Mostrar mensagens com a etiqueta José Gonçalves. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Gonçalves. Mostrar todas as mensagens

10 de dezembro de 2017

Kittel autorizado a vestir equipamento da Katusha-Alpecin para mostrar "hipocrisia da UCI"

(Fotografia: Twitter Katusha-Alpecin)
A Katusha-Alpecin foi a mais recente das equipas a revelar como irá equipar-se em 2018. Na apresentação, em Maiorca, Marcel Kittel foi o centro das atenções, mas não apenas por ser... Kittel, também por estar vestido com as novas cores, tendo em conta que, até ao fim do ano, é ciclista da Quick-Step Floors. O sprinter alemão participou na sessão fotográfica e o seu ainda patrão explicou que autorizou Kittel para assim mostrar a "hipocrisia da UCI". Patrick Levefere mostrou o seu desagrado para com as regras contratuais impostas pelo organismo que tutela o ciclismo mundial.

"Autorizei-o a participar na sessão de fotografias da @katushacycling para provar a hipocrisia do sistema da @uci_cycling. Nós @quickstep_team teremos de pagar até 31 de Dezembro", lê-se no Instagram do director da equipa belga. Os contratos dos ciclistas começam normalmente a 1 de Janeiro, terminando no final do ano acordado. São raros os casos dos corredores que saem a meio da temporada (em Agosto, quando é possível negociar novos vínculos). Neste caso, Lefevere refere-se ao facto de, apesar de Marcel Kittel estar de malas aviadas para a Katusha-Alpecin, já estar inclusivamente a treinar com os novos companheiros, o alemão tem de utilizar o equipamento da Quick-Step Floors e a formação belga paga-lhe o ordenado até dia 31.

Se Lefevere não tivesse autorizado Kittel a vestir o seu futuro equipamento e o sprinter o tivesse feito, por exemplo, o director poderia cortar no salário que ainda tem de pagar ao ciclista como sanção. Esta regra faz com que os reforços tenham de esperar por 1 de Janeiro para se mostrarem com as novas cores, o que num mercado que tenta cada vez mais apostar no marketing e nos produtos ligados as equipas de ciclismo, ter de esperar por "exibir" Kittel, ou seja quem for a estrela contratada, poderá significar menos "dinheiro em caixa" durante umas semanas.

Autorização idêntica terá chegado da Movistar e da Dimension Data, pois Alex Dowsett e Nathan Hass surgiram igualmente equipados a rigor. Porém, durante o estágio que a Katusha-Alpecin está a realizar até ao próximo dia 15, em Espanha, os três ciclistas vestem as camisolas e utilizam as bicicletas da equipa por quem ainda têm contrato.

Kittel motivado para o novo desafio

O sprinter alemão reapareceu ao seu melhor em 2017, com destaque para as cinco vitórias na Volta a França, com a camisola verde a provavelmente escapar-lhe depois de uma queda que o obrigou a abandonar. No entanto, com Fernando Gaviria em clara ascensão na Quick-Step Floors, Marcel Kittel não quis correr o risco de se ver obrigado a ficar de fora no Tour para dar lugar ao colombiano. José Azevedo não desperdiçou a oportunidade para garantir aquele que é considerado um dos melhores na sua especialidade. O director português da equipa "trocou" um Alexander Kristoff em crise de grandes triunfos, por um Kittel de regresso à sua melhor versão.

"Estou muito contente por ter regressado a um nível que havia demonstrado no passado. O meu próximo grande objectivo é conhecer os meus novos companheiros e ver como vamos trabalhar juntos. Não vamos pensar ainda nas vitórias. Estar numa equipa de alto nível internacional é uma forte motivação para mim. Penso que encaixo bem e sinto que juntos poderemos conseguir algo importante. Sinto-me muito bem aqui", referiu Marcel Kittel na apresentação.

José Azevedo agradeceu o que Kristoff deu há equipa durante os seis anos em que a representou, mas não tem dúvidas em dizer que agora tem o melhor sprinter do mundo. "Temos ciclistas para trabalhar e lançá-lo. Este grupo de corredores apoiará o Marcel da melhor maneira", assegurou o director geral. Porém, apesar de Kittel ser a estrela maior, no que diz respeito a objectivos a outra responsabilidade está do lado de Ilnur Zakarin. O ciclista russo foi quinto no Giro e na Vuelta conseguiu finalmente um pódio (terceiro). Em 2018 o ataque será ao Tour e José Azevedo destaca que também Zakarin terá uma boa equipa em seu redor, destacando Ian Boswell (Sky), outro dos reforços para 2018. O ciclista russo afirmou que quer estar entre os cinco primeiros da geral quando cortar a meta nos Campos Elísios.

O responsável português salientou que Simon Spilak será ciclista para lutar por corridas de uma semana e deixa uma garantia quanto a umas das desilusões de 2017: Tony Martin. "Ainda tem muito para dar ao ciclismo", frisou.

Entre os reforços estão ainda Steff Cras, belga de 21 anos, e Willie Smit, sul-africano de 24. Já nas saídas, destaque para o final da carreira dos espanhóis Alberto Losada e Ángel Vicioso, Michael Morkov vai para a Quick-Step Floors, Matvey Mamykin será colega de José Mendes na Burgos-BH - o contingente russo é cada vez mais pequeno e já só serão quatro ciclistas -, enquanto Rein Taaramäe tentará relançar a carreira na Direct Energie, depois de uma época muito apagada.

E não nos podemos esquecer que dois portugueses têm lugar de relevo nesta estrutura. Tiago Machado renovou por mais um ano e vai para o seu quarto nesta formação. José Gonçalves assinou até 2019, depois de uma época de estreia no World Tour muito positiva.


De recordar que a Katusha-Alpecin é uma das nove equipas do World Tour com presença confirmada na Volta ao Algarve, pelo que está em aberto ver de novo Marcel Kittel a lutar nos sprints em Lagos e Tavira. Nesta última cidade, ganhou em 2016.

»»Nova era da Katusha-Alpecin com confirmação de Zakarin e despedida de Kristoff««

2 de dezembro de 2017

Nova era da Katusha-Alpecin com confirmação de Zakarin e despedida de Kristoff

Zakarin realizou uma excelente temporada (Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
Foi o cortar com as raízes russas. José Azevedo tem um enorme desafio pela frente e em 2017 conseguiu um dos seus objectivos como director geral da Katusha-Alpecin: Ilnur Zakarin confirmou credenciais e subiu ao pódio de uma grande volta. Porém, confirmou-se também uma perspectiva negativa: Alexander Kristoff perdeu a chama de vencedor nas principais corridas. É o autor de mais de metade das vitórias deste ano da Katusha-Alpecin, mas só duas foram no World Tour, nas clássicas Eschborn-Frankfurt e Prudential RideLondon-Surrey. Ser campeão da Europa não tem o estatuto de uma vitória no Tour ou num monumento e o norueguês viu ainda Peter Sagan frustrar-lhe a tentativa de ser campeão do mundo no seu país. Tony Martin foi uma das principais contratações da temporada, mas não rendeu nada do que era esperado. Os portugueses Tiago Machado e José Gonçalves fizeram uma temporada muito positiva e viram os seus contratos serem renovados.

A Katusha deixou de ser a equipa de referência da Rússia e não só trocou de nacionalidade - é agora suíça - como entrou um novo patrocinador, a Alpecin, como também terminou com a ligação a muitos ciclistas russos, tornando-se mais internacional. Como curiosidade, um deles, Egor Silin, assinou pela Rádio Popular-Boavista. Tony Martin foi o grande investimento. Depois de cinco anos na estrutura da actual Quick-Step Floors, o quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio queria um novo desafio, mas não esteve à altura. Até começou o ano a ganhar na segunda etapa da Volta à Comunidade Valenciana. Depois... nada. Nem exibições à Martin, nem vitórias nos contra-relógios. Salvou-se o título nacional da especialidade.

Se de Martin esperava-se mais, de Alexander Kristoff então, nem se fala. A Katusha-Alpecin construiu dois blocos: um para apoiar o norueguês nos sprints e nas clássicas e outro para proteger Ilnur Zakarin. As exibições de Kristoff chegaram a ser penosas de ver, como quando o seu lançador, Rick Zabel, trabalhou muito bem para o seu líder, que depois nem o conseguiu passar para discutir o sprint. Zabel - e o apelido não engana, é mesmo filho Erik Zabel - foi outra das contratações e poderá ser uma aposta ganha num futuro próximo. Tem 23 anos, muito para progredir e vai estar ao lado de Marcel Kittel, podendo muito bem aprender com um mestre do sprint. Nas clássicas, a oportunidade poderá chegar já em 2018.

Com o passar dos meses e com Kristoff a falhar todas as principais metas, o mal-estar começou a ser difícil de esconder. O norueguês chegou a admitir publicamente que lhe tinha dito que estava com peso a mais, com o ciclista a garantir que estava igual a outros anos. Ficou claro que a porta de saída estava aberta. Kristoff assinou pela UAE Team Emirates.

Ranking: 11º (5619 pontos)
Vitórias: 17 (incluindo a Eschborn-Frankfurt e uma etapa e a geral na Volta à Suíça e a Prudential RideLondon-Surrey)
Ciclista com mais triunfos: Alexander Kristoff (9)

Com Kristoff a ganhar em corridas secundárias - Volta a Omã, ou Artic Race, por exemplo -, a pressão de bons resultados recaiu em Ilnur Zakarin. O potencial estava lá, mas o russo parecia ser algo perseguido por algum azar. Ainda assim, já tinha uma etapa no Giro e outra no Tour. Porém, este russo queria um pódio, queria até estar na luta por uma vitória numa grande volta. Itália assenta bem a Zakarin e mais uma vez apareceu em alta. Desta feita não houve incidentes que ditassem o abandono - ainda que tivesse perdido algum tempo muito cedo na corrida - e acabou em quinto, sendo ainda três vezes segundo em etapas. Os resultados renovaram a confiança do russo.

Saltou o Tour para apostar na Vuelta e em boa hora o fez. Grande corrida, quase sempre na frente, na discussão. Ainda não esteve ao nível de debater-se em pé de igualdade com Froome, mas conseguiu um muito esforçado terceiro lugar. É caso para dizer que Zakarin está no ponto.  E foi ainda campeão nacional de contra-relógio. Em 2018 é possível que regresse ao Tour, mas ganhar uma das três principais corridas de três semanas é agora claramente o objectivo. Falta saber qual será a preferida.

Quanto aos portugueses, é uma pena não se poder ver mais Tiago Machado naquela sua versão de homem de ataque, que mexe nas corridas e procura vitórias. Teve liberdade na Liège-Bastogne-Liège, mas apesar de inicialmente o seu grupo de fugitivos ter ganho uma vantagem de respeito, a tentativa não resultou. No resto do ano, Machado foi aquele ciclista que a Katusha tanto aprecia. É de confiança ao lado dos líderes, trabalhador incansável que cumpre à risca o que lhe é pedido. O Tour foi prova disso. Muito se viu o português na frente do pelotão sempre a pensar em Kristoff. José Azevedo renovou por mais um ano com Machado, que teve um resultado que até pode ter passado despercebido, mas foi um de destaque individual: 11º no Tour de Yorkshire.

Já José Gonçalves foi premiado com dois anos de contrato. Finalmente fez a estreia ao mais alto nível e tal como Tiago Machado, já não pode ser aquele ciclista irreverente, que está sempre pronto a atacar. No entanto, teve mais liberdade do que o compatriota. Aquela Strade Bianche será para recordar. Gonçalves integrou a fuga e conseguiu manter-se na frente quando esta terminou. Ficou à porta do top dez (11º) e o próprio admitiu que lhe faltou experiência para talvez conseguir ainda melhor. Porém, ficou o sinal claro que a Katusha-Alpecin tem ciclista para procurar triunfos em algumas corridas. E só para não restarem dúvidas foi à Holanda ganhar a Ster ZLM, além de uma etapa.

No mês antes tinha sido um dos ciclistas mais importantes no trabalho a Ilnur Zakarin na Volta a Itália. Como gregário passou um teste de fogo e na Vuelta lá estava Gonçalves novamente entre os eleitos. Infelizmente acabou por abandonar na sexta etapa devido a uma queda. No entanto, não estragou uma temporada convincente. José Gonçalves conseguiu no seu primeiro ano no World Tour ganhar um lugar de destaque na Katusha-Alpecin.

Para 2018, chega então Kittel para dar as vitórias que Kristoff não foi capaz, mas José Azevedo não se ficou pelo sprinter alemão. Foi buscar Ian Boswell à Sky, ciclista que será um apoio importante para Zakarin, tal como Alex Dowsett (Movistar). O primeiro terá uma missão de apoio na montanha, mas ambos vão ser importantes no contra-relógio. Se a aposta for o Tour - haverá inevitavelmente uma divisão de atenção entre Zakarin e Kittel -, juntamos Tony Martin e o contra-relógio colectivo poderá ser um dia bom para a Katusha-Alpecin. Da Dimension Data chega o australiano Nathan Haas que além das corridas por etapas, será um bom reforço para as clássicas. O sul-africano Willie Smit é a contratação mais desconhecida, sendo mais um jovem (24 anos) que a equipa quererá desenvolver.

O plantel para a próxima temporada é forte: Jhonathan Restrepo, Maurits Lammertink, Mads Würtz Schmidt, Marco Mathis ou os mais experientes Baptiste Planckaert e Simon Špilak (venceu a Volta a Suíça) continuam na Katusha-Alpecin. A equipa de José Azevedo quer atingir outro patamar e reforçou-se bem para alcançar esse objectivo.

20 de novembro de 2017

O melhor ciclista português em 2017. Vamos a votos

2017 foi novamente um ano de grandes exibições de ciclistas portugueses em corridas importantes a nível internacional e, claro, nacional. Quem foi o melhor? A escolha é difícil e começa logo por ser complicado reduzir a votação a cinco candidatos. Amaro Antunes, Rui Costa e Nelson Oliveira destacaram-se. Frederico Figueiredo foi de uma regularidade invejável. Mesmo sem vitórias, terminar no top dez é algo quase natural para este ciclista, também muito importante no trabalho de equipa. José Gonçalves fez a estreia no World Tour e mesmo preso a funções em prol de um líder, não só as cumpriu, como ainda aproveitou as oportunidades que lhe foram dadas. Há um ano, foi ele o mais votado no Volta ao Ciclismo.

Pode votar no lado direito do blog. Caso esteja na versão para telemóvel, no final da página tem o link para ver a versão web, podendo depois assinalar a sua escolha. Aqui ficam os cinco candidatos (por ordem alfabética).

Amaro Antunes (26 anos) - W52-FC Porto
O ciclista algarvio teve um ano com tantos momentos brilhantes que quase se torna difícil escolher qual o mais marcante. Quase, porque ganhar no Alto do Malhão, na Volta ao Algarve, é inevitavelmente especial. Ainda antes de correr em casa mostrou-se em Espanha, na Volta à Comunidade Valenciana. Ali esteve Amaro ao lado de Nairo Quintana, tendo terminado nesse dia em terceiro.

Após o Malhão, ganhou a Clássica da Arrábida, a etapa do Montejunto e a geral do Troféu Joaquim Agostinho. Na Volta a Portugal acabou por trabalhar para Raúl Alarcón e fez uma subida à Serra da Estrela memorável e decisiva para selar a Volta para o colega. Amaro ficou com a etapa e a classificação da montanha. Falamos aqui de vitórias, mas a época foi rica em resultados quase sempre entre os melhores.

A escolha de assinar pela W52-FC Porto não podia ter sido mais acertada, mas com exibições como as que mostrou, seria estranho não aparecer uma boa proposta para outros voos. O World Tour abriu-lhe as portas, mas o desejo de ter a oportunidade de continuar a lutar por vitórias, agora em algumas das mais importantes competições mundiais, fê-lo escolher a equipa polaca da CCC Sprandi Polkowice, do segundo escalão.

Frederico Figueiredo (26 anos) - Sporting-Tavira
Olha-se para os resultados deste ciclista e o top dez é recorrente. Por cá ou em Espanha, Frederico Figueiredo esteve uma temporada inteira a dar garantias ao Sporting-Tavira de resultados muito positivos, além de ser um ciclista importante sempre que a ordem é ajudar um dos seus líderes. Mas ter Joni Brandão, Alejandro Marque e Rinaldo Nocentini na equipa não significou que ficasse escondido atrás das principais figuras.

Começou o ano com o 28º lugar no Algarve, mas foi terceiro na classificação da montanha. Nas clássicas da Arrábida e Aldeias do Xisto fez oitavo e nono, respectivamente. Por Espanha somou mais dois top 30, contudo, esteve na discussão na Volta a Castela e Leão, terminando no quinto lugar. Regressou ao top dez no Grande Prémio Beira e Serra da Estrela e fechou o pódio no Troféu Joaquim Agostinho. Antes fez quinto nos Nacionais. E neste texto refere-se apenas algumas das principais competições.

Era um ciclista que se queria ver na Volta a Portugal, mas as quedas perseguiram-no e acabou por ser forçado a abandonar na sétima etapa. O Sporting-Tavira perdeu um homem que fez falta nas decisões na Serra da Estrela.

Pode não ser aquele ciclista que mais se fala, mas Frederico Figueiredo é um corredor que tem capacidade para andar sempre na frente, faltando-lhe uma primeira vitória, já merecida, para o lançar para outra notoriedade. Mas mesmo sem ela, foi um ano de elevado nível para o ciclista.

José Gonçalves (28 anos) - Katusha-Alpecin
Este ciclista habituou-nos a vê-lo sempre a lutar. Ataques, contra-ataques, fugas, José Gonçalves sempre soube mexer com corridas e de quando em vez colheu os frutos do seu risco. A conquista da Volta à Turquia em 2016, na Caja Rural, foi o passo que lhe faltava para que tanto o ciclista, como uma equipa do World Tour, percebessem que tinha chegado o momento de "dar o salto". José Azevedo foi buscar o gémeo para a sua Katusha-Alpecin, onde encontrou Tiago Machado. O ciclista de Barcelos rapidamente conquistou o seu espaço na equipa, mas teve de assumir um papel mais discreto. Bem se queria ver Gonçalves ao seu estilo, mas a sua principal função foi estar ao lado dos líderes, especialmente de Ilnur Zakarin.

Fez um grande Giro, sendo muito importante no quinto lugar alcançado pelo russo, que esteve na luta pelo pódio. Mas antes o português tinha tido o seu momento. Foi-lhe dada liberdade na Strade Bianche e José Gonçalves andou muito tempo na frente. Alguma falta de experiência acabou por lhe custar um mais do que merecido top dez (11º). Porém, foi a mostra que este é um corredor que compensa dar-lhe uma oportunidade. No Ster ZLM agarrou-a novamente, conquistando desta vez uma grande vitória, deixando atrás de si Primoz Roglic (Lotto-Jumbo), vencedor da Volta ao Algarve, e Laurens de Plus (Quick-Step Floors).

Com apenas um ano de contrato, perante as exibições, não surpreendeu que lhe fosse feita uma proposta de renovação e por duas temporadas. A desilusão chegou na Vuelta. Mais uma vez foi um dos homens de confiança de Ilnur Zakarin, mas uma queda atirou-o para fora da corrida logo na sexta etapa. Mas em geral foi época de estreia no World Tour extremamente positiva, enquanto por cá fez quarto nos Nacionais.

Nelson Oliveira (28 anos) - Movistar
O Paris-Roubaix tirou a oportunidade a Nelson Oliveira de voltar a estar ao lado de Nairo Quintana na Volta a França. Consistência é uma das principais qualidades do ciclista português que acabou por deixar para o fim o melhor da temporada. Este especialista em contra-relógio deu mais um passo para se afirmar entre os melhores do mundo. Só no esforço individual da Volta à Suíça ficou fora do top dez e quando chegou aos Mundiais de Bergen, Nelson Oliveira fez-nos sonhar. Sentado no trono guardado para o ciclista mais rápido, foi vendo alguns nomes fortes não conseguirem bater a sua marca. Um super Tom Dumoulin foi campeão, um cada vez melhor Primoz Roglic ficou com a prata, enquanto Chris Froome segurou o bronze por sete segundos.

O pódio ficou ali tão perto, mas é notório como Nelson Oliveira está cada vez mais próximo de um grande resultado, pois todos os anos tem demonstrado algum tipo de evolução. Porém, não podemos reduzir a época apenas aos Mundiais. Foram o ponto alto, é certo, mas também a Volta a Espanha tem de ser referida. Com a Movistar orfã de líderes, o ciclista de Anadia viu-se numa posição pouco frequente numa grande volta: ter liberdade para perseguir um resultado próprio. Chegou a ser o melhor classificado da formação espanhola a certa altura da corrida, terminando na 47ª posição. Mais que o lugar na geral, o corredor pôde obter uma experiência diferente e que poderá ser útil já em 2018.

A Nelson Oliveira faltou comprovar a sua qualidade nas clássicas, fase prejudicada pela queda no Paris-Roubaix. Foi ainda protagonista de um momento insólito esta temporada, quando não partiu para o contra-relógio nos Nacionais, pois não sabia que a hora para iniciar a sua prova tinha sido antecipada. O ciclista conta com quatro títulos.

Rui Costa (31 anos) - UAE Team Emirates
Aquele início de temporada foi de um Rui Costa renovado. Foi de um Rui Costa que recuperou as melhores sensações e as acompanhou com vitórias. O poveiro alterou muito o seu programa. Deixou o Tour que tanto ambicionou terminar num top dez e estreou-se no Giro. Com essa mudança apostou forte no arranque de época e num ano também de profundas mudanças na equipa, escolheu uma boa altura para mostrar que continua a ser um ciclista de confiança, apesar de corridas menos conseguidas nos anos anteriores, principalmente na Volta a França.

A chegada do dinheiro do Médio Oriente permitiu salvar a estrutura da até então Lampre-Merida. Pelo meio houve um projecto chinês que não avançou. Rui Costa surgiu não parecendo acusar as semanas atribuladas no final de 2016, até que a licença World Tour foi confirmada. Arrancou o ano na Argentina e venceu a etapa rainha na Volta a San Juan e foi quinto na geral. Perdeu a Volta a Omã para Ben Hermans (BMC) por 22 segundos, mas foi a Abu Dhabi ganhar novamente a etapa mais importante e desta vez a geral. A vitória teve um significado tremendo. A equipa é daquele Emirado e foi o primeiro ano em que a corrida fez parte do calendário World Tour. Fechou 18º no Tirreno-Adriatico e na semana das Ardenas voltou a destacar-se no monumento que tanto deseja: Liège-Bastogne-Liège. Este ano não houve pódio, mas finalizou no 14º lugar.

No Giro, Rui Costa ainda pareceu inicialmente testar se era possível uma boa classificação final, mas rapidamente se concentrou no objectivo de ganhar uma etapa. Três segundos lugares! Não foi por falta de tentativa que não venceu, mas ficou alguma frustração por ter andado tão perto, tantas vezes. Na Volta a Suíça, que conquistou três vezes, fez quinto, mas a Vuelta não correu como o desejado (este ano optou por esta grande volta em detrimento das clássicas do Canadá). Ainda fez quarto na 19ª etapa, mas não conseguiu igualar a forma do Giro. Os objectivos finais, Mundiais e Il Lombardia, também não terminaram com os resultados que gostaria mais. Ainda assim, um 19º lugar em Bergen só pode ser considerado positivo.

Rui Costa costuma terminar melhor as temporadas devido ao calendário que escolhia. Perante as novas opções, as apostas foram ganhas naquele arranque fortíssimo e uma vitória no Giro não lhe teria ficado nada mal.

»»Pelotão nacional de 2018 vai ganhando forma««

Pub

11 de setembro de 2017

Rui Costa regressa para liderar selecção nos Mundiais

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já são conhecidos os seis ciclistas que vão representar Portugal nos Mundiais de Bergen. Depois de há um ano ter ficado de fora devido ao percurso plano do Qatar, Rui Costa está de regresso à convocatória, não sendo segredo que a corrida na Noruega é um dos objectivos do ano para o campeão do mundo de 2013. Numa selecção com direito a seis atletas, o poveiro será acompanhado por Nelson Oliveira (Movistar), José Gonçalves e Tiago Machado (Katusha-Alpecin), Ricardo Vilela (Manzana Postobón) e o campeão nacional Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo). Rui Costa estará também na prova de contra-relógio juntamente com o quatro vezes campeão nacional desta vertente, Nelson Oliveira.

De fora ficaram os dois ciclistas que actuam em Portugal, Amaro Antunes (W52-FC Porto) e Daniel Mestre (Efapel) e também José Mendes (Bora-Hansgrohe). Os três estavam na pré-convocatória. A escolha do seleccionador José Poeira não causa grande surpresa. Talvez a presença de Vilela possa ser uma pequena, pois fez a Volta a Espanha limitado fisicamente, mas com a prova de estrada a estar marcada para dia 24, deverá ter tempo para recuperar. "O ritmo competitivo, a capacidade de adaptação a provas extensas e a experiência no pelotão internacional foram os principais critérios para a escolha dos seis corredores", segundo o comunicado da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC).

"Vai ser uma eterna luta entre as selecções que pretendem endurecer a corrida para descartar os sprinters e aqueleas às quais interessa um ritmo moderado para que os homens mais rápidos possam estar na discussão da corrida. Pela nossa parte, estaremos concentrados em manter todas as opções em aberto", explicou José Poeira, citado pela FPC. "Quando os percursos não são declaradamente para velocistas temos sempre a ambição de bater-nos por um lugar nos dez primeiros e, desta vez, não será excepção", acrescentou.


Serão 12 voltas a um circuito em Bergen - antes cumprem-se 40 quilómetros na partida em Rong -, para completar 276,5 quilómetros. É um circuito interessante, pois não descarta alguns sprinters - e lá aparece Peter Sagan como um dos grandes favoritos -, mas permite a ciclistas como Rui Costa e mesmo os restantes portugueses, de procurar um bom resultado. Há uma subida de 1,5 quilómetros a meio do percurso, com pendente média 6,4%, que ao ter se ser ultrapassada 12 vezes poderá beneficiar ou alguma fuga, ou se o ritmo for elevado, deixar ficar para trás algum sprinter que passe menos bem estas inclinações.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quanto ao contra-relógio, tem apenas 31 quilómetros e termina numa verdadeira rampa. Se o campeão em título, Tony Martin, não gostou muito, já Nelson Oliveira terá ficado mais satisfeito do que com o percurso plano de há um ano, no Qatar. "É um contra-relógio que, em teoria, favorece mais os nossos corredores do que um longo exercício totalmente plano. No entanto, por ser diferente de tudo aquilo a que estamos habituados, será uma incógnita, obrigando a analisar bem o terreno para uma correcta escolha de andamentos e para decidirmos uma eventual troca de bicicletas no início da subida final", explicou o seleccionador. O campeão nacional, Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) não integrou sequer a lista de pré-convocados.


Nos sub-23 Portugal estará representado por André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime), Francisco Campos (Miranda-Mortágua) - campeão nacional de estrada na categoria -, Ivo Oliveira (Axeo Hagens Berman) e José Neves (Liberty Seguros-Carglass), o campeão nacional no contra-relógio. No entanto, Ivo Oliveira será o representante no esforço individual.

Os juniores competem apenas na prova de estrada: Afonso Silva (Sporting-Tavira-Formação Eng. Birto de Mana), Pedro José Lopes (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) e Pedro Miguel Lopes (Seissa-KTM Bikeseven-Matias & Araújo-Frulact). A única representante feminina será precisamente neste escalão: Maria Martins (Bairrada).

Corridas com participação dos ciclistas portugueses: 
18 de setembro-Contrarrelógio Individual Sub-23, 37,2 km 
20 de setembro-Contrarrelógio Individual Elite, 31 km 
22 de setembro-Prova de Fundo Juniores Femininas, 76,4 km 
22 de setembro-Prova de Fundo Sub-23, 191 km 
23 de setembro-Prova de Fundo Juniores, 135,5 km
24 de setembro-9:05: Prova de Fundo Elite, 276,5 km 


14 de agosto de 2017

O contingente português na Vuelta

(Fotografia: Facebook Rui Costa)
Estamos em contagem decrescente para o início da Vuelta, a última grande volta do ano. São poucas as equipas que ainda não confirmaram o nove eleito e das que contam com portugueses no plantel, só uma ainda não definiu os ciclistas. Rui Costa, Nelson Oliveira, José Gonçalves e Rafael Reis estão confirmados na Volta a Espanha.

Para Rui Costa e José Gonçalves será a segunda presença numa corrida de três semanas em 2017. Ambos estiveram no Giro e será de esperar um papel idêntico aos que tiveram em Itália. Rui Costa está a ter um ano muito diferente ao que tem sido habitual desde que está ao mais alto nível do ciclismo. Será a sua 10ª grande volta, mas tal como aconteceu no Giro, fará a sua estreia na Vuelta.

Louis Meintjes será o homem para a geral, pelo que o campeão do Mundo de 2013 deverá ter a liberdade para procurar vitórias de etapas. No Giro fez dois segundos lugares e a motivação está em alta para a corrida espanhola, naquele que está a ser uma excelente temporada de Rui Costa. Só lhe falta uma etapa numa grande volta. Porém, também é possível que o poveiro dê uma ajuda a Meintjes, pois ainda com John Darwin Atapuma nos eleitos, a UAE Team Emirates tem a responsabilidade de fazer algo interessante na corrida.

Já José Gonçalves conhece bem os cantos à Vuelta. Já fez duas, ainda que no ano passado tenha abandonado. A estreia em 2015 foi memorável: um segundo lugar, um terceiro e dois quintos em etapas. Foi dos ciclistas mais combativos, então ao serviço da Caja Rural. Perante as características do ciclista português de 28 anos, bem que gostaríamos de o ver com liberdade para também ele tentar ganhar uma etapa. Porém, com Ilnur Zakarin como líder, o mais provável é que seja novamente um aliado muito importante para o russo, tal como aconteceu no Giro.

Para Nelson Oliveira chegou a oportunidade de salvar algo de uma época infeliz. A queda no Paris-Roubaix estragou-lhe parte da temporada, tendo ficado de fora das escolhas para o Tour. Nos Nacionais viveu o insólito momento de nem sequer partir para o contra-relógio por não saber da mudança de horário da partida. Mas já naquela altura tinha a Vuelta em mente, corrida onde conquistou uma etapa em 2015, ao serviço da Lampre-Merida. Sem o lesionado Alejandro Valverde e com Nairo Quintana a descansar depois de fazer o Giro e o Tour, a Movistar apresenta-se sem um líder claro, pelo que Nelson Oliveira poderá tentar a sua sorte.

Quanto a Rafael Reis fará a sua estreia numa grande volta. Para o ciclista da Caja Rural é o concretizar de um sonho. Assinar pela equipa espanhola foi um passo que procurava na sua carreira e estar na Vuelta era um dos seus objectivos do ano. A Caja Rural quer ganhar uma etapa e é possível que Rafael Reis tente entrar em alguma fuga e também terá a oportunidade para mostrar as suas qualidades como contra-relogista.

De fora estão José Mendes e Tiago Machado. O primeiro esteve no Giro, mas não irá regressar à corrida na qual foi o líder da equipa em 2016. O ciclista está em final de contrato com a Bora-Hansgrohe e desconhece-se ainda o seu futuro. Quando a Machado esteve no Tour e foi dos melhores corredores da Katusha-Alpecin. Nuno Bico (Movistar) e Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) ainda não são apostas para estas andanças.

A Manzana Postobón foi convidada para a Volta a Espanha, contudo, não apresentou o seu nove. Ricardo Vilela faz parte do plantel, mas não aparece nos pré-convocados. A equipa colombiana deverá apostar maioritariamente em ciclistas do seu país.

A Vuelta começa este sábado na cidade francesa de Nîme, com um contra-relógio por equipas.

(Nota de actualização: A Manzana Postobón já confirmou entretanto a equipa para a Vuelta e Ricardo Vilela irá ser o quinto português na corrida)

»»Rafael Reis vai à Volta a Espanha««

»»Alberto Contador num adeus sem tristeza na Vuelta««

29 de julho de 2017

As renovações mais do que merecidas

Ainda antes da abertura do mercado de transferências três dos ciclistas portugueses no World Tour viram a sua situação contratual resolvida, dando-lhes assim tranquilidade para o que resta da temporada. Foi precisamente essa a palavra utilizada por José Gonçalves quando chegou a acordo com a Katusha-Alpecin, sendo expectável que Tiago Machado e agora Nelson Oliveira sintam o mesmo. A Movistar anunciou esta sexta-feira a renovação de contrato, depois de um ano menos feliz para ciclista de Anadia. Tem apenas 28 anos, mas já está há sete no principal escalão e a equipa espanhola sabe que tem um excelente valor que ainda pode render muito, principalmente no contra-relógio e na ajuda preciosa aos líderes da equipa.

"Oliveira teve um rendimento notável, tanto na sua faceta de especialista de contra-relógio individual - campeão nacional, sétimo nos Jogos Olímpicos no Rio, quarto no último Europeu -, como no trabalho de equipa." As palavras escritas no site da Movistar não são apenas de circunstância. 2017 ficou marcado pela queda no Paris-Roubaix que o tirou da competição durante dois meses e muito provavelmente lhe custou a Volta a França. Porém, Nelson Oliveira tem demonstrado ao longo dos dois anos em que está na Movistar como é um homem importante na estrutura. No Tour do ano passado cumpriu os objectivos que lhe foram delineados, ainda que os resultados da equipa acabassem por não serem os desejados. Mas não foi por culpa de Nelson Oliveira. Este ano espera-se que esteja de regresso à Vuelta, está nos pré-convocados, e sem Quintana e Valverde, a ver vamos o que será pedido do ciclista português.

Em Junho teve um incidente nos Nacionais, quando não partiu para o contra-relógio por desconhecimento da mudança da hora de partida. Ou seja, Nelson Oliveira bem está a precisar de uma injecção de moral para a restante temporada e a renovação de contrato pode muito bem ser o impulso que o português precisava para aparecer mais motivado. A tranquilidade só joga a favor de quem sabe que irá continuar ao mais alto nível em 2018.

No próximo ano, Portugal terá também no World Tour Nuno Bico (Movistar), Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) e Rui Costa (UAE Team Emirates), todos com contrato até 2018. Já as grandes dúvidas chamam-se André Cardoso e José Mendes. No primeiro caso, ainda se espera por saber o resultado da contra-análise, depois de dias antes do Tour André Cardoso ter sido notificado que tinha acusado EPO. Já José Mendes alimenta o desejo de se manter na Bora-Hansgrohe, estrutura que tem sido a sua casa há cinco anos. Recentemente, o ciclista afirmou ao Volta ao Ciclismo que a renovação é um assunto que não consegue deixar de pensar.

Com a subida ao World Tour e com a expectativa de crescimento da equipa, para José Mendes seria excelente se continuasse a ter espaço na equipa alemã. Ninguém questiona a sua lealdade para com os líderes e como cumpre à risca o que lhe é pedido. Foi ao Giro e mantém-se a expectativa para ir à Vuelta. Se não houver novidades até lá, é muito possível que José Mendes jogue a sua permanência na equipa em Espanha, numa missão que não se adivinha nada fácil, mas o português nunca foi de virar a cara a um desafio.

Alguém se junta ao grupo português no World Tour?

O contingente luso no principal escalão do ciclismo tem vindo a crescer nos últimos anos. Em 2017 perdeu-se Sérgio Paulinho (regressou a Portugal para a Efapel), mas entraram José Gonçalves, José Mendes e os jovens Nuno Bico e Ruben Guerreiro. Quem se segue?

Potencial há, mas daí a conseguir um contrato com uma das equipas do World Tour vai uma grande distância. Nuno Bico, por exemplo, foi uma das surpresas de final do ano quando anunciou que iria para a Movistar, provando como há certas negociações que ficam em segredo e demoram a ser concluídas. Não é possível prever com exactidão, mas também não restam dúvidas que actualmente quatro nomes geram alguma curiosidade e interesse. Os gémeos Oliveira encabeçam esta curta lista. Com o talento que lhes é cada vez mais reconhecido e com a ajuda de Axel Merckx numa Axeon Hagens Berman que tantos jovens tem levado para o World Tour, tanto Rui como Ivo podem ter um futuro muito (mas mesmo muito) risonho. Porém, não deverá acontecer já em 2018. Estando na equipa que é considerada a melhor de formação, o mais provável é ficarem por lá pelo menos mais um ano, enquanto vão despertando ainda mais o interesse de grandes equipas. Assim também podem aprimorar a passagem que estão a fazer da pista para a estrada, ainda que sem esquecer a vertente que os levou à ribalta. Ruben Guerreiro fez esse percurso e agora está na Trek-Segafredo.

Em Portugal há um ciclista que entrou definitivamente na retina dos olheiros. Amaro Antunes teve um início de temporada fenomenal. Mostrou-se em Espanha e até frente a Nairo Quintana. Venceu no alto do Malhão, numa Volta ao Algarve que agora pertence à segunda categoria mundial. Na W52-FC Porto conseguiu projectar internacionalmente uma qualidade que há muito lhe era reconhecida em Portugal. Aos 26 anos parece estar no ponto para "dar o salto", sendo certo que ainda tem margem para progredir. Quem bem que o algarvio ficaria ao lado de qualquer grande líder do ciclismo mundial.

Em Espanha está Rafael Reis. Tem tido uma carreira marcada por altos e baixos e este ano começou bem, mas uma queda estragou-lhe algumas semanas na Caja Rural. Apareceu bem nos Nacionais, ainda que tenha perdido o contra-relógio para Domingos Gonçalves. Contudo, tem dado indicações que está novamente a subir de forma, provavelmente a pensar em cumprir um dos seus objectivos de temporada: ser chamado para a Vuelta. Se conseguir um lugar no nove da Caja Rural, será a montra perfeita para se mostrar. No entanto, não seria surpresa se fizesse mais um ano na formação espanhola (Profissional Continental), que serviu recentemente de rampa de lançamento para José Gonçalves e também para André Cardoso. A qualidade e o talento estão lá, mas falta um "clique" para que Rafael Reis demonstre como pode estar a um nível muito mais elevado. Lá está, pode ser que esse "clique" aconteça na Vuelta.



21 de julho de 2017

José Gonçalves renovou com a Katusha-Alpecin: "Fico mais tranquilo"

José Azevedo, director da Katusha-Alpecin, já tinha deixado indicações que a renovação com os dois ciclistas portugueses da equipa estaria para acontecer. A confirmação foi feita hoje pela manhã: José Gonçalves assinou até 2019 e Tiago Machado até 2018. Este último tem estado em destaque na Volta a França, estando a realizar um excelente trabalho muito em prol de Alexander Kristoff. Já José Gonçalves está a preparar a Vuelta e ao Volta ao Ciclismo admitiu que ficou muito satisfeito com esta renovação, ainda mais por dois anos: "Fico mais tranquilo. É sempre bom estar numa equipa deste nível."

Habituado a contratos de um ano, ainda assim não é uma estreia ter esta segurança, pois o mesmo aconteceu na passagem pela La Pomme Marseille. Mas agora sucedeu numa formação do World Tour, pela qual José Gonçalves venceu a Ster ZLM (uma etapa e a geral). Antes já tinha estado muito bem na Strade Bianche (11º lugar) e realizou um Giro excelente na protecção a Ilnur Zakarin. Para quem gosta do estilo deste ciclista, ou seja, ao pedalar ao ataque, foi frustrante vê-lo tão condicionado na Volta a Itália, mas a este nível no ciclismo, também é preciso saber mostrar que sabe estar numa equipa e José Gonçalves comprovou que é um corredor de confiança tanto a trabalhar para os líderes, como um atleta para tentar vencer quando lhe é dada liberdade.

Chegar até aqui requereu muito trabalho, como sublinhou o ciclista de Barcelos. Qual será o papel de José Gonçalves nas próximas duas épocas ainda se terá de esperar para ver, pois para já o pensamento está na Vuelta e novamente no apoio a Ilnur Zakarin. O provável é que continue a ter função idêntica no futuro, mas com dois anos garantidos na Katusha-Alpecin é também uma oportunidade garantida para continuar a mostrar-se e aproveitar sempre que puder lutar por uma vitória.

"Estou sempre interessado em representar a selecção. Se eu puder ir e ele [José Poeira] me quiser, estarei lá [Europeus e/ou Mundiais]"

O Ster ZLM colocou-o definitivamente no mapa dos ciclistas a ter em atenção, ainda que no currículo já tivesse a vitória na Volta à Turquia em 2016, então ao serviço da Caja Rural. A corrida holandesa foi ganha em anos recentes por ciclistas como Sep Vanmarcke, Philippe Gilbert, André Greipel e Mark Cavendish, por exemplo. "É importante chegar a uma nova equipa e ganhar. Dessa forma ganhamos também mais confiança e motivação", referiu o português. José Gonçalves (28 anos) acrescentou que depois de trabalhar para Zakarin no Giro, continuou a treinar muito bem. "Apliquei-me e consegui um bom resultado", disse.

A presença na Volta a Itália foi especial. Foi a primeira e ainda mais na 100ª edição. "O ambiente é muito bom. Parecido com a Vuelta... talvez melhor. É tão bom que as pessoas às vezes até atrapalham! Mas elas são assim lá. Gostam muito de nos ver passar e vibram tanto como nós", contou. Mesmo sem liberdade para estar ao ataque como aconteceu nas duas vezes que foi à Volta a Espanha pela Caja Rural, José Gonçalves diz que as funções podem ser diferentes, mas que são igualmente difíceis.

Durante os Campeonatos Nacionais, o seleccionador nacional, José Poeira, aproveitou para falar com o ciclista, numa altura em que se aproximam os Europeus e os Mundiais também já não estão assim tão longe: "Estou sempre interessado em representar a selecção. Se eu puder ir e ele [José Poeira] me quiser, estarei lá."

O irmão gémeo, Domingos, está na Rádio Popular-Boavista e não deixou José a sorrir sozinho muito tempo com a conquista de uma vitória. Menos de uma semana depois, Domingos sagrou-se campeão nacional de contra-relógio, camisola que José também já vestiu. "Foi muito bom. Ele já merecia ter um título assim. Estou muito contente por ele", frisou.

Em entrevista ao Volta ao Ciclismo, José Azevedo tinha admitido a satisfação pelo trabalho de José Gonçalves, numa temporada que até considera estar a ser de adaptação à realidade do World Tour. Também deixou elogios a Tiago Machado que aos 30 anos tem assim garantida uma oitava temporada ao mais alto nível do ciclismo.


18 de junho de 2017

José Gonçalves conquista Ster ZLM num fim-de-semana de festa para a Katusha-Alpecin

(Fotografia: @SterZLMToer)
José Gonçalves não é de festejos exuberantes ou de grandes palavras. Dos gémeos Gonçalves é o mais tímido, mas que não existam dúvidas que a conquista da Ster ZLM Toer, na Holanda, é um momento importante para a carreira de um ciclista que se estreou no World Tour este ano e que procura afirmar-se de forma a conseguir continuar ao mais alto nível.

O ciclista de Barcelos é conhecido por ser um lutador. Não joga à defesa e foi assim que conquistou as suas vitórias, das quais até hoje se destacava a Volta à Turquia (2016), então ao serviço da Caja Rural. No sábado Gonçalves venceu a etapa precisamente ao seu estilo. Atacou no momento certo, isolou-se e com a vitória conquistou também a liderança. Este domingo competia à Katusha-Alpecin defender a camisola amarela, mesmo que só tivesse levado para a Holanda seis ciclistas, em vez dos oito permitidos.

Trabalho feito e bem feito. "Estou muito feliz! É a minha primeira vitória na geral nesta corrida e quero agradecer à minha equipa por tudo o que fez. Eles [companheiros] fizeram um trabalho fortíssimo e foi excelente", salientou José Gonçalves, citado pelo site da sua formação.

Mas a Katusha-Alpecin está duplamente em festa neste fim-de-semana, no melhor momento da equipa desde que José Azevedo se tornou director geral. Simon Spilak conquistou a Volta à Suíça, naquela que é a primeira vitória do ano para a equipa numa corrida por etapas no World Tour em 2017.

Simon Spilak (30 anos) tinha vencido a sétima etapa, na qual saltou para a liderança que segurou até final. Foi a segunda vez que o ciclista esloveno triunfou na Volta a Suíça (a primeira foi em 2015), num triunfo que é bastante especial para a formação que este ano trocou a nacionalidade russa precisamente pela suíça.

A Katusha-Alpecin soma assim 12 vitórias em 2017, quatro esta semana. Seis pertencem a Alexander Kristoff, ainda que só uma do norueguês seja de numa prova do World Tour, na Eschborn-Frankfurt.

Para José Gonçalves é também uma vitória que lhe permitirá consolidar o seu lugar na equipa. O português tem sido um excelente homem de trabalho e quando lhe foi dada liberdade na Strade Bianche, terminou na 11ª posição. Com contrato apenas para 2017, aproveitar os momentos que surgem para se mostrar pode ser decisivo para alcançar o objectivo de continuar numa formação do World Tour.

Gonçalves deixou Primoz Roglic (Lotto-Jumbo) a 11 segundos e Laurens de Plus (Quick-Step Floors) a 13. A equipa belga teve ainda assim razões para sorrir já que Marcel Kittel venceu a última etapa, naquela que foi a 32ª vitória do ano. Veja aqui a classificação final.

Quanto a portugueses, de referir ainda o quinto lugar de Rui Costa (UAE Team Emirates) na Volta à Suíça - ficou a 3:09 de Spilak), corrida que já venceu três vezes. Pode ver aqui a classificação.

Apesar do dia de felicidade na Katusha-Alpecin, José Azevedo não esqueceu a tragédia de Pedrógão Grande. O director da equipa deixou uma mensagem no Twitter.

17 de junho de 2017

José Gonçalves conquista primeira vitória na Katusha-Alpecin

(Fotografia: Twitter @SterZLMToer)
Dêem-lhe a oportunidade que ele cumpre. José Gonçalves sabe bem aproveitar as possibilidades que lhe surgem quando não tem de trabalhar para um líder. No seu primeiro ano numa equipa World Tour, o ciclista de Barcelos estava a convencer cada vez mais, com exibições consistentes. Na Volta a Itália foi importante no apoio a Ilnur Zakarin, mas antes, quando lhe foi dada liberdade na Strade Bianche, esteve na fuga e terminou na 11ª posição. Agora conquistou uma vitória que já merecia ao serviço da Katusha-Alpecin.

José Gonçalves venceu a quarta etapa da corrida holandesa Ster ZLM Toer. O ciclista de 28 anos foi o primeiro a cortar a meta após 186,7 quilómetros de muito sobe e desce entre Hotel Verviers e La Gileppe. Gonçalves assumiu ainda a liderança da prova, tendo mais oito segundos que Primoz Roglic, ciclista da Lotto-Jumbo que em Fevereiro conquistou a Volta ao Algarve.

"Sinto-me muito bem. Trago a boa forma do Giro. Penso que a equipa é muito boa e especialmente forte. Hoje foi a todo o gás. Tentei ir sozinho perto do fim e consegui ganhar. Estou muito feliz com esta camisola e vamos fazer tudo para a defender no último dia", afirmou José Gonçalves, citado no site da Katusha-Alpecin.

Amanhã serão os últimos 180,9 quilómetros que começam e acabam em Oss e a Katusha-Alpecin terá muito trabalho pela frente, pois apesar de José Gonçalves dizer que o conjunto é forte, só se apresentou na Holanda com seis ciclistas, enquanto a Lotto-Jumbo levou os oito permitidos. Mads Würtz Schmidt, Marco Mathis, Maxim Belkov, Viacheslav Kuznetsov e Jenthe Biermans vão tentar segurar a liderança do português, que poderá assim vencer pela segunda vez na carreira uma corrida internacional por etapas, depois de ter sido o mais forte na Volta à Turquia em 2016, então ao serviço da Caja Rural.

A Quick-Step também deverá apostar forte, pois tem dois ciclistas na luta com 10 e 17 segundos de desvantagem: Laurens des Plus e Maximilian Schachmann, respectivamente. Veja aqui a classificação da etapa e a geral.

28 de maio de 2017

O Giro100 é dele e merecidamente. E agora Dumoulin?

(Fotografia: Giro d'Italia)

Quando na 20ª etapa da Volta a Espanha de 2015, num dia 12 de Setembro que agora parece tão longínquo, Tom Dumoulin entrou num tremendo sofrimento ao perceber que as últimas montanhas lhe iam tirar uma vitória que seria a todos os níveis surpreendentes na Vuelta, questionou-se se o ciclista alguma vez viria a ter capacidade para defrontar os melhores trepadores. Eram apenas seis segundos os que o separavam de Fabio Aru. Aquelas imagens de um ciclista de pedalada pesada, desesperado por salvar algo de uma corrida que até então estava a ser a todos os níveis brilhante, ficaram na memória. Nesse dia Dumoulin perdeu 3:52 para Aru, a Vuelta e até o pódio. O sexto lugar seria sempre um bom resultado para o então jovem de 24 anos, não fosse ter sentido que estava perto de uma grande conquista. Na altura perguntou-se: e agora Dumoulin? Já se sabia que era bom contra-relogista, mas era óbvio que tinha de evoluir muito na montanha. Em 2016 não comprovou as expectativas e nem esteve na discussão no Giro e no Tour. Venceu etapas, inclusivamente na montanha - uma à custa de Rui Costa no Tour -, mas não terminou as corridas. Hoje pode dizer-se que 2016 foi o ano de evolução de Dumoulin. Longe da pressão mediática, este holandês fez-se num ciclista completo e aos 26 anos conquista a sua primeira grande volta, inscrevendo o seu nome numa edição sempre histórica, a 100ª. O Giro é dele e merecidamente. Porém... E agora Dumoulin?

O holandês confirmou o favoritismo que tinha no esforço individual e nem um Nairo Quintana a fazer provavelmente dos melhores contra-relógios da carreira conseguiu garantir o triunfo. Era o dia de Dumoulin. É o Giro de Dumoulin! O único momento que pareceu que o líder da Sunweb podia perder a corrida foi quando o relógio deu três segundos de diferença, mas foi mais um dos vários erros de cronometragem deste final de Volta a Itália. Depois do susto, a correcção e no fim 1:24 minutos separaram os ciclistas. Estavam recuperados os 53 com que tinha começado a última etapa. Faltaram-lhe as palavras na hora de festejar. Mas palavras para quê? Foi o mais forte, o mais consistente e a vitória assenta-lhe bem.

Dumoulin passou o Giro a responder a questões. Se estava a subir melhor, se tinha perdido alguma força no contra-relógio ao perder peso, se era capaz de aguentar dias consecutivos de várias montanhas das mais difíceis, se era capaz de ganhar sem o apoio de uma equipa forte... As respostas foram claras: sobe muito melhor, continua um contra-relogista fortíssimo, aguenta mas ainda há algum trabalho a fazer e consegue ganhar sem grande ajuda dos companheiros. Contudo, este último ponto é uma situação a repensar pela Sunweb se quer fazer frente a Chris Froome e à super Sky da Volta a França. Não há dúvidas que Dumoulin irá ter num futuro próximo o objectivo de atacar o Tour. Uma das questões que agora se coloca é se este Dumoulin é mesmo mais um ciclista para lutar pelas grandes voltas, ou foi isto um daqueles momentos que alguns vivem uma vez na vida?

Pela forma como o holandês evoluiu no último ano e tendo em conta que aos 26 anos há ainda margem de progressão, será difícil de imaginar não ver Dumoulin juntar mais alguma grande volta ao Giro100. Está feito num ciclista completo, um pouco à imagem de Froome, mas ainda longe da categoria e supremacia do britânico, mais forte no contra-relógio, mais fraco na montanha (falta-lhe explosão, sendo um daqueles ciclistas que sobe a ritmo, enquanto Froome sabe bem atacar). Os próximos passos na carreira de Dumoulin têm de ser dados com calma e muito bem pensados. A pressão vai aumentar substancialmente sobre o holandês. Não se sabe se vai à Vuelta, corrida que faria mais sentido participar e tentar lutar pela vitória, deixando o Tour para o próximo o ano. 

Dumoulin estará a partir de agora numa primeira linha de candidatos, sofrerá outra atenção. Mais do que saber ganhar, terá também de saber lidar com as dificuldades que lhe vão surgir. Dizem que é o novo Miguel Indurain, mas até o espanhol teve de sofrer muito antes de se tornar uma lenda do ciclismo. Dumoulin pode estar no início de ele próprio se transformar numa referência, mas agora terá de saber gerir esta nova fase da carreira. A primeira grande volta já tem, chegou o momento de confirmar que não foi uma vitória única e de saber lidar com desilusões sem desbaratar nas palavras no final das etapas.

A Sunweb já deu o primeiro passo para ajudar Dumoulin a tornar-se no voltista de luxo que pode muito bem ser. Ofereceu-lhe contrato até 2021 (tinha até 2018) e estará disposta a ceder aos pedidos do seu campeão. O holandês quer Wilco Kelderman e Laurens ten Dam ao seu lado. Não deverá ser problema e Ten Dam nem se importa de adiar a anunciada reforma. Com a vitória no Giro, não deveria ser problema para Dumoulin conseguir dar o salto para uma equipa com uma estrutura já mais forte. No entanto, a confirmar-se que o ciclista aceitou a proposta da Sunweb, tal é também um voto de confiança do holandês, que deverá sentir-se muito bem na equipa que sempre que lhe prometeu algo, cumpriu. Prometeram-lhe ser líder numa grande volta numa fase em que muito se falava e apostava em Warren Barguil e cumpriram. Prometeram-lhe contratar ciclistas a pensar nele e nas grandes voltas e cumpriram, como ficou provado não terem procurado um homem para substituir John Degenkolb nas clássicas e nos sprints. Agora comprometem-se a dar-lhe estabilidade e em ceder aos seus pedidos. E são necessários gregários de luxo, urgentemente. É absolutamente normal que Dumoulin acredite que este virão, ainda mais porque a sua vitória poderá ajudar a convencer outros ciclistas e também será importante para a chegada ou reforço dos patrocinadores.

E agora Dumoulin? Agora é tempo de celebrar uma vitória que quando começou o Giro100 era vista como improvável - um pódio talvez -, mas depois daquele contra-relógio na 10ª etapa começou a ser vista como muito provável. Nem aquela paragem para satisfazer as necessidades fisiológicas lhe estragou a corrida (mas lá que assustou, assustou). Esta será uma daquelas vitórias 100% lembrada pelo mérito do vencedor. Não haverá "ah, mas aquele caiu, furou, ou seja lá o que for". Mesmo com a Sky fora da luta por um acidente com uma moto da polícia, que também tirou a Dumoulin o seu braço direito, Kelderman, mesmo com um Quintana a dizer que estava com febre na última etapa de montanha do Giro, este foi um triunfo construído de luta, de sofrimento e a prova que o trabalho intenso de meses e meses pode acabar com a maior das recompensas.

E agora Dumoulin? É continuar a trabalhar, pois o que mais se deseja nesta altura é ver um confronto Dumoulin/Froome. São seis anos os que os separam, mas haverá tempo para termos um Dumoulin no seu melhor contra aquele Froome que tem feito do Tour a sua casa.

O último dia


Quick-Step Floors venceu cinco etapas e duas classificações
(Fotografia: Giro d'Italia)
Jos van Emden (Lotto-Jumbo) foi mais um holandês a subir ao pódio, mas como vencedor do contra-relógio. Até ficou mais emocionado que Dumoulin que tinha acabado de ganhar o Giro! Mikel Landa (Sky) ficou com a camisola da montanha, Fernando Gaviria (Quick-Step Floors) com a dos pontos, levando para a casa a famosa maglia ciclamino que regressou à Volta a Itália este ano e o colombiano é também o ciclista com mais vitórias: quatro. Bob Jungels (Quick-Step Floors) tirou a camisola branca da juventude a Adam Yates (Orica-Scott). O britânico foi mais um dos ciclistas prejudicado pelo incidente com a moto da polícia e nem esta classificação conseguiu segurar para salvar a sua corrida. A Movistar "limpou" a classificação por equipas, com quase uma hora de vantagem sobre a AG2R.

Ficam ainda aqui uns dados históricos sobre Dumoulin: foi o primeiro holandês a ganhar a Volta a Itália. A última vez que um ciclista venceu uma grande volta foi Joop Zoetemelk, no Tour de 1980, sendo também dele o derradeiro triunfo na Vuelta de um corredor da Holanda, em 1979.

Os portugueses

Os três representantes lusos terminaram a Volta a Itália. O destaque vai, naturalmente, para Rui Costa. O ciclista da UAE Team Emirates bem tentou a desejada etapa. Foi segundo em três etapas, com a maior frustração a ser a que perdeu ao sprint para Omar Fraile (Dimension Data). Ainda assim é uma corrida positiva para o poveiro, que pela primeira vez na carreira, aos 30 anos, competiu no Giro. Rui Costa terminou na 27ª posição, a 1:33:17 horas de Dumoulin.

José Mendes teve a oportunidade de se destacar na Bora-Hansgrohe dada a ausência de Leopold König por lesão. Porém, a equipa basicamente cumpriu todos os objectivos (e mais alguns) logo na primeira etapa, quando venceu a tirada e ficou com as camisolas todas. Depois a aposta foi na capacidade de sprint de Sam Bennett. Até Jan Bárta, outro possível líder, acabou a trabalhar para Bennett. José Mendes ainda apareceu bem em algumas etapas de montanha, mas faltou-lhe a consistência que certamente desejaria para alcançar uma classificação bem melhor que o 48º lugar, a mais de duas horas de Dumoulin. Porém, fez o que pôde numa equipa que sem König deixou de ter pretensões à geral. E, claro, sonho cumprido para o campeão nacional: participou nas três grandes voltas na carreira.

Também José Gonçalves se estreou no Giro. Foi uma pena que não tenha tido mais liberdade para entrar numa fuga e discutir uma etapa. O ciclista da Katusha-Alpecin teve o papel de acompanhar o líder Ilnur Zakarin e que bem o cumpriu. Foram várias as vezes que se o viu a trabalhar na frente da corrida, fosse para posicionar melhor o russo, fosse para perseguir, fosse para abrir caminho a algum ataque. Foi 60º, com mais de duas horas de atraso, mas certamente que a equipa estará muito satisfeita com o português. É o seu primeiro ano no World Tour, tem apenas contrato para 2017, mas vai dando demonstrações que está onde merece estar e que merece continuar por lá.

Veja aqui o resultado do contra-relógio final e as classificações finais do Giro100.


Giro d'Italia - Stage 21 - Highlights por giroditalia


»»53 segundos para resolver um Giro virado ao contrário««

»»Batalha na estrada, rumor que lançou a confusão, pazes feitas, vitória de Landa, Quintana de rosa. Que grande dia no Giro!««