Mostrar mensagens com a etiqueta Greg Van Avermaet. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Greg Van Avermaet. Mostrar todas as mensagens

23 de março de 2018

Só Daniel Oss não chega para ajudar Sagan

(Fotografia: Bora-Hansgrohe/Bettiniphoto)
Foi uma grande contratação para a Bora-Hansgrohe. Finalmente Peter Sagan pode dizer que tem um braço direito que não fica cortado quando as corridas endurecem um pouco. Sagan pode agora ser poupado em certos esforços que antes de tinha fazer para perseguir fugas e responder a ataques. Agora tem Daniel Oss que já vai partilhando esse trabalho. Porém, está a ser insuficiente. A forma de Sagan também não parece ser a mais apurada, mas quando se tem um ciclista que estando num grupo ninguém mais ajuda, então a Bora-Hansgrohe vai precisar de exigir mais dos corredores que forem chamados a estar com o eslovaco. Só o italiano não chega.

Daniel Oss esteve ao lado de Greg van Avermaet quando o belga conseguiu quebrar o estigma dos segundos lugares e começou a ganhar as grandes clássicas. "Roubá-lo" à BMC pareceu uma excelente manobra. Contudo, Oss tinha um papel de extrema importância, mas havia mais ciclistas de trabalho. Oss não tinha de fazer tudo para Avermaet, pois havia com que partilhar a responsabilidade. E claro que estando na BMC, tinha Sagan como o adversário, um ciclista que não se coibia de dar tudo por tudo para não perder a corrida. Ou seja, era importante quando era preciso mexer. Agora o italiano é colega do tricampeão mundial, para que Sagan não tenha de perder tanta força antes de estar de facto na discussão final da prova. Mas é só Oss que trabalha, com os restantes ciclistas a Bora-Hansgrohe a mostrarem pouco serviço, ou então de pouca qualidade.

Nesta rivalidade específica entre Sagan e Avermaet, é o belga quem pode estar mais descansado com o apoio que tem. O bloco da BMC para as clássicas é forte, como ficou demonstrado na E3 Harelbeke desta sexta-feira, com Jurgen Roelandts (que mais do que um homem de trabalho, é sempre um ciclista que pode ele próprio lutar por vitórias, como fazia na Lotto Soudal, logo uma excelente contratação) e Stefan Küng. O suíço ainda só tem 24 anos, é um excelente contra-relogista, já se mostrou em corridas por etapas (foi segundo numa tirada no Tour), mas a BMC está a apostar nele para evoluir neste tipo de provas do pavé.

O bloco alemão da Bora-Hansgrohe tem qualidade, mas longe da necessária para estar ao nível de um ciclista como Peter Sagan. Pascal Ackermann, Marcus Burghardt e Rüdiger Selig, por exemplo, são bons ciclistas, mas têm de elevar o nível da sua participação nas corridas ao lado do líder. Quanto ao irmão, Juraj Sagan, vai caindo quase no esquecimento, sendo cada vez menos aposta, ainda mais numa altura em que as equipas viram ser cortado um elemento nas competições, por decisão da UCI.

No arranque da semana de clássicas na Bélgica, que terá o seu momento alto no domingo, 1 de Abril, com a Volta a Flandres, Peter Sagan foi uma tremenda desilusão. Porém, a culpa não pode ser apenas da falta de equipa. O eslovaco não tem mostrado a forma de outros anos. Ficou sentado, sem capacidade de tentar apanhar Greg van Avermaet quando belga atacou e demonstrou que ainda não está a 100%. É certo que já tinha feito anteriormente um grande esforço para recuperar posições, mas se recuarmos à Milano-Sanremo, também aí o eslovaco não mostrou a frescura física a que se está habituado vê-lo. Na Bélgica, atirou a toalha ao chão e poupou-se para a corrida de domingo, Gent-Wevelgem, terminando com mais de três minutos de atraso.

Comparando com Avermaet, então nota-se ainda mais a diferença. O belga da BMC também estava a realizar exibições pouco convincentes. No entanto, este terceiro lugar em Harelbeke já deixa outras indicações. O ciclista da BMC colocou como objectivo principa de 2018l a Volta a Flandres. Depois de vencer o seu primeiro monumento em 2017, o Paris-Roubaix, é o tudo por tudo pela Flandres. Afinal, é belga! Aos 32 anos é normal que tente gerir bem a sua condição física. Apesar de estar a viver a melhor fase da carreira, a idade vai avançado e as oportunidades de conquistar a corrida que mais quer vão escasseando.

Mas isto da idade tem muito que se lhe diga. Aos 35 anos, Philippe Gilbert apareceu em grande em 2018! Tal como Avermaet andava algo discreto. Mais um belga que apontou baterias a esta fase da época. Se ganhar outra Volta a Flandres seria excelente, Gilbert não se importaria de trocar a vitória por uma no Paris-Roubaix e assim juntar à sua lista de monumentos um dos que lhe falta, além da Milano-Sanremo.

E com esta super Quick-Step Floors será de esperar que haverá uma táctica para levar Gilbert à vitória. Além de haver possibilidade de ganhar praticamente com qualquer ciclista que esteja na corrida. Já são 18 vitórias este ano, distribuídas por oito ciclistas. Niki Terpstra juntou a sua segunda à lista em Harelbeke, depois do triunfo na corrida francesa Le Samyn. E por falar em idade, o holandês tem 33 anos e está numa forma muito idêntica àquela que o levou a vencer o Paris-Roubaix em 2014.

Numa vitória a solo, há que destacar o trabalho de equipa da Quick-Step Floors. Houve uma queda que deixou muita gente para trás e que obrigou a grande esforço para regressar a uma posição de pelo menos aspirar discutir a corrida. A equipa belga estava bem colocada e atacou. O ritmo de Terpstra e de Yves Lampaert foi de mais para quem quis acompanhar. Parte da vitória é de Lampaert. A outra parte de Gilbert (que até acabou em segundo no sprint por essa posição) e de Zdenek Stybar que muito fizeram para estragar a perseguição quando Terpstra já seguia sozinho e chegou a ter apenas 15 segundos de vantagem a cerca de cinco quilómetros da meta.

Quando se falar em trabalho de equipa no ciclismo, este é mais um exemplo perfeito. Não se reduz àquele bem conhecido feito pela Sky. O que a Quick-Step Floors fez hoje foi simplesmente perfeito.

Pode ver aqui a classificação da E3 Harelbeke.

Para terminar, há que referir ainda Nelson Oliveira. O português da Movistar demonstrou que está a aproximar-se de uma boa forma. Não esconde que a Volta a Flandres é uma das corridas que muito gosta e que lhe assenta bem. Não se pode olhar apenas para os números finais, 32º a 7:03 do vencedor, pois Oliveira esteve a bom nível numa corrida muito complicada, muito movimentada, principalmente nos últimos 70 quilómetros. Há ainda que ter em conta que a Movistar não é equipa de clássicas. Para um corrida do pavé até levou Mikel Landa, que está a tentar ganhar prática neste terreno, devido à etapa no Tour que terá empedrado.

»»Nibali deixou todos a verem-no pelas costas numa grande vitória frente aos sprinters««

»»Com Boonen como conselheiro, Benoot cumpriu o que lhe estava destinado««

Pub

25 de fevereiro de 2018

Avermaet prefere ter Sagan ao seu lado nas clássicas

(Fotografia: Chris Auld Photography/BMC)
Não há razões para se preocupar, mas o início das clássicas não foi o desejado por Greg van Avermaet. O belga avisou que se sentia melhor e que estava mais em forma do que em 2017, contudo, apesar de se ter mostrado na frente das corridas, acabou com resultados discretos. E é fácil explicar porquê. Avermaet foi o principal alvo das atenções de toda a concorrência, estatuto que normalmente pertence a Peter Sagan. O eslovaco adiou este ano o seu início nesta fase da temporada para o próximo sábado, falhando as duas primeiras corridas este fim-de-semana. Avermaet disse logo que preferia ter o seu grande rival em prova e tinha razão.

Nos últimos dois anos, o belga começou as clássicas deixando Sagan em segundo na Omloop Het Nieuwsblad. Apenas dois exemplos do eslovaco ser sido batido por Avermaet. É já uma das rivalidades que não se esquecerá e a prova como ter ciclistas de elevado nível como adversários, não só traz o melhor de cada um ao de cima, como, no caso de belga, o ajuda mesmo a vencer. "Parece estranho dizer, mas às vezes é mais fácil ter alguém como ele contigo, do que se ser o favorito para que todos olham. Acho que vai ser mais difícil." A frase foi de facto um prenúncio do que se veio a ver tanto na Omloop, no sábado, como este domingo na Kuurne-Bruxelles-Kuurne.

O que Avermaet disse ainda, explica bem o porquê de querer ter Sagan rapidamente ao seu lado: "Para mim não é uma vantagem o Peter não estar. Gosto de correr com o Peter. Ele abre a corrida e pedala a todo o gás." Esta é uma característica que marca de facto o tricampeão mundial e que tanto faz dele um dos melhores ciclistas, como também lhe traz muitos dissabores, pois trabalha tanto, para depois, por vezes, perder no último esforço.

Avermaet soube usar esta característica de Sagan a seu favor e bem sentiu a falta do rival. Depois da Omloop, corrida na qual andou na frente, mas não conseguiu discutir a vitória - foi 50º a 12 segundos de Michael Valgren (Astana) - o belga referiu como houve ataques, mas não houve cooperação no grupo que se formou na frente. Disse como tentou atacar, mas não quis ser apenas ele a puxar, enquanto todos ficavam na sua roda... Faltou-lhe Sagan!

Na Kuurne-Bruxelles-Kuurne ficou na 56ª posição, numa corrida decidida ao sprint. Avermaet ainda se mostrou, mas rapidamente percebeu que dificilmente seria o seu dia. Ele vestiu a pele de Sagan e não foi agradável ver-se no papel de alvo a abater, ou pelo menos de alvo a receber muita (quase toda) a atenção. Na perspectiva dos adversários, os seus ataques eram para ser anulados ou aproveitados para ter uma roda a seguir, não para cooperar numa fuga. E pensamos: sina de Sagan!

Mas, como se começou este texto, não há razões para se preocupar. Até haverá muitas ilações a tirar. É que mesmo quando tiver Sagan a seu lado, Avermaet vai continuar a estar debaixo de olho da concorrência. É o preço de ter começado a ganhar muito e em grande em 2016 e 2017. O campeão olímpico está a apontar as baterias à Volta a Flandres, depois de ter conquistado o seu primeiro monumento no Paris-Roubaix. Quebrou um enguiço que estava difícil, mas é Flandres que mais quer. Ele e Sagan até se aliaram no ano passado para perseguir Philippe Gilbert, mas aquele casaco nas grades traiu os dois. Sagan caiu e levou com ele o belga. Aliás, os dois belgas, pois Oliver Naesen também lá estava.

As boas notícias para Avermaet (e para quem gosta de clássicas) é que Peter Sagan estará de volta no sábado, na Strade Bianche, e andará de "mãos dadas" no calendário com o rival até à Amstel Gold Race. Ou seja, depois da corrida do sterrato virá o Tirreno-Adriatico, Milano-Sanremo, E3 Harelbeke, Gent-Wevelgem, Volta a Flandres, Paris-Roubaix e depois, então, a corrida que abre a semana das Ardenas. Antes de Roubaix, Sagan estará na Scheldeprijs, já Avermaet prefere saltar essa competição.

Foi um estranho início de clássicas sem Peter Sagan. Até Avermaet sentiu a sua falta! Mas a normalidade está prestes a regressar.

»»Dia de espectáculo da velha e da nova geração««

»»Astana perdeu Aru, está sem financiamento, mas reencontrou-se com as vitórias««

»»Um estranho início das clássicas sem Peter Sagan««

23 de fevereiro de 2018

Um estranho início das clássicas sem Peter Sagan

Sagan não estará nas primeiras clássicas do ano
(Fotografia: Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Quando este sábado o pelotão arrancar para a corrida que se pode dizer que abre a época das clássicas, a Omloop Het Nieuwsblad, será estranho não ver Peter Sagan e a sua camisola de campeão do mundo. O eslovaco, segundo classificado nas últimas duas edições atrás de Greg van Avermaet, escolheu um calendário um pouco diferente, de forma a aproveitar mais a sua recente paternidade. Só na Strade Bianche regressará à competição (3 de Março), mas haverá até lá umas corridas que servem para começar a aquecer os motores e a fazer crescer o apetite pela Volta a Flandres e, claro, o Paris-Roubaix.

O pavé marca então esta primeira fase de clássicas e há alguns frente-a-frente que se espera ver. Mesmo com Sagan menos presente, não faltará espectáculo. Basicamente, o eslovaco é rival de todos, mesmo tendo uma tendência para os segundos lugares. Seja em que clássica participar, será sempre candidato (provavelmente, "o" candidato) e mais do que nunca parte para a época determinado em confirmar as expectativas de amealhar monumentos. Mas há outras rivalidades e aproveitando que Sagan começa de fora, aqui ficam alguns exemplos a ter em atenção.

Greg van Avermaet/Philippe Gilbert
Quando estavam na BMC já havia rivalidade. É o próprio Greg van Avermaet (31 anos) que admite que a saída do compatriota para a Quick-Step Floors foi positivo para que ficasse mais livre e sem concorrência interna. Avermaet ganhou em 2017 o seu primeiro monumento no Paris-Roubaix, depois de muito esbarrar em azares, ou em segundos lugares frustrantes. A Gilbert (35) fez muito bem a mudança de ares. Regressou às grandes vitórias e que grande vitória foi aquela na Volta a Flandres! Em 2018 surgem os dois extremamente motivados e com a ambição em alta. Avermaet diz estar em melhor forma do que no ano passado e quer mais uns monumentos. Gilbert vai apostar forte na Milano-Sanremo e no Paris-Roubaix para tentar entrar na história, ficando com os cinco monumentos no currículo. São os dois belgas, estão com objectivos idênticos e esta promete ser uma rivalidade quentinha...

Oliver Naesen/Tiesj Benoot/Jasper Stuyven
Tom Boonen saiu de cena após o Paris-Roubaix de 2017, mas na Bélgica não há crises de quem poderá tomar o seu lugar. Até porque Gilbert e Avermaet são duas referências a ter em conta, ainda que sem o currículo no pavé de Boonen. Mas no país já se olha além dos dois ciclistas referidos. Oliver Naesen (27 anos), Tiesj Benoot (23) e Jaspert Stuyven (25) são os senhores que se seguem. Candidatos são certamente. Naesen confirmou no ano passado o seu potencial para estas corridas e a AG2R pode continuar mais concentrada em Romain Bardet e no Tour, mas já percebeu que tem muito a ganhar com este belga, que irá contar com uma ajuda preciosa do reforço Silvan Dillier (ex-BMC). Quanto a Benoot, terá este ano maior responsabilidade na Lotto Soudal, depois de ter demonstrado enquanto sub-23 que tem capacidade e principalmente inteligência táctica para estar ao nível dos mais experientes. Benoot e Naesen são a rivalidade da nova geração belga, juntamente Jasper Stuyven. Mesmo tendo Degenkolb na equipa, a Trek-Segafredo tem todo o interesse em dar liberdade ao jovem belga. Em 2016 venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne e no ano passado foi segundo e depois quarto em Roubaix.

Arnaud Démare/Fernando Gaviria
Dos sprints para as clássicas. É a primeira rivalidade lógica que Gaviria terá, muito por ambos serem sprinters. Démare (FDJ) já tem um momumento, a Milano-Sanremo (2016) e este ano preparou-se muito para tentar melhorar as suas exibições nas corridas de um dia e não focar-se apenas na Volta a França. Já Gaviria (Quick-Step Floors), depois de ter sido avassalador na estreia numa grande volta, no Giro100 - quatro vitórias de etapa e a classificação dos pontos -, não só quer ir fazer o mesmo no Tour, como decidiu que vai já para as clássicas. Há uma enorme curiosidade para o ver em acção na Volta a Flandres e no Paris-Roubaix. Fisicamente tem o poderio que se pede, mas isso não chega e que o diga Démare. Antes dos monumentos do pavé, haverá a Milano-Sanremo e os dois partirão como fortes candidatos. Dois sprinters, que passam bem certas subidas... Junta-se Sagan e temos um potencial pódio... Se Michal Kwiatkowski não aparecer para surpreender outra vez!

Sep Vanmarcke/Sep Vanmarcke
Sendo a Bélgica terra de classicistas aqui temos um que causa enorme frustração. Em 2012 venceu esta corrida e juntou mais uns quantos resultados promissores. Somou top dez, uns pódios, mas vitórias nem vê-las. Pelo meio apareceram umas quedas ou outros azares. Vanmarcke consegue ser o seu principal rival. Não precisa de ninguém para o tirar da luta. Aos 29 anos ainda se acredita que poderá fazer algo. Afinal, praticamente todos os anos mostra o seu talento. Mas fica sempre a faltar algo. Vanmarcke (EF Education First-Drapac powered by Cannondale) precisa de superar-se a si próprio. Se o conseguir, será um espectáculo vê-lo e quem sabe alcance finalmente a grande vitória que lhe parecia estar destinada. Tem Greg van Avermaet como exemplo... Nunca é tarde!

John Degenkolb/John Degenkolb
Mais um caso de um ciclista tem ele próprio como principal rival. Desde o atropelamento que foi vítima durante o estágio em 2016 que o alemão nunca mais se reencontrou com a confiança. Esteve em forma no ano passado. Isso mesmo demonstrou quando conseguia estar na frente das corridas. Porém, nunca respondeu nos momentos decisivos e não pareceu ser por falta de pernas. Estamos a falar de um ciclista que venceu a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix em 2015. Porém, na Trek-Segafredo não só está longe de fazer esquecer Fabian Cancellara, como está longe de se lembrar de como é vencer grandes corridas. Degenkolb (29 anos) está a precisar urgentemente de um triunfo numa clássica para assim, talvez, reencontrar o seu caminho e afastar certos certos fantasmas.

Fabio Fellline/Matteo Trentin
Talvez haja a tentação para se dizer que os italianos estão a jogar por fora. Porém, principalmente Matteo Trentin, é um ciclista a ter muito em conta. Nesta disputa transalpina, o ciclista que agora representa a Mitchelton-Scott está, aos 28 anos, a viver a melhor fase na carreira. Fechou o ano, na Quick-Step Floors, com quatro etapas na Vuelta e um quarto lugar nos Mundiais. Trentin não quis mais ser lançador de ninguém e surge agora com convicção que pode também no pavé conquistar uma vitória. A rivalidade com Felline (27 anos) será interessante, tendo em conta que o homem da Trek-Segafredo até se tem mostrado, mas no ano passado foi um dos que aprendeu de quanto custa tentar deixar Sagan fazer o trabalho todo. O eslovaco aprendeu de vez que ou ajudam, ou não leva ninguém à frente para depois perder. Kwiatkowski foi uma grande lição para Sagan! Felline tem o potencial, mas tacticamente não é tão forte como Trentin. Ainda assim, Itália tem aqui dois ciclistas que pode suceder a Alessandro Balan (2009) como vencedores da Volta a Flandres, com Trentin a ir também a Roubaix, onde um italiano não ganha desde Andrea Tafi, em 1999.

Estas são apenas uma rivalidades particulares, numas clássicas de pavé que tanto espectáculo costumam proporcionar. Zdenek Stybar, Niki Terpstra (vencedor do Paris-Roubaix em 2014) e Yves Lampaert, todos da Quick-Step Floors, são armas a jogar por uma equipa belga sempre muito forte para esta altura do ano. Dylan van Baarle tem nesta fase da época a oportunidade para se mostrar na Sky, depois de bons resultados, principalmente na Volta a Flandres, ao serviço da então Cannondale-Drapac; Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) tem a experiência do seu lado, mas falta-lhe uma grande clássica no seu currículo; Michael Matthews (Sunweb) vai aparecer em algumas provas do pavé, mas apostará mais na semana das Ardenas e antes na Milano-Sanremo (e cuidado com ele); Alexey Lutsenko (Astana) ganhou há poucos dias a Volta a Omã e o cazaque vem com grandes ideias para este fim-de-semana de clássicas.

Omloop Het Nieuwsblad abre então a temporada de clássicas e terá transmissão neste sábado no Eurosport2, a partir das 14:30. E no domingo, será a vez da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, que apesar de não fazer parte do calendário World Tour, é sempre muito bem frequentada pelos corredores especialistas nestas corridas (13:00, no Eurosport2).

»»Tom Boonen vai ser conselheiro na rival da Quick-Step Floors««

»»Philippe Gilbert: "Foi bom ganhar a Volta a Flandres, mas o futuro é muito mais interessante"««

10 de dezembro de 2017

Queda frustrou Richie Porte no ano em que Avermaet conseguiu finalmente o seu monumento

Porte estava num grande momento de forma, mas uma queda acabou
com a sua temporada (Fotografia: Facebook Richie Porte)
Parecia que este poderia ser um ano de regresso à glória da BMC. Não que não seja uma das principais equipas mundiais e que praticamente todos os anos garante grandes vitórias. Porém, com Greg van Avermaet a estar numa forma incrível e com Richie Porte mais pronto do que nunca para enfrentar o antigo companheiro Chris Froome no Tour... na BMC sonhava-se alto e com razão.

Se se planeia uma temporada e se percebe que tudo está a decorrer dentro do previsto, então a confiança aumenta. Porém, o ciclismo tem destas coisas. Num momento, num centésimo ou milésimo de segundo tudo se desmorona. Foi o que aconteceu com Porte. Perdeu a BMC, perdeu o Tour, perdemos nós que antecipávamos uma corrida animada com o australiano presente. Já com Van Avermaet aconteceu o oposto. Acabaram-se (ou pelo menos acontecem menos vezes) os azares, aqueles centésimos ou milésimos em que algo acontecia e o monumento voltava a escapar. O Paris-Roubaix é dele e o desbloqueio que se verificou em 2015 e 2016 - quando deixou definitivamente de ser o eterno segundo - parece ter sido substituído por um ciclista que ainda tem mais umas grandes conquistas para incluir no seu currículo.

O duelo Froome/Porte era um dos mais antecipados do ano. O australiano, que foi um braço direito tão importante nas primeiras vitórias na Volta a França ganhas pelo britânico e de quem é amigo, apresentava-se como o principal rival. No Critérium du Dauphiné ficou claro que amigos, amigos, corridas à parte. Froome contribuiu para que Porte perdesse tempo numa etapa e Jakob Fuglsang acabaria por ganhar a competição. No Tour tudo estava a decorrer dentro do previsto, até que na nona etapa, Porte sofreu uma queda assustadora. Acabou a corrida, acabou a temporada. Ainda regressou em Outubro no Japão, mas nem terminou a prova. Lá ficará aquele eterno "se". E se Porte não tivesse caído, teria feito mesmo frente a um Froome que não foi tão dominador como noutros anos? Ficamos à espera de 2018.

Se foi uma pena não ver Richie Porte ir até ao fim em França, já a temporada tinha começado muito bem para a BMC, na habitual aposta nas clássicas com Greg van Avermaet. O belga esteve quase imbatível no pavé e a Volta a Flandres ficou estragada por uma queda quando perseguia com Peter Sagan o compatriota Philippe Gilbert. Foi segundo, mas no Paris-Roubaix, Avermaet alcançou o objectivo de carreira: um monumento. Surgiu aos 31 anos e depois de levantar o famoso troféu em forma de pedregulho, Avermaet foi às Ardenas mostrar que também por ali poderá tentar algo nas próximas temporadas, principalmente se conseguir a agora ainda mais desejada Volta a Flandres. Foram nove vitórias em 2017, incluindo dois contra-relógios colectivos. O belga terminou o ano como número um do ranking World Tour, deixando atrás de si Chris Froome e o rival Peter Sagan.


Ranking: 3º (10.961 pontos)
Vitórias: 48 (incluindo duas etapas no Giro, uma na Vuelta, o Paris-Roubaix)
Ciclista com mais triunfos: Greg van Avermaet (9, incluindo dois contra-relógios colectivos)


Outro dos focos da temporada era Rohan Dennis e o seu plano em ganhar uma grande volta nos próximos anos. Nem Giro, nem Vuelta correram bem. Em Itália caiu e desistiu muito cedo. O australiano, de 27 anos, não realizou a época que certamente desejava e pouco se pode dizer se estará ou não mais perto de cumprir o objectivo de carreira. Para tentar compensar, Dennis apostou forte no contra-relógio nos Mundiais, mas mais uma vez não correu como esperava. Foi oitavo e nem se pode dizer que valeu o segundo lugar por equipas, pois a BMC queria o título, mas a Sunweb não deixou. Dennis terá de mostrar mais em 2018.

Por outro lado, Dylan Teuns mostrou (e muito) serviço. Longe da pressão que Rohan Dennis acabou por colocar em si próprio, Teuns aproveitou para ganhar experiência e motivação em corridas por vezes mais secundárias, mas subiu ao último lugar do pódio na Flèche Wallonne. No entanto, parece ser nas provas por etapas que poderá render mais. Venceu a Volta à Valónia, à Polónia e a Artic Race, três competições consecutivas no calendário que cumpriu em 2017.

Esteve no Giro numa missão clara de ganhar rodagem em grandes voltas, tendo sido a sua segunda, depois da Vuelta em 2016. Aos 25 anos, ainda terá mais um ou dois anos até ganhar definitivamente um lugar de referência, mas se a sua evolução continuar a este ritmo, a BMC tem futuro garantido neste tipo de ciclista. Do lado oposto da barricada está um Tejay van Garderen de quem já pouco, ou mesmo nada, se espera.

Ou o americano arranja um bálsamo surpreendente para relançar a carreira, ou o 10º lugar na Vuelta e a etapa no Giro não serão suficientes para lhe prolongar muito mais um crédito que está rapidamente a esgotar-se na BMC. Se é que já não se esgotou. E nem era suposto ter sido o líder em Espanha, pois o número um estava entregue a Samuel Sánchez, mas o espanhol deu positivo num teste anti-doping antes da corrida e foi suspenso. Ponto final na carreira de um ciclista que tanto entusiasmou, mas que saiu do ciclismo com a reputação manchada.

Em 2018 os objectivos da BMC serão basicamente os mesmos, ainda que com um plantel reduzido. Com a decisão da UCI em diminuir os ciclistas nas corridas, a equipa americana cortou no tamanho do plantel, como aliás aconteceu com quase todas no World Tour e não só. A estrutura também ficou sem a equipa de formação. A justificação foi que não era rentável preparar ciclistas que depois assinavam por outros conjuntos, o que também foi ao encontro de uns falados problemas financeiros que ameaçam o futuro da BMC como patrocinador. Para já, tudo garantido para a próxima temporada.

Richie Porte convidou o compatriota Simon Gerrans (Orica-Scott) para estar ao seu lado e da Cannondale-Drapac chegam Alberto Bettiol e Patrick Bevin. Jurgen Roelandts deixa a Lotto Soudal, num excelente reforço para o bloco das clássicas. Porte dará tudo pelo Tour, Avermaet quer a Volta a Flandres.

»»O ano da confirmação de Dumoulin e da mudança de objectivos da Sunweb««

»»Tudo por Contador, muito por Degenkolb e uma época feita no Angliru ««

»»Um fantástico meio ano de Valverde e o desmoronar de Quintana««

18 de abril de 2017

Gilbert também falha o Giro. Avermaet resolve atacar a Liège-Bastogne-Liège

Avermaet vai tentar ganhar mais um monumento este ano (Fotografia: Facebook BMC)
Era a derradeira esperança de Philippe Gilbert, mas além de ser afastado da possibilidade de voltar a fazer a tripla nas Ardenas, o belga confirmou esta terça-feira que não estará na Volta a Itália. A ruptura num rim que sofreu numa queda na Amstel Gold Race - que viria a ganhar - não é grave, mas requer total repouso e Gilbert vai ser obrigado a parar durante duas semanas e não apenas uma como inicialmente previsto. O ciclista era suposto ficar no hospital 24 horas, mas ficou internado durante dois dias, já estando em casa e a pensar na segunda parte da temporada, agora que viu terminar de forma abrupta uma fase de clássicas como há muito não vivia. Um bom momento de forma que pretendia levar para a Volta a Itália.

"É um golpe duro perder o Giro. É uma corrida bonita onde já desfrutei de sucesso várias vezes, mas estas lesões são sempre delicadas e é recomendável não apressar as coisas. Por isso, prolongar o período de recuperação é a melhor decisão que podíamos tomar. Apesar desta desilusão, vou continuar a pensar no futuro e com muita motivação para a segunda parte da temporada", salientou Gilbert.

Não se sabe quando irá o campeão belga regressar e se eventualmente irá apontar a uma presença na Volta a França. Já o final da temporada deverá certamente ser um objectivo, com a presença nos Mundiais e também tentar conquistar a Lombardia. Num ano em que voltou aos grandes sucessos, certamente que Gilbert pensa em tentar ganhar a sua segunda camisola do arco-íris e a terceira Lombardia, neste caso para aumentar o seu currículo nos monumentos.

Enquanto um belga já pensa na segunda fase da época, outro resolveu aproveitar a boa forma e a senda de vitórias para tentar ganhar a Liège-Bastogne-Liège. Greg van Avermaet resolveu participar na corrida, uma decisão que foi tomada depois do frustrante resultado na Amstel Gold Race. O vencedor do Paris-Roubaix estava claramente bem, mas falhou o momento em que o grupo de Gilbert e Kwiatlowski formou-se e depois não conseguiu juntar-se, apesar da ajuda de Alejandro Valverde.

Desde 2013 que Avermaet não participa neste monumento, pois nos últimos anos tem estado dedicado às clássicas do pavé, com Gilbert - que até ao ano passado era seu colega na BMC - a ficar com a semana das Ardenas. "Foi uma boa Primavera, mas ainda me sinto bem, por isso, vamos ver o que acontecerá no domingo. Não sou um favorito", realçou o belga, que disse ainda não ter nada a perder em estar na Liège-Bastogne-Liège.

Greg van Avermaet conquistou este ano o seu primeiro monumento. Venceu o Paris-Roubaix, uma semana depois de ter sido segundo na Volta a Flandres. O ciclista da BMC pode não considerar-se um favorito, mas perante o que tem feito não só esta época, mas também em 2016, é de esperar ver Avermaet na luta por mais uma vitória nas clássicas, antes de também ele fazer uma pausa competitiva.

Peter Sagan na clássica alemã antes de começar fase das corridas por etapas

A época de clássicas não foi a que Peter Sagan e a sua nova equipa desejavam. Entre segundos lugares, queda, furos e demonstrações de que não é mais o ciclista que faz todo o trabalho e depois vê outros ciclistas ganhar, Sagan acabou por somar apenas uma vitória, na Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Depois do Paris-Roubaix, o eslovaco fez uma paragem e só estava previsto regressar à competição a 14 de Maio, na Volta à Califórnia, já a pensar em preparar a Volta a França, onde aponta à sexta camisola verde consecutiva. Porém, a Bora-Hansgrohe anunciou esta terça-feira que que o bicampeão do mundo estará na Eschborn-Frankfurt, no dia 1 de Maio.

Será a estreia da clássica germânica no calendário World Tour e sendo também este o primeiro ano da formação alemã ao mais alto nível do ciclismo, a ambição da Bora-Hansgrohe é clara: ganhar. E para isso precisa de ter em acção o seu melhor ciclista. "Será especial para a equipa, mas também para mim, correr em frente dos fãs alemães. Espero que seja uma grande festa do ciclismo, mas será a primeira festa do ciclismo este ano porque ainda temos a grande partida em Düsseldorf [no Tour]", afirmou Sagan. Os ciclistas que acompanharão Sagan não foram anunciados, mas o eslovaco salientou que será uma equipa com várias opções para tentar a vitória. Um discurso politicamente correcto, pois é em Sagan em quem a Bora-Hansgrohe aposta tudo, com Rafal Majka a estar "guardado" para a Volta a França.



9 de abril de 2017

Greg van Avermaet e a vitória da persistência

(Fotografia: Facebook BMC)
Que espectáculo de corrida! Que grande Avermaet! Na 115ª edição do Paris-Roubaix não houve apenas a emoção do costume (e é normalmente muita), houve um espectáculo de luxo, com ataques, contra-ataques, velocidade de loucos, indefinição até final... Quando alguém perguntar como é possível ficar quase seis horas a assistir a 257 quilómetros de ciclismo, a resposta tornou-se ainda mais fácil: vejam o Paris-Roubaix deste ano. Para tornar ainda mais inesquecível esta edição, Greg van Avermaet conquistou finalmente o seu primeiro monumento. E que bem que lhe soube! Claro que muitos considerariam que perfeito, perfeito, teria sido um Paris-Roubaix com a vitória de Tom Boonen no dia da sua despedida. Mas o triunfo de Avermaet não é menos perfeito, pois nestes últimos dois anos é dos ciclistas que mais ganha. Pode não ser tão amado como o compatriota, pode nunca vir a ter o currículo de Boonen, mas com este monumento Avermaet garante de vez o seu lugar de destaque na história do ciclismo belga.

"Sofri muito [durante a corrida], mas com a vitória, agora não sinto dores!" Avermaet não conseguiu esconder a emoção de um momento que há tanto tempo procurava. E de facto sofreu muito. Fisicamente e psicologicamente. Mas este Paris-Roubaix resume muito do carácter deste ciclista, que depois de ser um crónico segundo, encontrou nos últimos dois anos o caminho dos triunfos. Tem quase 32 anos, apareceu tarde, mas muito a tempo de construir uma carreira a todos os níveis excelente.

(Fotografia: Facebook BMC)
Avermaet lutou durante anos contra a desilusão de ficar perto de vencer, mas faltar sempre algo. Lutou contra as desconfianças que nunca estaria ao nível de, por exemplo, um Tom Boonen. Lutou para garantir que a BMC não lhe tirava o seu lugar de líder em prol de um Philippe Gilbert, então de créditos firmados. Lutou e lutou. Foi persistente, pegou nas desilusões e transformou-as em armas para se tornar um ciclista melhor e mais forte. Nunca desistiu. Neste Paris-Roubaix, teve uma avaria, apanhou um valente susto num estreitamento de estrada e por duas vezes teve de fazer uma recuperação. Chegou a parecer que, tal como na Volta a Flandres, poderia hipotecar os seus planos a 100 quilómetros do fim. Mas tal como na Flandres, não baixou os braços. Há uma semana ficou com o segundo lugar, mas desta feita, ficou no trio que entrou no velódromo de Roubaix para discutir o monumento. Avermaet sabia que era a oportunidade que tanto esperava. Dores? Cansaço? É daquelas alturas em que se vai buscar forças não se sabe bem onde, mas elas estavam lá e garantiram o famoso troféu em forma de pedregulho, que ficou muito bem entregue.

Vencer uma Volta a Flandres tem um significado especial para qualquer belga. É a corrida que Avermaet tanto ambiciona ganhar. Mas voltou a ser em França que foi feliz. No ano passado, no Tour, venceu uma etapa e vestiu a camisola amarela. Ficou muito orgulhoso. Agora leva o monumento, fechando uma fase das clássicas do pavé quase perfeita, depois de ter conquistado a tripla Omloop Het Nieuwsblad, E3 Harelbeke e Gent-Wevelgem. É uma fase do ano quase perfeita porque faltou a desejada Volta a Flandres. Mas foi um Março e Abril sensacional para Avermaet, a quem fica agora a faltar um título mundial, recordando que é o campeão olímpico.


Adeus amargo de Boonen, o azar de Sagan e a desilusão da Katusha

Grande parte das atenções estavam em Tom Boonen. O ciclista da Quick-Step Floors sonhava terminar a carreira com uma histórica quinta vitória no Paris-Roubaix, que seria um feito inédito na corrida. Deu tudo e um pouco mais, mas este já não é o Boonen de outros tempos e não houve um último fulgor de génio do belga. Acabou inclusivamente fora do top dez. Despedida sem glória, mas plena de homenagens dos fãs que ao longo da corrida o apoiaram e desejaram tanto como ele que o adeus fosse um conto de fadas com final feliz.

Boonen não conseguiu entrar no grupo que acabaria por discutir a vitória e como na frente estava um colega de equipa, Zdenek Stybar, não só limitou um pouco a sua margem de manobra, como também o prejudicou, pois não teve um companheiro da Quick-Step Floors que o ajudasse nos quilómetros finais. Stybar, que no final tentou poupar-se, não conseguiu derrotar Avermaet e ficou em segundo.

Peter Sagan merece o prémio de azarado do Paris-Roubaix. Tão crescido que se mostrou tacticamente e tão infeliz foi quando em dois ataques muito sérios, furou. Ao segundo percebeu que não ia ser o seu dia e terminou a mais de cinco minutos de Avermaet. Foi um 2017 para esquecer nas clássicas do pavé, tendo somado apenas uma vitória na Kuurne-Bruxelles-Kuurne.

Outro destaque pela negativa foi a Katusha-Alpecin. A equipa de José Azevedo alimentava as esperanças de ver Alexander Kristoff aparecer e tinha ainda um Tony Martin que colocou o Paris-Roubaix como um objectivo para 2017. A formação suíça esteve muito activa na primeira metade da corrida, sendo uma das grandes responsáveis por à entrada do primeiro sector de pavé não existir uma fuga digna desse nome, algo raro no Paris-Roubaix. Chegou inclusivamente a tentar a táctica de meter alguém numa fuga, mas foi um daqueles dias que ninguém conseguia afastar-se do pelotão.

Os dois líderes da Katusha-Alpecin acabaram por ser vítimas das circunstâncias da corrida, isto é, os sectores de pavé foram fazendo a habitual eliminação de ciclistas. O primeiro a ceder foi Kristoff. O norueguês passou novamente ao lado de uma das principais corridas e nem acabou o Paris-Roubaix. Tony Martin esteve melhor e até experimentou um golpe à Fabian Cancellara, tentando um ataque de longe. Não aguentou o ritmo e cortou a meta a quase dez minutos do vencedor.

Também a Trek-Segafredo não estará nada satisfeita com esta fase da época. John Degenkolb voltou a estar longe da decisão e Jasper Stuyven, que acabou por ser o ciclista que ficou na frente, não resistiu ao ritmo do trio que acabaria por lutar pela vitória. Dado o habitual suspense final no velódromo, Stuyven e Gianni Moscon, da Sky - atenção a este italiano para o futuro próximo - ainda chegaram novamente aos três da frente, mas de nada valeu. Zero vitórias nas clássicas do pavé, no ano pós-Cancellara.

Já a Cannondale-Drapac está entre mais uma desilusão e um bom resultado. A equipa americana continua apenas com uma vitória em 2017, que nem é de nível World Tour. Mas depois de Dylan van Baarle ter sido quarto na Volta a Flandres e demonstrado que aos 24 anos é um ciclista a seguir com atenção (foi 20º no Paris-Roubaix), este domingo foi a vez de um veterano sonhar com a vitória. Sebastian Langeveld (32 anos) sabia que tinha uma missão difícil tendo dois adversários claramente mais rápidos ao sprint que ele. Mas não desistiu e o terceiro lugar é um lugar honroso. Ainda assim pedem-se (começa a ser mais desespera-se) por vitórias na Cannondale-Drapac.

Para terminar, Nelson Oliveira e Nuno Bico não foram felizes. Os ciclistas portugueses da Movistar caíram, perderam tempo e acabaram por abandonar.

Ponto final no pavé, mas as clássicas continuam agora com uma das semanas mais popular do ciclismo, a das Ardenas, que irá também ficar marcada pelo regresso de Rui Costa à competição, depois de uma pausa de um mês, após de um início fenomenal de temporada.

Veja aqui os resultados da 115ª edição do Paris-Roubaix, o Inferno do Norte.



»»Como se ganha o Paris-Roubaix? Dicas de alguns dos vencedores««

»»Épico Gilbert reacende sonho dos cinco monumentos««

7 de abril de 2017

Temos os candidatos, mas este Paris-Roubaix será de Tom Boonen, quer ganhe ou não

Tom Boonen tirá toda uma equipa a apoiá-lo para que consiga despedir-se
com o sonhado quinto triunfo no Paris-Roubaix
(Fotografia: Facebook Tom Boonen)
Na Scheldeprijs Marcel Kittel venceu pela quinta vez, mas as atenções centraram-se em Tom Boonen. Foi ele o ciclista rodeado pelos jornalistas, foi ele o mais aplaudido, foi ele que gerou maior emoção, inclusivamente em Kittel. Afinal foi a sua última corrida na Bélgica, o seu país. A derradeira na carreira será este domingo e é de Boonen que muito se fala e será de Boonen que muito se falará quando terminar o Paris-Roubaix, quer ganhe ou não. Quando há um ano Fabian Cancellara fazia pela última vez as duas clássicas do pavé que tanto gostava - Volta a Flandres e Paris-Roubaix - houve muita emoção, mas como o suíço competiu até aos Jogos Olímpicos (e até depois, mas já sem o objectivo de somar vitórias) como que houve tempo para que todos se fossem despedindo aos poucos do Spartacus. Boonen decidiu que o Inferno do Norte seria o local perfeito para o adeus e é inevitável que as emoções do ponto final de um dos ciclistas que marcou uma era superem as emoções de uma corrida sempre...emocionante.

Isto para dizer que se escreverá sobre Boonen no domingo, talvez como o ciclista que conseguiu a despedida perfeita com uma inédita quinta vitória no Paris-Roubaix, talvez como o ciclista que não conseguiu a inédita vitória, mas que teve uma carreira que o colocam como um dos melhores que a modalidade teve. Se o belga diz que está a tentar não se deixar emocionar pelo que irá viver na sua corrida de eleição, então vamos também guardá-la para o final em Roubaix. Por isso, hoje falar-se-á dos outros. Os "outros" não é de todo uma forma pejorativa de tratar os candidatos, mas é que este Paris-Roubaix será uma edição em que as atenções se centram num ciclista que nem é o principal favorito. Boonen tem quatro vitórias e uma Quick-Step Floors 100% concentrada em levar o belga ao triunfo. Até Philippe Gilbert ficou de fora, admitindo que não seria a ajuda ideal, dado não ter muita experiência no Inferno do Norte. Mas os principais favoritos são, e repetindo a expressão utilizada no texto sobre a Volta a Flandres, os suspeitos do costume.

Boonen é sempre um candidato, mas, mais uma vez, é em Peter Sagan e Greg van Avermaet que se centram as apostas. Nenhum venceu em Roubaix e enquanto o primeiro já tem um monumento - a Volta a Flandres, em 2016 - o outro continua a busca pelo monumento que tanto lhe foge. A pressão é naturalmente grande para os dois, mas enquanto o belga da BMC realizou uma excelente fase das clássicas do pavé, com a tripla Omloop Het Nieuwsblad, E3 Harelbeke e Gent-Wevelgem, Sagan (Bora-Hansgrohe) só venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Apesar de normalmente estar na luta - excepto quando abdicou para passar a mensagem que não irá trabalhar mais para outros depois lhe ganharem ao sprint -, a verdade é que só um triunfo nesta fase de clássicas sabe a pouco.

Peter Sagan caiu na Volta a Flandres e a ver vamos como estará fisicamente. O bicampeão do mundo não esconde algum desconforto, mas não é uma situação inédita para o eslovaco, que só não vai com tudo para uma corrida se realmente não conseguir, como aconteceu na Strade Bianche.

Sagan e Avermaet dispensam apresentações prolongadas, tal como John Degenkolb e Alexander Kristoff. Mas quando se fala de pressão, então estes dois ciclistas carregam muita. O alemão venceu o Paris-Roubaix e a Milano-Sanremo em 2015, teve um 2016 para esquecer depois do atropelamento na pré-época, mudou-se para a Trek-Segafredo e apesar de ser notório que até está numa boa forma, está a falhar corrida após corrida nos momentos chaves. Nem chega a estar na discussão. A equipa americana contratou-o a pensar que seria o substituto ideal para Fabian Cancellara. Não se pode dizer que estaria à espera que tivesse o sucesso do suíço, mas na equipa já não se esconde a desilusão e chegou a última oportunidade para salvar esta fase das clássicas.

A chama de Kristoff vai-se apagando a cada corrida que passa. Onde está aquele super norueguês de 2014 e 2015, que venceu a Milano-Sanremo, Volta a Flandres, duas etapas no Tour?... O homem da Katusha-Alpecin vai vencendo, mas não convence e continua a passar ao lado das grandes competições. Na Volta a Flandres até entrou inicialmente no grupo que deixou para trás Sagan e Avermaet, mas foi enorme o esforço fez para se manter nele, sem sucesso. Tony Martin prometeu que a equipa tem umas surpresas para o Paris-Roubaix. Que venham elas e que sejam boas para um Kristoff, que vai desaparecendo da lista de principais candidatos. É difícil acreditar que aos 29 anos já se viu o melhor do norueguês, mas está de facto difícil recuperar a sua melhor versão.

Oliver Naesen (AG2R), Ian Stannard e Luke Rowe (Sky), Jurgen Roelandts (Lotto Soudal) - e porque não André Greipel -, Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), Arnaud Démare (FDJ) e Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) são, sem grande surpresa, mais alguns nomes a ter em conta. Mas vamos juntar também Mathew Hayman. Recorda-se dele? O veteraníssimo australiano que surpreendeu Tom Boonen, quem seguia a corrida e ele próprio ao vencer o Paris-Roubaix no ano passado.


(Fotografias: Orica-Scott)
Hayman, um homem de trabalho por excelência, que semanas antes do Paris-Roubaix tinha partido um braço, aproveitou a oportunidade que lhe surgiu e conquistou a maior vitória da sua carreira. E só foram duas. Este ano Hayman disse que a preparação foi bastante diferente, até porque tem estado em competição, enquanto no ano passado esteve na sua garagem a fazer treinos de rolos devido ao braço partido. O australiano de 38 anos foi pai de gémeos, situação que também provocou grandes mudanças na sua vida. Mas regressar ao palco do seu grande sucesso é um momento importante e Hayman sentir-se-á orgulhoso quando colocar o dorsal número 1. "No ano passado não coloquei muita pressão sobre mim e talvez isso seja algo que possa transportar para este domingo. Vou tentar apreciar o dia e apreciar quando colocar o dorsal", referiu Hayman, citado pela sua equipa, a Orica-Scott. E para marcar este dia especial, Hayman teve direito a uma bicicleta personalizada (ver fotografias).

Dizer que Mathew Hayman é um candidato, talvez seja ir longe de mais. Mas o australiano é mais um exemplo como no Paris-Roubaix ser candidato nada garante, pois se há corrida que é rica em surpresas, é esta. Niki Terpstra e Johan Vansummeren são mais dois dos casos recentes de como é possível surpreender os favoritos.

Não se poderia deixar de referir os portugueses. Tal como na Volta a Flandres, Nuno Bico e Nelson Oliveira estarão presentes, ambos pela Movistar. O primeiro terá a oportunidade de continuar a sua evolução ao mais alto nível e logo neste icónico monumento. Já Nelson Oliveira tem mais experiência, foi 18ª na Flandres - Bico abandonou - e o quatro vezes campeão nacional de contra-relógio gosta do Paris-Roubaix. Portanto, é de ficar atento ao ciclista.

Veja aqui a lista de inscritos da 115ª edição do Paris-Roubaix.

Quanto ao percurso, serão 257 quilómetros com 55 em pavé, divididos por 29 sectores, três de cinco estrelas: floresta de Arenberg, onde normalmente se começa a fazer as escolha dos melhores, Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre. O primeiro sector surge aos 98,5 quilómetros. Até aí a corrida deverá ser percorrida com o pelotão a preparar-se para enfrentar o Inferno do Norte, certamente com alguém a arriscar uma fuga. Mas as verdadeiras selecções chegarão com o pavé e será em Arenberg que se espera que se comece a perceber quem tem pedalada para aquela que é considerada a clássica mais dura do ciclismo.

Abram as portas do Inferno do Norte... Mas antes é irresistível voltar a Boonen. Fica aqui este vídeo, no qual alguns colegas da Quick-Step Floors falam deste ciclista que deixará saudades.


3 de abril de 2017

Na "ressaca" da Volta a Flandres: Sagan encontrou o vídeo que explica a sua queda e Vanmarcke poderá falhar o Paris-Roubaix

(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/VeloImages)
Um dia depois de uma das mais memoráveis Volta a Flandres, muito se continua a falar da fenomenal exibição de Philippe Gilbert, mas Peter Sagan lá consegue ser também alvo das atenções. Ganhe ou não ganhe, o eslovaco parece ter um talento especial para ser quase sempre assunto de conversa. Exemplo disso foi no Tirreno-Adriatico, quando no contra-relógio que fazia apenas para cumprir a etapa, acabou por roubar as atenções porque uma mulher resolveu atravessar (na passadeira) com um cão no momento em que Sagan passava. Na Volta a Flandres aconteceu mais um momento estranho, mas mais grave. Peter Sagan foi ao chão, levando consigo Greg van Avermaet e Oliver Naesen. Na altura ficou a ideia que teria tocado nos pés das barreiras. O ciclista viria a dizer que não tinha percebido muito bem como tinha caído e que gostaria de descobrir.

Ora, o que as imagens da transmissão televisiva não conseguiram decifrar, nada como muitas e muitas pessoas "sacarem" dos telemóveis para filmarem o bicampeão do mundo para ajudar a esclarecer a queda. O próprio Peter Sagan partilhou as imagens na sua conta de Twitter, escrevendo algo resignado: "Estas coisas acontecem nas corridas"

Recordando o que se passou. No Kwaremont, Sagan resolveu acelerar a corrida numa última tentativa de apanhar Philippe Gilbert. Levou com ele os ciclistas belgas da BMC e AG2R, mas a escolha da berma para evitar o pavé, tendo em conta que estavam montadas barreiras, revelou ser um risco que não compensou. No vídeo (pode ver em baixo) vê-se que Sagan toca numa camisola que estava pendurada numa barreira. Sagan fala num toque com o braço, mas, não sendo completamente perceptível, parece que até poderá ter tocado no guiador provocando o guinar abrupto. A roda acabou por bater nos pés da barreira e o resto já se sabe: queda e fim da luta pela vitória para Sagan e Naesen. Avermaet conseguiu prosseguir para ser segundo.

Outra queda marcou a Volta a Flandres. O azar continua a perseguir Sep Vanmarcke e o belga que estava a fazer uma belíssima corrida, foi ao chão e desde logo percebeu-se que tinha ficado muito mal tratado. Hoje foi confirmado que partiu o dedo mindinho da mão direita e a participação no Paris-Roubaix está em risco.

"Hoje ainda é segunda-feira e, por isso, é muito cedo para decidir definitivamente se estará ou não na partida para o Paris-Roubaix", salientou Ken Vanmarcke, irmão do ciclista e director desportivo da Cannondale-Drapac. Acrescentou que, para já, a possibilidade de competir no domingo é muito reduzida, mas que esta terça-feira irá treinar para tentar perceber se aguenta fazer a corrida. "Temos de ser realistas. Não é uma lesão que impeça de andar de bicicleta, mas é muito dolorosa. Ainda mais, estamos a falar do Paris-Roubaix e não de uma corrida normal. É simplesmente a corrida mais dura que existe", afirmou o responsável.

Sempre que começa a aparecer em boa forma, acontece algo a Vanmarcke que o impede de confirmar todas as expectativas criadas quando há sete anos começou a aparecer nas clássicas. Em 2012 venceu a Omloop Het Nieuwsblad e no ano seguinte perdeu o Paris-Roubaix ao sprint com Fabian Cancellara. Soma ainda dois quartos lugares. Na Volta a Flandres foi terceiro por duas vezes, mas com 28 anos e numa nova equipa, Vanmarcke vê o tempo passar, o azar a continuar a persegui-lo e as vitórias a não aparecerem. Falhar o Paris-Roubaix será um rude golpe nas aspirações do belga. Mesmo que arrisque fazer com um dedo partido, também não será certamente as condições com que gostaria de se apresentar no terceiro monumento do ano.

»»Épico Gilbert reacende sonho dos cinco monumentos««

»»Segurança reforçada na Volta a Flandres««

Nocentini lidera em Portugal. Avermaet e Sagan dominam rankings UCI

Rinaldo Nocentini mantém a liderança do ranking nacional. O veterano ciclista italiano do Sporting-Tavira está a realizar um excelente início de temporada e pelo segundo mês consecutivo está no primeiro lugar. No entanto, outro ciclista que começou 2017 de uma forma fantástica, Amaro Antunes (W52-FC Porto), aproximou-se de Nocentini e Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) subiu ao pódio. Francisco Campos (Miranda-Mortágua) continua a ser o melhor sub-23, apesar de ter descido da quarta para a sexta posição. A nível de equipas, também não há alterações no topo, com o Sporting-Tavira na frente.

A nível da UCI, Greg van Avermaet e Peter Sagan continuam inabaláveis. O belga da BMC é o primeiro do ranking World Tour, com o rival da Bora-Hansgrohe em segundo. Mas no ranking mundial as posições invertem-se.

Quanto a portugueses, Rui Costa é o melhor nas duas classificações. O início de temporada marcado por vitórias, com destaque para a conquista da Volta a Abu Dhabi, já chegaram a colocar o ciclista da UAE Team Emirates no top dez do World Tour. Agora tem estado numa pausa competitiva antes de atacar a semana das Ardenas, o que também levado a descer posições.

Os rankings da UCI são revistos todas as semanas, enquanto em Portugal as contas são actualizadas mensalmente. Confira aqui as classificações.

1 de abril de 2017

"O Super Bowl do ciclismo." As melhores frases de alguns dos pretendentes à vitória na Volta a Flandres

No últimos dias alguns dos candidatos e outros pretendentes à vitória na Volta a Flandres deram as habituais conferências de imprensa ou entrevistas, a perspectivar o segundo monumento do ano, que se realiza este domingo.  Serão 260 quilómetros que começam em Antuérpia e a meta será em Oudenaarde. Aqui ficam algumas das principais frases.

Peter Sagan (Bora-Hansgrohe, vencedor em 2016): "Estarão lá muitos bons ciclistas, não seremos só eu e ele [Greg van Avermaet] no pelotão. Teremos de ter atenção a muita gente, a quem é favorito e como se vai desenrolar a corrida. [A corrida] não é apenas de dois ciclistas. Por isso, de certeza que vamos precisar de muita sorte no domingo."

Alexander Kristoff (Katusha-Alpecin, vencedor em 2015): "Ele [Tony Martin] é mais ofensivo e pode fugir em ataques. Para mim é melhor que o grupo fique todo junto. Ele traz uma nova dimensão à equipa. Ele pode atacar. Nós não temos de tentar sempre juntar os grupos, também podemos escapar. Vamos ver o que acontece e o que nos pode beneficiar. Para mim, normalmente o melhor é que as subidas sejam fáceis, para o Tony é diferente. Temos de descobrir uma forma inteligente de correr para assim ter mais possibilidades de ganhar."

Tom Boonen (Quick-Step Floors, vencedor em 2005, 2006 e 2012): "É especial [última vez que faz a Volta a Flandres], mas neste momento ainda estou a conseguir manter-me calmo. Não sei como será no domingo, ainda mais o início [em Antuérpia] é perto da minha casa. [Sobre a possibilidade de atacar a corrida] Não quero ficar no pelotão na minha última Volta a Flandres."

Greg van Avermaet (BMC): Eu, o Peter [Sagan] e o Philippe [Gilbert] estamos mesmo em boa forma e já mostrámos bons resultados. Há outros [candidatos] que são líderes [das equipas], mas penso que podemos dizer que somos os três favoritos. Penso que pela segunda vez o Kwaremont será onde a discussão final irá começar."

John Degenkolb (Trek-Segafredo): "É óbvio que o Van Avermaet e o Sagan estão muito fortes, contudo, a força da nossa equipa como um todo não esteve muito longe do nível deles e isso dá-nos confiança para as próximas corridas. Temos duas grandes corridas pela frente [Volta a Flandres e Paris-Roubaix] e para mim são as mais importantes da época."

Philippe Gilbert (Quick-Step Floors): "Estou muito bem agora. Trabalhei muito para chegar aqui, por isso, não é só um milagre. Fiz muitos sacrifícios para chegar aqui em boa forma e foi mesmo a tempo [da Volta a Flandres]. Tenho a impressão que posso fazer melhor [na corrida], mas nunca há garantias neste tipo de provas."

Luke Rowe (Sky): "Porque o [Peter] Sagan já demonstrou o quanto é forte e o Greg [van Avermaet] também, as pessoas estão a tentar isolá-los. E quando se tem uma Quick-Step Floors tão forte, os ciclistas tentam atacar cedo e fugir. Estas clássicas [do pavé] são as mais agressivas que já fiz e há que ter isso em conta nas próximas duas corridas [Volta a Flandres e Paris-Roubaix]."

Taylor Phinney (Cannondale-Drapac): "Todos na Bélgica conhecem esta corrida. É o Super Bowl das corridas de ciclismo, até mais do que a Volta a França."