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28 de junho de 2018

As lições de Simon Yates e Fabio Aru

(Fotografia: Giro d'Italia)
Antes das atenções se centrarem quase exclusivamente na Volta a França, temos um regresso ao Giro devido ao reaparecimento de dois ciclistas que estiveram em destaque por razões bem diferentes. Simon Yates e Fabio Aru tem estado a recuperar da grande volta e o italiano até decidiu nem ir aos Campeonatos Nacionais defender o título, para concentrar-se em melhorar e preparar a Vuelta. Yates parecia estar a caminho de uma vitória no Giro, quando numa só etapa viu o sonho terminar. Já Aru foi um descalabro durante toda a corrida. Quando apareceu bem no contra-relógio, afinal tinha aproveitado o cone de vento para ganhar tempo e acabou sancionado.

Um mês depois do final da corrida, Simon Yates admitiu que um pouco mais de paciência poderia ter feito toda a diferença. Com apenas três etapas por disputar e a última era de consagração, o britânico viu o trabalho de mais de duas semanas (além de todo o realizado para chegar em boa forma a Itália), ir por água abaixo na tirada de Bardonecchia, que incluiu o Colle delle Finestre e a épica fuga solitária de 80 quilómetros de Chris Froome (Sky). "Se calhar um pouco mais de paciência [teria ajudado]... Não tinha de estar sempre lá em todos os momentos... Não sei... Há muitas pequenas coisas que poderia mudar. Talvez até antes da corrida poderia ter chegado um pouco mais fresco, para assim sobreviver um pouco melhor", explicou ao Cycling News.

Naquela etapa 19, Yates contou que se sentia bem de manhã, apesar de algum cansaço, normal para quem está na recta final de uma corrida de três semanas. No entanto, acabou o dia a perder quase 40 minutos e a dizer adeus à vitória e nem no top dez ficou. O britânico confessou que só pensava em pedir desculpa à equipa, mas nem os responsáveis, nem os companheiros da Mitchelton-Scott quiseram ouvir tal coisa.

"Eles disseram para me calar, que fariam tudo outra vez [para o apoiar]. Estavam desiludidos por mim, mas não era algo de 'lixaste isto tudo'. Penso que como equipa, chegámos à frente quando tivemos a camisola. Acho que dominámos a corrida", afirmou o britânico de 25 anos. E esta união poderá continuar. Yates está nos últimos meses de contrato, assim como o seu irmão gémeo, Adam, que estará no Tour.

Apesar de admitir a abordagem de várias equipas, de ter duas propostas concretas em mãos e até com valores bem elevados, Yates salientou que o dinheiro não é tudo. "Não venho de uma família rica, por isso não faço isto por dinheiro. Quero ganhar corridas", disse, garantindo que a sua decisão foi feita por razões desportivas. Sim, a decisão já está tomada, mas Yates não a anunciou, nem quis avançar quando o fará. Certo é que houve lições que o britânico retirou do Giro. Mudando algumas coisas, está mais convicto do que nunca que pode ganhar uma grande volta.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Já Fabio Aru tem uma, a Vuelta de 2015, mas não está nada fácil conquistar a segunda. Foi para a UAE Team Emirates para mudar de ares, depois de ter ganho prestígio ao serviço da Astana. Porém, a época está a correr bastante mal. Na preparação para o Giro, Aru nunca deixou boas indicações e na grande volta esteve praticamente todas as etapas de montanha num enorme esforço para tentar manter-se com os favoritos. Contudo, cada dia que passava, Aru tornava-se cada vez menos num candidato.

"Não quero ser recordado como o ciclista que todos viram no Giro", lamentou Aru à Gazzetta dello Sport. O italiano (27 anos) ainda pensou em estar no Tour, mas para garantir que recupera a sua forma, preferiu apontar à Volta a Espanha. "A época ainda não acabou. Há a Vuelta, os Mundiais, as clássicas italianas e a Il Lombardia. Ainda há tempo para mostrar quem eu sou", salientou.

Mas afinal o que aconteceu no Giro? Aru aponta duas possíveis razões. A primeira foi o tempo que passou em altitude. Para o ciclista terá sido demasiado, o que acabou por levar o corpo além dos limites. Agora, está a planear competir mais e não passar tanto tempo nesse tipo de estágios. A outra razão é uma intolerância ao glúten e lactose, descoberta há três anos, mas que admitiu que "nunca foi aprofundada". O ciclista explicou que agora está a limitar o ingestão de massas e hidratos de carbono e eliminou o consumo de lacticínios. "Sinto-me mais leve e melhor na bicicleta", confessou. Aru quer voltar a sorrir e para isso quer ser aquele corredor entusiasmante, que dá luta e discute grandes vitórias. O que aconteceu em Itália não será para esquecer, será para aprender.

"Nas etapas finais do Giro sentia-me vazio, inchado e sem energia. Estava a reter líquidos e nunca me senti bem. Raramente desisto das corridas. Sei sofrer e esperar que as coisas melhorem. Desta vez as coisas pioraram e o meu Giro transformou-se num pesadelo", recordou. Aru abandonou na etapa de Bardonecchia, numa altura em que estava a afunda-ser na classificação.

Tendo sido uma contratação dispendiosa para a UAE Team Emirates, a pressão aumenta para que Fabio Aru apresente resultados na última fase da temporada e tanto ele como Yates terão aprendido valiosas lições para colocarem em prática durante uma Vuelta que se vendo o lote de candidatos a começar a compor-se.

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27 de abril de 2018

Fabio Aru a precisar que a equipa não lhe falhe

(Fotografia: © BettiniPhoto/UAE Team Emirates)
Ganhar a Vuelta meses depois de apenas um super Alberto Contador, que praticamente enfrentou toda a Astana sozinho, ter deixado Fabio Aru no segundo lugar no Giro, fez de 2015 o ano de afirmação do italiano. Na temporada seguinte estreou-se no Tour, mas foi uma desilusão (13º), tendo em conta as expectativas. Em 2017 queria apostar tudo no Giro100, mas uma queda num treino acabou com esse sonho. Porém, regressou ao Tour para ganhar uma etapa e até fazer um pouco de história, pois tirou a camisola amarela Chris Froome, habituado a quando a vestia, a ter até final. No entanto, terminou a corrida em perda, segundo o próprio por problemas de saúde que o limitaram.

Em 2018 assinou pela UAE Team Emirates, à procura de um contrato bem mais vantajoso financeiramente e de novos ares depois de seis anos na Astana. Queria regressar ao Giro, mas a equipa estava mais virada em utilizar os seus três grandes reforços no Tour (Aru, Daniel Martin e Alexander Kristoff). Porém, foi feita a sua vontade. Aru vai estar em Itália à procura de confirmar que a vitória na Vuelta não foi um acaso. Ninguém duvida das suas capacidades de voltista, mas estar na luta pela geral até final é algo que simplesmente não tem acontecido.

Fabio Aru chega ao Giro101 sem ter convencido durante a época até ao momento. Mas se do italiano se pode esperar que apareça bem melhor na grande volta, já quem pouco ou nada convence são os seus companheiros. As individualidades estão lá, mas o colectivo não tem funcionado.

Na Volta aos Alpes, Aru demonstrou ainda estar algo "preso" quando era preciso aumentar o ritmo. Apesar do sexto lugar, não conseguiu andar ao ritmo de Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) - o vencedor -, Miguel Ángel López (Astana), Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida) - que completaram o pódio - e Chris Froome (Sky). Todos adversários que irá encontrar no Giro. Não há razões para pânico, com Aru a ter tempo para ir subindo a sua forma. No entanto, o que ficou bem claro foi a falta de capacidade da equipa em proteger o seu líder. Apenas dois desse grupo estarão no Giro com Aru: Valerio Conti e Vegard Stake Laengen. Dos restantes agora chamados, pode-se dizer que na teoria oferecem toda a confiança, mas é difícil não colocar um ponto de interrogação.

Este é um problema que já vem desde os últimos tempos da Lampre-Merida. Que o diga Rui Costa! Os líderes tentem a ficar muito sozinhos, com os companheiros de equipa ou a nem aparecerem ou a irem à procura de resultados próprios. Diego Ulissi, por exemplo, sabe bem o que é ganhar etapas no Giro (seis) e certamente que terá a sua liberdade. Se se dispor a ajudar também Aru, será uma dupla importante, trio se John Darwin Atapuma estiver em momento sim. A este colombiano não lhe falta talento, mas falha sempre algum pormenor nos momentos decisivos. Uma vitória de etapa em grandes voltas já lhe escapou umas quantas vezes. Foi nono no Giro há dois anos e a chegada de Aru e Martin tapou-lhe um caminho que provavelmente pensaria ser dele: ter a oportunidade de ser líder indiscutível numa volta.

Jan Polanc foi uma das sensações no Giro100. Venceu no Etna e terminou à porta do top dez. Aos 25 anos quer afirmar-se e apesar de ter tempo para tal, será difícil colocar de lado o pensamento que poderá repetir e até fazer melhor do que em 2017.

A veterania de Marco Marcato (34 anos) e Manuele Mori (37) terá o seu papel dentro da equipa, principalmente porque os dois ciclistas poderão assumir-se como leais homens de trabalho. Contudo, se a UAE Team Emirates não encontrar forma de colocar os seus melhores corredores a trabalhar para o líder, é Aru quem vai ter muito trabalho em disputar uma corrida, na qual encontrará uma Sky, Groupama-FDJ e Sunweb, por exemplo, 100% dedicadas aos seus números uns.

Fabio Aru precisa de união na sua equipa e também de um pouco de sorte, como o próprio disse antes da Volta aos Alpes. Entre quedas e indisposições, o ciclista tem ficado fora da discussão de momentos importantes. Mas é preciso mais do que sorte e se a UAE Team Emirates não corresponder colectivamente, então ou Aru veste a pele de Alberto Contador de 2015, ou o campeão italiano verá serem reduzidas as possibilidades de discutir o Giro. E Aru já destacou que precisa de ter cerca de 1:30 minutos de vantagem sobre um Tom Dumoulin, por exemplo, quando chegar o contra-relógio de 34,5 quilómetros de Rovereto, na 16ª etapa.

Com a UAE Team Emirates a ameaçar chegar ao Giro com apenas duas vitórias este ano, a pressão sobre Fabio Aru aumenta ainda mais. Resultados precisam-se numa equipa que tanto investiu.

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23 de janeiro de 2018

Aru e Nibali inimigos? "Aprendi muito com o Vincenzo"

(Fotografia: Facebook UAE Team Emirates)
Fabio Aru prepara-se para uma nova fase da carreira depois de seis anos na Astana, durante os quais se tornou num dos mais respeitados ciclistas do pelotão, mas a quem falta dar seguimento à vitória na Vuelta em 2015, mas se tornar em mais do que um candidato a top dez ou pódio. Na UAE Team Emirates, o italiano quer definitivamente ser um candidato à vitória. Quer ser um grande vencedor como o amigo (e até conselheiro) Vincenzo Nibali. Numa recente entrevista, o ciclista de 27 anos falou sobre a sua relação com o compatriota e de como está a apontar aos Mundiais, à Vuelta e talvez ao Giro... ou ao Tour.

Com seis anos a separá-los, Aru ainda está longe do currículo que Nibali apresenta aos 33 anos. Ganhou as três grandes voltas, o Giro por duas vezes, tem duas vitórias em monumentos, ambas da Lombardia, sete etapas na Volta a Itália, cinco no Tour, ao todo 50 triunfos. Aru vai em nove, com uma Vuelta já ganha, mais duas tiradas, além das três no Giro. Os seus melhores anos foram 2014 e 2015, ainda que no ano passado tenho feito quinto no Tour, tendo até vestido a camisola amarela e ganho uma etapa. Porém, falta algo a Aru para dar o passo para um nível de triunfos que já era expectável ter alcançado com maior regularidade O italiano espera encontrar o que lhe falta na UAE Team Emirates, mas também, quem sabe, beneficiando dos conselhos de Nibali.

"Eu sei que muitos pensam que somos inimigos, mas, de facto, somos amigos, vamos pedalar juntos. Às vezes vamos aos jantares de família e passamos muito tempo juntos", contou Aru ao Corriere dello Sport. O italiano admitiu mesmo: "Aprendi muito com o Vincenzo. Para mim é uma motivação. Somos de dimensões diferentes, ele ganhou muito e para mim o Nibali é um objectivo, um ponto de chegada." Para já será a Volta a Espanha que poderá contar com os dois principais símbolos do ciclismo transalpino actual, pois Aru referiu que ainda não está decidido se irá à Volta a Itália, como inicialmente se previa. Nibali preferiu o Tour, já na UAE Team Emirates estará por decidir se a equipa levará todas as suas novas armas a França. Daniel Martin e Alexander Kristoff estão garantidos, mas Aru está a ser equacionado para assim aumentar a possibilidade de pelo menos um pódio em Paris. Numa visão mais portuguesa, continua-se sem saber que papel terá Rui Costa perante estes reforços de luxo.

Amigos, amigos, corridas à parte... Ou talvez não. Se durante todo o ano serão rivais, já nos Mundiais é possível que Aru e Nibali que tenham de trabalhar juntos em prol do título mundial. Quem será o líder? Será preciso esperar e ver como decorre a temporada, mas Aru não duvida que tanto Nibali, como ele próprio trabalharão na ajuda de quem for o número um. "Não quero parecer trivial e vou ser honesto, gostaria de fazer um bom Mundial, mas não disse que o queria para mim", afirmou, salientando ainda que, além dele e Nibali, Gianni Moscon e Diego Ulissi são outros ciclistas que podem muito bem estar em condições de lutar pela camisola do arco-íris. Não haverá dúvidas que a selecção italiana terá o potencial para ser uma das mais forte nos Mundiais de Innsbruck.

E não há entrevista que nas últimas semanas não inclua o tema Chris Froome. Tal como a maioria dos corredores, Aru apela a uma rápida conclusão do processo "para o bem do ciclismo". No entanto, abordou a vertente competitiva, longe do caso do salbutamol: "Honestamente não acho que ele seja imbatível. Nunca penso isso de ninguém. Mas ele é muito forte tanto na montanha, como no contra-relógio. É um incentivo tentar batê-lo."

Contudo, neste momento, nem Fabio Aru, nem nenhum ciclista sabe quando e onde irá poder enfrentar Chris Froome. Resta pensarem neles próprios e é isso que o italiano está a fazer, tendo estado a trabalhar no contra-relógio, vertente que admitiu precisar de melhorar. A estreia de Aru pela UAE Team Emirates está marcada para 21 de Fevereiro, no arranque da Volta a Abu Dhabi. Para a nova equipa será estar a correr em casa e com a responsabilidade de ter o vencedor em prova, Rui Costa, que estará ao lado do italiano. Aru segue para o Tirreno-Adriatico, Milano-Sanremo, Volta à Catalunha, Volta ao Alpes e Liège-Bastogne-Liège.

Quanto ao amigo Nibali, começou a temporada com problemas de estômago que o afastaram da Volta a San Juan. A viagem à Argentina foi em vão, pelo que o italiano da Bahrain-Merida alterou os seus planos. O início de temporada foi adiado para 13 de Fevereiro, na Volta a Omã. Irá cruzar-se com Aru na Milano-Sanremo e Liège-Bastogne-Liège, mas pelo meio fará a Volta a Flandres. É difícil esconder que Nibali quer ganhar mais um monumento, além da Lombardia. A pensar na Volta a França, irá estar no Critérium du Dauphiné.


12 de janeiro de 2018

Aru apresentou nova camisola de campeão mas os 'tifosi' não vêem grandes diferenças

A primeira versão, na imagem, não agradou aos tifosi
(Fotografia: Facebook UAE Team Emirates)
Depois da polémica quando Fabio Aru apareceu pela primeira vez vestido com o equipamento da sua nova equipa - os tifosi não gostaram nada da UAE Team Emirates ter dado pouco destaque à bandeira italiana, que simboliza o campeão nacional -, o ciclista apresentou a segunda e versão final. Na Astana a camisola era completamente tricolor, a primeira versão na equipa de Abu Dhabi foi recebida com choque pela bandeira ser discreta, a segunda gerou algumas dúvidas. Há diferenças, mas não tão distintas que suscitassem elogios. Há mesmo quem questione quais são as mudanças, nos "debates" que vão surgindo nas redes sociais.


"Gosto da camisola e estou honrado por poder vesti-la nos próximos meses. A tricolore é muito mais clara. É uma camisola especial", afirmou Fabio Aru à Gazzetta dello Sport. A UAE Team Emirates não seguiu o exemplo da Astana, mas a bandeira está agora maior, em destaque, com o nome da equipa mais pequeno, ainda que sem perder visibilidade. As mangas também têm as cores italianas. Aru apenas apareceu com a camisola num evento em Milão relacionado com as bicicletas Colnago que a equipa utiliza, mas depois da polémica inicial, foi dito pelo director da formação, Giuseppe Saronni, que também as meias teriam a bandeira. Na imagem ao lado, à esquerda está a camisola que Aru vestiu na Astana e à direita a primeira versão da UAE Team Emirates. Em baixo, a versão final. (O texto continua depois do twit.)


Independentemente do gosto pela nova camisola de Aru, é esta segunda versão que veio para ficar, pelo que as atenções centram-se completamente na questão: Giro ou Tour? Apesar do italiano ter deixado indicações, ainda no ano passado, que era a "sua" grande volta que gostaria de fazer, Saronni veio depois dizer que a equipa poderia pensar em jogar as suas três contratações na Volta a França, ou seja, Daniel Martin, Alexander Kristoff e Aru. Kristoff é para os sprints, Martin disse não à Sky porque quer tentar lutar pela geral no Tour, como o confirmou há poucos dias.

Depois de uma estreia na Volta a França, em 2016, muito pouco convincente para quem tinha vencido a Vuelta um ano antes, Aru regressou em 2017, após o seu principal objectivo ter ficado fora de questão devido a uma queda. Viu o Giro100 de fora, mas em França apareceu em grande, vencendo uma etapa e vestindo mais tarde a camisola amarela, antes de Chris Froome a reclamar definitivamente. Porém, aos 27 anos, é ganhar o Giro que parece ser o principal sonho, de momento, para Fabio Aru, que em 2015 bem tentou contrariar um super Alberto Contador, que aguentou os ataques do italiano e do então companheiro de Aru, Mikel Landa.

Apesar da contratação de Daniel Martin, Fabio Aru acaba por ser a figura mais mediática. É ele quem estará na Volta a Abu Dhabi, corrida em casa da UAE Team Emirates, que Rui Costa ganhou no ano passado. O português estará com o italiano na competição, enquanto Martin escolheu a Volta ao Algarve para preparar o seu primeiro grande objectivo: a semana das Ardenas, antes de se concentrar exclusivamente no Tour.

A dobradinha Giro/Tour não é, aparentemente, opção, pois Aru quer ir à Vuelta para preparar os Mundiais. Ganhar a camisola do arco-íris em Innsbruck faz parte do plano da temporada. No evento em Milão, nem Fabio Aru, nem Giuseppe Saronni quiseram acabar com o suspense, ainda que em Itália, muito se tem escrito que é o Giro que contará com Aru. É natural que o desejo seja grande para os tifosi, que já sabem que a outra grande figura, Vincenzo Nibali, apostará na Volta a França.



2 de janeiro de 2018

A eterna polémica das camisolas dos campeões nacionais

(Fotografia: UAE Team Emirates)
No primeiro dia do ano as redes sociais foram bombardeadas com os ciclistas a mostrarem os novos equipamentos. Para alguns foi mesmo a primeira vez que vestiram as cores da nova equipa. E para começar bem 2018, houve logo uma polémica com Fabio Aru, ou melhor, com a camisola que a UAE Team Emirates atribuiu ao campeão italiano. O discreto desenho da bandeira de Itália, na parte de baixo da camisola, gerou uma onda de críticas. Na Astana, Aru tinha uma camisola tricolor, pelo que a mudança não foi do agrado dos tifosi. Esta é uma discussão que se arrasta ano após ano. Há equipas que dão pouco destaque a um campeão nacional, pois a maior visibilidade vai sempre para o(s) patrocinador(es), que suporta(m) a existência da estrutura.

A Movistar, por exemplo, é das formações que, apesar de nos últimos anos ter a maioria das vezes um ciclista seu campeão, coloca apenas uma pequena bandeira espanhola, que quase não se vê. A UAE Team Emirates seguiu um pouco a mesma lógica, ainda que a bandeira até seja um pouco mais visível. Porém, perante a reacção adversa, tanto Aru como o director da equipa, Giuseppe Saronni, já vieram a público garantir que a versão apresentada no dia 1 não será aquela que Aru irá vestir quando começar a competir.

"É apenas uma versão provisória. Os tifosi podem acalmar-se, as cores da bandeira italiana estarão mais visíveis. A 'verdadeira' camisola será apresentada mais adiante, num evento oficial. É elegante e bonita. Garanto", afirmou Aru à Gazzetta dello Sport. Saronni acrescentou que os "princípios básicos irão manter-se", mas a bandeira irá ser mais visível e em "toda a extensão do corpo". O director disse ainda que tanto as mangas como as meias terão também uma alusão à bandeira de Itália.

Perante as regras que se ajustam à realidade do ciclismo precisar de dar destaque a quem investe nas equipas, só algumas equipas beneficiam as cores de um campeão nacional. "Este é o mundo do ciclismo actualmente. Eu entendo os tifosi, mas há muitas exigências que têm de ser cumpridas. Não estou a dizer que as pessoas devem apenas aceitar, mas espero que compreendam", desabafou Saronni.

(Fotografia: Twitter FDJ)
E enquanto se espera pela versão "verdadeira" da camisola de campeão nacional de Fabio Aru na UAE Team Emirates, a FDJ apresentou a do holandês Ramon Sinkeldam. Na Holanda, os adeptos terão ficado bem mais satisfeitos, já que quando o ciclista ganhou os Nacionais em Junho, a Sunweb apenas colocou uma bandeira discreta no equipamento, o que originou uma polémica idêntica ao caso que envolve Aru.

A equipa francesa é a que mais destaque dá, pois a publicidade pode ser vista apenas na gola. Ou seja, é o patrocinador que tem um lugar discreto. Na FDJ considera-se que a bandeira deve ser respeitada. Claro que há a curiosidade das cores entre a França e Holanda. Se as bandeiras são diferentes porque uma tem as riscas verticais e a outra horizontais, ambas têm o azul, branco e vermelho e nos equipamentos a disposição é sempre horizontal. A francesa começa com o azul, a holandesa com o vermelho. A FDJ encara com boa disposição o facto dos equipamentos serem parecidos, como se vê na fotografia publicada no Twitter. Pelo que se pode ver na imagem, os calções poderão ser uma ajuda para esclarecer alguma dúvida momentânea sobre a ordem das cores das bandeiras! Tendo em conta que Arnaud Démare e Sinkeldam vão estar na Volta ao Algarve, é melhor ter atenção às diferenças!

Na Bélgica também se valoriza e muito um campeão nacional. Oliver Naesen veste as cores da bandeira, restando à AG2R colocar o nome. O campeão português segue o exemplo mais adoptado de uma camisola branca com as cores da bandeira e a esfera armilar e o escudo. Sobra espaço suficiente para o patrocinador ficar bem visível. De recordar que Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) é quem enverga a camisola de campeão nacional.

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»»Fabio Aru na UAE Team Emirates. Que papel terá Rui Costa em 2018?««

28 de novembro de 2017

Um ano com Scarponi no pensamento e com as vitórias a escassearem

(Fotografia: Facebook Astana)
Em tempos foi uma toda poderosa equipa. Mas os tempos são outros e mesmo sendo uma estrutura com um orçamento bem folgado, a Astana vive uma fase de algum descrédito. As grandes figuras não querem ficar, outras não querem ir para lá. Ainda assim, entrou em 2017 com um conjunto de ciclistas preparados a lutar por corridas. Fabio Aru estava determinado em ganhar o Giro100, Miguel Ángel López passou grande parte da temporada a recuperar de uma fractura na perna feita no final de 2016, mas apontava nem que fosse à Vuelta. Jakob Fuglsang teria a oportunidade de liderar no Tour e depois haveria um Dario Cataldo, um Oscar Gatto, Tanel Kangert, Luis Leon Sanchez e Alexey Lutsenko, entre outros, que poderiam sempre conquistar alguns triunfos. Porém, cedo ser percebeu que esta Astana teria dificuldade em impor-se como outrora, mas esse acabou por ser o menor dos problemas.

A época começou difícil, teve o pior momento possível em Abril e apesar de umas poucas alegrias, acabou novamente mal. O arranque não poderia ser mais desesperante, os meses passaram e vitórias... nem vê-las. O foco estava no Giro100 e em Aru, até que o líder caiu durante um treino e a recuperação ia ser demorada. Alexander Vinokourov, director da equipa, bem podia levar as mãos à cabeça. Nestes momentos sabe sempre bem ter um ciclista como Michele Scarponi. Apesar da veterania, era claro que a experiência poderia ser uma mais valia e Scarpa deu a resposta ao vencer na primeira etapa da Volta aos Alpes. Estávamos a 17 de Abril. Um pequeno suspiro de alívio por parte da Astana. Estaria a época a compor-se? Cinco dias mais tarde o ciclismo sofreu uma perda enorme. Scarponi foi atropelado ao treinar perto de casa. Morreu e deixou um vazio no pelotão. E deixou uma Astana sem rumo para a Volta a Itália.

Entre lágrimas e vontade de homenagear o seu companheiro, os ciclistas da Astana partiram para o Giro apenas com a responsabilidade de tentar aquela vitória de etapa que pudessem dedicar a Scarponi. Foram só oito corredores, pois Vinokourov não quis substituir o líder. O número um da equipa era para Scarpa e para Scarpa ficou. Muito lutaram os homens da Astana, mas o triunfo desejado só chegaria a 9 de Junho no Critérium du Dauphiné. Jakob Fuglsang aparecia num momento crucial: venceu duas etapas e a geral da competição vista como a que dá as indicações para o Tour. Não só libertou a equipa da pressão da falta de vitórias, como finalmente era feita a homenagem a Scarponi. E finalmente a Astana entrou um pouco mais nos eixos.


Ranking: 15º (5018 pontos)
Vitórias: 18 (incluindo uma etapa no Tour, três na Vuelta, duas e a geral no Critérium du Dauphiné)
Ciclista com mais triunfos: Jakob Fuglsang e Miguel Ángel Lopez (4)

A emoção da ausência de Scarponi esteve sempre presente. Era inevitável. No entanto, surgiram outros problemas devido à mudança de calendário de Aru. Falhando o Giro, passou para o Tour, onde o dinamarquês tinha recebido garantias que seria líder. Fuglsang (32 anos) reagiu conquistando o Critérium du Dauphiné e falou-se de uma liderança partilhada com o italiano. Naturalmente que ninguém acreditou. Na estrada o dinamarquês tentou manter-se junto dos candidatos, mas acabaria por abandonar. Entretanto, Aru ganhou uma etapa e até andou de amarelo. Problemas de saúde prejudicaram o seu final na Volta a França e nem ao pódio conseguiu subir. Ainda assim, o quinto lugar foi positivo. Já o 13º na Vuelta, nem por isso.

Mas não foi grave, pois em Espanha reapareceu Miguel Ángel López. O pequeno colombiano, que tanto está a entusiasmar pela forma aguerrida de competir, ganhou duas etapas. Foi oitavo na geral e agora espera-se que evite acidentes na pré-temporada para que apareça em grande em 2018. É que a Astana bem precisa. Lutsenko também venceu uma etapa.

A felicidade de concluir a última grande volta com algum destaque esfumou-se bastante rápido. Depois de Vincenzo Nibali sair no final de 2016, foi Fabio Aru quem bateu com a porta. Era um desfecho mais do que anunciado, mas Vinokourov disse que foi apanhado de surpresa e até ameaçou processar o italiano. Defende que ficou sem alternativas para contratar porque Aru avisou tarde que não renovaria, o que prejudica a equipa para 2018. E de facto a equipa fica orfã de um líder. Falou-se de Nairo Quintana, mas este não quebrou contrato com a Movistar, Mikel Landa não quis regressar e Rigoberto Uran preferiu continuar na Cannondale-Drapac, futura EF Education First-Drapac powered by Cannondale.

Restou ao responsável cazaque admitir o óbvio: aos 23 anos, Superman López, como é conhecido, vai mesmo assumir papel de líder, com Fuglsang a ter uma nova oportunidade, só não se sabe em qual das três grandes voltas. Porém, o dinamarquês poderá ver um Jan Hirt passar-lhe rapidamente na hierarquia, já que é um ciclista que poderá em pouco tempo alcançar bons resultados, tendo em conta o que fez no Giro ao serviço da CCC Sprandi Polkowice. Omar Fraile (Dimension Data) será um homem com características para lutar por etapas e talvez uma ajuda interessante ao jovem López. Davide Villella (Cannondale-Drapac) será uma opção forte para as clássicas, Magnus Cort Nielsen (Orica-Scott) é ciclista para mexer com corridas e procurar surpreender. Espera-se ainda que após um ano a adaptar-se ao World Tour, o espanhol Pello Bilbao possa começar a ser uma opção mais séria para lutar pela geral das provas por etapas.

Certo, é que a Astana não poderá continuar a um nível tão baixo. O Critérium du Dauphiné, as etapas no Tour e Vuelta são sempre triunfos importantes. Mas para quem sempre assumiu querer ganhar as mais importantes corridas, passar meses sem vitórias e passar quase ao lado da discussão de algumas das principais provas... É normal que Vinokourov se sinta frustrado e vai exigir (e de que maneira) muito mais aos seus ciclistas em 2018.

»»Bons ciclistas a ficarem cada vez melhor, mas falta mais equipa à Lotto-Jumbo««

»»Um pouco (mas pouco) de Pinot e Démare a confirmar-se nas clássicas. FDJ precisa de mais e melhor««

»»Uma Dimension Data a precisar de mudanças««

30 de outubro de 2017

Vinokourov quer processar Fabio Aru

Alexander Vinokourov não se conforma por ter ficado sem um ciclista de referência para as grandes voltas em 2018. A saída de Fabio Aru parecia estar mais do que anunciada, depois de vários meses de notícias que davam conta do desejo do italiano em procurar uma nova equipa e das exigências salariais deste. No entanto, o director da Astana continua a dizer que de nada sabia e que só teve conhecimento que o seu ciclista não iria renovar pelos meios de comunicação social. O cazaque reitera que agora é tarde para contratar um corredor de destaque e, por isso, sente-se lesado.

"Agora é com os advogados. Ele não nos deu outra escolha. Ele deveria ter dito [que queria sair] logo a seguir à Volta a França, de forma a chegarmos a um acordo amigável", explicou Vinokourov ao site do seu país Vesti.kz. As declarações estão a ter repercussão nos media internacionais, com o responsável da Astana a salientar que poderia "ter utilizado o orçamento para assinar um ciclista como Rigoberto Uran. "Havia tempo depois da Volta a França, mas saber apenas há duas semanas significa que é impossível assinar com alguém. Todos os ciclistas têm contrato. Por isso, os advogados vão decidir", afirmou.

A Astana perdeu em dois anos as suas duas figuras para as grandes voltas. Vincenzo Nibali não quis ser segunda escolha atrás de Aru e foi para a Bahrain-Merida e agora é o outro italiano, que esteve seis anos na equipa. "Vamos exigir alguma compensação dele por danos causadas por termos ficado sem um ciclista de topo. Estamos agradecidos por ter ficado tanto anos na nossa equipa, por isso é desagradável, mas foi ele que escolheu este caminho", disse Vinokourov.

Além de Rigoberto Uran - que renovou com a Cannondale-Drapac -, a Astana terá estado interessada em Nairo Quintana e Mikel Landa. Algumas notícias deram conta de um possível aliciamento para que o colombiano quebrasse contrato com a Movistar, depois de uma temporada em que a relação com o director Eusebio Unzué se terá deteriorado. Já Landa tinha o seu vínculo com a Sky a terminar e era claro que o espanhol queria deixar de ser uma figura secundária. Porém, não quis regressar à Astana, onde tinha estado antes de se mudar para a Sky. Assinou pela Movistar.

Oficialmente estas alegadas propostas não foram confirmadas, pelo que Vinokourov mantém-se fiel ao discurso de que nada sabia da pretensão de Fabio Aru em sair. O contrato preveria que se a Astana igualasse uma outra proposta, o italiano ficaria. Desconhece-se o que aconteceu neste aspecto, mas conhecida e oficializada é a mudança para a UAE Team Emirates, onde será colega de Rui Costa.

Miguel Ángel López (23 anos) e Jakob Fuglsang (32) serão os ciclistas que terão de assumir a responsabilidade no Giro, Tour e Vuelta. Se quanto ao colombiano há uma enorme curiosidade para saber como irá reagir a este papel, que mais cedo ou mais tarde lhe seria entregue, já quanto ao dinamarquês há grandes dúvidas. Fuglsang comprovou esta época que poderá ser uma boa aposta para as corridas de uma semana, mas não convence para ser líder numa de três. Mas poderá ter a oportunidade para mostrar que é uma boa escolha.


22 de outubro de 2017

Astana tem dinheiro mas não chega para segurar os seus líderes

Dinheiro não é problema, mas não é suficiente e a Astana é exemplo disso. A equipa do Cazaquistão não consegue segurar os seus líderes das grandes voltas. Em dois anos perde as duas referências, que conquistaram as três competições e no final de 2015 saiu aquele que tinha todo o potencial para vir a assumir essa função, Mikel Landa. Vincenzo Nibali bateu com a porta, depois de ter dado à Astana dois Giros e um Tour, agora é Fabio Aru que se prepara para dizer adeus, depois de uma Vuelta ganha em 2015. Assinou pela UAE Team Emirates de Rui Costa. Ambos os italianos não parecem sair com a melhor das relações com o director Alexander Vinokourov. Mas este não é problema que se resume ao antigo ciclista. Alberto Contador, por exemplo, saiu no final de 2010 e deixou a equipa orfã de uma referência, depois de no ano antes dois dos principais nomes terem estado no plantel: o espanhol e Lance Armstrong.

Essa foi uma época que ainda hoje é recordada, principalmente pela clara divisão que havia na equipa. Mas são outras histórias. Agora a Astana volta a ficar não sem ninguém, mas com alguém com pouca experiência e ainda muito jovem. Miguel Ángel López tem a oportunidade de ouro de ser a única escolha para as grandes voltas. Jakob Fuglsang ganhou o Critérium du Dauphiné - de forma brilhante, diga-se - mas não convence para as três semanas. López tem apenas 23 anos e a sua afirmação tem sido um pouco aos soluços devido a quedas. Porém, depois de muitos meses sem competir por uma fractura na perna, o colombiano chegou à Vuelta, venceu duas etapas e fez oitavo na geral. Estará pronto para assumir a candidatura a um pódio, pelo menos?

Vinokourov não terá hipótese senão tentar apostar em López, se o mercado não trouxer nenhuma surpresa de última hora. Certo é que não terá um ciclista de renome disponível. E não foi por falta de tentativa. Perante a mais que certa saída de Aru, o responsável cazaque tentou tudo: levou um não de Rigoberto Uran, que preferiu ficar na estrutura da Cannondale-Drapac após ficar garantido um novo patrocinador para 2018; tentou explorar a relação mais distante entre Eusebio Unzué e Nairo Quintana na Movistar, mas o colombiano quer cumprir contrato com a formação espanhola; ainda tentou o regresso de Mikel Landa, mas depois de ter deixado a Astana há dois anos, nem quis pensar em regressar.

Landa era então um ciclista com futuro e quem bem esteve no Giro de 2015, como gregário de Aru. Agora é uma confirmação que a Astana perdeu um excelente ciclista a quem lhe falta agora uma vitória numa grande volta. Nibali pertence à elite de quem venceu as três e Aru é inevitavelmente uma das principais esperanças italianas de continuar a ganhar depois da Vuelta há dois anos.

A personalidade forte de Vinokourov é bem conhecida. Estes três ciclistas também a têm. Nem sempre é fácil conjugar a vontade de todos. Nibali, por exemplo, saiu mesmo de costas voltadas para o cazaque. Quando percebeu que não haveria hipótese de manter o seu estatuto perante o despontar de Aru, Nibali bateu com a porta e foi para a nova Bahrain-Merida. A Astana não se importou. Afinal tinha a sua nova grande estrela. Porém, este ano deparou-se com a intenção do italiano seguir o seu caminho. É certo que Aru estava a pedir um ordenado bem alto (fala-se em mais de dois milhões por ano), mas esse não terá sido o problema. As declarações de Vinokourov deixam transparecer que havia algo mais.

"Nunca comentou o seu desejo de sair. Questionámos regularmente sobre o seu futuro e nunca recebemos resposta", disse ao L'Equipe. O responsável disse mesmo que soube da assinatura com a UAE Team Emirates pela imprensa, criticando a atitude porque agora a Astana fica "numa situação complicada para contratar", por ser "demasiado tarde". Que Vinokourov não soubesse das intenções de Aru, ninguém acredita, mas denota que a comunicação entre os dois já não era a melhor...

Numa perspectiva de quem gosta de ciclismo, poder ver López a ter mais oportunidades é óptimo, tendo em conta que é um ciclista que dá espectáculo e vitórias. É chamado de Superman López e na Colômbia já vai roubando as atenções a Quintana e Uran. Quanto a contratações, o espanhol Omar Fraile é um bom corredor para lutar por etapas e gosta muito de tentar as camisolas da montanha. Jan Hirt será a curiosidade. Este checo de 26 anos esteve muito bem no Giro, ao serviço da CCC Sprandi Polkowice - futura equipa de Amaro Antunes -, mas falta saber como será a sua adaptação ao World Tour. Talento tem, mas às vezes não chega.

Este ano a Astana perdeu Michele Scarponi pela pior das razões. Era um ciclista muito importante, mesmo estando relegado a um papel secundário. Com a saída de Aru, não só poderia reassumir uma liderança, como aliás estava previsto acontecer no Giro100 antes do atropelamento mortal, como seria essencial para ajuda à "educação" de López.

Não se adivinha uma época de 2018 fácil para a Astana, que já passou por momentos idênticos - quando Contador saiu - e acaba sempre por reaparecer em grande. Até porque, lá está, dinheiro não é problema. Já a comunicação...

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18 de outubro de 2017

Fabio Aru na UAE Team Emirates. Que papel terá Rui Costa em 2018?

(Fotografia: Facebook UAE Team Emirates)
Fabio Aru é o mais recente reforço de luxo de uma equipa que começou o ano com um dos orçamentos mais baixos do World Tour, mas que com a entrada de novos patrocinadores assumiu um poderio económico que já lhe permitiu garantir Alexander Kristoff e Daniel Martin. Nenhum destes ciclistas é barato! Também já estão garantidos Sven Erik Bystrom e Rory Sutherland. Aru estaria a pedir mais de dois milhões de euros por temporada, o que fez a Trek-Segafredo recuar na intenção de o contratar. Dinheiro à parte, a formação que pegou na estrutura da Lampre-Merida quer colocar-se rapidamente entre as melhores do World Tour e não está com medo de abrir os cordões à bolsa. No plantel já lá estão bons ciclistas, como Diego Ulissi, Ben Swift (um pouco apagado este ano, mas ninguém coloca em causa a sua qualidade), John Darwin Atapuma, Valerio Conti e Jan Polanc, por exemplo. E claro, está lá o campeão do mundo de 2013 e líder da equipa nas últimas quatro temporadas: Rui Costa.

Em 2013, o ciclista português juntou o título mundial às duas etapas conquistas no Tour. Para Rui Costa era a oportunidade de ouro para se afirmar numa negociação de contrato. A Movistar não iria dar-lhe uma liderança num Tour quando tinha Nairo Quintana e Alejandro Valverde. A então Lampre era a equipa que precisava de um líder para as corridas de três semanas, principalmente para a Volta a França. Não era a equipa mais forte do pelotão e há muito que se vinha a apagar, mas sempre ia conseguindo vitórias aqui e ali relevantes. 

Compreendeu-se a escolha do ciclista, contudo, a formação italiana nunca cumpriu com a obrigação de rodear Rui Costa de corredores que o apoiassem. Nelson Oliveira foi um fiel escudeiro, mas em 2016 também ele procurou novas oportunidades na Movistar. Rui tentou sozinho aquilo que muitos normalmente fazem apoiados por colegas. Se por vezes falhou, não foi por falta de tentativa de lutar contra a corrente, sozinho, sem ajuda de companheiros.

Não tem sido fácil para Rui Costa. Acabou por nunca mais repetir as exibições na Volta a França, naquele que era o seu sonho de terminar no top 10. Quando tentou antes conquistar etapas, andou perto, mas também não conseguiu. A Lampre acabou e depois das peripécias de um projecto chinês que não avançou e dos Emirados Árabes Unidos acabarem por ser a salvação, Rui Costa apareceu em 2017 de ambição renovada. Esqueceu o Tour e virou-se para o Giro e Vuelta. Em Itália esteve muito bem no objectivo de ganhar etapas. Só não esteve excelente porque três segundos lugares deixaram alguma frustração. Merecia mais. Porém, foi a confirmação de um grande arranque de temporada, com destaque para a conquista da Volta a Abu Dhabi, algo ainda mais relevante tendo em que era a nova casa da equipa.

Na segunda metade da época não apareceu tão bem e a Vuelta acabou por ser uma pequena desilusão. A corrida foi dura e Rui Costa não resistiu às subidas curtas e intensas que marcam a Volta a Espanha. O melhor que conseguiu foi um quarto lugar, ainda que o tenhamos visto activo em algumas fugas. No Mundiais tentou aparecer, mas o que fazer quando há um Peter Sagan...

Terão acabado as oportunidades de ser líder para o português? Rui Costa tem estatuto para manter a sua liderança em determinadas corridas, mas a sua posição fica muito enfraquecida nas grandes voltas e mesmo em algumas clássicas. O Tour será para Aru e Martin, numa situação que será interessante perceber como irão os responsáveis da formação gerir. Rui Costa poderá ter o seu espaço novamente no Giro, se Aru optar por se concentrar na Volta a França. Nas clássicas das Ardenas, o poveiro terá Martin à sua frente na hierarquia.

Rui Costa poderá assim ter de abraçar novamente a função de homem de trabalho. O seu contrato termina no final de 2018 e será um ano de reflexão para o português. Para continuar no World Tour terá, se calhar, de abdicar não por completo, mas quase, do seu desejo de ser líder. Estão a verificar-se alguns casos de ciclistas que não se importam de descer de escalão para garantir o seu estatuto. Warren Barguil, por exemplo, ainda que seja uma situação um pouco diferente (rei da montanha no Tour, vai para uma equipa francesa e assim deverá garantir o convite para a corrida rainha em 2018).

Ainda é cedo para se falar do que será de Rui Costa depois de 2018, mas para o ano terá de dividir as atenções com dois grandes nomes do ciclismo mundial, sabendo que em muitas corridas ficará em segundo plano. Claro que a determinação que marca este ciclista também poderá vir ainda mais ao de cima. Será um desafio, mas Rui Costa não irá deixar-se ficar para trás, habituado que está a partilhar os holofotes com grandes nomes, como aconteceu na Movistar. Uma oportunidade e lá estará ele, certamente, a demonstrar que continua a ser uma boa aposta numa UAE Team Emirates que sonha alto e não se importa de pagar por isso.

Haverá muitos egos para gerir, mas não é nada de novo a este nível no ciclismo. Aos 31 anos, Rui Costa entrará numa nova fase de uma brilhante carreira. Se estiver ao lado de Aru e Martin, será um elemento de elevada importância por toda a experiência que já tem, especialmente para o italiano. A inteligência táctica de Rui Costa é uma das suas maiores virtudes e Aru pode aprender muito com o português. A UAE Team Emirates irá apostar forte no Tour e é possível que jogue todas as suas armas nesta corrida. No entanto, ainda se quer ver mais deste ciclista com liberdade para lutar por vitórias. Falta-lhe também pelo menos uma clássica nas Ardenas, nomeadamente a sua querida Liège-Bastogne-Liège. Ganhar um monumento seria excelente. O problema será que Daniel Martin também o irá querer vencer...


11 de outubro de 2017

Afinal a Trek-Segafredo tem substituto para Contador mas só em 2019

(Fotografia: Facebook Trek-Segafredo)
É um risco assumido. A Trek-Segafredo optou por não contratar um substituto de Alberto Contador para 2018. Os responsáveis consideram que era difícil encontrar alguém do nível do espanhol, já que Chris Froome e Vincenzo Nibali têm contrato com as respectivas equipas. A formação americana optou por não esbanjar dinheiro, nomeadamente em Fabio Aru. Ainda assim pisca já o olho a um possível reforço para 2019: Geraint Thomas é o pretendido. 

Bauke Mollema vai regressar ao seu estatuto de principal líder para as três grandes voltas no próximo ano e a equipa espera que John Degenkolb possa confirmar as expectativas que este ano foram defraudadas nas clássicas. 2017 não foi um ano de grandes vitórias e sem um nome forte para lnutar pela geral o Giro, Tour e Vuelta, a responsabilidade sobre o alemão é enorme, mas com Giacomo Nizzolo, Fabio Felline e Jasper Stuyven a terem também eles de renderem mais e melhor seja nas clássicas, seja em etapas discutidas ao sprint.

Há também a esperança que sem Alberto Contador, Jarlinson Pantano possa aproveitar alguma liberdade para demonstrar o talento que lhe é reconhecido, mas que tem sido muito utilizado em prol de outros ciclistas. Em 2018, poderá chegar o momento que o colombiano tanto ambiciona, já que Mollema não será líder nas três grandes voltas e mesmo que se cruze com Pantano numa das corridas, o último poderá receber autorização para procurar o seu resultado.

Não se está a falar numa divisão na equipa, mas apenas que a Trek-Segafredo não se pode dar ao luxo de apostar tudo num ciclista que não dá garantias, como é o caso de Mollema. O holandês já se tem mostrado bem em algumas corridas, como aconteceu no Tour em 2016, mas não demonstrou consistência para garantir um pódio. Este ano ficou com um papel secundário em França devido a Contador, mas ganhou uma tirada. E ganhar etapas poderá muito bem ser o objectivo na próxima temporada. No Giro fechou mais um top dez numa grande volta (foi sétimo), contudo, não tem conseguido ir mais além.

A época das clássicas será fundamental. A Trek-Segafredo sente uma enorme saudade de Fabian Cancellara. John Degenkolb deixou a então Giant-Alpecin para recuperar alguma alegria perdida, depois de um ano marcado pelo atropelamento ainda na pré-temporada. Mas o alemão nunca apareceu como um verdadeiro candidato aos triunfos. Fez boas corridas, mas no momento em que estas se decidiram, Degenkolb nunca lá esteve. A equipa investiu forte no ciclista que já conta com uma Milano-Sanremo e um Paris-Roubaix no currículo, mas este demora a reencontrar-se e a temporada até terminou com o germânico a ter de fazer exames devido a problemas de saúde que o estavam a limitar. Deverá regressar aos treinos dentro de duas semanas.

Apostar tudo em Alberto Contador no Tour e Vuelta não resultou, apostar tudo em Degenkolb nas clássicas também não. Em 2018 Giacomo Nizzolo, Fabio Felline e Jasper Stuyven terão responsabilidade acrescida certamente. Vitórias precisam-se, principalmente grandes vitórias. O director Luca Guercilena admitiu ao Cycling News que faltaram estas "grandes vitórias" em 2017, apesar da etapa no Tour e da conquista emotiva do Angliru na despedida de Contador.

É o mesmo que confirma que Geraint Thomas é um objectivo - senão mesmo "o" objectivo - para 2019. O britânico ainda não conseguiu confirmar todo o seu potencial como líder em provas de três semanas, pois uma moto da polícia tirou-lhe essa oportunidade na Volta a Itália. Thomas renovou contrato com a Sky por apenas um ano e Guercilena sabe que será difícil tirá-lo da super estrutura da Grã-Bretanha. Anunciar o interesse publicamente não é por acaso, naturalmente. Guercilena espera assim desde cedo jogar uma carta importante numa eventual dúvida de Thomas em continuar ou não na Sky além de 2019. O ciclista tem 31 anos e a Sky está disposta a dar-lhe mais oportunidades como líder, mas a Trek-Segafredo poderá acenar-lhe com a Volta a França, que Thomas sabe que na Sky estará sempre "tapada" por Chris Froome.

E Fabio Aru?

Há muito que se especulava que a Trek-Segafredo faria tudo para contratar Fabio Aru. Nibali preferiu a Bahrain-Merida, ele que era a aposta da equipa norte-americana para 2017, desejosa que estava em agradar ao seu patrocinador italiano. Com Aru em final de contrato com a Astana, parecia óbvia a escolha. Mas não. Afinal a Trek-Segafredo não estava disposta a fazer tudo para contar com Aru. Depois de vencer a Vuelta em 2015, o ciclista não mais fechou pódio numa grande volta. Estes resultados que não colocam em causa a sua qualidade para este tipo de corridas, contudo, com o ciclista a pedir qualquer coisa como dois milhões de euros (talvez mais) para assinar contrato, a Trek-Segafredo recuou.

Guercilena dizer que ao nível de Contador só estão Froome e Nibali é um recado claro que  Aru estará a sobrevalorizasse. A Trek-Segafredo prefere poupar dinheiro para tentar aliciar Thomas, que parece ser alguém que dá mais garantias, pelo menos na opinião de Guercilena. E há que ter em conta que, caso aceite um novo desafio, o britânico trará "a escola" Sky, algo que actualmente valoriza e muito os ciclistas.

Mikel Landa e Rigoberto Uran foram outros dois potenciais líderes que estiveram no mercado. O primeiro irá mudar-se para a Movistar, o segundo renovou com a Cannondale-Drapac. Pelo menos o espanhol interessou à Trek-Segafredo.

Mesmo sem grandes vitórias, a equipa tendo Alberto Contador sempre gozou de um enorme mediatismo. Agora essa porta fecha-se. Não há Contador, não há Cancellara e não há um ciclista carismático para o preencher esse lugar. Mais do que nunca, serão as vitórias que farão a equipa ser falada. E quem sabe, Ruben Guerreiro possa também ele aparecer mais forte, depois de uma temporada de estreia no World Tour com altos e baixos. Um dos altos foi a conquista do campeonato nacional, uma das 17 vitórias em 2017 da Trek-Segafredo, até ao momento. O português é visto como um enorme talento para o futuro.

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20 de julho de 2017

UAE Team Emirates quer construir super equipa para 2018

(Fotografia: Facebook UAE Team Emirates)
A UAE Team Emirates está a ameaçar tornar-se numa das grandes impulsionadoras do mercado de transferências. Começou a temporada com um dos orçamentos mais baixos do World Tour, mas a chegada dos patrocínios da companhia aérea Emirates e, mais recentemente, do Banco Abu Dhabi, o panorama financeiro mudou drasticamente. Giuseppe Saronni quer mesmo tornar a formação numa das mais poderosas rapidamente. Já se tinha falado na chegada de Elia Viviani, talvez já em Agosto, com o italiano a juntar-se a uma curta lista de ciclistas que quebram contrato a meio da temporada com a actual equipa, neste caso a Sky. Só a 1 de Agosto se saberá se será mesmo assim, mas entretanto surgiram mais dois nomes de ciclistas dos mais apetecíveis do mercado que podem estar a caminho de serem companheiros de Rui Costa (tem contrato até 2018): Fabio Aru e Daniel Martin.

É a aposta clara para as grandes voltas, onde a UAE Team Emirates tem apenas Louis Meintjes, que é falado como reforço da Dimension Data, enquanto Jan Polanc ainda está em fase de crescimento, por assim dizer. Rui Costa passou a ser um ciclista para atacar etapas, pelo que Saronni quer corredores fortes e com capacidade para disputar o Giro, Tour e Vuelta. Aru e Martin estão em final de contrato nas actuais equipas. O primeiro tem uma oferta para renovar com a Astana, mas o italiano quer um aumento de ordenado. Três milhões de euros por ano parece ser o suficiente para convencer Aru a mudar de ares. A acontecer, os dois principais ciclistas italianos ficarão como líderes das estruturas do Médio Oriente, já que Vincenzo Nibali está na Bahrain-Merida.

Com a Quick-Step Floors ainda sem futuro definido, Daniel Martin vai pensando para onde quer direccionar a sua carreira. Está a realizar um bom Tour e apesar de na equipa belga ter-se reencontrado com os bons momentos, já percebeu que dificilmente terá ajuda para os seus objectivos na Volta a França. A prova (se fosse preciso) aconteceu na quarta-feira quando os companheiros ficaram para trás para ajudar Marcel Kittel, que acabaria por abandonar. Martin ficou abandonado à sua sorte. Claro que fica a questão: Aru e Martin vão querer lutar pelo Tour, como será a gestão?

A Quick-Step Floors não ficará muito preocupada em perder o irlandês de 30 anos, já que conta com um Bob Jungels (24) que está a evoluir muito bem como voltista. Já para a Astana será uma dor de cabeça ficar sem Fabio Aru. Não há muitos ciclistas com capacidade para lutar por grandes voltas no mercado. Alexander Vinokourov poderá estar de olho em Warren Barguil, o recém-declarado rei da montanha do Tour e vencedor de duas etapas. O francês ainda tem mais um ano de contrato com a Sunweb, mas com Dumoulin a ser quase certo que irá assumir-se como líder na Volta a França em 2018, Barguil poderá procurar outras paragens quando terminar o vínculo. A Astana também terá oferecido contrato a Nairo Quintana, na esperança que o colombiano quebrasse contrato com a Movistar, mas dificilmente isso acontecerá.

Sobra Rigoberto Uran. Está a fazer o Tour da sua vida e aos 30 anos encontrou a sua melhor forma. A Cannondale-Drapac também está ainda a definir o seu futuro, principalmente para conseguir ter um maior potencial financeiro. Se tal não acontecer, não seria surpresa se o colombiano escolhesse a Astana, que tem capacidade para lhe oferecer um ordenado bem mais interessante do que cerca de um milhão de euros que recebe actualmente.

O 1 de Agosto aproxima-se e o mercado promete voltar a ser animado. Aqui fica uma lista alguns dos ciclistas que estão em final de contrato.

Nairo Quintana vai cumprir contrato

Com notícias a chegarem da Colômbia que Nairo Quintana estaria a ponderar quebrar o vínculo com a Movistar, o ciclista resolveu esclarecer as dúvidas: "Tenho contrato até 2019 e vou cumpri-lo." Uma das razões apontadas para a eventual saída seria um mal-estar entre Quintana e o director da equipa, Eusebio Unzue, depois de uma temporada que ficou muito aquém do esperado.

"Não fizemos as coisas bem. Arriscámos muito e não saiu bem. Para o ano que vem vamos tentar que saia melhor", salientou o colombiano, garantindo que a Volta a França será o principal objectivo em 2018, ou seja, nada de idas ao Giro. E mesmo que Mikel Landa chegue à Movistar, Quintana não sente o lugar de líder ameaçado e considera que o basco será um excelente companheiro.

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16 de julho de 2017

Volta a França entra em "território desconhecido"

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
O pelotão vai descansar um dia antes de entrar na fase final da Volta a França e aproveitando a frase do director da BMC, Jim Ochowicz, o Tour vai entrar em "território desconhecido". Com seis etapas por realizar, quatro ciclistas estão separados por 29 segundos, com outros dois a terem pouco mais de um minuto de desvantagem. Faltam os Alpes e falta o contra-relógio do penúltimo dia. A corrida está completamente em aberto, com os candidatos a mostrarem tanto os pontos fortes como algumas fraquezas. E claro, se não se esperava tanto equilíbrio, ainda menos se esperava que corredores como Rigoberto Uran estivessem na luta e que Nairo Quintana nem no top dez tivesse lugar.

"Estamos a caminhar para território desconhecido. É uma corrida diferente em vários aspectos. Alguns dos favoritos nem cá estão", salientou Jim Ochowicz, ao Cycling News. O director da BMC perdeu o seu líder, Richie Porte, que se contava poder estar nesta luta. Caiu há uma semana e está a recuperar das fracturas. Ochowicz já não está a lidar com a pressão da geral - procura uma vitória de etapa -, mas analisa a disputa pela camisola amarela. "Penso que muitos ciclistas não vão querer ir para o contra-relógio nesta situação. Por isso, alguns irão estar em modo de ataque já que Froome será o favorito para o contra-relógio", salientou o responsável.

Ochowicz considera mesmo que perante a indefinição será muito difícil as fugas triunfarem: "É preciso ganhar tempo quando há a oportunidade para ganhar esse tempo." O director frisou mesmo que tudo o que poderá acontecer na derradeira semana é imprevisível.

As declarações de Ochowicz são a forma perfeita para se olhar para as últimas seis etapas (cinco se considerarmos que a última é de consagração): é impossível prever o que vai acontecer! Chris Froome e a Sky já fraquejaram, mas o britânico também teve uma demonstração de força, como aconteceu este domingo quando recuperou de dois problemas com a bicicleta para não só reentrar no grupo de favoritos, como ainda para sprintar, só para mandar a mensagem que contem com ele para uma luta acesa. Fabio Aru (a 18 segundos) demonstrou estar tão bem até que uma má colocação lhe custou a liderança. Mesmo sem equipa, a Astana, o italiano será um perigo ao objectivo da quarta vitória no Tour para Froome. Romain Bardet (a 23 segundos) conta com a AG2R, claramente uma equipa forte e preparada para estar ao lado do seu líder e enfrentar a Sky olhos nos olhos. Porém, Bardet cedeu um pouco na subida final da etapa de sábado.

Rigoberto Uran (Cannondale-Drapac, a 29 segundos) é a grande surpresa. O colombiano já demonstrou que não pode ser afastado da luta só porque não tem convencido nos últimos anos ou porque companheiros para o ajudar, nem vê-los. Uran está muito bem, muito regular, a correr com grande inteligência. Este domingo, quando Froome reentrou no grupo, nunca mais lhe largou a roda. Quando o contra-relógio chegar, deste quarteto é o ciclista que poderá fazer frente ao britânico se a distância se mantiver tão curta.

E depois temos um Daniel Martin (Quick-Step Floors, a 1:12 minutos). É uma meia surpresa. Já se sabe que o irlandês tem capacidade para top dez em grandes voltas, mas tem estado a superar expectativas no Tour e hoje recuperou alguns segundos. De recordar que foi mais uma das vítimas da nona etapa, que viu Richie Porte ficar fora de acção. Martin esteve inclusivamente envolvido na queda do australiano, tendo voltado a cair mais tarde.  O pódio é um claro objectivo para o ciclista irlandês.

E Mikel Landa? Este domingo lá deu uma ajuda a Froome, admitindo que recebeu ordens da equipa para o fazer. Se foi a atitude esperada, o espanhol deixou um claro sinal que quer mesmo um bom resultado individual: mal chegou ao grupo de favoritos com o britânico, Landa imediatamente foi para a parte da frente, deixando Froome entregue a si, enquanto o britânico tentava recuperar algum fôlego. São 1:17 minuto a separá-lo do colega e líder, mas já é difícil disfarçar que Landa quer mais do que o top dez. Vamos dizer que o pódio o fará feliz...

Quanto à última semana, vamos ter atenção às etapas de quarta e quinta-feira. Primeiro teremos a esperada ascensão ao Col du Galibier, num dia que contará com duas categorias especiais, uma primeira e uma segunda e sem chegada em alto, algo que até tem ajudado ao espectáculo. Na quinta o Col d'Izoard será mesmo o local da meta e de emoção! Depois tudo deverá ficar guardado para o contra-relógio de sábado, em Marselha, já que a etapa de sexta serão três terceiras categorias em disputa. Porém, se houver a necessidade de alguns ciclistas em ganhar segundos... Lá está, esta última semana poderá ser muito atacada todos os dias.

Segunda-feira é dia de descanso e terça será mais uma etapa rápida. Duas subidas para começar, uma longa descida e atenção às pequenas rampas da parte final do percurso. Será um bom aquecimento para o que virá nos dias seguintes, mas ninguém poderá cometer erros. A partir de agora podem ser fatais.


Trek-Segafredo suspira de alívio

No ano pós-Fabian Cancellara, a Trek-Segafredo está a lutar para reencontrar-se com os grandes momentos. John Degenkolb está a anos luz do rendimento do suíço e Alberto Contador não está a ser o candidato ao Tour desejado. Bauke Mollema desiludiu no Giro e em França também não estava a ser fonte de satisfação, oferecendo uma ajuda muito pobre ao seu líder. Porém, o holandês que há um ano chegou a sonhar com o pódio, acabou por dar à Trek-Segafredo a melhor vitória de 2017: a etapa que terminou em Puy-en-Velay marcou o primeiro triunfo numa corrida do World Tour este ano para a formação americana.

Foi a primeira e em grande estilo, já que foi uma fuga solitária que parecia destinada ao fracasso. No entanto, com o quarteto perseguidor - que contava com o fantástico Warren Barguil (Sunweb) -  a desentender-se, Mollema nunca deixou de acreditar, não olhou para trás e lá foi ele até à estreia a vencer no Tour, ele que em 2013 tinha conquistado uma etapa na Vuelta.

O dia ficou ainda marcado pela imagem de um Nairo Quintana derrotado, a nem conseguir acompanhar Froome quando este tinha furado e tentava chegar-se ao grupo de favoritos. O colombiano da Movistar perdeu quase quatro minutos para o britânico e já são 6:16, está fora do top dez, onde entrou Damiano Caruso (BMC).


Résumé - Étape 15 - Tour de France 2017 por tourdefrance