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22 de outubro de 2017

Astana tem dinheiro mas não chega para segurar os seus líderes

Dinheiro não é problema, mas não é suficiente e a Astana é exemplo disso. A equipa do Cazaquistão não consegue segurar os seus líderes das grandes voltas. Em dois anos perde as duas referências, que conquistaram as três competições e no final de 2015 saiu aquele que tinha todo o potencial para vir a assumir essa função, Mikel Landa. Vincenzo Nibali bateu com a porta, depois de ter dado à Astana dois Giros e um Tour, agora é Fabio Aru que se prepara para dizer adeus, depois de uma Vuelta ganha em 2015. Assinou pela UAE Team Emirates de Rui Costa. Ambos os italianos não parecem sair com a melhor das relações com o director Alexander Vinokourov. Mas este não é problema que se resume ao antigo ciclista. Alberto Contador, por exemplo, saiu no final de 2010 e deixou a equipa orfã de uma referência, depois de no ano antes dois dos principais nomes terem estado no plantel: o espanhol e Lance Armstrong.

Essa foi uma época que ainda hoje é recordada, principalmente pela clara divisão que havia na equipa. Mas são outras histórias. Agora a Astana volta a ficar não sem ninguém, mas com alguém com pouca experiência e ainda muito jovem. Miguel Ángel López tem a oportunidade de ouro de ser a única escolha para as grandes voltas. Jakob Fuglsang ganhou o Critérium du Dauphiné - de forma brilhante, diga-se - mas não convence para as três semanas. López tem apenas 23 anos e a sua afirmação tem sido um pouco aos soluços devido a quedas. Porém, depois de muitos meses sem competir por uma fractura na perna, o colombiano chegou à Vuelta, venceu duas etapas e fez oitavo na geral. Estará pronto para assumir a candidatura a um pódio, pelo menos?

Vinokourov não terá hipótese senão tentar apostar em López, se o mercado não trouxer nenhuma surpresa de última hora. Certo é que não terá um ciclista de renome disponível. E não foi por falta de tentativa. Perante a mais que certa saída de Aru, o responsável cazaque tentou tudo: levou um não de Rigoberto Uran, que preferiu ficar na estrutura da Cannondale-Drapac após ficar garantido um novo patrocinador para 2018; tentou explorar a relação mais distante entre Eusebio Unzué e Nairo Quintana na Movistar, mas o colombiano quer cumprir contrato com a formação espanhola; ainda tentou o regresso de Mikel Landa, mas depois de ter deixado a Astana há dois anos, nem quis pensar em regressar.

Landa era então um ciclista com futuro e quem bem esteve no Giro de 2015, como gregário de Aru. Agora é uma confirmação que a Astana perdeu um excelente ciclista a quem lhe falta agora uma vitória numa grande volta. Nibali pertence à elite de quem venceu as três e Aru é inevitavelmente uma das principais esperanças italianas de continuar a ganhar depois da Vuelta há dois anos.

A personalidade forte de Vinokourov é bem conhecida. Estes três ciclistas também a têm. Nem sempre é fácil conjugar a vontade de todos. Nibali, por exemplo, saiu mesmo de costas voltadas para o cazaque. Quando percebeu que não haveria hipótese de manter o seu estatuto perante o despontar de Aru, Nibali bateu com a porta e foi para a nova Bahrain-Merida. A Astana não se importou. Afinal tinha a sua nova grande estrela. Porém, este ano deparou-se com a intenção do italiano seguir o seu caminho. É certo que Aru estava a pedir um ordenado bem alto (fala-se em mais de dois milhões por ano), mas esse não terá sido o problema. As declarações de Vinokourov deixam transparecer que havia algo mais.

"Nunca comentou o seu desejo de sair. Questionámos regularmente sobre o seu futuro e nunca recebemos resposta", disse ao L'Equipe. O responsável disse mesmo que soube da assinatura com a UAE Team Emirates pela imprensa, criticando a atitude porque agora a Astana fica "numa situação complicada para contratar", por ser "demasiado tarde". Que Vinokourov não soubesse das intenções de Aru, ninguém acredita, mas denota que a comunicação entre os dois já não era a melhor...

Numa perspectiva de quem gosta de ciclismo, poder ver López a ter mais oportunidades é óptimo, tendo em conta que é um ciclista que dá espectáculo e vitórias. É chamado de Superman López e na Colômbia já vai roubando as atenções a Quintana e Uran. Quanto a contratações, o espanhol Omar Fraile é um bom corredor para lutar por etapas e gosta muito de tentar as camisolas da montanha. Jan Hirt será a curiosidade. Este checo de 26 anos esteve muito bem no Giro, ao serviço da CCC Sprandi Polkowice - futura equipa de Amaro Antunes -, mas falta saber como será a sua adaptação ao World Tour. Talento tem, mas às vezes não chega.

Este ano a Astana perdeu Michele Scarponi pela pior das razões. Era um ciclista muito importante, mesmo estando relegado a um papel secundário. Com a saída de Aru, não só poderia reassumir uma liderança, como aliás estava previsto acontecer no Giro100 antes do atropelamento mortal, como seria essencial para ajuda à "educação" de López.

Não se adivinha uma época de 2018 fácil para a Astana, que já passou por momentos idênticos - quando Contador saiu - e acaba sempre por reaparecer em grande. Até porque, lá está, dinheiro não é problema. Já a comunicação...

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»»Fabio Aru na UAE Team Emirates. Que papel terá Rui Costa em 2018?««

19 de outubro de 2017

Unzué contra o pavé na Volta a França. E muito se vai falar da Movistar até ao Tour...

Quintana não teve a melhor das temporadas e em 2018 aposta tudo no Tour
(Fotografia: Facebook Movistar)
Ainda estamos a mais de nove meses da Volta a França, a actual temporada nem terminou, e já muito se fala do próximo Tour e muito se irá falar da Movistar até lá. Quando a corrida começar a 7 de Julho, é possível que quase dê para escrever um livro com os episódios que se esperam na equipa espanhola. O primeiro capítulo promete acção para os próximos: Mikel Landa foi contratado e disse que acredita que pode disputar o Tour. Nairo Quintana como que respondeu quando afirmou: "Eu serei o líder." Até recordou que já tinha passado por episódio idêntico com Alejandro Valverde... Mas talvez não seja tão idêntico... Entretanto o director desportivo, Eusebio Unzué, criticou a escolha de colocar pavé no percurso do Tour. Fala em perigo, mas poderá estar a pensar que Quintana e Landa não se adaptam nada bem ao pavé e que tudo se pode perder naquela tirada.

"Não entendo esta decisão [de incluir] o pavé. É demasiado perigoso. O ciclismo já é um desporto de risco e no pavé os riscos multiplicam-se. O pavé deveria ser para o Paris-Roubaix e mais nada", afirmou Unzué ao jornal francês L'Equipe. A etapa será a nona, com 21,7 quilómetros de empedrado distribuídos por 15 sectores, todos já dentro dos 100 quilómetros finais. Ninguém refuta a ideia do perigo, mas o pavé vá além do Paris-Roubaix. É o monumento marcado por esse terreno, mas há todo um conjunto de clássicas que inclui este piso, inclusivamente outro monumento, a Volta a Flandres, ainda que em menor número e muitas vezes menos "agressivo". É perigoso, mas é uma fase da temporada simplesmente épica, de resistência, perseverança, muitas vezes de sobrevivência. É, de facto, um ciclismo muito próprio.

E não, Quintana, Landa, Froome, Bardet, Aru... não são feitos para este tipo de piso, contudo, está também aí a beleza de voltar a integrar o pavé no Tour. Sair das áreas de conforto e triunfar, também define os campeões.

Eusebio Unzué gostou do percurso apresentado na terça-feira, considerando que se adapta perfeitamente às características do ciclista colombiano, que em 2018 irá regressar ao objectivo do sueño amarillo, deixando de parte o pensamento da dobradinha Giro/Tour. Em 2015, Quintana até esteve bem na etapa do pavé no Tour, não perdendo tempo. Porém, Unzué sabe que se há dia em que pode perder tempo, até de forma irremediável, é no de Roubaix. Quintana é um ciclista leve, como normalmente acontece com os trepadores puros. Aguentar as trepidações do pavé não é fácil, além de ser necessária alguma destreza num percurso tão irregular para evitar quedas. Se estiver mau tempo - mesmo sendo Verão é absolutamente possível acontecer naquela zona do país -, o pavé torna-se no verdadeiro "Inferno do Norte", como aliás é conhecido o Paris-Roubaix. Aconteceu em 2014 e foi o caos.

Com um contra-relógio com subidas na penúltima etapa, Unzué sabe bem que Quintana vê reduzida a diferença técnica para Chris Froome e Tom Dumoulin (se o holandês for a França, pois mantém o suspense). O responsável da Movistar gostaria que a sua maior preocupação antes da chegada da alta montanha fosse as etapas com perigo de vento. Um grande perigo, diga-se, tendo em conta o passado atribulado da Movistar nestas tiradas. Recordação rápida: em 2013 Rui Costa tinha ficado no grupo da frente, mas recebeu ordens para recuar e ajudar o líder. Todos perderam muito tempo e não foi caso único.

Mikel Landa também não tem grande aptidão para o pavé. Ou seja, Unzué pode ter dois ciclistas fortes para geral, mas certamente que receará perdê-los para essa discussão num dia que promete espectáculo, mas também muita dor de cabeça para os homens que lutam pela amarela.

Numa perspectiva portuguesa, a inclusão de uma etapa deste género poderá ditar o regresso de Nelson Oliveira ao Tour, já que tem sido aposta no Paris-Roubaix, ainda que com participações acidentadas. Este ano, uma queda nessa corrida estragou-lhe boa parte da temporada. Mas experiência não lhe falta no pavé.

É normal que Unzué sinta algum nervosismo. Em 2018 a Movistar terá de elevar o nível de performance nas grandes voltas. É certo que Quintana foi ao pódio no Giro, mas no Tour não houve sequer uma vitória de etapa e na Vuelta, a jogar em casa, sem Valverde (lesionado), a equipa foi uma sombra do que havia apresentado noutros anos. Também, nem uma etapa conseguiu vencer, tendo sido proveitosa no aspecto de dar experiência a jovens ciclistas, mas não houve o necessário mediatismo imediato na grande volta espanhola.

A contratação de Landa é naturalmente boa. Mas como gerir? Inicialmente o pensamento até poderia ser levar o espanhol ao Giro, mas depois de ter ficado a um segundo do pódio no Tour, Landa quer mais. O espanhol percebeu na última edição que pode muito bem disputar o Tour com Froome e com mais quem se apresente como candidato. A mensagem foi dita claramente: não quer mais estar em segundo plano em nenhuma corrida.

Logo no dia da apresentação do percurso do Tour, Quintana marcou posição e Unzué confirmou-a, mas lá vai dizendo que a corrida ditará as prioridades. Ou seja, a hierarquia. Quintana a ajudar Landa? É difícil de imaginar. Landa a ajudar Quintana? Depois do que fez este ano ao lado de Froome, será uma relação no mínimo difícil...

Quintana recordou como já passou o mesmo com Valverde. Não foi a mesma coisa. O espanhol bem tentou um pódio no Tour. Mas ano após ano falhou o objectivo. Em 2014, já com Quintana a aparecer e com um Giro conquistado, Valverde assumiu que seria a sua última vez como líder da Movistar em França. Voltou a não conseguir o pódio, mas deixou, como prometido, o papel principal. No ano seguinte apareceu ao lado de Quintana e, curiosamente, conseguiu o seu pódio. O colombiano foi segundo, Valverde terceiro, na vitória de Chris Froome. Em 2016, Quintana foi terceiro e Valverde a preciosa ajuda. Nesta última edição, o espanhol caiu no contra-relógio inaugural e abandonou. Tanta falta vez, não só a Quintana, mas principalmente à Movistar, já que o seu líder esteve completamente apagado e Valverde estava numa forma fenomenal.

Para 2018, Valverde já disse que não quer o Tour. Prefere não se meter na luta entre Quintana e Landa, mas falta saber se Unzué não lhe poderá pedir para ir e ajudar a gerir dois egos, podendo ser uma espécie de voz pacificadora e de união. Se há ciclista que é respeitado, é Valverde.

Se acontecer algo a Quintana e Landa na etapa do pavé, já se sabe qual será o discurso de Unzué, mas até lá, muito se irá falar e escrever sobre uma rivalidade interna que parece ser inevitável. Começam a compor-se os primeiros pontos de interesse para 2018. Um, é o desejo de ver Dumoulin enfrentar Froome, dois, é como Quintana e Landa vão conviver, três - e puxando para o lado português -, será perceber qual o papel de Rui Costa na UAE Team Emirates... E esta lista vai sendo actualizada, certamente! Numa altura em que o ciclismo se prepara para ir de férias, lá se vão viver meses de ansiedade até ao arranque da nova época.



10 de outubro de 2017

Valverde não se quer intrometer na ambição de Quintana e Landa no Tour

(Fotografia: Facebook Movistar)
Nairo Quintana, Mikel Landa e Alejandro Valverde. Três líderes de luxo, de ambição e enorme qualidade numa só equipa. Como gerir? Para Valverde não haverá problemas. O espanhol assumiu que não quer a Volta a França, que os seus companheiros - no caso de Landa, futuro companheiro, mais precisamente - tanto ambicionam. É Valverde a ser inteligente em todos os aspectos da sua carreira. Giro, Vuelta e os Mundiais estarão entre os objectivos, com principal foco na camisola do arco-íris que falta ao seu invejável currículo. Tem seis medalhas, mas nunca ganhou. E claro a sua Flèche Wallonne (cinco vitórias) e a Liège-Bastogne-Liège (quatro) são para vencer novamente.

Para já, o objectivo é recuperar totalmente das graves lesões sofridas no contra-relógio inaugural do Tour e que chegaram a levantar dúvidas sobre a carreira de Valverde. O pior não se confirmou. O espanhol de 37 anos confessa que ainda sente algum receio quando treina, principalmente em dias de chuva. Porém, já faz uma média de 700 quilómetros por semana e aos poucos vai recuperando o ritmo certo para regressar às corridas. Não irá voltar à competição este ano, como chegou a ser avançado, mas 2018 é para ser de vitórias, como estava a ser 2017 até ao dia 1 de Julho.


As cicatrizes que ficaram da queda em Dusseldorf
(Fotografia: Facebook Movistar)
"A recuperação física tem sido perfeita. Sofri mais mentalmente do que com as dores das feridas", admitiu Valverde numa entrevista ao El País. O seu calendário para a próxima temporada ainda não está definido, mas fica claro que Valverde não se quer meter no meio da ambição de Nairo Quintana e do reforço Mikel Landa, a não ser que assim lhe seja pedido pelo director Eusebio Unzué. Formar um tridente na Movistar no Tour não é algo que o atraia especialmente. "É-me indiferente, mas se o director me dissesse faz tu o calendário, diria: clássicas, Giro, Vuelta e Mundial. Porquê? Porque tenho poucas oportunidades para ganhar o Mundial. Tenho seis medalhas, mas nenhuma de ouro. Nenhuma! [O percurso de] Innsbruck é muito, muito duro. Se tudo correr bem..." salientou o espanhol.

Valverde falou ainda de Quintana e da desilusão do colombiano no Tour depois de ter perdido aquele que seria um braço direito muito importante logo na primeira etapa: "Exigiu-se muito a Nairo. Compete com muitos adeptos a apoiá-lo e se vê que não consegue render, vai um pouco abaixo. Tem uma mentalidade forte e é um ganhador. É muito exigente. A ver se mentalmente ficou mais fresco e começa bem o próximo ano."

Com Alberto Contador proporcionou uma enorme rivalidade espanhola, que agora chega ao fim com a retirada do ciclista da Trek-Segafredo. "Foi uma obsessão minha. Somos espanhóis e dá sempre gosto ganhar a grandes figuras, ainda mais se forem espanholas. O Alberto é muito competitivo em todas as corridas. Sempre tivemos uma rivalidade desportiva. Ganhar-lhe era como... 'Olha, ganhei ao Alberto'. Mas era apenas [uma rivalidade] a nível desportivo, não mais do que isso", contou.

É o joelho que ainda preocupa Valverde, mas aos poucos diz sentir-se melhor e as indicações para uma total recuperação são boas. Teremos de esperar por 2018 para ver o ciclista de Múrcia, conhecido por Bala, de regresso às corridas, depois de este ano ter conquistado 14 vitórias (número que inclui etapas, classificações gerais, de pontos e montanhas), senda interrompida pela violenta queda em Dusseldorf.

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2 de outubro de 2017

Lombardia: a última hipótese de Quintana salvar a época

(Fotografia: Facebook Movistar Team)
Talvez seja algo injusto reduzir a importância de ganhar a Lombardia a Nairo Quintana. Não foi o único ciclista a ter uma temporada abaixo do esperado. Porém, perante o seu estatuto e a ambição que apresentou este ano, os resultados aquém do esperado fragilizaram a sua posição, mesmo dentro da equipa. O pequeno colombiano foi batido no Giro por Dumoulin e foi batidos por praticamente todos no Tour. Em 2018 arrisca-se a ser batido por Mikel Landa na Movistar quando chegar a altura de decidir quem lidera a equipa na Volta a França. Ganhar um monumento poderá ser o melhor que poderá acontecer a Quintana, que precisa desesperadamente de uma grande vitória.

Il Lombardia, como é agora chamado, é o último monumento do ano. Chega longe da tradicional época de clássicas em Abril e é aquela corrida do género que atrai os trepadores. É o monumento de eleição para este tipo de ciclista. Nos últimos anos os vencedores foram Johan Esteban Chaves, Vincenzo Nibali, Daniel Martin e Joaquim Rodríguez, por exemplo, Mas também temos um Philippe Gilbert com dois triunfos (2009 e 2010), pelo que é uma boa clássica para trepadores, mas não só. Porém, recentemente têm sido os especialistas em corridas de três semanas que se têm destacado. Nairo Quintana prefere as provas por etapas, mas chegou o momento de dar tudo numa corrida de um dia.

O colombiano ganhou a Volta à Comunidade Valenciana e o Tirreno-Adriatico. Conquistou uma etapa no Giro, mas foi segundo na geral e ficou fora do top dez no Tour (12º). Sabe a pouco para quem se propôs ganhar o Giro e o Tour... A relação com Eusebio Unzué já terá vivido melhores dias. Muito se falou que Quintana até poderia estar a ponderar quebrar contrato com a Movistar e assinar por outra equipa, ainda mais quando o director da formação espanhola confirmou que Mikel Landa era reforço para 2018. Landa avisou que não quer mais ser gregário e quer lutar pelo Tour. Neste último caso, o mesmo que Quintana, portanto.

Landa é uma paixão antiga de Unzué, que por duas vezes já o tinha tentado contratar. Da primeira vez perdeu-o para a Astana, depois para a Sky, mas à terceira não o deixou escapar, pelo que certamente não vai remetê-lo a um papel secundário. É desde já uma das grandes curiosidades para o próximo ano: como irá a Movistar gerir Quintana e Landa, com Valverde ainda ali pronto para continuar a somar vitórias, agora que regressou aos treinos depois da aparatosa queda no contra-relógio inicial do Tour.

Falta acabar esta temporada e a Lombardia tem uma importância extra no futuro de Quintana: Landa também irá lá estar. Ganhar, seria uma forma de se tentar impor ao espanhol, ainda antes de ambos vestirem as mesmas cores. Como estará Nairo Quintana é a grande questão.

O colombiano só apareceu nos Mundiais depois da desilusão do Tour e mal se o viu. Nem acabou a corrida. Na Volta a França foi um ciclista triste, sem chama, longe da sua melhor versão que este ano pouco se viu. Mesmo no Giro não foi o Quintana que já tinha conquistado aquela prova. Pensou em demasia em poupar-se para lutar pelo Tour e a querer ganhar em Itália sem dar tudo por tudo... A gestão não foi de facto a melhor. Nem da sua parte, nem da equipa. Muito se aprendeu, certamente, numa temporada aziaga. Ganhar a Lombardia seria também uma espécie de alívio para o ciclista, pois certamente lhe daria a motivação que lhe vai faltando com tantas críticas de que foi alvo e tanto sururu em redor do seu futuro. Ganhar não lhe retira a enorme pressão que irá continuar a sofrer, mas Quintana precisa de todos os argumentos para quando Mikel Landa chegar.

Tantos candidatos...

Quintana irá enfrentar vários problemas. Landa à cabeça, é certo, mas o que não falta é concorrência de luxo e todos querem fechar a temporada com chave de ouro. Isto mais parece uma lista de uma grande volta: Fabio Aru (Astana), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Julian Alaphilippe e Daniel Martin (Quick-Step Floors), Tom Dumoulin (Sunweb), Thibaut Pinot (FDJ), Rigoberto Uran (Cannodale-Drapac), Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Tony Gallopin e Thomas de Gendt (Lotto Soudal), Louis Meintjes e Rui Costa (UAE Team Emirates). A Sky terá além de Landa, Michal Kwiatkowski, que este ano já ganhou um monumento, a Milano-Sanremo.

A este resumo da lista há que juntar Damiano Cunego (Nippo-Vini Fantini), italiano de 36 anos que venceu esta corrida três vezes: 2004, 2007 e 2008. E também Warren Barguil. A ver vamos como estará o francês depois de ter sido mandado para casa pela equipa durante a Volta a Espanha, por não ter respeitado ordens. Está de saída para a Fortuneo-Oscaro, do escalão Profissional Continental. Johan Estaban Chaves, vencedor em 2016, é baixa confirmada na Orica-Scott depois da queda no Giro dell'Emilia que terminou com a temporada do colombiano, outro ciclista que bem precisava de uma grande vitória, ainda que por razões diferentes de Quintana.

Dos portugueses, além de Rui Costa - que surge como um dos fortes candidatos à vitória - também deverá estar José Gonçalves, da Katusha-Alpecin. No momento em que este texto é publicado a lista de inscritos ainda não é final, pelo que poderá verificar-se alterações até sábado, dia 7, quando a 111ª edição for para a estrada (247 quilómetros entre Bergamo e Como).

Alguns destes ciclistas vão estar já esta terça-feira na Tre Valli Varesine - inclusivamente Rui Costa - e na quinta-feira haverá ainda a Milano-Torino.

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16 de agosto de 2017

Kittel na Katusha-Alpecin. Viviani dá o dito por não dito ao contrário de Landa

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
Algumas das grandes figuras do ciclismo vão revelando o seu futuro. Um dos mais esperados era Marcel Kittel. O sprinter alemão tinha admitido que estava a estudar propostas e acabou por se confirmar aquela que era mais falada. Kittel decidiu abandonar a Quick-Step Floors e vai em 2018 representar a formação de José Azevedo. Mikel Landa era outro dos corredores a gerar muita curiosidade. Mais uma vez, foi a equipa que mais se falava que acabou por se tornar real. O espanhol vai para a Movistar. À terceira foi mesmo de vez. Já Elia Viviani tão rapidamente disse que é mentira que queria quebrar contrato com a Sky, como afinal o fez, ainda que tenha escolhido uma equipa diferente da que tinha sido adiantada. Serão estas as decisões certas?

Mesmo com cinco etapas ganhas na Volta a França, passando a ser o alemão com mais vitórias nesta corrida, Marcel Kittel não conseguiu afastar a sensação que estaria prestes a ser ultrapassado na hierarquia de sprinters na Quick-Step Floors por Fernando Gaviria. O colombiano conquistou quatro tiradas no Giro e já parece escasso falar numa estrela em ascensão aos 22 anos. O talento e qualidade estão mais do que confirmados. Com a equipa belga a viver até recentemente numa incerteza quanto à sua continuidade, surgiram notícias que o director, Patrick Levefere, já tinha falado com Gaviria para renovar. Já com Kittel a situação arrastou-se, com o alemão a não gostar da situação.

Aos 29 anos, Kittel continua a mostrar que quando está em grande forma é quase impossível batê-lo. Muitos adversários consideram que a melhor maneira é garantir que não consiga sprintar. Para um ciclista da sua qualidade, perante a ameaça de se ver ultrapassado por Gaviria, o alemão optou por ir para uma equipa onde será um líder indiscutível nos sprints. A Katusha-Alpecin - equipa de Tiago Machado e José Gonçalves - fica claramente a ganhar, mas para que o seu reforço renda, terá de garantir todo um forte apoio ao sprinter. Com Alexander Kristoff a ter deixado de ser homem para as grandes corridas, Kittel dá mais garantias. Será no entanto interessante ver como irá a equipa gerir as pretensões do alemão no Tour com as de Ilnur Zakarin. O russo vai querer rapidamente apostar também na prova francesa, pelo que poderá haver uma divisão de esforços, o que nem sempre tem os resultados desejados.

Claro que há ainda outro lado que os adeptos de ciclismo vão adorar: agora ter-se-á a oportunidade de ver Kittel e Gaviria defrontarem-se na estrada. Elia Viviani vai ocupar o lugar de Kittel, ainda que sem o protagonismo do alemão. O italiano deu o dito por não dito e resolveu quebrar contrato com a Sky. Esta hipótese já tinha sido avançada há umas semanas, mas então o destino seria a UAE Team Emirates e já em Agosto. Viviani disse que tudo era mentira e que iria cumprir o vínculo até final, ou seja 2018. Não demorou muito a mudar de ideias. No próximo ano trocará a equipa britânica pela belga.

Viviani não ficou nada satisfeito por ter sido deixado de fora do Giro100 e claro que onde vai Froome nas grandes voltas, não há espaço para sprinters. Para a Quick-Step Floors Viviani será uma opção para a Volta a Itália, enquanto "promove" Gaviria ao Tour. O italiano não é garantia de vitórias como Kittel, sendo constantemente batido pelos sprinters mais poderosos. Poderá beneficiar do famoso comboio azul a ajudá-lo, mas a contratação é um claro sinal de Lefevere para evitar concorrência dentro da equipa. Não há dúvidas quem será o sprinter número um, mas para Viviani é uma melhoria na sua posição, já que pelo menos passa a ser opção para uma grande volta.

Quanto a Mikel Landa, o anúncio esperado foi feito no domingo. Eusebio Unzué é um homem bem feliz. Já tinha tentado contratar o espanhol quando este ficou sem equipa no fechar de portas da Euskaltel-Euskadi e depois quando acabou o contrato com a Astana. Agora consegue finalmente ir buscá-lo depois de dois anos na Sky que não foram o esperado para Landa.

Quando lhe foi dada a oportunidade para liderar, Landa não conseguiu aproveitar, ou porque teve problemas de saúde, ou porque uma moto se meteu no caminho (ambos os casos em duas edições do Giro). Na última Volta a França ficou a um segundo do pódio. Estava numa grande forma, mas na Sky não há espaço para dúvidas. Se Chris Froome é o líder, é para respeitar até final. Já o tinha sido com Bradley Wiggins e dado os triunfos que a equipa tem somado, é normal que se mantenha fiel ao seu mandamento.

Landa disse que não queria mais ser segunda opção e manteve a sua palavra. Na Sky esta pretensão não iria acontecer, com o ciclista a arriscar mesmo perder para Geraint Thomas mais um lugar na hierarquia na Volta a Itália, por exemplo. Escolheu a Movistar, que tem Nairo Quintana e espera-se que em 2018 continue a ter Alejandro Valverde. O espanhol está a recuperar de uma grave lesão após ter caído no contra-relógio inaugural do Tour.

Onde encaixa Landa? A relação entre Unzué e Quintana já viveu melhores dias e muito se fala da saída do colombiano. O ciclista já disse que não irá acontecer, o agente confirmou, mas não fechou completamente a porta a essa possibilidade. Quintana falhou por completo nos objectivos de 2017. Nem Giro, nem Tour e uma exibição triste em França.

Poder-se-ia ler a contratação de Landa como um líder para o Giro, mas depois de anos a dizer que a Volta a Itália era a sua preferida, ao ficar tão perto do pódio no Tour, o espanhol percebeu que pode lutar pela Volta a França e inclusivamente fazer frente a Froome, algo que Nairo Quintana tem sido incapaz no Tour, tendo-o feito na Vuelta.

Astana e Trek-Segafredo são duas equipas à procura de líderes. A primeira prepara-se provavelmente para perder Fabio Aru, a segunda vai ficar sem Alberto Contador, que vai terminar a carreira após a Vuelta. Convencer Quintana a sair é algo que a formação cazaque estará tentada a fazer e financeiramente não tem problemas em apresentar uma proposta tentadora. A chegada de Landa não deverá ser muito do agrado do colombiano. Tanto lutou para ultrapassar Valverde na hierarquia das grandes voltas e agora volta a ter uma concorrência de luxo. Se Quintana ficar, vai ser muito interessante assistir à gestão competitiva destes dois ciclistas. É impossível imaginar um a trabalhar para o outro.

Valverde nunca ficará melindrado. Apesar de continuar a vencer a um ritmo invejável, o final de carreira nunca estará longe e o espanhol não se importará nada de apostar em corridas em que pode continuar a vencer, como as clássicas ou provas de uma semana. Se conseguir recuperar a forma, um último ataque à Vuelta é possível, sem que tal atropele os interesses de Landa.

Os três ciclistas, Kittel, Viviani e Landa assinaram contrato por dois anos. De referir ainda que a Sky perdeu assim mais dois ciclistas: Ian Boswell (Katusha-Alpecin), Peter Kennaugh (Bora-Hansgrohe) e Mikel Nieve (Orica-Scott) também optaram por mudar de equipa em 2018.

Veja aqui as principais transferências e quem está em final de contrato.


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27 de julho de 2017

Landa ainda não fecha a porta à Sky, mas pisca o olho à Movistar

(Fotografia: Twitter Mikel Landa)
Mikel Landa tem sido o ciclista mais falado desde que a Volta a França terminou. Chris Froome ganhou, mas aquele segundo que separou o espanhol do pódio e o contrato que está a terminar estão a colocar Landa como o destaque desta fase da temporada, com a abertura do mercado a aproximar-se. O ciclista tem dado algumas entrevistas e não esconde a tristeza por não ter sido possível lutar por uma melhor classificação no Tour, admitindo que quer ser sempre um líder numa equipa. Sendo colega de Froome será praticamente impossível, ainda mais no Tour. Porém, parece que a porta da Sky não está completamente fechada, pelo menos durante mais dois dias. A Movistar é uma possibilidade que lhe agrada, ainda que por lá esteja outro dos líderes do momento: Nairo Quintana.

O futuro de Mikel Landa começou a ser discutido ainda antes da Volta a França. Para Eusebio Unzué é um amor antigo. Já por duas vezes que o director da Movistar tentou levar Landa para a equipa, mas da primeira vez acabou na Astana e depois foi para a Sky. Ainda antes de ser conhecido o interesse da equipa espanhola, foi a Bahrain-Merida que surgiu como possível destino. A equipa quer investir em mais um líder além de Vincenzo Nibali, mas o projecto, mesmo sendo milionário, não parece interessar muito a Landa. Ainda menos estará no seu horizonte regressar à Astana, que se arrisca a perder Fabio Aru.

Na mais recente entrevista, Mikel Landa falou apenas de duas equipas: "A Movistar é uma possibilidade. É uma equipa séria e eu gosto como trabalha. E se não for a Sky é possível que seja a Movistar." À Cadena SER o ciclista admitiu que está consciente da dificuldade em encontrar um lugar numa equipa que o leve como líder ao Tour, ainda que esse seja agora o seu desejo. Até recentemente, o espanhol sempre realçou a sua preferência em apostar no Giro. Porém, depois de ter percebido nesta Volta a França que está mais do que preparado para lutar pela Grande Boucle, claramente as preferências mudaram.

"Estamos a conversar com a Sky e demos dois dias de margem para regressar à normalidade. Também falei com o Froome, que agora está concentrado na Vuelta. Disse-me que ficaria feliz se eu continuasse na equipa e agradeceu-me pelo trabalho que fiz. Não sei se para o ano o meu objectivo será o Tour ou o Giro, mas é difícil encontrar um lugar numa equipa para a Volta a França", salientou Landa.

A experiência na Sky tem sido marcada por frustrações. Quando chegou em 2016 seria o líder para o Giro, mas acabou por abandonar devido a uma gastroenterite. Foi perdendo algum crédito, enquanto Geraint Thomas aparecia cada vez com pretensões legítimas a uma liderança. Em 2017 partilharam-na no Giro, mas ambos foram ao chão no incidente com uma moto da polícia. Thomas acabaria por ir para casa mais cedo, Landa lutou e conseguiu ganhar uma etapa e a classificação da montanha. No Tour estava claramente numa excelente forma. Fez frente a Froome, mas ao deixar o líder sozinho no final de uma etapa, que acabou por resultar na perda da camisola amarela, essa atitude provocou algum mal-estar.

A estabilidade na Sky nunca foi total, mas Landa foi colocado no seu lugar. Foi ajudando Chris Froome, contudo, era claro que não abandonava por completo a ideia de alcançar um bom resultado pessoal. Falhar o pódio por um segundo custou-lhe e muito a digerir.

Ficar na equipa britânica será pouco credível, até porque Geraint Thomas está em condições de ameaçar uma liderança no Giro e no Tour, Froome ainda vai manter-se como o indiscutível número um da Sky. O problema é que na Movistar é mais do que provável que Landa tenha de esperar mais um ano, pelo menos, antes de ir ao Tour como líder. Nairo Quintana teve um ano para esquecer, mas em 2018 será o regresso ao sueño amarillo.

Enquanto que com Chris Froome terá de esperar que o britânico ou abdique do Tour ou se retire, já com Nairo Quintana, Landa poderá tentar ameaçar o lugar do colombiano. Quintana não poderá falhar mais correndo o risco de ser ultrapassado na hierarquia. A relação com Eusebio Unzué já viveu melhores dias e a pressão para 2018 será maior do que nunca. Até já se falou que o ciclista poderia estar de saída da equipa, quebrando contrato, mas o próprio já desmentiu esse cenário.

Aos 27 anos Mikel Landa quer dar o passo decisivo para finalmente ganhar uma grande volta. Talvez tenha mesmo de regressar ao objectivo inicial do Giro, mas já se quer ver o espanhol a lutar também por uma Volta a França. A decisão não é fácil, ainda mais se realmente as suas opções estiverem reduzidas à Sky e Movistar.

Teremos de esperar por 1 de Agosto para que a resolução do futuro de Landa seja oficialmente anunciada. Para já, confirmado está a presença de Landa na Clássica de San Sebastián e na Volta a Burgos, seguindo-se uma fase de descanso, talvez a pensar nos Mundiais. O ciclista afirmou que ainda não falou com o seleccionador espanhol, Javier Mínguez, sobre a possibilidade de ir a Bergen, mas não afasta essa hipótese.

Veja aqui quais são os outros grandes ciclistas que estão também em final de contrato e poderão mexer e bem com o mercado de transferências.

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19 de julho de 2017

Mikel Landa avisa que Sky dará uma "machadada" esta quinta-feira

O novo pódio do Tour, ainda que não por esta ordem (Fotografia: ASO/Bruno Bade)
Não foi a etapa espectacular que se esperava, tendo em conta que só faltavam duas de montanhas antes de se chegar ao contra-relógio no sábado. O vento que na terça-feira deu alguma emoção, desta vez não ajudou nada. Houve muita contenção e um regresso às imagens habituais da Sky na frente, Chris Froome a controlar e a responder aos poucos ataques que aconteceram. Só Romain Bardet tentou e até criticou Rigoberto Uran, que considera só estar à procura das bonificações. E é uma táctica que está a dar certo, pois o colombiano saltou de quarto para segundo. Nesta etapa restou ver um Alberto Contador a tentar animar (longe do ciclista que foi, pelo menos mexeu com a corrida), um Primoz Roglic fenomenal a conquistar a tirada e, pelo lado negativo, o abandono de Marcel Kittel, que assim entregou a camisola verde a Michael Matthews.

Se o Col du Galibier acabou por não fazer diferenças, tudo fica guardado para o Col d'Izoard. E Mikel Landa deixou um aviso. Visto que será uma chegada em alto, é o momento mais do que certo para Chris Froome tentar arrumar com a questão e ir mais descansado para o contra-relógio de sábado. "Froome está muito forte e dará uma machadada", alertou Landa, fazendo então prever que a Sky vai estar ao ataque. Porém, o espanhol que ainda não afastou a hipótese de chegar ao pódio, considera que Romain Bardet e Rigoberto Uran "vão dar luta". "Gostaria de ver o Froome ganhar e logo se vê se consigo colar-me, mas os outros estão muito fortes. Amanhã será um final em alto e nós os dois podemos dar uma machadada. Veremos como vai ser o dia", salientou Mikel Landa, que está no quinto lugar, a 1:24 do seu líder.


E talvez para demonstrar que na Sky o ambiente não podia ser melhor depois do dia em que Froome perdeu a amarela, quando Landa o deixou sozinho no final de uma etapa, Chris Froome disse que gostaria muito de ver o espanhol ao seu lado no pódio em Paris, no domingo. O britânico voltou a estar muito bem na entrada nos Alpes, comprovando que de facto está forte nesta terceira semana, tendo subido de forma durante este Tour.

Ao contrário do que está a acontecer com Fabio Aru. O italiano da Astana teve muitas dificuldades no Galibier e acabou por cair para a quarta posição. Os 18 segundos passaram agora a 53. Contudo, Aru deixou a mensagem que perdeu nesta quarta-feira, mas o Tour só acaba domingo. Rigoberto Uran (Cannondale-Drapac) é agora segundo, com os mesmo 27 segundos que tem Romain Bardet. O contra-relógio da primeira etapa dita que seja o colombiano a estar na segunda posição.

Esta quinta-feira será a última oportunidade de se lutar na alta montanha e o Col d'Izoard é mais uma subida mítica para se terminar esta fase do Tour. Com uma pendente média de 7,3%, acaba por não ser maior porque os primeiros cinco dos 14,1 quilómetros não são de grande dificuldade, depois começa a aumentar até chegar aos 10%. Aqui assistiram-se a exibições fantásticas de Fausto Coppi e Bernard Thévenet, por exemplo. Chris Froome ainda não venceu nesta Volta a França. Talvez nem precise para conquistar a sua quarta vitória no Tour, mas o britânico quererá certamente juntar o seu nome a uma das subidas mais históricas desta corrida. Resta a Romain Bardet, Rigoberto Uran e Fabio Aru mostrar que não vão entregar a vitória de mão beijada e talvez baralhar as contas da Sky.

Roglic, o herói esloveno

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
Em 2007, Primoz Roglic conquistou um título mundial de ski jumping. Então tornava-se uma referência do desporto esloveno, mas uma queda grave fez com que optasse por mudar de modalidade. Escolheu o ciclismo e é já a personagem principal daqueles contos de fadas que tanto se gosta de contar no desporto. Estava numa equipa Continental, a Adria Mobil, quando a Lotto-Jumbo o foi buscar. No primeiro ano no World Tour (2016) foi ao Giro e conquistou uma etapa (contra-relógio). Em 2017 foi escalado para o Tour. Segunda grande volta, segunda grande vitória de etapa, agora com uma subida mítica. Roglic teve um esforço solitário depois de ter deixado para trás o grupo que Alberto Contador tinha ajudado a formar (o espanhol regressou ao top dez e foi o mais combativo do dia). Não se intimidou com o Col du Galibier, fez uma descida perfeita e tornou-se no primeiro esloveno a ganhar na Volta a França.

Se Roglic já tinha o seu estatuto como atleta importante no seu país, agora tornou-se definitivamente num herói, em mais um episódio do seu conto de fadas que ameaça ser contado muito mais vezes. Tem 27 anos e a curiosidade sobre o que poderá vir a fazer no futuro próximo é enorme. Para já ganhou definitivamente o seu lugar de destaque na Lotto-Jumbo, pois este ano conta ainda com a vitória na Volta ao Algarve, duas etapas na Volta ao País Basco e uma na Volta à Romandia, onde foi terceiro classificado na geral.

Mas a 17ª etapa ficou ainda marcada pela queda de Marcel Kittel que não resistiu aos ferimentos e optou por abandonar. Na frente da corrida Michael Matthews já se tinha colocado a apenas nove pontos do alemão na classificação da camisola verde e esperava-se que esta luta fosse até à meta nos Campos Elísios. Kittel saiu com cinco vitórias em etapas, um grande Tour, sem dúvida, mas ficará a pequena frustração de ter estado tão perto de conquistar a classificação dos pontos.

Matthews fica agora de verde e a sua persistência em perseguir Kittel quando parecia que dificilmente se conseguiria bater o alemão irá quase de certeza ter o resultado desejado. É que mais ninguém se esforçou tanto como o australiano para se aproximar de Kittel. Agora, é líder e com 160 pontos de vantagem sobre André Greipel (Lotto Soudal). Se nada de anormal acontecer, a Sunweb está mesmo a caminho de garantir a camisola verde e das bolinhas (montanha) - por intermédio de Warren Barguil -, além de já contar com três vitórias de etapa.


Résumé - Étape 17 - Tour de France 2017 por tourdefrance

14 de julho de 2017

O dia em que Landa obrigou a Sky a alterar a táctica. Já não será tudo por Chris Froome

Bloco da Sky? Nem vê-lo na 13ª etapa (Fotografia: ASO/Alex Broadway)
Depois de tantos anos a ver a Sky dominar, quase se estranha escrever sobre o equilíbrio e indefinição que se vive na Volta a França. Por esta altura, em anos anteriores, Chris Froome já costumava ter deixado a sua marca e tinha os adversários à espera de algum imprevisto para sonhar em bater o britânico. Em 2017 tudo está diferente e ainda bem. Nada contra a Sky, muito pelo contrário. Esta equipa fez com que o ciclismo desse um salto qualitativo como há algum tempo não acontecia. Os ganhos marginais tornaram-se a forma de estar, com as outras equipas a serem obrigadas a seguirem os passos para acompanharem a evolução na modalidade. Porém, todas as dinastias tendem a ter um fim e podemos estar a assistir ao final do domínio da Sky no Tour.

A força do conjunto não está a ser o mais decisivo. Já não tem o mesmo efeito do passado recente. Esta sexta-feira, na rápida etapa de 101 quilómetros, a Sky correu como os manuais do ciclismo ensinavam antes desta equipa mudar o paradigma. Agora a própria Sky competiu colocando homens na frente, deixando o líder sozinho no grupo dos favoritos. A Sky não está tão forte, pois ninguém da equipa conseguiu acompanhar o ritmo da frente além de três ciclistas. O resultado foi uma equipa partida. A harmonia parece ter terminado. Mikel Landa atacou e foi para a frente. Michal Kwiatkowski ficou num grupo intermédio, tendo depois ajudado Froome quando foi apanhado, numa táctica tão comum em várias equipas, como a Movistar por exemplo, mas tão pouco habitual na Sky.

Landa foi disputar a etapa e até chegou a  aproximar-se da camisola amarela virtual. Cá atrás Froome tentava atacar Fabio Aru, o italiano que lhe tirou a liderança na quinta-feira. Para o britânico ficou tudo na mesma: seis segundos continuam a separá-lo de Aru. Já para Landa, a diferença caiu para 1:09. Será a Sky capaz de gerir esta nova situação? Ninguém duvida que Froome continua a ser o número um, mas Landa desafiou a toda poderosa estrutura da equipa e mesmo que os responsáveis não gostem desta divisão, já não podem ignorar este posicionamento do espanhol.

Quando Bradley Wiggins conquistou o Tour, Froome mostrou ser o ciclista mais em forma e terminou mesmo na segunda posição. Contudo, nunca foi colocada em causa a liderança de Wiggins. A diferença é que a concorrência este ano está muito forte, pelo que ter Landa nesta posição poderá ser uma arma e um plano B.

Depois de Mikel Landa não ter esperado por Froome na subida a Peyragudes, com o britânico a perder a camisola amarela, esta sexta-feira o espanhol comprovou que está mesmo num bom momento de forma. Se houve polémica pelo que fez, não se notou na estrada. O espanhol já tinha admito que aspira a um top dez, mas parece estar preparado para enfrentar tudo e todos para ir mais além.

Froome esteve melhor nesta etapa depois de ter fraquejado ontem. Ainda assim, Fabio Aru controlou sem grandes problemas e mesmo sem ter qualquer ajuda da equipa. O italiano vai estar entregue a si próprio na montanha. Dario Cataldo já abandonou e Jakob Fuglsang seguiu hoje o exemplo. As fracturas no braço eram demasiado dolorosas para o dinamarquês continuar. E é aqui que a Sky poderá jogar a cartada Froome/Landa. Manter a equipa toda junta como é normal não faz tanto sentido neste momento. Froome e Landa poderão atacar à vez. Aru estará sempre mais atento ao britânico, mas naturalmente que não pode deixar o espanhol fugir em demasia.

Haverá outros ciclistas com interesse em não deixar os ciclistas da Sky escaparem. Romain Bardet (AG2R) até é dos que tem tido mais ajuda. Mas quando as subidas ficam mais difíceis e a velocidade aumenta, rapidamente fica sozinho. Rigoberto Uran (Cannondale-Drapac) está por conta própria e a ser muito inteligente. Deixa a guerra para os outros e espera pelo seu momento. Ontem tinha sido penalizado em 20 segundos por abastecimento incorrecto, mas a sanção foi posteriormente anulada. Daniel Martin (Quick-Step Floors) está muito bem, a atacar e com os olhos postos no pódio. Nairo Quintana aproveitou a fuga de hoje e reentra na luta, agora com 2:07 para recuperar. Difícil, mas não impossível.

Podemos especular à vontade. Mas este ano, o Tour está numa fase em que temos de esperar para ver. A luta está acesa. A Sky já não domina, Froome mantém o respeito, mas já ninguém teme em atacá-lo.

Na etapa deste sábado é possível que se verifique alguma acalmia, pois há que não esquecer que depois dos Pirenéus, os Alpes esperam pelos ciclistas para então decidir o Tour (há quanto tempo não se escrevia isto?).


Vitória francesa no 14 de Julho 12 anos depois

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
Se há dia em que os franceses querem um dos seus ciclistas a ganhar é no 14 de Julho. Feriado nacional que celebra a tomada da Bastilha em 1789, que marcou o início da Revolução Francesa. No Tour este dia é sempre marcado por uma etapa especial. Desta feita foi uma curta e rápida tirada com o final em Foix. Warren Barguil não se deixou bater ao sprint depois de ter ficado a chorar quando Rigoberto Uran o derrotou no photo finish. Foi a primeira etapa conquistada no Tour por Barguil, ele que em 2013 venceu duas na Vuelta.

Lesões, má forma, Barguil tem encontrado dificuldades em confirmar as expectativas criadas. Mas aí está ele. Tem a sua etapa e logo no 14 de Julho, além de estar a caminho de ser o rei da montanha. Desde 2005 que um gaulês não triunfava neste dia. Então foi David Moncoutié (Cofidis) o primeiro a cortar a meta em Digne-les-Bains.

Uma palavra para Alberto Contador. Foi ele que originou o ataque que acabou por ser decisivo, inicialmente acompanhado por Mikel Landa, com Nairo Quintana e Barguil a juntarem-se na última subida das três de primeira categoria do dia. O espanhol não conseguiu a desejada vitória, mas foi nomeado o ciclista mais combativo e reentrou no top dez.

Veja aqui os resultados da 13ª etapa da Volta a França.



Résumé - Étape 13 - Tour de France 2017 por tourdefrance


21 de junho de 2017

Mikel Landa, o pretendido. Espanhol até já estará a recusar propostas

Parece ser cada vez mais provável que Mikel Landa não vestirá a camisola da Sky
em 2018. Na imagem, a vitória do espanhol na classificação da montanha no Giro
(Fotografia: Giro d'Italia)
A passagem pela Sky não está a ser tão produtiva como Mikel Landa e os responsáveis da equipa britânica esperavam. No entanto, o espanhol continua a ser um dos ciclistas de grande potencial e parece que quase não há formação do World Tour que não o queira. Apesar da permanência da Sky não estar completamente excluída, a verdade é que Landa já percebeu que dificilmente será um líder indiscutível num conjunto com tantos corredores de qualidade a exigirem e a merecerem oportunidade de lutar por vitórias em grandes voltas, além de Chris Froome. A liderança partilhada com Geraint Thomas no Giro foi uma desilusão para o espanhol, numa corrida que acabou por correr mal à equipa, com Landa a salvar a honra de todos com uma vitória de etapa e com a conquista da classificação da montanha. Desde que se soube da tal liderança a dois para a Volta a Itália, que se especula sobre a saída de Landa da Sky. Pretendentes não faltam, mas agora surge a Movistar como destino provável do ciclista de 27 anos.

A primeira equipa a ser apontada como destino de Mikel Landa foi a Astana. Seria um regresso surpreendente, já que o espanhol deixou a formação cazaque para procurar espaço noutra equipa e não ficar como gregário de Fabio Aru. Porém, a Astana estaria disposta a dar-lhe a liderança na Volta a Itália e eventualmente na Vuelta, dependendo de Aru. A permanência na Sky também foi muito falada depois de Landa ter feito um bom Giro, tendo em conta que a queda provocada por uma moto da polícia tirou os dois líderes da Sky da discussão na geral. Ainda assim, a saída parece ser a escolha de Landa.

Esta terça-feira, notícias no El País e na Gazzetta dello Sport indicam que Landa poderá ficar "em casa". O jornal espanhol revela umas declarações do director desportivo da Movistar que dão conta do desejo de contar com o corredor que fez pódio no Giro há dois anos. "Claro que gostaria que o Landa vestisse as nossas cores. Assinaria com ele neste momento. Mas é complicado, Além do mais, nenhuma equipa tem o direito de negociar com um ciclista até Agosto e, por isso, não vou dizer mais nada", referiu Eusebio Unzué.

A oficialização de contratos só pode ser feita a partir de 1 de Agosto, mas tal não significa que as negociações não decorram antes, quando um ciclista está em final de contrato. É raro acontecer quando os atletas têm vínculos de mais de um ano.

Este interesse da Movistar não é novo, pois já em 2013, quando a Euskaltel-Euskadi terminou, Unzué quis Landa na equipa, mas este optou pela Astana. O El País falou ainda com o representante do ciclista, Jesus Ezkurdía, que assegurou que Mikel Landa não está só à procura de dinheiro, mas que dá grande importância à garantia de ter um papel de líder. O mesmo jornal refere ainda que o ciclista recusou propostas da UAE Team Emirates e da BMC. A primeira equipa, que conta com Rui Costa, recebeu uma injecção financeira importante com a chegada do patrocínio da companhia aérea e é normal que procure reforçar-se com um grande nome para as três semanas. O ciclista português entrou numa fase da carreira em que aposta mais em vitórias de etapas, sobrando Louis Meintjes.

Quanto à BMC, a equipa norte-americana vai dando indicações que perdeu a confiança em Tejay van Garderen, que no Giro terá desperdiçado a última oportunidade para se mostrar como líder numa grande volta. Rohan Dennis está num plano de evolução a quatro anos e não vá o australiano querer mesmo cumpri-lo e não tentar aparecer antes, é normal que a BMC procure outro líder para as três semanas além de Richie Porte, que tem 32 anos.

Há ainda que recordar que também a Bahrain-Merida tem Mikel Landa no topo da lista para reforçar a equipa para 2018. Dinheiro não falta na equipa, que bem precisa de mais um líder já que tem apenas Vincenzo Nibali.. O italiano falhou o objectivo no Giro e não é exactamente a maior das garantias de mais vitórias em grandes voltas, apesar de já ter vencido as três. Porém, a formação do Médio Oriente terá de se reforçar com nomes fortes para apoiar Landa caso queira convencê-lo, algo que será muito improvável estando a Movistar na "luta" pelo ciclista.

A Gazzetta dello Sport é mais peremptória na sua notícia. O jornal italiano dá mesmo como feita a transferência para a Movistar pelo menos por um ano, faltando só a confirmação oficial, que só pode acontecer a 1 de Agosto, como já foi referido. A caminho da Movistar estará também a caminho um dos novos talentos espanhóis: Jaime Rosón. Aos 24 anos, o ciclista apareceu em grande ao serviço da Caja Rural em 2017, principalmente na Volta à Croácia, que perdeu por oito segundos para Nibali.

Mas quanto a Landa, a confirmar-se a mudança para a Movistar, o espanhol não terá em causa a liderança no Giro, tendo depois de esperar por Quintana para saber qual o seu papel na Vuelta. O colombiano dificilmente voltará tão cedo a tentar a dobradinha Giro/Tour. Claro que há ainda Alejandro Valverde que aos 37 anos continua a ganhar a um ritmo incrível. Será ele o líder na Volta a Espanha em 2017, em condições normais, e Valverde terá sempre um papel de destaque na Movistar até que decida terminar a carreira. Tem contrato até 2019, pelo que ainda haverá muito Valverde para ver nos próximos anos. Landa iria completar um trio de líderes de luxo e que permitirá à Movistar de lutar nas três grandes voltas com ciclistas diferentes. Landa poderá ser também o sucessor de Valverde, para as três semanas, quando o veterano corredor decidir abandonar.

Mikel Landa deverá ser um dos homens chamados pela Sky para o Tour. O próprio já admitiu essa possibilidade, referindo que a equipa ainda durante o Giro lhe disse que seria necessário mais um trepador para estar ao lado de Chris Froome, que irá atrás da quarta vitória na corrida. Na Movistar provavelmente não se livrará de ter de ajudar em algumas ocasiões Nairo Quintana. Contudo, tendo em conta que a vida na Sky não está a ser o conto de fadas que esperava, a mudança para a Movistar poderá ser benéfica até para recuperar alguma da confiança perdida pelo conjunto de azares que o tem perseguido na sua passagem de dois anos pela formação britânica.

»»A Sky já não é aquela equipa em que todos querem estar««

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9 de junho de 2017

Sky coloca Richie Porte como o principal rival de Chris Froome para o Tour: "Temos medo dele"

(Fotografia: Giro d'Italia)
Chris Froome já o tinha colocado como um dos homens a ter em atenção para a Volta a França, juntamente com Romain Bardet e Alberto Contador. Porém, a exibição de Richie Porte no Critérium du Dauphiné está a aumentar o respeito que Froome e principalmente a Sky tem pelo seu antigo ciclista. As recentes palavras de Mikel Landa confirmam isso mesmo: "Porte será um grande rival para Froome. Na Sky conhecemos bem o Porte. Temos medo dele."

O australiano está a atravessar um dos melhores momentos de forma da sua carreira, somando triunfos no Tour Down Under e na Volta à Romandia, tendo esta sexta-feira assumido a liderança do Critérium du Dauphiné a duas etapas do fim, à frente precisamente de Chris Froome. Os resultados estão a colocar Richie Porte como um forte candidato para já ao pódio do Tour, mas começa a ser inevitável pensar que pode medir forças com o antigo companheiro, ainda que tenha sempre a desvantagem de não ter o apoio da equipa na BMC como Froome tem na Sky. As exibições já não só provocam respeito, como claramente começam a provocar receio nos adversários.

Passando para a Movistar, Froome não incluiu Nairo Quintana entre os principais rivais e Mikel Landa está mais preocupado com Alejandro Valverde. "Não sei porquê, mas gosto do Valverde. Vai ser alguém a ter em atenção", salientou em entrevista ao jornal espanhol Marca.

Naturalmente que o futuro de Landa foi um tema falado, mas o espanhol não quis abordar a questão limitando-se a dizer que está satisfeito na Sky e que decorrem negociações para uma possível renovação. Em final de contrato, Landa já foi ligado a uma transferência de regresso para a Astana, sendo também, alegadamente, o principal alvo da Bahrain-Merida para 2018.

Depois de ter feito pódio em 2015 no Giro, Landa mudou-se para a Sky para ser líder, mas no ano passado abandonou com uma gastroenterite e em Maio esteve envolvido no incidente com uma moto da polícia que lhe arruinou as hipóteses de lutar pela vitória. Ao contrário do colega Geraint Thomas conseguiu recuperar das mazelas físicas e ainda ganhou uma etapa e a classificação da montanha. Agora é provável que volte ao papel de gregário de Chris Froome na Volta a França. "Não tenho confirmação oficial, mas tudo indica que vou ao Tour. Durante o Giro a equipa disse que iria precisar de outro trepador", explicou. Mas algo é certo: "Se for ao Tour, não vou à Vuelta."

Em 2016, Mikel Landa acabou por ser um dos homens importantes na conquista da terceira vitória de Chris Froome e a Sky quererá novamente ter os seus melhores ciclistas ao lado do líder, mesmo que isso signifique repetir alguns dos que estiveram no Giro, como Landa, Thomas e Vasil Kiryienka.