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30 de março de 2017

Resultados da Trek-Segafredo nas clássicas estão a desiludir e já se sente a falta de Cancellara

Fabian Cancellara deixou saudades na Trek-Segafredo
(Fotografia: Facebook de Fabian Cancellara)
Um ciclista como Fabian Cancellara estava destinado a deixar muitas saudades. Afinal foram 75 vitórias como profissional, com natural destaque para as clássicas, mas não só. Vencedor de sete monumentos, a decisão de terminar a carreira deu maior liberdade financeira à Trek-Segafredo para contratar - o suíço era dos ciclistas mais bem pagos do pelotão -, mas a principal aposta, John Degenkolb, não está a render o esperado e a prata da casa também não está comprovar as expectativas criadas "Os resultados nesta altura não são suficientemente bons. Para ser sincero, esperava mais." As palavras são do director desportivo Dirk Demol, que elogia os seus ciclistas, mas diz estar a faltar o "instinto de matador" que tinha Cancellara.

A equipa americana conta apenas com quatro vitórias em 2017 e nenhuma delas nesta época de clássicas. Como tem sido tradição, a Trek-Segafredo aposta sempre forte nesta fase e entre 2011 e 2016 contou com um dos melhores ciclistas deste estilo de corridas. "Era um dos pontos fortes do Fabian, ele conseguia antecipar qualquer situação. Ele era do género... vai. Sinto um pouco falta disso, daquela agressividade no momento certo. Não penses, vai!" Demol refere-se ao facto de Degenkolb ter trabalhado muito bem na Milano-Sanremo, E3 Harelbeke e na Gent-Wevelgem, contudo, ficou para trás quando se deram os ataques que acabaram por resultar nos grupos que lutaram pela vitória.

"Eles [ciclistas da equipa] às vezes hesitam um segundo e um segundo é demasiado. Se os homens principais vão, tu não podes pensar 'devo ir com ele ou não?'. [Nessa altura] já é tarde", referiu Dirk Demol em declarações ao Cycling News. "Vou apoiar os meus rapazes a 100%, mas não alcançámos os resultados que poderíamos ter feito", acrescentou. Demol realçou que não está a criticar Degenkolb e até elogia o ciclista alemão, dizendo que gosta de trabalhar com ele, visto ser um ciclista decidido e que sabe o que quer: "Claro que ele está desiludido. Ele quer ganhar e quando se tem essa desilusão é um bom sinal que se vai fazer melhor da próxima vez."

Para o director desportivo, o grupo que a Trek-Segafredo tem para as clássicas é forte, mas tem cometido alguns erros em momentos chaves. Com a fase das corridas do pavé a terminar, Dirk Demol deixou garantias que a equipa irá estar "a todo o gás" na Volta a Flandres, este domingo, e no Paris-Roubaix (9 de Abril).

John Degenkolb sabia que apesar de ser um ciclista já com vitórias importantes, iria para a equipa americana para ocupar o lugar de líder nas clássicas, deixado vago com a retirada de um dos mais carismáticos dos últimos anos: Fabian Cancellara, o Spartacus do ciclismo. O alemão procurava novos ares depois de um ano para esquecer na Giant-Alpecin, muito devido ao atropelamento de que foi vítima ainda na pré-época. Degenkolb tem dado demonstrações que está a regressar ao seu melhor. Venceu uma etapa na Volta a Abu Dhabi em Fevereiro, mas nas corridas que mais aposta, até tem demonstrado ter capacidade para seguir ao ritmo de Peter Sagan e Greg van Avermaet, as duas principais referências neste momento, mas falhou sempre quando precisou de reagir a ataques.

O alemão tem 28 anos, pelo que não entrará em desespero se este ano falhar os seus objectivos. No entanto, será difícil esconder alguma frustração. Ainda faltam dois monumentos que lhe agradam e recorde-se que já venceu o Paris-Roubaix em 2015. Degenkolb está com "fome" de grandes triunfos, depois daquele tremendo ano de 2015 e as palavras de Demol espera-se que tenham o condão de o motivar ainda mais. Não é e nunca será Cancellara, nem se pretende isso, mas Degenkolb quer e tem potencial para conquistar muito mais.

Outro dos ciclistas visado nas palavras de Demol acaba por ser também Jasper Stuyven. O belga de 24 anos venceu em 2016 a Kuurne-Bruxelles-Kuurne, mas este ano esperava-se um pouco mais. É certo que nessa corrida voltou a estar bem, terminando em segundo, foi oitavo na Omloop Het Nieuwsblad, mas os resultados na Strade Bianche, E3 Harelbeke e Gent-Wevelgem ficaram muito aquém do desejado. É ainda um corredor jovem, mas a expectativa é enorme por tudo o que já demonstrou.

A pressão é naturalmente maior para Degenkolb, mas Stuyven sabe que terá de melhorar as suas exibições e principalmente os resultados. Para a Trek-Segafredo, terminar a época das clássicas sem uma grande vitórias será uma enorme desilusão, ainda mais tendo em conta que tem também Fabio Felline e Edward Theuns, este último com mais espaço de manobra, visto estar a recuperar sensações depois de no ano passado, na Volta a França, ter sofrido uma queda que poderia ter acabado com a sua carreira.

»»Theuns entre a motivação de mostrar a sua qualidade e o medo de não conseguir voltar a estar ao melhor nível««

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16 de março de 2017

Razões para ver a Milano-Sanremo: uma lista de inscritos fantástica, a Cipressa e o Poggio

Arnaud Démare conquistou a grande vitória da sua carreira,
até ao momento, na Milano-Sanremo de 2016
(Fotografia: Facebook da corrida)
São 291 quilómetros de um percurso que parece não ter grandes dificuldades. Mas estamos a falar de um monumento do ciclismo e para ter este estatuto não poderia parecer uma daquelas etapas em que o pelotão tenta recuperar forças para outras mais complicadas, esperando pelo sprint para decidir a vitória. O encanto da Milano-Sanremo, além de ter mais cem quilómetros que o referido tipo de tiradas, está na forma como as equipas preparam o momento da discussão da vitória e como os candidatos e aqueles que pretendem intrometer-se entre os favoritos, ultrapassam duas subidas que podem não ser nenhuma dor de cabeça para os trepadores, mas que ao fim de tantos quilómetros e tendo em conta que em prova estão ciclistas que preferem terrenos mais planos, a Cipressa e o Poggio oferecem um espectáculo muito próprio da Milano-Sanremo e que todos os anos torna esta corrida numa das mais interessantes e entusiasmantes.

Há uns anos, a organização tentou alterar um pouco a essência deste monumento, acrescentando mais umas subidas, mas há tradições que são mesmo para se manter e nas últimas edições, o percurso voltou ao formato mais conhecido desde a década de 80. Mas porque razão esperaramos até ao quilómetro 264 - quando começa a Cipressa - a ver atentamente a corrida, mesmo com um terreno sem grandes dificuldades? Simples. Quando se olha para a lista de inscritos vê-se que lá estão praticamente todos os grandes nomes do sprint e outros ciclistas que adoram clássicas e todos ajudados por alguns dos melhores homens que se poderia pedir para uma corrida tão especial.

Começamos, contudo, com duas grandes ausências. André Greipel não estará na "Clássica da Primavera", como é conhecida a Milano-Sanremo. O sprinter da Lotto Soudal já tinha deixado a hipótese no ar durante o Paris-Nice e acabou por se confirmar, segundo a lista de inscritos que foi divulgada. Já em 2016 o alemão preferiu apontar a outros objectivos. Greipel explica que a Cipressa e o Poggio acabam por reduzir as possibilidades de estar na luta pela vitória, pois diz ser demasiado pesado para conseguir fazer bem essas subidas. Esta fase da temporada é mais a pensar em estar bem na Volta a Itália. O mesmo deverá acontecer com Marcel Kittel. Numa equipa com tantas opções para uma corrida como o monumento italiano, o sprinter ficou de fora, com Tom Boonen a liderar a formação belga, que terá ainda Fernando Gaviria como candidato e é melhor nunca deixar de fora Julian Alaphilippe. Um ataque numa das subidas e nunca se sabe o que este francês pode alcançar. De recordar que Boonen está nas últimas semanas da sua carreira - o fim será a 9 de Abril, no Paris-Roubaix - e o belga tem ilusões em conquistar a Milano-Sanremo e assim inscrever o seu nome num terceiro monumento, para juntar à Volta a Flandres e Paris-Roubaix. Missão complicada, ainda mais quando o belga não teve um início auspicioso nesta fase das clássicas. Boonen esteve duas vezes no pódio (um segundo e um terceiro lugar, em 2010 e 2007, respectivamente).

Inevitavelmente, Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) está no topo da lista dos favoritos. Já é tão normal que o próprio admite que está habituado que digam isso. Não é a sua corrida de eleição, prefere as clássicas do pavé, tendo como melhor resultado um segundo lugar no temporal de 2013. Nesse ano, a Milano-Sanremo ficou marcada pelo mau tempo. Muito mau. Frio e chuva provocaram muitas desistências, quilómetros anulados e um vencedor surpresa: Gerald Ciolek. Presentes e também como fortes candidatos estão os últimos três vencedores: Arnaud Démare (FDJ), John Degenkolb (Trek-Segafredo) e Alexander Kristoff (Katusha-Alpecin). Todos eles realizaram um interessante arranque de época. Degenkolb e Kristoff ambicionam regressar às grandes vitórias, depois de um 2016 apagado, por diferentes razões. O alemão foi atropelado ainda na pré-época e não conseguiu encontrar a sua melhor forma quando regressou, enquanto o norueguês passou ao lado dos grandes momentos, constantemente batido nos sprints frente aos melhores.

Mark Cavendish (Dimension Data) é outro dos vencedores presentes. É preciso recuar a 2009 para recordar a vitória do britânico na Milano-Sanremo. A Cipressa e o Poggio tem uma tendência a "estragar" a prova de Cavendish. Porém, depois de em 2016 o sprinter ter regressado à ribalta, apesar de um início de temporada de 2017 aquém do esperado, o "míssil de Man" aproveitou ter estado no Tirreno-Adriático para ir treinar no Poggio, deixando indicações que quer juntar mais uma conquista no único monumento que assenta às suas características.

O vencedor mais antigo em prova será Filippo Pozzato. O italiano de 35 anos vive uma fase mais calma da carreira desde que optou por assinar pela Wilier Triestina em 2016. Foi em 2006 que alcançou uma das vitórias mais importantes da sua carreira. O italiano conta ainda com um Tirreno-Adriatico e duas etapas da Volta a França, mas há muito que Pozzato está longe das grandes conquistas. O próprio sabe que acaba por ser falado nesta altura por ser o vencedor mais antigo da Milano-Sanremo ainda em actividade e apontou como principais candidatos Degenkolb, Gaviria e Sagan.

Simon Gerrans venceu em 2012, mas aos 36 anos assume cada vez mais um papel de homem de trabalho e certamente de "orientador" do jovem Caleb Ewan. O pequeno australiano está a confirmar todo o seu talento e em Abu Dhabi conquistou o seu primeiro triunfo perante os grandes nomes do sprint. Ewan até tem capacidade para fazer frente a algumas dificuldades nos percursos, mas ainda assim é uma incógnita para a Milano-Sanremo. A experiência faz muitas vezes a diferença em corridas como esta. Com apenas 22 anos, ainda tem muito a aprender, mas Gerrans poderá, por isso mesmo, ter um papel importante, tanto para ajudar o seu colega da Orica-Scott, ou em tentar aproveitar uma oportunidade que possa surgir para ele.

Para completar este lote de luxo de candidatos, temos Nacer Bouhanni. O francês finalmente venceu em 2017 na quarta-feira, quando deixou literalmente para trás todo o pelotão, num sprint que acabou por ser só ele a ter uma velocidade assustadora. É certo que na Nokere Koerse não estavam os adversários que vai ter na Milano-Sanremo, mas também é certo que o ciclista da Cofidis pode bater qualquer grande nome, pois ele também o é, só tem uma personalidade que lhe tem provocado alguns dissabores. Porém, há um ano, o dissabor foi uma corrente lhe ter saltado quando se preparava para iniciar o sprint na Milano-Sanremo, que acabou por ser ganha pelo seu grande rival francês.

E numa segunda linha de candidatos temos Greg van Avermaet a liderar. O belga da BMC só não é colocado no grupo principal porque não é um sprinter puro. No entanto, perante a forma espectacular que atravessa, cuidado com ele, até porque consegue bater-se com os melhores. Que o diga Peter Sagan! Segue-se Sonny Colbrelli. O sprinter italiano está a fazer a estreia no World Tour pela Bahrain-Merida e conquistou o seu primeiro triunfo a este nível no Paris-Nice. Talento não lhe falta, tal como vontade de se mostrar frente aos melhores. Juan José Lobato quer iniciar na Lotto-Jumbo uma espécie de segunda vida no ciclismo, enquanto Sacha Modolo tentará a todo o custo comprovar que é um sprinter que pode bater-se com os melhores. Porém, fica a dúvida: a UAE Team Emirates vai apostar no italiano, ou será Ben Swift o preferido? Provavelmente os dois poderão estar na discussão, decidindo-se mais perto no final quem estará em melhores condições, dependendo do que acontecer durante a corrida. Ainda assim, Swift até estará em vantagem. Foi segundo em 2016, foi a principal contratação da equipa do Médio Oriente e tem a Milano-Sanremo como um dos objectivos do ano, além da luta por etapas na Volta a França. O espaço de Modolo na equipa poderá a estar a reduzir drasticamente se não apresentar rapidamente resultados.

Em posição idêntica está outro italiano. Elia Viviani procura uma boa vitória para não perder a confiança da Sky. É que Danny van Poppel está cada vez mais a comprovar as expectativas que recaem nele e o holandês de 23 anos também estará na Milano-Sanremo. A Sky leva uma equipa bastante forte. Viviani pode contar com apoio e os responsáveis da equipa podem contar com mais opções se o italiano falhar. Além de Van Poppel, a Sky leva Luke Rowe e o próprio Ian Stannard também é hipótese, caso resolva apostar num ataque numa das subidas perto do final.

Numa terceira linha de candidatos temos outro homem da Sky. Michal Kwiatkowski está num bom momento e também poderá tentar aproveitar a Cipressa ou o Poggio para deixar para trás os sprinters. Junta-se o já referido Julian Alaphilippe, Tom Dumoulin (Sunweb) e Diego Ulissi, mais um ciclista que poderá ser aposta da UAE Team Emirates, se optar por uma ataque numa das subidas.

Mais nomes podem ser referidos. Michael Matthews (Sunweb) não está a conseguir alcançar o sucesso na sua nova equipa que teve na Orica-Scott, mas é outro ciclista a ter em atenção. Jakub Mareczko (Willier Trestina), Fabio Felline e Jasper Stuyven (ambos da Trek-Segafredo), Philippe Gilbert (Quick-Step Floors), Jos van Emden (Lotto-Jumbo), Sam Bennet (Bora-Hansgrohe) ou Tim Wellens (Lotto Soudal) são todos ciclistas que podem procurar fazer uma surpresa.

Quanto a portugueses, as atenções estarão exclusivamente centradas em Nuno Bico. O ciclista da Movistar vai tendo as suas oportunidades na equipa espanhola, no seu primeiro ano no World Tour. A presença na Milano-Sanremo, um monumento do ciclismo (é preciso não esquecer), dará certamente mais uma grande dose de motivação ao jovem de 22 anos.

Porque razão é que uma corrida relativamente plana pode ter tanto interesse? A tensão, o nervosismo, a velocidade, a ambição de tantos ciclistas... Serão quase 300 quilómetros em que um erro, um azar, uma má decisão pode arruinar um objectivo. Com tantos dos melhores ciclistas mundiais presentes, são razões mais do que suficiente para se assistir a este monumento no sábado.



Como curiosidade, a Cipressa tem 5,6 quilómetros com 4,1% de pendente média, 9% de máxima. No Poggio serão 3,7 quilómetros e uma pendente média de menos de 4%. Quando esta subida acabar, serão apenas 5,4 quilómetros até à meta, num final habitualmente louco.

Veja aqui a lista de inscritos completa.

»»A prova de Démare««

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24 de janeiro de 2017

Volta ao Algarve. Degenkolb, Vanmarcke; Ruben Guerreiro e Ricardo Vilela no ataque à geral...

Degenkolb é mais um grande nome confirmado
(Fotografia: Trek-Segafredo)
O pelotão da Volta ao Algarve vai ganhando forma com nomes que certamente começam a entusiasmar os adeptos. A lista de inscritos das equipas vão chegando e a mais recente informação da Federação Portuguesa de Ciclismo aponta para a presença de mais uns grandes ciclistas, como é o caso de John Degenkolb e também o português Ruben Guerreiro que poderá muito bem ser a aposta da Trek-Segafredo para a geral. Mas outro português também estará na corrida, pois Ricardo Vilela vai ao Algarve com a sua nova equipa, a colombiana Manzana Postobón.

Degenkolb (26 anos) torna-se desde já um dos principais nomes da 43ª edição da prova, que este ano subiu de nível, para o segundo mais alto da UCI (2.HC). O alemão estará na Volta ao Algarve a preparar a época das clássicas. Depois de um 2015 inesquecível, com vitórias em dois monumentos (a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix), Degenkolb começou 2016 a ser atropelado durante um treino em Alicante. Quase perdeu um dedo e a recuperação levou vários meses. O ciclista, então na Giant-Alpecin, nunca conseguiu atingir a melhor forma. Resolveu mudar de ares e procura na Trek-Segafredo reencontrar-se com as grandes vitórias, enquanto a equipa americana espera que Degenkolb possa preencher a vaga de sucesso deixada pela retirada de Fabian Cancellara.

O director desportivo da Trek-Segafredo - equipa que se inscreveu à última hora, após o cancelamento da Volta ao Qatar -, Dirk Demol, escolheu para acompanhar Degenkolb outro talentoso ciclista para as clássicas, Jasper Stuyven, os homens de trabalho Marco Coledan, Koen de Kort, Mads Pedersen e Gregory Rast e também o sprinter Giacomo Nizzolo. No entanto, o campeão italiano sofre de uma tendinite que o afastou da Volta a San Juan, também já cancelou a sua presença na Volta ao Dubai e o próprio admite que está em risco a participação na corrida portuguesa. "Os médicos avisaram-me para continuar com a terapia. É o que estou a fazer e penso que estou lentamente a melhorar", explicou Nizzolo, citado pelo Velonews. Esta terça-feira, o italiano ia ser avaliado pelo médico e tinha esperança de voltar à bicicleta já na quarta-feira. Se tal acontecer, então ainda é possível que Nizzolo comece a temporada no Algarve.

Mas o destaque da Trek-Segafredo vai também para Ruben Guerreiro. O português de 22 anos teve uma excelente estreia no Tour Down Under: liderou a classificação da juventude, andou pelo top 10, terminando na 18ª posição, naquela que foi a primeira corrida a nível do World Tour. Ruben Guerreiro poderá muito bem ter a oportunidade de lutar pela geral na Algarvia.

Dos Estados Unidos vem também a Cannondale-Drapac com a sua grande contratação: Sep Vanmarcke. O belga, de 28 anos, também está a preparar as fase das clássicas. Em 2016 foi o autor de um dos actos de maior fairplay do ano quando na Volta a Flandres não sprintou com Fabian Cancellara, deixando o suíço ficar em segundo (Peter Sagan já tinha cortado a meta), numa demonstração de respeito para um ciclista que havia vencido aquela corrida três vezes e a estava a fazer pela última vez. Ao trocar a Lotto-Jumbo pela Cannondale-Drapac, Vanmarcke espera mudar o estigma que o tem acompanhado: vai ficando perto de vencer um monumento, mas fica sempre a faltar um bocadinho.

Taylor Phinney é outro dos reforços da equipa e o americano quer relançar a sua carreira. Wouter Wippert, Ryan Muller, Alberto Bettiol, Sebastian Langeveld, Dylan Vanbaarle e Davide Villella completam a formação que estará no Algarve.

A Manzana Postobón, do escalão Profissional Continental, deseja que Colômbia volte a ter uma equipa de respeito. Naturalmente que pretende ser uma porta para os ciclistas colombianos, mas apostou também em ciclistas com experiência na Europa, pois quer competir com regularidade no Velho Continente. O português Ricardo Vilela e o holandês Jetse Bol foram escolhidos para liderar na Algarvia. O primeiro é aposta para o Alto da Fóia e Malhão e o segundo para as etapas planas. O espanhol Antonio Piedra completa o trio de europeus que será acompanhado pelos colombianos Aldemar Reyes, Hernán Aguirre, Juan Molano, Hernando Bohórquez e Juan Osorio.

De recordar que já estavam confirmados ciclistas como Thibaut Pinot, Tony Martin, Luis León Sánchez e os portugueses da Katusha-Alpecin Tiago Machado e José Gonçalves.

»»Especial Volta ao Algarve««

»»Volta ao Algarve com transmissão televisiva. E em Portugal será a dobrar««

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 Caliço Park Algarve

29 de abril de 2016

Degenkolb com regresso marcado. Pode a Giant suspirar de alívio?

(Fotografia: Twitter @GiantAlpecin)
Aos poucos a Giant-Alpecin tenta regressar ao normal. John Degenkolb vai finalmente estrear-se este ano, depois de em Janeiro ter sido atropelado, juntamente com cinco colegas de equipa, por um carro que se deslocava em contra-mão. A Giant não soma qualquer vitória este ano, pelo que regresso da sua principal estrela é quase um suspirar de alívio.

Quase porque o próprio Degenkolb vai tentando afastar uma possível pressão para começar rapidamente a ganhar. "Não estou aqui certamente com o objectivo de ganhar. O que pretendo é recuperar a sensação de pedalar novamente no pelotão", afirmou o alemão. No entanto, a escolha da corrida não foi por acaso. Degenkolb vai pedalar em casa, na Rund um den Finanzplatz Eschborn-Frankfurt (no domingo), competição que venceu em 2011. "É a minha corrida, em casa, o que torna [este momento] ainda mais especial para mim. Estou muito agradecido a todas as pessoas que me apoiaram e que tornaram possível eu voltar a competir."

O estágio no sul de Espanha, no início do ano, tornou-se num pesadelo para a Giant. Além de Degenkolb, Warren Barguil, Chad Haga, Fredrik Ludvigsson, Ramon Sinkeldam e Max Walscheid foram atropelados. Chad Haga foi inicialmente o caso que mais assustou. Mas o norte-americano conseguiu volta a competir dois meses depois. Já Degenkolb quase perdeu um dedo e o problema na mão revelou ser mais incapacitante do que o esperado. Ainda foi alimentada a esperança que o alemão conseguiria recuperar a tempo das clássicas. Quando foi confirmado que na melhor das hipóteses Degenkolb regressaria em Maio, a Giant viu parte da sua temporada eclipsar-se.

Em 2015, Degenkolb venceu a Milano-San Remo e o Paris-Roubaix. Dois monumentos. As vitórias do alemão ajudaram a esquecer que a grande estrela Marcel Kittel teve um ano para esquecer, devido a doença. Este ano, Kittel deixou a equipa e rumou à Ettix-QuickStep. A importância de Degenkolb aumentou substancialmente. Perder o ciclista por um acidente tão evitável foi um duro golpe na Giant.

Por mais que Degenkolb tente afastar alguma pressão, a verdade é que a falta de resultados da equipa faz com que a Giant desespere por uma vitória do seu sprinter, numa altura que as principais clássicas já ficaram para trás. É a única equipa do World Tour sem triunfos. Tom Dumoulin e Warren Barguil não conseguiram nenhum triunfo para pelo menos tirar a equipa do zero.

Ter Degenkolb de volta não significa que a Giant possa suspirar completamente de alívio, pois falta saber em que condições está o alemão. No entanto, o regresso do ciclista pode no imediato servir para motivar a equipa que assim começa a voltar ao normal. Normalidade essa que só chegará por completo quando alcançar uma vitória.

6 de abril de 2016

Ano desesperante para a Giant

(Fotografia: Twitter @GiantAlpecin)
A Giant-Alpecin preparava 2016 com o objectivo de provar que a saída de Marcel Kittel não iria retirar a equipa das decisões nas grandes provas. Porém, um acidente transformou a temporada da equipa alemã. Em plena fase de clássicas, a Giant não soma qualquer vitória este ano. Em 2015 tinha seis nesta altura da época e preparava-se para conquistar a sétima no Paris-Roubaix. Em 2014 já levava quase 20 triunfos.

A gestão da equipa está a tornar-se um pesadelo, principalmente numa altura em que as expectativas eram altas para John Degenkolb. No ano passado, o alemão venceu Milan-San Remo e o Paris-Roubaix e, sem Kittel, a Giant concentrava esforços na estrela que ficou. Degenkolb foi um dos ciclistas feridos com maior gravidade no acidente em Alicante. O estágio em Espanha ameaçou terminar em tragédia. Uma mulher de 73 anos - que conduzia em contra-mão - atropelou seis ciclistas da Giant. Chad Haga foi quem ficou em pior estado, mas também se encontra em recuperação.


A lesão no braço e nas mãos ditou um afastamento de três meses de Degenkolb. Adeus clássicas. E para a Giant significou, até ao momento, um adeus vitórias. A equipa tenta sobreviver como pode, mas simplesmente não se tem visto. Só o jovem Sam Oomen se destacou com um terceiro lugar no Critério Internacional, ganho por Thibaut Pinot.

Mas como uma equipa do World Tour não se pode limitar a sobreviver -  é a única que ainda não venceu - a Giant tentar agarrar-se a Tom Dumoulin. O problema é que o jovem holandês de 25 anos ainda não convenceu: quarto na Volta a Omã, 12º no Paris-Nice e desistiu logo na terceira etapa da Volta à Catalunha. A pressão é muita, ainda mais depois do que aconteceu na Vuelta (duas vitórias de etapa, chegou a ser líder mas cedeu na última etapa de montanha, terminando sem sexto na geral).

Dumoulin tenta libertar-se dessa pressão. Já avisou que não irá ao Giro para lutar pela vitória, colocando o contra-relógio dos Jogos Olímpicos como o grande objectivo da temporada. Mas a equipa quererá certamente mais do holandês. Agora mais do que nunca.

Degenkolb deverá regressar a tempo de estar na Volta a França. É, aliás, a única corrida que aparece, para já, no seu calendário. Mas tendo agora Kittel como adversário, a missão não será fácil para o alemão, que poderá ainda apontar à luta pela camisola verde com Peter Sagan.

Haverá ainda no Tour Warren Barguil - também ele envolvido no acidente, mas com ferimentos de menor gravidade -, o talentoso francês que tentará aparecer nas montanhas e apontar a uma vitória de etapa.

A surpreendente saída de Marcel Kittel para a Etixx-QuickStep abalou a equipa. Se em 2015 o alemão praticamente não correu devido a problemas de saúde, em 2014 foi responsável por 13 das 41 vitórias da Giant (em 2015 a equipa "só" somou 20 vitórias). Luka Mezgec era visto como o senhor que se seguia, mas o ciclista preferiu mudar-se para a Orica. No ano de glória da Giant ganhou seis corridas.

Nesse 2014 de sucesso, Degenkolb venceu em dez ocasiões, mas foram os dois monumentos de 2015 as grandes vitórias da carreira. Além de se preocupar em recuperar o ciclista que lhe poderá ainda dar vitórias neste 2016, até agora para esquecer, a Giant teme ainda que possa perder a sua estrela que termina contrato no final do ano.

Se há uma equipa que está a revelar estar demasiado dependente das suas principais figuras é a Giant, que precisa rapidamente de uma reformulação. Mas para já, deverá ficar satisfeita com o muito desejado regresso de Degenkolb.

10 de março de 2016

Alemanha faz as pazes com o ciclismo

Era um regresso anunciado e agora confirmado. A Alemanha vai voltar a ter a sua Volta. Depois de alguns anos de costas voltadas para a o ciclismo, o país faz as pazes com uma modalidade que desiludiu os alemães com os escândalos de doping, mas ainda assim continuou a ter atletas de topo. Há quase uma década que a prova não se realiza e a desilusão com o ciclismo era tal que até o Tour deixou de ser transmitido no país pela televisão pública.

No ano passado deram-se claramente os primeiros passos rumo a esta oferta de paz: a Volta a França voltou à televisão e até foi anunciado que em 2017 Düsseldorf irá receber a etapa inaugural do Tour. E logo em 2015 também se falou que a Volta a Alemanha estaria mais perto de regressar. Com o fulcral apoio da ASO (organizador do Tour e de outras grandes provas) a Alemanha terá assim em 2017 ou 2018 a sua Volta.

Kittel e Degenkolb, dois grandes nomes do ciclismo alemão
Num comunicado conjunto da ASO e da federação germânica, lê-se que as etapas serão pensadas para potenciar algumas das características principais dos ciclistas alemães, como o sprint e as clássicas, mas também a pensar nos jovens com talento para as voltas de três semanas.

E era algo expectável. Afinal este regresso acaba por ter como grande influência alguns dos grandes nomes do ciclismo actual, que apesar do país estar de costas voltadas para a modalidade, conquistaram e continuam a somar vitórias importantes, contribuindo para que fosse impossível a Alemanha não ver que é necessário pensar no futuro e não continuar a viver no passado. Marcel Kittel e John Degenkolb são os rostos deste sucesso alemão, juntamente com Andre Greipel e também Tony Martin, um campeão do mundo de contra-relógio.

No entanto, a Alemanha dificilmente esquecerá as confissões de Erik Zabel e mais tarde de Jan Ullrich, dois heróis da Volta a França que afinal recorreram ao doping. Com o escândalo de Lance Armstrong, a modalidade caiu em desgraça naquele país. Mas tal como a modalidade vai fazendo o seu caminho pós-Armstrong, a Alemanha faz o seu para acreditar novamente no ciclismo.

Claro que há também uma questão política a ter em conta: o facto de ser a ASO a envolver-se na competição - que rapidamente deverá ganhar importância - numa altura em que reforçou um longo braço de ferro com a UCI, ameaçando tirar a Volta a França do calendário principal, devido a um diferendo sobre a reorganização do ciclismo.