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14 de junho de 2017

Filipe Cardoso e Edgar Pinto, dois portugueses à procura de repetir vitórias no Abimota

Depois do Grande Prémio do Jornal de Notícias, uma das competições mais importantes em Portugal, e do Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela, que se quer confirmar como uma das provas mais relevantes a nível nacional e também internacionalmente, é a vez do pelotão português enfrentar o tradicional Grande Prémio Abimota. Será a 38ª edição de uma competição que se mantém fiel ao final em Águeda, mas haverá mais de 600 quilómetros pelo centro do país para ver os ciclistas. A corrida começa na quinta-feira em Proença-a-Nova, com o final agendado para domingo.

Foi em 1977 que a corrida foi pela primeira vez para a estrada, com Flávio Henriques (Sangalhos) a ser o vencedor. O grande prémio conta ao longo da história com vitórias de alguns dos principais ciclistas nacionais e que continuam ligados à modalidade, como Joaquim Gomes (actual director da Volta a Portugal), Delmino Pereira (agora presidente da Federação Portuguesa de Futebol), José Azevedo (director da Katusha-Alpecin) e Nuno Ribeiro (director desportivo da W52-FC Porto). Mais recentemente houve um jovem promissor chamado Tiago Machado a vencer em 2006, ciclista que agora representa a Katusha-Alpecin.

Mas no pelotão português encontram-se três ciclistas que já conquistaram o Grande Prémio Abimota, dois deles lusos. Filipe Cardoso (Rádio Popular-Boavista) triunfou em 2016 com a Efapel e procura a terceira vitória, pois já o tinha feito também em 2008, então ao serviço da Liberty Seguros. Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) está de regresso a Portugal depois da passagem pela equipa do Dubai, mas em 2011 já demonstrava porque era um ciclista a ter em conta e ganhou o Abimota. O terceiro ciclista é o espanhol David de la Fuente, actualmente no Louletano-Hospital de Loulé, que ao serviço da Efapel venceu a corrida em 2015.

Certamente que tanto estes como muitos mais ciclistas terão a ambição de ganhar, no entanto, na mente de todos já está na Volta a Portugal. Falta pouco mais de mês e meio para a corrida que as equipas portuguesas tanto ambicionam. Ainda assim, o Abimota tem por hábito oferecer um bom espectáculo. Além das formações de elite e de clube nacionais estarão presentes três espanholas: a E.C. Cartucho/ES-Magro, a Kuota/C.Paulino e a Supermercados Froiz. Esta última venceu o Abimota em 2012 por intermédio de Moisés Duenas.

A primeira etapa irá ligar Proença-a-Nova a Belmonte (147,5 quilómetros), com a chegada a coincidir com uma contagem de montanha de terceira categoria no Castelo de Belmonte. Na sexta-feira serão 144,4 quilómetros entre Penamacor e Sabugal, seguindo-se no sábado 171,2 a ligar Almeida a Manteigas. A última tirada será a mais longa. O pelotão irá partir de Gouveia, com o grande final a ser então em Águeda (176,4 quilómetros).

E porque não ir assistir à passagem do pelotão? Neste link, do site da Federação Portuguesa de Ciclismo, poderá ver pormenorizadamente o percurso das quatro etapas e escolher o melhor local.

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»»Efapel tomou-lhe o gosto!««

25 de janeiro de 2017

Tom Boonen é o primeiro a ganhar uma corrida numa bicicleta com travões de disco. O que pensam os ciclistas portugueses deste sistema?

Tom Boonen diz ser fã dos travões de disco (Fotografia: Instagram do ciclista belga)
A poucos meses de se retirar da competição, Tom Boonen fez um pouco mais de história. Ao vencer a segunda etapa da Volta a San Juan, na Argentina, o belga tornou-se no primeiro ciclista a conquistar uma vitória utilizando uma bicicleta com travões de disco. Depois de no ano passado a fase de testes ter sido cancelada pela UCI após o incidente com Francisco Ventoso no Paris-Roubaix, os travões de disco voltaram a ser permitidos e Boonen optou por terminar a sua carreira a utilizar o sistema que considera ser "um grande melhoramento". "Não só dá mais segurança, como permite um melhor controlo da bicicleta ao travar para as curvas", escreveu o belga na sua conta de Instagram.

A utilização dos travões de disco no ciclismo de estrada tem sido alvo de muita discórdia no pelotão internacional. Muitos são contras, mas também há aqueles que defendem que é um sistema bem-vindo. Em causa tem estado principalmente as questões de segurança. Numa queda colectiva, por exemplo, os travões de discos podem provocar cortes e como aquecem com a utilização também aumentam o perigo de ferimentos. Após o Paris-Roubaix, Ventoso classificou os travões de disco como facas, depois de dizer que foi cortado por um numa queda que lhe deixou a perna num estado impressionante.

A UCI suspendeu a experiência, mas este ano os travões voltaram a ser permitidos depois de, alegadamente, ter sido melhorada a sua protecção. Ninguém dúvida que a travagem é melhor, mas questiona-se se é realmente necessário. Pesando na balança as vantagens e as desvantagens, com a segurança a ser o principal elemento desequilibrador, para já tem pendido para a não utilização de grande parte dos ciclistas. E depois ainda há uma dúvida constantemente levantada: o objectivo é mesmo melhorar as condições dos ciclistas ou é uma questão de marketing por parte das marcas?

Outro problema que entretanto foi levantado por quem faz o apoio neutro nas corridas, é o facto de os travões de disco poderem ter tamanhos diferentes e as rodas serem presas também de formas distintas de equipa para equipa, ou seja, de marca para marca. Ou seja, o apoio neutro arrisca-se a não ter o material indicado para ajudar determinado ciclista. Para tal, será necessário que todos utilizem sistemas idênticos.

Em Portugal ainda não se fala na integração dos travões de disco, pois tem sido uma discussão, para já, mais a nível do World Tour. O Volta ao Ciclismo foi saber o que pensam alguns ciclistas portugueses deste sistema de travagem.

Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack): "Sinceramente já discuti isso com alguns atletas, mas ainda não tive a oportunidade de experimentar. Tudo o que seja para melhorar a modalidade, ok, mas dentro da segurança. O problema é quando há quedas. Os discos se não estiverem devidamente protegidos podem ferir gravemente um atleta, uma pessoa do público... Não estou contra os discos, desde que estejam devidamente protegidos para que não se verifiquem acidentes."

Filipe Cardoso (Rádio Popular-Boavista): "Acho que pode ser visto de muitos pontos de vista. Se gosto de travões de disco? Gosto. Acho que são agradável, acho que funcionam, são engraçados. Se vou ser mais rápido em corrida por causa do travão de disco? Não, não vou ser mais rápido, não vou ganhar tempo nenhum. E agora tinha de entrar em mil aspectos técnicos para explicar porquê! Há mais poder de travagem, mas o contacto do pneu com o alcatrão - a largura do pneu tem no máximo 25 mm, é pouco, é um pneu estreito - dar muito poder de travagem, mas a superfície ser a mesma, ela vai derrapar, porque o chamado grip do pneu não suporta uma travagem muito potente. E o travão, no nosso caso para competir, ninguém quer chegar a uma curva e travar a fundo. Quando se trava a fundo numa corrida é para cair, é porque houve uma queda e se trava a fundo para cair o mais devagar possível. Não é travar muito, é fazê-las travar pouco, fazê-las rápido. 

Talvez seja ligeiramente mais confortável no toque. Na travagem em si é mais potente, é mais confortável à mão, mas o pneu não aguenta uma travagem muito forte. Para lhe dar um exemplo: pega nuns travões de um Ferrari e coloca-os num carro citadino. O Ferrari tem uma largura de pneu muito maior do que um citadino. Se puser o travão potente numa roda de um carro citadino, vai travar e ele simplesmente vai derrapar. A superfície que toca no alcatrão é muito estreita, não faz sentido. A mesma lógica aplica-se nas bicicletas.

Em dias de chuva trava muito melhor, a água não interfere tanto no poder de travagem no travão de disco. E depois tem o problema das quedas. Isso não tenho dúvidas nenhumas que é um risco acrescido para os ciclistas. Há um teste que é simples de fazer: pegar numa bicicleta que está parada, com travões de disco, fazer uma descida de 300/400 ou 500 metros, travar a fundo, fazer duas ou três travagens e no fim tocar com a mão no disco. Ele vai estar a ferver. Uma queda onde caiam 10 ou 20 ciclistas e discos a ferver a tocar uns nos outros, vai ser certamente... Isso já aconteceu, foi por isso que foram proibidos.

O que vai acontecer é a coisa natural das marcas estarem a pressionar muitíssimo toda a gente para que os travões de disco sejam norma e a partir desse momento, milhões e milhões de pessoas em todo o mundo vão ter de trocar as bicicletas e os assessórios e os componentes. E é isto que está a acontecer. Eu gosto dos travões de disco. Eu se neste momento comprasse uma bicicleta para mim, para ter em casa, comprava com travões de disco. Acho realmente engraçado. Para competir analiso os prós e os contras. A nível de travagem não me faz falta neste momento ter uns travões mais potentes. O travão tradicional com as pastilhas certas é um travão que trava muito bem. Pesando as coisas, tudo o que seja colocar mais um risco para o ciclista, na minha maneira de ver, não faz sentido."

Hélder Ferreira (Louletano-Hospital de Loulé): "Eu até agora não experimentei os travões de disco nas bicicletas de estrada. Acho que ainda está a haver uma polémica internacionalmente. Portugal anda sempre um passito atrás, por isso, até chegar cá vai demorar e depois posso opiniar sobre a questão. Quanto à segurança, das opiniões que tenho ouvido, há certos problemas. Mas só vendo."

Joni Brandão (Sporting-Tavira): "Eu acho que para os travões de discos serem homologados era necessário que competíssemos todos com travões de disco e não uns com travões de disco e outros com normais, porque acho que é uma desigualdade muito grande. Quem vai de travão de disco tem uma capacidade de travagem muito superior aos normais e na minha maneira de ver, esta é uma decisão que não está a ser bem tomada porque se todos fossem obrigados a correr de discos era uma coisa, agora uns com discos e outros sem discos... Acho que é uma desigualdade grande. E depois é a questão da segurança que não sei se foi rectificada, mas acho que sim. Falta saber como e só depois é que podemos dar uma opinião mais concreta em relação a isso."

José Mendes (Bora-Hansgrohe): "Eu nunca usei travões de disco em bicicletas de estrada. Há quem diga que a travagem é melhor, mas aquilo que me preocupa é a segurança e foi o que fez com que fosse suspensa a integração dos discos. Na minha opinião, penso que não se deveria usar discos. Sou contra. É óbvio que se deve evoluir, mas acho que é dos costumes que infelizmente há no nosso desporto e quando há um pelotão, com muitos ciclistas juntos, penso que aquele disco pode ser muito perigoso. 

Infelizmente não sei quem tem mais interesse que os travões de disco sejam integrados. Penso que não é da parte dos ciclistas. Eu ainda não vi nenhum ciclista a reivindicar a reintegração dos discos para a sua segurança. Por isso, falar em termos de segurança, não é correcto. Possivelmente as marcas têm interesse nessa integração. Estou um pouco apreensivo com a integração dos discos pelo problema da segurança. Penso que vai criar insegurança e medo. Com o tempo aquilo aquece. É mais um elemento que pode provocar sérias lesões. Já temos as pedaleiras, mas isso não podemos tirar. Mesmo uma bicicleta de estrada ter uma capacidade superior de travagem, à velocidade que nós atingimos, penso que até isso pode ser perigoso.

Nunca experimentei, por isso, não posso dizer se é melhor ou pior. Aquilo que me deixa apreensivo é mesmo essa parte da segurança."

Rui Vinhas (W52-FC Porto): "Em Portugal não podemos muito falar nisso. Eu pessoalmente nunca usei travões de disco. Se é uma mais valia? Penso que sim. Para incutir isso na alta competição tem de ter benefícios. Agora eu não sou a melhor pessoa para responder porque nunca trabalhei com travão de disco na estrada. Acho que tem um bom poder de travagem, uma boa segurança e penso que na bicicleta de estrada será um bocado parecido. É uma questão de experimentar para ver como seria. Há polémicas, mas isso é como em tudo. Nós tendo quedas com bicicletas normais ficamos sempre com mazelas, mas com uma bicicleta a cortar como foi o caso do Ventoso, um travão de disco que era novidade, as pessoas metem logo problemas nisso. Mas acho que é uma questão de experimentar e andar um ano ou dois para ver se realmente aquilo serve para a alta competição ou não."

Sérgio Paulinho (Efapel): "Eu tenho uma bicicleta de travão de disco e para ser sincero quando chove e com a estrada molhada, é muito melhor. A travagem é muito melhor, o tempo de reacção é muito melhor, a bicicleta trava muito melhor. Em seco não vejo diferença. Quase que digo que prefiro o travão tradicional que o travão de disco. Para mim, o grande problema que está aqui é o disco em si. Se houver um protecção do disco por causa das quedas, acho que o disco pode ser bem-vindo ao ciclismo.

Na minha opinião, se a decisão fosse minha, a decisão é não ao disco. Acho que não traz nada de novo ao ciclismo. Traz de novo às marcas porque é uma inovação, mais vendas. Que me desculpem as marcas, mas é assim mesmo. Inovação no ciclismo? Eu não a vejo. Não é por aí. Acaba por tornar a bicicleta mais pesada. Se houver uma protecção, vamos supor - e todos sabem que no Tour há sempre aquelas quedas enormes - que acontece alguma fatalidade por causa de um travão de disco... Elas às vezes já acontecem sem travão de disco, com um travão de disco há uma probabilidade maior. Acho que temos de ponderar todas as situações, por isso, na minha opinião, se fosse eu a decidir, não vale a pena."

»»Travões de disco e as "facas gigantes" de Ventoso««

»»Tom Boonen, o senhor relações públicas... depois do Paris-Roubaix««

24 de outubro de 2016

"Achei que deveria mudar e procurar uma equipa onde tivesse mais liberdade. O Boavista foi a melhor opção"

Uma das últimas fotografias como ciclista da Efapel. Em 2017 as cores serão outras
É uma das transferências do ano no ciclismo nacional. Depois de seis anos na Efapel, Filipe Cardoso considerou que estava na altura de mudar e, com alguma influência do amigo Rui Sousa, optou por assinar pela Rádio Popular-Boavista, onde espera ter outro tipo de liberdade nas corridas. "Não prometi vitórias ao Boavista, nem o Boavista me exigiu nada. A única coisa que lhes disse foi que continuaria a ser o ciclista que fui nos últimos anos e eles estavam precisamente interessados nesse Filipe", salientou ao Volta ao Ciclismo. Sendo um dos ciclistas mais acarinhados do pelotão, a sua mudança foi muito bem recebida pelo adeptos axadrezados e a equipa terá agora dois dos ciclistas que muito gostam de mexer nas corridas. "O Rui tem uma forma de correr de ataque e eu também não gosto muito de ir parado na corrida. Portanto, é uma equipa que tem tudo para dar espectáculo."

Além de Rui Sousa - que adiou a "reforma" - e Filipe Cardoso, a Rádio Popular-Boavista garantiu o regresso de João Benta e tem assegurado um conjunto de jovens interessantes. "Parece-me ser uma equipa capaz de estar na luta em praticamente todas as corridas", referiu Filipe Cardoso. Mas afinal, o que o fez terminar uma longa relação com a Efapel? "Foi um conjunto de factores. O que acontece nas equipas, na maneira como eu vejo as coisas, ficam nas equipas. Ficas as coisas boas e as menos boas. Ao fim de seis anos achei simplesmente a proposta do Boavista mais aliciante, não só os números, mas também as condições e a forma como poderei gerir a minha época", explicou. "Achei que deveria mudar e procurar uma equipa onde tivesse alguma liberdade. O Boavista é a melhor opção", acrescentou.

Aos 32 anos, Filipe Cardoso inicia assim uma nova fase na carreira e com uma grande ambição, pois espera que essa liberdade se traduza em estar em condições para lutar por mais vitórias e, claro, a pensar na Volta a Portugal. "Uma equipa na Volta a Portugal que tem um líder forte acaba por estar influenciada por isso. Este ano procurei uma com líderes com menos responsabilidade na Volta e, por consequência, a equipa tem menos trabalho, digamos assim. Mas isto é tudo teoria. Pode acontecer chegar à Volta e um ciclista do Boavista ser líder logo nos primeiros dias. Se tiver de trabalhar, isso não será problema nenhum", afirmou.

"Foram três quedas em duas etapas e uma delas violentas. Acabei por partir costelas, deslocar um ombro, tive de ser cozido em muitas partes do corpo, tive um derrame na coxa e 25 dias de cama"

E Filipe Cardoso tem "contas a ajustar" com a Volta a Portugal. A de este ano é descrita pelo ciclista como "dolorosa" e eis as razões: "Foram três quedas em duas etapas e uma delas violenta. Acabei por partir costelas, deslocar um ombro, tive de ser cozido em muitas partes do corpo, tive um derrame na coxa e 25 dias de cama." Escusado será dizer, que a Volta a Portugal não correu nada como o esperado, mas "o ciclismo é assim", disse Filipe Cardoso, que, no entanto, realça que a época não foi toda má. "O meu objectivo inicial era ganhar uma corrida antes da Volta. Ganhei uma etapa no [Grande Prémio] Abimota e a geral, portanto essa parte ficou arrumada. A partir daí a concentração e os objectivos eram apenas a Volta a Portugal. Penso que estava bem fisicamente, mas depois aconteceu o que se sabe..."

A relação com as redes sociais e os seus fãs

Filipe Cardoso é dos ciclistas portugueses mais activos nas redes sociais. Partilha vários momentos da sua vida e, por exemplo, a longa recuperação depois das quedas na Volta a Portugal, foi mostrada com vários pormenores e também com um toque de humor. Porém, o ciclista disse que não o faz como uma forma de gerir a sua imagem: "O que faço não é para ter esse retorno. Aquilo que eu coloco nas redes sociais ou a maneira como lido com as pessoas que gostam de ciclismo, é a forma como eu, como amante da modalidade, iria gostar de ver, gostar de saber. O ciclismo sem o público não é nada."

"É mesmo muito bom receber esse apoio. Se não for por isso também não faria sentido andar feito maluco a fazer corridas de bicicleta!"

Admitiu que nem sabe quantas pessoas o seguem no Facebook. São mais de 16 mil. "A minha vida pessoal é uma coisa e a minha vida de atleta outra. Eu vou partilhando o que posso. Mas, sinceramente, a minha vida pessoal e de atleta acabam por se fundir e eu sou assim!" Filipe releva um grande respeito pelos adeptos que pelas estradas do país o apoiam intensamente e até não hesitou em dizer: "É mesmo muito bom receber esse apoio. Se não for por isso também não faria sentido andar feito maluco a fazer corridas de bicicleta!" A forma que encontra para retribuir esse apoio é "dar o máximo de atenção que possa e retribuir aquilo" que lhe dão na estrada.

Não esquece um metro da vitória na Senhora da Graça

"Vencer na Volta a Portugal é inesquecível. Vencer numa etapa mítica é ainda mais." Filipe Cardoso não esquece a vitória de 2015 na Senhora da Graça. Uma tirada para a história e que representa em muito quem é o ciclista. Fez mais de 30 quilómetros sozinho e aguentou até à meta, já com a concorrência (um deles o colega Joni Brandão) bem próxima. "Claro que me lembro perfeitamente desse dia... de cada metro que foi decisivo e do que sofri. Lembro-me dos últimos 30/40 quilómetros em que fui sozinho... lembro-me perfeitamente de todo o filme desse dia..."

O amigo Rui Sousa

Quando se tornou profissional, Filipe Cardoso começou ao lado de Rui Sousa, foram colegas de equipa, colegas de quarto e tornaram-se amigos. Entre encontros e desencontros em algumas formações, voltam agora a estar juntos na Rádio Popular-Boavista. "Uma grande parte de eu ter assinado pela equipa foi devido a algumas conversas que tive com o meu amigo Rui Sousa. Ele fez um pressing muito grande para eu ir para o Boavista e explicou-me como as coisas funcionam lá. Teve peso na minha decisão", confessou.

"Só acredito que é o último ano [do Rui Sousa] quando ele realmente deixar"

Filipe Cardoso começou a carreira ao lado de Rui Sousa e agora Rui Sousa pode acabar a sua ao lado de Filipe Cardoso, depois de ter adiado a retirada que tinha planeado para este ano. "Só acredito que é o último ano quando ele realmente deixar. Por isso, vamos esperar pela Volta a Portugal, pelo fim da época para saber, qual será a opção dele."

»»Rui Sousa: "Desde o início da Volta a Portugal que as pessoas me diziam 'mais um ano, mais um ano'"««