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4 de julho de 2017

Para quê o cotovelo? Sagan foi expulso da Volta a França

(Imagem: Print screen)
Mark Cavendish não é nenhum santo. Entre cabeçadas e empurrões, o britânico já foi responsável por alguns sprints perigosos e que colocaram em risco a integridade física de outros ciclistas. Desta vez, Cavendish esteve do outro lado destes incidentes. Quando tentava ultrapassar Peter Sagan pela direita, junto às barreiras, o eslovaco deu-lhe um "chega para lá" com o cotovelo, provocando a queda do corredor da Dimension Data. E que queda feia! Cavendish foi desamparado contra as barreiras e ao cair ainda teve John Degenkolb a passar-lhe por cima da cabeça (alguém ainda dúvida que o capacete só traz benefícios?) e Ben Swift também não conseguiu evitar o choque, tendo também caído.

As explicações não fazem jus ao que aconteceu. As imagens mostram claramente o acto irresponsável do bi-campeão do mundo. Foi um sprint no qual quase todos fizeram algo irregular, no que diz respeito às mudanças de direcção. Cavendish tentou passar pelo buraco da agulha. Se Sagan não tem levantado o cotovelo, ambos ter-se-iam provavelmente tocado e fosse qual fosse o resultado desse contacto, tal seria considerado quase de certeza um incidente de corrida. Mas Sagan levantou o cotovelo e se lhe só lhe ficou bem ter ido directamente para junto do autocarro da Dimension Data para saber como estava Cavendish, o eslovaco sabia bem que dificilmente escaparia a uma sanção. A personalidade de Sagan é bem conhecida e a preocupação terá sido genuína, mas este será um acto que deixará uma mancha numa grande carreira que certamente irá ainda contar com actos bem mais louváveis.

Pode ver o que aconteceu no vídeo em baixo que começa segundos antes do incidente (texto continua em baixo).


Flamme rouge - Étape 4 / Stage 4 - Tour de... por tourdefrance

Inicialmente o ciclista da Bora-Hansgrohe foi penalizado com 30 segundos e 95 pontos na classificação pela camisola verde. A Dimension Data não concordou e protestou. Pouco depois, Philippe Marien, presidente do colégio de comissários, anunciou a decisão mais radical: "Decidimos desqualificar o Peter Sagan da Volta a França 2017 depois do sprint tumultuoso, aqui em Vittel. Ele colocou em perigo vários ciclistas. O Mark Cavendish e outros ficaram implicados na queda nos metros finais do sprint."

Apesar de ter ficado no chão após a queda e ter sido necessário a equipa médica ajudar no local o ciclista, Cavendish acabou por cortar a meta e antes de ir para a ambulância ainda falou com os jornalistas. "Eu dou-me bem com o Peter e uma queda é uma queda, mas gostava de saber sobre aquele cotovelo", afirmou o britânico. Logo após o final da etapa, Sagan referiu que não viu Cavendish a tentar passá-lo pela direita, considerando que tinha sido um incidente de corrida. A Bora-Hansgrohe contestou a decisão dos comissários.

As regras prevêem que um ciclista seja expulso apenas à terceira ofensa a não ser que seja considerado que tenha tido um comportamento perigoso. Foi o que os comissários acharam ter acontecido. Sagan foi ainda multado em 200 francos suíços (cerca de 183 euros).

Por volta da meia-noite a Dimension Data confirmou a pior das expectativas: Cavendish está fora do Tour devido a uma fractura na omoplata. Não terá de ser operado, mas está fora de questão continuar na corrida. O britânico esteve muito tempo afastado das corridas devido a uma mononucleose. Optou por ir à Volta a França apesar de não estar na melhor forma. O sprinter disse que se estivesse em casa então não teria mesmo hipótese de tentar ganhar uma etapa. Não se aproximou ainda mais do recorde de Eddy Merckx (está a quatro triunfos de igualar o belga) e está mesmo a ser uma temporada para esquecer.

De recordar que também na Volta a Itália um ciclista foi expulso. Javier Moreno (Bahrain-Merida) foi mandado para casa depois de ter empurrado Diego Rosa (Sky), curiosamente também durante a quarta etapa. Mas na Volta à França também já não é novidade. Em 2010, por exemplo, o lançador de Cavendish, Mark Renshaw, foi mandado embora depois de cabeceado outro ciclista durante a preparação de um sprint. Mais insólito foi o caso de Jeroen Blijlevens. Chegou mesmo a acabar a corrida nos Campos Elísios, mas os seus resultados foram eliminados depois de uma "troca de mimos" com Bobby Julich, que teve de ser interrompida pelos comissários.

E tudo muda...

Ainda há um dia aqui se escreveu como Peter Sagan parecia ter maior concorrência na luta pela camisola verde. Um cotovelo depois e o eslovaco perde a oportunidade de igualar o recorde de Erik Zabel, conquistando pela sexta vez consecutiva a classificação dos pontos. Sagan venceu a terceira etapa do Tour e até foi segundo na quarta, antes de ser desqualificado, o que faz com que o último resultado já não conte para o currículo.

O incidente com Cavendish acabou por passar para segundo plano uma vitória marcante para Arnaud Démare e para a França. O campeão nacional conquistou finalmente um triunfo no Tour e vestiu também a camisola verde. Desde 2006 que um francês não ganhava uma etapa ao sprint. A última tinha sido por intermédio de Jimmy Casper. 

"É uma vitória extraordinária, maravilhosa. Sonhava em ganhar uma etapa na Volta a França desde que me tornei profissional", afirmou Arnaud Démare. Aos 25 anos, o sprinter da FDJ soma a segunda grande vitória na carreira, depois de em 2016 ter conquistado a Milano-Sanremo.

Antes da queda que gerou toda a confusão em redor de Sagan e Cavendish, uma outra, metros antes voltou a assustar a Sky. Na segunda etapa foi Chris Froome um dos afectados, desta vez foi Geraint Thomas. O líder do Tour terminou a tirada e garantiu que está tudo bem com ele, estando pronto para enfrentar a primeira chegada em alto da corrida.

Veja aqui a classificação da quarta etapa.

O primeiro teste


Etapa curta e a pedir ataques. Depois das maratonas de 200 quilómetros dos dias anteriores, serão "apenas" 160,5 entre Vittel e La Planche des Belles Filles. Grande parte da etapa será plana, mas a cerca de 60 quilómetros do fim irá começar a verdadeira acção. Haverá uma terceira categoria para aquecer um pouco o pelotão, que terá nos últimos 5,9 quilómetros uma subida que poderá ser aproveitada para alguns homens da geral tentar recuperar o tempo perdido no contra-relógio.


De recordar que Chris Froome tem mais de 30 segundos sobre os principais adversários e é precisamente nele que se centrarão parte das atenções. O britânico da Sky teve uma época tão estranhamente discreta que há um enorme desejo em perceber como está o ciclista. Não deverá haver grandes decisões na quinta etapa, mas espera-se alguns testes.

A derradeira subida tem uma pendente média de 8,5%, mas maioria está a acima dos 10%, com a zona da meta a ser a mais difícil com 20%.

(Texto actualizado às 01:20 com a confirmação que Cavendish está fora da Volta a França e com o protesto da Bora-Hansgrohe.)


Résumé - Étape 4 - Tour de France 2017 por tourdefrance

17 de maio de 2017

E a vitória ali tão perto para Rui Costa

Rui Costa foi segundo na 11ª etapa da Volta a Itália (Fotografia: Giro d'Italia)
Ao cortar a meta Rui Costa abanava a cabeça. O ciclista da UAE Team Emirates sabia que tinha perdido uma excelente oportunidade para conquistar uma etapa na Volta a Itália e juntar-se assim a Acácio da Silva, o único português a vencer naquela corrida (cinco etapas) e que inclusivamente vestiu de rosa. A vitória parecia estar ali tão perto, mas Omar Fraile estragou a festa de Rui Costa, ainda que se tenha de dar muito mérito ao espanhol da Dimension Data que fez uma etapa brilhante.

"Tentei a minha sorte com o ataque, mas o Omar Fraile foi mais forte. Dou-lhe os parabéns. Eu bem queria dar-vos uma vitória e à equipa, mas as minhas forças já estavam no limite. O meu corpo já não podia mais", escreveu Rui Costa no seu blogue. O campeão do mundo de 2013 iniciou a etapa na cidade onde conquistou esse título, Florença. Inspirado ou não por esse facto, o poveiro integrou a fuga que teve surpreendentemente Andrey Amador (Movistar) como um dos intervenientes. Mas já lá vamos. Mikel Landa e Omar Fraile estiveram na liderança, mas foram alcançados pelo grupo de Rui Costa. Enquanto Landa deixou-se ficar para trás e perdeu mais 13:26 minutos, Fraile aguentou, com o objectivo de somar os pontos da montanha, sem afastar a hipótese de ainda batalhar pela etapa. Na última subida do dia Rui Costa atacou, mas a companhia de Pierre Rolland (Cannondale-Drapac) e Laurens de Plus (Quick-Step Floors) de nada lhe valeu. Rolland persistiu, foi apanhado pouco antes do final da subida por Fraile e os dois uniram esforços na descida.

Rui Costa voltou a escolher o momento para tirar os 12 segundos de desvantagem para chegar-se à frente. Mesmo com Tanel Kangert (Astana) já no grupo nos metros finais, o português era o favorito. Via-se que estava preocupado com Omar Fraile, tentando sempre manter um olho no espanhol. E tinha razão ao pensar que era dali que vinha o maior perigo. No sprint o espanhol foi mais forte, mesmo depois dos muitos quilómetros em fuga com Mikel Landa. Primeira vitória do World Tour para Fraile. A Rui Costa escapou-lhe a desejada etapa no Giro, mas todo aquele trabalho para apanhar Fraile e Rolland acabou por ter o seu preço no final.

"Ainda falta muito Giro e as tentativas não vão ficar por aqui", escreveu. A viver uma época muito positiva, vencer na Volta a Itália seria verdadeiramente especial para o ciclista português, até porque é a primeira vez que participa nesta grande volta. Visto que o grupo dos favoritos não apanhou a fuga, Rui Costa ganhou algum tempo e subiu à 15ª posição, a 6:29 de Tom Dumoulin.

Quantos aos outros portugueses, José Gonçalves (Katusha-Alpecin) terminou no 67º lugar, a 9:26. José Mendes (Bora-Hansgrohe) foi 49º, a 4:27 de Fraile.


A jogada da Movistar

Andrey Amador na fuga poderia parecer estranho tendo em conta que o ciclista da Costa Rica tem tudo para ser um dos homens mais importantes no apoio a Nairo Quintana. No entanto, a jogada poderá ter resultados interessantes. Ao contrário do que aconteceu em 2016 em que se gerou alguma confusão com Amador e Alejandro Valverde e sobre quem era o líder, este ano não há dúvidas: Quintana é o número um, sem discussão, Amador é o joker. Na edição passada Amador chegou inclusive a andar de rosa e em anos anteriores obteve excelentes resultados. Agora sabe que terá de esperar mais um ano para ter novamente a sua oportunidade e o facto de ter estado na fuga foi uma forma de pressionar as outras equipas, pois o próprio Amador garante que não está na luta pela vitória.

O ciclista da Costa Rica subiu ao sexto lugar e tem 3:05 minutos a mais que Dumoulin. Este posicionamento pode tornar-se numa dor de cabeça para as formações rivais da Movistar. Em vez de se manter apenas no apoio a Quintana, Amador pode muito bem tentar abanar as etapas e irá obrigar as equipas a persegui-lo. Tal poderá significar maior descanso para a Movistar e um desgaste de formações que não têm o poderio da equipa espanhola. Podem sempre deixar Amador afastar-se, mas tal poderia colocá-lo como um verdadeiro candidato. Se tal vier a acontecer (improvável, mas é melhor não dizer nunca) poderá criar um verdadeiro reboliço na corrida e eventualmente na própria Movistar se Quintana tiver um mau dia. Para já, Amador é o joker perfeito para gerar alguma confusão na Sunweb, FDJ, Trek-Segafredo e Bahrain-Merida. E há que não esquecer, no contra-relógio, este ciclista não tem nada de parecido com Quintana, defendendo-se muito bem.

Quintana esteve tranquilo, depois de ontem ter perdido mais de dois minutos para Tom Dumoulin. O colombiano sabe que haverá etapas mais apropriadas para ele. Já Vincenzo Nibali tentou atacar na descida, o mesmo aconteceu com Thibaut Pinot - atacou pouco antes do final da subida -, ainda que talvez a intenção fosse mais ganhar alguma distância num terreno que não lhe é muito propício e assim evitar perder tempo. Bauke Mollema não se mostrou muito descansado, mas não perdeu tempo. Já a Sunweb passou este primeiro teste e no final Tom Dumoulin até considerou que o dia não foi muito difícil, tendo em conta que esperava bem pior, com mais ataques à sua liderança.

Mal esteve Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo) que perdeu mais 2:25 minutos e até o top 10 começa a fugir, mas Tejay van Garderen fez ainda pior: chegou a 21:20 minutos de Omar Fraile. Não é gralha, é mesmo mau de mais para ser verdade para o líder da BMC.


Giro d'Italia - Stage 11 - Highlights por giroditalia

O Giro vai entrar numa fase mais tranquila. Esta quinta-feira até começa com uma segunda categoria e depois uma terceira. Mas seguir-se-ão muitos quilómetros relativamente planos No total serão 229 entre Forlì e Reggio Emilia. Um bom dia para uma fuga triunfar, a não ser que os sprinters passem bem as subidas e tentem disputar a etapa. Caso não conseguiam, sexta-feira é mesmo para eles. Etapa será completamente plana.


No fim-de-semana os candidatos voltarão à acção e atenção à etapa de domingo, que poderá estar na agenda de Rui Costa. Segunda-feira será dia de descanso, seguindo-se a brutal terceira semana do Giro.

»»Show de Tom Dumoulin no contra-relógio. Mas será que pode mesmo ganhar o Giro?««

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A indefinição de Cavendish: "Posso voltar daqui a 10 dias ou daqui a um ano"

(Fotografia: Scott Mitchell/Dimension Data)
Mark Cavendish foi visitar os seus companheiros da Dimension Data, no arranque da 11ª etapa do Giro em Florença. O ciclista britânico vive na zona da Toscana e aproveitou a proximidade para matar algumas saudades. E Cavendish admite que são muitas. Desde a Milano-Sanremo, a 17 de Março que o ciclista está longe da competição. Em Abril foi-lhe diagnosticado uma mononucleose e desde então que o grande objectivo da temporada está em causa: conquistar etapas no Tour e tentar chegar ao recorde de Eddy Merckx (falta apenas quatro vitórias para igualar). No entanto, nada garante que o sprinter consiga estar na Volta a França e a indefinição quanto ao seu futuro é grande.

"Sinto mesmo a falta [das corridas]. Tenho assistido ao Giro e à Volta à Califórnia na televisão, mas é só isso que posso fazer, ver na televisão. Não posso fazer mais nada senão treinar. É um pouco difícil, mas vir aqui ver os meus amigos e companheiros de equipa tem sido muito bom", confessou Cavendish. O britânico bem parecia estar a precisar de uma dose de motivação, pois realçou que não sabe quando estará preparado para regressar à competição: "Não posso estabelecer uma data para o meu regresso. Posso voltar daqui a 10 dias ou daqui a um ano. Vou continuar a treinar e logo se vê."

Cavendish só recentemente voltou a andar de bicicleta, depois de algumas semanas de repouso. "Não me sinto doente, apenas um pouco fora de forma. Foi muito tempo fora da bicicleta. Em alguns dias sinto-me no topo do mundo, noutros dias não, mas pelo menos estou a andar na minha bicicleta e isso é o mais importante", realçou.

Apesar da mononucleose não permitir que se possa definir um regresso, já que é uma doença que não tem cura e mesmo que Cavendish recupere poderá sempre ter uma recaída, a Dimension Data mantém-se fiel ao plano de ter a sua principal estrela na Volta a França.

O director desportivo da equipa sul-africana, Rolf Aldag, explicou que não há qualquer pressão a ser colocada no atleta para voltar à competição, pois o importante neste momento é que recupere. O regresso aos treinos de Mark Cavendish está a ser monitorizado ao pormenor: "Todos os dias ele preenche um questionário a indicar como dormiu, como se sente, se está cansado e todas as vezes ele tem de indicar numa escala como se está a sentir em cada uma das perguntas. Ele também faz análises regulares ao sangue para se controlar os seus valores."

Aldag disse ainda ao jornal belga Het Nieuwsblad, que para já se mantém o plano da Volta a França, mas caso se confirme o pior cenário e a Dimension Data não possa contar com o seu sprinter, o responsável destacou que será então necessário aceitar esse facto e encarar a corrida de outra forma. Mas para já, a crença é que Cavendish vai estar no Tour e Rolf Aldag nem está preocupado que o britânico tenha pouca competição nas pernas. "Se ele estiver com um bom treino, isso será bom, mas claro que um ciclista ganha a sua confiança se conseguir vencer", referiu.

Em 2016, a Volta à Califórnia e a Volta à Eslovénia foram as corridas escolhidas para preparar o Tour. A prova americana, Cavendish está a vê-la pela televisão, mas Aldag espera que o seu ciclista possa estar na Eslovénia de 15 a 18 de Junho, ou seja, 15 dias antes do arranque da Volta a França.

Beñat Intxausti, o caso que assusta Cavendish

Há um exemplo que certamente deixa Mark Cavendish muito preocupado. Em Março de 2016 Beñat Intxausti foi diagnosticado com mononucleose, pouco depois de ter sido terceiro na geral da Volta à Comunidade Valenciana. O ciclista espanhol pensava que se estava a consolidar na sua nova equipa, a Sky, mas tudo mudou rapidamente. Intxausti regressou à competição em Junho, completou a Volta à Eslovénia, mas desistiu na terceira etapa da Volta à Polónia, a 7 de Julho. Desde então, nunca mais foi visto. O espanhol teve uma recaída e até agora não conseguiu recuperar para regressar à competição.

Em Novembro o ciclista pensou que o pior já tinha passado, participou numas corridas de ciclocross e iniciou um plano de treino para aparecer forte em 2017. No entanto, os sintomas regressaram e o ano passa sem que haja sinais de Intxausti. Para agravar a situação, o contrato com a Sky termina em Dezembro e o ciclista de 31 anos poderá ter de enfrentar o final da carreira mais cedo do que esperava. Para já, a equipa limita-se a dizer que está a dar todo o apoio ao seu ciclista.

Cavendish completa 32 anos a 21 de Maio e apesar de para já se manter focado na sua recuperação e inevitável não sentir alguma preocupação quanto ao seu futuro no ciclismo.

A mononucleose é causada pelo vírus Epstein-Barr, transmitido através da saliva. Entre os sintomas está o cansaço - que foi um dos que fez Cavendish suspeitar que algo estava mal com a sua saúde -, mas também pode manifestar-se através de febre, dor de cabeça, garganta, abdominal e pálpebras inchadas, entre outros. Não havendo uma cura específica, com repouso os sintomas deverão ir reduzindo ao longo de uma ou duas semanas. No entanto, podem voltar. Em alguns casos poderá ser necessário a prescrição de anti-inflamatórios ou analgésicos.

11 de maio de 2017

Selfie sticks estão a tornar-se um problema para o pelotão

(Fotografia: Giro d'Italia)
Com tantas questões em que é necessário promover mudanças em prol da seguranças dos ciclistas, esta Volta a Itália está a deixar claro como os atletas têm uma nova preocupação e de difícil resolução: os selfie sticks. Não é algo novo, mas com as estreitas estradas na Sicília a serem perigosas por si só, com o elevado número de público a fazer com que muitas pessoas "invadissem" a estrada para tentar ver melhor ou tirar fotografias, o risco ficou ainda maior pois o fenómeno das selfies no ciclismo tem sido tirar uma quando o pelotão vai a passar, ou então fazer um vídeo em que se aparece com os ciclistas ao lado, por vezes a grande velocidade. Ou seja, viram as costas aos corredores, o que tem provocado uns valentes sustos, mas também já causou choques e inclusivamente quedas.

A mais recente vítima foi Kristian Sbaragli. Apesar da corrida ter entrado no continente, a procura pelas selfies durante a corrida continuaram e o italiano da Dimension Data escreveu - e juntou uma fotografia - no Twitter que foi atingido por uma pessoa que estava a fazer uma selfie. "Não sei como não cai. Por favor respeitem-nos, isto não é um jogo de computador", lê-se na mensagem (ver em baixo).

Pior aconteceu a Rory Sutherland. O ciclista da Movistar apareceu nas imagens de ontem na televisão fora da bicicleta e um pouco abalado. Agora sabe-se que caiu devido aos adeptos que estavam na estrada. "Os selfie sticks são a nova moda, as pessoas querem tirar fotografias com os ciclistas. A beleza do ciclismo é que podem aproximar-se dos atletas, mas é demasiado quando estão a tocar-lhes", alerta o australiano. Na etapa de hoje, foi o colega Andrey Amador que apanhou um susto, não por um selfie stick, mas porque uma criança estava com os pés na estrada. Felizmente Amador conseguiu desviar-se, mas ao fazê-lo foi por pouco que não provocou uma queda no pelotão.

Franco Pellizotti (Bahrain-Merida) tem muitos anos de ciclismo e já viu um pouco de tudo. O italiano deixa o alerta do perigo que é virar as costas ao pelotão para tirar fotografias. "Não é a primeira vez que vemos os fãs com os selfie sticks e de costas voltadas para o pelotão. Isso é perigoso. Se nos vêem chegar desviam-se, mas de costas voltadas, não nos vêem. Têm de estar atentos", avisa Pellizotti.

Nas redes sociais é possível encontrar algumas dessas fotografias e uns vídeos que até arrepiam dada a proximidade com que os ciclistas acabam por passar das pessoas que naquele momento nem se apercebem do perigo em que estão e que estão a provocar aos corredores.

Como se resolve este problema? Civismo e responsabilidade, é tudo o que os ciclistas podem esperar e pedir que os adeptos tenham.

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6 de maio de 2017

Greipel em máxima potência já tem a sua maglia rosa

Greipel já tem a sua maglia rosa (Fotografia. Giro d'Italia)
Não foi à primeira, foi à segunda. André Greipel conseguiu a maglia rosa que tanto ambicionava, cumprindo assim um dos objectivos da temporada, além de vencer mais uma etapa na Volta a Itália. E já lá vão sete. É preciso recuar oito anos para ver Greipel com a camisola da liderança numa grande volta, tendo-a vestido na Vuelta. Por isso, compreende-se a vontade que tinha em ter a camisola rosa, num ano em que a corrida italiana não começou com um contra-relógio - que normalmente dificulta esse plano aos sprinters - e claro, é o Giro100. Mais uma estatística e esta é bem impressionante: desde 2008 que Greipel vence pelo menos uma etapa numa grande volta.

Na sexta-feira, o alemão da Lotto Soudal viu Lukas Pöstlberger escapar no último 1,5 quilómetro, mas mostrou ser um bom perdedor, elogiando a forma com o austríaco aproveitou a situação para viver um momento histórico para ele, para a Bora-Hansgrohe e para o seu país. Desta vez as equipas dos sprinters não se deixaram surpreender e quando se viu um camisola rosa chegar-se à frente, rapidamente a Orica-Scott tratou de colocar Pöstlberger um pouco mais para trás, ainda que o austríaco estivesse a tentar colocar Sam Bennet. Mas compreende-se a urgência da equipa australiana, na primeira etapa também foi na tentativa de colocar o seu sprinter que Pöstlberger acabou por ganhar uma pequena, mas valiosa vantagem.
Momento do sprint (Fotografia: Giro d'Italia)

Porém, o trabalho da Orica-Scott ficou estragado quando Caleb Ewan viu o pé sair do encaixe do pedal, no momento em que disputava o sprint com Fernando Gaviria (Quick-Step Floors). Greipel arrancou de trás e arrumou com a concorrência ao colocar em acção toda a sua conhecida potência, atingindo uma velocidade de 68,8 quilómetros/hora.

Tanto Ewan como Greipel sabiam que podiam chegar à liderança, pois ontem foram segundo e terceiro, respectivamente, tendo bonificado. Se Pöstlberger não ficasse os três primeiros, como era expectável, um deles ficava com a maglia rosa. O azar deixou Ewan devastado, mas ainda assim confiante que poderá vencer uma etapa, apesar das oportunidades não serem muitas.

O segundo dia do Giro100, entre Olbia e Tortolì, foi mais uma maratona acima dos 200 quilómetros (mais precisamente 221). Os sprinters lá sobreviveram à subida de segunda categoria, uns melhores do que outros, e conseguiram discutir a etapa. No entanto, uma das figuras do dia voltou a ser Daniel Teklehaimanot. O ciclista da Eritreia já ontem tinha tentado ser líder ou da classificação da montanha ou por pontos, mas não conseguiu nenhuma. Hoje atacou na subida a Genna Silana e apesar da resposta de Cesare Benedetti, então o dono da camisola azul, o homem da Dimension Data conseguiu a liderança por que tanto lutou. Isto significa que a Bora-Hansgrohe depois de começar o Giro com as camisolas todas, agora ficou só com a branca, da liderança da juventude.

E uma palavra para Pöstlberger. O jovem austríaco sabia que estava a viver um dia único (bom, certamente que espera alcançar mais vitórias, mas a da primeira etapa no Giro, por tudo o que significou, será única) e soube aproveitar muito bem o momento. Na referida subida chegou inclusivamente a tentar responder ao ataque, como um verdadeiro líder. Não conseguiu aguentar o ritmo, mas foi bonito de se ver. Contudo, comprovando que apesar de vestido de rosa sabia perfeitamente a sua função, voltou a tentar colocar Sam Bennett no sprint. Quantas vezes vemos um líder de uma grande volta fazer isso? Depois do momento de glória, chegou a altura de se perceber como irá Pöstlberger evoluir no futuro próximo e tirar partido do que viveu, algo que foi verdadeiramente especial.


Giro d'Italia - Stage 2 - Highlights por giroditalia


Quando aos portugueses, Rui Costa (UAE Team Emirates) foi 10º e José Mendes (Bora-Hansgrohe) 77º, ambos com o mesmo tempo de André Greipel. Já José Gonçalves teve um dia mais difícil porque o seu líder, Ilnur Zakarin, teve um problema mecânico já perto do final da etapa. Trocou de bicicleta e foi obrigado a uma recuperação, na qual participou praticamente toda a Katusha-Alpecin. No entanto, o russo torna-se no segundo candidato a perder tempo, pois cortou a meta 20 segundos depois de Greipel. Ontem tinha sido Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo) a deixar escapar 13 segundos.

E se este sábado os sprinters sobreviveram a uma dificuldade que poderia ter proporcionado outro desfecho, no domingo é dia para eles (se não se deixarem surpreender novamente, claro). A etapa será bem mais curta, com 148 quilómetros entre Tortolì-Cagliari, naquela que será a despedida da Sardenha. Apenas há uma quarta categoria para ser ultrapassada, pelo que é possível que seja uma etapa rápida, antes do primeiro dia de descanso.



De recordar que este ano, devido a esta passagem pela Sardenha, a organização mudou o calendário. A corrida começou na sexta-feira e terá três dias de descanso, sempre às segundas-feiras. Na terça-feira, o pelotão estará na outra ilha, da Sicília, terra de Vincenzo Nibali. Será a primeira chegada em alto do Giro com o Etna à espera de ver se alguém quer fazer desde já algumas diferenças.

Veja aqui os resultados e classificações após a segunda etapa do Giro100.

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12 de abril de 2017

Mark Cavendish diagnosticado com mononucleose

Cansaço, sem forças para dar 100% nas corridas ou treinos, dificuldade em recuperar do esforço. O estado físico de Mark Cavendish já não se resumia a uma lesão no tornozelo, contraída durante o Tirreno-Adriatico e que o levou a falhar o Paris-Roubaix. Perante o que se estava a tornar claro ser um problema com a saúde do britânico, o médico da equipa da Dimension Data realizou umas análises ao sangue e foi diagnosticado mononucleose. Não há nenhum tratamento específico para esta infecção, pelo que Cavendish terá de repousar antes de tentar regressar aos poucos aos treinos.

Sendo impossível determinar um período de paragem, resta ao britânico esperar que consiga estar ao seu melhor na Volta a França e assim tentar um dos seus grandes objectivos da temporada (e da carreira): bater o recorde de vitórias de Eddy Merckx. Cavendish soma 30, faltando quatro para igualar a marca do belga. "É obviamente uma desilusão por ter recebido este diagnóstico e, principalmente, por ter de alterar o meu calendário de corridas. Olhando para trás, não andava a sentir-me bem nas últimas semanas, tanto durante os treinos, como nas corridas e, por isso, estou satisfeito que agora se tenha descoberto a razão pela qual me sentia assim", afirmou o britânico, num comunicado divulgado pela equipa.

O médico da Dimension Data, Jarrad Van Zuydam, referiu a fadiga que Cavendish andava a sentir, assegurando que a sua carga de treino será agora controlada com muito cuidado. O mesmo acontecerá quando o ciclista regressar à competição. "É difícil estimar quando estará na máxima forma, mas temos esperança que se verifiquem melhorias significantes nos sintomas durante as próximas duas semanas", explicou.

A época não está a decorrer da melhor forma para Mark Cavendish, que esperaria conseguir manter em 2017 o renascimento vitorioso que teve no ano passado. Ganhou apenas a primeira etapa na Volta a Abu Dhabi e a classificação por pontos, passando quase despercebido nas restantes competições que fez, incluindo na Volta ao Algarve. Mesmo já lesionado no tornozelo apostou na Milano-Sanremo, monumento que ambicionava conquistar pela segunda vez na carreira. Porém, fraquejou nas dificuldades finais e nem conseguiu estar na luta. Apesar da mononucleose não ser um problema grave, ainda assim a época de Cavendish (31 anos) acaba por ficar agora em dúvida, pois tudo agora está dependente de como o corpo reagir quando começar a aumentar novamente o ritmo de treino.

A mononucleose é causada pelo vírus Epstein-Barr, transmitido através da saliva. Entre os sintomas está precisamente o cansaço, mas também pode manifestar-se através de febre, dor de cabeça, garganta, abdominal e pálpebras inchadas, entre outros. Não havendo uma cura específica, com repouso os sintomas deverão ir reduzindo ao longo de uma ou duas semanas. Em alguns casos poderá ser necessário a prescrição de anti-inflamatórios ou analgésicos.


5 de abril de 2017

A dolorosa descrição das lesões que afastam Sep Vanmarcke do Paris-Roubaix

Foi neste estado que Sep Vanmarcke ficou após uma aparatosa queda
na Volta a Flandres (Fotografia: Facebook de Sep Vanmarcke)
A decisão não é uma surpresa, apenas a confirmação do que as imagens da Volta a Flandres e as posteriores declarações do director desportivo e irmão do ciclista deixavam antever. Sep Vanmarcke não está em condições de enfrentar o Inferno do Norte. O belga nem está em condições para andar numa bicicleta. Foi o próprio que descreveu as razões que o levam a falhar a última corrida do pavé desta fase das clássicas, o que é naturalmente mais uma grande desilusão para o ciclista, que muito se preparou para quebrar o azar de outros anos e mostrar-se na sua nova equipa, a Cannondale-Drapac, mas afinal voltou a ser perseguido pela má sorte.

Ken Vanmarcke havia referido, na segunda-feira, que o irmão tinha o dedo mindinho da mão direita partido e que faria um teste na bicicleta para ver se aguentava as dores. Tendo em conta que o Paris-Roubaix é tudo menos uma corrida feita apenas em estradas de alcatrão em excelentes condições, já era previsível que Sep Vanmarcke não aguentasse. Porém, o ciclista nem considera o dedo partido o pior do seu estado físico. A descrição de como ficou após a aparatosa queda dói só de ler.

"O dedo mindinho partido na mão direita torna impossível colocar a mão na parte de cima do guiador. Consigo travar utilizando dois dedos, mas sempre que passo por uma lomba ou algo do género, é doloroso. Mas o maior problema é na mão esquerda porque a pele saiu em todos dos dedos. Não consigo travar com essa mão. É demasiado doloroso fazer pressão nela. E depois, o meu joelho direito é ainda um problema... Não fazia sentido estar na partida [para o Paris-Roubaix]. Perdi muita pele", explicou Sep Vanmarcke.

O terceiro lugar na Omloop Het Nieuwsblad, corrida que venceu em 2012, revelava que o belga poderia estar nas condições que desejava para conquistar mais vitórias nas clássicas do pavé este ano e assim confirmar o seu potencial, algo que se espera desde 2010. No entanto, após esse pódio, tudo voltou a ser triste para o belga de 28 anos. "A Omloop correu bem, mas desde a Strade Bianche que começou tudo a correr mal. Uma queda, as costelas, depois tive problemas no estômago, depois esta queda... Portanto, tenho andado a lutar muito e volto sempre", salientou.

E agora vai de facto regressar à luta da recuperação, na tentativa de estar em condições de alinhar na Amstel Gold Race, a 16 de Abril. Ainda assim, Vanmarcke não consegue esconder a tristeza por mais um ano ter passado e não ter conquistado qualquer vitória nas clássicas do pavé. "É uma desilusão. Nunca consegui mostrar o nível em que estava", desabafou o ciclista, que admitiu que a 1 de Novembro começou a preparação para estas corridas, que eram o seu principal objectivo para 2017.

Mas o azar não se fica por Sep Vanmarcke. A Cannondale-Drapac não consegue encontrar o caminho das vitórias e as suas principais figuras não aparecem ao seu melhor. A equipa americana está a fazer uma primeira fase de temporada muito preocupante, somando apenas uma vitória, na segunda etapa da Coppi e Bartali, por intermédio de Toms Skujins. A ausência de Vanmarcke do Paris-Roubaix é um duro golpe para a Cannondale-Drapac, que também não sabe se poderá contar com Taylor Phinney. É outro ciclista perseguido por maus momentos. Desde a queda que quase acabou com a sua carreira nos Nacionais de 2014, que o americano nunca mais se reencontrou com a sua melhor forma. Também ele caiu na Volta a Flandres e sofreu uma concussão. A decisão sobre a sua participação será feita no final da semana.

Dylan van Baarle conseguiu terminar na quarta posição na Volta a Flandres, salvando um pouco a honra da equipa e o holandês poderá ser a principal aposta da Cannondale-Drapac para o Paris-Roubaix.

Mark Cavendish com lesão no tornozelo

O sprinter britânico estava previsto voltar a marcar presença no Paris-Roubaix. É certo que não entrava na lista de candidatos, mas Mark Cavendish é... Mark Cavendish. Onde está chama sempre a atenção. Porém, a temporada do ciclista da Dimension Data também não está a correr como desejada. Apenas venceu uma etapa e a classificação por pontos na Volta a Abu Dhabi e não compete desde 18 de Março quando foi 101º na Milano-Sanremo, não tendo conseguido estar na discussão do monumento como queria.

Mark Cavendish deveria ter regressado à competição esta quarta-feira na clássica belga Scheldeprijs, mas o seu nome não apareceu na lista de ciclistas que se apresentaram pela Dimension Data. O médico da formação sul-africana explicou, num comunicado, que Cavendish lesionou-se no tornozelo direito no Tirreno-Adriatico. Jarrad Van Zuydam referiu que se pensava que o problema estava ultrapassado, mas o ciclista voltou a sentir dores. Vão ser feitos mais exames e tratamentos, se necessário, pelo que não está agendado o regresso do britânico às corridas.

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1 de fevereiro de 2017

Ciolek: a grande promessa, que se ficou pela Milano-Sanremo, termina a carreira aos 30 anos

Ciolek procurou uma segunda oportunidade na MTN-Qhubeka e alcançou
a maior vitória na sua carreira na Milano-Sanremo
(Fotografia: Facebook Gerald Ciolek Fanpage)
17 de Março de 2013. Neve, muita neve, muito frio, estradas perigosas e 200 ciclistas a enfrentar estas condições num dos monumentos do ciclismo, a Milano-Sanremo. O mau tempo daquele dia fez com que aquela edição da corrida se tornasse das mais marcantes. Muitos ciclistas simplesmente nunca conseguiram aquecer e desistiram. Os que optaram por tentar terminar, chegaram a fazer parte do percurso nos carros das equipas, quando alguns quilómetros da prova foram neutralizados. As duas principais dificuldades, Passo del Turchino e Le Manie, foram anuladas, o que significou cerca de 60 quilómetros a menos dos 298 inicialmente previstos. Muitos nunca mais esqueceram aquele dia, mas para um ciclista foi o grande momento de uma carreira que tanto prometeu, mas que nunca atingiu o patamar esperado: Gerald Ciolek. O alemão finalmente mostrava o talento que tinha demonstrado ainda muito jovem. Porém, o momento de glória foi efémero. Ciolek nunca encontrou o seu lugar entre os melhores e aos 30 anos colocou um ponto final numa carreira que tinha tudo para ser grande e que acabou por desiludir.

Com apenas 18 anos, Gerald Ciolek sagrou-se campeão nacional de fundo, em elite (o mais novo de sempre no país). O jovem sprinter bateu um dos melhores da história germânica, Erik Zabel, e Robert Förster, ciclista que se tornou conhecido pelas suas pernas muito (mesmo muito) musculadas. Nesse mesmo ano, de 2005, Ciolek juntaria o título de campeão do mundo de sub-23. Sem surpresa chamou a atenção de grandes equipas, assinando em 2007 pela toda poderosa formação alemã T-Mobile, que, naquele que seria o último ano da equipa - passou depois a ser a americana Team Columbia - contava com outros jovens talentos, como Mark Cavendish e André Greipel.

No ano de estreia no principal escalão, conquistou seis vitórias, três das quais na Volta à Alemanha, então uma corrida que pertencia à categoria World Tour. Mark Cavendish, que viria a tornar-se num dos melhores sprinters de sempre, somou sete nesse ano. Mas a adaptação ao mais alto nível do ciclismo não seria tão fácil como parecia inicialmente. No ano seguinte, conquistou mais três vitórias, mas acabou por mudar de equipa em 2009. Ao serviço da Milram venceu uma etapa na Volta a Espanha.

O grande momento da carreira do ciclista alemão
(Fotografia: Facebook Gerald Ciolek Fanpage)
Ciolek teria uma nova oportunidade numa grande equipa, quando a QuickStep o contratou. Em dois anos com a equipa belga, conseguiu apenas duas vitórias, uma das quais na Volta ao Algarve, na chegada a Tavira. Muito pouco para continuar na QuickStep. Aceitou em 2013 fazer parte de um projecto sul-africano. A então MTN-Qhubeka, actual Dimension Data, estava no escalão Profissional Continental, mas recebeu o convite para estar na Milano-Sanremo. Sem a pressão das equipas por onde tinha passado e com a garantia que era o sprinter principal da formação, Ciolek alcançou uma surpreendente vitória no monumento, batendo um jovem irreverente chamado Peter Sagan e um experiente Fabian Cancellara.

Seria esta a segunda vida de Ciolek? Não. O alemão ainda somou mais alguns triunfos até ao final do contrato em 2015. No entanto, não subiu com a equipa ao World Tour, pois a aposta foi a contratação de... Mark Cavendish. Ciolek optou por dar um passo ainda mais atrás na carreira. Regressou à Alemanha para representar a formação do escalão continental Stölting Service Group. No entanto, definitivamente, Ciolek não conseguiu comprovar na elite o talento que demonstrou como sub-23.

É caso para dizer que Ciolek passou ao lado de uma grande carreira e não tem intenções, para já, de procurar novas oportunidades. O empresário do ciclista confirmou à revista alemã Tour que Ciolek tomou a decisão de retirar-se. "Gerald não fará parte do pelotão este ano e nós não temos, neste momento, planos para regressar", explicou Ken Sommer.

Poderia, talvez, ter conquistado muito mais, mas certo é que ficará para a história aquela vitória, naquele dia de condições atmosféricas terríveis, num dos monumentos do ciclismo. Ciolek venceu a Milano-Sanremo que ciclistas como Sylvain Chavanel - foi quarto na edição de 2013 - consideraram que quem chegou ao fim foi um autêntico herói.

Aqui ficam imagens daquela inesquecível Milano-Sanremo.



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8 de novembro de 2016

Foi dado como morto e agora voltou a pedalar nos 30 minutos mais especiais da sua vida

(Fotografia: Facebook Keagan Girdlestone)
Keagan Girdlestone chocou com tal violência contra um carro de uma equipa numa corrida que a sua veia jugular e artéria carótida foram cortadas. Um acidente dos mais graves dos últimos anos e chegou mesmo a ser avançada a notícia da morte do jovem ciclista sul-africano. Girdlestone esteve em estado muito grave, mas as informações da morte foram mais um caso de como nas redes sociais por vezes se perde o controlo sobre o que é realmente verdade. Mas o pior já passou e o ciclista de 19 anos tem partilhado a sua fantástica recuperação em alguns vídeos. Talvez o mais importante seja o último em que pela primeira vez saiu para um curto treino na estrada com a sua bicicleta. Foram os 30 minutos mais especiais da sua vida. "Para um homem morto, sinto-me bastante bem", diz Girdlestone.

Voltando àquele 5 de Junho. Girldlestone participava na prova Coppa della Pace, naquele que era o seu primeiro ano na Dimension Data for Qhubeka, a equipa Continental que dá oportunidades a africanos de competirem e ambicionarem chegar à formação do World Tour. O jovem teve uma queda numa descida, segundo explicou então o director da corrida Raffaele Babini, ao site Tuttobiciweb, e quando tentava recuperar posição no pelotão acabou por sofrer o violento acidente. O sul-africano estava a passar pelos carros das equipas quando um terá feito uma travagem brusca. Girldlestone terá entrado pelo vidro traseiro, o que lhe provocou os graves cortes na veia jugular e na artéria carótida. O cérebro do ciclista ficou privado de oxigénio durante algum tempo. Como uma das consequências ficou com problemas graves a nível de nervos e músculos.

Foi dado como morto na internet, mas o próprio pai desmentiu no Facebook essa informação, confirmando no entanto que a situação era de extrema gravidade. Seguiram-se dias de angústia, ainda que três dias depois do acidente o hospital confirmou que o sul-africano já não corria perigo de vida. Voltar ao ciclismo foi tornando-se com o tempo a grande questão e muito acreditaram que não seria possível.

E esta dúvida acabou por inspirar e dar mais força a este jovem, que espera que a sua experiência possa inspirar outros. "Não deixes que te digam que não podes fazer algo. Tu és o herói da tua história. Se o fizerem... é sempre divertido provar que estavam errados", afirma Girldlestone no vídeo.

O pai acompanhou o jovem e filmou as suas primeiras pedaladas, no que se espera ser o início do regresso que o leve à competição. Pela frente Girldlestone ainda tem um longo caminho a percorrer, mas aqueles 30 minutos podem ter sido de grande importância, mais do que fisicamente, mas sim psicologicamente: "Todas as dificuldades que passei, valeram a pena."




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5 de novembro de 2016

Dimension Data. A estreia no World Tour que parecia brilhante e que acabou com um grande susto

2016 ficará para a história do ciclismo como o ano em que uma equipa africana chegou ao principal escalão da modalidade. O projecto Qhubeka arrancou em 2008 com o objectivo de dar espaço aos ciclistas africanos e também com um lado social de extrema importância que ainda hoje mantém. A formação sul-africana tem activamente procurado fazer chegar bicicletas a muitas crianças e jovens em zonas marcadas por pobreza extrema. Entretanto, na competição, foi subindo de escalão e como Profissional Continental, a então MTN-Qhubeka, demonstrou que era muito mais que um projecto africano. Queria ser um projecto a nível mundial. Pediu a licença World Tour para 2016, surpreendeu ao contratar um dos melhores sprinters, Mark Cavendish, e manteve ciclistas que entretanto já tinha garantido um ano antes, como Edvald Boasson Hagen e Stephen Cummings. Mark Renshaw, Igor Anton, Tyler Farrar são apenas alguns dos ciclistas de qualidade que participaram na transformação desta equipa. E claro, apesar de uma aposta em atletas mais internacionais, manteve no plantel africanos, com destaque para Daniel Teklehaimanot, Natnael Berhane e Merhawi Kudus.

Mark Cavendish era, naturalmente, a grande estrela da equipa e do britânico esperava-se muito. Mas mesmo muito, dado o esforço financeiro que a agora Dimension Data fez para o contratar, numa altura em que a Etixx-QuickStep o tinha “trocado” por Marcel Kittel. Cavendish até começou bem na Volta ao Qatar ao vencer uma etapa e a geral, mas depois foi uma longa espera com muitas dúvidas a surgirem sobre se o sprinter ainda tinha algo para dar. As críticas subiam de tom com a obsessão do britânico em dividir a época de estrada com a pista, na tentativa de estar nos Jogos Olímpicos. Foi preciso esperar por Abril até que Cavendish finalmente voltasse a vencer, desta feita uma etapa na Volta à Croácia.

  • 18º lugar no ranking World Tour com 290 pontos
  • 33 vitórias (7 no World Tour - 5 na Volta a França)
  • Mark Cavendish foi o ciclista com mais vitórias: 10 (4 na Volta a França)

Acabado aos 31 anos? Estaria a concorrência simplesmente a deixá-lo para trás? A resposta veio na Volta a França. Chris Froome ganhou, Peter Sagan foi a estrela do costume, mas Mark Cavendish foi uma das grandes figuras. Quatro vitórias de etapa, vestiu a camisola amarela que sempre tinha sido um dos objectivos da carreira e principalmente deixou a mensagem a Kittel, Greipel e aos restantes rivais: “Estou de volta!” Dez vitórias na temporada, o problema para a equipa é que apenas as da Volta a França davam pontos para o ranking World Tour. Com Stephen Cummings a também conquistar uma etapa na prova e com Boasson Hagen em destaque em corridas como o Critérium du Dauphiné, a Dimension Data pensava que estaria a ter um primeiro ano de World Tour muito positivo até que surge a mudança de regras para 2018.

A UCI anunciou que no próximo ano apenas daria licenças World Tour a 17 equipas. A Tinkoff e a IAM Cycling já tinham anunciado a despedida, o problema inesperado para a formação sul-africana é que a Bora-Hansgrohe (actual Bora-Argon 18) e a Bahrain-Merida estavam a fazer grandes contratações e a nível pontual ultrapassavam a Dimension Data que estava em último no ranking e com poucas possibilidades de sair dessa posição. Se cumprissem todos os requisitos, quem ficaria de foram seria a formação africana. A alteração das regras do jogo tão tarde na temporada deixou a Dimension Data sem tempo para recuperar. Somou 33 vitórias na temporada. Em qualquer circunstância seria considerada uma boa época, mas apenas oito dos triunfos foram em provas World Tour e com os ciclistas mais propensos em procurar vitórias do que em bons resultados nas classificações gerais, a equipa percebeu que estava com um problema grave.

Surgiram as críticas, as últimas de Mark Cavendish que disse não compreender como um 12º lugar na geral do Tour poderia valer o mesmo que as vitórias que a equipa tinha obtido nas etapas. A Associação Internacional de Equipas de Ciclismo Profissionais entrou em guerra com a UCI, a Dimension Data ameaçou levar o caso para a justiça, a Bahrain-Merida e a Bora-Hangrohe também, isto porque os regulamentos são dúbios e permitem diferentes interpretações. A Dimension Data considerava que com a desistência de duas equipas o seu lugar seria o 16º e não 18º, enquanto as novas candidatas defendiam que o que valia eram os pontos.

A UCI lá voltou a falar com a ASO (que organiza provas como o Tour e o Paris-Roubaix e que tem pressionado para mudanças, tendo dito que retiraria as suas corridas do World Tour se a UCI não fizesse alterações) e terá chegado a acordo para que as 18 equipas que pediram licença para o próximo ano a obtenham, se cumprirem todos os requisitos, independentemente dos pontos que tenham somado.

Um respirar de alívio para a Dimension Data que poderá assim continuar o seu crescimento sustentado e que tem permitido a equipa tornar-se numa referência, sendo um projecto que gera curiosidade para perceber até onde realmente os seus directores querem chegar.


22 de outubro de 2016

Cavendish critica sistema de pontos que poderá deixar a Dimension Data fora do World Tour

(Fotografia: Team Sky)
No próximo mês serão conhecidas as equipas que vão receber as licenças World Tour para 2017. Porém, o mal-estar causado pela redução do número de 18 para 17, com 18 pretendentes, está a tornar-se num tema cada vez mais controverso, à medida que se aproxima a decisão final da UCI. Com a Dimension Data a ser a principal candidata a ficar de fora, depois de ter subido este ano, já não são só os responsáveis da equipa que falam desta situação. A estrela da equipa sul-africana, Mark Cavendish, disparou agora contra o sistema de pontos, considerando que não fazem sentido e que não promovem a procura pela vitória.

"Ganhar uma etapa na Volta a França é como estar em 12º ou 16º na classificação geral. Portanto, o que se vai fazer? Investir em alguém que não vai ganhar uma corrida e vai andar por ali, ou em alguém que vai vencer ao mais alto nível?", questionou o britânico, que está a competir na Volta a Abu Dhabi, tendo vencido a segunda etapa.

Cavendish refere-se ao facto das suas quatro vitórias e a de Steve Cummings no Tour terem garantido 20 pontos cada, os mesmos que Sergio Henao conseguiu por terminar na 12ª posição da geral.  Durante toda a temporada a Dimension Data somou 290 pontos, ficando longe da IAM Cycling (418) ou da Giant-Alpecin (435), já que a IAM acaba por não entrar nas contas do próximo ano, pois prepara-se para fechar portas. 290 pontos para uma Dimension Data que somou 32 vitórias este ano, só que a muitas foram em provas fora do calendário World Tour e o brilharete na Volta a França acabou por ser pouco compensado.

Para o ciclista também foi um erro o anúncio da redução de licenças ter sido feito a meio da temporada: "Não é o ideal quando se fez metade da época e percebe-se que se tem de conquistar mais pontos. Quando descobrimos, já só sobrava o Eneco Tour. Um lugar secundário na classificação geral valer o mesmo que uma vitória... não faz sentido."

Se as 18 equipas que apresentaram candidatura às licenças World Tour cumprirem todos os requisitos, o sistema de pontos deverá decidir quem fica de fora. Perante as contratações feitas pelas duas novas candidatas, a recém-constituída Bahrain-Merida e a Bora-Hansgrohe que quer subir de escalão, a formação do Médio Oriente soma 905 pontos e a alemã 864 (o que as colocaria no quinto e sexto lugar do ranking).

Associação Internacional de Equipas de Ciclismo Profissionais (AIGCP-sigla em francês) anunciou que irá lutar contra algumas das alterações anunciadas pela UCI e uma das exigências é que as 18 equipas que pediram licença World Tour a recebam. Caso isso não aconteça, a Dimension Data sofre um rude golpe nas suas aspirações, pois, pertencendo ao escalão Profissional Continental, terá de esperar por convites para participar nas grandes corridas.