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8 de agosto de 2018

Moscon suspenso apenas pela UCI. Sky reitera apoio ao seu ciclista

(Fotografia: © Team Sky)
Serão cinco semanas fora de competição, ou seja, até 12 de Setembro. A agressão a Elie Gesbert, da Fortuneo-Samsic, na 15ª etapa do Tour, valeu a Gianni Moscon a expulsão imediata da corrida e agora conheceu a restante sanção. O ciclista e a Sky aceitam a decisão, com o italiano fazer novamente mea culpa. No entanto, sendo o corredor recorrente em situações pouco abonatórias, parece estar a escapar a um castigo interno.

"Reagi no calor do momento e nunca foi a minha intenção atingir o ciclista. As imagens demonstram que não lhe acertei, mas arrependo-me das minhas acções e já pedi desculpa tanto ao Elie Gesbert como à equipa Fortuneo-Samsic", afirmou o ciclista, em declarações publicadas pela Sky. "Temos uma responsabilidade para com todos os nossos ciclistas que levamos muito a sério. Gianni ainda é um ciclista relativamente jovem, no início da carreira e vamos continuar a ajudá-lo e a apoiá-lo no que ele precisa de aprender, desenvolver e ultrapassar isto", salientou o director Dave Brailsford.

As palavras do responsável máximo já dão a entender que não serão tomadas medidas drásticas apesar de há um ano Moscon ter sido acusado de proferir comentários racistas contra Kevin Reza, então ciclista da FDJ. A Sky suspendeu-o por seis semanas, obrigou-o a frequentar um curso de consciencialização e ficou a ameaça que comportamento idêntico levaria ao término imediato do seu contrato. Apesar da gravidade da acção de Moscon no Tour - mesmo que não tenha acertado em Gesbert - o italiano de 24 anos poderá passar incólume a nível interno.

De recordar que Moscon enfrentou recentemente as acusações de Sebastien Reichenbach, também da FDJ, de o ter atirado ao chão numa corrida, no final de época de 2017. Foi o suíço quem divulgou publicamente os comentários de Moscon contra Reza. No entanto, o italiano foi ilibado por falta de provas.

E com tantos casos, o facto de nos Mundiais ter aproveitado uma "boleia" do carro de apoio para recuperar tempo perdido, o que o levou a ser desqualificado, tornou-se em mais uma mancha numa curta carreira que continua a prometer muito, mas que está a começar muito mal a nível de personalidade. Para um ciclista de tanto talento, é lamentável que em pouco mais de um ano se veja envolvido em tantas situações negativas.

Em casos idênticos ao de Moscon no Tour, tivemos a UCI a suspender Lars Boom (Lotto-Jumbo) durante um mês depois de ter agredido Preben Van Hecke (Sport Vlaanderen-Baloise), na Volta à Noruega. No ano passado, Andrey Grivko cumpriu 45 dias de suspensão depois de dar um murro a Marcel Kittel (então na Quick-Step Floors), que deixou o alemão a sangrar do sobrolho, na Volta ao Dubai.

22 de julho de 2018

Gianni Moscon foi expulso do Tour

(Fotografia: Team Sky)
Gianni Moscon está fora da Volta a França depois de ter agredido um ciclista da Fortuneo-Samsic. O incidente aconteceu a 800 metros da meta e deixa a Sky com menos um ciclista quando a corrida vai entrar na fase de todas as decisões. Numa altura em que Moscon muito precisava de mostrar que as questões disciplinares estavam ultrapassadas, vê-se assim novamente envolvido num caso que poderá ter mais repercussões depois do Tour.

Os comissários consideraram a "agressão particularmente grave", com a Fortuneo-Samsic a explicar num twit que o incidente ocorreu com Elie Gesbert. Os comissários recorreram às imagens de televisão (de recordar que existe o vídeo-árbitro) para esclarecer o sucedido. O responsável da equipa, Dave Brailsford, e o director desportivo, Nicolas Portal, também visionaram as imagens - que podem ser vistas no vídeo em baixo -, representando o ciclista na sua defesa. Porém, a decisão dos comissários foi aceite.


Aos 24 anos, Moscon é visto como um dos talentos emergentes no ciclismo e tem ganho cada vez mais influência na Sky. Estreou-se numa grande volta em Espanha, no ano passado, e Chris Froome elogiou muito o seu companheiro na contribuição que teve na vitória na geral. No entanto, a curta carreira de Moscon está já marcada por duas situações disciplinares graves, uma das quais acabou por ver arquivada. Na Volta à Romandia de 2017, Moscon proferiu comentários racistas contra Kevin Reza, então na FDJ. A Sky demorou a agir, mas acabou por suspender o seu ciclista durante seis semanas e obrigou-o a frequentar o curso de consciencialização. Foi também avisado que não poderia repetir o comportamento.

Na sequência deste caso, Moscon foi acusado por Sebastien Reichenbach de o ter atirado ao chão durante a corrida italiana Tre Valli Varesine, em Outubro. O ciclista suíço foi quem alertou para a situação entre o italiano e Reza. Reichenbach lesionou-se com gravidade e apresentou inclusivamente queixa na polícia. A UCI analisou o caso que acabou arquivado por falta de provas. E ainda há o mau exemplo deixado nos últimos Mundiais, quando Moscon se agarrou ao carro da selecção para recuperar algum terreno perdido. Foi desqualificado.

Sky pede desculpa a Gesbert

A equipa britânica divulgou um comunicado no qual afirma que aceita a decisão dos comissários. "Vamos tratar deste incidente com o Gianni quando o Tour terminar e decidir então se iremos tomar mais alguma medida", lê-se. "Gostaria de dar enviar as minhas mais sinceras desculpas tanto a Elie Gesbert, como à equipa Fortuneo-Samsic por este incidente inaceitável." O comunicado, cujas palavras são atribuídas a Dave Brailsford, refere ainda que o ciclista está "desesperadamente desiludido pelo seu comportamento e tem a noção que desiludiu a ele próprio, a equipa e a corrida".

Entretanto, a Sky publicou um vídeo com Moscon a pedir também ele desculpa e a admitir o mau exemplo que a sua atitude.

Esta segunda-feira é dia de descanso, com as etapas dos Pirenéus à espera para ajudar a decidir a corrida antes do contra-relógio. Moscon estava a ser um elemento importante no habitual exímio controlo da Sky do ritmo nas etapas, pelo que é uma baixa de vulto, ainda mais quando este ano são oito e não nove os ciclistas que compõe as equipas.

Pelo segunda edição consecutiva um ciclista é expulso da Volta a França. Há um ano foi Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) a receber ordem de saída, depois de um incidente no sprint com Mark Cavendish.

Os comissários recorreram ao artigo do regulamento da UCI que se refere a actos violentos entre ciclistas, considerando que a situação de Moscon foi uma "agressão particularmente grave", como está descrito nas regras, o que pode levar à expulsão do autor, neste caso, um Gianni Moscon. Agora ficar-se-á à espera de ver se a Sky toma novas medidas para tentar disciplinar um ciclista que está a prejudicar a sua carreira e a própria modalidade.

Nota: Vídeo de Moscon foi acrescentado às 21:52.

A etapa

O dia até tinha sido bastante pacífico, com os favoritos a estarem quase todos sossegados no pelotão - só Daniel Martin (UAE Team Emirates) tentou um ataque -, resistindo ao vento, que foi a maior ameaça. Mais uma vez uma fuga triunfou, com a Astana a alcançar a segunda vitória consecutiva. Depois de Omar Fraile, foi a vez do dinamarquês Magnus Cort Nielsen vencer nos 181,5 quilómetros entre Millau e Carcassonne.

Na geral tudo na mesma, com Geraint Thomas na frente, com 1:39 de vantagem sobre o companheiro da Sky, Chris Froome, e 1:50 sobre Tom Dumoulin (Sunweb). Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) está a tentar estabelecer um novo recorde de pontos numa classificação que só uma catástrofe não o permitirá vencer. Pierre Latour (AG2R) vai para o dia de descanso como o melhor na juventude e Julian Alaphilippe (Quick-Step Floors) continua a agarrar-se como pode à famosa camisola das bolinhas, da montanha. Movistar mantém liderança entre as equipas.

(Texto continua por baixo do vídeo.)




Vêm aí os Pirenéus. Antes da muito aguardada etapa dos 65 quilómetros, vem uma das mais longas do Tour. Terça-feira espera ao pelotão 218 quilómetros entre Carcassonne e Bagnères-de-Luchon, com os últimos 80 a terem uma segunda categoria e duas primeiras para ultrapassar, antes de mais uma descida para se chegar à meta.



»»Thomas e Roglic começam a convencer««

»»Quando a idiotice de alguns estraga o ciclismo««

12 de dezembro de 2017

Início discreto, mas o ano foi mesmo de Chris Froome... e também de Kwiatkowski

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
Apesar das vitórias logo a abrir o ano na Austrália, na Herald Sun Tour, o arranque de temporada foi bastante atribulado para a equipa Sky, mais pelo que se passava fora da estrada. As suspeitas que recaiam sobre Bradley Wiggins e o homem forte da Sky, Dave Brailsford chegaram a parecer estar a perturbar o normal funcionamento de uma equipa que demorava a mostrar ao melhor nível. Pelo meio coisas estranhas aconteciam, como o desfazer da roda da bicicleta de Gianni Moscon no contra-relógio colectivo do Tirreno-Adriatico! Insólitos à parte, foram surgindo notícias que haveria alguns descontentamento para com Brailsford, mas Chris Froome deu a voz para reiterar que a confiança nos responsáveis da Sky permanecia intocável. O britânico acabou por ser um dos responsáveis de um início mais discreto da equipa.

Froome mudou a sua habitual preparação para a Volta a França, optando por uns meses com menos competição e nas corridas em que participou evitou ritmos muito elevados. Parecia uma sombra de si mesmo e, sem surpresa, foram levantando-se algumas questões sobre a real condição física do ciclista, que procurava a quarta vitória no Tour. Entretanto, a Sky conseguiu regressar ao normal, por assim dizer. Michal Kwiatkowski finalmente reapareceu em grande e conquistou a Strade Bianche - apelidada por muitos de sexto monumento - e a Milano-Sanremo, essa sim, um monumento. Bateu ao sprint Peter Sagan e a Sky respirava de alívio por ver que o polaco estava de volta depois de um aparente apagão nos últimos dois anos.

Depois de Wout Poels ter ganho a Liège-Bastogne-Liège em 2016, Kwiatkowski confirmou a Sky como equipa a ter em conta para a época das clássicas. Mas claro, o objectivo continua a ser o Tour e, cada vez mais, as outras grandes voltas. O Giro está enguiçado. Quando Bradley Wiggins o tentou ganhar, passou o tempo a tentar manter-se na bicicleta num ano em que a chuva não deu tréguas, em 2015 tudo correu mal a Richie Porte, em 2016 Mikel Landa sofreu uma gastroenterite. Solução: em 2017 a Sky lançou duas armas, Landa e Geraint Thomas. Este última reclamava uma oportunidade e finalmente recebeu-a. Ambos caíram no dia em que um polícia parou a moto num local em que os vários ciclistas não conseguiram desviar-se. Thomas - que muito andou com Froome em estágio antes da Volta a Itália - acabou por abandonar, Landa disse adeus à geral, mas recuperou fisicamente a tempo de ganhar uma etapa e a classificação da montanha. O Giro está a fazer-se difícil para a equipa britânica, que em 2018 vai atacá-lo com a principal figura: Chris Froome.

Ranking: 1º (12.806 pontos)
Vitórias: 34 (incluindo a Milano-Sanremo, uma etapa no Giro, uma no Tour e a geral, duas na Vuelta e a geral)
Ciclista com mais triunfos: Elia Viviani (7)

Já o Tour, foi um pouco mais complicado do que em anos anteriores, nas no final venceu Froome. E lá vão quatro triunfos, faltando um para igualar o recorde de Eddy Merckx. Jacques Anquetil, Miguel Indurain e Bernard Hinault. Foi um Tour atribulado. Chris Froome e a Sky já não dominam como antes e Mikel Landa desafiou a filosofia de todos por um líder. O espanhol percebeu que poderia lutar também ele por um bom resultado. Chegou a deixar Froome sozinho na parte final de uma etapa, mas depois não mais se atreveu a repetir o atrevimento. Começou a ficar claro que Landa iria querer mais em 2018 e que para o ter, a solução passaria por mudança de equipa. Vai para a Movistar disputar a liderança com Nairo Quintana.

Ficou a um segundo do pódio, num momento de enorme frustração para o espanhol, traído pelas bonificações na meta que ajudaram Romain Bardet (AG2R). Nos momentos decisivos, Froome esteve ao nível pedido. Não ganhou etapas, mas aquela amarela estava no seu corpo nos Campos Elísios. E pode-se dizer que o melhor ainda estava para vir. A mudança de preparação no início de temporada foi feita a pensar também na Vuelta. Froome sabia que no ciclismo actual precisava de algo mais do que apenas conquistar Voltas a França. Não foram favas contadas, mas na Vuelta, a cada dia que passava, a dúvida diminuía que o britânico ia fazer história. Conquistou duas etapas e a geral, numa corrida que lhe teimava em fugir noutros anos. É o primeiro ciclista a fazer a dobradinha Tour/Vuelta desde que as competições se encontram dispostas no actual calendário.

A desconfiança do Tour dissipou-se. Froome continua em grande e quer mais. A seu lado deverá ter mais vezes Gianni Moscon. O italiano é uma das confirmações da época. Estreou-se numa grande volta em Espanha e que corrida fenomenal fez. Froome rendeu-se ao colega. Porém, eram desnecessárias as atitudes que mancham a reputação. Primeiro foi acusado de palavras racistas contra um ciclista da FDJ tendo sido suspenso pela própria equipa. Depois, nos Mundiais - mesmo estando ao serviço da selecção, não deixa de estar vinculado à Sky -, agarrou-se ao carro de apoio para recuperar tempo perdido. Foi desclassificado. Pouco depois foi acusado de empurrar um ciclista da FDJ numa corrida em Itália, provocando-lhe a queda. O alegado acto até valeu uma queixa na polícia. Pormenores de personalidade a melhorar, pois o talento desportivo promete.

Elia Viviani proporcionou uma das novelas do ano. Desiludido por ter ficado de fora do Giro100, pois a Sky queria apostar tudo na geral e nada nos sprints, cedo surgiram rumores que o italiano poderia quebrar contrato e sair logo em Agosto. Também ficou de fora do Tour e da Vuelta pelas mesmas razões. Quando o mercado abriu, Viviani garantiu que estava bem na Sky e que iria ficar até ao final de 2018... Assinou pela Quick-Step Floors, tendo terminado a temporada na equipa britânica. Passou ao lado das grandes corridas, mas somou sete vitórias, o melhor registo individual na Sky, a nível de números.

Sprints não são objectivos para esta formação que reforçou-se a pensar novamente nas grandes voltas e nas clássicas. Em 2018 terá um dos ciclistas que mais cobiça gerou: Egan Bernal. 20 anos, mais um valor que vem da Colômbia e dá indicações de se estar perante um ciclista de enorme qualidade para um futuro muito próximo (e brilhante). Venceu o Tour de l'Avenir (Volta a França do Futuro) e ao serviço da Androni-Sidermec-Bottecchia fez nono na Volta aos Alpes, 16ª na clássica Milano-Torino, repetindo a posição do Tirreno-Adriático e foi 13º no monumento Il Lombardia. E os resultados não dizem tudo sobre este promissor ciclista a seguir com atenção em 2018... É vê-lo para perceber o talento.

O russo Pavel Sivakov é outro jovem a seguir, com a Sky a reforçar-se ainda com Jonathan Castroviejo (Movistar), David de la Cruz (Quick-Step Floors), Kristoffer Halvorsen (Joker Icopal e campeão do mundo de sub-23), Christopher Lawless (Axeon Hagens Berman) e Dylan van Baarle (Cannondale-Drapac).

»»Quick-Step Floors, aquela máquina de ganhar««

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»»O ano da confirmação de Dumoulin e da mudança de objectivos da Sunweb««

6 de outubro de 2017

Moscon empurrou Reichenbach? Suíço fez queixa na polícia e na UCI

(Fotografia: Twitter Sébastian Reichenbach)
Ainda há pouco tempo aqui se escreveu sobre esta tendência de Gianni Moscon envolver-se em polémicas, num ano que foi claramente de confirmação na Sky e no pelotão internacional a nível desportivo, mas também de problemas que em nada estão a ajudar à sua reputação. O mais recente já envolve polícia e se fazer comentários racistas foi algo extremamente grave, ter alegadamente provocado uma queda de um colega de profissão poderá ser algo difícil de apenas se resolver com umas semanas de suspensão.

Explicando a situação. Tudo aconteceu na corrida italiana Tre Valli Varesine, na terça-feira. Sébastien Reichenbach (FDJ) sofreu uma queda grave, lesionou-se no cotovelo e terá de ser operado. A recuperação poderá durar entre três a quatro meses. Porém, o ciclista suíço alega que não foi apenas mais uma queda no pelotão. Reichenbach acusa Moscon de o ter empurrado. O italiano negou a versão, mas o suíço confirmou que fez uma queixa na polícia e na UCI.

"Foi intencional. Vários ciclistas viram o que aconteceu e estão preparados para testemunhar. Ele atirou-se deliberadamente contra mim. Na descida, o acidente poderia ter tido consequências mais sérias. A minha equipa, FDJ, encorajou-me a apresentar queixa e vão apoiar-me", afirmou Reichenbach (28 anos) ao site suíço Le Nouvelliste.

Moscon competiu depois na Milano-Torino e este sábado estará na Lombardia, último monumento do ano. O italiano de 23 anos irá correr com uma atenção muito indesejada. Moscon contou a sua versão à Gazzetta dello Sport, antes da queixa feita pelo ciclista suíço: "Não é verdade. Não tem nada a ver comigo. Estava numa secção difícil da estrada e as mãos de Reichenbach escorregaram do guiador." Ao Tuttobiciweb, o italiano disse estar "sereno" e garantiu que irá defender-se das acusações.

Este episódio tem uma razão de ser, segundo o corredor da FDJ. É preciso recuar ao final de Abril e à Volta à Romandia. No final da terceira etapa, Moscon e Kevin Reza, da FDJ, envolvem-se numa discussão e o italiano profere comentários racistas. O caso é denunciado nas redes sociais por Reichenbach. A Sky optou por deixar o seu ciclista terminar a corrida e só depois o sancionou com seis semanas de suspensão e obrigou-o a frequentar um curso de consciencialização. Ameaçou-o também de despedimento caso repetisse o comportamento. Ponto final, apesar da UCI ter dito que iria investigar. Houve um pedido de desculpa e Kevin Reza escolheu seguir em frente, não alimentando mais o assunto.

Reichenbach considera que o alegado empurrão de Moscon na Tre Valli Varesine foi uma vingança perante a sua denúncia e que levou ao castigo interno. "É uma questão de 'pagar' o twit durante a Volta à Romandia. Foi o que levou à suspensão", disse o suíço, que realçou não ter dito o nome do italiano na altura.

Quem não está a gostar nada de toda esta situação é Marc Madiot. O director da FDJ salientou que irá esperar pela conclusão da investigação policial, mas se as alegações de Reichenbach forem confirmadas, o responsável pondera pedir uma indemnização. "Isto não é uma piada. Conheço o Reichenbach e ele não é o tipo de pessoa que diz mentiras", afirmou. Tal como Madiot, também a UCI irá estar atenta à investigação policial.

Moscon é um talentoso ciclista que este ano confirmou-se como um dos importantes homens de trabalho para Chris Froome na estreia em corridas de três semanas - na Vuelta -, além de se mostrar nas clássicas. Porém, esteve envolvido num caso de racismo e nos Mundiais acabou desqualificado por ter recebido uma "boleia" do carro de apoio depois de ter caído e perdido contacto com o grupo da frente.


26 de setembro de 2017

Sanção mais pesada para quem beneficiar de "boleia" dos carros de apoio

(Imagem: print screen)
A partir de 1 de Janeiro de 2018, quem for apanhado a ser levado por um carro de apoio não irá apenas enfrentar a desqualificação da corrida e uma multa de 200 francos suíços (cerca de 175 euros). Gianni Moscon foi o caso mais recente, nos Mundiais de Bergen, mas este ano já Romain Bardet tinha sido desqualificado - e consequentemente expulso - do Paris-Nice pela mesma razão. A UCI quer persuadir que situações destas continuem a acontecer e a nova sanção prevê uma possível suspensão de um mês e a multa sobe para cinco mil francos suíços (cerca de 4400 euros).

Não é invulgar ver os ciclistas tentarem aproveitar a deslocação dos carros para recolar ao pelotão, colocando-se atrás destes ou até agarrarem-se para o mecânico realizar algum trabalho, por exemplo. Desde que não exagerem, por norma não há problema. A questão está mesmo em agarrarem-se e o veículo acelerar, recuperando assim vários metros. Moscon, por exemplo, caiu a 35 quilómetros da meta e depois foi buscar um bidão ao carro. As imagens captam como naquele momento houve uma aceleração, sendo demasiado óbvio já que Sergio Henao, que também tinha caído, ficou rapidamente para trás. O ciclista italiano até chegou a estar numa fuga nos quilómetros finais, foi 29º, mas acabou desqualificado. Outro exemplo muito popular foi o de Vincenzo Nibali na Volta a Espanha de 2015. Tanto ele como o condutor do veículo, membro da equipa da Astana, foram mandados para casa.

Quanto ao caso de Moscon, um dos responsáveis da selecção italiana, Davide Cassani, assumiu publicamente a responsabilidade do que aconteceu. "A culpa foi minha. Eu dei-lhe o bidão e disse-lhe para se agarrar. Sei que não o deveria ter feito e peço desculpa porque toda a Itália fica mal vista. No entanto, o que aconteceu não deverá afectar a imagem do Gianni. Ele não merece ser afectado por isto. Ele é uma boa pessoa e honesta", salientou Cassani, à Gazzetta dello Sport.

Outra mudança nas sanções que será implementada pela UCI em 2018 é relativa a quem atravessa passagens de níveis quando a cancela vai fechar ou já estiver fechada, como aconteceu no Paris-Roubaix, em 2015. Até agora o ciclista seria ou desqualificado ou ainda durante a corrida poderia ser obrigado a abandonar. Agora o infractor enfrentará também uma pena de um mês de suspensão mais a multa de cinco mil francos suíços.

Estas alterações chegam quando David Lappartient foi eleito o novo presidente da UCI, na quinta-feira. No entanto, ainda foram acordadas durante o mandato do antecessor Brian Cookson, tal como a redução do número de ciclistas nas corridas: de nove para oito nas grandes voltas e de oito para sete nas restantes competições.

25 de setembro de 2017

Moscon entre o talento e a polémica: foi desqualificado dos Mundiais

(Fotografia: Jérémy-Günther-Heinz Jähnick
Deinze-Nokere Koerse/Wikimedia Commons)
Quis fazer de 2017 o ano da afirmação, depois de um 2016 de estreia no World Tour, e logo na Sky, com resultados que deixaram a equipa britânica a sorrir. Ficou claro que o italiano poderá ser uma boa aposta para as clássicas, mas que também poderia vir a ser útil ao serviço de Chris Froome e em corridas por etapas. Teve as oportunidades e sobre agarrá-las, só não soube afastar-se de polémicas.

Em Abril proferiu comentários racistas contra Kevin Reza, ciclista da FDJ, na Volta à Romandia. Acabou suspenso seis semanas e teve de frequentar um curso de consciencialização. Foi ainda ameaçado de despedimento se repetisse a situação. O assunto acabou por ficar por ali, mas Moscon volta agora a estar envolvido numa situação desnecessária e sempre feia. O italiano foi apanhado pelas câmaras de televisão a receber uma "boleia" do carro de apoio depois de ter sofrido uma queda. Foi anunciada a sua desqualificação.

Há quem lhe chame a manobra ao estilo Nibali (recordando quando o italiano foi expulso da Vuelta por situação igual), mas mesmo sendo de outra nacionalidade, Romain Bardet também recebeu uma boleia destas este ano. O resultado é sempre o mesmo. Moscon não foi expulso da corrida, pois já a tinha acabado, mas perdeu o 29º lugar que tinha alcançado. Aos 23 anos ambicionou fazer uns Mundiais fantásticos. Nos contra-relógios, ficou com o bronze no colectivo e foi sexto no individual. Na corrida em linha esteve em fuga com Julian Alaphilippe já nos quilómetros finais, mas acabou por ceder. Ainda assim, foi mais uma demonstração da sua qualidade, ele que se estreou em grandes voltas em Espanha e deixou Chris Froome muito agradado com o seu trabalho. E terminou numa excelente 27ª posição. Foi quinto no Paris-Roubaix, campeão nacional de contra-relógio e também quinto na prova em linha.

Porém, de pouco serviria ter feito melhor no domingo. A cerca de 35 quilómetros sofreu uma queda, juntamente com Sergio Henao. O carro de apoio chegou e ofereceu um bidão a Moscon. Foi demasiado clara que o veículo acelerou levando Moscon à boleia, enquanto Henao se esforçava para recuperar ritmo, mas viu o italiano afastar-se muito em poucos segundos. Castigo aplicado e espera-se que seja mais uma lição aprendida.

Apesar de ainda não ter sido anunciada a renovação de contrato com a Sky, será expectável que tal aconteça. Moscon tem um futuro promissor, sendo ainda uma incógnita em que tipo de ciclista poderá evoluir. Será uma aposta para as clássicas, ou irá mais para corridas por etapas. Não é de excluir que faça ambas, mas se continuar a exibir-se ao nível do que fez na Vuelta... Porém, terá de rever este tipo de atitude que não ajudam nada na construção de uma reputação de respeito. Há responsabilidade por parte de quem ia a conduzir, mas Moscon não pode afastar-se da que também é sua.

O ciclista da Sky conseguiu ainda ser o centro das atenções em 2017 por um dos momentos mais insólitos do ano. No contra-relógio colectivo que abriu o Tirreno-Adriatico, o italiano sofreu uma aparatosa queda porque a roda da frente simplesmente se desfez.

Aqui ficam as imagens que valeram a desqualificação de Moscon nos Mundiais de Bergen.
»»O discreto mas igualmente eficaz Peter Sagan faz história««

»»Joni Kanerva, o nome que também marca os Mundiais e que reacende a discussão da segurança no pelotão««

3 de junho de 2017

Já se sabe o que provocou o desfazer da roda de Gianni Moscon

(Fotografia: print screen)
O contra-relógio inaugural do Tirreno-Adriatico ficou marcado por uma daquelas imagens que certamente fará parte dos momentos de 2017, que normalmente se faz no final do ano. Afinal não é todos os dias que se vê uma roda simplesmente desfazer-se. Gianni Moscon não ganhou para o susto, tendo sido vítima de uma queda aparatosa, apesar de ainda ter feito um esforço inglório para parar em segurança. Quase três meses depois, a marca responsável pelas rodas divulgou as conclusões da investigação.

A PRO é uma subsidiária da Shimano que fornece as rodas à Sky e também à BMC. Naquele dia, Moscon acabou por ser o caso mais grave, pois mais duas rodas ficaram danificadas na Sky, mas sem as mesmas consequências. Nada aconteceu às utilizadas pelos ciclistas da BMC. Agora percebe-se porquê. A marca responsabiliza a escolha de pneus por parte da formação britânica.

"A investigação concluiu que é completamente seguro continuar a competir com a roda em causa. O incidente aconteceu porque o ciclista passou num buraco a alta velocidade e o pneu não correspondia à espessura mínima recomendada." explicou a PRO, através de um comunicado. Perante este resultado, a roda vai continuar a ser fornecida às equipas, além de estar disponível também para venda.

O incidente na primeira etapa do Tirreno-Adriatico acabou por estragar o contra-relógio da Sky, que acabou por tirar Geraint Thomas da discussão pela geral.


2 de maio de 2017

Sky suspende Moscon seis semanas e obriga ciclista a frequentar curso de consciencialização

Momento da discussão entre Reza e Moscon que foi captada em vídeo
apesar de não ser perceptível o que terá dito o italiano
Adiou a decisão para o final da Volta à Romandia, mas não demorou a divulgar a sanção imposta a Gianni Moscon. A Sky diz querer demonstrar como não tolera casos como o protagonizado pelo ciclista italiano, que admitiu ter proferido comentários racistas contra Kevin Reza, durante uma discussão com o corredor da FDJ. Porém, depois de não ter agido no imediato, agora anunciou uma suspensão de seis semanas e a obrigatoriedade do ciclista em frequentar um curso de consciencialização da diversidade.

Num curto comunicado, a Sky revelou que Moscon (23 anos) recebeu uma repreensão por escrito, além da suspensão e do referido curso. Lê-se ainda que "Gianni reconhece que o seu comportamento foi errado", realçando o que já se sabia: que foi feito um pedido de desculpa, aceite por Reza e pela FDJ. O aviso mais sério acaba por estar no final do comunicado: "O Gianni sabe que não há desculpas para o comportamento que teve e que se repetir, tal irá resultar no fim imediato do seu contrato."

Não se sabe ao certo que que disse Moscon a Reza, nem o que provocou a discussão. O caso foi denunciado por Sébastien Reichenbach, colega de Kevin Reza, através de uma mensagem no Twitter, na qual referiu estar chocado por haver "imbecis que ainda utilizam insultos racistas no pelotão profissional". O caso aconteceu após a terceira etapa da Volta à Romandia - ganha pelo colega de Moscon, Elia Viviani -, na sexta-feira. No sábado soube-se que Moscon e a Sky já tinham pedido desculpa ao ciclista visado e à FDJ. A equipa francesa colocou de imediato um ponto final no assunto.

A Sky adiou a sanção ao seu ciclista, mantendo Moscon em prova nos dois dias que restaram da corrida. A suspensão será cumprida numa fase da temporada em que o ciclista também não ia ter um calendário muito preenchido, não sendo explicado se a suspensão acarreta também uma sanção monetária.

Moscon ainda não se livrou de eventualmente ter um castigo mais pesado. A UCI já anunciou que está a investigar o sucedido e caso considere que o ciclista desrespeitou o código de conduta e de ética, Moscon incorre numa suspensão que poderá ir de um a seis meses. No entanto, num caso idêntico, em 2015, o bielorrusso Branislau Samoilau (CCC Sprandi Polkowice) proferiu comentários racistas contra Natnael Berhane (Dimension Data). Nessa altura, a UCI decidiu não sancionar Samoilau, justificando que o pedido de desculpa e a doação de um ordenado à fundação da equipa sul-africana era algo que tinha deixado todos satisfeitos.


30 de abril de 2017

Comentários racistas podem valer a Moscon seis meses de suspensão. Sky preferiu adiar possível sanção interna

(Fotografia: Facebook Gianni Moscon)
A UCI vai investigar o que aconteceu no final da terceira etapa da Volta à Romandia (na sexta-feira) entre Gianni Moscon e Kevin Reza. Os dois ciclistas envolveram-se numa acesa discussão e o italiano da Sky proferiu comentários racistas contra o ciclista da FDJ. As palavras foram admitidas pelo próprio e pela equipa britânica. No entanto, a Sky adiou para depois da corrida uma eventual sanção ao corredor, que competiu assim mais dois dias. Foi feito um pedido de desculpas, aceite por Reza e pela FDJ.

Por parte da equipa francesa compreende-se que tenha preferido colocar rapidamente um ponto final no assunto. Porém, a opção da Sky de empurrar para mais tarde uma decisão mais exemplar é questionável. Casos como estes são graves, ainda que devam ser rapidamente controlados e tratados. Não há necessidade de arrastar polémicas, é certo. Um pedido de desculpa é o mínimo exigível, mas a Sky deveria ter agido de forma mais veemente. Moscon (23 anos) ainda poderá ser sancionado pela equipa, pois o director desportivo, Nicolas Portal, garantiu que o caso não seria esquecido, mas já será tarde para ter um efeito provavelmente mais dissuasor.

Portal referiu que houve uma conversa com Moscon a explicar-lhe como tinha agido mal e que o ciclista tinha compreendido a gravidade das suas palavras. O caminho pedagógico é louvável, mas escasso. O afastamento da equipa pelo menos da corrida em causa teria sido um acto mais correcto, numa perspectiva de passar a mensagem forte que este tipo de situações não são toleradas.

"A UCI espera que todos neste desporto respeitem os mais altos níveis de ética e de conduta. Abuso racial não tem lugar no ciclismo, nem noutro desporto e qualquer queixa será investigada e sancionada se confirmada", referiu a UCI, ao Cycling News.

A utilização de linguagem abusiva tem uma sanção prevista entre um a seis meses nos regulamentos da UCI. Num caso idêntico que aconteceu em 2015, o bielorrusso Branislau Samoilau (CCC Sprandi Polkowice) proferiu comentários racistas contra Natnael Berhane (Dimension Data). Então a UCI decidiu não sancionar Samoilau, justificando que o pedido de desculpa e a doação de um ordenado à fundação da equipa sul-africana era algo que tinha deixado todos satisfeitos.

Agora é esperar para ver o que acontecerá com Moscon, não só por parte da UCI, mas também para ver se a Sky realmente avança com algum tipo de sanção (a Volta à Romandia terminou este domingo). Independentemente do que venha a acontecer, espera-se que Moscon tente resfriar os ânimos da próxima vez que possa ver-se envolvido numa discussão, por exemplo. Compreende-se que no "quente" do momento possa por vezes possa ser difícil ter cuidado com o que se diz, mas é também nessas situações que um ciclista mostra o seu carácter.

Naquele mesmo dia, Chris Froome teve uma demonstração de companheirismo que mostrou, mais uma vez, o carácter deste britânico (ver link em baixo). Moscon bem pode aprender um pouco mais com o seu líder.

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9 de março de 2017

Tudo acontece à Sky. Até as rodas se desfazem. Shimano já está a investigar

Os ciclistas da Sky bem querem que as atenções se voltem a centrar nas corridas e não na polémica com Dave Brailsford e o pacote mistério de Bradley Wiggins. No entanto, ter rodas a desfazer-se durante um contra-relógio não deveria ser bem o que os corredores tinham pensando. O insólito aconteceu durante a primeira etapa do Tirreno-Adriatico, na quarta-feira. O italiano Gianni Moscon sofreu uma queda aparatosa quando a roda da frente da sua bicicleta se desfez. Mas este foi o problema visível, pois mais duas rodas também tiveram problemas o que estragou o contra-relógio colectivo da Sky, que terminou a 1:42 da equipa vencedora, a BMC, tendo feito um dos piores tempos do dia.

Sem surpresa soaram os alarmes na Shimano. A sua subsidiária, PRO, é a responsável pelo fabrico das rodas, que também são utilizadas pela BMC e não há registo que terá havido qualquer problema com a equipa americana. Escusado será dizer que a este nível no ciclismo só se utilizam os melhores materiais, ainda mais quando se fala de uma formação como a Sky, que sempre procura o melhor do melhor. Por isso mesmo, este caso é ainda mais estranho.

"A PRO mantém a sua investigação sobre este assunto. Continuamos a analisar ao pormenor todos os factores que poderão ter provocado este incidente", lê-se num comunicado divulgado pela empresa, citado por vários meios de comunicação social. A empresa garante que as rodas passaram os mais exigentes controlos de qualidade, inclusivamente da UCI e desde que este modelo começou a ser produzido em 2014 nunca tinha havido um único problema, até ao insólito incidente de Moscon.



Uma das hipóteses que estará a ser investigada é se os buracos na estrada que os ciclistas atingiram um pouco antes da queda de Moscon poderão ter provocado danos nas rodas.

O italiano ficou mal tratado, mas continua na corrida e a Sky respondeu da melhor forma a uma situação inesperada e muito prejudicial para as ambições da equipa no Tirreno-Adriatico. Na segunda etapa, Geraint Thomas mostrou estar muito bem fisicamente e venceu isolado. Porém, ganhou apenas alguns segundos à concorrência e tem uma missão complicada pela frente para recuperar tanto tempo perdido no contra-relógio colectivo. Uma vitória importante, não só pelos tempos atribulados que a equipa vive fora da estrada, mas também por ser um sinal muito positivo de um dos líderes da Sky que estará na Volta a Itália, juntamente com Mikel Landa.

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