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10 de fevereiro de 2018

"É motivante regressar [ao Miranda-Mortágua], ainda mais depois de tudo o que aconteceu"

Nuno Meireles sabia que ao aceitar a proposta da Equipo Bolivia poderia viver uma aventura. Estava preparado para tudo, menos para a situação que o marcou negativamente e o deixou de fora de competição mais de meio ano. O dinheiro não chegava aos ciclistas e sem receber, foram os próprios que decidiram em Junho, após o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela, que ou recebiam, ou não correriam mais. Foram longos meses até que no passado domingo (dia 4), Meireles regressou finalmente às corridas. Feliz, aliviado e principalmente motivado para colocar definitivamente para trás uma má fase da sua carreira e contribuir para a nova era da equipa que o formou como atleta.

"Estou feliz, estou motivado e é uma sensação muito boa voltar a pôr o dorsal nas costas", desabafou Nuno Meireles ao Volta ao Ciclismo. Com apenas 26 anos, o ciclista não queria pensar sequer em deixar a modalidade, mas não esconde que foram tempos difíceis. "Marcou-me. Foi uma fase muito negativa. Quando se pensa que só acontece às outras equipas e depois estamos a passar por esta situação... Normalmente pensa-se que lá fora é que está o melhor, melhor do que cá, mas nós em Portugal temos muito boas condições", salientou, não tendo dúvidas que se aparecer uma nova oportunidade para ir para uma formação estrangeira: "Agora vou pensar muito bem!"

Nuno Meireles explicou que alguns dos ciclistas "não tinham recebido um cêntimo até Junho". "Eu ainda recebi algum", disse. A última vez que competiu foi a 4 desse mês, na terceira e última etapa do Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela. Os ordenados nunca foram regularizados, pelo que Meireles viu-se obrigado a pensar no futuro e prepará-lo longe das corridas. O Miranda-Mortágua, que o ajudou a formar-se como ciclista, acabou por ser também a estrutura que lhe permite retomar a carreira. "É especial voltar aqui. Foi aqui que me fiz como ciclista, foi aqui que aprendi quase tudo o que sei. É motivante regressar, ainda mais depois de tudo o que aconteceu."

"Agora aumentou a responsabilidade, mas [o Miranda-Mortágua] tem condições que poucas equipas oferecem. Tenho toda a certeza que iremos estar preparados para esse desafio [da Volta ao Algarve]"

No ano em que a equipa subiu ao escalão Continental, ainda que seja sub-25, Meireles tem funções bem diferentes ao que estava habituado, recordando que esteve dois anos na LA Alumínios-Antarte (2015 e 2016). Será um líder, com a responsabilidade de ajudar os jovens que formam o plantel, partilhando esse papel com António Barbio. "Temos de dar o nosso melhor, fazer resultados e espero que nós e os jovens possamos levar ao pódio o nome do Miranda-Mortágua", afirmou, acrescentando que os ciclistas mais novos são de grande talento e que acredita que podem lutar por bons resultados. Ficou ainda a garantia que, apesar da falta de experiência ao mais alto nível de grande parte do plantel - só Meireles e Barbio são profissionais, como ditam os regulamentos -, o Miranda-Mortágua está preparado para enfrentar todos os desafios, como a Volta ao Algarve, que contará com 13 equipas do World Tour.

Meireles destacou mesmo que se está a falar de uma equipa que pode ter subido de escalão este ano, mas há algum tempo que apresentava uma estrutura de elevado nível: "É uma equipa que é profissional há muito tempo. Agora aumentou a responsabilidade, mas tem condições que poucas equipas oferecem. Tenho toda a certeza que iremos estar preparados para esse desafio [da Volta ao Algarve]." O Miranda-Mortágua irá apresentar-se na Algarvia com, além de Meireles e Barbio, Hugo Nunes, Damien Marques, Gonçalo Carvalho, Jorge Magalhães e o campeão nacional de sub-23, Francisco Campos.

A época começou com uma Prova de Abertura Região de Aveiro marcada por uma queda perto do final, que partiu o pelotão e não permitiu a Meireles, nem aos colegas tentar repetir a vitória de há um ano, por intermédio de Francisco Campos. Antes do arranque, Meireles não escondeu que sentiu ansiedade. "É normal. Estava à espera deste momento, de voltar a competir, voltar a sentir a adrenalina da competição." Treinou duramente na pré-época, pois a ambição é grande, mas a simples vontade de competir é, devido a tudo o que passou, maior. Há que olhar em frente e é essa atitude de Nuno Meireles: "Foi mais de meio ano parado, mas agora estou de volta!"

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6 de março de 2017

"Vamos ver a Equipo Bolivia em Portugal muitas vezes"

O pelotão nacional está a habituar-se a ter uma formação boliviana a competir ao lado das portuguesas. Apesar de ser do outro lado do Atlântico, a Equipo Bolivia tem a sua sede em Salamanca e conta com uma forte presença espanhola entre os seus ciclistas. O director desportivo é também ele espanhol, Laudelino Cubino, que em finais da década de 80 e na de 90 conquistou etapas na Volta a Espanha e no Giro, fez top dez na Vuelta, tendo vencido uma Volta à Catalunha em 1990. Agora, aos 53 anos, tenta fazer crescer um projecto que pretende dar projecção aos corredores bolivianos, mas a contratação de espanhóis e de um português demonstra que quer ter o seu espaço nas corridas europeias. E Portugal é visto como o país ideal para ganhar ritmo e experiência.

"Vamos ver a Equipo Bolivia em Portugal muitas vezes. Queremos estar em todas as corridas continentais que se realizem cá. Estou a falar com os organizadores dessas provas para garantir a nossa presença", explicou Laudelino Cubino ao Volta ao Ciclismo. A presença na Volta a Portugal é um dos principais objectivos da temporada, mas o director desportivo sabe que terá de mostrar resultados para conseguir entrar no lote de formações eleitas para a principal competição portuguesa. "Sei que é muito difícil, mas queremos ganhar corridas em Portugal. Queremos mostrar-nos para estarmos na Volta a Portugal. Estivemos na Volta a San Juan [Argentina] e mesmo ao tendo a concorrência de equipas do World Tour, estivemos muito bem para uma formação com a nossa dimensão. No Challenge de Maiorca subimos ao pódio, quando o nosso ciclista venceu as metas volantes. Foi um resultado muito importante", salientou.

"Sei que é muito difícil, mas queremos ganhar corridas em Portugal. Queremos mostrar-nos para estarmos na Volta a Portugal"

Tanto na prova de abertura Região de Aveiro, como no domingo na Clássica da Arrábida, os ciclistas da Equipo Bolivia tentam mostrar-se, mas ainda falta a desejada vitória. O português Nuno Meireles (25 anos, que em 2015 e 2016 competiu na LA Alumínios-Antarte) é visto como um corredor importante para que a equipa possa crescer e sendo um conhecedor das provas nacionais, Laudelino Cubino espera tirar proveito dessa experiência. "Temos bolivianos, argentinos, colombianos, espanhóis e eu queria um ciclista português. Contratámos o Nuno e espero que ele tenha um bom desempenho nas corridas em Portugal", referiu Cubino.

A equipa tem o apoio do Ministério do Desporto da Bolívia e a escolha de Laudelino Cubino foi para tentar garantir um homem com experiência para que a formação possa crescer e chegar ao escalão Profissional Continental e tentar abrir as portas para que algum boliviano possa chegar ao mais alto nível do ciclismo. E claro, como se pode ver nas camisolas, é também uma forma de promover o país sul-americano. Cubino mostra-se motivado pelo grande desafio que abraçou e que irá estar nas estradas portugueses à procura de encontrar o caminho do sucesso.

1 de dezembro de 2016

"Ir para a equipa Bolívia é sem dúvida uma aventura"

(Fotografia: Facebook de Nuno Meireles)
Bem disposto, relaxado, mas um pouco nervoso com a mudança que se aproxima na sua vida. Foi com este estado de espírito que decorreu a conversa com Nuno Meireles, ciclista que surpreendeu ao escolher o novo projecto boliviano para prosseguir a sua carreira. Aos 25 anos resolveu arriscar, admitindo que será uma aventura. No entanto, acredita que a equipa tem tudo para ser um bom projecto que lhe pode, eventualmente, abrir outras portas. "Vou um bocado às cegas, mas resolvi arriscar. É sem dúvida uma aventura, mas o ciclismo tem destas coisas", salientou ao Volta ao Ciclismo, esperando que tudo possa correr muito bem em 2017.

Nuno Meireles viu-se sem equipa com o final da LA Alumínios-Antarte. "Cá não ia ser fácil arranjar uma equipa e surgiu esta oportunidade por intermédio do meu empresário", contou. O ciclista português acrescentou que tinha outra proposta de uma equipa espanhola, mas acabou por ser atraído pelo projecto boliviano: "A equipa vai fazer um bom calendário e parecem ter boas condições. Falaram-me muito bem do senhor Laudelino Cubino [director desportivo] e pelas informações que tenho, a equipa tem tudo para ser um bom projecto."

A formação irá competir pela América do Sul, mas também quer marcar presença em competições em Portugal, Espanha e França. E a Volta a Portugal é um dos objectivos. Só no final de Janeiro ou princípio de Fevereiro Nuno Meireles vai estar presente na concentração e aí sim ficará a conhecer em pormenor o que esperam dele. Contudo, considera que "se fizer bem o trabalho" que lhe for proposto, "isso já significará uma boa época". E admitiu que o facto de ter a possibilidade de estar em corridas que com uma equipa portuguesa dificilmente estaria, poderá ter mais visibilidade e chamar a atenção para continuar a sua carreira no estrangeiro.

"Se calhar ainda não encaixei bem que as coisas vão mudar e até confesso que estou com algum nervosismo"

Apesar de uma aparente postura relaxada, Nuno Meireles deixou uma confissão: "Se calhar ainda não encaixei bem que as coisas vão mudar e até confesso que estou com algum nervosismo." Porém, espera que o facto de conhecer alguns dos espanhóis também contratados pela equipa possa ser positivo para a sua adaptação.

Perante uma mudança de equipa tão inesperada, como reagiram a família e amigos? "Ninguém estava à espera. A família só quer que corra tudo bem e que seja mais uma aventura, tal como os amigos." Fica ainda um desejo de ter a oportunidade de visitar a Bolívia, já que vai competir por uma equipa daquele país: "Seria muito bom ir lá."

Participar na Volta a Portugal é um dos principais objectivos da equipa

A equipa Bolívia vai estrear-se no escalão Continental, mas também terá uma formação amadora e uma feminina. Conta com o apoio do governo e terá o antigo ciclista espanhol Laudelino Cubino como director desportivo. A liderança de Cubino terá sido decisiva não só para Nuno Meireles escolher a equipa boliviana, mas também para os ciclistas espanhóis. Cubino competiu nos anos 80 e 90, contando com vitórias de etapas na Vuelta e Giro, tendo inclusivamente sido terceiro na Volta a Espanha em 1993. Venceu a Volta à Catalunha três anos antes.

"A nossa principal ambição será a Volta a Portugal na Europa e a Volta à Colômbia na América"

Cubino explicou ao Volta ao Ciclismo porque escolheu o antigo corredor da LA Alumínios-Antarte: "Queríamos um ciclista português que nos facilitasse a entrada em corridas em Portugal, onde temos muito interesse em correr e o Nuno foi recomendado como sendo um ciclista de equipa." Acrescentou que o agente Javier Fernández referiu Nuno Meireles como "um bom ciclista para ajudar os companheiros".

Nuno Meireles disse que a equipa estaria no Grande Prémio Jornal de Notícias e no Grande Prémio Beira Baixa, mas Cubino aponta mais alto: "A nossa principal ambição será a Volta a Portugal na Europa e a Volta à Colômbia na América. Vamos solicitar em breve as inscrições para estas e outras corridas, tanto em Portugal, Espanha, França e América do Sul." O director desportivo garante que conta "com uma equipa muito competitiva" que poderá participar nessas provas de forma "muito digna".

Em Espanha, já tem presença garantida no Grande Prémio Miguel Indurain, Amorebieta, Volta a Castela e Leão e na clássica Villafranca de Ordizia.

Projecto importante para o ciclismo na Bolívia

A equipa surge com a intenção de ajudar a desenvolver a modalidade no país, de forma a que os ciclistas possam competir a um nível mais elevado. "É um projecto muito importante para o ciclismo na Bolívia porque os atletas contam com excelentes condições para se tornarem grandes no ciclismo e poucos são os que têm tido a oportunidade de se mostrarem a nível internacional", explicou ao Volta ao Ciclismo Lina Lopera, responsável pela comunicação da equipa. Considera que é "uma grande oportunidade para [os ciclistas] melhorarem a sua preparação", sendo importante poder privar com os estrangeiros que estão na equipa e "que têm uma maior experiência".

A dar os primeiros passos no ciclismo no escalão Continenal, o plano da equipa passa por subir nos próximos anos, quem sabe até ao World Tour. Para já, Lina Lopera destacou que talvez um dos ciclistas da Bolívia consiga chegar a uma equipa do escalão máximo do ciclismo.

Quanto à aposta numa equipa feminina, a responsável explicou que "as mulheres destacam-se cada vez mais no ciclismo e o Ministério do Desporto da Bolívia quis também inclui-las e apoiar assim o crescimento do ciclismo feminino no país".

Aqui ficam os nomes dos futuros colegas de Nuno Meireles:
Bacilio Ramos Ticona, Gilver Zurita Ferrufino, Javier Arando Ramos, Piter Campero Villarroel, Carlos Ludwing Amurrio Barrientos, Freddy Gonzales Soto (todos da Bolívia), Jefferson Alveiro Cepeda Hernández (Equador), Marvin Orlando Angarita Reyes, Omar Alberto Mendoza Cardona (ambos da Colômbia), Julián Barrientos (Argentina), Iván Martínez Jiménez, Sergio Rodríguez Reche, Egoitz García Echeguibel, Pedro Gregori Martínez e Carlos Antonio Jiménez Lozano (o quinteto espanhol).

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