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26 de novembro de 2018

A intocável W52-FC Porto

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Ano após ano, sai uma figura, entra outra ou aparece uma nova dentro da equipa. As soluções na W52-FC Porto não se esgotam, permitindo gerir uma temporada como mais nenhuma estrutura em Portugal tem esse luxo. Por momento, por breves momentos, parecia haver uma porta entreaberta para bater a equipa na Volta a Portugal, mas, quando o momento da verdade chegou, Nuno Ribeiro fez a sua jogada e, mais uma vez, o poderio da W52-FC Porto demonstrou ser inquestionável. Se Raúl Alarcón manteve a senda de sucesso de 2017, José Neves foi uma jovem contratação de sucesso. César Fonte encontrou os caminhos das vitórias (mas com um final de época negativo) e depois há João Rodrigues. Pode-se dizer que foi a revelação, ainda que possa ser mais justo considerar que foi a confirmação.

Estrutura sólida, financeiramente não só é estável, mas acima de qualquer outra equipa no pelotão nacional. Isso permite  que o director desportivo, Nuno Ribeiro, possa movimentar-se muito melhor no mercado de transferências e assim ter sempre um conjunto forte. A saída de Amaro Antunes não foi facilmente colmatada. Talvez nem tenha sido e foi essa a grande diferença na Volta a Portugal, por exemplo. Mas o que chegou a parecer ser uma equipa que poderia estar menos forte do que em 2017, teve apenas uma estratégia diferente, adaptada aos ciclistas que a representaram em 2018.

No final, os números dizem praticamente tudo: sexta Volta consecutiva, 15 vitórias ao todo na temporada, ao que se acrescenta outras 21 conquistas, entre classificações por equipas, prémios da montanha, metas volantes... Grande Prémio Jornal de Notícias, Troféu Joaquim Agostinho e o Grande Prémio de Portugal Nacional 2 foram as outras corridas que ficaram no currículo da W52-FC Porto que vai finalmente atrás de mais. Depois de tanto domínio por cá, a equipa conseguiu reunir as condições e os apoios necessários financeiros para concretizar um sonho que durava há dois/três anos: pedir a licença do segundo escalão, Profissional Continental.

Raúl Alarcón até teve uma primeira fase de temporada mais apagada, comparativamente com 2017, mas foi devido a uma queda que o afastou da competição algumas semanas. Porém, preparou-se para a fase da época que mais lhe interessava. Aqueceu motores com uma etapa no Grande Prémio Abimota e foi depois vencer outra e a geral da primeira edição do Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Mas era a Volta que mais interessava.

Desta feita não haviam dúvidas que era o líder, mesmo com Gustavo Veloso ainda na equipa. O respeito pelo capitão esteve sempre lá, mas a vitória na terceira e quarta tirada de Alarcón esclareceu tudo quando a lideranças. Sem Amaro, não houve um ciclista que praticamente nunca deixasse Alarcón, como aconteceu em 2017. Talvez se possa mesmo dizer que a W52-FC Porto funcionou ao estilo Sky. Todos tinham o seu papel e quando chegava o momento de o líder agir, Alarcón nunca entrava em acção e nunca falhou. Esta situação de Alarcón ficar mais cedo sozinho deu esperança aos adversários, principalmente a Joni Brandão e ao Sporting-Tavira. Mas os ataques, alguns mal medidos, não resultaram, pois a W52-FC Porto era mais forte. E Raúl Alarcón arrumou com a concorrência quando teve essa responsabilidade.

Ranking: 2º (2333 pontos)
Vitórias: 15 (incluindo a Volta a Portugal, GP Jornal de Notícias e Troféu Joaquim Agostinho)
Ciclista com mais triunfos: Raúl Alarcón (7)

O espanhol não foi surpresa, pelo que é João Rodrigues que deixou uma marca nova nesta Volta. Depois de dois anos a evoluir dentro da estrutura. O jovem algarvio muito trabalhou desde a Volta ao Algarve para que 2018 pudesse ser o seu ano de afirmação na equipa. Assim foi. Aos 24 anos, feitos este mês, João Rodrigues demonstrou grandes melhorias na montanha, dedicando-se também ao contra-relógio, o que até o levou a participar nos Nacionais nesta especialidade. Rodrigues quer tornar-se no ciclista mais completo possível e, para já, é um gregário que, se repetir as exibições não só da Volta, mas de outras corridas, irá rapidamente ser um de luxo.

Não foi António Carvalho, não foi César Fonte, nem Ricardo Mestre que mais se viram ao lado de Alarcón. Foi o jovem Rodrigues. Foi sétimo na geral e segundo no contra-relógio final de Fafe. Excelente!

Carvalho venceu o Grande Prémio Jornal de Notícias, que era um dos seus objectivos da temporada, mas foi uma sombra do ciclista que em 2017 esteve ao nível de Alarcón e Amaro Antunes. César Fonte agarrou a oportunidade para ir para esta equipa e assim ter mais oportunidades de ganhar. Somou três triunfos, mas na Volta esteve apenas focado no trabalho colectivo. Contudo, em Outubro soube-se que o ciclista tinha acusado betametasona, numa amostra recolhida após a vitória na sétima etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias.

Mestre continua a ser um ciclista que cumpre à risca o que lhe é pedido, tendo sido essencial em mais uma conquista da Volta a Portugal - ele que já a venceu em 2011 - e teve o seu triunfo na terceira etapa da Volta às Astúrias. Samuel Caldeira viu uma lesão condicioná-lo durante grande parte da época, enquanto Gustavo Veloso ganhou uma tirada na Volta ao Alentejo, mas, aos 38 anos (faz 39 em Janeiro), é um ciclista em clara perda de rendimento. Porém, é um capitão que todos respeitam.

Não nos podemos esquecer de Rui Vinhas, certamente que não era assim que queria ser novamente falado, mas um choque com um carro de outra equipa, na quinta etapa da Volta, deixou-o com feridas em grande parte do corpo, das pernas, aos braços, ao rosto... A imagem de um Vinhas ensanguentando marcou a corrida. A imagem de um Vinhas, com ligaduras espalhadas pelo corpo, a puxar, a trabalhar e, finalmente, a cortar em meta final em Fafe deve ser ainda mais marcante pelo que representa. Venceu a Volta há dois anos e conquistou uma nova vitória por ser um exemplo de profissionalismo, de esforço, de dedicação e de uma entrega total à equipa.

E temos ainda José Neves. O jovem que até teve pena em deixar a Liberty Seguros-Carglass, mas que estava mais do que preparado para uma equipa de nível mais elevado. Por vezes discreto, por vezes a colocar todo o seu potencial na estrada, Neves venceu o Troféu Joaquim Agostinho, uma corrida internacional e uma que em Portugal mais se ambiciona conquistar. Categoria pura aos 23 anos, que lhe valeu um estágio, a partir de Agosto, na americana EF Education First-Drapac p/b Cannondale.

Outra realidade, outro ritmo, nem sempre foi fácil, mas foi uma experiência importante para Neves que, mesmo não tendo ficado, deixa sempre as portas entreabertas já estar estado numa equipa do World Tour. Neves tem qualidade e não surpreende que uma grande formação o quisesse ver de perto. Agora vai para a Burgos-BH, equipa espanhola Profissional Continental, onde terá a companhia de Nuno Bico (Movistar).

Para 2019, a equipa deverá então ter uma licença Profissional Continental e vai preparando uma temporada que continuará a ter como aposta as corridas nacionais, com foco na Volta, claro, mas também irá competir mais no estrangeiro, já que terá acesso a outras provas, agora que irá para o segundo escalão do ciclismo.

Está confirmada uma mudança: a Swift irá fornecer as bicicletas, deixando a equipa de utilizar as KTM. Quanto a ciclistas, Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Mestre (Efapel) serão as novas caras, com a W52-FC Porto a tirar à concorrência dois dos ciclistas com maior capacidade para conquistar bons resultados. Além disso, experiência não lhes falta e ambos têm a oportunidade para competir a outro nível. Francisco Campos e Jorge Magalhães serão duas jovens apostas vindas do Miranda-Mortágua. O primeiro mais dotado para os sprints e com um título de campeão nacional de sub-23 conquistado em 2017, o segundo um trepador em evolução.

Raúl Alarcón continuará como líder e a maioria dos ciclistas que constituem a espinha dorsal da equipa do Sobrado, deverão permanecer às ordens de Nuno Ribeiro. Este ano, até ficou em segundo lugar no ranking nacional, elaborado pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, e não foi um dos seus ciclistas a ganhar individualmente (venceu o Sporting-Tavira e Joni Brandão). Porém, até poderão haver novos objectivos na W52-FC Porto, mas quando 2019 arrancar, não restam dúvidas que mais uma vez será colocada a questão se alguém conseguirá bater esta equipa.

Veja aqui todos os resultados da W52-FC Porto em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»Depois de uma boa época, uma ainda melhor««

»»Uma época para recordar««

28 de setembro de 2018

W52-FC Porto fez finalmente o pedido

Está confirmado. A W52-FC Porto pediu uma licença Profissional Continental para 2019, ou seja, quer subir ao segundo escalão do ciclismo mundial. Esta é uma intenção que já tinha sido assumida nos últimos anos, mas foi preciso preparar e fortalecer toda uma estrutura que tem dominado em Portugal, além de garantir o apoio inequívoco dos patrocinadores neste passo tão relevante para a equipa e para o ciclismo nacional. Chegou o momento e agora resta esperar pela resposta da UCI.

Este é um pedido muito aguardado na modalidade em Portugal, comprovando o crescimento que se tem verificado em tempos recentes, depois de anos de uma crise que afectou profundamente o ciclismo português. Além do aumento de equipas de elite e do surgimento das de sub-25 que pertencem ao escalão Continental, faltava agora uma estrutura subir à segunda categoria e fica a expectativa que seja apenas a primeira, já que a Efapel já assumiu ter o mesmo objectivo para 2020.

A W52-FC Porto tem sido a equipa mais forte em Portugal nesta década, conquistando seis Voltas a Portugal de forma consecutiva. Foi OFM-Quinta da Lixa, W52-Quinta da Lixa, até que o FC Porto optou por regressar à modalidade em 2016. Raúl Alarcón é actualmente a grande figura, com duas Voltas conquistadas com autoridade, mas ciclistas como António Carvalho, Rui Vinhas e o veterano Ricardo Mestre (com experiência de World Tour) fazem parte da espinha dorsal da estrutura que tem Gustavo Veloso como o eterno capitão.

No entanto, e perante o poderio financeiro comparado com as restantes equipas nacionais, o director desportivo Nuno Ribeiro também não deixa escapar jovens talentosos. É o caso de João Rodrigues que realizou uma excelente temporada e foi um "senhor ciclista" na Volta a Portugal, ajudando Alarcón e fechando em sétimo na geral. José Neves foi reforço esta temporada e o seu potencial chamou a atenção da EF Education First-Drapac p/b Cannondale, equipa que o chamou para estagiar no final de temporada.

Samuel Caldeira, Daniel Freitas, José Ferreira, Ángel Sánchez Rebollido e César Fonte fizeram parte do plantel que em 2018 conquistou 15 vitórias, além de 21 distinções entre classificações da montanha, pontos e por equipa (pode ver aqui em pormenor). Em termos de gerais, além da Volta a Portugal, a W52-FC Porto venceu o Grande Prémio Jornal de Notícias (António Carvalho), o Troféu Joaquim Agostinho (José Neves) e o Grande Prémio de Portugal Nacional 2 (Raúl Alarcón). Em 2017, Alarcón foi a Espanha vencer a Volta às Astúrias e foi segundo na Volta à Comunidade de Madrid. A nível internacional, a grande vitória foi assinada por Amaro Antunes, que ganhou uma etapa da Volta ao Algarve, corrida 2.HC, ou seja, do segundo escalão mundial.

Os alicerces começaram há muito a serem construídos, foram consolidados e agora resta esperar pela resposta da UCI para saber se recebe a licença. A W52-FC Porto também estará a preparar os reforços, com Tiago Machado a ser um dos nomes falados. O português está em final de contrato com a Katusha-Alpecin e sempre disse que não se importaria nada de regressar a Portugal, com a Rádio Popular-Boavista a ter certamente as portas abertas ao ciclista. Mas com esta potencial subida de escalão, Machado poderá assim continuar a ter acesso a corridas importantes e a sua experiência seria muito bem-vinda à W52-FC Porto neste passo tão importante.

As provas do World Tour passam a estar à distância de um convite, pelo menos em 2019. A partir de 2020 as regras vão ser um pouco diferentes, com o mérito desportivo a ser mais valorizado, pois a classificação no ranking dará acesso directo a algumas corridas. E claro, na perspectiva de uma equipa portuguesa, a presença na Vuelta é sempre um desenho.

Licenças para o escalão Continental

Além do pedido da Vintage Pódio (W52-FC Porto) para a licença Profissional Continental, a Federação Portuguesa de Ciclismo confirmou mais nove solicitações para o terceiro escalão, o Continental: Bike Clube de Portugal (competiu com o nome Liberty Seguros-Carglass em 2018), Boavista CC (Rádio Popular-Boavista), CC Aldeia de Paio Pires (LA Alumínios), CC Tavira (Sporting-Tavira), CD Fullracing (Efapel), Louletano DC (Aviludo-Louletano-Uli), Velo Clube do Centro (Miranda-Morágua), CC FJP e CD Feirense. De salientar o pedido em separado do CC FJP e do Feirense que este ano formaram a Vito-Feirense-BlackJack.

»»Domingos Gonçalves regressa à Caja Rural««

»»Final de época na estrada com a Taça de Portugal a estar entregue««

24 de novembro de 2017

A super equipa que já pede outro escalão

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Como é possível fazer melhor? Para a W52-FC Porto começa a ser quase um caminho mais do que natural subir ao escalão Profissional Continental. O objectivo poderá estar perto, mas em 2018 ainda será no terceiro que a formação do Sobrado será inscrita. O projecto está a ser construído para garantir que tenha de facto futuro se for para outro nível. Enquanto isso, Nuno Ribeiro, director desportivo, vai gerindo ciclistas que dominam o panorama nacional e que foram a Espanha mostrar também o seu valor. As restantes equipas portuguesas reforçaram-se e na teoria o pelotão não só ficava mais forte em termos gerais, mas também se poderia verificar um maior equilíbrio. Houve discussão em muitas corridas, ninguém entregou vitórias à poderosa W52-FC Porto, mas quando chegou o principal momento do ano, a equipa do Sobrado foi sublime numa etapa da Serra da Estrela que ficará para a história. Mas não foi só em Agosto que esteve a um nível superior.

Rafael Reis tinha sido a grande perda da W52-FC Porto, que foi buscar Amaro Antunes à extinta LA Alumínios-Antarte. Rafael tinha sido o mais ganhador e líder do ranking nacional em 2016. Amaro também ganhou, mas foi batido por Alarcón, contudo, o primeiro lugar do ranking foi dele. E com o algarvio a equipa atingiu outro nível na montanha. Dizer que a vitória no Malhão, na Volta ao Algarve, foi inesperada talvez seja não valorizar como o ciclista deve ser. A concorrência era forte, mas também era sabido como Amaro conhecia bem aquela subida e em anos anteriores já tinha feito bons resultados. Desta vez venceu mesmo e deu o mote para uma época fantástica para ele e para a W52-FC Porto.

Antes de chegar à Volta a Portugal, a W52-FC Porto garantiu vitórias em algumas das mais importantes corridas nacionais: Clássica da Arrábida, Grande Prémio Jornal de Notícias, Troféu Joaquim Agostinho e Samuel Caldeira ficou com a Taça de Portugal. No périplo por Espanha, muito se falou desta equipa e não só porque Amaro Antunes e Raúl Alarcón andaram na frente. O português fechou terceiro numa etapa ganha por Nairo Quintana na Volta à Comunidade Valenciana, já o espanhol conquistou a Volta às Astúrias e uma etapa. Ficou em segundo em Madrid, com o mesmo tempo que o vencedor, Oscar Sevilla (a vitória foi decidida mediante o resultado da última etapa, com Sevilla a ser quinto e Alarcón sétimo).


Ranking nacional: 1º (3502 pontos)
Vitórias: 21 (incluindo seis etapas na Volta a Portugal e a geral e uma etapa na Volta ao Algarve)
Ciclista com mais triunfos: Raúl Alarcón (9)


Estes triunfos internacionais também demonstram que a equipa vai dando passos para outro tipo de experiência além da nacional, algo importante para quem tem planos de subir de escalão em 2019. Porém, por mais que a ambição seja competir a outro nível, a Volta a Portugal continua a ser o objectivo principal. A W52-FC Porto só não vestiu a amarela após o prólogo, mas na primeira etapa Alarcón conquistou-a e não mais a tirou. Em 11 dias a equipa ganhou seis etapas (duas por Alarcón e Gustavo Veloso, uma por Amaro e outra por Samuel Caldeira). Venceu a volta, a montanha e a classificação colectiva. Domínio total. Já são cinco Voltas consecutivas para esta estrutura.

Ainda assim, até à Serra da Estrela, penúltima etapa, foram fazendo-se contas aos poucos segundos que separavam os primeiros. No entanto, na subida à Torre, Amaro Antunes e Alarcón foram simplesmente perfeitos e não deixaram as decisões arrastarem-se para o contra-relógio final. Atrás ninguém se entendeu e ninguém tinha uma equipa tão equilibrada para fazer frente a uma dupla tão forte. Veloso teve um mau dia e António Carvalho ficou inicialmente com o sempre considerado líder da formação. Recebeu ordem para seguir para a frente, ficou no grupo de perseguidores e assim garantiu um top dez (sexto). Mais um ciclista da W52-FC Porto a realizar uma grande Volta a Portugal, que culminou uma temporada de elevado nível. Caldeira venceu finalmente uma etapa, Rui Vinhas não conseguiu nova surpresa, mas continua a ser um homem que o director desportivo não abdica para trabalhar.

Ao todo foram 21 vitórias. No ranking mundial, a W52-FC Porto ficou à frente de equipas como a Israel Cycling Team (que esteve na Volta a Portugal), da Bardiani CSF (participou no Giro) e da Manzana Postobón (competiu na Vuelta). As três pertencem ao segundo escalão.

Com tanto protagonismo não surpreenderia que Nuno Ribeiro perdesse algumas estrelas. Amaro Antunes vai dar o salto para a CCC Sprandi Polkowice, do escalão Profissional Continental, o mesmo da Caja Rural que contratou Joaquim Silva. Porém, o responsável segurou Raúl Alarcón e António Carvalho, por exemplo. César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) é reforço confirmado, tal como o jovem José Fernandes (Liberty Seguros-Carglass), campeão nacional de contra-relógio de sub-23 e um dos grandes valores a despontar no ciclismo português.

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30 de outubro de 2017

"Vamos continuar a ter uma equipa forte. Tão boa ou melhor"

Nuno Ribeiro já garantiu a renovação de Raúl Alarcón
(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Uma equipa que domina em Portugal como tem feito a W52-FC Porto (nem sempre com este nome) nos últimos anos e que também alcança bons resultados a nível internacional acaba por ter de lidar com o preço do sucesso: a cobiça aos seus ciclistas. Amaro Antunes assinou pela CCC Sprandi Polkowice e Joaquim Silva vai para a Caja Rural. Porém, uma das principais figuras já renovou. Raúl Alarcón optou por ficar onde diz sentir-se bem e valorizado, resistindo à tentação de regressar ao World Tour. Uma boa notícia para os adeptos da equipa, mas algo já esperado por Nuno Ribeiro que estava confiante que conseguiria ficar com o vencedor da Volta a Portugal.

"[Os adeptos] podem contar que vamos continuar a ter uma equipa forte, ao nível dos outros anos. Tão boa ou melhor", garantiu o director desportivo ao Volta ao Ciclismo. O objectivo passa precisamente por manter o maior número de ciclistas da actual equipa, mas Nuno Ribeiro deixa uma palavra para aqueles que consigam um contrato com uma formação estrangeira. "Se algum conseguir dar o passo internacional, acho que é mérito deles e da equipa. Fico contente com isso", referiu. O seu trabalho passa por assegurar que a W52-FC Porto possa continuar no caminho que tem estado a percorrer, nomeadamente no da consolidação da estrutura, pois mantém-se o desejo de subir de escalão: "2018 é impossível, mas o objectivo é 2019."


"Na Volta a Portugal, ganhou o melhor e o melhor... é a equipa em termos gerais"

"Estamos a trabalhar para isso. Os patrocinadores estão a envolver-se nesse projecto, não só no que temos agora, mas também no de subir de escalão. Estão a ficar mentalizados para que isso possa acontecer e isso é importante", salientou Nuno Ribeiro, que admitiu que ter uma equipa como Profissional Continental também poderá dar outro poder de negociação com os ciclistas quando chega o momento da renovação. "Se calhar conseguimos dar um calendário e as condições que eles desejam e a partir daí é mais fácil", frisou. Tanto Amaro Antunes como Joaquim Silva assinaram por equipas precisamente do escalão Profissional Continental.

Numa equipa com vários ciclistas com potencial para liderar e conquistar vitórias, Nuno Ribeiro soube tirar o melhor rendimento de todos. Gerir egos e ambições nem sempre é trabalho fácil, mas o director desportivo mostrou que é possível manter todos felizes e motivados. "É importante conseguir gerir [a equipa]. Tentamos dar a oportunidade a cada um durante o ano. Depois, na Volta a Portugal, ganhou o melhor e o melhor... é a equipa em termos gerais. É nesse objectivo que temos de trabalhar [na equipa] e foi o que fez a maior diferença", salientou.


"[O Gustavo Veloso] é um líder que nós respeitamos e vai continuar a sê-lo"

Depois de uma temporada marcada pela vitória no Malhão, na Volta ao Algarve, de Amaro Antunes, que venceu ainda a Clássica da Arrábida e o Troféu Joaquim Agostinho, a conquista da Volta às Astúrias de Raúl Alarcón, que ganhou também o Grande Prémio Jornal de Notícias e o das Beiras e Serra da Estrela, a W52-FC Porto chegou à Volta a Portugal como a super favorita para continuar o domínio que começou em 2013 com a vitória Alejandro Marque, na então chamada OFM-Quinta da Lixa. "Foi uma boa época. A equipa cumpriu os objectivos a que se propôs e, se calhar, mais alguns."

Em 11 dias de competição na Volta a Portugal, os ciclistas da formação do Sobrado ganharam seis etapas, Alarcón vestiu a amarela logo ao segundo dia, Amaro Antunes foi o rei da montanha, a equipa venceu a classificação colectiva, o corredor espanhol e o português fecharam no primeiro e segundo lugar e António Carvalho foi sexto. Um domínio quase completo. Mas será que estaria planeado? Nuno Ribeiro sorri e limita-se a dizer: "Tínhamos o objectivo de ganhar a Volta e treinámos para isso."

Gustavo Veloso esteve aquém do esperado. Surgiu como líder e mesmo sendo o dono da camisola amarela, Alarcón sempre foi referindo que era Veloso o número um da equipa. No entanto, na etapa da Serra da Estrela (a penúltima), o espanhol ficou para trás e perdeu mais de 40 minutos. No dia seguinte ganhou o contra-relógio final, depois de já ter vencido a tirada que terminou em Viana do Castelo. Em Janeiro fará 38 anos, mas Nuno Ribeiro mantém a confiança no ciclista: "O Gustavo Veloso é o líder da equipa desde há muito tempo. É um líder que nós respeitamos e vai continuar a sê-lo. Ele é muito importante em termos de grupo e, por isso, é o ideal para estar na nossa equipa."

»»Amaro Antunes: "Tomei a decisão correcta. Numa equipa World Tour não seria líder"««

»»Alarcón renovou. Proposta financeira da W52-FC Porto foi melhor do que a da Movistar««

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25 de outubro de 2017

Alarcón renovou. Proposta financeira da W52-FC Porto foi melhor do que a da Movistar

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Quando se diz que o dinheiro não é tudo, o caso de Raúl Alarcón é o exemplo disso mesmo. O espanhol estava há várias semanas a estudar propostas para 2018, mas sempre foi dizendo que ficar na W52-FC Porto era uma hipótese bem provável. A tentar seduzi-lo estava a Movistar e haveria o interesse de outra equipa do World Tour e não só. Porém, o vencedor da Volta a Portugal salientou que havia muitos pormenores a ter em causa e um deles era o facto de se sentir valorizado na formação portuguesa, onde encontrou estabilidade e confiança que o levaram este ano a conquistar grandes vitórias. O apelo da Movistar certamente que seria tentador, ainda mais para quem ambiciona estar na Volta a Espanha, mas não convenceu o ciclista. Raúl Alarcón vai mesmo ficar na equipa do Sobrado e Nuno Ribeiro pode respirar de alívio.

Depois da saída de Amaro Antunes, o director desportivo não queria perder mais um dos seus líderes. "Aqui sinto-me valorizado e demonstram-me ano após ano. Aqui desfruto do ciclismo. Aqui me respeitam e me sinto querido. Agradeço a confiança da equipa e trabalharei o máximo para conseguir novas vitórias em 2018", afirmou Alarcón, no site da da W52-FC Porto. "Valorizado" é uma palavra chave nesta escolha do espanhol que, recorde-se, ainda muito novo chegou ao mais alto nível do ciclismo, mas devido a casos de doping na formação onde estava, não só baixou de escalão, como chegou a ser amador e a pensar em abandonar.

Foi em Portugal que relançou a carreira e foi por cá que, aos 31 anos, viveu a sua melhor temporada, com vitórias na Volta às Astúrias, no Grande Prémio Jornal de Notícias, GP Beiras e Serra da Estrela e, claro, na Volta a Portugal. Está há três temporadas na actual equipa, depois de passagens pelo Louletano e Efapel.

O dinheiro pode não ser tudo, mas tem o seu peso, ainda mais quando se fala em carreiras curtas, como a de um atleta. Quando em causa está a Movistar é difícil não pensar que o ordenado só pode ser melhor. No entanto, segundo o site Ciclo21, não foi isso que aconteceu. O director da formação espanhola, Eusebio Unzué terá oferecido 31 mil euros num contrato válido por um ano, com possibilidade de ser renovado. No site lê-se que a W52-FC Porto lhe terá dado mais do dobro. E como é salientado no Ciclo21, Alarcón receber um ordenado mais alto numa equipa da terceira divisão do que se fosse para a espanhola do World Tour.

Alarcón escolheu assim continuar como líder, em detrimento de se tornar um gregário de Nairo Quintana, Mikel Landa e/ou Alejandro Valverde. Ganha a W52-FC Porto e ganha o pelotão nacional que vê ficar um dos melhores ciclistas. Outro factor a ter em conta é que a equipa está a preparar a subida de escalão, para o Profissional Continental, que poderá acontecer em 2019.

De referir ainda que Raúl Alarcón foi o escolhido para receber o Dragão de Ouro, sucedendo assim a Rui Vinhas, que em 2016 ganhou a Volta a Portugal.


1 de maio de 2017

Raúl Alarcón vence Volta às Astúrias e deixa Nairo Quintana no segundo lugar. W52-FC Porto foi a melhor equipa

(Fotografia: Facebook Volta às Astúrias)
Mais um grande resultado para a formação liderada por Nuno Ribeiro. O director desportivo da W52-FC Porto continua a gerir como poucos podem fazer em Portugal o seu plantel e depois de Amaro Antunes, Gustavo Veloso e Rui Vinhas já terem alcançados excelentes resultados, viu agora Raúl Alarcón conquistar uma vitória. E quando o plano passa por subir ao escalão Profissional Continental em 2018, vencer a Volta às Astúrias e deixar no segundo lugar um dos melhores ciclistas da actualidade... será difícil pensar numa melhor motivação para toda a equipa e num melhor cartão de visita.

Podem dizer que Quintana não esteve a fundo, que estava a preparar a Volta a Itália que começa já na sexta-feira, que não era uma super Movistar que esteve nas Astúrias. De facto, só um dos ciclistas, José Herrada, também vai ao Giro - o português Nuno Bico esteve presente -, mas este Quintana não participa por participar e a prova é que ganhou a segunda etapa. Claro que o cuidado foi certamente maior, afinal uma queda, por exemplo, poderia estragar os planos para a dobradinha Giro/Tour que o colombiano ambiciona. Porém, Alarcón - 31 anos e desde 2011 no pelotão português - esteve muito bem, atacando na última etapa e cortando isolado a meta em Oviedo. O espanhol tinha vestido a camisola da liderança no domingo e segurou-a na derradeira tirada, deixando Quintana a 32 segundos na geral. A W52-FC Porto garantiu a vitória na classificação por equipas e Alarcón levou ainda a camisola dos pontos.

Mas esta Volta às Astúrias teve mais "toques" de portugueses. João Benta tinha recentemente salientado ao Volta ao Ciclismo que a Volta às Astúrias e a Volta à Comunidade de Madrid (de 5 a 7 de Maio) eram duas corridas em que queria apresentar-se bem. O ciclista da Rádio Popular-Boavista foi terceiro na etapa e quarto na geral, com o mesmo tempo que veterano Oscar Sevilla (Medellin-Inder).

Na geral, Alejando Marque (Sporting-Tavira) foi quinto, Ricardo Mestre (W52-FC Porto) ficou na sétima posição, com o colega Joaquim Silva a terminar na nona. De referir ainda que Ricardo Vilela (Manzana Postobón) foi oitavo.

Nas Astúrias estiveram cinco das seis equipas de elite portuguesas, faltando apenas a Efapel. A W52-FC Porto e a Rádio Popular-Boavista seguem agora para a Volta à Comunidade de Madrid. Haverá outros portugueses em prova, como Rafael Reis (Caja Rural), Ricardo Vilela (Manzana Postobón) e Nuno Meireles (Equipo Bolivia).

Veja aqui os resultados finais da Volta às Astúrias.

»»A internacionalização da W52-FC Porto rumo ao próximo nível««

»»João Benta: "O melhor na minha carreira ainda está certamente para vir"««

17 de janeiro de 2017

W52-FC Porto com novo patrocinador no ano da consolidação, a olhar para a subida de escalão

Estabilidade. Era isso que Nuno Ribeiro mais queria para a equipa, esperando que depois de um 2016 dominador, pudesse manter se não todos, quase todos os ciclistas. Só não conseguiu parar a ambição de Rafael Reis, que nunca escondeu o desejo de "dar o salto", apesar de estar agradecido por ter recuperado a alegria na equipa do Sobrado. Manteve o líder Gustavo Veloso e a nível de reforços, o destaque vai para Amaro Antunes, além do espanhol Jacobo Ucha e o jovem português Tiago Ferreira. Esta terça-feira foi anunciado mais um reforço muito importante: entrou mais um patrocinador, num ano que o director desportivo deseja que seja de consolidação do projecto, de forma a aspirar à subida ao escalão Profissional Continental em 2018.

A Mestre da Cor é uma empresa de tintas multimarca, sediada em Santa Maria da Feira. A equipa anunciou que em 2017 se chamará então W52-FC Porto-Mestre da Cor, saindo o Porto Canal. No comunicado não foi adiantado por quanto tempo será a parceria, mas de recordar que o FC Porto assinou por cinco anos e o primeiro dificilmente poderia ter sido melhor, com a equipa a ser a melhor portuguesa (à imagem do que aconteceu em anos anteriores). Venceu a Volta a Portugal por Rui Vinhas - uma surpresa, é certo, já que o líder era Gustavo Veloso, mas o objectivo foi cumprido - e somou outras vitórias, oito por intermédio de Rafael Reis, que foi ainda número um do ranking nacional.

Substituir Rafael Reis não será fácil, mas a contratação de Amaro Antunes tem tudo para ser uma mais valia, ainda que diferente do ciclista de Palmela. Antunes chega à equipa após a extinção da LA Alumínios-Antarte e apesar de também ambicionar conseguir um contrato com uma equipa de outro escalão, considerou que a melhor proposta para continuar a sua evolução era a W52-FC Porto e será muito interessante vê-lo ao lado de Gustavo Veloso.

O início da temporada em Portugal aproxima-se com a primeira corrida, Troféu Liberty Seguros, a realizar-se a 5 de Fevereiro, na região de Aveiro.

»»Amaro Antunes reforça W52-FC Porto: “Quando queremos evoluir temos de estar onde há qualidade”««

»»Gustavo Veloso: “Se voltasse atrás não mudaria nada do que fiz na Volta a Portugal”««

»»Ricardo Mestre: "Estou a desfrutar muito mais da bicicleta"««

»»"Receber o Dragão de Ouro foi um enorme orgulho porque vou ficar com o meu nome gravado na história de um grande clube"««

27 de agosto de 2016

2018 poderá "ser o ano certo" para a W52-FC Porto subir de escalão

A notícia animou o ciclismo nacional: a W52-FC Porto quer subir de escalão, para o Profissional Continental (o segundo da hierarquia). Porém Nuno Ribeiro, director desportivo da equipa, coloca água na fervura. A ambição existe, mas para concretizar o objectivo a equipa pretende criar condições que lhe ofereçam solidez na estrutura para assumir a responsabilidade. "Neste momento, subir de escalão, estar lá um ano e depois baixar porque não temos condições... acho que não vale a pena", afirmou Nuno Ribeiro ao Volta ao Ciclismo, afastando a possibilidade da subida acontecer já em 2017.

O director desportivo da equipa que venceu a Volta a Portugal, com Rui Vinhas, salientou que "para ser Profissional Continental é preciso cumprir requisitos em termos de inscrição" e que neste momento "já é um bocado tarde". Mas o plano está traçado para tentar em 2018 ou em 2019. "Temos uma estrutura criada, mas temos de criar condições para atingir esse objectivo. É toda uma logística que não se consegue de um momento para o outro", referiu. Nuno Ribeiro considerou ser importante construir uma base sólida para que ao estar no escalão superior, a equipa tenha condições para "estar lá três anos e se for possível mais tempo".


 "Temos uma estrutura criada, mas temos de criar condições para atingir esse objectivo. É toda uma logística que não se consegue de um momento para o outro"

Neste primeiro ano de parceria com o FC Porto, o responsável realçou que foi uma fase de conhecimento da modalidade, "da sua organização", para o novo patrocinador. "No segundo ano vamos tentar criar mais estabilidade orçamental e em termos de equipa para depois começar a pensar em trabalhar no objectivo [subir de escalão]". Acrescentou ainda: "Temos estatuto, temos um contrato de longa duração com o FC Porto, temos de tentar explorar essa situação. Se houver oportunidade em termos financeiros e se for compensatório para a equipa, há possibilidade de subir de escalão."

O plano parece estar bem delineado, pois Nuno Ribeiro refere que mesmo como Profissional Continental "no primeiro ano será difícil entrar em algumas corridas. Porém, "com uma boa estrutura", a equipa de Sobrado poderá ter acesso "a outro tipo de corridas", o que contribuirá para a imagem do ciclismo português e mesmo "em termos de pontuação de ranking". "Acho que todos ficam a ganhar, até a própria federação."

"Parceria com o FC Porto funcionou logo"

O ciclismo nacional foi surpreendido no início do ano com a entrada do Sporting e logo de seguida do FC Porto. Os leões até foram os primeiros a abordarem a W52, mas o negócio não avançou, com os portistas a fecharem o contrato por cinco anos. "A parceria está a correr muito bem. Funcionou logo. Nós temos o controlo da total da equipa e eles têm mais a parte de marketing e imagem e de todo esse processo que dominam melhor do que nós. Eles não se meteram na parte desportiva e a partir daí é tudo mais fácil", salientou Nuno Ribeiro.

O director desportivo da equipa considera que este regresso do FC Porto "foi um benefício para o ciclismo" nacional, realçando que a vitória na Volta a Portugal deixou todos satisfeitos.

A W52-FC Porto dominou a competição, sendo claramente a equipa mais forte e Nuno Ribeiro diz que a formação funciona "quase como uma família". "Temos ciclistas que têm aqui estado ao longo dos anos, ciclistas de qualidade, e temos outros que chegaram de outras equipas que conseguimos tirar rentabilidade e acabámos por ter uma equipa mais forte e mais importante", afirmou.


"Espero que não saia nenhum ciclista. Fazem parte da nossa família e não temos nada a alterar porque estamos bem servidos"

Gustavo Veloso era o líder indiscutível da equipa e mostrou ser o ciclista mais forte na Volta a Portugal. Porém, uma fuga acabou por entregar a amarela ao colega Rui Vinhas que de gregário se viu na posição de ganhar a competição, que concretizou com o contra-relógio da sua vida na última etapa, em Lisboa. Irá a equipa exigir mais de Vinhas? "Não tenho que exigir mais dele. Ele próprio tem de exigir mais dele porque ao ganhar a Volta a Portugal, as pessoas olham com outros olhos para ele como ciclista", respondeu, considerando que Rui Vinhas "tem de gerir a imagem dele", enquanto a equipa tentará "explorar ao máximo essa situação [desportiva]".

Perante o domínio e as vitórias este ano, Nuno Ribeiro quer "manter ao máximo os ciclistas". "Se conseguirmos manter todos era bom. Espero que não saia nenhum", admitiu. "São ciclistas que fazem parte da nossa família e não temos nada a alterar porque estamos bem servidos."

Equipa estará nos Mundiais do Qatar

A UCI revelou quinta-feira as quotas para os Mundiais, de 9 a 16 de Outubro. Na lista das equipas convidadas para disputar o contra-relógio surge a W52-FC Porto, situação que surge após a boa temporada que permitiu ter um bom ranking. Um momento de prestígio para o ciclismo nacional. No entanto, Nuno Ribeiro disse ser ainda cedo para falar em objectivos já que vai agora começar a preparar a competição. No entanto, há que referir que a formação tem dois dos melhores contra-relogistas em Portugal: Gustavo Veloso e Rafael Reis.

(Veja aqui a lista divulgada pela UCI)

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»»"Todos os gregários deviam ter um momento de glória como eu tive"««

15 de agosto de 2016

Não podíamos ficar apenas pela boa notícia?

A W52-FC Porto dominou a Volta a Portugal e já pensa noutros objectivos
(Fotografia: Volta a Portugal)
Tão rapidamente se recebe uma excelente notícia, que poderia confirmar indicações de um crescimento do ciclismo nacional, como logo aparece outra que nos recorda a difícil realidade desta modalidade. Por um lado temos uma W52-FC Porto a ambicionar subir de escalão, para o Profissional Continental, mas por outro Portugal prepara-se para perder uma equipa que há muito pertence ao pelotão nacional: a LA Alumínios-Antarte.

Mas vamos começar pela boa notícia. O regresso do FC Porto e do Sporting este ano ao ciclismo deram um novo alento à modalidade, desde, claro, que seja para ficar e não para abandonar rapidamente os projectos. Os portistas aliaram-se à melhor equipa nacional - que foi inicialmente sondada pelos leões - e sabiam bem que estavam a juntar mais um condimento a uma receita de sucesso.

A W52-FC Porto tem desde 2013 dominado o panorama nacional, como comprovam as vitórias na Volta a Portugal. Começou como OFM/Quinta da Lixa, passou a W52/Quinta da Lixa, até que este ano chegou um patrocinador que parece mesmo ser de peso e não apenas para reaparecer no ciclismo, para rapidamente sair, como tem acontecido com alguns clubes de futebol.

Com o comprometimento do FC Porto e com mais quatro anos de contrato, o discurso do director desporto, Nuno Ribeiro, deixa antever que Portugal poderá ganhar destaque também a nível de equipas, depois de nos últimos anos ter tido tantos ciclistas a entrar em alguns dos melhores conjuntos mundiais, além, claro de ter um campeão do mundo, Rui Costa. Ter uma equipa nacional no segundo escalão mundial abre muitas portas, nomeadamente a do World Tour, pois a equipa poderá assim ser convidada para algumas das provas do principal escalão, inclusivamente uma Volta a Espanha, por exemplo.

Mas até lá haverá muito trabalho a fazer, se realmente a W52-FC Porto quiser dar este passo importante. E Nuno Ribeiro é o primeiro a resfriar algum entusiasmo antecipado: é preciso orçamento, que poderá ter de rondar o milhão de euros. Claro que estaremos também a falar de um calendário diferente, que irá obrigar a equipa a fazer mais uma ou outra contratação, porque de pouco vale subir de escalão, se não for para ser competitiva.

É de facto uma grande notícia, depois de anos a ver o ciclismo português a viver em aflição e muito às custas de alguns empresários que realmente gostam da modalidade e vêem nela o potencial publicitário, principalmente na Volta a Portugal, claro. Agora o país poderá ter um conjunto no segundo escalão.

Porém, tão rápido se subiu às nuvens com o que parecia ser um futuro risonho como se caiu com estrondo. A LA Alumínios-Antarte, uma das equipas já com muitos anos de pelotão nacional, vai fechar as portas devido ao receio que se possa estar a regressar a um passado sombrio.

"A verdade é que, actualmente, o responsável da LA-Antarte teme que o ciclismo esteja a caminhar para novos escândalos, como os ocorridos em 2008, quando se registou a intervenção e buscas da Polícia Judiciária. Mário Rocha lembra ainda que no caso de 2009, a Liberty Seguros acabou por retirar o seu apoio à equipa, após a descoberta de três escândalos de doping, incluindo o vencedor da Volta a Portugal", lê-se no comunicado da equipa, segundo o Sapo Desporto. Mário Rocha refere-se a Nuno Ribeiro, o actual director desportivo da W52-FC Porto. “Estão em causa valores como o rigor e a disciplina que devem, além da obrigatória verdade desportiva, nortear a modalidade", refere a nota.

Hugo Sancho venceu em Mortágua, mas ele e os colegas terão
começar a procurar equipa para 2017
(Fotografia: Facebook LA Alumínios-Antarte)
 
A opção apanha todos de surpresa, ainda mais quando se olha para uma LA que contratou este ano Alejandro Marque, vencedor da Volta a Portugal em 2013, e conta ainda com uma das grandes promessas nacionais Amaro Antunes. Principalmente volta a levantar suspeitas, quando precisamente desde aquele ano que o ciclismo em Portugal tem tentado limpar a sua imagem, que ficou bastante melindrada, pois naquela altura a Liberty Seguros era uma equipa com alguma projecção internacional.

Das suspeitas esta modalidade nunca se há-de livrar, mas este comentário de Mário Rocha deixa desde logo algum mal-estar. No entanto, não havendo casos comprovados, para já há apenas que lamentar que a LA Alumínios-Antarte tome uma decisão tão radical, tendo em conta a importância que tem no pelotão. Ainda assim, parece que os seus ciclistas vão lutar até ao fim, pois Hugo Sancho - ele que foi expulso da Volta a Portugal por se ter agarrado a um carro - venceu o Grande Prémio de Mortágua, no sábado.

Com este final da LA, o mercado em Portugal vai ficar bem mexido, com vários ciclistas livres e à procura de equipa, sendo que o futuro de Amaro Antunes é dos que mais curiosidade gera.