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17 de julho de 2018

Depois da típica etapa de montanha controlada pela Sky que venha uma ao estilo da Vuelta

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
O primeiro dia de alta montanha na Volta a França trouxe um grande Julian Alaphilippe e um nada por parte dos candidatos. Foi uma típica etapa desde que a Sky chegou ao pelotão. A equipa britânica controlou por completo o ritmo e ninguém se atreveu a atacar. Aquela aceleração de Daniel Martin a cerca de 500 metros do final da última subida foi a única movimentação, mas serviu "apenas" para deixar para trás Rigoberto Uran e Bob Jungels. Nem sequer foi uma surpresa ver os favoritos ficarem quietos, pois seguem-se duas etapas com chegada em alto e talvez aí sim, haja mais acção. Depois de uma etapa típica do Tour, vem aí uma mais ao género da Vuelta.

A organização da Volta a França seguiu o exemplo da corrida espanhola e colocou no percurso duas etapas mais curtas. A de 65 quilómetros será na próxima semana, mas haverá esta quarta-feira uma de 108,5 quilómetros, com chegada em alto em la Rosière. Ciclistas como Nairo Quintana (Movistar) e Romain Bardet (AG2R) não podem estar à espera da última semana para recuperar o tempo perdido, ainda mais tendo em conta que não são os melhores dos contra-relogistas. Para Chris Froome têm pouco mais de um minuto para recuperar, mas é sensato não estar a menosprezar Geraint Thomas. Para o galês são cerca de dois minutos de desvantagem.

Estas etapas nos Alpes serão interessantes para perceber como irá agir a Sky com os seus co-líderes. Serão mesmo? Até agora Thomas tem estado imune a azares e já procurou bonificações, mas as decisões aproximam-se com os Alpes a serem o primeiro desafio de montanha. Quinta-feira é dia de Alpe d'Huez. Talvez aí se possa perceber melhor como estará Froome, que fez e ganhou o Giro, e se Thomas é de facto um ciclista que os adversários terão de ter em conta. Até ao momento está a realizar uma excelente corrida, sendo segundo, a 2:22 de Greg van Avermaet. Acabar a segunda semana de amarelo, nem é uma ideia completamente descabida.

Mas uma etapa de cada vez. A desta quarta-feira terá duas categorias especiais logo a abrir, seguida de uma segunda e uma primeira para acabar. Com apenas quatro chegadas em alto até ao final do Tour, quem tem de recuperar tempo e prefere este tipo de tiradas, então não pode desaproveitar. E sim, volta-se a pensar em Nairo Quintana, já que Bardet, por exemplo, não se dá mal com etapas que terminem com descidas.

Com as subidas mais difíceis logo de início e com uma classificação geral tão afectada pelas quedas das primeiras etapas, o percurso da 11ª etapa está a pedir ataques desde muito cedo.

(O texto continua por baixo da imagem.)



É o momento para a Movistar demonstrar que é de facto capaz de se debater com a Sky, mesmo que já tenha perdido um ciclista, José Joaquín Rojas (caiu na etapa do pavé). A AG2R ficou sem dois ciclistas até ao momento. Axel Domont e Alexis Vuillermoz vão fazer falta a Bardet.

Rigoberto Uran teve um mau dia. Mais um. O colombiano, segundo classificado em 2017, está a sofrer da queda na etapa do pavé, no domingo. Perdeu mais dois minutos e já são mais de cinco de atraso para Geraint Thomas. A EF Education First-Drapac p/b Cannondale não tinha ninguém com o seu líder quando este mais precisou. A condição física de Uran irá determinar quando poderá tentar começar a recuperar tempo, pelo que o objectivo poderá passar por, pelo menos, não perder mais tempo nos próximos dois dias.

Bob Jungels (Quick-Step Floors) acumulou quase um minuto, mas visto que tem sido dos que tem escapado às quedas e furos, o luxemburguês mantém vivo o sonho do top dez. É neste momento quinto.

O dia de Alaphilippe

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Enquanto Jungels fraquejava no grupo de favoritos, na frente Julian Alaphilippe realizava uma exibição que já lhe é bem característica. Entrou na fuga do dia e soube esperar pelo momento para atacar. Foi na penúltima subida, de primeira categoria (faltava outra idêntica é já tinha ultrapassado uma de categoria especial, uma de primeira e uma de quarta). E se ainda pensou que teria Rein Taaramäe (Direct Energie) como companheiro de ocasião, o francês estava simplesmente forte de mais e partiu para uns últimos quilómetros em solitário. Subiu bem, desceu melhor e quando Ion Izagirre (Bahrain-Merida) resolveu perseguir Alaphilippe, já era demasiado tarde.

Era uma vitória que o ciclista perseguia, naquela que é a sua terceira grande volta, segundo Tour (falhou no ano passado devido a lesão). Depois de confirmar que pode mesmo ser um rei nas Ardenas ao vencer a Flèche Wallonne, agora conquistou uma etapa no Tour. É difícil ver o francês a tornar-se num voltista, mas um caça etapas e um homem de clássicas, isso sim, parece encaixar na perfeição a este fantástico corredor de 26 anos. Esta temporada conta ainda com duas etapas na Volta ao País Basco e uma no Critérium du Dauphiné. Começou 2018 com um triunfo no quarto dia da Colombia Oro y Paz.

Para a Quick-Step Floors é a terceira vitória no Tour e depois de Fernando Gaviria vestir a camisola amarela, Alaphilippe terá a das bolinhas, de líder de montanha. No total de uma temporada arrasadora por parte da equipa de Patrick Lefevere, já são 50 triunfos.

A melhor defesa é o ataque

Alaphilippe foi perfeito nos 158,5 quilómetros entre Annecy e Le Grand-Bornand, mas Greg van Avermaet também se destacou. Era mais do que esperado que o belga perdesse a amarela agora que o Tour entrou na montanha. Mas não. Avermaet está a gostar e foi para a fuga. Lutou, lutou, lutou e cortou a meta a 1:44 minutos de Alaphilippe, mas, mais importante, deixou aqueles que querem a sua camisola a mais de dois minutos.

Será o oitavo dia de amarelo, depois de ter ganho a liderança no contra-relógio colectivo. Pode até ser o último, contudo, numa BMC que ficou sem Richie Porte, com Tejay van Garderen também fora de qualquer aspiração na geral (são mais de 15 minutos para o companheiro), a exibição de Avermaet está a salvar o Tour da equipa. 

Talvez tenha recebido uma motivação extra com o anúncio do novo patrocinador - a CCC irá assumir o papel até agora da BMC - e com o seu estatuto de líder para 2019. Foi uma excelente etapa do belga. Atacou para defender e até consolidar o seu primeiro lugar. Aconteça o que acontecer a partir de agora, a corrida de Avermaet está mais do que feita. Mas não é ciclista para simplesmente relaxar!

Nas outras classificações, mudança também na juventude, além da classificação da montanha (Toms Skujins perdeu para Alaphilippe). Pierre Latour (AG2R) irá vestir a camisola branca que pertencia a Soren Kragh Andersen (Sunweb). A Movistar também desalojou a Quick-Step Floors do primeiro lugar por equipas. Já Peter Sagan continua imperturbável com a sua camisola verde dos pontos. Integrou a fuga para ir buscar os pontos no sprint intermédio e são mais 101 do que Fernando Gaviria. Começa a parecer que só algum azar tirará a Sagan a sexta vitória nesta classificação.


Esta terça-feira realizou-se também a La Course by Le Tour de France, a corrida feminina. A holandesa Annemiek van Vleuten, da Mitchelton-Scott foi a vencedora, batendo por um segundo a compatriota Anna van der Breggen, da Boels-Dolmans. A sul-africana Ashleigh Moolman (Cervélo-Bigla) fechou o pódio, ao cortar a meta 1:22 minutos depois de Van Vleuten (veja aqui os resultados).




16 de julho de 2018

CCC salva BMC e Greg van Avermaet será o líder

(Fotografia: Chris Auld Photography/BMC
Problema resolvido. Demorou, mas Jim Ochowicz conseguiu encontrar um salvador para uma das principais equipas do World Tour. E vem da Polónia. Chama-se Dariusz Milek e é o presidente da CCC, marca de calçado e malas, que actualmente detém uma equipa no escalão Profissional Continental. Uma das principais figuras dessa formação é o português Amaro Antunes. Com a indefinição a prolongar-se na BMC, ciclistas como Richie Porte, Rohan Dennis e Tejay van Garderen procuraram garantir o seu futuro, o que fará de Greg van Avermaet o líder da equipa, que terá como objectivo as clássicas da Primavera.

Esta não é uma fusão entre as duas estruturas, como é salientado no comunicado. A CCC assinou uma parceria com a Continuum Sports, dona da estrutura. Porém, não está claro o que acontecerá à CCC Sprandi Polkowice de Amaro Antunes. Certo é que no próximo ano os equipamentos vermelhos da BMC irão desaparecer, com o laranja a poder ser a nova cor, ainda que não tenha sido revelado o nome oficial da equipa. Apesar de estar encontrado o patrocinador para substituir a marca de bicicletas, ainda se procura outros secundários.

A TAG Heuer irá continuar, estando a decorrer negociações com a empresa de segurança cibernética Sophos para renovar o contrato. O orçamento anual da equipa americana aproxima-se dos 30 milhões de euros. Dariusz Milek é considerado o quarto homem mais rico da Polónia, mas, ainda assim, não é certo que esteja disposto a avançar com grande parte desse valor.

Pelo menos para já, a equipa não terá objectivos de geral nas grandes voltas e as contratações irão ser feitas para apoiar Avermaet e que neste momento até está de amarelo na Volta a França. O dia de folga da corrida foi aproveitado para fazer este anúncio, mas não foram adiantados mais nomes para a equipa, pois qualquer nova contratação só pode ser revelada a partir de 1 de Agosto.

Sendo uma empresa polaca, é de esperar que alguns corredores deste país façam parte do plantel que terá 23 a 25 ciclistas. Outra questão a resolver será o fornecedor de bicicletas. A BMC deverá cortar por completo uma ligação que dura há 12 anos e rumores apontam para a possibilidade de se juntar à Dimension Data.

Milek não escondeu a satisfação de concretizar um sonho antigo de chegar ao World Tour. Há quase duas décadas que apoia a equipa do segundo escalão de ciclismo, que chegou inclusivamente a participar na Volta a Itália. Esta aposta ao mais alto nível na modalidade tem a sua perspectiva empresarial, pois a marca - que valerá um mil milhão de euros - quer continuar a sua expansão. Já estabelecida na Europa de leste e central, o objectivo é agora chegar ao lado oeste.

A licença World Tour é neste momento americana, mas poderá eventualmente passar a ter a nacionalidade polaca, sendo este mais um ponto a esclarecer mais tarde.

Apesar da aposta imediata ser em Avermaet e nas clássicas da Primavera, principalmente as do pavé, onde o belga é um especialista, a equipa irá querer depois começar a construir um plantel que volte a estar também na luta por etapas e grandes voltas. Muitos dos ciclistas em final de contrato já gostam de ter a sua vida resolvida por esta altura da temporada, mesmo que as mudanças só possam ser oficializadas em Agosto. No entanto, ao demorar tanto tempo em conseguir assegurar um financiamento, Ochowicz vê as suas opções de reforçar a equipa mais reduzidas, além de perder algumas das suas figuras.

Ao ficar, Avermaet é a escolha óbvia para liderar a nova vida do projecto, mas aos 33 anos não é uma escolha duradoura. Em 2019, esta estrutura estará certamente mais activa no mercado a pensar na temporada de 2020. Curiosamente, até há um dos polacos mais importantes em final de contrato este ano: Rafal Majka. Mas há um português que preencheria muito bem um dos lugares de voltistas... Sem se perceber o que irá acontecer à equipa Profissional Continental, porque não levar Amaro Antunes?

Quanto às saídas, ainda não oficializadas, Richie Porte estará a caminho da Trek-Segrafredo, Rohan Dennis da Bahrain-Merida e Tejay van Garderen da EF Education First-Drapac p/b Cannondale. Porte sofreu uma queda na etapa de domingo do Tour, ainda antes de começarem os temidos sectores do pavé. Fez uma luxação no ombro e abandonou pelo segundo ano consecutivo na nona tirada. A Vuelta será a sua última oportunidade de ganhar uma grande volta com a equipa que lhe deu a oportunidade de ser um líder, depois de ter sido um gregário de luxo e braço direito de Chris Froome na Sky.

A boa notícia é que a BMC irá continuar, ainda que com outro nome. As novidades no plantel ficam para mais tarde. O ano atribulado chega assim ao fim, mas o legado de Andy Rihs continuará. Foi ele o mentor desta equipa que venceu uma Volta a França com Cadel Evans, em 2014, e um Paris-Roubaix com Avermaet, em 2017. Ao todo são 230 vitórias, a mais recente no contra-relógio por equipas no Tour. Rihs morreu em Abril, numa altura em que já era conhecida a decisão da BMC deixar de ser o patrocinadora da equipa.

Nas últimas semanas foram vários os rumores sobre o futuro da estrutura, com a Deloitte e a Giant a serem apontadas como as empresas que poderiam salvar a BMC, numa autêntica dança de patrocinadores, que afectaria outras equipas. Afinal, a solução foi encontrada na Polónia.


12 de julho de 2018

Uma vitória no Tour e a época já não está a ser tão má

(Fotografia: ©ASO/Alex Broadway)
É o efeito da influência que a Volta a França tem. Ganhar uma etapa no Tour é algo que pode fazer uma temporada para algumas equipas, principalmente se forem uma das quatro convidadas do escalão Profissional Continental. Para as do World Tour não se pode ir tão longe. Porém, quando a temporada está muito abaixo das expectativas, vencer no Tour é algo que, pelo menos, ameniza um pouco a falta de resultados. É o que acontece com a UAE Team Emirates. Daniel Martin conquistou o Mûr de Bretagne (muro da Bretanha) e tirou uma enorme pressão sobre a equipa.

Era uma etapa que tinha o nome do irlandês. O problema é que tinha também o de Julian Alaphilippe (Quick-Step Floors), Alejandro Valverde (Movistar) e nem se podia afastar a hipótese de Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) intrometer-se. Martin já nada tem haver com aquele ciclista em esforço, mas sem força para lutar por umas corridas que tanto gosta: a semana das Ardenas. A melhor versão de Martin começou a aparecer no Critérium du Dauphiné. Ganhou uma etapa ao seu estilo e fez uma excelente recuperação na geral para ficar à porta do pódio. Esta quinta-feira foi mais uma vez aquele Martin de ataque, que sabe quando deve sair e já não deixa ninguém se aproximar. Na segunda passagem pelo "muro", Martin atacou a pouco mais de um quilómetro da meta. Até pareceu ser cedo de mais, mas não. Quem sabe, sabe. Martin venceu e deixou um Pierre Latour (AG2R) frustrado, com Valverde e Alaphilippe a cortar a meta logo a seguir.

São só nove vitórias em 2018, muito pouco para uma equipa que se reforçou com Martin, Fabio Aru - que falhou por completo na Volta a Itália - e ainda um Alexander Kristoff que até começou o ano a dar indicações que estava de regresso às vitórias, mas aos poucos tornou-se de novo naquele ciclista que sprinta, mas nunca está verdadeiramente na discussão. Contudo, não desiste, pois o norueguês tem sido dos que mais aparece atrás de Fernando Gaviria e Peter Sagan.

Com esta vitória no Tour e perante o tal efeito de ganhar na Volta a França, a UAE Team Emirates já pode mesmo fazer-se valer de outro pormenor. É que cinco dos triunfos este ano foram em corridas do World Tour.

Com Aru a evitar a Volta a França para se apresentar na Vuelta com o objectivo (e a pressão) de apagar a má imagem deixada no Giro, com Rui Costa a falhar o Tour devido a uma lesão no joelho, a UAE Team Emirates estará muito dependente do que fará Daniel Martin. John Darwin Atapuma é sempre um ciclista a ter em conta, mas se Martin estiver mesmo com intenções de tentar pelo menos o top dez, o colombiano poderá ficar preso à função de ajudar o líder. Kristoff não está a demonstrar ter capacidade para bater Gaviria e Sagan, mas se Martin mantiver o nível que está a demonstrar e que começou no Critérium du Dauphiné, talvez a equipa ainda tenha mais razões para sorrir até Paris.

E para o irlandês reaparecer novamente como um ciclista temível, longe daquele que se apresentou nas Ardenas, bastou lembrar-se por que razão compete: para se divertir. Foi o próprio que o admitiu após o Dauphiné. Ao retirar a pressão que ele próprio colocou sobre os seus ombros, conseguiu alcançar os resultados que a UAE Team Emirates queria.

(O texto continua por baixo do vídeo.)




Avermaet sobreviveu, Dumoulin e Bardet nem por isso

Com Richie Porte a chegar a aparecer na frente na subida final, o companheiro da BMC e líder da geral, Greg van Avermaet, agarrou-se como pôde ao grupo para não deixar escapar a camisola amarela que Geraint Thomas está desejoso de vestir. O ciclista da Sky foi buscar dois segundos de bonificação antes da meta, mas no final não conseguiu nem ficar nos três primeiros, nem que houvesse um corte para Avermaet. A amarela continua na BMC e se não houver surpresas, deverá mantê-la até ao início da segunda semana, já que a etapa de domingo, no pavé até Roubaix, certamente que não assusta o ciclista da BMC. Afinal é um vencedor do monumento Paris-Roubaix (2017).

A etapa entre Brest e Mûr de Bretagne Guerlédan (181 quilómetros) ficou marcada pela acção da Quick-Step Floors a pouco mais de 100 quilómetros do fim, quando provocou vários cortes no pelotão devido ao vento. Nairo Quintana (Movistar) apanhou um valente susto! Já Tom Dumoulin (Sunweb) e Romain Bardet (AG2R) é que foram, desta feita, o alvo dos azares que têm andado a "apanhar" quase todas as principais figuras na luta pela geral. O holandês furou, perdeu 53 segundos e ainda foi penalizado com em 20 por ter ficado demasiado tempo atrás do carro da equipa na tentativa de reentrar no grupo da frente. Bardet teve problemas mecânicos que lhe custaram 31.

De referir que Chris Froome também deixou escapar cinco segundos para Thomas, Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Quintana e o companheiro da Movistar Mikel Landa, Porte, Adam Yates (Mitchelton-Scott) e Rafal Majka (Bora-Hansgrohe).

Agora é esperar por domingo, pela tal etapa de Roubaix. Até lá, serão dois dias para os sprinters tentarem bater Fernando Gaviria e Peter Sagan que somam duas vitórias cada um no Tour, com o eslovaco a liderar a classificação dos pontos. O colombiano venceu o sprint intermédio, mas ficou depois para trás mal o terreno começou a inclinar. Sagan foi oitavo na etapa e somou mais pontos. São agora 43 os que os separam.

Pode ver aqui as classificações.

Sétima etapa: Fougères - Chartres, 231 quilómetros



9 de julho de 2018

As duas formas de ver o contra-relógio na Movistar

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Para Nairo Quintana o contra-relógio colectivo não foi, dentro do mau, o pior dos cenários. Para Mikel Landa foi melhor do que o esperado, pois manteve-se à frente de Chris Froome, Romain Bardet, Vincenzo Nibali e Adam Yates. Na Movistar o sentimento dividi-se entre alguma desilusão e o alívio de uma primeira dificuldade ter sido ultrapassada sem causar grandes estragos. A terceira etapa não fez as diferenças que se esperava no início do Tour, pois tudo o que aconteceu na primeira está a ter uma forte influência nas actuais distâncias entre os candidatos. O contra-relógio por equipas serviu mais para reequilibrar forças do que para separar os líderes, com a excepção de Nairo Quintana.

A Movistar deixou um especialista nesta vertente em casa: o português Nelson Oliveira. E já não conta com Jonathan Castroviejo que agora está a ajudar Chris Froome na Sky. Se os candidatos estivessem todos em pé de igualdade, 54 segundos perdidos para a BMC, a vencedora, não seria mau de todo. Porém, aquela primeira etapa baralhou as contas. Froome, Richie Porte e Yates perderam 51 segundos devido a quedas, enquanto Quintana ficou a 1:15 ao partir as duas rodas. Ou seja, já são 2:08 minutos para Greg van Avermaet, o novo camisola amarela, menos três segundos se fizermos as contas àqueles que aspiram lutar pela vitória na geral, com Geraint Thomas a ser o melhor nessa lista particular.

"É sempre desagradável perder tempo. Mas dentro do mau, não foi demasiado [mau]", desabafou Quintana no final da etapa. Já Landa não hesitou em considerar que "foi melhor do que o esperado". Mais do que o tempo que separa os dois líderes da Movistar (1:15 minuto), o facto do espanhol estar à frente de ciclistas como Froome e muito perto de Richie Porte, por exemplo, deixa Landa numa posição mais confortável na luta interna.

Mas quem saiu do contra-relógio com muitas razões para sorrir foi precisamente Richie Porte. Começar o Tour a cair, depois de há um ano a corrida ter terminado mais cedo precisamente devido a uma queda, não é algo que ajude a confiança de ninguém. Porém, a BMC confirmou as expectativas e Porte recuperou alguns segundos e principalmente o moral. A Sky ficou a quatro segundos.

Para a equipa foi uma vitória especial. Com o futuro por definir, a BMC irá ter a camisola amarela, depois de no Giro ter andado de rosa através de Rohan Dennis. Claro que desta vez quererá mais do que estar uns dias na liderança. Greg van Avermaet volta a estar de amarelo, depois dos três dias no primeiro lugar do Tour em 2016. Agora falta saber se Porte conseguirá levá-la vestida em Paris, numa altura em que se fala que estará concluído o acordo com a Trek-Segafredo para 2019.

Também Romain Bardet ficou satisfeito por "só" ter perdido 1:15 minuto. Para o francês da AG2R o tempo do contra-relógio foi o esperado, depois da equipa ter preparado muito este momento, precisamente para tentar manter o ciclista na luta pela geral e também assim talvez o ter ajudado a melhor um pouco numa vertente que Bardet tem menosprezado. É que ainda falta um contra-relógio individual, na penúltima etapa (31 quilómetros).

(O texto continua depois do vídeo.)




Quem esteve bastante bem foi a EF Education First-Drapac p/b Cannondale, o que deixa Rigoberto Uran muito bem colocado. Foi sexta, a 35 segundos da BMC. O colombiano foi segundo no ano passado e já avisou se a forma for idêntica, que podem contar novamente com ele. No entanto, há outro aspecto a ter em conta. A presença de Lawson Craddock tem sido uma fonte de motivação. Está a competir com a omoplata partida e com alguns pontos no sobrolho, mas recusa desistir. Neste contra-relógio, fez o seu trabalho e só a cerca de três quilómetros dos 35,5 em Cholet, é que "descolou".

Greg van Avermaet é então o novo líder, depois de Peter Sagan e Fernando Gaviria terem vestido a amarela um dia cada um. O belga poderá conseguir mantê-la mais tempo, em circunstâncias normais. Porém, e como curiosidade, aqui fica um top 20 depois do contra-relógio colectivo, daqueles que estão no Tour com pretensões à vitória, pódio ou top dez (excluiu-se, por exemplo, Warren Barguil, que admitiu estar concentrado em ganhar etapas).

1º Geraint Thomas (Sky)
2º Bob Jungels (Quick-Step Floors), a 4 segundos
3º Tom Dumoulin (Sunweb), a 8
4º Rigoberto Urán (EF Education First-Drapac), a 32
5º Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), a 47
6º Jakob Fuglsang (Astana), a 48
7º Richie Porte (BMC), a 48
8º Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), a 49
9º Alejandro Valverde (Movistar), a 50
10º Mikel Landa (Movistar), a 50
11º Chris Froome (Sky), a 52
12º Adam Yates (Mitchelton-Scott), a 57
13º Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 1:03 minuto
14º Romain Bardet (AG2R), a 1:12
15º Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo), a 1:12
16º Primoz Roglic (Lotto-Jumbo), a 1:12
17º Bauke Mollema (Trek-Segafredo), a 1:13
18º Dan Martin (UAE Team Emirates), a 1:35
19º Tiesj Benoot (Lotto Soudal), a 1:49
20º Nairo Quintana (Movistar), a 2:05

Quinta etapa: Le Baule - Sarzeau, 195 quilómetros


12 de junho de 2018

Bahrain-Merida abre a porta a dois ciclistas de uma BMC sem dinheiro para 2019

A expectativa aumenta quanto a um mercado de transferências que poderá ser muito animado se os responsáveis da BMC continuarem sem conseguir garantir o futuro da estrutura. Sendo uma das equipas mais fortes do pelotão, muitos dos corredores não terão falta de interessados, com as restantes formações a aguardarem por novidades, podendo mesmo até estar a adiar algumas contratações, não vá um dos ciclistas da BMC que lhes interesse ficar mesmo livre.

Recentemente surgiu uma notícia que dava conta de uma autêntica dança de patrocinadores que poderia salvar a estrutura da equipa americana. A Giant deixaria a Sunweb e a Deloitte não apoiaria mais a Dimension Data e seria assim formada uma nova parceria. No entanto, o cenário não foi confirmado e a única certeza continua a ser que a BMC vai deixar de patrocinar a equipa World Tour.

"Não tenho fumo branco sobre o futuro. De momento não posso formar uma equipa porque não tenho dinheiro", desabafou ao Het Niewsblad um ainda assim esperançoso Jim Ochowicz. O director da BMC mantém a crença que irá encontrar uma solução, mesmo que apareça mais para o fim da época. Ciente que isso significará ficar sem muitos, se não todas, as suas principais estrelas e não só, Ochowicz só pensa em, pelo menos, manter viva esta estrutura, que teve um dos seus melhores momentos quando Cadel Evans venceu a Volta a França em 2011.

E com a aproximação do Tour, Richie Porte aparece como um dos principais candidatos. Ochowicz garante que a concentração será total na corrida e nos objectivos traçados. Porém, será difícil afastar potenciais interessados, pois se já no Giro houve algumas conversas sobre eventuais transferências, no Tour essas ganham intensidade. Muitos gostam de resolver o futuro antes da Volta a França, mas a incerteza da BMC está a mudar um pouco essa paradigma.

Porte tem sido dos ciclistas que mais tem falado sobre o assunto. Se ficar é a opção número um, também não hesitará em mudar de ares. O australiano deu um prazo que já terminou. Contudo, não está sozinho na lista dos ciclistas muito procurados. É aqui que poderá a entrar a Bahrain-Merida. A equipa quer continuar a crescer, não se centrado apenas em Vincenzo Nibali. As clássicas são um dos focos e, por isso, Greg van Avermaet estará no topo das preferências. O belga não esconde que quer ficar na BMC, mas se chegar ao ponto de ter de pensar noutras possibilidades, a Bahrain-Merida tem em aberto um lugar de líder para as corridas que Avermaet tanto gosta.

Mas há mais. Pode continuar sem convencer como um ciclista capaz de lutar por uma grande volta, contudo, o bom Giro valorizou novamente Rohan Dennis. O australiano, de 28 anos, estará também a interessar à Bahrain-Merida. Com mais a equipas a ter capacidade para dar o que estes ciclistas querem a nível de estatuto, se a questão acabar em dinheiro, eis uma estrutura que tem que sobra para colocar na mesa das negociações.

Entre potenciais líderes, como Dylan Teuns e eventualmente Tejay van Garderen (eis alguém também a precisar urgentemente de um bom, ou melhor, excelente resultado), e ciclistas para trabalhar e/ou para lutar por algumas vitórias - Alessandro de Marchi e Stefan Küng, por exemplo -, há muito por onde escolher nesta BMC como reforços para 2019.

Quando em 2016 a IAM, mas principalmente a Tinkoff fecharam portas, o mercado foi muito movimentado. No entanto, como o final das equipas foi anunciado cedo, tal permitiu que as negociações decorressem em janelas temporais normais. Se a BMC arrastar a sua incerteza e os seus ciclistas tentarem aguardar um pouco na expectativa de perceber se haverá hipótese de permanecer, poder-se-á estar perante um mercado um pouco estagnado. Pelo menos até alguém não esperar mais. A partir de então poderá verificar-se um efeito bola de neve e Jim Ochowicz arrisca ver os seus ciclistas a assinaram por outras equipas e a ficar com poucas opções para garantir um conjunto tão forte como actualmente. Isto pensando que, apesar das dificuldades, acabe por aparecer o patrocinador ou patrocinadores que salvem a BMC.

Para já continua a incerteza sobre se o World Tour poderá perder uma das suas melhores equipas.

»»A dança de patrocinadores que poderá salvar a estrutura da BMC««

»»Richie Porte stressado com indefinição do futuro da BMC««

30 de abril de 2018

Richie Porte stressado com indefinição do futuro da BMC

Richie Porte espera que possa haver uma continuidade do projecto da BMC. O australiano está feliz na equipa, mas confessa que começa a ser stressante as semanas passarem e não se saber se em 2019 a estrutura mantém-se ou não. Maio está aí, o que significa que se aproxima a data limite que Porte tinha definido para definir o futuro. Caso a BMC não desse certezas, o ciclista tinha alertado que iria começar a procurar uma nova equipa.

Estávamos no arranque da Volta ao Algarve quando o australiano deixou o aviso. Em final de contrato, Richie Porte é um ciclista que, apesar de já ter 33 anos, é dos mais valiosos do pelotão. Apesar de lhe ainda faltar um grande resultado numa volta de três semanas - entre furos e quedas, o azar tem perseguido o australiano - é um ciclista que oferece garantias de estar na luta por vitórias. Sair da Sky para a BMC foi um passo acertado na sua carreira em 2016, deixando de vez o papel de escudeiro de Chris Froome, para ser líder indiscutível.

Apesar da prioridade ser ficar na BMC se a estrutura tiver futuro - mesmo que seja com outro patrocinador -, não hesitará sair se a incerteza se arrastar até final de Maio. "Não quero mentir. É um pouco stressante. Nós andamos de bicicleta e é o trabalho dos directores encontrar um patrocinador para o próximo ano. Seria triste ver a BMC sair. É uma grande equipa e tivemos uns anos muito bons", salientou Porte ao Cycling News. O australiano considera que chegou o momento da verdade, mas avança que não tem conhecimento se já há propostas em cima da mesa para assinar por outra equipa. "Não tenho a certeza. Terá de perguntar ao meu empresário, Andrew McQuaid", disse, acrescentando que vai fazendo figas para que a BMC se mantenha na estrada em 2019.

Porte recordou como na BMC se está a sofrer com a morte de um dos seus mentores, Andy Rhis: "Esta equipa era a sua paixão e queremos que isso continue." O director Jim Ochowicz está a tentar salvar um projecto que na última década se tornou dos mais fortes no ciclismo. Porém, arrisca-se a começar a perder corredores se não conseguir garantir o dinheiro necessário para manter uma equipa do nível World Tour. 

Greg van Avermaet é a outra estrela da equipa. O seu limite é um pouco mais alargado do que o de Richie Porte, mas o belga também já alertou que após a Volta a França irá querer definir o seu futuro.

Há um ano foi a outra equipa americana que ameaçou fechar portas. A então Cannondale-Drapac chegou inclusivamente a recorrer ao crowdfunding para angariar o dinheiro que lhe faltava, mas um patrocinador acabou por aparecer: a Education First. Agora é a BMC que confirma as dificuldades que já eram faladas em 2017. Além de Porte e Avermaet, nomes como Dylan Teuns, Rohan Dennis, Alessandro de Marchi, Damiano Caruso, Nicholas Roche, Jurgen Roelandts e mesmo Tejay van Garderen - ainda que estejamos perante um ciclista que suscita cada vez mais dúvidas, não dando tantas garantias como se esperaria nesta fase da sua carreira -, estarão a entrar em potenciais listas de reforços.

Por agora, Richie Porte quer manter-se concentrado no seu objectivo não só de temporada, mas de carreira: a Volta a França. A temporada não tem sido fácil. Uma infecção respiratória obrigou-o a falhar o Tirreno-Adriatico e foi um mês e meio sem competir. Depois da Volta ao Algarve (27º), regressou na Volta ao País Basco, mas abandonou. Porém, na Volta à Romandia, o australiano deu mostras de estar a recuperar a forma, tendo terminado na terceira posição, a 35 segundos do vencedor, Primoz Roglic (Lotto-Jumbo).

Há um ano, Porte chegou num momento fantástico de forma ao Tour, mas uma queda não só acabou com a sua corrida, como com a temporada. Aos poucos, Porte volta a construir uma candidatura para tentar ganhar a competição que mais deseja.

»»Morrreu o dono da BMC««

»»Wolfpack, a história da alcunha da Quick-Step Floors que remonta a um gangue««

»»Um Chris Froome no Giro rodeado por algumas incertezas««

13 de abril de 2018

Antes das Ardenas, os mais e menos de uma grande época de clássicas do pavé

(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/Bettiniphoto)
Ponto final na fase do pavé, com as atenções a virarem-se para a semana das Ardenas, que arranca este domingo, antes das grandes voltas tomarem conta dos próximos meses de ciclismo. A época das clássicas tem o seu encanto especial e este ano não foi excepção, com um final épico em Roubaix por parte de Peter Sagan, mas infelizmente marcado pela morte do jovem Michael Goolaerts. Antes de virar definitivamente a página para as Ardenas, aqui ficam os mais e menos da temporada do pavé.

Os mais

Quick-Step Floors: Inevitavel começar pela super equipa. Que temporada de clássicas. Se a nível de número de vitórias a diferença não é grande para os anos anteriores, o destaque vai para o domínio nas corridas de um dia, principalmente na Bélgica. Se não fosse Sagan e a Quick-Step Floors tinha um pleno nas grandes corridas do país, mas escapou-lhe a Gent-Wevelgem. O destaque vai para Niki Terpstra, que ganhou a Volta a Flandres, depois de já ter conquistado E3 Harelbeke e Le Samyn. Rémi Cavagna, Álvaro Hodeg e Fabio Jakobsen apresentaram-se ao ciclismo com vitórias, Yves Lampaert confirmou credenciais, falhou Zdenek Stybar ter o seu triunfo, tendo o checo sido dos ciclistas mais importantes, muito consistente no trabalho e em ajudar outros, mas faltou-lhe uma merecida glória pessoal. A nível táctico a equipa esteve quase sempre perfeita, contudo, no Paris-Roubaix foi finalmente batida por um super Peter Sagan. E ainda não foi desta que Philippe Gilbert levou Roubaix.

Tiesj Benoot: Aquele quinto lugar na estreia na Volta a Flandres em 2015 parecia estar a começar a pesar no jovem belga. Finalmente Benoot comprovou o que se sabia que ele poderia dar e não só foi regular nesta fase das clássicas, como alcançou uma enorme vitória na Strade Bianche. No sterrato bateu a concorrência com uma exibição de força e classe. Nas corridas que se seguiram no pavé, foi sempre top dez, tendo terminado com um terceiro lugar na Brabantse Pijl, uma mostra para o que aí vem, já que Benoot vai atacar as Ardenas. "Saltou" o Paris-Roubaix precisamente a pensar nas três provas que aí vêm, o que não surpreende, pois apesar de ter capacidade para aguentar corridas de pavé, Roubaix é de uma dureza incomparável e a estrutura física de Benoot é bem diferente de um Sagan ou Avermaet. Fica para mais tarde na carreira, certamente. (Recorde aqui a vitória de Benoot na Strade Bianche)

Wout van Aert: Era um nome já conhecido no ciclocrosse. Afinal estamos a falar de um tricampeão mundial. Mas 2018 ficará também como o ano em que mostrou que pode ser um caso sério de sucesso na estrada, principalmente neste tipo de corridas. Sterrato, pavé, para Van Aert parecia estar quase tão confortável como qualquer um que pedala no melhor do alcatrão. O belga, de 23 anos, ganhou um estatuto que não se esperava tão cedo e a Vérandas Willems-Crelan teve um protagonismo que deve ter deixado os patrocinadores muito felizes. Terceiro na Strade Bianche, 10º na Gent-Wevelgem e oitavo na estreia na Volta a Flandres. Furou já perto do fim no Paris-Roubaix, mas ainda foi fechar 13º. 32º na Omloop Het Nieuwsblad e Danilith Nokere Koerse, 36º na Driedaagse Brugge-De Panne e só na Dwars door Vlaanderen as coisas não correram tão bem (83º). Tem mais um ano de contrato com a equipa, mas poucos acreditam que o cumpra. Para já vai continuar a dividir a sua carreira entre a estrada e o ciclocrosse, pelo que nos próximos tempos vamos vê-lo bastante menos, primeiro porque disse que ia tirar umas férias - não esquecer que já tinha feito a época de ciclocrosse - e depois porque na estrada deverá aparecer a partir de agora em algumas corridas menos mediáticas, pelo menos fora do centro da Europa.

Mads Pedersen: A forma como conseguiu manter Niki Terpstra no seu campo de visão enquanto todos os restantes nem pelo canudo viam o holandês na Volta a Flandres, impressionou. 22 anos e uma promissora carreira pela frente. O segundo lugar no monumento irá dar-lhe muito destaque e claro que poderá acontecer o mesmo que com Benoot, por exemplo. Ou seja, não comprovar de imediato o que se espera dele. É ainda muito jovem e o facto de contar com alguns abandonos e outros resultados mais discretos, demonstram que ainda há muito a aprender. Mas a Trek-Segafredo nem hesitou em dar-lhe mais dois anos de contrato, com os responsáveis a admitirem que ficaram surpreendidos com tão bom resultados tão cedo na carreira (pode ler aqui). Pedersen pode vir a ser uma das figuras das clássicas a curto prazo.

Peter Sagan: É um ciclista que tanto se elogia, como se começa a duvidar se está bem e depois faz uma exibição que cala tudo e todos. Venceu a Gent-Wevelgem, mas as restantes clássicas estavam a ser frustrantes. Daniel Oss é de facto um fiel escudeiro, mas a certa altura parecia ser curto. Criticou os adversários por não colaborarem com ele, alertando que assim a Quick-Step Floors continuaria a ganhar. Tom Boonen mandou-o estar calado, acusando-o de ser o eslovaco quem ia na roda dos outros. E não é que falou menos e ganhou em grande?! Que exibição no Paris-Roubaix! Também ajudou a sua equipa ter estado finalmente ao nível necessário, para que quando chegou o momento de ser o seu líder agir, fê-lo de uma forma que deixou todos a dizer que Sagan tinha sido simplesmente o mais forte. Este sim, é Sagan!

Os menos

Greg van Avermaet e a BMC: À primeira vista, a equipa americana tinha dos blocos mais fortes para as clássicas. A saída de Oss tinha sido rombo, mas a entrada de Jurgen Roelandts (ex-Lotto Soudal) parecia ser a substituição ideal. Mas não. A BMC não trabalhou tão mal como Avermaet chegou a insinuar, já que o próprio é que foi quem mais falhou. Porém, o bloco ressentiu-se da falta de Oss que costumava fazer o trabalho final de preparação para o líder. Roelandts foi algo inconstante. No entanto, é Avermaet que tem de analisar bem as suas exibições. Ataques sem sentido que o fizeram desperdiçar forças, má colocação em certas alturas e alguma falta de explosão. O belga acabou por ficar na sua própria sombra e depois de duas épocas brilhantes, ficou a zero.

Oliver Naesen: Por vezes parece que alguns ciclistas acabam vítimas do seu próprio ego. É essa a ideia que Naesen passou. Depois de ter sido uma das revelações em 2017, a expectativa era enorme sobre o belga de 27 anos, mas foi uma desilusão. Olhando apenas para os resultados, não foram maus. Quase sempre no top 20 ou top 10. Houve uns azares pelo meio, principalmente com quedas, contudo, a verdade é que Naesen pode ter terminado em lugares cimeiros, mas nunca conseguiu estar na disputa pela vitória. O ciclista da AG2R disse que preferia sacrificar alguns bons resultados para alcançar um triunfo, mas a sua táctica saiu furada. Valeu à equipa francesa - que tem vindo a apostar mais nesta fase da temporada - o surpreendente segundo lugar de Silvan Dillier no Paris-Roubaix.

Arnaud Démare: É inegável que tem qualidade para estas corridas. É também inegável que a FDJ se portou na maioria das vezes muito bem na protecção e colocação do seu líder. No entanto, ao francês falta colocar em prática a sua capacidade de sprinter para selar a vitória, o que é bem diferente quando se tem muitos quilómetros de muros e/ou pavé, do que quando se enfrenta etapas planas. A evolução é notória, mas a dúvida é grande sobre se será ele quem quebrará o jejum francês no Paris-Roubaix. Frédéric Guesdon foi o último a vencer o monumento, em 1997.

Alexander Kristoff e John Degenkolb: O norueguês da UAE Team Emirates até tinha começado bem a temporada no périplo pelas arábias. Estaria a reencontrar-se? Chegou a dar essa sensação, aparecendo bem colocado, ao lado dos mais fortes candidatos. Mas foi pura ilusão. Acabou por ter resultados discretos e volta-se a temer que o melhor de Kristoff já tenha mesmo passado. O mesmo acontece com o homem da Trek-Segafredo. Quanto ao alemão ainda há menos a dizer. Apareceu durante breves momentos em destaque no Paris-Roubaix, até foi 17º, mas foi uma péssima temporada de clássicas para John Degenkolb que vai começando a perder créditos na equipa, ainda mais com o aparecimento de jovens de talento, como foi o caso de Mads Pedersen e também poderá vir a ser o de Ryan Mullen. Aquele atropelamento na pré-temporada, em 2016, marcou Degenkolb, que nunca mais foi o mesmo.

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7 de abril de 2018

Bem-vindos ao Inferno do Norte. Sagan lidera a lista de perseguição à Quick-Step Floors

Sagan é um dos fortes candidatos, mas a concorrência é enorme
(Fotografia: © Bora-Hansgrohe-VeloImages)
Finalmente abrem-se as portas do Inferno do Norte! Uma vez por ano os ciclistas são transformados em guerreiros. Sofrem como não se sofre em mais nenhuma corrida. Arriscam muitas vezes uma época. O Paris-Roubaix é único, é emocionante. E se para quem o faz são 257 quilómetros de um esforço sem comparação, para quem assiste são cerca de seis horas do melhor que há para ver no ciclismo. Manter uma táctica é quase missão impossível, pelo que se há uma prova onde o instinto faz toda a diferença, é no Paris-Roubaix. E claro, quando se fala de sorte, então é raro não ouvir um corredor dizer o quanto precisa dela para ganhar ou até só para terminar O sofrimento é grande, a glória, essa coloca qualquer um dos vencedores num pedestal histórico apenas ao alcance de alguns eleitos.

Aqui construíram-se e constroem-se lendas. Os belgas Roger De Vlaeminck e Tom Boonen são os recordistas de vitórias e são dois exemplos de expoente máximo. Mas também aqui se alcançaram marcos únicos em carreiras que, de outra forma, se perderiam nas extensas estatísticas. Que o diga Mathew Hayman, que em 2016 deixou todos de boca aberta ao tirar o quinto triunfo a Boonen. Para os ciclistas que ano após ano fazem da temporada do pavé um dos objectivos da temporada, ganhar em Roubaix alimenta os sonhos do mais novo ao mais veterano (e voltamos a Hayman, que tinha 37 anos quando venceu).

Todos os cinco monumentos são importantes, mas há algo de épico que distingue a Volta a Flandres e o Paris-Roubaix. É entre estes que tanto se pergunta, qual é o preferido de cada um. As preferências ficam de parte quando se dá a partida. E este domingo é dia de se enfrentar pela 116ª vez aquela que é apelidada como a corrida do Inferno do Norte.

Dos 257 quilómetros, 54,5 serão de pavé. Parece que ainda não é desta que a chuva regressa, como se chegou a prever, e que simplesmente transforma o Paris-Roubaix em algo ainda mais incomparável. Porém, o mau tempo não larga a Europa e apesar do sol dos últimos dias ter ajudado a secar os sectores, muitos deles não estarão completamente marcados pelo pó, havendo ainda alguma lama para dificultar mais a passagem dos ciclistas. Todos os anos surgem imagens nos dias que antecedem a corrida do estado de alguns sectores e 2018 não foi excepção. A lama que cobria por completo alguns, já foi retirada.

Mais uma vez, o Eurosport permitirá seguir todas as pedaladas do Paris-Roubaix, com a transmissão a começar às 10:00. Há um ano foi "prego a fundo" desde o início, sendo impossível formarem-se fugas. Greg van Avermaet não só ganhou o seu primeiro monumento, como ficou com a marca daquele que demorou menos tempo a conclui-lo: 5:41:07 horas.

Tal como aconteceu há uma semana na Volta a Flandres, este é um ano atípico quanto a candidatos. Ninguém se destaca particularmente. Os nomes não variam, a questão é que é o colectivo da Qucik-Step Floors que é novamente o alvo a abater, com Philippe Gilbert a poder eventualmente receber alguma protecção (se tal for possível no caos que esta prova tem tendência a tornar-se). O Paris-Roubaix é um dos dois monumentos que lhe faltam. O outro é a Milano-Sanremo.


O mítico troféu (Fotografia: © Twitter Paris-Roubaix)
Apesar de ser um dos especialistas em clássicas, Roubaix nunca atraiu o belga. Pode parecer incrível, mas só o fez por uma fez, em 2007, tendo terminado na 52ª posição. Porém, surge 11 anos depois mais determinado que nunca a conquistar o Inferno do Norte. Niki Terpstra - que há uma semana ganhou na Flandres e foi primeiro em Roubaix em 2014 - e Yves Lampaert são cartas a jogar, com Zdenek Stybar desejoso de conseguir uma grande vitória que lhe vai escapando ano após anos. Em cinco participações alcançou dois segundos lugares, um quinto, um sexto e o pior foi um 110º em 2016.

E depois, os nomes do costume com o tricampeão do mundo à cabeça Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - será desta? -, Greg van Avermaet (BMC) - está uma sombra de si mesmo comparando com 2017 -, Sep Vanmarcke (EF Education-First-Drapac p/b Cannondale) - o crónico azarado -, Oliver Naesen (AG2R) - depois de uma grande temporada de clássicas em 2017, o belga não está a confirmar as expectativas - e Arnaud Démare (FDJ), que tenta ser o primeiro francês a vencer em Roubaix desde Frédéric Guesdon, em 1997, que era ciclista da FDJ.

Wout van Aert é aquele que é meio outsider, meio candidato pela fantástica temporada que está a fazer e será a última oportunidade para se mostrar ao mais alto nível, antes de "desaparecer" no calendário, da Europa Central, visto estar na Vérandas Willems-Crelan. Atenção a Edward Theuns (Sunweb). É um daqueles ciclistas que se está sempre à espera que um dia se chegue bem à frente. E porque não em Roubaix...

Jasper Stuyven tem estado em destaque pela Trek-Segafredo pela sua consistência, mas Mads Pedersen roubou as atenções com o segundo lugar na Volta a Flandres. John Degenkolb tem o dorsal um da equipa mais por respeito - e porque venceu em 2015 - do que por crença que faça algo. Está na altura do alemão se mostrar não vá a paciência começar a esgotar-se.

Alexander Kristoff (UAE Team Emirates), Dylan van Baarle (Sky), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), com uma das grandes curiosidades a ser o que poderá fazer Dylan Groenewegen, da Lotto-Jumbo. Na outra Lotto, a Soudal, Tiesj Benoot está a preparar as semana das Ardenas, pelo que Jens Debusschere e Jens Keukeleire deverão ser as apostas. Tony Martin aparece a liderar a Katusha-Alpecin, mas pelo que fez nas últimas duas edições (76º em ambas) e pelo que não tem feito na equipa suíça, é difícil olhar para o alemão como sequer um outsider.

Lançaram-se aqui uns nomes, mas uma das belezas destas corridas é que há tendência a aparecerem surpresas, como foi o caso de Pedersen na Flandres. Não esquecer que haverá dois portugueses: Nelson Oliveira e Nuno Bico, da Movistar. Nas duas últimas edições, Oliveira caiu e sofreu lesões que perturbaram as suas temporadas. No ano passado custou-lhe mesmo uma presença na Volta a França. E como curiosidade, Geraint Thomas (Sky) será o voltista presente, ele que admitiu que sente que é um regresso às suas origens, mas o objectivos são preparar o Tour, que tem no seu percurso alguns dos sectores de Roubaix.

O Percurso

Só aos 93,5 quilómetros surge o primeiro dos 29 sectores de pavé, mantendo-se o de Troisvilles para abrir as hostilidades. De recordar que estão classificados por estrelas, sendo os que têm uma os mais fáceis e os de cinco os mais difíceis. Estes serão três. Começa na Floresta de Arenberg, mas a confirmar-se o tempo seco, não deverá fazer muitas diferenças já que é ao quilómetro 162. Porém, servirá para deixar para trás alguns dos que vêm com poucas ou nenhumas intenções, ou então que não esteja em boas condições físicas.

No Mons-en-Pévèle (208,5 quilómetros) já não há margem para erros, muito menos no Carrefour de l'Arbre, quando estarão a faltar 17 quilómetros para o final. E mais uma razão porque está corrida é tão bela, é que um o sector de uma ou duas estrelas pode ser tão decisivo como um de quatro ou cinco. Há um ano Peter Sagan perdeu a possibilidade de disputar Roubaix, quando no duplo sector de Templeuve furou e viu a concorrência, nomeadamente Avermaet, ir irremediavelmente embora.

Sim, esta é daquelas corridas que não se desperdiçam as horas frente à televisão, para quem não tem a sorte de poder estar no local. Para trás ficam as guerras de palavras - este ano marcadas pela disputa Sagan/Boonen - e as intensas preparações para um dos grandes momentos do ano. Este domingo em Noyon, quando o pelotão estiver preparado para partir, nada do que se passou nas últimas semanas interessa, pois podem ser os 257 quilómetros da vida de um ciclista.

Antes de se terminar com a lista dos 29 sectores de pavé, algumas curiosidades: Albert Champion foi o mais novo a ganhar, tinha 20 anos em 1899; o mais velho foi o também francês Gilbert Duclos-lassalle, aos 38 anos (1993); o primeiro vencedor foi o alemão Josef Fischer (1896); a Bélgica é a nação mais vitoriosa (57), seguida pela França (30) e Itália (11); nos 54,5 quilómetros de pavé existem seis milhões de pedras; aquela que é entregue como troféu pesa uns meros 15 quilos! Mais uma: os últimos quatro vencedores estarão presentes, ou seja, Avermaet, Hayman, Degenkolb e Terpstra. De 2013 para trás, já todos se retiraram.

Sectores de pavé:

29-Troisvilles (km 93,5 - 2,2 km) ***
28-Briastre (km 100 - 3 km) ***
27-Saint-Python (km 109 - 1,5 km) ***
26-Quiévy (km 111.5 - 3,7 km) ****
25-Saint-Vaast (km 119 - 1,5 km) ***
24-Verchain-Maugré (km 130 - 1,2 km) **
23-Quérénaing (km 134.5 - 1,6 km) ***
22-Maing (km 137,5 - 2,5 km) ***
21-Monchaux-sur-Ecaillon (km 140,5 - 1,6 km) ***
20-Haveluy (km 153.5 - 2.5 km) ****
19-Trouée d'Arenberg (km 162 - 2,4 km) *****
18-Hélesmes (km 168 - 1,6 km) ***
17-Wandignies (km 174.5 - 3,7 km) ****
16-Brillon (km 182 - 2,4 km) ***
15-Sars-et-Rosières (km 185.5 - 2,4 km) ****
14-Beuvry-la-forêt (km 189 - 1,4 km) ***
13-Orchies (km 197 - 1,7 km) ***
12-Bersée (km 203 - 2,7 km) ****
11-Mons-en-Pévèle (km 208,5 - 3 km) *****
10-Avelin (km 214.5 - 0,7 km) **
9-Ennevelin (km 218 - 1.4 km) ***
8-Templeuve - L'Epinette (km 223,5 - 0,2 km) * e Templeuve - Moulin-de-Vertain (km 224 - 0,5 km) **
7-Cysoing (km 230,5 - 1,3 km) ***
6-Bourghelles (km 233 - 1,1 km) ***
5-Camphin-en-Pévèle (km 237,5 - 1,8 km) ****
4-Carrefour de l'Arbre (km 240 - 2,1 km) *****
3-Gruson (km 242,5 - 1,1 km) **
2-Hem (km 249 - 1,4 km) ***

31 de março de 2018

Na Volta a Flandres não serão todos contra Sagan. O principal alvo será outro

Philippe Gilbert venceu a Volta a Flandres em 2017. Este ano é novamente
candidato, tal como quase todos os seus companheiros de equipa
Por uma vez não se pode dizer que será todos contra Peter Sagan. Pode estar inevitavelmente no topo da lista da favoritos na Volta a Flandres, contudo, esta época de clássicas tem sido marcada pela falta de um ciclista dominador, como foi Greg van Avermaet em 2017, por exemplo. No entanto, uma equipa que está a ser simplesmente irrepreensível e quase não houve clássica belga que lhe escapasse. A Quick-Step Floors será um alvo a abater porque dos sete corredores inscritos, quatro são candidatos e é melhor não tirar os olhos dos restantes três. É uma das edições em que não se pode destacar claramente um ou dois ciclistas. São vários os que surgem em condições de ganhar, mas falta saber como se irá jogar contra uma equipa tão perfeita neste tipo de provas e que irá obrigar os adversários a terem de controlar praticamente todos os seus corredores.

Esperam-se 264,7 quilómetros muito intensos entre Antuérpia e Oudenaarde. E fica já a boa notícia: o Eurosport vai transmitir toda a corrida, devendo começar às 9:15 (hora portuguesa, mais uma na Bélgica), com a prova a arrancar meia hora depois.

O circuito final que inclui duas passagens no Kwaremont e Paterberg é um momento muito esperado, mas é difícil, mesmo impossível, prever como estará a corrida quando aí se chegar, pois nessa altura já se estará a cerca de 50 quilómetros da meta. Há um ano foi quando faltavam cem que as movimentações começaram a revelar-se decisivas para Philippe Gilbert. Aos 121 quilómetros haverá uma primeira passagem no Kwaremont antes das duas da fase final. Esta subida tem 2,2 quilómetros, pendente máxima de 11,6%, mas média de 4% e tem uma parte em alcatrão e outra em pavé.

O Kapelmuur esteve ausente do percurso durante cinco anos, mas regressou em 2017 e volta a ser incluindo na edição deste domingo. Vai surgir a 95 quilómetros da meta e aqueles 750 metros, que chegam a ter 20% de inclinação, costumam ajudar a seleccionar quem estará em condições de discutir a corrida. Regressando ao conjunto Kwaremont/Paterberg, se a primeira subida é mais extensa e com uma pendente mais simpática, apesar de tudo, a segunda é de grande intensidade: 360 metros, com 12,9% de média e 20,3% de máxima. Em baixo fica a altimetria da 102ª Volta a Flandres, contudo, para conhecer em pormenor todas (e são muitas) as dificuldades da corrida, então carregue neste link e veja no site oficial o percurso que espera o pelotão.


Os candidatos

O principal, ou melhor, a principal, é a Quick-Step Floors. Desta feita é uma equipa que tem de surgir como a mais temível em vez de uma individualidade. Nesse aspecto, Sagan e Avermaet - o belga ainda sem vitórias nas clássicas em 2018 - são os crónicos candidatos, juntamente com Gilbert e Sep Vanmarcke (já se sabe que confirmar créditos de vencedor não tem sido fácil para o ciclista da EF Education First-Drapac powered by Cannondale, mas também a Avermaet custou-lhe começar a ganhar e depois foi o que se viu).

Este ano Tiesj Benoot  (Lotto Soudal) entra definitivamente no lote de candidatos de primeira linha. E não podia faltar Michal Kwiatkowski, da Sky, e Oliver Naesen, da AG2R. Jasper Stuyven está em boa forma, o mesmo não se pode dizer do colega da Trek-Segafredo, John Degenkolb. Os dois ficam numa segunda linha de candidatos, com o belga está ali bem perto da primeira. Ainda da Sky, atenção a Gianni Moscon e é melhor ninguém se distrair com Dylan van Baarle.

Edward Theuns (Sunweb) não deve passar despercebido. O belga está a precisar de um grande resultado para subir na lista de candidatos, mas qualidade não lhe falta para este tipo de corridas. Arnaud Démare é dos ciclistas que tem tido uma equipa, a FDJ, a dar-lhe um bom apoio, mas na Flandres a vida nunca é fácil para os blocos controlarem. Ainda assim o francês tem estado a melhorar no pavé, mas os muros na Bélgica têm tendência a complicar as ambições de Démare. Paris-Roubaix encaixa melhor nas suas características, como mostrou no ano passado (foi sexto). Ainda assim, não se pode afastar por completo a sua candidatura na Flandres.

Falta o outsider dos outsiders e que só não está junto de Sagan e companhia, porque está a dar os primeiros passos a este nível e ainda há que mostrar que consegue manter os bons resultados. Mas certo é que talento não lhe falta e Wout Van Aert já é um ciclista belga que muito entusiasma. Ganhar a Volta a Flandres não seria uma surpresa total. Será que alguém ainda acredita que ficará na Vérandas Willems-Crelan em 2019?

Para terminar a lista dos candidatos... a principal candidata. A Quick-Step Floors venceu sete corridas de um dia na Bélgica e só Niki Terpstra repetiu os festejos. Peter Sagan intrometeu-se neste domínio ao bater Elia Viviani na Gent-Wevelgem. Terpstra estará presente, assim como Philippe Gilbert, vencedor do monumento no ano passado. Aquela fuga solitária de 50 quilómetros ficará como um dos grandes momentos do ciclismo. Segue-se Yves Lampaert. O belga foi decisivo em ajudar Terpstra em Harelbeke e depois ganhou pelo segundo ano consecutivo a Dwars door Vlaanderen (Através da Flandres). O checo Zdenek Stybar afirmou que espera que neste domingo ou então no próximo, no Paris-Roubaix, possa festejar uma vitória nestas corridas míticas.

Iljo Keisse, Tim Declercq e Florian Sénéchal até podem ser vistos mais como homens de trabalho, mas nesta Quick-Step Floors todos trabalham e todos têm a sua oportunidade de ganhar. Nunca é de mais recordar que a equipa belga soma 20 vitórias em 2018, distribuídas por 10 ciclistas.

Apenas uma referência a Vincenzo Nibali que tem recebido muita atenção. O italiano da Bahrain-Merida vai estrear-se na Volta a Flandres aos 33 anos e mesmo que não seja visto como favorito, é um ciclista que pode não conhecer os muros e o pavé do monumento, mas vai estar certamente a ser controlado pelos adversários.

Os portugueses

Aparecem no final do texto não significa que não tenham hipóteses. Pelo contrário, é como que deixar o melhor para fim, ou seja, o sonho de ver um ciclista português pelo menos no pódio. Que bom seria que José Gonçalves tivesse liberdade e é bem provável que assim seja. Tony Martin surge como líder da Katusha-Alpecin, mas uma corrida como esta encaixa melhor no gémeo de Barcelos. Gonçalves irá fazer a sua estreia no monumento da Flandres e a falta de experiência poderá ser um handicap. Porém, a sua qualidade compensa este factor. Há que não esquecer que foi 11º na primeira Strade Bianche que fez.

Já Nelson Oliveira conhece bem esta corrida e conta com dois top 20. É uma prova que aprecia muito e o ciclista da Movistar tem mostrado que está a subir de forma rumo precisamente à Volta a Flandres. Entrar no top dez não seria surpresa nenhuma e se a sorte estiver do seu lado - se há provas em que este factor é quase tão importante como a condição física, são as do pavé -, atenção a Oliveira. A sua lado estará Nuno Bico, que procura um resultado positivo que o lance para uma boa temporada, que não tem sido fácil.

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