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6 de novembro de 2018

Transferências e renovações nas equipas portuguesas

As equipas portuguesas estão a ultimar os plantéis para 2019. Já são muitas as mudanças confirmadas, ainda que mais algumas deverão acontecer em breve. Os regressos de Tiago Machado ao pelotão português e o de Joni Brandão a uma casa que bem conhece, assim como a mudança de Daniel Mestre e também de Luís Mendonça, são algumas das principais transferências. Aqui ficam as contratações e renovações já confirmadas.

Depois de nove anos a competir no estrangeiro, oito, no World Tour, depois de dez grandes voltas e seis monumentos, o pelotão português contará novamente com um dos ciclistas que mais marca uma geração e que irá deixar a Katusha-Alpecin. Tiago Machado, o combativo por excelência, aceitou a proposta do Sporting-Tavira para liderar uma equipa que quer acabar com a hegemonia da W52-FC Porto. A formação azul e branca foi por sua vez buscar um dos ciclistas mais valiosos do nosso pelotão. Daniel Mestre deixa a Efapel depois de três temporadas em que foi uma das grandes figuras e aposta na formação que poderá estar em 2019 no escalão Profissional Continental, com Raúl Alarcón a continuar a ser o líder.


Nuno Ribeiro deverá manter a maioria dos ciclistas que representaram a equipa em 2018, com Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack) a caminho, tal como Rafael Reis, que, a confirmar-se, estará de volta à equipa depois de dois anos na Caja Rural. Outro ciclista que poderá regressar a Portugal é José Mendes, que disse ter propostas do Sporting-Tavira e Efapel, apesar de ficar na Burgos-BH era uma hipótese ainda não afastada em Outubro.

Mas estas são transferências ainda não oficializadas. Continuando nas já confirmadas...

A Efapel é a outra autora de uma das principais transferências. Joni Brandão volta à casa que bem conhece, depois de duas temporadas no Sporting-Tavira. A primeira ficou marcada por um problema de saúde que não só o limitou, como o afastou mesmo da Volta a Portugal. Mas em 2018 esteve ao seu nível, foi segundo na Volta e venceu o ranking nacional. Antes da passagem pela formação algarvia, tinha estado quatro anos na Efapel, onde se tornou num dos ciclistas de referência do pelotão nacional. Assinou por duas temporadas. A equipa de Américo Silva já confirmou as renovações de Sérgio Paulinho, Bruno Silva, Rafael Silva e Pedro Paulinho.

Uma das equipas que realizou uma temporada inesquecível tem o seu plantel preparado para 2019. A Aviludo-Louletano-Uli - que passará a ser LudoFoods-Louletano - contratou Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), Leonel Coutinho ((Vito-Feirense-BlackJack), Ricardo Vale (Vito-Feirense-BlackJack) e o espanhol Francisco Garcia Rus (GSport-Valencia Sports-Wolfbike). Quanto a renovações, o líder Vicente García de Mateos vai continuar na formação de Jorge Piedade, tal como Luís Fernandes, Óscar Hernández, Márcio Barbosa, André Evangelista, David de la Fuente e Juan Ignacio (Nacho) Perez.

No entanto, o conjunto algarvio perde um dos ciclistas que conquistou uma das vitórias mais importantes do ano. Luís Mendonça conquistou a Volta ao Alentejo, confirmando assim o seu potencial, depois de ter começado tarde no ciclismo, mas mais do que a tempo de ter uma carreira de sucesso. José Santos, director desportivo da Rádio Popular-Boavista, viu em Mendonça o ciclista ideal para preencher a vaga deixada por Domingos Gonçalves, que irá para a Caja Rural. Luís Mendonça encontrará uma equipa, na qual terá ainda mais liberdade para lutar por triunfos e, claro, a pensar na Volta a Portugal.

João Benta, Daniel Silva, Luís Gomes, David Rodrigues e o jovem de 19 anos João Salgado vão continuar na estrutura, que se reforçou ainda com um dos talentosos trepadores da nova geração, Hugo Nunes (Miranda-Mortágua). O júnior Afonso Silva esteve recentemente no Mundial de Innsbruck, é um campeão nacional de contra-relógio  e dará o salto para uma equipa profissional para fazer o seu primeiro ano como sub-23. Estava no Sporting-Tavira-Formação Engenheiro Brito da Mana. De Espanha chega Antonio Gómez, que este ano representou a equipa amadora da Caja Rural.

A Vito-Feirense-BlackJack foi buscar um alemão cujo nome poderá não dizer muito, mas é um ciclista com muita experiência no escalão Profissional Continental. Bjorn Thurau, 30 anos, esteve em equipas como a Europcar (actual Direct Energie), Bora-Argon 18, e Wanty-Groupe Gobert. Este ano esteve na Holdsworth Pro Racing, do escalão Continental.

Jesus del Pino (Efapel) e Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli) estão confirmados, assim como João Barbosa, que vem do Maia. Os juniores Pedro Andrade e António Ferreira vão ter uma oportunidade na equipa principal, agora que passam a sub-23. Sem Edgar Pinto, João Matias será o líder principal, com Luís Afonso, João Santos e Bernardo Saavedra a manterem-se na equipa.

Nas equipas Continentais sub-25 haverá grandes mudanças, pelo menos no Miranda-Mortágua e na LA Alumínios. Na primeira apenas três ciclistas renovaram: Artur Chaves, Pedro Teixeira e Tiago Leal. A equipa de Pedro Silva promoveu o regresso de Daniel Freitas, que representou o Miranda-Mortágua na sua formação e que nas últimas três épocas esteve na W52-FC Porto.

O experiente Hugo Sancho (Vito-Feirense-BlackJack) vai aos 36 anos ter um novo desafio, numa equipa onde terá um papel importante entre tantos jovens. Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass) poderá encontrar espaço para ter destaque, com Pedro Pinto (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel), Ivo Pinheiro (ACDC Trofa) e os espanhóis Cristian Mota (Aldro Team) e Sergio Vega (Froiz) a completarem a equipa, do que já foi revelado.

Na LA Alumínios também só três ciclistas de 2018 vão continuar em 2019: David Ribeiro, Gonçalo Leaça e Fábio Oliveira. Chega António Barbio, que apesar de ter alcançado uma vitória no Memorial Bruno Neves, não teve a época que desejava no Miranda-Mortágua e vai agora trabalhar com Hernâni Brôco na LA Alumínios. André Crispim (Libery Seguros-Carglass), André Ramalho (Jorbi-Team José Maria Nicolau), Emanuel Duarte e Leonel Firmino, ambos do FGP-Cube-Bombarral, vão vestir as cores de um dos patrocinadores mais antigos do ciclismo nacional.

Quanto à Liberty Seguros-Carglass a principal novidade até ao momento é a nova aliança entre o Bike Clube de Portugal - detentor da equipa - e a União Desportiva Oliveirense, que assim abriu o seu núcleo de ciclismo e irá ter o seu nome no pelotão em 2019.

Enquanto se espera pelas equipas completas para 2019, aqui ficam duas curiosidades relativamente às máquinas a utilizar na próxima temporada. A W52-FC Porto irá contar com as bicicletas da marca Swift em vez das KTM. A Rádio Popular-Boavista deixará de ter bicicletas Focus para procurar vitórias com as Cervélo.

Nuno Almeida termina carreira

Com apenas 27 anos, o ciclista que esta época representou a LA Alumínios decidiu colocar um ponto final na sua carreira. Sem contrato para 2019, Nuno Almeida tomou a difícil decisão, revelando que adiou uma intervenção cirúrgica durante toda a temporada.

"É difícil chegar a esta altura sem equipa e sem ter colocação para 2019 mas faz parte do percurso de vida de qualquer pessoa. Foi um ano duro, sem dúvida o mais difícil da minha carreira. Partir um osso na primeira corrida da época e só parar para ser operado após a última da mesma. Dei tudo o que tinha, sei que arrisquei a minha saúde mas não me arrependo. Tal como não me arrependo de ter parado os meus estudos, já em ano de Tese, e arriscar tudo nesta modalidade. Fiz o que me fazia feliz ! Não resultou e é hora de seguir em frente", escreveu o Nuno Almeida no Facebook, a 20 de Outubro.

Antes de aceitar o desafio de ser um dos líderes da nova vida da LA Alumínio, Almeida esteve no Louletano-Hospital de Loulé e na Efapel. O ciclista agradeceu a todos os que o apoiaram durante os 10 anos de carreira, tendo começado um pouco mais tarde do que a maioria, como o próprio recordou, na sua mensagem. "Saio com 4 Voltas a Portugal no currículo, todas melhores que as anteriores, algo que nunca imaginei na minha vida pois nem gostava de ciclismo e tão pouco pratiquei a modalidade desde jovem", escreveu.

"Eu e a bicicleta seguiremos o nosso caminho, agora em modo cicloturista e com o objectivo de desfrutar ao máximo da mesma", concluiu.

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3 de outubro de 2018

Joni Brandão está de regresso à Efapel: "Foi uma boa aposta de ambas as partes"

(Fotografia: © João Fonseca)
Dois anos depois, Joni Brandão está de regresso à Efapel. Foi nesta equipa que o ciclista se tornou num dos portugueses de referência no pelotão nacional e um candidato à vitória na Volta a Portugal, tendo sido segundo em 2015, posição que repetiu este ano, ao serviço do Sporting-Tavira. Américo Silva irá assim contar novamente com um corredor que bem conhece, numa altura em que a Efapel começa a pensar em consolidar a sua estrutura e fortalecer a equipa para tentar subir de escalão em 2020.

Mas é a curto prazo que para já se pensa, ou seja, colocar a equipa novamente na discussão da Volta a Portugal. "Desde que ele saiu, acabou por deixar um lugar vago, o lugar de quem pode disputar a Volta a Portugal. Nós necessitávamos disso. Sempre habituámos os adeptos de ciclismo a estar na discussão da Volta", salientou Américo Silva ao Volta ao Ciclismo. O director desportivo não esconde que havia a "necessidade de contratar alguém que desse garantias" de estar na disputa pelo pódio e mesmo pela vitória da competição que as equipas nacionais mais querem ganhar.

"Ele conhece a casa e nós conhecemo-lo. Foi uma boa aposta de ambas as partes", disse. Américo Silva considera que após os resultados que o ciclista de 28 anos (faz 29 a 20 de Novembro) já alcançou, a ambição de ganhar a Volta vai crescendo em Joni Brandão: "Ele vem ao encontro de uma equipa que lhe pode proporcionar esse tipo de trabalho. Ele sabe com o que pode contar aqui."

Sérgio Paulinho vai estar ao lado de Joni Brandão. O ciclista veio para a Efapel após o final da Tinkoff, tendo realizado uma carreira ao mais alto nível no World Tour como gregário. Como líder, ainda conseguiu um top dez na Volta em 2017, mas não conseguiu estar na disputa por um bom resultado nesta última edição. Somou uma vitória de etapa no Grande Prémio Abimota.

Será uma dupla muito interessante. A experiência de Paulinho é uma enorme mais valia e não tendo qualquer problema em entregar o papel de líder - que esta temporada partilhou com Henrique Casimiro -, ter uma função mais próxima daquela que o tornou num dos ciclistas mais fiáveis do pelotão internacional, poderá ser a oportunidade para estar novamente a um nível que a Efapel precisa se quiser enfrentar o poderio da W52-FC Porto. 

Joni Brandão demonstrou este ano que é dos que consegue estar mais perto dos ciclistas azuis e brancos, mas precisa de uma equipa forte em seu redor. Além de Sérgio Paulinho (38 anos), Américo Silva está determinado em ter na Efapel ciclistas que conhece bem e que confia plenamente, pela que a continuidade de Rafael Silva (27) e Bruno Silva (30) também já estão tratadas.

Joni Brandão procurou uma mudança quando assinou pelo Sporting-Tavira, contudo, teve um 2017 para esquecer. Um problema de saúde limitou-o e acabou mesmo por o afastar da Volta a Portugal. Em 2018 verificou-se como aos poucos o ciclista foi recuperando a sua melhor forma, com bons resultados, alguns pódios, ainda que uma vitória tenha teimado em escapar-lhe. Apareceu na Volta em grande forma, mas foi impossível bater uma W52-FC Porto superior e um Raúl Alarcón irrepreensível, que "anulou" Joni Brandão quando este tentou atacá-lo. Terminou novamente em segundo, mas ficou claro que o ciclista estava definitivamente de regresso ao seu estatuto de candidato a respeitar.

Em ambos os segundos lugares, Joni perdeu para a estrutura do Sobrado, pois em 2015 foi Gustavo Veloso o vencedor. Em 2014 tinha sido quarto e em 2016 foi quinto. Ou seja, top dez é o seu lugar, mas falta-lhe a vitória.

A carreira como profissional passou nos primórdios por Espanha, mas foi na Efapel que encontrou o espaço e tranquilidade para evoluir entre 2013 e 2016. Para a equipa é um regresso bem-vindo. "Neste tipo de circunstâncias o dinheiro não é tudo. Tem de haver mais valias. É natural que se aguce mais a ambição de vencer a Volta depois de dois segundos lugares. Ele optou por regressar. Ficámos muito satisfeitos. Sabemos que não havendo azares ele pode dar-nos muitas alegrias", realçou um Américo Silva, feliz por contar novamente com um ciclista que tão bem conhece e aprecia.

»»Domingos Gonçalves regressa à Caja Rural««

»»"A Efapel, pelo percurso que tem tido, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura"««

14 de setembro de 2018

"A Efapel, pelo percurso que tem tido, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura"

Avaliar o presente, pensar no futuro próximo e começar a preparar o mais além. A Efapel pode não ter alcançado os objectivos a nível de resultados na Volta a Portugal, mas o seu director desportivo, Américo Silva, não deixa de realçar que quanto ao empenho dos seus ciclistas, nada tem a apontar. Porém, mesmo não sendo possível fugir a má Volta na falta de concretização do que se pretendia alcançar, a equipa continua a receber um forte apoio de quem a patrocina e que quer agora vê-la chegar ao escalão Profissional Continental.

O sonho é que em 2021 seja possível subir ao segundo nível do ciclismo e assim aspirar a outro tipo corridas, piscando o olho a um possível convite para uma Volta a Espanha. Numa primeira fase é necessário fazer crescer a estrutura actual de uma forma sustentável, pois Américo Silva salienta que é um projecto que quer permanecer nesse escalão e não rapidamente dar um passo atrás. "Temos muita tendência depois da Volta a Portugal em se falar de novas equipas, muitos projectos e que maioritariamente, a curto prazo, nunca são realizáveis. Por isso, para se falar num projecto destes deve-se pensar mais nesta forma, mais a longo prazo, com as coisas um pouco mais sustentadas e só assim se pode sonhar em realizar-se este tipo de planos. Todos aqueles que no calor da Volta começam a projectar coisas muito altas, normalmente não são para se ligar nenhuma, não chegam a lado nenhum", referiu ao Volta ao Ciclismo.

"Tem de ser algo pensado e sustentado, no mínimo a três anos. Não faz sentido estar num escalão que pode dar acesso a estar numa Volta a Espanha e depois haver um retrocesso", acrescentou. Américo Silva confirmou assim o desejo anunciado durante a Volta a Portugal pelo presidente da equipa, Carlos Pereira. O facto de o prazo ter sido estabelecido em 2021 é para Américo Silva uma demonstração de credibilidade do plano, que irá então ser preparado durante as próximas duas temporadas.

"As corridas contabilizam-se não propriamente pelo rendimento e empenho de cada um, mas sim pelos resultados e logicamente, nesse campo, foi uma má Volta a Portugal"

"A Efapel, pelo percurso que tem tido ao longo dos anos, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura", considerou o director desportivo. A empresa iniciou o seu patrocínio em 2011, como secundário, mas no ano seguinte já era o principal e desde 2015 que a Efapel é o único nome da equipa.

Em 2012 a Efapel ganhou a sua única Volta por intermédio do espanhol David Blanco, mas desde então que a estrutura da actual W52-FC Porto tem dominado na principal prova para as equipas nacionais. Sérgio Paulinho foi a grande aposta em 2017 e 2018, com Henrique Casimiro a ter um papel de co-líder. Porém, a vitória na Volta nunca esteve perto de acontecer e nem o pódio foi alcançado. Este ano até a conquista de uma etapa não foi alcançada, apesar da Efapel muito ter trabalhado e muito procurado colocar ciclistas na frente.

A pergunta foi então directa. Foi uma má Volta para a Efapel? "Em termos de resultado sim. Em termos de entrega da equipa e de tudo aquilo que conseguimos fazer durante a Volta não", respondeu Américo Silva. "As corridas contabilizam-se não propriamente pelo rendimento e empenho de cada um, mas sim pelos resultados e logicamente, nesse campo, foi uma má Volta a Portugal porque dos dois objectivos, nenhum foi conseguido: tentar chegar ao pódio e vencer uma etapa", acrescentou.

Sérgio Paulinho cedo ficou fora da discussão e Henrique Casimiro acabou por ir perdendo tempo. Contudo, Américo Silva não quis falar apenas do que os seus ciclistas fizeram: "Em termos da geral temos de dar mérito aos adversários. O Sérgio na etapa da Serra da Estrela não esteve ao seu melhor nível e na Volta a Portugal ter um dia em que não se esteja bem, já não se consegue fazer depois a diferença. Não é como no Tour que um dia não se está bem, mas noutro recupera-se. Aqui é necessário regularidade todos os dias. O Henrique esteve ao nível dele. Os adversários é que estiveram bastante melhor."

Daniel Mestre foi dos que viu a vitória de etapa escapar, mas não é de falta de sorte que Américo Silva se queixa. "Este ano as coisas não aconteceram. Vendo agora com à distância, se formos avaliar etapa a etapa, tal como não ganhámos, poderíamos ter ganho duas. Falhou não termos conseguido, mas não nos podemos recriminar por nada do que fizemos na Volta a Portugal. Temos a consciência que tudo fizemos para conseguir. O que falhou foram as circunstâncias da corrida, o ter faltado um bocadinho mais de força, ou o quer que seja, mas não recorremos à parte da sorte", salientou.

"Não nos podemos recriminar por nada do que fizemos na Volta a Portugal. Temos a consciência que tudo fizemos para conseguir"

Os ciclista da Efapel acreditaram até ao fim que poderiam pelo menos vencer a etapa, mas esta não chegou, pelo que o melhor resultado acabou por ser o 10º lugar de Henrique Casimiro, a 6:49 do vencedor, Raúl Alarcón (W52-FC Porto).

O peso da Volta nas contas finais da equipas portuguesas é enorme, mas Américo Silva destacou como a nível de temporada geral a Efapel esteve bem. A primeira vitória só chegou no final de Março, na Clássica Aldeias do Xisto, por intermédio de Daniel Mestre, mas entretanto já são nove, além de oito classificações "secundárias". Rafael Silva ainda trouxe uma medalha de bronze para Portugal nos Jogos do Mediterrâneo. O último triunfo foi num dos circuitos de Verão, com Mestre a impor-se em Nafarros.

Mas ainda há mais uma conquista na mira antes de Américo Silva se concentrar a 100% na preparação para 2019, sendo que só então se começará a perceber que equipa e que papéis dentro da estrutura terão os ciclistas que a representarem. O espanhol Marcos Jurado está na disputa pela Taça de Portugal, com apenas 28 pontos a separá-lo de David Rodrigues, da Rádio Popular-Boavista. Porém, a luta irá incluir mais ciclistas, como por exemplo, o colega de Rodrigues, Luís Gomes, António Barbio e Francisco Campos, do Miranda-Mortágua, e Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano-Uli), por exemplo. Frederico Figueiredo também está bem colocado, mas o ciclista do Sporting-Tavira está na Volta a China, que acaba este sábado.

Francisco Campos está ainda na luta pela vitória em sub-23, estando em igualdade pontual com André Carvalho, com vantagem para o ciclista da Liberty Seguros-Carglass. Hugo Nunes, também do Miranda-Mortágua, tem dez pontos de desvantagem para o duo.

A época irá terminar onde começou, na região de Aveiro. À espera do pelotão estão os últimos 151,6 quilómetros de estrada do ano, numa corrida que se inicia na Câmara Municipal de Anadia, às 11:30 de domingo, terminando cerca das 15:00, no Parque Municipal de Murtosa. Haverá duas contagens de montanha para se tentar fazer diferenças, em Talhadas e em Sever do Vouga.

É uma antecipação do final de temporada, depois do cancelamento da corrida de Tavira, que estava agendada para 6 de Outubro e que definiria o vencedor da Taça de Portugal, que será então conhecido já este domingo. O Festival de Pista de Tavira será assim novamente o local de despedida da temporada de 2018, a 5 de Outubro.


1 de julho de 2018

Marcos Jurado vence mas Barbio segura liderança na Taça de Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A Efapel continua a sua senda vencedora em 2018. Desta feita foi Marcos Jurado a conquistar uma vitória que o coloca também na disputa pela Taça de Portugal. O início de temporada ficou marcado por uma lesão no joelho e uma gripe, mas desde Abril que um dos reforços da equipa tem demonstrado o porquê da aposta de Américo Silva. O espanhol foi o mais forte na Volta a Albergaria (155,7 quilómetros), batendo ao sprint o compatriota Ángel Sánchez (W52-FC Porto) e deixando a dois segundos David de la Fuente (Aviludo-Louletano-Uli).

Numa Taça de Portugal renovada e que só será concluída no último dia da temporada, a 6 de Outubro, em Tavira, António Barbio segurou a liderança com o 15º lugar em Albergaria. Depois da vitória no Memorial Bruno Neves, a 10 de Junho, o ciclista do Miranda-Mortágua soma 85 pontos, contra os 80 de Jurado e os 73 de Pedro Paulinho, também da Efapel.

"É a minha primeira vitória da época. O meu trabalho era tentar estar no corte final, o que consegui. Nem sempre ganha sempre o que tem mais força, por vezes é o que tem mais cabeça. Sabia que o final era em subida, o que me favorecia", afirmou Jurado, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. No périplo da Efapel por Espanha, o ciclista tinha ganho as classificações das metas volantes da Volta a Castela e Leão e à Comunidade de Madrid.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Já no escalão de sub-23 houve uma mudança na frente da prova. André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass) foi quinto e soma agora 130 pontos, mais cinco que o anterior líder, Hugo Nunes e também Francisco Campos, ambos do Miranda-Mortágua. André Ramalho terminou na sétima posição, o que coloca o ciclista da Jorbi-Team José Maria Nicolau a apenas 20 pontos de Carvalho.

A Taça de Portugal regressa pouco depois da Volta a Portugal. A terceira etapa será no Grande Prémio de Mortágua, a 18 de Agosto.

A Volta a Albergaria foi também uma etapa, a quarta, da Taça de Portugal de Paraciclismo. João Monteiro (Mozinho RT Martos Pellets) ganhou em C4, enquanto Manuel Ferreira (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel) foi o mais forte em C5. Telmo Pinão (Casa do Benfica MMV/APCA/Paracycling) venceu em C2. Nas restantes categorias houve apenas um participante: João Marques (ACD Milharado/EC Manuel Martins) na classe D, Bernardo Vieira em C1, Francisco Martins em C3, João Pinto em H3, Flávio Pacheco (Sporting/Tavira-Paracycling) em H4 e Luís Costa (Sporting/Tavira – Paracycling) em H5.

Em Castelo de Vide disputaram-se os Nacionais de Juniores e Cadetes. Pedro Andrade (Vito-Feirense-BlackJack) e Rúben Silva (Silva & Vinha-ADRAP-Sentir Penafiel) foram os campeões na prova de fundo. No sábado foi dia de contra-relógios. Guilherme Mota (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) foi o mais forte em juniores e João Ferreira (Cruz de Cristo) em cadetes.

No sector feminino, depois das provas de fundo se terem realizado há uma semana em Belmonte, assim como o contra-relógio de elite (ganhou Daniela Reis), ficou-se a conhecer as campeãs no esforço individual, que são: Joana Pereira e Daniela Campos, ambas das 5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ venceram em juniores e cadetes, respectivamente, a master 30 Inês Trancoso (Maiatos-Reabnorte), a master 40 Filomena Paulo (ACD Milharado-EC Manuel Martins) e a master 50 Maria Jesus (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), categoria em que não é atribuído o título, por só terem participado duas ciclistas, sendo necessário um mínimo de três.



27 de junho de 2018

Rafael Silva conquistou mais uma medalha para Portugal

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Domingos Gonçalves voltou a tentar uma vitória épica, com uma fuga solitária. Certamente com o moral em alta depois da conquista dos títulos nacionais de contra-relógio e de estrada, o ciclista foi atrás do ouro nos Jogos do Mediterrâneo. A tentativa desta não teve o resultado desejado, mas a selecção nacional não saiu de Tarragona de mãos a abanar. Com o final a disputar-se ao sprint, Rafael Silva chegou-se, literalmente, à frente e ficou com a medalha de bronze.

O corredor da Efapel só foi batido por dois italianos: Jalel Duranti e Filippo Tagliani, medalha de ouro e prata, respectivamente. No entanto, o ciclista português considera que poderia ter conseguido algo mais nos Jogos que decorrem em Espanha. "Estou muito feliz com esta medalha, que é muito importante para mim e para Portugal. No entanto, sinto que poderia ter conquistado o primeiro lugar. Numa rotunda, a 200 metros, entrámos muito rápido e os corredores italianos que seguiam à minha frente quase caíam. Acabaram por não cair, mas eu tive de travar a fundo e perdi alguns metros, que já não foi possível recuperar para ultrapassá-los, explicou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Dos oito atletas da equipa nacional, cinco ficaram no top dez, com o mesmo tempo do vencedor. Foram eles, além de Rafael Silva, Joni Brandão (sexto), João Rodrigues (sétimo) Frederico Figueiredo (nono) e Domingos Gonçalves fechou o top 10. André Carvalho foi 18º, a 37 segundos de Duranti, Tiago Antunes 19º, a 47 segundos, e Francisco Campos 45º, a 19:34 minutos. 

"O percurso [de 143 quilómetros] era rompe-pernas, mas não tão duro quanto os gráficos indicavam. Apesar disso, as subidas deixaram o pelotão partido em vários grupos e o Domingos Gonçalves atacou de longe, procurando surpreender os adversários. A selecção italiana organizou a perseguição e contou com a ajuda da Eslovénia para anular a fuga. Restava-nos tentar chegar ao pódio no sprint e conseguimos", referiu o seleccionador José Poeira.

Da parte da tarde foi a vez das senhoras competirem, com Daniela Reis a ficar à porta do pódio. A exemplo de Domingos Gonçalves, a ciclista também conquistou os dois títulos nacionais de elite no último fim-de-semana. Os 89 quilómetros incluíram uma subida muito complicada, que não fez parte da prova masculina e que partiu muito o pelotão.

A ciclista portuguesa tentou seguir com o grupo da frente, mas Elisa Longo Borghini mostrou porque é uma das grandes referências da modalidade. A italiana cortou a meta isolada, com a espanhola Ane Santesteban a ficar a 3:18 minutos, tendo lutado pela posição com a italiana Erica Magnaldi. Daniela Reis chegou 4:20 minutos depois de Borghini. Maria Martins terminou na 19ª posição, a 24:34 minutos, e Soraia Silva na 22ª, a 28:08.

No sábado haverá nova oportunidade para ganhar medalhas. Domingos Gonçalves e Daniela Reis irão mostrar porque são os campeões nacionais. Terão de percorrer 25 e 18 quilómetros, respectivamente, com a prova a começar às 8 horas. A competição masculina será a primeira a disputar-se.

Rafael Silva juntou-se assim à lista de medalhados de Portugal, que no final da tarde passou a contar com mais um ouro, devido ao triunfo no hipismo, na competição colectiva. A equipa era composta por: Rodrigo Almeida com Isolde Vd Heffinck, António Almeida com Irene van de Kwachthoeve, Luís Sabino com Acheo Di San Patrignano e Duarte Seabra com Fernhill Curra Quinn. No total já são doze as medalhas nestes Jogos do Mediterrâneo.

Quanto aos restantes atletas que já subiram ao pódio, Melanie Santos e João Pereira conquistaram o ouro no triatlo. As três medalhas de prata foram ganhas por Fernando Pimenta (canoagem, K1 500 metros), Joana Vasconcelos (canoagem, K1 500 metros) e Ana Catarina Monteiro (natação, 200 metros mariposa). Já as medalhas de bronze foram garantidas por Ana Portela (canoagem, K1 200 metros), Alexis Santos (natação, 200 metros estilos), João Vital (natação, 400 metros estilos), Diana Durães (natação, 400 metros livres), João Costa (tiro, pistola ar comprimido) e agora Rafael Silva, na prova de fundo de ciclismo.



24 de junho de 2018

José Santos tinha razão. "Não há anos iguais". Desta vez, Domingos fez mesmo a dobradinha

Há um ano, Domingos Gonçalves parecia estar a caminho de ficar com os dois títulos nacionais. Porém, uma queda na prova de fundo, em Gondomar, estragou-lhe os planos. 12 meses depois, o gémeo da Rádio Popular-Boavista voltou a ganhar no contra-relógio. O director da equipa. José Santos, disse então que "não há anos iguais", retirando também alguma pressão do seu ciclista, quando questionado sobre a hipótese de Domingos ir novamente atrás da dobradinha. Acabou por ter toda a razão! Em 2018, o ciclista de Barcelos ficou com as duas camisolas.

Chegou isolado à meta em Belmonte, palco destes Nacionais. Porém, atrás de si, Joni Brandão fez uma perseguição feroz. Depois de uma época de estreia no Sporting-Tavira marcada por problemas de saúde, que o afastaram da competição durante muitos meses, é o próprio que diz que está de regresso à luta pelas vitórias. Ainda assim, não hesitou: "O Domingos acabou por ser campeão e foi uma vitória justa."

"Quando o Domingos arrancou eu sabia que tinha de ir com ele. Eu tive um problema mecânico e são fracções de segundo que se perdem e assim, por vezes, se decide uma corrida. Não vale a pena estar a lamentar. São coisas que acontecem", disse ao Volta ao Ciclismo. A corrida foi muito movimentada logo desde os primeiros quilómetros. E foi também muito quente. O tórrido calor teve o seu papel num pelotão que rapidamente se fragmentou. Sem surpresa, mais de metade dos ciclistas abandonaram.

César Fonte (W52-FC Porto), Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) e Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli) estão na frente, entraram na frente na última volta. A 19 segundos estavam Tiago Machado (Katusha-Alpecin), Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Henrique Casimiro (Efapel), Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) e Joni Brandão (Sporting-Tavira). A 27 aparecia João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) e António Carvalho (W52-FC Porto). Tinham andado grande parte dos 181,8 quilómetros totais da corrida juntos, mas alguns ataques foram provocando as diferenças. Foi a pouco mais de dez quilómetros da meta que Domingos Gonçalves resolveu ir sozinho. Chegou o momento de fazer mais um contra-relógio e não se deixou apanhar.

"O segredo da vitória foi conseguir poupar-me, graças à ajuda do Luís Gomes, sempre a apoiar-me. À medida que o grupo foi diminuindo, percebi que podia ganhar, porque fiz um super-contra-relógio na sexta-feira, o que é um excelente indicador. À entrada para a última volta, estiquei para me aproximar dos ciclistas que iam fugidos. Com ajuda do Tiago Machado e do Henrique Casimiro consegui fazer a junção. Depois arranquei para tentar ganhar. Ser duplo campeão enche-me de orgulho", disse Domingos Gonçalves no final da corrida.

À sua espera estava uma claque muito efusiva, liderada pelos benjamins da equipa, Francisco Moreira e João Salgado, que festejaram efusivamente a conquista. A época está a ser fortíssima para o gémeo de Barcelos (o irmão José não terminou a prova). Venceu a Clássica da Primavera e soma vários lugares no top dez. Nos Nacionais apareceu determinado e foi uma vitória de força e muito querer. Com a Volta a Portugal a aproximar-se começa a ficar a dúvida se Domingos quererá juntar-se a João Benta e Daniel Silva por algo mais do que vitórias de etapa. Foi peremptório na resposta: "A Volta não é para mim. Vou pensar fazer uma coisa ou outra nuns dias, mas depois é para os meus colegas. Eles merecem."

A camisola de campeão regressa ao pelotão nacional, depois de ter andado a ser envergada por ciclistas que estão no estrangeiro. Brandão tinha sido o último em 2013. O campeão de 2017, Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), não chegou ao fim. Inicialmente foi avançada a versão de uma queda, mas o jovem ciclista teve afinal uma indisposição que o levou ao hospital. De referir ainda que só Nelson Oliveira tinha conseguido uma dobradinha, em 2014.

Quanto a Joni Brandão, o segundo lugar tem sempre aquele sabor amargo, mas não deixou de ficar contente com a sua exibição: "Sinto-me feliz por estar na discussão das corridas. É isto que faz parte de mim." Já fez pódio na Clássica Aldeias do Xisto, apareceu forte no Grande Prémio Jornal de Notícias. Agora vem aí a Volta a Portugal. "Acho que ainda tenho de trabalhar muito. Tive parado no ano passado e há muitas coisas que tenho de trabalhar. Não me sinto na forma que costumava estar nos outros anos, mas espero conseguir estar ao nível que já estive noutros tempos", explicou. Ser campeão nacional pela segunda vez era um objectivo e vai continuar a ser em 2019, mas para já, Joni Brandão estará concentrado em apurar a sua forma.

O mesmo está a acontecer com Henrique Casimiro, que ficou com a medalha de terceiro classificado. O líder da Efapel, a par de Sérgio Paulinho, também está em crescendo de forma. "É um percurso com uma parte final que me favorece, mas só esses dois/três quilómetros. Os Nacionais são muito tácticos. Nem sempre o mais forte ganha, mas hoje sim, o mais forte ganhou", disse.

Os Nacionais, que regressaram à tutela da Federação Portuguesa de Ciclismo, encerraram assim com três dobradinhas, com um pequena nuance. Domingos Gonçalves repetiu o feito de Daniela Reis nas senhoras, enquanto nos sub-23 os títulos ficaram em família, com Ivo como campeão de contra-relógio e o irmão gémeo, Rui, como campeão de estrada.

Julho será um mês com a segunda etapa da Taça de Portugal - a Volta a Albergaria, dia 1 - o Troféu Joaquim Agostinho (12 a 15 de Julho) e a estreia do Grande Prémio Nacional 2 (18 a 22 de Julho).

Resultados (181,8 quilómetros, a uma média de 41,957 quilómetros/hora):
1º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 4:19:59 horas
2º Joni Brandão (Sporting-Tavira), a 30 segundos
3º Henrique Casimiro (Efapel), a 34
4º Tiago Machado (Katusha-Alpecin), a 40
5º César Fonte (W52-FC Porto), a 58
6º Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 1:02 minutos
7º Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:33
8º Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:42
9º João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), a 5:29
10º Bruno Silva (Efapel), a 5:36
11º António Carvalho (W52-FC Porto), a 6:14
12º Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass), a 8:58
13º Joaquim Silva (Caja Rural), m.t.
14º João Rodrigues (W52-FC Porto), a 13:49
15º Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano-Uli), m.t.
16º Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), a 13:52
17º Daniel Silva (Rádio Popular-Boavista), a 14:21
18º Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli), a 14:42
19º Paulo Silva (LA Alumínios), a 14:50
20º Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), a 15:02
21º Patrick Videira (LA Alumínios), a 15:15
22º Júlio Gonçalves (LA Alumínios), a 15:22
23º Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), a 15:42
24º Rafael Reis (Caja Rural), a 16:13
25º Luís Afonso (Vito-Feirense-BlackJack), m.t.
26º César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), a 16:14

Outros campeões:
Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - Eslováquia
Gorka Izagirre (Bahrain-Merida) - Espanha
Yves Lampaert (Quick-Step Floors) - Bélgica
Antoine Duchene (Groupama-FDJ) - Canadá
Merhawi Kudus (Dimension Data) - Eritreia

7 de junho de 2018

Ranking nacional com novo líder

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O Grande Prémio Jornal de Notícias proporcionou uma reviravolta no ranking nacional. Luís Mendonça (Aviludo-Louletanto-Uli) era o líder desde que venceu a Volta ao Alentejo, sendo que no mês passado passou a partilhar esse estatuto em parceria com Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista). No entanto, as boas exibições de Daniel Mestre na recente corrida, que decorreu entre o final de Maio e início de Junho, levaram o ciclista da Efapel a ascender ao primeiro lugar, seguido por outro corredor que esteve em destaque na prova, Joni Brandão, do Sporting-Tavira.

Mestre venceu duas etapas no Grande Prémio Jornal de Notícias e liderou durante um dia, juntando assim estes sucessos ao triunfo na Clássica Aldeias do Xisto, em Março. O ciclista alentejano soma agora 355 pontos, mais três que Joni Brandão. Domingos Gonçalves é agora terceiro (337), seguido por Luís Mendonça (304). O top dez é fechado por Rafael Silva, outro ciclista da Efapel que também triunfou por duas vezes na referida competição.

Com três ciclistas entre os dez melhores - César Fonte, Gustavo Veloso e António Carvalho, o vencedor da prova que terminou em Gaia -, a W52-FC Porto continua a cimentar a sua liderança colectivamente, somando agora 810 pontos, com o Sporting-Tavira a ter 709 e com a Efapel a tentar entrar nesta discussão, tendo agora 625. Ambas ultrapassaram a Aviludo-Louletano-Uli (583).

O melhor sub-23 continua a ser o espanhol Xuban Errazquin (Vito-Feirense-BlackJack), ainda que agora esteja em igualdade pontual - 50 - com Francisco Campos (Miranda-Mortágua)

Este ranking é elaborado pela Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais e é actualizado mensalmente.

Ranking individual

1º Daniel Mestre (Efapel), 355 pontos 
2º Jóni Brandão (Sporting-Tavira), 352 
3º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 337 
4º Luis Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), 304 
5º César Fonte (W52-FC Porto), 271 
6º Oscar Hernandez Martinez (Aviludo-Louletano-Uli), 235 
7º Edgar Pinto (Vito-Feirense-Blackjack), 216 
8º Gustavo Veloso (W52-FC Porto), 193 
9º António Carvalho (W52-FC Porto), 142 
10º Rafael Silva (Efapel), 123 

Ranking colectivo

1ª W52-FC Porto, 810 pontos 
2ª Sporting-Tavira, 709 
3ª Efapel, 625 
4ª Aviludo-Louletano-Uli, 583 
5ª Rádio Popular-Boavista, 485 

Pode ver aqui os principais resultados das equipas portuguesas e o ranking mais pormenorizado.

Nos rankings internacionais...

Chris Froome desalojou Peter Sagan da liderança do ranking mundial depois da vitória na Volta a Itália, somando 4918,43 pontos, contra os 3753 do eslovaco, com Elia Viviani a fechar o pódio (3331). Rui Costa é o melhor português. O ciclista da UAE Team Emirates ocupa a 75ª posição, com 858 pontos. A nível de países é a Itália que lidera (15277,57), à frente da Bélgica (14179,07) e França (11636).

Quanto ao ranking World Tour, Sagan mantém-se firme em primeiro, com 1914 pontos, seguido de Alejandro Valverde (1682) e Simon Yates (1472). Mais uma vez é Rui Costa o melhor português: 54º, com 432 pontos. Sem surpresa a Quick-Step Floors não tem concorrência dada a senda vencedora este ano: 38. Soma 7979 pontos, com a Mitchelton-Scott em segundo (5462,99) e a Bora-Hansgrohe em terceiro (5460).

24 de maio de 2018

"Pensei que ia custar-me mais, mas a verdade é que estou muito, muito bem"

Marcos Jurado não vira a cara à luta. Desde muito novo que tudo tem feito para ter uma carreira no ciclismo. Aos 21 anos viveu um momento que o marcou e que o leva agora a dizer que nunca baixa os braços para tentar alcançar as metas que define. A Efapel contratou-o esta época e depois de um início mais discreto, o corredor espanhol começou a aparecer e logo nas corridas no seu país. Agora quer demonstrar a sua boa forma em Portugal e os seus objectivos passam em seguir à risca tudo o que o seu director desportivo lhe pedir, seja em trabalho para a equipa, seja em tentar estar em fugas, esperando que também surja a possibilidade de se mostrar numa especialidade que tanto gosta, o contra-relógio.

Uma fotografia de Junho de 2012, publicada no jornal Marca, mostra um Jurado incapaz de conter as lágrimas depois de se sagrar campeão nacional de sub-23 no esforço individual. Aquela imagem contribuiu para tornar Jurado num exemplo do que muitos ciclistas espanhóis viviam então. Natural da região de Castilla-La Mancha, a falta de subsídio para a federação da zona, fez com que a única possibilidade de estar nos Nacionais passasse por pagar do próprio bolso. A equipa Caja Rural ajudou cedendo um autocarro e dois carros par que os ciclistas da região tivessem o mínimo de condições. Aqueles Nacionais não mais seriam esquecidos por Jurado. Além das questões financeiras, um problema de saúde prejudicou-lhe a preparação. O ciclista chegou a Salamanca e contra tudo e contra todos ganhou o título. "Foi marcante. Foi o lutar contra a corrente para estar ali. Foi muito emotivo", recordou.

Antes deste momento, Jurado tinha feito as malas para se mudar para o País Basco para procurar maiores garantias de conseguir chegar ao profissionalismo. "Tive de lutar muito [para ter uma carreira]. O ciclismo está muito concentrado no País Basco. É lá que estão as melhores equipas e as melhores corridas", explicou ao Volta ao Ciclismo. A modalidade em Espanha tem tido algumas das grandes referências mundiais - Miguel Indurain, Alberto Contador... -, no entanto, no que diz respeito a equipas ao mais alto nível, o país tem actualmente a Movistar no World Tour e há algum tempo que só tinha a Caja Rural no segundo escalão. Este ano, duas das principais estruturas Continentais (terceiro escalão), a Euskadi-Murias e a Burgos-BH subiram de categoria.

"Escolhi a [proposta] que considerei ser a melhor para mim. O que eu queria era continuar a minha carreira"

Jurado estava na última no ano passado e não esconde que foi difícil não poder continuar, numa altura em que a equipa ia passar para outro nível, o que também significaria uma porta mais aberta para estar na Volta a Espanha, o que irá acontecer. "Sim, custou [sair]. Mas no final não houve entendimento e tinha a proposta da Efapel. Escolhi a que considerei ser a melhor para mim. O que eu queria era continuar a minha carreira", salientou.

Com praticamente meia temporada já cumprida, Marcos Jurado (27 anos) não tem dúvidas que a mudança para a equipa portuguesa foi a ideal, apesar de inicialmente ter algum receio devido ao idioma e por ser uma formação estrangeira, ainda que não seja a sua primeira aventura fora de Espanha, já que representou uma equipa sérvia durante quatro meses, em 2014. "Pensei que ia custar-me mais, mas a verdade é que estou muito, muito bem [na Efapel]", afirmou. Jurado referiu que uma lesão no joelho e uma gripe limitaram a sua forma física nas primeiras corridas do ano. Porém, recentemente venceu as classificações das metas volantes na Volta a Castela e Leão e na Volta à Comunidade de Madrid. Não há segredos, nem fórmulas extraordinárias para a subida de forma: "Estou a seguir os conselhos do Américo  [Silva, director desportivo] e do meu preparador."

Para a restante temporada, Jurado gostaria de, a nível pessoal, mostrar-se em algum contra-relógio, por exemplo, mas não é um ciclista que fique muito tempo a falar na primeira pessoa. O espanhol fala em "nós", no colectivo da Efapel que quer ajudar a cumprir os grandes objectivos.

É um ciclista de equipa por excelência e na Efapel está a demonstrar isso mesmo. No entanto, depois de em muito jovem ter chamado alguma atenção, será que Jurado sente que lhe falta dar algo mais? Responde que sim, puxando o assunto de novo para o contra-relógio, mas acrescentando de imediato que a nível profissional é muito mais complicado obter os resultados que teve enquanto sub-23. E pensará em regressar a uma equipa no seu país? "Vamos por partes. Por agora, estou bem aqui."


8 de maio de 2018

"Sou o irmão do Sérgio, mas deram-me valor como o Pedro"

Ter a oportunidade de estar ao lado do irmão foi especial. Porém, para Pedro Paulinho, a mudança para a Efapel deu-se principalmente porque lhe foi oferecida a possibilidade de ser ele próprio e não pelos laços familiares com um dos ciclistas que marca a história da modalidade em Portugal. Agradece ao Louletano pelo ano que lá passou, realçando como foi muito bem tratado, mas não esconde: "Na Efapel há um ambiente no qual me revejo como pessoa." E acrescentou: Sou o irmão do Sérgio, mas deram-me valor como o Pedro, deram-me o valor que eu merecia e senti-me em casa."

Depois de uma passagem de poucos meses na estrutura italiana da Ceramica Flaminia-Fondriest, na qual foi colega de Rafael Reis, Pedro Paulinho encontrou estabilidade para o arranque da sua carreira profissional na LA Alumínios-Antarte. Foram quatro anos na equipa até que esta terminou. Então, o irmão, Sérgio, já era um medalhado olímpico (prata nos Jogos de Atenas 2004) e um dos mais destacados gregários do pelotão internacional, com vitórias em etapas no Tour e na Vuelta. Pedro fez o seu caminho, mesmo que o apelido nunca passasse despercebido. Há que recordar que são dez anos de diferença entre os irmãos. Sprinter por excelência, Pedro tornou-se também ele num homem de trabalho, mas aos 27 anos está determinado em conquistar uma grande vitória. Por ele e, claro, pela Efapel, pois nunca deixa de falar no colectivo, apesar dos objectivos pessoais.

"O problema dos sprinters são as montanhas e em Portugal é sempre complicado encontrar etapas planas. Mesmo na Volta ao Alentejo começa a haver muitas subidas, mas a vida de sprinter é assim e temos de saber dar a volta", salientou ao Volta ao Ciclismo. "O objectivo pessoal é sempre a Volta a Portugal. Mesmo que não sejamos chamados, temos de estar sempre bem. No ano passado fui chamado a dois dias do início. Por acaso tinha-me aplicado bem e isso serviu-me de exemplo", recordou o ciclista, que recebeu a convocatória à última hora para substituir Luís Mendonça, que tinha sofrido uma agressão durante um treino, tendo fracturado o braço.

Contudo, Pedro Paulinho tem no seu pensamento mais do que a Volta. Está à espera de conhecer o percurso dos Nacionais, gostaria de apontar a uma etapa no Troféu Joaquim Agostinho e... "Vão haver coisas novas. Vamos ver como corre", disse. "Acho que já deixei a minha marca, mas uma vitória importante como na Volta a Portugal, no Joaquim Agostinho, Nacionais... sinto que posso alcançá-la, mas é preciso aquela sorte de atleta e às vezes não temos isso. Mas temos de continuar a procurá-la e é o que tenho feito", realçou.


"Esta equipa tem sempre pressão, porque é uma equipa que ganha e não vai ficar à espera dos outros. Nós próprios metemos a pressão de que queremos ganhar. A grandeza da Efapel está aí"

E a sorte foi algo que toda a Efapel andou em busca na primeira fase da temporada. Apesar de colocar ciclistas na luta, a vitória só chegou na Clássica Aldeias do Xisto. Para Pedro Paulinho é o espírito de equipa que faz a diferença nesta estrutura. "Eram só azares atrás de azares, mas sempre dissemos que a sorte haveria de chegar e vencemos na Clássica Aldeias do Xisto. Foi muito bom vencer em casa, mas o importante é a união. Mesmo que não ganhemos, na corrida seguinte estamos lá para lutar novamente", afirmou. Paulinho deixou ainda um alerta ao que podem continuar à espera da Efapel: "Esta equipa tem sempre pressão, porque é uma equipa que ganha e não vai ficar à espera dos outros. Nós próprios metemos a pressão de que queremos ganhar. A grandeza da Efapel está aí."

O ciclista recordou como os primeiros contactos para uma eventual mudança para esta equipa aconteceram há dois anos. No entanto, o se ter proporcionado este ano poderá ter tido alguma influência de Sérgio Paulinho... "Se calhar o meu irmão também foi uma pequena ajuda", admitiu, acrescentando de imediato: "É um sonho realizado correr na mesma equipa que o irmão... se calhar do próprio ídolo!"

A recuperar a melhor forma depois de uma lesão e de uma gripe que não ajudou nada, Paulinho acredita que está a corresponder com tudo o que lhe é pedido na Efapel. "Tento ajudar o máximo possível. A equipa está muito bem servida. Quando são as etapas de montanha ajudo em ir buscar água e na colocação [dos colegas]. É um trabalho invisível, mas essencial", referiu, esperando agora por aquela oportunidade de ele próprio dar uma vitória à Efapel.

Paulinho falou ainda de como sente que nesta equipa tem "uma maior responsabilidade" tendo em conta "a importância que a Efapel tem no ciclismo português" e reitera o ambiente que tanto o cativa entre ciclistas e staff: "Quero mostrar o meu valor. Este espírito de grupo motiva-me a procurar ainda mais as vitórias e se não conseguirmos, continuamos a tentar... É esse espírito que eu gosto e acho que estou na equipa ideal."

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