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11 de maio de 2017

Selfie sticks estão a tornar-se um problema para o pelotão

(Fotografia: Giro d'Italia)
Com tantas questões em que é necessário promover mudanças em prol da seguranças dos ciclistas, esta Volta a Itália está a deixar claro como os atletas têm uma nova preocupação e de difícil resolução: os selfie sticks. Não é algo novo, mas com as estreitas estradas na Sicília a serem perigosas por si só, com o elevado número de público a fazer com que muitas pessoas "invadissem" a estrada para tentar ver melhor ou tirar fotografias, o risco ficou ainda maior pois o fenómeno das selfies no ciclismo tem sido tirar uma quando o pelotão vai a passar, ou então fazer um vídeo em que se aparece com os ciclistas ao lado, por vezes a grande velocidade. Ou seja, viram as costas aos corredores, o que tem provocado uns valentes sustos, mas também já causou choques e inclusivamente quedas.

A mais recente vítima foi Kristian Sbaragli. Apesar da corrida ter entrado no continente, a procura pelas selfies durante a corrida continuaram e o italiano da Dimension Data escreveu - e juntou uma fotografia - no Twitter que foi atingido por uma pessoa que estava a fazer uma selfie. "Não sei como não cai. Por favor respeitem-nos, isto não é um jogo de computador", lê-se na mensagem (ver em baixo).

Pior aconteceu a Rory Sutherland. O ciclista da Movistar apareceu nas imagens de ontem na televisão fora da bicicleta e um pouco abalado. Agora sabe-se que caiu devido aos adeptos que estavam na estrada. "Os selfie sticks são a nova moda, as pessoas querem tirar fotografias com os ciclistas. A beleza do ciclismo é que podem aproximar-se dos atletas, mas é demasiado quando estão a tocar-lhes", alerta o australiano. Na etapa de hoje, foi o colega Andrey Amador que apanhou um susto, não por um selfie stick, mas porque uma criança estava com os pés na estrada. Felizmente Amador conseguiu desviar-se, mas ao fazê-lo foi por pouco que não provocou uma queda no pelotão.

Franco Pellizotti (Bahrain-Merida) tem muitos anos de ciclismo e já viu um pouco de tudo. O italiano deixa o alerta do perigo que é virar as costas ao pelotão para tirar fotografias. "Não é a primeira vez que vemos os fãs com os selfie sticks e de costas voltadas para o pelotão. Isso é perigoso. Se nos vêem chegar desviam-se, mas de costas voltadas, não nos vêem. Têm de estar atentos", avisa Pellizotti.

Nas redes sociais é possível encontrar algumas dessas fotografias e uns vídeos que até arrepiam dada a proximidade com que os ciclistas acabam por passar das pessoas que naquele momento nem se apercebem do perigo em que estão e que estão a provocar aos corredores.

Como se resolve este problema? Civismo e responsabilidade, é tudo o que os ciclistas podem esperar e pedir que os adeptos tenham.

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10 de maio de 2017

Maglia ciclamino merece que seja Gaviria a vesti-la

Mesmo que não tivesse ganho a etapa, Gaviria já tinha somado
pontos suficientes para vestir a maglia ciclamino (Fotografia: Giro d'Italia)

Na Volta a França há praticamente sempre o interesse dos sprinters em chegar ao fim, nem que seja para disputar a histórica última etapa nos Campos Elísios. Alguns (cada vez menos) também ambicionam tentar ficar com a camisola verde, da classificação por pontos ou da regularidade. Porém, quando se fala da Volta a Itália, os sprinters querem ganhar umas etapas e ir para casa e começar a pensar no Tour. Quando se fala em ganhar a camisola dos pontos, há uma espécie de "não, obrigada", o que se quer é mesmo a Volta a França. Percebe-se que o mediatismo do Tour continua imbatível, mesmo que o interesse competitivo tenha nos últimos anos perdido para o Giro e Vuelta. Ainda assim, é impossível não considerar que há um pouco desrespeito quando os ciclistas que são candidatos à referida classificação e até podem ter a camisola vestida, mas optam por abandonar. Nem tentam.

Há um ano, a organização do Giro não ficou nada satisfeita por ver André Greipel e Marcel Kittel saírem da corrida depois de terem dominado nas etapas planas. Giacomo Nizzolo acabou por ser o vencedor da então camisola vermelha, mas ficou a sensação que só o foi porque os melhores foram para casa mais cedo. Naturalmente que o homem da Trek-Segafredo merece ter o mérito, pois quis a camisola e enfrentou as montanhas do Giro, somou pontos quando conseguiu, não venceu nenhuma etapa, mas fez por ganhar a classificação.

Este ano tudo parece que será diferente. Se no Tour é Peter Sagan que tem assumido sempre o desejo de vencer essa classificação - deseja e ganha mesmo - este ano no Giro aparece um Gaviria que assumiu o objectivo de ficar com a maglia ciclamino, no regresso desta cor no Giro100. Pela primeira vez em alguns anos, esta classificação tem não só alguém que a quer ganhar, como esse alguém é um dos melhores sprinters da competição e um que ameaça estar a caminho de ser um dos melhores do mundo (se é que já não o é). Esta camisola já foi ganha por grandes nomes e está na altura de ter mais um.

Aos 22 anos, este raro talento colombiano para o sprint está a fazer a sua primeira grande volta. Gaviria já disse que quer mesmo terminar, até para assim assimilar uma maior experiência nestas corridas de três semanas. Esta atitude revela que Gaviria poderá muito bem ser um sério adversário de Sagan no Tour num futuro próximo. Para o ciclista da Quick-Step Floors chegar a Milão é importante e terminar envergando a maglia ciclamino é um enorme desejo. Gaviria tem aquele instinto de ganhador nato e este Giro servirá também para perceber se além de etapas, poderá também escrever a sua história numa classificação muitas vezes vista como secundária, atrás mesmo da tabela da montanha.

Fernando Gaviria está a tentar somar pontos em todos os sprints intermédios e já soma duas etapas, o que, independentemente do que aconteça nas próximas duas semanas e meia, significa que já mais do que cumpriu o que se lhe pedia. Claro que há factores que influencia esta sua ambição, além do referido instinto de ganhador. O colombiano é ainda jovem e com vontade de consagrar-se rapidamente na elite. Depois é Marcel Kittel o sprinter escolhido pela equipa belga a apostar no Tour, pelo que Gaviria não é influenciado por uma participação que o poderia deixar em pensar igual a outros: abandonar para aparecer bem em França.

Já não sobram muito mais oportunidades para os sprinters ganharem na Volta a Itália e aquela última semana é normal que assuste qualquer ciclista com poucas características de trepador. No entanto, apesar de ainda só estarem cinco das 21 etapas concluídas, a maglia ciclamino poderá muito bem ter encontrado o ciclista que é merecedor de a vestir. André Greipel já deixou entender que vai repetir a opção de ir para casa mais cedo, Caleb Ewan dificilmente quererá enfrentar as etapas de alta montanha, Giacomo Nizzolo poderá estar a ser ultrapassado por Jasper Stuyven, que também já está a tentar somar pontos. No entanto, a ganhar etapas a este ritmo e a lutar em todos os sprints intermédios, será difícil alguém bater Gaviria.


Giro d'Italia - Stage 5 - Highlights por giroditalia

E esta quarta-feira, o poderio deste colombiano e o trabalho de equipa da Quick-Step Floors voltaram a deixar os adversários a ver Gaviria pelas costas. Literalmente! O ciclista foi de tal forma mais forte no caótico sprint, num percurso extremamente técnico, que os seus adversários limitaram-se a vê-lo levantar os braços e limitaram-se a lutar pelo segundo lugar.

Já agora, não se refere a Vuelta neste texto, porque apesar de também existir essa classificação, não se pode apontar o dedo aos sprinters por não a quererem conquistar. Afinal, etapas para eles são praticamente inexistentes.

A quinta tirada no Giro teve então Gaviria como vencedor. A Quick-Step Floors está a repetir a Volta a Itália fenomenal que teve em 2016, ainda que com uma equipa bem mais jovem e inexperiente. Já são duas vitórias de etapas, com Gaviria e Jungels a já terem vestido a maglia rosa, que o luxemburguês mantém e que dificilmente perderá pelo menos até domingo.

Erro de contagem de Pibernik. Esloveno festejou cedo de mais
(Fotografia: Twitter @giroditalia)
Na despedida da Sicília de Vincenzo Nibali, o dia acabou por ficar marcado por um daqueles momentos insólitos que as chegadas em circuito de vez em quando proporcionam. Luka Pibernik (Bahrain-Merida) tentou fazer o mesmo que Lukas Pöstlberger (Bora-Hansgrohe) na primeira etapa. Aproveitou uma rotunda para ganhar vantagem do pelotão, pedalou como provavelmente nunca o fez para tentar uma vitória, levantou os braços a festejar, mas de repente olhou para trás e viu que os ciclistas aproximavam-se a uma velocidade de loucos! Pibernik enganou-se na contagem, pois era só à segunda passagem pela meta que se discutiria a etapa. Acontece, mas é sempre algo constrangedor. Pibernik acabou por ser o 148º a cortar a meta, quando foi mesmo a valer.

Esta quinta-feira voltamos às maratonas, com 217 quilómetros à espera do pelotão. Não é uma é uma etapa que se possa dizer que seja de caras para os sprinters. Apesar da terceira categoria ser muito cedo e haver tempo para recuperações, a verdade é que o final é tudo menos plano. Só uma subida está categorizada (quarta), mas é um sobe e desce constante que criará problemas a homens como Caleb Ewan, por exemplo.



Será um dia para uma fuga até ter a sua oportunidade e é difícil não olhar para o gráfico da sexta tirada entre Reggio Calabria e Terme Luigiane e não pensar em José Gonçalves. O ciclista da Katusha-Alpecin adapta-se na perfeição a este tipo de terreno. Falta perceber se o abandono forçado de Kochetkov (caiu na quinta etapa) e com Losada ainda a tentar recuperar da queda de ontem - voltou a ser o último a cortar a meta -, a equipa poderá dar ordem para proteger Ilnur Zakarin, que tem estado algo azarado neste Giro. Mas se houver liberdade, então esta é etapa para José Gonçalves disputar.

O Giro entra agora no continente depois de passar pelas ilhas da Sardenha e da Sicília. A partir de agora é sempre a ir em direcção a norte e as fotografias que chegam do Stelvio (nos Alpes), por exemplo, revelam uma montanha com muita (mesmo muita) neve, pelo que as temperaturas mais amenas dos primeiros dias - menos na subida ao Etna - podem agora ser substituídas por umas bem mais fresquinhas à medida que o pelotão for subindo rumo ao norte do país.

Veja aqui as classificações completas após a quinta etapa.

»»Muita garganta, pouca acção e uma expulsão por conduta violenta««

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9 de maio de 2017

Muita garganta, pouca acção e uma expulsão por conduta violenta

A paisagem de um vulcão com os favoritos a marcarem-se (Fotografia: Giro d'Italia)
As expectativas eram altas e já sabe que tal pode dar azo a uma desilusão ainda maior. Houve momentos de interesse, é certo, mas foram poucos tendo em conta as características da subida ao Etna, na Sicília, e principalmente tendo em conta os discursos de alguns dos candidatos antes da quarta etapa do Giro100, que pareciam indicar que haveria ataques. Houve apenas uma acelerações, pequenos testes que não serviram para criar qualquer emoção. Restou Jan Polanc, que esteve em fuga 170 dos 181 quilómetros da etapa e fez a ascensão em solitário para uma brilhante vitória, a primeira da UAE Team Emirates numa grande volta. Perante a falta de movimentações dos candidatos, o assunto do dia acabou por ser a expulsão da corrida de Javier Moreno. O espanhol da Bahrain-Merida foi acusado de "conduta violenta" ao ter empurrado Diego Rosa, provocando a queda do ciclista da Sky.

Começando precisamente por esta expulsão. As imagens de televisão captaram o momento em que os ciclistas estariam a trocar algumas palavras, com Moreno a agarrar o italiano e a empurrá-lo. Naquela zona estava algum público e Rosa terá caído ao tentar evitar chocar com essas pessoas. "Foi uma coisa estúpida. Foi o stress do momento. Se um homem empurra outro para fora da estrada e contra o público, é algo perigoso", afirmou Diego Rosa.



Tanto Javier Moreno e a Bahrain-Merida aceitaram a sanção da UCI e pediram desculpa ao italiano e à Sky. O espanhol explicou o que aconteceu num comunicado divulgado pela sua equipa: "Os meus colegas de equipa estavam alinhados na aproximação à última subida, com a Sky a chegar pela esquerda e o Rosa queria ficar na roda dos meus colegas, que estavam à minha frente. Quando ele se apercebeu que eu estava a resistir, ele insistiu e eu reagi empurrando-o, infelizmente provocando a sua queda. Quero pedir desculpa pela minha reacção e deixar claro que não foi minha intenção que ele caísse. Peço desculpa a ele, à Sky, aos meus companheiros de equipa e aos patrocinadores."

O director da equipa, Brent Copeland, também deixou a sua mensagem: "Esta foi uma situação infeliz que aconteceu durante um momento de tensão, contudo, o acto do Javier é inaceitável. Em nome da Bahrain-Merida peço desculpa aos envolvidos." Depois de cinco anos na Movistar, Moreno foi para a nova equipa do Médio Oriente e a sua expulsão significa a perda de um importante homem de trabalho na ajuda a Vincenzo Nibali.

Agora a corrida...

Polanc nem conseguia acreditar no seu feito (Fotografia:Giro d'Italia)
Não vamos deixar que um acto irreflectido de Javier Moreno se sobreponha à espectacular vitória de Jan Polanc.  O esloveno de 25 anos descreveu o dia como o mais difícil da sua carreira, mas sem dúvida que será certamente um dos mais memoráveis, mesmo daqui a dez anos ou mais. Não é muito habitual tão cedo numa grande volta se ver uma fuga tão longa triunfar, mas tendo em conta que Polanc já tinha perdido algum tempo, acabou por não haver grande preocupação para apanhar o colega de Rui Costa.

Os candidatos estiveram mais preocupados em fazer uma marcação cerrada uns aos outros. Chegaram ao ponto de estarem alinhados lado a lado, sem que ninguém tomasse a iniciativa. O Etna merecia que tivessem feito um pouco mais, mas o vento acabou por tornar a subida ainda mais difícil, pelo que o objectivo acabou por ser não perder tempo e não tanto atacar e fazer diferenças. Vincenzo Nibali acelerou, mas Nairo Quintana nem se preocupou em ir atrás do italiano, esperando que Andrey Amador fizesse a perseguição, sem grande problema. Thibaut Pinot (FDJ) ainda passou pela frente, Tom Dumoulin (Sunweb) quis ver como estavam as forças dos rivais. E ficaríamos por aí não fosse Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin).

O russo está a ter um Giro acidentado - chegou a cair nesta etapa - e como precisava de recuperar alguns segundos, aproveitou quando todos estavam a marcar-se mutuamente, a ver se alguém atacava e foi ele quem se afastou. Com os seis segundos de bonificação do segundo lugar, mais uns na estrada, Zakarin está agora a 14 da liderança. Em primeiro lugar está Bob Jungels. Este luxemburguês lá vai coleccionando maglias rosas. Há um ano já a tinha envergado e nesta edição sucedeu ao colega da Quick-Step Floors, Fernando Gaviria. Aos 24 anos, Jungels vai fazendo a sua afirmação e o trabalho feito pela equipa na terceira etapa - que aproveitou o vento para provocar cortes no pelotão - garantiram agora mais uma liderança, que até poderá manter-se pelo menos até domingo, quando houver nova chegada em alto, em Blockhaus.

De destacar ainda Geraint Thomas que sprintou pelas bonificações e ganhou quatro segundos, enquanto o seu colega e co-líder da Sky, Mikel Landa, teve um furo no início da subida ao Etna e foi obrigado a esforço extra. Conseguiu chegar com o grupo. Quem acabou por ter uma grande desilusão foi Rohan Dennis. O homem do plano de quatro anos para ganhar uma grande volta abandonou o Giro logo na quarta etapa. O australiano teve uma queda feia no terceiro dia, numa altura em que a velocidade era muito alta, com alguma confusão a gerar-se no pelotão devido ao vento. Dennis ficou muito mal tratado do lado direito do corpo e apesar do dia de descanso, o ciclista da BMC queixou-se durante a tirada desta terça-feira de dores de cabeça e no pescoço. Por precaução, a equipa e o ciclista optaram pela retirada.

A BMC irá agora ficar exclusivamente concentrada em Tejay van Garderen, mas já a AG2R e a Katusha-Alpecin perderam dois homens de trabalho. A equipa francesa ficou sem Alexandre Geniez e a formação suíça sem Pavel Kochetkov, que foi um dos envolvidos numa queda que afectou também o seu líder, Zakarin. Alberto Losada também caiu noutra fase da corrida. Parecia que poderia abandonar, mas lá conseguiu terminar. Foi o último a cortar a meta, a mais de 38 minutos do vencedor.


Giro d'Italia - Stage 4 - Highlights por giroditalia


Rui Costa deixa boas indicações, Gonçalves e Mendes voltam a perder tempo

Foi uma excelente etapa para Rui Costa. O ciclista português só na derradeira fase da subida ao Etna perdeu o contacto com o grupo da frente. Ainda há pouco tempo, Rui Costa esteve a treinar naquela zona de Itália, pelo que se esperava que pudesse ter alguma ideia, mas claro que com Polanc na frente, o campeão do mundo de 2013 não podia atacar. Tendo em conta que o objectivo é a vitória de etapas, a perda de 1:05 minutos não é nada que preocupe o português. Com Polanc a garantir o triunfo, não era necessário forçar o andamento e o melhor era mesmo começar a pensar que ainda há muita corrida pela frente e Rui Costa quer uma etapa. "Esta vitória deixa toda a equipa mais tranquila, feliz e serve de motivação para as dificuldades que se avizinham. O objectivo da nossa equipa para este Giro era a vitória de etapas e a primeira já está. Seguimos o bom caminho", escreveu Rui Costa no seu blogue.

O campeão nacional, José Mendes (Bora-Hansgrohe), não teve um bom dia e perdeu quase 23 minutos, enquanto José Gonçalves (Katusha-Alpecin) terminou a 10:45 de Jan Polanc. Para o ciclista de Barcelos é um resultado absolutamente normal. Fez o seu trabalho e depois começou a pensar nos próximos dias. Estas perdas de tempo poderão ajudá-lo numa eventual fuga que possa integrar. Já José Mendes certamente que já estará a estudar etapas em que possa também ele tentar entrar num grupo que pretenda disputar uma etapa, longe do pelotão.

Quinta etapa



Nesta quarta-feira haverá uma etapa mais curta, "apenas" 159 quilómetros entre Pedara e Messina, terra de Vincenzo Nibali. A primeira parte do dia será algo acidentada, mas é provável que as equipas dos sprinters voltem a tentar preparar terreno para os seus homens rápidos.

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8 de maio de 2017

Sérgio Paulinho e Américo Silva recordam as participações na Volta a Itália

(Fotografia: Giro d'Italia)
Sérgio Paulinho e Américo Silva. Duas gerações de ciclistas portugueses, amigos e agora líder e director desportivo da Efapel. Actualmente trabalham em prol de tentar vencer a Volta a Portugal, no regresso de Paulinho a Portugal depois de 12 anos ao mais alto nível, mas no currículo de ambos está uma Volta a Itália. Em ano da 100ª edição da corrida, o Volta ao Ciclismo foi recordar a experiência de ambos nesta corrida, que está na sombra do Tour, mas que tem por hábito oferecer bons espectáculos de ciclismo. Ambos adoraram a experiência e Sérgio Paulinho disse mesmo que recomenda aos ciclistas portugueses que tiverem a oportunidade a fazer o Giro.

"Nestes últimos anos, a corrida que mais adorei fazer foi o Giro. É tudo em si... o convívio que há no Giro acaba por ser diferente de todas as outras corridas. Recomendo", salientou o ciclista da Efapel. Foi em 2015 que Sérgio Paulinho foi chamado para estar em Itália, a grande volta que lhe faltava. "Era um desejo que sempre tive e estive ao ponto de não o concretizar porque não fazia parte do meu calendário em 2015. Só fui à última hora porque no início do ano a minha forma era boa, as coisas estavam a correr-me bastante bem e a equipa decidiu levar-me", recordou. Competitivamente acabou por ser mais uma grande volta que ajudou Alberto Contador a conquistar - Paulinho terminou na 97ª posição, a mais de quatro horas do colega -, mas o português salienta também outros factores que o fizeram adorar as três semanas que passou no Giro, comparativamente com a Volta a França.

"Os hotéis são muito melhores, a comida é muito melhor. Quando falo da comida, falo daquela que costumamos comer, as massas, o arroz... é completamente diferente. Para mim o Giro tem tudo para ser melhor do que o Tour. O único problema da Volta a Itália, por vezes, é a meteorologia, devido às suas datas. Se calhar, se trocássemos o Giro pelo Tour, acho que logo no primeiro ano o Giro teria muito mais impacto do que o Tour", referiu. Mesmo em termos de público, o ciclista destacou que em Itália é melhor.

Das três grandes voltas, Sérgio Paulinho considera que a italiana é a mais dura. Contudo, destaca então um outro factor extra-corrida: o convívio. "Só para se ter uma ideia, há sempre aqueles espaços a que chamamos villages, onde estão os stands dos patrocinadores e que nós podemos visitar. Mas no Tour é praticamente impossível. Ou seja, no Tour, levantamo-nos, tomamos o pequeno-almoço, vamos para o autocarro, do autocarro vamos directos para a partida. Não podemos ir visitar os stands, tomar um café com amigos do pelotão... No Giro isso é possível fazer e é uma coisa que nós ciclistas gostamos, esse convívio, de tirar fotos com miúdos que nos vêm ver, que querem as fotos com os seus ídolos. E depois é aquele tempo de café: dentro de uma hora és meu adversário, mas agora somos amigos! Isso encantou-me", contou.

É preciso recuar até 1993 para falar da presença de Américo Silva na Volta a Itália. Terminou na 116ª posição, a mais de duas horas do vencedor, Miguel Indurain. Teve como melhor resultado o nono lugar numas das etapas. "Não me correu muito bem. Naquele ano fizemos a Volta a Espanha e Giro, que eram corridas muito em cima uma da outra. Eu estava numa equipa pequena e não havia o intuito de estar bem no Giro, era mais nas provas em Espanha. Eu fui dos poucos da equipa que terminou a corrida", recordou. 

Mesmo não tendo corrido bem, Américo Silva realçou que gostou muito de estar no Giro e comparou com a Volta a Espanha: "O nível competitivo era superior." Porém, disse que a organização era melhor na Vuelta. Quanto ao facto do Giro estar sempre atrás do Tour a nível de importância e de preferência da maioria dos ciclistas, ainda que tenha até possa proporcionar melhores espectáculos, o director desportivo da Efapel realçou que a Vuelta tem sido a mais espectacular nos últimos anos e mesmo assim está em terceiro nesse "ranking" das grandes voltas.

"A grande diferença que existe é que normalmente para o Giro e Vuelta meia dúzia de ciclistas preparam-se bem. Na Volta a Itália são os italianos e normalmente na Vuelta, os espanhóis, mas um ou outro estrangeiro. No caso do Tour, todos os ciclistas que lá estão vão na máxima força. Ninguém vai lá a dizer a dizer que vai preparar outra corrida. No Giro alguns dizem isso. A Volta a Espanha como é a última e como andaram bem no Giro ou no Tour, então há uma elite que a disputa. Só por este discurso percebe-se que o Tour... é o Tour. Todos partem com o objectivo de estar muitíssimo bem na Volta a França", explicou.

No entanto, considera que este ano poderemos estar perante um Giro mais competitivo, até pela presença de vários líderes que, ao terem essa posição numa equipa, querem ganhar. E claro, na Volta à França há um Chris Froome e uma Sky que diminuem muito a possibilidade de alguém vencer, o que faz com que alguns ciclistas olhem para a corrida italiana como a possibilidade de vencer uma grande volta. E depois, ser 100ª edição também tem o seu peso.

Candidatos ameaçam começar a atacar já no Etna

Quanto à actual edição, as primeiras três etapas da Volta a Itália foram mais a pensar nos sprinters, ainda que na segunda uma subida de segunda categoria dificultou a vida de alguns dos homens da rápido. Se na maior parte dos dias foram tiradas do mais expectável no ciclismo - fuga, com equipas dos sprinters a perseguir - os finais acabaram por ser bem interessantes. No primeiro dia foi Lukas Pöstlberger a grande surpresa. Tentou preparar o sprint para o colega Sam Bennett, mas ganhou vantagem e acabou por vencer, com a Bora-Hansgrohe a começar o Giro - a sua primeira grande volta como equipa World Tour - com todas as camisolas, já que Cesare Benedetti ficou como líder da classificação da montanha.

Na segunda etapa, André Greipel venceu a sétima da sua carreira no Giro, mas no dia seguinte o vento proporcionou um grande espectáculo, com a Quick-Step Floors a "partir" o pelotão. Fernando Gaviria venceu na sua estreia no grande volta e Bob Jungels ganhou uns segundos aos restantes candidatos. Três etapas, três líderes e esta terça-feira haverá certamente um novo.


Depois do dia de descanso, os ciclistas terão pela frente a primeira chegada em alto. O Etna poderá começar a marcar desde já diferenças, tendo em conta o discurso de alguns dos favoritos. Geraint Thomas (Sky) está com ideias, assim como Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo). Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) admite como seria perfeito estar vestido de rosa quando na quarta-feira a etapa acabar em Messina, cidade onde nasceu. Tejay van Garderen (BMC) diz que está a sentir-se muito bem, mas fala mais em defender-se do que propriamente atacar. Serão 181 quilómetros entre Cefalù e a meta no Etna (gráfico da subida final em baixo).


Numa corrida de 21 dias, pode parecer cedo para tentar ataques muito fortes. Porém, tendo em conta que só no domingo os candidatos voltarão a ser colocados em prova, com mais uma chegada em alto, em Blockhaus, é provável que se comece a assistir a alguns testes, nem que seja tentar perceber quem está e não está bem.

»»Veio o vento e foi 'showtime' da Quick-Step Floors««

»»Greipel em máxima potência já tem a sua maglia rosa««

Sam Bennett passou noite na casa-de-banho e perdeu três quilos: "Pensei que ia morrer"

(Fotografia: Ralph Scherzer/Bora-Hansgrohe)
Depois de ver o seu colega Lukas Pöstlberger ganhar a primeira etapa da Volta a Itália, Sam Bennett tinha o objectivo de nos dois dias seguintes ser ele a disputar as tiradas para a Bora-Hansgrohe. Porém, a noite depois do momento de celebração da equipa alemã - tinha conquistado todas as camisolas, além da etapa - foi um autêntico pesadelo para o ciclista irlandês de 26 anos. Bennett contou que passou mais tempo na casa-de-banho do que a dormir e que na manhã seguinte descobriu que tinha perdido três quilos. Sábado e domingo foram dias de enorme dificuldade, mas Bennett conseguiu terminar as etapas e espera agora beneficiar da paragem do Giro esta segunda-feira.

O irlandês deve ser dos poucos ciclistas que não se importou nada de uma "folga" logo após três dias de competição. Bennett está a escrever sobre a sua experiência na Volta a Itália para o jornal Irish Independent e foi num dos textos que explicou o que lhe aconteceu e como viveu um problema de saúde que o assustou bastante. "[Sábado] pensei que ia morrer", admitiu Bennett. "Apesar do Lukas [Pöstlberger] ter deixado a porta do quarto aberta porque estava muito calor, quando consegui arrastar-me para a cama, estava a tremer debaixo do edredão. Ao pequeno-almoço estava três quilos mais leve do que na manhã anterior, com uma enorme dor de cabeça e temperatura alta. Sabia que ia passar um mau bocado", escreveu o ciclista.

Nesse sábado, o director desportivo bem tentou motivar o seu ciclista a entrar na discussão do sprint, mas Bennett explicou que depois da subida sentiu-se "vazio" e não teve energia para lutar pela vitória. No final, o irlandês foi para o autocarro, tomou banho e adormeceu no chão. Depois do jantar dormir 11 horas seguidas.

Apesar de ter recuperado um pouco, ainda assim, no domingo, Bennett estava longe de estar a 100% e até foi uma conversa com o compatriota da Sky, Philip Deignan que o ciclista da Bora-Hansgrohe percebeu que não deveria massacrar-se com um ritmo elevado. As dificuldades acabaram ser novamente muitas e foi Jan Bárta que ajudou o seu colega, com Bennett admitir que se não fosse o checo a "rebocá-lo" nos últimos 50 quilómetros, com muito vento à mistura, não teria terminado a etapa.

Sam Bennett, colega do campeão nacional José Mendes, não explica se soube o que provocou a grave indisposição que quase lhe custou a presença no Giro e que o deixou muito preocupado. Porém, salientou a importância que o dia de descanso desta segunda-feira poderá ter para tentar recuperar o melhor possível, pois afinal ainda há etapas em que poderá tentar disputar o sprint.


7 de maio de 2017

Veio o vento e foi 'showtime' da Quick-Step Floors

(Fotografia: Giro d'Italia)
Inteligência, preparação táctica e um trabalho de equipa exemplar. A Quick-Step Floors deu uma lição de colectivo pouco vista no ciclismo. É habitual ver o trabalho de protecção de líderes, perseguição de fugas, mas uma só equipa ao ataque, a "partir" o pelotão, provocando um pânico generalizado é raro, ainda mais em grandes voltas.

O vento apareceu para fazer a diferença na despedida do Giro da Sardenha e se havia várias equipas com a ideia de tentar fazer diferenças, a verdade é que foi uma que deixou quase todos para trás. Geraint Thomas (Sky) admitiu que queria aproveitar o vento para ganhar tempo, mas tanto ele como Vincenzo Nibali, Nairo Quintana e todos os outros candidatos acabaram a fazer um esforço enorme para não perder demasiado tempo. Só Thomas ainda esboçou uma reacção, mas perante a dificuldade em manter a bicicleta direita tal era a força do vento, teve de ver a Quick-Step afastar-se, ver Bob Jungels ganhar uns segundos e Fernando Gaviria abrir a contagem em grandes voltas.

Para três etapas na teoria mais previsíveis, o Giro começou bastante animado, graças à surpresa de Lukas Pöstlberger, à reacção portentosa de André Greipel e, este domingo, à Quick-Step Floors. Três tiradas, três líderes. A equipa belga merece todo o destaque, mas é impossível não falar deste fabuloso Gaviria. Aos 22 anos está a fazer a sua primeira grande volta e à terceira etapa estreou-se a vencer. Gaviria é o colombiano que quebra com a tradição ciclística daquele país. Não é o primeiro sprinter, mas a verdade é que estamos habituados a ver os colombianos como grandes trepadores e actualmente temos vários exemplos disso mesmo. Geneticamente são atletas com natural capacidade para terrenos difíceis, beneficiando também de nascerem e cresceram em altitude. Nairo Quintana não tem de fazer treinos específicos de altitude, basta ir treinar para a sua terra natal, como normalmente faz!

Mas regressando a Gaviria, o jovem sprinter teve a influência do pai que o motivou a tornar -se um sprinter. Na família há mais ciclistas, como a irmã, por exemplo, mas é Gaviria que cada vez mais parece destinado a grandes feitos. A etapa no Giro teve o bónus de uma maglia rosa que deixou o colombiano com dificuldades em segurar as lágrimas de emoção. Até as palavras estavam difíceis de sair. É certo que quem restou para sprintar e que não era da sua equipa, estava claramente em desvantagem. Mas Giacomo Nizzolo, por exemplo, não é um ciclista qualquer - venceu a classificação por pontos no Giro em 2016 -, mas Gaviria está a entrar naquela elite de sprinters destinada aos grandes, como Mark Cavendish, Marcel Kittel e André Greipel, só para referir os três principais nomes da actualidade. Foi a quinta vitória do ano para Gaviria (25ª da equipa), que venceu a primeira tirada na Volta ao Algarve.

Havia algumas dúvidas com esta Quick-Step Floors, que surpreendeu um pouco com as escolhas para a Volta a Itália. Apostou na juventude, que traz com ela inexperiência em grandes voltas. Depois de em 2016 ter sido fantástica - com Kittel, Brambilla e Trentin a vencer etapas, dos dois primeiros, mais Jungels a passarem pela liderança -, para este ano parecia claro que era em Gaviria que residia a esperança de vitórias e em Jungels para tentar intrometer-se na luta pela vitória. O colombiano já cumpriu e o luxemburguês fez aquilo que muito caracteriza a forma de estar no Giro: atacar, seja em que etapa for. Aqui não há controlos de ninguém durante três semanas.


Giro d'Italia - Stage 3 - Highlights por giroditalia

Jungels disse que a equipa queria surpreender aproveitando o vento. Não se pode falar que tenha sido uma surpresa, já que todas as formações estavam mais do que avisadas para aqueles ventosos últimos quilómetros. A questão foi união surgir no momento certo, muito por culpa de um Jungels que não se escondeu por trás da liderança que têm na Quick-Step Floors. Quis levar Gaviria à vitória, mas foi à procura de ganhar uns segundos. São só dez, mas a ver vamos se podem fazer a diferença quando a montanha chegar (e é já na terça-feira).

Os candidatos assustaram-se e tiveram de ir muito mais a fundo do que provavelmente desejariam nesta fase tão precoce da corrida. Mas o Giro é assim e a 100ª edição agradece!

Com excepção de Jungels, quase todos os restantes favoritos chegaram juntos. Nesse grupo estava Rui Costa (UAE Team Emirates), mas os outros dois portugueses não estiveram tão bem. José Gonçalves (Katusha-Alpecin) perdeu mais um 1:07 e começa a colocar-se numa boa posição para mais à frente na corrida tentar integrar uma fuga que possa triunfar. José Mendes cortou a meta com 1:17 minutos de atraso e perde terreno no objectivo de um bom lugar na geral, mas o outro líder da equipa, Jan Bárta também não foi mais feliz e já tem 1:40 minutos de atraso.

Entre os potenciais candidatos, o azarado do dia foi Rohan Dennis. O ciclista da BMC caiu e perdeu mais de cinco minutos. E já que falamos de azarados, desta vez também tocou a André Greipel (Lotto Soudal). O alemão conseguiu colar-se à Quick-Step Floors, mas um problema na bicicleta fê-lo desacelerar e já não houve hipótese de chegar à frente. O azar custou-lhe a maglia rosa.

Três dias a grande velocidade na Volta a Itália, que agora fará uma pausa invulgar muito cedo na competição, para permitir a viagem para a outra ilha: Sicília. Terça-feira, o Etna será o cenário para a primeira chegada em alto.



6 de maio de 2017

Greipel em máxima potência já tem a sua maglia rosa

Greipel já tem a sua maglia rosa (Fotografia. Giro d'Italia)
Não foi à primeira, foi à segunda. André Greipel conseguiu a maglia rosa que tanto ambicionava, cumprindo assim um dos objectivos da temporada, além de vencer mais uma etapa na Volta a Itália. E já lá vão sete. É preciso recuar oito anos para ver Greipel com a camisola da liderança numa grande volta, tendo-a vestido na Vuelta. Por isso, compreende-se a vontade que tinha em ter a camisola rosa, num ano em que a corrida italiana não começou com um contra-relógio - que normalmente dificulta esse plano aos sprinters - e claro, é o Giro100. Mais uma estatística e esta é bem impressionante: desde 2008 que Greipel vence pelo menos uma etapa numa grande volta.

Na sexta-feira, o alemão da Lotto Soudal viu Lukas Pöstlberger escapar no último 1,5 quilómetro, mas mostrou ser um bom perdedor, elogiando a forma com o austríaco aproveitou a situação para viver um momento histórico para ele, para a Bora-Hansgrohe e para o seu país. Desta vez as equipas dos sprinters não se deixaram surpreender e quando se viu um camisola rosa chegar-se à frente, rapidamente a Orica-Scott tratou de colocar Pöstlberger um pouco mais para trás, ainda que o austríaco estivesse a tentar colocar Sam Bennet. Mas compreende-se a urgência da equipa australiana, na primeira etapa também foi na tentativa de colocar o seu sprinter que Pöstlberger acabou por ganhar uma pequena, mas valiosa vantagem.
Momento do sprint (Fotografia: Giro d'Italia)

Porém, o trabalho da Orica-Scott ficou estragado quando Caleb Ewan viu o pé sair do encaixe do pedal, no momento em que disputava o sprint com Fernando Gaviria (Quick-Step Floors). Greipel arrancou de trás e arrumou com a concorrência ao colocar em acção toda a sua conhecida potência, atingindo uma velocidade de 68,8 quilómetros/hora.

Tanto Ewan como Greipel sabiam que podiam chegar à liderança, pois ontem foram segundo e terceiro, respectivamente, tendo bonificado. Se Pöstlberger não ficasse os três primeiros, como era expectável, um deles ficava com a maglia rosa. O azar deixou Ewan devastado, mas ainda assim confiante que poderá vencer uma etapa, apesar das oportunidades não serem muitas.

O segundo dia do Giro100, entre Olbia e Tortolì, foi mais uma maratona acima dos 200 quilómetros (mais precisamente 221). Os sprinters lá sobreviveram à subida de segunda categoria, uns melhores do que outros, e conseguiram discutir a etapa. No entanto, uma das figuras do dia voltou a ser Daniel Teklehaimanot. O ciclista da Eritreia já ontem tinha tentado ser líder ou da classificação da montanha ou por pontos, mas não conseguiu nenhuma. Hoje atacou na subida a Genna Silana e apesar da resposta de Cesare Benedetti, então o dono da camisola azul, o homem da Dimension Data conseguiu a liderança por que tanto lutou. Isto significa que a Bora-Hansgrohe depois de começar o Giro com as camisolas todas, agora ficou só com a branca, da liderança da juventude.

E uma palavra para Pöstlberger. O jovem austríaco sabia que estava a viver um dia único (bom, certamente que espera alcançar mais vitórias, mas a da primeira etapa no Giro, por tudo o que significou, será única) e soube aproveitar muito bem o momento. Na referida subida chegou inclusivamente a tentar responder ao ataque, como um verdadeiro líder. Não conseguiu aguentar o ritmo, mas foi bonito de se ver. Contudo, comprovando que apesar de vestido de rosa sabia perfeitamente a sua função, voltou a tentar colocar Sam Bennett no sprint. Quantas vezes vemos um líder de uma grande volta fazer isso? Depois do momento de glória, chegou a altura de se perceber como irá Pöstlberger evoluir no futuro próximo e tirar partido do que viveu, algo que foi verdadeiramente especial.


Giro d'Italia - Stage 2 - Highlights por giroditalia


Quando aos portugueses, Rui Costa (UAE Team Emirates) foi 10º e José Mendes (Bora-Hansgrohe) 77º, ambos com o mesmo tempo de André Greipel. Já José Gonçalves teve um dia mais difícil porque o seu líder, Ilnur Zakarin, teve um problema mecânico já perto do final da etapa. Trocou de bicicleta e foi obrigado a uma recuperação, na qual participou praticamente toda a Katusha-Alpecin. No entanto, o russo torna-se no segundo candidato a perder tempo, pois cortou a meta 20 segundos depois de Greipel. Ontem tinha sido Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo) a deixar escapar 13 segundos.

E se este sábado os sprinters sobreviveram a uma dificuldade que poderia ter proporcionado outro desfecho, no domingo é dia para eles (se não se deixarem surpreender novamente, claro). A etapa será bem mais curta, com 148 quilómetros entre Tortolì-Cagliari, naquela que será a despedida da Sardenha. Apenas há uma quarta categoria para ser ultrapassada, pelo que é possível que seja uma etapa rápida, antes do primeiro dia de descanso.



De recordar que este ano, devido a esta passagem pela Sardenha, a organização mudou o calendário. A corrida começou na sexta-feira e terá três dias de descanso, sempre às segundas-feiras. Na terça-feira, o pelotão estará na outra ilha, da Sicília, terra de Vincenzo Nibali. Será a primeira chegada em alto do Giro com o Etna à espera de ver se alguém quer fazer desde já algumas diferenças.

Veja aqui os resultados e classificações após a segunda etapa do Giro100.

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»»Ruffoni defende-se: "Nunca tomei substâncias proibidas. Vou defender a minha credibilidade até ao fim"««

Ruffoni defende-se: "Nunca tomei substâncias proibidas. Vou defender a minha credibilidade até ao fim"

(Fotografia: Facebook Nicola Ruffoni)
48 horas depois do choque que provocou a notícia de que dois ciclistas italianos estavam fora do Giro na noite antes da corrida arrancar devido a casos de doping, um dos corredores da Bardiani-CSF em causa quebrou o silêncio. Nicola Ruffoni, 26 anos, diiz que não compreende o que se passou, sugerindo que poderá estar relacionado com um problema na próstata que o obrigou a tomar antibióticos, dias antes de a amostra de urina ter sido recolhida. O ciclista, de 26 anos, admitiu que tem a carreira em risco e que, por isso mesmo, vai lutar com tudo o que tem para provar a sua inocência, ainda que nem a equipa pareça acreditar nela.

"Eu nunca, nunca, durante a minha carreira tomei substâncias proibidas. Estou a tentar encontrar explicações sobre o que poderá ter acontecido no último mês antes do teste", escreveu Ruffoni numa mensagem publicada no Facebook. O italiano salienta que não mudou a sua dieta, nem o estilo de vida e perante a sua desconfiança que em causa poderá estar os antibióticos que tomou quando teve o problema na próstata, entre 20 de Março e 20 de Abril, Ruffoni referiu que irá consultar um endocrinologista para tentar confirmar a sua tese.

No entanto, para já resta ao ciclista aguardar pelo resultado da contra-análise: "Vou esperar calmamente e tentar defender a minha credibilidade até ao fim." "Sei que a minha carreira está em risco, mas também sei que não tentei fazer batota", acrescentou o ciclista.

De momento Ruffoni está suspenso provisoriamente até ser conhecida a contra-análise. O mesmo acontece com Stefano Pirazzi, que também testou positivo a mesma substância hormonal. Este último ainda não falou sobre o caso. Ambos os ciclistas ainda estiveram na apresentação da Bardiani-CSF no dia antes do início do Giro100. Ao ser conhecida a suspensão, ambos não mais foram vistos, tendo saído da Sardenha sem ter falado sobre o assunto. Já o director desportivo da equipa, Stefano Zanatta, acusou os dois ciclistas de não compreenderam o trabalho que ali se realiza, confessando que ficou de tal forma zangado que até chorou.

A Bardiani-CSF garantiu o convite para o Giro ao vencer a Taça de Itália em 2016, mas correu o risco de ser expulsa devido aos dois casos de doping. Mauro Vegni, director da corrida, optou por manter a equipa na prova, já que caso as contra-análises sejam negativas, poderia enfrentar um processo judicial. Porém, Vegni ameaça fazer isso mesmo à Bardiani-CSF, se as contra-análises forem positivas. A equipa italiana tem ajudado a evoluir alguns ciclistas italianos, que conseguiram chegar ao World Tour, como Sonny Colbrelli, Sacha Modolo e Domenico Pozzovivo. Perante a suspensão de Pirazzi e Ruffoni, a Bardiani-CSF está a fazer o Giro apenas com sete ciclistas.


5 de maio de 2017

Bora-Hansgrohe ao estilo Sagan: ganhar tudo com espectáculo

(Fotografia: Giro d'Italia)
Começar o Giro100 com uma vitória de etapa e com a maglia rosa seria perfeito para qualquer ciclista. Porém, a Bora-Hansgrohe deu outra definição à perfeição: venceu a etapa e ficou com as quatro camisolas em disputa. Para a equipa alemã já era uma enorme satisfação ver Cesare Benedetti tirar partido da fuga para garantir a liderança na montanha. Mas a grande surpresa chegaria quilómetros mais tarde. E a surpresa é provável que tenha sido tanto dos sprinters que perderam a oportunidade de ter a maglia rosa, dos adeptos e da própria equipa. A estrela do dia acabou por ser um relativamente desconhecido Lukas Pöstlberger. Em 1,5 quilómetros o austríaco saiu do anonimato para aos 25 anos viver um momento absolutamente espectacular na sua ainda curta carreira.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Vamos a uma rápida apresentação. Pöstlberger é austríaco, tem 25 anos, em Agosto de 2015 foi como estagiário para a então Bora-Argon18, sendo contratado no ano seguinte. Conta com algumas vitórias principalmente no seu país, tendo sido campeão nacional ainda muito novo, com 20 anos (2012). Este ano foi quinto no E3 Harelbeke, confirmando as suas qualidades para corridas de um dia. Pöstlberger saiu do anonimato em grande estilo. Ao estilo do colega Peter Sagan. Com dois quilómetros para o fim da primeira etapa do Giro100, os sprinters estavam ansiosos por disputar a desejada maglia rosa. O austríaco trabalhava para colocar Sam Bennett, ele sim a aposta da Bora-Hansgrohe para hoje. Porém, aqueles últimos três quilómetros era de fazer parar a respiração pelas curvas e contra-curvas que tinham. "Queríamos preparar o sprint para o Sam. Não sei o que aconteceu, perderam a minha roda e abri um espaço", contou Pöstlberger.

Não esquecendo que estamos a falar de uma fase da corrida que decorria a uma velocidade muito alta, o austríaco de repente começou a ouvir no rádio: "Vai Posty, tenta!" E tentou, pedalou com toda a força que lhe restava, lutou como tantas vezes já viu Sagan fazer e surpreendeu tudo e todos. Inclusivamente a ele próprio: "Penso que vou precisar de muitas semanas para assimilar esta vitória. É inacreditável!" Pöstlberger terá ainda de arranjar algum espaço numa parede da sua casa para pendurar as camisolas rosa (liderança na geral), ciclamino (pontos) e branca (juventude). A azul vai para a parede da casa de Benedetti.

Para se ter a noção do feito de Pöstlberger, foi a primeira vez que um austríaco venceu no Giro e vestiu a maglia rosa, o que só ajudou à incredulidade de jovem ciclista: "É histórico! Não imaginava nada assim nos meus melhores sonhos!" Esta é a primeira grande volta em em participa e é também a primeira para a equipa como formação do nível World Tour. 

Colega de José Mendes, o português mostrou no Facebook a alegria do que aconteceu no arranque do Giro100.


Numa etapa que decorreu como tantas outras - uma fuga, o pelotão a controlar, com as equipas dos sprinters atentas -, o acaso de Pöstlberger foi brilhante para fechar o primeiro dia, que serviu mais para os ciclistas entrarem no ritmo da primeira grande volta do ano, do que para grandes emoções.

André Greipel (Lotto Soudal), Caleb Ewan (Orica-Scott) e Sacha Modolo (UAE Team Emirates) foram os sprinters que mais viram as suas equipas preparem o terreno para lutarem pela vitória. Acabaram por não a discutir e claro que nenhum ficou satisfeito. Greipel tinha como um dos objectivos do ano vestir a maglia rosa e realçou que não houve demérito dos sprinters, mas sim mérito de Pöstlberger. "Chapeau ao vencedor. Ele fez um 1,5 quilómetro muito forte e mereceu ganhar", salientou o alemão. Greipel disse ainda que conhece o austríaco, pelo que considera que não é completamente inesperado o que fez, ainda que admita que não fosse esse o plano da Bora-Hansgrohe. "Temos de saber aproveitar as situações", afirmou.


Giro d'Italia - Stage 1 - Highlights por giroditalia

A primeira etapa ligou Alghero a Olbia, com 206 quilómetros a serem percorridos. As curvas e contra-curvas do final acabaram por provocar alguns cortes e um dos homens a perder tempo foi Steven Kruijswijk. O holandês da Lotto-Jumbo terminou a 13 segundos do vencedor. Não é algo que Kruijswik desejasse e não sendo grave, é já uma desvantagem. José Mendes e José Gonçalves entraram juntamente com Kruikswik, já Rui Costa acabou no grupo da frente.

Este sábado espera ao pelotão mais uma maratona, com 221 quilómetros entre Olbia e Tortolì. Será um dia mais difícil, com uma contagem de segunda categoria em Genna Silana, que terminará a menos de 50 quilómetros do final. Será complicado para os sprinters, ainda que se não passarem muito mal a subida, poderão recuperar o tempo perdido. Contudo, poderá ser mais um dia para alguém atacar.



Veja aqui os resultados da primeira etapa da 100ª edição da Volta a Itália.

»»Doping. Director do Giro resistiu à tentação de expulsar a Bardiani-CSF. Responsável da equipa ficou tão furioso que até chorou««

»»Prémio para melhor 'descedor' só durou 24 horas««

Doping. Director do Giro resistiu à tentação de expulsar a Bardiani-CSF. Responsável da equipa ficou tão furioso que até chorou

Alguns adeptos quiseram tirar fotografias com os ciclistas da Bardiani,
algo que os animou depois do choque da noite anterior
(Fotografia: Twitter Bardiani-CSF)
Vontade não faltou a Mauro Vegni. O director da Volta a Itália optou esperar e não expulsar a Bardiani-CSF da competição quando soube dos testes positivos de doping de Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni. Vegni vai aguardar para conhecer o resultados das contra-análises antes de agir. Esta decisão fez com que a equipa se mantivesse no Giro, ainda que tenha partido apenas com sete corredores. Porém, o responsável deixou o aviso que caso o resultado volte a ser positivo poderá processar a equipa. Do outro lado está um director desportivo furioso com o que aconteceu. Antes do arranque da primeira etapa admitiu que até chorou.

"Em teoria eu poderia tê-los mandado para casa. No entanto, decidi esperar pelos resultados da contra-análise porque se vier negativa eu poderia enfrentar um processo legal por queixa deles [Bardiani-CSF]", explicou Mauro Vegni. O responsável acrescentou que "o mal está feito" e que agora irá ver quais "serão as reais consequências quando se chegar ao final do processo". "Se chegarmos ao fim do Giro e os [testes] positivos forem confirmados, eu posso processá-los por danos", salientou.

Pirazzi e Ruffoni foram suspensos provisoriamente pela UCI até serem conhecidos os resultados da contra-análise. Porém, este poderá ser apenas o início de um pesadelo para a Bardiani-CSF. A equipa não se livra de no imediato estar a competir sob suspeita, ainda que no início da corrida esta sexta-feira, os ciclistas não foram alvos de comentários, assobios, nenhuma atitude mais ofensiva. Pelo contrário, alguns adeptos até pediram aos sete corredores para tirarem umas fotografias. No entanto, se provavelmente se livrou de uma expulsão do Giro, caso se confirme as duas análises de doping, a Bardiani-CSF pode ser suspensa entre 15 a 45 dias, já que são dois ciclistas da mesma equipa. Pode enfrentar um processo na justiça por parte da organização da Volta a Itália e perante os problemas que as equipas naquele país estão a ter para garantir patrocinadores, cresce o receio da Bardiani-CSF  correr o risco de fechar portas, apesar de no momento o discurso ser que há um apoio total de quem a patrocina.

Ainda é cedo para especular algo tão radical, pois para já a preocupação de Stefano Zanatta, director da equipa, é garantir que a imagem da Bardiani-CSF não fique demasiado manchada. Zanatta salientou que esta é uma equipa de formação, que tenta ajudar jovens italianos para que estes possam chegar a equipas do World Tour, como aconteceu este ano com Sonny Colbrelli.

Zanatta falou ainda sobre o choque que foi receber a notícia dos dois casos de doping. "Eles [Pirazzi e Ruffoni] não percebem o projecto que temos. Ontem à noite não falei muito com eles porque estava muito zangado. Trabalhámos tanto nesta equipa e tenho a certeza que as pessoas estão a dizer coisas más sobre nós", desabafou. Zanatta confessou mesmo que ficou muito emocionado com tudo o que estava a acontecer, de tal forma que até chorou.

O trabalho de Zanatta é reconhecido por Vegni que também refere a importância que a Bardiani-CSF tem no ciclismo italiano. O director do Giro considera que não é só a imagem da corrida que pode ficar manchada, mas também a do ciclismo italiano. 

Colbrelli foi o mais recente ciclista a "dar o salto" para o World Tour depois de ter evoluído na Bardiani-CSF. Assinou pela Bahrain-Merida e já começou a somar vitórias. Mas o historial desta equipa comprova como tem um grande peso no ciclismo transalpino. Por lá passaram Sacha Modolo (UAE Team Emirates), Domenico Pozzovivo (AG2R), Enrico Battaglin (Lotto-Jumbo) e Gianluca Brambilla (Quick-Step Floors).

Apesar de ser um ciclista que se mostra muito nas corridas em que participa, Stefano Pirazzi (30 anos). nunca passou para o World Tour, mas construiu uma carreira na equipa italiana, que faz dele um dos ciclistas mais populares no país. Já Ruffoni esteve em destaque em 2016 com três vitórias e já este ano conquistou duas etapas na Volta à Croácia. Esses dois triunfos não estão em causa, pois as amostras recolhidas aos ciclistas realizaram-se no dia 25 e 26 de Abril, respectivamente, ou seja, já depois do final da corrida.