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3 de março de 2017

Strade Bianche, um oficioso sexto monumento

(Fotografia: Facebook Strade Bianche)
Em dez anos de história a Strade Bianche tornou-se numa corrida obrigatória para os homens das clássicas. Só este ano entrou para a categoria World Tour, mas há muito que os melhores ciclistas e as melhores equipas colocam a corrida italiana nos seus calendários. Em 2016, Fabian Cancellara venceu pela terceira vez, o que fez a organização dar o seu nome a um dos sectores de sterrato (caminhos de terra). A Strade Bianche foi mesmo a última clássica que o suíço venceu e este ano os grandes nomes estarão presentes para prosseguir um legado que ainda é pequeno comparando com outras clássicas, mas que na opinião do director desportivo da Cannondale-Drapac, Fabrizio Guidi, tem tudo para transformar a corrida da Toscana em um dos monumentos do ciclismo e assim juntar-se à Milano-Sanremo, Volta a Flandres, Paris-Roubaix, Liège-Bastogne-Liège e Lombardia.

A Strade Bianche é a primeira das novas corridas do calendário World Tour a contar com todas as equipas do principal escalão. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) e Greg van Avermaet (BMC) partem como favoritos - como tem sido habitual nos últimos dois anos em muitas clássicas -, mas o pelotão contará ainda com Jan Bakelants (AG2R), Tiesj Benoot (Lotto Soudal), Diego Rosa (Sky), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Fabio Felline (Trek-Segafredo) e também os vencedores de 2013, 2014 e 2015: Moreno Moser (Astana), Michal Kwiatkowski (Sky) e Zdenek Stybar (Quick-Step Floors). E já agora, Peter Sagan conta com dois segundos lugares!

Além destes principais candidatos, Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Fabio Aru (Astana), Rigoberto Uran (Cannondale-Drapac), Thibaut Pinot (FDJ) e Roman Kreuziger (Orica-Scott) dão ainda mais classe a este pelotão que terá três portugueses. A principal curiosidade é Nuno Bico. O jovem ciclista da Movistar tem uma preferência por corridas de um dia e a equipa espanhola está a oferecer as oportunidades que Nuno Bico deseja. Sem pressão para alcançar desde logo bons resultados, ainda assim é uma corrida que o português terá a possibilidade de aprender a lidar com os melhores do mundo.

Depois temos José Gonçalves. A fazer a estreia no World Tour pela Katusha-Alpecin, esta é uma prova em que o ciclista poderá ter alguma liberdade para se mostrar. Tendo em conta que gosta de "jogar" ao ataque e sendo uma corrida que normalmente fica marcada precisamente por esse tipo de corredores, a ver vamos se será o momento em que vemos o José Gonçalves que bem se conhece dos tempos da Caja Rural.

Quanto a Tiago Machado, também da Katusha-Alpecin, o português tem cada vez mais se notabilizado como homem de trabalho na equipa suíça. Nunca é de afastar a possibilidade de atacar, mas a formação terá Maxim Belkov e Jhonatan Restrepo (que está a realizar um início muito forte de temporada) que deverão ser as principais apostas para a corrida.

"É uma das corridas mais importantes entre as clássicas da Primavera. Já é muito importante para os ciclistas e vê-se os grandes nomes a vir aqui. Pode um dia vir a ser um dos monumentos", salientou Fabrizio Guidi, citado pelo Velonews.

Fabian Cancellara considera que a Strade Bianche é "uma corrida especial". "Serve para os homens das clássicas, para os das Ardenas e até os das grandes voltas têm uma hipótese [de vencer]. Isso torna a corrida única", salientou no dia em que inaugurou a pedra que irá identificar o seu sector de sterrato, o oitavo dos 11 que compõem a prova (vídeo em cima).

A Strade Bianche terá transmissão no Eurosport. Mas há uma incerteza para o espectáculo de amanhã: irá chover? Será que vamos ter muito pó, ou lama? E não esquecer, que também as senhoras terão a possibilidade de enfrentar o sterrato de uma das corridas mais apreciadas do calendário, agora do World Tour.

Veja aqui a lista de inscritos.




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»»Clássicas. Tudo começou com um cenário bem conhecido: Avermaet a bater Sagan. Mas será que vão ser desqualificados?««

»»Sagan e Ewan aprenderam rapidamente com os erros««

25 de fevereiro de 2017

Clássicas. Tudo começou com um cenário bem conhecido: Avermaet a bater Sagan. Mas será que vão ser desqualificados?

Pódio da primeira clássica do ano (Fotografia: Twitter Omloop Het Nieuwsblad)
A corrida que abriu a época das clássicas não desiludiu. Nenhum dos principais ciclistas esteve na Omloop Het Nieuwsblad com outro pensamento que não fosse lutar pela vitória. Pavé, vento e uma queda foram os ingredientes de uma prova emocionante e que viu três dos melhores homens de corridas de um dia encetarem uma fuga de luxo, que nem um grupo com a Sky e Quick-Step Floors conseguiu apanhar: Greg van Avermaet, Peter Sagan e Sep Vanmarcke. Que trio! No entanto, há quem peça a desqualificação dos três. Mas já lá vamos.

Uma queda a cerca de 60 quilómetros da meta acabou por ser decisiva, pois ajudou a definir a frente da corrida e tirou dela alguns candidatos. Aconteceu no meio do pelotão, arrastando um elevado número de ciclistas. Entre eles Tom Boonen, Alexander Kristoff e Tiesj Benoot. O emaranhado de bicicletas, algumas delas ficaram fora de acção, e as mazelas com que ficaram fez com que a perda de tempo acabasse por ser demasiado grande. Os três não terminaram a corrida. Tom Boonen irá acabar a carreira sem nunca ter conquistado esta prova belga.

Naquela altura a corrida estava mais do que lançada na perseguição aos fugitivos. Peter Sagan foi o impulsionador do ataque que acabaria por resultar no trio já referido. Outros tentaram acompanhar, mas à medida que foram passando os sectores de pavé, ninguém conseguia acompanhar o ritmo de loucos dos três ciclistas.

Até final a corrida ficou marcada por um entendimento entre Sagan, Avermaet e Vanmarcke e por uma perseguição que não resultou, pois não houve união de esforços. E dada a qualidade que ia na frente, só assim seria possível apanhar o trio. Seria uma surpresa ver Vanmarcke bater ao sprint Avermaet e Sagan, pelo, apesar de ter atacado primeiro, a luta foi entre os dois habituais suspeitos. E foi aí que Sagan cometeu um erro incompreensível para alguém com a sua experiência. Na curva que antecedia a meta, o eslovaco abriu, dando espaço para Avermaet passar e ganhar vantagem. Demasiada vantagem. Não houve pernas para apanhar o belga e Sagan lá assistiu a mais uma vitória do rival. Este cenário foi exactamente o mesmo na Omloop Het Nieuwsblad de 2016... e de outras corridas.

As clássicas começam como há um ano. Greg van Avermaet deixou definitivamente para trás o estigma do eterno segundo. É um ciclista que enfrenta as corridas com uma confiança ganhadora e é dos poucos que não teme nem um bocadinho o poderio de Sagan, pois parece ter a receita para derrotar o bi-campeão do mundo. Foi a 11ª vitória do ano para a BMC, que está a realizar um fortíssimo início de temporada.

Para Peter Sagan foi a posição habitual. Já são quatro segundos lugares em 2017. Já se sabe que o eslovaco tem uma forma muito particular de enfrentar um mau momento: começa logo a pensar na próxima corrida e em ganhá-la. Sagan não se deixa abater, contudo, o erro que cometeu terá de servir de lição. Tanto quis controlar Avermaet que o deixou escapar. Se calhar as derrotas para o belga começam a ter algum peso na consciência de Sagan. Para a Bora-Hansgrohe fica alguma frustração. Ainda não foi desta que conquistou a primeira vitória como equipa World Tour.

Quanto a Sep Vanmarcke, também foi mais do mesmo. Está na luta, mas não consegue ter aquela ponta final que precisa para vencer. O ciclista da Cannondale-Drapac até já conquistou a Omloop Het Nieuwsblad em 2012, depois somou pódios noutras clássicas. Mas não consegue as vitórias que eram esperadas.


Porém, não há tempo para lamentações. Este domingo praticamente o mesmo pelotão estará novamente na estrada, agora na Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Serão 200,7 quilómetros de mais espectáculo... pelo menos assim se espera.

Veja aqui a lista de inscritos.

Pedem a desqualificação dos três primeiros

A questão surgiu logo após o final da corrida e foi ganhando força nas horas seguintes, com alguns directores desportivos e ciclistas a questionarem a quebra de uma regra por parte dos fugitivos. Em causa está a utilização de um passeio para fugir a uma parte de pavé, algo que a organização tinha proibido e avisado as equipas que quem o fizesse seria desqualificado.

Ora as imagens demonstram como alguns ciclistas optaram pelo passeio para escapar ao pavé, incluindo Greg van Avermaet, Peter Sagan e Sep Vanmarcke. A polémica subiu de tom porque, apercebendo-se da situação, foi colocada uma moto da organização a impedir a utilização do passeio pelos grupos que seguiam na perseguição. Estes ciclistas tiveram de pedalar pelo pavé.

Jaspert Stuyven (Lotto Soudal), Luke Rowe (Sky) e Edward Theuns (Trek-Segafredo) foram alguns dos corredores que levantaram a questão. Todos eles salientam o facto da organização ter avisado que seriam desqualificados se utilizassem os passeios.
Os comissários foram abordados por directores desportivos que se queixaram do desrespeito da regra por parte dos ciclistas que terminaram no pódio. Greg van Avermaet foi questionado sobre a utilização dos passeios e o belga respondeu ao Cycling News que "é fácil tomar uma decisão [de proibição], mas em corridas como esta não é possível [respeitá-la]". Avermaet salientou que quando se está a correr é necessário sair da estrada para conseguir recuperar posições ou para escapar a quedas. "Não é possível controlar", afirmou.

Para já só há queixas. Se houvesse desqualificação, o vencedor seria Fabio Felline, italiano da Trek-Segafredo que terminou a 45 segundos do trio que subiu ao pódio.


24 de fevereiro de 2017

Sagan, Avermaet, Boonen... A época das clássicas vai começar

(Fotografia: Facebook Volta a Flandres)
Antes das atenções se virarem para as competições de três semanas, chega uma altura do ano muito especial do ciclismo: a das clássicas. É a emoção das corridas de um dia com enorme tradição principalmente em terras belgas e francesas. O pavé que faz parte de algumas das mais icónicas corridas, ao que se junta muitas vezes o mau tempo que torna as provas nuns desafios infernais para os ciclistas e num espectáculo admirado por muitos fãs. Chegou o momento de grandes estrelas entrarem em acção, a maior de todas Peter Sagan, ainda sem vitórias este ano, mas já com uns segundos lugares, outra tradição (mais recente) do ciclismo! No entanto, se há um ano o eslovaco dividiu as atenções com Fabian Cancellara, que estava a fazer a despedida, em 2017 irá fazê-lo com outro dos maiores classicistas de sempre: Tom Boonen está mesmo na recta final, pois a 9 de Abril, no Paris-Roubaix, terminará uma carreira de sucesso invejável. E claro, Greg van Avermaet tem contas pendentes a ajustar, pois quando finalmente venceu uma clássica na Bélgica e parecia encaminhado para lutar pelos monumentos da Volta a Flandres e Paris-Roubaix, sofreu uma queda no primeiro e teve de assistir pela televisão à restante época das clássicas em 2016.

Tudo começa este sábado com a Omloop Het Nieuwsblad. A corrida belga irá fazer a sua estreia no calendário World Tour, uma subida que limita-se a confirmar a importância que já tinha. Em 71 edições contou com grandes vencedores e sempre foram muitos os ciclistas de renome que fizeram questão de estar presente na corrida. Em 2016, Greg van Avermaet finalmente venceu uma prova de um dia no seu país, confirmando a sua alcunha de "besta negra de Sagan", pois deixou, como já o fez noutras ocasiões, o eslovaco na segunda posição. No domingo, será a vez de outra clássica histórica. A Kuurne-Bruxelles-Kuurne é de categoria 1.HC, mas contará praticamente com o mesmo pelotão que estará na Omloop Het Nieuwsblad.

Durante os próximos dois meses haverá muita acção para se assistir. Aqui fica uma lista de ciclistas a seguir.

Tom Boonen (36 anos, Quick-Step Floors)
(Fotografia: Quick-Step Floors)
É uma questão de respeito começar pelo belga. Afinal estamos a falar de um dos grandes especialistas do ciclismo neste tipo de corrida que anunciou que chegou o momento de se retirar. Os últimos anos não têm sido fáceis para Tom Boonen. Ou não conseguia apresentar-se na melhor forma, ou uma queda acabava por lhe estragar a fase do ano que mais gosta. É preciso não esquecer que até se destacou como sprinter no início da carreira, mas foi nas clássicas que construiu o seu maior legado. Inevitavelmente as quatro vitórias no Paris-Roubaix e as três na Volta a Flandres são os seus maiores feitos, ao lado dos Mundiais em 2005. 2012 foi um ano memorável para Boonen, sendo quase imbatível nas clássicas, tendo conquistado pela última vez os dois monumentos. O objectivo de 2017 é terminar a carreira com uma vitória no Paris-Roubaix, depois de no ano passado ter sido surpreendido por Mathew Hayman. Mas até lá quer mais uns triunfos. E a julgar pelas provas que já realizou este ano, Boonen deverá apresentar-se em boa forma e nada melhor que começar as clássicas com uma conquista que falta no seu currículo: a Omloop Het Nieuwsblad.

Peter Sagan (27 anos, Bora-Hansgrohe)
(Fotografia: Bora-Hansgrohe)
É o maior especialista da actualidade. Porém, ainda só conta com um monumento, conquistado precisamente no ano passado, na Volta a Flandres. Em qualquer clássica que Sagan participe dificilmente (e estranhamente) não será considerado o principal favorito. No entanto, tem uma tendência em somar segundos lugares. Claro que isso significa que está na luta pelas vitórias e o próprio não se deixa abater por tal, preferindo de imediato pensar em ganhar a próxima corrida. Contudo, depois de dois Mundiais conquistados, cinco classificações por pontos do Tour e 89 vitórias como profissional aos 27 anos, o eslovaco quererá definitivamente afirmar-se como o rei das clássicas, sendo apontado como o ciclista que tem todas as qualidades para conquistar os cinco monumentos, ainda que a Lombardia não seja uma corrida que aprecie muito. A sua inteligência, a sua potência, o seu estilo de ataque tornaram-no numa referência. Agora é altura de consolidar um currículo que tem tudo para ser um dos mais impressionantes do ciclismo. Boonen, por exemplo, tem 113 vitórias como profissional.

Greg van Avermaet (31 anos, BMC)
(Fotografia: BMC)
2016 só não foi perfeito porque a queda com elementos da sua equipa na Volta a Flandres retirou-lhe a possibilidade de lutar por essa corrida e depois pelo Paris-Roubaix. No entanto, depois de anos a ver da primeira fila outros ganharem, Avermaet começou a somar triunfos e no ano passado venceu finalmente uma corrida na Bélgica. Apesar da queda, o ano teve tudo para ser memorável por boas razões. Venceu o Tirreno-Adriatico (bateu Sagan, pois claro), venceu uma etapa no Tour e vestiu a camisola amarela e foi campeão olímpico. O belga conquistou o seu espaço na BMC, que não se preocupou em tentar segurar Philippe Gilbert. Avermaet será o único líder da equipa para esta altura do ano e estando no seu melhor momento da carreira, é de esperar vê-lo sempre entre os primeiros... se não mesmo em primeiro.

Philippe Gilbert (34 anos, Quick-Step Floors)
(Fotografia: Quick-Step Floors)
O belga tenta reencontrar-se com as vitórias. Depois de dominar no início da década, a passagem pela BMC acabou por ser um pouco aziaga. Parecia que Gilbert tinha tudo para se transformar num dos grandes classicistas da história. Porém, depois de três monumentos em outros tantos anos (duas Lombardias e uma Liège-Bastogne-Liège), a última grande vitória numa clássica data de 2014, quando conquistou a sua terceira Amstel Gold Race. Na Quick-Step Floors, o ciclista espera recuperar algum dos prestígio perdido. Nesta primeira fase das clássicas estará mais no apoio a Boonen - algo que não o incomodará muito, pois não é um fã do pavé -, mas depois do Paris-Roubaix, terá caminho aberto para liderar a equipa, ainda que Niki Terpstra terá também sempre a sua oportunidade para lutar por vitórias.

John Degenkolb (28 anos, Trek-Segafredo)
(Fotografia: Trek-Segafredo)
Depois de um 2016 para esquecer - foi atropelado na pré-época e quase perdeu um dedo -, Degenkolb mudou de ares. Deixou a Giant-Alpecin e assinou pela Trek-Segafredo, que acredita que o alemão tem tudo para ocupar o lugar deixado vago por Fabian Cancellara. Em 2015 conquistou a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix e Degenkolb quer construir um grande currículo nas clássicas. As indicações de início do ano são muito animadoras. Conta com uma vitória e na Volta ao Dubai, tendo estado na luta nos sprints nessa corrida e também na Volta ao Algarve. Degenkolb está a recuperar as melhores sensações como ciclista e é um dos nomes a ter em conta. No entanto, não o vamos ver este fim-de-semana. Não está inscrito para a Omloop Het Nieuwsblad e não aparece na lista de pré-inscritos da Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Irá ao Paris-Nice antes de atacar os três monumentos: Milano-Sanremo, Volta a Flandres e Paris-Roubaix.

Jasper Stuyven (24 anos) e Edward Theuns (25)
(Fotografias: Trek-Segafredo)
A Trek-Segafredo apresenta-se com um lote muito forte de ciclistas para as clássicas. Se não há John Degenkolb, então a equipa americana joga com dois jovens de grande talento. Jasper Stuyven já comprovou que é homem para estas corridas, principalmente no inferno do pavé. Em 2010 venceu o Paris-Roubaix no escalão de juniores e no ano passado conquistou a Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Stuyven - vencedor da Volta ao Alentejo em 2013 - é uma das grandes esperanças da Trek-Segafredo, assim como Theuns. Porém, neste caso, há uma incógnita: Theuns sofreu uma queda muito grave no contra-relógio da Volta a França. A lesão nas costas fê-lo temer que o seu primeiro ano no World Tour seria o último. Recuperou, mas falta saber se conseguirá regressar ao seu melhor, para assim continuar a evoluir. Talento tem, agora é uma questão de perceber se o corpo está 100% recuperado e se mentalmente Theuns está pronto para enfrentar situações perigosas como as descidas, pois foi numa que caiu no Tour.

Tiesj Benoot (22 anos, Lotto Soudal)
(Fotografia: Lotto Soudal)
É um diamante em bruto. É muito jovem, pelo que poderemos ter de esperar algum tempo para o ver ganhar uma grande clássica. Ou talvez não... Benoot já tem resultados de nota nestas corridas, pelo que pode não ser um dos favoritos, mas é um candidato. No ano passado foi terceiro na Omloop Het Nieuwsblad e em 2015 foi quinto na Volta a Flandres. O recente vencedor da classificação da juventude na Volta ao Algarve tem tudo para se tornar na próxima referência belga nas clássicas, numa altura que Boonen vai dizer adeus e Gilbert e Avermaet já têm mais de 30 anos. A idade poderá traí-lo no que diz respeito à experiência que pode ser muito importante para corridas tão imprevisíveis como são as do pavé, por exemplo. Porém, a inteligência com que corre, revela maturidade para os apenas 22 anos que tem. É um corredor a seguir com atenção e os grandes nomes sabem que não o podem perder de vista.

Sep Vanmarcke (28 anos, Cannondale-Drapac)
(Fotografia:
Cannondale-Drapac)
O belga regressou a uma estrutura que já conhecia para tentar desbloquear a situação de ficar perto de ganhar, mas não conseguir a vitória. Sofre de uma espécie de síndroma de Avermaet. Soma pódios no Paris-Roubaix e Volta a Flandres e mais uns top dez em clássicas. Venceu em 2012 a Omloop Het Nieuwsblad, mas fica sempre perto de fazer algo mais. Porém, falta aquele bocadinho... É um ciclista feito para as corrida do pavé. Tem a estrutura física, a resistência e a inteligência necessária para triunfar. O que falta a Vanmarcke? Pode-se sempre dizer que lhe falta sorte, mas a verdade é que no momento da verdade, o belga não consegue dar a machada final, acabando por ver outros vencer. Na Cannondale-Drapac, Vanmarcke sabe que é o líder indiscutível para as clássicas. Não que não o fosse na Lotto-Jumbo, mas a formação holandesa tinha outros ciclistas também com as mesmas pretensões. A Cannondale-Drapac não hesitou em recuperar o belga, pois bem que precisa de alguém que lhe traga vitórias. A ver vamos se a união resulta.

Alexander Kristoff (29 anos, Katusha-Alpecin)
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Do norueguês nunca se sabe bem o que esperar. Nos três últimos anos foi capaz do melhor e do pior. Já tem uma Milano-Sanremo e uma Volta a Flandres. Porém, em 2016 ambicionou a muito, mas passou ao lado de praticamente todos os grandes momentos. Esta temporada não começou mal. Soma três vitórias em etapas e duas classificações por pontos. A Katusha-Alpecin de José Azevedo deu um voto de confiança muito forte a Kristoff ao contratar ciclistas para o ajudarem e não foram uns corredores quaisquer. Tony Martin estará ao lado do norueguês e depois do que fez em 2016 na Etixx-QuickStep nas clássicas do pavé (algo que até surpreendeu), Martin, poderá ser o verdadeiro gregário de luxo que Kristoff precisa para regressar aos bons velhos tempos... Não foram há muito, mas Kristoff já sente a pressão de precisar de voltar a conquistar grandes vitórias, ainda mais em ano de Mundiais no seu país.

E há muito mais...
Claro que estes são apenas alguns dos destaques. A lista de ciclistas a ter em conta é de respeito, o que apenas torna as corridas ainda mais interessantes. Niki Terpstra (Quick-Step Floors), Arnaud Démare (FDJ) - o primeiro conta com o Paris-Roubaix, o segundo com uma Milano-Sanremo -, Ryan Anderson (Direct Energie), Adam Blythe (Aqua Blue Sport), Stijn Vanderbergh (AG2R), Luke Rowe (Sky), Jurgen Roelandts (Lotto Soudal) e Lars Boom (Lotto-Jumbo) são outros ciclistas a seguir. E estamos a falar dos chamados classicistas, que aparecem já nas corridas de pavé, porque quando chegarmos à semana das Ardenas, outros nomes se juntarão, casos de Alejandro Valverde (Movistar) e de Rui Costa (UAE Team Emirates), por exemplo.

No que diz respeito a portugueses, o campeão do mundo de 2013 voltará a apostar forte na Liège-Bastogne-Liège, depois de no ano passado Wout Poels (Sky), lhe ter "tirado" a vitória. Já Nelson Oliveira (Movistar) está escalado para a Volta a Flandres e para o Paris-Roubaix, corrida que no ano passado não lhe correu bem. Caiu e foi obrigado a estar um tempo longe da competição.

Nem na Omloop Het Nieuwsblad (198,3 quilómetros), nem na Kuurne-Bruxelles-Kuurne (200,7) haverá portugueses, mas não faltam motivos de interesse. A começar que a meteorologia não estará nada simpática, algo que da perspectiva de quem assiste descansado no sofá às corridas é sempre mais uma razão para esperar espectáculo. Ambas as corridas têm transmissão em directo no Eurosport.

Veja aqui a lista de inscritos para a Omloop Het Niewsblad.

»»Mais sectores de pavé para alimentar a lenda do Paris-Roubaix««

»»Theuns entre a motivação de mostrar a sua qualidade e o medo de não conseguir voltar a estar ao melhor nível««

28 de fevereiro de 2016

Calma jovens: este ainda é o ano para os veteranos. Cuidado veteranos: os jovens não vão ter calma

Cancellara e Boonen em 2012 (Foto: Filip Bossuyt)
Começou a época das clássicas. Março e Abril são, provavelmente, os dois meses em que menos se fala da Volta a França. Durante este tempo, Froome e Contador passam para segundo ou terceiro plano nos media e na atenção dos fãs. Agora é a vez das provas de um dia, com olho nos monumentos que se aproximam e que este ano têm um interesse extra: Fabian Cancellara cumpre a última temporada. Além do ciclista suíço, também já muito se fala de um possível adeus de Tom Boonen, ainda que o belga apenas diga que não vai parar quando terminarem as clássicas. São os dois grandes nomes da última década nas clássicas e a agora já se vai olhando para as potenciais estrelas em ascensão.

Não será fácil tão cedo aparecer alguém com capacidade para conseguir as vitórias que Cancellara (34 anos) e Boonen (35) alcançaram. O suíço venceu três vezes o Paris-Roubaix, outras três a Volta a Flandres e uma a Milano-San Remo. O belga ganhou quatro Paris-Roubaix e três Voltas a Flandres. E apenas se está a referir vitórias em monumentos.

Com uma geração nova de talento a ameaçar roubar o protagonismo aos veteranos, em 2016 ainda é para Cancellara e Boonen que se olha com atenção, atribuindo-lhes o favoritismo para os monumentos (e não só). Portanto, calma Benoot, Stybar, Stuyven, Roelandts ou Theuns, este ainda é o ano para os reis das clássicas.

Mas calma é algo que a nova geração não vai ter, certamente. O primeiro fim-de-semana de clássicas comprovou isso mesmo. Tiejs Benoot (Lotto Soudal) foi terceiro na Omloop Het Nieuwsblad e Jasper Stuyven (Trek-Segafredo) venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne, deixando para trás precisamente um Boonen que até confessou que achou que o jovem ciclista belga tinha feito um ataque "de doidos" quando o viu afastar-se do grupo que liderava a corrida.


E claro que depois temos Peter Sagan (Tinkoff - 26 anos), segundo no sábado, e Alexander Kristoff (Katusha - 28) que ficou nessa posição este domingo. O norueguês já conta com dois monumentos (Milan-San Remo e Volta a Flandres), enquanto Sagan começa a desesperar pelo seu primeiro. Se a nova geração está aí para conquistar o seu espaço, estes dois ciclistas já atingiram um elevado nível de experiência e profissionalismo e os dois vão ser os principais alvos a abater. Até mais do que Cancellara e Boonen.

Há mais candidatos, naturalmente, a brilharem em 2016. Degenkolb está de fora este ano, mas atenção a Greg van Avermaet. Aos 30 anos, o belga parece apresentar-se não só em excelente forma, mas mentalmente muito mais forte e confiante. Venceu na Omloop Het Nieuwsblad, na sua primeira vitória em clássicas belgas. Uma motivação extra para um ciclista que também já se esperaria ter o seu monumento, mas que é conhecido por ficar perto das vitórias (uma espécie de estigma do segundo lugar que agora vai atingindo Peter Sagan). Mas perante o que o belga da BMC tem evoluído nos últimos anos, 2016 promete.


Fica uma dúvida: Philippe Gilbert, vamos voltar a ver no seu melhor, ou pelo menos melhor do que nos últimos anos? Agora com 33 anos, o belga parecia estar a caminho de se tornar num dos melhores ciclistas de clássicas de sempre no início da década. Duas Voltas à Lombardia e uma Liège-Bastogne-Liège. Estava num ritmo de uma clássica por ano (2009, 2010 e 2011), foi contratado pela BMC em 2012 e nunca mais se viu o super Gilbert que vencia quase tudo o que metia na cabeça que ia ganhar quando representava a então Omega Pharma-Lotto. O tempo escasseia para o belga e a ver vamos como a equipa irá gerir a dupla Gilbert/Avermaet.

Muitos nomes a ter em atenção. Mas o centro dela será para Fabian Cancellara e Tom Boonen. Um está de despedida e outro também não deverá tardar muito e fica o (pouco) secreto desejo de os ver ganhar pelo menos mais um monumento cada para preencher uma carreira que os coloca entre os melhores de sempre nas clássicas.