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18 de junho de 2017

Estreia de Fábio Silvestre a vencer pelo Sporting-Tavira no dia da consagração de Vicente García de Mateos

(Fotografia: @JoãoFonsecaPhotographer)
Vicente García de Mateos segurou a liderança conquistada no primeiro dia e garantiu a vitória na 38ª edição do Grande Prémio Abimota. O ciclista espanhol cada vez mais apresenta os seus argumentos, assumindo-se como um candidato sério para lutar pela Volta a Portugal. O ciclista do Louletano-Hospital de Loulé já tinha vencido a Clássica Aldeias do Xisto e em Águeda suportou o calor e o ritmo forte da Rádio Popular-Boavista, equipa que fez tudo para quebrar o pelotão e tentar que Filipe Cardoso recuperasse a desvantagem para Mateos. O dia ficou ainda marcado pelo primeiro triunfo de Fábio Silvestre ao serviço do Sporting-Tavira.

"Sempre acreditei que podia vencer depois da vantagem alcançada em Belmonte. Sinto-me muito bem e confiando nas minhas capacidades e nas da equipa sabia que não podia falhar. Agora vou desfrutar deste triunfo com os meus companheiros e naturalmente já estou a pensar na Volta a Portugal que é o grande objectivo da temporada", afirmou Mateos, citado pelo Louletano-Hospital de Loulé. Filipe Cardoso, vencedor do Abimota em 2008 e 2016, não conseguiu anular a diferença estabelecida basicamente logo na primeira etapa ganha por Mateos. Ficou a 1:18 minutos com César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) a fechar o pódio 1:21.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A última etapa foi a mais longa - 176,4 quilómetros entre Gouveia e Águeda -, mas mesmo com o esforço da Rádio Popular-Boavista, a decisão foi ao sprint e o mais forte foi Fábio Silvestre. O ciclista regressou este ano ao pelotão nacional depois de cinco anos no estrangeiro, dois deles no World Tour. Era uma vitória muito desejada para um corredor que voltou para reencontrar a alegria dos triunfos. Também ele começa a "aquecer" para a Volta a Portugal, corrida que está cada vez mais no pensamento de todos.

Fábio Silvestre bateu no sprint um inesperado César Fonte e Luís Mendonça, ciclista do Louletano-Hospital de Loulé que vai deixando indicações de estar também ele perto de conquistar a primeira vitoria pela equipa algarvia.

No próximo fim-de-semana vão realizar-se os Campeonatos Nacionais em Santa Maria da Feira (contra-relógio) e em Gondomar (estrada). O pelotão regressa à competição no Grande Prémio Internacional Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho entre 6 e 9 de Julho, a um mês do início da Volta a Portugal.


22 de maio de 2017

Prólogo nocturno para começar um inovador Grande Prémio Jornal de Notícias

Numa altura em que muito se fala em inovar no ciclismo e com a Hammer Series a estar na frente dessas mudanças, sendo uma corrida para se conhecer a melhor equipa e não em prol da glória individual, em Portugal o Grande Prémio Jornal de Notícias traz alterações surpreendentes e que geram muito interesse. E tudo começa esta quarta-feira com um prólogo nocturno por equipas em Viseu. Serão 5,9 quilómetros, com o início marcado para as 21:00.

Mas há mais diferenças. O segundo dia será um mais tradicional, com a ligação de 138,1 quilómetros entre Ovar e Maia a ter uma chegada prevista ao sprint. Já no terceiro dia haverá jornada dupla. Às 9:30 o pelotão partirá da Maia, com a meta instalada no alto de Santa Luzia, Viana do Castelo. Será o momento dos trepadores se mostrarem, mas há que pensar que às 17:00 começará o contra-relógio individual de 6,7 quilómetros entre entre Barcelos e o alto da Fanqueira, com os últimos três a serem sempre a subir. As jornadas duplas não são inéditas, mas são raras. E para terminar, no domingo, os 130 quilómetros em Valongo serão com muito sobe e desce.

O perfil das etapas irá potencialmente beneficiar alguma indefinição quanto ao vencedor. Em 2016, Rafael Reis foi o mais forte no Grande Prémio Jornal de Notícias. O então ciclista da W52-FC Porto confirmava assim a grande temporada que estava a realizar e que no final lhe valeram o número um do ranking nacional e uma transferência para a formação espanhola Profissional Continental, Caja Rural. Este ano, Rafael Reis não estará presente.

Além das equipas de elite e de clube portuguesas, irão participar na 27ª edição da corrida as espanholas Cortizo e Escribano Sport Team, além da já habitual Team Bolivia, que muito tem andado pelas estradas nacionais e que conta com Nuno Meireles no seu plantel.

»»Efapel com dois ciclistas no pódio na Volta a Castela e Leão««

»»Daniela Reis contente com corrida das suas "tuguinhas"««

30 de março de 2017

Equipas portuguesas mostram-se este fim-de-semana em Espanha

Em Portugal, os mais jovens vão estar por Terras de Santa Maria, mas a elite, ou parte dela, vai até Espanha. Com duas semanas de pausa no calendário para as principais equipas nacionais, algumas optaram por fazer uma viagem até ao país vizinho e aproveitar o Grande Prémio Miguel Indurain e a Vuelta Ciclista a La Rioja, ambas as corridas no norte de Espanha. Mas os atletas de BTT também estarão em acção neste país, enquanto o de BMX vai até à Bélgica.

Começando pela estrada. A Rádio Popular-Boavista volta a apostar forte na participação no Grande Prémio Miguel Indurain. Em 2016, Frederico Oliveira - que este ano está no Sporting-Tavira - terminou na 10ª posição, mas a equipa de José Santos tem agora Egor Silin, que está muito motivado para esta competição, pois há um ano finalizou no sétimo lugar, então ao serviço da Katusha. Além do ciclista russo vão estar nas corridas Filipe Cardoso, Domingos Gonçalves, Luís Gomes, David Rodrigues, Victor Etxeberria, Pablo Guerrero e Daniel Sanchez.

Na prova de 186 quilómetros de homenagem ao cinco vezes vencedor da Volta a França, Miguel Indurain, estarão ainda a W52-FC Porto e o Sporting-Tavira. Gustavo Veloso lidera a equipa do Sobrado, que contará ainda com Raúl Alarcón, Daniel Freitas, António Carvalho, Samuel Caldeira, Joaquim Silva, Angel Rebollido e o vencedor da Volta a Portugal em 2016, Rui Vinhas.

A equipa algarvia de Vidal Fitas também vai apresentar uma equipa forte e a atenção irá centrar-se em Rinaldo Nocentini, que está a realizar um sensacional início de temporada. O italiano terá a seu lado Alejandro Marque e Frederico Oliveira (que estará motivado para repetir o brilharete de há um ano), Jesus Ezquerra, Valter Pereira, Fábio Silvestre, Mario González e Luís Fernandes.

O Grande Prémio Miguel Indurain deverá contar com grandes nomes, como Alejandro Valverde (Movistar), Sergio e Sebastián Henao, Michal Kwiatkowski (os três ciclistas da Sky), Jhonatan Restrepo (colombiano que está a começar a mostrar-se a grande nível na Katusha-Alpecin, que contará ainda com Tiago Machado) e Simon Yates (Orica-Scott). Destaque ainda para o veteraníssimo David Rebellin, que aos 45 anos continua a competir, agora na equipa Continental Kuwait-Cartucho.es.

No domingo, na Vuelta Ciclista a La Rioja, juntam-se ao trio de equipas portuguesas o Louletano-Hospital de Loulé e a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Será mais uma oportunidade para Vicente Garcia de Mateos mostrar o seu bom momento na formação algarvia. David de la Fuente, Raúl Garcia, Hélder Ferreira, Oscar Hernandez, Rui Rodrigues, Nuno Almeida e Filipe Silva completam a equipa.

Já na LA, Edgar Pinto mantém-se como o líder, mas atenção a César Fonte. Luís Afonso, João Matias, Hugo Sancho, Zulmiro Magalhães, Samuel Blanco e Antonio Angulo fecham os eleitos para a corrida de 150,5 quilómetros entre Villamediana de Iregua e Logroño. Apenas estarão presentes duas equipas do World Tour: a Movistar e a Orica-Scott.

Por cá teremos então os sub-23 e os juniores na Volta às Terras de Santa Maria. No sábado, a corrida começa às 12:30 com 108,6 quilómetros, entre a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e a freguesia de Riomeão. Domingo haverá emoção a dobrar. Às 9:30 começa o contra-relógio individual de 7,5 quilómetros, em redor do Europarque e às 15:30 arrancam as 12 voltas ao circuito do Castelo da Feira, no total de 79,2 quilómetros, com a meta a ser antecedida pela rampa de empedrado que liga o centro da cidade ao castelo.

Selecções de BTT e BMX em acção

A 19 de Março a selecção de BTT passou por Espanha para conquistar cinco pódios e agora regressa para a corrida de cross country olímpico (XCO) Superprestígio MTB, em Arguedas, Navarra, no domingo. A representar as cores nacionais estarão: na elite, José Dias (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo Frulac) Araújo/Frulact) e Roberto Ferreira (Quinta das Arcas/Jetclass/Xarão), pelos sub-23 Ana Tomás (BTT Seia), Bruno Nunes (Strix Bike Team) e João Rocha (Rodabike/ACRG/Gondomar), pelos juniores Carlos Salgueiro (Maiatos/Reabnorte), Guilherme Mota(Marrazes/Gui/Breijinho/Bike Zone Leiria), Jéssica Costa (ASC/Focus Team/Vila do Conde) e Marta Branco (Maiatos/Reabnorte), e ainda a cadete Daniela Campos (BTT Loulé/BPI/Elevis).

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
No BMX, Bruno Cardoso (na fotografia em cima) fará a estreia na categoria de elite nas duas primeiras provas da Taça da Europa, em Zolder, na Bélgica. Em 2016 foi terceiro na categoria challenge. “O Bruno tem de passar por uma fase de adaptação a pistas e corridas de formato olímpico, até porque é muito jovem e é elite de primeiro ano. Gostava que conseguíssemos passar a qualificação para entrar nas eliminatórias”, afirmou o seleccionador Alexandre Almeida, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.



12 de março de 2017

Clássica Aldeias do Xisto. "Vicente, quem vai ganhar?" "Eu vou!" E ganhou mesmo

Faltavam poucos minutos para o arranque de mais uma corrida que prometia espectáculo, depois de uma fantástica Clássica da Arrábida há uma semana. Vicente Garcia de Mateos aproveitava para aquecer um pouco, escondido entre o autocarro da equipa e o muro de uma casa, numa das estreitas ruas da Aldeia da Barroca, no Fundão. A concentração contrastou com uma espécie de grito de guerra. "Vicente, quem vai ganhar hoje?", diz Jorge Piedade, director desportivo do Louletano-Hospital de Loulé, num "tom militar". E da mesma forma responde Mateos: "Eu vou!" Um momento de boa disposição, mas que não era apenas uma brincadeira. O espanhol, que tem vindo a somar bons resultados neste início de temporada, mas queria uma vitória para dedicar à equipa antes de se juntar à selecção para os Mundiais de Pista, cumpriu o objectivo de uma forma muito convincente.

Os 140 quilómetros da Clássica Aldeias do Xisto terminavam numa rampa de 1500 metros, com uma média de inclinação 10,7%, mas o máximo aproxima-se dos 20%. A pacata e lindíssima Aldeia da Cerdeira, na Lousã, esperava por todas as decisões não só da clássica (de categoria 1.2), mas também do Troféu Liberty Seguros. A equipa algarvia trabalhou bem para deixar o seu líder colocado como queria, para apostar tudo naquela impressionante rampa, a fazer lembrar alguns finais que a organização da Volta a Espanha tanto gosta. Mateos atacou logo no início da subida de segunda categoria, tentando fazer-se valer do seu potencial explosivo que muito trabalha na pista. Para trás deixou Amaro Antunes, que havia ganho há uma semana e procurava repetir o triunfo para assim conquistar o troféu. Mas este não foi o dia do algarvio, que foi "apenas" quinto, a 21 segundos do vencedor. Mateos foi demasiado forte, tendo em segundo ficado uma das surpresas deste início de ano: Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira) ficou a 12 segundos. O pódio foi fechado pelo norueguês Andreas Vangstad (Team Sparebanken Sor), tal como fez na Arrábida, com Sérgio Paulinho (Efapel) a estar novamente bem, ao fechar no quarto lugar, ainda que a equipa procurasse a vitória já que "jogava" em casa de um dos seus patrocinadores, as Aldeias do Xisto.


Jorge Piedade ficou muito satisfeito com a vitória do seu ciclista
Mas regressando ao homem do dia, que quer também ser o homem da Volta a Portugal. Vicente Garcia de Mateos não se inibe no discurso ambicioso. O espanhol, de 28 anos, quer estar na luta pela vitória da principal competição nacional e fisicamente é um ciclista bem mais magro, bem mais com o perfil de um trepador. "Já em Espanha, como amador, tinha ganho corridas muito duras, mas realmente nunca consegui ficar tão magro como estou agora. Para ganhar a Volta a Portugal tem de se ser um trepador e um contra-relogista muito bom. Penso que tenho essas características", salientou ao Volta ao Ciclismo.

Em 2016 foi oitavo e ganhou uma etapa na Volta a Portugal e Mateos diz que este ano está "ainda mais motivado", deixando elogios à sua formação: "Está mais forte e precisamos de uma equipa assim para defender uma liderança e tentar ganhar a Volta." No final da Clássica Aldeias do Xisto, o espanhol salientou mesmo: "Eles acreditaram em mim e eu neles. A correr assim vamos conseguir mais bons momentos."


"Para ganhar a Volta a Portugal tem de se ser um trepador e um contra-relogista muito bom. Penso que tenho essas características"

A vitória na Aldeia da Cerdeira coroou o grande arranque da temporada, no qual já somava um segundo lugar na subida ao Alto ao Malhão, na última etapa à Volta ao Algarve, o quarto na Arrábida e logo no início da época, nas provas do Challenge de Maiorca, fez dois 10º lugares, um 19º e um terceiro. "O resultado no Malhão foi importante para mim e para a equipa. Eles [colegas] sabem que podem confiar em mim", realçou.


Francisco Campos venceu na corrida Região de Aveiro
e conseguiu segurar a camisola da juventude
Agora é altura de rumar à pista, antes de dedicar-se exclusivamente à preparação para a Volta à Portugal. Vicente Garcia de Mateos levou também para casa a camisola amarela do Troféu Liberty Seguros, competição que englobou a prova de abertura Região de Aveiro e as clássicas da Arrábida e Aldeias do Xisto. O espanhol somou 130 pontos, mais cinco que Amaro Antunes e dez que Sérgio Paulinho e Andreas Vangstad. A classificação da juventude ficou para Francisco Campos (Miranda-Mortágua). O sub-23, que venceu em Aveiro, sofreu na corrida deste domingo, mas conseguiu terminar a prova, o que acabou por ser o suficiente para segurar a camisola branca. Era o seu grande objectivo, apesar de ter partido como líder da geral, em igualdade pontual com Amaro Antunes. Em termos colectivos, o troféu foi conquistado pelo Sporting-Tavira.



»»Amaro Antunes tomou-lhe o gosto e eis Sérgio Paulinho, o líder««

»»O jovem que surpreendeu a elite em Ovar: "Ainda estou em choque!"««

26 de fevereiro de 2017

W52-FC Porto em modo internacional; Sporting-Tavira muito mais forte; Nocentini com ambição renovada; Edgar Pinto com regresso prometedor

Terminou a fase mais internacional do calendário português, digamos assim. A aposta de juntar a Volta ao Alentejo à Volta ao Algarve foi uma ideia proveitosa, com a presença (e vitória) da Movistar a ser um forte contributo para o aumento de prestígio da Alentejana. A partir de agora as equipas portuguesas voltam a ser os principais destaques nas corridas a começar já no próximo domingo na primeira edição da Clássica da Arrábida, uma prova com um potencial enorme para rapidamente se tornar uma referência nas provas de um dia. Apesar de nas últimas duas semanas as atenções se terem centrado principalmente nas figuras estrangeiras que pedalaram pelas estradas a sul do país, a verdade é que já foi possível perceber o que se pode esperar das seis formações de elite lusas. As expectativas criadas antes do arranque da temporada em Aveiro deverão mesmo ser confirmadas: estamos perante um dos melhores pelotões dos últimos anos e haverá espectáculo em 2017.

Naturalmente que o grande destaque vai para Amaro Antunes e para a W52-FC Porto. O ciclista algarvio conquistou uma brilhante vitória no Malhão na Volta ao Algarve, derrotando corredores do World Tour. Resultado que aconteceu pouco depois de também se destacar na Volta à Comunidade Valenciana. É uma aposta no calendário internacional por parte da formação de Nuno Ribeiro. A equipa tem mais competições agendadas para Espanha e não se incomodou por apresentar-se em Aveiro com menos ciclistas, pois quase todos os principais estiveram na corrida espanhola. Não nos podemos esquecer que o director desportivo tem a ambição de subir ao escalão Profissional Continental no próximo ano, pelo que depois de dominar em Portugal, quer mostrar-se bem no estrangeiro. No entanto, não significa que não veremos a melhor W52-FC Porto por cá. Muito pelo contrário. A formação azul e branca quer continuar a demonstrar a sua superioridade em Portugal.

No entanto, terá uma concorrência bem maior. Nas últimas temporadas só a Efapel se tem conseguido aproximar e dar alguma luta. Em 2017 ressurge um Tavira renovado em ciclistas e ambição. No segundo ano de parceria com o Sporting, a preparação e as contratações foram feitas com tempo. Foi a equipa que mais se reforçou, com destaques para Joni Brandão, Fábio Silvestre e Alejandro Marque. O primeiro é considerado o grande candidato para a Volta a Portugal, mas, para já, é também o mais discreto. Alejandro Marque mostrou-se a grande nível na Volta ao Algarve, terminando na 13ª posição. Fábio Silvestre vai ganhando forma, faltando-lhe agora, talvez, uma vitória para que comece a destacar-se nos sprints.

A grande figura é, contudo, Rinaldo Nocentini. O líder surpresa de 2016 parece ter resolvido responder a todos os que insistentemente dizem que está velho (tem 39 anos) e que Joni Brandão é que será o número um, com Alejandro Marque como plano B. O italiano foi nono na Volta ao Algarve, venceu a primeira etapa da Volta ao Alentejo, subindo ao pódio no final, pois ficou a 16 segundos do vencedor, o espanhol da Movistar, Carlos Barbero. Nocentini, que no ano passado venceu o Troféu Joaquim Agostinho, mas desiludiu na Volta a Portugal, aparece mais ambicioso e gerou curiosidade para ver o que poderá fazer na restante temporada. Uma coisa é certa, o Sporting-Tavira está mais forte e será uma equipa com capacidade para discutir qualquer corrida em 2017.

Quanto à Efapel, Américo Silva arriscou apostar em Sérgio Paulinho, estando em curso o trabalho de transformar um gregário por excelência, num líder que possa discutir a Volta a Portugal e não só. O ciclista português, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2004 e um dos homens de confiança de Alberto Contador durante muitos anos, demonstrou que vontade não lhe falta para cumprir o que é desejado dele, mas é notório que ainda há muito trabalho a fazer. Entretanto, a Efapel tem Daniel Mestre e Rafael Silva a tentar garantir resultados. Até estavam a fazer uma boa Volta ao Alentejo, mas uma queda na penúltima etapa e uma decisão da organização em não dar o tempo do vencedor apesar do incidente ter acontecido nos últimos três quilómetros, pode muito bem ter custado um pódio, onde estava Daniel Mestre antes de cair. A Efapel irá encarar 2017 entre a confiança em ciclistas que estão habituados a conquistar vitórias e a incógnita do que poderá render Sérgio Paulinho.

O Louletano-Hospital de Loulé é uma equipa que, para já, deixa a ideia que pode conquistar bons resultados, como pode passar mais discreta nas corridas. Luís Mendonça e o líder Vicente Garcia de Mateos estiveram bem na Volta ao Algarve. O espanhol foi segundo no Malhão. Porém é preciso descer ao 20º lugar para encontrar o primeiro ciclista da equipa algarvia na Volta ao Alentejo: David de la Fuente. É verdade que a formação de Loulé não tem uma tradição de ter temporadas de grandes vitórias, mas também não passa ao lado de bons momentos. Consistência tem sido a palavra de ordem, pelo que deverá manter essa rota.

Quanto à Rádio Popular-Boavista, José Santos apostou na contratação de ciclistas de ataque, como João Benta, Filipe Cardoso e Domingos Gonçalves. Ainda não se viram muito, mas é de esperar que com o evoluir da época, os resultados comecem a aparecer. Mas, até agora, pouco se viu da equipa. Há tempo...

Para terminar fica um dos grandes destaques deste início de temporada: Edgar Pinto. O ciclista português regressou ao pelotão nacional para liderar um projecto que tem o seu pai como um dos mentores. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack pode não ter um plantel muito forte, mas a verdade é que está a mostrar-se suficiente para ajudar o seu líder a conquistar bons resultados neste arranque de 2017. Edgar Pinto e o director desportivo, José Augusto Silva, avisaram que a formação não estaria só a pensar na Volta a Portugal e tentaria lutar em todas as corridas. Edgar Pinto foi 10º na Algarvia e 7º na Alentejana, dois excelentes resultados. No primeiro caso por ser um top dez entre ciclistas do World Tour, no segundo por ser uma corrida para ciclistas com características mais de" roladores" e sprinters. É desde já um candidato forte para a Clássica da Arrábida, mesmo que tenha de enfrentar empedrado e terra batida.

Depois de duas corridas a sul e uma pela região de Aveiro, será altura de começar a andar por terreno bem mais "acidentado" (sem esquecer que já se subiu à Fóia e ao Malhão) e sem equipas do World Tour. A Clássica da Arrábida e a Clássica Aldeias do Xisto (12 de Março) irão atribuir o primeiro troféu do ano. Francisco Campos, o sub-23 da equipa Miranda-Mortágua, venceu surpreendentemente a primeira corrida do Troféu Liberty Seguros, a prova de abertura Região de Aveiro, liderando a competição.

Relativamente à Volta ao Alentejo, uma nota de destaque: a Alentejana subiu de categoria para 2.1 e pela primeira vez em 35 edições teve um ciclista a repetir um triunfo. Carlos Barbero assinou este ano pela Movistar e começa a mostrar serviço, depois de em 2014, então ao serviço da Euskadi, ter conquistado pela primeira vez a Volta ao Alentejo.

Veja aqui as classificações finais da Volta ao Alentejo.

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»»Vidal Fitas: "Tenho um plantel equilibrado, com bastantes opções e de qualidade. Estou satisfeito"««

18 de fevereiro de 2017

Sprintar com os melhores do mundo. O relato de Luís Mendonça e Rafael Silva

Luís Mendonça foi o melhor português na primeira etapa (12º)
Quando terminou a primeira etapa da Volta ao Algarve, em Lagos, Luís Mendonça (Louletanto-Hospital de Loulé) procurava alguém com a classificação para confirmar que tinha sido o melhor português. Foi mesmo e o sorriso de orelha a orelha mantém-se passado dois dias. Terminou na 12ª posição e três lugares depois ficou Rafael Silva (Efapel). Ambos têm histórias bem diferentes no ciclismo, mas ambos têm algo idêntico: a admiração que viveram ao ver a seu lado ciclistas como André Greipel, Mark Cavendish, Arnaud Démare, Nacer Bouhanni, Fernando Gaviria... Foi um daqueles top 20 que dá praticamente a mesma dose de motivação que uma vitória durante a época em Portugal. Os dois não escondem como se sentem e esta tarde em Tavira, querem voltar a estar entre os melhores, mesmo que tenham de enfrentar um ritmo louco e uma agressividade a que estão pouco habituados. Afinal estão a viver uma experiência que sempre sonharam e estão também a tentar aprender ao máximo com os melhores, mesmo que só sejam duas etapas.

"É muito diferente! Começa logo pela aproximação à meta. Com 20 quilómetros para o fim, já se ia a voar e com muita agressividade. Em Portugal não é assim", salientou Luís Mendonça ao Volta ao Ciclismo. "Quando me vi nos últimos 500 metros à beira deles fiquei um bocado surpreendido, mas também com aquele sentimento que podia ter feito melhor. Bom, também podia ter feito pior e estou orgulhoso do meu trabalho e da ajuda dos meus companheiros", contou Rafael Silva.

Rafael Silva terminou em 15º no sprint de Lagos
Há uma palavra em comum quando descrevem o sprint: loucura. E como é que se enfrenta alguns dos melhores sprinters do mundo? É caso para dizer que se não os consegues bater, junta-te a eles. E foi o que fizerem. Tanto Luís Mendonça como Rafael Silva procuraram os comboios das equipas do World Tour, tentando colar-se à roda de alguns dos sprinters, pois assim tinham garantias que ficariam na frente. Rafael Silva diz que ainda contou com a ajuda de Daniel Mestre, mas depois foi "o desenrascar o melhor possível, arriscar tudo".

Os ciclistas portugueses tiveram ainda de lidar com o sentimento de admiração. Ali estão alguns dos ciclistas que idolatram e que costumam ver na televisão. "A primeira hora da corrida foi a admirá-los. Pensei que devia ter levado o telemóvel para tirar umas selfies", brincou Luís Mendonça. "Quando passei a linha de meta e vi o Greipel à minha frente pensei: 'Será que fiz um bom tempo?' E ainda na recta passei pelo Cavendish, que não se fez aos últimos cem metros, e parecia que estava um bocado a alucinar estar ali. Foi um espectáculo", desabafou Rafael Silva.

Escusado será dizer que ambos estão com a motivação muito em alta para a tirada deste sábado entre Almodôvar e Tavira (203,4 quilómetros). "Na primeira etapa tive sorte e ajuda. Não sei o que vai acontecer este sábado, mas vou tentar fazer o melhor possível", afirmou Rafael Silva. Luís Mendonça aponta mesmo tentar chegar ao top dez.

Além da motivação que já ganharam para a restante temporada, a experiência é também vista pelo lado enriquecedor para a carreira. "Uma etapa aqui equivale a dez sprints em Portugal. Se se for atento aprende-se muito com eles. Ganha-se muita experiência a correr com os melhores do mundo", salientou o ciclista da Efapel. "Aqui aprende-se a desenrascar-se muito no sprint. Ou se desenrasca ou fica-se fora. Apreciando os melhores e vendo como eles fazem, é sempre uma experiência muito importante", afirmou o homem do Louletanto-Hospital de Loulé.

Depois da Volta ao Algarve, segue-se a Volta ao Alentejo. Apesar de contar também com boas equipas estrangeiras - inclusivamente a Movistar -, será já uma corrida para os dois portugueses lutarem por vitórias e colocar em prática as lições de duas etapas entre os melhores do mundo. Luís Mendonça, que aos 31 anos estreia-se na elite nacional, depois de ter optado pelo ciclismo apenas aos 27, disse que ao conseguir estar num pelotão com corredores tão importantes e com um resultado tão positivo na primeira etapa só tem vontade "de sonhar mais". Já Rafael Silva (26 anos), que desde 2014 tem evoluído na Efapel, espera levar o bom momento que atravessa e que começou com uma excelente época de pista, para a restante temporada. No entanto, realçou que não pensa em tornar-se num sprinter puro e de referência no nosso país: "Em Portugal não se pode ser um sprinter puro porque as etapas são todas difíceis. Um sprinter cá tem de ser do meu género, isto é, passar mais ou menos bem as subidas e que ter também uma boa ponta final. Um sprinter puro em Portugal não discute sequer uma corrida."

A quarta etapa da Volta ao Algarve começa às 12:00, com a chegada a Tavira a estar prevista para cerca das 17:00.




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4 de fevereiro de 2017

O pelotão nacional visto por Marco Chagas

(Fotografia: Volta a Portugal)
Feitas as apresentações, está tudo pronto para começar a temporada. Aveiro recebeu a cerimónia em que se ficou a conhecer as seis equipas Continentais portuguesas e as sete de clubes, ou seja, as formações dedicadas à formação de jovens talentos. A opinião partilhada por muitos é que 2017 vai ter um dos melhores pelotões nacionais, ao que muito ajuda o facto de ciclistas como Sérgio Paulinho, Edgar Pinto, Fábio Silvestre e Domingos Gonçalves terem regressado e, naturalmente, a permanência de ciclistas de grande valor como é o caso de Joni Brandão e Amaro Antunes (para nomear dois). O que podemos esperar deste pelotão? Marco Chagas tem uma vida ligada à modalidade. Já viu muitos pelotões e para o quatro vezes vencedor da Volta a Portugal e comentador da RTP não restam dúvidas: "Este pelotão é, principalmente, mais homogéneo em relação a anos anteriores. Olhando para os plantéis, fica a ideia que as forças vão ficar mais próximas umas das outras."

Marco Chagas considera que a W52-FC Porto continua a ser a grande potência, mas a diferença para as outras equipas é agora menor. Fala também de um Sporting-Tavira reforçado, sendo que considera estas as duas equipas mais fortes do pelotão. Enquanto a equipa azul e branca manteve a maior parte da sua estrutura - destaque para a saída de Rafael Reis para a Caja Rural e a entrada de Amaro Antunes (ex-LA Alumínios-Antarte) -, já o Sporting está bastante diferente. Depois de um 2016 em que começou tarde a formar uma equipa devido à demorada resolução da questão do patrocínio, para 2017 tudo se desenrolou de forma muito distinta.

"O Sporting-Tavira melhorou muito", realça Marco Chagas que não antevê problemas por a equipa ter três potenciais líderes. "O líder será sempre o Joni Brandão. O Alejandro Marque será em algumas corridas, com menos dureza e em que haja contra-relógio. O Rinaldo Nocentini fica em terceiro plano. Se olharmos para o currículo dele, não tem grandes resultados. Andou de amarelo na Volta a França porque lhe caiu nas mãos. Tem muita experiência, tem classe, mas também tem 39 anos e nessas coisas não há como lhe dar a volta", salientou. Marco Chagas destaca ainda o regresso de Fábio Silvestre, mais um reforço de peso para o Sporting-Tavira: "Se ele não falhar - e acho que não vai falhar -, será o melhor sprinter que teremos em Portugal."

Quanto à Efapel, Marco Chagas destacou ser uma grande incógnita. A presença do Sérgio Paulinho e o seu papel de líder depois de uma carreira como gregário, "será um dos maiores aliciantes da temporada", ou seja, "perceber o que o Sérgio vale enquanto líder de uma formação". Do sucesso, ou não, desta adaptação do ciclista português - que durante tantos anos pedalou ao lado de Alberto Contador -, poderá também passar parte do sucesso da temporada da Efapel. Há ainda curiosidade para perceber o que o jovem colombiano Mateo Garcia poderá fazer.

A Rádio Popular-Boavista está diferente ao que José Santos habituou o pelotão. "Continua a ser uma equipa jeitosa, mas o Rui Sousa já tem 40 anos. Não sei até que ponto o Rui ainda é capaz de estar na luta pela geral", referiu. Salientou ainda a presença de um Filipe Cardoso que gosta de entrar nas fugas e é ciclista com potencial para ganhar algumas corridas, enquanto João Benta será outra aposta para "a consistência". "Teve uma paragem forçada, mas regressou bem à alta competição. Agora tem de fazer a diferença e não sei se será ou não viável."

Regressando a sul, para Marco Chagas o Louletano-Hospital de Loulé estará muito dependente do que fizer Vicente García de Mateos. "Olhamos para a equipa e vemos que tem muita gente. E o De Mateos... é uma surpresa! Não sei até que ponto é que ele vai voltar a andar como em 2016. Ele estava fortíssimo na Volta a Portugal [terminou no oitavo lugar]. Ele está muito magro e, se calhar, vai deixar o papel de sprinter para ser mais do que isso e o Louletano vai depender muito dele", explicou. Falou ainda de Pedro Paulinho, considerando que o ciclista, irmão de Sérgio, "tem qualidade para ganhar muitas vezes ao sprint e para fazer outras coisas". Porém, "tarda em afirmar-se. Tem tanto o mais potencial que o irmão e às tantas descuida-se e pode passar ao lado de uma boa carreira".

Para terminar, a nova LA-Metalusa-BlackJack. Marco Chagas vê uma equipa um pouco à imagem do Louletano. Isto é, irá estar um pouco dependente do que fizer o seu líder, Edgar Pinto. "Vamos ver como é que ele vai andar. Mas eu acho que será uma aposta ganha", frisou. Além de Edgar Pinto, destaque ainda para César Fonte: "É sempre muito certinho, dá sempre bons resultados, é uma boa aposta."

Perante um pelotão tão atractivo, o antigo ciclista alerta para uma questão que pode criar problemas a algumas equipas: "Algumas só têm nove corredores. É muito curto. Basta haver um problema e as equipas ficam facilmente 'penduradas'. Mas compreende-se... É o factor monetário."

Agora é esperar para ver na estrada este aparente equilibrado pelotão. E Marco Chagas espera que a qualidade dos ciclistas se possa traduzir em muito espectáculo, que começa este domingo com a prova de abertura na região de Aveiro. Estarão presentes todas as equipas nacionais, com a W52-FC Porto em formato reduzido devido à participação da equipa na Volta à Comunidade Valenciana (Amaro Antunes foi terceiro na etapa de sábado, ganha por Nairo Quintana). A partida está marcada para as 12:10 na Praça do Município, em Anadia, e a chegada será em Ovar, na Avenida da Régua.

Equipas portuguesas Continentais: Efapel, LA-Metalusa-BlackJack, Louletano-Hospital de Loulé, Rádio Popular-Boavista, Sporting-Tavira e W52-FC Porto.

3 de fevereiro de 2017

Aveiro recebe prova de abertura com umas surpresas da selecção nacional

O pelotão nacional está de regresso à estrada (imagem do Circuito da Malveira)
No domingo chegará o momento do pelotão nacional começar a mostrar-se em 2017. Aquele que é considerado um dos melhores pelotões dos últimos anos no país, tem estreia marcada para Aveiro, numa corrida de 160,8 quilómetros que ligará Anadia (partida marcada para as 12:10) e Ovar (chegada prevista para as 16:00), com passagem por todos os concelhos da região. As seis equipas continentais portuguesas estarão presentes (Efapel, LA-Metalusa-BlackJack, Louletano-Hospital de Loulé, Rádio Popular-Boavista, Sporting-Tavira e W52-FC Porto), as sete de clubes (ACDC Trofa, Jorbi/Team José Maria Nicolau, Liberty Seguros/Carglass, Maia, Miranda/Mortágua, Moreira Congelados/Feira/Bicicletas Andrade e Sicasal/Constantinos/Cafés Delta) e também duas estrangeiras: a Equipo Bolivia, do escalão Continental, - que conta com o português Nuno Meireles - e a espanhola de clube Aluminios Cortizo-Anova. O destaque vai também para a Selecção Nacional-Liberty Seguros que proporcionará umas surpresas.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
José Poeira chamou um dos mais experientes ciclistas portugueses no World Tour, André Cardoso - que em 2017 estará ao lado de Alberto Contador, na Trek-Segafredo -, além dos jovens gémeos Ivo e Rui Oliveira - que este ano vão competir na Axeon Hagens Berman de Axel Merckx - e de Miguel do Rego. Mas há mais uma novidade. Tiago Ferreira, o campeão mundial de maratona BTT (na fotografia), vai trocar por um dia a terra batida pelo alcatrão. “A experiência que os corredores mais velhos podem transmitir aos mais jovens pode ser muito importante para o desenvolvimento destes”, realçou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Este sábado haverá a oportunidade de dar as boas-vindas aos ciclistas na apresentação da temporada de estrada, que terá lugar no Centro de Congressos de Aveiro. A cerimónia está agendada para as 16 horas e a entrada é gratuita.

Das equipas portuguesas, de realçar que a W52-FC Porto não irá apresentar-se na máxima força, pois já começou a sua época na Volta à Comunidade Valenciana, que termina precisamente no domingo. E está a mostrar-se a bom nível. Esta sexta-feira Samuel Caldeira foi sexto classificado no final discutido ao sprint e na quinta-feira foi Amaro Antunes quem terminou nessa mesma posição, inserido no grupo de Nairo Quintana. Infelizmente o contra-relógio por equipas, que abriu a corrida, deixou os ciclistas da W52-FC Porto a mais de quatro minutos da formação mais rápida, a BMC. Além de Samuel e Amaro, estão em Espanha Gustavo Veloso, Raul Alarcon, Angel Rebollido, António Carvalho, Joaquim Silva e o vencedor da Volta a Portugal em 2016, Rui Vinhas.

Mas quanto à prova de abertura, será a primeira pontuável para a Troféu Liberty Seguros. Segue-se a Clássica da Arrábida (5 de Março) e a Clássica Aldeias do Xisto (12 de Março). A partida será na Praça do Município, em Anadia. O pelotão passará depois por Oliveira do Bairro, Vagos, Ílhavo, Aveiro. Águeda, Sever do Vouga, Albergaria-a-Velha, Estarreja, Murtosa e a meta estará instalada na Avenida da Régua, em Ovar.

O percurso terá poucas dificuldades, prevendo-se uma chegada ao sprint, pois as duas contagens de montanha ainda são afastadas da meta, o que poderá dar tempo a ciclistas para recuperar algum tempo que eventualmente percam nas subidas.



26 de dezembro de 2016

"Os directores em Portugal preferem ir buscar um ciclista espanhol do que, às vezes, ficarem com um português"

(Fotografia: Patrícia Nunes)
Durante a sua fase de formação Samuel Magalhães ouviu inúmeras vezes ser um ciclista de talento, com um futuro promissor à sua espera. Porém, com apenas 24 anos, vê o seu sonho de ser ciclista profissional desfazer-se e de promessa está prestes a tornar-se num jovem corredor sem equipa em 2017. Uma situação impensável há poucos anos, mas nos dois de profissional, primeiro na Rádio Popular-Boavista e depois no Louletano-Hospital de Loulé, a experiência não correu como desejava e apesar de garantir que sempre cumpriu o seu papel como gregário, a falta de resultados pessoais poderá estar agora a resultar na falta de convites para continuar a carreira.

"O trabalho de gregário é ingrato", desabafou Samuel Magalhães ao Volta ao Ciclismo, acrescentado que a dedicação de um ciclista a este tipo de função "não é vista, as pessoas não olham para isso". É difícil esconder a desilusão pelo momento que vive e até pela modalidade, ainda que saliente que tal aconteça provavelmente pela fase difícil que atravessa. Quando é questionado como é que ficou nesta situação, o ciclista de Aveiro aponta várias razões, mas a primeira é logo uma crítica às preferências nas contratações nas equipas nacionais. "Falo por experiência própria, os directores em Portugal preferem ir buscar um espanhol do que, às vezes, ficar com um português. Cá é assim... São opções para eles, mas não sei se são válidas ou não. Muitas vezes são ciclistas que não vão render nada para a equipa. Se eles acabam por optar assim... não podemos fazer nada", salientou Samuel Magalhães.

Já praticamente sem esperança de conseguir uma equipa para 2017, o corredor disse estar a "tentar seguir com a vida", ou seja, arranjar um emprego "numa fábrica, para já". "Se não é possível viver do ciclismo, tenho de arranjar outras alternativas", afirmou, acrescentando procurar algo que lhe dê alguma estabilidade, pois tem encargos que lhe dão "valentes despesas". No entanto, quer também tentar continuar a treinar e manter a forma. É que apesar de no post do Facebook - no qual anunciou que a equipa Louletano-Hospital de Loulé não iria renovar com ele - ter escrito estar a ponderar abandonar, agora admite que com a idade que tem poderá tentar arranjar equipa para 2018 ou então "criar algum projecto que seja benéfico para todos" e até já falou com um amigo e colega de equipa sobre esta possibilidade.

O problema físico, a humildade e a tristeza

"Tenho 24 anos. O meu sonho sempre foi ser ciclista profissional. Sei que podia ter dado muito mais, mas, infelizmente, as coisas não correm sempre como nós planeamos." Samuel Magalhães fez uma retrospectiva aos dois anos em que esteve em equipas profissionais. No Louletano destacou como começou 2016 com uma tendinite. "Estive quase um mês parado. Depois, ainda não estava a 100%, mas o chefe quis pôr-me a correr e infelizmente foi logo em provas muito duras, como a Volta ao Alentejo", referiu. Samuel Magalhães considera que talvez nunca tenha conseguido ficar a 100% após o problema físico. Ainda assim diz que começou "a andar bem", mas que não teve a sorte do seu lado. "Tive sempre avarias mecânicas ou qualquer coisa que me impossibilitava de estar na discussão de uma corrida ou de chegar à frente."

"Sempre consegui ajudar bem a equipa, sempre fiz o meu trabalho, mas nunca consegui reservar nada para mim porque esse trabalho desgastava-me muito"

O ciclista é da opinião que "em Portugal se dá pouco valor" ao trabalho de um gregário. "Sempre consegui ajudar bem a equipa, sempre fiz o meu trabalho, mas nunca consegui reservar nada para mim porque esse trabalho desgastava-me muito", disse, considerando que acabou por ser prejudicado por não ter alcançado resultados individuais de destaque: "O chefe Manuel Correia [director desportivo na sua fase de formação] sempre me ensinou a ser humilde, a ajudar os líderes, que haveria de ter oportunidades. Não tenho problemas com isso. Acho que o ciclismo é um ciclo: os mais novos aprendem com os mais velhos enquanto os ajudam a ter condições para discutir as corridas. Porém, acho que acabei por me 'queimar' um bocado à custa disso. Deixei-me estar a ajudar quando houve corridas que sei que podia ter discutido, tanto no Boavista como no Louletano."

Samuel Magalhães contou que falou com a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, mas não houve acordo. "Não sei se é verdade ou não. São coisas que que eu penso e não digo que seja uma realidade em Portugal, mas se calhar é muita coincidência optarem por ciclistas jovens, que significa gastar menos dinheiro e assim ter possibilidade de contratar um líder. Neste caso, por exemplo, o Edgar Pinto se tiver um salário digno da qualidade dele, é um salário alto e é claro que o dinheiro é pouco e é preciso ir buscar ciclistas de menor valor. Não significa que eu seja caro..." Destacou ainda como alguns corredores não se importam de ganhar menos, exemplificando como muitos jovens vivem com os pais, não tendo encargos, podendo "facilitar para viver o sonho" de ser ciclista.

"Diziam que podia estar num nível superior... Mas não estou... Não sei dizer porquê. Sempre dei o meu melhor, mas as coisas às vezes não saem"

Apesar das opiniões bastante críticas, não significa que Samuel Magalhães tente colocar a culpa da sua situação apenas em terceiros. O ciclista admitiu que sentiu as diferenças da passagem de uma equipa de formação para uma profissional: "O acompanhamento é diferente. Tu é que tens de te safar. Senti isso. Vinha a trabalhar com o Manuel Correia e ele tinha-me avisado que seria um bocado diferente." Se a sua época no Louletano não foi positiva, já a estreia no Boavista considera "não ter sido má". Recordou como na Route du Sud, em 2015, andou bem - vestiu a camisola de líder da montanha, algo inesperado visto não ser um trepador -, mas depois acabou por desistir. "São coisas que não saem para as pessoas cá fora. É bonito aparecer na televisão, mas há coisas más que acontecem que parecem ser culpa do atleta, mas se calhar não são.... Isto é geral, não é só comigo ou com quem correu comigo. Em geral, nas equipas de ciclismo há problemas que acontecem e o ciclista é que fica mal, quando, na verdade, a culpa não é dele", frisou.

Foi com um tom nostálgico que falou de quando ouvia as pessoas falarem do seu talento e de como tinha um futuro promissor. "Diziam que podia estar num nível superior... Mas não estou... Não sei dizer porquê. Sempre dei o meu melhor, mas as coisas às vezes não saem. Fico triste porque à partida tenho de deixar o ciclismo." Samuel Magalhães considera que "não se dá o benefício das dúvidas" aos atletas: "Tanto somos bons hoje, como amanhã não somos nada."

O ciclista realçou saber do valor que tem e espera que o abandono seja apenas temporário. Depois de como sub-23 ter liderado a Volta a Portugal do Futuro, como júnior ter participado no Paris-Roubaix daquele escalão, além de ter sido presença habitual na selecção nacional, tanto de estrada como de pista, tendo sido campeão nacional de perseguição individual também como júnior, Samuel Magalhães vive o momento mais complicado da carreira. Porém, sendo um ciclista que se descreve como combativo, o atleta ainda não está preparado para atirar a toalha ao chão e quer voltar a viver o sonho da sua vida de ser ciclista profissional.

14 de novembro de 2016

“Gosto de ser um exemplo, de ser a prova de que querendo, que lutando, tudo é possível”

Luís Mendonça vive uma espécie de conto de fadas do ciclismo. Só aos 28 anos é que decidiu ser ciclista profissional, apesar de anos antes ainda ter feito umas provas. A carreira de modelo acabou por o seduzir, contudo, o apelo da bicicleta não só não esmoreceu, como acabou por se tornar irresistível e mais do que optar por ser ciclista, Luís Mendonça iniciou um caminho para demonstrar que nunca é tarde para perseguir os sonhos, lutando contra o estigma da idade no desporto. Agora, aos 30 anos (faz 31 em Janeiro), chega à elite portuguesa pela mão de Jorge Piedade e do Louletano-Hospital de Loulé. Pressão? Diz não sentir nenhuma, afinal uma das suas máximas é muito simples: “Tudo o que vier é bom. É tudo novo para mim." E admitiu ainda: "Gosto de ser um exemplo, de ser a prova de que querendo, que lutando, tudo é possível.”

Ao Volta ao Ciclismo, o corredor do Porto explicou como o “namoro com o Louletano” já durava há uns dois anos. Apesar de ter a ambição de sair para uma equipa estrangeira, a verdade é que os dois convites que recebeu não lhe inspiraram confiança. “Sinceramente estavam sob uma névoa bastante grande. Não sabia muito bem para o que iria e isso assustou-me um pouco… Foi um feeling”, confessou. Luís Mendonça preferiu optar por “algo mais seguro para não ter surpresas e para não desanimar a meio”.


"Quero muito continuar a arriscar, continuar a lutar e o Louletano é a equipa ideal. Se fosse outra equipa teria mais rédea curta"

Mas não foi só a segurança que o levou a escolher a equipa algarvia. Apesar de saber que na Volta a Portugal terá de trabalhar para o líder Vicente de Mateos, o Louletano oferece-lhe a oportunidade de ter alguma liberdade de lutar por vitórias. “É uma equipa que me dá possibilidade de continuar esta evolução. Vamos ver até onde vai dar. Quero muito continuar a arriscar, continuar a lutar e o Louletano é a equipa ideal. Se fosse outra equipa teria mais rédea curta e teria de trabalhar mais em prol de outros ciclistas”, referiu.

O corredor que este ano representou a Sicasal/Constantinos S.A/UDO não pensa só no sucesso pessoal, pois apesar de desejar estar bem fisicamente o ano todo e mostrar-se em corridas como o Grande Prémio de Abimota, ou do Jornal de Notícias - “se o Vicente não for o líder” - Luís Mendonça tem o objectivo de ser o braço direito do espanhol na Volta a Portugal.

O facto de ter sido o Louletano a mostrar interesse em contratá-lo e não ter sido o ciclista a ter de procurar a equipa, como explicou, é mais um factor de motivação para o corredor. “Gostei muito da aposta e o Jorge Piedade está muito satisfeito e com muita confiança em mim e isso sente-se!” Por isso mesmo, Luís Mendonça não se desleixou nem um bocadinho nas férias e agora já trabalha para apurar a forma, para assim começar bem a temporada na Volta ao Algarve, em Fevereiro.


“Espero que com mais um ano de trabalho conseguir chegar à Volta a Portugal e ajudar o Vicente [de Mateos] com classe e categoria"

Para trás fica um 2016 de emoções fortes, principalmente quando lhe surgiu a oportunidade de competir na Volta a Portugal pela equipa brasileira da Funvic Soul Cycles-Carrefour. Então, o ciclista admitiu que ficou surpreendido com o ritmo do pelotão. “É preciso uma boa preparação e felizmente fui para lá minimamente preparado e ainda consegui mostrar-me [terminou no top dez em três etapas]. Não contava fazer melhor do que fiz, mas sinceramente também não contava com aquele ritmo”, desabafou.

Ainda assim, realçou como durante praticamente toda a época competiu com os melhores em Portugal, recordando que também na Volta ao Alentejo se andou muito bem. No entanto, agora que chegou à elite nacional, afirmou que terá de se preparar bem, mas também espera que “os anos de ciclismo comecem a fazer efeito”. “Vou para três anos na modalidade, o corpo vai-se moldando cada vez mais, estou cada vez mais leve sem fazer qualquer dieta. Sinto-me mais definido. A nível de tronco eu era exageradamente musculado, mas sinto que estou a ficar mais ligeiro e isso depois reflecte-se na estrada”, explicou.

Agora é preparar o seu primeiro ano de elite, como o próprio diz, sem pressão, mas com muita motivação. E parece que Vicente de Mateos terá mesmo um colega leal com quem contar. “Espero que com mais um ano de trabalho consiga chegar à Volta a Portugal e ajudar o Vicente com classe e categoria, como certamente ele vai merecer.”

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7 de outubro de 2016

Encontro entre Benfica e Louletano sem acordo. Jorge Piedade prepara equipa sem pensar no apoio do clube da Luz

Desde que o FC Porto e o Sporting regressaram no início deste ano ao ciclismo que se fala da possibilidade do Benfica também voltar à estrada. E o Louletano é um parceiro possível. O director desportivo da equipa algarvia confirmou ao Volta ao Ciclismo que "houve uma abordagem", mas sem acordo. "Eles [responsáveis do Benfica] estão indecisos, não sabem o que hão-de fazer, não sabem como querem fazer as coisas", afirmou Jorge Piedade, que nesta fase acredita que a possível parceria não irá "dar em nada".

"Já lá foi muita gente tentar fazer equipa com o Benfica e as coisas não saem", acrescentou. Porém, admite que caso houvesse um acordo, a equipa algarvia seria, naturalmente, beneficiada. "Com o Benfica podíamos chegar a outro patamar", salientou. Referiu ainda que "neste momento [o Benfica] não tem abertura para fazer uma equipa" e que desconhece se haverá mais reuniões. No entanto, ficou a garantia que o Louletano não só vai continuar em 2017, como já tem a época planeada sem contar com o apoio do clube da Luz.

"Com o Benfica podíamos chegar a outro patamar"

O Hospital de Loulé irá manter-se como um dos patrocinadores e a equipa prepara-se para uma nova fase agora com Vicente de Mateos como a principal aposta, já que João Benta está a caminho da Rádio Popular-Boavista, segundo Jorge Piedade. "Para 2017 temos mais ou menos as coisas preparadas para arrancar. Já temos alguns contratos, nomeadamente com o Vicente de Mateos. Temos mais alguns corredores que ainda não estão definidos, mas penso que as coisas estão mais ou menos orientadas", afirmou.

"Todo o ano andámos sempre na frente das corridas, tivemos algumas vitórias e acabámos por fazer uma boa época"

Jorge Piedade espera continuar o bom trabalho realizado em 2016. "Todo o ano andámos sempre na frente das corridas, tivemos algumas vitórias e acabámos por fazer uma boa época, tal como uma boa Volta a Portugal." Na principal prova nacional, o Louletano-Hospital de Loulé conseguiu um top dez por parte de Vicente de Mateos (oitavo, a 6:30 minutos do vencedor Rui Vinhas) e o espanhol venceu ainda a quinta etapa, na chegada a Viseu.

Vicente de Mateos tem 28 anos e há três que representa o Louletano, com bons resultados, dos quais se destacam as duas etapas na Volta a Portugal e a vitória na classificação por pontos no ano passado.

Quanto a 2016, a prova que foi um ano muito positivo para formação algarvia está também na posição do ranking final. O Louletano-Hospital de Loulé finalizou no terceiro lugar por equipas com 1125 pontos, atrás da W52-FC Porto (2854) e da Efapel (1849). Vicente de Mateos foi quinto no ranking individual, com menos 92 pontos que o vencedor Rafael Reis (W52-FC Porto).

9 de agosto de 2016

Só mais um pouco de Volta a Portugal para terminar

(Fotografia: Volta a Portugal)
É altura dos ciclistas descansarem, dos directores desportivos analisarem o que correu bem, o que correu mal e o que tem de ser feito no futuro. Momentos de análise que certamente serão profundos no Sporting-Tavira, por exemplo, que muito tem a mudar para voltar a ser uma equipa competitiva, enquanto a LA Alumínios-Antarte começará a ponderar que terá chegado o momento de apostar em Amaro Antunes. A Efapel procurará encontrar o que falta e o que poderá fazer para lutar de igual para igual com a W52-FC Porto, que por outro lado tentará não só manter-se como a mais forte, mas perceber qual poderá ser o novo papel para Rui Vinhas. O Louletano-Hospital de Loulé alcançou uma vitória e um top dez e só poderá estar satisfeito, tal como a Rádio Popular-Boavista: pódio com Daniel Silva e segundo lugar por equipas.

Claro que também se impõe uma questão muito importante para praticamente todas as equipas: contratos. Muitos ciclistas estão a terminá-los, como Joni Brandão, Amaro Antunes, Frederico Figueiredo, nomes de futuro no ciclismo nacional, mas que também já vão piscando o olho ao estrangeiro. Situação inevitável e que faz as equipas portuguesas viver constantemente alguma incerteza quanto ao atletas com que poderão contar em 2017. Nada de novo, no entanto.

Mas fiquemos aqui com os melhores momentos desta Volta a Portugal que certamente Rui Vinhas nunca irá esquecer... Gustavo Veloso provavelmente também não!