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4 de maio de 2018

José Gonçalves de camisola rosa? Porque não?

(Fotografia: Twitter Katusha-Alpecin)
Tom Dumoulin começou a Volta a Itália de forma irresistível. Começou como acabou a de 2017: a dar tudo por tudo no contra-relógio para vestir a camisola rosa e desta feita para juntar a vitória de etapa. Quando uma corrida arranca com o contra-relógio, são muitos os que se vêem obrigados a, desde cedo, fazerem contas. A Katusha-Alpecin não é excepção, mas estas são contas boas de se fazer. Se desta feita não tem um líder para a geral, com o excelente resultado de José Gonçalves e com Alex Dowsett a recordar a todos que continua a ser um dos melhores contra-relogistas, na equipa suíça já se pensa em tentar nas próximas etapas conseguir colocar um dos seus ciclistas com a maglia rosa.

Apesar de Dumoulin ter ganho, de Froome ter sofrido uma queda ainda antes do contra-relógio, de haver algumas surpresas entre os que foram mais rápidos, não se consegue deixar de destacar José Gonçalves. Durante alguns minutos o ciclista português permitiu pensar que poderia ficar como líder, ainda que faltassem alguns dos maiores especialistas. No ponto intermédio, Gonçalves foi mais rápido - por menos de um segundo - que Rohan Dennis. E o australiano da BMC é um desses maiores especialistas no contra-relógio.

Não se pode dizer que seja uma surpresa total. No início da sua carreira, José Gonçalves foi campeão nacional tanto em sub-23, como em elites. Nos últimos anos destacou-se mais como ciclista de ataque e era precisamente esta sua faceta que se estava à espera que pudesse surgir durante o Giro. Com este resultado - ficou a 12 segundos de Dumoulin - Gonçalves acabou de entrar no plano do seu director para tentar vestir a camisola rosa nos próximos dias.

"Porque não pensar nas oportunidades que poderão surgir? Vamos lutar pela camisola rosa na próxima etapa", garantiu José Azevedo. O responsável pela Katusha-Alpecin salientou que é necessário proteger Gonçalves e Dowsett (quarto, a 16 segundos). "Isto colocou-nos numa boa posição para os próximos dias", disse o director. Esta situação compensa um pouco a desilusão de Martin (tetracampeão do mundo), que apesar de ter sido nono - o que ajudou a Katusha-Alpecin a assumir a liderança na classificação por equipas - os 27 segundos deixaram-no longe da discussão da desejada vitória de etapa. Contudo, eis um corredor que tem um gosto especial em fazer ataques de longe e que causam muitos problemas. Mais uma hipótese para a Katusha-Alpecin.

Portugal pode ter apenas um representante no Giro, mas José Gonçalves dificilmente poderia ter pedido um começo melhor. Durante algum tempo o ciclista de Barcelos foi vendo os corredores passarem e a não tocarem no seu então segundo posto, atrás de Dennis. Só o campeão europeu, Victor Campenaerts (Lotto Fix ALL) - terceiro, a dois segundos - e o campeão do mundo, Tom Dumoulin, fizeram Gonçalves cair para o quarto posto.


A alegria de Tom Dumoulin após a vitória na primeira etapa da Volta a Itália
(Fotografia: Giro d'Italia)
Mas falemos então da figura do dia. O holandês entrou com tudo na defesa da maglia rosa que ganhou há um ano. Quando falou aos jornalistas, abriu a camisola de líder, mostrando a de arco-íris que tinha por baixo: "Agora estou a vestir as duas camisolas mais bonitas no ciclismo. Isso deixa-me muito orgulhoso." O corredor da Sunweb chega mesmo a dizer que a vitória é mais importante para ele do que o tempo ganho. Contudo, não deixou de estar bastante satisfeito por já ter ganho uns segundos, que os próximos dias dirão que importância poderão ter. Dumoulin completou os 9,7 quilómetros do percurso de Jerusalém em 12:02 minutos.

Aquele que lidera a lista de rivais de Dumoulin, Chris Froome, teve um início azarado. Sofreu uma queda ainda no reconhecimento e apesar de ter preferido dizer que até poderia ter sido pior, o britânico da Sky perdeu 37 segundos. Thibaut Pinot (Groupama-FDJ), 33, Tim Wellens (Lotto Fix ALL), 32, Fabio Aru (UAE Team Emirates), 50, Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), 46 e Miguel Ángel López (Astana), 56. Quem confirmou que não está no seu melhor foi Louis Meintjes (Dimension Data), que já tem 1:08 minutos para recuperar.

No entanto, houve umas surpresas agradáveis. O pequeno Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida) fechou o top dez, a 27 segundos de Dumoulin. Carlos Betancur (Movistar) ficou logo atrás, a 28 segundos. E atenção a Simon Yates, pois o britânico da Mitchelton-Scott só perdeu 20 segundos. Excelente início para o gémeo, que este ano já não estará na luta da juventude nas grandes voltas. Por isso, o primeiro líder desta classificação é Max Schachmann - sétima na Volta ao Algarve -, com o alemão da Quick-Step Floors a fazer mais 21 segundos que Dumoulin.

Apesar de já ter a camisola rosa, não será expectável que a Sunweb faça tudo para a defender. Nos próximos dias, pelo menos até ao do Etna (sexta etapa), o objectivo será manter Dumoulin a salvo de percalços e manter as diferenças conquistadas para os principais adversários. São três semanas de corrida pela frente para gastar muito cedo forças que podem ser necessárias mais tarde.

De referir que não foi só Froome que teve um início pouco auspicioso. Kanstantsin Siutsou também caiu no reconhecimento do percurso, mas foi bem mais grave. O bielorrusso da Bahrain-Merida foi transportado para o hospital, onde foi confirmada a fractura de uma vértebra. Nem chegou a partir para o Giro e é uma baixa importante para a equipa, visto que estava num bom momento de forma, tendo conquistado recentemente a Volta à Croácia.

Etapa 2: Haifa-Telavive, 167 quilómetros


Senhores sprinters cheguem-se à frente. Depois do contra-relógio que obrigou os candidatos à geral a aplicarem-se logo no primeiro dia da Volta a Itália, no fim-de-semana serão os homens rápidos que terão a oportunidade de serem as estrelas.

O pelotão deixará Jerusalém para visitar Haifa e Telavive. Há uma subida de quarta categoria a meio, que decidirá o primeiro camisola azul, da classificação da montanha, mas será difícil imaginar outro final que não seja ao sprint. Elia Viviani lidera os favoritos, com a Quick-Step Floors à procura da 28ª vitória do ano. Danny van Poppel (Lotto-Jumbo) e Sam Bennett (Bora-Hansgrohe) serão alguns dos adversários de um contingente italiano que contará com um Jakub Mareczko (Wilier Triestina-Selle Italia) que anda a prometer uma vitória desde o Giro passado e um Sacha Modolo (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) que quer mostrar que ainda tem algo para dar.

Para José Gonçalves ou Alex Dowsett conseguirem concretizar já o desejo de José Azevedo, a aposta na fuga será obrigatória. Porém, caso decidam esperar até regressar a Itália, a quarta e quinta etapa são bem mais interessantes, principalmente para o português. Muito sobe e desce, perfeito para ciclistas que gostam de atacar.

Pode ver aqui a classificação da primeira etapa.




»»Vegni garante que se Froome ganhar o Giro a vitória não será retirada. A UCI não tem tanta certeza...««

»»Um Giro com muitas distracções mas a prometer espectáculo««

3 de maio de 2018

Um Giro com muitas distracções mas a prometer espectáculo

(Fotografia: Giro d'Italia)
Está tudo pronto para pela primeira vez uma grande volta começar fora da Europa. Israel foi o local escolhido, com Jerusalém a receber o contra-relógio inaugural, seguindo-se mais duas etapas no país. Um momento histórico, com também um toque de homenagem. Gino Bartali, três vezes vencedor do Giro (1936,37 e 46) e duas do Tour (1938 e 48) será recordado pelas suas acções que ajudaram a salvar muitos judeus do holocausto durante a II Guerra Mundial. O ciclista escondia, por exemplo, documentos no quadro da bicicleta, conseguindo assim transportá-los sem ser detectado, pois aparentava estar apenas a treinar. Porém, o conflito israelo-palestiniano levou a muitos protestos contra a escolha, com organizações dos direitos humanos a chegarem a apelar para que o corrida não fosse para Israel. O mais recente agravamento da violência fez com que houvesse um plano B por parte da RCS Sport (organizadora da Volta a Itália), caso não fosse possível garantir a segurança. Contudo, Jerusalém vai mesmo receber a partida do Giro101.

As medidas de segurança estarão no máximo, como não se esperaria outra coisa, com toda uma logística a ser preparada para estes três dias de forma a proporcionar às equipas o conforto que necessitam, visto que não se deslocaram para Israel com a habitual "casa às costas": autocarros, camiões com os materiais e carros de apoio ficarão em Catania à espera que o pelotão e staff regressem na segunda-feira, primeiro dia de folga, dada a distância que terão de viajar. A corrida em Itália arranca na terça-feira. Estes transportes serão fornecidos em Israel.

Segundo a Gazzetta dello Sport, todo o material imprescindível para competir, assim como o necessário para a organização do evento, foi transportado num avião de carga, um Boeing 747. Para se ter uma ideia, o jornal italiano refere que estariam previstas viajar cerca de 880 bicicletas, qualquer coisa como cinco por cada ciclista (três de estrada e duas de contra-relógio)! As equipas também receberam mais dinheiro de forma a compensar custos adicionais.

Desportivamente, o director da corrida, Mauro Vegni, concretizou um desejo: ter Chris Froome na Volta a Itália. O problema foi que pouco depois foi conhecido o positivo por salbutamol, ou seja, o britânico excedeu a quantidade permitida durante a Vuelta. Em pouco tempo, passou-se de falar num possível feito no ciclismo, ao alcance apenas de algumas grandes figuras - ganhar três corridas de três semanas consecutivas - para o possível pesadelo de ver um vencedor perder essa consagração, como aconteceu com Alberto Contador em 2011. Vegni garante que tal não acontecerá, enquanto Froome bate na tecla que as regras permitem-no competir. Contudo, o seu rival e o maglia rosa de 2017, Tom Dumoulin, já meteu mais achas na fogueira, dizendo que se fosse ele a estar nesta situação, não estaria no Giro.

Um dos desafios da Volta a Itália passa então por não se passar o tempo a falar de Froome e o salbutamol. Depois de no ano passado Dumoulin (Sunweb) não ter feito nem o Tour, nem a Vuelta, o esperado embate entre os dois ciclistas vai então dar-se no Giro. Lideram a lista de candidatos, que conta também com Thibaut Pinot (Groupama-FDJ), recente vencedor da Volta aos Alpes e que no ano passado esteve muito bem no Giro. Este ano não haverá Nairo Quintana, mas da Colômbia  chegam sérios candidatos, com Miguel Ángel López (Astana) à cabeça e com Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott) à procura de regressar aos melhores momentos da carreira.

Os tifosi olham com esperança para Fabio Aru, mas o ciclista da UAE Team Emirates não convenceu na Volta aos Alpes. Porém, o campeão transalpino não é de atirar a toalha ao chão e está na corrida que muito queria em 2018, apesar da nova equipa ter estado tentada a levá-lo antes ao Tour. Poderá ainda ir, mas ganhar o Giro é o objectivo inicial de uma temporada que quer que termine como campeão do mundo, em Innsbruck. Gianluca Brambilla (Trek-Segafredo) poderá ser um animador de algumas etapas, enquanto Davide Formolo (Bora-Hansgrohe) quer começar a afirmar-se. Domenico Pozzovivo está a viver uma nova fase da carreira aos 35 anos. Depois do pódio na Volta aos Alpes, o líder da Bahrain-Merida para o Giro receberá mais atenção do que se calhar se esperaria no início da época.

As camisolas em disputa no Giro101 (Fotografia: Giro d'Italia)
O jovem Giulio Ciccone (Bardiani-CSF) será um daqueles ciclistas que se deverá seguir, pois esta equipa está com uma enorme vontade de apagar a má imagem deixada há um ano, quando no dia da apresentação dois dos seus corredores foram afastados por doping. Mas os italianos terão outro ciclista que está desejoso de brilhar: Elia Viviani. Depois de uma temporada em que a Sky o deixou de fora de todas as grandes voltas, na Qucik-Step Floors tem sido uma das figuras vencedoras e quer fazer dele os sprints no Giro, sendo que a maior concorrência poderá vir de outros italianos, como Jakub Mareczko (Wilier Triestina-Selle Italia) e Sacha Modolo (EF Education First-Drapac p/b Cannondale). Sam Bennett (Bora-Hansgrohe) e Danny van Poppel (Lotto-Jumbo) também quererão entrar nesta disputa.

Quanto à geral, outros ciclistas que se colocam pelo menos como outsiders e certamente candidatos a um top dez, temos George Bennett (Lotto-Jumbo), Carlos Betancur (Movistar), Louis Meintjes (Dimension Data), Simon Yates (Mitchelton-Scott), Tim Wellens (Lotto Fix ALL) e Michael Woods (EF Education First-Drapac p/b Cannondale). A BMC terá Rohan Dennis e também Nicolas Roche. O irlandês já avisou que não estará no Giro para marcar apenas presença. Quanto ao australiano, Dennis, tem novamente a oportunidade para mostrar que é o tal voltista que diz que está num plano para vencer em breve uma grande volta. Ainda não convenceu... Pode ser que seja desta...

Depois temos aqueles ciclistas que podem começar a dar nas vistas e que até têm uma classificação da juventude à sua espera. Já se falou de Ciccone, com Sam Oomen (Sunweb), Richard Carapaz (Movistar) e também Ben O'Connor (Dimension Data), que entra nesta lista após a excelente vitória numa etapa na Volta aos Alpes. Atenção a Jan Hirt, o checo, que já não poderá contar para a camisola branca, foi uma das revelações do Giro100, então na CCC Sprandi Polkowice. Agora surge numa Astana muito ambiciosa.

Com a Volta a Itália a começar em Israel, então era mais do que provável que a equipa Profissional Continental daquele país recebesse um dos convites. A Israel Cycling Academy, que esteve na última Volta a Portugal e venceu a classificação da juventude com Krists Neilands, reforçou-se a pensar nesta possibilidade, que se confirmou. Ben Hermans e o sprinter Kristian Sbaragli são duas das figuras, ao lado de um experiente Rubén Plaza. Porém, Neilands tem tudo para "roubar" algumas atenções. Tem estado muito activo neste início de temporada, pelo que não será de admirar que o letão esteja a apontar a ser o melhor jovem. Ou pelo menos a estar na luta, mas temos de ter em conta que será a sua primeira grande volta. Ganhar uma etapa e uma classificação secundária seria a todos os níveis brilhante para esta estrutura que levará dois israelitas: Guy Sagiv e Guy Niv.

E não esquecer: José Gonçalves é o único português presente, com a Katusha-Alpecin a surgir sem um líder indiscutível. Isto poderá significar que, ao contrário de 2017 em que esteve sempre ao lado de Ilnur Zakarin, talvez se veja Gonçalves ao ataque, como tanto gosta. A equipa está a precisar de vitórias, pelo que lutar por etapas deverá ser o principal objectivo.

(Texto continua em baixo do vídeo)


Etapas imperdíveis

O contra-relógio de 9,7 quilómetros desta sexta-feira (imagem em baixo) poderá marcar algumas diferenças, mas sem que algo fique decidido (seria mau de mais sendo apenas a primeira etapa). Já o da 16ª de 34,5 quilómetros será bem diferente. Aqueles que têm mais dificuldades nesta especialidade têm salientado a importância de tentar ganhar tempo na montanha de forma a defenderem-se quando chegar esta etapa. Dumoulin e Froome levarão sempre vantagem, mas se pode ajudar a definir parte da classificação geral, não a deverá fechar, visto que depois ainda faltarão etapas importantes.


Na sexta etapa vamos até ao Etna. Há sempre potencial para que se comecem a fazer diferenças. Porém, há um ano criou-se tanta expectativa e depois os favoritos ficaram todos sossegados, pois o vento não permitiu loucuras. Porém, se as condições meteorológicas foram melhores, eis uma altura para começar a testar os candidatos.

As etapas do fim-de-semana de 12 e 13 de Maio (tiradas 8 e 9) serão duas chegadas em alto, ainda que a de sábado talvez sirva de aperitivo para a de domingo. Nesse dia serão três subidas categorizadas, com a meta em Gran Sasso d'Italia. 26,5 quilómetros a subir, com a parte final a chegar aos 13% de pendente.

Durante a semana haverá pontos de interesse, mas muito se aguardará novamente por um fim-de-semana de pura montanha. No sábado serão cinco subidas categorizadas, com a última no Monte Zoncolan. Média de 11,9% nos seus cerca de 10 quilómetros de ascensão, com as máximas a atingir os 22%. No domingo haverá a oportunidade de perceber como estão os ciclistas numa etapa curta - 176 quilómetros - sempre a subir e descer. Uma distracção e qualquer plano para o Giro poderá ficar estragado.

A tripla decisiva chega entre a etapa 18 e 20. Na 19 (25 de Maio) teremos a Cima Coppi (ponto mais alto do Giro) no Colle delle Finestre. Depois, ainda esperam pelos ciclistas mais duas subidas duras, mas atenção às descidas, tanto nesta etapa, como na seguinte. Mais uma vez, a descer podem fazer-se diferenças mais importantes do que propriamente a subir, principalmente se as forças estiveram muito equiparadas.

No Giro100, o contra-relógio fechou a corrida para que na edição centenária houvesse luta até final. Porém, em 2017 regressa a etapa de consagração, com Roma à espera do pelotão. Início em Jerusalém, final em Roma... Por isso lhe chamaram o "Giro Santo".




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24 de abril de 2018

Lista de inscritos para o Giro com um ciclista português

(Fotografia: Giro d'Italia)
Estamos em contagem decrescente para a 101ª edição para a Volta de Itália. Dia 4 de Maio, Jerusalém receberá a partida da primeira grande volta do ano, num início histórico, pois é a primeira vez que uma das corridas de três semanas começa fora da Europa. O vencedor de 2017, Tom Dumoulin, está de regresso para tentar repetir o feito, ele que será o único que já conquistou o Giro a estar presente. Chris Froome, Fabio Aru, Miguel Ángel López, a dupla da Michelton-Scott Johan Esteban Chaves e Simon e o recente vencedor da Volta aos Alpes, Thibaut Pinot, fazem parte de uma lista de candidatos que poderá proporcionar um Giro equilibrado e emotivo. Esta é uma listagem ainda provisória. As equipas podem fazer alterações, mas há um português previsto: José Gonçalves.

O ciclista de Barcelos - que está esta semana na Volta a Romandia - regressa a Itália, onde no ano passado se estreou no Giro com uma grande exibição no apoio a Ilnur Zakarin, que acabaria na quinta posição, a 1:56 de Dumoulin. José Gonçalves, 29 anos, terminou no 60º lugar a mais de duas horas, mas o destaque foi todo para o trabalho que fez em prol do líder, em mais uma performance convincente e que semanas mais tarde contribuiria para uma renovação de contrato até 2019.

Porém, este ano poderemos ver José Gonçalves com mais liberdade. A Katusha-Alpecin quer Zakarin concentrado no Tour e estará em Itália sem um líder assumido, pelo menos a julgar pela lista de apresentada. Viacheslav Kuznetsov e Maurits Lammertink terão uma boa oportunidade para se mostrarem, enquanto Gonçalves talvez possa ambicionar a lutar por uma etapa.

Quanto a sprinters, são os italianos que se destacam. Elia Viviani regressa às grandes voltas depois de um ano de ausência por escolha da Sky e tem estado numa forma sensacional ao serviço da Quick-Step Floors. Sacha Modolo, Giacomo Nizzolo e o jovem Jakub Mareczko estarão na luta nestas tiradas.

Como já foi escrito, a lista poderá ainda sofrer alterações e nela aparecem dois nomes de ciclistas que entretanto lesionaram-se e está confirmada a sua ausência no Giro, mas as equipas não anunciaram quem os substituirá: Alberto Bettiol, na BMC, e Michael Schwarzmann na Bora-Hansgrohe.

Sunweb: 1-Tom Dumoulin, 2-Roy Curvers, 3-Chad Haga, 4-Chris Hamilton, 5-Lennard Hofstede, 6-Sam Oomen, 7-Laurens ten Dam, 8-Louis Vervaeke;

AG2R: 11-Alexandre Geniez, 12- François Bidard, 13-Mickäel Chérel, 14-Nico Denz, 15-Hubert Dupont, 16-Quentin Jauregui, 17-Matteo Montaguti, 18-Clément Venturini;

Androni-Sidermec-Bottecchia: 21-Francesco Gavazzi, 22-Davide Ballerini, 23-Manuel Belleti, 24-Matia Cattaneo, 25-Marco Frapporti, 26-Fausto Masnada, 27- Rodolfo Torres, 28-Andrea Vendrame;

Astana: 31-Miguel Ángel López, 32-Pello Bilbao, 33-Jan Hirt, 34-Tanel Kangert, 35-Alexey Lutsenko, 36-Luis Leon Sanchez, 37-Davide Villella, 38-Andrey Zeits;

Bahrain-Merida: 41-Domenico Pozzovivo, 42-Manuel Boaro, 43-Niccolo Bonifacio, 44-Matej Mohoric, 45-Antonio Nibali, 46-Domen Novak, 47-Kanstantsin Siutsou, 48-Giovanni Visconti;

Bardiani-CSF: 51-Giulio Ciccone, 52-Simone Andreetta, 53-Enrico Barbin, 54-Andrea Guardini, 55-Mirco Maestri, 56-Manuel Senni, 57-Paolo Simion, 58-Alessandro Tonelli;

BMC: 61-Rohan Dennis, 62-Alberto Bettiol (será substituído, pois partiu a clavícula na Liège-Bastogne-Liège e é certo que falhará o Giro), 63-Alessandro de Marchi, 64-Jean-Pierre Drucker, 65-Kilian Frankiny, 66-Nicolas Roche, 67-Jurgen Roelandts, 68-Francisco Ventoso;

Bora-Hansgrohe: 71-Davide Formolo, 72-Cesare Benedetti, 73-Sam Bennett, 74-Felix Grossschartner, 75-Patrick Konrad, 76-Lukas Pöstlberger, 77-Michael Schwarzmann (deverá ser substituído, pois sofreu uma queda com graves consequências físicas na Volta aos Alpes), 78-Rüdiger Selig;

Groupama-FDJ: 81-Thibaut Pinot, 82-William Bonnet, 83-Matthieu Ladagnous, 84-Steve Morabito, 85-Georg Preidler, 86-Sebastien Reichenbach, 87-Anthony Roux, 88-Jérémy Roy;

Israel Cycling Academy: 91-Ben Hermans, 92-Guillaume Boivin, 93-Zakkari Dempster, 94-August Jensen, 95-Krists Neilands, 96-Rubén Plaza, 97-Kristian Sbaragli, 98-Guy Sagiv;

Lotto Soudal: 101-Tim Wellens, 102-Sander Armée, 103-Lars Bak, 104-Victor Campenaerts, 105-Jens Debusschere, 106-Adam Hansen, 107-Tosh van der Sande, 109-Jelle Vanendert (o dorsal 108 foi retirado do Giro após a morte de Wouter Weylandts, durante a corrida em 2011);

Mitchelton-Scott: 111-Johan Esteban Chaves, 112-Sam Bewley, 113-Jack Haig, 114-Christopher Juul-Jensen, 115-Roman Kreuziger, 116-Mikel Nieve, 117-Svein Tuft, 118-Simon Yates;

Movistar: 121-Carlos Betancur, 122-Richard Carapaz, 123-Víctor de la Parte, 124-Antonio Pedrero, 125-Dayer Quintana, 126-Jaime Roson, 127-Eduardo Sepúlveda, 128-Marc Soler;

Quick-Step Floors: 131-Elia Viviani, 132-Eros Capecchi, 133-Rémi Cavagna, 134-Michael Morkov, 135-Fabio Sabatini, 136-Max Schachmann, 137-Florian Sénéchal, 138-Zdenek Stybar;

Dimension Data: 141-Louis Meintjes, 142-Igor Anton, 143-Natnael Berhane, 144-Ryan Gibbons, 145-Benjamin King, 146-Ben O'Connor, 147-Jacques Jansen van Rensburg, 148-Jaco Venter;

EF Education-First-Drapac p/b Cannondale: 151-Nathan Brown, 152-Brendan Canty, 153-Hugh Carthy, 154-Mitchell Docker, 155-Joe Dombrowski, 156-Sacha Modolo, 157-Tom van Asbroeck, 158-Michael Woods;

Katusha-Alpecin: 161-Maxim Belkov, 162-Alex Dowsett, 163-José Gonçalves, 164-Viacheslav Kuznetsov, 165-Maurits Lammertink, 166-Tony Martin, 167-Baptiste Planckaert, 168-Mad Würtz Schmidt;

Lotto Jumbo: 171-Enrico Battaglin, 172-George Bennett, 173- Koen Bouwman, 174-Jos van Emden, 175-Robert Gesink, 176-Gijs van Hoecke, 177-Bert-Jan Lindeman, 178-Danny van Poppel;

Sky: 181-Chris Froome, 182-David de la Cruz, 183, Philip Deignan, 184-Sergio Henao, 185-Vasil Kiryienka, 186-Christian Knees, 187-Wout Poels, 188-Salvatore Puccio;

Trek-Segafredo: 191-Gianluca Brambilla, 192-Matthias Brändle, 193-Laurent Didier, 194-Markel Irizar, 195-Ryan Mullen, 196-Giacomo Nizzolo, 197-Jarlinson Pantano, 198-Mads Pedersen;

UAE Team Emirates: 201-Fabio Aru, 202-John Darwin Atapuma, 203-Valerio Conti, 204-Vegard Stake Laengen, 205-Marco Marcato, 206-Manuele Mori, 207-Jan Polanc, 208-Diego Ulissi;

Wilier Triestina-Selle Italia: 211-Jakub Mareczko, 212-Liam Bertazzo, 213-Marco Coledan, 214-Giuseppe Fonzi, 215-Filippo Pozzato, 216-Alex Turrin, 217-Edoardo Zardini, 218-Eugert Zhupa.


11 de abril de 2018

Corrida ganha por José Gonçalves não vai realizar-se este ano

(Fotografia: Facebook Ster ZLM Toer)
Era uma daquelas corridas que animava a contagem decrescente até à Volta a França, tendo sempre com um pelotão bem interessante. Entre os vencedores estão nomes como Mark Cavendish, André Greipel, Philippe Gilbert, Sep Vanmarcke e o último foi José Gonçalves. A organização espera que não seja mesmo o último, pois foi obrigada a cancelar a edição de 2018, mas espera regressar no próximo ano.

"Infelizmente, esbarrámos com o facto de, depois de completar a estrutura financeira, alguns dos locais planeados saíram. Não há tempo para procurar alternativas nesta altura", explicou o director da corrida Anton Ganzeboom, num comunicado. Isto significa que algumas das localidades que estavam programadas receber o pelotão em 2018 acabaram por voltar atrás na decisão. Ganzeboom explicou que demora tempo para procurar novos locais e que "o processo de autorização está cada vez mais complexo".

Perante estas dificuldades, a opção foi anunciar desde já o cancelamento da Ster ZLM, que deveria realizar-se entre 13 e 17 de Junho. "Queremos dar a oportunidade às equipas de encontrar alternativas", salientou o responsável. Apesar da difícil decisão, Ganzeboom referiu que o objectivo passa agora por voltar mais forte: "Isto dá-nos espaço para nos concentrar para 2019. Então, queremos regressar mais forte do que nunca!"

A corrida holandesa é de categoria 2.1 e no ano passado teve então José Gonçalves como o grande vencedor. Foi uma disputa intensa com Primoz Roglic. O esloveno venceu a primeira etapa e assumiu a liderança, que perderia na quarta tirada. Foi a vez do português da Katusha-Alpecin triunfar, subir ao primeiro lugar na geral e mantê-lo no último dia, com 11 segundos a separá-lo de Roglic e 13 de Laurens de Plus, da Qucik-Step Floors. Dylan Groenewegen venceu duas etapas e Marcel Kittel a derradeira, em Oss.

As duas provas da mesma categoria, ainda que de características diferentes, que talvez possam beneficiar com esta saída do calendário da Ster ZLM são a Volta à Eslovénia e a Route du Sud. A corrida francesa é uma que Nairo Quintana gosta de fazer rumo ao Tour e já a venceu duas vezes. Na Eslovénia, Rafal Majka venceu em 2017 e Tiago Machado em 2014.

»»José Gonçalves conquista Ster ZLM num fim-de-semana de festa para a Katusha-Alpecin««

31 de março de 2018

Na Volta a Flandres não serão todos contra Sagan. O principal alvo será outro

Philippe Gilbert venceu a Volta a Flandres em 2017. Este ano é novamente
candidato, tal como quase todos os seus companheiros de equipa
Por uma vez não se pode dizer que será todos contra Peter Sagan. Pode estar inevitavelmente no topo da lista da favoritos na Volta a Flandres, contudo, esta época de clássicas tem sido marcada pela falta de um ciclista dominador, como foi Greg van Avermaet em 2017, por exemplo. No entanto, uma equipa que está a ser simplesmente irrepreensível e quase não houve clássica belga que lhe escapasse. A Quick-Step Floors será um alvo a abater porque dos sete corredores inscritos, quatro são candidatos e é melhor não tirar os olhos dos restantes três. É uma das edições em que não se pode destacar claramente um ou dois ciclistas. São vários os que surgem em condições de ganhar, mas falta saber como se irá jogar contra uma equipa tão perfeita neste tipo de provas e que irá obrigar os adversários a terem de controlar praticamente todos os seus corredores.

Esperam-se 264,7 quilómetros muito intensos entre Antuérpia e Oudenaarde. E fica já a boa notícia: o Eurosport vai transmitir toda a corrida, devendo começar às 9:15 (hora portuguesa, mais uma na Bélgica), com a prova a arrancar meia hora depois.

O circuito final que inclui duas passagens no Kwaremont e Paterberg é um momento muito esperado, mas é difícil, mesmo impossível, prever como estará a corrida quando aí se chegar, pois nessa altura já se estará a cerca de 50 quilómetros da meta. Há um ano foi quando faltavam cem que as movimentações começaram a revelar-se decisivas para Philippe Gilbert. Aos 121 quilómetros haverá uma primeira passagem no Kwaremont antes das duas da fase final. Esta subida tem 2,2 quilómetros, pendente máxima de 11,6%, mas média de 4% e tem uma parte em alcatrão e outra em pavé.

O Kapelmuur esteve ausente do percurso durante cinco anos, mas regressou em 2017 e volta a ser incluindo na edição deste domingo. Vai surgir a 95 quilómetros da meta e aqueles 750 metros, que chegam a ter 20% de inclinação, costumam ajudar a seleccionar quem estará em condições de discutir a corrida. Regressando ao conjunto Kwaremont/Paterberg, se a primeira subida é mais extensa e com uma pendente mais simpática, apesar de tudo, a segunda é de grande intensidade: 360 metros, com 12,9% de média e 20,3% de máxima. Em baixo fica a altimetria da 102ª Volta a Flandres, contudo, para conhecer em pormenor todas (e são muitas) as dificuldades da corrida, então carregue neste link e veja no site oficial o percurso que espera o pelotão.


Os candidatos

O principal, ou melhor, a principal, é a Quick-Step Floors. Desta feita é uma equipa que tem de surgir como a mais temível em vez de uma individualidade. Nesse aspecto, Sagan e Avermaet - o belga ainda sem vitórias nas clássicas em 2018 - são os crónicos candidatos, juntamente com Gilbert e Sep Vanmarcke (já se sabe que confirmar créditos de vencedor não tem sido fácil para o ciclista da EF Education First-Drapac powered by Cannondale, mas também a Avermaet custou-lhe começar a ganhar e depois foi o que se viu).

Este ano Tiesj Benoot  (Lotto Soudal) entra definitivamente no lote de candidatos de primeira linha. E não podia faltar Michal Kwiatkowski, da Sky, e Oliver Naesen, da AG2R. Jasper Stuyven está em boa forma, o mesmo não se pode dizer do colega da Trek-Segafredo, John Degenkolb. Os dois ficam numa segunda linha de candidatos, com o belga está ali bem perto da primeira. Ainda da Sky, atenção a Gianni Moscon e é melhor ninguém se distrair com Dylan van Baarle.

Edward Theuns (Sunweb) não deve passar despercebido. O belga está a precisar de um grande resultado para subir na lista de candidatos, mas qualidade não lhe falta para este tipo de corridas. Arnaud Démare é dos ciclistas que tem tido uma equipa, a FDJ, a dar-lhe um bom apoio, mas na Flandres a vida nunca é fácil para os blocos controlarem. Ainda assim o francês tem estado a melhorar no pavé, mas os muros na Bélgica têm tendência a complicar as ambições de Démare. Paris-Roubaix encaixa melhor nas suas características, como mostrou no ano passado (foi sexto). Ainda assim, não se pode afastar por completo a sua candidatura na Flandres.

Falta o outsider dos outsiders e que só não está junto de Sagan e companhia, porque está a dar os primeiros passos a este nível e ainda há que mostrar que consegue manter os bons resultados. Mas certo é que talento não lhe falta e Wout Van Aert já é um ciclista belga que muito entusiasma. Ganhar a Volta a Flandres não seria uma surpresa total. Será que alguém ainda acredita que ficará na Vérandas Willems-Crelan em 2019?

Para terminar a lista dos candidatos... a principal candidata. A Quick-Step Floors venceu sete corridas de um dia na Bélgica e só Niki Terpstra repetiu os festejos. Peter Sagan intrometeu-se neste domínio ao bater Elia Viviani na Gent-Wevelgem. Terpstra estará presente, assim como Philippe Gilbert, vencedor do monumento no ano passado. Aquela fuga solitária de 50 quilómetros ficará como um dos grandes momentos do ciclismo. Segue-se Yves Lampaert. O belga foi decisivo em ajudar Terpstra em Harelbeke e depois ganhou pelo segundo ano consecutivo a Dwars door Vlaanderen (Através da Flandres). O checo Zdenek Stybar afirmou que espera que neste domingo ou então no próximo, no Paris-Roubaix, possa festejar uma vitória nestas corridas míticas.

Iljo Keisse, Tim Declercq e Florian Sénéchal até podem ser vistos mais como homens de trabalho, mas nesta Quick-Step Floors todos trabalham e todos têm a sua oportunidade de ganhar. Nunca é de mais recordar que a equipa belga soma 20 vitórias em 2018, distribuídas por 10 ciclistas.

Apenas uma referência a Vincenzo Nibali que tem recebido muita atenção. O italiano da Bahrain-Merida vai estrear-se na Volta a Flandres aos 33 anos e mesmo que não seja visto como favorito, é um ciclista que pode não conhecer os muros e o pavé do monumento, mas vai estar certamente a ser controlado pelos adversários.

Os portugueses

Aparecem no final do texto não significa que não tenham hipóteses. Pelo contrário, é como que deixar o melhor para fim, ou seja, o sonho de ver um ciclista português pelo menos no pódio. Que bom seria que José Gonçalves tivesse liberdade e é bem provável que assim seja. Tony Martin surge como líder da Katusha-Alpecin, mas uma corrida como esta encaixa melhor no gémeo de Barcelos. Gonçalves irá fazer a sua estreia no monumento da Flandres e a falta de experiência poderá ser um handicap. Porém, a sua qualidade compensa este factor. Há que não esquecer que foi 11º na primeira Strade Bianche que fez.

Já Nelson Oliveira conhece bem esta corrida e conta com dois top 20. É uma prova que aprecia muito e o ciclista da Movistar tem mostrado que está a subir de forma rumo precisamente à Volta a Flandres. Entrar no top dez não seria surpresa nenhuma e se a sorte estiver do seu lado - se há provas em que este factor é quase tão importante como a condição física, são as do pavé -, atenção a Oliveira. A sua lado estará Nuno Bico, que procura um resultado positivo que o lance para uma boa temporada, que não tem sido fácil.

»»Nibali pode igualar feito de há 46 anos na estreia na Volta a Flandres««

8 de março de 2018

José Gonçalves, o novo grande amigo de Marcel Kittel

(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Incansável! José Gonçalves teve um papel preponderante na primeira vitória de Marcel Kittel na Katusha-Alpecin. Estava difícil e o próprio sprinter admitiu ser um alívio finalmente ganhar. Não há grandes dúvidas que o sentimento na equipa deve ser geral. Kittel é a figura máxima do dia... e sempre que há um sprint. Ganhou, batendo um Peter Sagan que se apressou a cumprimentar o alemão. Porém, há que destacar José Gonçalves e não apenas por ser português, mas por ser um ciclista que já se conhece a qualidade, a capacidade de ajudar líderes e de lutar por vitórias, e agora também por se tornar no novo grande amigo de Marcel Kittel, um dos melhores sprinters do mundo na história do ciclismo.

Esteve quilómetros intermináveis na frente, umas vezes a puxar, outras a ajudar a controlar o ritmo, contudo, foi este o ciclista da Katusha-Alpecin que mais trabalhou para garantir que o seu sprinter chegasse a Follonica nas melhores condições para discutir o sprint. O lançamento nem foi o melhor. O timing de saída dos lançadores de Kittel não foi perfeito. O alemão pareceu ficar um pouco cedo sozinho na frente, mas aí a "fúria" do alemão veio ao de cima. Arrancou, aguentou Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) e ganhou como Kittel tanta vez já o fez: de forma dominante (pode ver aqui as classificações da segunda etapa do Tirreno-Adriatico). Claro que se pedem mais vitórias - a equipa só soma duas, com Nathan Haas a ter ganho uma tirada na Volta a Omã -, mas pelo menos este enguiço está quebrado para Kittel e muitas são as vezes que o difícil é vencer a primeira.

(Fotografia: Facebook Tirreno-Adriatico)
Há motivos para celebrar na Katusha-Alpecin e muito se falará de Marcel Kittel. Mas José Gonçalves merece estar ao lado do alemão nos holofotes. O ciclista de Barcelos chegou no ano passado à equipa suíça. Já há algumas temporadas que o World Tour parecia mais do que destinado ao gémeo Gonçalves, mas este deu o passo aos 28 anos (o irmão, Domingos, está na Rádio Popular-Boavista e venceu este fim-de-semana a Clássica da Primavera). O contrato era de 12 meses, contudo, rapidamente se percebeu que se estava a tornar numa peça essencial na equipa de José Azevedo. 11º na Strade Bianche - este ano foi 27º -, um Giro irrepreensível na ajuda a Ilnur Zakarin e a vitória na Ster ZLM foram três destaques de 2017 e que contribuíram para a renovação até 2019.

José Gonçalves confessou na altura que era algo que lhe dava maior tranquilidade. Com a chegada de Marcel Kittel e depois da exibição na segunda etapa do Tirreno-Adriatico, fica claro que o ciclista português se tornou num homem de confiança para o outro líder da Katusha-Alpecin. E agora? Com Kittel e Zakarin a estarem escalados para o Tour, em condições normais poderemos estar perante a possibilidade da estreia do português na grande volta que lhe falta. Ajudará Kittel ou Zakarin? Ou os dois? Se se confirmar uma presença no Tour, dificilmente veremos Gonçalves com liberdade para alcançar ele próprio um resultado. O corredor poderá tornar-se num controlador de etapas, um gregário de luxo que Zakarin e Kittel vão adorar ter ao seu lado.

Porém, quem trabalha como o faz Gonçalves para os outros, estará destinado a ter as suas oportunidades e José Azevedo sabe a importância de premiar ciclistas como Gonçalves, ou Erik Zabel, que já desde do ano passado demonstra que é um sprinter com futuro. E não vamos esquecer que Tiago Machado continua bem cotado dentro da Katusha-Alpecin, que irá apostar muito forte no Tour. Em 2017, o português esteve exemplar no grande volta francesa, apesar de Alexander Kristoff não ter conseguido aproveitar o trabalho de Machado. De recordar que começou a época vencendo a Prova de Abertura Região de Aveiro, ao serviço da selecção nacional, com uma fuga solitária de 80 quilómetros.

Ian Boswell, Alex Dowsett, Nathan Haas foram reforços importantes, além de Kittel, claro, numa equipa que conta ainda com Tony Martin, por exemplo. Há um grande foco no Tour e a Katusha-Alpecin poderá apresentar uma das suas equipas mais fortes dos últimos anos e José Gonçalves tem tudo para ser uma das figuras, um gregário de luxo, quando é chamado a essa função, um ciclista de ataque quando lhe dão liberdade. Pode parecer que chegou tarde ao World Tour, mas chegou mais do que a tempo para deixar a sua marca.

»»Domingos Gonçalves responde ao repto do director desportivo««

»»Não digam que está velho e acabado! Eis Tiago Machado««

21 de janeiro de 2018

Os portugueses no World Tour e as expectativas para 2018

São seis os portugueses que este ano estão no World Tour e todos estiveram em acção na primeira prova do ano, no Tour Down Under. Em 2018 não haverá nenhuma estreia lusa no principal escalão, mas houve duas saídas. José Mendes terminou contrato com a Bora-Hansgrohe e está agora na espanhola Burgos-BH. Já André Cardoso continua provisoriamente suspenso enquanto espera pela resolução do processo sobre o teste positivo de doping, que foi conhecido pouco antes da Volta a França. O ciclista de Gondomar tinha apenas um ano de contrato com a Trek-Segafredo. Rui Costa, Tiago Machado e Nelson Oliveira são os mais experientes que continuam no World Tour, enquanto o campeão nacional Ruben Guerreiro (que bem que começou a época), Nuno Bico e José Gonçalves iniciam o segundo ano junto da elite do ciclismo mundial.

O que se pode esperar destes ciclistas?

Rui Costa (31 anos, UAE Team Emirates)
(Fotografia: UAE Team Emirates)
Será um ano muito importante para o campeão do mundo de 2013. Está em final de contrato e o seu estatuto na equipa sofreu um forte revés com a chegada de Fabio Aru e Daniel Martin. Tanto o italiano como o irlandês serão os líderes nas grandes voltas e mesmo nas clássicas das Ardenas, poderá não ser fácil a Rui Costa ter o seu espaço. Para o poveiro é essencial mostrar que sabe jogar em equipa, mas também que podem continuar a contar com ele para lutar por vitórias, como aconteceu no ano passado, quando teve um arranque de temporada muito forte, com triunfos na Volta a San Juan (na etapa rainha) e em Abu Dhabi (etapa e geral).

Ainda se desconhece qual das grandes voltas irá estar, pelo que para já terá como um dos principais objectivos lutar na clássica e monumento que tanto gosta e onde já fez pódio: Liège-Bastogne-Liège.

Depois do 35º lugar na Austrália, a 3:11 minutos do vencedor, o sul-africano Daryl Impey (Mitchelton-Scott). Rui Costa segue para Omã, Abu Dhabi, Paris-Nice, País Basco e o trio das Ardenas: Amstel Gold Race, Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège. Chegou o momento de Rui Costa puxar dos galões de campeão do mundo.

Tiago Machado (32 anos, Katusha-Alpecin)
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Aquele Tiago Machado lutador, que tanto animava corridas, deu lugar a um homem de confiança para os líderes da Katusha-Alpecin. É esse o papel que continuará a desempenhar, mas é impossível mantê-lo "fechado" nessa função e certamente que terá a oportunidade para se mostrar, como sempre o fez. Porém, com a equipa liderada por José Azevedo a ficar mais forte com a chegada de Marcel Kittel e com Ilnur Zakarin a ter expectativas redobradas depois do pódio na Vuelta, Machado tanto terá de ajudar a preparar terreno para os sprints do alemão, como ser um dos homens ao lado do russo.

É precisamente por esta capacidade de fazer diferentes tipos de trabalho que Tiago Machado continua a ser tão valorizado na equipa. Claro que esperamos sempre vê-lo novamente na luta por vitórias, como aconteceu em 2017 na Liège-Bastogne-Liège, mas não haverá dúvidas que será dos mais felizes quando um dos seus companheiros triunfar. É o ciclista de equipa por excelência.

O seu contrato foi renovado apenas por um ano, mas não é algo que abane a convicção de Machado, que cada dia que vive no ciclismo e que tanto partilha nas redes sociais, é um dia de alegria contagiante. Depois da Austrália, onde terminou na 58º posição e 13:50, o português vem até à Volta ao Algarve.

Nelson Oliveira (28 anos, Movistar)
(Fotografia: Movistar)
A queda no Paris-Roubaix estragou boa parte da temporada a Nelson Oliveira, que apareceu forte a terminar o ano, com o quarto lugar nos mundiais de contra-relógio como destaque (e que destaque!). Em condições normais, o ciclista português deverá regressar ao seu papel de fiel homem de trabalho seja para Nairo Quintana, Alejandro Valverde e agora Mikel Landa. Porém, as clássicas do pavé são uma paixão e deverão ser novamente uma aposta. Foi 18º na Volta a Flandres e tem capacidade (e principalmente muita vontade) para estar na luta por melhor.

Claro que também se espera por ver onde mais poderá levar as suas qualidades de contra-relogista. Se não tiver de poupar esforços a pensar noutras etapas para ajudar os líderes, a Movistar poderá muito bem tirar o melhor partido de um corredor que já pede uma nova grande vitória, depois da etapa na Vuelta em 2015.

O contrato foi renovado até 2019, o que demonstra a confiança da equipa espanhola em Nelson Oliveira que quererá realizar um ano forte depois de um 2017 prejudicado pela tal queda. Para já, o corredor está claramente a ganhar forma, como comprova o 58º posto no Tour Down Under, a 14:18 minutos de Impey.

José Gonçalves (28 anos, Katusha-Alpecin)
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
O World Tour pode ter chegado mais tarde do que se esperava, mas José Gonçalves rapidamente conquistou o seu lugar na equipa e, principalmente, o respeito como um ciclista de qualidade, tanto a trabalhar para os líderes, como a estar na frente da corrida. Vencer a Ster ZLM confirmou um estatuto de ciclista a dar oportunidades e ganha a experiência que o próprio admitiu que lhe faltou, por exemplo, na Strade Bianche, 2018 é um ano que promete.

Em perspectiva está uma estreia na Volta a França. Ilnur Zakarin vai apostar no Tour e depois de ter estado tão bem ao lado do russo no Giro - na Vuelta caiu e abandonou muito cedo - é possível que seja um dos eleitos. Depois é esperar para saber como será organizada a equipa nas provas de uma semana e clássicas. Há líderes para quase todas as corridas, mas depois da época de estreia, será difícil o gémeo Gonçalves não ter a sua oportunidade.

Se não houvesse total confiança de tudo o que pode dar à Katusha-Alpecin, não teria visto o seu contrato ser renovado por dois anos. A tranquilidade que daí advém poderá ser mais um factor importante nas exibições do ciclista. No Tour Down Under foi 85º, a 24:58 de Daryl Impey. A ganhar forma, certamente, quem sabe para a Volta ao Algarve...

Nuno Bico (23 anos, Movistar)
(Fotografia: Movistar)
Começar a temporada com uma queda que deixou marcas bem visíveis, nunca é o desejado. Porém, foi também uma forma de demonstrar o carácter de Nuno Bico. Aguentou, terminou esse dia debaixo de um calor insuportável e ficou mesmo até final do Tour Down Under. A Movistar deu tempo e espaço para o jovem ciclista se adaptar ao mais alto nível do ciclismo em 2017. A época teve alguns altos e baixos, com lesões, mas o melhor de Nuno Bico ainda está para vir.

É o último ano de contrato, o que pode sempre provocar alguma pressão. No entanto, o ciclista deverá concentrar-se em mostrar aquele lado decidido com que enfrenta as corridas, sempre acreditando que o melhor pode acontecer. Agora que já passou a fase de deslumbre por estar ao lado das referências mundiais do ciclismo, Bico não tem a obrigatoriedade de começar a ganhar, longe disso, contudo, há que mostrar que está a evoluir como é esperado.

A equipa espanhola valoriza muito esta fase dos seus jovens ciclistas. Aponta para uma evolução cuidada, com timings certos para soltar o talento. Pede-se consistência, demonstração de qualidade, como o tentou fazer na Austrália antes da queda. Bico foi 67º, a 17:15 minutos, no Tour Down Under.

Ruben Guerreiro (23 anos, Trek-Segafredo)
(Fotografia: Trek-Segafredo)
Tendo em conta o que aconteceu na Austrália, pode-se dizer que se guardou o melhor para o fim! Ruben Guerreiro parece dar-se bem com o calor daquele país, pois há um ano começou por destacar-se ao chegar a liderar a classificação da juventude. A época sofreu uns percalços, mas houve tempo para ser campeão nacional de elite, na primeira vez que participou na corrida neste escalão. E foi com esta camisola vestida que foi fazer top 10 no Tour Down Under. Uma prova World Tour, é preciso não esquecer. Foi nono, a 23 segundos de Impey e a apenas três de Egan Bernal (Sky) na classificação da juventude.

Ruben Guerreiro figura nas listas dos meios de comunicação social especializados de um dos jovens a seguir com atenção. É mais um "produto" da equipa de Axel Merckx e precisa de encontrar alguma estabilidade, ou seja, uma época sem problemas físicos, que o permita manter a forma e apontar às corridas que melhor lhe assentam resultados bem positivos. O campeão nacional vai continuar pela Austrália para a Cadel Evans Great Ocean Race e Herald Tour e depois do que fez a abrir, a Trek-Segafredo vai querer ver o que mais poderá render o português.

Volta ao Algarve, Settimana Internazionale Coppi e Bartali, Volta ao País Basco, Amstel Gold Race, Flèche Wallonne, Liège-Bastogne-Liège, Volta à Califórnia e Critérium du Dauphiné são as corridas previstas no seu calendário. Em final de contrato, Guerreiro tem tudo para singrar no World Tour e o próprio estará mais do que entusiasmado para que todos comecem a conhecer bem o seu nome. Se assim for, uma renovação chegará com naturalidade.

»»Fabio Aru na UAE Team Emirates. Que papel terá Rui Costa em 2018?««

»»"Gostaria muito de voltar a trabalhar com o Nelson Oliveira"

28 de dezembro de 2017

Tony Martin e Arnaud Démare inscritos na Volta ao Algarve

Martin já não vestirá a camisola do arco-íris na próxima Volta ao Algarve,
mas procurará a terceira vitória na corrida
O arranque da época aproxima-se e os calendários dos ciclistas vão sendo definidos. Com a Volta ao Algarve preparada para arrancar em Albufeira a 14 de Fevereiro, os primeiros nomes começam a ser inscritos para a 44ª edição. Tony Martin é já uma figura habitual na Algarvia e Arnaud Démare também estará de regresso. Entre os portugueses que estão em equipas estrangeiras, quatro já estão nas listas enviadas à organização: José Gonçalves, Tiago Machado, Rafael Reis e Joaquim Silva.

Tony Martin pode não estar a atravessar o melhor momento da sua carreira, mas procura em 2018 compensar um ano de estreia na Katusha-Alpecin que ficou muito aquém do esperado. O quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio quer estar bem neste início de temporada, pois está de olho nas clássicas da primavera. O alemão de 32 anos tem boas memórias da Volta ao Algarve, tendo vencido a corrida em 2011 e 2013. Martin tem condições para aspirar a outro triunfo, tendo em conta que o contra-relógio até tem potencial para o beneficiar. No entanto, a equipa levará outro forte candidato: Simon Spilak

José Azevedo tem como objectivo de temporada para o esloveno precisamente as corridas de uma semana, aproveitando assim as características deste ciclista que este ano ganhou a Volta a Suíça pela segunda vez na carreira. Jhonatan Restrepo é mais uma das promessas colombianas no pelotão internacional. O jovem de 23 anos quer fazer de 2018 a época da sua afirmação. As clássicas são o seu forte, mas aos poucos vai também mostrando que corridas como a Algarvia podem assentar-lhe bem, numa altura em que vai melhorando nas subidas. Robert Kiserlovski e Maurits Lammertink tanto podem ser uma boa ajuda, como podem tentar surpreender numa fuga. Os portugueses José Gonçalves e Tiago Machado completam a Katusha-Alpecin, ficando-se à espera de ver se terão liberdade, ainda mais estando a competir no seu país. Marcel Kittel, a grande contratação para 2018 e que já venceu na Algarvia, não está entre os nomes inscritos.

A FDJ traz um conjunto muito a pensar em Arnaud Démare. O sprinter campeão nacional francês é mais um ciclista que irá estar a preparar a fase das clássicas. Ignatas Konovalovas (campeão de estrada e de contra-relógio da Lituânia), David Cimolai, Jacopo Guarnieri e o reforço Antoine Duchesne (canadiano da Direct Energie) deverão estar mais no apoio a Démare, com o jovem Olivier le Gac (24 anos) a ter uma oportunidade para mostrar as suas qualidades, ainda que para a geral a aposta deverá ser o holandês - e mais um campeão nacional - Ramon Sinkeldam. O ciclista deixou a Sunweb para ter um papel de mais destaque e na Algarvia terá a possibilidade de começar a afirmar-se desde o início da temporada na FDJ.

Quanto à Caja Rural, os destaques vão inevitavelmente para os dois portugueses. Rafael Reis prepara-se para cumprir o segundo ano na estrutura espanhola do escalão Profissional Continental e irá ter ao seu lado em 2018 Joaquim Silva que, tal como Rafael, representou a W52-FC Porto. Ambos poderão ter um papel de destaque numa equipa que irá trazer ao Algarve ciclistas muito jovens. Rafael e Joaquim são mesmo os mais velhos (25 anos). Josu Zabala, Gonzalo Serrano, Mauricio Moreira, Miguel Ángel Benito e Julen Amezqueta são os eleitos.

De recordar que estas são listas de pré-inscritos e que podem sofrer alterações. A Dimension Data ainda não confirmou os seus ciclistas, mas Louis Meintjes foi o primeiro a anunciar que pretendia estar na Volta ao Algarve, de forma a preparar a estreia na Giro. Geraint Thomas (Sky) - vencedor em 2015 e 2016 - e Peter Kennaugh (Bora-Hansgrohe) também estarão presentes.

A Volta ao Algarve decorre entre 14 e 18 de Fevereiro e contará com um recorde de equipas do World Tour: 13. Veja aqui o percurso.