teve um furo e foi obrigado a trocar de bicicleta. Rafael Reis acaba por ser um justo primeiro líder, numa perspectiva de tudo o que já fez este ano, que o colocam como líder o ranking nacional. Não há qualquer discussão de Rafael ameaçar a liderança de Veloso. A equipa portista tem como único objectivo levar o galego à terceira vitória consecutiva na Volta a França. São apenas 11 segundos de diferença. Porém, pelo menos na primeira etapa, Rafael Reis poderá mostrar um sorriso de quem tem a camisola amarela vestida. E talvez até consiga mantê-la mais um ou outro dia, pois o jovem da W52-FC Porto também tem evoluído na montanha.

Quem também estará certamente feliz será Joni Brandão. O líder da Efapel teve um resultado muito animador no contra-relógio, uma modalidade que não é de todo o seu forte, mas neste prólogo foi o melhor entre os candidatos à geral. Com diferenças tão curtas, não há razões para grandes festas. Mas lá que deve ser motivador, certamente que o é.

1ª etapa: Ovar - Braga (167,4 quilómetros)


Ao segundo dia não haverá descanso. A etapa será bastante sinuosa e terá um segunda categoria antes da descida final até à meta em Braga, com destaque para o difícil circuito Bom Jesus/Sameiro/Falperra, que será ultrapassado duas vezes. Santa Maria da Feira, Gondomar, Valongo, Paredes, Santo Tirso e Famalicão serão municípios em festa com a recepção do pelotão.

24 de junho de 2016

Nelson Oliveira dominador e uma super Movistar

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Nelson Oliveira continua a ser o melhor contra-relogista português. Para que não existam dúvidas, o ciclista vai somando títulos nacionais. E já lá vão quatro (também tem um na prova em linha). Mas o título de Nelson confirma muito mais do que o seu estatuto em Portugal, confirma como a Movistar é uma super equipa no que diz respeito a esta vertente do ciclismo. E confirma ainda como foi acertada a decisão de Nelson em trocar a Lampre-Merida pelo conjunto espanhol. Na Movistar tem a possibilidade de explorar e melhorar todo o seu potencial como contra-relogista.

A Movistar poderá ter na Volta a França três campeões nacionais de contra-relógio e outros tantos que poderiam ter sido. A equipa que apoiará Nairo Quintana ainda não foi anunciada, mas chegará ao Tour com muitos ciclistas motivados. E ainda falta a prova em linha dos Campeonatos Nacionais. Além de Nelson Oliveira, Ion Izagirre foi campeão em Espanha e Alex Dowsett na Grã-Bretanha. Para o espanhol foi o primeiro título, para o britânico o quarto. Não que fosse preciso, mas para comprovar ainda mais o poderio da Movistar, o pódio em Espanha foi todo da equipa: Jonathan Castroviejo (a 22 segundos) foi segundo e Alejandro Valverde (a 25) terceiro. Um pouco mais longe a nível de tempo ficou Jesús Herrada, a 1:22 minutos, que ainda assim lhe valeu o quarto posto.

Mas continuando nos pódios e viajando até à Alemanha, o jovem Jasha Sütterlin (23 anos) ficou em segundo lugar,  a 1:39 minutos atrás do inevitável Tony Martin (Ettix-QuickStep).

Este trabalho da Movistar nos contra-relógios já há alguns anos que impõe respeito aos adversários. Rui Costa, por exemplo, foi um dos ciclistas que beneficiou do treino específico que a equipa espanhola faz, até assinar pela Lampre-Merida. Mais recente temos um Nairo Quintana que parece estar preparado para se defender muito bem quando enfrentar os contra-relógios na Volta a França.

Regressando a Nelson Oliveira, o ciclista da Anadia conhecia bem o circuito de Braga, já que era igual ao de há um ano. Foi o terceiro título consecutivo, depois de ter conquistado o primeiro em 2011. O número coloca Nelson Oliveira como recordista de conquistas nacionais de contra-relógio, batendo um dos grandes nomes do ciclismo português: José Azevedo (1996, 1997 e 2001).

José Mendes (Bora-Argon) foi segundo ficando a 1:13 minutos de Nelson Oliveira, que cumpriu o circuito de quatro voltas de 36 quilómetros em 43:50. À mesma distância ficou Rafael Reis (W52-FC Porto), que completou o pódio. Aos 23 anos, o ciclista - que foi quarto classificado nos Mundiais de Ponferrada em 2014, na categoria de sub-23 - deixou já a sua marca na elite, naquele que está a ser um ano muito positivo para Rafael Reis. Ao fim da primeira volta até era líder, mas Nelson Oliveira acabou por ser superior nas restantes três.

Em sub-23, o campeão nacional foi Gaspar Gonçalves, da Liberty Seguros/Carglass. A equipa contou ainda com Ivo Oliveira no terceiro lugar, a 22 segundos do colega, que finalizou os 27 quilómetros em 34:20 minutos. Em segundo ficou Jorge Magalhães (Anicolor), com mais 14 segundos.

CALENDÁRIO:

Sábado (25): prova em linha sub-23, 14 horas;


Domingo (26): prova em linha elite, 11 horas.

23 de junho de 2016

Nacionais de Estrada sem campeão, mas com candidatos a prometer espectáculo

Nelson Oliveira e Rafael Reis. É uma das lutas que mais interesse terá nos Campeonatos Nacionais de Estrada que se realizam de sexta-feira a domingo. Com o percurso idêntico ao do ano passado e sem o mais conceituado ciclista português da actualidade e campeão em título - Rui Costa abdicou de estar presente -, ainda assim estes Nacionais terão alguns pontos de interesse. Mas este "frente-a-frente" no contra-relógio tem tudo para ser um dos grandes momentos destes Nacionais.

Aos 23 anos, Rafael Reis é um ciclista em ascensão. Trocou o Tavira pelo W52-FC Porto e a mudança fez-lhe muito bem. Tem sido um dos ciclistas em destaque esta temporada em Portugal, somando bons resultados que lhe valem a liderança no ranking nacional. Entre as vitórias que já tem, destaca-se a recente conquista do Grande Prémio Jornal de Notícias que certamente o motivou ainda mais tanto para estes Nacionais como para a Volta a Portugal.

Rafael Reis é considerado um talento com grande futuro. E claro que ajudou o quarto lugar no contra-relógio dos Mundiais em 2014, em sub-23. Porém, o ciclista português soube continuar a evoluir e tem comprovado toda a expectativa que desde então se foi criando. Em Braga tem a oportunidade de conquistar o seu primeiro grande título de elite e apesar da sua juventude, Rafael Reis tem demonstrado muita maturidade.

Um aviso para Nelson Oliveira, o grande favorito a conquistar mais um título e este ano tentará repetir a dobradinha de 2014, quando conquistou o contra-relógio e a prova em linha. A cumprir a primeira temporada na Movistar, a queda no Paris-Roubaix acabou por lhe estragar parte da temporada. Porém, está na pré-selecção para a Volta a França e Nelson Oliveira talvez tenha em Portugal a possibilidade de mostrar que é alguém que Nairo Quintana quererá ter a seu lado.

Um especialista no contra-relógio, campeão nacional em 2011, 2014 e 2015, aos 27 anos Nelson Oliveira foi para uma das equipas que melhor trabalha esta modalidade. Quintana é um exemplo disso. O colombiano tinha muitas dificuldades, mas agora não só se defende bem, como surpreendeu todos ao vencer o esforço individual na Route du Sud. Portanto, é de imaginar que um especialista como Nelson Oliveira tenha tudo para finalmente se afirmar como um dos melhores do mundo. Terá a sua oportunidade nos Jogos Olímpicos e nos Mundiais, mas para já quererá certamente renovar a coroa nacional.

Tem a experiência do seu lado, mas Rafael Reis promete não só seguir as pisadas de Nelson Oliveira, como tem tudo para se tornar num rival de respeito neste encontro na estrada bracarense. 

Sem Rui Costa e Tiago Machado, mas com muitos candidatos

Se no contra-relógio dois nomes apresentam-se como grandes favoritos, já na prova em linha está tudo muito em aberto. Rui Costa decidiu não vir defender o título de 2015. Tiago Machado tenta recuperar a forma depois de uma virose que o forçou a abandonar a Volta a Suíça e também é uma ausência de luxo. Mas se há algo que o ciclismo português tem de bom é o número cada vez maior de atletas de grande qualidade, o que aumenta o interesse nestes Nacionais.

José Gonçalves tem estado irrepreensível em 2016. A vitória na Volta à Turquia foi o culminar de grandes exibições pela Caja Rural. Se no ano passado, com as performances na Vuelta, o português colocou definitivamente o seu nome na rota do World Tour, com a excelente conquista da prova turca será difícil não ver José Gonçalves chegar ao principal escalão muito em breve. Um título nacional assentar-lhe-ia bem e é desde logo um dos principais candidatos. No entanto, tem uma concorrência do próprio colega de equipa Ricardo Vilela e cuidado com o gémeo Domingos Gonçalves que em 2011 foi segundo nos Nacionais. André Cardoso (Cannondale), Bruno Pires (Team Roth) e José Mendes (Bora-Argon 18) são os restantes "emigrantes" e todos eles candidatos de peso.

Mas olhando para o pelotão nacional, há um Joni Brandão (Efapel) a realizar uma grande temporada, rumo ao sonho de ganhar a Volta a Portugal. O ciclista de Santa Maria da Feira tem somado vitórias moralizadoras e foi campeão em 2013. Há um ano foi batido por Rui Costa e terá alguma contas a ajustar em Braga. É definitivamente um dos grandes favoritos.

Amaro Antunes (LA Alumínios-Antarte) teve um forte início de temporada com um excelente 10º lugar numa Volta ao Algarve recheada de estrelas internacionais. A restante época tem sido consistente e não será de admirar vê-lo entre os melhores. Alguma curiosidade para ver Frederico Figueiredo. O ciclista da Rádio Popular-Boavista tem feito uma evolução que já lhe vai dando reconhecimento além fronteiras. Tem resultados muito interessantes principalmente em Espanha, mas também na corrida francesa Route du Sud. Este ano parece apresentar-se em boa forma e porque não colocá-lo como um outsider de muito respeito.

CALENDÁRIO

Sexta-feira (24): contra-relógio sub-23, 11 horas; contra-relógio elite, 15 horas;

Sábado (25): prova em linha sub-23, 14 horas;

Domingo (26): prova em linha elite, 11 horas.