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8 de fevereiro de 2020

Rui Costa arranca época com uma vitória, um pódio e uma polémica

© ASO/Pauline Ballet
É difícil pedir melhor começo. Primeiro dia de competição em 2020 e logo uma vitória. Quando tal significou o fim de um jejum de 1073 dias sem triunfos, é um feito ainda mais importante e motivador. Porém, Rui Costa tão rapidamente estava a viver um momento feliz, como se viu envolvido numa polémica. No final da Volta à Arábia Saudita ficou tudo esclarecido, mas foi uma semana de diferentes emoções para o português, que agora se prepara para o regresso à Volta ao Algarve - a última vez foi em 2014 -, corrida na qual será novamente o líder da UAE Team Emirates.

Já se sabe que Rui Costa vive uma fase na carreira em que não é um líder indiscutível da equipa. Tadej Pogacar continua a demonstrar bem as razões da nova geração estar a tomar conta deste estatuto em várias formações. O esloveno está a ser fenomenal na Volta à Comunidade Valenciana, que se prepara para conquistar em condições normais. Mas lá longe, na Arábia Saudita, na primeira edição de mais uma corrida no Médio Oriente, Rui Costa esteve também ele muito bem.

Como por norma acontece nesta zona do globo, as provas são mais dadas aos sprinters. Algumas, como a Volta aos Emirados Árabes Unidos, a organização coloca uma etapa com uma subida mais difícil para favorecer os trepadores, mas o normal é ver muitos sprinters a competir nestas corridas. Na Arábia Saudita as etapas podem não ter sido completamente planas, contudo, o pódio é o exemplo perfeito de como será mais uma prova que apelará aos homens rápidos do pelotão. Dois sprinters ficaram nos dois primeiros lugares: Phil Bauhaus (primeira vitória numa geral na era Bahrain McLaren) e Nacer Bouhanni (estreia animadora do francês pela Arkéa Samsic, tendo ganho uma tirada).

Rui Costa fechou o pódio, depois de se ter tornado o primeiro ciclista a vencer uma etapa na Volta à Arábia Saudita. É preciso recuar a 2017 para recordar quando celebrou um triunfo: venceu uma etapa e a geral nos Emirados Árabes Unidos, na então apelidada Volta a Abu Dhabi. Mais do que estar a tentar recuperar algum estatuto na equipa, começar bem a temporada é importante quando aponta alto aos Jogos Olímpicos. Não indo ao Tour, é nesta fase inicial da época que o campeão do mundo de 2013 procurará o seu primeiro pico de forma, talvez a pensar muito nas clássicas das Ardenas, especialmente no monumento Liège-Bastogne-Liège. Boas exibições e vitórias neste arranque de 2020 podem ser decisivas na altura de lhe ser concedida liberdade para lutar pela vitória, mesmo que não seja o líder.

Nesse aspecto, os objectivos foram alcançados na Arábia Saudita. Porém, teria sido dispensável estar envolvido numa polémica que, felizmente para o ciclista, acabou por ser apaziguada por um dos intervenientes. 

Na segunda etapa, Reinardt Janse van Rensburg (NTT) sofreu um toque de Rui Costa e caiu. Estando praticamente na frente do pelotão, o resultado foram vários ciclistas a sofrerem uma queda. As imagens televisivas mostraram o sul-africano a aproximar-se do português, com Rui Costa a tirar a mão direita do guiador. Seguiu-se a queda.

Rapidamente foi acusado de ter sido o responsável pelo sucedido e de ter tido um acto de pouco ou nenhum fair play. As imagens propagaram-se nas redes sociais e as acusações também. Rui Costa afirmou que o gesto tinha sido em sua defesa e que Van Rensburg tinha ido ao autocarro da UAE Team Emirates esclarecer a situação. Dois dias depois o sul-africano explicou publicamente ao pormenor o que aconteceu, colocando um ponto final na polémica.

A explicação de Van Rensburg

"Há muita especulação que o Rui Costa me fez cair, empurrado-me e fazendo-me perder o equilíbrio. Para ser sincero, a queda foi iniciada por mim ao tocar na roda do companheiro da minha equipa que estava à minha frente, o que me levou a perder o equilíbrio. Depois bati na bicicleta do Marco Marcato [da UAE Team Emirates]. Nesta altura, o Rui, que já tinha a mão na minha cara, deu-me um empurrão como uma reacção para se defender. Aconteceu que o empurrão sucedeu no momento em que a minha roda da frente estava presa entre a bicicleta do Marco e o pé dele, que tinha vindo para trás enquanto pedalava."

Assumindo a sua parte da responsabilidade, o sul-africano ainda assim salientou que as mãos são para ficar no guiador, mas assegurou que deseja que se siga em frente após o incidente. Revelou também que ficou satisfeito por os comissários não terem penalizado Rui Costa, referindo como temeu que este fosse expulso da corrida ou sofresse uma sanção, algo que não aconteceu.

Ivo Oliveira e José Neves também em prova

Rui Costa acabou por ser o português que se destacou nesta primeira edição da Volta à Arábia Saudita, lutando até final pela vitória na geral, que "fugiu" por 13 segundos. A seu lado esteve Ivo Oliveira e foram boas as indicações do ciclista de Gaia. Depois de alguns dias de competição no final de 2019 para recuperar sensações após a longa paragem de meia ano devido a uma grave queda  - correu o risco de ficar paraplégico -, Ivo quer em 2020 afirmar-se de vez.

Além do trabalho de protecção a Rui Costa, Ivo aproveitou a oportunidade na quarta etapa para se mostrar e foi quinto no sprint ganho por Nacer Bouhanni. Tal como Rui Costa vai viajar até ao Algarve para continuar a temporada (de 19 a 23 de Fevereiro).

Quanto a José Neves, iniciou a sua segunda temporada na Burgos-BH, mas é um trepador nato e este não era um percurso que se adaptasse às suas características. Não foi nenhuma surpresa que tenha estado mais discreto em termos de geral, terminando a 12:25 minutos de Bauhaus (68º). 

Rui Costa é um ciclista com mais "explosão", por assim dizer, em subidas curtas. Neves gosta muito mais da alta montanha e é aí que se vê o melhor deste jovem português de 24 anos. A Arábia Saudita foi uma forma de apurar a forma de um ciclista que tem a ambição de em 2020 estrear-se numa grande volta, nomeadamente na Vuelta.

Classificação da Volta à Arábia Saudita, via FirstCycling.




26 de novembro de 2018

A intocável W52-FC Porto

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Ano após ano, sai uma figura, entra outra ou aparece uma nova dentro da equipa. As soluções na W52-FC Porto não se esgotam, permitindo gerir uma temporada como mais nenhuma estrutura em Portugal tem esse luxo. Por momento, por breves momentos, parecia haver uma porta entreaberta para bater a equipa na Volta a Portugal, mas, quando o momento da verdade chegou, Nuno Ribeiro fez a sua jogada e, mais uma vez, o poderio da W52-FC Porto demonstrou ser inquestionável. Se Raúl Alarcón manteve a senda de sucesso de 2017, José Neves foi uma jovem contratação de sucesso. César Fonte encontrou os caminhos das vitórias (mas com um final de época negativo) e depois há João Rodrigues. Pode-se dizer que foi a revelação, ainda que possa ser mais justo considerar que foi a confirmação.

Estrutura sólida, financeiramente não só é estável, mas acima de qualquer outra equipa no pelotão nacional. Isso permite  que o director desportivo, Nuno Ribeiro, possa movimentar-se muito melhor no mercado de transferências e assim ter sempre um conjunto forte. A saída de Amaro Antunes não foi facilmente colmatada. Talvez nem tenha sido e foi essa a grande diferença na Volta a Portugal, por exemplo. Mas o que chegou a parecer ser uma equipa que poderia estar menos forte do que em 2017, teve apenas uma estratégia diferente, adaptada aos ciclistas que a representaram em 2018.

No final, os números dizem praticamente tudo: sexta Volta consecutiva, 15 vitórias ao todo na temporada, ao que se acrescenta outras 21 conquistas, entre classificações por equipas, prémios da montanha, metas volantes... Grande Prémio Jornal de Notícias, Troféu Joaquim Agostinho e o Grande Prémio de Portugal Nacional 2 foram as outras corridas que ficaram no currículo da W52-FC Porto que vai finalmente atrás de mais. Depois de tanto domínio por cá, a equipa conseguiu reunir as condições e os apoios necessários financeiros para concretizar um sonho que durava há dois/três anos: pedir a licença do segundo escalão, Profissional Continental.

Raúl Alarcón até teve uma primeira fase de temporada mais apagada, comparativamente com 2017, mas foi devido a uma queda que o afastou da competição algumas semanas. Porém, preparou-se para a fase da época que mais lhe interessava. Aqueceu motores com uma etapa no Grande Prémio Abimota e foi depois vencer outra e a geral da primeira edição do Grande Prémio de Portugal Nacional 2. Mas era a Volta que mais interessava.

Desta feita não haviam dúvidas que era o líder, mesmo com Gustavo Veloso ainda na equipa. O respeito pelo capitão esteve sempre lá, mas a vitória na terceira e quarta tirada de Alarcón esclareceu tudo quando a lideranças. Sem Amaro, não houve um ciclista que praticamente nunca deixasse Alarcón, como aconteceu em 2017. Talvez se possa mesmo dizer que a W52-FC Porto funcionou ao estilo Sky. Todos tinham o seu papel e quando chegava o momento de o líder agir, Alarcón nunca entrava em acção e nunca falhou. Esta situação de Alarcón ficar mais cedo sozinho deu esperança aos adversários, principalmente a Joni Brandão e ao Sporting-Tavira. Mas os ataques, alguns mal medidos, não resultaram, pois a W52-FC Porto era mais forte. E Raúl Alarcón arrumou com a concorrência quando teve essa responsabilidade.

Ranking: 2º (2333 pontos)
Vitórias: 15 (incluindo a Volta a Portugal, GP Jornal de Notícias e Troféu Joaquim Agostinho)
Ciclista com mais triunfos: Raúl Alarcón (7)

O espanhol não foi surpresa, pelo que é João Rodrigues que deixou uma marca nova nesta Volta. Depois de dois anos a evoluir dentro da estrutura. O jovem algarvio muito trabalhou desde a Volta ao Algarve para que 2018 pudesse ser o seu ano de afirmação na equipa. Assim foi. Aos 24 anos, feitos este mês, João Rodrigues demonstrou grandes melhorias na montanha, dedicando-se também ao contra-relógio, o que até o levou a participar nos Nacionais nesta especialidade. Rodrigues quer tornar-se no ciclista mais completo possível e, para já, é um gregário que, se repetir as exibições não só da Volta, mas de outras corridas, irá rapidamente ser um de luxo.

Não foi António Carvalho, não foi César Fonte, nem Ricardo Mestre que mais se viram ao lado de Alarcón. Foi o jovem Rodrigues. Foi sétimo na geral e segundo no contra-relógio final de Fafe. Excelente!

Carvalho venceu o Grande Prémio Jornal de Notícias, que era um dos seus objectivos da temporada, mas foi uma sombra do ciclista que em 2017 esteve ao nível de Alarcón e Amaro Antunes. César Fonte agarrou a oportunidade para ir para esta equipa e assim ter mais oportunidades de ganhar. Somou três triunfos, mas na Volta esteve apenas focado no trabalho colectivo. Contudo, em Outubro soube-se que o ciclista tinha acusado betametasona, numa amostra recolhida após a vitória na sétima etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias.

Mestre continua a ser um ciclista que cumpre à risca o que lhe é pedido, tendo sido essencial em mais uma conquista da Volta a Portugal - ele que já a venceu em 2011 - e teve o seu triunfo na terceira etapa da Volta às Astúrias. Samuel Caldeira viu uma lesão condicioná-lo durante grande parte da época, enquanto Gustavo Veloso ganhou uma tirada na Volta ao Alentejo, mas, aos 38 anos (faz 39 em Janeiro), é um ciclista em clara perda de rendimento. Porém, é um capitão que todos respeitam.

Não nos podemos esquecer de Rui Vinhas, certamente que não era assim que queria ser novamente falado, mas um choque com um carro de outra equipa, na quinta etapa da Volta, deixou-o com feridas em grande parte do corpo, das pernas, aos braços, ao rosto... A imagem de um Vinhas ensanguentando marcou a corrida. A imagem de um Vinhas, com ligaduras espalhadas pelo corpo, a puxar, a trabalhar e, finalmente, a cortar em meta final em Fafe deve ser ainda mais marcante pelo que representa. Venceu a Volta há dois anos e conquistou uma nova vitória por ser um exemplo de profissionalismo, de esforço, de dedicação e de uma entrega total à equipa.

E temos ainda José Neves. O jovem que até teve pena em deixar a Liberty Seguros-Carglass, mas que estava mais do que preparado para uma equipa de nível mais elevado. Por vezes discreto, por vezes a colocar todo o seu potencial na estrada, Neves venceu o Troféu Joaquim Agostinho, uma corrida internacional e uma que em Portugal mais se ambiciona conquistar. Categoria pura aos 23 anos, que lhe valeu um estágio, a partir de Agosto, na americana EF Education First-Drapac p/b Cannondale.

Outra realidade, outro ritmo, nem sempre foi fácil, mas foi uma experiência importante para Neves que, mesmo não tendo ficado, deixa sempre as portas entreabertas já estar estado numa equipa do World Tour. Neves tem qualidade e não surpreende que uma grande formação o quisesse ver de perto. Agora vai para a Burgos-BH, equipa espanhola Profissional Continental, onde terá a companhia de Nuno Bico (Movistar).

Para 2019, a equipa deverá então ter uma licença Profissional Continental e vai preparando uma temporada que continuará a ter como aposta as corridas nacionais, com foco na Volta, claro, mas também irá competir mais no estrangeiro, já que terá acesso a outras provas, agora que irá para o segundo escalão do ciclismo.

Está confirmada uma mudança: a Swift irá fornecer as bicicletas, deixando a equipa de utilizar as KTM. Quanto a ciclistas, Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) e Daniel Mestre (Efapel) serão as novas caras, com a W52-FC Porto a tirar à concorrência dois dos ciclistas com maior capacidade para conquistar bons resultados. Além disso, experiência não lhes falta e ambos têm a oportunidade para competir a outro nível. Francisco Campos e Jorge Magalhães serão duas jovens apostas vindas do Miranda-Mortágua. O primeiro mais dotado para os sprints e com um título de campeão nacional de sub-23 conquistado em 2017, o segundo um trepador em evolução.

Raúl Alarcón continuará como líder e a maioria dos ciclistas que constituem a espinha dorsal da equipa do Sobrado, deverão permanecer às ordens de Nuno Ribeiro. Este ano, até ficou em segundo lugar no ranking nacional, elaborado pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, e não foi um dos seus ciclistas a ganhar individualmente (venceu o Sporting-Tavira e Joni Brandão). Porém, até poderão haver novos objectivos na W52-FC Porto, mas quando 2019 arrancar, não restam dúvidas que mais uma vez será colocada a questão se alguém conseguirá bater esta equipa.

Veja aqui todos os resultados da W52-FC Porto em 2018 e das restantes equipas nacionais.

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7 de novembro de 2018

Mais dois portugueses a caminho da Burgos-BH

A equipa espanhola continua a reforçar-se para 2019 e vai juntar mais dois portugueses ao plantel que já contará com Ricardo Vilela. Se este é um ciclista que dará à Burgos-BH uma experiência valiosa, a formação aposta agora em dois jovens talentos portugueses: Nuno Bico e José Neves.

Apesar de enfrentar uma possível suspensão por dois dos seus corredores terem sido sancionados por doping em 12 meses, a Burgos-BH continua muito activa nas contratações, depois de um primeiro ano como Profissional Continental com poucas histórias para contar. A equipa anunciou esta quarta-feira os reforços, com Nuno Bico a ser bem conhecido naquele país. O ciclista, de 24 anos, esteve nas últimas duas temporadas ao serviço da Movistar, mas esta passagem pelo World Tour ficou marcada por quedas que prejudicaram a sua afirmação. Sempre que Bico parecia estar a atingir um bom momento de forma, acabava por ter de parar para recuperar. A sua última corrida em 2018 foi no Grande Prémio do Quebeque, em Setembro, na qual fracturou a clavícula.

Descer ao escalão Profissional Continental poderá ter o seu benefício, pois Nuno Bico deverá encontrar mais liberdade para mostrar o seu potencial, não ficando tão preso ao papel de gregário. José Santos lançou Nuno Bico no profissionalismo no Boavista, com o salto para a Klein Constantia, em 2016, a ser muito importante, pois tratava-se da equipa satélite da Quick-Step Floors, entretanto extinta. O corredor foi companheiro de Maximilian Schachmann, Rémi Cavagna e Enric Mas, por exemplo, todos ciclistas que foram para a equipa principal, enquanto Bico assinou pela Movistar.

Foi campeão nacional de sub-23, algo que José Neves também alcançou, mas em contra-relógio (venceu por duas vezes). Esta é uma características que é salientada na apresentação deste jovem de 23 anos. Em Agosto foi chamado a estagiar na EF Education First-Drapac p/b Cannondale, começando no Colorado, antes de marcar presença na Volta à Grã-Bretanha e em várias clássicas de final de temporada, com destaque para a Milano-Torino, na qual terminou na 51ª posição.

Esta oportunidade na equipa americana do World Tour chegou depois de uma época excelente na W52-FC Porto. Evoluiu na Liberty Seguros-Carglass, tendo ganho a Volta a Portugal do Futuro em 2017. Na sua estreia como profissional esta temporada não fez por menos. José Neves ganhou uma das corridas mais importantes em Portugal: o Troféu Joaquim Agostinho. Apesar da juventude, José Neves será uma aposta para as provas por etapas.

Além dos três portugueses, a Burgos-BH contratou o sprinter britânico Matthew Gibson (22 anos, ex-JLT Condor), o espanhol Manuel Peñalver (19, Trevigiani Phonix-Hemus 1896) e o compatriota Ángel Madrazo (30, Delko Marseille Provence KTM, com passagem pela Movistar entre 2009 e 2013). Nas renovações, destaque para dois ciclistas bem conhecidos do pelotão nacional: Diego Rubio (ex-Efapel) e Jesús Ezquerra, que vestiu a camisola do Sporting-Tavira e venceu uma etapa da Volta a Portugal em 2016.

José Mendes representou a equipa em 2018, marcando presença na Volta a Espanha. Porém, é possível que o ciclista regresse a Portugal, havendo o interesse da Efapel e do Sporting-Tavira.

Há dois dias, a UCI informou que perante a segunda suspensão por doping em 12 meses por parte de dois ciclistas da equipa, a Burgos-BH poderá ser afastada das competições entre 15 a 45 dias, dependendo da decisão da Comissão Disciplinar. A sanção poderá colocar em causa o arranque de temporada. Há ainda um terceiro corredor suspenso provisoriamente, a aguardar a conclusão do caso, depois de acusar positivo num teste uma hormona de crescimento. Pode ler mais no link em baixo.


30 de agosto de 2018

"Estou calmo. O que tiver de ser, será"

(Fotografia: © Gruber Images/EF Education First-Drapac p/b Cannondale)
O crescimento de José Neves em 2018 foi tal que até parece que foi há muito que admitiu que lhe tinha custado "um pouco sair da Liberty Seguros-Carglass". No entanto, na W52-FC Porto não só confirmou todo o seu valor, como o fez conquistando uma das principais corridas do calendário nacional: o Troféu Joaquim Agostinho. Oito meses depois de ter vestido pela primeira vez o equipamento azul e branco, trocou por um cor-de-rosa e verde. Tinha muitas expectativas para 2018, mas dar um salto tão grande, tão cedo, não deixou de ser algo inesperado. As exibições de José Neves, não só este ano, não passaram despercebidas lá fora e o ciclista está a estagiar na EF Education First-Drapac p/b Cannondale.

A equipa americana levou José Neves até à altitude da Volta ao Colorado. O ciclista português confessou que não foi fácil e quase meteu o pé no chão. Apesar de não se mostrar particularmente satisfeito com o resultado final, ficou numa positiva 48ª posição, a 15:19 do vencedor, Gavin Mannion (UnitedHealthcare). No contra-relógio, Neves comprovou um dos seus pontos fortes e durante mais de uma hora ninguém bateu o seu tempo, num pormenor que foi destacado no site da equipa, já que se tratava da estreia do jovem de 22 anos ao mais alto nível.

"[O resultado] foi mais ou menos", afirmou José Neves. "Integrei-me bem na equipa, os colegas foram porreiros. Falavam um pouco espanhol e conseguimos entender-nos", preferiu destacar. Ao Volta ao Ciclismo, o ciclista explicou que não foi fácil correr no Colorado devido à altitude e só pensa em fazer mais e melhor na próxima corrida. "Tenho de mostrar o meu valor lá fora e a ver se a experiência corre um pouco melhor na Grã-Bretanha, porque lá andei muito em altitude e não estava habituado. Mas fiz tudo o que me pediram e estão contentes comigo. Vamos ver se fico para o ano."


"O que me pedem tento fazer ao máximo, mesmo que fique quase a pé"

Houve um sorriso que não largou José Neves durante toda a conversa. "O sonho é mesmo ficar lá, mas estagiar já está a ser bastante bom", salientou o ciclista, que mostra-se tranquilo quanto ao futuro, não deixando transparecer qualquer ansiedade. Para Neves só o facto de estar numa equipa do World Tour, mesmo como estagiário, poderá significar a abertura de outras portas, seja essa na EF Education First-Drapac p/b Cannondale, ou noutra formação estrangeira. Contudo, revela de imediato o respeito que tem pela equipa que o levou para o profissionalismo, a W52-FC Porto. "Não, não estava à espera [de ir para uma equipa World Tour tão cedo na carreira]. Eu quero ir para fora, mas cá também me sinto bem. Vamos ver o que o futuro me reserva", referiu.

Foi através do seu empresário que conseguiu o estágio. Depois de uma primeira experiência no Colorado, será então na Grã-Bretanha (de 2 a 9 de Setembro) que irá estar ao lado de alguns dos grandes nomes do ciclismo mundial, como Christopher Froome, Geraint Thomas, Primoz Roglic, Julian Alaphilippe e muito mais. Nada de novo, já que na Volta ao Algarve já teve contacto com ciclistas deste nível, mas agora terá vestido o equipamento de uma equipa do World Tour.

"Estão a pedir-me para quando é preciso para trabalhar, trabalhar e para mostrar que tenho valor para lá estar. O que me pedem tento fazer ao máximo, mesmo que fique quase a pé. Foi o que aconteceu no primeiro dia no Colorado. Quase parei! Mas eles [responsáveis] ficaram contentes e o director desportivo depois disse para eu ir com calma, para recuperar para o contra-relógio", contou. Depois da Volta à Grã-Bretanha, José Neves terá ainda a oportunidade de se mostrar em algumas clássicas em Itália, em Outubro.


"Lá fora querem ciclistas completos porque as provas são todas discutidas nas montanhas e nos contra-relógios"

Se em Portugal não lhe falta nada para evoluir na equipa de Nuno Ribeiro, claro que na EF Education First-Drapac p/b Cannondale há grandes diferenças, não fosse uma equipa do escalão mais alto do ciclismo mundial: "É tudo diferente. Mais à grande. Tudo o que é preciso está lá. Um pequeno detalhe, se é preciso trocar qualquer coisa troca-se... Não se olha a custos, não se olha nada. Na comida se é preciso algo, vai-se buscar." Não esconde que se sentiu um pouco como um rei.

Pode não ter conhecido a principal estrela da equipa, Rigoberto Uran, ou Sep Vanmarcke, Pierre Rolland (que está de saída no final da temporada), Sacha Modolo... Mas esteve ao lado de um Taylor Phinney e também Hugh Carthy, Joe Dombrowski, Daniel Martínez e Nathan Brown. Neves contou ainda que conheceu o australiano Brendan Canty, apesar do ciclista não ter competido no Colorado, além de ficar a conhecer parte do staff. Não esconde que estar numa equipa que conta com grandes figuras da modalidade mexe com ele, mas não se deixa levar por ilusões.

"Estou calmo. O que tiver de ser, será. Se não ficar poderá aparecer outra oportunidade de ir para fora na mesma. É uma porta que se abriu. Lá fora querem contra-relogistas que passem bem a montanha, querem ciclistas completos porque as provas são todas discutidas nas montanhas e nos contra-relógios", disse. Tendo em conta as características de José Neves, perante a descrição, questionou-se se não é perfeito para o que procuram. "Tem dias", respondeu, muito bem disposto e naturalmente feliz pela fase que está a viver.

Neves é um dos três estagiários que a equipa americana está a testar. Além do português, foram chamados os australianos Cyrus Monk e James Whelan, corredores com características diferentes, mais a pensar nas clássicas.

20 de junho de 2018

Três dias de muito ciclismo em Belmonte para conhecer os campeões nacionais

Com as corridas femininas a serem incluídas no programa que contava com a elite e sub-23 masculinas, os Nacionais de 2018 ganham um novo impulso, com Belmonte a receber três dias de muito ciclismo. Quando se fala em dinamizar locais através desta modalidade, eis um bom exemplo. Com o percurso a ser um "rompe pernas", esperam-se provas muito abertas e intensas pela procura de uma camisola que será utilizada durante um ano.

Sexta-feira será dedicada ao contra-relógio. Às 11:00 começam as ciclistas de elite feminina, num percurso com 24,1 quilómetros, o mesmo escolhido para os sub-23. Esta prova iniciará logo a seguir e depois arranca a elite masculina, mas com 33,7 quilómetros pela frente.

Contra-relógio feminino


Contra-relógio masculino



Sábado é dia de corrida de fundo. Mais uma vez, as senhoras abrem as hostilidades às 11:00. Sendo em formato de circuito (21,4 quilómetros), que tem nos 1500 metros finais, em subida, o ponto nevrálgico, vai favorecer quem assistir ao vivo, pois assim poderá ver várias vezes as e os ciclistas. A elite fará cinco voltas, ou seja, 107 quilómetros, as juniores farão menos uma (85,6) e as cadetes ficarão pelas três (64,2).




Às 15:00 será dado o tiro de partida para a corrida dos sub-23 masculinos. Inicialmente o pelotão sairá de Belmonte e fará 76 quilómetros até entrar no circuito. Serão quatro passagens na meta, numa distância total de 160,4 quilómetros.

A elite masculina, inevitavelmente a corrida mais esperada, irá para a estada no domingo às 11:00. O esquema é o mesmo dos sub-23, mas o campeão só será definido na quinta passagem na meta, após 181,8 quilómetros.



Dos portugueses que estão em equipas estrangeiras, a maioria estará presente, incluindo o campeão em título, Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo). Joaquim Silva, José Gonçalves, José Mendes (campeão em 2017), Ricardo Vilela e Tiago Machado também confirmaram a presença.

O campeão da contra-relógio é Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), que está a realizar uma temporada de grande nível, pelo que será de novo candidato, no esforço individual e na prova de fundo. Em 2017, uma queda tirou-lhe a oportunidade de fazer uma dobradinha, que a certa altura parecia estar muito bem encaminhada. Nos sub-23, José Neves foi o campeão de contra-relógio (vai competir este ano em elite) e Francisco Campos de estrada. Soraia Silva foi a melhor no esforço individual e Celina Carpinteiro foi a campeã na prova de fundo.

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15 de fevereiro de 2018

"Custou-me um pouco sair da Liberty Seguros-Carglass"

Quando José Neves foi apresentado como o reforço da W52-FC Porto não se pode dizer que tenha sido uma surpresa a equipa que tem dominado o ciclismo nacional nos últimos anos ter assegurado um dos ciclistas de futuro mais promissor. No entanto, se não tem dúvidas quanto à sua escolha e de todos os dividendos que pode tirar dela na sua carreira, o corredor alentejano não esconde que sair da Liberty Seguros-Carglass não foi uma decisão fácil, ainda mais sabendo que a equipa iria subir ao escalão Continental.

"Custou-me um pouco sair da Liberty Seguros-Carglass e era para continuar lá. Só que não havia possibilidade de haver três atletas de elite e já tinha a proposta da W52-FC Porto há algum tempo. Decidi aceitar", contou ao Volta ao Ciclismo. José Neves é a prova como há lugar para algum sentimentalismo no desporto ao mais alto nível, mas, naturalmente, que é o profissionalismo que se sobrepõe e a W52-FC Porto está a tornar-se num verdadeiro trampolim para alguns ciclistas. Rafael Reis, Joaquim Silva e Amaro Antunes são os casos mais recentes de corredores que estão agora em equipas Profissionais Continentais (Caja Rural para os dois primeiros e CCC Sprandi Polkowice para o algarvio).

José Neves valoriza precisamente o facto de ao ter de deixar uma equipa na qual se sentia muito bem, que fosse então por aquela que tem sido fortíssima nos últimos anos. "Está a ser uma experiência motivadora e enriquecedora para o meu percurso. Estou a gostar bastante e integrei-me bem na equipa. Os meus colegas são espectaculares", salientou o ciclista de 22 anos.

Era um corredor que já estava debaixo de olho já algum tempo pelas exibições que ia fazendo, mas 2017 foi o ano em que ficou claro que estava preparado para mais. José Neves conquistou pela segunda vez o título de campeão nacional de contra-relógio de sub-23 e ganhou a Volta a Portugal do Futuro, sendo ainda quinto no Troféu Joaquim Agostinho. Mas fica uma palavra para quem o ajudou a tornar-se numa das principais esperanças do ciclismo nacional: "Devo muito aos dois chefes da Liberty Seguros-Carglass por tudo o que me ensinaram, pela oportunidade que me deram. Gostei muito de lá estar."

"[Nuno Ribeiro] disse-me para estar bem no início da época, para mostrar-me e continuar a evolução, para assim ter possibilidade de ingressar no ciclismo lá fora"

Se tivesse ficado na equipa agora Continental, ainda que sub-25 (só pode ter dois ciclistas profissionais, que são César Martingil e Gaspar Gonçalves), a liberdade para procurar resultados seria outra. Porém, na W52-FC Porto terá uma exposição maior e o discurso de Nuno Ribeiro parece indicar que, por agora, é altura de deixar José Neves continuar a sua evolução. "Aqui tenho de fazer o que me mandam. Falámos um pouco e ele [o director desportivo] disse-me para estar bem no início da época, para mostrar-me e continuar a evolução, para assim ter possibilidade de ingressar no ciclismo lá fora. Mas sem grande pressão", garantiu.

As qualidades de contra-relogista estão lá e prontas a ser aprimoradas. Como trepador já demonstra boa capacidade. Mas será que há algo que José Neves considere ser importante melhorar rapidamente? A resposta sai que nem um disparo: "A técnica e a postura na bicicleta." Quanto a corridas, o ciclista ainda desconhece ao certo o seu calendário, mas considera que a Volta a Portugal, por exemplo, não é algo essencial já este ano. "Se não for já, não fico preocupado. Tenho tempo", disse, adiantando que talvez possa estar nas clássicas de início de temporada, como a Arrábida e Aldeias do Xisto, esperando ainda por saber se será escolha para a Volta ao Alentejo.

Porém, agora há que pensar na Volta ao Algarve. José Neves passou na Fóia a mais de dois minutos do vencedor, Michal Kwiatkowski (Sky), contudo, é terceiro na classificação da juventude, a 2:51 de Sam Oomen (Sunweb), Como bicampeão nacional de contra-relógio de sub-23, é inevitável que se o queira ver na sua especialidade, competindo onde estão alguns dos melhores do mundo, como o quatro vezes campeão mundial Tony Martin, o campeão europeu Victor Campenaerts, alguns campeões nacionais, a começar pelo português, Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) e Nelson Oliveira (Movistar), que conta com quatro títulos. "Vamos ver como vão estar as pernas. Vou dar o meu melhor", limita-se a dizer sobre a etapa desta sexta-feira em Lagoa, pois prefere pensar na corrida como um todo e mostrar o seu valor em todas as tiradas, sem se concentrar em demasia apenas na do esforço individual.

O objectivo para a Algarvia é simples, por assim dizer: "É tentar fazer um bom lugar. Treinei bem para estar bem." E quem sabe, possa estar na luta pela classificação da juventude, até porque Sam Oomen está com alguns problemas no joelho, pelo que apesar da distância actual, nada está fechado, numa corrida que termina com dupla passagem no Malhão, no domingo.


22 de setembro de 2017

Faltou ritmo (e alguma sorte) aos nossos sub-23

Francisco Campos foi o melhor português nos sub-23
(Fotografia Luca Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)

Era um grupo de qualidade. Disso não há dúvida. No entanto, os sub-23 portugueses sentiram a falta de competição ao mais alto nível, pois ou estão nas equipas portuguesas de clube, ou então no escalão Continental, casos de Ivo Oliveira (Axeon Hagens Berman) e André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime). Em corridas como a dos Mundiais, mesmo nos sub-23, sente-se muito a diferença de ritmo e foi o que aconteceu em Bergen, na Noruega. Mas como a qualidade está lá, José Neves (Liberty Seguros-Carglass) foi à luta e entrou na fuga do dia e Francisco Campos fez tudo para se aguentar no grupo, mas descolou na última volta.

(Fotografia Luca Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ainda assim, há que destacar a fantástica época deste jovem do Miranda-Mortágua, com destaque para a vitória na prova de Abertura Região de Aveiro e o título nacional da categoria. Saiu dos Mundiais com o 67º lugar, ficando a 4:44 minutos do vencedor, o francês Benoit Cosnefroy, naquela que foi a primeira corrida que fez com 191 quilómetros de distância. André Carvalho terminou na 96ª posição, com Ivo Oliveira a cortar a meta logo atrás, no 101º posto, ambos a 9:16. Para o ciclista da Axeon Hagens Berman acabou por ser uma corrida estragada muito devido a um problema que obrigou-o a trocar de roda traseira. Por essa altura José Neves (na fotografia à direita) já tinha sido absorvido pelo pelotão - o grupo onde estava foi apanhado a cerca de 70 quilómetros do fim -  e foi ele quem cedeu a roda ao colega de selecção. O campeão nacional de contra-relógio de sub-23 não resistiu ao ritmo elevado e ao ficar para trás, acabou por abandonar. Mas foi uma corrida corajosa de um ciclista que começa a ser cada vez mais interessante de seguir. Quanto a Ivo Oliveira, o ciclista teve de fazer um grande esforço para recolar depois da troca de roda. Poderá ter pago precisamente esse desgaste físico quando o ritmo aumentou e Ivo não conseguiu manter-se na frente.

Perante a qualidade  destes ciclistas já aqui referida e que deve ser bem salientada, é uma pena que não tenha sido possível estar na luta por um melhor resultado. Porém, há que referir que a experiência que adquiriram em Bergen poderá ser importante já no futuro próximo, principalmente Francisco Campos e José Neves que competem em Portugal e só na selecção têm este tipo de contacto com uma realidade tão diferente.

Maria Martins foi a única participante feminina
portuguesa nos Mundiais de Bergen
(Fotografia Luca Bettini/Federação Portuguesa de Ciclismo)
E não nos vamos esquecer da "nossa" Maria Martins. Esta jovem é a prova que o ciclismo feminino no país vai aos poucos caminhando pelo rumo certo. Muito lentamente, é certo, mas vai. Não teve a sorte dos compatriotas e correu de manhã sob chuva, sendo a única representante feminina portuguesa nos Mundiais. A júnior foi 44ª classificada (percurso de 76,4 quilómetros), a 8:52 minutos da campeã Elena Pirrone. "As sensações não foram más, mas também não foram as melhores. A prova foi disputada com uma intensidade muito grande e senti que preciso ainda de perder algum peso para estar bem num terreno como este", explicou a ciclista, citada pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Mais um passo na aprendizagem de Maria Martins, que se destacou este ano na pista em provas internacionais, mas também com resultados interessantes na estrada. Daniela Reis está no World Tour e merece toda a atenção por este feito, mas em Portugal Maria Martins lidera uma geração que quer de uma vez por todas colocar o ciclismo feminino no mapa.

Os campeões

Quando se diz que faltou ritmo aos portugueses, temos de olhar para os dois primeiros classificados, dois ciclistas que já competem ao nível do World Tour. Lá está, uma realidade bem diferente da dos jovens portugueses. Benoit Cosnefroy é da AG2R (desde 1 de Agosto, mas estagiou na formação gaulesa em 2016) e Lennard Kämna está na Sunweb, tendo ganho a medalha de ouro no contra-relógio colectivo no domingo. Do alemão pode-se mesmo dizer que já é uma aposta segura da Sunweb, pois esteve na Volta a Espanha (não terminou, mas esteve em 16 etapas), Volta à Polónia, Ster ZLM, Volta à Romandia, Volta à Catalunha, entre outras corridas em que competiu com os melhores. 

Tal como Cosnefroy tem 21 anos e foi entre os dois que se disputou o sprint final nos Mundiais. O francês levou a melhor, confirmando assim a sua apetência para corridas de um dia. Ao contrário de Kämna não participou em provas tão mediáticas, contudo, esteve em muitas clássicas e algumas corridas por etapas. Somou resultados interessantes, tendo vencido mesmo antes de viajar para Bergen a corrida francesa Grand Prix d'Isbergues-Pas de Calais. A AG2R está a preparar um jovem de talento para as grandes clássicas e com este título mundial, quem sabe o vejamos em algumas já no próximo ano.

A medalha de bronze ficou para o dinamarquês Michael Carbel Svendgaard, 22 anos e ciclista da Virtu Cycling. Veja aqui a classificação dos sub-23.

Nas juniores, Elena Pirrone teve uns Mundiais de sonho. Aos 18 anos fez a dobradinha, juntando o título de estrada ao de contra-relógio. A italiana fez valer um ataque, deixando a dinamarquesa Emma Cecilie Norsgaard a lutar pela prata, com o bronze a ficar para a também italiana Letizia Paternoster (resultados completos).

Mais duas corridas este sábado antes da prova mais aguardada

Este sábado, a primeira corrida arranca logo às 8:30 (hora de Portugal Continental). A prova de juniores masculinos que contará com três representantes portugueses: Afonso Silva, Pedro José Lopes e Pedro Miguel Lopes. Será um percurso com 133,8 quilómetros. Da parte da tarde (12:30) teremos a corrida de elite feminina, na qual se espera uma luta acesa.

Só a Holanda tem três potenciais candidatas: Anna van der Breggen (campeã da Europa em 2016), Annemiek van Vleuten (campeã do Mundo de contra-relógio) e a eterna Marianne Vos (campeã em 2006, 2012 e 2013 e actual campeã da Europa). Megan Guarnier (EUA), Lizzie Deignan (britânica campeã mundial em 2015 e que recentemente foi operada ao apêndice) e a italiana Elisa Longo Borghini aparecem entre as favoritas. A dinamarquesa Amalie Dideriksen não vai ter vida fácil para defender a camisola do arco-íris que vestiu nos últimos 12 meses.

Domingo é o dia mais esperado. Será que Peter Sagan vai entrar na história como o primeiro a conquistar três títulos mundiais consecutivos? Adversários desejosos de vestir aquela camisola do arco-íris não faltam...