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24 de agosto de 2017

"Nunca pensei que pudesse vencer uma etapa na Volta a Portugal"

Os dias vão passando e apesar de estar a assimilar melhor o que lhe aconteceu na Volta a Portugal, Antonio Barbio ainda se emociona quando recorda aquela que foi a sua primeira vitória como profissional. Nunca pensou em ganhar, estava concentrado em cumprir a sua função de ajudar os companheiros. Venceu em Santo Tirso, mas não pensa em exigir outro estatuto na equipa. Apenas quer continuar a sua evolução, esperar por novas oportunidades e então tentar somar mais vitórias. Não lhe falta ambição, contudo, mostra estar ciente que o ciclismo não é uma garantia para o futuro, pelo que podemos estar perante um eventual presidente da Junta.

Barbio prepara-se para ser estudante universitário. Quer tirar o curso de Gestão Pública e Autárquica e não nega que Rui Sousa teve a sua influência. O ciclista da Rádio Popular-Boavista é o presidente da Junta de Freguesia de Barroselas e vai de novo a votos em Outubro. "O Rui é uma grande inspiração e tem estado a dar-me alguns conselhos", confessou ao Volta ao Ciclismo. A conversa surge quando se fala da renovação de contrato. Com a temporada em Portugal a aproximar-se do fim, começam as negociações dos ciclistas que competem no país. "Quem faz aqui carreira, quando sai do ciclismo tem de ir trabalhar. Não dá para poupar dinheiro", salientou.

Aos 23 anos, o ciclista da Efapel gostaria de continuar na equipa. Já teve uma experiência pouco feliz no estrangeiro, mas não fecha a portas a nova tentativa. Porém, ficar por cá, não é assim tão mau: "É óptimo ser ciclista em Portugal. Temos um calendário que nos permite estar com a família, mas se os ordenados fossem maiores... Merecemos um mínimo mais alto." Para António Barbio, um ciclista corre riscos todos os dias quando vai treinar na estrada e fá-lo "faça chuva ou faça sol". Diz que não vale a pena tentar comparar a realidade do ciclismo com a do futebol e até considera que nos últimos anos os ordenados e as condições da modalidade estão a melhorar no país. Ainda assim, quer apostar no curso, apesar de saber que será difícil estar a 100% na universidade. Quer licenciar-se e utilizar o ciclismo para pelo menos pagar os estudos.

"Ainda não tinha cruzado a meta e comecei logo a emocionar-me. Já estava a pensar em todas aquelas pessoas que me ajudaram, nas pessoas que não estão cá e que sempre quiseram que eu tivesse sucesso"

Barbio e Joaquim Agostinho são duas gerações completamente diferentes, mas os laços familiares fazem com que as suas histórias se cruzem. "O meu avô era seccionista do Sporting na época do Agostinho. As famílias ficaram sempre ligadas", recordou. Quando o avô saiu, a tia e mãe de Barbio continuaram a acompanhar a modalidade com a mulher do ciclista, ainda hoje considerado o melhor corredor português de sempre. "Quando eu quis ir para o ciclismo as famílias voltaram a estar em contacto", contou. Esta aproximação permitiu-lhe (e permite) que conheça muitas histórias, ainda que tenha salientado que são duas eras distintas. "Gosto de as ouvir. Claro que ouço que 'as bicicletas pesavam 15 quilos, comiam tudo e agora não comes nada!'", referiu, sorrindo. Porém, considera que "há sempre coisas que se podem retirar" do que lhe vão contando do tempo em que Joaquim Agostinho levou Portugal ao mais alto nível nas grandes corridas internacionais e entusiasmou multidões por cá.

Regressando ao motivo que motivou esta conversa, António Barbio suspira quando recorda aqueles quilómetros finais na sétima etapa da Volta a Portugal, em que só pensou: "Ou vou à morte e mais à frente sou apanhado, ou meto o meu passo, tento gerir da melhor forma a subida e veremos o que acontece." Barbio refere-se à ascensão ao Santuário Nossa Senhora da Assunção, a que fechava a tirada. "A subida vai passando e a cerca de três quilómetros para a meta vejo o carro da Efapel atrás de mim, o que é um sinal que tenho pelo menos um minutinho de vantagem. As esperanças aumentaram e parece que vieram forças não sei de onde."

Ainda sofre um susto numa curva que acabaria até por ser local de queda de outros ciclistas. Mas o dia era mesmo o de Barbio: "Ainda não tinha cruzado a meta e comecei logo a emocionar-me. Já estava a pensar em todas aquelas pessoas que me ajudaram, nas pessoas que não estão cá e que sempre quiseram que eu tivesse sucesso... Foi uma enorme alegria."

"Nós fomos para a Volta para a discutir, mas depois de vermos que na etapa da Senhora da Graça isso ficou um bocadinho longe, tivemos de alterar os objectivos"

Havia uma pessoa em que pensava muito. O amigo Rafael Silva viveu momentos dramáticos, pois fez uma Volta a Portugal com 14 pontos nas costas, três no braço e hematomas num joelho. Barbio esteve muitas vezes ao lado de Rafael para o motivar a continuar. Naquele dia esperou pelo amigo antes de subir ao pódio, mas Rafael estava ainda um pouco atrasado. "Nem consigo imaginar a dor que deve ter sentido... Este triunfo também foi por ele", frisou.

A vitória de etapa de Barbio acabou por ser o ponto alto da Volta para a Efapel. Daniel Mestre andou perto, mas a equipa de Américo Silva ficou-se por um triunfo e o top dez de Henrique Casimiro e Sérgio Paulinho. "Nós fomos para a Volta para a discutir, mas depois de vermos que na etapa da Senhora da Graça isso ficou um bocadinho longe, tivemos de alterar os objectivos. Tive a felicidade de ter sido comigo e ficámos um pouco mais tranquilos. Mesmo com objectivos cumpridos, tentámos sempre fazer mais e melhor", realçou, referindo-se precisamente à forma como a equipa trabalhou para Daniel Mestre.

"Nunca pensei que pudesse vencer uma etapa na Volta a Portugal", confessou, pois a sua função era de ajudar os companheiros. Mas foi, naturalmente, um momento marcante e espera ter a oportunidade para juntar pelo menos mais um: ganhar o Troféu Joaquim Agostinho. A proximidade para com a família do ciclista, o facto de ter crescido naquela zona do país, faz com que seja um grande sonho. Já tem lutado por etapas, que lhe têm escapado, mas vai continuar a tentar.

Para já, quer aproveitar este final de temporada nos tradicionais circuitos, num ambiente de maior descontracção. Na Malveira, este domingo, garantiu que vai tentar estar ao ataque. Entretanto, vai pensando também no contrato para 2018. Se aparecer um bom projecto no estrangeiro, pode agarrar o convite, ainda que considere que "há muita gente para um lugar". Por isso e por se sentir tão bem na Efapel, gostaria de continuar. "À partida sei que esta equipa poderá querer-me", disse. No entanto, há algo que alimenta mais este desejo: "Aqui não são meus colegas, são família."

»»Rafael Silva: "Os meus colegas foram uma fonte de inspiração. Se não meti o pé no chão foi por causa deles"««

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16 de agosto de 2017

"Os meus colegas foram uma fonte de inspiração. Se não meti o pé no chão foi por causa deles"

Quando se fala de ciclistas combativos na Volta a Portugal, Rafael Silva tem de ser um deles. Não andou na luta por etapas e a muito custo conseguiu ajudar os colegas. Porém, para quem ao terceiro dia sofreu uma grave queda, levando 17 pontos (14 nas costas e três no braço) e ainda teve de lidar com hematomas num joelho, terminar uma corrida como a chamada Grandíssima foi uma missão de esforço, dedicação e principalmente de superação que irá marcar a carreira do corredor da Efapel.

No final do contra-relógio Rafael Silva apareceu sorridente. Tinha chegado ao fim um momento muito complicado da sua carreira. Também ajudava ter acabo de tirar os pontos! No entanto, foi difícil esconder alguma desilusão por não ter sido possível ajudar a sua equipa como queria. Rafael Silva admitiu que ao acabar a Volta percebe como os seres humanos não têm limites. "Nós é que estabelecemos esses limites", salientou ao Volta ao Ciclismo. O ciclista recordou aquelas horas que se seguiram à queda em Castelo Branco, na segunda etapa: "À noite mal conseguia andar. Não conseguia comer, tiveram de cortar a carne e tiveram de me levar em ombros nas escadas... Pensei que era impossível terminar a etapa no dia seguinte."

Rafael Silva disse em tom de desabafo que nem sabe como é que terminou a Volta a Portugal, mas sabe bem a quem tem de agradecer. "Foram os meus colegas que me deram força mental. Tiveram conversas comigo que jamais esquecerei. Eles foram a minha maior motivação", confessou. Só de pensar nas palavras que ouviu emociona-se, nem conseguindo repeti-las: "Foram uma fonte de inspiração. Se não meti o pé no chão foi por causa deles, do director [Américo Silva], da minha família e amigos."

"Passou-me muitas coisas pela cabeça porque o que me custava mais era o início das etapas. Eu descolava e ficava praticamente sozinho"

Dois dias depois da queda que afectou vários ciclistas, mas que deixou Rafael Silva e Edgar Pinto com os piores ferimentos - o líder da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack abandonou a corrida na sequência do incidente -, o corredor da Efapel viveu momentos muito difíceis e que foram um autêntico teste à sua resistência como atleta e ser humano. "Passou-me muitas coisas pela cabeça porque o que me custava mais era o início das etapas. Eu descolava e ficava praticamente sozinho, às vezes ainda conseguia encostar, mas foram os meus colegas que me deram a força mental que precisava", contou.

Rafael Silva (26 anos) acredita que a nível psicológico a experiência que viveu o poderá tornar um ciclista mais forte. "O que não nos mata, torna-nos mais fortes. Espero voltar daqui a um ano na mesma condição [física]" referiu o ciclista, que diz ter começado a Volta a Portugal numa das melhores formas da carreira. Considera ter ficado limitado em 80% das suas capacidades, lamentando que talvez por essa razão Daniel Mestre não tenha ganho uma ou duas etapas, pois deveria ter sido o seu lançador. Ainda assim, ficou satisfeito por nos últimos dias já ter sido capaz de dar uma ajuda à equipa.

Poder-se-ia pensar que o ciclista quereria agora descansar e recuperar por completo. Mas não. Se o joelho o permitir - é onde tem mais dores - quer estar presente nos circuitos que marcam o final de temporada no país e talvez nos Campeonatos da Europa de pista, em Outubro. "Tudo depende da condição física e psicológica. Esta Volta a Portugal desgastou-me muito e vamos ver se consigo sofrer mais em treinos e corridas. Também depende do que o seleccionador quiser, mas se ele tiver uma palavra, se calhar não consigo dizer que não", frisou.

Esta foi uma Volta a Portugal que Rafael Silva não irá esquecer: "Sinto-me orgulhoso de mim mesmo por ter demonstrado ter tanto espírito de sacrifício."


12 de agosto de 2017

Tu és o líder... Não tu é que és...

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Sim, fala-se muito da W52-FC Porto, mas o cenário da Volta a Portugal torna impossível que não se o faça. Mas até é mais do que justo começar o texto com a referência a António Barbio, da Efapel, que conquistou a sua primeira vitória e logo na corrida mais importante para as equipas nacionais! E que vitória! Até o ciclista ficou admirado por ter ganho numa chegada em alto. Mas voltaremos a este momento. Aproximam-se as decisões de uma Volta dominada pela W52-FC Porto, sem que tal signifique que tenha a vitória garantida. Mesmo dentro da equipa, continua tudo muito em aberto, Raúl Alarcón mantém a amarela desde a primeira etapa, mas aquele que é o líder assumido da equipa vai segundo a segundo (fruto das bonificações) aproximando-se.

Se já não é fácil tentar bater a equipa azul e branca, só se pode imaginar o que os directores desportivos andarão a pensar para tentar antever a jogada de Nuno Ribeiro. Parece que estão todos à espera da etapa na Torre, segunda-feira. Será que vão esperar pela cartada da W52-FC Porto, ou vão atacar primeiro?

A etapa deste sábado tinha a chegada ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção. Os candidatos mantiveram-se tranquilos e só nos últimos metros se mexeram para procurar as bonificações. Veloso levou mais seis e Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) recuperou quatro. Com Amaro Antunes a ficar cortado, ambos subiram um lugar, para quarto e terceiro, respectivamente, com 33 e 30 segundos de diferença para Alarcón.

Nuno Ribeiro, director desportivo da W52-FC Porto, nunca abandonou o discurso que Veloso é o líder da equipa. Alarcón, venceu duas etapas e depois da Senhora da Graça já se foi assumindo como candidato, mas rapidamente regressou às palavras que está a desfrutar da camisola amarela... e que Veloso é o líder. Veloso tem dificuldades em tentar manter-se como segunda figura (compreensível, afinal já ganhou duas Voltas a Portugal), mas sabe que tem de garantir a harmonia na equipa e vai apoiando Alarcón. O discurso não convence e cada vez mais torna-se claro que Veloso pode muito bem deixar-se ficar atrás do colega para depois fazer-se valer das suas qualidades de contra-relogista.

Recorde-se que Veloso já esteve nesta posição em 2016, só que a diferença era bem maior. 2:25 minutos separavam o galego de Rui Vinhas antes do esforço individual, que mesmo não sendo tão forte nesta especialidade, defendeu-se muito bem e conquistou a Volta com 1:25 de vantagem.

Para todos os efeitos, os adversários têm de ver Alarcón como um adversário temível. É que o espanhol pode muito bem ganhar a Volta, pois consegue defender-se no contra-relógio. Perante este factor, Alarcón deverá ser a cartada a ser jogada primeiro pela W52-FC Porto. O desgaste maior será dele, Veloso poderá ser mais protegido. O principal objectivo passará sempre por fazer descolar Rinaldo Nocentini e Vicente García de Mateos. O espanhol terá dificuldades em bater Veloso e mesmo Alarcón no contra-relógio. Já o italiano deverá a estar a provocar alguma (se calhar até bastante) apreensão. Ele bateu os dois atletas da W52-FC Porto no prólogo. Certo que apenas um segundo o separou de Veloso, mas Nocentini está em grande forma.

Nove segundos separam Veloso de Nocentini, com vantagem para o ciclista do Sporting-Tavira. Se as diferenças se mantiverem assim depois da Torre, então será um contra-relógio de emoções muito fortes. Mas ainda há duas etapas em linha antes. Nocentini afirmou que quer fazer algo na Torre, mas não seria de surpreender que se sentir que será difícil bater o poderio da formação azul e branca, então poderá tentar manter-se na luta e jogar tudo na última etapa. Ao contrário de Mateos, Nocentini pode dar-se a esse luxo.


Mas claro, nesta história do "tu és líder... não tu é que és", a vantagem táctica está toda do lado da W52-FC Porto, que conta ainda com dois exemplares homens de trabalho: Amaro Antunes e António Carvalho. O primeiro só tem 34 segundos de diferença para Alarcón, sendo sempre um plano de contingência muito viável. Porém, em circunstâncias normais, irá trabalhar para os colegas. Mateos tem aparecido algo só nas decisões, enquanto Nocentini perdeu Frederico Figueiredo que não conseguiu recuperar no dia de descanso das duas quedas que o deixaram muito mal tratado. No entanto, conta com Alejandro Marque, que também tem o interesse pessoal de pelo menos ficar no top dez.

Barbio e o dia da Efapel

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Voltando então a António Barbio. No dia em que se soube que a Efapel vai continuar a patrocinar a equipa por mais três anos, nada melhor do que finalmente ter algo a correr bem para a formação de Américo Silva. Daniel Mestre esteve perto de ganhar, mas não conseguiu, Sérgio Paulinho e Henrique Casimiro estão a dois minutos de Alarcón, o que faz com que a geral seja um objectivo muito complicado. A Efapel precisava de salvar algo e já estava a tentar apostar na classificação por equipas. Porém, a vitória de etapa deverá tranquilizar todos.

Barbio tem 23 anos, mas já teve uma experiência numa equipa italiana. Em 2016 assinou pela Efapel e a evolução tem sido notória. Faltava algo que o levasse a destacar-se e que talvez lhe desse a confiança que poderia fazer mais e melhor. O próprio admitiu que os colegas sempre o motivaram e por isso mesmo dedicou o triunfo a eles.

Paulinho e Casimiro ainda deverão tentar subir um pouco na classificação e porque não atacarem eles e lançar alguma confusão na corrida?...

É verdade que parece ser difícil não ver a W52-FC Porto ganhar, mas também é verdade que apesar de tanto dominar, não está a salvo de assistir a um autêntico golpe de teatro. Pelo menos, há indefinição nesta Volta a Portugal!

Veja aqui a classificação.


7 de agosto de 2017

"Não se ganha a Volta na Senhora da Graça, mas com um dia mau pode-se ficar fora da decisão"

Chega cedo, chega a dia de semana e chega com os favoritos à espera de começarem a mostrar-se. Volta sem Senhora da Graça não é Volta. Pode não ser dos locais mais decisivos para determinar um vencedor, mas por lá já se perderam algumas Voltas. É precisamente para esse risco que alerta Sérgio Paulinho.

Sendo apenas a quarta etapa, ainda há muitas dificuldades noutras tiradas que poderão ter um factor de desequilíbrio maior. Porém, o Monte Farinha não é para ser feito a pensar noutros dias. Os seus 8,5 quilómetros são de uma pendente entre os 7 e 9%, mas mais perto do final, estão 10,5% à espera dos ciclistas. Ser a dia de semana deixou muitos adeptos desiludidos, pois nem todos estão de férias em Agosto. É afinal uma tradição para muitas pessoas daquela zona do país (e não só) irem ver o pelotão passar, passando o dia (às vezes até estão lá antes) com os piqueniques, um pouco de álcool, muita festa e, claro, há quem aproveite para experimentar subir até à Senhora da Graça de bicicleta.

Se ser a uma terça-feira vai prejudicar a etapa a nível de público, logo se verá, contudo, para os ciclistas a responsabilidade é a mesma de sempre. "Não se ganha a Volta na Senhora da Graça, mas com um dia mau pode-se ficar fora da decisão", salientou Sérgio Paulinho ao Volta ao Ciclismo. O líder da Efapel admite que há muito que não passa pela icónica subida, que só por uma vez não fez parte do percurso da Volta a Portugal, em 1983, desde que se estreou na edição de 1978. De regresso a Portugal depois de 12 temporadas no estrangeiro, Paulinho vai viver novamente a emoção de estar numa subida talvez com o melhor ambiente a nível de pessoas a apoiar. Esteve nas três grandes voltas e noutras corridas importantes, mas será diferente enfrentar um ambiente destes como líder. "Com o público a torcer por ti, dá muito mais motivação e orgulho. Tanto eu como os outros ciclistas do pelotão nacional estamos ansiosos porque é uma etapa espectacular e mítica da Volta a Portugal", referiu.

Sérgio Paulinho está a ter um arranque de Volta a Portugal dentro das expectativas. Fez um bom prólogo e está no top dez (ocupa a sexta posição, a 20 segundos do líder Raúl Alárcon). Esta segunda-feira, a subida à Serra de Bornes (segunda categoria) e algum calor provocaram um natural desgaste, pelo que a Senhora da Graça será um teste ainda maior. Foi um gregário de luxo e esteve ao lado de Alberto Contador em algumas das principais vitórias do espanhol. Agora é um líder numa Efapel que procura regressar aos triunfos da Volta, depois de David Blanco o ter feito em 2012. "Acho que estou preparado para ser um líder. Durante a época demonstrei isso mesmo, estando quase em todas as corridas junto dos melhores. Por isso, sinto-me preparado para liderar a Efapel nesta Volta a Portugal", salientou. No dia em que Contador anunciou a carreira, Paulinho considera que o ciclismo ficará a perder.

Foram meses de intenso trabalho com a preocupação de a nível físico garantir que poderá estar sempre a um ritmo elevado, já que agora não há mais o objectivo de trabalhar uma parte da etapa e depois poupar-se para os dias seguintes. Também houve uma preocupação a nível psicológico, com Sérgio Paulinho a realçar a importância do director desportivo, Américo Silva, e dos restantes colegas para que esteja agora preparado para lutar pela Volta.

O facto de ter estado tantos anos afastado de Portugal, este regresso à Volta provoca sempre algum nervosismo, mas nada que o perturbe. Olha para a W52-FC Porto como a formação que é a principal rival, mas a Efapel dá-lhe garantias: "A equipa é bastante boa, tanto para a parte plana, como para a montanha. Estamos bastante moralizados e focados nisso. Acho que tirando a W52-FC Porto, podemos equiparar-nos às restantes equipas do pelotão."

Quanto ao percurso, Sérgio Paulinho considerou que todas as etapas têm motivos para preocupação. Ainda assim, admitiu que não ter uma chegada à Torre é algo que lhe é favorável. "Mas há outras etapas complicadas, como a Senhora da Graça ou a Senhora da Assunção. E pelo que temos visto noutros anos, às vezes nem é preciso a chegada à Torre para se fazer uma diferença", afirmou.

Os principais candidatos à vitória estão quase todos acima dos 30 anos, excepção feita a Vicente García de Mateos (Louletano-Hospital de Loulé) que tem 28. Sérgio Paulinho considera que a forma como se corre em Portugal acaba por provocar dificuldades aos mais novos, até que consigam adaptar-se. "Quase ninguém controla uma etapa. É sempre ao ataque. No estrangeiro estava habituado a fazer os primeiros 50/60 quilómetros até se formar a fuga e não de em três/quatro dias se estar sempre ao ataque, da partida à chegada", referiu. Apesar dos sub-23 fazerem quase todas as corridas durante o ano com a elite, Paulinho considera que quando chega o momento de fazerem a Volta, há sempre uma dificuldade por parte dos mais novos. Ou seja, a experiência é algo importante numa corrida como a chamada Grandíssima.



Edgar Pinto de fora, Armée de Terre soma segunda vitória

A Volta a Portugal perdeu um dos seus candidatos. Edgar Pinto foi um dos envolvidos na queda perto da meta em Castelo Branco. Foi para o hospital e tem vários ferimentos, desde o rosto ao joelho direito, passando pela zona do abdómen. Teve de ser operado e hoje naturalmente que não partiu para a terceira etapa. É uma grande perda para a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack, já que Edgar Pinto estava a realizar uma excelente temporada, neste seu regresso depois de dois anos no Dubai. A responsabilidade de liderar a equipa pertence agora a César Fonte, que é 11º classificado, a 34 segundos de Raúl Alarcon. João Matias recuperou a camisola da montanha para a formação. Uma boa resposta para o infortúnio que atingiu a equipa.

Rafael Silva (Efapel) foi outro dos ciclistas afectados. Teve de receber vários pontos, mas ainda assim continua em prova, com o director Américo Silva a acreditar que caso consiga passar a Senhora da Graça a tendência será para melhorar e conseguir desempenhar novamente em pleno o papel que trouxe para a Volta: ajudar Sérgio Paulinho e estar presentes nos sprints tanto para Daniel Mestre, ou mesmo para ele tentar ganhar.

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Quanto à etapa que ligou Figueira de Castelo Rodrigo a Bragança (162,1 quilómetros), apesar de uma subida de segunda categoria na Serra de Bornes, acabou por ser disputada ao sprint, com a vitória a ir para o francês Bryan Alaphilippe. Sim, o nome não engana, é mesmo o irmão mais novo de Julian Alaphilippe, da Quick-Step Floors. Tem 21 anos, é um sprinter com capacidade também para as corridas de um dia.

Muito feliz pelo resultado, Alaphilippe salientou que ganhar em Bragança foi um bónus para a equipa da Armée de Terre. Depois de cumprido o objectivo de ganhar o prólogo e vestir a amarela com Damien Gaudin, tudo o que venha a mais será fenomenal para a formação francesa. O jovem ciclista admitiu que vão continuar à procura de vencer etapas.

Na geral, tudo na mesma na frente. Raúl Alárcon (w52-FC Porto) lidera com seis segundos de vantagem sobre Alejandro Marque (Sporting-Tavira). Do primeiro ao 21º classificado são menos de 60 segundos que separam os ciclistas. A Senhora da Graça deverá fazer uma selecção mais definida.

Veja aqui os resultados da terceira etapa e as classificações.

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26 de junho de 2017

Volta a Portugal: a opinião dos directores desportivos e não só

Conhecido o percurso da Volta a Portugal entrou-se em contagem decrescente para o início da corrida, a 4 de Agosto em Lisboa. A preparação dos ciclistas começou há muito, mas agora será mais específica, a pensar nos pormenores que podem ser decisivos nos 11 dias de competição. O que pensam os directores desportivos das equipas portuguesas da 79ª edição? O Volta ao Ciclismo falou com os seis e ainda com Sérgio Paulinho, ciclista presente na apresentação desta segunda-feira, e também com Joaquim Gomes, o director da Volta a Portugal.

Aqui ficam as declarações em discurso directo:

Américo Silva (Efapel): "É um percurso que não difere muito do da Volta do ano passado. Eventualmente é um pouco mais fácil. A etapa da Serra da Estrela, que é a que faz as grandes diferenças entre os principais favoritos, como era de prever no ano passado não o fez e este ano ao subir só uma vez, a situação irá repetir-se. Mas logicamente subir só uma vez a Serra da Estrela é só por si já um factor de uma Volta a Portugal menos dura, tendo em conta que só temos duas etapas míticas: a Serra da Estrela e a Senhora da Graça. Gosto do percurso para o Sérgio Paulino. A época está a correr-nos bem, muito embora sem demasiada visibilidade, mas penso que estamos num bom caminho para estarmos a disputar a Volta a Portugal com o Sérgio. Até mesmo por isso [apenas uma passagem na Torre] é uma Volta que se adapta às características dele. Estou muito confiante."

José Augusto Silva (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack): "O percurso tem algumas partes que serão mais complicadas para as equipas, mas não tem a chegada mítica ao alto da Serra da Estrela. Depois, a mudança de dia da Senhora da Graça... Acho que a nível de adeptos de ciclismo é um pouco prejudicial. Apesar de ser um mês em que está muita gente de férias, há outros que estão a trabalhar e acho que poderia ter muito mais gente se fosse no fim-de-semana como era até aqui. Fora disso, não é por isso que vai faltar luta e considero que vai haver o suspense normal até ao final da Volta por causa do contra-relógio final. Em princípio até é mais acessível aos que não são contra-relogistas por não ser tão longo, mas acho que vai haver suspense até final. Se calhar a chegada ao alto da Torre seria preferível [para o Edgar Pinto]. Mas haverá outras situações que nos serão favoráveis. Temos de nos adaptar ao percurso."

Jorge Piedade (Louletano-Hospital de Loulé): "O percurso não foge muito aos dos outros anos. Poderá ter uma etapa ou outra mais dura, como a etapa de Fafe, que vai passar o Viso. De resto, penso que as decisões da Volta serão tomadas nos palcos onde todos os anos se fazem: na passagem pela Torre e chegada à Guarda, contra-relógio e na Senhora da Graça. A etapa de Santo Tirso também poderá fazer algumas diferenças. Logicamente que serão os pontos chaves da Volta a Portugal. Penso que as diferenças que seriam ser feitas na Torre ou na chegada à Guarda serão idênticas. A fase da etapa depois da Torre é muito dura, com a chegada de terceira categoria no final e acaba por fazer diferenças como se a chegada fosse na Serra da Estrela. O ano passado provou-se isso."

José Santos (Rádio Popular-Boavista): "Penso que é um percurso que não foge muito ao que é tradição das provas da Podium [organizador da Volta a Portugal]: os contra-relógios, não tem a chegada na Torre... Tem a subida do Viso, uma nova, que pode tornar as coisas mais difíceis. É um percurso que não foge muito ao que tem sido tradição na Volta a Portugal nos últimos anos. Vamos tentar ganhar uma etapa e discutir a geral. Vamos ver com quem. A equipa é muito homogénea e tem três ou quatro ciclistas que podem estar bem: o João Benta, o Domingos Gonçalves, não sei como vai ser o comportamento do Egor Silin. Nunca estarei satisfeito [com o percurso] porque uma prova deste género com dois contra-relógios não se justifica."

Vidal Fitas (Sporting-Tavira): "Os pontos que fazem a diferença são basicamente os mesmos todos os anos: o contra-relógio - mais ou menos plano -, há-de ser a etapa da Serra da Estrela e Senhora da Graça e depois há sempre mais uma ou outra que aparece todos os anos. Este ano, talvez a subida à Nossa Senhora da Assunção, em Santo Tirso, mas não acredito que seja significativa para apurar o vencedor da Volta. Não tem muitas novidades ao que o percurso costuma ser. No ano passado a Volta teve um vencedor diferente dos prognósticos porque foi algo proporcionado pelo percurso e este ano poderá acontecer a mesma coisa. Foi uma situação excepcional, que poderá repetir-se. Não conseguimos adivinhar, mas a corrida deverá ser decidida nos pontos habituais. [Não acabar da Torre] no ano passado beneficiava o Alejandro [Marque] e ele ficou no segundo grupo dos seis minutos, o Rinaldo [Nocentini] apanhou 20... A etapa é relativamente igual e ela faz diferença dependendo como a subida é feita e a parte final também é selectiva. Irá depender de como as equipas irão abordar, se atacam ou não. O que é de realçar é essa etapa estar no penúltimo dia da Volta. Independentemente de não terminar lá em cima, já serão dez dias de corrida e torna-se uma etapa complicada. Marcará diferenças de certeza absoluta."

Nuno Ribeiro (W52-FC Porto): "É um bom percurso. Será duro. Poderia ter uma chegada à Torre. Temos uma equipa forte que vai estar na luta e estamos a trabalhar nesse sentido."

Sérgio Paulinho (Efapel): "Gostei do percurso. É idêntico ao que tem sido nos últimos anos, principalmente do ano passado. Vai ser uma Volta muito dura. A única etapa que poderá ser mais tranquila será a que tem chegada a Setúbal (a segunda). A partir daí serão etapas muito exigentes a nível de temperaturas, percurso... Vai ser uma Volta muito, muito exigente. Para mim acho que assenta bem. Não tendo a chegada à Torre acaba por me favorecer um pouco mais e o contra-relógio. Iremos tentar vencer a Volta. Estou a ganhar confiança e a preparação está a correr bastante bem."

Joaquim Gomes (director da Volta a Portugal): "Eu divido esta Volta em três partes. Uma primeira parte vai ter o prólogo em Lisboa, a etapa mais longa que vai recuperar o Alentejo e termina em Castelo Branco com mais de 200 quilómetros, a Beira Alta e Trás-os-Montes, percursos sempre muito agrestes onde vamos ter a chegada a Bragança, a Senhora da Graça surge logo nos primeiros dias e será o primeiro decisivo. Depois há uma sequência de etapas de transição, daquelas que há primeira impressão se pode pensar que não são muito importantes, mas têm um índice de dificuldade tão acima da média, que de um momento para o outro, perante um desfalecimento de um protagonista, podem virar a classificação. Refiro-me na chegada à Viana de Castelo, a Fafe e a etapa rainha da Volta, com chegada à Guarda e passagem na Serra da Estrela, na vertente Sabugueiro-Torre. O final dessa etapa é muito difícil. Se restar força a alguém, temos os 20 quilómetros de Viseu exigentes física e animicamente, porque os segundos serão fundamentais. Acho que juntá-mos os ingredientes que podem fazer desta Volta um grande sucesso. Todos os anos a Volta a Portugal é exigente e o principal apelo que se faz aos ciclistas é a capacidade de recuperação. Só um lote de 15/20 corredores dos 160 têm capacidade para lutar pela discussão da geral. Depois há os que têm capacidade para lutar nos sprints, ou entrar nas fugas. Ou seja, todos terão a sua oportunidade.

Veja aqui as etapas da 79ª edição da Volta a Portugal.

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4 de junho de 2017

Efapel tomou-lhe o gosto!

O pódio final com Jesús del Pino a vestir a camisola amarela
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Estava difícil, mas a Efapel tomou o gosto das vitórias e agora não quer outra coisa! Depois de Daniel Mestre ter vencido duas etapas no Grande Prémio Jornal de Notícias, agora Jesús del Pino garantiu a conquista do Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, competição de categoria 2.1 da UCI. A Efapel e a W52-FC Porto reeditaram uma luta que tantas vezes se assistiu nos últimos anos. Desta vez a formação de Ovar levou a melhor, ainda que Raúl Alarcón continue a somar triunfos, tendo ganho a última etapa e a equipa do Sobrado tenha também conquistado a classificação colectiva.

“É a vitória mais importante da minha carreira. Devo-a à equipa que acreditou sempre em mim, às vezes até mais do que eu próprio", admitiu o espanhol, que vestiu a camisola amarela no pódio final. A Efapel ainda venceu também nas metas volantes por intermédio de Sérgio Paulinho. A boa forma da formação de Américo Silva chega numa fase importante da temporada. Já se está em contagem decrescente para a Volta a Portugal e até lá realizam-se algumas das corridas mais ambicionadas pelas equipas portuguesas, como foram os últimos dois Grandes Prémios, ou o de Abimota (15 a 18 de Junho). E claro, em Julho, o Troféu Joaquim Agostinho será novamente uma das competições mais importantes do calendário nacional.

Porém, a W52-FC Porto continua imparável e com a última etapa no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela já são dez as conquistas em 2017, divididas por Portugal e Espanha, com inevitável destaque para a vitória no Malhão de Amaro Antunes e com a geral na Volta às Astúrias de Raúl Alarcón. “A táctica da equipa passava por ganhar a etapa e tentar vencer a geral. Ataquei para conquistar a etapa. Foi pena o Ricardo Mestre não ter conseguido manter-se na roda do Jesús del Pino”, referiu Alarcón, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Na geral, Del Pino deixou o russo Alexander Evtushenko (Lokosphinx) a 58 segundos e o espanhol Beñat Txoperena (Euskadi Basque Country-Murias) a 1:11 minutos. Destaque ainda para Rui Sousa (Rádio Popular-Boavista). O veterano ciclista, que está a realizar a sua última temporada na longa carreira, venceu a classificação da montanha. De recordar que um dos objectivos do corredor são os Nacionais (de 23 a 25 de Junho), pois tem em ambição de se despedir com a camisola de campeão português. O melhor jovem foi o russo Dmitrii Strakhov (Lokosphinx).

Pode ver aqui as classificações do segundo Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, cuja primeira etapa foi ganha por Alexander Evtushenko e a segunda pelo colombiano da Equipo Bolivia, Omar Mendoza.

»»Rui Sousa: "Gostaria de retirar-me como campeão nacional"


28 de maio de 2017

Efapel acaba com jejum e W52-FC Porto continua a vencer

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Não ganha com um, ganha com outro. A W52-FC Porto continuou a sua senda de vitórias no Grande Prémio Jornal de Notícias, com Raúl Alarcón a ser o homem do momento da equipa. O espanhol vem de uma vitória na geral da Volta às Astúrias e de um segundo lugar em Madrid e agora juntou mais duas etapas e também a geral de uma das corridas mais importantes do calendário nacional. Há um ano tinha sido Rafael Reis a triunfar, tendo a camisola amarela continuado assim na equipa, desde o primeiro dia. Porém, destaque também para a Efapel. A equipa de Américo Silva ainda estava em branco em 2017, mas parece ter reencontrado o caminho das vitórias, com Daniel Mestre a vencer duas etapas, a primeira sempre com um sentimento especial, já que foi em Ovar, terra natal da equipa.

A W52-FC Porto tomou a liderança logo no primeiro dia ao ser a mais forte por apenas um segundo no contra-relógio por equipas. Então foi Amaro Antunes quem vestiu a amarela. Raúl Alarcón herdou-a no dia seguinte e na sexta-feira, com direito a jornada dupla, o espanhol venceu as duas etapas e consolidou a liderança que não mais perderia. João Benta (Rádio Popular-Boavista) terminou a 20 segundos, com Rui Vinhas, colega de Alarcón, a fechar o pódio a 23 segundos. Foi mais um bom resultado para o vencedor da Volta a Portugal de 2016.

“Foi uma corrida fantástica. A chave do triunfo foi a jornada dupla, aquela quem que marquei a diferença para os rivais. Mas sem equipa não teria vencido porque foram os meus companheiros que seguraram a vantagem nas duas etapas seguintes”, explicou Alarcón, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. O espanhol conquistou ainda a classificação por pontos, enquanto César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) venceu a da montanha. Por equipas, a W52-FC Porto deixou a Rádio Popular-Boavista e a Efapel a mais de dois minutos. Pode ver aqui as classificações completas.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel acabou por estar também em destaque. A equipa de Ovar tem sido das mais ganhadores nos últimos anos, mas 2017 não estava a ser fácil. Parece que ganhou impulso com os bons resultados no fim-de-semana passado em Espanha e agora conseguiu não uma, mas duas vitórias, ambas por intermédio de Daniel Mestre, que terminou em quarto na geral. “Faço um balanço positivo da minha participação e da participação da equipa nesta corrida. O nosso principal objectivo era ganhar etapas e vencemos duas", salientou Mestre.

Américo Silva não escondeu a felicidade por estar finalmente a ver os seus ciclistas a somarem triunfos. "É a prova que este conjunto fantástico de corredores tem um valor tremendo e que seria apenas uma questão de tempo para que os triunfos aparecessem", afirmou o director desportivo, no comunicado da equipa.

No próximo fim-de-semana há mais ciclismo, com o o Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela.

Maaris Meier conquista Taça de Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A estoniana da (Maiatos/Reabnorte) venceu a quinta e última etapa da competição, assegurando assim a conquista do troféu. Maaris Meier tinha uma curta vantagem, mas soube impor-se no exigente circuito em Gouveia (71,2 km). Na categoria de elite, Meier totalizou 165 pontos, contra os 112 de Fiona Hunter-Johnston (Fusion Fierlan RT) e os 95 de Irina Coelho.

Em juniores o troféu ficou para Marta Branco (Maiatos/Reabnorte) e em cadetes foi Daniela Campos a vencedora. Já em masters, a mais forte foi Elisete Sousa (5 Quinas/Município de Albufeira).

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22 de maio de 2017

Prólogo nocturno para começar um inovador Grande Prémio Jornal de Notícias

Numa altura em que muito se fala em inovar no ciclismo e com a Hammer Series a estar na frente dessas mudanças, sendo uma corrida para se conhecer a melhor equipa e não em prol da glória individual, em Portugal o Grande Prémio Jornal de Notícias traz alterações surpreendentes e que geram muito interesse. E tudo começa esta quarta-feira com um prólogo nocturno por equipas em Viseu. Serão 5,9 quilómetros, com o início marcado para as 21:00.

Mas há mais diferenças. O segundo dia será um mais tradicional, com a ligação de 138,1 quilómetros entre Ovar e Maia a ter uma chegada prevista ao sprint. Já no terceiro dia haverá jornada dupla. Às 9:30 o pelotão partirá da Maia, com a meta instalada no alto de Santa Luzia, Viana do Castelo. Será o momento dos trepadores se mostrarem, mas há que pensar que às 17:00 começará o contra-relógio individual de 6,7 quilómetros entre entre Barcelos e o alto da Fanqueira, com os últimos três a serem sempre a subir. As jornadas duplas não são inéditas, mas são raras. E para terminar, no domingo, os 130 quilómetros em Valongo serão com muito sobe e desce.

O perfil das etapas irá potencialmente beneficiar alguma indefinição quanto ao vencedor. Em 2016, Rafael Reis foi o mais forte no Grande Prémio Jornal de Notícias. O então ciclista da W52-FC Porto confirmava assim a grande temporada que estava a realizar e que no final lhe valeram o número um do ranking nacional e uma transferência para a formação espanhola Profissional Continental, Caja Rural. Este ano, Rafael Reis não estará presente.

Além das equipas de elite e de clube portuguesas, irão participar na 27ª edição da corrida as espanholas Cortizo e Escribano Sport Team, além da já habitual Team Bolivia, que muito tem andado pelas estradas nacionais e que conta com Nuno Meireles no seu plantel.

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21 de maio de 2017

Efapel com dois ciclistas no pódio na Volta a Castela e Leão

O pódio final: Rosón, Hivert e o português Henrique Casimiro
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
Tem competido mais por Portugal este ano, mas a viagem até Espanha da Efapel foi bastante produtiva. A equipa terminou a Volta a Castela e Leão com dois ciclistas no pódio. Henrique Casimiro foi terceiro a 55 segundos do vencedor, o francês Jonathan Hivert, da Direct Energie. Em segundo ficou Jaime Roson, ciclista espanhol da Caja Rural que alcança a mesma posição da Volta à Croácia. Casimiro foi terceiro na etapa rainha de sábado, tirada que acabou por ser decisiva para a classificação final. Já Daniel Mestre conquistou a camisola dos pontos, subindo assim também ao pódio. Porém, a prestação das equipas portuguesas teve ainda mais resultados de nota.

João Rodrigues foi o mais forte na montanha
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
João Rodrigues (W52-FC Porto) venceu a classificação da montanha e a Efapel foi a segunda melhor equipa, a 26 segundos da italiana Androni Giocattoli. No top dez da geral, destaque ainda para a presença de Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 1:08 minutos de Hivert, António Carvalho e Joaquim Silva, ambos da W52-FC Porto, foram sétimo (a 1:14) e oitavo (a 1:19), respectivamente e o espanhol Jesus del Pino (Efapel) foi nono, a 1:28.

Ao fim de três dias de competição, o director desportivo da Efapel ficou muito satisfeito com a exibição dos seus ciclistas. “A nossa prestação foi extremamente positiva. Viemos com o intuito de lutar pelas vitórias e isso foi uma realidade. Além disso, conseguimos terminar no pódio da geral individual com o Henrique [Casimiro], conquistámos a camisola azul com o Daniel [Mestre] e ainda terminámos em segundo a nível colectivo. Foi uma corrida dura e exigente mas a equipa esteve à altura. Saímos com um conjunto ainda mais preparado e forte”, salientou Américo Silva, num comunicado da equipa.

Daniel Mestre ficou com a camisola dos pontos
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
A última etapa da Volta a Castela e Leão foi ganha por Carlos Barbero, ciclista da Movistar, a única equipa do World Tour presente nesta corrida. Nuno Bico foi um dos corredores presentes pela formação espanhola, terminando na 48ª posição da geral, a 5:20 minutos de Hivert. O outro português em prova por uma equipa estrangeira, Rafael Reis (Caja Rural), foi 55º, a 6:34. O ciclista de Palmela foi terceiro na primeira etapa, atrás de Daniel Mestre, ambos batidos pelo russo Alexander Evtushenko (Lokosphinx).

Das seis equipas de elite portuguesas só o Louletano-Hospital de Loulé não esteve presente, mas todas estarão juntas no Grande Prémio Jornal de Notícias. Uma das principais corridas do calendário nacional realiza-se esta semana entre 24 e 28 de Maio.

Pedro Lopes conquista Taça de Portugal de juniores

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ciclista da equipa Alcobaça CC/Crédito Agrícola foi sexto classificado no Circuito da Palmeira - Prémio Peixoto Alves, em Braga, mas o resultado foi suficiente para Pedro Lopes conquistar a Taça de Portugal de juniores, somando 250 pontos, mais 39 pontos do que Pedro Teixeira (Maia) e 43 do que Hugo Garcez (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel).

Afonso Silva venceu a corrida que homenageia o vencedor da Volta a Portugal em 1965. O ciclista do Sporting/Tavira/Formação Eng. Brito da Mana deixou Pedro Teixeira a 1:06 minutos.

Nos sub-23, a selecção nacional participou na Ronde de l’Isard, uma das mais prestigiadas provas por etapas deste escalão. Ciclistas como Kenny Elissonde (actualmente na Sky) e Alexandre Geniez (AG2R) ganharam esta corrida. Andrew Talansky e Joe Dombrowski (Cannondale-Drapac), Jonathan Castroviejo (Movistar), Dylan Teuns (BMC), Tiesj Benoot (Lotto Soudal) e George Bennett (Lotto-Jumbo e que ganhou a Volta a Califórnia) são nomes que constam da lista de pódios.

Tiago Antunes foi terceiro na última etapa da Ronde de l’Isard, ganha pelo russo Pavel Sivakov (BMC Development Team), que conquistou também a geral. O melhor português foi precisamente Tiago Antunes, com o décimo lugar a 12:10 minutos. Quanto aos restantes representantes lusos, Hugo Nunes foi 26.º, a 26:50; Gonçalo Carvalho, 28.º, a 30:11; Venceslau Fernandes, 34.º, a 34:45; Gaspar Gonçalves, 42.º, a 38:57; André Carvalho, 63.º, a 55:43.

José Borges em acção (Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Na Taça de Portugal de Enduro, José Borges (Enduro BTT Braga) manteve a invencibilidade, vencendo a segunda prova em Lorvão. O madeirense Emanuel Pombo (Ciclo Madeira Clube Desportivo) repetiu o segundo lugar da primeira etapa da competição. Nas senhoras, a estoniana Maaris Meier (Maiatos/Reabnorte) não deu hipóteses à concorrência, batendo Ana Leite (Enduro BTT Braga) por 1:03 minuto, mas o segundo lugar permitiu-lhe manter a liderança da Taça de Portugal.

João Nóbrega (Ciclo Madeira Clube Desportivo) foi o melhor júnior, Duarte Ribeiro (Maiatos/Reabnorte) venceu a corrida de cadetes, Hélder Padilha (Montanha Clube/LouzanPark) impôs-se nos Master 30, e Vasco Correia (Penacova DI/UD Lorvanense) manteve-se invencível nos Master 40.

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18 de maio de 2017

Equipas portuguesas em Espanha antes do Grande Prémio Jornal de Notícias

Sérgio Paulinho (à esquerda) é uma das principais figuras da Volta a Castela e Leão
Na quarta-feira começa uma das mais importantes competições portuguesas, o Grande Prémio Jornal de Notícias, mas entre sexta-feira e domingo regressam a Espanha para a Volta a Castela e Leão. Só o Louletano-Hospital de Loulé não estará presente, mas desta vez a Efapel irá competir além fronteiras, sendo a formação mais "caseira" em 2017. A W52-FC Porto deu descanso aos seus líderes, mas as restantes equipas levaram algumas das suas principais figuras, procurando um bom resultado numa corrida que contará com a Movistar, do World Tour, e com as Profissionais Continentais Direct Energie, Androni Giocattoli e Caja Rural.

Sérgio Paulinho é um dos principais nomes presentes. A sua vasta experiência ao mais alto nível coloca-o em destaque na Volta a Castela e Leão, agora como líder da Efapel. A cerca de dois meses e meio da Volta a Portugal, Sérgio Paulinho começará a ser seguido com maior atenção, tendo em conta o seu objectivo de vencer a principal competição nacional, depois de anos como gregário de luxo no World Tour. Daniel Mestre, Rafael Silva, Henrique Casimiro, Bruno Silva, Jesus del Pino, Álvaro Trueba e o colombiano Mateo Garcia completam a equipa. "“Esta é uma corrida que normalmente se decide entre os puros trepadores. Nós temos ciclistas que sobem bem, mas não temos puros trepadores. Não temos muita noção daquilo que podemos fazer. De qualquer forma, não deixamos de lado a nossa ambição. Vamos tentar disputar uma etapa. O Rafael [Silva] está a chegar ao seu melhor momento. Também podemos contar com o Daniel [Mestre]. Queremos sempre ser protagonistas", salientou o director desportivo, Américo Silva, citado pela equipa.

A Rádio Popular-Boavista também apresenta uma equipa interessante, liderada pelo russo Egor Silin. Domingos Gonçalves, Filipe Cardoso, Luís Gomes, Xuban Errasquin, Victor Etxebarria, Pablo Guerrero e Daniel Sanchez vão procurar um bom resultado. "Tenho corrido muito, mas vamos planear um descanso depois do JN. Por mim, prefiro correr a ficar em casa a treinar, pois tenho mais vantagens", disse Domingos Gonçalves, numa declaração divulgada no Facebook da equipa. Na página lê-se ainda que os ciclistas não vão encontrar temperaturas simpáticas: "Muito vento e frio, daquele que cura as carnes, era o cenário principal quando chegámos a Aguilar de Campoo, uma pequena vila/aldeia, tornada famosa no ciclismo espanhol, pelo antigo ciclista Alberto Fernandez."

Na lista de inscritos o Sporting-Tavira aparece apenas com sete ciclistas, mas entre eles estão Rinaldo Nocentini - que está a realizar uma excelente temporada -, Joni Brandão, Frederico Figueiredo, Jesus Ezquerra, Mario Gonzalez, Luís Fernandes e David Livramento.

Também a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e a W52-FC Porto aparecem em versão reduzida. A primeira irá apresentar-se na Volta a Castela e Leão com Hugo Sancho, César Fonte, João Matias, Antonio Angulo, Samuel Blanco, Luís Afonso e o francês Guillaume de Almeida. Sem os habituais líderes, a W52-FC Porto dará a oportunidade a outros ciclistas de se mostrarem, como é o caso de António Carvalho. O português terá a seu lado Joaquim Silva, Daniel Freitas, João Rodrigues, Ignacio Perez, Angel Rebollido e Jacobo Ucha. A equipa de Nuno Ribeiro esteve recentemente muito bem em Espanha, com Raul Alarcón a vencer a Volta às Astúrias e a ser segundo na Volta à Comunidade de Madrid.

Haverá outros portugueses em prova além dos que representam as equipas nacionais. Nuno Bico estará ao serviço da Movistar, enquanto Rafael Reis foi chamado pela Caja Rural. Veja aqui a lista de inscritos.

Aqui ficam as etapas:

Aguilar de Campoo - Santibañez de la Peña, 168 quilómetros (sexta-feira)


Velilla del Río Carrión - Sabero-Alto de la Camperona, 166,4 quilómetros (sábado)