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26 de maio de 2019

Manzana Postobón fecha portas após casos de doping

A Manzana Postobón não vai regressar à estrada. O projecto colombiano, que estava a ser importante na divulgação de ciclistas daquele país, não resistiu ao problema que não larga uma Colômbia que tem tanto talento entre os ciclistas, mas não consegue afastar a imagem ligada às suspeitas de doping. Foram dois casos em menos de um mês na equipa Profissional Continental e não ajudou um antigo ciclista da equipa ter sido excluído do Giro por resultados anómalos, acabou. Fim da linha para a Manzana Postobón e a Colômbia volta a dar um passo atrás no desenvolvimento do seu ciclismo.

Os responsáveis nem esperaram para conhecer a sanção da UCI. O regulamento dita que dois casos em 12 meses resultam automaticamente numa suspensão da equipa entre 15 a 45 dias. A Manzana Postobón foi mais radical.

"Perante os eventos lamentáveis das últimas semanas, nos quais estiveram envolvidos atletas da equipa profissional, decidimos não continuar com a formação de ciclismo profissional", lê-se no comunicado assinado pelo presidente da Corporación Pedaleamos por Colombia (detentora da equipa), Alejandro Restrepo Echavarría.

É realçado como se tentou incutir tanto nos ciclistas profissionais, como nos corredores das camadas jovens e as suas famílias "a importância em marcar a diferença com o seu bom comportamento, o respeito pelo seu corpo, o cuidado pela sua saúde e, sobretudo, a responsabilidade perante a sociedade, de se ser um exemplo para uma sociedade que vibra com o desporto" e que vê os ciclistas como "exemplos a seguir".

Echavarría pede ainda que se continue a defender um desporto limpo e que não se perca a crença que tal é possível na Colômbia. Considera que o aumento de controlos anti-doping e a educação dos jovens corredores é o caminho a seguir. Porém, a realidade naquele país sul-americano volta a chocar com o romantismo que tem existido em redor dos ciclistas que em anos recentes se tornarem em referências mundiais, conquistando ou sendo fortes candidatos a grandes vitórias.

Sempre que a Colômbia tenta dar um passo em frente, os problemas com o doping causam um revés e o final da Manzana Postobón será mais um. Ia na sua terceira temporada como Profissional Continental. Um dos objectivos era precisamente servir de trampolim para os colombianos darem o salto para o World Tour. Sergio Higuita foi o mais recente exemplo, assinando pela EF Education First, depois de uns meses de preparação e adaptação europeia na Fundação Euskadi. Juan Sebastián Molano tornou-se num ciclista de orgulho para a equipa ao mudar-se para a UAE Team Emirates, mas, cinco meses depois tornou-se num exemplo de dúvida.

O sprinter foi excluído pela própria equipa da Volta a Itália devido a resultados anómalos detectados nuns testes internos. A sua ligação à Manzana Postobón foi imediatamente referida, numa publicidade nunca desejada. No entanto, o problema da formação colombiana foi mesmo o positivo de Wilmar Paredes por EPO em Abril e, já este mês, os resultados anómalos por boldenona, um esteróide anabolizante, por parte de José Amador.

Ainda há trabalho a fazer de raiz para tentar eliminar um mal que, depois da Colômbia estar a ser tão falada como uma fonte de talentos, voltou a minar a credibilidade daquele ciclismo. Há que não esquecer que há outro colombiano na mira, pois Jarlinson Pantano (Trek-Segafredo) está suspenso provisoriamente depois de ter acusado EPO.

Irão continuar a aparecer talentos, como Egan Bernal e Iván Ramiro Sosa, mas uma equipa como a Manzana Postobón poderia ter sido um porta aberta para mais ciclistas se mostrarem. Logo no seu primeiro ano no segundo escalão, esteve na Volta a Espanha. Que mais se poderia pedir. Espanha, França, mas também Portugal foram destinos ao longo dos últimos três anos da equipa. Por cá, Molano venceu duas etapas na Volta ao Alentejo, em 2017. Nesse ano de estreia como Profissional Continental da Manzana Postobón, o ciclista português Ricardo Vilela e o holandês Jetse Bol assumiram um papel importante em transmitir experiência a um grupo tão jovem. Os dois estão agora na Burgos-BH,, depois de duas temporadas na estrutura colombiana. Bol até saiu em Agosto de 2018.

Com o fim do projecto a nível do profissionalismo, fica mais uma vez bem claro a necessidade de "limpar a casa" antes de continuar a ambicionar alto, para acabar por cair. Numa altura em que a Volta à Colômbia estava a consolidar ainda mais a reputação no ciclismo daquele país, eis que o doping volta a ser o assunto do dia. Entretanto, 14 ciclistas ficaram sem equipa, enquanto dois aguardaram pela conclusão dos processos de suspeita de doping.

Federação lamenta final da equipa

A Federação Colombiana de Ciclismo lamentou o fechar de portas da Manzana Postobón, salientando como sempre teve um compromisso "com os valores éticos e profissionais na prática do jogo limpo". O organismo compromete-se em manter "os programas preventivos", assim como as conferências que acompanham as principais competições do país, da elite às camadas jovens, para formar os ciclistas e "dar ênfase às consequências do doping na saúde e no desporto".

Acrescenta que irá defender o "jogo limpo", através de "controlos antes, durante e fora das corridas". "Não podemos desfalecer e deixar que o doping manche e acabe com toda a disciplina, entrega e paixão que influenciaram pessoas e empresas de prestígio a apoiar o desporto no nosso país", lê-se no comunicado.

»»Manzana Postobón à espera da suspensão após segundo caso de suspeita de doping««

»»Três ciclistas mandados para casa por suspeitas de doping««

20 de maio de 2019

Manzana Postobón à espera da suspensão após segundo caso de suspeita de doping

(Fotografia: Facebook Manzana Postobón)
Não está a ser uma boa fase para o ciclismo colombiano. Agora é a Manzana Postobón que está apenas à espera de saber quanto tempo será suspensa, depois da UCI ter anunciado um segundo caso de suspeita de doping na equipa. Primeiro foi Wilmar Paredes, que acusou EPO em Abril e agora foi a vez de Juan José Amador ter um resultado anómalo de boldenona, um esteróide anabolizante.

Ambos os ciclistas foram suspensos provisoriamente, tendo o direito de pedir a contra-análise. Porém, tal não salvará a equipa colombiana de uma suspensão automática. O regulamento dita que se foram registados dois testes positivos num espaço de 12 meses, a formação será suspensa entre 15 a 45 dias. No início do ano a espanhola Burgos-BH cumpriu 21 dias de suspensão devido a três casos num ano.

Amador tem 21 anos e está na sua terceira temporada com a Manzana Postobón. A UCI explicou num comunicado que a amostra na qual foi detectada a substância foi recolhida a 22 de Outubro do ano passado, num controlo realizado fora de competição.

Está a ser um ano negativo para a Colômbia quanto a casos de doping, pois também Jarlinson Pantano, ciclista da Trek-Segafredo, foi suspenso provisoriamente devido a um teste positivo por EPO. Recentemente na Volta a Itália, Juan Sebastián Molano - antigo corredor da Manzana Postobón - foi mandado para casa pela UAE Team Emirates, depois de resultados anómalos detectados em testes internos.

No mesmo comunicado a dar conta da suspensão provisória de Amador, a UCI anunciou que outro colombiano também não vai competir enquanto não clarificar as irregularidades detectadas no passaporte biológico. Alex Cano tem 36 anos e representa a equipa do seu país Coldeportes Zenu, do escalão Continental.

Quanto à Manzana Postobón, o seu calendário prevê a participação no Tour de l'Ain, que começa no sábado. E seria por França que iria competir também em Junho. Não há ainda informação se o irá fazer, dependendo também de quando a UCI anunciar a decisão.

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»»Pantano suspenso após análise positiva de EPO««

18 de maio de 2018

"É excelente trabalhar com o Ricardo Vilela"

Bem disposto, muito sorridente, Jetse Bol está completamente adaptado à forma de estar dos ciclistas na Manzana Postobón. É um holandês no meio de colombianos, pelo que não passa despercebido pelo seu porte físico. Não se cansa de repetir o quanto está a adorar a experiência, depois de ter feito toda a carreira e formação no seu país. Juntamente com Ricardo Vilela, Bol foi contratado em 2017 para este projecto para dar uma perspectiva mais europeia aos colegas colombianos, contribuindo assim para o objectivo da equipa de se mostrar ao melhor nível em algumas das principais corridas. Este ano não haverá uma grande volta, mas Bol garante que ninguém cedeu à desilusão de não terem recebido um convite e na Mazana Postobón estão concentrados em continuar o seu caminho de elevar ainda mais o nível do ciclismo colombiano.

"É uma excelente experiência [estar na Manzana Postobón]. É muito diferente e eu sabia que seria assim. Diferente não significa melhor ou pior. É uma boa experiência da vida... Tens uma diferente perspectiva da vida", explicou ao Volta ao Ciclismo. E acrescentou: "No final, fazemos o mesmo trabalho. Estamos a andar de bicicleta. Mas em certos pontos tem uma diferente perspectiva da vida. É tudo um pouco mais relaxado, às vezes demasiado! Mas é divertido!"

Está no seu segundo ano na equipa sul-americana, depois de se ter formando na equipa de desenvolvimento da então Rabobank, passando a profissional na estrutura holandesa. Permaneceu quando a incerteza foi grande quanto ao futuro da equipa, após a saída do patrocinador, mas em 2015 - ano em que passou a ser Lotto-Jumbo -, Bol mudou-se para a mais modesta Cyclingteam Join's-De Rijke, do escalão Continental. Regressar ao World Tour não é algo que coloque de parte, mas também não se mostra particularmente preocupado se vai ou não acontecer. O ciclista explicou porquê: "Financeiramente, não vou mentir, um aumento seria sempre bom. Mas, por outro lado, nesta equipa reencontrei o amor e a alegria por este desporto e neste momento é o mais importante. Vivo um dia de cada vez."


"Foi espectacular [competir na Colômbia]. Foi muito intenso! Foi uma grande experiência"

Jetse Bol recordou que chegou à Manzana Postobón por esta estar à procura de ciclistas na Europa, que falassem espanhol. "Eu falava um bocadinho porque vivia em Espanha. Tive essa vantagem", contou. Porém, considera que tanto ele como a equipa ficaram a ganhar. "Se assinassem com os ciclistas espanhóis teriam corredores muito idênticos [aos colombianos]. A maioria são escaladores e comigo têm um ciclista mais do género da Europa do Norte. Foi uma boa forma de completar a equipa", realçou.

Além de Bol, o outro europeu escolhido foi um português. O holandês só tem elogios: "É excelente trabalhar com o Ricardo Vilela. Ele é normalmente o meu companheiro de quarto. Temos o mesmo ritmo de vida, no dormir, tomar pequeno-almoço... Ele é um bom companheiro de quarto e um bom companheiro de equipa." Parte da missão de ambos passa por ajudar os ciclistas colombianos no seu desenvolvimento e Bol referiu que lhe são pedidos alguns conselhos."É bom poder ensinar-lhes uma coisa ou outra", afirmou, pois apesar de ter apenas 28 anos, acaba por ser dos mais veteranos da equipa. Só é superado por Vilela (30) e Fabio Duarte (31), este último um colombiano já com muita experiência internacional, que inclui a participação em cinco grandes voltas. A maioria do plantel tem menos de 25 anos.

Apesar de já ter feito um estágio no país da Manzana Postobón, só este ano teve a oportunidade de lá competir, na primeira edição da Colombia Oro y Paz. "Foi espectacular [competir na Colômbia]. Foi muito intenso! Foi uma grande experiência", salientou. Jetse Bol não tem dúvidas que o crescimento que se tem visto no ciclismo colombiano, com vários corredores a já estarem em equipas do World Tour e com outros tantos a mostrarem ter capacidade para seguir o mesmo caminho, é a prova que a Colômbia pode tornar-se numa potência na modalidade. "Têm grandes talentos e podem crescer", disse, considerando que a Manzana Postobón - que pretende precisamente ser um trampolim para os ciclistas daquele país - está a fazer o mais correcto ao "misturar um pouco" e não ser uma equipa 100% da colombiana. "Ter alguma experiência estrangeira é positivo."

Em 2017, quando subiu ao escalão Profissional Continental, a equipa conseguiu o grande objectivo de estar numa grande volta. Recebeu um convite para a Volta a Espanha e Bol até foi uma das figuras nos primeiros dias. Para o holandês foi uma grande oportunidade estar na Vuelta, mas não o surpreendeu, nem à equipa, o convite não se repetir este ano. "Claro que queremos sempre estar nas grandes voltas, isso é sempre bom. Mas sabia que iria acontecer [ficar de fora da Vuelta]. Com duas novas equipas espanholas [no escalão Profissional Continental], sabia que seria difícil para nós. Estava à espera que não estivéssemos na lista", confessou.

No entanto, rapidamente acrescentou que o calendário da Manzana Postobón tem sido bom, com destaque para a presença na Volta à Catalunha, uma prova do World Tour e também já passou por Portugal, no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela. Nada parece tirar a boa disposição de uma equipa que não passa despercebida, seja pelos seus equipamentos vistosos, seja precisamente pela forma de estar e de se relacionar com os adeptos dos seus ciclistas.

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27 de março de 2017

Manzana Postobón de Ricardo Vilela recebe convite para a Volta a Espanha

Era um objectivo, mas tendo em conta que a equipa só este ano foi para a estrada, conseguir um convite para a Volta a Espanha logo na estreia é algo fantástico para a Manzana Postobón e naturalmente que a equipa está a celebrar como uma grande vitória. O projecto colombiano nasceu com uma enorme ambição e nas corridas que tem participado, os seus ciclistas tudo têm feito para se mostrar. As vitórias chegaram em Portugal, com a conquista da classificação da montanha na Volta ao Algarve por parte de Juan Felipe Osorio e duas vitórias de etapas na Volta ao Alentejo, por intermédio de Juan Sebastian Molano. Ricardo Vilela é uma das principais figuras da formação, que apostou em três ciclistas europeus com experiência para ajudar na evolução dos jovens colombianos que são a principal aposta da Manzana Postobón.

Este projecto quer recuperar o que a Team Colombia fez durante uns anos, ou seja, dar uma oportunidade aos ciclistas daquele país sul-americano de competir ao mais alto nível e, por isso mesmo, quis uma licença Profissional Continental, para assim tentar ter acesso a grandes corridas. Neste arranque de temporada, a Manzana Postobón queria tentar entrar em algumas provas World Tour, principalmente em Espanha: conseguiu e esteve na Volta à Catalunha. Além de Ricardo Vilela, o holandês Jetse Bol e o espanhol Antonio Piedra são os restantes ciclistas europeus que fazem parte do plantel da equipa. Recentemente, o corredor português, de 29 anos, disse ao Volta ao Ciclismo que os responsáveis da Manzana Postobón são ambiciosos, mas que a equipa tem a estrutura para concretizar os objectivos, além de ter um patrocinador muito importante na Colômbia, que apoia também outros desportos.

O convite atribuído pela organização da Vuelta está a ter uma forte repercussão na Colômbia, com os meios de comunicação social a darem destaque ao facto de equipa ter conseguido entrar numa grande volta logo no primeiro ano de existência. Numa altura em que alguns dos melhores ciclistas da actualidade são colombianos, o projecto da Manzana Postobón era muito desejado, para que assim possa existir uma equipa que permita a evolução de possíveis sucessores de Nairo Quintana, Jarlinson Pantano, Fernando Gaviria...

Mas houve também festa na Irlanda. A primeira equipa Profissional Continental deste país recebeu igualmente um convite para competir na Vuelta (de 19 de Agosto a 10 de Setembro). A Aqua Blue Sport é um dos novos projectos de 2017 e apesar de ainda não contar com qualquer vitória, tem sido uma equipa muito interessante de seguir, animando as corridas e já esteve perto de vencer por intermédio da sua principal estrela, o campeão britânico, Adam Blythe.

A presença na Flèche Wallonne, Liège-Bastogne-Liège e Volta à Suíça já eram motivos de satisfação para os responsáveis da formação irlandesa, mas claro que a possibilidade de estar numa grande volta é uma excelente forma de credibilizar ainda mais o projecto. De salientar que a Aqua Blue Sport também conta com um português, o massagista Pedro Claudino.
Quanto aos dois outros convites, não houve grandes surpresas. A Caja Rural, a única equipa espanhola do segundo escalão, recebeu o habitual convite e Rafael Reis já admitiu que gostaria muito de fazer a Vuelta. A Cofidis completa o grupo de convidados, escolha que não surpreende, visto que a corrida começa este ano em França, mais concretamente em Nîmes. Nacer Bouhanni é a principal figura da formação gaulesa, contudo, a Volta a Espanha mantém-se fiel ao ideal dos últimos anos, sendo uma corrida com muitas montanhas, muitas rampas e muito pouco percurso que agrade aos sprinters.

»»O regresso do Angliru para decidir mais uma tremenda Volta a Espanha««

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17 de março de 2017

"Sair da Europa e passar para o outro lado do Atlântico é sempre uma aventura"

Aos 29 anos, Ricardo Vilela deixou de ser "apenas" mais um ciclista de uma equipa. O português aceitou o desafio de uma formação colombiana que procurava na Europa corredores experientes, não só para serem líderes nas corridas, mas também para assumirem uma função de professor para os jovens que a Manzana Postobón pretende formar. "Eu gosto deste papel", admitiu Ricardo Vilela ao Volta ao Ciclismo, deixando ainda elogios a um projecto ambicioso e que o ciclista de Bragança garante ter todas as condições para evoluir e atingir os objectivos a que se propôs.

"Ainda não tem uma grande estrutura, mas estão num bom caminho. Os jovens, por exemplo, já fazem um trabalho muito apoiado na ciência, como concentrarem-se na potência, entre outros pormenores. É muito positivo o que está a acontecer aqui", explicou Ricardo Vilela. "A ambição é grande, mas a equipa tem estrutura para isso. A Manzana Postobón é uma grande empresa na Colômbia, patrocina vários desportos no país e agora está a apostar forte no ciclismo. Esperemos que assim continue", acrescentou. A equipa surge para voltar a dar à Colômbia uma formação que possa projectar os seus ciclistas como aconteceu com a extinta Team Colombia, então apoiada pelo governo do país.

Por isso, muitos dos ciclistas são sub-23 colombianos, o que fez os responsáveis procurarem ciclistas mais experientes. E como equipa Profissional Continental, correr na Europa é o plano principal. Ricardo Vilela é dos mais velhos, a seguir ao espanhol Antonio Piedra (31), que tal como o português passou pela Caja Rural. O holandês Jetse Bol (27), que chegou a passar pelo World Tour, completa o trio europeu.

"A ambição é grande, mas a equipa tem estrutura para isso. A Manzana Postobón é uma grande empresa na Colômbia, patrocina vários desportos no país e agora está a apostar forte no ciclismo"

Depois de se confirmar como um dos melhores trepadores em Portugal, ao serviço de algumas das principais equipas (Boavista, Efapel e OFM-Quinta da Lixa), Ricardo Vilela deu o salto esperado para o estrangeiro, representando nos últimos dois anos a Caja Rural. Conseguiu alguns resultados interessantes, fez uma Volta a Espanha, mas ao fim de dois anos, Vilela resolveu arriscar assinar por um projecto diferente, mas muito motivador.  "Sair da Europa e passar para o outro lado do Atlântico é sempre uma aventura. Mas está a ser uma boa experiência", confessou o ciclista.

Apesar do papel de professor que os responsáveis da equipa lhe pediram, na Manzana Postobón Vilela tem mais liberdade, até porque é um dos líderes. Já correspondeu com uma boa Volta ao Algarve, terminando na 17ª posição, com a formação colombiana a conquistar ainda a classificação da montanha por intermédio de Juan Felipe Osorio (22 anos). Na Volta ao Alentejo o português esteve mais discreto, algo normal tendo em conta o terreno menos favorável às suas características, mas ainda assim viu um colega seu, Juan Sebastian Molano (22), ganhar duas etapas.

Vilela fala em ir "para o outro lado do Atlântico", mas refere-se apenas em estar numa equipa colombiana, pois o seu calendário é, para já, exclusivamente europeu. A Manzana Postobón queria neste seu primeiro ano tentar participar em algumas corridas World Tour e conseguiu um convite para a Volta a Catalunha e claro que lá estará Vilela. "Vamos depois estar na Volta às Astúrias, Madrid e outras clássicas em Espanha, assim como corridas na Noruega e França", disse o ciclista. Mas será que gostava de fazer uma prova na casa da sua equipa? "Depende como terminar a época", respondeu. Porém, agora é altura de se concentrar em cumprir as suas funções num projecto que diz "estar a dar os primeiros passos" e que Vilela espera conseguir contribuir para que a equipa possa adaptar-se rapidamente à realidade do ciclismo europeu e começar a conquistar triunfos ainda mais importantes.


24 de janeiro de 2017

Volta ao Algarve. Degenkolb, Vanmarcke; Ruben Guerreiro e Ricardo Vilela no ataque à geral...

Degenkolb é mais um grande nome confirmado
(Fotografia: Trek-Segafredo)
O pelotão da Volta ao Algarve vai ganhando forma com nomes que certamente começam a entusiasmar os adeptos. A lista de inscritos das equipas vão chegando e a mais recente informação da Federação Portuguesa de Ciclismo aponta para a presença de mais uns grandes ciclistas, como é o caso de John Degenkolb e também o português Ruben Guerreiro que poderá muito bem ser a aposta da Trek-Segafredo para a geral. Mas outro português também estará na corrida, pois Ricardo Vilela vai ao Algarve com a sua nova equipa, a colombiana Manzana Postobón.

Degenkolb (26 anos) torna-se desde já um dos principais nomes da 43ª edição da prova, que este ano subiu de nível, para o segundo mais alto da UCI (2.HC). O alemão estará na Volta ao Algarve a preparar a época das clássicas. Depois de um 2015 inesquecível, com vitórias em dois monumentos (a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix), Degenkolb começou 2016 a ser atropelado durante um treino em Alicante. Quase perdeu um dedo e a recuperação levou vários meses. O ciclista, então na Giant-Alpecin, nunca conseguiu atingir a melhor forma. Resolveu mudar de ares e procura na Trek-Segafredo reencontrar-se com as grandes vitórias, enquanto a equipa americana espera que Degenkolb possa preencher a vaga de sucesso deixada pela retirada de Fabian Cancellara.

O director desportivo da Trek-Segafredo - equipa que se inscreveu à última hora, após o cancelamento da Volta ao Qatar -, Dirk Demol, escolheu para acompanhar Degenkolb outro talentoso ciclista para as clássicas, Jasper Stuyven, os homens de trabalho Marco Coledan, Koen de Kort, Mads Pedersen e Gregory Rast e também o sprinter Giacomo Nizzolo. No entanto, o campeão italiano sofre de uma tendinite que o afastou da Volta a San Juan, também já cancelou a sua presença na Volta ao Dubai e o próprio admite que está em risco a participação na corrida portuguesa. "Os médicos avisaram-me para continuar com a terapia. É o que estou a fazer e penso que estou lentamente a melhorar", explicou Nizzolo, citado pelo Velonews. Esta terça-feira, o italiano ia ser avaliado pelo médico e tinha esperança de voltar à bicicleta já na quarta-feira. Se tal acontecer, então ainda é possível que Nizzolo comece a temporada no Algarve.

Mas o destaque da Trek-Segafredo vai também para Ruben Guerreiro. O português de 22 anos teve uma excelente estreia no Tour Down Under: liderou a classificação da juventude, andou pelo top 10, terminando na 18ª posição, naquela que foi a primeira corrida a nível do World Tour. Ruben Guerreiro poderá muito bem ter a oportunidade de lutar pela geral na Algarvia.

Dos Estados Unidos vem também a Cannondale-Drapac com a sua grande contratação: Sep Vanmarcke. O belga, de 28 anos, também está a preparar as fase das clássicas. Em 2016 foi o autor de um dos actos de maior fairplay do ano quando na Volta a Flandres não sprintou com Fabian Cancellara, deixando o suíço ficar em segundo (Peter Sagan já tinha cortado a meta), numa demonstração de respeito para um ciclista que havia vencido aquela corrida três vezes e a estava a fazer pela última vez. Ao trocar a Lotto-Jumbo pela Cannondale-Drapac, Vanmarcke espera mudar o estigma que o tem acompanhado: vai ficando perto de vencer um monumento, mas fica sempre a faltar um bocadinho.

Taylor Phinney é outro dos reforços da equipa e o americano quer relançar a sua carreira. Wouter Wippert, Ryan Muller, Alberto Bettiol, Sebastian Langeveld, Dylan Vanbaarle e Davide Villella completam a formação que estará no Algarve.

A Manzana Postobón, do escalão Profissional Continental, deseja que Colômbia volte a ter uma equipa de respeito. Naturalmente que pretende ser uma porta para os ciclistas colombianos, mas apostou também em ciclistas com experiência na Europa, pois quer competir com regularidade no Velho Continente. O português Ricardo Vilela e o holandês Jetse Bol foram escolhidos para liderar na Algarvia. O primeiro é aposta para o Alto da Fóia e Malhão e o segundo para as etapas planas. O espanhol Antonio Piedra completa o trio de europeus que será acompanhado pelos colombianos Aldemar Reyes, Hernán Aguirre, Juan Molano, Hernando Bohórquez e Juan Osorio.

De recordar que já estavam confirmados ciclistas como Thibaut Pinot, Tony Martin, Luis León Sánchez e os portugueses da Katusha-Alpecin Tiago Machado e José Gonçalves.

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 Caliço Park Algarve

14 de outubro de 2016

Ricardo Vilela assina por equipa colombiana

Ricardo Vilela foi 10º classificado na Volta a Portugal
Ricardo Vilela prepara-se para uma nova fase na sua carreira. Depois de dois anos na Caja Rural, o ciclista transmontano, de 28 anos, vai em 2017 representar a Manzana Postobón, equipa colombiana que se prepara para dar o salto para o escalão Profissional Continental. Visto como um dos melhores trepadores portugueses da sua geração, Vilela alcançou alguns bons resultados ao serviço da formação espanhola, mas acabou por muitas vezes ter um papel secundário.

Porém, na Manzana Postobón, Ricardo Vilela poderá ter uma relevância bem diferente. "A nossa equipa é uma formação com muita juventude. Precisávamos de contratar ciclistas com experiência para que apoiem e guiem esta grande juventude. Foi assim que chegámos a Vilela, um ciclista com muita experiência na Europa, em grande corridas, nas quais pode entrar e contribuir com grandes coisas para a equipa", salientou ao Volta ao Ciclismo Luisa Fernanda Rios, manager da formação colombiana.

(Fotografia: Manzana Postobón)
Com a presença no escalão Profissional Continental, e será a única formação da Colômbia neste nível, Luisa Fernanda Rios explicou que "a equipa fará 90% do seu calendário na Europa, apontando a grandes corridas". "Este será o principal objectivo, estar novamente nas grandes corridas europeias com uma equipa colombiana, de marca colombiana."

A Manzana Postobón ambiciona estar na Volta a Catalunha e na Clássica de San Sebastián, por exemplo, mas claro que tentará obter resultados de forma a convencer as organizações das grandes voltas a convidá-la a competir num Giro ou numa Vuelta. O calendário para o próximo ano ainda está por definir, mas com Ricardo Vilela na equipa, a presença na Volta a Portugal poderá ser uma hipótese.

A equipa pretende ter nas suas fileiras três europeus. Ricardo Vilela foi o primeiro a ser contratado, sendo descrito como um bom trepador, que se defende bem nos contra-relógios e também como um grande gregário. Seguiu-se o holandês Jetse Bol, ciclista de 27 anos com experiência World Tour, depois de ter representado a Rabobank - que depois mudou de patrocinador para a Belkin - durante cinco anos. Nos últimos dois esteve na Cyclingteam Join´s-De Rijke e os responsáveis pela Manzana Postobón esperam que possa ser uma preciosa ajuda para o seu sprinter Sebastián Molano. O nome do terceiro europeu será anunciado nos próximos dias.