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2 de maio de 2017

Giro. Candidatos: Pinot, Mollema e Dumoulin

Thibaut Pinot (26 anos, França, FDJ)

Em 2016 Thibaut Pinot estava com o moral em alta, de tal forma que acreditava plenamente que iria discutir a Volta a França. Compreendia-se a confiança, afinal apareceu no ano passado como um especialista do contra-relógio e muito mais confiante nas descidas (era penoso ver Pinot descer até então). O entusiasmo rapidamente terminou, ainda o Tour dava as primeiras pedaladas. Perdeu tempo e mudou o plano para conquistar a camisola da montanha, mas acabou por abandonar, sem glória e a sentir-se completamente derrotado.

Resolveu mudar de ares e talvez lhe façam bem. Em França tanto o viam como o ciclista que ia acabar com o jejum de vitórias gaulesas no Tour - agora é mais Romain Bardet (AG2R) que carrega essa responsabilidade -, que perante o que aconteceu na edição passada, Pinot preferiu atacar o Giro. E é muito provável que não se venha arrepender. Não sentirá a pressão francesa, não terá Chris Froome e tem novamente uma FDJ toda a pensar no seu apoio. Estará Pinot preparado para reagir a um dia menos bom? Um dos problemas deste ciclista é o lado psicológico. Deixa-se abater demasiado rápido. Talvez o Tour de 2016 tenha sido a lição que precisava para se tornar mais forte neste aspecto.

Um top dez é o mínimo que se lhe exige, mas Pinot quer estar no pódio. Um segundo ou terceiro lugar até poderão deixá-lo a sorrir, mas será um sorriso amarelo. Pinot quer uma grande volta e a sua mudança para o Giro acontece também porque percebeu que será difícil o sonho concretizar-se em França tão cedo. 

Com Pinot espera-se o melhor e o pior, mas se de uma vez por todas conseguir ser mais constante nas suas exibições numa grande volta, então é melhor seguir com muita atenção o francês. De recordar que em 2014 foi terceiro no Tour, somando ainda duas etapas em 2012 e 2015.

Bauke Mollema (30 anos, Holanda, Trek-Segafredo)

Mollema teve de respirar fundo para não perder a calma quando soube que a Trek-Segafredo ia contratar Alberto Contador. O holandês queria afirmar-se como o líder para o Tour e no ano passado chegou a sonhar alto, mas na penúltima etapa deu um tombo do segundo para o 11º lugar. Com a chegada de Contador e com a obsessão do espanhol em ganhar mais um Tour antes de se retirar, Mollema sabia que o seu tempo como líder naquela corrida tinha sido pelo menos interrompido. Dizer que acabou poderá ainda ser cedo.

Solução? Mais um ciclista que ao ver o percurso do Giro não hesitou. É para lá que apontou todas as suas forças, sendo o líder indiscutível. Agora até tem um discurso de apaixonado pela Volta a Itália, dizendo que não quer terminar a carreira sem ganhar o Giro.

O ciclista holandês é mais um com o problema que tanto está a somar resultados excelentes, como de repente tem um dia mau que lhe arruina tudo o trabalho feito antes. Portanto, a grande dúvida será mesmo se Mollema irá conseguir aguentar dia após dia ao lado dos melhores, num Giro muito montanhoso e que não dá margem para grandes erros.

A Trek-Segafredo bem espera que Mollema possa alcançar uma boa classificação e uma vitória de etapa. É que o ano não está a decorrer nada como o esperado. A época das clássicas foi para esquecer e são apenas quatro as vitórias até ao momento, uma precisamente por intermédio de Mollema na Volta a San Juan. Contador está a zero, algo pouco habitual para o espanhol nesta fase da época.

Tom Dumoulin (26 anos, Holanda, Sunweb)

Volta a França? Nem pensar. Tom Dumoulin foi dos primeiros a dizer que tinha adorado o percurso do Giro e que queria muito fazer a corrida. E assim foi. O holandês quer afirmar-se de vez como um homem de três semanas, depois do brilharete na Vuelta em 2015. Não conseguiu sequer aproximar-se de uma exibição idêntica em 2016. Há um ano venceu o contra-relógio inaugural em Itália e andou de camisola rosa. Primeiro disse que era esse o objectivo, depois lá foi afirmando que afinal o que tinha dito é que poderia lutar pelo Giro e depois abandonou!

A verdade é que no Tour revelou que as suas capacidades de trepador estavam mais apuradas na etapa que ganhou a Rui Costa. Desde então que temos visto um Dumoulin muito mais combativo em subidas difíceis, algo que lhe teria dado muito jeito na Vuelta de 2015 que acabou por perder para Fabio Aru. O ciclista da Sunweb deixa indicações que está a aproximar-se do ponto de maturidade.

É provável que o vejamos a tentar ganhar uma etapa e o top dez será o resultado mínimo que procura na geral. Mas Dumoulin está muito motivado para este Giro. Quer mostrar-se, quer convencer quem desconfia que possa mesmo ser um grande voltista. Um pódio? Difícil, mas não impossível. A vitória? Talvez seja pedir de mais, mas Dumoulin é homem de não baixar os braços e vai lutar até final.




Sky suspende Moscon seis semanas e obriga ciclista a frequentar curso de consciencialização

Momento da discussão entre Reza e Moscon que foi captada em vídeo
apesar de não ser perceptível o que terá dito o italiano
Adiou a decisão para o final da Volta à Romandia, mas não demorou a divulgar a sanção imposta a Gianni Moscon. A Sky diz querer demonstrar como não tolera casos como o protagonizado pelo ciclista italiano, que admitiu ter proferido comentários racistas contra Kevin Reza, durante uma discussão com o corredor da FDJ. Porém, depois de não ter agido no imediato, agora anunciou uma suspensão de seis semanas e a obrigatoriedade do ciclista em frequentar um curso de consciencialização da diversidade.

Num curto comunicado, a Sky revelou que Moscon (23 anos) recebeu uma repreensão por escrito, além da suspensão e do referido curso. Lê-se ainda que "Gianni reconhece que o seu comportamento foi errado", realçando o que já se sabia: que foi feito um pedido de desculpa, aceite por Reza e pela FDJ. O aviso mais sério acaba por estar no final do comunicado: "O Gianni sabe que não há desculpas para o comportamento que teve e que se repetir, tal irá resultar no fim imediato do seu contrato."

Não se sabe ao certo que que disse Moscon a Reza, nem o que provocou a discussão. O caso foi denunciado por Sébastien Reichenbach, colega de Kevin Reza, através de uma mensagem no Twitter, na qual referiu estar chocado por haver "imbecis que ainda utilizam insultos racistas no pelotão profissional". O caso aconteceu após a terceira etapa da Volta à Romandia - ganha pelo colega de Moscon, Elia Viviani -, na sexta-feira. No sábado soube-se que Moscon e a Sky já tinham pedido desculpa ao ciclista visado e à FDJ. A equipa francesa colocou de imediato um ponto final no assunto.

A Sky adiou a sanção ao seu ciclista, mantendo Moscon em prova nos dois dias que restaram da corrida. A suspensão será cumprida numa fase da temporada em que o ciclista também não ia ter um calendário muito preenchido, não sendo explicado se a suspensão acarreta também uma sanção monetária.

Moscon ainda não se livrou de eventualmente ter um castigo mais pesado. A UCI já anunciou que está a investigar o sucedido e caso considere que o ciclista desrespeitou o código de conduta e de ética, Moscon incorre numa suspensão que poderá ir de um a seis meses. No entanto, num caso idêntico, em 2015, o bielorrusso Branislau Samoilau (CCC Sprandi Polkowice) proferiu comentários racistas contra Natnael Berhane (Dimension Data). Nessa altura, a UCI decidiu não sancionar Samoilau, justificando que o pedido de desculpa e a doação de um ordenado à fundação da equipa sul-africana era algo que tinha deixado todos satisfeitos.


27 de dezembro de 2016

Thibaut Pinot lidera uma forte FDJ na Volta ao Algarve. Démare também foi inscrito

Thibaut Pinot regressa à Volta ao Algarve, desta vez a pensar no Giro
(Fotografia: Facebook FDJ)
O pelotão da Volta ao Algarve vai ganhando protagonistas. A FDJ já elegeu os ciclistas que deverão estar na prova portuguesa e mais uma vez Thibaut Pinot estará presente. Mas em 2017 a FDJ trará ainda a sua outra estrela: Arnaud Démare. O sprinter, vencedor do monumento Milano-Sanremo, será um candidato à vitória na primeira e quarta etapa (chegadas em Lagos e Tavira), enquanto Pinot virá lutar pela geral, tendo sido quarto este ano, ficando a seis segundos do pódio e a 32 do vencedor, Geraint Thomas (Sky).

Thibaut Pinot optou por não colocar a Volta a França como o seu principal objectivo no próximo ano e estará no Algarve para preparar a sua estreia no Giro. Já Démare estará a pensar em tentar repetir o triunfo na Milano-Sanremo. A FDJ trará Sébastien Reichenbach, o habitual homem de confiança de Pinot, enquanto Démare terá a ajudá-lo nos sprints Marc Sarreau, Jacopo Guarnieri e Ignatas Konovalovas. O veterano William Bonnet e o reforço sueco Tobias Ludvigsson completam a equipa.

Desde logo, Pinot será um dos candidatos à vitória na Volta ao Algarve, que contará com o vencedor de 2011 e 2013: Tony Martin. O alemão, que no próximo ano iniciará uma nova fase da carreira na Katusha-Alpecin de José Azevedo, terá a seu lado os portugueses Tiago Machado e José Gonçalves, que faz a sua estreia no World Tour. Martin irá vestir a camisola de campeão do mundo de contra-relógio, na terceira etapa. Simon Spilak, Baptiste Planckaert (primeiro do ranking Europe Tour em 2016 e outro dos reforços da equipa agora suíça), Maurits Lammertink e os jovens Sven Erik Bystrøm e Mads Würtz Schmidt completam a formação.

Das equipas Profissionais Continentais, a Gazprom-RusVelo também já escolheu os ciclistas que pretende enviar à Volta ao Algarve, com destaque para Sergey Lagutin, que regressa à equipa depois de dois anos na Katusha, tendo vencido uma etapa na última Volta a Espanha. Alexey Tsatevich, Nikolay Trusov, Kirill Sveshnikov, Sergey Nikolaev, Evgeniy Shalunov, Ildar Arslanov e Artem Nych fecham a equipa.

A única equipa Continental que não é portuguesa e que a organização aceitou o pedido de inscrição é a americana Rally Cycling. A principal figura será o jovem de 18 anos Brandon McNulty, que foi campeão do mundo de contra-relógio de juniores no Qatar. O americano terá a companhia de Robert Britton, Matteo Dal-Cin, Adam de Vos, Evan Huffman, Colin Joyce, Sepp Kuss e Danny Pate.

Equipas que estarão na 43ª edição da Volta ao Algarve:

World Tour: Astana, Bora-Hansgrohe, Cannondale-Drapac, Dimension Data, FDJ, Katusha-Alpecin, Lotto-Jumbo, Lotto Soudal, Movistar, Quick-Step Floors e Sky; 

Profissional Continental: Caja Rural, Cofidis, Gazprom-RusVelo, Manzana Postobón, Roompot-Nederlandse Loterij e Wanty-Groupe Gobert;

Continental: Efapel, LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, Louletanto-Hospital de Loulé, Rádio-Popular-Boavista, Sporting-Tavira, W52-FC Porto e Rally Cycling.


8 de dezembro de 2016

Volta ao Algarve. Revelados pormenores do percurso e mais duas equipas do World Tour confirmadas

O Alto do Malhão irá receber mais uma vez o final da Volta ao Algarve
E já são dez as equipas do World Tour com presença confirmada na Volta ao Algarve (de 15 a 19 de Fevereiro). A francesa FDJ e a holandesa Lotto Jumbo vão voltar a estar na competição algarvia, cuja organização divulgou esta quinta-feira pormenores do percurso. Ainda falta saber, por exemplo,  se a Sky - que venceu as últimas duas edições com Geraint Thomas - e a Trek-Segafredo, que contará no próximo ano com Alberto Contador - ciclista que já venceu duas vezes a prova e gosta de incluir a Algarvia no seu início de época -, vão também elas regressar à prova portuguesa.

Quanto às equipas estão então garantidas do World Tour a Astana, Bora-Hansgrohe, Cannondale-Drapac, Dimension Data, FDJ, Katusha-Alpecin, Lotto-Jumbo, Lotto Soudal, Movistar e a Quick-Step Floors. Do escalão Profissional Continental estarão presentes a Caja Rural, Gazprom-RusVelo, Manzana Postobón e Wanty-Groupe Gobert. Do nível Continental estará a americana Rally Cycling e as formações portuguesas: Efapel, LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, Louletanto-Hospital de Loulé, Rádio-Popular-Boavista, Sporting-Tavira, W52-FC Porto.

Relativamente ao percurso, já eram conhecidos os pontos de partida e chegada, mas agora foram revelados os pormenores. Tudo começará em Albufeira, numa etapa a pensar nos sprinters, tendo apenas uma contagem de terceira categoria logo nos primeiros quilómetros. Serão 180,3 até à meta colocada em Lagos.

No segundo dia teremos chegada ao Alto da Fóia, em Monchique. A organização mudou o lado da subida, que terá 9,1 quilómetros com uma pendente média de 6.2%. Porém, logo no início da ascensão, os ciclistas terão de enfrentar uma rampa que chega aos 9,6%. Entre Lagoa e Fóia serão 189,3 quilómetros.

Segue-se o contra-relógio de 18 quilómetros, que se realiza novamente em Sagres e que este ano teve Fabian Cancellara como vencedor.

Depois voltam os sprinters a entrar em acção. Ou pelo menos o percurso assim os favorece. Será a etapa mais longa, com 203,4 quilómetros a separar Almodôvar de Tavira, que este ano ano teve muita gente a assistir à vitória de Marcel Kittel.

Para terminar, o tradicional Alto do Malhão. A etapa que já vai deixando a sua marca no ciclismo arranca em Loulé. Dos 179,2 quilómetros, 2,8 são a difícil subida ao Malhão com a sua pendente média de 8,9%, mas há ainda que contar com os 41,5 quilómetros do circuito final de constante sobe e desce. Uma espécie de clássica dentro da etapa que Alberto Contador venceu na edição de 2016.

12 de novembro de 2016

FDJ. O ano em que se tornou uma equipa de contra-relógio, com a época a desmoronar-se na Volta a França. Mas houve monumento

(Fotografia: Facebook FDJ)
A FDJ a ganhar contra-relógios por equipas? Thibaut Pinot a ganhar contra-relógios e até ser campeão nacional da especialidade? Estaremos a ver bem? Sim, era razão para questionar se realmente estaríamos a ver bem os resultados. Já em 2015 tinha sido notório o trabalho que a equipa estava a fazer, principalmente com Pinot, que tinha demonstrado já não ter tanto medo a descer, mas este ano deu um passo mais além. Um passo de gigante, diga-se. O francês tornou-se num contra-relogista, algo que há um ano parecia impossível. Esperava-se que evoluísse o suficiente para se defender contra os melhores, algo obrigatório se realmente quer ser candidato a vencer a Volta a França. Porém, o fantástico início de temporada de Pinot, com vitórias a pensar na preparação para o Tour, de nada valeu. Quando chegou o momento da verdade, Thibaut Pinot falhou completamente.

Tanta esperança que rapidamente se desvaneceu. Mal o terreno começou a inclinar, e foi logo nas primeiras etapas, Pinot começou a perder tempo. Resolveu tentar a classificação da montanha, mas na 13ª etapa, já nem apareceu para partir para o contra-relógio. De época de sonho a pesadelo e Pinot terminou a temporada bastante cedo para preparar 2017.

  • 11º lugar no ranking World Tour com 516 pontos
  • 22 vitórias (5 no World Tour – uma na Vuelta por Alexandre Geniez, um monumento, Milano-Sanremo, por Arnaud Démare)
  • Thibaut Pinot e Arnaud Démare somaram seis vitórias cada um


E o ano da FDJ ficou marcado por alegrias iniciais, seguido por desilusões. Outro dos responsáveis pelos esses sentimentos mistos foi Arnaud Démare. Venceu a Milano-Sanremo, o primeiro monumento do ano. Não se livrou da polémica, pois foi acusado ter sido ajudado por um carro pouco antes da subida que antecede os quilómetros finais e que lhe permitiu estar na discussão da corrida. O caso arrastou-se por uns meses, mas nada foi provado e o triunfo manteve-se. A FDJ pensou que finalmente o seu sprinter ia corresponder à confiança que a equipa lhe deu ao ficar com ele, deixando sair Nacer Bouhanni, já que era impossível ter os dois juntos, visto serem mais rivais do que colegas.

O problema é que Démare cada vez mais demonstra não ter capacidade para disputar sprints com os melhores. Visto que Pinot seria a aposta para a Volta a França, a FDJ deu a liderança a Démare no Giro. Tentou, mas não consegue bater Kittel ou Greipel quando estes estão no seu melhor. Lá venceu uma etapa na Route du Sud e a Binche-Chimay-Binche, mas com 25 anos, ou Démare começa a somar mais triunfos importantes, ou pode esgotar-se a paciência da FDJ. O crédito que a Milano-Sanremo lhe deu acabou por ser gasto numa temporada, só salva por essa vitória.



10 de maio de 2016

O pesadelo de Démare ainda não acabou

Concentrado em tentar conquistar a sua primeira vitória numa grande volta, Arnaud Démare (FDJ) vê agora uma polémica regressar para o assombrar. As acusações que foi "rebocado" pelo carro durante a Milano-San Remo - que acabaria por vencer - afinal não estão arquivadas. Podem até estar bem vivas. Matteo Tosatto (Tinkoff) diz ter sido abordado pela Federação Italiana de Ciclismo sobre o eventual desrespeito dos regulamentos por parte do francês.

A Milano-San Remo é a grande vitória de Démare. Aos 24 anos, o sprinter francês tenta este ano provar que mereceu a confiança de FDJ que no final de 2013 deixou sair outro potencial grande sprinter da equipa, Nacer Bouhanni. Em 2014 foi Bouhanni quem triunfou. Démare passou completamente despercebido. O triunfo num dos cinco monumentos era a forma perfeita de relançar a carreira. Porém, a vitória tem sido constantemente questionada, principalmente por Tosatto e Eros Capecchi (Astana). Sem imagens, não houve qualquer acção contra Démare.

Porém, Tosatto confirmou à Gazzetta dello Sport que a federação italiana está a realizar uma investigação a uma possível irregularidade. "Não estou interessado em alimentar mais polémicas. Não tenha nada pessoal contra ele. É um grande ciclista. Mas não me arrependo sobre o que disse porque eu vi. Também o repeti aos investigadores da Federação Italiana de Ciclismo que me contactaram. Não falei com eles pessoalmente, mas enviei-lhes alguns e-mails", explicou Tossato.

Démare está agora em Itália, mas desconhece-se se irá ser questionado pela federação. Publicamente, tanto ele como o director desportivo Marc Madiot recusam falar mais sobre o assunto, querendo concentrar-se no Giro.

Já Tosatto afirmou que alguns ciclistas da FDJ criticaram-no por ele ter falado sobre a alegada batota de Démare, quando se cruzaram no mesmo hotel durante a Volta à Catalunha: "Não tenho razões para ter vergonha, posso estar de cabeça levantada."

Para Démare é um pesadelo que não precisava de voltar a reviver. É que depois da Milano-San Remo, foi apenas 102º na E3 Harelbeke, esteve bem melhor na Gent-Welvegem ao terminar em quinto, mas uma queda na Volta a Flandres afastou-o da competição nas clássicas e só voltou agora no Giro, onde foi segundo na segunda etapa, mas nem esteve na luta na terceira. Ganhar um monumento é excelente, mas o crédito conquistado com essa vitória não dura para sempre. Démare precisa de mais triunfos e a última coisa que precisa é de ver a sua grande vitória ser-lhe retirada.

A novela parecia ter terminado, mas afinal ainda pode haver mais alguns capítulos.

30 de março de 2016

Thibaut Pinot, o eleito?

Foto: Twitter @EquipeFDJ
Quando se vê Thibaut Pinot a ganhar um contra-relógio, mesmo um curto, é inevitável pensar: a sério? Mas é mesmo muito sério todo o trabalho que Pinot e a FDJ estão a fazer. A equipa francesa era mais conhecida por tentar minimizar perdas de tempo nos contra-relógios, fossem por equipas ou individualmente. 2016 é o ano da transformação. A primeira surpresa foi nos contra-relógios do Tirreno-Adriatico: terceira melhor equipa, individualmente a FDJ colocou dois homens no top dez e Thibaut Pinot conseguiu defender-se muito bem (19º a 2:27 do vencedor, Cancellara). O facto da etapa de montanha ter sido anulada devido ao mau tempo, não permitiu ver um Pinot no seu terreno, quando estava claramente motivado para tentar vencer.

No Critério Internacional ficou a confirmação que o que havia acontecido em Itália não era um acaso. E ameaça ser a regra. Pinot ganhou o contra-relógio e acabou por conquistar a competição. Certo que a concorrência não o testou em demasia. Jean-Christophe Peraud, vencedor em 2014 e 2015, falhou na última subida e Pinot mostrou que era claramente superior frente aos restantes ciclistas.

Ainda assim, as indicações destes primeiros meses (foi quarto na Volta ao Algarve, por exemplo) demonstram um Pinot dedicado a aperfeiçoar um dos seus pontos fracos e que o impediam de ser visto como um potencial candidato a uma vitória no Tour. No entanto, o ciclista da FDJ está decidido a mostrar que pode ser o eleito: o francês que vai finalmente voltar a conquistar a "sua" Volta. O último a fazê-lo foi Bernard Hinault em 1985.

No ano passado, Pinot (25 anos) demonstrou que estava a trabalhar num outro ponto fraco: as descidas. Mostrou que estava a melhorar, ainda que sem convencer. Porém, é claro que a FDJ está decidida a colocar Pinot na luta com Froome, Quintana, Contador e Aru. E Pinot não irá sozinho. A própria equipa está a ser preparada para apoiar o seu líder ao estilo de uma Sky ou Movistar.

A Volta ao País Basco, que começa segunda-feira, poderá demonstrar em que nível está esta FDJ, já que a concorrência será mais intensa e não se espera mais problemas de mau tempo como no Tirreno-Adriático. Quintana, Contador, Aru, Rodríguez e Mollema estarão presentes.

Por agora, é certo que Pinot está a apresentar uma candidatura a um top cinco no Tour e talvez espreitar o regresso ao pódio, onde esteve em 2014. É ainda cedo para considerar que Pinot um candidato à vitória, mas se continuar a evoluir - e a margem de progressão é ainda grande -, talvez os franceses possam voltar a sonhar em breve.

De recordar que o ciclista já conta com duas vitórias de etapa no Tour: no ano passado foi o primeiro no mítico Alpe d'Huez e em 2012, um jovem Pinot surpreendeu ao isolar-se na última subida e aguentar a liderança até Porrentruy. E este primeiro triunfo ficou ainda marcado pelo entusiasmo com que o seu director desportivo incentivou Pinot (ver vídeo quando faltam 5,8 quilómetros e depois os últimos dois quilómetros). Imagens que entraram para a história da Volta a França.



20 de março de 2016

A prova de Démare

Fotografia: Twitter @ArnaudDemare
A admiração de Arnaud Démare ao vencer a Milan-San Remo foi, provavelmente, partilhada por muitos. Não que as capacidades do francês não sejam bem conhecidas, mas depois de um 2015 muito fraco, a vitória numa etapa do Paris-Nice colocavam-no, quanto muito, como um outsider no primeiro monumento do ano. Mas aquela queda a 30 quilómetros do fim parecia ter arrumado as hipóteses de Démare. No entanto, o ciclista de 24 anos parece estar a renascer em 2016, acompanhando a equipa da FDJ que está a aparecer em grande nível este ano. Démare venceu com um sprint avassalador, mas demorou mais de um ano para comprovar que a equipa não tem nada a arrepender-se por o ter escolhido em detrimento de Nacer Bouhanni no final de 2014.


Quando venceu a etapa do Paris-Nice, a sinceridade de Démare não podia ser mais perfeita. O francês confessou o quanto era bom saber que ainda podia conquistar vitórias em grandes provas. É preciso não esquecer em 2014 Démare (24 anos) e Bouhanni (25) dividiam as atenções dos sprints na FDJ, ambos com resultados muito satisfatórios, ainda mais tendo em conta as idades. Os dois estavam na equipa desde muito jovens (Bouhanni chegou em 2010 e Démare no ano seguinte). A rivalidade foi sempre crescendo e em 2014 atingiu um nível que tornou impossível a convivência, principalmente quando Bouhanni ficou de fora do Tour, depois de no Giro ter vencido três etapas e a classificação por pontos. O melhor que Démare conseguiu nesse Tour foram dois terceiros lugares.

Bouhanni tornou bem claro para a FDJ: ou ele ou Démare. A equipa escolheu Démare e Bouhanni seguiu para a Cofidis, uma equipa de escalão inferior, mas que lhe dava garantias de ele ser a estrela e de estar no Tour. Sendo o escolhido para ficar na conjunto do World Tour, Démare parece ter sentido a pressão que essa decisão acarretava. Em 2015 nada lhe correu bem. Não houve um rasgo do Démare que se conhecia: zero vitórias e poucos resultados dignos de nota.

Já Bouhanni foi conquistando algumas vitórias e outras tantas quedas aparatosas que também lhe limitaram a temporada.

A pergunta era pertinente: teria a FDJ escolhido mal?

Os dois sprinters não podiam ser mais diferentes. Démare, mais calmo, calculista, discreto como pessoa e menos explosivo que Bouhanni, mas tacticamente inteligente como ciclista. Além de sprinter tem também qualidades para as clássicas e há muito que é apontado como perfeito para um Paris-Roubaix, por exemplo. Quanto a Bouhanni é um ciclista propenso a polémicas, sendo o que se pode chamar um "cabeça quente". É um sprinter explosivo e que não sabe o que é desistir. Já teve alguns problemas com outros ciclistas precisamente por, em algumas ocasiões, ter exagerado e colocado em perigo outros atletas. Ainda recentemente foi desclassificado no Paris-Nice quando quase atirou Michael Matthews contra as barreiras. Quanto a clássicas, a Milan-San Remo é de facto aquela que melhor lhe assenta e ele até esteve na luta (saltou-lhe a corrente durante o sprint). Démare ajusta-se a diferentes terrenos. Bouhanni é o que se apelida de um "sprinter puro"

Com a vitória na Milan-San Remo, Démare pode pelo menos respirar de alívio. A FDJ não escolheu mal. Mas não se livra ainda das dúvidas. A pergunta passa a ser: poderia a FDJ ter escolhido melhor. Démare tem de passar um grande teste: ganhar na Volta a França. Claro que se ganhar no Paris-Roubaix, pelo menos este ano ninguém lhe cobrará muito mais, mas eventualmente terá mesmo de mostrar-se no Tour, até porque Bouhanni dá indicações que estará em melhor condições de enfrentar o grande favorito Marcel Kittel.

A prova de Démare ainda continua. San Remo não lhe permite relaxar, apenas lhe dá a confiança que desesperadamente precisava e que se tinha esfumado em 2015.

Reboque ou potência, a polémica que ameaça marcar a vitória

Se já não bastava para Démare ter de provar que é o sprinter que a FDJ precisa e que foi a melhor escolha, agora tem de provar que venceu de forma limpa a Milan-San Remo. Surgiram acusações que terá sido "rebocado" pelo carro após a queda a 30 quilómetros da meta, que também envolveu Michael Matthews e tirou o australiano da equação.

O ciclista da FDJ defende-se dizendo que não fez batota e chega ao ponto de considerar que apenas está a ser acusado porque não gostaram de ver um francês de 24 anos ganhar a corrida deles (alusão ao facto de dois italianos estarem por trás da polémica: Matteo Tossato e Eros Capecchi). A organização informou que nada fará já que não existem provas visuais (vídeo ou fotografias). Mas outros ciclistas insistem e já se pede que sejam fornecidos os dados recolhidos pelo transponder da bicicleta para se tentar perceber se realmente houve ajuda na Cipressa, a penúltima dificuldade da clássica.

Démare tem todo o interesse em mostrar tudo. O ciclista diz que nada lhe retira o prazer da "mais importante vitória da carreira", mas se não quiser viver com a eterna suspeita - que o diga Cancellara que continua a ser falado sobre a utilização de um motor nas clássicas em 2010 - o melhor é abrir o livro para que apenas se tenha de preocupar em competir e não ser constantemente abordado (e perseguido) pela desconfiança que foi "rebocado".