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13 de fevereiro de 2019

Erik Zabel poderá ser um dos melhores reforços da Katusha-Alpecin

(Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
"Isto é mais do que apenas uma vitória de etapa, é também um pequeno regresso depois do ano passado." As palavras após vencer o Troféu Palma, no Challenge de Maiorca, demonstram um Marcel Kittel por um lado aliviado por ter voltado a vencer 11 meses depois, por outro, um ciclista a não querer celebrar em demasia antes de ter a certeza que recuperou de facto a sua melhor versão.

Ser novamente um Kittel que disputa corridas e que vence não só muitas vezes, mas contra os rivais mais fortes nos grandes palcos, é o objectivo máximo nesta recuperação de um sprinter que em 2018 apagou-se quase por completo. E por trás desta mudança de Kittel estará um homem que poderá tornar-se no grande reforço da Katusha-Alpecin em 2019: Erik Zabel.

É um dos melhores sprinters da história - somou seis camisolas verdes (dos pontos) no Tour, recorde igualado em 2018 por Peter Sagan -, mas acabou por confessar que recorreu ao doping entre 1996 e 2003. Aquando da admissão, Zabel era um dos treinadores da Katusha, que de imediato afastou-o da equipa. Estávamos em 2013. Agora regressou, com a missão de recolocar a formação no caminho das vitórias que no ano passado os seus líderes foram incapazes de alcançar, com destaque para Kittel. A milionária contratação somou apenas duas, ambas no Tirreno-Adriatico, em Março.

Aos 30 anos, Kittel só deseja para 2019 conseguir demonstrar como ainda é um sprinter de topo e o trabalho com Zabel deu os primeiros frutos cedo na temporada. Mais do que a  importância da vitória em Espanha, é o discurso e a atitude do alemão que estão bem diferentes e que comprovam uma mudança no ciclista. Revela uma confiança renovada e este triunfo logo na sua segunda corrida, é um tónico muito bem-vindo para o sprinter e para uma Katusha-Alpecin desejosa de ver o seu investimento ter finalmente retorno.

"Tenho estado a trabalhar de perto com o Marcel há três meses e gostei de tudo o que vi até agora. Desde Dezembro que temos estado a treinar e focados na nova época e não a olhar para trás. Foi um bom momento ver o resultado do esforço de todos", salientou Zabel, num comunicado da Katusha-Alpecin, após a vitória de Kittel em Espanha..

Com uma subida complicada, principalmente para um ciclista como Kittel, a cerca de 40 quilómetros da meta, Zabel explicou que pediu aos companheiros do alemão com características de trepadores para ficarem ao lado dele. O facto de ter conseguido passar a subida, disputar a corrida e ainda mais vencê-la é também uma mensagem forte para os seus colegas. A dose de motivação influenciará todos se se perceber que o ciclista poderá ser novamente o Kittel avassalador de épocas recentes. E se não for avassalador, que pelo menos conquiste um bom número de vitórias e que nelas estejam incluídas corridas importantes, com a Volta a França no topo das prioridades.

Quando foi apresentado, no final do ano passado, Zabel -  que tem como cargo director do departamento de performance, a novidade da Katusha-Alpecin para 2019 - explicou como os vários responsáveis trabalhariam de perto com quatro ou cinco ciclistas, dentro das suas especialidades. A comunicação entre todos seria constante, mas o plano era provocar uma pequena revolução numa equipa a precisar de algo diferente para se destacar. Ter muito dinheiro para investir não estava a ser suficiente para alcançar os resultados desejados.

José Azevedo tem sido o responsável máximo por levar esta equipa a uma nova era, quebrando com as raízes russas, mas não tem sido um trabalho nada fácil. A Katusha-Alpecin, que conta com os portugueses José Gonçalves e Ruben Guerreiro, este último um dos reforços, quer estar no topo. Depois das mudanças mais profundas feitas no plantel, principalmente em 2017 e 2018, agora foi na estrutura de directores que se mexeu. Dirk Demol, um muito experiente director desportivo com foco nas clássicas, deixou a Trek-Segafredo para ser também ele um reforço que pode, tal como Zabel, revelar-se importante na Katusha-Alpecin.

Marcel Kittel vai continuar por Espanha. No domingo estará na Clássica de Almeria e depois irá até aos Emirados Árabes Unidos para competir na primeira edição desta corrida (de 24 de Fevereiro a 2 de Março).


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1 de dezembro de 2018

José Gonçalves um dos poucos que se salvou de uma época para esquecer

(Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
2018 para esquecer. Pouco se aproveitou da época da Katusha-Alpecin. Houve bons momentos, é certo. Um deles foi proporcionado por José Gonçalves, mas para uma equipa que investiu num dos melhores sprinters do mundo, que queria colocar Inur Zakarin a lutar por mais do que o top dez no Tour e que conta no plantel com ciclistas como Tony Martin, Alex Dowsett, Simon Spilak e Ian Boswell, terminar o ano com cinco vitórias, as mais importantes no Tirreno-Adriatico, e com um conjunto de exibições muito aquém do desejado, não deixam dúvidas que, para o ano, muito terá de melhorar.

É inevitável não concentrar grande parte do falhanço da Katusha-Alpecin no rendimento muito abaixo do normal de Marcel Kittel. A aposta financeira foi grande, com a equipa a deixar sair Alexander Kristoff. O norueguês podia não estar a render como noutros tempos, em termos de qualidade de triunfos, mas ia vencendo. Kittel, um dos melhores sprinter da actualidade e da história foi uma sombra de si mesmo. A Katusha-Alpecin e o ciclista passaram praticamente o ano todo a dizer que as vitórias iam chegar na próxima corrida. A próxima corrida chegava e nada. Vinha outra e nada.

As duas etapas no Tirreno-Adriatico pareciam ser um sinal positivo, mas a época de Kittel resumiu-se àqueles dois dias de Março. No final de Agosto, já depois de uma Volta à França bem diferente da de 2017, quando conquistou cinco etapas, Kittel abandonou a Volta a Alemanha, nem partindo para a segunda etapa. O próprio não percebia o que se passava e foi submetido a exames médicos, para tentar perceber se estaria com algum problema de saúde, como em 2015. Mas não. A responsabilidade foi antes atribuída a uma má recuperação da queda no Tour de 2017, que ditou então o adeus à corrida, com o ciclista a considerar que o que estaria a precisar era parar, recuperar e regressar em 2019 ao seu nível. A Katusha-Alpecin espera bem que sim, já que não se confirmaram os rumores que Kittel poderia estar de saída.

Talvez a má época de Kittel - que ainda assim foi quem mais venceu - pudesse ter sido um pouco compensada se Zakarin tivesse confirmado as expectativas, depois do terceiro lugra na Vuelta em 2017. O russo teve finalmente o Tour como principal objectivo, deixando o Giro de fora do seu calendário. Sim, é um bom trepador. Sim, sabe mexer nas corridas. E sim, tem uma tendência a sofrer quedas ou outro tipo de azares. Quando parece que nada há a fazer para salvar a corrida, Zakarin começa a subir de forma e na classificação. No Tour lá conseguiu entrar no top dez, na Vuelta no top 20. Porém, fica sempre aquela sensação que talvez possa fazer mais e melhor.

A Simon Spilak foi dado o papel de ser o ciclistas para as corridas de uma semana, uma especialidade sua, como comprovam as duas Voltas à Suíça e uma à Romandia, mas o esloveno de 32 anos também nunca conseguiu apresentar-se ao nível de 2017, por exemplo. De Tony Martin só se pode dizer que entra naquela lista de corredores de quem sai da Quick-Step Floors, tem dificuldades ou não consegue de todo render o que rendia na formação belga (Kittel também está na lista, por agora). Conquistar mais um título nacional de contra-relógio foi pouco. A Katusha-Alpecin aliviou um pouco a folha salarial, pois Martin irá para Lotto-Jumbo (futura Jumbo) em Janeiro.


Ranking: 17º (2757 pontos)
Vitórias: 5 (incluindo duas etapas no Tirreno-Adriatico)
Ciclista com mais triunfos: Marcel Kittel (2)

Ian Boswell veio da Sky, mas não foi nem o gregário esperado, nem um ciclista que pudesse fazer a diferença em certas corridas. O colombiano Jhonatan Restrepo não confirmou o que muito se esperava dele e está de saída para a Manzana Postobón. Depois houve o acidente de Marco Haller, atropelado durante um treino. Esteve praticamente seis meses fora de competição, numa ausência importante no comboio de Kittel, mas que não serve de desculpa para o sprinter.

Mas nem tudo foi mau. O australiano Nathan Haas (29 anos), reforço vindo da Dimension Data, aproveitou bem dispor de alguma liberdade. Deu uma das vitórias à equipa (segunda etapa da Volta a Omã), tentou aparecer noutras provas, como na Volta à Califórnia, esteve perto de vencer em duas ocasiões na Suíça e acabou a época com um pódio na Volta à Turquia.

O alemão Nils Politt (24) demonstrou que poderá vir a ser aposta num futuro próximo, tendo ajudado a boa prestação na "sua" corrida. Venceu uma etapa e foi segundo na geral na Volta à Alemanha, mas ao longo do ano teve exibições consistentes e poderá começar a ser um ciclista com outro tipo de responsabilidade.

E temos José Gonçalves. Sem Zakarin no Giro, prova na qual o ciclista de Barcelos tinha sido um excelente gregário em 2017, a perspectiva era que Gonçalves pudesse perseguir a vitória de etapas. Tentou logo no contra-relógio inaugural (chegou a liderar) - foi quarto - e procurou esse triunfo nos dias seguintes. Foi terceiro na quinta etapa. Quando chegou a alta montanha, o português não se deixou enterrar na classificação. Foram exibições de grande nível praticamente durante todo o Giro, para tentar segurar um inesperado top 20, que se fixou num brilhante 14º posto.

Foi um José Gonçalves diferente, um ciclista mais forte na alta montanha e que agora se esperará para ver que aposta fará em 2019. Não conseguiu atingir o mesmo pico de forma na Vuelta, mas foi uma boa temporada para o gémeo, que viu o irmão renovar o título nacional de contra-relógio, com 12 segundos a separá-los.

Naquele que acabou por ser o ano de despedida de Tiago Machado do World Tour, o ciclista foi uma das figuras da Katusha-Alpecin na Vuelta. Com Zakarin fora da discussão do pódio, Machado teve liberdade e muito tentou procurar uma fuga de sucesso, entre as várias que triunfaram na corrida espanhola. Não encontrou o caminho de uma grande vitória, mas foi aquele ciclista que bem se conhece, lutador, que não sabe o que desistir quer dizer. E há que recordar que começou o ano com uma vitória que Prova de Abertura Região de Aveiro, ao serviço da selecção nacional, numa fuga solitária de 80 quilómetros! A equipa perde um ciclista muito regular, que foi um gregário importante neste quatro anos em que a representou.

Vitórias precisam-se em 2019

O nome de Joaquim Rodríguez continua a ser muito falado, pois desde que se retirou que esta Katusha-Alpecin não teve um ciclista que estivesse tanto na frente, tanto em destaque nas grandes voltas e não só. O director José Azevedo tem tornar em sucesso esta passagem para uma nova vida da equipa, que vai deixando cada vez mais para trás as origens russas. Contudo, nem com Kittel conseguiu recolocar a Katusha-Alpecin entre as formações mais ganhadoras.

Daniel Navarro, 35 anos, vai regressar ao World Tour depois de seis temporadas na Cofidis. Ciclista muito experiente que reforçará o bloco da montanha. Enrico Battaglin e Jens Debusschere serão uma mais valia para as clássicas e também nos sprints. Foi ainda contratado o jovem britânico Harry Tanfield, que aos 24 anos dará o salto para a categoria principal.

Sai Tiago Machado, entra Ruben Guerreiro entre os portugueses. Após dois anos na Trek-Segafredo, o campeão nacional de 2017 muda-se para a Katusha-Alpecin à procura de mais oportunidades, esperando também mudar a sua sorte, já que a sua passagem pelo World Tour está muito marcada por quedas e problemas de saúde que o têm limitado.

Dmitry Strakhov é um russo que conseguiu entrar na equipa que deixou de ser a que abria portas para os ciclistas deste país. O nome não é estranho, pois afinal andou por Portugal a ganhar e muito: Clássica da Arrábida, duas etapas na Volta ao Alentejo e uma etapa e a geral no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela. O oitavo lugar na Volta à Grã-Bretanha, já como estagiário da equipa, terá ajudado a convencer os responsáveis da Katusha-Alpecin em contratá-lo. Os resultados foram interessantes, mas a ver vamos o que mostrará na elite mundial.

Permanências: Jenthe Biermans, Ian Boswell, Steff Cras, Alex Dowsett, Matteo Fabbro, José GonçalvesNathan Haas, Marco Haller, Reto Hollenstein, Marcel Kittel, Pavel Kochetkov, Viacheslav Kuznetsov, Nils Politt, Simon Spilak, Mads Würtz Schmidt, Willie Smit, Rick Zabel e Ilnur Zakarin.

Contratações: Enrico Battaglin (Lotto-Jumbo),  Jens Debusschere (Lotto Soudal), Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo),  Daniel Navarro (Cofidis), Dmitry Strakhov (Lokosphinx - estagiou na Katusha-Alpecin a partir de Agosto) e Harry Tanfield (Canyon Eisberg).

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30 de agosto de 2018

Ruben Guerreiro assina pela Katusha-Alpecin

"Estou entusiasmado pelo próximo passo na minha carreira e sinto que a Katusha-Alpecin é a escolha certa." Ruben Guerreiro vai mudar de equipa, depois de dois anos na Trek-Segafredo. O ciclista português vai juntar-se a José Gonçalves em 2019, tendo como director geral outro compatriota, José Azevedo. É a quinta contratação de uma formação que está a ter um ano muito difícil (apenas cinco vitórias) e que para o futuro está a tentar encontrar o equilíbrio entre juventude e a experiência.

Aos 24 anos, Ruben Guerreiro é visto como um dos jovens de grande potencial. No entanto, a sua passagem pela Trek-Segafredo ficou muito marcada por problemas de saúde ou então quedas que foram interrompendo os bons momentos de forma que o campeão nacional de 2017 ia apresentando. Este ano, o ciclista espreitou a oportunidade de se estrear numa grande volta, mas acabou excluído do oito eleito para a Vuelta. Está a responder com excelentes prestações em França, como o quinto lugar na Bretagne Classic-Ouest-France.

"A Katusha-Alpecin sempre foi uma das minhas equipas preferidas. O antigo ciclista da Katusha, Purito Rodríguez, sempre foi um dos meus ídolos. Há também uma ligação portuguesa na equipa, o que me facilita, claro, mas, estou habituado a falar inglês depois de quatro anos em equipas americanas", recordou Ruben Guerreiro em declarações à sua nova formação. Antes da Trek-Segafredo lhe ter aberto as portas do World Tour, o corredor tinha evoluído na equipa de Axel Merckx, a actual Hagens Berman Axeon, onde estão os gémeos Oliveira, Ivo e Rui, e João Almeida.

Ruben é um ciclista para provas por etapas, mas também para certas clássicas. Como o próprio destaca, as Ardenas são um objectivo. "Devido a alguns problemas de saúde, nem sempre consegui mostrar do que sou capaz, mas vou fazê-lo no próximo ano. Quero ser um bom companheiro de equipa e ganhar", afirmou. À sua espera estará então José Gonçalves, mas ainda não é conhecido o futuro de Tiago Machado, que, tal como o gémeo de Barcelos, está na Volta a Espanha.

José Azevedo explicou a decisão de contratar Ruben Guerreiro: "Ele teve uns bons anos com o Axel, especialmente na Volta à Califórnia. Gosto do seu estilo de correr. É agressivo e sempre a tentar entrar em fugas. Nos momentos difíceis, ele não é alguém de se esconder ou de ficar na roda."

A lista de reforços da Katusha-Alpecin vai assim aumentando. Daniel Moreno é talvez a maior surpresa. Tem 35 anos e há seis que representa a Cofidis. Antes passou pela Saxo Bank e Astana. O italiano Enrico Battaglin (28 anos) deixa a Lotto-Jumbo para reforçar o bloco das clássicas da equipa de José Azevedo, sendo também uma opção para o sprint, ou para eventualmente dar uma ajuda a Marcel Kittel. O mesmo acontece com Jens Debusschere, belga de 29 anos que fez toda a sua carreira na Lotto Soudal. O jovem britânico Harry Tanfield (23) fará a sua estreia no World Tour. Representava a equipa do seu país Canyon Eisberg, do nível Continental, e também ele tem as clássicas como especialidade, sendo ainda um contra-relogista interessante. Ruben Guerreiro assinou por uma temporada.

4 de maio de 2018

José Gonçalves de camisola rosa? Porque não?

(Fotografia: Twitter Katusha-Alpecin)
Tom Dumoulin começou a Volta a Itália de forma irresistível. Começou como acabou a de 2017: a dar tudo por tudo no contra-relógio para vestir a camisola rosa e desta feita para juntar a vitória de etapa. Quando uma corrida arranca com o contra-relógio, são muitos os que se vêem obrigados a, desde cedo, fazerem contas. A Katusha-Alpecin não é excepção, mas estas são contas boas de se fazer. Se desta feita não tem um líder para a geral, com o excelente resultado de José Gonçalves e com Alex Dowsett a recordar a todos que continua a ser um dos melhores contra-relogistas, na equipa suíça já se pensa em tentar nas próximas etapas conseguir colocar um dos seus ciclistas com a maglia rosa.

Apesar de Dumoulin ter ganho, de Froome ter sofrido uma queda ainda antes do contra-relógio, de haver algumas surpresas entre os que foram mais rápidos, não se consegue deixar de destacar José Gonçalves. Durante alguns minutos o ciclista português permitiu pensar que poderia ficar como líder, ainda que faltassem alguns dos maiores especialistas. No ponto intermédio, Gonçalves foi mais rápido - por menos de um segundo - que Rohan Dennis. E o australiano da BMC é um desses maiores especialistas no contra-relógio.

Não se pode dizer que seja uma surpresa total. No início da sua carreira, José Gonçalves foi campeão nacional tanto em sub-23, como em elites. Nos últimos anos destacou-se mais como ciclista de ataque e era precisamente esta sua faceta que se estava à espera que pudesse surgir durante o Giro. Com este resultado - ficou a 12 segundos de Dumoulin - Gonçalves acabou de entrar no plano do seu director para tentar vestir a camisola rosa nos próximos dias.

"Porque não pensar nas oportunidades que poderão surgir? Vamos lutar pela camisola rosa na próxima etapa", garantiu José Azevedo. O responsável pela Katusha-Alpecin salientou que é necessário proteger Gonçalves e Dowsett (quarto, a 16 segundos). "Isto colocou-nos numa boa posição para os próximos dias", disse o director. Esta situação compensa um pouco a desilusão de Martin (tetracampeão do mundo), que apesar de ter sido nono - o que ajudou a Katusha-Alpecin a assumir a liderança na classificação por equipas - os 27 segundos deixaram-no longe da discussão da desejada vitória de etapa. Contudo, eis um corredor que tem um gosto especial em fazer ataques de longe e que causam muitos problemas. Mais uma hipótese para a Katusha-Alpecin.

Portugal pode ter apenas um representante no Giro, mas José Gonçalves dificilmente poderia ter pedido um começo melhor. Durante algum tempo o ciclista de Barcelos foi vendo os corredores passarem e a não tocarem no seu então segundo posto, atrás de Dennis. Só o campeão europeu, Victor Campenaerts (Lotto Fix ALL) - terceiro, a dois segundos - e o campeão do mundo, Tom Dumoulin, fizeram Gonçalves cair para o quarto posto.


A alegria de Tom Dumoulin após a vitória na primeira etapa da Volta a Itália
(Fotografia: Giro d'Italia)
Mas falemos então da figura do dia. O holandês entrou com tudo na defesa da maglia rosa que ganhou há um ano. Quando falou aos jornalistas, abriu a camisola de líder, mostrando a de arco-íris que tinha por baixo: "Agora estou a vestir as duas camisolas mais bonitas no ciclismo. Isso deixa-me muito orgulhoso." O corredor da Sunweb chega mesmo a dizer que a vitória é mais importante para ele do que o tempo ganho. Contudo, não deixou de estar bastante satisfeito por já ter ganho uns segundos, que os próximos dias dirão que importância poderão ter. Dumoulin completou os 9,7 quilómetros do percurso de Jerusalém em 12:02 minutos.

Aquele que lidera a lista de rivais de Dumoulin, Chris Froome, teve um início azarado. Sofreu uma queda ainda no reconhecimento e apesar de ter preferido dizer que até poderia ter sido pior, o britânico da Sky perdeu 37 segundos. Thibaut Pinot (Groupama-FDJ), 33, Tim Wellens (Lotto Fix ALL), 32, Fabio Aru (UAE Team Emirates), 50, Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), 46 e Miguel Ángel López (Astana), 56. Quem confirmou que não está no seu melhor foi Louis Meintjes (Dimension Data), que já tem 1:08 minutos para recuperar.

No entanto, houve umas surpresas agradáveis. O pequeno Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida) fechou o top dez, a 27 segundos de Dumoulin. Carlos Betancur (Movistar) ficou logo atrás, a 28 segundos. E atenção a Simon Yates, pois o britânico da Mitchelton-Scott só perdeu 20 segundos. Excelente início para o gémeo, que este ano já não estará na luta da juventude nas grandes voltas. Por isso, o primeiro líder desta classificação é Max Schachmann - sétima na Volta ao Algarve -, com o alemão da Quick-Step Floors a fazer mais 21 segundos que Dumoulin.

Apesar de já ter a camisola rosa, não será expectável que a Sunweb faça tudo para a defender. Nos próximos dias, pelo menos até ao do Etna (sexta etapa), o objectivo será manter Dumoulin a salvo de percalços e manter as diferenças conquistadas para os principais adversários. São três semanas de corrida pela frente para gastar muito cedo forças que podem ser necessárias mais tarde.

De referir que não foi só Froome que teve um início pouco auspicioso. Kanstantsin Siutsou também caiu no reconhecimento do percurso, mas foi bem mais grave. O bielorrusso da Bahrain-Merida foi transportado para o hospital, onde foi confirmada a fractura de uma vértebra. Nem chegou a partir para o Giro e é uma baixa importante para a equipa, visto que estava num bom momento de forma, tendo conquistado recentemente a Volta à Croácia.

Etapa 2: Haifa-Telavive, 167 quilómetros


Senhores sprinters cheguem-se à frente. Depois do contra-relógio que obrigou os candidatos à geral a aplicarem-se logo no primeiro dia da Volta a Itália, no fim-de-semana serão os homens rápidos que terão a oportunidade de serem as estrelas.

O pelotão deixará Jerusalém para visitar Haifa e Telavive. Há uma subida de quarta categoria a meio, que decidirá o primeiro camisola azul, da classificação da montanha, mas será difícil imaginar outro final que não seja ao sprint. Elia Viviani lidera os favoritos, com a Quick-Step Floors à procura da 28ª vitória do ano. Danny van Poppel (Lotto-Jumbo) e Sam Bennett (Bora-Hansgrohe) serão alguns dos adversários de um contingente italiano que contará com um Jakub Mareczko (Wilier Triestina-Selle Italia) que anda a prometer uma vitória desde o Giro passado e um Sacha Modolo (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) que quer mostrar que ainda tem algo para dar.

Para José Gonçalves ou Alex Dowsett conseguirem concretizar já o desejo de José Azevedo, a aposta na fuga será obrigatória. Porém, caso decidam esperar até regressar a Itália, a quarta e quinta etapa são bem mais interessantes, principalmente para o português. Muito sobe e desce, perfeito para ciclistas que gostam de atacar.

Pode ver aqui a classificação da primeira etapa.




»»Vegni garante que se Froome ganhar o Giro a vitória não será retirada. A UCI não tem tanta certeza...««

»»Um Giro com muitas distracções mas a prometer espectáculo««

10 de dezembro de 2017

Kittel autorizado a vestir equipamento da Katusha-Alpecin para mostrar "hipocrisia da UCI"

(Fotografia: Twitter Katusha-Alpecin)
A Katusha-Alpecin foi a mais recente das equipas a revelar como irá equipar-se em 2018. Na apresentação, em Maiorca, Marcel Kittel foi o centro das atenções, mas não apenas por ser... Kittel, também por estar vestido com as novas cores, tendo em conta que, até ao fim do ano, é ciclista da Quick-Step Floors. O sprinter alemão participou na sessão fotográfica e o seu ainda patrão explicou que autorizou Kittel para assim mostrar a "hipocrisia da UCI". Patrick Levefere mostrou o seu desagrado para com as regras contratuais impostas pelo organismo que tutela o ciclismo mundial.

"Autorizei-o a participar na sessão de fotografias da @katushacycling para provar a hipocrisia do sistema da @uci_cycling. Nós @quickstep_team teremos de pagar até 31 de Dezembro", lê-se no Instagram do director da equipa belga. Os contratos dos ciclistas começam normalmente a 1 de Janeiro, terminando no final do ano acordado. São raros os casos dos corredores que saem a meio da temporada (em Agosto, quando é possível negociar novos vínculos). Neste caso, Lefevere refere-se ao facto de, apesar de Marcel Kittel estar de malas aviadas para a Katusha-Alpecin, já estar inclusivamente a treinar com os novos companheiros, o alemão tem de utilizar o equipamento da Quick-Step Floors e a formação belga paga-lhe o ordenado até dia 31.

Se Lefevere não tivesse autorizado Kittel a vestir o seu futuro equipamento e o sprinter o tivesse feito, por exemplo, o director poderia cortar no salário que ainda tem de pagar ao ciclista como sanção. Esta regra faz com que os reforços tenham de esperar por 1 de Janeiro para se mostrarem com as novas cores, o que num mercado que tenta cada vez mais apostar no marketing e nos produtos ligados as equipas de ciclismo, ter de esperar por "exibir" Kittel, ou seja quem for a estrela contratada, poderá significar menos "dinheiro em caixa" durante umas semanas.

Autorização idêntica terá chegado da Movistar e da Dimension Data, pois Alex Dowsett e Nathan Hass surgiram igualmente equipados a rigor. Porém, durante o estágio que a Katusha-Alpecin está a realizar até ao próximo dia 15, em Espanha, os três ciclistas vestem as camisolas e utilizam as bicicletas da equipa por quem ainda têm contrato.

Kittel motivado para o novo desafio

O sprinter alemão reapareceu ao seu melhor em 2017, com destaque para as cinco vitórias na Volta a França, com a camisola verde a provavelmente escapar-lhe depois de uma queda que o obrigou a abandonar. No entanto, com Fernando Gaviria em clara ascensão na Quick-Step Floors, Marcel Kittel não quis correr o risco de se ver obrigado a ficar de fora no Tour para dar lugar ao colombiano. José Azevedo não desperdiçou a oportunidade para garantir aquele que é considerado um dos melhores na sua especialidade. O director português da equipa "trocou" um Alexander Kristoff em crise de grandes triunfos, por um Kittel de regresso à sua melhor versão.

"Estou muito contente por ter regressado a um nível que havia demonstrado no passado. O meu próximo grande objectivo é conhecer os meus novos companheiros e ver como vamos trabalhar juntos. Não vamos pensar ainda nas vitórias. Estar numa equipa de alto nível internacional é uma forte motivação para mim. Penso que encaixo bem e sinto que juntos poderemos conseguir algo importante. Sinto-me muito bem aqui", referiu Marcel Kittel na apresentação.

José Azevedo agradeceu o que Kristoff deu há equipa durante os seis anos em que a representou, mas não tem dúvidas em dizer que agora tem o melhor sprinter do mundo. "Temos ciclistas para trabalhar e lançá-lo. Este grupo de corredores apoiará o Marcel da melhor maneira", assegurou o director geral. Porém, apesar de Kittel ser a estrela maior, no que diz respeito a objectivos a outra responsabilidade está do lado de Ilnur Zakarin. O ciclista russo foi quinto no Giro e na Vuelta conseguiu finalmente um pódio (terceiro). Em 2018 o ataque será ao Tour e José Azevedo destaca que também Zakarin terá uma boa equipa em seu redor, destacando Ian Boswell (Sky), outro dos reforços para 2018. O ciclista russo afirmou que quer estar entre os cinco primeiros da geral quando cortar a meta nos Campos Elísios.

O responsável português salientou que Simon Spilak será ciclista para lutar por corridas de uma semana e deixa uma garantia quanto a umas das desilusões de 2017: Tony Martin. "Ainda tem muito para dar ao ciclismo", frisou.

Entre os reforços estão ainda Steff Cras, belga de 21 anos, e Willie Smit, sul-africano de 24. Já nas saídas, destaque para o final da carreira dos espanhóis Alberto Losada e Ángel Vicioso, Michael Morkov vai para a Quick-Step Floors, Matvey Mamykin será colega de José Mendes na Burgos-BH - o contingente russo é cada vez mais pequeno e já só serão quatro ciclistas -, enquanto Rein Taaramäe tentará relançar a carreira na Direct Energie, depois de uma época muito apagada.

E não nos podemos esquecer que dois portugueses têm lugar de relevo nesta estrutura. Tiago Machado renovou por mais um ano e vai para o seu quarto nesta formação. José Gonçalves assinou até 2019, depois de uma época de estreia no World Tour muito positiva.


De recordar que a Katusha-Alpecin é uma das nove equipas do World Tour com presença confirmada na Volta ao Algarve, pelo que está em aberto ver de novo Marcel Kittel a lutar nos sprints em Lagos e Tavira. Nesta última cidade, ganhou em 2016.

»»Nova era da Katusha-Alpecin com confirmação de Zakarin e despedida de Kristoff««

2 de dezembro de 2017

Nova era da Katusha-Alpecin com confirmação de Zakarin e despedida de Kristoff

Zakarin realizou uma excelente temporada (Fotografia: Facebook Katusha-Alpecin)
Foi o cortar com as raízes russas. José Azevedo tem um enorme desafio pela frente e em 2017 conseguiu um dos seus objectivos como director geral da Katusha-Alpecin: Ilnur Zakarin confirmou credenciais e subiu ao pódio de uma grande volta. Porém, confirmou-se também uma perspectiva negativa: Alexander Kristoff perdeu a chama de vencedor nas principais corridas. É o autor de mais de metade das vitórias deste ano da Katusha-Alpecin, mas só duas foram no World Tour, nas clássicas Eschborn-Frankfurt e Prudential RideLondon-Surrey. Ser campeão da Europa não tem o estatuto de uma vitória no Tour ou num monumento e o norueguês viu ainda Peter Sagan frustrar-lhe a tentativa de ser campeão do mundo no seu país. Tony Martin foi uma das principais contratações da temporada, mas não rendeu nada do que era esperado. Os portugueses Tiago Machado e José Gonçalves fizeram uma temporada muito positiva e viram os seus contratos serem renovados.

A Katusha deixou de ser a equipa de referência da Rússia e não só trocou de nacionalidade - é agora suíça - como entrou um novo patrocinador, a Alpecin, como também terminou com a ligação a muitos ciclistas russos, tornando-se mais internacional. Como curiosidade, um deles, Egor Silin, assinou pela Rádio Popular-Boavista. Tony Martin foi o grande investimento. Depois de cinco anos na estrutura da actual Quick-Step Floors, o quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio queria um novo desafio, mas não esteve à altura. Até começou o ano a ganhar na segunda etapa da Volta à Comunidade Valenciana. Depois... nada. Nem exibições à Martin, nem vitórias nos contra-relógios. Salvou-se o título nacional da especialidade.

Se de Martin esperava-se mais, de Alexander Kristoff então, nem se fala. A Katusha-Alpecin construiu dois blocos: um para apoiar o norueguês nos sprints e nas clássicas e outro para proteger Ilnur Zakarin. As exibições de Kristoff chegaram a ser penosas de ver, como quando o seu lançador, Rick Zabel, trabalhou muito bem para o seu líder, que depois nem o conseguiu passar para discutir o sprint. Zabel - e o apelido não engana, é mesmo filho Erik Zabel - foi outra das contratações e poderá ser uma aposta ganha num futuro próximo. Tem 23 anos, muito para progredir e vai estar ao lado de Marcel Kittel, podendo muito bem aprender com um mestre do sprint. Nas clássicas, a oportunidade poderá chegar já em 2018.

Com o passar dos meses e com Kristoff a falhar todas as principais metas, o mal-estar começou a ser difícil de esconder. O norueguês chegou a admitir publicamente que lhe tinha dito que estava com peso a mais, com o ciclista a garantir que estava igual a outros anos. Ficou claro que a porta de saída estava aberta. Kristoff assinou pela UAE Team Emirates.

Ranking: 11º (5619 pontos)
Vitórias: 17 (incluindo a Eschborn-Frankfurt e uma etapa e a geral na Volta à Suíça e a Prudential RideLondon-Surrey)
Ciclista com mais triunfos: Alexander Kristoff (9)

Com Kristoff a ganhar em corridas secundárias - Volta a Omã, ou Artic Race, por exemplo -, a pressão de bons resultados recaiu em Ilnur Zakarin. O potencial estava lá, mas o russo parecia ser algo perseguido por algum azar. Ainda assim, já tinha uma etapa no Giro e outra no Tour. Porém, este russo queria um pódio, queria até estar na luta por uma vitória numa grande volta. Itália assenta bem a Zakarin e mais uma vez apareceu em alta. Desta feita não houve incidentes que ditassem o abandono - ainda que tivesse perdido algum tempo muito cedo na corrida - e acabou em quinto, sendo ainda três vezes segundo em etapas. Os resultados renovaram a confiança do russo.

Saltou o Tour para apostar na Vuelta e em boa hora o fez. Grande corrida, quase sempre na frente, na discussão. Ainda não esteve ao nível de debater-se em pé de igualdade com Froome, mas conseguiu um muito esforçado terceiro lugar. É caso para dizer que Zakarin está no ponto.  E foi ainda campeão nacional de contra-relógio. Em 2018 é possível que regresse ao Tour, mas ganhar uma das três principais corridas de três semanas é agora claramente o objectivo. Falta saber qual será a preferida.

Quanto aos portugueses, é uma pena não se poder ver mais Tiago Machado naquela sua versão de homem de ataque, que mexe nas corridas e procura vitórias. Teve liberdade na Liège-Bastogne-Liège, mas apesar de inicialmente o seu grupo de fugitivos ter ganho uma vantagem de respeito, a tentativa não resultou. No resto do ano, Machado foi aquele ciclista que a Katusha tanto aprecia. É de confiança ao lado dos líderes, trabalhador incansável que cumpre à risca o que lhe é pedido. O Tour foi prova disso. Muito se viu o português na frente do pelotão sempre a pensar em Kristoff. José Azevedo renovou por mais um ano com Machado, que teve um resultado que até pode ter passado despercebido, mas foi um de destaque individual: 11º no Tour de Yorkshire.

Já José Gonçalves foi premiado com dois anos de contrato. Finalmente fez a estreia ao mais alto nível e tal como Tiago Machado, já não pode ser aquele ciclista irreverente, que está sempre pronto a atacar. No entanto, teve mais liberdade do que o compatriota. Aquela Strade Bianche será para recordar. Gonçalves integrou a fuga e conseguiu manter-se na frente quando esta terminou. Ficou à porta do top dez (11º) e o próprio admitiu que lhe faltou experiência para talvez conseguir ainda melhor. Porém, ficou o sinal claro que a Katusha-Alpecin tem ciclista para procurar triunfos em algumas corridas. E só para não restarem dúvidas foi à Holanda ganhar a Ster ZLM, além de uma etapa.

No mês antes tinha sido um dos ciclistas mais importantes no trabalho a Ilnur Zakarin na Volta a Itália. Como gregário passou um teste de fogo e na Vuelta lá estava Gonçalves novamente entre os eleitos. Infelizmente acabou por abandonar na sexta etapa devido a uma queda. No entanto, não estragou uma temporada convincente. José Gonçalves conseguiu no seu primeiro ano no World Tour ganhar um lugar de destaque na Katusha-Alpecin.

Para 2018, chega então Kittel para dar as vitórias que Kristoff não foi capaz, mas José Azevedo não se ficou pelo sprinter alemão. Foi buscar Ian Boswell à Sky, ciclista que será um apoio importante para Zakarin, tal como Alex Dowsett (Movistar). O primeiro terá uma missão de apoio na montanha, mas ambos vão ser importantes no contra-relógio. Se a aposta for o Tour - haverá inevitavelmente uma divisão de atenção entre Zakarin e Kittel -, juntamos Tony Martin e o contra-relógio colectivo poderá ser um dia bom para a Katusha-Alpecin. Da Dimension Data chega o australiano Nathan Haas que além das corridas por etapas, será um bom reforço para as clássicas. O sul-africano Willie Smit é a contratação mais desconhecida, sendo mais um jovem (24 anos) que a equipa quererá desenvolver.

O plantel para a próxima temporada é forte: Jhonathan Restrepo, Maurits Lammertink, Mads Würtz Schmidt, Marco Mathis ou os mais experientes Baptiste Planckaert e Simon Špilak (venceu a Volta a Suíça) continuam na Katusha-Alpecin. A equipa de José Azevedo quer atingir outro patamar e reforçou-se bem para alcançar esse objectivo.

29 de junho de 2017

"Estamos contentes com o José Gonçalves e com o Tiago Machado"

José Azevedo prepara-se para fazer a sua primeira Volta a França como director geral de um equipa do World Tour. Fê-lo como ciclista, fê-lo como director desportivo. Agora continua a ir no carro, mas deixa a coordenação desportiva a quem de direito. Diz que é um trabalho diferente aquele que tem, mas que tem sido muito interessante. O desafio é aliciante, ainda mais quando a Katusha-Alpecin está numa fase de mudança, tornando-se mais internacional e rompendo com as raízes russas. Dois portugueses representam a formação e naturalmente que foi por aí que começou a conversa, até porque ambos estão em final de contrato.

"O José Gonçalves está a cumprir e a prova disso foi a vitória no ZLM. Várias corridas são novas para ele. É um nível diferente, uma velocidade diferente... o ritmo competitivo é muito mais elevado. O Zé necessita de fazer essa adaptação. No entanto, ele tem correspondido de uma forma muito positiva. Em provas em que trabalhou para a equipa, fez um excelente trabalho no auxílio aos líderes, como na Volta a Itália. Depois, noutras em que teve liberdade, também teve um desempenho bastante interessante, como na Strade Bianche.. Foi uma corrida em que ele terminou em 11º. Cometeu alguns erros no fim, talvez por não conhecer a corrida, caso contrário teria ficado nos dez primeiros", salientou José Azevedo ao Volta ao Ciclismo.

"O Tiago deixou de ser um corredor que tinha algumas provas como prioridade e passou a ser um ciclista mais de trabalho. Adaptou-se a isso e aceitou de forma positiva essa missão"

O responsável considera que a vitória na Holanda foi a recompensa pelo trabalho que o José Gonçalves tem feito no seu ano de estreia no World Tour: "Agora o próximo objectivo dele será a Volta a Espanha." Já Tiago Machado será aposta para a Volta a França, que começa no sábado. É um ciclista experiente e que tem funções novas na Katusha-Alpecin: "Nos últimos meses, o Tiago deixou de ser um corredor que tinha algumas provas como prioridade e passou a ser um ciclista mais de trabalho. Adaptou-se a isso e aceitou de forma positiva essa missão. Estamos bastante satisfeitos com ele."

Mas será que estamos a falar de uma renovação de contrato para ambos? "Estamos em fase de negociações para começar a construir a equipa do próximo ano. Primeiro há que conversar e depois é que se anuncia. Tudo dependerá das negociações", respondeu. Cauteloso nas palavras quando se fala de contratos, José Azevedo reforçou a ideia já deixada: "Estamos contentes com o José Gonçalves e com o Tiago Machado."

Kristoff, Martin e a Volta a França

Aproxima-se um dos grandes momentos para a temporada da Katusha-Alpecin. Tony Martin, tetra-campeão do mundo de contra-relógio, foi o nome mais sonante das contratações para 2017. Sem surpresa, é dele que se espera a principal conquista, falhado o desejo de ganhar um monumento com Alexander Kristoff. "O contra-relógio de Düsseldorf e Marselha são objectivos para o Tony Martin", destacou José Azevedo. Ambição bem conhecida, pois se ganhar este sábado na "sua" Alemanha, Martin irá também vestir a camisola amarela.

Depois será a vez de Kristoff chegar-se à frente. O norueguês passou ao lado das clássicas, vencendo em Frankfurt, mas não conseguiu o monumento pretendido. Parece existir algum atrito entre o ciclista e a equipa, que criticou as escolhas para a Volta a França, quando soube que Michael Morkov não seria um dos seus lançadores. "O Alex sabe que tem corredores que o vão auxiliar, como o Zabel - que tem feito um excelente trabalho nas últimas provas -, como o Haller - que corre com ele há seis anos -, como o Hollenstein, o Politt, o próprio Tony Martin", afirmou Azevedo. O responsável acredita que tem uma equipa forte para ajudar a controlar as tiradas e para deixar Kristoff bem posicionado para disputar os sprints: "A partir daí... esperemos que ganhe!"

Quando o terreno começar a subir a Katusha-Alpecin mudará a sua estratégia. Sem líder para a geral - Ilnur Zakarin foi ao Giro e irá agora à Vuelta - José Azevedo garante que haverá liberdade para se procurar vitórias de etapas, pois é esse o objectivo da equipa suíça. "Todos terão liberdade. Penso que será interessante para eles. É uma oportunidade que têm."

Que Rick Zabel saia ao pai e Zakarin lute pela Vuelta

Com a mudança de "interesses comerciais", como descreve José Azevedo, a Katusha-Alpecin abdicou de grande parte dos seus ciclistas russos. Até 2016 foi uma equipa desse país, mas este ano passou a ser suíça, entrou um patrocinador alemão (Alpecin, marca de champôs) e as contratações passaram a ser alargadas a outros países. Antes tinha como objectivo abrir as portas a muitos ciclistas russos ao World Tour, agora continua a apostar em jovens, mas com nacionalidades diferentes. É o caso de Rick Zabel.

"Se [Zabel] conseguir ser como o pai, já será muito bom. Nem precisa de ser melhor"

O apelido traz consigo uma herança pesada. O pai, Erik Zabel, foi um dos principais sprinters na década de 90 e no início do século. 84 vitórias, 12 em etapas no Tour, oito na Vuelta e ainda conquistou quatro Milano-Sanremo. "Se conseguir ser como o pai, já será muito bom. Nem precisa de ser melhor", afirmou, a sorrir, José Azevedo. O jovem Zabel (23 anos) vai estrear-se na Volta a França e o responsável português confia que será um ciclista a contar para o futuro. "É um ciclista em que nós acreditamos. O Rick sabe o porquê da sua contratação [estava na BMC]. Desde o início da época teve provas em que foi o sprinter da equipa e fez lugares interessantes. Vários top dez. Nos últimos dois meses tem estado mais junto do Alex", disse.

Apesar de ser um dos lançadores de Kristoff, Zabel tem conseguido ainda assim boas classificações, inclusivamente já ficou à frente do seu líder. Esta experiência como gregário é a forma da Katusha-Alpecin promover o desenvolvimento do ciclista. "Para ele crescer tem de ser desta maneira e ele sabe que nós temos um plano para ele para o futuro. Há que dar tempo e não é porque as coisas estão agora a sair bem que vamos alterar os planos ou impor mais responsabilidade. Ele já a tem e o plano é a pensar no futuro", frisou.

Trabalhar com jovens ciclistas e dar-lhes a oportunidade de singrarem ao mais alto nível é algo que José Azevedo admite estar a gostar de fazer. No entanto, um dos seus objectivos passa também por fazer de Ilnur Zakarin um vencedor numa corrida de três semanas. Neste caso, a aposta manteve-se com o russo que tem vindo a evoluir nos últimos anos na formação, com uma passagem pela RusVelo (conjunto russo, mas do escalão Profissional Continental). Com a saída de Joaquim Rodríguez (terminou a carreira), Zakarin ficou com o lugar de líder indiscutível para as grandes voltas. Foi quinto num Giro em que se mostrou forte na montanha, mas alguns azares e um dia mau podem ter-lhe custado o pódio.

"No Blockhaus ele perdeu 1:40 minutos e é difícil de recuperar [tanto tempo]. Se tivesse perdido 40 segundos, teria terminado no pódio. No entanto, demonstrou na última semana que era o ciclista mais forte na montanha e isso dá-lhe a confiança que poderá ganhar uma corrida de três semanas", afirmou José Azevedo. O director geral explicou que a sua ausência do Tour deve-se ao plano de deixar o russo recuperar totalmente do esforço na Volta a Itália e garantir que se apresenta a 100% na Vuelta. "Eu acho que ele tem toda a possibilidade de pensar em ficar no pódio."

"Já ganhei uma vez [a Volta a Espanha] e gostaria de repetir"

E claro, a Volta a Espanha tem um significado especial para José Azevedo. Se como ciclista foi a grande volta em que fez o seu pior resultado - 34º em 2002 e abandonou em 1997, 2003 e 2005), como director desportivo conquistou uma vitória histórica ao levar o veterano de 41 anos Chris Horner a uma surpreendente vitória, então ao serviço da RadioShack-Leopard. Ao recordar desse momento José Azevedo deixa escapar um rasgado sorriso: "Já ganhei uma vez e gostaria de repetir."

Primeiro está o Tour. José Azevedo lá estará no carro da equipa, onde continua a ir apesar de já não ser o director desportivo. "Só não fiz três corridas [este ano]. Faço quase todas sentadas ao lado, mas não interfiro com o trabalho do director desportivo", garantiu. "O meu trabalho agora não é tanto a competição como anteriormente. Tenho outro tipo de responsabilidades. Antes tinha de preparar a parte desportiva da equipa, agora, como director geral, tenho de praticamente coordenar toda a estrutura"; explicou José Azevedo.

Entusiasmo não lhe falta para construir uma Katusha-Alpecin forte e que ganhe ainda mais do que está a fazer em 2017, ano em que soma 14 vitórias.


20 de junho de 2017

Estalou o verniz entre Kristoff e a Katusha-Alpecin

(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Se já não era particularmente segredo que a relação entre Alexander Kristoff e os responsáveis da Katusha-Alpecin já teve melhores dias, agora não restam dúvidas e, claro, a especulação sobre a saída do norueguês no final do ano ganha maior força. Depois do episódio do peso a mais, a semana e meia do início da Volta a França Kristoff ficou a saber que não deverá ter um dos seus homens de confiança a lançar os sprints. Apesar de ainda não ser uma decisão oficial, o ciclista não perdeu tempo a reagir e está surpreendido por não ter sido abordado sobre a exclusão de Michael Morkov.

"Não sei o que estão a pensar. Ainda acredito que tenho uma boa possibilidade [nos sprints], mas as nossas hipóteses seriam melhores se o Michael estivesse na equipa", afirmou Kristoff ao canal de televisão local TV2. O ciclista norueguês admitiu estar "surpreendido e desiludido" pela ausência de Morkov. "Acho estranho não ter sido seleccionado e que ninguém me tenha questionado", salientou.

A notícia foi avançada pelos media noruegueses, que, além do dinamarquês, referem que Sven Erik Bystrom, compatriota de Kristoff, também ficará de fora do Tour. A Katusha-Alpecin, que tem como director geral o português José Azevedo, não avançou ainda com os pré-convocados para a corrida que começa no dia 1 de Julho. No entanto, a reacção de Kristoff deixa transparecer toda a tensão que se vive na equipa suíça relativamente àquela que já foi a sua maior estrela, mas que está claramente a perder crédito e confiança.

O ciclista faz 30 anos no próximo dia 5 de Julho e é provável que a prenda de anos que mais procure seja uma nova equipa. Os últimos dois anos não foram os esperados, com Kristoff a render muito menos do que era expectável, estando a passar ao lado das vitórias nas principais corridas. Para 2017 foram contratados ciclistas que, apesar de jovens, têm o papel de estar ao lado do norueguês. Mesmo quando o trabalho é bem feito, Kristoff tem falhado. Até pode parecer estranho dizer que o corredor não está a ter uma boa temporada quando conta com seis vitórias, metade daquelas conquistadas pela Katusha-Alpecin. Porém, apenas uma foi numa corrida do World Tour, a clássica alemã Eschborn-Frankfurt que este ano ascendeu à principal categoria.

O outro líder da formação, Ilnur Zakarin, fez o Giro e vai agora à Vuelta, pelo que o Tour era suposto ser para Kristoff lutar por etapas. Agora é esperar para conhecer os ciclistas escolhidos pela Katusha-Alpecin para perceber se realmente Morkov fica de fora e como ficará o ambiente perante uma cada vez mais provável ruptura com Kristoff.

Além do norueguês, Tony Martin é também presença garantida, em condições normais, com o jovem Rick Zabel a ser quase certo, já que é um ciclista que a equipa tem grande esperança para um futuro próximo. Tiago Machado não esteve no Giro pelo que é hipótese, ao contrário de José Gonçalves, que poderá ser poupado depois da presença na Volta a Itália. Contudo, o ciclista de Barcelos tem características que podem ser importantes na ajuda a Kristoff, além de ser um corredor que pode entrar em fugas, tal como Machado. Visto que a equipa não irá ter ninguém definido para a geral, a postura atacante dos dois portugueses pode ser uma mais-valia para a formação suíça.

Recentemente Kristoff teve de enfrentar críticas dos responsáveis da Katusha-Alpecin, que alertaram para o excesso de peso. O corredor defendeu-se dizendo que continua a pesar o mesmo de sempre. Foi o próprio que revelou a "acusação" publicamente, não escondendo que o mal-estar com a Katusha-Alpecin é uma realidade (pode ler a história completa no link em baixo).


9 de janeiro de 2017

"Não me posso queixar das oportunidades que são e foram dadas pela equipa"

(Fotografia: Katusha-Alpecin)
A imagem de Tiago Machado está muito ligada a um ciclista de ataque. Foi assim que habitou quem segue a sua carreira, foi assim que conseguiu chegar ao mais alto nível do ciclismo, mas não tem sido assim na Katusha. Além de gostar de correr ao ataque, Tiago Machado também sempre se mostrou como um homem de confiança para quem fosse o líder e tem sido esse o lado mais explorado na agora equipa suíça. O ciclista de Vila Nova de Famalicão garante que não encara a função de gregário como uma prisão e está satisfeito com as oportunidades que vai tendo, como a que recebeu para começar bem o ano: será o líder da Katusha-Alpecin no Tour Down Under, primeira corrida World Tour de 2017.

"Começo a temporada em Down Under pois é uma das minhas provas preferidas e a equipa deu-me essa possibilidade de estar presente mais uma vez. As expectativas são as mesmas de todas as provas, defender bem as cores da minha equipa e fazer o melhor possível. É a primeira competição do ano e não sabemos como estamos", explicou Tiago Machado ao Volta ao Ciclismo. Será a terceira temporada na Katusha (agora Katusha-Alpecin), mas o facto de começar como líder numa competição World Tour não significa que o seu principal papel na equipa irá mudar. Porém, o ciclista está satisfeito com a forma como tem sido tratado na Katusha: "Graças a Deus não me posso queixar das oportunidades que são e foram dadas pela equipa. Agora é tentar corresponder ao que a equipa espera de mim."

O ciclista de 31 anos está concentrado em "tentar cumprir o que for exigido pela equipa" e realçou que está orgulhoso de ter sido gregário de grandes corredores. "Quando há ciclistas na equipa que dão mais garantias, há que trabalhar para eles para que cheguem o melhor possível às horas decisivas. Por isso, não encaro como uma 'prisão' ser gregário. Bem pelo contrário, é motivo de orgulho, pois nem todos se podem 'gabar' de serem gregários dos campeões que eu já tive a felicidade de ser", referiu.


"O José Azevedo está num posto tão importante por mérito próprio. É a pessoa mais profissional que vi, só assim se atinge o topo"

Em 2017, Tiago Machado terá a seu lado outro português. José Gonçalves estreia-se no World Tour e Machado acredita que "com a garra com que trabalha irá longe na carreira". E também admitiu que pode ser um bom sinal para ele próprio: "Ter alguém que fala o nosso idioma é sempre bom e nas minhas melhores temporadas tive sempre portugueses comigo. Vamos a ver se faço o mesmo este ano."

No entanto, há ainda outro português na Katusha e que este ano assumiu o cargo de director geral da formação. "O José Azevedo está num posto tão importante por mérito próprio. É a pessoa mais profissional que vi, só assim se atinge o topo. Um exemplo a seguir", frisou Tiago Machado.

Esta liderança de José Azevedo foi uma das muitas mudanças de que a equipa foi alvo. Entrou o patrocinador alemão Alpecin (marca de champôs), saiu a sua principal referência Joaquim Rodríguez, a formação trocou a nacionalidade russa pela suíça, o que fez com que também abandonasse um dos objectivos que levou à sua criação, isto é, dar espaço aos ciclistas russos. Dos 14 que estavam no plantel, só ficaram cinco. Um deles foi Ilnur Zakarin. Aos 27 anos é a grande esperança da equipa para vencer a grande volta que Rodríguez andou perto, mas nunca conseguiu.


"Julgo que [a Katusha] está melhor, mas esperemos pelos resultados na estrada"


Equipa já chegou à Austrália (Fotografia: Twitter Tour Down Under)
"No ano passado quando teve aquela queda no giro estava em quinto na geral. Não fossem as quedas sofridas antes e podia estar mais bem classificado. Tem evoluído muito e julgo que está no bom caminho para uma grande volta", referiu Tiago Machado sobre Zakarin. E quanto às mudanças na Katusha: "Julgo que está melhor, mas esperemos pelos resultados na estrada. Ainda estamos numa fase muito precoce para tirar conclusões."

No dia 17 (e até 22) irá então começar a temporada no Tour Down Under. Tiago Machado terá a seu lado José Gonçalves e os também reforços Maurits Lammertink e Baptiste Planckaert. Sven Erik Bystrom, Jhonatan Restrepo e o veterano de 39 anos Ángel Vicioso completam a equipa.

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