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3 de dezembro de 2017

Um ano em que as atenções dividiram-se entre Uran e o director da equipa

Uran venceu uma etapa no Tour, foi segundo na geral e acabou o ano a vencer
a Milano-Torino (Fotografia: Facebook Cannondale-Drapac)
É difícil escolher uma figura de destaque na Cannondale-Drapac. A dúvida é entre Rigoberto Uran, que regressou ao seu melhor, e Jonathan Vaughters, o director que lá vai conseguindo tirar uns coelhos da cartola e manter a equipa viva, mesmo depois de anunciar que já não dava mais. Se há um exemplo a tirar desta estrutura, é como viver na corda bamba e terminar o ano com um sorriso. Não só sobreviveu, como até conquistou novamente grandes vitórias. Seria perfeito dizer que pode ser o início de uma nova fase, muito mais tranquila e de sucesso, contudo, não deverá ser bem assim.

É justo começar pelo que de bom aconteceu a uma equipa que há dois anos nem uma vitória no World Tour conseguia. Apesar de ciclistas de qualidade, os resultados de destaque não apareciam, nem nas clássicas por Sep Vanmarcke, nem nas grandes voltas por Rigoberto Uran. Enquanto o belga vai ameaçando tornar-se numa expectativa nunca confirmada com vitórias (apesar de estar praticamente sempre na luta e até chegar a pódios), Uran reapareceu e reentra no grupo de ciclistas candidatos a algo mais do que um top dez numa grande volta.

O colombiano foi a grande figura na estrada. A Volta a França que realizou foi fantástica, mesmo que não se goste do facto de jogar muito à defesa. Porém, sem uma equipa para o ajudar como têm Chris Froome e Romain Bardet, Uran jogou e bem as cartas que tinha. Venceu uma etapa e terminou em segundo nos Campos Elísios. Seriam poucos e talvez fossem só na própria equipa que acreditavam que tal era possível. É este o Rigoberto Uran que esteve perto de ganhar a Volta a Itália, foi este o Uran que deixou uma Sky como claro homem de qualidade para ser líder. Aos 30 anos, o colombiano encontrou o equilíbrio no seu ciclismo e foi a nível táctico que mais se notou a diferença. Houve quem o criticasse, inclusivamente outros corredores, mas estar mais à defesa resultou, não resultou?


Ranking: 10º (5748 pontos)
Vitórias: 14 (incluindo uma etapa no Giro e outra no Tour)
Ciclista com mais triunfos: Rigoberto Uran, Pierre Rolland, Alex Howes e Ryan Mullen (2)

Uran acabou o ano a ganhar a Milano-Torino e a pensar se teria de mudar os planos com uma transferência inesperada. Andrew Talansky - que entretanto terminou a carreira precocemente e dedicou-se ao triatlo - foi quem quebrou a seca de dois anos de vitórias no World Tour da Cannondale-Drapac com um triunfo numa etapa na Volta a Califórnia, em Maio. Nem uma semana depois, Pierre Rolland fez ainda melhor e venceu no Giro. Não só a equipa suspirava de alívio, como o próprio francês retirava alguma da pressão que recaia nele, tendo em conta que a sua contratação em 2016 não estava a ser uma aposta ganha.

O problema da formação americana foi que os resultados desportivos não foram acompanhados por tranquilidade nos patrocinadores. Ao surgirem rumores que a Slipstream Sports poderia estar a reformular os seus objectivos e que ter uma equipa no World Tour estava a tornar-se demasiado caro, toda a estrutura abanou. É aqui que surge Jonathan Vaughters, um dos grandes especialistas em arranjar salvações para manter o projecto vivo.

O director da Cannondale-Drapac conseguiu garantir o apoio da Oath, empresa ligada aos meios de comunicação social, que permitiria dar segurança financeira à equipa. Os contratos começaram a ser renovados e tudo parecia tranquilo. Durante a Volta a Espanha o inesperado aconteceu: faltavam sete milhões de dólares (cerca de seis milhões de euros) para garantir a continuidade da estrutura em 2018. Os ciclistas receberam mesmo autorização para negociarem com outras formações. Os que estavam na Vuelta admitiram que até dormiam mal, apesar de a corrida até estar a correr bem, com Michael Woods a terminar no sétimo lugar na geral. Houve quem não perdesse tempo, outros, como Uran deram um prazo para que a situação se resolvesse.

Vaughters até recorreu ao crowdfunding para tentar angariar os sete milhões e o que pareceu ser um acto desesperado e condenado ao fracasso, acabou por ser a solução. A EF Education First soube da iniciativa e acabou por negociar com Vaughters, tornando-se no principal patrocinador. Foi da Suécia que veio a salvação. Mas, só para recordar que no ciclismo nunca nada está seguro, eis que a Oath acabou por retirar o patrocínio. Vaughters apressou-se a garantir que não prejudicaria os planos para 2018.

O trabalho de Vaughters nos bastidores, não foi suficiente para manter Davide Villella e Toms Skujins, por exemplo, mas o resultado de Uran no Tour tornou esta equipa mais ambiciosa, mesmo que o orçamento não permita loucuras. Matti Breschel (Astana) poderá ser mais aposta para as clássicas, mas chegam ainda Mitchell Docker (Orica-Scott), Kim Magnusson (da equipa Continental Tre Berg-Postnord), Daniel McLay (Fortuneo-Oscaro) e o jovem Logan Owen da Axeo Hagens Berman.

O sprinter Sacha Modolo (UAE Team Emirates) é o reforço mais sonante, ainda que dada a falta de resultados nos últimos tempos, haja um enorme ponto de interrogação quanto à sua contratação. Mais importante do que os que chegam, sãor as permanências de ciclistas como Hugh Carthy, Lawson Craddock, Joe Dombrowski e Michael Woods.

Um objectivo da equipa em 2018 será acabar o ano a falar-se do que se fez desportivamente e não tanto de como Jonathan Vaughters trabalhou para salvar a equipa. Mas não se avizinha um ano fácil para a EF Education First powered by Cannondale.

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1 de novembro de 2017

Talansky começa com uma vitória a sua nova carreira

(Fotografia: Instagram Andrew Talansky)
Regressou às origens e até quase que passou despercebido o vencedor do triatlo Marin County. Num jornal local o nome Andrew Talansky surge juntamente com o de Claudia Thompson, a mais rápida entre as mulheres. Não há qualquer menção ao passado do americano, que aos 28 anos surpreendeu ao anunciar o fim da carreira de ciclista. Talansky - que representava a Cannondale-Drapac - nem se deve importar, afinal, ele próprio referiu que foi o regresso às origens no início de uma nova carreira. Há 11 anos foi numa corrida local que aquele que viria a ser considerado uma das grandes esperanças do ciclismo dos Estados Unidos começou a competir. Pode nunca ter sido aquele grande corredor que tanto se esperava no país, mas volta a a criar expectativas na sua nova carreira: um triatlo, uma vitória. E Talansky está ansioso pela próxima prova.

"Não me sentia tão nervoso antes de uma corrida desde, talvez, a minha primeira Volta a França em 2013", escreveu o antigo ciclista no Instagram, mostrando feliz por ter conhecido "boas pessoas". O agora triatleta salientou como este tipo de eventos locais demonstram o que é o desporto. A corrida em Marin County tinha a distância olímpica: 1500 metros a nadar, 40 quilómetros de ciclismo e 10 a correr. Surpresa das surpresas... Talansky foi o mais rápido na bicicleta, sendo o único atleta a completar a distância em menos de uma hora (57:25 minutos). Foi nessa altura que passou para a liderança. Fez 20:57 na natação e 39:30 na corrida, num total de 2:00.14 horas. Apenas como referência, o campeão olímpico, Alistair Brownlee ganhou nos Jogos do Rio de Janeiro, há um ano, com o tempo de 1:45.01, mas claro que estamos a falar de um triatleta experiente, enquanto Talansky está a dar os primeiros passos, ainda que enquanto jovem tenha praticado natação e corrida.

Se os Jogos Olímpicos de Tóquio2020 estão no horizonte do americano, não se sabe, pois Talansky tem um objectivo já para 2018: quer estar no famoso Ironman do Havai: 3,8 quilómetros de natação, 180 de ciclismo e para terminar, uma maratona de 42,195 quilómetros.

Não é invulgar ver um ciclista abraçar o triatlo. Fabian Cancellara, por exemplo, também já começou a fazer algumas competições, mais de sprint (a distância mais curta) ainda que admita que não o faz para perseguir vitórias. Talansky tem como exemplo o compatriota Steve Larsen, ciclista na década de 90 e que em 2001 venceu um Ironman. Um nome bem mais popular, Laurent Jalabert também participou em algumas destas duras competições. A suíça Karin Thurig conciliou as duas modalidades no início do século, vencendo cinco Ironman e foi duas vezes campeã mundial de contra-relógio.

Andrew Talansky já terá conseguido reunir um grupo de patrocinadores para trabalhar neste seu novo objectivo. A vitória no Critérium du Dauphiné, os top dez na Vuelta e outros bons resultados fazem agora parte do passado. Talansky vai à conquista daquela que diz ser a sua nova paixão.


9 de setembro de 2017

Crowdfunding acabou mesmo por salvar a Cannondale-Drapac

A precisar de sete milhões de dólares (quase seis milhões de euros) para garantir a continuidade da equipa em 2018, Jonathan Vaughters, tentou um acto já perto do desespero. Criou uma campanha de crowdfunding para tentar angariar algum desse dinheiro, de forma a manter a Cannondale-Drapac na estrada. Parecia uma tentativa condenada ao fracasso por parte do director, ainda que até já tenha reunido mais de 500 mil dólares. Porém, o crowdfunding acabou mesmo por salvar o conjunto americano. Ao saber da iniciativa, uma empresa sueca quis saber mais sobre a equipa e vai mesmo tornar-se no principal patrocinador. É um respirar de alívio, duas semanas depois dos ciclistas e staff terem recebido um e-mail a dizer que estavam livres para procurar novas equipas, mesmo tendo contrato por mais temporadas com a Cannondale-Drapac.

Foi um choque para muitos. Michael Woods, por exemplo, admitiu que a notícia estava a afectar o seu rendimento na Volta a Espanha, ainda que o canadiano vá terminar na sétima posição da geral. Rigoberto Uran, que tinha já assumido uma renovação de contrato, deu 15 dias para que a situação fosse resolvida antes de estudar propostas, enquanto outros, como Sep Vanmarcke, começaram imediatamente a olhar para as suas escolhas no mercado. Com a incerteza a dominar, para os ciclistas que estavam na Vuelta tornou-se praticamente uma corrida para garantir um contrato. Porém, na sexta-feira surgiu a notícia que havia um novo e-mail. Desta vez dizia que os ciclistas que tinham vínculo contratual iriam ter de o cumprir. Tinha sido encontrado um patrocinador.

Vaughters fez este sábado o anúncio público  este sábado, sabendo-se que Uran e Vanmarcke vão mesmo continuar, mas Dylan van Baarle poderá não fazer o mesmo. Entretanto, já vários ciclistas tinham confirmado a sua saída, mesmo antes do anúncio da falta de dinheiro, porque estavam em final de contrato. Para Vaughters, aqueles que vão sair da equipa reflectem apenas um normal movimento no mercado de transferências. Andrew Talansky surpreendeu ao anunciar o final de carreira, mas Davide Formolo vai para a Bora-Hansgrohe, Davide Villella para a Astana, Alberto Bettiol irá representar a BMC, Tom-Jelte Slagter assinou pela Dimension Data e Kristijan Koren vai continuar a carreira na Bahrain-Merida.

A equipa em 2018 vai então chamar-se EF Education First-Drapac powered by Cannondale. Mais uma vez uma equipa do World Tour conseguiu salvar-se. As novelas repetem-se, mas lá vamos vendo uns finais felizes. Há um ano foi a Lampre-Merida de Rui Costa, agora a Cannondale-Drapac e também a Quick-Step Floors (está última não foi um caso tão problemático, já que o seu principal patrocinador sempre disse que manteria o apoio, "apenas" era preciso um reforço financeiro que terá sido garantido, faltando confirmação oficial, mas os contratos com os ciclistas já estão a ser renovados e Elia Viviani será reforço). 

"Estou bastante feliz e exausto", confessou Vaughters, que disse que nas últimas duas semanas trabalhou mais horas do que nunca, entre telefonemas e viagens, de forma a garantir o vital patrocínio. De recordar que durante a Volta a França foi anunciado a entrada da Oath, ficando ainda por anunciar um outro patrocinador forte que a equipa precisava. Esse alegado acordo acabou por não se tornar realidade. Surge então agora a EF Education First, empresa sueca de ensino de línguas, que promove estudos no estrangeiro. Tem escritórios e escolas em mais de 50 países, incluindo Portugal.


5 de setembro de 2017

A promessa nunca confirmada que acaba a carreira aos 28 anos

(Fotografia: Facebook Andrew Talansky)
Foi apenas há três anos que Andrew Talansky se tornou na nova grande esperança de um ciclismo americano desesperado por encontrar um herói que faça esquecer o falso que o país teve durante uma década, que teve tanto de glória, como de uma grande mentira. A vitória no Critérium do Dauphiné, a competição vista como de antevisão para a Volta a França, colocou Talansky num patamar onde já estava Tejay van Garderen, outro jovem talento. Os EUA olhavam para estes dois ciclistas como as maiores esperanças para voltarem a vencer uma grande volta. Talansky deixou-se apanhar pela pressão de ser o próximo grande ciclista e quando não conseguiu cumprir as expectativas, o ciclista viveu uma crise de confiança que nunca recuperou completamente. Parecia que 2017 seria o ano de viragem. A confiança misturou-se com alguma arrogância, mas foi a forma que encontrou de se tentar afirmar definitivamente. Mas algo mudou. Aos 28 anos, Talansky não quer mais tentar confirmar expectativas. Quer uma nova vida. Fim de carreira para uma promessa que não passou disso mesmo.

A decisão foi comunicada pelo próprio nas redes sociais, apanhando o mundo de ciclismo de surpresa. Numa altura em que a Cannondale-Drapac luta por uma sobrevivência que está difícil de alcançar, a dúvida era para onde poderia ir Andrew Talansky, com que papel e com que capacidade para apresentar resultados. Depois de sete anos como profissional na estrutura americana, Talansky considera que chegou o momento de seguir a sua outra paixão. Não diz qual, mas promete partilhar em breve o que irá fazer.

"Vou sentir a falta dos meus colegas de equipa e da camaradagem, mas principalmente vou sentir falta dos fãs. São poucos os desportos que colocam os fãs tão próximos da acção, o que é uma grande parte do que torna o ciclismo tão especial", escreveu Talansky no Instagram. "Vivi o meu sonho", salientou. No entanto, é difícil afastar a sensação que não explorou todo o potencial que o seu sonho poderia ter na realidade. Em 2012 foi segundo na Volta à Romandia, no ano seguinte fez o mesmo, mas no Paris-Nice, onde venceu ainda uma etapa. Em 2014 venceu então o Critérium do Dauphiné, batendo Alberto Contador, naquele que acaba por ser o ponto alto da sua curta carreira. Nesse ano chegou ao Tour como um dos potenciais ciclistas a lutar por um lugar de topo.

Porém, o grande momento de Talansky acabou em lágrimas. Caiu na 11ª etapa e por pouco conseguiu chegar à meta dentro do tempo limite. A emoção levou a melhor do jovem americano. Chorou e no dia seguinte já não partiu. Mais quedas e uns problemas de saúde levaram Talansky a ter mais um ano aquém do esperado em 2015. Ainda assim foi campeão nacional de contra-relógio, 10º no Critérium du Dauphiné e 11º no Tour. O talento estava lá e de vez em quando vinha ao de cima todo o potencial deste ciclista. Os resultados foram mais consistentes em 2016 e o quinto lugar na Vuelta motivou o americano, que recuperou a confiança.

Talvez por estar novamente a realizar resultados aquém do nível que todos esperavam, tenha sido de mais. Não acabou na Catalunha e no País Basco e chegou à Volta a Califórnia a desafiar quem o poderia bater, colocando mesmo a fasquia bem alta. Ali estava um pouco do melhor Talansky, a mostrar uma arrogância que apenas tentava esconder algumas debilidades. Ficou-se por uma vitória de etapa e o terceiro lugar na geral. Pouco para quem assumiu que era uma corrida para ganhar. Pouco se viu no Critérium du Dauphiné, ainda menos no Tour, onde foi completamente ofuscado por um Rigoberto Uran numa forma que surpreendeu muitos. Na Clássica de San Sebastian nem acabou. A atitude estava lá, a confiança também, mas os resultados é que não apareceram. Outra vez! Queria que 2017 fosse o seu ano de mudança, mas foi apenas a confirmação da promessa que não iria passar disso.

Não significa que não viéssemos a ver um Talansky mais ganhador ou pelo menos a lutar por mais vitórias nos próximos anos. Talvez o americano precisasse mesmo de parar de tentar agradar a quem tanto dizia que iria ser "the next big thing" (o próximo grande corredor, traduzindo a pensar no ciclismo) e concentrar-se em sentir-se feliz e com objectivos mais realistas e não tão ambiciosos. Talvez ser um grande voltista surgisse um pouco mais tarde. Talvez Talansky não tenha o que é preciso para estar entre os melhores. Ficam muitos "talvez" por se perceber. Além de talento é preciso um compromisso físico e psicológico nem sempre fáceis de atingir numa modalidade tão exigente, principalmente num país tão ansioso por ter um novo herói, um herói verdadeiro e honesto. Não será Talansky. Isso está agora mais do que confirmado.

»»Carta aberta a Alberto Contador««

»»Malori teve uma recuperação milagrosa, mas não recuperou a carreira««

27 de agosto de 2017

Ciclistas da Cannondale-Drapac correm por um contrato

(Fotografia: Facebook Cannondale-Drapac)
Chris Froome ganhou, confirmou o seu poderio na Vuelta, contudo, um pouco mais atrás vinha um Michael Woods a lutar contra alguns dos melhores do mundo e contra o pensamento que não consegue afastar: a "sua" Cannondale-Dapac está a precisar de um salvador senão acaba. O canadiano admitiu que está a dormir mal, sendo difícil afastar a ansiedade que a notícia criou nos ciclistas. Agora estão todos a correr por um contrato. Ainda não é um caso fechado, mas os responsáveis da formação americana já terão informado os atletas que é altura de começarem a estudar alternativas para 2018. Woods foi terceiro na etapa, subiu a oitavo da geral, prosseguindo assim aquela que poderá ser a melhor temporada da carreira.

O canadiano de 30 anos pode bem ter escolhido a época certa para somar bons resultados. Está em final de contrato, mas esperava renovar. A incerteza da Cannondale-Drapac arrastou-se durante semanas, mas durante a Volta a França foi anunciada a chegada de um novo patrocinador, uma empresa de media, que iria não só ajudar a manter a estrutura, como contribuiria para um aumento do potencial financeiro. Porém, tudo mudou, numa altura em que até já estavam a ser anunciadas algumas renovações, como a de Rigoberto Uran, segundo classificado no Tour.

A Slipstream Sports, dona da equipa, colocou o futuro em espera, mas se a situação não for resolvida rapidamente, a Cannondale-Drapac, mesmo que consiga sobrevier, pode já não ir a tempo de segurar muitos ciclistas. Joe Dombrowski alertou que não é possível ficar a aguardar em demasia pela decisão dos responsáveis, pois com as equipas a estarem  já a contratar para fechar rapidamente os plantéis para 2018, esperar por Outubro ou Novembro poderá significar muitas portas fechadas. Uran terá mesmo dado duas semanas para que a situação seja resolvida. Astana e Trek-Segafredo já estarão a preparar-se para atacar de novo o colombiano, num interesse que existia ainda antes de este renovar com a Cannondale-Drapac. Renovação que agora poderá estar prestes a ficar sem efeito.

Para os ciclistas que estão na Vuelta, ter a necessidade de arranjar um novo contrato tanto funciona como maior motivação, como também aumenta a pressão e nervosismo. Woods não escondeu que está a afectar o seu rendimento, apesar do bom resultado deste domingo.

Esta equipa resultou da fusão entre a Garmin Sharp e a Cannondale (que antes era a Liquigas) em 2015. A marca de bicicletas acabaria por ficar sozinha, até à chegada da Drapac, o que prejudicou o orçamento da formação, que nunca foi dos mais altos. Também nunca foi uma equipa de muitas vitórias e esteve mesmo mais de dois anos sem ganhar em corridas do Wolrd Tour. O jejum terminou no Giro com Pierre Rolland. Rigoberto Uran ganhou também uma etapa na Volta a França e parecia que a actual Cannondale-Drapac estava a entrar numa fase positiva da vida.

No final de 2016, IAM e Tinkov terminaram. Porém, o receio que se viveu do World Tour perder equipas, foi substituído pelo alívio da chegada da Bahrain-Merida e da subida de escalão da Bora-Hansgrohe. A Lampre-Merida também tremeu, mas dos Emirados Árabes Unidos chegou a salvação para a equipa de Rui Costa, depois do investimento chinês não se ter confirmado. A estabilidade do ciclismo continua a ser uma ilusão. Até a toda poderosa Quick-Step Floors abanou e apesar de também já estar a renovar com alguns ciclistas, ainda não foi anunciado como será a equipa em 2018, se se mantém o patrocinador ou se entram novos.

Uran, Dombrowski, Sep Vanmarcke, Dylan van Baarle, Pierre Rolland ou Toms Skujins, para nomear alguns, serão ciclistas que poderão ter interessados, mas o final de uma equipa deixa sempre alguns corredores em dificuldades para encontrarem um lugar para se manterem ao mais alto nível, ainda mais com o anúncio a ser feito já numa fase avançada da época e, pior, ainda nem estar confirmado.

Dia de descanso para recuperar de semana emocionante

Para os ciclistas da Cannondale-Drapac, o dia de descanso na Vuelta poderá ser importante para recuperar psicologicamente, mais do que a nível físico. É preciso ganhar forças para enfrentar duas semanas infernais. Muita montanha, muitos testes que Chris Froome tem pela frente. Finalmente venceu uma etapa este ano e deixou os adversários rendidos à sua forma.

Ainda não conseguiu deixar a concorrência muito longe. Contudo, etapa a etapa, Froome vai ganhando segundos e, principalmente, deixa a mensagem que vão ter de trabalhar muito para lhe escaparem. O britânico da Sky vai para o dia de descanso com 36 segundos de vantagem sobre Johan Esteban Chaves. Todos os outros têm mais de um minuto para recuperar (veja aqui a classificação).

Estes primeiros nove dias de Vuelta ficam marcados pelo regresso daquele Froome dominador, demonstrando que as fraquezas do Tour serviram de lição para aprender mais sobre como o seu corpo reage. Está na posição que mais gosta e agora é altura dos adversários preparem a táctica para tentar bater um ciclista que não tem por hábito perder lideranças. Até agora, esta Volta a Espanha está a confirmar todas as expectativas. E eram grandes!


Summary - Stage 9 - La Vuelta 2017 por la_vuelta


18 de julho de 2017

Uran: "Froome tem razão em ver-me como ameaça"

(Fotografia: ASO/Bruno Bade)
Há muita coisa que não se esperava escrever sobre a Volta a França este ano quando faltam cinco etapas para o fim, a começar logo pela indefinição que se está a viver: 29 segundos separam os quatro primeiros. E dificilmente se esperaria que um desses ciclistas fosse Rigoberto Uran. Quando se falava de antigos companheiros de Chris Froome, era Richie Porte o grande rival. Com o australiano de fora após uma queda, Uran surgiu como a inesperada ameaça. Vêm aí os Alpes e se o colombiano se mostrar tão bem como nos Pirenéus, o britânico terá uma dor de cabeça acrescida. Se no contra-relógio até se poderá dar alguma vantagem a Froome, se há ciclista com capacidade para lhe fazer frente nesse esforço individual, esse corredor é Uran.

"Se chegarmos ao contra-relógio com estas diferenças, Uran é o mais perigoso. Creio que depois de mim é quem melhor se defende no contra-relógio. Mas antes teremos as etapas de montanha", afirmou Chris Froome, após uma tirada em que praticamente retirou Daniel Martin (Quick-Step Floors) da luta e atirou Alberto Contador (Trek-Segafredo) para fora do top dez. Rigoberto Uran teve uma resposta à altura às declarações do britânico: "Ele tem razão em ver-me como ameaça. Eu conheço bem o Froome. Estivemos três anos juntos na Sky, éramos bons amigos e é por isso que ele sabe que eu ando bem contra o relógio."

Mas o colombiano da Cannondale-Drapac foi mais longe, demonstrado como respira motivação, em declarações ao Cycling Weekly: "Com a forma em que estou, tenho muita confiança para o contra-relógio e espero ter uma boa exibição no sábado." Em Marselha, os 22,5 quilómetros terão muito mais interesse do que o esperado senão houver nenhuma reviravolta nos Alpes. Froome tem vantagem, na teoria, mas vamos ver se chega com a camisola amarela à penúltima etapa. Se Uran é uma ameaça, Fabio Aru (Astana) também se defende bem, mas para estar nessa posição de defesa terá de atacar nos Alpes.

A prever que será fortemente atacado também por Romain Bardet, Chris Froome deixou um alerta aos seus rivais: "O meu objectivo era chegar à terceira semana com as condições físicas que sinto que estou neste momento." E de facto o britânico parece estar a subir de forma. Na etapa desta terça-feira, após o dia de descanso, Froome esteve quase sempre muito bem posicionado e em certas ocasiões nem esperou por colegas de equipa para o fazer. Com receio que o vento pudesse fazer estragos, o líder acabou por ser um dos que impulsionou uma quebra no pelotão que deixou Daniel Martin para trás e com 51 segundos perdidos, são agora 2:01 minutos que separaram o irlandês da liderança.

Aru, Bardet e Uran não tiveram vida fácil, mas terminaram com Froome, numa etapa marcada pela segunda vitória de Michael Matthews e a terceira da Sunweb. O australiano bateu ao sprint um Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) - que já vai merecendo um triunfo - e John Degenkolb. O ciclista alemão da Trek-Segafredo não gostou de ter sido apertado no início do sprint por Matthews e deu um "chega para lá" com o cotovelo já após a meta, como se vê na imagem em baixo. Depois do que aconteceu com Peter Sagan, este tipo de atitude ganha uma nova proporção, mas Degenkolb não foi - pelo menos até agora - sancionado.


Com esta vitória e ainda com o primeiro lugar no sprint intermédio, Matthews colocou-se a 29 pontos de Marcel Kittel, na luta pela camisola verde. O ciclista da Quick-Step Floors ficou para trás logo na primeira subida e não mais recuperou. Vai ser uma luta até final.

O dia do Col du Galibier

É uma das subidas mais marcantes da Volta a França. A 17ª etapa não irá terminar no seu alto, com as descidas a assumirem novamente uma potencial importância no resultado deste Tour. Antes do Col du Galibier haverá uma outra ascensão de categoria especial em Croix de Fer.

Mas é no Galibier que se centram as atenções. A última vez que o Tour por lá passou foi em 2011. Então, do actual top dez, só Rigoberto Uran estava na corrida. Andy Schleck ganhou essa etapa. É das subidas mais altas (2642 metros), com uma pendente média de 6,9% nos 17,7 quilómetros de extensão. No entanto, os últimos quilómetros são feitos praticamente todos a mais de 9%. Depois há que aguentar mais uma descida.

Quanto ao Croix de Fer acaba por ser ao contrário do Galibier. A fase mais difícil é logo no início, mais uma vez com zonas acima dos 9%. Porém, vai aligeirando, pelo que a média cai para 5,2%.


17 de julho de 2017

Kittel sem definir futuro. Cannondale-Drapac perto de assegurar um patrocinador. Zubeldia diz adeus

Só no fim do Tour Kittel decide onde irá prosseguir a carreira
(Fotografia: ASO/Bruno Bade)
Em anos anteriores os dias de descanso na Volta a França foram sido pródigos em anúncios de renovações de contratos, ficando no ar algumas possíveis mudanças que só podem ser confirmadas oficialmente a partir de 1 de Agosto. Em 2017 não se têm visto movimentações intensas, numa altura em que muito se espera por perceber o futuro da Quick-Step Floors. Esta segunda-feira foram confirmados alguns contratos, uns novos patrocinadores, mas Patrick Lefevere continua à procura de quem que possa ajudar a aumentar o poder financeiro da equipa. Perante esta indefinição, Marcel Kittel continua sem decidir sobre o seu futuro, enquanto, por outro lado, Haimar Zubeldia, ciclista da Trek-Segafredo, tomou a decisão de colocar um ponto final na carreira.

Lefevere afirmou ao Sporza que ainda nada está assinado, já tendo passado o prazo que o próprio tinha definido para ter a situação resolvido. O director belga queria estar descansado até ao início da Volta a França. A uma semana do fim da corrida e com Marcel Kittel com cinco vitórias, a expectativa aumenta sobre o que irá acontecer. A ideia de acabar com uma das formações mais populares e poderosas do ciclismo estará afastada. Lefevere chegou a falar dessa possibilidade, mas com os actuais patrocinadores - Quick-Step Floors, Lidl, Specialized e outros mais pequenos - a terem assegurado a continuidade, a equipa até já estará a renovar ou a preparar renovações com ciclistas como Fernando Gaviria e Philippe Gilbert.

"O nosso orçamento não está a aumentar e eu tenho de tentar manter todos os ciclistas. Não é fácil", disse Lefevere. Sem se referir directamente ao caso de Kittel, o sprinter começa a ser a grande dúvida. A Katusha-Alpecin será uma das equipas interessadas em contar com o alemão e tendo em conta que este ano passou a ter um patrocinador desse país, poderá haver um forcing financeiro para que Kittel assine pelo conjunto liderado por José Azevedo. O ciclista também poderá ser tentado a mudar. Com Gaviria a crescer de importância dentro da Quick-Step Floors depois das quatro vitórias no Giro, apesar de Kittel já levar cinco no Tour e ter um currículo invejável, o sprinter sabe que no futuro próximo poderá ter de dividir as atenções com o colombiano. Uma baixa de rendimento e corre o risco de ser ultrapassado nas opções. Numa equipa nova, Kittel tentará garantir que manterá intacto o seu estatuto, independentemente do que possa acontecer durante a temporada.

No entanto, na Quick-Step Floors tem garantias de já ter um comboio formado para si e que, mesmo que sofra uma ou outra alteração, Kittel sabe que contará com ciclistas bem treinados na arte de preparar sprints. Se sair, é quase certo que levará consigo Fabio Sabatini, o seu fiel lançador. Só no final da Volta a França Kittel irá decidir onde quer prosseguir a carreira.

Cannondale-Drapac perto de ganhar poder

Também a Cannondale-Drapac tenta afastar os rumores de que poderia fechar portas. O seu director, Jonathan Vaughters, assegurou ao Cycling News que está perto de selar um acordo com uma empresa de media americana. Disse não querer dar azar às negociações, pelo que não adiantou o nome, salientando apenas que até ao final da Volta a França espera ter tudo resolvido.

A Slipstream, empresa que detém a equipa, tinha admitido que não estava a dar as condições financeiras para que a Cannondale-Drapac fosse uma equipa mais forte, fazendo cortes em várias áreas. Desde então que se temia o pior, ainda que Vaughters sempre o tenha negado. O objectivo do responsável é que este novo patrocinador possa colocar a formação americana ao nível da Sky e Movistar, por exemplo.

A Lotto-Jumbo é que garantiu mesmo mais um patrocinador com a entrada da marca de nutrição desportiva Vifit Sport.

A despedida de Zubeldia

(Fotografia: Trek-Segafredo)
40 anos de vida, 20 de carreira, muitos deles ligado à Euskatel-Euskadi, equipa onde conquistou os seus melhores resultados. Inesperadamente Haimar Zubeldia foi chamado à Volta a França, depois do teste positivo de doping de André Cardoso. Uma última grande volta, numa carreira que ficou marcada por estar ao lado de ciclistas marcantes. Umas vezes na mesma equipa, outras no pelotão, mas para Zubeldia foi especial pedalar com nomes que ficarão para a história da modalidade. São 29 grandes voltas, dividas entre Espanha e França. Apenas fez um Giro.

O espanhol recordou como começou a carreira numa altura em Marco Pantani, Alex Zülle, Abraham Olano, Laurent Jalabert, Jan Ulrich, Ivan Basso e Joseba Beloki estavam no pelotão. "20 anos depois vou colocar o último número na minha camisola num pelotão com Froome e Contador. Foi um privilégio partilhar a minha paixão e profissão com todos estes grandes ciclistas", afirmou Zubeldia.

O espanhol junta-se assim a Tom Boonen que se despediu no final do Paris-Roubaix, Adriano Malori - que há poucos dias anunciou a sua retirada depois de não conseguir recuperar a sua forma após uma queda - e também Thomas Voeckler. O francês irá finalizar a carreira quando terminar o Tour, enquanto Zubeldia irá ainda à Clássica de San Sebastián, a 29 de Julho.


16 de junho de 2017

O futuro incerto de duas equipas que poderá mexer (e muito) com o mercado de transferências

O único tema que consegue rivalizar com a Volta a França é o mercado de transferências. O Tour tem o mediatismo que faz com que se fale quase exclusivamente do que se passa na corrida durante três semanas, contudo, com a aproximação do dia em que os ciclistas e equipas podem começar a fechar publicamente contratações, os grandes nomes acabam por ser tema de muitas conversas. O ano passado foi exemplo disso, com o fim anunciado da Tinkov e da IAM (principalmente da formação russa) a preencheram muito espaço em jornais e sites. Em 2017 são muitos os nomes importantes em final de contrato (pode ver aqui), mas sem fim confirmado, a falta de decisão sobre o futuro da Quick-Step Floors está a ameaçar que possam existir grandes transferências. Porém, nas últimas semanas juntou-se também a Cannondale-Drapac. As equipas estão em lados opostos no que diz respeito a vitórias e em ciclistas de referência, mas a formação americana tem alguns corredores que interessam e muito. As especulações já começaram e apesar de só a partir de 1 de Agosto se poder revelar os novos contratos, os ciclistas gostam de ter o seu futuro resolvido antes do Tour.

O fim da Quick-Step Floors parece ser difícil de acontecer, mas a verdade é que Patrick Lefevere continua sem confirmar se a equipa vai ou não continuar. O carismático director havia colocado a data limite para encontrar mais um patrocinador principal para antes do arranque da Volta a França. Para já, não há nada que seja conhecido publicamente e o Tour começa dia 1 de Julho. Porém, o magnata dono da empresa Quick-Step já garantiu que poderá manter o patrocínio sozinho, mas Lefevere quer mais. Perante esta indefinição, os ciclistas da equipa, todos em final de contrato, já começaram a analisar outras propostas. Marcel Kittel é um deles. O sprinter alemão admitiu que já lhe foram oferecidos contratos, sendo um deles da Katusha-Alpecin, equipa liderada pelo português José Azevedo. Kittel salientou que gostaria de ficar na formação belga, mas tem claramente a porta bem aberta para mudar de ares, principalmente percebendo que mesmo que a equipa continue, poderá ter de enfrentar uma concorrência de Fernando Gaviria.

Esta semana houve uma reunião entre os ciclistas e Lefevere alegadamente para ser explicado o ponto da situação. Alguns sites especializados deram que Gaviria já terá proposta para renovar, mas oficialmente nem esta informação, nem o que se passou na referida reunião foi revelado. Para já a indefinição continua, o que significa que há equipas a olhar para Kittel, para o renascido Philippe Gilbert, Bob Jungels e um muito (mesmo muito) procurado Julian Alaphilippe.

Há um ano a Tinkov tinha alguns ciclistas de qualidade que geraram interesse de outras equipas, mas as atenções eram centradas em Alberto Contador, Peter Sagan e Rafal Majka. Já a Quick-Step Floors tem um plantel onde quase todos os ciclistas são candidatos a garantir vitórias e por isso mesmo é que conta com uns impressionantes 31 triunfos divididos por 12 corredores. Se todos ficarem livres... vai ser um autêntico sprint para garantir ciclistas de tão elevada qualidade, ainda que há que ter em conta os elevados salários de alguns, a começar por Marcel Kittel.

Do lado oposto do sucesso está a Cannondale-Drapac. A equipa americana soma apenas três vitórias e a grande conquista foi ter quebrado um jejum de dois anos sem triunfos no World Tour. Ainda assim, mesmo a etapa conquistada no Giro por Pierre Rolland (antes Andrew Talansky venceu na Volta a Califórnia) não esconde as enormes carências da formação que de ano para ano tem reduzido o investimento. Quando em 2015 a então Garmin juntou-se à Cannondale (ex-Liquigas) desde logo a fusão falhou num ponto importante: não conseguiu garantir a permanência da então estrela em ascensão (meteórica): Peter Sagan assinou pela Tinkov.

A estrutura da equipa acabou por ser em grande parte a da Garmin, ainda que este patrocinador acabasse por sair, deixando a Cannondale sozinha desde 2016. As vitórias escasseiam e não é fácil aos responsáveis manter as suas principais figuras. Não conseguiu segurar Daniel Martin, por exemplo, e apesar de ter contratado Rigoberto Uran e mais tarde Pierre Rolland, acabaram por ser duas apostas falhadas para lutar pela geral nas grandes voltas. A entrada da Drapac durante 2016 não significou uma injecção financeira que fizesse diferença e, por isso mesmo, a Slipstream Sports - empresa dona da equipa - afirmou que está à procura de um patrocinador que possa reforçar com dinheiro que permita tornar a equipa mais competitiva.

Esta foi a reacção da empresa às notícias que davam conta que a Cannondale estava a ponderar diminuir alguns dos seus patrocínios, a começar pela equipa do World Tour. Tal poderá significar que a continuidade da formação está em risco. Imediatamente as atenções viraram-se para Davide Formolo, o talento italiano que é visto como uma das grandes esperanças para as grandes voltas. Tem 24 anos e está a evoluir de uma forma muito interessante. Em final de contrato, é forte a possibilidade que perante a incapacidade financeira da Cannondale em oferecer ordenados altos e condições melhores a um potencial líder, Formolo seja o próximo a abandonar a estrutura, mesmo que esta continue. Toms Skujins, Hugh Carthy, Nathan Brown, Michael Woods, Lawson Craddock e Joe Dombrowski são ciclistas que estão a gerar interesse de outras equipas. Andrew Talansky também, mas Rigoberto Uran e Rolland já perderam algum crédito. E depois há Sep Vanmarcke, o eterno ciclista que pode ser um dos maiores nomes das clássicas do pavé, mas os anos passam e não confirma esse estatuto. Ainda assim, certamente que não terá problemas em encontrar uma boa equipa se assim desejar e precisar, já que tem contrato até 2018.

A instabilidade dos patrocinadores é algo historicamente ligado ao ciclismo. Numa altura em que as regras até prevêem uma eventual implementação de um sistema de subida e descida de escalão, o risco de acabarem mais equipas pode mudar muita coisa. Em 2016, a saída da Tinkov e IAM acabou por ser compensada pela chegada da Bahrain-Merida e subida da Bora-Hansgrohe. Para já é mais uma ameaça duas equipas não saberem o seu futuro. A modalidade espera pela decisão de Patrick Lefevere e pela chegada de um patrocinador que apoie a Cannondale. Claro, que é já com ansiedade que se aguarda a chegada de 1 de Agosto para perceber se esta indefinição traduziu-se em mudanças. Mas primeiro, vamos ao Tour.



24 de maio de 2017

Rui Costa finalmente teve equipa, mas no momento decisivo falhou e a etapa escapou... Outra vez

(Fotografia: UAE Team Emirates)
Desde que se mudou para a Lampre-Merida em 2014 que se critica o facto da formação, então italiana, nunca ter construído a equipa necessária para Rui Costa alcançar os seus objectivos, principalmente o desejado top dez na Volta a França. Mas nem no Tour, nem noutras corridas. Foram raras as vezes em que o ciclista português teve uma ajuda digna de nota numa corrida. A UAE Team Emirates é basicamente a estrutura da Lampre, mas parece que a mudança de patrocinador e de nacionalidade deu outra motivação e outra organização (ainda longe de ser a ideal). Rui Costa surgiu em 2017 renovado, a ganhar corridas e a sua estreia no Giro está a ser marcada pela luta por etapas e dois frustrantes segundos lugares. Este último mais difícil de "digerir". Com colegas de equipa na fuga, ainda assim Pierre Rolland fugiu e o campeão do mundo de 2013 nem conseguiu discutir o final a etapa, ganhando apenas o sprint para o segundo lugar.

É sempre um bom resultado, mas não é aquele que o irá deixar inscrito como um dos vencedores no Giro100. São uns pontos importantes para o ranking, mas isso é secundário nesta altura. Rui Costa quer vitórias e perder como aconteceu esta quarta-feira dá que pensar: quando é que a actual UAE Team Emirates começa a funcionar como equipa? Ciclistas talentosos têm, alguns ainda jovens e com uma margem de progressão interessante. Porém, na 17ª etapa tanto pareceu determinada em vencer, como ficou confusa com a posição de Jan Polanc, que chegou a ser o líder virtual, depois ficou "apenas" como o melhor jovem virtual e acabou por se ter de contentar com a entrada no top dez. Algo excelente tendo em conta o ciclista e as ambições da equipa, mas, lá está, a desejada etapa escapou porque quando foi preciso trabalhar em prol de um objectivo, não estiveram à altura dos acontecimentos.

Esta foi uma daquelas tiradas em que os favoritos queriam mais poupar alguma força para os dias decisivos que aí vêm. Não surpreendeu portanto que a Sunweb não se tenha preocupado com a fuga, que chegou a passar os 14 minutos de vantagem. Foi por esta altura que Jan Polanc foi o maglia rosa virtual. Claro que a Sunweb não ia deixar isto acontecer. Mais estranho foram as outras equipas não defenderem a posição dos seus líderes, casos da FDJ e Bahrain-Merida, por exemplo. Ninguém claramente tem medo de Polanc. A Quick-Step Floors lá se chegou à frente para salvar a camisola branca da juventude de Bob Jungels e a Lotto-Jumbo deu uma ajuda para preservar o nono lugar de Steven Kruijswijk. Já a Orica-Scott não se preocupou em ver Adam Yates cair para a 11ª posição.

Os quilómetros deram razão à descontracção no pelotão. A fuga foi perdendo algum fôlego e com a diminuição de ciclistas na frente, foi também caindo a diferença. Voltamos então a Rui Costa. Ali estava o ciclista português novamente na disputa de uma etapa. Quando na 11ª perdeu para Omar Fraile (Dimension Data), Rui Costa teve de fazer a ponte para a frente da corrida, perdendo algumas energias que lhe fizeram falta no sprint final. São circunstâncias do ciclismo. Esta quarta-feira, a UAE Team Emirates chegou a ter quatro corredores na frente. Matej Mohoric liderou com Pavel Brutt (Gazprom-RusVelo). Acabou por ficar sozinho durante vários quilómetros. Porquê? Com um grupo atrás na perseguição, longe do pelotão, mais valia ter-se deixado apanhar. Acabou por ser, até trabalhou, mas houve muita força deitada fora por uns minutos de atenção televisiva. A nível táctico a UAE Team Emirates esteve mal.

Nesse tal grupo estava Rui Costa, Jan Polanc e Valerio Conti. Mesmo com Polanc como virtual maglia rosa, ficou claro que a equipa pensava na vitória de etapa. Trabalharam muito e bem, mas quando chegou o momento chave, houve uma má leitura de corrida e foram horas e quilómetros de esforço por água abaixo. Polanc acabou por ficar um pouco para trás, Mohoric desapareceu para o anonimato do pelotão. Quando Rolland arrancou o pensamento, tanto dos ciclistas da UAE Team Emirates, como dos restantes corredores do grupo, terá sido que aquele não era o terreno para um trepador como o francês. Não tiveram em conta a vontade (a roçar o desespero) de voltar a vencer. De repente, Rolland tinha 30 segundos e nem Conti, nem o próprio Rui Costa conseguiu apanhar o homem da Cannondale-Drapac. O esforço de tanto tempo em fuga foi pago naquele momento... o momento em que a equipa mais era precisa.

Rui Costa é conhecido por ser um exímio ciclista a ler a corrida. Com a companhia de Conti terá confiado no colega que ainda tem muito a aprender, apesar da reconhecida qualidade, que ficou bem patente quando venceu uma etapa na Vuelta, no ano passado.  O português terá também confiado que outros adversários ajudariam na perseguição. Não aconteceu com o ritmo necessário. Quando o ciclista português reagiu, o mal estava feito. Por todo o trabalho feito que merecia um final melhor, pelo facto de Rui Costa ter tudo para vencer uma etapa no Giro100 na primeira vez que participa na Volta a Itália, foi uma pena que por uma vez que o ciclista teve ajuda da equipa, esta não tenha sido a desejada e merecida.

Agora com Jan Polanc no top dez, mas apenas com 27 segundos de vantagem sobre Adam Yates, será preciso uma equipa para tentar defender esta posição. Ou será que a aposta vai continuar a ser mais uma etapa, não esquecendo que o esloveno já venceu no Etna? Seja qual for a decisão, e mais uma vez, é preciso actuar como uma equipa unida, em prol de um objectivo e com a atenção exigida a este nível para se concretizar as ambições.


(Fotografia: Giro d'Italia)
A glória ficou para Pierre Rolland. E muito precisava o francês deste momento. Há dois anos que não ganhava, desde a Volta a Castela e Leão de 2015. Porém, desde 2012 que não vencia numa grande volta, ainda que tenha somado alguns top dez. Mas aquele que foi visto como uma grande promessa francesa, é agora aos 30 anos uma das desilusões. Rolland sabia que o crédito na Cannondale-Drapac ameaçava terminar. Vencer a etapa no Giro100 foi um alívio para o francês

Quando em 2016 chegou à formação norte-americana, a esperança era grande que pudesse finalmente confirmar as expectativas. Não o fez e a equipa já não aposta nele como inicialmente previa fazê-lo. Para a Cannondale-Drapac, Rolland tornou-se naquele membro livre para conquistar etapas, mas já não é o líder.

A própria equipa também respira um pouco de alívio. Após mais de dois anos sem vencer numa corrida World Tour, numa semana conquistou duas vitórias. Primeiro na Volta a Califórnia por intermédio de Andrew Talansky e agora no Giro com Pierre Rolland. Ainda assim, em 2017 são apenas três triunfos para a Cannondale-Drapac. Em 2016 foram apenas dez durante a temporada, no ano antes 11. Foi em 2015 que a equipa tinha vencido pela última vez numa grande volta. Foi também no Giro, na etapa quatro, com o jovem Davide Formolo a destacar-se.

Foi uma vitória importante para a Cannondale-Drapac e para Pierre Rolland, mas nem a equipa, nem o ciclista podem relaxar muito. Perante o potencial que têm, o que tem sido alcançado é pouco. As exigências vão continuar altas e a pressão ainda maior sobre os ciclistas. Mas ainda assim, os triunfos de Talansky e Rolland podem ter o condão de dar alguma tranquilidade, já que o mais difícil ficou finalmente feito: regressar às vitórias no World Tour.


Giro d'Italia - Stage 17 - Highlight por giroditalia


Confirmou-se o dia calmo, mas agora é tempo de acção

Tirando a entrada de Jan Polanc no top dez, o dia acabou sem mudanças no topo da tabela. Depois da indisposição de ontem de Tom Dumoulin que o obrigou mesmo a parar, num daqueles momentos que marcará este Giro100, são 31 segundos que separam o holandês de Nairo Quintana, 1:12 minutos de Vincenzo Nibali e menos de três minutos para Thibaut Pinot e Ilnur Zakarin.

Há um ano as Dolomitas decidiram a corrida e é provável que façam o mesmo em 2017. Ficamos pelo "provável". É que depois do que aconteceu na etapa da Cima Coppi, na qual ataques nem vê-los, com o problema fisiológico de Dumoulin a ser o principal desestabilizador, fica a dúvida de como estão realmente os adversários do holandês. Nibali esteve brilhante a descer, mas ainda não convenceu a subir. Quintana voltou ao modo cuidadoso - parece que o colombiano de ataque só aparece em provas secundárias, ou numa Vuelta, ainda que impulsionado por Alberto Contador -, Pinot, Zakarin, Mollema, Pozzovivo e Jungels estão alguns níveis abaixo do necessário para fazerem frente a Dumoulin.

Tudo pode mudar na etapa de quinta-feira, mas pelo menos espera-se que o líder não tenha problemas inesperados para de uma vez por todas saber se tem capacidade para aguentar-se na frente numa etapa muito complicada.

Veja aqui as classificações da 16ª etapa e as classificações antes de se entrar nas etapas decisivas do Giro100.



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16 de maio de 2017

Skujins mal conseguia manter-se de pé mas continuou na corrida até o obrigarem a parar

Skujins em mau estado, mas sorridente
(Fotografia: Twitter Tom Skujins)
"Nunca vou sugerir em entrar numa luta com o asfalto porque irás perder." Toms Skujins já recuperou a boa disposição, mas na etapa desta segunda-feira na Volta à Califórnia não havia razões para sorrir, mas sim para estar bastante preocupado. Talvez não tanto ele que depois de uma aparatosa queda só pensou em regressar à corrida apesar de mal conseguir manter-se de pé. A equipa e certamente a família terão ficado preocupados com a saúde do ciclista. 

As imagens são impressionantes. Skujins caiu desamparado. Tentou levantar-se, mas estava claramente desorientado. Tentou voltar à bicicleta, mas caiu novamente. Não desistiu e quase foi atropelado pelos ciclistas que estavam a descer a grande velocidade quando, pelo que parece, estava a tentar recuperar o seu Garmin. O instinto de qualquer ciclista é quase sempre tentar seguir caminho e depois de tanto trabalhar para acabar a etapa como líder da montanha, o homem da Cannondale-Drapac tinha essa motivação e mesmo haveria de conseguir regressar à corrida.

Entretanto, nas redes sociais muitos questionavam porque razão Skujins ainda estava em prova. O director da equipa, Jonathan Vaughters, estava no autocarro, enquanto o carro de apoio estava ainda afastado do ciclista, visto que a fuga não tinha um minuto de vantagem e na descida o pelotão ficou muito estendido pela estrada. Vaughters escrevia no Twitter que estava com pouca rede e que não tinha acesso às imagens, mas lá conseguiu falar com quem estava no carro. Passado alguns minutos, Toms Skujins foi obrigado a parar. Não ficou satisfeito, mas as suspeitas de uma concussão cerebral eram demasiado fortes e foi necessário proteger a saúde do ciclista.



"Instintivamente o Toms continuou a pedalar, mas era claro que ele não poderia continuar. Foi um rude golpe para a equipa e para a ambição pessoal dele, contudo, foi uma queda feia e a competição pode ficar para segundo plano enquanto ele recupera", salientou o director desportivo da Cannondale-Drapac, Tom Southam.

O susto foi grande, mas o ciclista letão de 25 anos já está a recuperar da concussão, mas tem ainda uma clavícula partida e a pele muito queimada pelo contacto com o alcatrão. "Estou a sentir-me bem. Estou muito chateado, claro", disse Skujins que não sabe quando voltará aos treinos. O ciclista explicou ainda que nos próximos tempos não poderá responder às muitas mensagens que tem recebido, pois devido à concussão não deve olhar para ecrãs de forma a não prejudicar a recuperação.

Este incidente é um exemplo tanto da tenacidade de um ciclista e da importância de alguém que tem de ser objectivo e célere em tomar decisões que defendam a saúde de um atleta, por mais vontade que este tenha em continuar na corrida.

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13 de maio de 2017

Volta à Califórnia e a recuperação de prestígio do ciclismo americano

Em 11 edições, a Volta a Califórnia não só se consolidou como uma das melhores (se não a melhor) corrida nos EUA, como a cada edição foi atraindo cada vez mais equipas e ciclistas de renome do pelotão internacional. Com o crescente mediatismo foi também contribuindo para que jovens ciclistas americanos (e não só) tivessem uma janela para se mostrarem e tentarem dar o salto para outro nível. A Volta à Califórnia sobreviveu ao descrédito em que caiu o ciclismo norte-americano depois do caso Armstrong, manteve-se na estrada apesar da diminuição de patrocínios que custou a realização de outras corridas e chega a 2017 fortalecida com o estatuto World Tour. É uma das competições que se estreia no principal calendário, mas mais importante é também a prova que o ciclismo nos EUA está a renascer das cinzas.

A importância desta corrida é tal que as equipas daquele país desesperaram este ano para receber um convite. Com porta aberta às formações do World Tour - e serão 12 das 18 -, a subida de escalão colocou em causa a presença de equipas que nos últimos anos se habituaram a ter garantido um lugar e uma enorme oportunidade para competir ao lado dos melhores. O renascimento do ciclismo americano tem sido de tal forma, que sem ter equipas de um nível muito elevado, a verdade é que têm sido nesta corrida que alguns ciclistas têm conseguido convencer directores desportivos a darem-lhes contratos no World Tour.

A subida à principal categoria da corrida custou um lugar à Axeon Hagens Berman dos gémeos Oliveira. É considerada uma das melhores equipas de formação e tem estado em destaque sempre que participa na Volta à Califórnia. Mas alguém teve de ficar de fora e a fava tocou ao conjunto de Axel Merckx. Há um ano Ruben Guerreiro foi um dos animadores da competição por esta equipa. Este ano regressa como uma das jovens promessas da Trek-Segafredo.

Com o tempo o caso Armstrong vai sendo ultrapassado, ainda que nos tribunais continuem a decorrer processos contra o americano. E não, Armstrong não morreu, apesar da notícia que circulou na internet e que começou num site de notícias falsas. Mas a modalidade foi recuperando alguma credibilidade, ainda que continue frágil. Em nada tem ajudado os recentes estudos que demonstram que o doping é uma realidade assustadora e disseminada no ciclismo amador. No profissional, não se têm verificado casos e essa credibilidade tem sido construída com ciclistas que podem não ser os mais ganhadores, mas têm presença forte no pelotão.

Dos que estarão presentes na Volta à Califórnia, Andrew Talansky tem sido uma das principais figuras. É certo que aos 28 anos ainda não confirmou as expectativas criadas nos seus primeiros tempos de profissional sempre na estrutura da actual Cannondale-Drapac. Tem três top dez em grandes voltas, conquistou um Critérium du Dauphiné, mas tem faltado sempre algo a este talentoso ciclista. Nesta equipa americana, há ainda dois nomes que tiveram os seus momentos nesta corrida antes de "darem o salto": Nathan Brown (25 anos) e Lawson Craddock. São dois "produtos" da escola Axel Merckx que ajudam a compor a invejável lista de corredores que o belga ajudou a evoluir e a chegar ao World Tour, como é o caso recente de Ruben Guerreiro.

O que os americanos gostariam mesmo de ver este ano seria um dos seus ganhar. Seria a forma perfeita de começar a carreira da corrida no calendário principal. Brent Bookwalter é dos mais experientes. Tem 33 anos e já avisou que apesar de Samuel Sánchez estar presente, está na Califórnia para tentar ganhar. A BMC não se importa, já que é uma das equipas com mais vitórias este ano e é americana. Tyler Farrar (Dimension Data) e Taylor Phinney (Cannondale-Drapac) são dois dos ciclistas locais mais admirados, mas há muito afastados dos bons resultados.

A verdade é que de ano para ano são mais os nomes de ciclistas americanos que se tem vindo a falar no pelotão dada a qualidade, ainda que continue a faltar um grande vencedor. Não vamos dizer como Armstrong, pois é algo que o ciclismo não precisa, mas falta um homem que conquiste uma vitória mediática numa grande volta ou num monumento. Tejay van Garderen parece cada vez menos ser o candidato a tal, mas é tempo de deixar o talento de outros evoluir e talvez a curto prazo os EUA tenha um campeão que resista ao teste do tempo e das suspeitas.

Mas a Volta à Califórnia está longe de se fazer apenas de americanos. Continuando com os portugueses, além de Ruben Guerreiro - e vamos ter atenção a este ciclista que tanto gosta daquelas estradas - estará presente Tiago Machado na ajuda a Alexander Kristoff, numa Katusha-Alpecin que quer ver o seu sprinter ganhar forma para o Tour. Vamos ficar de olho em Jhonatan Restrepo porque este colombiano é de muita qualidade e é um facto que os colombianos têm tendência a aparecer nesta corrida.

Elia Viviani (Sky) estará com uma vontade enorme em vencer depois de ter sido excluído da equipa para o Giro100, mas o sprint terá uma das suas maiores estrelas da actualidade: Marcel Kittel (Quick-Step Floors) é mais um nos EUA a pensar no Tour. Também se deverá ver John Degenkolb (Trek-Segafredo) nesta luta.

Porém, todas estas estrelas sabem que a nível de popularidade não batem Peter Sagan. O eslovaco como que foi adoptado pela Califórnia e é absolutamente idolatrado. E ele retribui esse carinho, admitindo também o quanto gosta desta corrida. Desde 2010 que vence etapas e já lá vão 15, além de uma surpreendente vitória na geral em 2015. Agora a competição já não é tanto para as suas características - naquele ano Sagan defendeu-se bem na etapa rainha e fez valer a sua qualidade em contra-relógios para bater Alaphilippe -, mas a Bora-Hansgrohe vem com vontade de ganhar. Rafal Majka também está nos EUA e é possível que se comece a ver mais do polaco nesta fase da temporada. O vencedor de 2016, Julian Alaphilippe, não estará presente, pois foi operado ao joelho e vai inclusivamente falhar a Volta a França.


A Volta a Califórnia implica uma longa viagem, logística sempre mais complicada e dispendiosa, realiza-se ao mesmo tempo do Giro, mas sem surpresa não tem problema algum em chamar equipas do World Tour, sendo das competições que apresenta para já todas as condições para continuar no principal calendário, sendo cada vez mais encarada como preparação para o Tour, seja para os sprinters, como para os trepadores. É uma corrida completa, com percurso interessante, com os adeptos que gostam de se distinguir com fatos (às vezes falta deles) originais e claro que para quem está na Europa ainda tem aquele pormenor de se assistir a ciclismo em horário nobre.

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