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7 de setembro de 2018

Nem Majka sabia quem era. Chama-se Óscar Rodríguez e é mais um espanhol em destaque na Vuelta

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Se em França se tem tido várias razões para falar dos seus ciclistas e equipas na Vuelta, ainda assim, há sempre aquele sentimento de alguma frustração por no Tour não se ter visto tanto dos "homens da casa". Já em Espanha, o sentimento é oposto. Os espanhóis tem conseguido estar em destaque, muito por culpa de Alejandro Valverde, é certo, e também devido Luis Ángel Maté (líder da montanha). Jesús Herrada também já é uma razão e agora - saltando da enorme experiência de Valverde, para um jovem que pode muito bem estar a dar o salto na carreira - Óscar Rodríguez. Tem apenas 23 anos, pertence à Euskadi-Murias e foi ganhar a etapa que terminava numa das subidas mais difíceis do ciclismo. La Camperona chega a ter quase 20% de pendente nos seus últimos dois quilómetros.

Mas Rodríguez não se deixou intimidar. Nem pela dificuldade, nem pela concorrência, deixando Rafal Majka - que até já fez pódio na Vuelta e venceu uma etapa no ano passado - e Dylan Teuns (BMC), ciclista sem vitórias em grandes voltas, mas já com alguns triunfos bem interessantes. O espanhol passou pelos dois que pensavam que discutiriam entre eles a etapa. No final, Majka limitou-se a dizer que nem sabia quem era o vencedor, sendo quase impossível esconder a frustração do que provavelmente sente ter sido uma oportunidade perdida para ganhar na Vuelta.

Mas chama-se Rodríguez, Óscar Rodríguez, um ciclista que marcará esta edição porque não só venceu na sua estreia numa grande volta, como deu uma vitória a uma equipa que também está na sua primeira corrida do género e que quer recuperar a tradição basca que se perdeu quando a Euskaltel-Euskadi fechou portas. Plantel modesto, mas lutador, o orçamento pode não ser dos maiores, mas o investimento de elevar a equipa ao estatuto de Profissional Continental ficou desde já compensado. Era isto que a Euskadi-Murias mais sonhava. Ganhar uma etapa foi como vencer a Volta a Espanha para esta equipa, pois é uma conquista que se consideraria improvável, mas aqui está ela. E com estrondo.

Foi uma exibição tremenda de um ciclista que chegou a vestir a camisola branca da juventude na última Volta a Portugal. Perdeu-a para Xuban Errazkin (Vito-Feirense-BlackJack), mas vencer em Camperona deixará a mais profunda das marcas numa carreira que poderá começar agora de rumo. Nas últimas duas temporadas tem alcançado um conjunto interessante de resultados e ganhar na Vuelta é uma montra que não passa despercebida.

Este navarro contribuiu para a dose de surpresas que esta corrida lá vai proporcionando. Pode não estar a ser o mais emotivo dos espectáculos até ao momento (o melhor ainda está a ser guardado pelos principais candidatos, ou assim se espera), mas são momentos como o de Herrada vestir a camisola vermelha, quando nem no top dez se pensaria que poderia entrar e agora ver um jovem de uma equipa com um plantel sem comparação possível às do World Tour, ou mesmo à Cofidis - pode ser do segundo escalão, mas é por escolha própria, pois tem potencial e orçamento para estar no primeiro - vencer uma etapa que se esperaria ser controlada pelos principais nomes. Rodríguez pode até nem conseguir acreditar no que fez, mas deixou a sua assinatura e até Majka já deverá ter aprendido o seu nome.

Herrada está vivo e de vermelho

Completamente exausto. Jesús Herrada precisou de algum tempo para recuperar o fôlego depois de uma subida que tem capacidade para deixar o melhor dos trepadores quase a pé. O espanhol da Cofidis sabia que tinha de ultrapassar a Camperona ao seu ritmo, mas claro, tinha de ser elevado. Perdeu cedo o contacto quando a subida ficou mais difícil, mas não quebrou. 3:22 minutos davam-lhe a margem suficiente para garantir mais um dia na liderança. Perdeu uma boa parte da diferença, mas 1:42 minutos ainda é de respeito para tentar aguentar, nem que seja mais uma etapa. É viver dia-a-dia para este ciclista.

A crença pode ser pouca que esta surpreendente liderança do mais novo dos Herrada possa significar uma vitória em Madrid. Porém, precisamente porque a maior responsabilidade de assumir a corrida não lhe pertence, Herrada nada tem a perder e nesta 13ª etapa entre Candás e Camperona (174,8 quilómetros) pedalou assim mesmo, como alguém que só tem tudo a ganhar.

Entre os principais candidatos, foi Nairo Quintana (Movistar) quem deu uma melhor resposta. Recuperou seis segundos para Simon Yates (Mitchelton-Scott), estando agora a oito, desalojando o companheiro Alejandro Valverde do terceiro lugar. O espanhol passou de um para 12 segundos para Yates. As diferenças entre o top dez podem ter aumentado um pouco, mas a distância entre Yates e Emanuel Buchmann - o ciclista da Bora-Hansgrohe foi dos que mais quebrou na Camperona - é de 1:05. Claro que a diferença tem de ser feita para Herrada, pois acredite-se ou não que possa ganhar, é o espanhol quem continua a liderar e são 2:47 de diferença para Buchmann.

José Gonçalves abandonou

Longe da forma apresentada no Giro, corrida na qual terminou na 14ª posição, José Gonçalves perdeu tempo na maioria dos dias na Vuelta, não integrando sequer fugas e estando nos últimos lugares da geral. O gémeo de Barcelos não escondeu que o calor estava a ser um problema, mas foi mantendo-se na corrida. Porém, a 13ª etapa foi madrasta para o português que não terminou, abandonando assim pela terceira vez consecutiva a Volta a Espanha. A Katusha-Alpecin fica reduzida a seis ciclistas, depois de Maurits Lammertink não ter partido para a oitava etapa, naquela que foi na altura a primeira desistência na corrida espanhola.

Outro português que não teve um dia nada fácil foi José Mendes. O ciclista da Burgos-BH - a outra equipa espanhola que tal como a Euskadi-Murias subiu de escalão e faz a sua estreia na Vuelta - foi o último a cortar a meta, a 36:07 minutos de Rodríguez. Tiago Machado, companheiro de Gonçalves, fechou a 26:37, com Nelson Oliveira (Movistar) a ser o melhor entre os portugueses, a 12:05 do vencedor.

Pode ver aqui as classificações completas. Luis Ángel Maté (Cofidis) mantém liderança da montanha, Valverde dos pontos e do prémio combinado e a Bahrain-Merida na tabela colectiva.

14ª etapa: Cistierna - Les Praeres. Nava, 171 quilómetros

Mais uma etapa muito complicada e que vai anteceder uma das mais importantes na Vuelta, a dos Lagos de Covadonga. Será um dia de muito desgaste, com uma segunda categoria, duas primeiras e uma terceira antes de mais um final exigente. O Alto les Praeres oferece aos ciclistas uma subida curta, quatro quilómetros, mas com uma pendente média 12,5%, máxima de 17%. Só no final irá aligeirar um pouco, para 7,2%.



»»Espanhóis já têm o seu líder. Inesperado e que não acreditam que dure««

»»Mais um incidente depois da meta a provocar a queda de ciclistas««

6 de setembro de 2018

Espanhóis já têm o seu líder. Inesperado e que não acreditam que dure

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Se havia alguém que não pensava que ia terminar o dia na liderança era Jesús Herrada. Provavelmente, nem ele, nem ninguém! A 5:45 minutos de Simon Yates, o espanhol partiu para a fuga na esperança de lutar pela etapa e assim salvar algo de um primeiro ano na Cofidis que começou prometedor, mas que não tem cumprido as expectativas. Com a Mitchelton-Scott a não se importar de ceder a camisola vermelha, para não ter de controlar etapas e com a Movistar a recusar fazer esse trabalho, pelo menos ao mesmo ritmo elevado, ao contrário do que aconteceu na quarta-feira, uma mudança de líder nem surpreendeu por completo, mas terminar com 3:22 de vantagem... Eis um cenário que se tem de dizer que só na Vuelta!

Em Espanha tanto se quis ver um ciclista seu de vermelho, que ver Herrada com o símbolo da liderança provocou um misto de alegria e desconfiança. O ciclista foi um dos jovens que muita atenção chamou enquanto júnior e sub-23. Aos 20 anos, o mais novo dos irmãos já estava na Movistar. O mais velho (quatro anos), José, só foi contratado no ano seguinte. Tem títulos nacionais de contra-relógio nas camadas jovens e dois de estrada como elite, em 2013 e 2017. Porém, na Movistar nunca conseguiu singrar como líder, sempre tapado por outros ciclistas. Tornou-se num importante gregário, mas quis mais.

Aos 28 anos representa a Cofidis. Desceu ao escalão Profissional Continental para elevar o seu estatuto, estando na companhia do irmão. Parecia destinado a quanto muito entrar em fugas e tentar uma etapa na Vuelta, com Luis Ángel Maté a ser o destaque desde o segundo dia quando atacou a classificação da montanha, não esquecendo que Nacer Bouhanni cumpriu ao vencer uma etapa para a equipa.

Se a Vuelta já estava a ser boa para a Cofidis, depois de um Tour menos conseguido, também por culpa de uma exibição abaixo do esperado de Herrada, que pouco se viu, em Espanha está a realizar uma das melhores corridas de três semanas dos últimos anos. Agora está de vermelho, mas há pouca crença a rodear o ciclista que seja uma camisola que mantenha por muito tempo. Até a pode perder amanhã.

Quando foi para a Cofidis, Herrada queria liderar uma equipa numa grande volta e assim tentar disputá-la. Pode ter chegado à Vuelta com um discurso mais comedido, mas aqui está ele, líder da Volta a Espanha. Melhor oportunidade para mostrar do que é capaz, não só a pensar nesta Vuelta, mas em futuras grandes voltas, não há. Se quer mostrar que tem capacidade para estar entre os tubarões, então Herrada tem de se mostrar nos próximos dias, mesmo que acabe a ceder a camisola.

Do seu lado tem a vantagem de ninguém lhe exigir mais, ou sequer esperar mais, do que hoje alcançou. Mas são 3:22 minutos que o distanciam da concorrência, à entrada de três dias de inferno montanhoso e com o contra-relógio à espera na terça-feira. "Vamos ver onde posso chegar", disse Herrada, mas Miguel Ángel López (Astana) e um corredor que tão bem conhece o espanhol, Alejandro Valverde (Movistar), já avisaram que tirar Herrada da liderança não será tão fácil como possa parecer.

Palavras de circunstância? Talvez, mas tudo dependerá agora de Herrada. Chegou o seu momento. Não esperava, mas não pode deixar passar. A Cofidis não tem uma equipa para controlar etapas e não se pode dar ao luxo de agora dizer a Maté para se sacrificar pelo companheiro. A camisola da montanha não só é um prémio que está completamente ao alcance, como seria injusto pedir ao ciclista para deitar fora o trabalho de quase duas semanas. Deixar embrulhar-se no sonho de ganhar a Vuelta... Só se Herrada passar os três testes, das próximas três etapas.

De recordar que nem é preciso recuar muito para ver quando um ciclista de uma equipa de segundo escalão venceu a Vuelta. Juan José Cobo fê-lo em 2011, pela Geox-TMC Transformers. No entanto, o palmarés do espanhol era bem diferente do de Herrada. Já tinha ganho uma Volta ao País Basco, uma etapa no Tour e também na Vuelta. Herrada tem como triunfo mais importante uma tirada no Critérium du Dauphiné, em 2016.

Glória francesa

A Cofidis é uma equipa francesa que juntamente com as outras duas na Vuelta está a realizar uma corrida que não esquecerá rapidamente. Enquanto celebrava a conquista da camisola vermelha, a AG2R festejava a segunda vitória de etapa. Depois de Tony Gallopin, foi a vez de Alexandre Geniez. E depois há a Groupama-FDJ que já andou na liderança com Rudy Mollard.

Herrada e Geniez fizeram parte de uma fuga de 18 ciclistas, na qual esteve novamente Tiago Machado (Katusha-Alpecin). O minhoto não desiste e ainda o vamos voltar a ver na frente à procura de uma grande vitória. Mas a 12ª etapa foi para Geniez, num dia em que a Movistar deixou claro que não quer deixar-se empurrar para a frente do pelotão, mas que não terá remédio se de facto quer ganhar a Vuelta. Será a equipa espanhola que terá de eliminar a diferença para Herrada, pois as outras equipas ficarão na expectativa, sabendo que a Movistar não vai baixar os braços.

Além da mudança de líder da geral, também por equipas houve uma alteração. Com dois homens na fuga - Mark Padun fechou no primeiro grupo e Vincenzo Nibali no segundo -, a Bahrain-Merida beneficiou desse facto para saltar dois lugares e desalojou a Lotto-Jumbo, tendo 14:10 minutos de vantagem. Valverde lidera nos pontos e no prémio combinado, Maté na montanha.

Pode ver aqui as classificações.

A etapa ficou ainda marcada por uma queda após a meta, com um membro da organização a provocar o incidente que afectou os quatro primeiros classificados, mas com Dylan van Baarle (Sky) a ser quem ficou mais mal tratado. Mais pormenores e vídeo neste link.
Etapa 13: Candás. Carrreño - Valle de Sabero. La Camperona, 174,8 quilómetros

Com os Lagos de Covadonga à espera do pelotão no domingo, La Camperona será o primeiro teste de três dias de dificuldade na Vuelta. Antes haverá uma primeira categoria, mas é a que terminará a etapa que mete muito respeito. São 8,3 quilómetros, com uma pendente média de 7,5%. Mas o que interessa mesmo são os últimos dois que chegam a ter quase 20%! Quem estiver mal pode perder tempo e já se começa a entrar na fase em que qualquer segundo a mais poderá ser irrecuperável.



»»Mais um incidente depois da meta a provocar a queda de ciclistas««

»»Yates e Mitchelton-Scott mostraram frieza, irritando Valverde e Quintana««

30 de agosto de 2018

A tentativa de redenção de Nacer Bouhanni

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Qualquer dia é bom para ganhar, mas para Nacer Bouhanni, vencer nesta sexta etapa da Vuelta teria mais significado do que apenas regressar às grandes vitórias depois de uma temporada muito (mas mesmo muito) complicada. Menos de 24 horas antes do sprinter francês ser o mais forte em San Javier, Mar Menor, tinha sido divulgado que o ciclista teria batido no carro da equipa, o que teria resultado numa penalização de 30 segundos. Bouhanni e a equipa desmentiram, mas a melhor reacção viria mesmo na estrada. Há quatro anos que o sprinter não ganhava numa grande volta e há quase ano e meio que não vencia numa corrida World Tour.

"Tinha muita vontade de ganhar hoje depois dos falsos rumores que circularam sobre mim ontem", admitiu Bouhanni. O próprio ciclista referiu de imediato como é especial regressar às vitórias nas grandes voltas, precisamente naquela onde tinha vencido pela última vez, então ainda ao serviço da FDJ.fr. Mas num momento em que não escondeu alguma emoção, Bouhanni recordou como em 2017 uma queda quase lhe acabou com a carreira, com o ciclista até a considerar que poderia ter sido ainda mais grave: "No ano passado tive um acidente muito sério no Tour de Yorkshire. Não se deu muita importância, mas podia ter acabado com a minha vida e tive problemas de visão durante uma boa parte da temporada."

Os relatos de conflitos com os responsáveis da Cofidis não eram novidade, mas desta feita, a equipa assegurou que a penalização de 30 segundos se deveu a uma abastecimento fora do limite estipulado pela organização. Em comunicado garantiu ainda que Bouhanni tem toda a confiança nesta Vuelta.

Bouhanni não quis entrar em euforias, recusando dizer que está de regresso à sua melhor versão. "Foi uma temporada difícil e a pressão afectou-me muito. Senti-me humilhado, mas tinha de me redimir", afirmou, não escondendo a decepção que sofreu ao ficar de fora do Tour, com Christophe Laporte a ser o sprinter escolhido da Cofidis. O francês até disse que chegou a falar com outras equipas, mas o responsável máximo da Cofidis, Thierry Vittu, telefonou-lhe antes da Vuelta para lhe dar todo o seu apoio.

Esta foi a sexta vitória do ano para Bouhanni, mas falta saber se poderá ser aquela que inicie a sua redenção dentro de uma equipa na qual parece ter o seu espaço a diminuir desde que Cédric Vasseur assumiu a liderança. Primeiro o seu comboio foi reduzido, depois perdeu o estatuto de líder indiscutível, falharia o Tour, mesmo depois de ter conseguido algumas vitórias. Não ajudou ter desrespeitado ordens da equipa: deveria ter ajudado Laporte na primeira etapa da Route d'Occitanie, mas acabou por disputá-la e até ganhou, à frente precisamente do colega.

Vinte quilómetros de caos

Se até essa marca estava a cumprir-se quase todas as expectativas, menos a da velocidade, já que o vento de frente não ajudou nada, depois foi um caos. Uma queda abriu as hostilidades que o vento viria a ter um papel decisivo.  O pelotão partiu-se em vários grupos e Wilco Kelderman acabou por ser o mais prejudicado. O holandês da Sunweb perdeu 1:44 minutos, naquele que é um rude golpe nas suas aspirações, que passam por disputar a Vuelta. São 2:50 para Rudy Molard, o que deixa Kelderman numa posição em que não poderá ficar à espera de terceiros para tentar estar novamente na luta por um bom resultado.

Thibaut Pinot também perdeu tempo, cortando a meta no grupo de Kelderman. Tendo em conta que o francês disse que o objectivo principal na Vuelta era ganhar etapas, não se pode dizer que seja uma desilusão. Porém, um dia depois da Groupama-FDJ ver Rudy Molard vestir a camisola vermelha, não deixou de ser um contratempo ver Pinot cair na classificação geral, até porque ficou bem claro que continua a receber toda a protecção. Molard ficou sozinho na frente, com a equipa a tentar socorrer Pinot, sem sucesso.

Rafal Majka perdeu 3:05 minutos, entregando definitivamente a liderança da Bora-Hansgrohe a Emanuel Buchmann. A seu lado estava um Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) que cada vez mais se vai enterrando na classificação geral.

Se o pelotão esperava que os 155,7 quilómetros entre Huércal-Overa e San Javier, Mar Menor pudessem ser mais tranquilos do que nos dias anteriores, mas não houve descanso para ninguém. Esta sexta-feira serão 185,7 quilómetros, com partida em Puerto Lumbreras e meta em Pozo Alcón.

Pode ver aqui as classificações completas. Não se verificaram mudanças nos donos das camisolas. Molard está vermelho, Michal Kwiatkowski (Sky) de verde (pontos), Luis Ángel Maté (Cofidis) regressou às fugas para reforçar a liderança da montanha, Alejandro Valverde (Movistar) tem a camisola do prémio combinado e a Astana é a primeira entre as equipas.



2 de julho de 2018

Bouhanni perdeu o sprint para o Tour contra Laporte

(Fotografia: © La Route d'Occitanie/Henri Jean)
Nem a ganhar Nacer Bouhanni convenceu Cédric Vasseur. O sprinter francês ficou de fora das escolhas da Cofidis para a Volta a França e nem se pode dizer que seja uma surpresa. A maior parte da época foi uma desilusão e começou logo com o novo director a cortar no comboio de apoio a Bouhanni. Vasseur não se coibiu de criticar o ciclista pela falta de resultados, enquanto apostava em Christophe Laporte (que rendeu triunfos) e ficou ainda mais descontente quando Bouhanni desobedeceu ordens e em vez de ajudar o colega, discutiu um sprint e ganhou.

Quando há umas semanas Vasseur alertou que ou Bouhanni melhorava o seu rendimento ou não iria ao Tour, o director da Cofidis não procurava apenas que o sprinter conquistasse mais vitórias. Vasseur também queria ver uma mudança de atitude de um ciclista que aos 27 anos está a ameaçar seriamente passar ao lado de uma grande carreira. A relação entre os dois foi tensa desde o início, principalmente porque Vasseur acabou com o proteccionismo promovido pelo antigo responsável, Yvon Sanquer.

Bouhanni trocou a FDJ, do World Tour, pela Cofidis, do escalão Profissional Continental, em 2015 porque não queria ter de lutar por protagonismo e queria estar garantidamente no Tour. A Cofidis mudou a sua filosofia até então mais centrada em apostar em fugas e ter ciclistas a lutar na montanha e eventualmente a aspirar a um bom lugar na geral. Com Bouhanni tinha o objectivo de aumentar o número de vitórias e de facto ganhar nunca foi um grande problema a não ser na Volta a França. Os anos foram passando e continua sem ganhar uma etapa, apesar de ter três no Giro e duas na Vuelta, mas foram ainda na FDJ.

Em 2015 foi para casa na sexta etapa do Tour, pois as quedas tornaram inglória a sua tentativa de fazer algo nos sprints. Em 2016 nem lá foi depois de lesionar na mão. Uma semana antes, agrediu um hóspede num hotel que estaria a fazer barulho. No ano passado renovou por duas temporadas, mas a forma como Vasseur - que foi contratado depois dessa extensão do contrato - tem lidado com Bouhanni já deixava antever que nos planos poderia estar forçar uma saída antecipada, por opção do ciclista. Deixá-lo de fora do Tour é um recado mais do que claro das intenções de Vasseur.

O director explicou as escolhas não só por querer ver Laporte (seis vitórias em 2018) nos sprints, mas porque também quer apostar nas fugas e este ciclista também tem capacidade para tentar esse tipo tácticas. Bouhanni, nem pensar, Além disso, Jésus Herrada e Daniel Navarro terão um papel mais importante quando chegarem as etapas da montanha. É a Cofidis a regressar ao passado, mas a pensar no futuro. Laporte já renovou até 2021, enquanto a contratação dos Herrada (José não irá ao Tour), principalmente do mais novo (27 anos), é a pensar em começar a tentar algo mais nas gerais.

Apesar do seu temperamento que definitivamente não o torna no mais popular dos ciclistas, Bouhanni tem sempre evitado fazer grandes comentários sobre a sua situação. Ficou de fora do Tour e no Twitter escreveu apenas estar desiludido, desejando sorte aos companheiros.

Somou cinco vitórias em mês e meio, mas aquela na primeira etapa da Route d'Occitanie poderá ter ditado o seu destino. Bouhanni e Laporte apareceram a disputar o sprint. Até foi preciso photo finish. Ganhou Bouhanni e pelos resultados recentes até poderia pensar-se que era mesmo ele o líder, até porque ficou na roda de Laporte nos últimos metros antes do sprint. Mas não. Era Bouhanni quem deveria ter trabalhado para o companheiro, que mais parece um rival. Vasseur já nem quer voltar a ter os dois juntos numa corrida.

De estrela e líder indiscutível, a dispensável. Chegou o momento de Bouhanni pensar como irá relançar a sua carreira, pois tem apenas 27 anos e não quer ser um lançador. No sprint mais importante da época, Bouhanni perdeu-o para Laporte (25 anos).

Equipa da Cofidis para o Tour: Christophe Laporte, Jésus Herrada, Daniel Navarro, Dimitri Claeys, Nicolas Edet, Anthony Perez, Julien Simon e Anthony Turgis.

»»Bouhanni vai de mal a pior««

»»Uma Volta a França sem ciclistas portugueses««

9 de maio de 2018

Bouhanni vai de mal a pior

Estar ou não na Volta a França começa a não ser a principal preocupação de Nacer Bouhanni. O fim da linha na Cofidis poderá mesmo estar a aproximar-se. À falta de resultados e a uma longa ausência da competição, junta-se agora uma alegada troca de agressões com um dos directores desportivos da equipa. Já é conhecido o gosto pelo boxe por parte de Bouhanni. Também não é novo que chega a praticar quando perde a paciência, como aconteceu há dois anos, quando deu um murro num homem que estava a fazer barulho no hotel. Lesionou-se e falhou o Tour. Porém, um desentendimento com um director, ainda mais quando a sua posição na equipa está cada vez mais fragilizada... Bouhanni entrou numa fase crucial para definir o futuro da sua carreira.

O sprinter francês regressou às corridas no dia 1 de Maio, na clássica alemã Eschborn-Frankfurt. A época está a ser muito fraca, ainda mais tendo em conta que é o mais bem pago da Cofidis, recebendo mais de um milhão de euros por época. Há um quase mês que Bouhanni não competia. O resultado foi mais um abandono em 2018. O L'Equipe conta que, já no autocarro, o ciclista discutiu com o director desportivo Roberto Damiani sobre a táctica da equipa, que não incluiu esperar por ele quando ficou para trás. O jornal gaulês escreve que a discussão acabou em agressões.

A chegada de Cédric Vasseur ao comando técnico da Cofidis mudou a mentalidade da estrutura. O comboio de Bouhanni foi cortado, com a equipa a não querer apostar apenas no sprinter. O melhor resultado do francês foi um segundo lugar numa etapa do Volta ao Dubai. Na restante temporada, mal se o tem visto na luta por vitórias. No Paris-Nice abandonou devido a uma bronquite. Ficou de fora da Milano-Sanremo e não teve problemas em dizer publicamente que não percebia a decisão da equipa, já que o médico dizia que o ciclista estava em condições. Foi à Volta à Catalunha e abandonou pela mesma razão da corrida francesa. Ainda esteve em duas corridas do calendário nacional antes da mais recente ausência das corridas.

Bouhanni nunca falou muito e a única reacção que teve às mudanças na Cofidis foi que precisava de tempo para se adaptar ao novo método de trabalho. A Volta a França era o que mais ambicionava e apesar de até estar entre os possíveis convocados, Vasseur veio agora avisar que Bouhanni está longe de ter um lugar garantido. "Se não estás no melhor nível, então não tens nada para oferecer. Queremos levar o Nacer ao Tour, mas estou à espera de uma melhoria na sua forma", disse Vasseur ao Cycling News. Quanto às agressões, tudo estará sanado, segundo Vasseur.

O ciclista, de 27 anos, mudou-se em 2015 para a Cofidis para ter o estatuto de líder intocável. No ano passado renovou até 2019 a acreditar que assim continuaria. Entretanto chegou Vasseur e tornou-se rapidamente claro que a relação não era a mais calorosa. E Bouhanni teve ainda outro "problema" chamado Christophe Laporte. Um jovem sprinter (25 anos) e que também demonstra cada vez mais capacidade para as clássicas. E tem algo que Bouhanni não tem esta época: vitórias, no plural (quatro). Até foi ele o eleito para liderar a equipa no monumento Milano-Sanremo. O 13º lugar não foi uma desilusão para um ciclista que começa seriamente a despontar. Ainda foi à Gent-Wevelgem fazer quarto e foi 16º na Através da Flandres. Ou seja, o pavé também lhe assenta bem.

O aparecimento de Laporte coloca ainda mais pressão em Bouhanni, pois Vasseur não está a ter problemas em apostar no ciclista em detrimento da até agora estrela da Cofidis. Está em queda, mas não está excluído. Se Bouhanni quiser salvar o seu lugar e de certa forma a sua carreira, foi-lhe dado o repto que poderá muito bem ser a sua última oportunidade. A contratação dos Herrada demonstra que a montanha é novamente uma aposta e com um ordenado tão alto, a saída do sprinter permitirá a estrutura reforçar-se e continuar a adaptação ao que Vasseur tem idealizado para a Cofidis.

Com a falta de resultados, a sua personalidade - que não lhe dá a melhor da fama no pelotão (também já distribuiu umas cabeçadas e empurrões nos sprints) - e o elevado salário também não ajudarão se optar por procurar uma nova equipa já para o próximo ano. Tem contrato até 2019, mas o seu futuro está cada vez mais incerto.



10 de abril de 2018

Convites para a Vuelta sem surpresas e a abrir a porta a três ciclistas portugueses

A Euskadi-Murias recebeu um muito desejado convite para a Vuelta
A subida da Burgos BH e da Euskadi-Murias ao escalão Profissional Continental, onde só estava a Caja Rural, representa uma melhoria nas condições das equipas espanholas, pelo que era expectável que fossem premiadas com a presença na Vuelta. Afinal um, senão o, principal objectivo para os patrocinadores que investiram nestes projectos. O director da corrida, Javier Guillén, já tinha deixado indicações que os convites para a próxima edição da Volta a Espanha seriam entregues às equipas do país, sobrando um, que ficou para a francesa Cofidis. Mas também aqui não há surpresa, pois esta é uma marca que tem investido muito no ciclismo de Espanha, inclusivamente no apoio às selecções.

A alegria de uns é a grande desilusão de outros, principalmente da Aqua Blue Sport e da Manzana Postobón. A irlandesa recebeu um dos convites em 2017 e logo no seu ano de estreia no ciclismo. Depois das peripécias de ter visto o seu autocarro arder e de ter a portuguesa LA Alumínios-Metalusa-BlackJack a ceder o seu, a Aqua Blue Sport conseguiu vencer uma etapa, por intermédio do austríaco Stefan Denifl. O director, Rick Delaney, escreveu nas redes sociais estar "furioso" com a situação, questionando os critérios de escolha.

"No ano passado não tínhamos história e conseguimos alguns convites fantásticos, este ano temos alguma história positiva e temos poucos ou nenhuns convites. Investi milhões neste desporto [...]. Sem corridas significa que não há tráfego no site, que significa que não há vendas e, logo, não há financiamento para a nossa equipa", lê-se. Delaney critica ainda nem ter havido a cortesia de um telefonema a dizer que a Aqua Blue Sport tinha sido preterida.

Já a colombiana Manzana Postobón, de Ricardo Vilela, foi principalmente uma animadora nas fugas, com o holandês Jetse Bol a ser uma das figuras da primeira semana, quando chegou a figurar no top dez.

Desta feita ficarão de fora, assim como a CCC Sprandi Polkowice. A equipa polaca de Amaro Antunes sabia que as possibilidades eram quase nulas, mas depois de ficar de fora da Volta a Itália, restava sonhar com a Vuelta, mas nada feito. Porém, as escolhas feitas podem permitir ter três portugueses na corrida. Na Caja Rural, Rafael Reis poderá repetir a presença de 2017 (foi 132º), com Joaquim Silva a ter em perspectiva uma estreia em grandes voltas.

Já para José Mendes poderá ser o regresso, ele que conta com duas participações na Vuelta, em 2013 (22º) e 2016 (54º), num total de cinco grandes voltas: dois Tours e um Giro. O ciclista português foi um dos reforços da Burgos BH, depois de cinco temporadas na estrutura da actual Bora-Hansgrohe.

Na Euskadi-Murias a notícia foi recebida efusivamente. "É um momento importante para o ciclismo basco e para o desporto basco em geral", salientou Jon Odriozola, director da equipa. Desde que a popular Euskaltel-Euskadi terminou, que no País Basco há muito se aguarda pelo aparecimento de uma estrutura que dê de novo àquela região uma referência no ciclismo. Nas provas em que tem participado, a Euskadi-Murias tem assumido sempre uma postura atacante, procurando estar nas fugas. E poderemos comprovar isso já a partir de sexta-feira, pois a formação basca, juntamente com a Burgos BH, será uma das equipas estrangeiras a marcar presença no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Estas duas formações espanholas têm sido presença regular em Portugal nos últimos anos, tal como a Caja Rural.

A Cofidis irá gerar um interesse maior do que em anos anteriores, pois a equipa contratou os irmãos Herrada, José e Jesús, que durante grande parte das suas carreiras foram duas figuras da Movistar, a única equipa espanhola no World Tour. Os Herrada juntaram-se a Luis Ángel Maté e Daniel Navarro.

A Volta a Espanha começa a 25 de Agosto com um contra-relógio de oito quilómetros em Málaga. Madrid consagrará o campeão a 16 de Setembro.

24 de março de 2018

Bouhanni a cair do pedestal

(Imagem: Team Cofidis)
Vida difícil para Nacer Bouhanni. A nova visão para sua equipa tirou ao sprinter francês o lugar de total destaque na Cofidis, mas a reestruturação implementada pelo novo director Cédric Vasseur está a ir mais longe. O ciclista não rende vitórias, foi deixado de fora da Milano-Sanremo e nas últimas duas corridas abandonou devido a uma bronquite. Bouhanni foi contratado em 2015 com a única função de trazer vitórias a uma equipa que queria desesperadamente ser vista outra vez como ganhadora, mesmo estando no segundo escalão. O sprinter conseguiu algumas, mas longe do esperado. E falhou no objectivo máximo: Volta a França. Alguns episódios fora de competição e umas cabeçadas em sprints também não ajudaram à reputação de Bouhanni.

"Nos últimos anos, tudo tem estado centrado nele [Bouhanni] e isso significa que os outros ciclistas perderam o seu instinto ganhador. Se se trabalha apenas para um ciclista, então nunca se irá estar nas fugas e isso tem de mudar. Quero ver a equipa ser mais agressiva. Quero ver as camisolas da Cofidis nas fugas e isso irá ajudar a retirar a pressão do Nacer." As palavras de Vasseur, quando chegou à equipa, eram claras quanto ao estatuto de Bouhanni. É o ciclista mais bem pago da Cofidis, pelo que a responsabilidade continua a ser enorme, contudo, Vasseur cortou com a mentalidade anterior do director que trouxe o ciclista para a estrutura, Yves Sanquer. Despedido para dar lugar a Vasseur, Bouhanni evitou fazer comentários à saída de quem o colocou no centro das atenções na Cofidis, como queria quando bateu com a porta à FDJ, equipa do World Tour, mas onde recusou partilhar estatuto com Arnaud Démare.

No entanto, no pouco que disse ficou a ideia de algum mal-estar. Sobre as novas ideias de Vasseur, Bouhanni limitou-se a dizer: "Penso que preciso de algum tempo para me adaptar ao novo método de trabalho." A grande diferença está no comboio que ajudava o sprinter. Foi cortado para metade. Porém, houve mais. Christophe Laporte passou a ser aposta e este ano já tem três vitórias. Bouhanni está a zero. Para alimentar ainda mais uma possível ruptura entre ciclista e director, o sprinter foi excluído da Milano-Sanremo, com Laporte a ser chamado e a fazer 13º. Dias antes, Bouhanni tinha abandonado o Paris-Nice devido a uma bronquite. Ao seu estilo, o ciclista de 27 anos reagiu dizendo que o médico lhe tinha dado alta e que já estava a treinar, pelo que não percebia a decisão. Na equipa a justificação era que o ciclista não estava a 100%. Regressou na Volta à Catalunha e novo abandono por uma bronquite. Passaram as três corridas que Bouhanni tinha colocado como objectivo no início de temporada e as exibições do sprinter acabaram por ser uma nota de rodapé.

Em 2014, Bouhanni venceu três etapas no Giro, duas na Vuelta, mas pelo meio ficou de fora do Tour, com a FDJ a escolher Arnaud Démare como sprinter para essa corrida. Bouhanni assinou então pela Cofidis, onde lhe foi garantido que não haveria dúvidas que seria o líder indiscutível. Mesmo sendo Profissional Continental, é uma equipa cronicamente convidada para o Tour, até porque é um patrocinador que vai além da equipa de ciclismo nesta modalidade. Era o que Bouhanni queria e com o registo que trazia o sprinter na época de 2014, na Cofidis acreditava-se que se regressaria às vitórias na Grande Boucle.

Foi o quebrar com o passado, quando a equipa se mostrava mais na montanha, ou em fugas. O último triunfo no Tour foi por intermédio de Sylvain Chavanel em 2008! Em grandes voltas, Daniel Navarro venceu uma etapa na Vuelta em 2014 e depois o registo fica a zero em corridas de três semanas, precisamente porque tem sido no Tour que tem estado e Bouhanni não rende. Até chegou a ficar de fora numa edição por ter agredido um homem no hotel por alegadamente estar a fazer barulho. Faltava uma semana para o Tour e a lesão na mão acabou por ser impeditiva para competir e viu a prova em casa.

Em três temporadas na Cofidis, Bouhanni somou 28 vitórias. Muitos são os ciclistas que gostariam de ter registo idêntico. O problema é que apenas sete são do nível World Tour e duas HC. Sabe a pouco para uma equipa que apostou tanto (para não dizer tudo) neste ciclista de tanto potencial, mas que começa a dar indicações que poderá passar ao lado de uma grande carreira. E pode continuar a ganhar, mas sem aparecer no Tour, na Cofidis será sempre difícil, senão impossível, pensar que a aposta em Bouhanni foi algo perdida.

É um sprinter que se espera ter lugar no World Tour, mas no ano passado renovou por dois na Cofidis, pois Bouhanni não queria perder o seu estatuto. As suas pretensões acabaram por esbarrar na ambição da equipa que quer mais e percebeu que só com Bouhanni não iria lá. Quando Vasseur chegou os Herrada já tinham sido contratados, numa clara ideia de voltar a discutir mais do que sprints, sempre com o Tour em mente. Quando Vasseur chegou, não só se percebeu que os espanhóis teriam ainda mais destaque, como outros ganharam outro espaço, caso de Laporte (25 anos).

Não se sabe quando Bouhanni irá regressar à competição, apesar de estarem previstas participações em corridas francesas no final deste mês e início de Abril. A paciência com o sprinter poderá estar a atingir os limites. O corredor disse uma vez que não conhecia Vasseur, só de o ver na televisão a fazer comentários ou de quando era ciclista (representou precisamente a Cofidis entre 2002 e 2005). Agora já o conhece o suficiente para perceber que tem todo o poder para colocar em risco o estatuto de intocável da estrela da equipa. Em 2017, Bouhanni sofreu uma grave queda no Tour de Yorkshire, que lhe provocou problemas na visão que o perturbaram durante seis meses, segundo explicou o próprio. Porém, a bronquite de agora não irá servir de desculpa para continuar com um grande zero a nível de vitórias.

Com contrato até 2019, não seria de surpreender que a Cofidis esteja disposta a deixar sair Bouhanni. Talvez mais do que disposta, esteja mesmo com vontade de se livrar de um enorme peso salarial que poderá permitir a contratação de ciclistas que reequilibrem a equipa em todos os sectores, tornando-a mais competitiva em qualquer tipo de corrida, como quer Vasseur. Lá está, vida difícil para Nacer Bouhanni, que talvez esteja a precisar de uma dose do mundo real para recuperar a sua melhor versão, pois ao ser colocado num pedestal tão cedo na sua carreira, no seu caso, acabou por não ser o que precisava para continuar a senda de grandes vitórias que se pensava que estava apenas a começar em 2014.


2 de fevereiro de 2018

Teklehaimanot desce de escalão, mas já tem equipa

(Fotografia: Pymouss/Wikimedia Commons)
Era um ilustre desempregado no ciclismo, mas não tinha perdido a esperança de ainda conseguir uma equipa de referência para 2018, depois de ter ficado surpreendido pela Dimension Data não ter renovado o seu contrato. Daniel Teklehaimanot desceu ao escalão Profissional Continental, mas ficou numa das melhores, com presença garantida na Volta a França. A Cofidis reforçou a sua estrutura para a montanha com um ciclista talentoso, mas que tem sentido dificuldade em confirmar as enormes expectativas criadas, quando em 2015 vestiu a camisola da montanha do Tour por uns dias.

"Acabámos de recrutar um ciclista do World Tour e tenho a certeza que as suas qualidades de trepador e de [corredor] de ataque vão permitir o grupo atingir um novo nível", afirmou o novo responsável da equipa francesa, Cédric Vasseur. O eritreu, de 29 anos, limitou-se a escrever no Twitter: "Obrigada Cofidis por abrir a porta." E Teklehaimanot mal vai ter tempo para se adaptar ao novo equipamento! O ciclista irá competir já a partir de terça-feira na Volta ao Dubai, substituindo Geoffrey Soupe. Junta-se então a Nacer Bouhanni, Loic Chetout, Nicolas Edet, Cyril Lemoine, Daniel Navarro e Bert Van Lerberghe. O restante calendário irá ser confirmado mais adiante, mas o eritreu deverá ficar naquela zona do globo e participar também na Volta a Abu Dhabi.

Teklehaimanot foi uma das figuras africanas que contribuiu para a notoriedade que a então MTN-Qhubeka ganhou, tendo depois subido com a equipa ao World Tour. O nome mudou para Dimension Data, foram contratados ciclistas de maior mediatismo, como Mark Cavendish, mas o ciclista eritreu foi mantendo o seu espaço. Contudo, os resultados foram muito irregulares, com Teklehaimanot a ter a capacidade para estar ao melhor nível em certos dias, mas a desaparecer por completo noutros.

Em Janeiro, o ciclista afirmou ao L'Equipe que pensava que era um erro quando o seu contrato não foi renovado, salientando que não entendia o que tinha acontecido. A BMC chegou a ser falada como uma das possíveis interessadas, mas foi um rumor nunca confirmado. Teklehaimanot continuou a treinar, sem perder a esperança que um contrato chegasse. Vasseur acabou por ver no ciclista uma possibilidade de ter uma estrutura mais equilibrada, sem depender tanto do sprinter Nacer Bouhanni, como pretende.

Numa entrevista ao L'Equipe, Vasseur confirmou novamente que Bouhanni irá continuar a ser, naturalmente, uma das referências, mas a aposta será diferente. A primeira mudança passou por reduzir o seu "comboio", com o responsável a considerar que não estava a resultar para o sprinter, que se via muitas vezes fechado nos últimos metros. "A equipa trabalha durante a corrida e no final são os instintos do sprinter que fazem a diferença. O Nacer não precisa de seis corredores à sua volta, nem precisa de Christophe Laporte para ser o seu lançador para ganhar corridas de importância média", salientou Vasseur, justificando porque Laporte tem um calendário que difere do de Bouhanni neste início de temporada.

De recordar que a Cofidis é uma das equipas que estará na Volta ao Algarve, mas, para já, só o espanhol Luis Ángel Maté aparece com a prova portuguesa no seu calendário.


11 de novembro de 2017

Cofidis aposta forte no director desportivo para mudar rumo da equipa

Nacer Bouhanni continua sem vencer na Volta a França
Os responsáveis da Cofidis estão cansados de ser uma das principais equipas do escalão Profissional Continental, que deixou o World Tour por opção em 2010. Estão cansados de ter um dos melhores sprinters do mundo e não o ver render no maior dos palcos: a Volta a França. É preciso recuar a 2008 para ver a última vitória no Tour da Cofidis, num ano em que venceu duas etapas por intermédio de Sylvain Chavanel. A espera é longa, portanto, a Cofidis virou-se para Cédric Vasseur, que tanto resistiu em aceitar um cargo numa equipa desde que terminou a carreira de ciclista, mas que acabou por aceitar este desafio. Os objectivos são bem claros: tirar melhor partido de Bouhanni, mas, ao mesmo tempo, deixar de ter uma equipa centrada apenas no sprinter francês.

A Cofidis sempre foi uma equipa que se apresentou na luta pela montanha na Volta a França e noutras grandes corridas. Porém, quando em 2015 abriu os cordões à bolsa para garantir um Nacer Bouhanni, à procura de ser um líder indiscutível e não dividir as atenções com Arnaud Démare na FDJ, a equipa francesa assumiu uma mudança na táctica de enfrentar as competições. Com Bouhanni esperava ter maiores garantias de ganhar a desejada etapa no Tour. Daniel Navarro, Luis Ángel Maté e Nicolas Edet (e não só) mantiveram o papel de se mostrar quando o terreno inclina, mas o trabalho principal passou a ser proteger Bouhanni.

Aos 47 anos, Vasseur assume um novo desafio
"Nos últimos anos, tudo tem estado centrado nele [Bouhanni] e isso significa que os outros ciclistas perderam o seu instinto ganhador. Se se trabalha apenas para um ciclista, então nunca se irá estar nas fugas e isso tem de mudar. Quero ver a equipa ser mais agressiva. Quero ver as camisolas da Cofidis nas fugas e isso irá ajudar a retirar a pressão do Nacer", explicou Vasseur, de 47 anos, ao Cycling News.

Criar o "espírito certo", dar primazia ao profissionalismo, tirar partido da contratação dos irmãos Herrada e assegurar que personalidade forte de Bouhanni seja uma vantagem no ciclismo e não uma forma de o deixar fora de prova, são metas que Vasseur espera alcançar. Mesmo querendo que o sprinter não seja o foco total da Cofidis, a verdade é que Bouhanni (27 anos) tem contrato até 2019 e chegou o momento de vencer mais nos grandes palcos.  O sprinter somou sete vitórias em 2017, mas apenas uma do nível World Tour, na quarta etapa da Volta à Catalunha. No ano passado, o ciclista ficou de fora do Tour por ter agredido um homem no hotel onde estava hospedado por altura dos Nacionais. Bouhanni lesionou-se quando faltava uma semana para o arranque da corrida. Além deste caso, há ainda umas cabeçadas e uns "chega para lá" que já lhe valeram desclassificações.

"O que eu sei é que ele é um grande talento. Teremos muitas conversas durante o Inverno e farei com que ele perceba o quanto poderá ser bom. Penso que ele pode ganhar as grandes corridas e em primeiro lugar estará a Milano-Sanremo. Ele tem capacidade para ganhá-la", afirmou Vasseur. O agora director desportivo, considera que Bouhanni perdeu a confiança e que, por isso, fica nervoso. "Apenas precisamos de trabalhar o seu lado psicológico. Os seus atributos físicos são fenomenais", salientou.

A contratação dos irmãos Herrada não irá colocar a Cofidis a um nível para lutar pela geral num Tour, mas a equipa poderá beneficiar e muito da experiência destes dois ciclistas. José (32 anos), esteve as últimas seis temporadas na Movistar, enquanto Jesús (27), começou como profissional na equipa espanhola em 2011 e é o actual campeão nacional espanhol. Vasseur considera que haverá mais opções para os dias de montanha.

Apesar da Cofidis versão 2018 ter sido construída pelo seu antecessor Yvon Sanquer, Vasseur está satisfeito com o plantel. Recusou propostas da BMC e da Quick-Step Floors, equipa que representou enquanto ciclista e na qual terminou a carreira em 2007, mas parece que chegou a altura de se mostrar como director desportivo. Entre 2002 e 2005 vestiu as cores da Cofidis, numa altura em que a estrutura estava no principal escalão. Tem no seu currículo duas etapas no Tour, em 1997 e 2007.

Cédric Vasseur é desde já a grande contratação de uma Cofidis que quer ser de novo falada pela conquista de grandes vitórias.



24 de julho de 2017

Sky levou quase metade do valor total dos prémios monetários do Tour

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
Mais de dois milhões de euros em prémios monetários estavam à espera das equipas na Volta a França. Entre vitórias de etapas, sprints intermédios, contagens de montanha, combatividade, classificação geral... durante 21 dias houve várias oportunidades para se amealhar algum dinheiro. Estamos a falar de equipas com orçamentos altos, em casos como a Sky rondam os 30 milhões de euros, os mais baixos no World Tour contam com cerca de 10 milhões para serem gastos durante a temporada. O dinheiro que vem do Tour pode não ser decisivo para o futuro de uma destas equipas, até porque é normalmente dividido pelos ciclistas, servindo como forma de premiar monetariamente o esforço de três semanas. Ainda assim, quanto mais se ganha, mas se dá aos corredores, o que é sempre motivante. Ora os valores foram divulgados após o final da 104ª edição da Volta a França e sem surpresa a Sky foi quem mais ganhou. Levou quase metade do valor disponível.

Do lado oposto surge a discreta Cofidis, que tendo Nacer Bouhanni apagado ganhou muito pouco. Porém, a surpresa vai para a presença nos últimos lugares da Movistar, equipa que está habituada a levar um bom cheque. Sem Alejandro Valverde (caiu e abandonou logo na primeira etapa) e com um Nairo Quintana fora de forma, mais ninguém da formação se mostrou no Tour. Porém, a pior equipa do World Tour foi mesmo a Bahrain-Merida, que perdeu o seu líder também na primeira etapa devido a uma queda, no mesmo sítio onde Valverde foi violentamente ao chão,

Mas vamos então às contas. O total do bolo era 2.287.650 euros. A Sky levou 716,590, sendo que 500 mil são da conquista do quarto Tour de Chris Froome. Por cada dia que o britânico e Geraint Thomas andaram de amarelo a Sky ganhou 500 euros, o quarto lugar de Mikel Landa rendeu 70 mil e a vitória na classificação de equipas 50 mil.

Segue-se a Cannondale-Drapac com Rigoberto Uran a ser o ganha-pão da equipa americana. Só o segundo lugar na Volta a França garantiu 200 mil euros dos 243,250 que foram amealhados. O colombiano ganhou também uma etapa: 11 mil euros. Na terceira posição não surge a formação de Romain Bardet, que ocupou o último lugar do pódio em Paris. A grande exibição da Sunweb valeu 177,790 euros. Foram duas classificações (pontos e montanha), ou seja 25 mil euros cada, e quatro vitórias de etapas, com Michael Matthews e Warren Barguil em destaque. Só depois surge então a AG2R com 173,040 euros ganhos, 100 mil do terceiro lugar de Bardet, que também venceu uma etapa.

Saltamos então para as últimas posições. A Cofidis passou quase completamente ao lado da corrida. É uma equipa francesa, com muitos anos no pelotão. Aposta forte no sprinter, mas Bouhanni desiludiu e nas fugas em que alguns ciclistas ainda estiveram também pouco se viu de destaque. Foram 19,230 euros ganhos. A Bahrain-Merida ficou com 19,960 e a Movistar com 24,090.

Apesar do dinheiro ser ganho pelos ciclistas, é tradicional o valor ser dividido por toda a equipa, sendo algo válido para qualquer competição e para equipas nos diferentes escalões.

Aqui fica a lista completa dos valores atribuídos e em baixo pode ver o vídeo com os melhores momentos da Volta a França.

  • Sky 716,590 euros
  • Cannondale-Drapac 243,250
  • Sunweb 177,790
  • AG2R La Mondiale 173,040
  • Quick-Step Floors 115,440
  • Lotto Soudal 87,590
  • Astana 81,080
  • Lotto-Jumbo 77,250
  • Trek-Segafredo 69,580
  • Orica-Scott 66,900
  • UAE Team Emirates 63,910
  • Dimension Data 59,710
  • BMC 59,210
  • Bora-Hansgrohe 55,290
  • Direct Energie 43,720
  • Wanty-Groupe Gobert 39,360
  • Katusha-Alpecin 33,880
  • FDJ 32,720
  • Fortuneo-Oscaro 28,150
  • Movistar 24,090
  • Bahrain-Merida 19,960
  • Cofidis 19,230

29 de junho de 2017

Agora é branco a mais...

Alberto Contador e companheiros vão ter uma camisola nova para o Tour
(Fotografia: Kramon/Trek-Segafredo)
A regra determina que os equipamentos devem ser distintos de forma a reconhecer-se facilmente as equipas durante as corridas. A regra existe, mas há muito que já nos tivemos de habituar a tentar adivinhar quem é quem quando a imagem está mais afastada. Os equipamentos têm de ser aprovados e ano após ano verifica-se alguns muito idênticos que passam o "teste". 2017 não foi excepção. O maior problema tem sido distinguir os vermelhos da BMC, Katusha-Alpecin e Cofidis, sempre que a formação Profissional Continental está em prova. Juntam-se a Lotto Soudal e a Trek-Segafredo. Todas apostaram no vermelho, ainda que a última tenha muito preto. Depois há a Movistar e a Orica-Scott, cujo o azul também é muito parecido, principalmente visto à distância.

Porquê este tema hoje? Algumas equipas estão a apresentar equipamentos renovados para o Tour. Não é inédito e é também um forma de marketing. Porém, parece que resolveram todas virarem-se para o branco. Sim, vai ser um pelotão muito branquinho e boa sorte para se encontrar o líder da juventude. A Sky foi a primeira a mostrar a mudança de camisola. Abandona o tradicional preto com a lista azul e opta pelo branco no Tour. Ontem foi a Katusha-Alpecin, que mantém parte do vermelho, mas a parte de cima da camisola passa a ser branca. Esta quinta-feira foi a vez da Trek-Segafredo divulgar a camisola especial: é branca.

No caso da Katusha-Alpecin é bem possível que a parte branca até ajude a distinguir de facto a equipa, já que não mudou toda a camisola e deixando de ser completamente vermelha, não haverá confusão com a BMC ou Lotto Soudal.

Quanto à cor branca, a Sky e a Trek-Segafredo vão juntar-se à Sunweb e UAE Tem Emirates, que têm algum preto, mas a camisola é predominantemente da cor clara. Salvo alguma alteração de última hora, a Fortuneo-Vital Concept também tem mais branco, a FDJ e AG2R idem. Porém, as equipas francesas têm outras cores. Ainda assim, é muito branco.

Há indicações que os líderes das classificações devem ser facilmente identificáveis. A Lotto-Jumbo, por exemplo, manteve uma longa tradição de equipas que ao vestiram de amarelo, mudam no Tour. A formação holandesa já anunciou que trocou as cores, ou seja, o preto passa a dominar, com as mangas a serem amarelas. No entanto, o líder da classificação da juventude não terá o mesmo respeito. A camisola da montanha também tem o fundo branco, mas aquelas bolinhas vermelhas vêem-se à distância!

Vida difícil para quem tiver de comentar as etapas...



29 de março de 2017

Bouhanni renova com a Cofidis. Confiança ou comodismo?

A época ainda vai nos primeiros meses, mas Nacer Bouhanni e a Cofidis quiseram desde já resolver o futuro. O ciclista francês renovou o contrato com a equipa francesa até 2019 e deverá continuar a receber cerca de 1,5 milhões de euros por ano. O sprinter voltou a trazer algum prestígio a uma formação que já contou com grandes nomes do ciclismo, mas que também viu alguns dos seus atletas serem envolvidos em casos de doping. Bouhanni trouxe também as desejadas vitórias, contudo, a sua personalidade de bad boy tem valido ao ciclista alguns dissabores, como foi a exclusão em cima da hora da Volta a França, no ano passado, devido a um murro dado a um hóspede do hotel onde estava, que estaria a fazer barulho durante a noite. Teve mesmo de ser operado à mão.

"Era importante para mim finalizar este acordo cedo porque eu gosto de saber o que esperar do futuro", explicou Bouhanni num comunicado. Se era tranquilidade contratual que o francês queria, já a tem. Se queria um voto de confiança da equipa, recebeu-a não só em forma de contrato, mas também na garantia que continuará a ser o líder. O director da Cofidis, Yvon Sanquer, salientou a confiança que Bouhanni demonstrou na estrutura "nos melhores anos da sua carreira". "O Nacer está a atingir a maturidade e estou convencido que vai enriquecer [a carreira] com mais belas vitórias", destacou Sanquer.

Esta renovação de contrato coloca um ponto final nas dúvidas se a Cofidis estaria satisfeita com o rendimento do ciclista, contratado em 2015, depois de ter aparecido na FDJ. Não há dúvidas que Bouhanni colocou a equipa na rota das vitórias, no entanto, ainda não concretizou o grande objectivo: a etapa na Volta a França. Soma 24 vitórias pela Cofidis (tem 54 no total como profissional), sete ao nível do World Tour. Apesar do ciclista destacar este facto, a verdade é que tendo em conta a qualidade deste sprinter, sabe a pouco. 

Quando assinou pela Cofidis assumiu que queria uma mudança na carreira, não temendo descer ao escalão Profissional Continental, sabendo que a formação é presença habitual na Volta a França. Na FDJ tinha de partilhar a liderança nos sprints com Arnaud Démare. Em 2014 venceu três etapas no Giro, mas ao ficar de fora do Tour, Bouhanni considerou que a equipa tinha feito uma escolha: preferia Démare. A resposta veio na Vuelta, depois do seu colega/rival ter ficado a zero na Volta a França: Bouhanni conquistou duas etapas em Espanha.

Sempre se pensou que a Cofidis seria uma forma do ciclista se afirmar como líder para depois regressar ao lugar que continua a parecer que deveria ser dele, ou seja, estar numa equipa do principal escalão. Porém, aos 26 anos (faz 27 a 25 de Julho) escolheu permanecer numa equipa Profissional Continental, ficando assim afastado da possibilidade de estar em mais corridas do World Tour. Será difícil imaginar que nenhuma equipa do principal escalão não tivesse Bouhanni na lista de potenciais reforços. Na decisão do ciclista terá pesado o facto de na Cofidis ter garantias que será o líder e que os colegas têm a missão de o ajudar sempre que se está em corridas que são para as suas características. O que viveu na FDJ não foi esquecido por Bouhanni, que apesar de na altura estar a ter mais sucesso que Démare, foi preterido quando chegou o momento de ir ao Tour, que como francês, +e a sua corrida de eleição.

É de lamentar não se ver Bouhanni regressar ao World Tour em 2018, existindo talvez algum comodismo por parte do ciclista que prefere ficar numa equipa que sabe que não colocará a sua condição de líder em risco. Resta agora à Cofidis garantir que este sprinter de grande qualidade tenha todas as condições para lutar por grandes vitórias. O grande objectivo é a Volta a França, mas Bouhanni tem também de apontar a um monumento, nomeadamente a Milano-Sanremo, corrida que em 2016 teve o azar de a corrente saltar quando ia começar o sprint. Para piorar viu o rival Démare ganhar.

A Cofidis tem um enorme valor do ciclismo e tem o dever de ter um conjunto de grande nível para ajudar Bouhanni. No entanto, este francês de feitio difícil também tem de demonstrar que está concentrado a 100% na estrada, mantendo a sua paixão pelo boxe em segundo lugar e tentando envolver-se menos em polémicas, inclusivamente nos sprints, pois já tem algumas desclassificações por irregularidades (algumas bem perigosas).

Este ano estava difícil começar a somar vitórias, mas numa semana venceu com uma autoridade impressionante a clássica belga Nokere Koerse e também uma etapa na Volta à Catalunha.

Não se pode dizer que Bouhanni arrisca passar ao lado de uma grande carreira, pois já tem vitórias importantes no seu currículo. Porém, depende de Bouhanni e da Cofidis assegurar que não se fique por uma boa carreira, pois será pouco tendo em conta o potencial de grande sprinter que Bouhanni tem.

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»»Pedalar às cabeçadas, uma marca por registar««