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3 de outubro de 2018

Joni Brandão está de regresso à Efapel: "Foi uma boa aposta de ambas as partes"

(Fotografia: © João Fonseca)
Dois anos depois, Joni Brandão está de regresso à Efapel. Foi nesta equipa que o ciclista se tornou num dos portugueses de referência no pelotão nacional e um candidato à vitória na Volta a Portugal, tendo sido segundo em 2015, posição que repetiu este ano, ao serviço do Sporting-Tavira. Américo Silva irá assim contar novamente com um corredor que bem conhece, numa altura em que a Efapel começa a pensar em consolidar a sua estrutura e fortalecer a equipa para tentar subir de escalão em 2020.

Mas é a curto prazo que para já se pensa, ou seja, colocar a equipa novamente na discussão da Volta a Portugal. "Desde que ele saiu, acabou por deixar um lugar vago, o lugar de quem pode disputar a Volta a Portugal. Nós necessitávamos disso. Sempre habituámos os adeptos de ciclismo a estar na discussão da Volta", salientou Américo Silva ao Volta ao Ciclismo. O director desportivo não esconde que havia a "necessidade de contratar alguém que desse garantias" de estar na disputa pelo pódio e mesmo pela vitória da competição que as equipas nacionais mais querem ganhar.

"Ele conhece a casa e nós conhecemo-lo. Foi uma boa aposta de ambas as partes", disse. Américo Silva considera que após os resultados que o ciclista de 28 anos (faz 29 a 20 de Novembro) já alcançou, a ambição de ganhar a Volta vai crescendo em Joni Brandão: "Ele vem ao encontro de uma equipa que lhe pode proporcionar esse tipo de trabalho. Ele sabe com o que pode contar aqui."

Sérgio Paulinho vai estar ao lado de Joni Brandão. O ciclista veio para a Efapel após o final da Tinkoff, tendo realizado uma carreira ao mais alto nível no World Tour como gregário. Como líder, ainda conseguiu um top dez na Volta em 2017, mas não conseguiu estar na disputa por um bom resultado nesta última edição. Somou uma vitória de etapa no Grande Prémio Abimota.

Será uma dupla muito interessante. A experiência de Paulinho é uma enorme mais valia e não tendo qualquer problema em entregar o papel de líder - que esta temporada partilhou com Henrique Casimiro -, ter uma função mais próxima daquela que o tornou num dos ciclistas mais fiáveis do pelotão internacional, poderá ser a oportunidade para estar novamente a um nível que a Efapel precisa se quiser enfrentar o poderio da W52-FC Porto. 

Joni Brandão demonstrou este ano que é dos que consegue estar mais perto dos ciclistas azuis e brancos, mas precisa de uma equipa forte em seu redor. Além de Sérgio Paulinho (38 anos), Américo Silva está determinado em ter na Efapel ciclistas que conhece bem e que confia plenamente, pela que a continuidade de Rafael Silva (27) e Bruno Silva (30) também já estão tratadas.

Joni Brandão procurou uma mudança quando assinou pelo Sporting-Tavira, contudo, teve um 2017 para esquecer. Um problema de saúde limitou-o e acabou mesmo por o afastar da Volta a Portugal. Em 2018 verificou-se como aos poucos o ciclista foi recuperando a sua melhor forma, com bons resultados, alguns pódios, ainda que uma vitória tenha teimado em escapar-lhe. Apareceu na Volta em grande forma, mas foi impossível bater uma W52-FC Porto superior e um Raúl Alarcón irrepreensível, que "anulou" Joni Brandão quando este tentou atacá-lo. Terminou novamente em segundo, mas ficou claro que o ciclista estava definitivamente de regresso ao seu estatuto de candidato a respeitar.

Em ambos os segundos lugares, Joni perdeu para a estrutura do Sobrado, pois em 2015 foi Gustavo Veloso o vencedor. Em 2014 tinha sido quarto e em 2016 foi quinto. Ou seja, top dez é o seu lugar, mas falta-lhe a vitória.

A carreira como profissional passou nos primórdios por Espanha, mas foi na Efapel que encontrou o espaço e tranquilidade para evoluir entre 2013 e 2016. Para a equipa é um regresso bem-vindo. "Neste tipo de circunstâncias o dinheiro não é tudo. Tem de haver mais valias. É natural que se aguce mais a ambição de vencer a Volta depois de dois segundos lugares. Ele optou por regressar. Ficámos muito satisfeitos. Sabemos que não havendo azares ele pode dar-nos muitas alegrias", realçou um Américo Silva, feliz por contar novamente com um ciclista que tão bem conhece e aprecia.

»»Domingos Gonçalves regressa à Caja Rural««

»»"A Efapel, pelo percurso que tem tido, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura"««

3 de setembro de 2018

Joni Brandão lidera ranking nacional

(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Apesar da vitória na Volta a Portugal, Raúl Alarcón não conseguiu assumir a liderança do ranking nacional. O peso desta corrida nesta classificação é enorme, com o espanhol da W52-FC Porto a saltar da 11ª posição para a segunda. Porém, a época mais regular de Joni Brandão, ao que se junta o pódio na Volta, permite ao ciclista do Sporting-Tavira ser o primeiro, numa altura que entrámos na recta final da temporada.

Brandão somava os mesmo pontos que Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) em Julho, com o campeão nacional a ser o líder, mas agora tomou as rédeas do ranking formulado pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, com 1177 pontos, mais 222 do que Alarcón, com Gonçalves a cair para terceiro, a 300 pontos. Realizou uma boa Volta, fechando no top dez e com uma vitória de etapa e ganhou depois dois dos circuitos (Alcobaça e Malveira), mas a performance de Brandão na Volta a Portugal faz a diferença.

Por equipas, o Sporting-Tavira consolidou a liderança, com a Aviludo-Louletano-Uli a ultrapassar a W52-FC Porto no segundo lugar.

Entre os sub-23, o melhor continua a ser Xuban Errazkin, espanhol da Vito-Feirense-BlackJack e vencedor da classificação da juventude na Volta a Portugal.

Pode ver neste link as vitórias das equipas portuguesas do escalão Continental este ano.

Ranking individual
1º Joni Brandão (Sporting-Tavira), 1177 pontos
2º Raúl Alarcón (W52-FC Porto), 955
3º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 877
4º Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano-Uli), 839
5º Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), 811
6º Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), 737
7º Daniel Mestre (Efapel), 600
8º João Benta (Rádio Popular-Boavista), 488
9º Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), 482
10º Henrique Casimiro (Efapel), 437
(...)
31º Xuban Errazkin (Vito-Feirense-BlackJack), 136 (melhor sub-23)

Equipas
1ª Sporting-Tavira, 2388 pontos
2ª Aviludo-Louletano-Uli, 2270
3ª W52-FC Porto, 2244
4ª Rádio Popular-Boavista, 1931
5ª Efapel, 1502
6ª Vito-Feirense-BlackJack, 1323
7ª Liberty Seguros-Carglass, 289
8ª Miranda-Mortágua, 259
9ª Fortunna-Maia, 36
10ª LA Alumínios, 14
11ª Jorbi-Team José Maria Nicolau, 7
12ª Sicasal-Constantinos-Delta Cafés, 1


8 de agosto de 2018

Etapa exigente mas que não passou de uma marcação cerrada entre candidatos

Rui Vinhas foi um dos destaques do dia. Apesar dos ferimentos,
continua em prova e a liderar o pelotão (Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Ao ver os ciclistas fazerem uma marcação que mais parecia uma prova de pista, fica-se a pensar se estão com mais receio de perder tempo do que tentar arriscar e ganhar. Foi um momento estranho de uma etapa exigente, mas que acabou por não trazer qualquer novidades na geral. Aproveitou Domingos Gonçalves que anda desde o início da Volta a Portugal à procura de ganhar vestido com a camisola de campeão nacional, ele que tem as duas: de fundo e de contra-relógio.

Joni Brandão, sempre ele, tentou. Raúl Alarcón também esboçou um ataque para ganhar mais tempo. E entre esta luta Sporting-Tavira/W52-FC Porto, Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano-Uli) e Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) estão a quase dois minutos da liderança, pelo que a batalha por um lugar no pódio poderá muito bem começar a pesar nas decisões tácticas. Edgar Pinto tem tido um fiel escudeiro, ainda jovem e que está a aproveitar para dar à equipa uma liderança, pois veste a camisola branca. Xuban Errazkin tentou escapar, João Benta (Rádio Popular-Boavista) perseguiu, mas foi Domingos Gonçalves quem deu um pouco de espectáculo, oferecendo uma etapa que a equipa axadrezada muito procurava.

Acabou por desiludir um pouco a falta de movimentações no ataque à W52-FC Porto, que andou a tentar controlar o andamento, sempre rápido, enquanto a Efapel ajudava na procura por uma etapa. Mas a equipa de Américo Silva está a enfrentar mais uma Volta frustrante. Daniel Mestre não conseguiu entrar na luta pela tirada e Henrique Casimiro sofreu de cãibras. Sofreu ainda mais para não perder tempo, quando já tem mais de três minutos de atraso e tenta agarrar-se a um top dez.

É Joni Brandão que demonstra a maior inconformidade. São 52 segundos. Ninguém se quer atrever a dizer apenas 52 segundos, mas a verdade é que a distância está a deixar Raúl Alarcón em sentido. O próprio admitiu que nada está decidido. É de esperar que os dois não se deixem de marcar até ao fim, com a etapa da Senhora da Graça, no sábado, a começar a ter contornos que será mesmo onde tudo se revolverá, antes do contra-relógio de Fafe.


(Fotografia: PODIUM/Paulo Maria)
Domingos Gonçalves merece o destaque máximo numa etapa bem trabalhada pela equipa de José Santos. Ganhou num estilo tão próprio, com aqueles ataques no momento certo que este gémeo tão bem sabe fazer quando está em forma. E este ano está numa bela forma: já são quatro vitórias. No entanto, terá de o partilhar os holofotes com Rui Vinhas. Com as ligaduras presentes nos braços e pernas, com pontos no sobrolho, ferimentos nas mãos... este ciclista chegou a liderar o pelotão na perseguição a uma fuga de 11 elementos, que incluiu o antigo camisola amarela, Rafael Reis (Caja Rural).

Este esforço, esta atitude de Rui Vinhas está a ser sublinhada pelos adversários. São muitos os que o cumprimentam e elogiam e até José Santos, no seu discurso de vitória, elogiou o ciclista que em 2016 conquistou os adeptos ao vencer a Volta e agora está a dar novamente um enorme exemplo de profissionalismo.

Se os 164,5 quilómetros entre Sernancelhe e Boticas não tiveram influência na geral, apesar das quatro subidas categorizadas, a última de primeira, também não se espera muito dos 165,5 entre Montalegre e Viana do Castelo. Aquela rampa no Monte de Santa Luzia pode proporcionar algum ataque, mas também será dia para uma vitória de etapa ao estilo do que muito se tem visto nesta Volta, com um ataque nos quilómetros finais. 



»»O que ainda podemos esperar da Volta (ou pelo menos desejar)««

»»É assim mesmo Joni!««

5 de agosto de 2018

É assim mesmo Joni!

(Imagem: Print Screen)
Raúl Alarcón está mais forte. Disse não restam dúvidas depois do que fez na Serra da Estrela. Merece que lhe seja dado todo o mérito, todo o respeito, mas nada de vassalagem. São precisos ciclistas como Joni Brandão. Ciclistas que se recusam a entregar uma corrida quando ainda há tempo para tentar algo. Ciclistas que tentam uma vez, não têm sucesso, mas estão já a pensar quando e como vão tentar outra vez. Alarcón está já a ser a figura da Volta a Portugal e talvez seja difícil imaginar como lhe podem tirar a camisola amarela. Mas enquanto houver alguém como Joni Brandão, podemos pelo menos esperar que não vamos ter umas restantes de etapas com os adversários a assistir ao domínio da W52-FC Porto. Alarcón até pode ganhar no final, mas Brandão é daqueles que se perde, pelo menos sai das competições a saber que fez algo para contrariar um poderio evidente, mas que só quebrará se, de facto, alguém for tentando.

Sem a subida a Torre pareceu simplesmente uma etapa mais princesa do que rainha, mas pelo menos houve algum espectáculo no final. As Penhas Douradas não foram palco de movimentações, como se calhar a subida ao ponto mais alto de Portugal Continental poderia ter sido. Mas de "ses" não se vive. Interessam os factos. E um deles foi que mal o terreno inclinou para a subida final nas Penhas da Saúde, o Sporting-Tavira assumiu a sua responsabilidade e tentou quebrar uma unida W52-FC Porto. Conseguiu. Alejandro Marque deu o mote, a 13 quilómetros da meta. Durou pouco e rapidamente ficou foi para trás. Mas Frederico Figueiredo contra-atacou. Naquele momento Luís Fernandes tentou fazer o mesmo trabalho para o companheiro da Aviludo-Louletano-Uli, Vicente García de Mateos.

Foi Joni Brandão quem saltou para a frente. Destemido. Ele que foi bastante crítico de não se subir à Torre, considerando que se não houve cortes nas etapas anteriores, não deveria ter sido naquela que se dizia ser a rainha que se deveria ter mexido. Ganhou alguma vantagem. Contudo, no pequeno grupo, António Carvalho controlava o ritmo, enquanto Alarcón recebia as informações da distância de Brandão. Esperou pelo momento certo e lá foi ele em feroz perseguição.

Entretanto, Gustavo Veloso viu a Serra da Estrela ser novamente madrasta. Um ano depois disse outra vez adeus a qualquer aspiração de ganhar a sua terceira Volta. Mais de 15 minutos perdidos. Já Sérgio Paulinho não irá vencer a primeira. Mau dia para a Efapel. O líder perdeu 4:11 minutos, enquanto o Henrique Casimiro, a outra aposta de Américo Silva, perdeu mais 2:51.

Alarcón apanhou Brandão e não demorou a arrancar. O português não desistiu. Manteve o rival à vista, minimizando estragos. Subiu ao segundo lugar, a 52 segundos do espanhol na geral. E deixou o aviso que não vai baixar os braços. Brandão não esteve na Volta em 2017, devido a problemas de saúde. Então, não foi só o Sporting-Tavira a lamentar a sua ausência. Mesmo os adversários falaram de um ciclista que pode mudar a história de uma corrida. Aqui esteve o exemplo disso mesmo. E não se espera que fique por aqui. Ainda há muita Volta pela frente e até o próprio Alarcón admitiu que Brandão o fez esforçar para poder cumprir o objectivo de consolidar a liderança.

Pode ter sofrido, mas a verdade é que além de Joni Brandão, Mateos (a 1:41) e Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack, a 1:58) são os únicos que estão a menos de dois minutos. Esta segunda-feira serão 191,7 quilómetros entre Sabugal e Viseu, com duas terceiras categorias. Haverá tendência pensar que terça-feira é dia de descanso? Talvez e será compreensível depois de uns primeiros dias infernais. Literalmente! Mas, por outro lado, se houver mais alguém a querer lutar por mais do que o segundo lugar, então sigam o exemplo de Joni Brandão.

Quanto a classificações, Alarcón é agora o líder da montanha, enquanto o espanhol Xuban Errazkin, da Vito-Feirense-BlackJack, é o novo dono da camisola branca da juventude. Mateos mantém a verde dos pontos, enquanto o Sporting-Tavira - que há que recordar que já não conta com Mario Gonzalez - regressou ao primeiro lugar colectivo.

Pode ver aqui as classificações.



»»W52-FC Porto mostra quem manda na Volta a Portugal««

»»O dia foi da Aviludo-Louletano-Uli, mas o calor continua a ser protagonista«

27 de julho de 2018

Joni Brandão empata com Domingos Gonçalves antes do arranque da Volta a Portugal

Com a corrida por que todas as equipas portuguesas mais esperam a poucos dias de começar, Joni Brandão tem no ranking nacional mais uma prova de como a sua regularidade em 2018 o coloca como um dos candidatos a lutar pela Volta a Portugal. O difícil 2017 está definitivamente no passado e o ciclista do Sporting-Tavira aproveitou um mês de descanso por parte de Domingos Gonçalves para apanhar o corredor da Rádio Popular-Boavista no topo do ranking nacional.

Está a ser uma temporada muito positiva para a equipa algarvia de Vidal Fitas. Sem os problemas de saúde de Joni Brandão e também com as lesões a não afectarem tanto o Sporting-Tavira, a formação está muito mais competitiva e com enorme ambição para rivalizar com a W52-FC Porto. Apesar de um mês em que conquistou o Troféu Joaquim Agostinho (José Neves) e o Grande Prémio de Portugal Nacional 2 (Raúl Alarcón), ainda assim não conseguiu ultrapassar o Sporting-Tavira, com apenas 51 pontos a separá-las.

Quanto a Joni Brandão, está em igualdade pontual com o campeão nacional de estrada e contra-relógio (597), mas com as vitórias a permitirem Domingos Gonçalves ser o primeiro classificado. Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) é terceiro, sendo mais um dos ciclistas em destaque esta temporada, principalmente com a excelente vitória na Volta ao Alentejo.

Quanto aos sub-23, o critério de desempate permite ao espanhol Xuban Errazquin (Vito-Feirense-BlackJack) ser o líder, mas Francisco Campos (Miranda-Mortágua) está em igualdade pontual (81).

A Volta a Portugal tem um enorme peso no ranking nacional elaborado pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais. A corrida começa em Setúbal na próxima quarta-feira, com Fafe a receber o grande final no dia 12 (domingo).

Ranking individual

1º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 597 pontos
2º Joni Brandão (Sporting-Tavira), 597
3º Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), 444
4º César Fonte (W52-FC Porto), 376
5º Daniel Mestre (Efapel), 355
6º Óscar Hernandez (Aviludo-Louletano-Uli), 335
7º Mario Gonzalez (Sporting-Tavira), 323
8º Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), 321
9º Henrique Casimiro (Efapel), 311
10º José Neves (W52-FC Porto), 291

Ranking equipas

1ª Sporting-Tavira, 1474 pontos
2ª W52-FC Porto, 1423
3ª Rádio Popular-Boavista, 1150
4ª Efapel, 1108
5ª Aviludo-Louletano-Uli, 1106
6ª Vito-Feirense-BlackJack, 638
7ª Miranda-Mortágua, 235
8ª Liberty Seguros-Carglass, 129
9ª Fortunna-Maia, 35
10ª Jorbi-Team José Maria Nicolau, 7

Pode ver aqui os resultados das equipas de elite portuguesas e o ranking nacional mais pormenorizado.


26 de junho de 2018

Campeões nacionais de contra-relógio e de fundo lideram selecções nos Jogos do Mediterrâneo

Domingos Gonçalves e Daniela Reis tiveram um fim-de-semana
memorável em Belmonte e agora estarão muito bem
acompanhados em Tarragona
Os ciclistas portugueses vão entrar em acção esta quarta-feira nos Jogos do Mediterrâneo para tentar prosseguir a boa prestação dos atletas lusos, que já contabilizam dez medalhas, duas das quais de ouro. Os recentes campeões nacionais de contra-relógio e fundo, Daniela Reis e Domingos Gonçalves estarão presentes apoiados por alguns dos corredores que estiveram em destaque nas corridas que decorreram no último fim-de-semana em Belmonte.

Os homens serão os primeiros a competir em Tarragona, Espanha. Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) estará acompanhado por André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass), Francisco Campos (Miranda-Mortágua), João Rodrigues (W52-FC Porto), Rafael Silva (Efapel), Tiago Antunes (Aldro Team) e Frederico Figueiredo e Joni Brandão. Os dois ciclistas do Sporting-Tavira estiveram na fuga nos Nacionais, com o último a terminar no segundo lugar, demonstrando que está a recuperar a sua melhor forma, depois de um 2017 marcado por um problema de saúde, que o afastou da competição durante grande parte da temporada. A prova no circuito urbano de Vilaseca terá 143 quilómetros, com quatro subidas longas. A partida será às 9 horas (hora de Portugal Continental).

As senhoras arrancarão às 15 horas para os 89 quilómetros da corrida. Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport) terá ao seu lado as outras duas "emigrantes": Soraia Silva e Maria Martins (Sopela Women's Team). Este foi o trio que completou o pódio do contra-relógio dos nacionais, com Maria Martins a ser também segunda na prova de fundo.

Daniela Reis e Domingos Gonçalves conquistaram os dois títulos de elite, pelo que foram os escolhidos pelos seleccionadores - José Poeira (equipa masculina) e Gabriel Mendes (equipa feminina) - para competir também no contra-relógio. Daniela já foi campeã nacional quatro vezes nesta vertente, enquanto Domingos sagrou-se bicampeão. O contra-relógio dos Jogos do Mediterrâneo realiza-se no dia 30 (sábado), com os homens a serem novamente os primeiros a sair para a estrada. A luta pelas medalhas começará às 8 horas. Domingos Gonçalves tem à sua espera 25 quilómetros e Daniela 18.

As corridas de ciclismo destes Jogos só podem contar com participantes que tenham entre 19 e 29 anos e que pertençam a equipas de clube ou Continentais. Está interdita a inscrição de corredores das formações World Tour e Profissionais Continentais.

Oscar Pelegrí (Rádio Popular-Boavista) - que venceu o Grande Prémio Abimota -, Juan Ignacio Perez (Aviludo-Louletano-Uli), Álvaro Trueba (Sporting-Tavira) foram seleccionados para representar a equipa de Espanha.

Portugal está a realizar uma boa prestação nos Jogos do Mediterrâneo, que começaram a na sexta-feira, 22 de Junho, e terminam no próximo domingo, 1 de Julho. Melanie Santos e João Pereira conquistaram o ouro no triatlo. As três medalhas de prata foram ganhas por Fernando Pimenta (canoagem, K1 500 metros), Joana Vasconcelos (canoagem, K1 500 metros) e Ana Catarina Monteiro (natação, 200 metros mariposa). Já as medalhas de bronze foram garantidas por Ana Portela (canoagem, K1 200 metros), Alexis Santos (natação, 200 metros estilos), João Vital (natação, 400 metros estilos), Diana Durães (natação, 400 metros livres) e João Costa (tiro, pistola ar comprimido).

»»José Santos tinha razão. "Não há anos iguais". Desta vez, Domingos fez mesmo a dobradinha««

»»Maria Martins: "Sem a ajuda da Daniela Reis não teria feito o que fiz. Tenho muito a agradecer-lhe"««

»»Daniela Reis: "Não sei se algum dia vou ser uma grande líder, mas tenho a certeza que posso ser uma gregária de luxo"««

24 de junho de 2018

José Santos tinha razão. "Não há anos iguais". Desta vez, Domingos fez mesmo a dobradinha

Há um ano, Domingos Gonçalves parecia estar a caminho de ficar com os dois títulos nacionais. Porém, uma queda na prova de fundo, em Gondomar, estragou-lhe os planos. 12 meses depois, o gémeo da Rádio Popular-Boavista voltou a ganhar no contra-relógio. O director da equipa. José Santos, disse então que "não há anos iguais", retirando também alguma pressão do seu ciclista, quando questionado sobre a hipótese de Domingos ir novamente atrás da dobradinha. Acabou por ter toda a razão! Em 2018, o ciclista de Barcelos ficou com as duas camisolas.

Chegou isolado à meta em Belmonte, palco destes Nacionais. Porém, atrás de si, Joni Brandão fez uma perseguição feroz. Depois de uma época de estreia no Sporting-Tavira marcada por problemas de saúde, que o afastaram da competição durante muitos meses, é o próprio que diz que está de regresso à luta pelas vitórias. Ainda assim, não hesitou: "O Domingos acabou por ser campeão e foi uma vitória justa."

"Quando o Domingos arrancou eu sabia que tinha de ir com ele. Eu tive um problema mecânico e são fracções de segundo que se perdem e assim, por vezes, se decide uma corrida. Não vale a pena estar a lamentar. São coisas que acontecem", disse ao Volta ao Ciclismo. A corrida foi muito movimentada logo desde os primeiros quilómetros. E foi também muito quente. O tórrido calor teve o seu papel num pelotão que rapidamente se fragmentou. Sem surpresa, mais de metade dos ciclistas abandonaram.

César Fonte (W52-FC Porto), Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) e Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli) estão na frente, entraram na frente na última volta. A 19 segundos estavam Tiago Machado (Katusha-Alpecin), Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Henrique Casimiro (Efapel), Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) e Joni Brandão (Sporting-Tavira). A 27 aparecia João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) e António Carvalho (W52-FC Porto). Tinham andado grande parte dos 181,8 quilómetros totais da corrida juntos, mas alguns ataques foram provocando as diferenças. Foi a pouco mais de dez quilómetros da meta que Domingos Gonçalves resolveu ir sozinho. Chegou o momento de fazer mais um contra-relógio e não se deixou apanhar.

"O segredo da vitória foi conseguir poupar-me, graças à ajuda do Luís Gomes, sempre a apoiar-me. À medida que o grupo foi diminuindo, percebi que podia ganhar, porque fiz um super-contra-relógio na sexta-feira, o que é um excelente indicador. À entrada para a última volta, estiquei para me aproximar dos ciclistas que iam fugidos. Com ajuda do Tiago Machado e do Henrique Casimiro consegui fazer a junção. Depois arranquei para tentar ganhar. Ser duplo campeão enche-me de orgulho", disse Domingos Gonçalves no final da corrida.

À sua espera estava uma claque muito efusiva, liderada pelos benjamins da equipa, Francisco Moreira e João Salgado, que festejaram efusivamente a conquista. A época está a ser fortíssima para o gémeo de Barcelos (o irmão José não terminou a prova). Venceu a Clássica da Primavera e soma vários lugares no top dez. Nos Nacionais apareceu determinado e foi uma vitória de força e muito querer. Com a Volta a Portugal a aproximar-se começa a ficar a dúvida se Domingos quererá juntar-se a João Benta e Daniel Silva por algo mais do que vitórias de etapa. Foi peremptório na resposta: "A Volta não é para mim. Vou pensar fazer uma coisa ou outra nuns dias, mas depois é para os meus colegas. Eles merecem."

A camisola de campeão regressa ao pelotão nacional, depois de ter andado a ser envergada por ciclistas que estão no estrangeiro. Brandão tinha sido o último em 2013. O campeão de 2017, Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), não chegou ao fim. Inicialmente foi avançada a versão de uma queda, mas o jovem ciclista teve afinal uma indisposição que o levou ao hospital. De referir ainda que só Nelson Oliveira tinha conseguido uma dobradinha, em 2014.

Quanto a Joni Brandão, o segundo lugar tem sempre aquele sabor amargo, mas não deixou de ficar contente com a sua exibição: "Sinto-me feliz por estar na discussão das corridas. É isto que faz parte de mim." Já fez pódio na Clássica Aldeias do Xisto, apareceu forte no Grande Prémio Jornal de Notícias. Agora vem aí a Volta a Portugal. "Acho que ainda tenho de trabalhar muito. Tive parado no ano passado e há muitas coisas que tenho de trabalhar. Não me sinto na forma que costumava estar nos outros anos, mas espero conseguir estar ao nível que já estive noutros tempos", explicou. Ser campeão nacional pela segunda vez era um objectivo e vai continuar a ser em 2019, mas para já, Joni Brandão estará concentrado em apurar a sua forma.

O mesmo está a acontecer com Henrique Casimiro, que ficou com a medalha de terceiro classificado. O líder da Efapel, a par de Sérgio Paulinho, também está em crescendo de forma. "É um percurso com uma parte final que me favorece, mas só esses dois/três quilómetros. Os Nacionais são muito tácticos. Nem sempre o mais forte ganha, mas hoje sim, o mais forte ganhou", disse.

Os Nacionais, que regressaram à tutela da Federação Portuguesa de Ciclismo, encerraram assim com três dobradinhas, com um pequena nuance. Domingos Gonçalves repetiu o feito de Daniela Reis nas senhoras, enquanto nos sub-23 os títulos ficaram em família, com Ivo como campeão de contra-relógio e o irmão gémeo, Rui, como campeão de estrada.

Julho será um mês com a segunda etapa da Taça de Portugal - a Volta a Albergaria, dia 1 - o Troféu Joaquim Agostinho (12 a 15 de Julho) e a estreia do Grande Prémio Nacional 2 (18 a 22 de Julho).

Resultados (181,8 quilómetros, a uma média de 41,957 quilómetros/hora):
1º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 4:19:59 horas
2º Joni Brandão (Sporting-Tavira), a 30 segundos
3º Henrique Casimiro (Efapel), a 34
4º Tiago Machado (Katusha-Alpecin), a 40
5º César Fonte (W52-FC Porto), a 58
6º Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 1:02 minutos
7º Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:33
8º Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:42
9º João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), a 5:29
10º Bruno Silva (Efapel), a 5:36
11º António Carvalho (W52-FC Porto), a 6:14
12º Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass), a 8:58
13º Joaquim Silva (Caja Rural), m.t.
14º João Rodrigues (W52-FC Porto), a 13:49
15º Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano-Uli), m.t.
16º Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), a 13:52
17º Daniel Silva (Rádio Popular-Boavista), a 14:21
18º Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli), a 14:42
19º Paulo Silva (LA Alumínios), a 14:50
20º Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), a 15:02
21º Patrick Videira (LA Alumínios), a 15:15
22º Júlio Gonçalves (LA Alumínios), a 15:22
23º Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), a 15:42
24º Rafael Reis (Caja Rural), a 16:13
25º Luís Afonso (Vito-Feirense-BlackJack), m.t.
26º César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), a 16:14

Outros campeões:
Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - Eslováquia
Gorka Izagirre (Bahrain-Merida) - Espanha
Yves Lampaert (Quick-Step Floors) - Bélgica
Antoine Duchene (Groupama-FDJ) - Canadá
Merhawi Kudus (Dimension Data) - Eritreia

17 de janeiro de 2018

Nocentini dá primeira vitória do ano ao Sporting-Tavira no Gabão

(Fotografia: Tropicale Amissa Bongo)
O Sporting-Tavira viajou até África para começar a temporada de 2018 e ao terceiro dia Rinaldo Nocentini deu a primeira vitória do ano à equipa. O italiano deixa assim indicações que quer repetir o bom arranque de época de 2017 e o seu triunfo não passou despercebido na Europa, afinal estamos a falar de um ciclista que chegou a vestir a camisola amarela na Volta a França e aos 40 anos continua a vencer. "É um prazer enorme demonstrar que ainda podemos ganhar corridas aos 40. Não há nenhuma camisola para o melhor [ciclista] mais velho, por isso aposto na vitória de etapas. Estudei esta subida há dois dias e sabia que a única hipótese de vencer era atacar ali", afirmou Nocentini, citado no site da Tropicale Amissa Bongo, corrida que está a realizar-se no Gabão.

Apesar da expectável forte presença africana na corrida, com selecções da Eritreia, Marrocos ou dos Camarões, por exemplo, a prova conta com equipas do escalão Profissional Continental, caso das francesas Direct Energie e Delko Marseille e a italiana Wilier Triestina-Selle Italia, além da Continental alemã Bike Aid. Nocentini bateu no sprint o antigo colega de equipa Damien Gaudin, ciclista conhecido em Portugal. O francês representava no ano passado a Armée de Terre, tendo ganho o contra-relógio inaugural da Volta a Portugal, sendo o único a vestir a camisola amarela, além do eventual vencedor, Raúl Alarcón. Gaudin está agora na Direct Energie e foi companheiro de Nocentini na AG2R em 2014 e 2015, antes do italiano assinar pelo Sporting-Tavira.

Com esta vitória, Nocentini deu um salto na classificação geral para o terceiro lugar, estando a apenas três segundos do líder, o australiano Brenton Jones, da Delko Marseille. A terceira etapa ligou Fougamou e Lambaréné (114 quilómetros) e a organização não hesitou em publicitar a importância do ciclista que tinha acabado de vencer: "Antigo herói da Volta a França ganhou no Gabão." Este é o título do texto no site sobre vitória de Nocentini na Tropicale Amissa Bongo, corrida que termina no domingo.

De destacar que esta prova marca também o regresso à competição de Joni Brandão. O ciclista esteve quase meio ano fora de acção devido a um problema de saúde, que o obrigou a falhar a Volta a Portugal. Joni ocupa a 28ª posição, a 15 segundos da liderança. Vidal Fitas levou ainda ao Gabão Alejandro Marque, Fábio Silvestre (abandonou na segunda etapa), Mario González e o reforço italiano Nicola Toffali.

Quanto a Rinaldo Nocentini, de recordar que em 2017 começou com um nono lugar na geral da Volta ao Algarve, venceu a primeira etapa da Volta ao Alentejo e foi segundo no final, sendo depois também segundo na Clássica Aldeias do Xisto. Mais tarde foi terceiro nos Nacionais, segundo no Troféu Joaquim Agostinho, tendo aparecido muito bem na Volta a Portugal, assumindo a liderança do Sporting-Tavira com Alejandro Marque, na ausência de Joni Brandão. Tentou dar luta a Raúl Alarcón e à W52-FC Porto, mas acabaria fora do pódio (quarto). 2018 está a começar e Nocentini já ganha.

De referir que a Vito-Feirense-BlackJack contou com um ciclista seu na Tropicale Amissa Bongo. Soufiane Haddi estava a representar a selecção marroquina, mas uma queda no segundo dia acabou por ditar o seu abandono.

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23 de novembro de 2017

Aposta forte nos reforços mas a época soube a pouco

O arranque da parceria com o Sporting não foi o mais desejado por parte do Tavira, equipa de enorme tradição no ciclismo nacional. O acordo chegou tarde em 2015, o que significou que já não houve grande margem de manobra nas contratações para 2016. Porém, o panorama foi bem diferente no final do ano passado e Vidal Fitas pôde construir uma equipa bem mais forte. Manteve Rinaldo Nocentini e foi buscar Joni Brandão, um dos principais ciclistas portugueses, que com a Efapel lutou por uma Volta a Portugal. Reforçou ainda mais a equipa com Alejandro Marque, experiente espanhol que já conquistou a principal corrida e que assim regressou a uma casa que bem conhecia. Frederico Figueiredo disse sim ao projecto algarvio, deixando a Rádio Popular-Boavista e Fábio Silvestre aproveitou para competir de novo em Portugal, depois de cinco anos no estrangeiro, dois no World Tour.

Não havia dúvidas o Sporting-Tavira queria rivalizar com a W52-FC Porto e apostar muito forte na Volta a Portugal. O Tavira não a ganha desde 2011, então fê-lo com Ricardo Mestre, agora a representar os rivais. Já o Sporting é preciso recuar a 1985 e 86, quando Marco Chagas venceu as duas edições ao serviço dos leões.

Joni Brandão surgiu como a grande figura, com Alejandro Marque a espreitar a primeira oportunidade que tivesse para liderar. Rinaldo Nocentini até parecia que estaria num terceiro plano. Porém, o italiano teve um grande arranque de temporada. À beira dos 40 anos, entretanto já feitos, Nocentini fechou nono na Volta ao Algarve, venceu uma etapa e foi segundo na geral na Volta ao Alentejo e foi novamente segundo na Clássica da Arrábida. Velho? Nocentini demonstrou que depois de um ano de adaptação a uma nova realidade depois de tanto tempo ao mais alto nível, estava preparado para discutir corridas em Portugal.


Ranking nacional: 2º (2009 pontos)
Vitórias: 6 (incluindo uma etapa na Volta ao Alentejo)
Ciclista com mais triunfos: Vitórias alcançadas por seis corredores diferentes

Marque fez uma temporada mais discreta com o claro objectivo de aparecer bem na Volta a Portugal. Frederico Figueiredo é a consistência em pessoa. Terminar no top dez é algo natural, ficando-lhe a faltar uma vitória. Como homem de trabalho não há dúvidas que está entre os melhores. Já Fábio Silvestre teve um regresso menos feliz. Lutou nos sprints - na prova de Abertura perdeu para o sub-23 Francisco Campos (Miranda-Mortágua) -, ganhou uma etapa no Grande Prémio Abimota, mas soube a pouco para um ciclista com o seu passado e qualidade. Silvestre não se reencontrou com a melhor forma, apesar de não esconder de se sentir extremamente motivado depois de um ano difícil na Leopard.

O Sporting-Tavira parecia a caminho de uma boa temporada, mas acabou por ficar aquém do potencial que a equipa demonstrava. Uma das desilusões para Vidal Fitas foi ver a sua grande contratação ficar de fora da Volta a Portugal devido a um problema de saúde. Joni Brandão começou a sentir que algo estava mal semanas antes e a verdade é que os resultados não apareciam. Só em Fevereiro é que se voltará a ver o ciclista, num ano que acabou por ser perdido. Certamente que aparecerá com mais vontade do que nunca em 2018. Na Volta a Portugal Frederico Figueiredo foi perseguido pelas quedas e não houve outra solução se não abandonar. Marque quebrou a meio da corrida e foi Nocentini quem de facto teve uma exibição muito acima do esperado.

O italiano ambicionou chegar ao pódio (talvez até mais). Contudo, aquela etapa da Serra da Estrela contou uma história para quase todas as equipas nacionais. Para o Sporting-Tavira contou que o entendimento entre Nocentini e Marque esteve longe de ser o melhor. Quarto e quinto classificado no final em Viseu. Não foi mau, mas dificilmente servirá de consolação para quem tinha um conjunto com grande responsabilidade e qualidade e que acabou por sair sem pódio e sem uma vitória de etapa.

Além dos triunfos referidos, o Sporting-Tavira venceu uma etapa da Volta à Bairrada por Jesus Ezquerra, Marque ganhou o contra-relógio do Grande Prémio do Dão e Óscar González a etapa em linha. Mário González fechou a temporada com uma vitória no Memorial Bruno Neves.

Em 2018, Vidal Fitas irá manter o quarteto Brandão, Nocentini, Marque e Figueiredo e espera que os azares tenham acontecido todos este ano. Garantiu, para já, a contratação de Álvaro Trueba (Efapel), Alexander Grigoryev (Russian Helicopters), Nicola Toffali (0711|Cycling). Houve alguns azares, é certo, mas a equipa algarvia quererá (e terá) de alcançar mais e melhor, principalmente nas principais corridas nacionais, além, naturalmente, da Volta a Portugal.

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9 de outubro de 2017

"Tenho fome de corridas. Espero voltar em Fevereiro"

Os últimos meses foram muito complicados para Joni Brandão. Um problema de saúde afastou-o da Volta a Portugal que tanto ambicionava ganhar ao serviço da sua nova equipa. Teve de assistir de fora à corrida e o ciclista não esconde que nos primeiros dias nem sequer a seguiu, pois custou estar de fora. Mas uma má experiência pode tornar qualquer um mais forte e Joni Brandão não é excepção. O próprio o admite: "Agora tenho mais vontade do que nunca em voltar e voltar bem."

Joni Brandão foi a grande contratação de um Sporting-Tavira que muito se reforçou em 2017. Era nele que residiam as principais esperanças de conquistar a prova rainha do ciclismo português, depois de nos últimos três anos ter terminado no top dez. Em 2015 foi segundo, atrás de Gustavo Veloso. Evoluiu na Efapel, mas optou por mudar-se para a formação algarvia e ficou desiludido por não conseguir mostrar-se como queria no seu primeiro ano de verde e branco.

"Foi entre Maio e Junho que percebi que não conseguia apresentar-me ao nível de outros anos. Depois dos Nacionais fiz vários exames e comprovou-se que o meu corpo não estava bem", explicou ao Volta ao Ciclismo. "Era o primeiro ano no Sporting-Tavira e o objectivo da equipa era a Volta a Portugal. Sei que a equipa ficou um pouco limitada por eu não estar presente. No entanto, [os responsáveis] compreenderam que eu estar, mas não estar... mais valia não estar mesmo. E os médicos também não me deixariam correr", acrescentou.

O pior já passou e Joni Brandão está de regresso aos treinos, ainda que não a 100%. "Já estou praticamente novo. Só tenho de fazer uma série de exames, mas tenho de esperar algum tempo." Escusado será dizer que o ciclista de 27 anos está com uma enorme vontade de regressar à competição. "Tenho fome de corridas", salientou. Joni Brandão tem uma meta traçada: "Não posso dar a certeza, mas espero voltar em Fevereiro [no arranque da nova temporada]." O objectivo passa por estar na Volta ao Algarve (de 14 a 18 desse mês) e é certo que continuará a vestir as cores do Sporting-Tavira em 2018.

"A primeira vez que vi os ciclistas [do pelotão]... Foi complicado... Não podia competir e não podia fazer nada contra isso. Senti muita tristeza"

A opção de parar foi a melhor para resolver o seu problema de saúde, pois "quanto mais rápido parasse, mais rapidamente seria resolvido", segundo contou. Contudo, falhar a Volta a Portugal foi um rude golpe. "Para ser sincero, não acompanhei nada da primeira parte da Volta, nem estive em Portugal. Estive completamente desligado do ciclismo porque sabia que ia ser muito difícil para mim acompanhar a corrida", recordou. Nos últimos três dias da competição, Joni Brandão reapareceu junto dos companheiros: "A primeira vez que vi os ciclistas [do pelotão]... Foi complicado... Não podia competir e não podia fazer nada contra isso. Senti muita tristeza."

Habituado a estar na luta, ver na televisão provocou uma "sensação estranha" que nem consegue descrever. Na etapa da Torre, que acabaria por decidir a Volta para Raúl Alarcón e tornou a missão do pódio muito complicada para Rinaldo Nocentini, Joni Brandão admitiu o desejo que sentiu em estar ali, na mítica subida na Serra da Estrela. "A minha vontade era pegar neles e metê-los na frente! Gostava muito que um atleta do Sporting-Tavira tivesse conseguido vencer a Volta a Portugal, ou então ter estado no pódio", afirmou.

O ciclista considera que os seus companheiros fizeram tudo para conquistar a corrida, mas também realçou o mérito dos adversários da W52-FC Porto. "Saímos com a cabeça erguida e com o dever cumprido", frisou, recusando considerar a temporada como falhada devido à Volta a Portugal. "Não podemos analisar uma época só pela Volta a Portugal. Não ganhámos nenhuma etapa e não metemos ninguém no pódio, mas fizemos quarto e quinto e isso também não é fácil. Fizemos uma boa Volta ao Algarve e uma boa Volta ao Alentejo. Se calhar este ano também faltou aquela ponta de sorte. Andámos muitas vezes ali quase a ganhar", disse o ciclista.

Joni Brandão salientou ainda que este "é um projecto que não é para resultados imediatos". "Mas claro que os queríamos, mas sabíamos que era difícil. Durante o ano acabámos por estar na discussão de bastante corridas." Agora é altura de pensar em 2018 e fica a garantia: "Vamos deixar tudo na estrada." O corredor de Santa Maria da Feira ainda tem de esperar pelos exames de saúde que faltam fazer, mas a vontade e a ambição estão em alta para um regresso em grande.


31 de maio de 2017

GP Beiras e Serra da Estrela com duas equipas do Kuwait, uma da Malásia e com um dos ciclistas mais veteranos do pelotão

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quando há um ano a corrida foi para a estrada pela primeira vez, rapidamente se percebeu que se estava perante mais uma competição de qualidade em Portugal. O Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela tem a categoria 2.1 da UCI, mas a sua colocação no calendário poderá não ser a melhor para chamar mais equipas do escalão Profissional Continental. Pelo menos para já. Ainda assim conta uma forte presença de formações estrangeiras, inclusivamente duas do Kuwait e uma da Malásia. De Espanha virá a Caja Rural, que pertence ao segundo escalão, uma presença habitual por cá e que trará Sergio Pardilla - segundo classificado em 2016 - e uma das estrelas em ascensão do ciclismo espanhol, Jaime Rosón. Inevitavelmente as atenções também se irão centrar na presença de um ciclistas já longe da sua melhor forma, mas quem ganha três Flèche Wallonne e uma Liège-Bastogne-Liège, mesmo aos 45 anos continua a ser uma estrela: Davide Rebellin.

As equipas portuguesas irão apostar forte nesta corrida, que inclui a subida à Torre, um dos locais mais emblemáticos da modalidade em Portugal. Há um ano o vencedor foi Joni Brandão, então ao serviço da Efapel. Agora no Sporting-Tavira, o ciclista continua à procura da sua melhor forma, mas com a Volta a Portugal a dois meses do arranque (de 4 a 15 de Agosto), as principais figuras do pelotão nacional - algumas têm estado algo discretas durante o ano - deverão começar a aparecer e provavelmente já no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela.

A prova terá 554 quilómetros com dez contagens de montanha durante três dias, de sexta-feira a domingo. A primeira etapa ligará Penamacor a Celorico da Beira (199 quilómetros) e apesar das três subidas de terceira categoria, as previsões apontam para uma possível discussão ao sprint.

No sábado tudo começará em Fornos de Algodres, com a meta colocada em Trancoso. Os 192 quilómetros terão uma subida de terceira e outra de segunda categoria. O terceiro dia será o mais aguardado. 163 quilómetros entre Belmonte e Manteigas, com a subida ao alto da Torre, a partir de Seia. A passagem no ponto mais alto de Portugal Continental acontece a 25 quilómetros da chegada.

Quanto às equipas, as da elite portuguesa estarão todas presentes: W52-FC Porto, Efapel, Sporting-Tavira, Louletano-Hospital de Loulé, Rádio Popular-Boavista e LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. De Espanha, além da Caja Rural, estarão ainda a Burgos BH e Euskadi Basque Country-Murias, equipa que no próximo ano pretende ascender ao escalão Profissional Continental. A Equipo Bolivia não podia falhar, sendo das formações estrangeiras que mais vezes tem competido por cá este ano. Da Grã-Bretanha vem a JLT Condor, da Alemanha estará a Bike Aid e da Rússia a Lokosphinx.

Do Kuwait virá então a Kuwait-Cartucho.es, equipa que tem no seu plantel o veteraníssimo Davide Rebellin. Além das vitórias já referidas, destacam-se ainda uma Amstel Gold Race e um Tirreno-Adriatico. Todas estas conquistas ocorrem na primeira década do milénio. No entanto, a carreira também fica marcada pelo caso de doping que lhe custou a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. E acabou também por lhe custar bons contratos, pois nunca mais conseguiu um com uma equipa do World Tour. 

Daquela zona do Golfo Pérsico virá ainda a Massi-Kuwait Cycling Project e para fechar a lista, da Malásia está inscrita a Sapura Cycling.


22 de abril de 2017

Volta a Portugal: uma etapa traiçoeira logo ao terceiro dia

(Fotografia: Volta a Portugal)
Os pormenores da 79ª Volta a Portugal vão sendo revelados e à terceira etapa é bom que os candidatos tenham muita atenção. Os cerca de 170 quilómetros entre Figueira de Castelo Rodrigo, na Guarda, e Bragança serão muito "acidentados", o que poderá permitir fazer algumas diferenças. Joni Brandão, que este ano vai atacar a corrida com as cores do Sporting-Tavira, deixou o aviso: “Esta pode ser uma daquelas etapas que traiçoeira, porque é um sobe e desce constante e depois temos a chegada a Bragança que não é propriamente fácil."

Figueira de Castelo Rodrigo regressa ao percurso da Volta após uns anos de ausência e o vencedor do ano passado, Rui Vinhas, destacou como o calor pode ter o seu papel: “Nesta zona faz sempre muito calor e isso pode fazer diferença. Espero que seja um bom espectáculo, nós vamos tentar contribuir para isso!” O ciclista da W52-FC Porto e Joni Brandão estiveram, na sexta-feira, na iniciativa Academia da Volta (na fotografia), dando algumas dicas a 90 crianças sobre como melhor andar de bicicleta.

Mas quanto à corrida, Joaquim Gomes, director da Volta, falou do mesmo pormenor de Rui Vinhas e explicou como será a terceira etapa: “O calor e a travessia da Serra de Bornes serão os principais obstáculos desta etapa. As primeiras dificuldades registar-se-ão logo no primeiro terço do percurso com a passagem em Vila Nova de Foz Côa e Torre de Moncorvo, onde estarão instalados dois prémios de montanha de terceira categoria. Com as três metas volantes, bonificáveis, instaladas na segunda metade da etapa - Santa Comba de Vilariça, Macedo de Cavaleiros e na primeira passagem em Bragança - será já em estradas brigantinas, com o Castelo Medieval como pano de fundo, que a derradeira selecção se fará. Provavelmente será um pelotão muito fraccionado que vai chegar ao final de etapa na Avenida D. Sancho I.”


Agora um pouco de história, esta será a nona vez que Figueira de Castelo Rodrigo recebe a partida ou chegada de uma etapa (será a sexta partida), enquanto Bragança recebe a decisão final pela 17ª vez, tendo sido uma das cidades integradas na primeira Volta a Portugal, em 1927. A última vez foi em 2015.

»»As conversas dos "entendidos" até à superação final de Rui Vinhas««

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