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21 de maio de 2017

Queda assustadora de Kangert. Está fora da Volta a Itália

(Fotografia: Astana)
O azar continua a perseguir a Astana. Alexander Vinokourov e os restantes membros da equipa técnica terão apanhado um valente susto ao ver a aparatosa queda de Tanel Kangert. A 15ª etapa do Giro foi feita a alta velocidade - média superior a 48 quilómetros hora, mesmo com duas subidas - e o ciclista da Estónia acabou por ser vítima de um embate violento contra um sinal colocado numa ilha de tráfego.

Imediatamente Kangert ficou sentado no chão agarrado ao cotovelo. Já não continuou a corrida, quando faltavam cerca de sete quilómetros para o final. A confirmação chegou mais tarde: o ciclista fracturou o cotovelo. É o fim de um Giro que estava a ser muito positivo para um ciclista que prometeu muito enquanto jovem, mas agora com 30 anos acabou por nunca transformar esse talento em grandes vitórias. Ainda assim tem sido um atleta importante na Astana, no apoio aos seus líderes.

Este ano junta-se à lista negra de problemas que estão a afectar a formação cazaque. Primeiro foi Fabio Aru que se lesionou numa queda quando se preparava para lutar pela vitória no Giro100. Michele Scarponi foi nomeado líder, mas seria vítima de um atropelamento. Morreu, deixando o ciclismo de luto. Para homenagear o seu ciclista, a Astana decidiu só levar oito corredores para Itália, não atribuindo o dorsal um da equipa, que deveria ter pertencido a Scarponi.


Tanel Kangert e Dario Cataldo acabaram por assumir a responsabilidade de lutar por um top dez, ainda que o grande objectivo da Astana seja uma vitória de etapa para dedicar a Scarponi. Luis Leon Sanchez tem perseguido essa ambição, mas o melhor que conseguiu foi o terceiro lugar. Mas continua a lutar e ainda este domingo esteve novamente na fuga.

Kangert era sétimo na geral, a 4:55 minutos do líder, mas ainda de olhos postos no top cinco. Agora é Dario Cataldo o homem da Astana com melhor classificação. Ocupa a 13ª posição, a 8:14 de Tom Dumoulin, mas o top dez está a pouco mais de um minuto de distância.

Porém, com o abandono de Kangert, mais do que nunca a Astana vai certamente apostar com os sete homens que tem em prova na procura pelo triunfo de etapa, dedicar a Scarponi e talvez assim conseguir começar a recuperar animicamente de uma época que até ao momento não grandes motivos de celebrações. Estamos a chegar ao final de Maio e só tem uma vitória: foi precisamente Scarponi quem a deu à equipa, na primeira etapa da Volta aos Alpes, poucos dias antes de morrer.

»»Lutar pela vitória ou ir para casa. No Giro os líderes da Sky acabam em casa««

»»Sunweb esqueceu-se de um ciclista no hotel em mais um momento insólito no Giro««

30 de abril de 2017

Scarponi não tem substituto. Astana vai ao Giro com menos um ciclista para homenagear o seu líder

Scarponi após a sua última vitória, na primeira etapa na Volta aos Alpes
(Fotografia: Facebook Astana)
A pergunta de quem iria substituir Michele Scarponi estava sem resposta há uma semana. A Astana decidiu homenagear o seu ciclista na 100ª edição da Volta a Itália: se não pode ter Scarponi, então não haverá ninguém para o substituir e a equipa irá mesmo para a corrida com menos um ciclista.

Com Fabio Aru a recuperar de uma queda que lhe provocou uma grave lesão no joelho, o veterano Scarponi ia ser o número um da Astana. A sua morte - foi atropelado durante um treino perto da sua casa em Filottrano - provocou um choque generalizado, mas naturalmente que, no ciclismo, atingiu particularmente a formação cazaque. O ano já estava a ser muito mau. Tinha sido Scarponi a dar a primeira vitória à equipa em 2017 (e única até ao momento) poucos dias antes do trágico acidente. Sem Aru, caiu por terra o principal objectivo da Astana: a vitória no Giro100. De Scarponi não se esperava um triunfo, mas a sua experiência e visto ter demonstrado boa forma na Volta aos Alpes, a equipa esperava alcançar uma boa classificação e talvez juntar uma ou outra tirada.

Esse objectivo naturalmente que se mantém, mas Alexander Vinokourov optou por deixar o dorsal um da Astana sem dono em homenagem a Scarponi. Menos um homem complicará a missão de Dario Cataldo ou Tanel Kangert de ficarem no top 10. É muito possível que se veja uma Astana muito activa no Giro à procura de vitórias que certamente os seus ciclistas ambicionam mais do que nuncal, com o desejo de as dedicar àquele que deveria ter sido o seu líder na ausência de Aru. O espanhol Luis Leon Sanchez é um corredor que deverá dispor de liberdade total para alcançar esse triunfo.

"Penso que é a decisão correcta e tenho a certeza que os organizadores do Giro, tal como toda comunidade do ciclismo, vão aceitar e compreender", afirmou o director da Astana, Alexander Vinokourov. Nas grandes voltas as equipas têm de se apresentar com nove ciclistas, incorrendo numa multa caso comecem com menos. Sendo um caso excepcional, aguarda-se agora pela decisão de Mauro Vegni, director da Volta a Itália.

Os eleitos da Astana para o Giro100 foram Pello Bilbao, Zhandos Bizhigitov, Dario Cataldo, Jesper Hansen, Tanel Kangert, Luis Leon Sanchez, Paolo Tiralongo e Andrey Zeits.



Vinokourov aproveitou também para garantir que a Astana não vai ficar por esta homenagem: "Obviamente que esta não é a única iniciativa que a Astana está a preparar para recordar o Michele e também para ajudar a sua família. Já começámos algo tão importante como uma angariação de fundos para a família dele e vamos fazer muito mais nos próximos meses."

O director da Astana salientou que irão correr todos os dias do Giro e noutras corridas para honrar a memória de Michele Scarponi, que aos 37 anos morreu de forma tão trágica.

»»Ciao 'Scarpa'««

»»Aru responde a Nibali e confirma que não estará no Giro««

21 de abril de 2017

Aru responde a Nibali e confirma que não estará no Giro

(Fotografia: Facebook Astana)
A carta aberta que Vincenzo Nibali dirigiu a Fabio Aru a pedir que o ciclista da Astana estivesse no início da Volta a Itália, fez com que se alimentasse a esperança que o jovem ciclista da Sardenha - precisamente onde arranca o Giro100 -, pudesse mesmo recuperar da lesão no joelho mais rapidamente do que o previsto. Michele Scarponi foi nomeado o líder, mas ele próprio afirmou que também gostaria de ver Aru assumir o seu lugar na corrida. Talvez tenha sido a emoção de um momento que parecia ser mau de mais para ser verdade que tenha feito com que se esperasse que um milagre, como disse Nibali, fosse mesmo possível. Porém, a queda no início do mês na Serra Nevada vai mesmo ditar um destino amargo para Aru: "Vincenzo, li e reli a tua carta e pensei durante muito tempo como seria bom responder-te com um 'sim, vou estar no início do Giro100', mas, infelizmente, a vida dá-nos estes difíceis testes."

Fabio Aru respondeu com emoção à carta de Nibali, ambas publicadas na Gazzetta dello Sport. O italiano, de 26 anos, realçou o quanto gostaria de estar nas grandes subidas que fazem parte do percurso do Giro100, mas referiu que esteve duas semanas sem treinar e que só daqui a cerca de dez dias é que irá voltar a fazê-lo sem limitações. "Como pessoa inteligente e sensível que sempre revelaste ser, penso que irás compreender que ir ao Giro depois de três semanas fora da bicicleta e sem treinar não seria sério, nem para mim, nem para a equipa (que sempre depositaram grande confiança em mim), nem para os meus fãs, que têm sido incríveis nestas difíceis semanas e a quem tanto devo", escreveu.

O ciclista da Astana salientou como estava focado a 100% na Volta a Itália, corrida que ficou em segundo em 2015, atrás de Alberto Contador, tendo ganho mais tarde nesse ano a Vuelta. No ano antes ficou em terceiro. Agora deseja o melhor ao colega que assumirá a liderança da equipa cazaque, mas também a Nibali: "Vou apoiar os meus colegas, o Michele Scarponi em primeiro lugar. Mas querido Vincenzo, espero sinceramente que também tu possas estar bem e talvez ficar ao lado do 'Scarpa' ou outros italianos fortes, que há muitos, para ver a bandeira tricolor a ondular mais alto que todas as outras na Piazza Duomo, em Milão."

Depois de uma rivalidade que acabou por levar Nibali a trocar a Astana pela Bahrain-Merida, para assim voltar a ser o líder indiscutível de uma equipa, esta situação revelou um outro lado dos ciclistas italianos, algo inesperado tendo em conta o que aconteceu no passado recente, mas que poderá marcar um mudança numa relação que até agora foi sempre tão fria.

»»Quando a rivalidade fica em segundo plano. Nibali apelou a Aru: "Não percas a esperança"««

»»Scarponi reage à crise de resultados e de líderes na Astana««

»»Maglia ciclamino recuperada para o Giro100««

17 de abril de 2017

Scarponi reage à crise de resultados e de líderes na Astana

Desde 2013 que Scarponi não vencia (Fotografia: Facebook Astana)
Quando em 2014 Michele Scarponi assinou pela Astana, o italiano assumia que era um último folgo na carreira, longe da pressão de lideranças, mas mais com uma missão de estar ao lado de Vincenzo Nibali e ajudar a estrela em ascensão, Fabio Aru. A Scarponi agradou-lhe um papel secundário, depois de uns anos de intensa pressão por ser o líder italiano de uma equipa italiana do World Tour, a Lampre. Aos 37 anos, a liderança numa grande volta é novamente dele. Não a pediu, mas também não havia outra solução para a Astana. Num ano em que a equipa cazaque está a enfrentar enormes dificuldades em encontrar-se com as vitórias, Scarponi reagiu com classe ao chamamento de líder. Venceu a primeira etapa da Volta aos Alpes (antigo Giro del Trentino), naquela que foi também a primeira vitória da equipa em 2017. Um pequeno respirar de alívio que não retira a pressão de uma formação que apostava forte (quase tudo) na Volta a Itália, mas que ao ficar sem Fabio Aru vê-se agora numa situação desconfortável, sem líder e sem resultados.

Por esta altura da época em 2016, a Astana somava 15 triunfos, três do nível World Tour. No Giro del Trentino somaria outras três vitórias. A má relação entre Alexandre Vinokourov e Vincenzo Nibali fez com que o italiano optasse por assinar por um novo projecto, a Bahrain-Merida. O cazaque vê em Aru o futuro da equipa e não se importou nada em perder um ciclista que já conquistou as três grandes voltas. Depois há outro jovem talento, Miguel Ángel López. O colombiano de 23 anos já deu mostras de ser outra excelente aposta, mas ainda tem muito a evoluir. A tíbia fracturada em Novembro numa queda durante um treino atrasou a preparação do ciclista, que ainda não apareceu em forma em 2017.

Mas era em Aru em quem Vinokourov apostava tudo. Jakob Fuglsang seria o líder da a Volta a França, mas era a 100ª edição do Giro que a Astana mais queria. O dinamarquês é um bom ciclista, mas ninguém espera que faça melhor que um top dez e talvez ganhar uma etapa. Aru caiu na Serra Nevada durante um estágio em altitude. O pesadelo de uma época longe das vitórias tornou-se numa catástrofe com a lesão no joelho que obrigou o corredor a um repouso total durante dez dias. Vinokourov anunciou que Scarponi, o suposto braço direito de Aru, seria o dorsal um da equipa na Volta a Itália e, por consequência na Volta aos Alpes.

É difícil dizer que Scarponi sentiu-se pressionado. Longe disso. A experiência vale muito nestas situações. O ciclista italiano assumiu o seu inesperado papel na Astana e que grande resposta deu. Não foi uma vitória por acidente. Houve muito mérito na forma como se agarrou a Geraint Thomas e bateu-o ao sprint, com Thibaut Pinot a ficar em terceiro. O britânico e o francês são dois dos candidatos à conquista do Giro, enquanto Scarponi nem entra no grupo de outsiders, ou de potenciais surpresas.

A última vitória individual de Scarponi remonta a 29 de Setembro de 2013, no GP Costa Degli Etruschi. Há um ano venceu o contra-relógio por equipas no Giro del Trentino. A certa altura da carreira de Scarponi, os italianos depositaram muito confiança nele. Porém, nunca foi um ciclista tão vencedor como Nibali, por exemplo. Conseguiu uma Volta a Itália, mas acabou por ser um momento sem glória, pois a vitória foi-lhe atribuída depois de Alberto Contador, que dominou essa edição, ter sido desclassificado. O espanhol competiu enquanto esperava pela sanção do caso de doping que ficou conhecido como "bife à Contador". A suspensão atribuída anulou vários resultados, incluindo o desse Giro.

Nunca se sentiu que o Giro de 2011 fosse de Scarponi. Talvez o próprio tenha dificuldades em sentir também. Quando foi chamado em demonstrar que era mesmo um ciclista para ganhar mais grandes voltas, Scarponi foi aos poucos desaparecendo e o papel secundário na Astana até foi quase um alívio. Porém, toda a experiência que acumulou, todos os momentos difíceis que viveu enquanto líder da Lampre, podem muito bem ser uma mais valia numa altura em que a Astana mais precisa de um homem que não sucumba à pressão de ser visto como o substituto de Aru, ainda mais um substituto que não dá garantias de vitórias. Ou melhor, não dava.

Scarponi revelou um discurso confiante depois da vitória em Innsbruck. Recusou falar do Giro, pois agora quer fazer tudo para manter a liderança na Volta aos Alpes. Olhando para o palmarés do ciclista, é em Itália que gosta de ganhar e até já conquistou esta competição em 2011. E para que não existam dúvidas que a Astana tem o líder que precisava para esta fase complicada, Scarponi não só assume o papel, como se mostra disponível e expectante para o entregar a Fabio Aru, caso um milagre aconteça e o jovem italiano recupere a tempo de estar na partida a 5 de Maio, na sua Sardenha.

Vincenzo Nibali apelou que Aru tente estar no Giro e Scarponi afirmou que era um bom conselho e que todos ainda esperavam ver Aru assumir a liderança que lhe pertence. Mas Scarponi não quis mesmo falar muito da Volta a Itália. Perante uma vitória que há uma semana não esperaria conquistar - se Aru estivesse em prova, certamente que teria sido o seu gregário -, o veterano pediu para que o deixem aproveitar o momento que está a viver na Volta aos Alpes.

Porém, depois de ser líder, Scarponi voltará ao seu papel de leal companheiro e poderá muito bem ser de uma importância ainda maior do que o esperado. Apesar de Fuglsang continuar a ser apontado por Vinokourov como líder para o Tour, será difícil acreditar que Aru não ataque a Volta a França, depois de falhar o Giro. Há um ano, a estreia acabou por ser uma desilusão e talvez também por isso Aru não tenha tido problemas em querer apostar tudo no Giro e depois na Vuelta. Mas tendo de regressar já ao Tour, a pressão será enorme e Aru nem sempre lida da melhor forma com ela. Tende a deixar-se dominar por algum nervosismo. Scarponi poderá ser chamado a ajudar Aru a evoluir, a controlar melhor o seu lado emocional.

Veja aqui a classificação da primeira etapa da Volta aos Alpes

»»Aru cai numa descida e diz adeus ao Giro. Alaphilippe falha clássicas das Ardenas««

»»Quando a rivalidade fica em segundo plano. Nibali apelou a Aru: "Não percas a esperança"««

13 de abril de 2017

Quando a rivalidade fica em segundo plano. Nibali apelou a Aru: "Não percas a esperança"

Nibali e Aru foram companheiros de equipa durante quatro anos
(Fotografia: Astana)
Não era segredo que Vincenzo Nibali e Fabio Aru não nutriam grande simpatia um pelo outro quando estiveram juntos na Astana. Afinal era um pouco a lei da vida que acabava por estar entre eles: Nibali era o ciclista referência, Aru o talento que queria despontar e ocupar o lugar do compatriota. Absolutamente normal. Este foi mais um dos casos em que claramente não havia espaço na equipa para dois enormes egos e perante os bons resultados de Fabio Aru - e mesmo depois da sua primeira Volta a França não ter decorrido como desejaria e Nibali até ter ganho o Giro -, Alexandre Vinokourov fez a sua escolha: Aru seria o número um da equipa. Agora em equipas diferentes, a 100ª edição da Volta a Itália seria o palco perfeito para ver os dois italianos frente a frente, como líderes das suas formações. Porém, Aru caiu num treino e vai falhar o Giro devido a um problema num joelho. Como reagiu Nibali? Há momentos em que a rivalidade não supera a vontade de ter os melhores a competir a seu lado. Afinal, se se quer ser o melhor, há que bater os melhores. "Aru não percas a esperança. Ainda não", apelou Nibali.

Perante o passado recente de pouco entendimento entre os dois, a carta que Vincenzo Nibali publicou na Gazzetta dello Sport acabou por ser algo surpreendente. Golpe de marketing, fazer boa figura... As más línguas terão muito para dizer sobre a atitude de Nibali, mas é impossível não considerar como um enorme gesto de fairplay e de respeito perante um adversário que o italiano sabe que seria um dos rivais na luta pela vitória na histórica edição do Giro.

"Apesar de ser muito difícil, talvez impossível, ainda acredito que há uma possibilidade de te ver no arranque do Giro, em Alghero. Tu e eu somos referências no ciclismo italiano nas grandes voltas e com a tua ausência na Sardenha, perdemos todos", lê-se na carta. De recordar que a organização da Volta a Itália desenhou um percurso que passasse pelas duas terras dos dois principais ciclistas do país para as corridas de três semanas: Sardenha e Sicília. Nibali salienta precisamente a importância de ambos terem nascido em ilhas e de ser tão raro o Giro passar nelas.

No dia 2 de Abril, Aru caiu durante uma descida na Serra Nevada. Na segunda-feira, a Astana confirmou que o seu líder iria falhar o Giro, com Michele Scarponi a assumir o papel de número da equipa. A paragem nos treinos de Aru poderá prolongar-se por mais de uma semana e Vinokourov acredita que interrompe a preparação para a Volta a Itália e que dificilmente Aru estará no seu melhor. Já Nibali quer ver o compatriota a tentar: "Todos sabem o que aconteceu e ninguém está a pedir que estejas a 100% no início. Mas podias tentar e se achares que é impossível, abandona a corrida. Ou talvez as coisas melhorem e tu consigas ficar, com a tua forma a melhorar e vingares-te na terceira semana. Além disso, o Giro permite-te que faças algum trabalho importante para a Volta a França. E para o futuro."

Vincenzo Nibali não esconde que poderia muita bem olhar para esta ausência apenas no papel de atleta, ou seja, a ausência de Aru significa menos um candidato. No entanto, não é isso que fez: "Sei o quanto significa preparar durante meses um objectivo e sei o quanto é especial o Giro é para ti, já que passa na tua terra natal", refere. Acrescenta que espera que Aru possa vir a ter a possibilidade de mudar de ideias, realçando como às vezes o prazo dado pelos médicos para regressar aos treinos pode ser antecipado, dependendo de como se recupera.

O desejo de Nibali é certamente partilhado por muitos. A 100ª edição do Giro vai juntar um lote de ciclistas como há muito esta competição não via. Além dos italianos, a Sky aposta forte com Geraint Thomas e também Mikel Landa, a Trek-Segafredo irá levar Bauke Mollema, Thibaut Pinot (FDJ) optou este ano por também apostar no Giro, tal como Tejay van Garderen (BMC). Os gémeos Yates da Orica-Scott e Tom Dumoulin (Sunweb) colocaram o Giro como prioridade. Ilnur Zakarin (Katusha) e Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo) procuram melhor sorte do que em 2016 e claro, Nairo Quintana (Movistar) estará de regresso, contribuindo e muito para o um aniversário muito especial desta grande volta.

Parece de facto ser impossível Fabio Aru recuperar a tempo de a 5 de Maio estar no arranque da Volta a Itália. Mas Nibali pede um milagre e ele sabe que eles podem acontecer, principalmente depois de no ano passado ter conquistado um Giro que chegou a parecer estar mais do que perdido.

»»Nibali provou que os milagres acontecem««

»»Aru cai numa descida e diz adeus ao Giro. Alaphilippe falha clássicas das Ardenas««

11 de abril de 2017

Aru cai numa descida e diz adeus ao Giro. Alaphilippe falha clássicas das Ardenas

Fabio Aru tinha o Giro como o principal objectivo para 2017 (Fotografia: Astana)
Costuma dizer-se que uma má notícia nunca vem só. Terminada a fase das clássicas do pavé, chega uma das semanas mais importantes do ciclismo, a das Ardenas, que antecede a primeira competição de três semanas do ano, a Volta a Itália. Julian Alaphilippe estava a realizar uma primeira fase de temporada excelente, mas a Volta ao País Basco dificilmente poderia ter sido mais aziaga para o francês da Quick-Step Floors. As Ardenas eram um dos seus principais objectivos do ano, mas um problema no joelho vai afastá-lo umas semanas da competição. Ainda mais desiludido deve estar Fabio Aru. A 100ª edição do Giro vai começar na sua terra, Sardenha, e o italiano não esconde a desilusão de falhar um ano tão especial da Volta a Itália.

Depois de em 2016 ter remetido Vincenzo Nibali para segundo plano na Astana, tornando-se a primeira escolha para liderar a equipa no Tour (depois de vencer a Vuelta em 2015), Aru não convenceu e este ano optou por regressar ao programa habitual, apontando ao Giro. O facto de ser a 100ª edição foi também um factor que pesou na decisão, ainda mais quando a organização homenageou os dois principais voltistas italianos ao colocar as suas terras no percurso da corrida. Não se pode dizer que Fabio Aru estivesse a realizar uma época muito convincente, mas as expectativas para o que o ciclista pudesse fazer no Giro eram altas. Aliás, a Volta a Itália era mesmo o grande objectivo da equipa cazaque para 2017.

O italiano, de 26 anos, caiu durante um treino na Serra Nevada, no dia 2 de Abril. Estava a 47 quilómetros/hora quando um pneu rebentou. Aru explicou que pouco antes tinha atingido os 70 quilómetros/hora e nem quer pensar no que poderia ter acontecido se tivesse caído nessa altura. Ainda assim, a lesão no joelho revelou ser grave. "Não consigo dobrar a perna esquerda. Não posso pedalar e não treino há nove dias. Preciso de um milagre. De momento dói só de subir umas escadas, de andar", explicou Aru à Gazzetta dello Sport. Quando falou com o jornal, a esperança de Aru ainda não tinha morrido, mas a Astana confirmou esta segunda-feira que o seu líder vai mesmo falhar a Volta a Itália, que começa dia 5 de Maio.

A grande desilusão de Aru vai tornar-se num momento importante para Michele Scarponi. Aos 37 anos, há muito que o veterano ciclista está afastado dos tempos em que era visto como candidato. Ainda assim, em 2016 esteve a bom nível tanto no Giro, como na Vuelta. Desde que deixou a Lampre no final de 2013 que Scarponi assumiu um papel de apoio a Nibali na Astana e depois também a Aru. Esta liderança da equipa poderá muito bem ser a última vez que a terá. Contudo, para o vencedor do Giro de 2011 - após a desqualificação de Alberto Contador -, será extremamente especial ser novamente um líder, tendo em conta que é a 100ª edição da sua competição favorita.

Poderá não ser um candidato à vitória, como seria Fabio Aru, mas é de esperar um Scarponi que procurará o seu momento de glória, muito provavelmente com a vitória numa etapa. Alexandre Vinokourov confirmou esta aposta no experiente ciclista e o director da Astana disse ainda que Jakob Fuglsang (32 anos) será o líder da equipa no Tour. As afirmações parecem indicar que Vinokourov não quer quebrar a promessa feita ao dinamarquês de ser o número um da Astana em França, o que poderá significar que Aru terá de se contentar com a Volta a Espanha.
(Fotografia: Facebook Julian Alaphilippe)

É também um joelho que vai afastar Julian Alaphilippe da semana das Ardenas. Nos últimos dois anos, o francês esteve muito bem nestas clássicas, com dois segundos lugares na Flèche Wallonne e outro na Liège-Bastogne-Liège. Curiosamente foi sempre batido por Alejandro Valverde. Os resultados dos primeiros meses da temporada foram muito animadores para o ciclista da Quick-Step Floors, com destaque para o quinto lugar no Paris-Nice - que chegou a liderar depois de uma excelente crono-escalada - e para o terceiro posto na Milano-Sanremo, este mais surpreendente tendo em conta que é uma corrida normalmente dominada por homens mais rápidos.

Alaphilippe queria aos 24 anos conquistar o seu primeiro monumento na Liège-Bastogne-Liège. "É um momento muito difícil para mim. Nos últimos dias não treinei na esperança que a dor desaparecesse, mas isso não aconteceu. Estou triste por falhar as clássicas da Ardenas, mas não há nada a fazer. No entanto, continuo motivado e espero regressar o mais rápido possível", explicou o francês.

Foi na Volta ao País Basco que tudo começou a correr mal. Na primeira etapa atacou e quando parecia que tinha tudo para concretizar uma fuga solitária nos derradeiros quilómetros furou e perdeu inclusivamente tempo na geral. Na terceira etapa caiu, ainda apareceu na quarta, mas tornou-se evidente que não estava bem e que o melhor era parar.

A Quick-Step Floors apostava forte em Alaphilippe para continuar a magnífica senda de vitórias  da equipa em 2017. Já são 23. Mas se a Astana ficou sem grandes opções para atacar o Giro, a formação belga tem Philippe Gilbert e Daniel Martin. Não será o desejado trio temível, mas mesmo sendo "apenas" um duo, a formação é uma forte candidata a conquistar mais vitórias na semana das Ardenas.

Quanto a Alaphilippe, resta-lhe recuperar e apesar de não estar estabelecida uma data de regresso, o francês tentará estar pronto para ir à Volta à Califórnia, competição que venceu no ano passado, com o próximo grande objectivo a ser a Volta a França.

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25 de outubro de 2016

Giro: um percurso para o espectáculo e para a incerteza até final. Digno de uma 100ª edição

Um novo logotipo para celebrar uma edição especial
Pedia-se um percurso inesquecível. Um percurso digno de tornar uma 100ª edição memorável, como o número especial assim o exige. E os organizadores da Volta a Itália não desiludiram. A apresentação foi esta terça-feira, mas os perfis das etapas acabaram por ser revelados mais cedo, supostamente sem que estivesse previsto. Mas isso agora pouco importa. Já não valeria a pena andar com secretismos, pois afinal saber que o Mortirolo e o Stelvio fazem parte do percurso, assim como outras montanhas míticas, era o que mais se desejava saber, num Giro difícil e para os grandes trepadores (assim como bons contra-relogistas), mas que terá momentos para os sprinters.

Nesta 100ª edição, o Giro irá passar por 21 das 25 regiões italianas, começando na Sardenha, terra de Fabio Aru (Astana). O italiano mostrou-se satisfeito por ter a possibilidade de iniciar a tentativa de ganhar o seu primeiro Giro em casa. Aru, que se estreou na Volta a França este ano, já assumiu que em 2017 o Giro e a Vuelta (que venceu em 2015) são os objectivos. Porém, o seu rival também terá a possibilidade de pedalar onde nasceu, pois o percurso passa pela Sicília de Vincenzo Nibali. Camisola rosa de 2016 e 2013, o "Tubarão", como é conhecido, vai tentar a terceira vitória, desta feita ao serviço da nova equipa da Bahrain-Merida.

O percurso é para os trepadores, mas haverá etapas para os sprinters, principalmente nos primeiros dias. Poderá acontecer como no ano passado que a meio do Giro acabam por começar a abandonar dada as dificuldades que não são de todo para as características dos homens mais rápidos do pelotão. Mas falemos dos contra-relógios. Temos um na 10ª etapa de 39,2 quilómetros, praticamente plano e em 2017 não há etapa de consagração (algo que não é inédito no Giro), pois mais um contra-relógio individual poderá decidir o vencedor no último dia. São 28 quilómetros a terminar em Milão, mais uma vez planos. Desta feita não há crono-escalada e o contra-relógio por equipas volta a não figurar nesta competição de três semanas.

Mesmo sem falar da montanha, percebe-se porque razão Chris Froome reagiu muito bem ao percurso da Volta a Itália, o que terá deixado o director da corrida, Mauro Vegni, muito satisfeito. Claro que elogiar é uma coisa, estar no Giro será outra, mas o britânico lá vai deixando umas dicas que não é impossível... Falta saber se a Sky deixará o seu líder arriscar fazer o Giro e o Tour no mesmo ano. Recorde-se que desde 1998 que ninguém consegue o feito de vencer as duas corridas no mesmo ano, então alcançado por Marco Pantani.

Mas regressando ao percurso, logo na quarta etapa teremos a primeira das cinco chegadas em alto, no Etna. Porém, algumas das etapas de montanha terminam com descidas, algo sempre ao jeito de Vincenzo Nibali. Sete etapas ultrapassam os 200 quilómetros, uma outra tem 199, mas depois há tiradas curtas, mas duras. Porém, recordando um pouco o que aconteceu este ano, as Dolomitas voltam a estar no centro das atenções. Vão receber a etapa rainha, que começa em Moena e termina em Ortisei/St. Ulrich. Serão 137 quilómetros, com cinco subidas, três das quais acima dos dois mil metros de altitude.




A última semana será diabólica, pois na 16ª etapa, por exemplo, serão 227 quilómetros com este perfil:




E até ao contra-relógio final não haverá descanso, pelo que a expectativa é grande e o desafio aliciante para os ciclistas. O percurso é entusiasmante, ao contrário da Volta a França, que apesar de algumas novidades, como a aposta em algumas subidas curtas, mas difíceis, a verdade é que o Tour é um pouco mais conservador. O Giro mantém o seu perfil de dureza e será quase impensável não se assistir novamente a um grande espectáculo.

Esta Volta a Itália fará também algumas homenagens ao passar por locais que estão ligados a grandes nomes do ciclismo, como a aldeia onde nasceu e onde está sepultado Fausto Coppi, ou então a terra de Gino Bartali, ou o local de uma das grandes exibições de Marco Pantani, entre outros exemplos.

Falta saber se o percurso do Giro irá convencer os grandes nomes da modalidade actualmente. A organização ambicionava ter Chris Froome, Alberto Contador e Nairo Quintana. Os últimos dois estão obcecados pela Volta a França, o britânico... vamos ver. De recordar que Froome venceu a 100ª edição do Tour e seria algo histórico e único se vencesse a 100ª edição do Giro.


Giro d'Italia 2017 - Il Percorso (The Route) por giroditalia


Alejandro Valverde é possível que volte depois do pódio deste ano, Steven Kruijswijk - que deixou a vitória fugir em 2016 devido a uma queda - será um nome a ter em conta. Daniel Martin ameaça fazer uma época diferente, o que poderá significar trocar o Tour pelo Giro. Há dúvidas quanto aos planos da Orica-BikeExchange. Depois do segundo lugar de Johan Esteban Chaves no Giro e o terceiro na Vuelta, não está definido se a equipa australiana vai apostar forte na Volta a França, lançando o colombiano e os irmãos Yates, ou se divide as "tropas" e tentará ter uma bom conjunto de ciclistas em Itália. Também falta saber se Ilnur Zakarin regressará à Volta à Itália, ou se agora, sem Joaquim Rodríguez na Katusha, o russo poderá ser resguardado para atacar o Tour.

E se as palavras de Froome terão deixado Mauro Vegni a pensar que poderá concretizar pelo menos um dos seus objectivos, já a FDJ e AG2R não estiveram nada de acordo com as ideias de Thibaut Pinot e Romain Bardet em estar no Giro. As equipas francesas querem que os seus líderes franceses estejam na mais importante competição do ano... que é em França!

Muitas dúvidas e ainda se terá de esperar um pouco para serem dissipadas. Mas que este percurso pede a presença dos melhores, isso é uma verdade (veja aqui todas o perfil de todas as etapas).

»»Froome, Contador e Quintana no Giro? O ambicioso objectivo para a 100ª edição««

»»Como a vitória de Quintana na Volta a Espanha coloca alguma pressão sobre Chris Froome««

14 de fevereiro de 2016

Esta inacreditável Volta ao Algarve

Por mais que se olhe para a lista de ciclistas da Volta ao Algarve é difícil afastar o sentimento de que nem parece verdade. Várias equipas do World Tour voltam a marcar presença - até aí nada de novo - mas os nomes escolhidos mais parecem de uma das grandes provas do calendário internacional. Mas talvez seja injusto dizer isso, pois quando se consegue reunir um grupo de ciclistas que regularmente compete no Giro, Tour e Vuelta, nos cinco monumentos, ou em qualquer outra prova de renome, então provavelmente também já se poderá dizer que é uma das grandes provas do calendário internacional. E o crescimento nos últimos anos da Volta ao Algarve já lhe concede esse estatuto. Mesmo não sendo uma corrida de World Tour, é uma corrida para o World Tour e a prova está no espantoso leque de ciclistas que vão estar nas estradas algarvias.

Salvo alguma mudança de última hora, pode dizer-se que para tornar esta volta perfeita, só faltam Chris Froome, Peter Sagan e Alejandro Valverde, isto tendo em conta que as suas equipas vão cá estar. Rui Costa será uma das ausências mais notadas para os portugueses, mas a Lampre nem presença marca. O mesmo acontece com a BMC, ou seja não haverá Tejay van Garderen ou Philippe Gilbert. E claro que se poderiam referir mais nomes.

Mas o que interessa é quem cá está e o difícil é escolher quem destacar. Mais fácil (e mais curto) é dizer que se terá nomes para todo o tipo de batalhas. No sprint teremos Marcel Kittel (que recentemente venceu a Volta ao Dubai) e André Greipel (que também já tem vitórias este ano), naquele que será o primeiro confronto entre os alemães em 2016; teremos os dois maiores especialistas em clássicas dos últimos anos, Tom Boonen e Fabian Cancellara; e claro os grandes trepadores Alberto Contador, Joaquim Rodríguez, Fabio Aru e Thibaut Pinot. Ficam muitos nomes de fora neste texto, pelo que o melhor é mesmo confirmar no site da Volta ao Algarve.

Um dos grande atractivos da prova algarvia é que poderá ser a última oportunidade para se ver in loco dois dos melhores ciclistas da última década: Contador e Cancellara. Ambos anunciaram que vão terminar as carreiras no final deste ano.

Uma palavra para as equipas portugueses, afinal são elas que muito podem ganhar com uma competição de nível tão elevado, algo que dificilmente terão durante 2016. Num ano em que se espera que possa ser de mudança tendo em conta as mais recentes apostas do Sporting e FC Porto, poder pedalar ao lado dos melhores do mundo é a grande oportunidade para as equipas se mostrarem, já para não falar de alguns ciclistas. Caso, por exemplo, de Joni Brandão. O ciclista da Efapel permaneceu na equipa em 2016, mas é um dos principais nomes apontados como o próximo português a sair para uma equipa estrangeira.

Será de esperar que qualquer um dos conjuntos portugueses esteja desejoso de conquistar uma vitória o que animará certamente a Volta ao Algarve. E espera-se também, que com tanto nome importante, não estejam cá todos para apenas "rodar" a pensar noutras provas. A julgar por alguns discursos dos principais ciclistas, a Volta ao Algarve promete e quem sabe teremos um português em grande, pois André Cardoso e Tiago Machado aparecem como o dorsal 1 da Cannondale e Katusha, respectivamente, e Bruno Pires quererá mostrar-se na sua nova equipa, Roth.

Outro aspecto inacreditável da Volta ao Algarve, mas pelo lado negativo, é a ausência de transmissão televisiva. Ficou no ar a possibilidade de talvez no próximo ano. No entanto, pode encarar-se esta questão de outra forma: o melhor é mesmo ir para a estrada e ver de perto o melhor do ciclismo mundial.