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30 de setembro de 2017

De estrela com recepção real ao anonimato no ciclismo europeu

Salah Eddine Mraouni tem o sonho de tantos ciclistas: chegar ao mais alto nível e competir na Volta a França. Admira Alejandro Valverde - "é muito forte e inteligente", diz - e este ano deu o passo de deixar o conforto de um país onde era uma autêntica estrela, até com direito a ser recebido pelo rei. Tem apenas 24 anos, mas na curta carreira conheceu vários sucessos, tanto em África como na Ásia. Venceu a UCI Africa Tour em 2015, mas chegou o momento em que quis mais. Foi na Kuwait-Cartucho.es que encontrou o passaporte para entrar em corridas com outro tipo de competitividade. Adaptar-se a outra realidade é sempre um desafio, mas para Mraouni o maior tem sido ser um ciclista "normal".

Na Europa é mais um entre os muitos que trabalham para chamar a atenção das grandes equipas. Não tem sido fácil a adaptação, pois de ser conhecido em todo o lado, é agora apenas mais um. No entanto, mesmo tendo de lidar com o anonimato da realidade que agora vive, Mraouni mantém-se fiel aos seus sonhos. "Eu quero continuar no ciclismo e daqui a dois anos subir", explicou ao Volta ao Ciclismo. O marroquino quer estar noutro nível rapidamente, contudo, sabe que tem ainda muito a aprender e é por isso que vê a equipa Kuwait-Cartucho.es como ideal para este processo de evolução, ainda mais quando tem como companheiros os experientes Davide Rebellin e Stefan Schumacher.

Mraouni destacou-se desde cedo em Marrocos, sendo visto como um ciclista para todo o terreno, que em grupos reduzidos fazia-se valer da boa velocidade final para conquistar bons resultados. Agradecido por ter a oportunidade para experimentar outras competições, foi em África que alcançou os três triunfos em 2017 (dois na Volta aos Camarões e um na Volta a Marrocos). Já andou por França, Espanha, até na China, mas em Portugal encontrou o país que gostou, até porque encontrou o tempo quente que gosta, além de ter elogiado os portugueses. "Ando melhor com o calor. Estou mais habituado", admitiu. Ainda assim, não escondeu que subir à Torre na Volta a Portugal "foi um dia difícil".

E foi precisamente nessa corrida por cá que Mraouni teve um teste importante, apesar de ter terminado num discreto 104º lugar, a quase três horas do vencedor, Raúl Alarcón. Foi uma prova por etapas a um ritmo diferente ao que está habituado e o marroquino salientou que foi melhorando com o passar dos dias, o que o motiva para as próximas corridas que tiver de enfrentar com competitividade idêntica. Porém, não conseguiu mostrar-se no palco mais importante do ano para si: abandonou nos Mundiais de Bergen.

Quem conhece Mraouni diz que este ano não parece a mesma pessoa, pois deixou os holofotes da fama local para trás. Não são momentos fáceis para um jovem que se habituou a ser uma estrela, mas vem de um continente que aos poucos vai começando a ver os seus ciclistas aparecerem e a serem respeitados e procurados por grandes equipas, muito devido ao trabalho da formação da Dimension Data. Mraouni segue o seu caminho, no anonimato, mas sem abandonar o sonho de um dia falarem dele ao mais alto nível.

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8 de agosto de 2017

Rebellin a viver um dia de cada vez e à espera que as pernas lhe digam para parar

Davide Rebellin celebra 46 anos esta quarta-feira. Vai festejar o aniversário na estrada, na quinta etapa da Volta a Portugal, corrida que participa não só para rodar, pois está a tentar um top dez ou pelo menos uma etapa. Assim tinha dito o italiano que o ia fazer e está a cumprir. Experiência não lhe falta, e também a notoriedade de ser o ciclista com o currículo mais importante na corrida portuguesa. O melhor há muito que ficou para trás, tal como o pior. Rebellin continua a competir por paixão ao ciclismo e não tem planos para se retirar até que as pernas lhe digam que já chega.

"Eu decido de ano para ano se vou continuar, se fico nesta ou noutra equipa. Vou procurando a melhor solução para mim", explicou o veterano ciclista ao Volta ao Ciclismo. Este ano escolheu a Kuwait-Cartucho.es, equipa que pretende ajudar a desenvolver a modalidade naquela zona do globo e que escolheu experientes corredores para contribuírem com os seus conhecimentos. Nesta formação há muita juventude. Alguns deles eram praticamente recém-nascidos quando Rebellin dava as primeiras pedaladas como profissional. "Às vezes vêem-me como um pai, mas acima de tudo há amizade. Gosto muito de os ajudar", referiu o italiano.

Um monumento do ciclismo (Liège-Bastogne-Liège), três Flèche Wallonne, uma Amstel Gold Race - em 2004 fez o pleno nas Semana das Ardenas -, Rebellin consagrou-se como um dos melhores homens de clássicas no início do século, ainda que também tenha conquistado o Tirreno-Adriatico. Em 2009 caiu nas malhas do doping, quando foi divulgado um positivo por CERA, numa análise referente aos Jogos Olímpicos do ano anterior, em Pequim. Acabou suspenso por dois anos.

Já não era um jovem, pelo que se pensava que acabava assim a carreira, mas não. Regressou em 2011 para uma equipa Continental e no ano seguinte a polaca CCC (Profissional Continental) confiou na sua veterania e por lá ficou quatro temporadas. Ao finalizar o contrato, voltou-se a pensar que era o fim. Não. Rebellin é duro de roer. "O ciclismo é a minha vida, [move-me] o amor por este desporto, que me dá muita satisfação. Enquanto as pernas me disserem para continuar, vou continuar", salientou.

Não esconde que gostaria de regressar às suas queridas clássicas, sendo que para tal precisa de estar numa equipa de escalão superior. No entanto, destacou como se sente bem na Kuwait-Cartucho.es. "É uma equipa pequena, mas faz um bom calendário e tem corredores com experiência como eu e o Stefan Schumacher. Há muita coisa a melhorar, mas creio que é um projecto com futuro", frisou Rebellin.

Apesar de ser de uma geração diferente, a verdade é que muitos são os jovens que ainda gostam de o ver competir: "Tenho muitos seguidores e muitos dizem-me que estão contentes por eu continuar, os mais velhos, mas também os mais novos. Isso é muito bom."

Miguel Ángel Hurtado, director desportivo da formação do Kuwait, realçou ao Volta ao Ciclismo como a veterania de Rebelin está a ser importante para ajudar os corredores mais jovens da equipa, mas também o italiano está a tirar dividendos desta sua escolha: "Ele está a viver uma segunda juventude. Está muito bem [fisicamente] e nós estamos muito felizes com ele."

Os primeiros dias de Davide Rebellin demonstram a vontade da Kuwait-Cartucho.es em ser competitiva e não ser uma equipa que vem passear à Volta a Portugal, ainda que na Senhora da Graça Rebellin tenha saído do top dez, estando agora a 2:40 minutos do líder Raúl Alarcón. "Queremos ganhar [a Volta]!", brincou Hurtado, muito bem disposto. "Temos uma equipa humilde, mas vamos tentar ganhar uma etapa. Estamos aqui para nos mostrarmos. Queremos pelo menos uma etapa e de ser protagonistas", assegurou, desta feita, muito a sério.

Hurtado falou ainda sobre a realidade da modalidade no Kuwait: "Lá o ciclismo é minoritário. Há pouco público, mas querem apostar na modalidade e nós estamos a dar uma ajuda passando-lhes o nosso conhecimento." O objectivo da equipa passa por evoluir os jovens do Kuwait, a pensar numa eventual presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio2020, para que assim possam surgir com um ritmo e experiência diferente. "Eles estão a crescer", garantiu.

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