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21 de setembro de 2016

Mark Cavendish em vantagem ainda antes de partir para os Mundiais

Estabilidade. Palavra de ordem para um atleta de alta competição. Sem estabilidade, seja monetária, familiar, na própria equipa (caso seja um desporto colectivo), é difícil a um atleta, por melhor que seja, dar o seu melhor. Psicologicamente a estabilidade pode fazer a diferença e Mark Cavendish parte já em vantagem para os Mundiais, porque na Grã-Bretanha já definiram a equipa e não há dúvidas quem é o líder, enquanto os seus potenciais maiores adversários nem sabem se vão ao Qatar ou se irão ser os líderes. É um crescente mal-estar na selecção alemã, italiana e francesa.

Mark Cavendish sabe o que lhe espera e agora também sabe quem o vai ajudar a tentar conquistar o seu segundo título mundial. Uma equipa de luxo, mais forte que aquela que o apoiou em 2011 quando vestiu a camisola arco-íris em Copenhaga. Geraint Thomas, Steve Cummings, Alex Dowsett, Ian Stannard, Ben Swift, Luke Rowe, Adam Blythe, Dan McLay e Scott Thwaites. Um destes nomes acabará por ser excluído para que se estabeleça os nove eleitos para a prova do dia 16 de Outubro.

Enquanto Cavendish congratula as escolhas e não esconde a motivação e vontade de vencer em Doha, um dos seus principais rivais André Greipel critica a demora dos responsáveis da selecção alemã em anunciar a equipa. "É uma situação constrangedora para mim e para Marcel Kittel", disse. Com os dois sprinters a lutar para serem o líder germânico, já é a segunda vez que Greipel fala publicamente da questão. "Eu quero preparar os Mundiais o melhor possível, mas nem sei se vou. Nem sequer posso planear a viagem", queixou-se ao jornal belga, Het Nieuwsblad.

O nervosismo está instalado na equipa alemã e nem se ainda sabe qual é. Começa a ser claro que não é possível levar Kittel e Greipel, pois nenhum quererá ser segunda opção. Esse papel deverá pertencer a John Degenkolb, que dada a época menos conseguida devido ao atropelamento ainda durante o estágio de início de ano, ficará feliz só com a hipótese de estar no Qatar. E depois a Alemanha terá outro problema: a sua equipa só terá seis elementos e não nove como outras potências.

Mas o mal-estar estende-se a Itália e França. Giacomo Nizzolo e Elia Viviani procuram ser o número um da selecção transalpina, com Sacha Modolo fora desta corrida depois de uma temporada muito fraca.

Porém, será na equipa francesa que a batalha pela liderança poderá ser tão feroz como na da alemã. Arnaud Démare e Nacer Bouhanni querem estar na linha da frente para tentar conquistar a camisola do arco-íris, com Bryan Coquard na expectativa, mas será difícil ser o eleito dada a concorrência. Démare conquistou a Milano-Sanremo e antes tinha conquistado uma etapa no Paris-Nice. Depois quase que desapareceu, falhou no Giro, mas parece querer ressuscitar neste final de temporada. No entanto, a época de Bouhanni poderá muito bem valer-lhe ser a escolha principal, mesmo com cabeçadas e murros à mistura que lhe tiraram algumas vitórias e o impediram de estar na Volta a França. Também neste caso poderá acontecer que ou Démare ou Bouhanni nem sequer seja convocado, pois ninguém se esqueceu da má relação que os dois tinham quando competiram na FDJ.

Os responsáveis demoram a anunciar as equipas. Os ciclistas vão ficando nervosos e ansiosos. E estes Mundiais prometem ser explosivos, com os sprinters a ambicionarem uma camisola que há muito não era para eles dado os percursos que foram escolhidos nos últimos anos. Independentemente das escolhas, haverá sempre desilusões e provavelmente alguma polémica (Greipel ou Kittel ficarem de fora dará muito que falar).

No caso português também se aguarda com alguma expectativa as escolhas de José Poeira, mas por diferentes razões. Sem um sprinter de referência na actualidade que se possa bater com os melhores, será um ano de poucas ambições para a selecção nacional.


25 de julho de 2016

A Volta a França em dez pontos

Esperava-se por espectáculo, mas temia-se que o tradicional conservadorismo dos últimos anos voltasse a aparecer. A ASO desenhou um percurso dos mais interessantes das mais recentes edições. Ainda assim, Chris Froome adaptou-se às menos chegadas em alto e estava bem preparado para as descidas e para as esperadas etapas com muito vento (que tanto desesperaram Quintana). No entanto, um bom percurso não chega para o espectáculo. Os ciclistas não corresponderam às expectativas, não se atrevendo (ou talvez não conseguindo) contrariar uma super Sky. Portanto, o Tour foi aborrecido: nas etapas de montanha só nos Alpes houve alguma emoção (pouca e apenas pelo top dez); tivemos a confusão do Mont Ventoux (que poderá levar à mudança de regras) e que ficará como um dos momentos da história de todos os Tours; a crono-escalada foi uma das tiradas mais interessantes; Sagan soube ser o showman do costume; a Tinkoff destacou-se pelo melhor e pelo pior; Mark Cavendish fez história; Rui Costa e Nelson Oliveira com prestações positivas. Para agravar o aborrecimento, aquelas longas etapas, de mais de 200 quilómetros feitos a ritmo de passeio... que horror, que desespero!!

1. Chris Froome alterou um pouco a sua preparação visando principalmente estar em melhor forma na terceira semana, depois do susto em 2015, quando viu Nairo Quintana ameaçar tirar-lhe a camisola amarela. Não só o britânico apareceu de facto melhor na última semana do Tour, como soube surpreender os seus adversários em alturas totalmente inesperadas. Froome como que se reinventou: quanto todos esperavam que voltasse a tentar decidir tudo nas montanhas, eis que o britânico planeou tirar partido de outras situações de corrida. Primeiro foi na oitava etapa quando desceu com um pedalar ainda mais ortodoxo do que aquele que tem quando está a subir! Na etapa 11 aproveitou o vento e uma aliança com Peter Sagan para ganhar mais alguns segundos. Claro que o episódio do Mont Ventoux ficará para a história pelo momento insólito da corrida, mas o golpe final foi na crono-escalada, que venceu (já tinha sido segundo no primeiro contra-relógio). Nos Alpes, mesmo caindo e parecendo que poderia dificultar a sua vida, espelhou a sua superioridade, com a ajuda da toda poderosa Sky.

2. A perfeição de uma equipa. A Sky tem apresentado ano após ano equipas excelentes no apoio ao seu líder. No entanto, talvez 2016 a Sky tenha sido a melhor de sempre, mesmo sem Richie Porte, agora na BMC. Sergio Henao, Vasil Kiryenka, Mikel Landa, Mikel Nieve, Wout Poels, Luke Rowe, Ian Stannard e Geraint Thomas mereciam ter subido ao pódio ao lado de Chris Froome, pois se há uma camisola amarela que foi de facto um feito colectivo, foi esta do britânico. Rowe e Stannard tiveram um trabalho mais talhado para as etapas planas, enquanto Thomas tanto foi importante na tiradas de vento, por exemplo - excelente protecção a Froome - como também nas montanhas. O momento mais visível foi quando cedeu a sua bicicleta quando o britânico caiu na antepenúltima etapa, nos Alpes. Kiryenka, Landa e Nieve foram gregários de luxo - como seria de esperar puxaram, puxaram, puxaram -, mas o destaque vai para Sergio Henao que esteve com o seu líder durante as primeiras etapas de montanha, enquanto Wout Poels apareceu em grande na segunda metade do Tour. Tudo pensado ao pormenor, numa equipa que não fez nada por acaso nesta Volta a França... Tirando a corrida no Mont Ventoux que certamente quebrou toda uma organização da Sky, mas comprovou como Froome faria tudo para conquistar o seu terceiro Tour, até correr pela montanha com sapatos de ciclismo!

3. Nairo Quintana foi uma desilusão. Tanto falou do "sueño amarillo" que a Volta a França transformou-se num pesadelo. O ano foi preparado apenas e só a pensar no Tour e dificilmente poderia ter corrido pior. Sim, porque o terceiro lugar no pódio, para a ambição do colombiano, acaba por saber a muito pouco. Quintana não irá esquecer que ficou 4:21 minutos de Froome e que até teve de lutar para ficar em terceiro com Adam Yates e Richie Porte a criarem-lhe problemas. A qualidade de Quintana é inegável, mas ainda não está ao nível de Froome. Tem de melhorar no contra-relógio e nas descidas e aquela postura desesperadamente conservadora, colado à roda de Froome sempre na expectativa, talvez seja uma atitude a rever. Claro que como todos os outros adversários, Quintana não tem equipa para competir com a Sky, mas o colombiano nem sequer demonstrou ter capacidade para vencer um frente-a-frente com Froome. No final surgiu a notícia que não irá aos Jogos Olímpicos por não se sentir bem e precisar de perceber o que se passa com a sua saúde...

4. A armada francesa não esteve ao nível esperado. Thibaut Pinot foi provavelmente a maior desilusão do Tour. Mal o terreno começou a subir, o francês começou a perder tempo. Mudou de táctica e resolveu tentar ganhar etapas e lutar pela camisola da montanha... acabou por abandonar. Pierre Rolland foi perseguido pelo azar, ou seja, pelas quedas e Warren Barguil ainda tem muito para evoluir. Já Romain Bardet confirmou todas as suas credenciais. Acabou por ser dos maiores animadores - dentro do pouco que houve de animador no Tour - e o seu segundo lugar é mais do que merecido e deixa o ciclista a sonhar com outros voos, legitimamente.  Venceu uma etapa em grande estilo (infelizmente para Rui Costa) e é um nome a ter em conta para as próximas edições.

5. Adam Yates acabou por ser a grande surpresa do Tour e nem ser atingido por um insuflável o parou. Quarto lugar, esteve na luta pelo pódio e venceu a classificação da juventude. Já se sabia que o britânico da Orica-BikeExchange tinha potencial, agora confirmou-o e em final de contrato com a equipa, é um dos ciclistas que maior interesse está a gerar. A nova geração britânica começa a demonstrar que Froome poderá ter sucessores à altura.

6. Não se esperava que na estreia Fabio Aru vencesse o Tour. Ainda assim, o 13º lugar sabe a pouco. De quando em vez houve rasgos daquele italiano irreverente que ataca e deixa todos em alerta. Nos Alpes, a Astana chegou mesmo a trabalhar para Aru, que depois não teve forças e ficou para trás. Bauke Mollema (Trek-Segafredo) estará muito desiludido. Esteve em segundo e não fosse a decisão da organização em "salvar" Froome no Mont Ventoux, teria ficado muito perto do primeiro. Quis fazer frente a Froome... e terminou fora do top dez (descer, ainda mais com chuva, não é de todo com ele). Já Richie Porte merecia mais do que uma BMC que o abandonou quando teve um furo logo na segunda etapa. O australiano foi dos ciclistas que apareceu em melhor forma. Apesar de nos Alpes algum cansaço se ter apoderado dele, se não fosse aquele furo, talvez tivesse conseguido o pódio.

7. Jarlinson Pantano foi outra das figuras deste Tour, principalmente na última semana. A IAM prepara-se para fechar portas, mas venceu uma etapa na Volta a França, juntando ao triunfo no Giro (por Roger Kluge), quando nunca tinha ganho numa grande volta. O colombiano Pantano foi um animador e é impressionante o seu espírito de lutador. Quando parece que vai ficar para trás, eis que lá vem ele novamente. E claro, não passou despercebido quando deu uma ajuda a Bauke Mollema, já a pensar que em 2017 deverá estar na Trek-Segafredo. Mais um colombiano a ter em atenção. Também atenção a Tom Dumoulin. Definitivamente ameaça tirar o lugar a Tony Martin como o melhor contra-relogista do munto. Dumoulin venceu ainda uma etapa de montanha (mais uma vez à custa de Rui Costa) e esperemos que a queda já perto do final do Tour não o tire dos Jogos Olímpicos.

8. Mark Cavendish renasceu. De outsider para vencer sprints, recuperou a coroa de rei dos sprints: conquistou quatro (e faltam quatro vitórias no Tour para igualar de Eddy Merckx), com Marcel Kittel e André Greipel a somarem apenas uma vitória cada um. Cumpriu o sonho de vestir a camisola amarela, nem que tenha sido apenas por um dia e deu nova dimensão à... Dimension Data, equipa que voltaria a vencer pelo inevitável Stephen Cummings. Pena e de certa forma reprovável que não tenha cumprido a promessa de estar nos Campos Elísios - até fez uma promo para a televisão a falar de quanto gosta de competir em Paris...), mas o apelo dos Jogos Olímpicos falou mais alto.

9. Peter Sagan é a figura da Volta a França, a seguir a Chris Froome, claro. Três etapas, três dias de amarelo, venceu pela quinta vez a camisola verde (dos pontos). Foi ainda nomeado o mais combativo do Tour. Mas Sagan foi muito mais numa Tinkoff a desfazer-se. A equipa russa está em contagem decrescente para o final, mas o Tour mostrou que cada um dos ciclistas estava a pensar mais no seu futuro. Roman Kreuziger desrespeitou ordens e abandonou Alberto Contador quando este precisou de ajuda numa subida. O checo tinha a sua agenda e o décimo lugar acaba por salvar a sua atitude. A Tinkoff voltou a ver o seu suposto líder, Contador, ter um Tour para esquecer (duas quedas e mais um abandono), mas Sagan garantiu que Oleg Tinkov tivesse muito para festejar, ao que se juntou Rafal Majka. Também ele chegou ao Tour com agenda própria e cumpriu ao garantir a camisola da montanha. Mas atenção, Peter Sagan foi um verdadeiro companheiro de equipa, pois não só lutou pelos seus objectivos, como ajudou sempre que foi preciso os colegas. E ainda houve tempo para uns cavalinhos! Não admira que falem num contrato de seis milhões de euros oferecido pela Bora-Hansgrohe em 2017.

10. Vamos terminar com os portugueses. Nelson Oliveira esteve muito bem no apoio a Nairo Quintana. No entanto, não se poderá esquecer que a Movistar falhou numa etapa em que o vento voltou a estragar as contas ao colombiano. Porém, Eusebio Unzué, director desportivo da Movistar, estará certamente satisfeito por ter escolhido português, que apareceu no contra-relógio. Foi terceiro, só batido por Tom Dumoulin e Chris Froome. Na crono-escalada serviu de teste para Quintana, ficando a sensação que se tivesse tido mais liberdade até poderá ter feito melhor do que o 21º tempo. Mas foi Rui Costa quem mais se mostrou, como era de esperar. A mudança de planos para lutar por etapas e não o top dez foi absolutamente correcta. Finalmente voltámos a ver o Rui Costa lutador e a mostrar toda a sua inteligência táctica. Esteve em seis fugas, foi o mais combativo numa etapa - na que foi ganha por Romain Bardet -, mas infelizmente não cumpriu o objectivo. Pode ser uma desilusão, mas o português mostrou-se em boa forma quando se aproximam os Jogos Olímpicos. O mesmo para Nelson Oliveira, que será um outsider de respeito às medalhas no contra-relógio. E já agora, Nelson subiu ao pódio no final com a Movistar, a melhor equipa do Tour, em tempo, pelo menos.


Best of - Tour de France 2016 por tourdefrance

Veja as classificações finais da Volta a França.

12 de julho de 2016

Volta a França: o (pouco) que aconteceu e o que aí vem

(Fotografia: Team Sky)
Um pouco mais de uma semana cumprida no Tour e não se pode dizer que se viveram emoções fortes, a não ser que se fale de sprints ou da descida de Chris Froome. Entre os candidatos à geral, o grande momento foi aquela fenomenal forma de descer do britânico da Sky, que lhe valeu a vitória na oitava etapa e a camisola amarela. Mas a subir os ataques aconteceram sem grande convicção para fazer diferenças, apenas pequenos testes, com Nairo Quintana a continuar na expectativa, andando quase sempre colado à roda de Froome. Mas uma distracção é lá foi o britânico sozinho rumo à liderança.

Os principais pontos de nota acabam por ser o abandono de Alberto Contador e o renascer de Mark Cavendish. O espanhol continua a ser perseguido pelo azar no Tour e também teve de lidar com a falta de coesão da Tinkoff. Cenário completamente inverso na Dimension Data, uma equipa unida que levou Mark Cavendish a restabelecer-se como um dos grandes sprinters da actualidade, somando três vitórias em quatro etapas ao sprint e liderando a classificação por pontos. A equipa sul-africana ainda viu Stephen Cummings vencer outra tirada, num Tour dominado pelos britânicos: nove etapas, cinco vitórias.

Cavendish vestiu pela primeira vez na carreira a camisola amarela, assim como Peter Sagan e Greg Van Avermaet. Um pouco de história também quanto às desistências. Ao fim de uma semana todos os ciclistas continuavam em prova, feito inédito no Tour. Entretanto, Michael Morkov não aguentou mais após a aparatosa queda da primeira etapa e no sábado abandonou, seguindo-se mais ciclistas no domingo.

Além de Contador, também Thibaut Pinot desiludiu, mas neste caso por falta de forma. Depois de um ano sensacional e com uma FDJ a abdicar de Arnaud Démare para se dedicar exclusivamente a Pinot, o francês falhou por completo quando o terreno começou a ter subidas com maior grau de dificuldade. Mudou os planos para tentar ganhar uma etapa e a classificação na montanha, mas independentemente do que venha a conseguir, já é uma das desilusões do Tour.

As guerras internas nas equipas também estão na ordem do dia e não apenas devido à situação Contador/Kreuziger na Tinkoff. Na Astana parece estar tudo resolvido. Vincenzo Nibali já perdeu tempo e aposta na vitória de uma etapa. No domingo até ajudou Fabio Aru, que não teve um dia nada auspicioso na chegada a Andorra Arcalis. Mas o jovem italiano é o líder indiscutível da equipa. Já na BMC, Richie Porte e Tejay Van Garderen estão numa batalha por essa liderança. O australiano teve um furo na segunda etapa e ninguém esperou para o ajudar. Perdeu tempo, no entanto, nos Pirenéus mostrou que está muito melhor que o norte-americano. Como é que a BMC vai gerir esta situação? Ao que parece cada um terá liberdade para perseguir os seus objectivos... que por acaso é o mesmo: bom resultado na geral, talvez um pódio e com o sonho da vitória.

O que podemos esperar nesta segunda semana?

A etapa do Mont Ventoux, na quinta-feira, dia 14 de Julho, será um momento especial. No dia de França, será a chegada a um dos locais históricos da Volta a França. Haverá ainda um contra-relógio que deverá ajudar a começar a perceber quem realmente irá fazer frente a Froome e se Quintana melhorou o suficiente para continuar "colado" ao britânico. Mas é a etapa de domingo que cria maior expectativa: seis subidas, duas de primeira categoria e uma de categoria especial. Infelizmente, mais uma vez a organização optou por não ter uma chegada em alto. Ainda assim poderá ser um momento para quem quiser decidir antes da terceira semana, ou garantir que tudo se irá decidir nos Alpes.

E esta última hipótese até será a mais provável dado o modo conservador como se tem pedalado, com poucos ataques. No Mont Ventoux, Romain Bardet, claramente o melhor francês e que terá ambição de chegar pelo menos ao pódio, será o homem a ter em atenção, até porque se mexer na corrida, vai obrigar os restantes candidatos a reagir. O ciclista da AG2R até já se mostrou um pouco neste Tour - só para dizer que está presente e podem contar com ele para a luta -, como no Critérium du Dauphiné deixou excelentes indicações.

Ciclistas a ter em atenção, além dos inevitáveis Froome, Quintana e Bardet: Joaquim Rodríguez (anunciou que vai acabar a carreira no final do ano e tem estado a um nível interessante no Tour), Sergio Henao (nunca terá a liberdade para procurar alguma glória, mas o colombiano tem estado exímio no apoio a Froome), Adam Yates (o jovem da Orica-BikeExchange está muito bem e ameaça dar mais um bom resultado à equipa australiana depois do segundo lugar de Johan Esteban Chaves no Giro), Rui Costa (o português já perdeu muito tempo, mas foi segundo em Andorra e está com a ambição de conquistar uma etapa) e Daniel Martin (atenção ao ciclista da Etixx-QuickStep, ele próprio diz que não está para discutir a vitória, mas que bem que tem estado o irlandês até ao momento).

Espera-se algum espectáculo nesta segunda semana, mas que ninguém se surpreenda se tivermos de esperar pela última para os candidatos atacarem a sério.

Etapa 10: Escaldes-Engordany - Revel (197 quilómetros)


Depois de três dias nos Pirenéus e de um de descanso em Andorra, a organização brindou o pelotão com um recomeço de Volta a França muito duro. A etapa começa logo a subir numa primeira categoria, que irá testar muitas pernas, sabendo que nem todos os ciclistas se dão muito bem com o regresso à competição após um dia de descanso. Ultrapassada a primeira categoria, o pelotão deixará Andorra e regressa a terras francesas para um dia que será mais calmo até final, se não houver problemas na subida inicial. As características da etapa poderão permitir uma fuga triunfar.

9 de julho de 2016

Dimension Data: o renascer dos ciclistas

Stephen Cummings conquistou pelo segundo ano consecutivo
uma etapa no Tour (Fotografia: Team Sky)

Confirmou-se: dia para cumprir por parte dos favoritos (os que ainda o são) e uma fuga que acabou por ter uma animação de Greg Van Avermaet que voltou a integrá-la, aproveitando para ganhar mais uns segundos na defesa da sua camisola amarela. Vamos ver se nos Pirenéus há mais acção. Porém, não se pode dizer que não houve entretenimento no Col d'Aspin, uma das subidas que mais vezes é integrada no Tour. O responsável é um homem que tem por hábito marcar uma etapa no seu calendário e se mete na cabeça que vai ganhar, então cuidado. Stephen Cummings é mais um exemplo como na Dimension Data, a anterior MTN-Qhubeka, alguns ciclistas reencontraram o seu melhor, mesmo quando a idade começa a dar sinais de pesar.

Com este triunfo, a equipa sul-africana soma quatro na Volta a França em sete etapas, além de ter Mark Cavendish de camisola verde. Este projecto, que nasceu com a missão de contribuir para a promoção do ciclismo em África, está a tornar-se num dos casos mais interessantes desde que a Sky chegou ao pelotão internacional e transformou todo um método de treino e de corrida.

Quando começou (2008), a MTN-Qhubeka tentou mostrar que também em África é possível encontrar ciclistas com talento e qualidade para estar no World Tour. O crescimento foi feito de ano para ano, sem loucuras e com os resultados a colocarem a equipa no radar do ciclismo internacional e a começar a ser muito falada. As 25 vitórias em 2012 ajudaram, tal como as boas temporadas que se seguiram. Os eritreus Daniel Teklehaimanot e Natnael Berhane tornaram-se referências.

Mas foi em 2015 que a equipa sul-africana deu sinais que tinha chegado a altura de "dar o salto", ainda que continuasse no escalão Profissional Continental. Contrata Stephen Cummings e Edvald Boasson Hagen, dois nomes respeitados e experientes do pelotão. O primeiro estava na BMC, mas já tinha passado pela Sky onde corria o norueguês. Parecia ser um passo atrás na carreira, mas a verdade é que ambos redescobriram a liberdade de perseguir os seus resultados e não ter de trabalhar em prol de um líder apenas. O ponto alto da MTN-Qhubeka chegaria com um triunfo fantástico de Cummings na etapa 14 do Tour, em Mende. Enquanto Thibaut Pinot e Romain Bardet se marcavam mutuamente, o britânico apareceu de rompante e ganhou. E não se pode esquecer que Teklehaimanot chegou a liderar a classificação da montanha.

Voltando a Cummings, o britânico, de 35 anos, somou em Lac de Payolle a quarta vitória do ano e todas elas em provas importantes: Tirreno-Adriático, Volta ao País Basco, Critérium du Dauphiné e agora na Volta a França. Começa a ser difícil pensar que Cummings não vai aos Jogos Olímpicos perante estes resultados.

Para a Dimension Data, a contratação de Cummings mostrou-se tão acertada, como a de Boasson Hagen e claro a de Mark Cavendish. Este último chegou na altura que a equipa passou para o World Tour, mas todo o investimento feito está a ter retorno, mesmo que no caso de Cavendish tenha sido preciso esperar pela Volta a França para o comprovar.

Um insólito para animar a etapa

Enquanto Stephen Cummings pedalava para a vitória, o grupo dos favoritos estava tranquilamente a caminho da meta quando esbarrou no insuflável que marca o último quilómetro. Adam Yates (Orica-BikeExchange) levou mesmo com ele e teve como brinde uns pontos no queixo. O próprio britânico já garantiu que irá continuar em prova e como a organização resolveu registar os tempos aos três quilómetros do fim - devido ao incidente - Yates até subiu ao segundo lugar e lidera agora a classificação da juventude.


Um espectador terá inadvertidamente tirado um parafuso de um dos suportes, provocando que o ar deixa-se de entrar no insuflável. O insólito traz à memória o autocarro da Orica preso nos placares da meta na 100ª edição do Tour.



Para Thibaut Pinot (FDJ) a decisão dos três quilómetros não o salvou do descalabro. O francês está a mais de três minutos de Froome, Quintana e companhia, da qual também não fazem parte Alberto Contador (Tinkoff) e Richie Porte (BMC). A montanha ainda agora começou e a grande esperança francesa já nem ao pódio tem aspirações de chegar.

Quanto a Greg Van Avermaet, quer fazer o impossível? Certamente que não pensa que vai ganhar o Tour, mas quer andar o máximo tempo possível de amarela e com os 5:50 de avanço, até é possível que saia dos Pirenéus com ela vestida.

Para terminar, é oficial: ao fim de uma semana nenhum ciclista desistiu, algo inédito na Volta a França. Até Michael Morkov (Katusha), que sofreu uma aparatosa queda na primeira etapa já perto da meta, continua a terminar em grande esforço as etapas, fazendo constantemente companhia ao carro vassoura, mas sem entrar nele.


Résumé - Étape 7 (L'Isle-Jourdain / Lac de... por tourdefrance

Etapa 8: Pau - Bagnères-de-Luchon (184 quilómetros)


Não é dia para poupanças. Se se é candidato então há que mostrá-lo, seja a atacar ou a defender-se. A etapa é marcada por uma das subidas míticas da Volta a França: o Tourmalet. Serão 19 quilómetros de categoria especial, que levará o pelotão aos 2115 metros de altitude, numa pendente média de 7,4%, que chega a ter mais de 10% de máxima. Mas o Tourmalet será apenas para começar, pois esperam ainda os ciclistas mais três dificuldades, uma de segunda e duas de primeira, antes de descerem até à meta. Há quem considere esta etapa como a mais difícil devido ao percurso que não permite qualquer descanso entre as subidas.

8 de julho de 2016

A ameaça da postura conservadora

Irá Chris Froome voltar a atacar cedo no Tour? Conseguirá Contador manter-se na luta?
(Fotografia: Team Sky)
Existem razões para este receio e os últimos anos são a prova disso. Quando chegam à Volta a França os ciclistas assumem uma postura conservadora que faz com que se esteja boa parte da etapa a tentar adivinhar quando vai haver um ataque e muitas vezes lá se fica desiludido. Uma postura bem diferente da verificada no Giro ou na Vuelta, provas que tem proporcionado maior espectáculo em edições recentes, precisamente devido à desinibição de alguns dos protagonistas (e às vezes também por terem percursos mais interessantes). É por isso que tanto se fala do melhor Tour de sempre no início e depois fica sempre adiado para o ano seguinte.

Esta sexta-feira começa a primeira fase de alta montanha no Tour, com a entrada nos Pirenéus. Muito antecipada, naturalmente, mas os discursos começam a ameaçar o pior, na perspectiva de quem vai assistir. Entre directores desportivos e ciclistas, ouve-se muito o "vamos ver". O "vamos ver" é normalmente sinónimo de querer esperar para perceber como estão os adversários. Ataques, nem vê-los ou aparecem já muito perto do final das etapas.

Nem é preciso recuar muito para se ter um exemplo disso mesmo. Há um ano Chris Froome atacou na primeira verdadeira montanha, que surgiu logo após o dia de descanso. Ganhou tempo e quem mais se aproximou foi Richie Porte, então seu colega na Sky. Nairo Quintana (que já tinha perdido tempo numa etapa plana devido a um corte provocado pelo vento) foi esperando, esperando, esperando, até ver quando o britânico poderia fracassar nas etapas seguintes. Esperou tanto, que quando finalmente percebeu que Froome não estava tão forte, já era tarde e faltaram-lhe alguns quilómetros para recuperar tempo 1:12 que acabou por separar o colombiano do primeiro lugar. À entrada para a última etapa de montanha, eram 2:38 minutos a diferença. Basicamente o Tour ficou resolvido com um solitário ataque logo na segunda semana.

Quintana e a Movistar aprenderam a lição. Não há dúvidas. Assim como Chris Froome, que se preparou de forma a estar mais forte na terceira semana. Porém, significará isso que vão marcar-se mutuamente nestas primeiras etapas de alta montanha tentando esperar por alguma quebra? É mais do que possível que a Movistar e a Sky optem por nos Pirenéus impor um ritmo duro, tentando fazer um jogo de eliminação com alguns dos candidatos que eventualmente não esteja bem.

Se Froome e Quintana poderão resguardar-se nas suas equipas (para bem do espectáculo espera-se que não), então quem quererá abrir as hostilidades? A julgar pelo que aconteceu na etapa cinco, a primeira com alguma montanha, Romain Bardet (AG2R) está com uma postura mais atacante e se assim for poderá forçar outros a terem de reagir. Este francês esteve bem no Critérium du Dauphiné e está com ideias para este Tour. Já Thibaut Pinot (FDJ) perdeu alguns segundos e talvez possa poupar-se para a segunda semana, ele que agora é um especialista no contra-relógio.

Fabio Aru (Astana) não será, pelo menos para já, o Aru que tanto entusiasma com aquele estilo atacante. Também ele está com um discurso do "vamos ver". Que bom seria que fosse bluff. Tejay Van Garderen (BMC) de atacante nada tem e nunca teve, mas Richie Porte tem quase dois minutos para recuperar e talvez os Pirenéus lhe agradem, até porque o australiano já admitiu que se sente bem fisicamente.

O tom conservador do Tour leva ao desespero qualquer um que queira ver os melhores do mundo em acção e se esta sexta-feira até se admite que seja para uma fuga a triunfar, já sábado e principalmente no domingo em Andorra, quase que se exige que os favoritos se mostrem. Não nos deixem ter de esperar mais tempo por finalmente ver o espectáculo nas montanhas!

Alberto Contador até poderia ser um dos homens a animar a corrida, mas o ciclista da Tinkoff estará mais dedicado a tentar não arruinar por completo as suas hipóteses de lutar pelo Tour. Já não lhe chegava a queda na primeira etapa e agora também o ambiente na equipa não é o melhor, com o espanhol a criticar abertamente Roman Kreuziger, por este não ter esperado por ele na quinta etapa. Kreuziger era suposto ser o braço-direito de Contador...

NOTA: É um facto merecedor de ser destacado. Depois de anos em que as primeiras etapas ficaram marcadas por quedas, algumas muito graves, e até desistências importantes, o Tour entra este ano nas montanhas com todos os 198 ciclistas que partiram do Mont-Saint-Michel.

Etapa 7: L'Isle-Jourdain - Lac de Payolle (162,5 quilómetros)



O Col d'Aspin marca a chegada aos Pirenéus. Não é a subida que mais assusta, nem vista como das mais espectaculares, mas poderá servir para testar alguns candidatos, ainda que seja provável que os favoritos tentem apenas cumprir o dia, com outros bons trepadores a jogarem uma cartada para vencer a etapa. Serão 12 quilómetros até aos 1490 metros de altitude, com uma pendente média de 6,5%. Depois ainda há uma descida, num final de etapa que será muito atraente para um Vincenzo Nibali, por exemplo. Alguma expectativa para perceber se é desta que vamos ver Rui Costa. Thomas de Gendt (Lotto Soudal) também deverá mostrar-se para tentar somar mais pontos para a classificação da montanha que lidera.

E aí vão três para Mark Cavendish e já se fala novamente do recorde

Outsider? Eis a resposta do sprinter britânico quando se pensava que estaria em fase descendente da carreira: três vitórias em quatro etapas com chegada ao sprint. Já é o segundo ciclista na história do Tour com mais vitórias (29) e aponta novamente ao recorde de Eddy Merckx: 34. Ainda há mais três possibilidades neste Tour de se aproximar do ciclista belga. Com 31 anos coloca-se a questão da idade, mas Cavendish ainda terá mais dois ou três anos a bom nível. Neste momento estamos mesmo perante um dos melhores Cavendish que já se viu, que até bate Marcel Kittel no ombro a ombro (ver vídeo). Chegou a atingir os 68 quilómetros/hora!


Flamme rouge - Étape 6 (Arpajon-sur-Cère... por tourdefrance

Com esta vitória na quinta-feira, o ciclista da Dimension Data volta a liderar a classificação por pontos. Greg Van Avermaet continua a viver o sonho de andar de amarelo, pelo menos mais um dia e até é possível que ainda se aguente este sexta-feira. No fim-de-semana será altura de começar a revolução na classificação geral.


Résumé - Étape 6 (Arpajon-sur-Cère / Montauban... por tourdefrance

Confira as classificações após a sexta etapa.

4 de julho de 2016

Vai um cafezinho?

(Fotografia: Team Sky)
A sugestão partiu de Peter Sagan e o melhor é aproveitar porque mesmo o mais fervoroso adepto de ciclismo tem dificuldades em manter os olhos abertos quando um etapa de mais de 200 quilómetros decorre a uma média abaixo dos 40 por hora. A certa altura estava nos 33 quilómetros/hora. Lá acabou nos 37 porque o pelotão acelerou com o aproximar do final, na preparação do sprint. Seis horas de corrida! Portanto, este sim, foi um dia aborrecido, até para o solitário que resolveu fugir. Mas afinal, qual a razão para tamanha lentidão?

Uma situação destas não é tão anormal como se possa parecer. Extremamente aborrecido para quem vê, também não é praticamente emotivo para quem está na corrida. Porém, a velocidade (ou falta dela) também é necessária. As duas primeiras etapas deixaram as suas marcas no pelotão. Muito nervosismo na primeira que provocou problemas em alguns ciclistas devido a quedas. A segunda testou logo muitas pernas e algumas chumbaram com homens como Alberto Contador, Thibaut Pinot e Vincenzo Nibali, além do furo da desgraça de Richie Porte, a perderem tempo.

Portanto, ao ter pela frente 223,5 quilómetros em terreno plano, sem preocupações de vento e sem ciclistas com que se preocupar na frente, o pelotão aproveitou para ter um dia calmo, dentro do possível, pois é preciso manter a atenção (para evitar quedas), o que nem sempre é fácil neste tipo de dias. É que pela frente tem esta terça-feira a etapa mais longa - 237,5 -, com a montanha a chegar na quarta-feira e de sexta a domingo quem quer ganhar a Volta a França terá mesmo de começar a mostrar-se.

Ou seja, longe vão os tempos de uma primeira semana maioritariamente feita para os sprinters, com ciclistas como Mario Cipollini a aproveitarem para ganharem o máximo de etapas possíveis antes de irem para casa evitando os dias de montanha.

A terceira etapa do Tour tinha tudo para ser tão desinteressante que nem oferecia grande motivação para uma fuga. Apesar do que por vezes possa parecer, grande parte das fugas tem mesmo o objectivo de conseguir uma surpresa e lutar pela vitória longe do pelotão. Mas neste tipo de terreno, sem qualquer tipo de dificuldade, era óbvio que as equipas dos sprinters não deixariam ninguém pensar em ganhar. E se alguém poderia ter a ideia de "vender" o patrocinador, tempo de antena tem, não terá é muitas pessoas particularmente atentas, a não ser que tenha um nome como Armindo Fonseca e a corrida esteja a ser vista em Portugal.


Armindo Fonseca, o luso-descendente do Tour
(Fotografia: Wikimedia Commons)
Que nome tão português é este? É de um ciclista francês, que não é um total desconhecido, já tendo passado pela Volta a Portugal. Tem 27 anos, nasceu em Rennes, a mãe é francesa e o pai é de Fafe. Não fala português, mas percebe um pouco e recorda-se de quando passava férias na Póvoa do Varzim. Compete pela equipa gaulesa Fortuneo-Vital Concept e tem duas vitórias como profissional.

Andou mais de 200 quilómetros em fuga, mas mesmo assim não teve direito ao prémio do mais combativo do dia. Estes prémios atribuídos por júris têm decisões destas. É que a corrida estava tão aborrecida que Thomas Voeckler (Direct Energie) fartou-se e foi ter com Armindo Fonseca já com menos de 100 quilómetros para o final. Parece que foi o suficiente para garantir uma subida ao pódio. Isso e provavelmente algum estatuto. Ambos foram, naturalmente, apanhados pelo pelotão.


O sprint final pelo menos proporcionou bastante emoção. Valeu-nos isso! Mark Cavendish (Dimension Data) e André Greipel (Lotto Soudal) cortaram a meta lado a lado. Passaram alguns minutos até que o photo finish mostrou que o britânico está mesmo de volta ao seu melhor: segunda etapa ao sprint, segunda vitória. Cavendish parece mesmo estar a renascer e está motivado para lutar pela camisola verde. 

Com estes dois triunfos será de esperar que o "Expresso da Ilha de Man", como é conhecido, irá mesmo ficar até aos Champs Elysées - a etapa ex-libris dos sprinters - e não abandonar para assim integrar o estágio da equipa de pista para os Jogos Olímpicos, como chegou a insinuar o seleccionador britânico.

Está igualado o número de vitórias de Bernard Hinault, 28, e agora a marca de Eddie Merckx volta a parecer ser possível de alcançar. "Só" faltam seis para apanhar o mais vitorioso de sempre na Volta a França.

Peter Sagan continua de amarelo, é possível que assim seja até quinta-feira. Na geral todos chegaram sem problemas, Alberto Contador teve um dia perfeito para recuperar um pouco dos ferimentos, assim como Sam Bennet (Bora-Aragon18) e Michael Morkov (Katusha), outros dois ciclistas envolvidos numa queda violenta na primeira etapa, já nos últimos metros. Sim, porque um dia como este também tem esta vantagem: curar ferimentos de combate.

Etapa 4: Saumer - Limoges (237,5 quilómetros)



É a tirada mais longa da Volta a França e poderá ser novamente decidida pelos sprinters. Porém, uma subida de quarta categoria quando os ciclistas já cumpriram cerca de 180 quilómetros tem potencial para provocar algumas surpresas, caso alguém tente fugir. São 1,2 quilómetros a uma média de 5,5% de inclinação. Também poderá acontecer algumas equipas como BMC, Giant-Alpecin e Direct Energie tentarem deixar para trás algum puro sprinter e dar mais hipóteses a Avermaet, Degenkolb e aumentar a possibilidade de Bryan Coquard, que independentemente de quem lá estiver irá à luta, assim como o inevitável Peter Sagan.


Résumé - Étape 3 (Granville / Angers) - Tour de... por tourdefrance

Confira aqui as classificações após a terceira etapa.

3 de julho de 2016

Tanto stress para um primeiro dia e um pouco de história

(Fotografia: Facebook Etixx-QuickStep)
Peter Sagan disse que a primeira etapa da Volta a França de 2016 foi "aborrecida". Olhando para o perfil até seria de esperar que o interesse surgisse apenas na preparação do sprint final. Porém, nada como um pouco de vento para deixar o pelotão muito nervoso e tirar o aborrecimento à tirada. Mas percebe-se Sagan: será aborrecido perder mais um sprint no Tour e continuar sem vitórias de etapas desde 2013.

Numa primeira etapa há sempre uma ansiedade. Mesmo entre os ciclistas mais experientes. É aquela ansiedade de finalmente chegar o momento que tanto esperavam. e para que tanto trabalharam. São os primeiros quilómetros, as primeiras pedaladas. Uns anseiam por tranquilidade (relativa, claro) e não ter problemas, outros pela estreia na volta das voltas e outros por ganharam a etapa. Mas quando à ansiedade se junta nervosismo... eis uma mistura explosiva.

Uma boa parte do dia foi passado perto da costa, o que se traduziu em vento. Pânico!!! Sim, porque a Etixx-QuickStep e a Lotto Soudal lá se foram entretendo a tentar partir o pelotão o que obrigou as equipas dos homens da geral a redobrada atenção para garantir que os seus líder não ficavam em algum corte (Valverde e Quintana bem sabem os danos que tal faz às aspirações).

Até aqui tudo normal (e de aborrecido tem pouco quando pedalam acima dos 50 quilómetros/hora e não a 104 como chegou a aparecer na televisão). Mas lá veio aquele momento. Aquele que muitos temem e que Alberto Contador tem tido tendência a ser protagonista nos últimos anos: uma queda. E que queda! Aquele ombro até assustou e quando Contador explicou que tem o lado direito todo ferido... Mas sim, o espanhol só pensa em voltar à estrada e continuar na luta, afinal já lhe chegou 2011 e principalmente 2014, quando até pedalou 20 quilómetros com uma perna partida até admitir que acabava ali a corrida.


78 KM restants - Chute de Contador - Étape 1... por tourdefrance

Além da queda ainda se assustou com a perda de tempo para um pelotão que ia a grande velocidade. Surgiram relatos que Fabian Cancellara terá dado ordens para que se abrandasse. A confirmar-se, um exemplo, sem dúvida de uma voz de comando que muita falta fará quando terminar a carreira no final do ano.

Voltando a Contador, o espanhol estará a pensar que a má sorte o persegue. Logo na primeira etapa! No entanto, não se pense que não fará tudo para resistir a todas as dores para continuar em prova. No ano passado quase competiu com o braço ao peito depois de uma queda no Giro... e ganhou! E em 2014 recuperou a tempo de ganhar a Vuelta.

Etapa aborrecida? Contador não deve concordar muito com o colega de equipa da Tinkoff.

Michael Morkov (Katusha) também terá ficado bastante aborrecido quando caiu de forma violenta contra as grades, tal como Sam Bennett que ficou muito mal tratado numa queda já nos últimos metros que envolveu estes dois ciclistas e outros.

E para acabar, um momento bem mais feliz: Mark Cavendish está de volta! Ganhou e cumpriu um sonho... estragando o de Sagan que disse: "Houve muito stress no grupo para nada e depois, no final, são sempre os mesmo ciclistas na frente." Tendo em conta que no Tour costumam estar sempre os melhores, é normal serem eles a estar na frente a proporcionarem grandes sprints. É o que se pede...

Finalmente de amarelo

O homem afinal emociona-se. E não foi pouco. Mark Cavendish perdeu definitivamente o lado de bad boy. Aos 31 anos, não escondeu o quanto lhe foi especial a vitória deste sábado em Utah Beach, um local histórico, pois foi uma das praias onde os Aliados desembarcaram no Dia D, em 1944, que ditaria o princípio do fim da II Guerra Mundial.

Mas era a vez de se fazer história no ciclismo. Neste momento pouco importaram as 27 vitórias do Tour. Para Cavendish ficará para sempre como o dia em que vestiu finalmente a camisola amarela. Esteve de rosa (no Giro), esteve de vermelho (na Vuelta), mas faltava-lhe a amarela. E a emoção tomou conta do britânico.

Bateu Marcel Kittel, André Greipel, Peter Sagan... os melhores. Se era para conquistar a amarela, então merecia que fosse assim, frente às grandes figuras. Por vezes tem ficado a sensação que Cavendish estaria a render-se às evidências que o seu tempo já tinha passado. Porém, este britânico mantém afinal aquele espírito de lutador que tanto o caracteriza. Independentemente do que aconteça no resto do Tour - e até pode perder a liderança já este domingo - a missão está mais do que cumprida. Pois há que salientar algo mais: é histórico para Cavendish e também para a Dimension Data. A equipa sul-africana tem pela primeira vez um ciclista seu como líder do Tour.

Para terminar o primeiro dia do Tour, há ainda a destacar Edward Theuns. O ciclista da Trek-Segafredo - quinto no sprint - faz a sua estreia e também ele já tem uma camisola: a branca, de líder da classificação da juventude. Não é para manter, mas certamente muito honroso para quem acaba de chegar à Volta a França.


Résumé - Étape 1 (Mont-Saint-Michel Utah Beach... por tourdefrance

Veja aqui as classificações após a primeira etapa.

Etapa 2: Saint-Lô - Cherbourg-Octeville (183 quilómetros)


Ao segundo dia e os ciclistas enfrentam logo uma etapa que termina a subir, depois de passarem por três quartas categorias na primeira metade da tirada. A chegada ao Côte de La Glacerie serão três quilómetros que chegam a atingir os 14% de inclinação. É uma tirada mais à imagem de ciclistas com características como Peter Sagan, Greg Avermaet ou John Degenkolb, mas com a dificuldade final, Daniel Martin e Julian Alaphillipe podem ser apostas da Etixx-QuickStep. Não sendo etapa para se fazerem diferenças, ainda assim requer atenção por parte dos candidatos à geral.

2 de julho de 2016

Sprinters ao ataque da camisola amarela

Ela está em Utah Beach-Sainte-Marie-Du-Mont à espera daquele que será o primeiro líder da Volta a França. É ano para os sprinters perseguirem o sonho de vestir a camisola amarela e a etapa é feita a pensar neles e só neles. Qualquer outro vencedor será uma surpresa. Vestir este sábado aquela camisola é quase tão significativo para os sprinters como ganhar nos Champs-Elysées, no tradicional último dia do Tour. Candidatos não faltam, mas falta saber se será como no Giro: todos contra Marcel Kittel? O alemão tem dominado, no entanto, a concorrência para estar bem mais à altura do que na Volta a Itália.

Marcel Kittel (28 anos) chega ao Tour com o orgulho um pouco ferido. Perdeu os Nacionais para André Greipel (33), que ameaça ser o seu principal rival. Kittel soma nove vitórias de etapas - incluindo duas na Volta ao Algarve - no ano de estreia pela Ettix-QuickStep. Conquistou ainda a Volta ao Dubai e a classificação por pontos, que também o fez no Algarve. Aquele péssimo 2015 está esquecido - falhou grande parte da temporada devido a doença - e o alemão regressa ao Tour para tentar restabelecer-se como o rei dos sprints.

Apesar da Ettix-QuickStep ter Julian Alaphilippe e Daniel Martin para apostar noutro tipo de etapas, a equipa estará no apoio a Kittel que bem poderá precisar dela se Greipel apresentar-se como há um ano. Venceu quatro etapas e já lá vão dez no Tour, conquistadas ao longo de cinco edições. Kittel soma oito... em apenas duas.

O ano não tem sido fácil para Greipel, que teve uma aparatosa queda no Algarve. Porém, chega ao Tour com oito vitórias e com o moral em alta depois de voltar a sagrar-se campeão alemão e de um Giro onde alcançou três vitórias, mas já todas sem Kittel na corrida (venceu duas etapas antes de abandonar).

Da rivalidade alemã para a rivalidade francesa... que não haverá. Será certamente uma desilusão para os adeptos gauleses que este ano esperavam ver os seus ciclistas em grande no sprint e na luta pela geral. Arnaud Démare já se esperava que ficasse de fora, visto que a FDJ está 100% concentrada em ajudar o líder Thibaut Pinot. Sobrava então Nacer Bouhanni e Bryan Coquard. O ciclista da Cofidis andou ao murro e acabou por ser excluído a três dias do arranque do Tour. Ficou Bryan Coquard. Manteve-se fiel à estrutura Direct Energie - antiga Europcar -, apesar da tentação para subir ao World Tour, mas ninguém tem dúvidas que Coquard (24 anos) tem qualidade para estar ao nível dos melhores.

Coquard soma 11 vitórias em 2016, nenhuma em provas World Tour, mas não lhe retira qualquer mérito. É que o francês conquistou ainda a geral dos 4 Dias de Dunquerque e da Boucles de la Mayenne. Venceu também as respectivas classificação por pontos, camisola também garantida na Etoile de Bessèges.

Alexander Kristoff (28 anos) é uma grande incógnita. O ciclista norueguês da Katusha parecia que ia ter mais um ano vitorioso no arranque da temporada, mas rapidamente perdeu gás. Até tem seis triunfos, mas não tem demonstrado o poderio de 2015 que ainda assim acabou por ter a frustração de não conquistar nenhuma etapa no Tour. Tem duas de 2014. Tal como Kittel, Kristoff também não estará muito satisfeito com o resultado dos Nacionais, com Edvald Boasson Hagen a ser mais uma vez o mais forte.

E depois temos Mark Cavendish. Até recentemente discutia-se se não seria o melhor sprinter de sempre. Como outros foi o melhor até aparecer alguém mais forte. Foi vítima do normal ciclo do ciclismo. Teve o seu momento e agora é Kittel que gera a discussão se é o melhor de todos os tempos... até aparecer alguém que comece a somar muitas vitórias ao sprint.

Aos 31 anos, o britânico teve de deixar a toda poderosa Etixx-QuickStep que piscava o olho a Kittel. Cavendish encontrou refugio na Dimension Data, mas os resultados vão piorando de ano para ano. Três vitórias de etapa e a geral na Volta ao Qatar. É impossível não se sentir que é uma desilusão. Pelo meio regressou à pista e sagrou-se campeão do mundo de Madison ao lado de Bradley Wiggins e garantiu um lugar nos Jogos Olímpicos, como ambicionava. Mas a Dimension Data quer resultados na estrada e não terá gostado de saber que o seleccionador britânico avisou que Cavendish poderia ter de abdicar de chegar ao fim do Tour para participar no estágio para os Jogos do Rio de Janeiro. Na conferência de imprensa de antevisão, o britânico garantiu que está em França para chegar aos Champs-Elysées, mas assume um discurso modesto - algo pouco habitual nele -, sabendo da forte concorrência que tem e deixando muitas dúvidas sobra a sua forma.

Porém, há que não esquecer: Cavendish tem 26 vitórias de etapa no Tour e ainda persegue o recorde de Eddy Merckx: 34. Parece estar ali tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Há um ano só ganhou uma, em 2014 desistiu na segunda etapa devido a uma queda, em 2013 somou apenas duas. O domínio de outrora desvaneceu-se e mais do que o recorde, Cavendish ficará satisfeito se somar pelo menos um triunfo. Para ele será uma missão cumprida.

Fazem de sprinters, não são bem sprinters, mas estão lá a sprintar

Os ciclistas anteriores são os chamados puros sprinters. Mas há aqueles que sabem sprintar (e bem) e que certamente procuram fazer uma gracinha. Falamos claro de Peter Sagan. É muito forte no sprint, mas quando defronta um Kittel ou um Greipel encontra algumas dificuldades para os superar. Sagan (26 anos) quer mais uma camisola verde (dos pontos), a quinta que lhe permitirá igualar o recorde do alemão Erik Zabel. Mas este ciclista gosta de desafios e porque não tentar chegar a amarela? É que até tem possibilidade para tal, pois se não for ao sprint, até pode conseguir na segunda etapa, que já não agrada aos tais puros sprinters.

E se falamos de Peter Sagan temos de falar de John Degenkolb e de Greg Van Avermaet. O primeiro procura a primeira vitória do ano depois de um acidente na pré-temporada - foi atropelado por uma idosa que circulava em contra-mão -, no qual quase perdeu um dedo, enquanto Avermaet recuperou da queda na Volta a Flandres, tendo este ano vencido três etapas e ainda a geral do Tirreno-Adriático.

Com estes ciclistas nunca se sabe, mas a apostar... esta é uma etapa para os puros sprinters.

Etapa 1: Mont-Saint-Michel - Utah Beach-Sainte-Marie-Du-Mont (188 quilómetros)


Este ano o Tour começa em casa. Numa etapa feita maioritariamente junto à costa (zona oeste). A chegada será feita num local histórico, pois foi uma das praias onde os aliados desembarcaram a 6 de Junho de 1944, no Dia D da II Guerra Mundial.


Présentation - Etape 1 par Thierry GOUVENOU... por tourdefrance

8 de abril de 2016

Mark Cavendish à procura de rumo no Paris-Roubaix

Em pouco tempo, Mark Cavendish deixou de ser o centro da "discussão" se é ou não o melhor sprinter de sempre, para quase ter de lutar para mostrar que continua a ser um dos melhores (soma mais de cem vitórias na carreira). A chegada de Marcel Kittel tem precipitado uma perda de protagonismo por parte do britânico, que tem encontrado dificuldades para se manter no topo. A saída da Etixx, que contratou Kittel, parecia confirmar que Cavendish começava a perder crédito. No entanto, o britânico tenta reinventar-se e sair da sombra do sprinter alemão.

A Dimension Data estendeu a mão a Cavendish (30 anos), escolhendo o britânico para o projecto que este ano chegou ao World Tour. O sprinter não é um ciclista barato, mas rapidamente começou a mostrar serviço - e a tentar justificar o investimento - ao vencer a primeira etapa da Volta ao Qatar e depois a classificação geral.

Na equipa sul-africana, Cavendish reencontrou colegas que anteriormente foram alguns dos seus homens de confiança, como Edvald Boasson Hagen e Bernhard Eisel. E, claro, levou consigo o inseparável Mark Renshaw. No entanto, após a Volta ao Qatar, o britânico soma quatro segundos lugares. Não mais venceu. Pelo menos na estrada.

Precisamente na tentativa de reinventar-se, Cavendish anunciou que este ano queria voltar a apostar na pista, tendo em vista os Jogos Olímpicos. Um regresso à escola onde se formou. Mas perante a qualidade de ciclistas britânicos, Cavendish sabe que não é fácil ser seleccionado. Foi chamado para os Campeonatos do Mundo, em Março, e juntamente com Bradley Wiggins conquistou o ouro no Madison. Aquele sorriso após a vitória há muito que não se via no ciclista.


O lugar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro não está garantido, mas Cavendish até parece estar disposto a abdicar de competir na última etapa da Volta a França se tal significar estar em estágio com a equipa de pista. A acontecer também comprovará que o objectivo de ultrapassar o número de vitórias de Eddy Merckx em etapas das grandes voltas também já é considerado uma utopia pelo próprio Cavendish. Em 2015, ao vencer apenas uma etapa no Tour (soma 26 no total), mesmo sem a concorrência de Kittel (Greipel, um antigo lançador seu, foi o sprinter em destaque), ficou claro que o tempo escasseia para cumprir um dos grandes objectivos da carreira.

No entanto, a reinvenção de Cavendish não passa apenas pelo regresso à pista. A maior supresa foi mesmo o anúncio que o britânico iria participar no Paris-Roubaix e não vai apenas para fazer alguns quilómetros. O director da Dimension Data, Roger Hammond, garante que o Míssil de Man (como é conhecido Cavendish) sonha vencer a mítica clássica e que tem condições para tal.

Em Scheldeprijs, Cavendish tentou ganhar uma confiança extra. Na corrida mais antiga da Flandres - e a que apesar do pavé dá protagonismo aos sprinters - Cavendish procurava a quarta vitória, tal como o grande rival Marcel Kittel (que não vai a Roubaix). Num sprint digno dos melhores do mundo... Kittel ganhou e Cavendish não escondeu a desilusão.




Qual a verdadeira capacidade de Cavendish para ganhar o Paris-Roubaix é uma questão que só o próprio poderá responder, até porque a própria equipa tem Boasson Hagen como a principal aposta. O britânico só tem um monumento na carreira (sem surpresa, a Milan - San Remo, em 2009), mas um bom resultado na clássica das clássicas do pavé em França poderá dar um novo rumo à carreira de Cavendish, ou pelo menos ajudá-lo a recuperar alguma da motivação que parece ir desvanecendo-se à medida que vai vendo outros sprinters ganhar o protagonismo que até recentemente era dele.