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4 de agosto de 2018

Alaphilippe dá mais uma vitória a uma equipa que está sem nome para 2019

(Fotografia: PhotoGomez/Donostiako Klasikoa‬)
Férias depois do Tour? Não. Para Julian Alaphilippe houve umas folgas, mas há que aproveitar o momento de forma e o ano fenomenal do francês continua. Depois da Flèche Wallonne e das duas etapas no Tour, além duas também ganhas na Volta ao País Basco e uma na Colombia Oro y Paz, agora este ciclista foi vencer a Clássica de San Sebastián. Começam a faltar adjectivos para este corredor de apenas 26 anos, que mesmo não sendo um trepador puro, foi ganhar a classificação da montanha na Volta a França. Mais uma pérola da Quick-Step Floors, equipa que vai em 52 vitórias! A aposta é se ainda chega às 100. Porém, perante tanta qualidade e tanto triunfo e nas grandes corridas, parece quase mentira que a falta de patrocinador volte a estar no assunto dia desta super estrutura.

Não, a equipa não está em risco. Longe disso. Até terá mais uma nova empresa a colocar o nome nas camisolas, a marca de cerveja sem álcool Maes. E a Quick-Step renovou por três anos, mas a ameaça de há um ano é agora cumprida: não será mais o patrocinador principal. Ou seja, a equipa está sem nome para 2019. Foi o director, Patrick Levefere, quem o confirmou, ainda durante o Tour.

O Lidl fica até 2019 e talvez por mais dois anos, mas não quer aumentar o seu investimento, segundo o responsável. A marca de bicicletas Specialized não vai largar a equipa. Mas falta então alguém que queira dar o nome e pagar por isso. Hipótese? Wolfpack (matilha), a alcunha que a equipa utiliza. Lefevere disse mesmo que o logotipo criado e que deu origem a todo um movimento que qualquer pessoa pode fazer parte - é só registar-se no site - pode passar a estar em destaque nos equipamentos.

"Mantemos a esperança que algo apareça. Talvez o Julian Alaphilippe possa abrir algumas portas no mercado francês. Ele tem mais carisma que qualquer outro ciclista francês, mais do que Romain Bardet. O Alaphilippe tem senso de humor e é um exemplo para os mais novos", salientou na altura Lefevere ao site belga HLN.

O ciclista parece disposto a responder ao repto de se tornar numa das imagens da equipa, que apesar de não ter o futuro em risco, tal não significa que possa perder alguma força financeira para corresponder às exigências de alguns dos seus principais ciclistas. O Het Nieuwsblad deu conta que Niki Terpstra poderá estar de saída, pois Lefevere não tem capacidade monetária para dar ao ciclista o que este pede para renovar. A UAE Team Emirates e a Dimension Data estarão atentas à situação.

No entanto, haverá algo a pesar na escolha de Terpstra: é que tem-se verificado uma tendência para os ciclistas saem da Quick-Step Floors não conseguirem alcançar as prestações e os resultados que tinham quando representavam a equipa belga. Que o digam Marcel Kittel e Matteo Trentin, só para referir dois dos mais recentes exemplos.


»»CCC salva BMC e Greg van Avermaet será o líder««

»»Em 2019 só haverá uma equipa chamada Lotto««

27 de julho de 2018

O renascer de uma equipa

(Fotografia: © ASO/Bruno Bade)
Estabilidade. Uma palavra-chave para o renascer de uma equipa que nos finais dos anos 90 e na primeira década do século era das mais forte do pelotão. A então Rabobank estava na luta pelas grandes corridas, com planteis fortes e durante quase duas décadas, o banco holandês foi um patrocinador importante, inclusivamente para o ciclismo feminino e de formação. Foi a este último que se agarrou quando em 2012 bateu com a porta à elite devido às alegações de doping. Foi um rombo numa estrutura que teve em Richard Plugge um director que se recusou a deixar cair a equipa. A reconstrução foi difícil e a incerteza foi muita, mas 2018 está a tornar-se no ano em que há certezas que a agora denominada Lotto-Jumbo começa a mostrar potencial para regressar ao topo.

Em 2016, Steven Kruijswijk quase conseguiu dar uma inesperada vitória numa grande volta. Uma queda e Vincenzo Nibali tiraram-lhe o Giro. Escapou um triunfo na geral de uma grande volta que não acontece desde que Denis Menchov ganhou a Vuelta e o Giro, em 2007 e 2009, respectivamente. Kruijswijk não mais conseguiu aparecer àquele nível. Neste Tour tem estado muito bem, mas ofuscado por um brilhante Primoz Roglic. O saltador de esqui que deu em ciclista e que em três grandes voltas, ganhou sempre uma etapa. E na primeira vez em que lhe é concedido o estatuto de líder, está a 31 quilómetros de um contra-relógio - no qual é especialista - de conseguir o pódio, provavelmente tirando o lugar ao quatro vezes vencedor da Volta a França, Chris Froome.

Quando há dois anos venceu o contra-relógio no Giro, foi uma espécie de "Primoz quê?" Roglic é agora um nome bem conhecido - ainda mais em Portugal, onde venceu a Volta ao Algarve em 2017 - e nesta Volta a França conquistou um estatuto no pelotão que ele muito trabalhou, mas que ainda estava rodeado de alguma desconfiança. A sua qualidade como ciclista de provas de uma semana estava mais do que confirmada. Só este ano venceu a Volta à Romandia, ao País Basco e da "sua" Eslovénia. Agora confirma que é também um corredor de 21 etapas.

Esta sexta-feira, numa tirada espectacular nos Pirenéus, Roglic - que fará 29 anos em Outubro - foi irrepreensível. Saltou para o terceiro lugar e o segundo está a 19 segundos. Se Tom Dumoulin (Sunweb) tem razões para se preocupar, já Geraint Thomas (Sky) só terá de ser igual a ele próprio e evitar azares. 2:24 minutos será uma distância demasiado grande para perder em 31 quilómetros, mesmo que se esteja perante o vice-campeão do mundo. Ao contrário do campeão Dumoulin, Roglic não fez o Giro. Uma segunda vitória de etapa não é de afastar, tal como passar o holandês.

Depois há um Dylan Groenewegen (25 anos), vencedor de duas etapas neste Tour e que em 2017 ganhou nos Campos Elísios. Cada vez mais é um dos melhores sprinters da actualidade e está também a fazer o trabalho para se tornar num homem de clássicas. Kruijswijk merece o mérito de ter sido essencial nesta reconstrução da equipa, ele que ficou na estrutura desde os tempos da Rabobank, mas são Roglic e Groenewegen os rostos de uma Lotto-Jumbo que nas próximas grandes voltas não será mais uma simples outsider.

Mas estes são os nomes que se consagraram no maior palco de ciclismo do mundo. Contudo, há ainda um muito talentoso George Bennett, cujo oitavo lugar no Giro pode não ter sido bem o que esperava, mas este australiano ainda tem algo mais para dar e conquistar. Aos 24 anos, Antwan Tolhoek é uma esperança holandesa a receber a formação numa equipa que está a produzir bons ciclistas.

A par de Kruijswijk há ainda um Jos van Emden, um Lars Boom e a locomotiva Robert Gesink. Todos já com mais de 30 anos, todos do tempo da Rabobank e todos de confiança para o director Richard Plugge. Gesink não se tornou no voltista esperado, no entanto, o trabalho que hoje realizou para encurtar distâncias para o grupo de Mikel Landa (Movistar) e Romain Bardet (AG2R), explica porque o contrato foi renovado até 2021. Sozinho fez o trabalho de três ou quatro ciclistas da Sky! A vitória de Roglic na etapa também tem muito de Gesink.

Para o ano será apenas Jumbo, ainda  que não esteja excluída a entrada de outro patrocinador. A Lotto sai de cena, mas a cadeia de supermercados garantiu que a aposta será forte e até aumentada, comparativamente com este ano. É tempo de crescer. O passado está mesmo lá atrás. Longe vão os tempos em que a equipa foi apenas a Blanco, sem patrocinador. A Belkin apareceu para dar um primeiro empurrão rumo à reconstrução de uma estrutura que viu alguns dos seus principais ciclistas serem envolvidos em casos de doping, ou de não se livrarem de suspeitas.

Os actuais patrocinadores vincularam-se em 2015. Ano complicado, com apenas seis vitórias. Porém, aquela de Bert-Jan Lindeman na Vuelta serviu de mote para o recomeço de uma equipa que sabe vencer, mas que ainda lhe falta uma vitória na geral de um corrida de três semanas ou num momento, pois soma triunfos em praticamente todas as principais provas. Estará a aproximar-se?...

Etapa espectáculo

A subida ao mítico Tourmalet impulsionou o espectáculo a 100 quilómetros da meta, muito devido a Mikel Landa. Apenas com tudo a ganhar, o espanhol da Movistar cumpriu o prometido e atacou de longe, levando com ele Romain Bardet (AG2R), com Ilnur Zakarin a agarrar-se ao grupo depois da Katusha-Alpecin lhe ter preparado o terreno para tentar ganhar a etapa. Juntou-se ainda um Rafal Majka à procura dar mais uma vitória à Bora-Hansgrohe além das três de Peter Sagan, depois de ter desiludido na luta pela geral.

Primoz Roglic foi o mais espectacular de todos, num dia em que Chris Froome agarrou-se como pôde a Egan Bernal para tentar salvar um terceiro lugar, que, ainda assim, está agora a 13 segundos. Tom Dumoulin fez tudo para defender o seu segundo posto, mostrando que lutar pelo Tour é algo que estava além das suas capacidades. O preço do Giro está a ser pago, pelo que fez o que lhe competia, ainda que para isso tenha ajudado Geraint Thomas a ficar a 31 quilómetros de conquistar um Tour que ninguém, ou quase, acreditaria ser possível há três semanas. Se os três actuais ocupantes do pódio ali permanecerem, o Tour terá três estreantes nestas posições nesta corrida. Só Tom Dumoulin sabe o que é subir ao pódio de uma grande volta: ganhou o Giro em 2017.

(O texto continua por baixo do vídeo.)




Landa subiu ao sexto lugar, enquanto o companheiro Nairo Quintana caiu de quarto para nono, depois de uma etapa dolorosa. O colombiano sofreu uma queda na quinta-feira e não escondeu o quanto o limitou fisicamente. Salva para a Movistar a vitória na etapa dos 65 quilómetros por parte de Quintana e a classificação de equipas. Zakarin é agora 10º à custa de um Jakob Fuglsang que deu certezas à Astana que tem de contratar um ciclista para as três semanas.

Faltam então 31 quilómetros entre Saint-Pée-sur-Nivelle e Espelette, num contra-relógio que de direito pouco tem. Geraint Thomas sabe o que é vencer estas etapas, começou por o fazer há um ano no Tour, por exemplo. 2:05 é uma margem que lhe dá alguma tranquilidade. Em condições normais, nem Dumoulin, nem Roglic e muito menos um Froome cansado, conseguirão tirar-lhe a amarela. Se nada de anormal acontecer, é ele que será a estrela no desfile de campeões em Paris. Mas festas só no fim, como reitera um Peter Sagan que está a sacrificar-se como nunca para acabar o Tour e confirmar a conquista da sexta camisola verde. Escapou à exclusão por chegar fora do tempo limite, mas as dores continuam depois da queda na quarta-feira.

Quem também estará no "desfile" será Julian Alaphilippe. Mais um francês a ganhar a camisola da montanha, sucedendo a Warren Barguil. O ciclista da Quick-Step Floors pode não ser um trepador puro, mas agora já se questiona se será esse o caminho que seguirá na sua evolução, podendo assim pensar em lutar pela geral no Tour. Ainda é cedo e Alaphilippe quer é saborear esta excelente conquista. Pierre Latour partirá para o contra-relógio com 5:47 minutos de vantagem sobre Egan Bernal, pelo que também só algo de muito mau irá tirar ao francês da AG2R a camisola branca da juventude.

Está quase a terminar um Tour dos mais interessantes dos últimos anos. O contra-relógio não deverá ser aquele dia tão decisivo como a organização poderia desejar, mas vamos esperar pelo fim dos 31 quilómetros, pois há uma longa lista de ciclistas que podem atestar que tudo pode acontecer nesta Volta a França, do primeiro ao último metro.

Pode ver aqui as classificações.


25 de julho de 2018

Froome "é humano", Thomas o mais forte, Bernal o futuro a pedir para se tornar no presente

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Aconteceu mesmo. Lá estava Egan Bernal, à frente de Chris Froome, a olhar para o seu líder (um deles), à espera que este "apanhasse" a sua roda. Não foi o mesmo que Froome fez a Bradley Wiggins em 2012, quando então quis mostrar que era o mais forte. Naquele momento Bernal apenas estava à espera do britânico para o ajudar, mas ficou mais do que claro que o colombiano podia fazer muito mais e melhor se tivesse liberdade para tal. Assistiu-se a uma passagem de testemunho? Até parece injusto começar por Bernal tendo em conta que quem demonstrou enorme força foi Geraint Thomas, que está mais próximo de uma vitória inesperada, mas, pelo que fez até ao momento, será totalmente merecida se se confirmar. Mas Bernal... Que ciclista está a tornar-se.

"[Froome] é humano", disse Bernal à rádio COPE, depois de ter ajudado o britânico a segurar um lugar no pódio, por agora. No ano passado Froome tinha já mostrado esse seu lado menos mecanizado, por assim dizer. Os adversários perceberam que era mesmo possível bater o britânico e até a Sky, apesar de em Paris a história se ter repetido pela quarta vez com Froome, quinta em seis anos, se contarmos com a vitória de Bradley Wiggins. A equipa reapareceu em 2018 novamente forte, coesa e só Gianni Moscon estragou a harmonia ao agredir outro ciclista, sendo expulso da corrida. Já Froome está a pagar o preço de alguém que vai em três vitórias consecutivas em grandes voltas. E talvez toda a polémica do salbutamol também tenha a sua influência, mas esse pormenor psicológico só o ciclista poderá dizer se assim é.

Froome pode ter cedido, mas quem está a aproveitar é um companheiro e não um rival de outra equipa. Era o seu braço direito até este Tour. Geraint Thomas afastou todas as desconfianças. È um voltista para discutir as corridas e não apenas para ser gregário. O Tour não está ganho, mas a liderança da equipa é dele nos próximos dias. Até Froome garantiu que irá ajudar Thomas, um amigo que sempre esteve lá por ele. É altura de ser humilde e ser ele o braço direito. Só lhe fica bem e mantém também intacta a união na Sky.

Thomas está a ter o seu momento. Terá um enorme poder de negociação numa altura em que o seu contrato está a terminar. Porém, há um Bernal pronto para se tornar também ele num líder de três semanas. É o seu primeiro ano no World Tour, esta é a sua estreia numa grande volta e o jovem colombiano está a impressionar. Está a confirmar todo o potencial que lhe era apontado. Froome (33 anos) e Thomas (32) são o presente, mas o futuro da Sky já está à vista e promete continuar a manter esta equipa como dominadora nas corridas de três semanas.

O dia foi de Thomas e um pouco de Quintana

Bernal mostrou-se, mas não tirou o protagonismo a quem mais merece. Geraint Thomas não ganhou a sua terceira etapa neste Tour, mas pode muito bem ter dado um passo decisivo rumo a um triunfo em que ele terá sempre acreditado. O resto do mundo do ciclismo... não tanto. Manteve-se frio quando Primoz Roglic (lotto-Jumbo) atacou e Froome foi atrás do esloveno. Antes não se preocupou minimamente com Nairo Quintana (Movistar). Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo) também não fez Thomas tremer. Quando foi necessário agarrou-se à roda de Tom Dumoulin (Sunweb), deixou o companheiro Froome para trás e no momento certo arrancou. Em poucos metros ganhou cinco segundos a Dumoulin e Roglic, mais os quatro de bonificação. Froome perdeu quase um minuto e até a presença no pódio está tremida, com apenas 16 segundos a separá-lo de Roglic.

E que bem esteve o esloveno. Tentou mexer por duas vezes e acabou por ser decisivo em mostrar que Froome é mesmo humano. Dumoulin e Roglic são uma nova geração de voltistas. Não são aquele trepador puro, mas tornam-se mais completos, pois juntam também o contra-relógio como arma ainda mais letal. Geraint Thomas é um especialista no esforço individual, mas o campeão e vice-campeão do mundo são dois ciclistas que podem ameaçar a sua liderança no sábado. 1:59 e 2:41 minutos de vantagem é muito positivo, mas um azar, um imprevisto e Dumoulin e Roglic podem ser eles a sensação desta Volta a França.

O holandês admite que está difícil ir mais além do segundo lugar que agora ocupa (ultrapassou Froome). Mas não vai baixar os braços. Ainda falta uma etapa de montanha antes do contra-relógio. Esta quinta-feira poderá servir para recuperar o fôlego da tirada de 65 quilómetros, mas na sexta-feira haverá o mítico Tourmalet para subir e perto do final o Col d'Aubisque. A meta não será no topo. Haverá mais uma descida para testar os que ainda querem ameaçar Thomas.

(O texto continua por baixo da imagem.)



Falta falar de Nairo Quintana. Afinal ganhou a etapa, a sua segunda no Tour. A primeira foi em 2013! O colombiano fez o que lhe competia, mas ficou a sensação que ganhou a vantagem que lhe foi permitida ganhar. A sua fuga esteve sempre controlada. Saltou para o quinto lugar, a 3:30 de Thomas. Tendo em conta que à sua frente tem homens tão fortes no contra-relógio, ou consegue algo especial na etapa de sexta-feira, ou nem o pódio pode ser uma aspiração real nesta altura. 

Porém, o Tour está um pouco salvo para a Movistar com esta vitória de etapa e com a classificação de equipas praticamente garantida. São mais de 24 minutos de vantagem para a Bahrain-Merida. Já o colega Mikel Landa foi uma das desilusões do dia, só superado por Romain Bardet que fez ainda pior.  São agora 5:33 para Thomas. Ainda não é desta que a França quebra o enguiço de não ter um seu ciclista a ganhar o Tour.

O susto de Sagan


(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Com a camisola verde já matematicamente garantida, Peter Sagan só precisa de cortar a meta em Paris para igualar o recorde de Erik Zabel. No entanto, o eslovaco não festejou esse feito e com razão. Ainda há muita corrida pela frente e esta quarta-feira o ciclista da Bora-Hansgrohe sofreu uma queda numa das descidas. Ficou muito mal tratado. Os exames médicos realizados no hospital demonstraram que não tem fracturas, mas a equipa anunciou que só de manhã será tomada a decisão se Sagan irá ou não continuar no Tour.

Quem também tem quase uma camisola assegurada é Julian Alaphilippe. O ciclista da Quick-Step Floors somou mais uns pontos para a montanha, enquanto Warren Barguil (Fortuneo-Samsic) não conseguiu entrar na fuga. São 140 pontos contra 73. A Alaphilippe basta controlar as movimentações de Barguil e assim chegar a Paris com uma das camisolas mais populares do ciclismo.

A grelha de partida

Foi uma ideia engraçada. Foi diferente ver os ciclistas colocados como uma corrida de Moto GP, mas fica-se por aí. Não teve qualquer resultado prático. Rapidamente o bloco da Sky estava formado. Ninguém das principais figuras quis atacar logo ao desligar das luzes. Só na última subida começou a verdadeira acção, sendo que até lá fizeram-se as jogadas tácticas, como a Movistar lançar Alejandro Valverde na frente.

Esta ideia pode ser riscada. Mas que tal experimentar o contra-relógio em estilo de perseguição? Isto é, os ciclistas partirem mediante as diferenças temporais na classificação.

A grelha de partida não funcionou, mas uma etapa curta resultou muito bem, como tem acontecido na Vuelta. Não foi fácil afastar o pensamento que Alberto Contador teria ficado ali tão bem... Quem assistiu à etapa no Eurosport teve a oportunidade de ver o espanhol fazer o reconhecimento da última subida com Juan Antonio Flecha e ainda apresentar algumas análises. E está muito bem na sua nova função.

Pode ver aqui as classificações após a 17ª etapa.

 


»»A sexta camisola verde já está garantida««

»»65 quilómetros de muita incerteza««

24 de julho de 2018

65 quilómetros de muita incerteza

(Fotografia: © ASO/Bruno Bade)
Num primeiro dia de Pirenéus em que ninguém quis arriscar desperdiçar forças para os 65 quilómetros desta quarta-feira, os agricultores, Julian Alaphilippe e Philippe Gilbert foram as figuras. A Movistar fez uma movimentação de pouco sentido (parece que Landa quis testar um pouco os adversários), mas ficou bem claro que todos estavam a pensar numa das etapas mais aguardada do ano. O Tour foi buscar uma inspiração à Vuelta e colocou uma etapa curta.  Foi mais além, pois é mesmo muito curta: apenas 65 quilómetros.

Duas primeiras categorias e uma especial, com chegada em alto em Saint-Lary-Soulan. E há a particularidade de uma grelha de partida. Tem sido um assunto muito discutido, mas a versão final é a seguinte: os dez primeiros serão distribuídos como se estivessem numa grelha de Moto GP. Segundo a imagem disponibilizada, o camisola amarela, Geraint Thomas, sairá na frente. Depois do top dez, ficará alinhado o restante pelotão mediante a posição que cada ciclista ocupa na classificação geral. Partirão todos ao mesmo tempo e não haverá distâncias entre os grupos, como foi inicialmente referido quando se soube desta ideia da ASO, organizadora do Tour.

Não existirão aqueles primeiros quilómetros neutralizados. A partida é logo real. Foi criada uma zona de aquecimento para os ciclistas, antes de se dirigirem para a grelha. Serão 147 - talvez menos um, pois Philippe Gilbert disse que a sua corrida tinha acabado após a aparatosa queda na etapa de hoje -, pelo que a habitual assinatura de presença poderá demorar algum tempo. Com esta zona, os corredores podem assim continuar o aquecimento até terem de partir.



Afinal o que é que esta grelha traz de diferente? Basicamente poderá baralhar a colocação de alguns ciclistas. Ou seja, por exemplo, a Sky se quiser fazer o habitual controlo, terá de rapidamente ver os seus corredores ultrapassarem quem está à sua frente. Egan Bernal é 23º, Michal Kwiatkowski 59º, Wout Poels 63º, Jonathan Castroviejo 87º e Luke Rowe 135º. Se alguém atacar de imediato, então a formação de algum bloco será mais complicada. A distância poderá ser curta de mais para ficar à espera de ajuda. Thomas lá vai tentando passar a mensagem que é preciso pensar bem no que fazer nesta etapa, mas se há uma oportunidade para atacar a Sky, será naqueles 65 quilómetros. Tanto Thomas, como Froome acreditam que tal irá acontecer.

Há 30 anos que o Tour não tinha uma etapa tão curta, muito menos em linha. Quanto muito seria uma distância de um contra-relógio. Por isso, é difícil antecipar o que poderá acontecer. Mas com a Volta a França a aproximar-se do fim e apenas com mais uma etapa de montanha na sexta-feira, antes do contra-relógio, esta quarta-feira ninguém poderá ficar na expectativa.

A Vuelta tem tido este tipo de tiradas mais curtas, ainda que não tanto e têm sido espectáculo garantido.

Quanto às subidas, a primeira terá 14,9 quilómetros com uma pendente média de 6,9% e máxima de 8,5%. Seguem-se 7,4 quilómetros a 8,3%, máxima de 10,1%. Para terminar, 16 quilómetros a 8,7%, máxima de 10,3%. Os últimos metros até à meta são a 10,2%.



Todos a pensar na 17ª etapa

Os 65 quilómetros estiveram na mente dos candidatos no primeiro dia nos Pirenéus. A Movistar ainda fez uma estranha movimentação, que Mikel Landa justificou para tentar ver como estavam os seus adversários. Jakob Fuglsang (Astana) e Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) tentaram mexer no grupo, mas não assustam a Sky, que acabou por os apanhar sem grandes acelerações.

O interesse esteve então na fuga. Julian Alaphilippe venceu a sua segunda etapa e está cada vez mais perto de conquistar a camisola da montanha para a Quick-Step Floors. Porém, a equipa poderá perder Philippe Gilbert. O belga estava na frente quando numa descida, não conseguiu fazer uma curva. Ao embater num muro baixo, foi parar ao outro lado. Um enorme susto. Prosseguiu, acabou os 218 quilómetros entre Carcassonne e Bagnères-de-Luchon e ainda foi nomeado o mais combativo. Porém, no final, admitiu que não conseguia dobrar o joelho e ao dirigir-se para o hospital disse que a sua corrida estava terminada. Até ao momento, a Quick-Step Floors ainda não confirmou o seu abandono.

Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) fechou a questão da camisola verde e só precisa de chegar a Paris, enquanto Pierre Latour (AG2R) e Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert) trataram de tirar Bernal da luta pela classificação da juventude. O colombiano teve de ficar na ajuda aos líderes e tem quase 14 minutos de atraso. Entre os franceses estão 2:29 minutos, com Latour determinado a estar no pódio em Paris. A Bahrain-Merida desalojou a Movistar na classificação colectiva, mas apenas 1:08 minutos as separam.

A 16ª etapa ficou ainda marcada por um protesto de agricultores a cerca de 30 quilómetros após a partida. Cortaram a estrada e a polícia teve de intervir. Utilizou um gás para tentar desmobilizar o protesto, o problema foi que ficou no ar e quando os ciclistas se aproximaram, alguns foram afectados nos olhos. A corrida foi neutralizada cerca de 15 minutos para tratar quem precisasse pudesse receber assistência, entre eles Geraint Thomas.

Pode ver aqui as classificações.




»»A sexta camisola verde já está garantida««

»»Um Tour a intrometer-se na amizade entre Thomas e Froome««

17 de julho de 2018

Depois da típica etapa de montanha controlada pela Sky que venha uma ao estilo da Vuelta

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
O primeiro dia de alta montanha na Volta a França trouxe um grande Julian Alaphilippe e um nada por parte dos candidatos. Foi uma típica etapa desde que a Sky chegou ao pelotão. A equipa britânica controlou por completo o ritmo e ninguém se atreveu a atacar. Aquela aceleração de Daniel Martin a cerca de 500 metros do final da última subida foi a única movimentação, mas serviu "apenas" para deixar para trás Rigoberto Uran e Bob Jungels. Nem sequer foi uma surpresa ver os favoritos ficarem quietos, pois seguem-se duas etapas com chegada em alto e talvez aí sim, haja mais acção. Depois de uma etapa típica do Tour, vem aí uma mais ao género da Vuelta.

A organização da Volta a França seguiu o exemplo da corrida espanhola e colocou no percurso duas etapas mais curtas. A de 65 quilómetros será na próxima semana, mas haverá esta quarta-feira uma de 108,5 quilómetros, com chegada em alto em la Rosière. Ciclistas como Nairo Quintana (Movistar) e Romain Bardet (AG2R) não podem estar à espera da última semana para recuperar o tempo perdido, ainda mais tendo em conta que não são os melhores dos contra-relogistas. Para Chris Froome têm pouco mais de um minuto para recuperar, mas é sensato não estar a menosprezar Geraint Thomas. Para o galês são cerca de dois minutos de desvantagem.

Estas etapas nos Alpes serão interessantes para perceber como irá agir a Sky com os seus co-líderes. Serão mesmo? Até agora Thomas tem estado imune a azares e já procurou bonificações, mas as decisões aproximam-se com os Alpes a serem o primeiro desafio de montanha. Quinta-feira é dia de Alpe d'Huez. Talvez aí se possa perceber melhor como estará Froome, que fez e ganhou o Giro, e se Thomas é de facto um ciclista que os adversários terão de ter em conta. Até ao momento está a realizar uma excelente corrida, sendo segundo, a 2:22 de Greg van Avermaet. Acabar a segunda semana de amarelo, nem é uma ideia completamente descabida.

Mas uma etapa de cada vez. A desta quarta-feira terá duas categorias especiais logo a abrir, seguida de uma segunda e uma primeira para acabar. Com apenas quatro chegadas em alto até ao final do Tour, quem tem de recuperar tempo e prefere este tipo de tiradas, então não pode desaproveitar. E sim, volta-se a pensar em Nairo Quintana, já que Bardet, por exemplo, não se dá mal com etapas que terminem com descidas.

Com as subidas mais difíceis logo de início e com uma classificação geral tão afectada pelas quedas das primeiras etapas, o percurso da 11ª etapa está a pedir ataques desde muito cedo.

(O texto continua por baixo da imagem.)



É o momento para a Movistar demonstrar que é de facto capaz de se debater com a Sky, mesmo que já tenha perdido um ciclista, José Joaquín Rojas (caiu na etapa do pavé). A AG2R ficou sem dois ciclistas até ao momento. Axel Domont e Alexis Vuillermoz vão fazer falta a Bardet.

Rigoberto Uran teve um mau dia. Mais um. O colombiano, segundo classificado em 2017, está a sofrer da queda na etapa do pavé, no domingo. Perdeu mais dois minutos e já são mais de cinco de atraso para Geraint Thomas. A EF Education First-Drapac p/b Cannondale não tinha ninguém com o seu líder quando este mais precisou. A condição física de Uran irá determinar quando poderá tentar começar a recuperar tempo, pelo que o objectivo poderá passar por, pelo menos, não perder mais tempo nos próximos dois dias.

Bob Jungels (Quick-Step Floors) acumulou quase um minuto, mas visto que tem sido dos que tem escapado às quedas e furos, o luxemburguês mantém vivo o sonho do top dez. É neste momento quinto.

O dia de Alaphilippe

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Enquanto Jungels fraquejava no grupo de favoritos, na frente Julian Alaphilippe realizava uma exibição que já lhe é bem característica. Entrou na fuga do dia e soube esperar pelo momento para atacar. Foi na penúltima subida, de primeira categoria (faltava outra idêntica é já tinha ultrapassado uma de categoria especial, uma de primeira e uma de quarta). E se ainda pensou que teria Rein Taaramäe (Direct Energie) como companheiro de ocasião, o francês estava simplesmente forte de mais e partiu para uns últimos quilómetros em solitário. Subiu bem, desceu melhor e quando Ion Izagirre (Bahrain-Merida) resolveu perseguir Alaphilippe, já era demasiado tarde.

Era uma vitória que o ciclista perseguia, naquela que é a sua terceira grande volta, segundo Tour (falhou no ano passado devido a lesão). Depois de confirmar que pode mesmo ser um rei nas Ardenas ao vencer a Flèche Wallonne, agora conquistou uma etapa no Tour. É difícil ver o francês a tornar-se num voltista, mas um caça etapas e um homem de clássicas, isso sim, parece encaixar na perfeição a este fantástico corredor de 26 anos. Esta temporada conta ainda com duas etapas na Volta ao País Basco e uma no Critérium du Dauphiné. Começou 2018 com um triunfo no quarto dia da Colombia Oro y Paz.

Para a Quick-Step Floors é a terceira vitória no Tour e depois de Fernando Gaviria vestir a camisola amarela, Alaphilippe terá a das bolinhas, de líder de montanha. No total de uma temporada arrasadora por parte da equipa de Patrick Lefevere, já são 50 triunfos.

A melhor defesa é o ataque

Alaphilippe foi perfeito nos 158,5 quilómetros entre Annecy e Le Grand-Bornand, mas Greg van Avermaet também se destacou. Era mais do que esperado que o belga perdesse a amarela agora que o Tour entrou na montanha. Mas não. Avermaet está a gostar e foi para a fuga. Lutou, lutou, lutou e cortou a meta a 1:44 minutos de Alaphilippe, mas, mais importante, deixou aqueles que querem a sua camisola a mais de dois minutos.

Será o oitavo dia de amarelo, depois de ter ganho a liderança no contra-relógio colectivo. Pode até ser o último, contudo, numa BMC que ficou sem Richie Porte, com Tejay van Garderen também fora de qualquer aspiração na geral (são mais de 15 minutos para o companheiro), a exibição de Avermaet está a salvar o Tour da equipa. 

Talvez tenha recebido uma motivação extra com o anúncio do novo patrocinador - a CCC irá assumir o papel até agora da BMC - e com o seu estatuto de líder para 2019. Foi uma excelente etapa do belga. Atacou para defender e até consolidar o seu primeiro lugar. Aconteça o que acontecer a partir de agora, a corrida de Avermaet está mais do que feita. Mas não é ciclista para simplesmente relaxar!

Nas outras classificações, mudança também na juventude, além da classificação da montanha (Toms Skujins perdeu para Alaphilippe). Pierre Latour (AG2R) irá vestir a camisola branca que pertencia a Soren Kragh Andersen (Sunweb). A Movistar também desalojou a Quick-Step Floors do primeiro lugar por equipas. Já Peter Sagan continua imperturbável com a sua camisola verde dos pontos. Integrou a fuga para ir buscar os pontos no sprint intermédio e são mais 101 do que Fernando Gaviria. Começa a parecer que só algum azar tirará a Sagan a sexta vitória nesta classificação.


Esta terça-feira realizou-se também a La Course by Le Tour de France, a corrida feminina. A holandesa Annemiek van Vleuten, da Mitchelton-Scott foi a vencedora, batendo por um segundo a compatriota Anna van der Breggen, da Boels-Dolmans. A sul-africana Ashleigh Moolman (Cervélo-Bigla) fechou o pódio, ao cortar a meta 1:22 minutos depois de Van Vleuten (veja aqui os resultados).




23 de abril de 2018

Ciclista ciumento não tem lugar na Quick-Step Floors

(Fotografia: © Sigfrid Eggers/Quick-Step Floors)
Com mais de 30 anos de carreira como director desportivo, Patrick Lefevere admite que ao ver como os seus ciclistas trabalham em equipa, ajudando-se mutuamente para alcançarem vitórias, é algo que ainda o deixa emocionado. Para o responsável da Quick-Step Floors esta foi a melhor primavera de sempre, com dois monumentos conquistados, a Flèche Wallonne, E3 Harelbeke... praticamente todas as clássicas belgas, além de vitórias de etapas na Volta a Catalunha e ao País Basco. E contabilizando todos os triunfos desde o início do ano, são 27, distribuídos por 12 ciclistas, com a Sky a ser a equipa que mais se aproxima deste fabuloso registo, com 15 triunfos.

"Não é possível fazer melhor. É a minha melhor primavera de sempre e foi com uma equipa muito jovem", salientou Lefevere ao jornal belga Het Nieuwsblad. Bob Jungels e Julian Alaphilippe têm 25 anos, Fabio Jakobsen e Álvaro Hodeg (duas das revelações deste início de temporada), têm 21, Enric Mas, 23, Max Schachmann, 24, só para nomear alguns. Niki Terpstra (33), Maximiliano Richeze (35) e Philippe Gilbert (35) são os veteranos, mas só o último ainda não venceu este ano, apesar de ser ele quem detém o melhor currículo. Porém, Gilbert foi visto mais do que uma vez a trabalhar para colegas bem mais novos, ou então a tentar mexer na corrida. "Vemos como o Philippe Gilbert não tem problemas em abrir a corrida [como aconteceu na Liège] para os outros. Isso é o conceito de equipa: ninguém tem ciúmes", realçou Lefevere, que foi mais longe: "Se vejo um ciclista ciumento, tiro-o da minha equipa."

Esta é uma equipa habituada a somar mais de 50 ou 60 vitórias por ano, ainda assim, 27 e o mês de Abril ainda nem terminou, é algo que deixou Lefevere orgulhoso. No ano passado, por exemplo, "só" atingiram este número já em Maio, durante a Volta à Califórnia. Mas para o director há algo importante a destacar nesta juventude de enorme talento que corrida após corrida aparece a ganhar com a camisola da Quick-Step Floors. "Quando o Johan Museew parou, as pessoas pensavam que tínhamos um problema. O mesmo aconteceu com a despedida de Tom Boonen. Parecia que estávamos amputados, mas havia rapazes prontos para assumir a responsabilidade", referiu.

E assim foi, pois além dos jovens que apareceram, ciclistas ainda novos, mas já com experiência apareceram a grande nível, como foi o caso de Pieter Serry (29) e Yves Lampaert  (27), este último também já ganhou. E depois houve Zdenek Stybar (32), a quem continua a escapar um monumento, mas que nas clássicas do pavé foi um incansável em garantir que a Quick-Step Floors somava vitórias. Grande exemplo foi para os mais jovens, chegando a preparar os sprints para quem ainda agora chegou ao World Tour. "Estamos muito contentes. Não é possível fazer melhor. Eu devia dar uma conferência de imprensa amanhã a dizer que vamos abandonar em grande estilo", brincou Lefevere.

Desistir é uma palavra que não existe no vocabulário desta equipa belga, numa altura que virará as atenções para as grandes voltas. As clássicas são o ADN desta estrutura, mas não se se pense que irá desaparecer com a chegada do Giro, Tour e mais tarde a Vuelta. No ano passado foi uma autêntica papa-etapas com Fernando Gaviria, Marcel Kittel e Matteo Trentin a não darem hipótese nos sprints.

Kittel não quis competir por um lugar no Tour com Gaviria e foi para a Katusha-Alpecin, enquanto Trentin foi à procura de um papel de maior destaque durante toda a temporada na Mitchelton-Scott. Nem um, nem outro está a ter um ano muito memorável. Já a Quick-Step Floors contratou Elia Viviani (29 anos) e já lá vão seis vitórias. Vai ao Giro para matar a fome de grandes voltas, depois da Sky o ter deixado de fora de todas em 2017. Gaviria tem estado a recuperar de uma queda no Tirreno-Adriatico, depois de a estreia como aposta nas clássicas não ter corrido muito bem. No entanto, já tem quatro vitórias e vai regressar esta terça-feira na Volta a Romandia, na preparação rumo ao Tour. E há que salientar que, apesar de já ser um dos melhores sprinters do mundo, só tem 23 anos.

Quanto a Viviani há que referir que é mais um exemplo de outra capacidade extraordinária da Quick-Step Floors. Ciclistas que vivem maus ou menos bons momentos na carreira, vão para a estrutura de Lefevere e simplesmente desatam a ganhar. Aconteceu com Viviani, que atravessa a sua melhor temporada, foi o caso de Marcel Kittel quando deixou a então Giant-Alpecin (actual Sunweb) e com Gilbert que no ano passado voltou às grandes vitórias, depois de uma travessia no deserto durante grande parte da sua estadia na BMC.

Se para as classificações gerais não se espera uma candidatura ao nível de um Chris Froome, Romain Bardet, Tom Dumoulin, Nairo Quintana ou outros grandes voltistas, Enric Mas estará no Giro para mostrar que Espanha tem mais um homem que quer e pode assumir-se como referência, agora que Alberto Contador saiu de cena. Em França, será a vez de Bob Jungels elevar o seu nível e ir à procura de pelo menos um top dez.

Pelo meio haverá corridas de uma semana ou de um dia e seria estranho se no final do ano não estivéssemos a olhar para um registo a rondar as 60 vitórias, ainda que se o ritmo de triunfos se mantiver, poderemos estar perante algo histórico.

Aqui ficam as 27 vitórias até ao momento da Quick-Step Floors (a categoria está entre parêntesis, com as identificadas como UWT a pertenceram ao calendário World Tour):

➤ Terceira etapa do Tour Down Under (2.UWT), 18 de Janeiro: Elia Viviani
➤ Primeira etapa da Volta a San Juan (2.1), 21 de Janeiro: Fernando Gaviria
➤ Quarta etapa da Volta a San Juan (2.1), 24 de Janeiro: Maximiliano Richeze
➤ Primeira etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 6 de Fevereiro: Fernando Gaviria
➤ Segunda etapa da Volta ao Dubai, 7 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Segunda etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 7 de Fevereiro: Fernando Gaviria
➤ Terceira etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 8 de Fevereiro: Fernanco Gaviria
➤ Quarta etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 9 de Fevereiro: Julian Alaphilippe
➤ Quinta etapa da Volta ao Dubai (2.HC), 10 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Classificação geral da Volta ao Dubai (2.HC), 10 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Segunda etapa da Volta a Abu Dhabi (2.UWT), 22 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Le Samyn (1.1), 27 de Fevereiro: Niki Terpstra
➤ Dwars door West-Vlaanderen (1.1), 4 de Março: Rémi Cavagna
Danilith Nokere Koerse (1.HC), 14 de Março: Fabio Jakobsen
Handzame Classic (1.HC), 16 de Março: Álvaro Hodeg
Primeira etapa da Volta à Catalunha (2.UWT), 19 de Março: Álvaro Hodeg
Driedaagse Brugge - De Panne (1.HC), 21 de Março: Elia Viviani
E3 Harelbeke (1.UWT), 23 de Março: Niki Terpstra
Sexta etapa da Volta à Catalunha (2.UWT), 24 de Março: Max Schachmann
Dwars door Vlaanderen (1.UWT), 28 de Março 1 de Abril: Yves Lampaert
Volta a Flandres (1.UWT), 1 de Abril: Niki Terpstra
Primeira etapa da Volta ao País Basco (2.UWT), 2 de Abril: Julian Alaphilippe
Segunda etapa da Volta ao País Basco (2.UWT), 3 de Abril: Julian Alaphilippe
Scheldeprijs (1.HC), 4 de Abril: Fabio Jakobsen
Sexta etapa da Volta ao País Basco (2.UWT), 7 de Abril: Enric Mas
Flèche Wallonne (1.UWT), 18 de Abril: Julian Alaphilippe
Liège-Bastogne-Liège (1.UWT), 22 de Abril: Bob Jungels



22 de abril de 2018

Todos a olhar para Valverde e Alaphilippe e a Quick-Step ganhou com Bob Jungels

(Fotografia: Twitter Quick-Step Floors)
Se há algo que ficou bem claro nesta Liège-Bastogne-Liège é que esta Quick-Step Floors anda perto da perfeição como equipa e que o monumento mais antigo da história do ciclismo está desesperadamente a precisar de uma revitalização no seu percurso. Em 258 quilómetros apenas os últimos 30 serem de facto interessantes, é muito redutor  numa corrida desta magnitude. Valeu Bob Jungels que animou (e de que maneira) a fase decisiva, com a concorrência a marcar-se de tal maneira que as reacções acabaram por ser pouco assustadoras e bem controladas por um Julian Alaphilippe, que de principal candidato - a par de Alejandro Valverde - passou a um homem de trabalho, brilhante em "atrapalhar" a perseguição ao colega de equipa. A forma como o francês festejou ao cortar a meta e aquele abraço de Enric Mas a Jungels diz tudo: esta Quick-Step Floors é uma equipa por excelência. Quem não ganha festeja e emociona-se como se tivesse sido o vencedor.

Tantos perguntam se o ciclismo é um desporto colectivo. A Quick-Step Floors é um exemplo perfeito que sim. Ganha a individualidade, é certo, mas é o trabalho de todos que permite que nesta fase do ano já sejam 27 as vitórias, distribuídas por 12 ciclistas. E dois monumentos, nos quatro realizados (fica a faltar a Lombardia, a 13 de Outubro). Alaphilippe era o líder, ainda mais depois de ter ganho a Flèche Wallonne. Philippe Gilbert a outra carta a jogar (já venceu a Liège em 2011) e Bob Jungels acabava quase por ser um outsider. Mas nesta Quick-Step Floors, todos têm a sua oportunidade e um líder nunca é indiscutível. A corrida acaba por ditar quem vai lutar pelo triunfo.

Até foi Gilbert quem finalmente mexeu numa corrida até então a roçar um absoluto aborrecimento. Antes a subida que sempre marcou este monumento, La Redoute, passou-se sem história. Foi em Roche-aux-Faucons que as movimentações se tornaram decisivas. Bob Jungels colocou-se na frente e na descida ganhou vantagem sobre quem sobreviveu a estes ataques que partiram por completo um grupo que era então estranhamente grande.

Curiosamente, foi precisamente neste local que Andy Schleck atacou quando em 2009 venceu a Liège-Bastogne-Liège. Outro luxemburguês inscreve agora o seu nome na mítica corrida, que acabou por ter um final menos habitual comparativamente com os últimos anos, já que Jungels chegou isolado. Chegou a ter um minuto de vantagem, muito por culpa de atrás ninguém se entender e até deixarem Alaphilippe liderar o grupo e claro que o francês tirava sempre o pé do acelerador. Só por uma vez tentou ele próprio atacar, quando Jelle Vanendert (Lotto Soudal) chegou a reduzir a diferença para 20 segundos. Porém, o belga, que foi terceiro na Flèche Wallonne, quebrou e Alaphilippe abortou o seu ataque.

Jungels ficou mesmo com o monumento, com Michael Woods (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) - atenção ao canadiano para o Giro - e Romain Bardet (AG2R) a fechar o pódio. Boa época de clássicas para o francês, tanto no seu país, como em corridas mais importantes. Tinha terminado em segundo na Strade Bianche e no Tour du Finistère, sendo nono na Flèche Wallonne. No início da temporada venceu a clássica de l'Ardèche Rhône Crussol.

Pequeno pormenor: os quatro monumentos já realizados foram todos decididos por ataques a alguns quilómetros da meta. Foi assim na Milano-Sanremo, por Vincenzo Nibali, repetiu-se a história na Volta a Flandres com Niki Terpstra e Peter Sagan escapou ao grupo de favoritos no Paris-Roubaix, ainda que no final tenha sido obrigado a fazer um sprint com Silvan Dillier.

Regressando à Liège, Valverde procurava igualar Eddy Merckx com cinco vitórias, mas desta feita nem no top dez ficou (13º, a 51 segundos). Ainda tentou um ou outro ataque, mas no grupo simplesmente ninguém se entendia o suficiente para perseguir seriamente Jungels. Daniel Martin foi dos mais insatisfeitos. Depois de uma Flèche Wallonne em que ficou para trás, sendo uma enorme desilusão a forma que apresentou, o irlandês mostrou que teve um mau dia na quarta-feira e esteve muito activo na Liège. Um furo a oito quilómetros acabou com a sua corrida. Levou as mãos à cabeça e tinha razão para tal. Cortou a meta a 2:41 minutos (18º). 15 segundos depois chegou Rui Costa (22º). O português não conseguiu manter-se no grupo dos favoritos quando começaram as movimentações a 30 quilómetros do final. A UAE Team Emirates mostrou intenções ao liderar o pelotão durante muito tempo, mas no final saiu frustrada.

Domenico Pozzovivo veio de um segundo lugar na Volta aos Alpes para um quinto na Liège. Este italiano na Bahrain-Merida está a prometer para o Giro, tal como Davide Formolo (Bora-Hansgrohe), que foi sétimo. Tom Dumoulin (Sunweb) ainda tentou, mas claramente não se apresentava com o objectivo de vencer (15º). É difícil perceber como estará para o arranque da corrida que ganhou há um ano. E na perspectiva de quem foi à clássica a pensar um pouco na preparação para o Giro, Chris Froome terá gostado do que viu sobre Sergio Henao, mas já deve estar preocupado com o Wout Poels que teve uma semana das Ardenas para esquecer.

Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) era o outro português em prova, tendo abandonado. O mesmo sucedeu com Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport), na corrida feminina, ganha novamente por Anna van der Breggen. A semana das Ardenas pertence ao Women's World Tour desde o ano passado, quando o calendário começou, e a holandesa só falhou a vitória na última Amstel Gold Race, que, no entanto, foi ganha pela colega da Boels-Dolmans, Chantal Blaak.


Para Bob Jungels é a vitória mais importante da carreira. Porém, já venceu uma etapa no Giro no ano passado, em Bergamo, além de ter conquistado a classificação da juventude em 2016 e 2017. É quatro vezes campeão nacional de estrada e três de contra-relógio. A Quick-Step Floors vai apostar no ciclista de 25 anos no Tour, com o objectivo mínimo de o meter no top dez.

Mudança de percurso

Se tirar o muro de Huy da decisão da Flèche Wallonne poderia originar uma revolução, já tirar o final da Liège-Bastogne-Liège de Ans será uma mudança bem-vinda para a maioria. Desde 1992 que este monumento está preso a um percurso muito idêntico. As pequenas mudanças, como por exemplo este ano a subida de La Redoute surgiu um pouco mais afastada da meta, não têm oferecido um maior entusiasmo à corrida.

No próximo ano é possível que o final da La Doyenne regresse a algo mais tradicional antes de se fixar em Ans. A diferença é que será uma aproximação à meta em plano. A Liège-Bastogne-Liège irá assim chamar outro tipo de ciclistas, além dos trepadores. Nomes como Peter Sagan ou Greg van Avermaet podem muito bem colocar esta prova no seu calendário. As subidas ganharão outra importância. Favorecerá ataques daqueles que não quererão um sprint. Pelo menos na teoria, a Liège-Bastogne-Liège poderá tornar-se mais "movimentada".

Mas é só para 2019. Esta época terminaram as emoções fortes desta fase das clássicas. Agora é tempo de entrar definitivamente em contagem decrescente para o Giro, a primeira grande volta do ano, que começa dia 4 de Maio, em Jerusalém, Israel.





21 de abril de 2018

Valverde à procura de igualar uma lenda e já com a certeza que monumento quer atacar em 2019

(Fotografia: Twitter Movistar Team)
Perder a Flèche Wallonne para Julian Alaphilippe não desanimou nada um Alejandro Valverde determinado em fazer história quando se aproxima o 38º aniversário (a 25 de Abril). É altura de olhar para o próximo grande objectivo: ganhar pela quinta vez o monumento mais antigo, a Liège-Bastogne-Liège e assim chegar-se ao mítico Eddy Merckx. "É muito importante para mim. Estamos a falar de igualar uma lenda. Tenho muito respeito por ele. Igualá-lo daria a uma vitória no domingo uma especial dimensão", afirmou Valverde.

O belga venceu em 1969, 1971, 1972, 1973 e 1975. A última foi aos 29 anos. Vivem-se tempos bem diferentes e Valverde começou mais tarde a ganhar, mas não tem intenções de parar tão cedo: 2006, 2008, 2015 e 2017. O seu maior adversário chama-se Julian Alaphilippe, o francês que lhe tirou a possibilidade de conquistar uma sexta Flèche Wallonne, batendo o espanhol num muro de Huy onde ninguém há quatro anos descobria a forma de bater Valverde. "Eu sei há muito tempo que não sou imbatível", realçou ao jornal belga La Meuse.

O ciclista da Movistar admitiu que cometeu um erro que não poderia fazer com Alaphilippe: "Não me apercebi na altura, mas demorei demasiado tempo em reagir à aceleração do Julian. Com outro ciclista não teria sido um erro fatal, mas com o Julian foi. Tinha de recuperar muito espaço e quando vi que não conseguiria apanhá-lo, que rebentaria se chegasse a um metro dele, desacelerei."

Alaphilippe (Quick-Step Floors) já era um dos ciclistas candidatos a ser uma das figuras na semana das Ardenas e a conquista da Flèche Wallonne apenas lhe consolidou um estatuto merecido. O francês quebrou o enguiço de dois segundos lugares, atrás de Valverde, e o próprio confessou que tinha sido importante ganhar frente ao espanhol. Em 2015 foi precisamente o que aconteceu também na Liège-Bastogne-Liège, o francês não conseguiu bater o Bala.

Em dez participações, Valverde tem sete pódios, quatro no ponto mais alto. Alaphilippe conta apenas com duas participações, mas também tem apenas 25 anos. São de facto tempos diferentes ao de Merckx, em que os ciclistas apareciam mais cedo, mas também era quase inimaginável ver alguém com quase 38 anos a ganhar ao ritmo de Valverde. O espanhol pode muito bem estar perante uma espécie de entrega de testemunho nas Ardenas ao francês, mas não o quer fazer sem antes fazer um pouco mais de história.

E não será apenas Alaphilippe com quem se terá de preocupar. Vincenzo Nibali tem a Liège-Bastogne-Liège como objectivo para 2018. Já venceu um monumento de forma algo inesperada, a Milano-Sanremo, mas nesta fase na carreira, o italiano ganhou um novo fôlego para estas corridas, não se centrando tanto apenas numa ou duas corridas de três semanas. E que bem tem estado o líder da Bahrain-Merida. Seja em terreno que o beneficie ou não, tenta atacar, mexe nas corridas, dá espectáculo. Resultou na Milano-Sanremo e Nibali está desejoso por juntar mais um monumento ao currículo, pois conta ainda com duas Lombardias. Este ano experimentou a Volta a Flandres e, lá está, mesmo não sendo um terreno a que esteja muito habituado, tentou a sua sorte.

Para o ano haverá outro estreante. Valverde gostou da experiência do pavé na Através da Flandres (foi 11º) e já decidiu que quer estar na Volta a Flandres pela primeira vez na carreira. "Será um dos principais objectivos. Adoro correr no pavé e fiquei com a sensação que me dou bem, mesmo estando longe de ser um especialista", disse o espanhol.

Mas primeiro há a Liège-Bastogne-Liège que terá uma concorrência interessante por parte da dupla da Lotto Soudal Tim Wellens/Tiesj Benoot. Na Flèche Wallonne, Jelle Vanendert acabou por surpreender e ser ele a entrar no pódio, mas a equipa belga aposta muito forte nesta corrida. Ganhar a Strade Bianche com Benoot foi fantástico, mas falta um triunfo numa das principais clássicas belgas, pois a Brabantse Pijl (por Wellens) sabe a pouco. Houve um desentendimento após a Flèche Wallonne, com Wellens a criticar o colega por não o ter ajudado, mas já veio pedir desculpa a Vanendert.

Na Astana teremos um Michael Valgren num momento extraordinário da carreira. O dinamarquês vem de uma sensacional vitória na Amstel Gold Race e abriu a época das clássicas do pavé com a conquista da Omloop Het Nieuwsblad. Estamos a falar de um ciclista que como sub-23 venceu duas vezes a Liège-Bastogne-Liège dessa categoria - e que este ano foi conquistada pelo português João Almeida -, pelo que se sente muito à vontade neste terreno. Não lhe dêem um centímetro, pois tem sido fatal.

A Sky parte com um trio que se pode esperar tudo e pode não dar em nada. Não está a ser uma época de clássicas auspiciosa para a equipa britânica. Michal Kwiatkowski, Geraint Thomas e Wout Poels são nomes a ter em conta, mas sem o favoritismo de outras edições. Romain Bardet (AG2R), Warren Barguil (Fortuneo-Samsic) e Rigoberto Uran (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) estarão presentes, tal como Tom Dumoulin. Será uma boa oportunidade para perceber como está o holandês da Sunweb, que estará mais concentrado em aparecer bem no Giro, mas um monumento... é um monumento. Porém, poderá ser Michael Matthews a principal aposta da equipa, caso confirme o regresso à boa forma.

Depois de ver Daniel Martin na Flèche Wallonne quase custa colocá-lo como sequer um outsider. Mas todos têm maus dias e o irlandês tem uma grande oportunidade para se redimir e a UAE Team Emirates bem agradecia. Foi segundo no ano passado, mas já conta com uma vitória em 2013, enquanto Rui Costa foi terceiro em 2016. E o português poderá ser mesmo a principal aposta da equipa, em parceria com Diego Ulissi, se Martin voltar a falhar. Rui Costa esteve a bom nível na Flèche Wallonne, sempre bem colocado, mas aquele muro de Huy não é definitivamente para ele. Já a Liège-Bastogne-Liège assenta-lhe bem e o português gosta muito desta corrida.

Ruben Guerreiro será o outro português em prova. O ciclista da Trek-Segafredo também gosta desta corrida e na de sub-23 fez um terceiro lugar em 2016. Terá como líder Bauke Mollema, pelo que veremos se terá alguma liberdade. Nas senhoras, Daniela Reis voltará a estar presente ao serviço da Doltcini-Van Eyck Sport.

Pode ver aqui a lista de inscritos para a 104ª Liège Bastogne-Liège.

Quanto ao percurso, o monumento mantém-se fiel ao habitual, mas muito se tem falado que nas próximas edições poderão haver novidades. Mas neste domingo, nos 258 quilómetros entre Liège e Ans, as maiores dificuldades concentram-se principalmente nos últimos 100 quilómetros. Côte de Pont (aos 168 quilómetros, mil metros a 10,5%) e Ferme Libert (180, 1200 metros a 12,1%) podem servir para abrir algumas hostilidades, ou poder-se-á esperar pelas próximas dificuldades. Rosier (198, 4400 a 6%) e Maquisard (211, 2500 a 5%). Uma das novidades é a La Redoute surgir um pouco mais cedo na corrida, isto é, a 36 quilómetros de meta (2000 metros a 8,9%). Sobram depois Roche-aux-Faucons (a 19 quilómetros do fim, 1300 metros a 11%) e Saint-Nicolas (a seis da meta, 1200 a 8,6%).


A Liège-Bastogne-Liège é o monumento mais antigo da história do ciclismo. A primeira edição foi em 1892, ganha pelo belga Léon Houa, que também venceu nos dois anos seguintes. Apesar de ter mais edições, 116, o Paris-Roubaix teve a sua estreia em 1896. Valverde, Martin, Poels (2016), Simon Gerrans (2014) e Philippe Gilbert (2012) serão os ciclistas que já ganharam esta corrida que estarão em prova neste domingo.