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2 de março de 2018

Ivo sorri, é um orgulho e um feito ganhar uma medalha de prata nos Mundiais

(Fotografia: Simon Wilkinson/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Aquelas horas entre a qualificação e a final pareceram intermináveis. Para agravar a ansiedade, eis que há uma queda na corrida de eliminação das senhoras, a contar para o omnium, que obrigou a uma paragem algo longa. O programa atrasou, pois claro! Depois de se ver João Matias na corrida por pontos, já só se queria o grande momento. Aquele momento em que Ivo Oliveira tinha a camisola de campeão do mundo à distância de quatro quilómetros. O problema é que também Filippo Ganna via essa camisola à mesma distância! Era a repetição da final dos Europeus de Outubro, mas Ivo estava determinado a escrever um final diferente.

Um pequeno enquadramento: Ivo fez o melhor tempo nas qualificações, 4:12.365 minutos, menos 1,257 que Ganna. Em Outubro viu-se na mesma posição, mas com 4:14.570. Então foi um tempo espectacular. De nível mundial. O que dizer então do que fez esta sexta-feira?... Era permitido a todos sonharem. Ivo tem apenas 21 anos, mas a evolução que tem tido na pista, coloca-o entre a elite, mesmo que só tenha começado a competir a este nível recentemente.

Mas regressemos à corrida de perseguição individual. Ivo Oliveira começou muito bem, ao contrário do que tinha acontecido nos Europeus, onde logo nos primeiros metros começou a perder tempo, que já não conseguiria recuperar. Não. Desta feita Ivo partiu forte, ganhou cerca de um segundo. A distância era animadora, mas nesta prova não é garantia de nada. Na luta pela medalha de bronze, o russo Alexander Evtushenko esteve quase dois segundos atrás do britânico Charlie Tanfield e, ainda assim, foi quem no fim subiu ao pódio.

Ganna tem mais competições nas pernas, tanto na estrada, como nestes Mundiais. Porém, apesar de ter a mesma idade de Ivo, a experiência já é outra. Quando começou a recuperar, durante o segundo quilómetro, não mais parou de tirar tempo e quando passou para a frente, a superioridade tornou-se por de mais evidente. No final, Ivo fez 4:15.428 e Ganna 4:13.607.

(Fotografia: Simon Wilkinson/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Quase se cai na tentação de dizer que a ansiedade deu lugar ao desânimo. Mas não. Estava-se a assistir a um momento histórico. Ivo Oliveira tinha assegurado a primeira medalha para Portugal nuns Mundiais. Quando em 2010 o projecto de pista arrancou em força, talvez poucos esperassem que tão rapidamente se estivesse a tirar estes dividendos. Os gémeos Oliveira têm conquistado medalhas, títulos e outras grandes vitórias na pista, numa vertente tão esquecida em Portugal e que agora vai ganhando uma vida em que se espera muito sucesso. Sim, queremos ver pelo menos um português nos Jogos Olímpicos.

Ivo Oliveira ganhou a medalha de prata. É assim que teremos de recordar este momento de ciclismo de pista. Ao vê-lo determinado a pedalar no velódromo de Apeldoorn, na Holanda, fica a inevitável sensação que estamos apenas nas primeiras páginas de uma história que trará grande resultados e, há que acreditar, a camisola de arco-íris. E porque não uma medalha olímpica... Mas vamos com calma! No final, Ivo bateu com a bicicleta. Era natural a frustração. Contudo, ao receber a medalha beijou-a, com o passar do tempo, essa frustração deu lugar ao orgulho que Ivo tem todas as razões para sentir.

Ao Ivo ficam os parabéns pela excelente prestação, um dia depois do irmão, Rui, ter feito então a melhor classificação de sempre de Portugal em Mundiais de elite, com o quinto lugar no scratch. Os gémeos têm feito uma carreira sempre com a curiosidade: quando um faz um grande resultado, o outro trata de ir fazer melhor e assim sucessivamente. Ivo detinha a melhor classificação nuns Mundiais (sexto na perseguição individual em 2017), Rui tratou de a bater na quinta-feira com o quinto lugar no scratch. Ivo respondeu em grande estilo.

Rui não terá a oportunidade de tentar algo ainda mais histórico já este sábado, como estava previsto. O ciclista apresenta sintomas gripais. Já correu assim no scratch (e foi quinto!), mas o seleccionador Gabriel Mendes, vai poupá-lo, substituindo-o por Ivo. As provas do omnium começam às 13:40.

Não vamos esquecer João Matias. O ciclista tem apostado muito na pista e conseguiu o objectivo de melhorar o resultado de há um ano na corrida por pontos, de 19º passou a 14º, numa prova ganha pelo australiano Cameron Myer... pela quinta vez!

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1 de março de 2018

Rui Oliveira com o melhor resultado de Portugal em Mundiais de Pista... por agora

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
A ambição é grande e logo na primeira corrida com participação portuguesa, um dos três ciclistas lusos presentes nos Mundiais de Pista deixou o aviso: a selecção nacional não quer sair de Apeldoorn sem uma medalha. Para começar, Rui Oliveira fez o melhor resultado de sempre de Portugal nos Mundiais de Pista de elite, ao ser quinto na corrida de scratch. A cada competição que passa, os gémeos Oliveira não desperdiçam a oportunidade para ir escrevendo uma história cada vez mais prometedora de grandes sucessos.

No velódromo holandês estão os melhores do mundo. Rui Oliveira é agora o quinto, depois de ter sido sexto nos Europeus nesta prova. O ciclista de Gaia foi calculista. Correu com cabeça, como se costuma dizer. Avaliou a sua condição, a dos adversários e foi atrás do melhor resultado. Infelizmente, numa perspectiva portuguesa, três ciclistas escaparam e ganharam uma volta ao grupo. Ainda a corrida não ia a meio e o bielorrusso Yauheni Karaliok, o italiano Michele Scartezzini e o australiano Callum Scotson praticamente garantiram que decidiriam as medalhas entre eles. Assim foi, com o pódio a ficar na ordem escrita.

Não haveria medalhas para os restantes, mas não havia razões para ninguém baixar os braços. Afinal estamos nuns Mundiais. A corrida foi muito movimentada. Houve quem tentasse conquistar também uma volta, mas os ataques e contra-ataques não deram em nada. Por onde andava Rui Oliveira? Resguardado no grupo. Esperou pelo momento certo para atacar e só o ucraniano Roman Gladysh foi com ele, acabando por ser mais forte sobre a meta. Foi impossível não pensar "que pena aquele trio ter escapado tão cedo"!


Rui Oliveira tem apenas 21 anos e foi o quinto melhor a nível mundial numa corrida tão imprevisível, na qual raramente alguém conquista mais do que uma camisola do arco-íris na carreira. "As sensações não foram as melhores e sabia que no sprint acabaria por não conseguir um bom resultado. Reservei tudo o que tinha para a melhor oportunidade. Esta surgiu e eu aproveitei. Tinha de ser ali. Ataquei com força e tive alguma sorte, porque os adversários não responderam de imediato", contou o ciclista, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

As declarações do seleccionador Gabriel Mendes descrevem perfeitamente o que está a acontecer no ciclismo de pista nacional: "É mais um sinal da nossa evolução e do crescimento sustentado do ciclismo de pista português. O Rui teve uma prestação irrepreensível, sob os pontos de vista táctico e técnico, tendo em conta as condições em que a prova se desenrolou."

Rui regressa ao velódromo de Apeldoorn para competir no omnium, no sábado. Antes, esta sexta-feira, as atenções vão virar-se para o irmão. Ivo irá apresentar-se na perseguição individual, sendo o actual vice-campeão europeu. Em Hong Kong, há um ano, foi sexto, o que era até esta quinta-feira o melhor resultado português nos Mundiais. Em Outubro, nos Europeus, Ivo Oliveira fez 4:14.570 minutos nos quatro quilómetros que tem de percorrer nesta prova. O tempo é de nível mundial, mas a concorrência será feroz. O italiano Filippo Ganna, campeão europeu e antigo campeão mundial, e o britânico Charlie Tanfield, por exemplo, têm feito um tempo mais baixo.

Porém, Ivo é um candidato às medalhas. Para isso terá de fazer um dos quatro melhores tempos nas qualificações, que começam às 14:00. Caso faça um dos dois melhores, irá discutir o ouro, com pelo menos a prata a estar garantida, se fizer o terceiro ou quarto, irá atacar a medalha de bronze. Se tudo correr bem e o ciclista português chegar a uma das finais, estas poderão ser vistas no Eurosport2, partir das 19:00.

João Matias entrará em acção às 17:30. Nesta edição dos Mundiais, o corredor da Vito-Feirense-BlackJack irá estar apenas na corrida por pontos - em Hong Kong competiu também no scratch - e o primeiro objectivo é melhorar o 19º lugar de 2017. No último ano, Matias começou a aparecer muito bem tanto na estrada, como na pista. É o campeão nacional de perseguição individual e também na corrida de eliminação e mesmo que em Apeldoorn possa não surgir na lista de favoritos, o que fez há um ano no scratch demonstra como pode muito bem intrometer-se na luta pelos lugares cimeiros.

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22 de fevereiro de 2018

Gémeos Oliveira e João Matias ambiciosos para os Mundiais de Pista

Ivo Oliveira e João Matias estarão este ano acompanhados por Rui Oliveira
nos Mundiais de Pista, que se realizam entre 28 de Fevereiro e 4 de Março
Os objectivos no ciclismo de pista em Portugal vão sendo cada vez mais elevados. Com os gémeos Oliveira (21 anos) a conquistarem medalhas já na categoria de elite, tanto nos Europeus, como em Taças do Mundo, agora é altura de atacar os Mundiais, em Apeldoorn, na Holanda. A acompanhar Ivo e Rui estará João Matias (26), que há um ano foi protagonista de uma exibição fantástica no scracht e que por muito pouco não lhe valeu uma medalha. Se continuar a ganhar experiência é importante, ainda mais quase se aproxima o início da qualificação olímpica, a ambição cresceu muito desde os Mundiais de Hong Kong e alcançar um pódio já não se fica pelo sonho, é um objectivo para a equipa nacional.

"Depois do pódio na Taça do Mundo, quero tentar bater-me outra vez pelo pódio", afirmou Ivo Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O corredor da Hagens Berman Axeon está convicto que poderá melhorar o sexto lugar na prova de perseguição individual alcançado em 2017. "Venho de dez dias de estágio com a minha equipa. As sensações e os testes que fiz foram bons. Preparei-me melhor do que há um ano e acredito que posso melhorar o resultado. O facto de o Mundial ser mais cedo também ajuda, porque chegarei lá com menos desgaste. Agora, é esperar que esteja num dia 'sim'", salientou.

Os três ciclistas portugueses vão distribuir-se por quatro disciplinas. Rui Oliveira - que em 2017 não esteve presente nos Mundiais - abre e fecha a presença nacional. No dia 1 (quinta-feira), às 19:00, compete na prova de scratch. No dia 3 alinha nas quatro corridas pontuáveis do omnium, entre as 13:40 e as 20:00. Na sexta-feira, dia 2, Ivo Oliveira entrará em acção. O apuramento na perseguição individual realiza-se a partir das 14:00, com a final a estar agendada para as 19:00. Quanto a João Matias, também competirá neste dia, mas na corrida por pontos (17:30). O ciclista da Vito-Feirense-BlackJack começou 2018 com dois títulos nacionais na pista, na corrida de eliminação e na perseguição individual.

Além de tentar o pódio na perseguição individual, a equipa portuguesa irá procurar ficar nos oito primeiros lugares nas restantes provas. Sendo o omnium uma disciplina olímpica, a competição acaba por ter um papel central nos objectivos que se seguirão aos Mundiais. "Queremos alcançar o maior número possível de pontos, pois precisamos de qualificar-nos para a Taça do Mundo, que é determinante para a qualificação para [os Jogos Olímpicos de] Tóquio", realçou o seleccionador Gabriel Mendes.

Os Mundiais de Apeldoorn realizam-se entre 28 de Fevereiro e 4 de Março, com transmissão televisiva no Eurosport2.



19 de janeiro de 2018

Ivo Oliveira e mais um pouco de história

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
É impossível não perguntar até onde poderão ir os gémeos Oliveira? Mas quase não há tempo para fazer grandes previsões, pois os dois ciclistas insistem em ir escrevendo a bom ritmo uma história inédita no ciclismo de pista nacional. Já conquistaram muito desde as categorias jovens e agora na elite vão confirmando todo o seu potencial. Depois de conquistarem medalhas nos Europeus, Ivo deu a primeira Taça do Mundo a Portugal. Foi na corrida por pontos que o ciclista alcançou o feito, depois do terceiro lugar na última prova pontuável para a competição.

"Era a medalha que me faltava. Já tinha subido ao pódio em provas internacionais C1 e C2, em Europeus e em Mundiais. Faltava-me uma medalha na Taça do Mundo e surgiu hoje, numa corrida muito difícil. Teve ainda o sabor especial de garantir o apuramento para o Campeonato do Mundo e a vitória na geral da Taça do Mundo", afirmou Ivo Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Os gémeos estão em Minsk, na Bielorrússia, e como foi destacado por Ivo, com o resultado que alcançou está garantido o lugar na corrida por pontos nos Mundiais, marcado para Alpeldoorn, na Holanda (de 28 de Fevereiro a 4 de Março).

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Na corrida desta sexta-feira, Ivo Oliveira somou 41 pontos, ficando atrás do holandês Jan Willem van Schip (75 pontos) e de Lok Cheung King, de Hong Kong (50). O ciclista de Gaia fechou a Taça do Mundo com 775 pontos, mais 50 do que o grego Christos Volikakis e mais 135 do que Lok Cheung King. “Foi uma corrida muito exigente, na qual o Ivo cumpriu a estratégia que tínhamos delineado. Fizemos a corrida com a qualificação para o Mundial sempre em mente, até porque o corredor de Hong Kong era um adversário perigoso em termos de ranking. A conquista da Taça do Mundo veio por acréscimo", explicou o seleccionador Gabriel Mendes.

Não haverá tempo para muitos festejos, pois Ivo Oliveira estará de regresso à acção logo na manhã de sábado, numa outra especialidade sua: a perseguição individual. E até pode ganhar a sua segunda Taça do Mundo. Estamos perante o campeão Europeu de sub-23 e o vice-campeão em elite. Está, inevitavelmente, entre os favoritos, ainda mais porque é o que ocupa a melhor posição no ranking entre os que estão em Minsk. Porém, Ivo deixou um alerta: "Nos treinos desta semana, consegui tempos muito bons. Se não tivesse o desgaste da corrida por pontos de hoje, partiria amanhã com a convicção de que discutiria as finais. Mas com o esforço de hoje e o pouco tempo de recuperação, apenas posso prometer dar o meu melhor."

A qualificação decorre logo de manhã e se Ivo Oliveira ficar entre os quatro primeiros, irá discutir as finais na parte da tarde, por volta das 14:00 (hora portuguesa). A etapa de Minsk é a única da Taça do Mundo que inclui a disciplina de perseguição individual, pelo que ganhar na Bielorrússia significa conquistar a competição.

A competição termina no domingo, pelo que Ivo e Rui não estarão presentes nos Nacionais que decorrem este fim-de-semana no Velódromo Nacional, em Sangalhos. Em disputa estarão 31 títulos, com as provas a realizarem-se entre 10:00 e as 13:00 e as 15:30 e as 21:00 de sábado e no domingo entre as 9:30 e as 15:00. A entrada é gratuita.

De recordar que Ivo e Rui Oliveira representam a equipa americana Hagens Berman Axeon, liderada por Axel Merckx. É considerada uma das melhores estruturas para a formação de jovens ciclistas e muitos têm sido os que de lá têm "saltado" para o World Tour. Será o segundo ano dos dois portugueses na equipa, que procuram afirmar-se também na estrada, sem nunca desviar as atenções da pista, ainda mais quando em Agosto irá começar a qualificação para o Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020.

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28 de dezembro de 2017

"Quero um 2018 em grande"

Seja na estrada ou na pista, Ivo Oliveira quer que 2018 seja um ano para recordar. Por um lado quer afirmar-se na Axeon Hagens Berman e ter a oportunidade de se mostrar tanto no trabalho para a equipa, como em procurar um sucesso pessoal. Por outro, os Mundiais de pista na Holanda são um objectivo no início da temporada. O ano que passou na estrutura americana, considerada uma das melhores na formação de jovens ciclistas, foi de adaptação a uma realidade diferente. Um novo ritmo não só nas corridas, mas também nos treinos, uma forma mais intensa de trabalhar. É o próprio Ivo Oliveira que assim o destaca. A aprendizagem vai continuar, mas a ambição do ciclista de Gaia sobe agora nível.

"Trabalhei muito este ano para a minha equipa e sei que também tenho capacidade para eles poderem contar comigo talvez para vencer uma etapa ou outra. Mas tenho de ser eu a mostrar-lhes que também consigo ganhar. Queremos sempre a nossa oportunidade e se eu continuar assim, eles vão confiar em mim e um dia talvez a tenha", realçou Ivo Oliveira ao Volta ao Ciclismo, que deixou bem claro: "Quero um 2018 em grande." O ciclista considerou 2017 um bom ano, mas lamentou ter partido o braço quando estava num bom momento de forma. "As coisas complicaram-se um bocado. Tive de recuperar da fractura, mas depois disso consegui estar bem nos Mundiais de estrada. Antes disso também fiz bons resultados com a minha equipa. Tive provas por etapas muito duras em que fiz o que me mandaram e trabalhámos muito bem", salientou.

O mês de Junho começou com a vitória no prólogo do Grande Prémio de Priessnitz, na República Checa e um quarto lugar na etapa inaugural do Giro de sub-23, ganha pelo companheiro, Neilson Powless. "Foi pena ter partido o braço a meio da época quando estava a trabalhar muito bem para os campeonatos nacionais e para a Volta a França do Futuro, talvez para o Colorado..." Porém, Ivo Oliveira não se deixou abater e realçou como começou a notar a sua evolução com o passar dos meses de trabalho na Axeon Hagens Berman, equipa liderada por Axel Merckx.

"Comecei a trabalhar mais horas. É mais complicado, mas algum dia tinha de ser e senti logo a diferença"

"Com o Axel trabalhei pouco, apenas no Giro d'Italia e no estágio da equipa. Mas gostei muito. Nota-se que esta equipa só está a pensar no nosso desenvolvimento. Nós podemos estar em provas muito boas, mas eles estão mais focados nas de sub-23, nas corridas continentais, porque pensam mais no nosso desenvolvimento do que talvez andar para aí a matar-nos, digamos assim", afirmou. Ivo Oliveira recordou como teve de mudar o seu método de treino quando assinou pela equipa americana: "Comecei a trabalhar mais horas. É mais complicado, mas algum dia tinha de ser e senti logo a diferença. Comecei a trabalhar mais duro porque a este nível tem de se o fazer na medida de um profissional."

Apesar de ser uma estrutura muito concentrada no desenvolvimento dos ciclistas e os resultados estão há vista com mais de 20 a já terem passado para o World Tour, a Hagens Berman Axeon, como se irá chamar em 2018, pediu e conseguiu a licença para subir ao escalão Profissional Continental. As portas de outras corridas irão abrir-se, a começar pela Volta a Califórnia, a principal corrida nos EUA e que este ano passou a integrar o calendário principal. Ivo Oliveira coloca desde já a presença na Califórnia como um dos objectivos da temporada, caso a equipa receba o convite. Pretende também estar novamente no Giro.

Mas antes, o pensamento estará na pista, com os Mundiais de Apeldoorn (de 29 de Fevereiro a 4 de Março). "Os principais objectivos também passam por aí", frisou. E em Agosto arrancará a fase olímpica. Queremos sonhar. Temos muitas possibilidades de estar lá", disse Ivo Oliveira, que assegurou existir uma grande união na selecção, com todos preparados para somar pontos, mesmo que seja para ajudar outro ciclista a estar em Tóquio2020. "Precisamos uns dos outros."

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17 de dezembro de 2017

Portugueses com seis medalhas no Troféu Internacional Município de Anadia

Miguel Salgueiro e  Rodrigo Caxias subiram ao pódio na perseguição individual
O último dia de competição no Velódromo Nacional teve os juniores em destaque para Portugal na conquista de medalhas, mas naturalmente que o centro das atenções foram para as disciplinas olímpicas, dominadas pela selecção belga. No final, o saldo registou-se em seis medalhas para ciclistas portugueses, com Ivo Oliveira a ser o único vencedor e com o irmão Rui a ser o único a subir duas vezes ao pódio, no terceiro lugar.

O saldo terminou então com vitória e terceiro lugar no scratch, na categoria de sub-23, terceiro no omnium em elite e este domingo Wilson Esperança (Sicasal-Bombarral) - na foto ao lado - foi segundo no scratch em juniores. Na mesma categoria, Miguel Salgueiro (ACD Milharado) e Rodrigo Caxias (LA Alumínios/SGR Ambiente/CCA Paio Pires) foram ao pódio na perseguição individual, que teve o francês Donavan Grondin como claro vencedor.

Um dos momentos do dia foi de mais um susto para a selecção nacional. Maria Martins caiu na corrida por pontos, mas conseguiu prosseguir. Foi uma competição acidentada para as raparigas da equipa, já que Soraia Silva também caiu no primeiro dia. Antes dessa prova, a júnior Maria Martins tinha tido uma boa prestação no scratch, na categoria de sub-23, terminando na quinta posição. Soraia foi 11ª.

No keirin, disciplina olímpica que não contou com portugueses, a jovem belga Nicky Degrendele bateu a actual vice-campeã europeia Simona Krupeckaite (Lituânia) e a atual campeã olímpica, Elis Ligtlee (Holanda). Nos homens, o lituano Vasilijus Lendel foi o mais forte. O holandês Sam Ligtlee foi segundo e o compatriota Svajunas Jonauskas, terceiro.

Mas a principal atenção acabou por se focar no madison, última corrida do Troféu Internacional Município de Anadia. João Matias e César Martingil uniram esforços pela selecção nacional, enquanto Ivo e Rui Oliveira vestiram as cores da Axeon Hagens Berman. Os gémeos terminaram na sexta posição com nove pontos, enquanto Matias e Martingil foram oitavos, com cinco. A Bélgica terminou com 29, com a prestação de Lindsay de Vylder e Robbe Ghys - dupla campeã de sub-23, seguindo-se duas equipas de holandeses. Em segundo ficaram Dion Beukeboom e Jan-Willem van Schip (23) e a fechar o pódio Yoeri Havik e Wim Stroetinga (15). De recordar que Beukeboom irá em Agosto tentar bater o recorde da hora de Bradley Wiggins.

16 de dezembro de 2017

"Quando vierem [assistir ao ciclismo de pista] vão ver que é emocionante!"

(Fotografia: João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ali andam eles, às voltas, numa pista com 250 metros, normalmente a grande velocidade, com uns toques quando são corridas em grupo, potência total nas provas de contra-relógio. O tradicional ciclismo de estrada chama muitas pessoas à estrada, mas o ambiente do velódromo ainda está a conquistar adeptos em Portugal. No entanto, o ciclismo de pista português está a crescer, pelo que o interesse também aumenta. Mas afinal, o que atrai tanto nesta vertente da modalidade? Alguns ciclistas portugueses, que estão a competir no Troféu Internacional Município de Anadia, explicam e todos concordam: quem for pela primeira vez assistir, irá certamente regressar.

"Se o público viesse pela primeira vez, tenho a certeza que ficaria com aquele bichinho e continuaria a vir." Rafael Silva deu o mote. O ciclista da Efapel é um dos portugueses que está a competir no Velódromo Nacional, em Sangalhos, que durante três dias foi novamente escolhido para uma prova internacional, depois do Campeonato Europeu de sub-23 e juniores. "Muitas pessoas nem têm ideia do espectáculo que é a pista. Pensam que uma pessoa anda aqui e que não há espectáculo, mas é uma competição que tenha 30, 40 ou 50 minutos, vê-se a corrida toda, não é como na estrada", salientou ao Volta ao Ciclismo.

O ainda companheiro de equipa António Barbio - em 2018 irá representar o Miranda-Mortágua - acrescentou: "Quando vierem vão ver que é emocionante!" A júnior Maria Martins reforçou: "Não tenho as mínimas dúvidas que quando vieram cá uma vez, ficam fãs." E reforçou: "Temos uma equipa muito boa [a selecção nacional], que tem estado a desenvolver projectos e resultados fantásticos. Agora acho que precisamos de ter mais confiança do nosso povo. Apostem em nós, venham cá apoiar-nos que é bastante importante."

Já João Matias conhece bem alguns dos grandes fãs. "Podem falar com o meu pai e com o pai dos gémeos Oliveira. Acho que são dos principais fanáticos do ciclismo de pista! Este Troféu Internacional tem alguns dos melhores ciclistas a nível mundial e a entrada é gratuita. Aqui dentro está quentinho em Dezembro! Lá fora está um frio desgraçado! Podem-nos ver, falar connosco... Isto é muito bom", referiu, bem disposto. Tal como Maria Martins, Matias está a representar a Selecção Nacional na competição que termina este domingo.

Ivo Oliveira, é juntamente com o irmão Rui, a principal referência desta vertente em Portugal. Soma medalhas desde o escalão de juniores e já viveu todo o tipo de ambientes na pista. O ciclista português, que também está a representar a selecção, adoptou um tom mais crítico. "Não sei se é por causa da divulgação que é mal feita... Penso que poder-se-ia fazer um melhor trabalho nesse aspecto. Se calhar a maioria das pessoas nem sabe que esta prova existe. Se soubessem, eu acho que apareceriam. Acho que elas gostam", afirmou. "Há muitos anos que o público não aparece. Este ano nem me posso queixar. Tivemos muita gente no Campeonato da Europa e o público gosta de aparecer nessas [competições]", acrescentou Ivo Oliveira, realçando como é muito diferente competir num velódromo cheio. "Tem de se chamar mais público", apelou.

Maria Martins é a mais nova e ainda está a tentar encontrar o caminho do profissionalismo no difícil mundo do ciclismo feminino. Já os restantes já conseguiram arrancar com a carreira na estrada. No entanto, todos gostam de incluir a pista no seu programa, até porque também tiram benefícios quando regressam à estrada.

"É uma grande vertente para preparar a estrada. Principalmente no Inverno podemos treinar aqui muito bem. Às vezes quando está a chover, podemos fazer um trabalho muito melhor aqui do que na estrada", explicou Ivo Oliveira. Todos partilham essa opinião, tal como o ambiente mais próximo que existe entre os ciclistas.

Desde muito novos que a atracção pela pista existe nestes ciclistas. Falam mesmo no "bichinho" que não mais se foi embora. "É uma modalidade que eu comecei a fazer em júnior e desde cedo que me adaptei bem. Esse é o primeiro ponto para eu gostar de ciclismo de pista. A partir daí acho que é o ambiente familiar. Acabamos por estar todos juntos nas boxes, por nos conhecer muito bem e viver o ciclismo de maneira diferente. Desfrutamos dentro e fora das corridas", contou João Matias.

"É o ambiente que se vive dentro da pista, a adrenalina que nos dá... Uma pessoa não tem a noção de fora", desabafou Maria Martins, que não esconde a sua paixão por esta vertente do ciclismo.

Para Rafael Silva "é o ambiente aqui na selecção" que começa logo por cativar e querer estar nestas provas. Mas há mais: "Em termos físicos e para a nossa preparação é muito importante, visto que rodamos aqui pouco tempo, mas a grande intensidade, tudo aquilo que nós não fazemos a treinar. Para nós, neste defeso que não temos competição, é uma mais valia. E está a chover lá fora e está frio e aqui está quentinho! A pista é uma mais valia para as futuras competições e desfrutamos aqui muito. Aprendemos tacticamente e tecnicamente."

António Barbio acrescentou: "Quatro meses a trabalhar, com o objectivo lá longe, é mais fácil psicologicamente termos algumas falhas. Tendo estes pequenos objectivos [na pré-época], não só para estar bem, mas também por estar com os colegas, acho que a preparação para a estrada se torna mais fácil e mais agradável."

Ou seja, para estes ciclistas tanto eles como o público têm a ganhar com o ciclismo de pista. Enquanto uns praticam e melhoram como atletas, outros têm a oportunidade de assistir a um espectáculo diferente da modalidade. E este domingo, o último dia do Troféu Internacional Município de Anadia, as provas arrancam às 10:00 com o keirin. Serão corridas sem interrupção até cerca das 15:30, com scratch, perseguição individual e madison a também fazerem parte do programa.

E como João Matias frisou, a entrada é gratuita.

»»Nova medalha para Rui Oliveira e os dois pontos que tiraram o bronze a Miguel Salgueiro««

»»Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição««

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15 de dezembro de 2017

Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição

O Troféu Internacional Município de Anadia arrancou e os gémeos Oliveira conquistaram logo duas medalhas. Na prova que abriu a competição, a corrida de scratch em sub-23, Ivo ganhou e Rui foi terceiro. E para terminar, João Matias chegou a liderar a prova por pontos. Foi quinto, numa corrida em que teve como adversários atletas de nível mundial. O primeiro dia de provas houve ainda um valente susto, com a queda de Soraia Silva no scratch. Apesar das marcas na perna e braço, a jovem ciclista mostrou estar bem e preparada para sábado e domingo regressar à pista do Velódromo Nacional, em Sangalhos.

Gabriel Mendes estava contente com as performances dos seus ciclistas. "Para o processo de trabalho em que estamos, estou extremamente satisfeito com todos eles. Está dentro da nossa expectativa e para aquilo que são os nossos objectivos para esta fase da época", salientou ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador nacional referiu o exemplo dos gémeos Oliveira, que têm apenas 15 dias de treino, pois esta é uma fase de arranque de temporada para a maioria dos corredores. Ainda assim, foram competitivos e juntaram mais duas medalhas às várias que já somam nos escalões de juniores, sub-23 e também elite, incluindo de europeus e mundiais.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
"Estiveram muito bem. Eles não têm sempre a pressão de ganhar. Eles sobem frequentemente ao pódio, mas também se não subissem nesta corrida, não seria um problema", referiu Gabriel Mendes, que acrescentou que sendo uma competição em Portugal é naturalmente bom que se atinjam estes resultados. Ainda assim frisou: "Temos de respeitar um processo de preparação que queremos que seja sólido e sem quebrar etapas." O seleccionador destacou ainda o "papel determinante" de César Martingil na mesma corrida, com o ciclista a terminar no 10º lugar.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O outro destaque do dia foi João Matias. Esteve bem na perseguição individual, mas foi na corrida por pontos que ficou perto do pódio. Ao conseguir dar uma volta de avanço e vencendo depois o sprint, Matias esteve na liderança no início da prova. O pódio pareceu possível durante toda a longa, mas rápida corrida. Porém, o ciclista português acabaria no quinto lugar. O pódio escapou, mas João Matias demonstrou novamente como está a evoluir no ciclismo de pista, disputando a corrida com ciclistas de elevado nível internacional. O espanhol Sebastían Mora venceu com 54 pontos, mais um do que o holandês Jan-Willem van Schip. O belga Robbe Ghys foi o terceiro, com 39 pontos. Matias somou 34.

A júnior Maria Martins continua a ganhar experiência ao competir com a elite e terminou o dia com dois resultados muito animadores. Primeiro começou por ser oitava entre 24 atletas que se apuraram para a final na corrida por pontos. No scratch foi nona, com Soraia Silva a sofrer uma queda que poderá ter sido uma dura forma de aprender o que não deve fazer. "As quedas são algo que podem acontecer a qualquer momento. Há aspectos que temos de melhorar, nomeadamente técnicos ,de forma a que a situação que aconteceu não se repita. A Soraia entra na faixa dos sprinters, pela esquerda de uma atleta que já lá se encontrava e devido à velocidade e ao não ter possibilidade de entrar na curva da pista, se assim podemos dizer, no ápice da curva é projectada por fora. Os atletas não devem forçar essa passagem, ela forçou e as coisas correram mal", explicou Gabriel Mendes.

Soraia teve uma passagem pelo departamento médico, mas neste sábado, tanto a ciclista, como os restantes companheiros da selecção nacional estarão na prova do omnium, que inclui seis corridas, como a perseguição individual ou o scratch. Os ciclistas vão somando pontos para se encontrar o vencedor.

De referir que além dos ciclistas que estão a representar a selecção nacional, encontram-se em Sangalhos a competir a título individual António Barbio, Rafael Silva e Leonel Coutinho.

O dia de sábado começa às 10 até perto das 20 horas, com paragem entre as 12:50 e as 16 horas. Gabriel Mendes deixa o convite para assistir ao Troféu Internacional Município de Anadia: "Vale a pena cá vir. É um espectáculo que é bonito de se ver". A entrada é gratuita.

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13 de dezembro de 2017

Gémeos Oliveira lideram selecção no Troféu Internacional Município de Anadia

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Naquela que será a segunda grande competição internacional a realizar-se no Velódromo em Sangalhos este ano, os gémeos Oliveira vão liderar uma selecção portuguesa ambiciosa. Porém, haverá mais representantes nacionais a juntar-se a um pelotão numeroso e principalmente de qualidade. Mais de 130 ciclistas, alguns deles com medalhas em Campeonatos do Mundo, da Europa e Jogos Olímpicos nesta vertente do ciclismo, vêm de 17 países para competir entre sexta-feira e domingo no Troféu Internacional Município de Anadia.

A Ivo e Rui Oliveira, que nos últimos Europeus tornaram-se os primeiros portugueses a conquistar medalhas na pista na categoria de elite, juntam-se João Matias, César Martingil e Soraia Silva e Maria Martins em representação da selecção. No entanto, há outros inscritos, como Rafael Silva, António Barbio e Leonel Coutinho.

O ciclismo de pista não tem a popularidade do de estrada em Portugal. No entanto, o elenco que estará presente no Velódromo Nacional é uma boa razão para se assistir às competições. A entrada é gratuita e todos estão convidados a ir até ao Velódromo Nacional. Além dos portugueses, teremos ciclistas como Elis Ligtlee, campeã olímpica de keirin, Kirsten Wild, campeã europeia de eliminação e detentora de 17 medalhas em europeus e mundiais, Wim Stroetinga, cinco vezes medalhado em europeus e mundiais, e Dion Beukeboom, três vezes medalhado em Europeus e candidato a tirar o recorde da hora a Bradley Wiggins.

A Holanda apresenta-se forte, mas não é a única. Do Canadá vêm Allison Beveridge - conquistou doze medalhas em mundiais, competições pan-americanas, incluindo o bronze na perseguição por equipas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro - e Stephanie Roorda, que soma dez pódios em mundiais e competições pan-americanas.

A Lituânia tem estado a estagiar em Sangalhos e terá Simona Krupeckaité - detentora de 22 medalhas, entre as quais duas de ouro em mundiais e quatro em europeus - e Vasilijus Lendel, que venceu a prova de velocidade na Taça do Mundo de Pista, no último fim-de-semana.

Além dos países referidos, estarão ainda no Velódromo representantes da Arménia, Bélgica, Espanha, EUA, França, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Noruega, Roménia e Suíça.

Em Julho realizaram em Sangalhos os Europeus de sub-23 e juniores e agora será o Troféu Internacional Município de Anadia, com as provas a começarem às 14:30 de sexta-feira. O dia termina às 20:45. A jornada de sábado divide-se em duas: das 10:00 às 12:50 e das 16:00 às 19:35. No domingo não há paragens: das 10:00 às 15:35. O programa contará com as seguintes especialidades: contra-relógio (1 km e 500m), corrida por pontos, keirin, madison, perseguição individual, omnium, scratch e velocidade.



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4 de dezembro de 2017

Axeon Hagens Berman vai subir de escalão

Gémeos Oliveira estiveram este ano na equipa, mas ainda se espera
por conhecer o futuro dos dois (Fotografia: Facebook Axeon Hagens Berman)
Era o objectivo para 2018 e foi confirmado pela UCI. A Axeon Hagens Berman vai subir ao escalão Profissional Continental, o que lhe permitirá ter acesso a corridas mais importantes. No entanto, a formação de Axel Merckx que tantos ciclistas tem colocado no World Tour, irá manter o seu foco em formar corredores sub-23. João Almeida é reforço confirmado na equipa americana, que este ano contou com os gémeos Oliveira e que anteriormente teve Ruben Guerreiro, um dos mais de 20 ciclistas que entretanto deu "o salto".

"As grandes e competitivas corridas são obviamente muito importantes para nós participarmos. O programa está mais forte que nunca e a subida irá dar-nos a oportunidade de estar em mais corridas durante o ano", salientou Axel Merckx. Este ano, a equipa ficou de fora da Volta à Califórnia, pois a corrida passou a pertencer ao calendário World Tour. Apesar da autorização para convidar equipas do terceiro escalão, a Axeon Hagens Berman ficou de fora. "Será um passo importante para o desenvolvimento do programa", salientou o director, que referiu ainda como foi decisivo a aposta dos patrocinadores.

Em 2018, a estrutura terá uma inversão no nome: Hagens Berman Axeon, passando a sociedade de advogados a ser o principal investidor. "A transformação da equipa enquanto está crescer é emocionante e nós estamos orgulhosos por sermos parceiros de uma equipa tão dedicada à excelência como nós somos", afirmou Steve Berman, um dos fundadores da sociedade de advogados.

A equipa foi criada em 2009, então como Trek-Livestrong. Com Axel Merckx na liderança, a estrutura tornou-se numa das mais importantes na formação de jovens ciclistas. Taylor Phinney foi dos primeiros a sair da equipa para o World Tour, mas muitos se seguiram: Jasper Stuyven, Alex Dowsett, Ian Boswell, George Bennett, Joe Dombrowski...  Em 2017, mais quatro "terminaram o curso": Chris Lawless vai para Sky, Neilsen Powless será reforço da Lotto-Jumbo, Logan Owen da EF Education First powered by Cannondale e Jhonatan Narvaez assinou pela Quick-Step Floors.

Até ao momento, a Axeon Hagens Berman confirmou apenas oito ciclistas para 2018, sete dos quais serão novas caras. O destaque vai para João Almeida. Depois de uma temporada na Unieuro Trevigiani-Hemus 1986, o corredor português de 19 anos dá um passo importante numa promissora carreira. Em 2016, com a camisola da Bairrada, Almeida dominou o escalão de juniores, conquistando os títulos nacionais e ganhando também a Volta a Portugal.

Além do português, Axel Merckx contratou ainda Mikkel Bjerg, dinamarquês campeão do mundo de contra-relógio em sub-23, Cole Davis, Zeke Mostov e Thomas Revard dos Estados Unidos, Jasper Philipsen (Bélgica) e Maikel Zijlaard (Holanda). Para já, só o americano William Barta renovou pelo que se mantém a expectativa quanto à continuidade de Ivo e Rui Oliveira que tinham assinado por um ano com mais um de opção.

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20 de novembro de 2017

O melhor ciclista português em 2017. Vamos a votos

2017 foi novamente um ano de grandes exibições de ciclistas portugueses em corridas importantes a nível internacional e, claro, nacional. Quem foi o melhor? A escolha é difícil e começa logo por ser complicado reduzir a votação a cinco candidatos. Amaro Antunes, Rui Costa e Nelson Oliveira destacaram-se. Frederico Figueiredo foi de uma regularidade invejável. Mesmo sem vitórias, terminar no top dez é algo quase natural para este ciclista, também muito importante no trabalho de equipa. José Gonçalves fez a estreia no World Tour e mesmo preso a funções em prol de um líder, não só as cumpriu, como ainda aproveitou as oportunidades que lhe foram dadas. Há um ano, foi ele o mais votado no Volta ao Ciclismo.

Pode votar no lado direito do blog. Caso esteja na versão para telemóvel, no final da página tem o link para ver a versão web, podendo depois assinalar a sua escolha. Aqui ficam os cinco candidatos (por ordem alfabética).

Amaro Antunes (26 anos) - W52-FC Porto
O ciclista algarvio teve um ano com tantos momentos brilhantes que quase se torna difícil escolher qual o mais marcante. Quase, porque ganhar no Alto do Malhão, na Volta ao Algarve, é inevitavelmente especial. Ainda antes de correr em casa mostrou-se em Espanha, na Volta à Comunidade Valenciana. Ali esteve Amaro ao lado de Nairo Quintana, tendo terminado nesse dia em terceiro.

Após o Malhão, ganhou a Clássica da Arrábida, a etapa do Montejunto e a geral do Troféu Joaquim Agostinho. Na Volta a Portugal acabou por trabalhar para Raúl Alarcón e fez uma subida à Serra da Estrela memorável e decisiva para selar a Volta para o colega. Amaro ficou com a etapa e a classificação da montanha. Falamos aqui de vitórias, mas a época foi rica em resultados quase sempre entre os melhores.

A escolha de assinar pela W52-FC Porto não podia ter sido mais acertada, mas com exibições como as que mostrou, seria estranho não aparecer uma boa proposta para outros voos. O World Tour abriu-lhe as portas, mas o desejo de ter a oportunidade de continuar a lutar por vitórias, agora em algumas das mais importantes competições mundiais, fê-lo escolher a equipa polaca da CCC Sprandi Polkowice, do segundo escalão.

Frederico Figueiredo (26 anos) - Sporting-Tavira
Olha-se para os resultados deste ciclista e o top dez é recorrente. Por cá ou em Espanha, Frederico Figueiredo esteve uma temporada inteira a dar garantias ao Sporting-Tavira de resultados muito positivos, além de ser um ciclista importante sempre que a ordem é ajudar um dos seus líderes. Mas ter Joni Brandão, Alejandro Marque e Rinaldo Nocentini na equipa não significou que ficasse escondido atrás das principais figuras.

Começou o ano com o 28º lugar no Algarve, mas foi terceiro na classificação da montanha. Nas clássicas da Arrábida e Aldeias do Xisto fez oitavo e nono, respectivamente. Por Espanha somou mais dois top 30, contudo, esteve na discussão na Volta a Castela e Leão, terminando no quinto lugar. Regressou ao top dez no Grande Prémio Beira e Serra da Estrela e fechou o pódio no Troféu Joaquim Agostinho. Antes fez quinto nos Nacionais. E neste texto refere-se apenas algumas das principais competições.

Era um ciclista que se queria ver na Volta a Portugal, mas as quedas perseguiram-no e acabou por ser forçado a abandonar na sétima etapa. O Sporting-Tavira perdeu um homem que fez falta nas decisões na Serra da Estrela.

Pode não ser aquele ciclista que mais se fala, mas Frederico Figueiredo é um corredor que tem capacidade para andar sempre na frente, faltando-lhe uma primeira vitória, já merecida, para o lançar para outra notoriedade. Mas mesmo sem ela, foi um ano de elevado nível para o ciclista.

José Gonçalves (28 anos) - Katusha-Alpecin
Este ciclista habituou-nos a vê-lo sempre a lutar. Ataques, contra-ataques, fugas, José Gonçalves sempre soube mexer com corridas e de quando em vez colheu os frutos do seu risco. A conquista da Volta à Turquia em 2016, na Caja Rural, foi o passo que lhe faltava para que tanto o ciclista, como uma equipa do World Tour, percebessem que tinha chegado o momento de "dar o salto". José Azevedo foi buscar o gémeo para a sua Katusha-Alpecin, onde encontrou Tiago Machado. O ciclista de Barcelos rapidamente conquistou o seu espaço na equipa, mas teve de assumir um papel mais discreto. Bem se queria ver Gonçalves ao seu estilo, mas a sua principal função foi estar ao lado dos líderes, especialmente de Ilnur Zakarin.

Fez um grande Giro, sendo muito importante no quinto lugar alcançado pelo russo, que esteve na luta pelo pódio. Mas antes o português tinha tido o seu momento. Foi-lhe dada liberdade na Strade Bianche e José Gonçalves andou muito tempo na frente. Alguma falta de experiência acabou por lhe custar um mais do que merecido top dez (11º). Porém, foi a mostra que este é um corredor que compensa dar-lhe uma oportunidade. No Ster ZLM agarrou-a novamente, conquistando desta vez uma grande vitória, deixando atrás de si Primoz Roglic (Lotto-Jumbo), vencedor da Volta ao Algarve, e Laurens de Plus (Quick-Step Floors).

Com apenas um ano de contrato, perante as exibições, não surpreendeu que lhe fosse feita uma proposta de renovação e por duas temporadas. A desilusão chegou na Vuelta. Mais uma vez foi um dos homens de confiança de Ilnur Zakarin, mas uma queda atirou-o para fora da corrida logo na sexta etapa. Mas em geral foi época de estreia no World Tour extremamente positiva, enquanto por cá fez quarto nos Nacionais.

Nelson Oliveira (28 anos) - Movistar
O Paris-Roubaix tirou a oportunidade a Nelson Oliveira de voltar a estar ao lado de Nairo Quintana na Volta a França. Consistência é uma das principais qualidades do ciclista português que acabou por deixar para o fim o melhor da temporada. Este especialista em contra-relógio deu mais um passo para se afirmar entre os melhores do mundo. Só no esforço individual da Volta à Suíça ficou fora do top dez e quando chegou aos Mundiais de Bergen, Nelson Oliveira fez-nos sonhar. Sentado no trono guardado para o ciclista mais rápido, foi vendo alguns nomes fortes não conseguirem bater a sua marca. Um super Tom Dumoulin foi campeão, um cada vez melhor Primoz Roglic ficou com a prata, enquanto Chris Froome segurou o bronze por sete segundos.

O pódio ficou ali tão perto, mas é notório como Nelson Oliveira está cada vez mais próximo de um grande resultado, pois todos os anos tem demonstrado algum tipo de evolução. Porém, não podemos reduzir a época apenas aos Mundiais. Foram o ponto alto, é certo, mas também a Volta a Espanha tem de ser referida. Com a Movistar orfã de líderes, o ciclista de Anadia viu-se numa posição pouco frequente numa grande volta: ter liberdade para perseguir um resultado próprio. Chegou a ser o melhor classificado da formação espanhola a certa altura da corrida, terminando na 47ª posição. Mais que o lugar na geral, o corredor pôde obter uma experiência diferente e que poderá ser útil já em 2018.

A Nelson Oliveira faltou comprovar a sua qualidade nas clássicas, fase prejudicada pela queda no Paris-Roubaix. Foi ainda protagonista de um momento insólito esta temporada, quando não partiu para o contra-relógio nos Nacionais, pois não sabia que a hora para iniciar a sua prova tinha sido antecipada. O ciclista conta com quatro títulos.

Rui Costa (31 anos) - UAE Team Emirates
Aquele início de temporada foi de um Rui Costa renovado. Foi de um Rui Costa que recuperou as melhores sensações e as acompanhou com vitórias. O poveiro alterou muito o seu programa. Deixou o Tour que tanto ambicionou terminar num top dez e estreou-se no Giro. Com essa mudança apostou forte no arranque de época e num ano também de profundas mudanças na equipa, escolheu uma boa altura para mostrar que continua a ser um ciclista de confiança, apesar de corridas menos conseguidas nos anos anteriores, principalmente na Volta a França.

A chegada do dinheiro do Médio Oriente permitiu salvar a estrutura da até então Lampre-Merida. Pelo meio houve um projecto chinês que não avançou. Rui Costa surgiu não parecendo acusar as semanas atribuladas no final de 2016, até que a licença World Tour foi confirmada. Arrancou o ano na Argentina e venceu a etapa rainha na Volta a San Juan e foi quinto na geral. Perdeu a Volta a Omã para Ben Hermans (BMC) por 22 segundos, mas foi a Abu Dhabi ganhar novamente a etapa mais importante e desta vez a geral. A vitória teve um significado tremendo. A equipa é daquele Emirado e foi o primeiro ano em que a corrida fez parte do calendário World Tour. Fechou 18º no Tirreno-Adriatico e na semana das Ardenas voltou a destacar-se no monumento que tanto deseja: Liège-Bastogne-Liège. Este ano não houve pódio, mas finalizou no 14º lugar.

No Giro, Rui Costa ainda pareceu inicialmente testar se era possível uma boa classificação final, mas rapidamente se concentrou no objectivo de ganhar uma etapa. Três segundos lugares! Não foi por falta de tentativa que não venceu, mas ficou alguma frustração por ter andado tão perto, tantas vezes. Na Volta a Suíça, que conquistou três vezes, fez quinto, mas a Vuelta não correu como o desejado (este ano optou por esta grande volta em detrimento das clássicas do Canadá). Ainda fez quarto na 19ª etapa, mas não conseguiu igualar a forma do Giro. Os objectivos finais, Mundiais e Il Lombardia, também não terminaram com os resultados que gostaria mais. Ainda assim, um 19º lugar em Bergen só pode ser considerado positivo.

Rui Costa costuma terminar melhor as temporadas devido ao calendário que escolhia. Perante as novas opções, as apostas foram ganhas naquele arranque fortíssimo e uma vitória no Giro não lhe teria ficado nada mal.

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