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26 de julho de 2018

Sagan e Gilbert, ciclistas da mesma estirpe

(Fotografia: © BORA-hansgrohe/Bettiniphoto)
Desistir não faz parte do vocabulário da maioria dos ciclistas. Multiplicam-se as histórias daqueles que ensanguentados, até com fracturas, acabam corridas, quando o comum dos mortais iria direitinho para o hospital. Porém, quando se está na mais icónica das corridas de três semanas, este tipo de postura ganha outra dimensão. O Tour começou logo com um Lawson Craddock a fracturar a omoplata e um corte no sobrolho transformou-se logo numa das imagens da competição. Ainda está em prova. Em dois dias, dois dos melhores ciclistas da actualidade mostraram do que são feitos. Philippe Gilbert e Peter Sagan são da mesma estirpe na forma como lutam, como acreditam, como nunca baixam os braços e como não há queda que os assuste.

Peter Sagan bem diz que a camisola verde só estará ganha quando cortar a meta em Paris, mesmo que matematicamente já esteja garantida. O eslovaco não é muito de quedas, mas numa das descidas da curta etapa dos Pirenéus (65 quilómetros) caiu a alta velocidade. Com o equipamento rasgado, sangue na perna e no braço e muito, muito dorido. Foi assim que terminou um dos dias mais difíceis do Tour. Pairou a possibilidade de abandono, mas Sagan lá estava em Trie-sur-Baïse para partir para a 18ª etapa e completar o que falta desta corrida.

Tentou sprintar pela vitória, mas faltou-lhe aquela explosão, numa preparação muito complicada para se colocar bem. Mas estava lá, a responder ao trabalho e apoio da Bora-Hansgrohe. Já tem três vitórias de etapa e a camisola verde. Aconteça o que acontecer, ganhe ou não em Paris, Sagan é uma das figuras deste Tour e mais uma vez um exemplo de profissionalismo.

E Gilbert então... 60 quilómetros com uma rótula partida?! O belga pode já não estar no seu melhor, mas continua a ser um senhor no pelotão e um elemento de extrema importância na Quick-Step Floors. Um verdadeiro capitão. Ia na liderança da 16ª etapa quando, numa descida, falhou uma curva, não evitou um choque com um muro baixo e foi parar do outro lado. Um enorme susto. Gilbert acabou a fazer sinal para a câmara que estava tudo bem. Estava? Acabou a etapa e ainda foi ao pódio para receber o prémio da combatividade. Os exames médicos confirmaram a fractura e só um joelho no estado que se pode ver na fotografia em baixo parou Gilbert.


Démare sob suspeita

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Não são perfeitos. Também já tiveram atitudes menos bonitas, mas Sagan e Gilbert são líderes de quem ninguém duvida. Arnaud Démare até poderia entrar neste grupo de lutadores. O francês tem sofrido tanto na montanha, escapado por pouco à exclusão por falhar o tempo limite, como aconteceu em 2017. Tudo para alcançar o que finalmente conseguiu: ganhar uma etapa. Até esta quinta-feira Démare foi falado mais por andar a lutar contra o tempo, do que propriamente por estar a fazer valer a aposta quase total da Groupama-FDJ nele, na ausência de Thibaut Pinot. Ganhou a etapa três dias depois do seu contrato ter sido renovado, mas mais uma vez tem uma grande vitória ensombrada por suspeitas de ter recebido ajuda do carro de equipa nas subidas.

Desta feita foi André Greipel quem as lançou. O alemão abandonou o Tour quando percebeu, nos Alpes, que não ia cumprir o tempo limite. Então foi logo bem claro: "Outros podem escolher agarrar-se ao carro de equipa, mas se eu não consegui chegar por mim próprio, então prefiro ir para casa. Não estou triste. Sou realista e um desportista justo." Já em casa a assistir à corrida, Greipel publicou um twit após a etapa dos 65 quilómetros: "Talvez alguém deva dizer à Groupama-FDJ e ao Arnaud Démare que há GPS para seguir [os ciclistas] no Tour. Tiro o chapéu por ter perdido apenas nove minutos para Quintana numa subida de 17 quilómetros." O sprinter da Lotto Soudal terminou com a hashtag #notforthefirsttime, isto é, "não foi a primeira vez".

Greipel está a referir-se à vitória de Démare no monumento da Milano-Sanremo em 2016. Então o francês foi acusado de ter recebido ajuda do carro de equipa para ultrapassar a Cipressa, depois de ter caído e ficado atrasado relativamente ao grupo da frente. Matteo Tosatto, então na Tinkoff, e Eros Capecchi, da Astana, serviram de testemunhas. Surgiram relatos que também um comissário teria visto Démare, mas o ciclista não recebeu qualquer sanção.

Na altura, como agora, Démare afirmou que há quem esteja na estrada para ver estas situações e este ano junta-se o vídeo-árbitro. Para o sprinter, ganhar esta quinta-feira em Pau foi a resposta perfeita a Greipel que, entretanto, apagou o twit. Num aspecto Démare tem razão, perante as palavras do alemão, a suspeita irá permanecer, mesmo que nada tenha feito de mal. Contudo, a fama e o respeito têm de ser construídos por ele e este tipo de acusações não estão a ajudar a um estatuto que Démare não está a conseguir conquistar. Também não ajudou que tenha ganho hoje com um "chega para lá" a Christophe Laporte (Cofidis). O problema deste tipo de suspeitas é que se torna difícil de não pensar que onde há fumo...

Mas vamos ao que é um facto e não suspeita. Foi a segunda vitória numa etapa no Tour, a primeira foi em 2017. E a Groupama-FDJ bem precisava dela. David Gaudu e Rudy Molard já se mostraram em fugas, mas sem resultados. Démare precisava corresponder à aposta com este triunfo e ainda faltam os Campos Elísios. Se lá chegar...

Pode ver aqui as classificações.

(O texto continua por baixo do vídeo.)




19ª etapa: Lourdes - Laruns, 200,5 quilómetros

Depois de um dia para ganhar fôlego - menos para Nairo Quintana (Movistar) que caiu e irá partir para a derradeira etapa de montanha algo dorido -, chegam os dois momentos decisivos. Antes do contra-relógio de 31 quilómetros, há 200,5 por percorrer, com passagem pelo mítico Tourmalet. 17 quilómetros com pendentes a chegar aos 10% e o topo a 2115 metros de altitude. Mas o Tourmalet está a meio da etapa. É o Col d'Aubisque  (16 quilómetros, com pendente média de 4,9%) que marca o final da montanha no Tour, ainda que a chegada esteja à distância de cerca de 20 quilómetros, depois dos ciclistas ultrapassarem a dificuldade.

Ao todo teremos duas quartas categorias, uma primeira, uma especial, uma segunda e outra especial. Mikel Landa (Movistar) lançou o repto que é preciso atacar cedo. Que assim seja. Que se jogue tudo, para deixar em aberto um contra-relógio complicado. Nem Geraint Thomas, nem a Sky dão o Tour como ganho, apesar do 1:59 sobre Tom Dumoulin (Sunweb). Se se juntar aquele Primoz Roglic (Lotto-Jumbo) de quarta-feira, naqueles intensos 65 quilómetros - o esloveno está à espreita de um surpreendente pódio -, então a Sky não terá sossego, mesmo com Chris Froome como gregário de luxo.



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28 de abril de 2018

Wolfpack, a história da alcunha da Quick-Step Floors que remonta a um gangue

(Fotografia: © Sigfrid Eggers/Quick-Step Floors)
"Wolfpack" tornou-se na nova imagem de marca da Quick-Step Floors. A ideia "pegou" há cerca de um ano, ganhou forna em 2018, ainda que seja utilizada no seio da equipa desde 2012. Este época foi criada uma comunidade, todo um merchandising e a hashtag #thewolfpack não mais deixou de ser utilizada pela equipa. Mas afinal como começou o "Woldfpack", alcateia em português? Até foi num gangue na Dinamarca, mas o objectivo no ciclismo foi mesmo o de representar a união e a lealdade. E a Quick-Step Floors tem sido o exemplo disso, com uma mentalidade em prol do colectivo que já lhe rendeu 27 vitórias em 2018.

"É uma imagem muito forte, não é? Não te ris quando o 'wolfpack' está a chegar. É um bom nome. Não queres ser conhecido como os 'White Ponies' (póneis brancos), pois não?"  Brian Holm, director desportivo da equipa, é o criador do nome e explicou ao Velonews como surgiu: "Começou em 2012 quando eu vim para a equipa. Foi um pouco por piada que comecei a utilizar [a expressão] em alguns e-mails. Quando eu estava a crescer, havia um gangue no meu bairro, em Copenhaga, que se chamava 'Wolfpack' e eram uns fulanos perigosos. Os ciclistas gostaram [do nome]. Ouvia-se na equipa há uns anos, mas no ano passado o Bob Jungels começou a dizê-lo durante a Volta a Itália. Depois, o Alessandro Tegner [director de marketing da Quick-Step Floors) fez uns chapéus. E a partir daí pegou."

Holm salientou como noutros desportos as equipas têm este tipo de nomes, exemplificando com o futebol americano, e têm também mascotes. Porém, no ciclismo não é habitual, sendo que de vez em quando nascem algumas alcunhas, mas nada que seja explorado comercialmente como está a ser o nome "Wolfpack". "Há algumas piadas dentro do pelotão. Há uma equipa a que chamam "os cabeleireiros", contou o director desportivo.

"Wolfpack" pretende destacar a lealdade, característica que Holm realçou ser algo enraizado na Quick-Step Floors. Foi criado o logótipo que surgiu nas camisolas e que de imediato chamou a atenção. O autocarro já tem a imagem, que entretanto se tornou a de uma comunidade, como a própria equipa quis. Quem pretender fazer parte, só precisa de se registar no site (aqui fica o link) e terá acesso a descontos, concursos e muito mais.

"Todos parecem felizes com o nome", disse Holm, que considera que esta alcateia até tem o seu macho alfa: "Philippe Gilbert, sem dúvida. Desde o primeiro dia em que chegou à equipa, ele tem sido um líder. Quem vês a correr sem luvas? É o Gilbert. Todos abanaram a cabeça quando ele atacou na Volta a Flandres, no ano passado. Ele conseguiu, certo? É um sacana duro de roer."

Depois de uma primavera excepcional, com a conquista de dois monumentos - a Volta a Flandres e a Liège-Bastogne-Liège -, chegou o momento de atacar as grandes voltas. E se para a geral poder-se-á não colocar ninguém como grande candidato, já para continuar a somar vitórias, a Quick-Step Floors apresenta-se fortíssima. Só para que não se duvide que esta equipa vai continuar "prego a fundo" à procura de vitórias, olhando para 2017, no Giro venceu cinco etapas (quatro por Fernando Gaviria e uma assinada por Bob Jungels), cinco no Tour (todas por Marcel Kittel) e seis na Vuelta (quatro por Matteo Trentin, uma por Julian Alaphilippe e outra por Yves Lampaert).

Uns ciclistas saíram, outros têm objectivos diferentes em 2018, mas esta Quick-Step Floors está a realizar uma época sensacional, dividindo vitórias entre os ciclistas mais experientes e até por aqueles que acabaram de chegar ao World Tour. Qual será o próximo ataque do "Wolfpack"?

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14 de abril de 2018

Valverde procura a vitória que lhe falta e Gilbert persegue um recorde

(Fotografia: Facebook Volta à Catalunha)
Respirámos fundo, recuperámos de um intenso Paris-Roubaix e de uma época de pavé com muito espectáculo e agora mergulhamos no mundo das Ardenas. Mudam a maioria dos protagonistas, mas prometem emoção e claro que as atenções vão centrar-se muito em Alejandro Valverde. O espanhol já tem sido a estrela desta semana de clássicas, que inclui a Amstel Gold Race, a Flèche Wallonne e a Liège-Bastogne-Liège, mas este ano está a reescrever uma página fantástica da sua já incrível história. E no dia 25 celebrará 38 anos.

A 1 de Julho temeu-se que a carreira de Valverde pudesse ter terminado, depois da grave queda no contra-relógio do Tour. O espanhol recuperou e regressou à sua senda vitoriosa: já são nove, contando com etapas, classificações gerais e montanha. Há algo que falta no seu currículo: a Amstel Gold Race. Tem cinco Flèche Wallonne e quatro Liège-Bastogne-Liège. Há três curiosidades que fazem com que Valverde vá receber muita atenção: será que vence finalmente a Amstel Gold Race; será que faz a tripla das Ardenas; será que bate o recorde de Eddy Merckx? Neste caso está a duas vitórias do belga na semana das Ardenas. Tem oito contra dez de Merckx, que venceu nas três corridas.

Mas fiquemos por agora pela competição que se realiza na Holanda. Há outro nome que procura uma marca história: Philippe Gilbert. O belga está a um triunfo de igualar o holandês Jan Raas, ou seja, cinco Amstel Gold Race. Não conseguiu o primeiro cinco do ano, isto é, ganhar a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix e assim ficar com os cinco monumentos, mas também admite não estar obcecado em ganhar este domingo. Aliás, avisa que a Quick-Step Floors tem outra arma a jogar: Julian Alaphilippe. Valverde tem andado a frustar o jovem belga nas outras duas corridas das Ardenas, mas já ficou mais do que claro que Alaphilippe é homem para se tornar numa figura destas clássicas na Holanda e Bélgica. E a equipa bem precisa de uma vitória, afinal há uma semana que não ganha!

Michal Kwiatkowski venceu em 2015 e foi segundo em 2017, atrás de Gilbert. O polaco da Sky já se tornou um candidato em praticamente todas as corridas em que participa. Porém, atenção. Mesmo muita atenção a Tim Wellens e Tiesj Benoot. Os dois ciclista da Lotto Soudal demonstraram na Brabantse Pijl que estão bem fisicamente. Primeiro e terceiro classificado. Estão entre os principais candidatos. E é melhor não desviar o olhar nem por instantes de Vincenzo Nibali. Ganhou a Milano-Sanremo e nem era um dos principais objectivos. Mas a semana das Ardenas é.

Peter Sagan está de regresso à Amstel Gold Race cinco anos depois. Chega à corrida confiante e com o pedregulho, troféu do Paris-Roubaix. Será a única corrida das Ardenas que fará, mas o eslovaco não sabe competir só para passear a sua camisola de campeão do mundo. E até tem um incentivo, pois uma vitória será uma bela forma de festejar a renovação de contrato do patrocinador Bora até 2021.

Dos homens que vêm da fase do pavé, é Greg van Avermaet quem estará mais pressionado. O belga da BMC está a zero e a temporada não tem estado a correr nada bem.

Atenção aos portugueses

Rui Costa tem esta semana como uma das suas preferidas do ano, tendo um especial apreço pela Liège-Bastogne-Liège, na qual já fez terceiro em 2016. A UAE Team Emirates levará também Daniel Martin e Diego Ulissi, mas será importante para o ciclista português obter um bom resultado, até porque tem uma posição a defender na estrutura, numa altura em que se continua sem saber que grandes volta ou grandes voltas irá fazer. Depois da queda no Paris-Nice, Rui Costa mostrou na Volta ao País Basco que estava a recuperar a boa forma.

Ruben Guerreiro também gosta destas corridas das Ardenas. Ele que foi terceiro na Liège-Bastogne-Liège em sub-23 há dois anos, em 2017 experimentou pela primeira vez na categoria de elite e ganhou experiência como pretendia a Trek-Segafredo. Este ano surge com um estatuto de maior relevo e o início de temporada tem sido bastante positivo, com aquele segundo lugar no Malhão a ser uma das suas grandes exibições. Terá Bauke Mollema como líder, mas o português poderá ter a sua oportunidade.

Pode ver aqui a lista de inscritos completa.

De referir que a semana das Ardenas também está no calendário World Tour feminino e Daniela Reis, da Doltcini-Van Eyck Sport, estará em prova na Amstel Gold Race.

O Cauberg tão longe



Serão 263 quilómetros entre Maastricht e Berg en Terblijt. O famoso Cauberg será passado três vezes, a última das quais a cerca de 20 quilómetros do fim. No entanto, o facto de já não ser o factor decisivo causa algumas dúvidas entre os ciclistas e alguns adeptos. Mas as corridas evoluem e não vão faltar motivos de interesse. E não será apenas o sobe e desce, os muros que farão a diferença. A organização irá colocar o pelotão a passar por estradas bem estreitas e já referiu que tal poderá fazer diferenças. Uma má colocação e a corrida pode ser perdida.




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1 de abril de 2018

Recital de Terpstra numa desunião que fortalece ainda mais a Quick-Step Floors

Terpstra ganhou o seu segundo monumento (Fotografia: Volta a Flandres)
Estavam todos mais do que avisados. A Quick-Step Floors era a equipa temida, com quatro ciclistas candidatos a ganhar e outros três de grande qualidade. No entanto, os adversários estiveram na Volta a Flandres a pensar em si, a controlar, por vezes a parecer terem mais medo do que os outros poderiam fazer, do que propriamente interessados em fazer algo. Quando a Quick-Step Floors mexeu - com um "incentivo" de Vincenzo Nibali - foi o filme de sempre: os restantes candidatos olharam para Peter Sagan. O eslovaco até tentou, mérito nisso. Mas foi tarde e completamente ineficaz. Os restantes pouco fizeram. Agradeceu a Quick-Step Floors. Foi perfeita e logo na primeira tentativa acertou. Niki Terpstra atacou a 30 quilómetros da meta, apanhou o trio da frente e lá foi ele.

Ganhar isolado é algo que sabe fazer tão bem. Não vence muito, mas o holandês tem um currículo de fazer inveja a muitos dos grandes nomes das clássicas. Este domingo juntou a Volta a Flandres ao Paris-Roubaix. Dois monumentos! Nem Peter Sagan, nem Greg van Avermaet, os dois principais nomes da actualidade das clássicas (juntamente com Philippe Gilbert), se podem gabar deste feito... Niki Terpstra também já tem duas Dwars door Vlaanderen (Através da Flandres), há pouco mais de uma semana conquistou o E3 Harelbeke e em provas por etapas tem o Eneco Tour, a Volta à Valónia e duas Voltas ao Qatar. E 2018 vai ser um ano que não irá esquecer, pois foi a terceira vitória em cinco semanas. Tudo começou no final de Fevereiro com o segundo triunfo na carreira no Le Samyn. Foi ainda três vezes campeão nacional.

21ª vitória esta temporada da Quick-Step Floors e sendo um conjunto que aposta muito forte nesta fase das clássicas - afinal é belga -, o director Patrick Levefere só viu os seus ciclistas deixar escapar a Gent-Wevelgem no seu país. Peter Sagan estragou os planos de Elia Viviani.

Terpstra era uma hipótese para a Flandres, Philippe Gilbert outra, Zdenek Stybar e Yves Lampaert mais duas. Que luxo! Há um ano Gilbert acelerou a mais de 50 quilómetros da meta e nunca mais ninguém o viu. Vitória épica. Desta vez foi uns quilómetros depois, mas a receita foi a mesma. A figura, desta feita, foi Niki Terpstra. 33 anos, oito na Quick-Step Floors. Não é dos ciclistas mais consistente em termos de resultados e desde que venceu o Paris-Roubaix, há quatro anos, que só de quando em vez apareceu. Agora está numa forma em tudo idêntica àquele 2014 e com a conquista da Flandres, ganhou novamente um lugar de destaque entre os candidatos para o monumento francês do próximo domingo.

Terpstra emocionou-se. Não escondeu como em criança via Roubaix e Flandres e sonhava em um dia lá estar. Em um dia vencer. Agora ganhou os dois míticos monumentos - desde Adrie van der Poel em 1986, que nenhum holandês não ganhava na Volta a Flandres - e ajudou a Quick-Step Floors a confirmar que pode ter perdido Tom Boonen, mas a retirada do belga apenas serviu para libertar todos os restantes ciclistas.

Deixou de existir um líder destacado e esta forma de haver espaço para todos lutarem por vitórias está a ser uma táctica perfeita. O Paris-Roubaix do próximo domingo fecha a fase das clássicas do pavé e ninguém parece encontrar forma de desestabilizar a estrutura belga. Para tal teriam de lutar com armas idênticas. E como nenhuma equipa tem o poderio da Quick-Step Floors, resta unir esforços entre rivais. Para isso terão de colocar os egos de parte e principalmente perceber que têm de trabalhar, mesmo com Peter Sagan, se quere discutir a vitória em Roubaix. Na Quick-Step Floors é a união que faz literalmente a força, contudo, ninguém esteve disponível na Flandres para se unir a adversários. Erro crasso.

Todos os líderes ficaram sozinhos, com a excepção da Sky. No entanto, optaram por tentar de quando em vez acelerar, mas sem ajudar quando outro o fazia. Sagan não está definitivamente disponível para levar ninguém na roda e, de repente, há quem nem consiga estar na discussão das corridas... O pior é que nem o tricampeão do mundo consegue. Nesta próxima semana haverá muito a pensar de como se irá encarar um Paris-Roubaix que ameaça ser chuvoso. A Quick-Step Floors volta a ser a grande candidata pelo seu todo. Os restantes terão de repensar se é individualmente que quererão enfrentar o pavé do Inferno do Norte.

A equipa belga colocou ainda Philippe Gilbert no pódio, com Mads Pedersen a ser o único do trio que esteve na frente que não perdeu o contacto com Terpstra quando este ultrapassou como se fosse de moto. Dylan van Baarle (Sky) e Sebastian Langeveld (EF Education First-Drapac) não são uns inexperientes neste tipo de corridas, mas foram banalizados por um irresistível Terpstra. 22 anos e Pedersen está a dar cada vez mais garantia a uma Trek-Segafredo que começa a não saber o que fazer com um John Degenkolb que mal se vê. Quando se vê.

Uma palavra para Wout van Aert. Na estreia na Volta a Flandres foi dos poucos que tentou mexer na corrida quando Terpstra saiu atrás de um surpreendente Vincenzo Nibali (o italiano quebrou logo a seguir, mas o 24º lugar é um excelente resultado para quem correu pela primeira vez nesta prova). Falta experiência ao jovem belga da Vérandas Willems-Crelan. Foi nono e tem todas as qualidades para um dia discutir a Flandres e o Paris-Roubaix.

A Quick-Step Floors fechou o top dez com Zdenek Stybar, mas há que referir o 13º classificado. É incrível como aconteceu tudo a Sep Vanmarcke (EF Education First-Drapac). Caiu, furou, teve problemas mecânicos e ainda assim foi juntamente com Wout van Aert e Sagan (sexto) quem mostrou querer fazer algo quando Terpstra já lá ia bem longe. Ao ver que ninguém ajudava, percebeu que o esforço era inglório.

Que venha o Paris-Roubaix. É uma corrida menos propensa a controlos como aconteceu na Flandres, pelo que jogar ao ataque é muitas vezes a melhor táctica. A Quick-Step Floors, que poderá apresentar exactamente o mesmo sete de Flandres, tem toda a vantagem para assumir esta forma de correr. Os adversários precisam de fazer mais do que olhar apenas para o que Peter Sagan e o escudeiro Daniel Oss fazem.

Quanto aos portugueses, Nelson Oliveira ainda chegou a aparecer no grupo principal, antes de este ficar reduzido aos principais candidatos. Foi 62º a 8:18 minutos. O colega da Movistar, Nuno Bico, abandonou, assim como José Gonçalves, da Katusha-Alpecin.

Classificação via ProCyclingStats.


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31 de março de 2018

Na Volta a Flandres não serão todos contra Sagan. O principal alvo será outro

Philippe Gilbert venceu a Volta a Flandres em 2017. Este ano é novamente
candidato, tal como quase todos os seus companheiros de equipa
Por uma vez não se pode dizer que será todos contra Peter Sagan. Pode estar inevitavelmente no topo da lista da favoritos na Volta a Flandres, contudo, esta época de clássicas tem sido marcada pela falta de um ciclista dominador, como foi Greg van Avermaet em 2017, por exemplo. No entanto, uma equipa que está a ser simplesmente irrepreensível e quase não houve clássica belga que lhe escapasse. A Quick-Step Floors será um alvo a abater porque dos sete corredores inscritos, quatro são candidatos e é melhor não tirar os olhos dos restantes três. É uma das edições em que não se pode destacar claramente um ou dois ciclistas. São vários os que surgem em condições de ganhar, mas falta saber como se irá jogar contra uma equipa tão perfeita neste tipo de provas e que irá obrigar os adversários a terem de controlar praticamente todos os seus corredores.

Esperam-se 264,7 quilómetros muito intensos entre Antuérpia e Oudenaarde. E fica já a boa notícia: o Eurosport vai transmitir toda a corrida, devendo começar às 9:15 (hora portuguesa, mais uma na Bélgica), com a prova a arrancar meia hora depois.

O circuito final que inclui duas passagens no Kwaremont e Paterberg é um momento muito esperado, mas é difícil, mesmo impossível, prever como estará a corrida quando aí se chegar, pois nessa altura já se estará a cerca de 50 quilómetros da meta. Há um ano foi quando faltavam cem que as movimentações começaram a revelar-se decisivas para Philippe Gilbert. Aos 121 quilómetros haverá uma primeira passagem no Kwaremont antes das duas da fase final. Esta subida tem 2,2 quilómetros, pendente máxima de 11,6%, mas média de 4% e tem uma parte em alcatrão e outra em pavé.

O Kapelmuur esteve ausente do percurso durante cinco anos, mas regressou em 2017 e volta a ser incluindo na edição deste domingo. Vai surgir a 95 quilómetros da meta e aqueles 750 metros, que chegam a ter 20% de inclinação, costumam ajudar a seleccionar quem estará em condições de discutir a corrida. Regressando ao conjunto Kwaremont/Paterberg, se a primeira subida é mais extensa e com uma pendente mais simpática, apesar de tudo, a segunda é de grande intensidade: 360 metros, com 12,9% de média e 20,3% de máxima. Em baixo fica a altimetria da 102ª Volta a Flandres, contudo, para conhecer em pormenor todas (e são muitas) as dificuldades da corrida, então carregue neste link e veja no site oficial o percurso que espera o pelotão.


Os candidatos

O principal, ou melhor, a principal, é a Quick-Step Floors. Desta feita é uma equipa que tem de surgir como a mais temível em vez de uma individualidade. Nesse aspecto, Sagan e Avermaet - o belga ainda sem vitórias nas clássicas em 2018 - são os crónicos candidatos, juntamente com Gilbert e Sep Vanmarcke (já se sabe que confirmar créditos de vencedor não tem sido fácil para o ciclista da EF Education First-Drapac powered by Cannondale, mas também a Avermaet custou-lhe começar a ganhar e depois foi o que se viu).

Este ano Tiesj Benoot  (Lotto Soudal) entra definitivamente no lote de candidatos de primeira linha. E não podia faltar Michal Kwiatkowski, da Sky, e Oliver Naesen, da AG2R. Jasper Stuyven está em boa forma, o mesmo não se pode dizer do colega da Trek-Segafredo, John Degenkolb. Os dois ficam numa segunda linha de candidatos, com o belga está ali bem perto da primeira. Ainda da Sky, atenção a Gianni Moscon e é melhor ninguém se distrair com Dylan van Baarle.

Edward Theuns (Sunweb) não deve passar despercebido. O belga está a precisar de um grande resultado para subir na lista de candidatos, mas qualidade não lhe falta para este tipo de corridas. Arnaud Démare é dos ciclistas que tem tido uma equipa, a FDJ, a dar-lhe um bom apoio, mas na Flandres a vida nunca é fácil para os blocos controlarem. Ainda assim o francês tem estado a melhorar no pavé, mas os muros na Bélgica têm tendência a complicar as ambições de Démare. Paris-Roubaix encaixa melhor nas suas características, como mostrou no ano passado (foi sexto). Ainda assim, não se pode afastar por completo a sua candidatura na Flandres.

Falta o outsider dos outsiders e que só não está junto de Sagan e companhia, porque está a dar os primeiros passos a este nível e ainda há que mostrar que consegue manter os bons resultados. Mas certo é que talento não lhe falta e Wout Van Aert já é um ciclista belga que muito entusiasma. Ganhar a Volta a Flandres não seria uma surpresa total. Será que alguém ainda acredita que ficará na Vérandas Willems-Crelan em 2019?

Para terminar a lista dos candidatos... a principal candidata. A Quick-Step Floors venceu sete corridas de um dia na Bélgica e só Niki Terpstra repetiu os festejos. Peter Sagan intrometeu-se neste domínio ao bater Elia Viviani na Gent-Wevelgem. Terpstra estará presente, assim como Philippe Gilbert, vencedor do monumento no ano passado. Aquela fuga solitária de 50 quilómetros ficará como um dos grandes momentos do ciclismo. Segue-se Yves Lampaert. O belga foi decisivo em ajudar Terpstra em Harelbeke e depois ganhou pelo segundo ano consecutivo a Dwars door Vlaanderen (Através da Flandres). O checo Zdenek Stybar afirmou que espera que neste domingo ou então no próximo, no Paris-Roubaix, possa festejar uma vitória nestas corridas míticas.

Iljo Keisse, Tim Declercq e Florian Sénéchal até podem ser vistos mais como homens de trabalho, mas nesta Quick-Step Floors todos trabalham e todos têm a sua oportunidade de ganhar. Nunca é de mais recordar que a equipa belga soma 20 vitórias em 2018, distribuídas por 10 ciclistas.

Apenas uma referência a Vincenzo Nibali que tem recebido muita atenção. O italiano da Bahrain-Merida vai estrear-se na Volta a Flandres aos 33 anos e mesmo que não seja visto como favorito, é um ciclista que pode não conhecer os muros e o pavé do monumento, mas vai estar certamente a ser controlado pelos adversários.

Os portugueses

Aparecem no final do texto não significa que não tenham hipóteses. Pelo contrário, é como que deixar o melhor para fim, ou seja, o sonho de ver um ciclista português pelo menos no pódio. Que bom seria que José Gonçalves tivesse liberdade e é bem provável que assim seja. Tony Martin surge como líder da Katusha-Alpecin, mas uma corrida como esta encaixa melhor no gémeo de Barcelos. Gonçalves irá fazer a sua estreia no monumento da Flandres e a falta de experiência poderá ser um handicap. Porém, a sua qualidade compensa este factor. Há que não esquecer que foi 11º na primeira Strade Bianche que fez.

Já Nelson Oliveira conhece bem esta corrida e conta com dois top 20. É uma prova que aprecia muito e o ciclista da Movistar tem mostrado que está a subir de forma rumo precisamente à Volta a Flandres. Entrar no top dez não seria surpresa nenhuma e se a sorte estiver do seu lado - se há provas em que este factor é quase tão importante como a condição física, são as do pavé -, atenção a Oliveira. A sua lado estará Nuno Bico, que procura um resultado positivo que o lance para uma boa temporada, que não tem sido fácil.

»»Nibali pode igualar feito de há 46 anos na estreia na Volta a Flandres««

23 de março de 2018

Só Daniel Oss não chega para ajudar Sagan

(Fotografia: Bora-Hansgrohe/Bettiniphoto)
Foi uma grande contratação para a Bora-Hansgrohe. Finalmente Peter Sagan pode dizer que tem um braço direito que não fica cortado quando as corridas endurecem um pouco. Sagan pode agora ser poupado em certos esforços que antes de tinha fazer para perseguir fugas e responder a ataques. Agora tem Daniel Oss que já vai partilhando esse trabalho. Porém, está a ser insuficiente. A forma de Sagan também não parece ser a mais apurada, mas quando se tem um ciclista que estando num grupo ninguém mais ajuda, então a Bora-Hansgrohe vai precisar de exigir mais dos corredores que forem chamados a estar com o eslovaco. Só o italiano não chega.

Daniel Oss esteve ao lado de Greg van Avermaet quando o belga conseguiu quebrar o estigma dos segundos lugares e começou a ganhar as grandes clássicas. "Roubá-lo" à BMC pareceu uma excelente manobra. Contudo, Oss tinha um papel de extrema importância, mas havia mais ciclistas de trabalho. Oss não tinha de fazer tudo para Avermaet, pois havia com que partilhar a responsabilidade. E claro que estando na BMC, tinha Sagan como o adversário, um ciclista que não se coibia de dar tudo por tudo para não perder a corrida. Ou seja, era importante quando era preciso mexer. Agora o italiano é colega do tricampeão mundial, para que Sagan não tenha de perder tanta força antes de estar de facto na discussão final da prova. Mas é só Oss que trabalha, com os restantes ciclistas a Bora-Hansgrohe a mostrarem pouco serviço, ou então de pouca qualidade.

Nesta rivalidade específica entre Sagan e Avermaet, é o belga quem pode estar mais descansado com o apoio que tem. O bloco da BMC para as clássicas é forte, como ficou demonstrado na E3 Harelbeke desta sexta-feira, com Jurgen Roelandts (que mais do que um homem de trabalho, é sempre um ciclista que pode ele próprio lutar por vitórias, como fazia na Lotto Soudal, logo uma excelente contratação) e Stefan Küng. O suíço ainda só tem 24 anos, é um excelente contra-relogista, já se mostrou em corridas por etapas (foi segundo numa tirada no Tour), mas a BMC está a apostar nele para evoluir neste tipo de provas do pavé.

O bloco alemão da Bora-Hansgrohe tem qualidade, mas longe da necessária para estar ao nível de um ciclista como Peter Sagan. Pascal Ackermann, Marcus Burghardt e Rüdiger Selig, por exemplo, são bons ciclistas, mas têm de elevar o nível da sua participação nas corridas ao lado do líder. Quanto ao irmão, Juraj Sagan, vai caindo quase no esquecimento, sendo cada vez menos aposta, ainda mais numa altura em que as equipas viram ser cortado um elemento nas competições, por decisão da UCI.

No arranque da semana de clássicas na Bélgica, que terá o seu momento alto no domingo, 1 de Abril, com a Volta a Flandres, Peter Sagan foi uma tremenda desilusão. Porém, a culpa não pode ser apenas da falta de equipa. O eslovaco não tem mostrado a forma de outros anos. Ficou sentado, sem capacidade de tentar apanhar Greg van Avermaet quando belga atacou e demonstrou que ainda não está a 100%. É certo que já tinha feito anteriormente um grande esforço para recuperar posições, mas se recuarmos à Milano-Sanremo, também aí o eslovaco não mostrou a frescura física a que se está habituado vê-lo. Na Bélgica, atirou a toalha ao chão e poupou-se para a corrida de domingo, Gent-Wevelgem, terminando com mais de três minutos de atraso.

Comparando com Avermaet, então nota-se ainda mais a diferença. O belga da BMC também estava a realizar exibições pouco convincentes. No entanto, este terceiro lugar em Harelbeke já deixa outras indicações. O ciclista da BMC colocou como objectivo principa de 2018l a Volta a Flandres. Depois de vencer o seu primeiro monumento em 2017, o Paris-Roubaix, é o tudo por tudo pela Flandres. Afinal, é belga! Aos 32 anos é normal que tente gerir bem a sua condição física. Apesar de estar a viver a melhor fase da carreira, a idade vai avançado e as oportunidades de conquistar a corrida que mais quer vão escasseando.

Mas isto da idade tem muito que se lhe diga. Aos 35 anos, Philippe Gilbert apareceu em grande em 2018! Tal como Avermaet andava algo discreto. Mais um belga que apontou baterias a esta fase da época. Se ganhar outra Volta a Flandres seria excelente, Gilbert não se importaria de trocar a vitória por uma no Paris-Roubaix e assim juntar à sua lista de monumentos um dos que lhe falta, além da Milano-Sanremo.

E com esta super Quick-Step Floors será de esperar que haverá uma táctica para levar Gilbert à vitória. Além de haver possibilidade de ganhar praticamente com qualquer ciclista que esteja na corrida. Já são 18 vitórias este ano, distribuídas por oito ciclistas. Niki Terpstra juntou a sua segunda à lista em Harelbeke, depois do triunfo na corrida francesa Le Samyn. E por falar em idade, o holandês tem 33 anos e está numa forma muito idêntica àquela que o levou a vencer o Paris-Roubaix em 2014.

Numa vitória a solo, há que destacar o trabalho de equipa da Quick-Step Floors. Houve uma queda que deixou muita gente para trás e que obrigou a grande esforço para regressar a uma posição de pelo menos aspirar discutir a corrida. A equipa belga estava bem colocada e atacou. O ritmo de Terpstra e de Yves Lampaert foi de mais para quem quis acompanhar. Parte da vitória é de Lampaert. A outra parte de Gilbert (que até acabou em segundo no sprint por essa posição) e de Zdenek Stybar que muito fizeram para estragar a perseguição quando Terpstra já seguia sozinho e chegou a ter apenas 15 segundos de vantagem a cerca de cinco quilómetros da meta.

Quando se falar em trabalho de equipa no ciclismo, este é mais um exemplo perfeito. Não se reduz àquele bem conhecido feito pela Sky. O que a Quick-Step Floors fez hoje foi simplesmente perfeito.

Pode ver aqui a classificação da E3 Harelbeke.

Para terminar, há que referir ainda Nelson Oliveira. O português da Movistar demonstrou que está a aproximar-se de uma boa forma. Não esconde que a Volta a Flandres é uma das corridas que muito gosta e que lhe assenta bem. Não se pode olhar apenas para os números finais, 32º a 7:03 do vencedor, pois Oliveira esteve a bom nível numa corrida muito complicada, muito movimentada, principalmente nos últimos 70 quilómetros. Há ainda que ter em conta que a Movistar não é equipa de clássicas. Para um corrida do pavé até levou Mikel Landa, que está a tentar ganhar prática neste terreno, devido à etapa no Tour que terá empedrado.

»»Nibali deixou todos a verem-no pelas costas numa grande vitória frente aos sprinters««

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23 de fevereiro de 2018

Um estranho início das clássicas sem Peter Sagan

Sagan não estará nas primeiras clássicas do ano
(Fotografia: Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Quando este sábado o pelotão arrancar para a corrida que se pode dizer que abre a época das clássicas, a Omloop Het Nieuwsblad, será estranho não ver Peter Sagan e a sua camisola de campeão do mundo. O eslovaco, segundo classificado nas últimas duas edições atrás de Greg van Avermaet, escolheu um calendário um pouco diferente, de forma a aproveitar mais a sua recente paternidade. Só na Strade Bianche regressará à competição (3 de Março), mas haverá até lá umas corridas que servem para começar a aquecer os motores e a fazer crescer o apetite pela Volta a Flandres e, claro, o Paris-Roubaix.

O pavé marca então esta primeira fase de clássicas e há alguns frente-a-frente que se espera ver. Mesmo com Sagan menos presente, não faltará espectáculo. Basicamente, o eslovaco é rival de todos, mesmo tendo uma tendência para os segundos lugares. Seja em que clássica participar, será sempre candidato (provavelmente, "o" candidato) e mais do que nunca parte para a época determinado em confirmar as expectativas de amealhar monumentos. Mas há outras rivalidades e aproveitando que Sagan começa de fora, aqui ficam alguns exemplos a ter em atenção.

Greg van Avermaet/Philippe Gilbert
Quando estavam na BMC já havia rivalidade. É o próprio Greg van Avermaet (31 anos) que admite que a saída do compatriota para a Quick-Step Floors foi positivo para que ficasse mais livre e sem concorrência interna. Avermaet ganhou em 2017 o seu primeiro monumento no Paris-Roubaix, depois de muito esbarrar em azares, ou em segundos lugares frustrantes. A Gilbert (35) fez muito bem a mudança de ares. Regressou às grandes vitórias e que grande vitória foi aquela na Volta a Flandres! Em 2018 surgem os dois extremamente motivados e com a ambição em alta. Avermaet diz estar em melhor forma do que no ano passado e quer mais uns monumentos. Gilbert vai apostar forte na Milano-Sanremo e no Paris-Roubaix para tentar entrar na história, ficando com os cinco monumentos no currículo. São os dois belgas, estão com objectivos idênticos e esta promete ser uma rivalidade quentinha...

Oliver Naesen/Tiesj Benoot/Jasper Stuyven
Tom Boonen saiu de cena após o Paris-Roubaix de 2017, mas na Bélgica não há crises de quem poderá tomar o seu lugar. Até porque Gilbert e Avermaet são duas referências a ter em conta, ainda que sem o currículo no pavé de Boonen. Mas no país já se olha além dos dois ciclistas referidos. Oliver Naesen (27 anos), Tiesj Benoot (23) e Jaspert Stuyven (25) são os senhores que se seguem. Candidatos são certamente. Naesen confirmou no ano passado o seu potencial para estas corridas e a AG2R pode continuar mais concentrada em Romain Bardet e no Tour, mas já percebeu que tem muito a ganhar com este belga, que irá contar com uma ajuda preciosa do reforço Silvan Dillier (ex-BMC). Quanto a Benoot, terá este ano maior responsabilidade na Lotto Soudal, depois de ter demonstrado enquanto sub-23 que tem capacidade e principalmente inteligência táctica para estar ao nível dos mais experientes. Benoot e Naesen são a rivalidade da nova geração belga, juntamente Jasper Stuyven. Mesmo tendo Degenkolb na equipa, a Trek-Segafredo tem todo o interesse em dar liberdade ao jovem belga. Em 2016 venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne e no ano passado foi segundo e depois quarto em Roubaix.

Arnaud Démare/Fernando Gaviria
Dos sprints para as clássicas. É a primeira rivalidade lógica que Gaviria terá, muito por ambos serem sprinters. Démare (FDJ) já tem um momumento, a Milano-Sanremo (2016) e este ano preparou-se muito para tentar melhorar as suas exibições nas corridas de um dia e não focar-se apenas na Volta a França. Já Gaviria (Quick-Step Floors), depois de ter sido avassalador na estreia numa grande volta, no Giro100 - quatro vitórias de etapa e a classificação dos pontos -, não só quer ir fazer o mesmo no Tour, como decidiu que vai já para as clássicas. Há uma enorme curiosidade para o ver em acção na Volta a Flandres e no Paris-Roubaix. Fisicamente tem o poderio que se pede, mas isso não chega e que o diga Démare. Antes dos monumentos do pavé, haverá a Milano-Sanremo e os dois partirão como fortes candidatos. Dois sprinters, que passam bem certas subidas... Junta-se Sagan e temos um potencial pódio... Se Michal Kwiatkowski não aparecer para surpreender outra vez!

Sep Vanmarcke/Sep Vanmarcke
Sendo a Bélgica terra de classicistas aqui temos um que causa enorme frustração. Em 2012 venceu esta corrida e juntou mais uns quantos resultados promissores. Somou top dez, uns pódios, mas vitórias nem vê-las. Pelo meio apareceram umas quedas ou outros azares. Vanmarcke consegue ser o seu principal rival. Não precisa de ninguém para o tirar da luta. Aos 29 anos ainda se acredita que poderá fazer algo. Afinal, praticamente todos os anos mostra o seu talento. Mas fica sempre a faltar algo. Vanmarcke (EF Education First-Drapac powered by Cannondale) precisa de superar-se a si próprio. Se o conseguir, será um espectáculo vê-lo e quem sabe alcance finalmente a grande vitória que lhe parecia estar destinada. Tem Greg van Avermaet como exemplo... Nunca é tarde!

John Degenkolb/John Degenkolb
Mais um caso de um ciclista tem ele próprio como principal rival. Desde o atropelamento que foi vítima durante o estágio em 2016 que o alemão nunca mais se reencontrou com a confiança. Esteve em forma no ano passado. Isso mesmo demonstrou quando conseguia estar na frente das corridas. Porém, nunca respondeu nos momentos decisivos e não pareceu ser por falta de pernas. Estamos a falar de um ciclista que venceu a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix em 2015. Porém, na Trek-Segafredo não só está longe de fazer esquecer Fabian Cancellara, como está longe de se lembrar de como é vencer grandes corridas. Degenkolb (29 anos) está a precisar urgentemente de um triunfo numa clássica para assim, talvez, reencontrar o seu caminho e afastar certos certos fantasmas.

Fabio Fellline/Matteo Trentin
Talvez haja a tentação para se dizer que os italianos estão a jogar por fora. Porém, principalmente Matteo Trentin, é um ciclista a ter muito em conta. Nesta disputa transalpina, o ciclista que agora representa a Mitchelton-Scott está, aos 28 anos, a viver a melhor fase na carreira. Fechou o ano, na Quick-Step Floors, com quatro etapas na Vuelta e um quarto lugar nos Mundiais. Trentin não quis mais ser lançador de ninguém e surge agora com convicção que pode também no pavé conquistar uma vitória. A rivalidade com Felline (27 anos) será interessante, tendo em conta que o homem da Trek-Segafredo até se tem mostrado, mas no ano passado foi um dos que aprendeu de quanto custa tentar deixar Sagan fazer o trabalho todo. O eslovaco aprendeu de vez que ou ajudam, ou não leva ninguém à frente para depois perder. Kwiatkowski foi uma grande lição para Sagan! Felline tem o potencial, mas tacticamente não é tão forte como Trentin. Ainda assim, Itália tem aqui dois ciclistas que pode suceder a Alessandro Balan (2009) como vencedores da Volta a Flandres, com Trentin a ir também a Roubaix, onde um italiano não ganha desde Andrea Tafi, em 1999.

Estas são apenas uma rivalidades particulares, numas clássicas de pavé que tanto espectáculo costumam proporcionar. Zdenek Stybar, Niki Terpstra (vencedor do Paris-Roubaix em 2014) e Yves Lampaert, todos da Quick-Step Floors, são armas a jogar por uma equipa belga sempre muito forte para esta altura do ano. Dylan van Baarle tem nesta fase da época a oportunidade para se mostrar na Sky, depois de bons resultados, principalmente na Volta a Flandres, ao serviço da então Cannondale-Drapac; Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) tem a experiência do seu lado, mas falta-lhe uma grande clássica no seu currículo; Michael Matthews (Sunweb) vai aparecer em algumas provas do pavé, mas apostará mais na semana das Ardenas e antes na Milano-Sanremo (e cuidado com ele); Alexey Lutsenko (Astana) ganhou há poucos dias a Volta a Omã e o cazaque vem com grandes ideias para este fim-de-semana de clássicas.

Omloop Het Nieuwsblad abre então a temporada de clássicas e terá transmissão neste sábado no Eurosport2, a partir das 14:30. E no domingo, será a vez da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, que apesar de não fazer parte do calendário World Tour, é sempre muito bem frequentada pelos corredores especialistas nestas corridas (13:00, no Eurosport2).

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19 de fevereiro de 2018

"Foi bom ganhar a Volta a Flandres, mas o futuro é muito mais interessante"

Philippe Gilbert escolheu a Volta ao Algarve para preparar uma temporada ambiciosa. No ano passado regressou ao seu melhor, depois de temporadas em que pouco ganhou na BMC. Patrick Levefere confiou no belga, que então com 34 anos, tinha perdido espaço na antiga equipa por culpa de outro belga, Greg van Avermaet. Há sete/oito anos, Gilbert era o terror para os adversários nas clássicas, mas esse fulgor perdeu-se e pensou-se que não voltaria mais. Porém, com a vitória na Volta a Flandres, recuperou-o e reavivou um sonho antigo: ganhar todos os monumentos. Faltam-lhe dois, mas recusa dizer que são para ganhar já em 2018.

O ciclista belga não esteve no Algarve para aproveitar apenas o bom tempo. "Quando vi a corrida no calendário, disse que queria voltar", realçou ao Volta ao Ciclismo, considerando que a competição portuguesa seria uma ideal para preparar a época das clássicas, recordando como não foi a sua primeira presença. Esta foi quarta: 2007 (na Française des Jeux e foi quinto na geral), 2009 (Silence-Lotto, 116º), 2011 (Omega Pharma-Lotto, 28º e venceu a primeira etapa) e agora em 2018 com a Quick-Step Floors. Gilbert esteve na fuga na última etapa, terminando em 14º no Malhão e em 24º na geral, a 4:18 do vencedor Michal Kwiatkowski (Sky). Mas teve o seu momento de destaque quando foi homenageado pela organização da Volta ao Algarve, antes do início da segunda tirada, em Sagres.


(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Delmino Pereira, presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, e Adelino Soares, presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, entregaram ao ciclista belga o Prémio Prestígio. Já ganhou alguma das principais corridas da modalidade e inclusivamente vestiu a camisola do arco-íris (de campeão do mundo), contudo, Gilbert garantiu que distinções como a que recebeu no Algarve não são minimizadas, referindo até um pormenor sobre o troféu que recebeu: "É sempre bom receber um troféu como este. Significa que os organizadores pensam em ti e eu fico feliz. E também é um troféu bonito. Às vezes recebemos coisas estranhas, mas aquele é mesmo bonito!"

A curta conversa passa pela a fantástica vitória na Volta a Flandres em 2017, quando partiu para uma fuga solitária de 55 quilómetros. Gilbert sorri, mas é peremptório em dizer: "Foi bom ganhar a Volta a Flandres, mas o futuro é muito mais interessante. Agora olho mais para a próxima edição." Para completar os triunfos nos cinco monumentos, falta-lhe uma Milano-Sanremo e um Paris-Roubaix. A primeira é muito vista como o monumento dos sprinters, enquanto Roubaix testa a resistência dos ciclistas no pavé. Qual vê como a mais complicada? "É difícil... São duas corridas muito difíceis... Eu quero estar nas duas e depois vamos ver o que acontece." No entanto, acrescentou: "Nunca digo que quero ganhar as duas [este ano]." Mas claro, quando se fala em conseguir um lugar na história do ciclismo: "Podemos sempre sonhar."

Ainda há tempo para perguntar a Gilbert o que afinal tem a Quick-Step Floors, que tem recuperado a melhor versão de alguns ciclistas, como Marcel Kittel (que entretanto foi para a Katusha-Alpecin), Elia Viviani (que está a ter um início de 2017 portentoso) e o próprio Gilbert. O "segredo" é mais simples do que possa parecer: "O espírito da equipa é esse [de vencer]." O belga referiu ainda como além do natural gosto pelas vitórias, "correr de forma agressiva" é o estilo da equipa. "Temos alguns dos melhores sprinters do mundo e quando 80% das corridas terminam ao sprint, então sabemos que é a decisão certa ter uma equipa assim", explicou.

Agora é então o momento de pensar no futuro. Gilbert vai já começar nas clássicas no sábado, na Omloop Het Nieuwsblad, seguindo-se a Strade Bianche (3 de Março). Depois haverá mais uma prova por etapas, o Tirreno-Adriatico (7 a 13 de Março), mas já com o pensamento na Milano-Sanremo (17 de Março). O Paris-Roubaix será a 8 de Abril.

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18 de abril de 2017

Gilbert também falha o Giro. Avermaet resolve atacar a Liège-Bastogne-Liège

Avermaet vai tentar ganhar mais um monumento este ano (Fotografia: Facebook BMC)
Era a derradeira esperança de Philippe Gilbert, mas além de ser afastado da possibilidade de voltar a fazer a tripla nas Ardenas, o belga confirmou esta terça-feira que não estará na Volta a Itália. A ruptura num rim que sofreu numa queda na Amstel Gold Race - que viria a ganhar - não é grave, mas requer total repouso e Gilbert vai ser obrigado a parar durante duas semanas e não apenas uma como inicialmente previsto. O ciclista era suposto ficar no hospital 24 horas, mas ficou internado durante dois dias, já estando em casa e a pensar na segunda parte da temporada, agora que viu terminar de forma abrupta uma fase de clássicas como há muito não vivia. Um bom momento de forma que pretendia levar para a Volta a Itália.

"É um golpe duro perder o Giro. É uma corrida bonita onde já desfrutei de sucesso várias vezes, mas estas lesões são sempre delicadas e é recomendável não apressar as coisas. Por isso, prolongar o período de recuperação é a melhor decisão que podíamos tomar. Apesar desta desilusão, vou continuar a pensar no futuro e com muita motivação para a segunda parte da temporada", salientou Gilbert.

Não se sabe quando irá o campeão belga regressar e se eventualmente irá apontar a uma presença na Volta a França. Já o final da temporada deverá certamente ser um objectivo, com a presença nos Mundiais e também tentar conquistar a Lombardia. Num ano em que voltou aos grandes sucessos, certamente que Gilbert pensa em tentar ganhar a sua segunda camisola do arco-íris e a terceira Lombardia, neste caso para aumentar o seu currículo nos monumentos.

Enquanto um belga já pensa na segunda fase da época, outro resolveu aproveitar a boa forma e a senda de vitórias para tentar ganhar a Liège-Bastogne-Liège. Greg van Avermaet resolveu participar na corrida, uma decisão que foi tomada depois do frustrante resultado na Amstel Gold Race. O vencedor do Paris-Roubaix estava claramente bem, mas falhou o momento em que o grupo de Gilbert e Kwiatlowski formou-se e depois não conseguiu juntar-se, apesar da ajuda de Alejandro Valverde.

Desde 2013 que Avermaet não participa neste monumento, pois nos últimos anos tem estado dedicado às clássicas do pavé, com Gilbert - que até ao ano passado era seu colega na BMC - a ficar com a semana das Ardenas. "Foi uma boa Primavera, mas ainda me sinto bem, por isso, vamos ver o que acontecerá no domingo. Não sou um favorito", realçou o belga, que disse ainda não ter nada a perder em estar na Liège-Bastogne-Liège.

Greg van Avermaet conquistou este ano o seu primeiro monumento. Venceu o Paris-Roubaix, uma semana depois de ter sido segundo na Volta a Flandres. O ciclista da BMC pode não considerar-se um favorito, mas perante o que tem feito não só esta época, mas também em 2016, é de esperar ver Avermaet na luta por mais uma vitória nas clássicas, antes de também ele fazer uma pausa competitiva.

Peter Sagan na clássica alemã antes de começar fase das corridas por etapas

A época de clássicas não foi a que Peter Sagan e a sua nova equipa desejavam. Entre segundos lugares, queda, furos e demonstrações de que não é mais o ciclista que faz todo o trabalho e depois vê outros ciclistas ganhar, Sagan acabou por somar apenas uma vitória, na Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Depois do Paris-Roubaix, o eslovaco fez uma paragem e só estava previsto regressar à competição a 14 de Maio, na Volta à Califórnia, já a pensar em preparar a Volta a França, onde aponta à sexta camisola verde consecutiva. Porém, a Bora-Hansgrohe anunciou esta terça-feira que que o bicampeão do mundo estará na Eschborn-Frankfurt, no dia 1 de Maio.

Será a estreia da clássica germânica no calendário World Tour e sendo também este o primeiro ano da formação alemã ao mais alto nível do ciclismo, a ambição da Bora-Hansgrohe é clara: ganhar. E para isso precisa de ter em acção o seu melhor ciclista. "Será especial para a equipa, mas também para mim, correr em frente dos fãs alemães. Espero que seja uma grande festa do ciclismo, mas será a primeira festa do ciclismo este ano porque ainda temos a grande partida em Düsseldorf [no Tour]", afirmou Sagan. Os ciclistas que acompanharão Sagan não foram anunciados, mas o eslovaco salientou que será uma equipa com várias opções para tentar a vitória. Um discurso politicamente correcto, pois é em Sagan em quem a Bora-Hansgrohe aposta tudo, com Rafal Majka a estar "guardado" para a Volta a França.